BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

As redes da Igreja.



   26 de julho de 2026   

17º Domingo do Tempo Comum

6ª Jornada Mundial dos Avós e dos Idosos 


   Evangelho.   


Mt 13,44-52

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 44“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.
45O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.
47O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.49Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, 50e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. 51Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”.
52Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.


   Meditação.  


O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo (Mt 13, 47)

Neste quarto domingo de julho, a Igreja celebra uma Jornada Mundial dos Idosos e dos Avós, com o tema "Eu nunca te esquecerei", versículo tirado do Livro do Profeta Isaías. Essa comemoração está em sintonia com a memória de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, pais de Maria Santíssima. 

Vamos ao evangelho de hoje. Você já pescou alguma vez? Mas, foi de anzol?! Ou já pescou de rede? Bom, você sabe há diversos tipos de rede de pescar: de arrasto, de emalhar, de cerco, de tarrafa.­­­­­.. No tempo de Jesus, na Palestina, havia muitas comunidades de pescadores ao redor do Mar da Galileia. Esse chamado Mar da Galileia era um grande lago de água doce. Pescava-se com uma rede muito longa que era arrastada para a margem por pescadores fortes, usando barcos. O barco tinha, em geral, 8 metros de comprimento e 2 de largura.

No evangelho, aparecem povoados e cidades que estavam às margens do Lago da Galileia, portanto, terra de pescadores: Cafarnaum, Mágdala, Betsaida, entre outros. Os primeiros discípulos eram pescadores. Quando Jesus chamou Pedro e André, eles estavam pescando, lançando as redes. João e Tiago foram convidados para segui-lo quando estavam consertando as redes com seu pai e os empregados.

Com as parábolas, Jesus transmitia sua mensagem sobre o Reino de Deus. Assim, as pessoas, mesmo as mais simples, iam adentrando no grande mistério do Reino, anunciado por ele. Jesus partia de comparações com coisas conhecidas, situações e acontecimentos do cotidiano, as profissões do seu povo: o agricultor plantando a semente, a dona de casa fazendo o pão, o pastor cuidando do rebanho, o comerciante comprando e vendendo, o viajante encontrando uma pessoa assaltada... Claro, que não deixaria de usar essa imagem do mar, da pesca, da rede. Ele disse: “O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo”. Essa atividade da pesca dá uma ideia da dinâmica do Reino de Deus. A comparação evoca várias imagens: os pescadores, a rede, o mar, os peixes.

Os pescadores. A pescaria com rede é uma atividade de equipe, não é trabalho de um só. Lançar a rede ao mar e arrastá-la para a praia é um trabalho coletivo, comunitário, de muitas mãos. Você lembra aquele milagre dos peixes? Eles passaram a noite toda pescando e não conseguiram nada. Ao amanhecer, Jesus os mandou lançar a rede em certo ponto. E foi peixe à vontade, que quase a rede se rompeu. Precisou vir outro barco para ajudar a arrastar a rede para a praia. A evangelização (o anúncio do Reino) não é uma atividade solitária. É um trabalho de equipe, um serviço comunitário, de muitas mãos e muitos corações.

A rede. A rede representa a atividade missionária da Igreja. É o instrumento de trabalho do pescador. A rede é formada por vários pontos unidos entre si, bem amarrados uns aos outros, dando a ideia de sistema. Depois da pescaria, eles precisavam lavar a rede e consertar os pontos rompidos... Com a chegada da era digital, o sentido simbólico de ‘rede’ ficou ainda mais forte. Basta pensar nas redes sociais ou na rede mundial de computadores, a internet. A Igreja realiza a sua missão evangelizadora com instrumentos parecidos com a rede, todos integrados em verdadeiros sistemas: a educação, a catequese, a liturgia, a comunicação, o serviço da caridade, a pastoral de conjunto. São as redes da Igreja.

O mar. Você sabe que o mar, para o povo bíblico, é uma representação do mundo, com seus riscos e perigos. O povo hebreu era basicamente formado de agricultores e pecuaristas. Não tinha intimidade com o mar. O mar revolto é a imagem da crise, dos problemas, da perseguição que o mundo move contra o povo de Deus. O mar é o mundo.

