Em janeiro de 2026, a Igreja reza para que a Oração com a Palavra de Deus seja alimento em nossas vidas e fonte de esperança em nossas comunidades.
O 16º passo de nossa caminhada quaresmal é acolher o pobre como um irmão.
O 15º passo de nossa caminhada quaresmal hoje é cultivar o espírito de serviço.
EVANGELHO
MEDITAÇÃO
O 14ª passo de nossa caminhada quaresmal: praticar o que ensinamos.
EVANGELHO
MEDITAÇÃO
O 13º passo de nossa caminhada quaresmal: tratar quem errou, com misericórdia.
EVANGELHO
MEDITAÇÃO
O 12° passo de nossa caminhada quaresmal: ler o Evangelho de cada dia

EVANGELHO
Naquele tempo, 1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus.
4Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 5Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!”
6Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”.
8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.
MEDITAÇÃO
Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutem-no! (Mt 17, 4)
Chegamos ao segundo domingo da Quaresma. Este é o domingo da transfiguração. Neste ano, lemos essa surpreendente cena no evangelho de São Mateus.
Jesus subiu a um alto monte com três dos seus discípulos, Pedro, Tiago e João. Lá, no alto da montanha, em oração, Jesus foi transfigurado. Os discípulos o viram com o rosto brilhando e as roupas alvas como luz. Viram também Moisés e Elias conversando com ele. E ouviram a voz de Deus recomendando que escutassem Jesus, o seu filho amado. Os discípulos ficaram muito assustados. Jesus encontrou-se sozinho e os tranquilizou.
Desde o começo da Quaresma, você ouviu falar que este tempo é como um grande retiro para o Povo de Deus, com uma subida de 40 degraus, até a semana santa e o tríduo pascal. Dos 40 dias da Quaresma, este é o 12º dia. E, como você vem acompanhando a Meditação da Palavra de Deus, tem percebido que a cada dia, o Senhor vem nos oferecendo lições, ensinamentos, propostas de crescimento.
Na mensagem que o Papa Francisco escreveu para a Quaresma deste ano tem uma palavra que lhe interessa, de maneira especial. Escute bem: “A Quaresma é tempo de graça na medida em que nos pusermos à escuta d’Ele, que nos fala. E como nos fala Ele? Antes de mais nada na Palavra de Deus, que a Igreja nos oferece na Liturgia: não a deixemos cair em saco furado; se não pudermos participar sempre na Missa, ao menos leiamos as Leituras bíblicas de cada dia valendo-nos até da ajuda da internet”. Viu só? A Quaresma é tempo de graça na medida em escutarmos a voz de Deus, particularmente nas Escrituras que a Igreja nos oferece a cada dia. Foi o que os discípulos ouviram no alto do monte: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutem-no!” (Mt 17, 4). Neste sentido, tenho que agradecer a você o seu esforço de todo dia, nesta Quaresma, estar acompanhando a Meditação da Palavra e lendo o Evangelho do dia.
O Papa Francisco, com sua sabedoria de pastor do povo de Deus, explicou, em sua mensagem, que a Quaresma se parece com a subida de Jesus e dos três discípulos àquela montanha. Quando se sobe uma montanha, muitas dificuldades aparecem: obstáculos no caminho, o cansaço, o desânimo, o medo do que vem pela frente. Lendo a mensagem do Papa, pensei logo nas dificuldades que muitos relatam: a distração, a falta de tempo, a falta de ritmo, a preguiça, o sentimento de que nada vai mudar na sua vida, a sensação de que esse caminho seja para meia dúzia de gente muita santa. Os discípulos que subiram com Jesus também tinham suas dificuldades: não estavam aceitando o caminho de Jesus que passava pela paixão e pela cruz, não estavam entendendo bem a proposta de Jesus, estavam confusos, estavam com medo.
