PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: fariseus
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Nem tudo que reluz é ouro.



   27 de fevereiro de 2024.   

Terça-feira da 2ª Semana da Quaresma

   Evangelho   


Mt 23,1-12

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

   Meditação.   


Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

No evangelho de hoje, Jesus está fazendo uma denúncia muito forte contra os mestres da Lei e os fariseus. Afinal, quem eram eles? No tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs, os fariseus e seus mestres constituíam um grupo muito forte no meio do povo de Deus. Formavam uma espécie de confraria de homens observantes da Lei de Moisés. Eram muito influentes e respeitados pelo povo.

Esse movimento começou no tempo do exílio. Com a destruição do Templo e o exílio de uma parte da população para a Babilônia, os sacerdotes perderam sua função e sua influência na religião. Foi-se formando um movimento leigo que manteve a religião judaica não mais em torno do Templo, mas em torno da Lei. Na volta do exílio, esse movimento continuou a crescer junto às sinagogas. Um historiador da época, Flávio Josefo, calculou que havia uns 6.000 homens nessa confraria por todo o país, no tempo de Jesus. Eles zelavam para que a Lei de Moisés fosse cumprida em todos os seus detalhes. Muitos deles estudavam bastante essa Lei escrita e oral, frequentando escolas de grandes mestres. E passavam a explicá-la ao povo nas sinagogas e no Templo de Jerusalém também. Esses grandes catequistas eram chamados mestres ou doutores da Lei.

Com certeza, os fariseus eram um grupo muito próximo de Jesus. Mas, fizeram grande oposição a ele, talvez por inveja ou mesmo porque Jesus ensinasse de maneira diferente e isso desestabilizava a liderança deles. E Jesus percebeu neles alguns defeitos muito sérios. Quais? Eles exigiam demais do povo, quando na verdade eles não praticavam tudo aquilo. Eles desprezavam quem não conhecesse a Lei ou não estivesse em condições de cumpri-la. Na verdade, em seu legalismo, eles fecharam o coração e não acolheram Jesus e a sua mensagem.

Na passagem de hoje, Jesus está alertando o povo e os discípulos para fazerem o que eles ensinam, mas não imitarem as suas ações. ‘Façam o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem’. E aí ele fez uma lista completa de sete falhas do comportamento dos fariseus e de seus mestres; defeitos que os novos líderes do povo de Deus precisavam evitar. Com certeza, a preocupação de Jesus era com os novos líderes de sua comunidade, seus apóstolos e quem viesse a ocupar o seu lugar na animação das comunidades: não imitarem os mestres e os fariseus.

E por que não devem imitá-los? Olha os pecados que Jesus denunciou: ensinam, mas não praticam; amarram fardos pesados nas costas dos outros; fazem tudo para aparecer; exageram nos símbolos religiosos (largas faixas na testa e no braço com trechos da Lei e longas franjas na túnica); estão atrás de privilégios; gostam de ser cumprimentados em público; adoram ser chamados de mestres. Sete defeitos dos fariseus e seus mestres. Essas são tentações permanentes também no meio do povo de Deus de hoje; Coisas que as lideranças das comunidades cristãs não podem imitar, de jeito nenhum.




Guardando a mensagem

A palavra de Jesus nos ensina a estar atentos para não nos deixarmos iludir apenas por uma fachada religiosa. Como diz o ditado: “nem tudo que reluz é ouro”. Como os fariseus de ontem, há muita gente falando de Deus, mas seu real interesse não é a glória de Deus e o bem dos seus irmãos. Como os fariseus, há muito interesse em prestígio, em dinheiro, em benefícios pessoais. Há quem ensine, mas não viva. E quem ensine, sem responsabilidade com a doutrina dos apóstolos. E dentro de nossas comunidades, estejamos atentos para que o estilo fariseu não se instale.

Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu estavas preocupado com a tua Igreja, para ninguém copiar o estilo dos mestres e fariseus do teu tempo. Os fariseus bem que poderiam ter sido os teus principais colaboradores na pregação do Evangelho. Mas, o tempo todo, ficaram se confrontando contigo, levantando suspeitas, dizendo que agias por obra de Satanás, te perseguindo. Liberta, Senhor, tua Igreja de qualquer vestígio de imitação dos defeitos do movimento dos fariseus. Que o teu Santo Espírito continue nos guiando e purificando para realizarmos bem a nossa vocação de comunidade missionária que leva tua Palavra de amor a todos os povos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze pedindo ao Senhor que não nos deixe cair na tentação dos fariseus, repetindo os seus sete defeitos.

Comunicando

Neste ano de 2024, na Igreja no Brasil, está previsto o estudo do Profeta Ezequiel, um livro do Antigo Testamento. O ponto alto dos estudos será, claro, no mês da Bíblia (setembro), mas o estudo é para o ano todo.  Neste sentido, estamos planejando um estudo bíblico semanal, sobre o Livro do Profeta Ezequiel. Os encontros semanais de estudo serão através do Canal do Youtube. Neste momento, estamos fazendo uma consulta sobre o melhor dia e horário. Para saber sua opinião, estou enviando-lhe um formulário em anexo.


ENCONTRO BÍBLICO SEMANAL - CONSULTA: https://forms.gle/xDXaTeZL9bhnbVNQA

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Hoje é dia de ajudar o próximo?



   03 de novembro de 2023.   

Sexta-feira da 30ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho   


Lc 14,1-6

Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?” 4Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” 6E eles não foram capazes de responder a isso.

  Meditação.  


Se algum de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado? (Lc 14, 5)

A gente sempre vê o evangelho falando mal dos fariseus. Mas, na cena de hoje, a gente descobre um pouco mais. Era um dia de sábado e Jesus estava numa refeição na casa de um dos chefes dos fariseus. Olha que surpresa! Um líder fariseu convidou Jesus para ir comer na casa dele. Um gesto bonito! E Jesus aceitou. Está lá comendo com eles: mestres da lei e fariseus. E você sabe que comer juntos era uma coisa muito forte na cultura do povo de Jesus! Comer juntos é sinal de comunhão. Lembre que eles não comiam junto com pagãos.

Então, podemos pensar que havia certa aproximação entre Jesus e os fariseus. Ao menos, alguns tinham certa simpatia por Jesus e Jesus os acolhia com muito boa vontade. Essa refeição na casa de um dos chefes dos fariseus está nos dizendo isso.