Os peixes. A rede pega todo tipo de peixe. É verdade que depois (no fim da pescaria), serão separados peixes bons e peixes ruins. Mas, não durante a pescaria. A salvação é para todos. O evangelho precisa ser proclamado a todas as nações. É a missão universal da Igreja: levar o evangelho a toda criatura. Os peixes são as pessoas. Por isso, Jesus disse aos primeiros discípulos: “Farei de vocês pescadores de gente”.




Guardando a mensagem

Jesus comparou o Reino de Deus com a rede lançada ao mar, que apanha todo tipo de peixe. Todo mundo ali, ao redor do Mar da Galileia, podia entender facilmente essa parábola. A obra de Deus é realizada de maneira comunitária, eclesial, como os pescadores que trabalham juntos na pescaria com rede. O trabalho missionário da Igreja que anuncia o Reino é como uma rede, com instrumentos bem organizados em sistemas. Assim, a Igreja atua com suas redes na educação, no serviço aos pobres, na comunicação, no ensino da fé, na vivência da fé em comunidades. A obra de Deus, por meio de Jesus, foi nos libertar do poder do mal: é o que está representado no mar. E a missão é universal: levar a boa notícia do Reino a toda a criatura. É a rede que pega todo tipo de peixe.

O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo (Mt 13, 47)


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Pedro e André, Tiago e João eram pescadores do Mar. Tornaram-se pescadores do Reino, pela graça do teu chamado. Mas, o grande pescador és tu mesmo, embora tua profissão fosse carpinteiro. Naquela noite, Pedro e seus companheiros voltaram de mãos abanando. Mas, tu, divino pescador, orientaste onde pescar direito. E encheram a barca de tanto peixe. Seguindo tua Palavra, realizaremos a missão de uma maneira prodigiosa, como aquela pescaria milagrosa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Faça a si mesmo, hoje, uma pergunta: Na grande pescaria de rede que Jesus nos deixou, isto é a missão, em quê a Igreja pode contar com você? 

Comunicando

Não esqueça a Santa Missa do domingo. Ela é o centro do nosso dia, uma fonte de bênçãos para nossa semana. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A tentação.


   25 de julho de 2026   

Dia de São Tiago Maior, apóstolo


      Evangelho.      


Mt 20,20-28

20Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”.

22Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é que dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.



     Meditação.     


Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

A mãe de dois discípulos – Tiago e João – fez um pedido a Jesus: quando ele estivesse no poder, reservasse uma posição de destaque no seu governo para os seus dois filhos. Um à sua direita e outro à sua esquerda. 

Apesar do exemplo de Jesus, os seus colaboradores mais próximos, os apóstolos, estavam também tentados pela sede de poder. E já começavam a disputar cargos, posição, prestígio. Nem eles estavam entendendo a proposta de Jesus, nem a família deles. Pretendiam uma posição privilegiada (um à direita e outro à esquerda) ao lado de Jesus e, claro, acima dos outros.

Logo essa pretensão dos dois discípulos espalhou um mal-estar na comunidade dos apóstolos. O poder como prestígio, irmão gêmeo do enriquecimento duvidoso, semeia logo a discórdia, a desunião, a inveja e a competição doentia. É que ele agride gravemente o espírito comunitário. Essa tentação do poder-prestígio é um perigo para um cristão, pois o faz renunciar ao que aprendeu no Evangelho: o amor solidário, o respeito pela dignidade do outro, o espírito de serviço.

Você pode até pensar: esse negócio de poder não tem nada a ver comigo. É um assunto para quem ocupa altos cargos na Igreja ou para os políticos de Brasília. É aí que você se engana. Todo mundo tem uma relação com o poder. Mesmo que não esteja em uma função de comando, está numa relação com quem comanda. E aí se mostra qual é a sua concepção de poder: o poder-prestígio ou o poder-serviço. O poder no mundo chega a ser um ídolo. Uns se fazem de deuses e outros de seus adoradores. Para cada mandão, há sempre um séquito de pessoas subservientes e bajuladoras.

