BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

22º dia da Quaresma: Conhecer e meditar a Bíblia Sagrada



  11 de março de 2026  

Quarta-feira da 3a. Semana da Quaresma


  Evangelho   


Mt 5,17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.


  Meditação   


Não pensem que vim abolir a Lei e os Profetas (Mt 5, 17).

Já estamos passando da metade da Quaresma. E, hoje, nos chega um estímulo para que coloquemos, no centro de nossa espiritualidade, a Palavra de Deus.

Tudo o que está na Bíblia está valendo para os cristãos? Uma boa pergunta. Jesus era judeu e vivia na fé do povo de Israel. A Bíblia do povo de Deus era só o Antigo Testamento, onde estavam os livros de Moisés, dos Profetas e os Salmos. Os seguidores de Jesus, aos poucos, acrescentaram outros escritos: o Novo Testamento. No Novo Testamento, estão os evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Cartas e o Apocalipse. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, reconhecemos a ação do Espírito Santo que assistiu os escritores sagrados ao registrarem a experiência da fé do povo santo, a quem Deus foi revelando o seu projeto de salvação.

O Evangelho de Mateus, lido hoje, nasceu entre comunidades cristãs que estavam em ambiente judeu, com a maioria dos membros vindos do judaísmo; gente, portanto, que prezava por demais a Lei que Deus lhes tinha dado por meio de Moisés. Nessas comunidades vindas do judaísmo, era muito necessário esclarecer bem qual tinha sido a relação de Jesus com a Lei de Moisés. Havia sempre uma dúvida: Será que Jesus deu valor à Lei de Moisés? E ele, realmente era praticante fiel desta Lei? Será que ele não veio mudar essa Lei? Então, a esse respeito, foram lembrados os ensinamentos de Jesus que estão no Sermão da Montanha. Jesus disse: “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento”. Então, para tranquilidade de todos, estava claro, Jesus deu valor à Lei. Não veio acabar com ela. Nem modificá-la. Veio dar-lhe plenitude.

Jesus deixou claro que a Lei de Deus não é um fardo pra gente carregar. É uma manifestação do amor de Deus para nos conduzir à felicidade e à salvação. Por isso, ele criticou muito os fariseus. Apesar de serem muito zelosos no cumprimento da Lei de Moisés, eles, no dizer de Jesus, “amarravam fardos pesados nas costas do povo”, transformando a Lei de Deus num instrumento de discriminação e opressão das pessoas.

Então, lendo o Antigo Testamento, percebemos que toda a Lei encontra seu sentido e seu coroamento em Jesus e no seu evangelho. O amor a Deus e ao próximo é a síntese completa da Lei do Senhor.





Guardando a mensagem

No Sermão da Montanha, está como Jesus explicou a Lei e como devemos realizá-la. E como devemos seguir a Lei de Deus?

Devemos seguir a Lei de Deus com a Liberdade que ele nos deu. É na liberdade que escolhemos o bem, a verdade e rejeitamos o mal. Deus nos fez livres para escolher o bem.

Devemos seguir a Lei de Deus com a Sabedoria que ele nos dá. Não a sabedoria do mundo, nem a sabedoria dos poderosos. A Sabedoria de Deus. Ele preparou coisas maravilhosas para nós, um mistério que só o Espírito Santo nos revela.

Devemos seguir a Lei de Deus com a Caridade para os com irmãos que ele nos pede. O que está escrito na Lei? Não matarás. Perfeito. Mas, não matar quer dizer também não odiar o irmão, não desqualificá-lo, não humilhá-lo. A caridade é uma das marcas da nossa vivência da Lei.

Não pensem que vim abolir a Lei e os Profetas (Mt 5, 17).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
hoje, neste 22º dia da Quaresma, em nosso caminho para a Páscoa, acolhemos com carinho a tua santa Palavra. O povo antigo amava o que eles chamavam a Lei. E nós continuamos a amar e venerar as Escrituras Sagradas, onde Deus nos fala. E continuamos a rezar, com os Salmos do povo bíblico: “A lei do Senhor é perfeita”. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu Santo Espírito, a conhecer, através do livro santo, a vontade de Deus e realizá-la em nossas vidas. Como nos inspiras, queremos também ser anunciadores do amor de Deus testemunhado no livro da história sagrada de nossa salvação. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Onde anda a sua Bíblia? Por ela, Deus nos fala. Nela, nos encontramos como povo de Deus a caminho. 


Comunicando

Deixe eu lhe falar sobre o Projeto Segunda Bíblica. Após a páscoa, no começo de abril, retomaremos o nosso caminho de estudo da Palavra de Deus, toda segunda-feira, às 20 horas, pelo YouTube. O ano passado foi dedicado ao estudo dos Atos dos Apóstolos. No ano anterior, estudamos o livro do Profeta Ezequiel. Neste ano, vamos estudar o Livro do Apocalipse. Em breve, vamos abrir as inscrições. Prepare a sua bíblia e o seu caderno de anotações. Vai começar a Segunda Bíblica 2026. 

 Pe. João Carlos Ribeiro, SDB


21º dia Quaresma: Perdoar as ofensas.


  10 de março de 2026  

Terça-feira da 3ª Semana da Quaresma

  Evagelho.  


Mt 18,21-35

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

   Meditação.   


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.

No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.

Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.

Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.




Guardando a mensagem

Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros. Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.

Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta x sete vezes. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.

Vivendo a palavra

Com certeza, na sua vida familiar, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Hoje, foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.

Comunicando

Começa hoje, nas comunidades, a novena de São José.
Hoje à noite, vou estar na abertura da festa do glorioso padroeiro, na cidade de Surubim. No dia 18, véspera de sua festa, faço Show na cidade de Carpina, Diocese de Nazaré. No dia 19, dia de sua solenidade, o show será em Brejo da Madre de Deus, diocese de Pesqueira. Viva São José!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20º dia da Quaresma: Como é que se chega a rejeitar Jesus.



   09 de março de 2026   

Segunda-feira da 3ª Semana da Quaresma


   Evangelho.   


Lc 4,24-30

Jesus, vindo a Nazaré, disse ao povo na sinagoga: 24“Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”.
28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

   Meditação.   


Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos (Lc 4, 28).