E você lembra que era um dia de sábado. Esse detalhe de ser num ‘sábado’ deve ser importante, porque essa informação se repete por três vezes nesse pequeno texto. Sábado era uma marca muito forte na religião deles. Os fariseus matavam e morriam pra todo mundo respeitar o sábado. Era o dia do descanso, nada de trabalho. E, você sabe, isso é maravilhoso, porque é uma afirmação da dignidade do trabalhador. O ser humano, como o Senhor Deus, pára para contemplar a sua obra. É senhor do seu trabalho, não é escravo. O sábado era também o dia do culto a Deus. Todo mundo se encontrava na sinagoga, para cantar os salmos e ouvir as Escrituras. Nisso tudo, Jesus, que era um bom judeu, estava também de acordo.

A refeição, talvez fosse um jantar, estava indo bem. Jesus e os fariseus cordialmente à mesa. Maravilha! Honrando o sábado. Tudo certo. Estranhamente, ali na frente de Jesus tem um hidrópico, um doente do barrigão, coitado. Aqui mostra-se a diferença entre Jesus e os religiosos do seu tempo. Está ali um filho de Deus sofrendo, um desgraçado estendendo a mão, pedindo ajuda a Jesus. E aí? Dia de sábado é dia de socorrer o irmão ou não? Foi a pergunta de Jesus. Ficaram calados. E se fosse um filho de vocês que caísse num poço, sendo sábado, vocês iriam ou não socorrê-lo logo? Ficaram confusos. E Jesus curou o hidrópico. Tomou-o pela mão, curou-o e o despediu.

Nós católicos temos muitas diferenças com outras igrejas, outros grupos religiosos e mesmo com pessoas que não têm fé. Mas, podemos e devemos ser amigos, parceiros, convivendo com respeito, diálogo, amizade, não é verdade? O que, de verdade, vai por a prova nossa amizade e nossa comunhão não será a doutrina, que tem, claro, diferenças. Mas a verdadeira prova, como foi para Jesus e os fariseus, é o hidrópico. Diante do colossal sofrimento do irmão marginalizado, explorado, excluído, o nosso sábado nos compromete com ele, ou, em seu nome, lavamos as mãos e nos omitimos. O sábado pode representar nossas práticas religiosas, nossas tradições. Nossa religiosidade (o sábado) nos impulsiona a retirar o filho que caiu no poço ou nos faz omissos diante do irmão que caiu à beira da estrada, como foi o caso do sacerdote e do levita na parábola do bom samaritano?




Guardando a mensagem

Jesus aceitou o convite para uma refeição na casa de um líder fariseu, num dia de sábado. Os fariseus foram gentis ao convidar Jesus. Isso mostra uma certa aproximação desse grupo com o grupo de Jesus. Comer juntos era um gesto de comunhão e amizade. Ia tudo bem, mas eis que apareceu um irmão doente, precisando de ajuda: um hidrópico. Jesus perguntou se o sábado, onde era proibido fazer qualquer trabalho, permitia que se desse socorro a ele. Eles não souberam responder. E Jesus o curou. Pelo ecumenismo com outras igrejas, nos sentamos à mesma mesa de refeição. O que vai marcar a diferença, vai ser a prova dos nove, para eles e para nós, é se o nosso sábado ou seja nossa religiosidade nos faz comprometidos ou omissos diante do sofrimento dos irmãos.

Se algum de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado? (Lc 14, 5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Tu também respeitavas o sábado dos judeus. E, como se tratava do dia de dar glória a Deus, mostravas como a fé se manifesta na louvação a Deus e na restauração dos humilhados. Assim, vivias e ensinavas o amor a Deus e ao próximo. Obrigado, Senhor, por tuas lições de fé e de vida. Impactados por tua ressurreição na manhã do primeiro dia da semana, nós teus seguidores guardamos o domingo, como o Dia do Senhor, o dia de nossa páscoa, de nossa libertação. Dá-nos, Senhor, que façamos desse dia uma afirmação de nossa adesão ao teu evangelho, que nos ensina a acolher o amor do Pai e a praticar esse amor como solidariedade e compromisso com o bem e a vida de todos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para estimular o entendimento e a prática da palavra, sugiro que você leia em sua Bíblia o evangelho de hoje (Lc 14, 1-6). Para facilitar este acesso diário à Palavra de Deus, você que recebe pessoalmente a Meditação tem visto que estamos enviando sempre um link pra você ler o texto bíblico e também a Meditação. É só clicar no link.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Era mais jogo de cena, aparência, fachada.



   20 de outubro de 2023.   

Sexta-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

   Evangelho.   

Lc 12,1-7

Naquele tempo, 1milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido.
3Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados.
4Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno.
Sim, eu vos digo, a este temei. 6Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

  Meditação.   

Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia (Lc 12, 1)

Hipocrisia significa fingimento, falsidade. Gente falando bonito, mas, por trás, fazendo feio. É o que acontecia com os fariseus do tempo de Jesus. É o que acontece com os fariseus de hoje.

Jesus até admirava os fariseus. Eram pessoas muito religiosas, muito praticantes, muito apegadas aos textos da Lei de Deus e às suas tradições. O povo também gostava dos fariseus e lhes tinha uma grande admiração. Achavam que era gente muito santa, muito de Deus. Mas Jesus observava bem e via que eles mais aparentavam do que de fato eram de verdade. Havia mais aparência do que realidade. Exibiam-se como muito devotos, mas viviam disputando cargos, visibilidade e buscando suas vantagens. Jesus também censurava os fariseus porque eles viviam preocupados com o secundário, como os detalhes da Lei. Preocupados com coisas miúdas, esqueciam-se do principal: o amor e o respeito pelos outros; a compreensão com as fraquezas dos outros; o amor a Deus de todo coração e não só da boca pra fora. Por tudo isso, Jesus está nos dizendo hoje: ‘tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia’.

Nossa cultura privilegia a aparência. Vivemos a sociedade da imagem. Vale o que parece ser. Na foto, todo muito sai sorrindo, já notou? Tem cada sorriso forçado, que dá até medo. Vamos caminhando para um mundo do faz-de-conta. É a ditadura da hipocrisia. A verdade passa longe. O nosso é o mundos dos fariseus. Jesus disse claro: “Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido”. Isso quer dizer que um dia a máscara cai e a verdade aparece.

Jesus está chamando a atenção da hipocrisia dos fariseus pra gente não cair no conto do vigário dos fariseus de hoje. E também pra gente não imitá-los, não ser hipócritas como eles. Ao contrário, como ele disse: “o seu sim, seja sim; o seu não, seja não. O mais vem do maligno’. Nada de fazer cara de santinho e nos bastidores proceder de maneira diabólica. Bonzinho e gentil fora de casa, rabugento com a família. Nada de farisaísmo. Bons e verdadeiros, sempre.


