BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

O amor que faz a família.



14 de agosto de 2026.

Memória de São Maximiliano Maria Kolbe

52 anos da Páscoa Eterna
do Venerável Dom Antonio Lustosa

Evangelho.


Mt 19,3-12


Naquele tempo, 3alguns fariseus aproximaram-se de Jesus, e perguntaram, para o tentar: “É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?” 4Jesus respondeu: “Nunca lestes que o Criador, desde o início, os fez homem e mulher? 5E disse: ‘Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’ 6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”.

7Os fariseus perguntaram: “Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?” 8Jesus respondeu: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher – a não ser em caso de união ilegítima – e se casar com outra, comete adultério”. 10Os discípulos disseram a Jesus: “Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se”.

11Jesus respondeu: “Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender entenda”.


Meditação.


O que Deus uniu, o homem não separe (Mt 19, 6)


Nós estamos, na programação do mês vocacional, na Semana da Vocação Matrimonial. E o Evangelho de Jesus, hoje, nos fala do casamento. A união do homem e da mulher é obra do Criador. “Já não são dois, mas uma só carne”, diz a Palavra. Unir duas vidas, vivendo um para o outro, partilhando projetos e sonhos, sendo canal para o nascimento de uma nova vida, tudo isso toca o mistério de Deus.

"Jesus, que tudo reconciliou em si mesmo e redimiu o homem do pecado, não só voltou a levar o matrimônio e a família à sua forma original, mas também elevou o matrimônio a sinal sacramental do seu amor pela Igreja", nos diz a Exortação do Papa Francisco sobre a Família.


Você é casado, é casada? Então, viva essa condição como verdadeira graça de Deus. Nos dias de hoje, há muita coisa que conspira contra o matrimônio. Mas, não se deixe seduzir pelo mal. Não assuma o pensamento do mundo sobre o casamento. Assimile o pensamento de Deus, como Jesus o exprimiu no seu evangelho. A vida a dois é exigente, porque pede esforço de superação do egoísmo, do individualismo. Casamento não dá certo com gente egoísta ou interessada apenas no desfrute dessa vida.


Como é importante que o casamento seja vivido em obediência à vontade de Deus! É um estado de santidade, de participação no mistério de Deus que é Amor e Unidade. Por isso, é importante vivê-lo em clima de espiritualidade. Assim, lembremos a oração, a oração de todos pelo bem dos esposos e a oração dos esposos, um pelo outro e dos dois juntos. Longe de Deus, o casamento tem pouca chance de sobreviver e ser caminho de plenitude na vida do casal. Viva o seu casamento em obediência e comunhão com Deus. Esse é o caminho da felicidade.


Na Exortação Apostólica “O Amor na Família” (Amoris laetitia), o Papa Francisco deixou escrito: “A família e o matrimônio foram redimidos por Cristo, restaurados à imagem da Santíssima Trindade, mistério donde brota todo o amor verdadeiro. A aliança esponsal, inaugurada na criação e revelada na história da salvação, recebe a revelação plena do seu significado em Cristo e na sua Igreja. O matrimónio e a família recebem de Cristo, através da Igreja, a graça necessária para testemunhar o amor de Deus e viver a vida de comunhão”.


Noutra parte do documento, o Papa escreveu: “Um amor frágil ou enfermiço, incapaz de aceitar o matrimônio como um desafio que exige lutar, renascer, reinventar-se e recomeçar sempre de novo até à morte, não pode sustentar um nível alto de compromisso. Cede à cultura do provisório, que impede um processo constante de crescimento. Para que este amor possa atravessar todas as provações e manter-se fiel contra tudo, requer-se o dom da graça que o fortalece e eleva”.


O grande educador Dom Bosco, cujo aniversário de nascimento celebraremos no próximo dia 16, entendeu que sem família não se educa, não se evangeliza. A obra prima de São João Bosco foi a comunidade educativa, uma grande família de educadores e educandos, em estreitos laços de amizade e convivência, para abrigar adolescentes e jovens com pouca ou nenhuma referência familiar. Sem família, onde a pessoa se sinta amada e acolhida, não se cresce para a vida e para a fé.




Guardando a mensagem


O casamento é obra do Criador, que o concebeu como expressão de verdadeira comunhão. Mesmo que os casais do seu tempo encontrassem dificuldades e limites na vida a dois, Jesus confirmou o ensinamento da Escritura: A unidade (os dois serão uma só carne) e a indissolubilidade (o que Deus uniu, o homem não separe). Feliz o casal que chega a viver o seu matrimônio como expressão de amor e de obediência a Deus e ao seu projeto de felicidade e salvação!


O que Deus uniu, o homem não separe (Mt 19, 6)


Acolhendo a palavra


Senhor Jesus,

abençoa os casais que estão enfrentando turbulências no seu casamento. Senhor, que eles possam beber da fonte do amor que és tu mesmo e em ti encontrar forças para perseverar neste amor, exercitando a paciência e o perdão. Cura, Senhor, as chagas abertas pela infidelidade no matrimônio. Dá a graça da reconciliação, da restauração da vida matrimonial a tanta gente que se vê tocada por tua graça. Abençoa, Senhor, com a bênção dos filhos, a união matrimonial dos casais jovens. Abençoa, com a bênção dos netos, os casais mais adultos. Repete no coração de todos que o casamento é santo, lugar de santificação e de união com Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Estamos na Semana Nacional da Família, com o tema “Família, torna-te aquilo que és!”, com o lema “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8) Como o evangelho de hoje toca o tema do matrimônio, seria muito bom você compartilhar esta Meditação com outras famílias.