Os discípulos tinham diante de si o exemplo de Jesus e o modelo da própria sociedade. O mau exemplo vinha dos fariseus, da turma do Templo, do próprio ambiente religioso. E nisso, é claro, imitava-se as disputas de poder da classe dominante, da corte de Herodes, do Sinédrio. Jesus, no jejum do deserto, tinha enfrentado essa tentação. O diabo tinha oferecido o poder sobre todos os reinos do mundo a Jesus, se o adorasse. Jesus reagiu. Submeter-se só à vontade de Deus. Nada de aliança com o mal. O poder-prestígio é sustentado por alianças perigosas e concessões à falcatrua, à propina, à troca de favores.

O exemplo de Jesus foi bem outro. Ele deu exemplo com sua vida, suas escolhas e deixou esse precioso ensinamento: eu não vim para ser servido, mas para servir. O exercício do poder em Jesus não afastava as pessoas de si e nem o isolava dos outros. Como Mestre no seu grupo de discípulos, puxava o diálogo, responsabilizava cada um e, para admiração de todos, chegou a lavar os seus pés como um empregado fazia. Servir - essa palavra deve marcar a vida de um cristão em cargos de liderança ou em postos de comando. Servir. Não ser servido. Colocar-se a serviço dos outros, do bem, da justiça, diferentemente do poder-prestígio que se serve dos outros, que busca o seu benefício pessoal, que quer ser o maior.






Guardando a mensagem

A tentação do poder-prestígio estava presente também no grupo dos discípulos de Jesus. Jesus exerceu o poder-serviço. E o ensinou claramente. Não veio para ser servido, mas para servir. E disse mais: 'Vejam como o poder é exercido na sociedade, percebam a opressão dos grandes. Entre vocês, não deve ser assim.'

Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
somos a tua Igreja e nossa presença na sociedade precisa ser pautada pelo espírito de serviço. Animados por teu evangelho, queremos fomentar a fraternidade em nosso ambiente de trabalho, de conivência, em nossas famílias, pois, servir é a marca do cristão. Ajuda-nos, Senhor, a não incorporar na Igreja a tentação do poder-prestígio do mundo. Antes, levemos para a sociedade nossa experiência de poder-serviço vivido na comunidade cristã. Sendo hoje o dia do teu apóstolo Tiago Maior, nós te pedimos, Senhor, por sua intercessão, a tua bênção sobre todos os pastores da Igreja, o Papa Leão XIV, nossos bispos, os padres e diáconos de nossas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

No seu caderno de anotações, registre essa frase de Jesus e escreva o que você entendeu dela: “Entre vocês, não deverá ser assim” (Mt 20, 26).

Comunicando

E já estamos em contagem regressiva para o mês de aniversário da AMA, o mês de agosto. Vamos festejar 30 anos de compromisso com a evangelização nos meios de comunicação. E você também faz parte dessa história. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Cuidado com os espinhos.



   24 de julho de 2026.   

Sexta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum

Comemoração mensal de N. Sra. Auxiliadora



   Evangelho    


Mt 13,18-23

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Ouvi a parábola do semeador: 19Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo.
22A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto.
23A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem outro sessenta e outro trinta”.



   Meditação    


A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto (Mt 13, 22)

Aquele povo todo estava ouvindo Jesus. Ele, na barca, sentado. Era nessa posição que os mestres ensinavam: sentados. O povo à beira mar, ouvindo. E Jesus contando a parábola dos terrenos. O semeador saiu semeando a sua semente. E ela caiu em quatro terrenos diferentes. Quatro, claro, para falar de todos os terrenos que recebem a semente. Quatro é um número de totalidade. Uma parte caiu à beira do caminho. Outra, num terreno pedregoso. Outra, no meio de espinhos. E o quarto terreno foi uma terra boa.

Uma história como essa, todo mundo ali podia entender. Grande parte dos seus ouvintes eram agricultores. E plantar era com eles. Será que eles entendiam o significado da parábola? Com certeza, alguma coisa, entendiam. Mas, depois, conversando entre eles, certamente vinham muitas ideias. E parábola é assim. Não tem um único significado. Não é um enunciado de uma verdade arrumadinha. É uma chave para o entendimento de uma alguma coisa que está acontecendo.