Guardando a mensagem

Jesus chamou a atenção dos discípulos e do povo para a hipocrisia dos fariseus. Eles pareciam santos, praticantes e dedicados a Deus para impressionar, para manter sua influência sobre o povo, para se manterem na liderança. Mas, era jogo de cena, aparência, fachada. E Jesus nos dizendo isso, pra ninguém se deixar enrolar por esses tipos e pra gente não permitir que dentro da comunidade cristã prosperem comportamentos deste tipo.

Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia (Lc 12, 1)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
há muito de fariseu hipócrita ainda em nós e ao nosso redor. Mas queremos levar a sério a tua palavra, nos precavendo contra esse tipo de comportamento. Ajuda-nos, Senhor, a sermos bons cristãos e não apenas parecermos bons; a sermos pessoas da verdade, sem aliança de nenhum tipo com a mentira e a falsidade; e a não nos deixarmos iludir por uma cultura da aparência e por lobos vestidos de ovelhas. Tu, Senhor, és o caminho, a verdade e a vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Preste atenção, hoje, para identificar, se em você ou ao seu redor, há sinais de hipocrisia. A hipocrisia é o fermento dos fariseus.

Comunicando

Uma sugestão: Siga o Canal da AMA no seu Whatsapp. A AMA é a Associação Missionária Amanhecer. É um canal de avisos. Só nós podemos postar e ninguém vê quem está seguindo o canal. Fica a sugestão: Siga o Canal da AMA no seu Whatsapp. É só clicar no link que estamos lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Nada de máscara, de mentira, de faz-de-conta.

 


   30 de agosto de 2023.   

Quarta-feira da 21ª Semana do Tempo Comum

   Evangelho.   


Mt 23,27-32

Naquele tempo, disse Jesus: 27“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.
29Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. 31Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32Completai, pois, a medida de vossos pais!”

   Meditação.   


Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça (Mt 23, 28).

Jesus foi muito duro com os fariseus. Desmascarou neles a presunção de serem santos e fiéis diante do povo, mas na verdade serem movidos por sentimentos e interesses reprováveis: o desprezo pelos mais pobres ou menos praticantes, o sentimento de superioridade sobre os outros, o exibicionismo de sua piedade, a hipocrisia de suas ações. No evangelho de hoje, os chamou de sepulcros caiados, bonitos por fora, mas podres por dentro. Olha a palavra de hoje: “Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23, 28).

Nesse confronto com os fariseus, Jesus usa a fórmula dos “ais” dos antigos profetas. É uma forma de denúncia e condenação. O capítulo 23 do evangelho de São Mateus registra sete “ais” que ele dirigiu contra os fariseus. O texto de hoje nos reporta dois deles. E a denúncia é clara: aparentam uma coisa e são outra (são como sepulcros caiados); e são coniventes com a violência, disfarçando homenagem às vítimas (ficam enfeitando os túmulos dos justos).

Bom, essa palavra de Jesus não é mais para reprovar os antigos fariseus que já não existem. Hoje, essa palavra vem para nos corrigir no que exista, em nós ou entre nós, de farisaísmo, de hipocrisia, de culto à aparência. Sim, porque o mundo presta culto à aparência, como eu digo naquela música “Profetas”. Vale mais a fachada, do que o interior. Vale mais a aparência do que a realidade. E é isso que Jesus está recriminando.

E onde a gente precisa se corrigir? Bom, por fora, a coisa já está bonita. É por dentro que precisamos mudar, para sermos tão cordiais com os de casa como o somos com as pessoas de fora; para que o nosso sorriso corresponda aos verdadeiros sentimentos do nosso coração. É um convite, então, para limparmos nosso coração de tanta coisa ruim, de tantos sentimentos negativos, preconceitos, desejos de vingança... Sermos bons por dentro e por fora, sem segundas intenções, nem mascaramentos. E o remédio, qual é? A conversão. Nada de farisaísmo. Nada de máscaras, de mentiras, de faz de conta. Verdadeiros e bons, por dentro e por fora. É assim que Jesus nos quer.

Guardando a mensagem

São sete “ais” que Jesus dirige aos fariseus, usando a fórmula clássica de condenação usada pelos antigos profetas. Nos dois “ais” do evangelho de hoje, Jesus denuncia a falsidade deles. São sepulcros caiados: cara bonita, aparência de santidade, mas movidos a ambições, maldades e a preconceito. Enfeitam os túmulos dos justos: é apenas um disfarce de sua conivência com a violência e a exclusão. Isso tudo Jesus está dizendo, hoje, não mais para os antigos fariseus, mas para o que existir de ‘fariseu’ dentro de nós e em nossa convivência social.

Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça (Mt 23, 28).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a palavra, hoje, é uma chamada de atenção para nós. Como cristãos, precisamos ser coerentes com o que professamos. Não podemos ser pessoas que parecem uma coisa e são outra, que defendem uma coisa e vivem outra. Ah, Senhor, vivemos numa sociedade que valoriza mais a embalagem que o conteúdo. Assim, somos permanentemente tentados a parecer mais do que ser. Ensina-nos, Senhor, a ser verdadeiros, a cultivar uma consciência reta, um coração puro como o teu. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça um exame de consciência. O evangelho de hoje pede pra você corrigir alguma coisa em sua vida?

Comunicando

Como todas as quartas, temos um encontro marcado hoje à noite no meu canal do Youtube. Hoje, vamos receber o professor Luiz Moura e conversar sobre a vocação dos leigos. O programa começa às 20 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Cegos fazendo-se de guias




   28 de agosto de 2023    

Dia de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja


   Evangelho   

Mt 23,13-22

Naquele tempo, disse Jesus: 13“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós fechais o Reino dos Céus aos homens. Vós porém não entrais, 14nem deixais entrar aqueles que o desejam. 15Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós percorreis o mar e a terra para converter alguém, e quando conseguis, o tornais merecedor do inferno, duas vezes pior do que vós.
16Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo Templo, não vale; mas, se alguém jura pelo ouro do Templo, então vale!’ 17Insensatos e cegos! O que vale mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? 18Vós dizeis também: ‘Se alguém jura pelo altar, não vale; mas, se alguém jura pela oferta que está sobre o altar, então vale!’
19Cegos! O que vale mais: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? 20Com efeito, quem jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. 21E quem jura pelo Templo, jura por ele e por Deus que habita no Templo. 22E quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado”.



   Meditação.    


Ai de vocês, guias cegos! (Mt 23, 16)


Os antigos profetas, como Isaías e Jeremias, andaram denunciando a má conduta das lideranças do seu povo. Era comum, nessas ocasiões, usarem a expressão: “Ai de vocês...”. Jesus assume o modo de falar dos profetas diante das lideranças do seu tempo, particularmente em confronto com o grupo de maior influência sobre o dia-a-dia do seu povo, o grupo dos fariseus.