Jesus está na sinagoga de Nazaré. Foi em Nazaré que ele se criou. Levanta-se para ler o texto do profeta Isaías. E, quando se senta para explicar aquela passagem, ele proclama que aquilo se referia a ele e que estava se cumprindo em sua vida. O profeta Isaías falava do Messias, ungido pelo Espírito Santo, para evangelizar os pobres e libertar os sofredores e oprimidos. Fica todo mundo atento e admirado com essas palavras de Jesus.

Aos poucos, o clima começa a mudar. A admiração vai se transformando em rejeição. Suspeitas, críticas, indignação vão se espalhando como faísca no palheiro: “E esse aí não é o filho de José?”, alguém pergunta maldosamente. Essas pessoas julgam que a origem popular de Jesus, que eles conheciam, não o credenciava a se apresentar como um enviado de Deus. Jesus nota o clima hostil e responde a uma murmuração: ‘vocês estão me cobrando que eu faça milagres aqui, como ouviram dizer que eu fiz na sinagoga de Cafarnaum’. Aí o que Jesus diz em seguida, eles tomaram como um grande desaforo. Jesus diz que, no tempo do profeta Elias, um tempo de fome, Deus enviou o profeta a uma viúva pagã. E, no tempo do profeta Eliseu, só um leproso foi curado, um pagão. Essa referência aos pagãos foi a gota d’água. A confusão foi grande. Expulsaram Jesus da sinagoga. E uns mais exaltados queriam até matá-lo.

Pensando nessa cena, podemos concluir que a comunidade de Nazaré rejeitou Jesus por três razões. Podemos até ouvir a conversa deles. Primeira: ‘a gente o conhece, é o filho de José’; Segunda: ‘faz milagres fora, aqui não faz’; Terceira: ‘o Messias vem pra nós, não para os pagãos’. Três defeitos na religiosidade daquele povo que guardava tão fielmente o sábado. Defeitos que o impediram de acolher Jesus, como enviado, como profeta de Deus. Será que esses defeitos não nossos também? Vejamos.

O primeiro defeito – ‘a gente o conhece, é o filho de José’ – é o defeito da religiosidade desencarnada. A gente espera que Jesus seja só do céu. Mas, ele é o Filho que se encarnou. E sua vida humana é o caminho para chegarmos ao Pai.

O segundo defeito – ‘faz milagres fora, aqui não faz’ – é o defeito da religiosidade de milagres. Muita gente está atrás de bênçãos, de curas, de milagres, não de Jesus e do seu evangelho. Se não for Missa de cura, não pisa na Igreja. A proposta de Jesus é o seguimento. Carregar, com ele, a cruz de cada dia.

O terceiro defeito – ‘o Messias vem pra nós, não para os pagãos’ – é o defeito da religiosidade egoísta. Gente muito devota, mas só pensa em si mesma. Não lhe dói o sofrimento dos outros. A proposta de Jesus e da Igreja é uma religiosidade missionária, aberta aos de fora, também aos que não estão no nosso caminho.




Guardando a mensagem

Na sinagoga de Nazaré, Jesus leu o profeta Isaías e explicou ao povo que ali estava descrita a sua missão. Ele era o ungido de Deus para evangelizar os pobres e libertar os oprimidos. A reação dos ouvintes foi passando da admiração para a indignação. Terminaram expulsando Jesus da Sinagoga. Os defeitos de sua vida religiosa podem também ser os nossos. Podemos praticar os ritos religiosos, mas corremos o risco de expulsar Jesus do nosso culto. Os motivos que levaram o povo de Nazaré a expulsar Jesus podem ser os nossos: religiosidade desencarnada, desinteressada do seguimento de Jesus e sem abertura missionária para os outros.

Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos (Lc 4, 28).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
meditando o teu evangelho, queremos te dizer três coisas. A primeira: Nós cremos que tu és o filho de Deus, Deus verdadeiro que te encarnaste para nossa salvação. Viveste a nossa vida humana, de verdade. A segunda coisa que queremos te dizer, Jesus: Acolhemos o teu evangelho, como proposta de seguimento. Queremos que nossa vida seja uma resposta de seguimento ao teu chamado, vencendo qualquer tentação de buscar apenas benefícios para nós. E a terceira coisa é que queremos ter um coração como teu, cheio de compaixão pelos sofredores e zeloso pela salvação de todos. Assim, queremos evitar o fechamento em nós mesmos e em nossas necessidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A grande lição de hoje, ao lado da conversão, é o cultivo de um coração missionário: não isolar-se no próprio grupo e na própria família, mas incluir os outros, alargar o coração. A salvação em Cristo é um bem a ser anunciado a toda criatura.

Comunicando

É na quarta-feira santa que vamos realizar a Via Sacra da Fraternidade, no centro da cidade do Recife. Faltam 20 dias. Já estamos em contagem regressiva. A Via Sacra tem concentração no Pátio de São Pedro, logo cedinho, e depois de percorrer as ruas do centro da cidade com uma grande cruz, conclui-se com a Santa Missa, na Basílica da Penha. Para esta via sacra, está confirmada a presença do arcebispo, Dom Paulo Jackson.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




19º dia da Quaresma: Beber a água viva




  08 de março de 2026. 

  3º Domingo da Quaresma. 


  Evangelho.  


Jo 4,5-42

Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber". 8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?" De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: "Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: 'Dá-me de beber`, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva." 11 A mulher disse a Jesus: "Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?" 13 Respondeu Jesus: "Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna". 15 A mulher disse a Jesus: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la". 16 Disse-lhe Jesus: "Vai chamar teu marido e volta aqui". 17 A mulher respondeu: "Eu não tenho marido". Jesus disse: "Disseste bem, que não tens marido, 18 pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade". 19 A mulher disse a Jesus: "Senhor, vejo que és um profeta! 20 Os nossos pais adoraram neste monte mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar". 21 Disse-lhe Jesus: "Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade". 25 A mulher disse a Jesus: "Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas". 26 Disse-lhe Jesus: "Sou eu, que estou falando contigo". 27 Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher. Mas ninguém perguntou: "Que desejas?" ou: "Por que falas com ela?" 28 Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: 29 "Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?" 30 O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus. 31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: "Mestre, come". 32 Jesus, porém disse-lhes: "Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis". 33 Os discípulos comentavam entre si: "Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?" 34 Disse-lhes Jesus: "O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35 Não dizeis vós: 'Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!' Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! 36 O ceifeiro já está recebendo o salário, e recolhe fruto para a vida eterna. Assim, o que semeia se alegra junto com o que colhe'. 37 Pois é verdade o provérbio que diz: 'Um é o que semeia e outro o que colhe'. 38 Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles". 39 Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: "Ele me disse tudo o que eu fiz". 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42 E disseram à mulher: "Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o salvador do mundo".