Comunicando

Hoje, completam-se 52 anos da morte de Dom Antonio de Almeida Lustosa, membro da congregação salesiana e arcebispo de Fortaleza por 22 anos. Faleceu santamente em Carpina, Pernambuco, em 1974, em nosso Aspirantado Salesiano, na véspera da festa da Assunção de Maria, padroeira de Fortaleza. Dom Antonio Lustosa, filho de São João Del Rey, foi bispo também em Uberaba, Corumbá e Belém do Pará. Foi um pastor preocupado com os pobres e sofredores, atento às comunidades e aos seus ministros, comprometido com o desenvolvimento cultural e religioso do seu povo. Um homem acessível, evangélico e culto. "Santo e sábio", como o definiu o Papa João Paulo II. Já foi declarado Venerável pela Igreja. Falta-lhe apenas a comprovação de um milagre para sua beatificação.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 


Se tiver ódio no seu coração.



   13 de agosto de 2026 

Memória de Santa Dulce dos Pobres


   Evangelho.   


Mt 18,21-19,1

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”
22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.
35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1 Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.


   Meditação.   


Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)

Há muita injustiça nesse mundo, muita maldade. Você, com certeza, já foi vítima de humilhação, de sofrimentos gerados pelo egoísmo de alguém, pela difamação de uma pessoa amiga, pela traição no casamento, quem sabe. Há pessoas que convivem com grandes chagas abertas em sua memória ou mesmo no seu inconsciente. Profissionais que foram perseguidos por colegas que chegaram a perder seus postos de trabalho. Pais que tiveram um filho assassinado. Pessoas que foram violentadas, abusadas quando mais jovens. Um mar de sofrimento causado por pessoas próximas e distantes.

Diante do mal que nos fazem, a primeira reação é a indignação. A pessoa não se conforma, reage percebendo o mal que estão lhe fazendo. Não aceita, sente-se prejudicada, traída, humilhada. É uma atitude aceitável, a indignação. Uma reação justa: não
se acomodar diante da agressão, não permitir a continuação da ofensa, não permanecer na passividade diante do mal.

Agora, essa indignação pode virar ódio, desejo de vingança, desespero. Tem até quem pense no suicídio como punição contra si mesmo ou contra o agressor ou como forma de estancar essa dor na alma.
Aí, vamos com calma. Você não pode permitir que o mal que lhe fizeram crie raízes em você, se reproduza no seu ódio, em projetos de vingança e de revanche. O mal se perpetua no mal. É uma onda de violência que puxa outra, não para mais. 

Você já ouviu falar daquelas cidades, no interior de Pernambuco, em que uma família matava a outra... ‘Mataram o meu filho... vou matar o filho dele também!’ ‘Mataram meu primo, vou me vingar!”. A vida daquelas pessoas virou um inferno, uma insegurança total, a cólera fervendo no coração daquele gente antes tão pacata... Só uma coisa estancou aquela tragédia que parecia sem fim: o perdão.

Só há um remédio para se reconstruir a vida: o perdão. O ódio e a vingança não resolvem, não curam a mágoa, nem o sofrimento causado pela difamação, pela traição, pela injustiça. Só o perdão pode trazer paz ao seu coração.

Claro, perdão não quer dizer que abro mão do direito de reparação, que não recorro à justiça. Você lembra do Papa João Paulo II, que levou um tiro de um jovem turco, muçulmano, que foi assassiná-lo na Praça de São Pedro, no Vaticano?! O santo Papa ficou entre a vida e a morte, coitado, e passou o resto da vida sentindo as consequências daquela agressão. Mas, aquele homem santo foi várias vezes visitar o seu agressor na penitenciária, para oferecer-lhe o perdão e acompanhá-lo no seu caminho de conversão. Não deixou que o ódio tomasse conta do seu coração. A cadeia é a oportunidade do agressor se redimir, se reencontrar, se reabilitar. Se o tratamento que o agressor receber, dentro ou fora da cadeia, for de violência e crueldade, não resultará redimido, só embrutecido.

Ensinamento do livro do Eclesiástico: "O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados?". E olha como Deus nos trata, reza o Salmo 102: "O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas".

No evangelho de hoje, Jesus conta uma parábola para responder à pergunta ‘Quantas vezes devemos perdoar’. A resposta foi ‘sempre’, setenta vezes sete vezes. Sete é um número perfeito. Sete vezes sete dá quarenta e nove. O ano 50, segundo a antiga lei de Israel, era o ano do jubileu, o ano do perdão das dívidas e da remissão dos escravos. Jesus multiplicou tudo por 10. Setenta vezes sete. Na história de Jesus, nós somos o devedor que devia ao patrão uma soma impagável. Não tendo com que pagar, ele foi perdoado. O patrão teve compaixão dele. Agora, logo ele encontrou um colega que estava lhe devendo uma pequena soma. Como o pequeno devedor não tinha com que pagar, ele o jogou na cadeia. O patrão soube do ocorrido, cancelou a anistia do seu débito e lhe cobrou até o derradeiro centavo. Aprendemos a perdoar com Deus. 




Guardando a mensagem

Claro que perdoar não é fácil. Mas, um cristão tem o exemplo e os ensinamentos de Cristo. Ele sofreu uma morte muito cruel, mas morreu perdoando. Aliás, por sua paixão e morte oferecidas a Deus como sacrifício voluntário em nosso favor, fomos perdoados de nossos pecados. Nosso débito com Deus era impagável. E ele perdoou nossa dívida. À sua imitação, não podemos ter outro comportamento, senão perdoar as dívidas dos nossos semelhantes. E perdoar sempre. Não apenas quatro vezes, como ensinavam os rabinos e mestres da Lei. Nem só as generosas sete vezes que Pedro sugeriu. Sempre, perfeitamente. Setenta vezes sete, como Jesus prescreveu.

Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
aquele empregado que não tinha com que pagar uma enorme dívida foi perdoado pelo seu patrão. Seu patrão teve misericórdia dele. Ele não tinha com que pagar, sua família toda seria prejudicada. O patrão cancelou o seu débito, todinho. E aquele mesmo empregado, perdoado de sua grande dívida, não esqueceu o pequeno débito de um companheiro seu. O seu colega não tinha com que pagar naquele momento, mas ele exigiu de toda forma e o pobre homem foi parar na cadeia por causa daquela ninharia. Senhor, esse empregado somos nós. Fomos perdoados de uma dívida impagável. Deus nos perdoou dos nossos pecados. Agora, ele espera que nós também tenhamos compaixão dos nossos irmãos e irmãs que nos ofendem. Ajuda-nos, Senhor, a ser misericordiosos, como o Pai. Continua, com paciência, nos ensinando a perdoar, a curar nossas mágoas com o perdão, e pelo perdão, libertar o nosso futuro.
Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Alguém lhe ofendeu, lhe fez mal, lhe prejudicou? Tem mágoa, tem ódio no seu coração?  Você já sabe o que tem que fazer. E você já sabe porque precisa proceder como Jesus está nos ensinando.

Comunicando

Nesta quinta, lembre a Santa Missa das 11 horas, rezando pelos associados e ouvintes. Acompanhe pelo rádio ou pelo YouTube.


Estou lhe enviando o link da Missa e também o link do nosso encontro da tarde, na Semana de Espiritualidade.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Somos responsáveis uns pelos outros.



   12 de agosto de 2026   

Quarta-feira da 19ª Semana do Tempo Comum

Semana Nacional da Família


   Evangelho    


Mt 18,15-20

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 15“Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. 16Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.
17Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.
18Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. 20Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”.


   Meditação.    


Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo. Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão (Mt 18, 15)

A comunidade cristã é o lugar da experiência do amor mútuo. Ela é constituída por pessoas amadas pelo Pai, renascidas em Cristo, santificadas pelo Espírito Santo. A comunidade é o lugar do amor, da unidade. É já um reflexo do amor e da comunhão da Santíssima Trindade. Comunidade cristã é a família, a comunidade eclesial da qual você participa, a comunidade paroquial, a Igreja.

Na comunidade, na família, buscamos viver o ideal do amor em Deus, amor que nos gerou como filhos pela evangelização e pelo batismo. Deus nos ama, nós o amamos e procuramos viver em fraternidade, em comunhão. Vivendo em unidade, Jesus está presente conosco. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”, nos disse o Senhor.

Acontece que esse ideal de amor em família, em comunidade, na paróquia, na Igreja muitas vezes é ferido por atitudes egoístas, deslealdades, ofensas. São pecados contra a fraternidade, a comunhão, contrários ao amor que devemos uns aos outros. E todo mundo tem experiência disso… Gente que, por espírito de orgulho e soberba, humilha o irmão ou a irmã, desconsidera, trapaceia, difama o seu próximo. Gente movida pela inveja, por interesses escusos, por sede de poder.... tem de tudo. Estamos mergulhados na grande experiência do amor de Deus na comunidade, mas somos ainda fracos e pecadores.

Diante disso, vem o ensinamento de Jesus no sermão da comunidade, no capítulo 18 de São Mateus. Jesus oferece um passo a passo sobre como reagir no caso de um irmão, na comunidade, pecar contra você. Somos responsáveis uns pelos outros. Devemos corrigir o nosso irmão. Não podemos deixá-lo no erro e fazer de conta que não temos nada a ver com isso. É o que chamamos de correção fraterna.




Guardando a mensagem.

A correção fraterna é a resposta amorosa e responsável de quem se sente ofendido pelo outro ou na obrigação de ajudar o outro a se conduzir melhor. A maioria das pessoas quando se sente ofendida, na comunidade, parte para a murmuração contra aquele irmão ou irmã e procura isolar aquela pessoa dos seus amigos, dos seus grupos de influência. Errado. O caminho para o restabelecimento da fraternidade é o da correção fraterna. Começa quando você, tendo sofrido uma ofensa, procura o seu agressor para resolver a situação. “Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo”, ensinou Jesus. Não dando certo, voltar a conversar na presença de duas ou três testemunhas. Se essas pessoas forem amigos em comum, tanto melhor. Assim, a pessoa se sentirá num ambiente seguro, não de ameaça. Se ainda não se resolver, levar o assunto à própria comunidade ou às suas lideranças. A Igreja deve chamar a atenção daquela pessoa, recordando-lhe o caminho dos discípulos de Jesus, os apelos do Reino de Deus. Não tendo jeito mesmo, então, reconhecer que essa pessoa se excluiu da comunidade, que está fora do caminho do evangelho. Pode, então, tratá-lo como um estranho, não mais como um irmão de comunidade.

Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo. Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão (Mt 18, 15)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
não é fácil corrigir o outro. Mas, isso é necessário para o seu crescimento no evangelho. É um sinal de responsabilidade de nossa parte para com ele e para com a comunidade. Como ensinaste, a correção fraterna deve ser feita com caridade e com respeito e percorrendo os passos que nos indicaste. Senhor, também não é fácil receber a correção fraterna. É preciso humildade para reconhecer os nossos próprios erros e espírito de conversão para acolher a graça de Deus e o apoio fraterno na superação de nossas infidelidades. Sustenta-nos, Senhor, no caminho do verdadeiro amor pelos nossos parentes e pelos irmãos e irmãs de comunidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Com certeza, este evangelho está lhe trazendo estímulos importantes para o enriquecimento de sua vida em família. Nesta Semana Nacional da Família, procure estar mais com os seus, contribuindo com o crescimento de alguém ou ainda deixando-se corrigir, como Jesus está nos ensinando.