Os fariseus formavam uma grande confraria de homens praticantes da Lei de Moisés. Eles marcavam o ritmo da vida do seu povo, com sua forte influência nas sinagogas, nas praças, nas peregrinações, nas rodas de discussão no Templo de Jerusalém. A elite dos fariseus era formada pelos doutores da Lei, os mais estudados, chamados mestres e tidos como guias do povo. Eles interpretavam a Lei escrita e oral, sufocando o povo com centenas de mandamentos e normas e discriminando os mais pobres, doentes e sofredores.

O evangelho de hoje traz três AIS de Jesus contra os fariseus e os seus mestres. “Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus hipócritas”. E as reclamações são três: fecham o acesso do Reino de Deus ao povo, não entram nem deixam entrar; Quando conseguem converter alguém, fazem dele um ser pior do que eles mesmos; E no fundo, ensinam que os bens materiais têm mais valor do que as coisas de Deus.

Jesus os chama de guias cegos. A cegueira era uma doença muito comum em Israel e em todo o Oriente. Dizem que uma das causas dessa cegueira era o clima. Jesus mesmo curou vários cegos: o de Betesda, o de Jericó e o de Jerusalém. A cegueira é tomada no evangelho como uma representação espiritual da falta da luz de Deus ou da obstinação em não se querer ver. Assim, comparativamente, quem não tem a luz de Deus, quem não tem a fé, está se conduzindo nesse mundo como cego. Houve até aquele episódio da cura do cego, em que Jesus tirou essa conclusão: “Cego mesmo é quem vê, mas não enxerga”. Pois bem, nessa denúncia, Jesus está chamando os fariseus de cegos. Não querem enxergar o Reino de Deus que chegou com ele, não querem reconhecer a obra de Deus que está se realizando com a presença do Messias. E o problema não é só estarem cegos. O pior é que, como cegos, estão conduzindo o povo. São líderes cegos. São guias cegos.

O problema dos fariseus foi um só: de tão apegados às tradições, às leis de Moisés, fecharam o coração para o novo de Deus. Eles não conseguiram perceber a novidade da ação de Deus em sua história. E rejeitaram Jesus, o filho amado que o Pai enviou para comunicar-lhes o Reino de Deus.


Guardando a mensagem

Jesus assume a atitude dos antigos profetas, denunciando abertamente a conduta de um influente grupo religioso, os fariseus. Ele recomendava ao povo que fizesse o que eles ensinavam, mas não imitasse as suas ações. E, corajosamente, colocou-se frente a frente com eles, reprovando sua conduta, com a linguagem dos “ais” dos antigos profetas. Ele os chamou de guias cegos. Além de cegos (sem a luz de Deus, fechados à manifestação do Reino de Deus), são guias cegos (arvorando-se em líderes, querendo conduzir os outros). A aplicação desse texto, nos dias de hoje, não é difícil. Há muito cego fazendo-se de guia, por interesses de todo tipo (econômicos, políticos, religiosos, etc.). Fique alerta! Não vá na conversa deles.

Ai de vocês, guias cegos! (Mt 23, 16)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
identificaste, nos ensinamentos dos fariseus e seus mestres, mais interesse pelas coisas materiais do que respeito pelas coisas sagradas. Senhor, diante do teu evangelho de hoje, te pedimos duas coisas: não nos deixes ser como eles e não nos deixes ser guiados por gente como eles. Teus ensinamentos nos abrem os olhos para corrigirmos qualquer tendência farisaica existente entre nós e para nos acautelarmos contra guias cegos que queiram nos conduzir nesta condição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, é Dia de Santo Agostinho. Depois de uma juventude livre e desenfreada, viveu uma profunda inquietação, na busca da verdade. Para sua conversão, concorreram as orações de sua mãe Mônica, as pregações do bispo Ambrósio de Milão e a leitura da Carta de São Paulo aos Romanos. Um bom programa para nossa conversão: a oração que fazem por nós, a pregação do evangelho e a meditação da Palavra do Senhor.

Comunicando

Uma palavra de agradecimento a você, por sua amizade e oração, unindo-se a mim e aos salesianos do Nordeste na Missa de Ação de Graças de ontem, pela passagem dos meus 40 anos de ministério presbiteral. Deus nos abençoe.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O 14ª passo de nossa caminhada quaresmal: praticar o que ensinamos.



07 de março de 2023

Terça-feira da 2ª Semana da Quaresma

14º dia da Caminhada Quaresmal

EVANGELHO


Mt 23,1-12

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

MEDITAÇÃO


Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

No evangelho de hoje, Jesus está fazendo uma denúncia muito forte contra os mestres da Lei e os fariseus. Afinal, quem eram eles? No tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs, os fariseus e seus mestres constituíam um grupo muito forte no meio do povo de Deus. Formavam uma espécie de confraria de homens observantes da Lei de Moisés. Eram muito influentes e respeitados pelo povo.

Esse movimento começou no tempo do exílio. Com a destruição do Templo e o exílio de uma parte da população para a Babilônia, os sacerdotes perderam sua função e sua influência na religião. Foi-se formando um movimento leigo que manteve a religião judaica não mais em torno do Templo, mas em torno da Lei. Na volta do exílio, esse movimento continuou a crescer junto às sinagogas. Um historiador da época, Flávio Josefo, calculou que havia uns 6.000 homens nessa confraria por todo o país, no tempo de Jesus. Eles zelavam para que a Lei de Moisés fosse cumprida em todos os seus detalhes. Muitos deles estudavam bastante essa Lei escrita e oral, frequentando escolas de grandes mestres. E passavam a explicá-la ao povo nas sinagogas e no Templo de Jerusalém também. Esses grandes catequistas eram chamados mestres ou doutores da Lei.

Com certeza, os fariseus eram um grupo muito próximo de Jesus. Mas, fizeram grande oposição a ele, talvez por inveja ou mesmo porque Jesus ensinasse de maneira diferente e isso desestabilizava a liderança deles. E Jesus percebeu neles alguns defeitos muito sérios. Quais? Eles exigiam demais do povo, quando na verdade eles não praticavam tudo aquilo. Eles desprezavam quem não conhecesse a Lei ou não estivesse em condições de cumpri-la. Na verdade, em seu legalismo, eles fecharam o coração e não acolheram Jesus e a sua mensagem.