  Meditação  


Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede (Jo 4, 14).

Vamos recordar. No primeiro domingo da Quaresma, na cena das tentações, Jesus foi comparado com Adão. Ele é o novo Adão, o que disse SIM, o que venceu a tentação, o pecado. No segundo domingo, na cena da transfiguração, ele foi comparado com Moisés. Ele é o novo Moisés que nos comunica a nova Lei, a Palavra que precisamos ouvir. Neste terceiro domingo da Quaresma, no diálogo com a Samaritana no poço, Jesus é comparado com Jacó. Ele é o novo Jacó, que ofereceu ao seu povo, com o poço, a água necessária para a vida.

Atravessando a Samaria, cansado, com sede, Jesus se senta junto à fonte, o poço de Jacó, isso por volta do meio dia. Vem uma mulher daquele povo samaritano buscar água. Ele pede: “Dá-me de beber”. Foi só um pé de conversa para a evangelização daquela senhora. Se ela soubesse quem ele era, ela é quem lhe pediria a água viva, e ela nunca mais teria sede. Ela bem que se interessou por aquela água.

A água é um símbolo maravilhoso da vida. A gente tem sede, precisa da água. Mas, a pessoa humana tem uma sede muito mais profunda. A água que Jesus tem para oferecer mata essa sede. A mulher também tinha uma sede profunda, como toda a humanidade tem. Sede de felicidade, de amor, de plenitude, sede de vida eterna. Jesus é essa fonte de onde mana essa água abençoada. Veja que ele está sentado junto ao poço, como se ele fosse o próprio poço. Ele tem uma água para matar a sede profunda da pessoa humana.

Essa comunicação maravilhosa de Jesus sobre a água viva àquela mulher foi possível porque ele passou por cima de todos os preconceitos que o separavam dela. Preconceito de raça: os judeus eram brigados com os samaritanos. Preconceito de gênero, de sexo: um judeu não dirigia a palavra a uma mulher samaritana, elas eram tidas como impuras. Preconceito de religião: cada lado tinha sua religião e não se entendiam. Até os discípulos, quando voltaram, ficaram surpresos com aquela aproximação de Jesus. A evangelização foi possível porque Jesus se aproximou dela, sem distância, sem preconceito, com todo respeito e partindo da vida dela (a água que ela tinha que buscar todo dia no poço).

Essa mulher, é claro, representa a humanidade, a humanidade que tem sede. Sede que não se acaba apenas com água ou cerveja gelada. Sede de algo mais profundo, de amar e de ser amada, de viver plenamente. Sede de infinito, sede de Deus. Humanidade que vive em busca de matar essa sede, em tentativas frustradas. É por isso que a mulher já estava no sexto marido. A nova humanidade, em Jesus, vai encontrar seu esposo, numa nova e eterna aliança.

E que água é essa que Jesus tem para nós, que mata nossa sede? Uma água que em nós vai se tornar fonte jorrando para a vida eterna? Com certeza, tudo que ele tem para nós já é essa água. Sua palavra, sua bênção, seu amor. Essa água que dá vida é a vida de Deus em nós, nossa comunhão com ele. Mas, ele falava de um dom maior que o Pai daria, se nós o pedíssemos. Esse dom vem por ele. O Espírito Santo. O Espírito que está ligado à vida, como a água. Na criação, ele pairava sobre as águas. O Espírito é que dá vida, como a água que mata a sede, que comunica vida. No batismo, renascemos pela água, pelo Espírito Santo.




Guardando a mensagem

No evangelho de hoje (Jo 4), Jesus é comparado com Jacó, que, com o poço, garantiu água para o seu povo. Nossa sede não é só sede de água. A mulher samaritana é uma representação da humanidade sedenta, com uma sede muito maior que a física. Essa água que dá vida é o Espírito Santo que ele nos comunica. Por sua morte e ressurreição, ele é a verdadeira fonte de água viva, nos comunicando o seu Santo Espírito.

Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede (Jo 4, 14).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
lemos neste evangelho que, cansado de viagem, tu te sentaste junto à fonte. E era por volta do meio dia. Estavas com sede e pediste água à mulher que chegou no poço com seu cântaro: “Dá-me de beber”. Nós te contemplamos hoje sentado na fonte: tu és a fonte de Jacó, é em ti que encontramos a água que mata a nossa sede. Aquela tua palavra “Dá-me de beber” se parece com aquela palavra na tua cruz: “Tenho sede”. E a tua crucifixão, Senhor, foi pelo meio dia. E mais tarde, um soldado para certificar-se de tua morte, te perfurou o peito com uma lança. E do teu peito aberto, escorreu sangue e água. A água é uma representação do Espírito Santo, uma referência ao batismo, onde renascemos por obra do Espírito Santo. O Espírito Santo é a água que jorra do teu peito, Jesus. Água que nos comunica a vida, água que sacia a nossa sede de infinito. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Imite, hoje, a samaritana que se apressou a levar para os seus conterrâneos a boa notícia de que encontrou o Messias, o Cristo, que lhe ofereceu a água viva. Faça-se portador(a) desta boa notícia para os seus.

Comunicando

Neste Dia Internacional da Mulher, saudamos todas as mulheres que nos acompanham na Meditação, rogando ao Bom Deus que o evangelho da fraternidade nos inspire a superar o grave quadro de violência contra a mulher, em nosso país. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


18º dia da Quaresma: Voltar para casa.



  07 de março de 2026   

Sábado da 2ª Semana da Quaresma

  Evangelho   


Lc 15,1-3.11-32

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.
3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada.
14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queira matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.
17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.
20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.
22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.
25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.
28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.
31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”’.

  Meditação.   