E o que está acontecendo? Bom, a pregação do evangelho. Ontem e hoje, a palavra está sendo semeada. E as pessoas, como você, recebem a palavra em situações diferentes. Umas como um terreno à beira do caminho. Outras, como um terreno pedregoso. Alguém como um terreno de espinhos. Por sorte, tem também quem a receba como um terreno bom. Só aí vai prosperar a palavra semeada.

Podemos imaginar essa parte do terreno de espinhos. Que plantas estariam nesse terreno? Pensa aí: Cactos, cardos, maliça, esporão, unha de gato... bom, já tem bastante. Coitada da semente que cair num terreno desse! Não vai pra frente. Pode até nascer e crescer, mesmo fraquinha, mas será sufocada pelos espinhos. Não dá fruto nenhum.

Olha o que Jesus explicou: "
A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto" (Mt 13, 22).

Então, esses espinhos têm nome: as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza. O que poderiam ser preocupações do mundo? Bom, eu fico pensando na vaidade, na ostentação, na ditadura da opinião formulada pela mídia... E o que seria ilusão da riqueza? Aqui é mais fácil: a ganância, o apego ao dinheiro, a tentação do luxo, a discriminação dos pobres... 

O certo é que realizar a palavra, isto é viver a palavra que nós recebemos, pode nos custar, nos pedir renúncia, nos indicar novas atitudes. O terreno (que somos nós) precisa se abrir a essa palavra, recebê-la bem, permitir que ela crie raízes, cresça em nós. Não permitamos que o ritmo do dia, as preocupações da vida, e mesmo as distrações, a
ilusão dos bens deste mundo nos afastem dela, pior ainda, a sufoquem.




Guardando a mensagem

A palavra é como a semente que o agricultor semeia, espalha pelos terrenos. A parte que caiu no terreno cheio de espinhos não deu fruto nenhum. A plantinha até cresceu, mas foi sufocada pelos espinhos. Espinhos pode ser o modo de pensar do mundo (que privilegia a aparência, que nos estimula à vaidade e ao orgulho, etc.). Espinhos podem ser também a ilusão da riqueza (o apego aos bens materiais, o desprezo pelos humildes, a ganância). Espinhos são também desejos que fujam do nosso controle (na sexualidade desregrada, na dependência do álcool, por exemplo). O que será que nós poderíamos fazer para receber melhor a semente da palavra de Deus, no caso de seu terreno estar assim cheio de espinhos? Quem sabe, comecemos procurando limpar o terreno, deixar algumas coisas ruins de lado. Deixemos que a semente, a palavra, reoriente a nossa vida. Vamos dar ao Reino de Deus o primeiro lugar. Não deixemos que ninguém sufocar essa semente. Ela está destinada a dar muitos frutos em nossa vida.

A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto (Mt 13, 22)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no meu terreno, tem uns espinhozinhos, não vou negar. Mas, sei que a tua própria palavra é uma força para me ajudar a removê-los. Conto com a tua graça. Quero que a tua palavra, que recebo cada dia com grande alegria, seja a luz a orientar a minha vida. Dá-me, Senhor, a paciência do agricultor que prepara o terreno, rega a plantinha, limpa os matos e espera pacientemente que ela cresça e produza frutos. Que a tua palavra cresça, dia após dia, em minha vida e dela tu possas colher muitos frutos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Lendo o texto de hoje em sua Bíblia (Mt 13,18-23), escolha uma palavra ou uma pequena frase e marque-a em sua própria bíblia. Podendo, transcreva-a no seu caderno espiritual.

Comunicando

Hoje, comemoração mensal de Nossa Senhora Auxiliadora, temos a Santa Missa na Capela da AMA, às 14 horas, rezando pelos ouvintes e associados. Escritórios, auditório e capela da AMA estão no 3° andar do Edifício São Francisco, Av. Dantas Barreto 160, no centro da cidade do Recife. Ponha sua intenção na Missa de hoje ligando para 81 3224-9284, no horário comercial.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

As histórias que revelam o amor de Deus.



   23 de julho de 2026.   

Quinta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum



   Evangelho.   


Mt 13,10-17


Naquele tempo, 10os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?” 11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado.

12Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem.

14Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’.

16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.



   Meditação.   


Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: Por que tu falas ao povo em parábolas? (Mt 13, 10).