Na passagem de hoje, Jesus está alertando o povo e os discípulos para fazerem o que eles ensinam, mas não imitarem as suas ações. ‘Façam o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem’. E aí ele fez uma lista completa de sete falhas do comportamento dos fariseus e de seus mestres; defeitos que os novos líderes do povo de Deus precisavam evitar. Com certeza, a preocupação de Jesus era com os novos líderes de sua comunidade, seus apóstolos e quem viesse a ocupar o seu lugar na animação das comunidades: não imitarem os mestres e os fariseus.

E por que não devem imitá-los? Olha os pecados que Jesus denunciou: ensinam, mas não praticam; amarram fardos pesados nas costas dos outros; fazem tudo para aparecer; exageram nos símbolos religiosos (largas faixas na testa e no braço com trechos da Lei e longas franjas na túnica); estão atrás de privilégios; gostam de ser cumprimentados em público; adoram ser chamados de mestres. Sete defeitos dos fariseus e seus mestres. Essas são tentações permanentes também no meio do povo de Deus de hoje; coisas que as lideranças das comunidades cristãs não podem imitar, de jeito nenhum.

Guardando a mensagem

A palavra de Jesus nos ensina a estar atentos para não nos deixarmos iludir apenas por uma fachada religiosa. Como diz o ditado: “nem tudo que reluz é ouro”. Como os fariseus de ontem, há muita gente falando de Deus, mas seu real interesse não é a glória de Deus e o bem dos seus irmãos. Como os fariseus, há muito interesse em prestígio, em dinheiro, em benefícios pessoais. Há quem ensine, mas não viva. E quem ensine, sem responsabilidade com a doutrina dos apóstolos. E dentro de nossas comunidades, estejamos atentos para que o estilo fariseu não se instale.

Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu estavas preocupado com a tua Igreja, para ninguém copiar o estilo dos mestres e fariseus do teu tempo. Os fariseus bem que poderiam ter sido os teus principais colaboradores na pregação do Evangelho. Mas, o tempo todo, ficaram se confrontando contigo, levantando suspeitas, dizendo que agias por obra de Satanás, te perseguindo. Liberta, Senhor, tua Igreja de qualquer vestígio de imitação dos defeitos do movimento dos fariseus. Que o teu Santo Espírito continue nos guiando e purificando para realizarmos bem a nossa vocação de comunidade missionária que leva tua Palavra de amor a todos os povos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze pedindo ao Senhor que não nos deixe cair na tentação dos fariseus, repetindo os seus sete defeitos. O 14ª passo de nossa caminhada quaresmal é sermos coerentes em nossa vivência religiosa: praticar o que ensinamos. 

Comunicando 

Ontem, começamos o Terço Mariano em rede, com as rádios Amanhecer (rádio on-line da AMA), FM Pe. Cícero (Juazeiro do Norte) e FM Dom Bosco (Fortaleza). O terço, de segunda a sábado, começa às 18 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB

O mundo presta culto à aparência



14 de outubro de 2022

Sexta-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

EVANGELHO


Lc 12,1-7

Naquele tempo, 1milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido.
3Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados.
4Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno.
Sim, eu vos digo, a este temei. 6Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

MEDITAÇÃO


Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia (Lc 12, 1)

Hipocrisia significa fingimento, falsidade. Gente falando bonito, mas, por trás, fazendo feio. É o que acontecia com os fariseus do tempo de Jesus. É o que acontece com os fariseus de hoje.

Jesus até admirava os fariseus. Eram pessoas muito religiosas, muito praticantes, muito apegadas aos textos da Lei de Deus e às suas tradições. O povo também gostava dos fariseus e lhes tinha uma grande admiração. Achavam que era gente muito santa, muito de Deus. Mas Jesus observava bem e via que eles mais aparentavam do que de fato eram de verdade. Havia mais aparência do que realidade. Exibiam-se como muito devotos, mas viviam disputando cargos, visibilidade e buscando suas vantagens. Jesus também censurava os fariseus porque eles viviam preocupados com o secundário, como os detalhes da Lei. Preocupados com coisas miúdas, esqueciam-se do principal: o amor e o respeito pelos outros; a compreensão com as fraquezas dos outros; o amor a Deus de todo coração e não só da boca pra fora. Por tudo isso, Jesus está nos dizendo hoje: ‘tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia’.

Nossa cultura privilegia a aparência. Vivemos a sociedade da imagem. Vale o que parece ser. Na foto, todo muito sai sorrindo, já notou? Tem cada sorriso forçado, que dá até medo. Vamos caminhando para um mundo do faz-de-conta. É a ditadura da hipocrisia. A verdade passa longe. O nosso é o mundos dos fariseus. Jesus disse claro: “Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido”. Isso quer dizer que um dia a máscara cai e a verdade aparece.

Jesus está chamando a atenção da hipocrisia dos fariseus pra gente não cair no conto do vigário dos fariseus de hoje. E também pra gente não imitá-los, não ser hipócritas como eles. Ao contrário, como ele disse: “o seu sim, seja sim; o seu não, seja não. O mais vem do maligno’. Nada de fazer cara de santinho e nos bastidores proceder de maneira diabólica. Bonzinho e gentil fora de casa, rabugento com a família. Nada de farisaísmo. Bons e verdadeiros, sempre.


Guardando a mensagem

Jesus chamou a atenção dos discípulos e do povo para a hipocrisia dos fariseus. Eles pareciam santos, praticantes e dedicados a Deus para impressionar, para manter sua influência sobre o povo, para se manterem na liderança. Mas, era jogo de cena, aparência, fachada. E Jesus nos dizendo isso, pra ninguém se deixar enrolar por esses tipos e pra gente não permitir que dentro da comunidade cristã prosperem comportamentos deste tipo.

Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia (Lc 12, 1)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
há muito de fariseu hipócrita ainda em nós e ao nosso redor. Mas queremos levar a sério a tua palavra, nos precavendo contra esse tipo de comportamento. Ajuda-nos, Senhor, a sermos bons cristãos e não apenas parecermos bons; a sermos pessoas da verdade, sem aliança de nenhum tipo com a mentira e a falsidade; e a não nos deixarmos iludir por uma cultura da aparência e por lobos vestidos de ovelhas. Tu, Senhor, és o caminho, a verdade e a vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Preste atenção, hoje, para identificar, se em você ou ao seu redor, há sinais de hipocrisia. A hipocrisia é o fermento dos fariseus.

Comunicando

Sugiro que você salve no seu celular o WhatsApp de nossa associação, a AMA (Associação Missionária Amanhecer). Assim, você terá um canal de comunicação conosco fácil e rápido. Salve aí: 81 3224-9284 (Salve com o nome AMA). 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO!