Tragam um novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete (Lc 15, 23)

A história que Jesus contou, você conhece bem. O filho mais novo saiu de casa. Gastou a sua herança toda e caiu em grande miséria. Mas, um dia, voltou arrependido. O pai o recebeu de braços abertos e fez uma festa para celebrar a sua volta. O filho mais velho estava fora, e ao voltar viu o barulho da festa e não quis entrar na casa. É a parábola do filho pródigo.

É claro que toda esta parábola tem no centro o tema da misericórdia. Deus é misericordioso, por excelência. E nós, apesar de pecadores, estamos sendo chamados a acolher o seu abraço de pai compassivo que nos restaura como filhos e a ser misericordiosos com os nossos irmãos, imitando o nosso bom pai.

Revendo esse texto hoje, me dou conta que no centro da história há uma festa, um banquete. Olha só as palavras que aparecem: festa, festejar, alegria, dança, música. Onde é a festa? Na casa do pai. Qual é ponto central da festa? O banquete. Olha o versículo 23: “Tragam um novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete”. E qual é o motivo da festa? A volta do filho, a acolhida do pecador arrependido. Há um intenso clima de alegria e de celebração pela volta do pecador. E foi por causa dessa comemoração, negando-se a aderir aos sentimentos do pai, que o outro filho não quis entrar na casa.

E você sabe por que esse “banquete” me chamou a atenção? Por causa da Santa Missa. A Eucaristia é um banquete, uma ceia festiva. “Felizes os convidados para a ceia do Senhor”. Essa festa na casa do pai do filho pródigo está em continuidade com os banquetes que Jesus participava na casa dos amigos e convertidos: Levi, Zaqueu, Lázaro e suas irmãs... A ceia é uma festa para a acolhida do filho perdido, a festa de sua conversão. “Haverá mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por 99 justos que não precisam de conversão”, disse Jesus. A Santa Eucaristia é uma festa para celebrar a volta do filho pródigo, a sua comunhão restaurada com o Pai. Veja que a Missa começa sempre com o ato penitencial, em que o pecador confessa a Deus e aos seus irmãos que pecou “por sua culpa”, "por sua culpa", por sua “tão grande culpa”. A Santa Missa é, então, o banquete em que se celebra a misericórdia do Pai que acolhe o pecador; que me acolhe, filho voltando pra casa.

É, alguém pode até estranhar, e com razão. E dizer, sim, mas “a missa é o sacrifício de Jesus”. Com certeza, mas é também a ceia, o banquete da comunhão dos filhos com o Pai, por meio de seu filho Jesus, que se oferece por nós, renovando o sacrifício de sua cruz. É a reedição da última ceia de Jesus com seus amigos, na véspera de sua paixão. Mas, veja o que é surpreendente: esse aspecto do sacrifício está presente também nessa parábola do filho pródigo. Sim, o banquete é do novilho cevado. E o filho mais velho ainda fala do cabrito, que o pai nunca deu para ele festejar com os seus amigos. “Novilho” lembra o sacrifício dos animais no Templo. Então, estamos bem no clima da liturgia, no tema do sacrifício de Jesus. Na cruz, ele se ofereceu qual cordeiro imolado na páscoa. Não há mais necessidade de sacrifícios de animais, pois o cordeiro de Deus já foi imolado, em perdão dos nossos pecados. E a volta do filho pródigo, a sua acolhida pelo Pai misericordioso, foi possível pelo sacrifício redentor de Cristo Jesus. É o seu sacrifício que renovamos na Santa Missa.





Guardando a mensagem

Neste 17º dia da Quaresma, véspera do dia do Senhor, a parábola do filho pródigo nos traz uma bela catequese sobre a Missa. A Santa Eucaristia recebe uma boa explicação nessa parábola do filho perdido e encontrado. Três significados maravilhosos da Santa Missa estão aí comentados: o sacrifício de Jesus que nos restaurou como filhos, o banquete da comunhão dos filhos na mesa do seu Pai e a ação de graças pela restauração do filho perdido. Afinal, a Missa se explica pela misericórdia de Deus. É a celebração da conversão do pecador, da vida nova de filho na comunhão dos irmãos, do amor imenso do Pai manifestado no sacrifício redentor do filho. A Missa é a festa da misericórdia.

Tragam um novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete (Lc 15, 23)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
segundo a história que nos contaste, os dois filhos estavam perdidos. Os dois precisavam reingressar na comunhão da casa do pai. O mais novo tinha saído de casa e voltou. O mais velho tinha saído para trabalhar e, na volta, não quis entrar na casa. A conversão era necessária para os dois. Um pecou contra o pai porque o traiu, esbanjando os seus bens. Outro pecou contra o pai porque não o imitou em sua misericórdia, acolhendo o seu irmão. Então, todos precisamos de conversão. Ajuda-nos, Senhor, a voltar pra casa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a Palavra

Esta parábola do filho pródigo já está nos preparando para a Missa do 3º Domingo da Quaresma. A sugestão é você se planejar para não faltar à Santa Missa dominical. E ir pensando como fazer para se confessar antes da Páscoa. Quaresma é tempo de renovação, tempo de voltar pra casa. 

Comunicando

Quem sabe a gente não se encontre em um dos meus próximos shows, nos festejos de São José: no dia 18, em Carpina; no dia 19, em Brejo da Madre de Deus. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


17º dia da Quaresma: Agradecer e partilhar mais.




   06 de março de 2026   

Sexta-feira da 2ª Semana da Quaresma  


   Evangelho   


Mt 21,33-43.45-46

Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 33“Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos.
35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’.
38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?”
41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.
42Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” 43Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos.
45Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. 46Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta.

  Meditação   


Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho, eles vão respeitar’ (Mt 21, 37)

Olha só essa história de Jesus.... Um homem plantou uma vinha. Arrendou-a e viajou para longe. No tempo combinado, mandou buscar a renda. Os rendeiros negaram-se violentamente a pagar a renda.

Para entender essa história de Jesus, basta saber quem é a vinha. E quem seriam os agricultores covardes que se apossaram da vinha. Você tem uma ideia sobre quem é a vinha? A vinha, quem é? Vou lhe ajudar. Uma vinha é uma unidade de produção de vinho: a plantação da uva, a colheita e a fabricação do vinho, tudo feito na mesma fazenda. A vinha é uma imagem bíblica do povo de Deus. A vinha é o povo de Deus. No caso, o povo de Israel era a vinha. Foi Deus que plantou aquela vinha e a aparelhou de tudo para produzir um bom vinho. O vinho é uma coisa nobre, é uma representação dos frutos que o povo devia produzir.