Apesar das dificuldades, os discípulos chegaram até o topo da montanha. Chegaram, claro, com Jesus. E chegaram juntos. É assim a Quaresma, é assim a vida cristã. Subimos com Jesus, subimos em grupo, em comunidade, como Igreja. No alto do monte, nos está reservada uma experiência única. Quando se sobe uma montanha e se chega no alto, a sensação é maravilhosa: o clima ameno, a beleza da paisagem, a alegria de se ter superado tantos obstáculos. A subida da Quaresma nos leva à Páscoa. Esse é o topo da montanha: a celebração dos mistérios da morte e ressurreição do Senhor, nossa vitória em Cristo sobre o pecado, o mal e a morte.

Guardando a mensagem
A Quaresma é como a subida dos discípulos com Jesus à montanha da transfiguração. Em oração, no topo da montanha, eles viram a glória de Jesus (mesmo antes de sua ressurreição). Reconheceram nele o cumprimento das promessas da Lei (Moisés) e dos Profetas (Elias). Acolheram o convite do Pai que lhes recomendou que escutassem Jesus. Na Quaresma, estamos subindo a montanha, com nossos limites e dificuldades, como os três discípulos. Como eles, vamos entendendo, aos poucos, que o caminho de Jesus passa pela paixão e pela morte e vamos com ele. Assim, chegaremos com ele à glória da ressurreição. Nesse sentido, nossa vida é uma grande quaresma, uma permanente subida na direção do encontro glorioso com Deus. O convite de Jesus aos discípulos foi para que se levantassem, não tivessem medo e descessem a montanha, com ele. O encontro com o Senhor ressuscitado nos anima a viver o dia-a-dia, ainda que difícil e complicado, com esperança, com destemor, com alegria. Mesmo no meio de lutas e dificuldades, sabemos: já estamos vitoriosos com ele.
Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutem-no! (Mt 17, 4)
Rezando a Palavra
Senhor Jesus,
somos os teus discípulos, subindo contigo a alta montanha. Subir é a tarefa de nossa existência. Subir é enfrentar as dificuldades do dia-a-dia, em tua companhia e na companhia dos irmãos e irmãs que sobem conosco. Subir é o que fez Abraão (Gn 12): partiu, apesar de todos os limites e dificuldades. Partiu para uma terra desconhecida, atendendo ao convite de Deus. Subir é não se deixar paralisar pelo medo, pela preguiça ou por rumores do maligno ou voltar do caminho, abandonando o Mestre. Como disse Paulo (2 Tm ): “Sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus”. Senhor, que a celebração deste Domingo da Transfiguração nos ensine a subir com perseverança, a viver com esperança, a alegrar o nosso coração no encontro com tua glória, celebrado na Santa Missa onde fazemos memória de tua morte e de tua ressurreição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a Palavra
Em sua mensagem, o Papa Francisco deu a dica para o 12º passo de nossa caminhada quaresmal: Ler o evangelho de cada dia. O melhor é que seja em sua própria Bíblia, mas você o encontra também junto com o texto da Meditação no seu celular. Junto com a Meditação de hoje, está também a Mensagem do Papa para a Quaresma, para o caso de você querer dar uma olhada.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2023
Ascese quaresmal, itinerário sinodal
Queridos irmãos e irmãs!
Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas coincidem em narrar o episódio da Transfiguração de Jesus. Neste acontecimento, vemos a resposta do Senhor a uma falta de compreensão manifestada pelos seus discípulos. De facto, pouco antes, registara-se uma verdadeira divergência entre o Mestre e Simão Pedro; este começara professando a sua fé em Jesus como Cristo, o Filho de Deus, mas em seguida rejeitara o seu anúncio da paixão e da cruz. E Jesus censurara-o asperamente: «Afasta-te, satanás! Tu és para Mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens» (Mt 16, 23). Por isso, «seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte» (Mt 17, 1).
O evangelho da Transfiguração é proclamado, cada ano, no II Domingo da Quaresma. Realmente, neste tempo litúrgico, o Senhor toma-nos consigo e conduz-nos à parte. Embora os nossos compromissos ordinários nos peçam para permanecer nos lugares habituais, transcorrendo uma vida quotidiana frequentemente repetitiva e por vezes enfadonha, na Quaresma somos convidados a subir «a um alto monte» juntamente com Jesus, para viver com o Povo santo de Deus uma particular experiência de ascese.