15 de março de 2022

14º dia da Quaresma

EVANGELHO


Mt 23,1-12

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

MEDITAÇÃO


Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

No evangelho de hoje, Jesus está fazendo uma denúncia muito forte contra os mestres da Lei e os fariseus. Afinal, quem eram eles? No tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs, os fariseus e seus mestres constituíam um grupo muito forte no meio do povo de Deus. Formavam uma espécie de confraria de homens observantes da Lei de Moisés. Eram muito influentes e respeitados pelo povo.

Esse movimento começou no tempo do exílio. Com a destruição do Templo e o exílio de uma parte da população para a Babilônia, os sacerdotes perderam sua função e sua influência na religião. Foi-se formando um movimento leigo que manteve a religião judaica não mais em torno do Templo, mas em torno da Lei. Na volta do exílio, esse movimento continuou a crescer junto às sinagogas. Um historiador da época, Flávio Josefo, calculou que havia uns 6.000 homens nessa confraria por todo o país, no tempo de Jesus. Eles zelavam para que a Lei de Moisés fosse cumprida em todos os seus detalhes. Muitos deles estudavam bastante essa Lei escrita e oral, frequentando escolas de grandes mestres. E passavam a explicá-la ao povo nas sinagogas e no Templo de Jerusalém também. Esses grandes catequistas eram chamados mestres ou doutores da Lei.

Com certeza, os fariseus eram um grupo muito próximo de Jesus. Mas, fizeram grande oposição a ele, talvez por inveja ou mesmo porque Jesus ensinasse de maneira diferente e isso desestabilizava a liderança deles. E Jesus percebeu neles alguns defeitos muito sérios. Quais? Eles exigiam demais do povo, quando na verdade eles não praticavam tudo aquilo. Eles desprezavam quem não conhecesse a Lei ou não estivesse em condições de cumpri-la. Na verdade, em seu legalismo, eles fecharam o coração e não acolheram Jesus e a sua mensagem.

Na passagem de hoje, Jesus está alertando o povo e os discípulos para fazerem o que eles ensinam, mas não imitarem as suas ações. ‘Façam o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem’. E aí ele fez uma lista completa de sete falhas do comportamento dos fariseus e de seus mestres; defeitos que os novos líderes do povo de Deus precisavam evitar. Com certeza, a preocupação de Jesus era com os novos líderes de sua comunidade, seus apóstolos e quem viesse a ocupar o seu lugar na animação das comunidades: não imitarem os mestres e os fariseus.

E por que não devem imitá-los? Olha os pecados que Jesus denunciou: ensinam, mas não praticam; amarram fardos pesados nas costas dos outros; fazem tudo para aparecer; exageram nos símbolos religiosos (largas faixas na testa e no braço com trechos da Lei e longas franjas na túnica); estão atrás de privilégios; gostam de ser cumprimentados em público; adoram ser chamados de mestres. Sete defeitos dos fariseus e seus mestres. Essas são tentações permanentes também no meio do povo de Deus de hoje; Coisas que as lideranças das comunidades cristãs não podem imitar, de jeito nenhum.

Guardando a mensagem

A palavra de Jesus nos ensina a estar atentos para não nos deixarmos iludir apenas por uma fachada religiosa. Como diz o ditado: “nem tudo que reluz é ouro”. Como os fariseus de ontem, há muita gente falando de Deus, mas seu real interesse não é a glória de Deus e o bem dos seus irmãos. Como os fariseus, há muito interesse em prestígio, em dinheiro, em benefícios pessoais. Há quem ensine, mas não viva. E quem ensine, sem responsabilidade com a doutrina dos apóstolos. E dentro de nossas comunidades, estejamos atentos para que o estilo fariseu não se instale.

Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu estavas preocupado com a tua Igreja, para ninguém copiar o estilo dos mestres e fariseus do teu tempo. Os fariseus bem que poderiam ter sido os teus principais colaboradores na pregação do Evangelho. Mas, o tempo todo, ficaram se confrontando contigo, levantando suspeitas, dizendo que agias por obra de Satanás, te perseguindo. Liberta, Senhor, tua Igreja de qualquer vestígio de imitação dos defeitos do movimento dos fariseus. Que o teu Santo Espírito continue nos guiando e purificando para realizarmos bem a nossa vocação de comunidade missionária que leva tua Palavra de amor a todos os povos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze pedindo ao Senhor que não nos deixe cair na tentação dos fariseus, repetindo os seus sete defeitos.

Cantando a palavra

Profetas

Comunicando para integrar

No programa de hoje à noite, no Youtube, vamos conversar sobre a Campanha da Fraternidade deste ano, Fraternidade e Educação. Uma boa ocasião para você se informar sobre este tema que está marcando a nossa Quaresma. O programa ENCONTROS em meu canal do Youtube começa às 20 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O HIDRÓPICO É A PROVA DOS NOVE

 



29 de outubro de 2021


EVANGELHO


Lc 14,1-6

Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?” 4Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” 6E eles não foram capazes de responder a isso.

MEDITAÇÃO


Se algum de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado? (Lc 14, 5)

A gente sempre vê o evangelho falando mal dos fariseus. Mas, na cena de hoje, a gente descobre um pouco mais. Era um dia de sábado e Jesus estava numa refeição na casa de um dos chefes dos fariseus. Olha que surpresa! Um líder fariseu convidou Jesus para ir comer na casa dele. Um gesto bonito! E Jesus aceitou. Está lá comendo com eles: mestres da lei e fariseus. E você sabe que comer juntos era uma coisa muito forte na cultura do povo de Jesus! Comer juntos é sinal de comunhão. Lembre que eles não comiam junto com pagãos.

Então, podemos pensar que havia certa aproximação entre Jesus e os fariseus. Ao menos, alguns tinham certa simpatia por Jesus e Jesus os acolhia com muito boa vontade. Essa refeição na casa de um dos chefes dos fariseus está nos dizendo isso.

E você lembra que era um dia de sábado. Esse detalhe de ser num ‘sábado’ deve ser importante, porque essa informação se repete por três vezes nesse pequeno texto. Sábado era uma marca muito forte na religião deles. Os fariseus matavam e morriam pra todo mundo respeitar o sábado. Era o dia do descanso, nada de trabalho. E, você sabe, isso é maravilhoso, porque é uma afirmação da dignidade do trabalhador. O ser humano, como o Senhor Deus, pára para contemplar a sua obra. É senhor do seu trabalho, não é escravo. O sábado era também o dia do culto a Deus. Todo mundo se encontrava na sinagoga, para cantar os salmos e ouvir as Escrituras. Nisso tudo, Jesus, que era um bom judeu, estava também de acordo.