Então, quem é a vinha? O povo de Deus. O povo com sua terra, sua organização, seu desenvolvimento. E de quem é a vinha? Claro, de Deus. Foi ele que a plantou e organizou tudo. Ele deixou um grupo de agricultores tomando conta, os rendeiros. E quem seriam esses agricultores? Pense aí... É só prestar bem atenção no começo da leitura, que a gente fica sabendo de quais agricultores Jesus estava falando. Deixe-me ler o comecinho do evangelho de hoje: “Jesus começou a falar aos sumos sacerdotes, mestres da Lei e anciãos, usando parábolas”. Quem são os agricultores que ficaram como rendeiros, tomando conta da vinha? Isso, essa turma aí... os sumos sacerdotes, os mestres da lei, os anciãos... os líderes do povo, os seus governantes. Eles não são donos da vinha. Eles devem dar conta do seu trabalho e dos frutos que a vinha produzir, dar contas ao dono da vinha. E quem é o dono da vinha? Claro, Deus.

Mas, os agricultores da parábola maltrataram os empregados que o dono da vinha mandou para receber a renda. Bateram neles, expulsaram, até mataram alguns. E quando o dono da vinha resolveu enviar o seu filho único, o herdeiro, eles se combinaram para matá-lo. Os empregados enviados foram os profetas. E você já advinha quem foi o filho único que o dono da vinha mandou... quem foi? Claro, o próprio Jesus que está contando a história.




Guardando a mensagem

Por que será que essa palavra está chegando a você hoje? Aí eu já não sei. Mas que ela é uma palavra viva de Deus para você hoje, eu não tenho dúvida. Vou lhe dar uma sugestão. Você poderia pensar na sua vida. A sua vida é uma vinha que Deus plantou e dispôs muitas oportunidades para que ela produza muita coisa boa, um bom vinho. A sua vida é uma vinha. Você é o agricultor (a agricultora) que ficou tomando conta dela. Não vá pensar que a vinha é sua. Não é. Não vá negar a quota que é devida ao dono dela. Nem tratar os emissários dele com violência. E que quota você deve dar ao dono de sua vida? É bom você perguntar ao Espírito Santo de Deus que habita em você desde o batismo. Ele vai lhe dizer alguma coisa. Mas, eu já adianto: você precisa reconhecer claramente que a vinha é de Deus, que o que você consegue não é só fruto do seu suor. Você precisa agradecer mais, obedecer mais, partilhar mais.

Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’ (Mt 21, 37)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nesta tua história de hoje, a parábola dos vinhateiros, disseste que o dono da vinha mandou seu filho único para receber a parte do arrendamento. Sabemos que és tu que vieste. Tu és o filho unigênito que o Pai nos enviou. O que está na parábola foi o que te aconteceu: eles te mataram e jogaram pra fora da vinha. Até hoje, nós tínhamos ficado com raiva daqueles agricultores violentos. Mas, agora está nos ocorrendo que os rendeiros somos nós também. Queremos, hoje, com a tua graça, reconhecer que é o Pai o dono da nossa vida e te acolher como o filho único enviado por ele, o herdeiro, o Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje é sexta-feira, dia de abstinência de carne. A sugestão: vamos levar isso a sério. Nada de carne, hoje. Este pequeno sacrifício, durante a quaresma, é para nos unir ainda mais ao filho do dono da vinha, a quem o nosso pecado expulsou e levou à cruz numa sexta-feira. 

Comunicando

Nas sextas-feiras da Quaresma, lembrando a paixão e morte do Senhor, costuma-se fazer a via-sacra. Nela, meditamos no caminho doloroso do Senhor subindo o Calvário. São 14 estações. Elas estão representadas em quadros na sua igreja ou capela. Nós da AMA (Associação Missionária Amanhecer) vamos realizar a Via Sacra da Fraternidade no centro da cidade do Recife, na quarta-feira santa. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb   

16º dia da Quaresma: Não esquecer o pobre.



   05 de março de 2026  

Quinta-feira da 2ª Semana da Quaresma

   Evangelho   


Lc 16,19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’
30O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’.

   Meditação   


Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico (Lc 16, 20)

Neste 16º dia da Quaresma, uma insistência da palavra do Senhor sobre a caridade. Amar o pobre, acolher o mais fraco, incluir o marginalizado.

Por que será que o rico foi parar no inferno? Estou falando da parábola que Jesus contou. O rico foi parar no inferno, puxa vida! Jesus começou descrevendo o rico: roupas finas e elegantes, e todo dia dava esplêndidos banquetes. E o pobre: coberto de feridas, sentado à porta do rico. Ele tinha nome, Lázaro. Jesus não colocou um nome no rico, por alguma razão ficou anônimo. O pobre com fome, coitado, esperando pelo menos as migalhas que caíam da mesa do banquete do rico. E nada. Morreram os dois. Um se encontrou no calorão, em meio às chamas, lá em baixo. O outro, no bem-bom, lá em cima, no lugar do consolo, junto do pai Abraão. O rico gritou lá de baixo, pedindo ajuda. Não há jeito, foi a resposta de Abraão. Pelo menos, implorou o desafortunado, mande Lázaro avisar aos meus cinco irmãos. Não dá, voltou a resposta, os seus cinco irmãos já têm Moisés e os Profetas. Moisés e os Profetas é um modo de se referir à Torá, à Palavra de Deus. Eles têm a Palavra de Deus que orienta, exorta, indica o caminho certo. Que a escutem!

A pergunta permanece: afinal, por que o rico foi parar no inferno? Não se pode dizer que foi porque ele tinha muitos bens, porque era muito rico. Talvez isso lhe tenha fechado o coração. Mas, a parábola de Jesus só diz que o pobre Lázaro, à sua porta, não conseguia nem as migalhas que caíam de sua mesa, nem os restos. Nada. Só cães para lamberem as suas feridas. O rico nem notou a sua presença, não o amou, não o ajudou, não o incluiu em suas festas. O rico não teve misericórdia do pobre.