Comunicando

E você já está sabendo: nesse card que todos os dias eu lhe envio pelo WhatsApp tem um link de acesso ao meu blog. Lá, você encontra o evangelho do dia, como também o texto e o áudio da Meditação. No caso de você ter dificuldade de abrir o áudio no Whatsapp, você já tem uma alternativa: ouvi-lo, baixá-lo e compartilhá-lo no meu blog: padrejoaocarlos.com . 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O maior no Reino de Deus.



   11 de agosto de 20256.   

Dia de Santa Clara de Assis


    Evangelho.   


Mt 18,1-5.10.12-14

Naquele tempo, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior do Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe.
10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus. 12Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”.



    Meditação.   


Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus (Mt 18, 4)

A pergunta foi esta: quem é o maior no Reino de Deus? A essa indagação dos discípulos, Jesus responde com o exemplo da criança. É preciso se converter e se tornar como criança. Não se trata de chegar à elite, ser o maior. Trata-se de assumir a identidade de filho, ou como Jesus disse: fazer-se pequeno.

O Reino de Deus é lá onde o senhorio de Deus é acolhido, lá onde Deus é reconhecido e amado como pai, lá onde os filhos de Deus se reconhecem como irmãos. Não é um reino de súditos e senhores, é uma grande casa de família, onde somos todos amados como filhos. O Reino também não é fruto de nosso merecimento, é bondade de Deus, amor imenso dele por nós. Quanto mais nos reconhecemos amados e necessitados desse amor, mais nos integramos na sua casa, no seu Reino. Somos filhos amados e isso não é uma conquista nossa, mas pura misericórdia de Deus. Sendo assim, não podemos invocar grandezas ou nos imaginar acima dos outros.

Quem é o maior no Reino de Deus? Para a mentalidade do mundo, o maior é o que tem poder, dinheiro, prestígio, fama. O maior é o que manda, o aplaudido e servido pelos outros. Mas, o Reino de Deus não é uma cópia do nosso mundo, na esfera espiritual. Assim, nós anularíamos a Palavra de Deus e a ação transformadora do seu Espírito. Precisamos captar a novidade que vem da Palavra de Jesus, novidade que é um princípio de mudança em nossa sociedade.

Então, quem é o maior no Reino de Deus? Jesus falou claro: “Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus”. Assim, no Reino de Deus, não há lugar para a soberba, o orgulho, a presunção de ser grande e de querer mandar nos outros. Grande é só Deus, imenso é o seu amor. Nós só temos uma grandeza: sermos seus filhos amados.

E por que essa comparação com a criança? Porque a criança é filho; porque a criança aprende, exemplificando bem nossa condição de discípulos; porque a criança confia inteiramente nos seus pais.




Guardando a mensagem

O Reino de Deus não é cópia desse nosso mundo injusto e desigual. O Evangelho do Reino é anúncio de uma novidade, fermento de transformação de nossa sociedade. O pequeno é o mais importante, ensinou Jesus. Os filhos mais frágeis e sofredores, estes, sim, são os cidadãos mais importantes do Reino. O menor é o maior. Fazer parte do Reino é renunciar à mania de querer ser mais do que os outros. Todos somos filhos amados do Pai. Somos todos irmãos. Jesus continua nos dizendo que não entraremos no Reino se não nos convertermos, nos tornando como crianças. Nas crianças, nos vemos como filhos amados de Deus e como irmãos, chamados a viver a fraternidade.

Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus (Mt 18, 4)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o convite que hoje nos fazes é pra gente deixar de pensar ou de querer ser grande, forte, poderoso, desejando estar acima dos outros. Assim, a gente não entra o Reino dos Céus, não recebe o abraço amoroso do pai. O teu convite, Senhor, é pra gente renunciar a essa pose de gente importante e independente, que não precisa de ninguém. No Reino de Deus, só tem lugar pra gente humilde, que reconhece que só Deus é grande e, nele, somos irmãos uns dos outros. Abençoa, Senhor, os que hoje se sentem desprotegidos e desorientados nessa vida, no meio de seus dramas e dificuldades. Sobre todos, seja a tua bênção e a tua paz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Nesta Semana Nacional da Família, identifique quem são os pequeninos de sua família (crianças, idosos, doentes, os mais sofridos). Na dinâmica do Reino de Deus, eles são os mais importantes, os que têm prioridade sobre todos; eles são os maiores.

Comunicando

Segundo dia, hoje, da Semana de Espiritualidade da AMA. "A espiritualidade de Dom Bosco" é o tema de hoje. Já estou lhe enviando o link pra você participar. Começa às 14:30h, mas fica gravado no YouTube. 

A AMA está fazendo 30 anos. E a Campanha continua valendo. Faça um PIX de aniversário pra AMA e apoie a instalação da Rádio Amanhecer FM. É bom que o valor faça referência ao número 30. Salve aí a Chave PIX: 81 9.9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Nenhuma vocação é fecunda sem entrega.


   10 de agosto de 2026.   

Dia de São Lourenço, diácono, mártir.



   Evangelho.   


Jo 12,24-26

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: 24“Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto.
25Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará”.


   Meditação.   