A ascese quaresmal é um empenho, sempre animado pela graça, no sentido de superar as nossas faltas de fé e as resistências em seguir Jesus pelo caminho da cruz. Aquilo precisamente de que Pedro e os outros discípulos tinham necessidade. Para aprofundar o nosso conhecimento do Mestre, para compreender e acolher profundamente o mistério da salvação divina, realizada no dom total de si mesmo por amor, é preciso deixar-se conduzir por Ele à parte e ao alto, rompendo com a mediocridade e as vaidades. É preciso pôr-se a caminho, um caminho em subida, que requer esforço, sacrifício e concentração, como uma excursão na montanha. Estes requisitos são importantes também para o caminho sinodal, que nos comprometemos, como Igreja, a realizar. Far-nos-á bem refletir sobre esta relação que existe entre a ascese quaresmal e a experiência sinodal.
Para o «retiro» no Monte Tabor, Jesus leva consigo três discípulos, escolhidos para serem testemunhas dum acontecimento singular; Ele deseja que aquela experiência de graça não seja vivida solitariamente, mas de forma compartilhada, como é aliás toda a nossa vida de fé. A Jesus, seguimo-Lo juntos; e juntos, como Igreja peregrina no tempo, vivemos o Ano Litúrgico e, nele, a Quaresma, caminhando com aqueles que o Senhor colocou ao nosso lado como companheiros de viagem. À semelhança da subida de Jesus e dos discípulos ao Monte Tabor, podemos dizer que o nosso caminho quaresmal é «sinodal», porque o percorremos juntos pelo mesmo caminho, discípulos do único Mestre. Mais ainda, sabemos que Ele próprio é o Caminho e, por conseguinte, tanto no itinerário litúrgico como no do Sínodo, a Igreja não faz outra coisa senão entrar cada vez mais profunda e plenamente no mistério de Cristo Salvador.
E chegamos ao momento culminante. O Evangelho narra que Jesus «Se transfigurou diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz» (Mt 17, 2). Aqui aparece o «cimo», a meta do caminho. No final da subida e enquanto estão no alto do monte com Jesus, os três discípulos recebem a graça de O verem na sua glória, resplandecente de luz sobrenatural, que não vinha de fora, mas irradiava d’Ele mesmo. A beleza divina desta visão mostrou-se incomparavelmente superior a qualquer cansaço que os discípulos pudessem ter sentido quando subiam ao Tabor. Como toda a esforçada excursão de montanha, ao subir, é preciso manter os olhos bem fixos na vereda; mas o panorama que se deslumbra no final surpreende e compensa pela sua maravilha. Com frequência também o processo sinodal se apresenta árduo e por vezes podemos até desanimar; mas aquilo que nos espera no final é algo, sem dúvida, maravilhoso e surpreendente, que nos ajudará a compreender melhor a vontade de Deus e a nossa missão ao serviço do seu Reino.
A experiência dos discípulos no monte Tabor torna-se ainda mais enriquecedora quando, ao lado de Jesus transfigurado, aparecem Moisés e Elias, que personificam respetivamente a Lei e os Profetas (cf. Mt 17, 3). A novidade de Cristo é cumprimento da antiga Aliança e das promessas; é inseparável da história de Deus com o seu povo, e revela o seu sentido profundo. De forma análoga, o caminho sinodal está radicado na tradição da Igreja e, ao mesmo tempo, aberto para a novidade. A tradição é fonte de inspiração para procurar estradas novas, evitando as contrapostas tentações do imobilismo e da experimentação improvisada.
O caminho ascético quaresmal e, de modo semelhante, o sinodal, têm como meta uma transfiguração, pessoal e eclesial. Uma transformação que, em ambos os casos, encontra o seu modelo na de Jesus e realiza-se pela graça do seu mistério pascal. Para que, neste ano, se possa realizar em nós tal transfiguração, quero propor duas «veredas» que é necessário percorrer para subir juntamente com Jesus e chegar com Ele à meta.