E ser misericordioso era tudo o que Jesus estava ensinando. Sejam misericordiosos, como o pai do céu é misericordioso. Amem, ajudem, emprestem, doem, perdoem, defendam... isto é ser misericordioso, explicava Jesus. Dá pra lembrar aquela cena do julgamento, desenhada pelo próprio Jesus. Venham para o repouso que lhes foi preparado, porque eu tive fome e vocês me deram de comer; era peregrino, e vocês me acolheram; estive doente e preso, e vocês me visitaram. E vão para o castigo eterno vocês que não me fizeram isso. Toda vez que não fizeram isso ao menor dos meus irmãos, não o fizeram a mim. Então, deixando de servir a Lázaro, o pobre pestilento sentado à sua porta, o tal rico deixou de servir e honrar o próprio Senhor.




Guardando a mensagem

Por que o rico foi parar no inferno? Porque não repartiu sua mesa farta com Lázaro, um irmão menor do Senhor. Deixou de dar de comer ao próprio Jesus. Porque não amou seu irmão pobre. Porque o desprezou, não o enxergou, não o acudiu, não o incluiu. Provou que não amava a Deus, pois não amava seu irmão. Não honrava a Deus, prestigiando seu irmão. Aliás, o homem disse que tinha cinco irmãos, mas se enganou. Ele tinha seis irmãos. E quem era o sexto irmão? Lázaro. Ele pensou que eram seis filhos, ele e mais cinco irmãos, engano. Aliás, o número seis na Bíblia não é um número bom, é um número falho, um número imperfeito. Não eram seis filhos, eram sete: o rico, os seus cinco irmãos e Lázaro. Sete! E sete, na Escritura, é um número perfeito. O rico da história de Jesus foi parar no inferno porque não reconheceu Lázaro como seu irmão, o sétimo filho. Não o reconheceu como um irmão, membro da única família de Deus.

Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico (Lc 16, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu nos disseste que temos Moisés e os Profetas, isto é, temos a tua santa Palavra a nos indicar o bom caminho. Não é possível, nem necessário, que venha um morto nos avisar que estamos procedendo de maneira errada em nossa vida. A tua Palavra proclamada pela Igreja já nos avisa, nos corrigindo, nos chamando à comunhão com Deus. É hora de levarmos a sério o mandamento da caridade, do amor aos irmãos. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Que nesta quaresma, não esqueçamos o pobre do lado de fora. Que não façamos pouco caso da Campanha da Fraternidade sobre a Moradia. Vieste, Senhor, morar entre nós e nos ensinaste o valor da dignidade humana. Dá-nos,Senhor, a graça da conversão, para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna, com terra, teto e trabalho para todas as pessoas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Comente, hoje, essa história contada por Jesus sobre Lázaro com algum dos seus amigos ou amigas. Jesus vai gostar de ver você comentando a sua palavra e participando com ele da evangelização.

Comunicando

Hoje, na programação da quinta-feira eucarística, temos a Santa Missa às 11 horas. E você nos acompanha por uma rede de rádios e pelo Youtube. Presido a Missa na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, igreja dos salesianos, no Recife, no bairro da Boa Vista. Quem morar por perto, sinta-se convidado. Você já pode deixar o seu pedido de oração para a Santa Missa no formulário que estamos lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

15º dia da Quaresma: Cultivar um espírito de serviço.


   04 de março de 2026   

Quarta-feira da 2ª Semana da Quaresma

   Evangelho.   


Mt 20,17-28

Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”.
20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “Que queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhe: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.

  Meditação.   


Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

A mãe de dois discípulos – Tiago e João – fez um pedido a Jesus: quando ele estivesse no poder, reservasse uma posição de destaque, no seu governo, para os seus dois filhos. Um à sua direita e outro à sua esquerda. Apesar do exemplo de Jesus, os seus colaboradores mais próximos, os apóstolos, estavam também tentados pela sede de poder. E já começavam a disputar cargos, posição, prestígio. Nem eles estavam entendendo a proposta de Jesus, nem a família deles. Pretendiam uma posição privilegiada (um à direita e outro à esquerda) ao lado de Jesus e, claro, acima dos outros.

Logo essa pretensão dos dois discípulos espalhou um mal-estar na comunidade dos apóstolos. O poder como prestígio, irmão gêmeo do enriquecimento duvidoso, semeia logo a discórdia, a desunião, a inveja e a competição doentia. É que ele agride gravemente o espírito comunitário. Essa tentação do poder-prestígio é um perigo para um cristão, pois o faz renunciar ao que aprendeu no Evangelho: o amor solidário, o respeito pela dignidade do outro, o espírito de serviço.

Você pode até pensar: esse negócio de poder não tem nada a ver comigo. É um assunto para quem ocupa altos cargos na Igreja ou para os políticos de Brasília. É aí que você se engana. Todo mundo tem uma relação com o poder. Mesmo que não esteja em uma função de comando, está numa relação com quem comanda. E aí se mostra qual é a sua concepção de poder: o poder-prestígio ou o poder-serviço. O poder no mundo chega a ser um ídolo. Uns se fazem de deuses e outros de seus adoradores. Para cada mandão, na República como na Capela, há sempre um séquito de pessoas subservientes e bajuladoras.

Os discípulos tinham diante de si o exemplo de Jesus e o modelo da própria sociedade. O mau exemplo vinha dos fariseus, da turma do Templo, do próprio ambiente religioso. E nisso, é claro, imitava-se as disputas de poder da classe dominante, da corte de Herodes, do Sinédrio. Jesus, no jejum do deserto, tinha enfrentado essa tentação. O diabo tinha oferecido o poder sobre todos os reinos do mundo a Jesus, se o adorasse. Jesus reagiu. Submeter-se só à vontade de Deus. Nada de aliança com o mal. O poder-prestígio é sustentado por alianças perigosas e concessões à falcatrua, à propina, à troca de favores.