Neste 10 de agosto, as leituras bíblicas apontam o exemplo de um mártir do século III da era cristã: São Lourenço. Ele era diácono da Igreja de Roma, coordenava um amplo atendimento aos pobres da cidade e assistia o Papa nas celebrações, junto com outros diáconos. Era o tempo do Papa Sisto II, tempo do Imperador Valeriano, feroz perseguidor da Igreja. O Papa estava celebrando nas catacumbas, com alguns diáconos, quando foi surpreendido pela polícia do império romano. Foi preso e martirizado. Em seguida, veio a prisão do diácono Lourenço. O prefeito da cidade exigiu os tesouros da Igreja. Lourenço prometeu apresentar-lhes toda a riqueza da Igreja. No dia combinado, reuniu uma multidão de assistidos (viúvas, pobres, cegos, aleijados, órfãos, idosos) e os apresentou ao prefeito ”Está aí o tesouro da Igreja”. Seu fim, depois de muitas torturas, foi a morte numa grelha de ferro sobre um braseiro. O tempo todo, Lourenço ficou rezando pela conversão do povo romano. Numa certa hora, chamou os algozes e sugeriu que o virassem de lado, pois já estava bem assado daquela parte. Um homem forte, cheio de fé, bem humorado, oferecendo sua vida por Cristo, como Cristo o fez por ele.

No evangelho de hoje, Jesus diz: ”Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto” (Jo 12). Olha a dinâmica maravilhosa da obra de Deus no exemplo da germinação da semente de trigo. Da morte, nasce a vida. O grão de trigo enterrado na terra morre, se arrebenta de dentro pra fora. É assim que gera a plantinha, o pé de trigo. Só morrendo, dando-se a si mesmo, pode produzir uma planta que vai crescer e produzir espigas e chegar à nossa mesa como alimento para saciar a fome.

Jesus falava de si mesmo. Em sua paixão, ele foi o grão de trigo que caiu na terra e morreu para gerar muito fruto. Não se poupou a si mesmo, deu-se por completo. Não procurou salvar a sua pele, mas entregou-se sem reservas pelo bem dos outros. Jesus, assim, estava falando de sua morte, propriamente do sentido de sua vida e de sua morte. Sua morte não seria o fim. Seria o coroamento de sua missão, o ápice do seu serviço. Como escreveu São Paulo: “Quem semeia pouco colherá também pouco e quem semeia com largueza colherá também com largueza” (2 Cor 9).

Esse exemplo de Jesus, o grão de trigo, o próprio Jesus o aplicou aos seus seguidores. Disse ele: “Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”. Se o grãozinho de trigo semeado nega-se a se entregar, a abrir-se à terra, a dar-se por completo, permanecerá apenas um grãozinho estéril, e daí a pouco será assimilado pela terra. Nada sobrará. Mas, se generosamente se entregar, se se abrir de dentro pra fora, morrendo na sua condição de grão, vai gerar uma nova planta que vai dar muitas espigas, multiplicar-se, alimentar muita gente. A morte da semente é a geração de uma nova vida, é o milagre do renascimento. Olha que sábia comparação essa de Jesus. A morte já contém a vida, se a vida for vivida com sentido.






Guardando a mensagem

Aos discípulos, Jesus fala de si como grão de trigo que morre para gerar muitos frutos. E fala que quem quiser servi-lo, precisa segui-lo pelos seus caminhos, imitá-lo em sua entrega pelos outros. Isso que Jesus disse ecoa de uma maneira muito especial nos dias de hoje. Estamos mergulhados em uma cultura que supervaloriza o sucesso individual, a busca do bem-estar e do prazer. O ideal, em nosso mundo, é ‘eu me dar bem’, fugindo de qualquer sacrifício ou sofrimento, pouco me importando com o sofrimento dos outros. Por que muita gente não quer ter filhos? Porque ter filho obriga os pais a viverem voltados para um outro, não para si mesmos. Por que muitos jovens refutam a vocação de consagração na Igreja? Porque este é o estilo de vida onde se vive para os outros, não para si mesmos. Por que boa parte dos matrimônios entra em crise? Porque um não quer sacrificar-se pelo bem do outro. Ainda somos grãos de trigo que, caindo na terra, negamo-nos a nos entregar, a nos sacrificar, a morrer para gerar vida.

Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo (Jo 12, 24)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
vemos hoje, na figura do diácono Lourenço, alguém que viveu esta tua palavra sobre o grão de trigo. O Papa São Leão Magno disse sobre ele que “as chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que o queimava fora era mais fraco do que aquele que ardia dentro dele”. Contigo, Senhor, e com teu diácono Lourenço, recolhemos muitas lições para a nossa vida. Não é nos guardando, nos poupando que vamos gerar vida. Uma família não se constrói com gente comprometida apenas pela metade, poupando-se, fazendo o mínimo. Na verdade, nenhuma vocação – a do casamento, a do serviço do altar, a da consagração – nenhuma vocação é fecunda sem entrega, sem dedicação, sem renúncia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Nesta Semana Nacional da Família, é bom você fazer um exame de consciência. Que tipo de grão de trigo você está sendo em sua casa?

Comunicando

Começa hoje, às 14 horas, a Semana de Espiritualidade da AMA. Boas vindas a quem vai estar presencialmente na sede da associação e também a quem vai nos acompanhar pelo YouTube e pelo Rádio. A transmissão será no Canal Padre João Carlos. Já estou lhe enviando o link. 

Na semana que vem, no dia 19, quarta-feira, teremos a Missa de Ação de Graças pelos 30 anos da AMA, às 9 horas da manhã, com transmissão pela Rede Vida. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Andando sobre as águas.