A primeira diz respeito à ordem que Deus Pai dirige aos discípulos no Tabor, enquanto estão a contemplar Jesus transfigurado. A voz da nuvem diz: «Escutai-O» (Mt 17, 5). Assim a primeira indicação é muito clara: escutar Jesus. A Quaresma é tempo de graça na medida em que nos pusermos à escuta d’Ele, que nos fala. E como nos fala Ele? Antes de mais nada na Palavra de Deus, que a Igreja nos oferece na Liturgia: não a deixemos cair em saco roto; se não podermos participar sempre na Missa, ao menos leiamos as Leituras bíblicas de cada dia valendo-nos até da ajuda da internet. Além da Sagrada Escritura, o Senhor fala-nos nos irmãos, sobretudo nos rostos e vicissitudes daqueles que precisam de ajuda. Mas quero acrescentar ainda outro aspeto, muito importante no processo sinodal: a escuta de Cristo passa também através da escuta dos irmãos e irmãs na Igreja; nalgumas fases, esta escuta recíproca é o objetivo principal, mas permanece sempre indispensável no método e estilo duma Igreja sinodal.
Ao ouvir a voz do Pai, «os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados. Aproximando-Se deles, Jesus tocou-lhes dizendo: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém» (Mt 17, 6-8). E aqui temos a segunda indicação para esta Quaresma: não refugiar-se numa religiosidade feita de acontecimentos extraordinários, de sugestivas experiências, levados pelo medo de encarar a realidade com as suas fadigas diárias, as suas durezas e contradições. A luz que Jesus mostra aos seus discípulos é uma antecipação da glória pascal, e é rumo a esta que se torna necessário caminhar seguindo «apenas Jesus e mais ninguém». A Quaresma orienta-se para a Páscoa: o «retiro» não é um fim em si mesmo, mas prepara-nos para viver – com fé, esperança e amor – a paixão e a cruz, a fim de chegarmos à ressurreição. Também o percurso sinodal não nos deve iludir quanto ao termo de chegada, que não é quando Deus nos dá a graça de algumas experiências fortes de comunhão, pois aí o Senho também nos repete: «Levantai-vos e não tenhais medo». Desçamos à planície e que a graça experimentada nos sustente para sermos artesãos de sinodalidade na vida ordinária das nossas comunidades.
Queridos irmãos e irmãs, que o Espírito Santo nos anime nesta Quaresma na subida com Jesus, para fazermos experiência do seu esplendor divino e assim, fortalecidos na fé, prosseguirmos o caminho com Ele, glória do seu povo e luz das nações.
Roma – São João de Latrão, na Festa da Conversão de São Paulo, 25 de janeiro de 2023.
FRANCISCO
O 10º passo de nossa caminhada quaresmal: o Exame de Consciência
EVANGELHO
Mt 5,20-26
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.
21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘Patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno.
23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta.
25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
MEDITAÇÃO
Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)
Temos que começar procurando entender bem o que é essa ‘justiça’ de que Jesus está falando. “Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus...”. “Justiça” aqui vem de justificar, isto é, de alguém ser considerado justo, abençoado. De São José, por exemplo, se diz, no evangelho, que ele era um homem justo. “Justo” aqui quer dizer praticante da Lei, o que fazia tudo certinho segundo a Lei de Moisés explicada pelos mestres da Lei.
Então, deu para entender? “Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus...”. Jesus está falando da forma como os fariseus e os mestres da Lei julgavam que uma pessoa estava abençoada, perdoada, justificada.
Os fariseus e seus mestres procuravam cumprir bem a Lei de Moisés. Assim, eles se achavam justos, isto é, santos, abençoados por Deus. Para eles, então, a bênção de Deus seria um direito adquirido por sua fidelidade na prática da Lei. Jesus não pensava assim. E ensinou bem diferente. Por mais que eu me esforce e cumpra todas as normas da Lei de Deus, eu não sou justificado porque sou bom e fiel. O que me salvou mesmo foi o amor de Jesus que deu sua vida por mim, na cruz. Ninguém adquire direito à bênção de Deus. Ele nos abençoa, porque nos ama, não porque temos crédito.