O exemplo de Jesus foi bem outro. Ele deu exemplo com sua vida, suas escolhas e deixou esse precioso ensinamento: eu não vim para ser servido, mas para servir. O exercício do poder em Jesus não afastava as pessoas de si e nem o isolava dos outros. Como Mestre no seu grupo de discípulos, puxava o diálogo, responsabilizava cada um e, para admiração de todos, chegou a lavar os seus pés como um empregado fazia. Servir - essa palavra deve marcar a vida de um cristão em cargos de liderança ou em postos de comando. Servir. Não ser servido. Colocar-se a serviço dos outros, do bem, da justiça, diferentemente do poder-prestígio que se serve dos outros, que busca o seu benefício pessoal, que quer ser o maior.





Guardando a mensagem

A tentação do poder-prestígio estava presente também no grupo dos discípulos de Jesus. Jesus exerceu o poder-serviço. E o ensinou claramente. Não veio para ser servido, mas para servir. E disse mais: Vejam como o poder é exercido na sociedade, percebam a opressão dos grandes. Entre vocês, não deve ser assim.

Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
somos a tua Igreja e nossa presença na sociedade precisa ser pautada pelo espírito de serviço. Animados pelo teu evangelho, queremos fomentar a fraternidade em nosso ambiente de trabalho, de convivência, em nossas famílias, pois, servir é a marca do cristão. Ajuda-nos, Senhor, a não incorporar na Igreja a tentação do poder-prestígio do mundo. Antes, levemos para a sociedade nossa experiência de poder-serviço vivido na comunidade cristã. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu diário espiritual (seu caderno de anotações), anote essa frase de Jesus e escreva o que você entende dela: “Entre vocês, não deverá ser assim” (Mt 20, 26).

Comunicando

Todos os dias, quando eu lhe envio a Meditação, vai também o texto do Evangelho e a reflexão, tudo por escrito. Você clicando no link que lhe mando, dá direitinho no meu blog. Lá você pode ler o evangelho e a meditação, conferir as fotos de ilustração e digitar o seu comentário. Você pode também acessar o blog diretamente por esse endereço na internet: www.padrejoaocarlos.com. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

14º dia da Quaresma: ensinar e praticar.



   03 de março de 2026  

Terça-feira da 2ª Semana da Quaresma

   Evangelho   


Mt 23,1-12

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

   Meditação.   


Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

No evangelho de hoje, Jesus está fazendo uma denúncia muito forte contra os mestres da Lei e os fariseus. Afinal, quem eram eles? No tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs, os fariseus e seus mestres constituíam um grupo muito forte no meio do povo de Deus. Formavam uma espécie de confraria de homens observantes da Lei de Moisés. Eram muito influentes e respeitados pelo povo.

Esse movimento começou no tempo do exílio. Com a destruição do Templo e o exílio de uma parte da população para a Babilônia, os sacerdotes perderam sua função e sua influência na religião. Foi-se formando um movimento leigo que manteve a religião judaica não mais em torno do Templo, mas em torno da Lei. Na volta do exílio, esse movimento continuou a crescer junto às sinagogas. Um historiador da época, Flávio Josefo, calculou que havia uns 6.000 homens nessa confraria por todo o país, no tempo de Jesus. Eles zelavam para que a Lei de Moisés fosse cumprida em todos os seus detalhes. Muitos deles estudavam bastante essa Lei escrita e oral, frequentando escolas de grandes mestres. E passavam a explicá-la ao povo nas sinagogas e no Templo de Jerusalém também. Esses grandes catequistas eram chamados mestres ou doutores da Lei.

Com certeza, os fariseus eram um grupo muito próximo de Jesus. Mas, fizeram grande oposição a ele, talvez por inveja ou mesmo porque Jesus ensinasse de maneira diferente e isso desestabilizava a liderança deles. E Jesus percebeu neles alguns defeitos muito sérios. Quais? Eles exigiam demais do povo, quando na verdade eles não praticavam tudo aquilo. Eles desprezavam quem não conhecesse a Lei ou não estivesse em condições de cumpri-la. Na verdade, em seu legalismo, eles fecharam o coração e não acolheram Jesus e a sua mensagem.

Na passagem de hoje, Jesus está alertando o povo e os discípulos para fazerem o que eles ensinam, mas não imitarem as suas ações. ‘Façam o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem’. E aí ele fez uma lista completa de sete falhas do comportamento dos fariseus e de seus mestres; defeitos que os novos líderes do povo de Deus precisavam evitar. Com certeza, a preocupação de Jesus era com os novos líderes de sua comunidade, seus apóstolos e quem viesse a ocupar o seu lugar na animação das comunidades: não imitarem os mestres e os fariseus.

E por que não devem imitá-los? Olha os pecados que Jesus denunciou: ensinam, mas não praticam; amarram fardos pesados nas costas dos outros; fazem tudo para aparecer; exageram nos símbolos religiosos (largas faixas na testa e no braço com trechos da Lei e longas franjas na túnica); estão atrás de privilégios; gostam de ser cumprimentados em público; adoram ser chamados de mestres. Sete defeitos dos fariseus e seus mestres. Essas são tentações permanentes também no meio do povo de Deus de hoje; Coisas que as lideranças das comunidades cristãs não podem imitar, de jeito nenhum.




Guardando a mensagem

A palavra de Jesus nos ensina a estar atentos para não nos deixarmos iludir apenas por uma fachada religiosa. Como diz o ditado: “nem tudo que reluz é ouro”. Como os fariseus de ontem, há muita gente falando de Deus, mas seu real interesse não é a glória de Deus e o bem dos seus irmãos. Como os fariseus, há muito interesse em prestígio, em dinheiro, em benefícios pessoais. Há quem ensine, mas não viva. E quem ensine, sem responsabilidade com a doutrina dos apóstolos. E dentro de nossas comunidades, estejamos atentos para que o estilo fariseu não se instale.

Não imitem as suas ações (Mt 23, 3)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu estavas preocupado com a tua Igreja, para ninguém copiar o estilo dos mestres e fariseus do teu tempo. Os fariseus bem que poderiam ter sido os teus principais colaboradores na pregação do Evangelho. Mas, o tempo todo, ficaram se confrontando contigo, levantando suspeitas, dizendo que agias por obra de Satanás, te perseguindo. Liberta, Senhor, tua Igreja de qualquer vestígio de imitação dos defeitos do movimento dos fariseus. Que o teu Santo Espírito continue nos guiando e purificando para realizarmos bem a nossa vocação de comunidade missionária que leva tua Palavra de amor a todos os povos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze pedindo ao Senhor que não nos deixe cair na tentação dos fariseus, repetindo os seus sete defeitos.
 