   09 de agosto de 2026    

19º Domingo do Tempo Comum

Dia dos Pais


   Evangelho    


Mt 14,22-33

Depois da multiplicação dos pães, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho.
24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.
25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar.
26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo.
27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”.
29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus.
30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!”
31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”
32Assim que subiram no barco, o vento se acalmou.
33Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”



   Meditação    


Mas, quando Pedro sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” (Mt 14, 30)

Você já ouviu alguém dizendo assim: “estamos navegando num mar de problemas e dificuldades”. Já ouviu? O que significa isso, “estamos navegando num mar de problemas e dificuldades”? Nesse modo de falar, navegar aqui é viver e o mar está identificado com problemas que se está enfrentando, certo? E se alguém disser: “mas, apesar do mar revolto, nós vamos conseguir atravessá-lo”, você entende? Claro, significa vamos vencer, mesmo passando por todas essas provações.

Bom, se estamos nos entendendo até aqui, vai dar pra gente entender bem o evangelho de hoje. Havia terminado aquela grande refeição com pão e peixe no deserto e Jesus mandara os discípulos atravessar o mar para irem a outra cidade. E ele ficou despedindo o povo. Depois, foi ao monte para rezar. De madrugada, foi ao encontro dos discípulos. Os discípulos estavam com muita dificuldade na travessia, porque os ventos estavam contrários. De madrugada, viram um vulto vindo na direção deles, andando sobre as águas. Tiveram muito medo, acharam que era um fantasma. Jesus gritou de lá dizendo “Sou eu”, para eles não terem medo. E Pedro pediu para ir ao seu encontro andando sobre as águas. Até conseguiu. Mas, o vento o deixou com medo e ele começou a afundar. Pediu ajuda e Jesus o segurou pela mão. Entraram na barca e os ventos se acalmaram.

Agora, vamos recordar aquele momento da história do povo de Deus, na travessia do mar vermelho. Os soldados do faraó estavam chegando. Diante deles, só o mar. E eles, liderados por Moisés, com a assistência de Deus, entraram no mar e o atravessaram a pé enxuto. Eles venceram as águas. Fizeram a travessia daquele braço de mar, assistidos por Deus que separou as águas, as mesmas águas que acabaram por dificultar a perseguição dos soldados e até afogar cavalos e cavaleiros. Repita comigo: O povo de Deus atravessou o mar a pé enxuto, com a graça de Deus, venceu as águas.

Vamos voltar para o mar da Galileia, o grande lago em que os discípulos estão navegando à noite. Jesus os mandara atravessar o mar, na barca. Os ventos estão fortes e contrários. A vela rudimentar e os remos não estão dando conta. Três horas da manhã e ainda não chegaram nem na metade. Que missão difícil Jesus deu aos discípulos: atravessar o mar numa hora daquela! Que missão difícil Jesus nos deu para atravessar o mar numa hora como essa... Essa qual? Esta hora difícil que a humanidade está vivendo, que a Igreja está atravessando. Um tempo de guerras, de crise climática, de forte migração de populações fugindo da violência e da miséria. Um tempo de crise em nosso modelo de família, de mudança de costumes, de ampla circulação de drogas... Os ventos estão contrários.

Numa hora como essa, tudo passa pela cabeça: ‘Vamos afundar’. ‘É melhor a gente desistir, vamos voltar’. ‘Não tem jeito, não temos força’. ‘Estamos perdidos'. Os discípulos pensaram isso mesmo. Com a morte de Jesus, a dificuldade deles estava muito grande, com toda a oposição que sofriam e pela sensação de abandono: ‘Jesus morreu como malfeitor, não está mais com a gente’. 

Mas, quando tudo parecia perdido, aconteceu o inesperado para eles: Jesus ressuscitou. E lhes apareceu várias vezes. E eles até pensaram que era um fantasma. É isso que a cena de Jesus andando sobre as águas está nos dizendo: Jesus ressuscitado vem ao encontro dos seus discípulos, de sua Igreja. Não é um fantasma. É ele mesmo, vivo, glorioso. Ele manda nos ventos, ele acalma o mar. É ele que nos garante atravessar o mar, vencer as águas. Repita comigo: Os discípulos conseguem atravessar o mar, porque Jesus ressuscitado está com eles. É isso. A Igreja consegue realizar a sua missão, nessa travessia tão dolorosa, porque Jesus que já venceu as forças que se opõem ao Reino, está conosco.




Guardando a mensagem

O povo hebreu, assistido por Deus, atravessou o mar vermelho a pé enxuto. Venceu as águas que pareciam impedir que chegassem ao seu destino, à liberdade. Os discípulos na barca, imagem da Igreja, continuam a experimentar a ação de Deus no meio das dificuldades da travessia em todos os tempos. Jesus ressuscitado é quem garante a vitória sobre os ventos contrários que ameaçam naufragar a barca. É Jesus mesmo que ergue, pela mão, discípulos como Pedro que, com sua pouca fé, estão afundando. Jesus está vivo e vitorioso. E está conosco. A barca de Pedro vai chegar ao seu destino, apesar da oposição dos maus, dos inimigos que semeiam joio na calada da noite e apesar também da nossa fé tão pequena.