São Paulo explicou que não somos justificados pelas obras da Lei (Gl 2, 16). Não se fica santo simplesmente porque se pratica a Lei de Deus. A justificação, o perdão, a vida nova são obras de Deus em nós (Rm 8, 33). É ele quem nos santifica, por sua graça. É pela fé que temos acesso a essa bênção do Senhor, a salvação.
Os fariseus e mestres da Lei se julgavam justificados (tornados justos) porque cumpriam bem a Lei de Moisés. Nós reconhecemos que o que nos justifica, nos torna dignos, santos, é o amor de Deus que nos alcançou em Jesus Cristo. É Cristo quem nos justifica, por sua morte redentora. Fomos justificados pelo seu sangue, diz a carta aos Romanos (Rm 5, 9).
Cumprir bem a Lei de Deus é nosso dever. Mas, não é isso que nos justifica, que nos salva. E Jesus quer que, pela nossa condição de justificados por seu amor na cruz, sejamos capazes de fazer mais do que a Lei de Moisés nos manda. Não apenas fazer o que a letra da Lei determina, mas, pela experiência do amor de Deus e pela caridade, ir mais adiante, fazer bem mais. Não é só não matar, o quinto mandamento da Lei de Deus. É mais do que isso. É também não desconsiderar o outro, não discriminá-lo, não excluí-lo.

Guardando a mensagem
No Sermão da Montanha, está como Jesus explicou a Lei e como devemos realizá-la. Devemos seguir a Lei de Deus com a LIBERDADE que ele nos deu. É na liberdade que escolhemos o bem, a verdade e rejeitamos o mal. Deus nos fez livres para escolher o bem. Devemos seguir a Lei de Deus com a SABEDORIA que ele nos dá. Não a sabedoria do mundo, nem a sabedoria dos poderosos. A Sabedoria de Deus. Ele preparou coisas maravilhosas para nós, um mistério que só o Espírito Santo nos revela. Devemos seguir a Lei de Deus com CARIDADE para os com irmãos. O que está escrito na Lei? Não matarás. Perfeito. Mas, não matar quer dizer também não odiar o irmão, não desqualificá-lo, não humilhá-lo. A caridade é uma das marcas da nossa vivência da Lei.
Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
disseste que quem praticar e ensinar os mandamentos de Deus, este é grande no Reino. Praticar e ensinar os outros a fazerem o mesmo – é essa graça que te pedimos hoje. Queremos nos empenhar em conhecer sempre mais a vontade do Pai, manifesta de maneira especial nas Escrituras. Igualmente, precisamos fugir do jeito fariseu de ler e interpretar a Palavra. Conforme, nos alertaste, eles sobrecarregavam o povo de obrigações, aferravam-se a mandamentos humanos e usavam seu conhecimento como fonte de prestígio para si mesmos. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu santo Espírito, a conhecer a vontade de Deus e realizá-la em nossas vidas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a Palavra
No caderno espiritual, faça a lista dos 10 mandamentos da Lei de Deus, como aprendemos da Igreja. Se precisar de ajuda, recorra à lista que estou deixando no final do texto da Meditação.
Comunicando
O 10º passo de nossa caminhada quaresmal é fazer um Exame de Consciência a partir dos 10 Mandamentos da Lei de Deus. Exame de Consciência é pensar sobre como você tem está vivendo a sua vida cristã.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb.
1. Amar a Deus sobre todas as coisas;
2. Não tomar seu santo nome em vão;
3. Guardar os domingos e dias santos de preceito;
4. Honrar pai e mãe;
5. Não matar;
6. Não pecar contra a castidade;
7. Não furtar
8. Não levantar falso testemunho;
9. Não desejar a mulher do próximo;
10. Não cobiçar as coisas alheias.
O 11º passo de nossa caminhada quaresmal
EVANGELHO
Mt 5,43-48
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!
45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.
MEDITAÇÃO
Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).