Comunicando

Uma das recomendações da Quaresma é a Oração. Uma das orações mais simples, mais bela e popular é o rosário ou terço mariano. Quaresma é, então, tempo de rezar o terço mariano, possivelmente todos os dias. É o que estamos fazendo, de segunda a sexta, às 18 horas, em uma rede de rádios. Se na sua localidade, não houver uma rádio transmitindo o nosso terço, você tem a opção de ouvi-lo pelo aplicativo de sua rádio ou pelo aplicativo da Rádio Amanhecer, a rádio da AMA. Uma sugestão: baixe o aplicativo da Rádio Amanhecer no seu celular. Para baixar, é só procurar a rádio na lojinha de aplicativos do seu smartphone. É leve, é de graça e você ganha uma boa companhia 24 horas por dia. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

13º dia da Quaresma: Como tratar quem errou.

  


  02 de março de 2026   

Segunda-feira da 2ª Semana da Quaresma


   Evangelho.  


Lc 6,36-38

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.

   Meditação.   


Sejam misericordiosos como também o Pai de vocês é misericordioso (Lc 6, 36)

Começamos a segunda semana da Quaresma. Toda a Quaresma é um programa de crescimento cristão, que poderíamos resumir no apelo à conversão cultivada pela oração, pela penitência e pela caridade. E este já é o 13º dia de nossa caminhada. Em foco, hoje, a caridade: como tratar com quem errou.

Não julgar, não condenar, perdoar, doar. Quatro ações onde exprimimos nossa comunhão com Deus no confronto com quem errou. Nós somos seus filhos. Imitando-o, exprimimos nossa condição de filhos. Jesus nos disse: Sejam perfeitos como o Pai de vocês é perfeito. Sejam misericordiosos como também o Pai de vocês é misericordioso.

Ele é misericordioso. É mais pai do que juiz. Não é só imparcial e reto. Está escrito no Salmo: “Se levares em conta nossas faltas, Senhor, quem poderá subsistir? Mas, em ti, encontra-se o perdão” (Salmo 129). Nosso Pai é, sobretudo, misericordioso, não nos trata segundo nossas faltas.

Mesmo sendo nós os responsáveis pela morte de Jesus na cruz, o Pai não nos condenou. Antes, pelo sacrifício oferecido pelo seu filho, abriu a porta da reconciliação e da restauração aos pecadores. Pela cruz, ofereceu o perdão.

Doar, emprestar, partilhar... são atitudes que copiam o modo como Deus, generosamente, cuida de nós, e, em sua providência, nos alimenta, nos veste e sustenta. O convite é para sermos misericordiosos como o nosso Pai, por isso: não julgar, não condenar, perdoar e doar com generosidade.

Uma atitude muito comum de nossa parte em relação a quem errou, quando não é o juízo e a condenação sumária, é a indiferença. Pela indiferença, nos isentamos de sofrer com o outro, de ser solidários com a dor alheia. Ser misericordioso é interessar-se pela vítima e também pelo faltoso. Não se trata de acobertar o seu erro, mas de encontrar caminhos para que ele se recupere, se emende, se converta.

Acrescenta ainda o Senhor que seremos tratados como tratarmos o nosso semelhante, em sua necessidade e em sua fragilidade. Não julgando, não seremos julgados. Não condenando, não seremos condenados. Perdoando, seremos perdoados. Doando, receberemos ainda mais. Com a mesma medida com que medirmos os outros, seremos também medidos. É exatamente isso que cantamos na Oração de São Francisco: "Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado. Compreender que ser compreendido. Amar que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna".




Guardando a mensagem

Imitamos Deus no amor aos irmãos, particularmente pelos mais frágeis e sofredores. Esse amor se manifesta particularmente no confronto com os que erram. Nessa condição, o amor e o respeito pelos que cometeram erros se mostram em não julgá-los, nem condená-los. Ao contrário, oferecemos-lhe o perdão. Não somos juízes do nosso irmão. Isso não quer dizer que estejamos de acordo com o seu erro. Isso quer dizer que não nos arvoramos em juízes dele, pois também somos fracos e pecadores. Longe de cultivar ódio ou indiferença, oferecemos-lhe uma nova chance. Isso não o isenta de ser penalizado na forma da lei pelos seus atos, quando seu comportamento entra em conflito com a norma. Mas, não o abandonamos no seu erro. Oferecemos-lhe o caminho da regeneração, do perdão. Assim, imitamos o modo misericordioso com que Deus nos trata, procurando ser misericordiosos como ele.

Sejam misericordiosos como também o Pai de vocês é misericordioso (Lc 6, 36)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
o teu apelo à misericórdia, ao tratamento fraterno de quem errou, ao perdão das ofensas é muito oportuno. Vivemos em meio a relacionamentos agressivos, intolerantes, violentos nas palavras e nas atitudes. E aos poucos vamos nos tornando também nós agressivos, intolerantes, violentos, quando deveríamos levar para a sociedade um testemunho de fraternidade, de diálogo, de compromisso com a paz. Este é o testemunho que se espera dos teus seguidores, dos filhos e filhas do Pai da Misericórdia. Senhor, ajuda-nos a enfrentar o dia-a-dia difícil da luta pela sobrevivência e a defesa da justiça e da paz com o coração desarmado, pautando-nos pela misericórdia e distanciando-nos de polarizações inúteis e destrutivas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um exame de consciência. Veja se identifica alguma pessoa do seu círculo de amizade ou de sua história de vida que tenha cometido um erro razoavelmente grave. Diante dessa pessoa, o seu comportamento foi misericordioso?

Comunicando

Deixo aqui um agradecimento sincero às pessoas que fazem comigo a AMA, a Associação Missionária Amanhecer. Estamos abraçando juntos, há três décadas, um lindo projeto de evangelização com a comunicação social, que envolve rádio, televisão, redes sociais, publicações, estudo da bíblia, música, peregrinações, eventos. Talvez você também queira conhecer a AMA e, quem sabe, somar conosco. Se for assim, faça contato pelo WhatsApp 81 9985-1528.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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