Mas, quando Pedro sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” (Mt 14, 30)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
neste início da Semana Nacional da Família, nós, nos parecemos com Pedro. São tantas as situações difíceis que enfrentamos na família e no mundo, nesse momento, em nossa travessia, que muita gente se desespera. E, mesmo tua presença, Senhor, nós a vemos muito longínqua, como a de um fantasma, um que já morreu. Senhor, no evangelho de hoje, percebemos tua presença vitoriosa entre nós. Tu és a garantia de que chegaremos ao nosso destino, que realizaremos bem a nossa missão. Senhor, toma-nos pela mão, quando estivermos afundando, em nossa falta de fé. Salva-nos, Senhor! Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Hoje, nos cabe um olhar de esperança sobre este mar de dificuldades que nos cerca. Em vez de se lamentar, acender a luz da fé para clarear a escuridão dessa noite. Particularmente, hoje reze pelos pais de sua família, pedindo a Jesus que segure pela mão os que pareçam estar naufragando.

Comunicando

Dia 19 de agosto, 09 horas da manhã, teremos a Missa de Ação de Graças pelos 30 anos da AMA. Você pode nos acompanhar presencialmente, na Basílica do Sagrado Coração de Jesus no Recife ou pela Rede Vida de Televisão. Amanhã, começa a nossa Semana de Espiritualidade. Você também faz parte dessa história. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Meu filho é epiléptico.



   08 de agosto de 2026  

Memória de são Domingos, presbítero


   Evangelho.   


Mt 17,14-20

Naquele tempo, 14chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15“Senhor, tem piedade de meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!”
17Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?”
20Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”.


   Meditação.   


Senhor, tem piedade do meu filho (Mt 17, 15)

Todo pai pede a Deus para que o seu filho venha com saúde. Às vezes, a natureza traz o filho com deficiências. Não se pode colocar a culpa em Deus, de jeito nenhum. Deus faz tudo bem feito. O homem ou a natureza é que embaralham as coisas. Muita coisa a ciência ainda não sabe, está pesquisando. O certo é que, venha como vier, os pais recebam a sua criança com todo carinho. E Deus, que é pai de todos, está sempre por perto para socorrer, abençoar, providenciar o melhor para aquela família. Tenho visto que muitas vezes, por ter um filho com alguma deficiência (autismo, síndrome de down, uma grave alergia e tanta coisa mais...), exatamente por causa da fragilidade do filho, os pais terminam por se aproximar mais de Deus.

Bem na véspera do dia dos pais, nos vem esse belo texto do evangelho de São Mateus. Na cena do evangelho, “um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: “Senhor, tem piedade do meu filho”. Jesus estava no meio de uma multidão. Mas, aquele pai, vencendo qualquer respeito humano, apresenta seu pedido desesperado ao Mestre. Já tinha tentado que os discípulos resolvessem, mas eles não tinham conseguido ajudar. Aproximou-se de Jesus... Aproximar-se de Deus é a atitude número um de um pai. Aproximar-se do Senhor, ficar perto dele. O pai e a mãe, na verdade, já têm uma aproximação com Deus, porque eles participam do seu poder criador. Uma pessoa de fé sabe disso. O nascimento de uma criança é um dom maravilhoso de Deus, pela mediação de um pai e de uma mãe. A paternidade e a maternidade já deixam pai e mãe mais achegados a Deus.

Relendo o texto: Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se... Ajoelhar-se é a atitude de quem está diante de Deus. É uma atitude de adoração, de reconhecimento de sua dependência de Deus. A gente se ajoelha para acompanhar respeitosamente a consagração na Santa Missa ou diante de Jesus Eucarístico, em adoração. Ajoelhar-se é estar diante de Deus, com respeito e em reconhecimento de sua grandeza. Foi ajoelhado diante de Jesus que o pai pediu: “Senhor, tem piedade do meu filho”. Também esta palavra “Senhor” na boca desse pai tem sabor de reconhecimento de que está diante de Deus. Reconhecer que Jesus é o Senhor é uma profunda atitude de fé. A oração desse pai é uma oração de intercessão. E esta é uma das atribuições da missão paterna ou materna: interceder diante de Deus pelos seus filhos, pedir a Deus que os abençoe, os proteja dos perigos, os guarde, livre-os do mal.

“Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água”, disse o pai. Ainda hoje quem tem epilepsia é alvo de preconceito. Imaginemos o que não era há mais de 2.000 anos atrás, ainda mais naquele povo antigo que explicava qualquer doença como sendo uma possessão do demônio. Olha a aflição desse pai: seu filho epilético está tendo ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. Imagine o cuidado permanente daquela família com esse filho.

Jesus mandou que trouxessem o menino, ou quem sabe já um adolescente. Então, Jesus o curou daquela doença e insistiu com os discípulos: para a fé, nada é impossível.




Guardando a mensagem.

Um pai aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e pediu em favor do seu filho epilético. Pela paternidade e pela maternidade, pai e mãe já estão mais próximos de Deus. Ajoelhar-se é um reconhecimento da divindade de Jesus. O pai não foi com dúvidas se Jesus podia ajudar ou não. O pai mostrou, por ter tratado o Mestre de ‘Senhor’ e por ter se ajoelhado, a sua completa confiança em Jesus. Ele pediu clemência para o filho epilético. E Jesus o curou, exorcizando o mal que estava nele. O pai quer sempre o melhor para o seu filho. E nunca pode esquecer de que ele, na obra da geração humana e na obra da educação, é parceiro de Deus.

Senhor, tem piedade do meu filho (Mt 17, 15)

Rezando a palavra.