Neste 11º dia da Quaresma, um passo exigente no terreno da caridade. Prepare o coração. Jesus nos mandou amar os inimigos. Essa atitude cristã supera o comportamento humano digamos “normal” que seria amar os amigos e odiar os inimigos. Viver na fé em Jesus Cristo nos faz superar essa posição.
Ter raiva é uma coisa natural. Deixar que a raiva tome conta da gente, aí é que não dá. Permitir que a raiva se transforme em rancor, ódio e nos cegue em nossas atitudes, aí não. Segundo o ensinamento de Jesus, o melhor caminho é acalmar o coração e tentar ver em quem nos ofende ou nos agride um irmão, uma pessoa que está equivocada, mas continua a merecer nossa consideração. Não responder-lhe na mesma medida, não desejar-lhe o mal, antes preservar sua boa imagem, querer o seu bem, rezar por ele ou por ela. É o que Jesus está nos dizendo neste evangelho.
Amar o próximo é o mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. E quando o próximo for nosso inimigo ou a nossa inimiga, aí a coisa se complica. Amem os seus inimigos, mandou Jesus. Esse é o caminho da perfeição, amar os inimigos. E é nessa via que nós caminhamos, porque o Pai é perfeito. ‘Sejam perfeitos como o Pai do céu é perfeito’. Jesus foi claro: ‘tornem-se filhos do Pai que faz nascer o sol sobre maus e bons e manda chuva para justos e injustos’. O Pai é o modelo para o filho. O nosso Pai trata bem os maus, porque ele é pai de todos e a todos ama. Como filhos, nós o imitamos.
Olha que interessante essa palavra de Jesus: “Tornem-se filhos do seu Pai que está nos céus”. O dom da filiação divina nós o recebemos no batismo, por meio do Espírito Santo. Somos filhos de Deus. Mas, Jesus está nos dizendo “tornem-se filhos do seu Pai”. Então, mesmo tendo recebido a graça de sermos filhos de Deus, precisamos aprender a agir como ele, neste caso, amando os nossos inimigos. Na carta aos Hebreus, a esse propósito, há uma passagem interessante sobre Jesus que aprendeu a ser um filho obediente. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.” (Hebreus 5,8). Pelo sofrimento, Jesus aprendeu a obediência de filho. Jesus é o maior exemplo. Ele falou e fez. Na cruz, humilhado, traído, torturado só pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, porque, disse ele, “eles não sabem o que fazem”. Rezou por eles. Também por eles, deu a vida.
Jesus está chamando a nossa atenção para o diferencial do cristão. Não agir como os pagãos ou pessoas reconhecidamente pecadoras desse mundo. Eles amam os seus amigos, tratam bem os seus iguais. Temos que imitar o Pai. Temos que imitar Jesus. Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem, fazer o bem a quem nos maltrata.
Guardando a mensagem
Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer-lhe o bem. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso modelo. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração.
Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os mesmos sentimentos teus, como nos aconselhou o apóstolo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de inclinação à vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também são irmãos que precisam encontrar a graça da conversão. Ensina-nos, Senhor, o caminho do diálogo, do respeito e da paz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Identifique, hoje, na sua história de vida, alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar esse alguém.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb
O 9º passo de nossa caminhada quaresmal
EVANGELHO
Mt 7,7-12
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta.
9Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”.
MEDITAÇÃO
Peçam e lhes será dado! Procurem e acharão! Batam e a porta lhes será aberta! (Mt 7, 7)
E a quaresma vai avançando. Já estamos no nono dia, o nono passo da escada de 40 degraus. Quando começamos esta caminhada, ouvimos três recomendações: a oração, a penitência e a caridade. A cada dia, a Palavra vai nos explicando melhor essas três práticas. Ultimamente, ouvimos Jesus nos indicando uma escola de oração, na prece do Pai Nosso. Uma prece com sete pedidos, três para a glória de Deus e quatro para o nosso bem.
Escutemos hoje, o próprio Senhor nos indicando a oração de súplica: “Peçam e lhes será dado! Procurem e acharão! Batam e a porta lhes será aberta!”. Bom, em matéria de pedir, nós já somos bem treinados, não é verdade? Mas, podemos aprender muito mais com o Senhor.