A refeição, talvez fosse um jantar, estava indo bem. Jesus e os fariseus cordialmente à mesa. Maravilha! Honrando o sábado. Tudo certo. Estranhamente, ali na frente de Jesus tem um hidrópico, um doente do barrigão, coitado. Aqui mostra-se a diferença entre Jesus e os religiosos do seu tempo. Está ali um filho de Deus sofrendo, um desgraçado estendendo a mão, pedindo ajuda a Jesus. E aí? Dia de sábado é dia de socorrer o irmão ou não? Foi a pergunta de Jesus. Ficaram calados. E se fosse um filho de vocês que caísse num poço, sendo sábado, vocês iriam ou não socorrê-lo logo? Ficaram confusos. E Jesus curou o hidrópico. Tomou-o pela mão, curou-o e o despediu.

Nós católicos temos muitas diferenças com outras igrejas, outros grupos religiosos e mesmo com pessoas que não têm fé. Mas, podemos e devemos ser amigos, parceiros, convivendo com respeito, diálogo, amizade, não é verdade? O que, de verdade, vai por a prova nossa amizade e nossa comunhão não será a doutrina, que tem, claro, diferenças. Mas a verdadeira prova, como foi para Jesus e os fariseus, é o hidrópico. Diante do colossal sofrimento do irmão marginalizado, explorado, excluído, o nosso sábado nos compromete com ele, ou, em seu nome, lavamos as mãos e nos omitimos. O sábado pode representar nossas práticas religiosas, nossas tradições. Nossa religiosidade (o sábado) nos impulsiona a retirar o filho que caiu no poço ou nos faz omissos diante do irmão que caiu à beira da estrada, como foi o caso do sacerdote e do levita na parábola do bom samaritano?

Guardando a mensagem

Jesus aceitou o convite para uma refeição na casa de um líder fariseu, num dia de sábado. Os fariseus foram gentis ao convidar Jesus. Isso mostra uma certa aproximação desse grupo com o grupo de Jesus. Comer juntos era um gesto de comunhão e amizade. Ia tudo bem, mas eis que apareceu um irmão doente, precisando de ajuda: um hidrópico. Jesus perguntou se o sábado, onde era proibido fazer qualquer trabalho, permitia que se desse socorro a ele. Eles não souberam responder. E Jesus o curou. Pelo ecumenismo com outras igrejas, nos sentamos à mesma mesa de refeição. O que vai marcar a diferença, vai ser a prova dos nove, para eles e para nós, é se o nosso sábado ou seja nossa religiosidade nos faz comprometidos ou omissos diante do sofrimento dos irmãos.

Se algum de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado? (Lc 14, 5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Tu também respeitavas o sábado dos judeus. E, como se tratava do dia de dar glória a Deus, mostravas como a fé se manifesta na louvação a Deus e na restauração dos humilhados. Assim, vivias e ensinavas o amor a Deus e ao próximo. Obrigado, Senhor, por tuas lições de fé e de vida. Impactados por tua ressurreição na manhã do primeiro dia da semana, nós teus seguidores guardamos o domingo, como o Dia do Senhor, o dia de nossa páscoa, de nossa libertação. Dá-nos, Senhor, que façamos desse dia uma afirmação de nossa adesão ao teu evangelho, que nos ensina a acolher o amor do Pai e a praticar esse amor como solidariedade e compromisso com o bem e a vida de todos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para estimular o entendimento e a prática da palavra, sugiro que você leia em sua Bíblia o evangelho de hoje (Lc 14, 1-6). Para facilitar este acesso diário à Palavra de Deus, você que recebe pessoalmente a Meditação tem visto que estamos enviando sempre um link pra você ler o texto bíblico e também a Meditação. É só clicar no link.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O FERMENTO DA HIPOCRISIA



 15 de outubro de 2021

Dia de Santa Tereza D'Ávila
Dia dos Professores


EVANGELHO


Lc 12,1-7

Naquele tempo, 1milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido.
3Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados.
4Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno.
Sim, eu vos digo, a este temei. 6Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

MEDITAÇÃO


Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia (Lc 12, 1)

Hipocrisia significa fingimento, falsidade. Gente falando bonito, mas, por trás, fazendo feio. É o que acontecia com os fariseus do tempo de Jesus. É o que acontece com os fariseus de hoje.

Jesus até admirava os fariseus. Eram pessoas muito religiosas, muito praticantes, muito apegadas aos textos da Lei de Deus e às suas tradições. O povo também gostava dos fariseus e lhes tinha uma grande admiração. Achavam que era gente muito santa, muito de Deus. Mas Jesus observava bem e via que eles mais aparentavam do que de fato eram de verdade. Havia mais aparência do que realidade. Exibiam-se como muito devotos, mas viviam disputando cargos, visibilidade e buscando suas vantagens. Jesus também censurava os fariseus porque eles viviam preocupados com o secundário, como os detalhes da Lei. Preocupados com coisas miúdas, esqueciam-se do principal: o amor e o respeito pelos outros; a compreensão com as fraquezas dos outros; o amor a Deus de todo coração e não só da boca pra fora. Por tudo isso, Jesus está nos dizendo hoje: ‘tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia’.

Nossa cultura privilegia a aparência. Vivemos a sociedade da imagem. Vale o que parece ser. Na foto, todo muito sai sorrindo, já notou? Tem cada sorriso forçado, que dá até medo. Vamos caminhando para um mundo do faz-de-conta. É a ditadura da hipocrisia. A verdade passa longe. O nosso é o mundos dos fariseus. Jesus disse claro: “Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido”. Isso quer dizer que um dia a máscara cai e a verdade aparece.

Jesus está chamando a atenção da hipocrisia dos fariseus pra gente não cair no conto do vigário dos fariseus de hoje. E também pra gente não imitá-los, não ser hipócritas como eles. Ao contrário, como ele disse: “o seu sim, seja sim; o seu não, seja não. O mais vem do maligno’. Nada de fazer cara de santinho e nos bastidores proceder de maneira diabólica. Bonzinho e gentil fora de casa, rabugento com a família. Nada de farisaísmo. Bons e verdadeiros, sempre.

Guardando a mensagem

Jesus chamou a atenção dos discípulos e do povo para a hipocrisia dos fariseus. Eles pareciam santos, praticantes e dedicados a Deus para impressionar, para manter sua influência sobre o povo, para se manterem na liderança. Mas, era jogo de cena, aparência, fachada. E Jesus nos dizendo isso, pra ninguém se deixar enrolar por esses tipos e pra gente não permitir que dentro da comunidade cristã prosperem comportamentos deste tipo.

Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia (Lc 12, 1)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Há muito de fariseu hipócrita ainda em nós e ao nosso redor. Mas queremos levar a sério a tua palavra, nos precavendo contra esse tipo de comportamento. Ajuda-nos, Senhor, a sermos bons cristãos e não apenas parecermos bons; a sermos pessoas da verdade, sem aliança de nenhum tipo com a mentira e a falsidade; e a não nos deixarmos iludir por uma cultura da aparência e por lobos vestidos de ovelhas. Hoje, te pedimos, particularmente, Senhor, pelos professores e professoras, no seu dia. Concede-nos que alcancemos construir um país que tenha futuro, porque prioriza a educação das novas gerações e valoriza os seus mestres. Tu, Senhor, és o caminho, a verdade e a vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Preste atenção, hoje, para identificar, se em você ou ao seu redor, há sinais de hipocrisia. A hipocrisia é o fermento dos fariseus.

Começa, hoje, o Acampamento Missionário Tempo de Paz. É o nosso encontro anual de todos os que nos acompanham na Meditação, no Rádio, nas Redes Sociais. A Missa de abertura é às 9 horas e você pode acompanhá-la pela Rede Vida de Televisão. Amanhã, uma tarde de testemunhos, adoração eucarística e pregação com Eliana Ribeiro; à noite, um momento musical muito especial. Tudo isso pelo Youtube, no Canal Padre João Carlos.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

OS SETE AIS (PRIMEIRA PARTE)



13 de outubro de 2021

EVANGELHO


Lc 11,42-46

Naquele tempo, disse o Senhor: 42“Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Vós deveríeis praticar isso, sem deixar de lado aquilo. 43Ai de vós, fariseus, porque gostais do lugar de honra nas sinagogas, e de serdes cumprimentados nas praças públicas. 44Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”.
45Um mestre da Lei tomou a palavra e disse: “Mestre, falando assim, insulta-nos também a nós!” 46Jesus respondeu: “Ai de vós também, mestres da Lei, porque colocais sobre os homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas, nem com um só dedo”.

MEDITAÇÃO


Ai de vocês, fariseus! (Lc 11, 42)

Não basta sermos religiosos. Precisamos ser verdadeiros, autênticos. No tempo de Jesus, o povo de sua terra era muito religioso. Sobressaiam os fariseus, uma confraria de homens devotos e praticantes da Lei. No final do primeiro século, quando os judeus tinham perdido a guerra contra os romanos e tinham se espalhado pelo estrangeiro, a influência dos fariseus ficou ainda mais forte. Eles pareciam ter o modo mais certo e seguro de praticar a sua religião. Neste contexto, as comunidades cristãs, que nasceram no seio das comunidades judaicas, ficaram meio inseguras. Foi nesse tempo que os evangelistas reuniram em seus escritos as críticas que Jesus tinha feito àquela religiosidade baseada no cumprimento da Lei.

Os antigos profetas, às vezes, ficavam bravos com o povo e com suas lideranças quando se desviavam da Aliança com Deus. Nessa oportunidade, eles lançavam os “ais” sobre o povo. Era uma forma de condenação das coisas erradas que estavam acontecendo. Jesus também se utilizou desse expediente. No caso dos fariseus, por exemplo, ele foi forte. No texto de hoje, tem quatros “ais” lançados contra a religiosidade doentia deles.

O que Jesus disse sobre os fariseus daquele tempo, com certeza, também serve para nós, hoje. A nossa prática religiosa pode sempre ser corrigida e melhorada, não é verdade? Então, vamos ouvir com atenção os “ais” de Jesus contra os fariseus. E se a carapuça cair em nossa cabeça, vamos assumi-la como uma chamada de atenção de Jesus para sermos mais verdadeiros e autênticos.

O primeiro “ai de vocês, fariseus” foi uma denúncia do seu legalismo. Eles se concentravam em coisas secundárias e deixavam de lado as mais importantes. Pagavam o dízimo de coisas pequenas (por exemplo da hortelã, do arruda, de outras ervas), mas deixavam de lado a justiça e o amor de Deus. Legalismo.

O segundo “ai de vocês, fariseus” foi uma denúncia de sua busca de privilégios. Eles eram bem vistos e reverenciados pelo povo. Assim, adoravam ser saudados pelo povo nas praças e disputavam lugares de honra nas sinagogas e nos jantares. Busca de prestígio e de privilégios.

O terceiro “ai de vocês, fariseus” foi uma denúncia contra o culto da aparência. Jesus os comparou com túmulos escondidos debaixo da grama por onde se anda. O externo é uma coisa, o interno... sai de perto. O culto da aparência.

O quarto “ai de vocês, mestres da Lei” foi uma denúncia de sua incoerência. Não faziam o que pregavam. Sobrecarregavam o povo de cargas insuportáveis, mas eles mesmos não mexiam uma palha. Incoerência.

Guardando a mensagem

Uma religiosidade baseada no cumprimento de normas, como a que viviam os fariseus, corre o risco de ser uma coisa estéril, com graves defeitos: legalismo, busca de privilégios, culto da aparência e incoerência. Fingindo o louvor de Deus, estão na verdade defendendo seu status quo e ampliando seus privilégios. A verdadeira religião leva à conversão do coração, à verdade, à caridade, à fraternidade.

Ai de vocês, fariseus! (Lc 11, 42)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
As críticas que dirigiste aos fariseus nos assustam. E nos assustam porque o farisaísmo é sempre uma tentação permanente em nossa vida. Mas é sempre muito bom ouvir tua palavra que nos corrige, nos adverte, nos orienta no caminho da verdade e da vida. Concede, Senhor, que, apesar de nossa fraqueza, o teu Santo Espírito nos conduza pelos teus caminhos. Tu, Senhor, és o caminho, a verdade, a vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Dentro do espírito missionário desse mês, compartilhe a Meditação com os seus contatos.

Sexta e sábado próximos, a gente se encontra no Acampamento Missionário, presencialmente, pela Rede Vida ou pelo Youtube. Vou deixar a programação no final do texto da Meditação de hoje (aqui). É só seguir o link. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


4° ACAMPAMENTO MISSIONÁRIO TEMPO DE PAZ 

Programação


Dia 15/10, sexta - 09:00 - SANTA MISSA, na Basílica do Carmo, no centro do Recife, presencial, transmitida pelas Rádios parceiras e pela Rede Vida de Televisão

Dia 16/10, sábado - 15:00 - Testemunhos; 15:30 - Pregação, com Eliana Ribeiro; 16:30 - Adoração Eucarística;  17:00 - Intervalo. 20:00 - Momento Musical com Padre João Carlos e convidados.

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