Senhor Jesus,
no Evangelho, de vez em quando um pai vem ao teu encontro, pedindo em favor de um filho que está em situação desesperadora. Jairo, por exemplo, veio te contar a situação de sua filha adolescente, que havia morrido e pediu tua intervenção. Esse pai do evangelho de hoje, com um filho epilético, implorou a tua misericórdia. A todos, Senhor, tu atendias segundo a sua fé, não segundo os seus merecimentos. Continua, Senhor, ouvindo as preces dos pais e mães de hoje que te apresentam continuamente seus rogos em favor de seus filhos, sobretudo de quem está em perigo na alma e no corpo. Derrama, Senhor, tuas bênçãos sobre os pais, amanhã vamos festeja-los, no seu dia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

O melhor presente que você pode dar ao seu pai vivo ou falecido é rezar por ele. O maior presente é, com certeza, oferecer a Santa Missa em favor dele. Então, programe-se para, amanhã, participar da celebração em sua comunidade e oferecer a Santa Missa por seu pai.

Comunicando

Você vai participar da Semana de Espiritualidade Salesiana da AMA? Começa segunda-feira. Quem mora por perto pode participar presencialmente na sede da AMA, no Recife. Quem mora longe, pode participar pelo YouTube. Todo mundo precisa se inscrever para receber o Certificado, no final. De 10 a 14, sempre na parte da tarde. Para se inscrever, use o formulário que já lhe enviei. Não tem custo. E você tem muito a ganhar. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

O quê, no final, vai mesmo valer a pena.




   07 de agosto de 2026   

Sexta-feira da 28ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho
.   


Mt 16,24-28

Naquele tempo, 24Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. 25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.
26De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. 28Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino”.



   Meditação.   


De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida? (Mt 16, 26)


O chamado de Jesus é para que o sigamos. “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga”. Começa-se por renunciar a si mesmo, já não ser mais o centro e a medida de tudo. Trata-se de você acolher Jesus como guia de sua existência, escolhendo o seu caminho. Caminhar com ele, nos caminhos dele. Não andar atrás de outro que não seja Jesus, nem ficar dando voltas em torno de si mesmo. 

Renunciar a ser o centro de sua própria vida e carregar a própria cruz: o peso de suas responsabilidades, as dificuldades e os problemas que lhe tocam. Não fugir dos problemas próprios da existência. E não deixar que eles nos desviem do caminho do Mestre. Somos seguidores dele. Ele nos leva ao Pai. É para lá que a gente está indo. Com ele.
O que no final vai mesmo valer a pena? No fim do caminho, estaremos frente a frente com Deus ou teremos nos desviado tanto dele durante a vida, que poderemos estar irremediavelmente distantes, perdidos. É uma possibilidade, porque Deus nos criou dotados de liberdade.

É que a gente corre tanto, desgasta-se na luta pela sobrevivência, procurando dar conta das responsabilidades inerentes à existência humana (ou dos fardos que arrumamos pra carregar por nossa própria conta)... Corremos tanto que podemos até esquecer para onde nós estamos indo. Deus não nos chamou à vida apenas para passar de fase: ser criança, jovem, adulto, velho... velho não, idoso. E terminar o nosso tempo bem velhinhos. Deus tem um projeto maior, mais nobre: chegarmos à plenitude e à felicidade de filhos, herdeiros de sua glória. Essa é a meta.

Como é triste ver uma pessoa viver agarrada exclusivamente às coisas desta terra, coisas que passam, que ninguém leva quando morre. É claro, a gente tem que lutar, tem que se empenhar pra ter as coisas, para melhorar sua qualidade de vida. Mas, aqui não é tudo, nem isso é o mais importante. Deus é que é o nosso endereço, a nossa meta. Estamos aqui vivendo, por iniciativa dele. Saímos dele. A ele, retornaremos. O caminho que é Jesus nos leva até ele. É em Deus, a nossa completa realização. E não somente depois, mas já agora. Nele, está a razão e o sentido da nossa existência.





Guardando a mensagem

Jesus nos convida ao seu seguimento. Ele sabe para onde nos levar. Ele nos leva para nossa completa felicidade, nos leva ao Pai. Toda a nossa vida é uma grande caminhada. Seguindo Jesus, acertamos o caminho. Jesus colocou duas condições para quem aceita o convite para segui-lo: renunciar a si mesmo e carregar a própria cruz. Foi o caminho que ele também tomou: esvaziou-se a si mesmo, na sua encarnação; e carregou com fidelidade a cruz da rejeição, do nosso pecado. Foi assim que ele venceu. Ele é o caminho. Valerá a pena a vida que trilhar esse caminho.

De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida? (Mt 16, 26)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o risco é nós sermos seguidores de nós mesmos. Esse sentimento de autonomia é uma coisa positiva, claro. Mas, Senhor, quando leva a pessoa a excluir Deus de sua existência, aí a pessoa fica dando voltas sobre si mesma, sem rumo, nem direção. Sem Deus, que é nossa meta última, nós acabamos endeusando os bens dessa terra ou pessoas que nos pareçam maravilhosas. No fim, os bens passam e as pessoas decepcionam. Senhor, como cristãos, escolhemos um caminho pra seguir. Renunciando a nós mesmos e carregando o peso dessa vida, nós seguimos contigo. Tu és o caminho, a verdade e a vida. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, faça uma lista de situações difíceis que você esteja enfrentando atualmente. Depois escreva essas palavras de Jesus: “Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga”.

Comunicando

O WhatsApp vem mudando e, de vez em quando, bloqueia algum perfil. Há sempre alguém que não consegue abrir o áudio da meditação enviado. Assim, criamos mais uma modalidade de envio do áudio da meditação. Clicando no link que lhe enviamos todo dia com o texto do evangelho e da meditação, você vai encontrar também o áudio. E ele está pronto para ser ouvido e baixado. Faça um teste aí, clicando no link do texto da apresentação da Meditação. Assim, no dia que o áudio estiver com problemas, você já tem uma saída. Para quem está no rádio, o texto com o áudio está no meu blog www.padrejoaocarlos.com.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


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