Em primeiro lugar, pedimos a quem? Eu queria muito ouvir sua resposta, pedir a quem? A Deus, claro. Melhor dizendo, ao Pai. A oração de Jesus e a oração dos seus seguidores dirige-se, em primeiro lugar, ao Pai. Ele é a fonte de todo o bem, ele é o Criador e Pai de todos nós. Claro, também pedimos a Jesus.
E por que o Pai nos atende? Porque é ele bom, primeira resposta. Jesus comentou: “vocês, que não são lá essas coisas, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai dá coisas boas a quem lhe pede”. Por que o Pai nos atende? Porque estamos unidos a Jesus, o seu filho unigênito, segunda resposta. Desde o batismo, temos parte com ele, somos membros do seu corpo. Olhando para nós, o Pai nos reconhece seus filhos, unidos a Cristo, em comunhão com ele. Por que o Pai nos atende? Porque vivemos na fé, terceira resposta. “A fé é uma adesão filial a Deus, acima daquilo que sentimos e compreendemos” (Catecismo da Igreja Católica 2608). Pela fé, abrimos as portas de nossa vida para a ação de Deus.
E o que pedimos a Deus? A primeira coisa que pedimos ao Senhor, porque o amamos como nosso Deus e Pai, é a sua honra, a sua glória: “venha a nós o vosso Reino”. Em primeiro lugar, queremos que Deus seja amado, respeitado, obedecido. Esse é o primeiro desejo de um filho que venceu o impulso egoísta de apenas querer tirar proveito dos seus pais. A segunda coisa que pedimos ao Senhor, reconhecendo nossa fragilidade, são os bens necessários para a nossa vida e nossa realização: o trabalho, a saúde, a segurança, o perdão, a superação das adversidades. A terceira coisa que pedimos a Deus, como filhos na comunhão dos irmãos, é o bem dos outros, sobretudo dos mais frágeis e desprotegidos.
E como pedimos a Deus? Com a confiança de filhos amados. Com a humildade de quem reconhece não ter merecimentos, mas contar unicamente com a misericórdia e o amor do seu Pai. Com a perseverança da fé, sabendo que a provação purifica o coração. E em nome de Cristo, certos do que ele nos disse: “E o que vocês pedirem em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14,13).
Guardando a mensagem
Jesus nos ensina a rezar. Hoje, nos estimula a fazer oração de súplica, a pedir, a bater, a procurar. Nós nos dirigimos, em súplica, ao Pai, mas também a Jesus. O Pai nos atende porque ele é bom, porque estamos em comunhão com Cristo, porque temos fé. Pedimos a Deus, em primeiro lugar, a sua glória; e depois, o nosso próprio bem e o bem dos outros, intercedendo em favor de suas necessidades. Pedimos, com confiança, com humildade, com perseverança e em nome de Cristo.
Peçam e lhes será dado! Procurem e acharão! Batam e a porta lhes será aberta! (Mt 7, 7)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
aprendemos a rezar, contigo, como os primeiros discípulos. Aprendemos com teus ensinamentos e, sobretudo, com o teu modo de rezar. Aprendeste com Maria e com José, e com tua comunidade de Nazaré, a rezar com o livro santo da Palavra de Deus. De tua comunhão com o Pai, brotava uma oração filial comprometida com a glória de Deus e a felicidade e salvação dos teus irmãos. Em todos os momentos de decisão, te encontramos rezando no Monte, deixando-te conduzir pelo Santo Espírito. Obrigado, Senhor, pelas lições de tua vida e de tuas palavras sobre a oração. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Repita, hoje, muitas vezes, essa prece a Jesus, como os discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar!” (Lc 11,1). O 9º passo de nossa caminhada quaresmal é fazer um pedido a Deus, em nome de Cristo, exercitando a oração de intercessão.
Comunicando
Como todas as quintas-feiras, hoje, temos a Santa Missa às 11 horas, com transmissão pelo rádio e pelas redes sociais. A presidência da celebração de hoje é do Pe. Francisco Demontier. Coloque sua intenção no formulário.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb
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