Boa pergunta.
Por que Jesus falava em parábolas? Ele gostava de contar histórias, construía cenas envolvendo temas do cotidiano, personagens e situações da vida da população. Quem não gosta de ouvir histórias? Contou que um filho saiu de casa e um dia voltou arrependido, que história bonita! E aquela história da ovelhinha que se perdeu... e tantas outras parábolas, comparações, alegorias.

Certamente, Jesus falava em parábolas para que as pessoas compreendessem mais facilmente o que ele anunciava. E ele anunciava o Reino de Deus. Dizia que o Reino estava próximo, que nele se entrava pela conversão. Dizia que Deus reina no seu amor de Pai e que tinha sido enviado pelo Pai para ser o nosso caminho. As parábolas falam disso... 

Muito se aprende com uma parábola. As pessoas escutavam as parábolas de Jesus e tiravam suas conclusões. Ao invés de fazer um discurso teológico sobre o Reino de Deus, com muitas explicações ou citações, Jesus contava parábolas, fazia comparações... O Reino de Deus é como um semeador que saiu a semear... O Reino é como uma rede de pescar... É como a mulher que procura a moeda que se perdeu... Falar em parábolas é uma bela forma de comunicação.

Agora, a resposta que Jesus deu parece um pouco estranha. A pergunta era por que ele falava em parábolas. E ele disse: “Porque a vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado”. Como assim, a eles não é dado? O Profeta Isaías tinha falado uma coisa parecida a respeito de muitos que fecharam o coração à comunicação de Deus. Isaías disse: “Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos para não ver”. A verdade é essa: a elite social e religiosa de Israel não acolheu Jesus. Fechou o coração para ele e assim nenhuma palavra sua foi bem recebida. Essas pessoas julgavam-se muito estudadas e conhecedoras das coisas de Deus. Você lembra que Jesus rezou dando graças a Deus porque estava revelando as coisas do Reino aos pequenos e as estava escondendo aos sábios e entendidos?

No fundo, o Reino é uma revelação de Deus, e ele a comunica a quem ele quer. Foi o que Jesus falou a Pedro: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas o meu Pai que está nos céus”. Deus escolheu os pequenos para revelar o Reino. Os grandes fecharam o seu coração para ele. 




Guardando a mensagem

Jesus fala em parábolas. Com as parábolas, ele comunica profundas verdades do Reino de Deus. Essa comunicação chega fácil ao coração dos simples e das pessoas que se abrem à revelação de Deus. As parábolas continuam a ser entendidas pelos que têm um coração de pobre, pelos pequenos. Os grandes e sábios aos olhos do mundo não acolhem a Palavra de Jesus e a sua liderança. Quem rejeita Jesus, rejeita a revelação de Deus. Assim, não tem como entender suas parábolas.

Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: Por que tu falas ao povo em parábolas? (Mt 13, 10).


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
que os nossos olhos vejam a beleza de tua presença entre nós, atualizada por teu Santo Espírito. Com tua presença, chega até nós o Reino de Deus. Que nossos ouvidos, ouvindo tuas parábolas, se abram ao conhecimento do Reino. Continua, Senhor, a nos instruir, nos ensinar, a nos introduzir nos mistérios da salvação, por meio de tuas parábolas. Aumenta, Senhor, em nosso coração o amor à tua Palavra. Dá-nos compreendê-la sempre mais. Que ela ilumine nossa vida com a luz de Deus. Venha a nós o teu Santo Reino, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra


Arrume um tempinho hoje e abra sua bíblia no capítulo 13 do Evangelho de São Mateus. No seu caderno espiritual, faça uma lista das parábolas de Jesus que estão reunidas ali. Depois que fizer a lista, confira a resposta que deixei no final da Meditação de hoje, no meu blog. É só seguir o link que estou lhe enviando.


Comunicando


Lembro que hoje, como todas as quintas-feiras, temos a Santa Missa, pelo rádio e pelo YouTube, rezando com você e por você. A celebração presencial é no Recife, na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, a igreja dos salesianos, às 11 horas. Já estou lhe enviando o link. O Canal é Padre João Carlos.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




PARÁBOLAS DE JESUS EM MATEUS 13

1. Parábola do Semeador
2. Parábola do Joio e do Trigo
3. Parábola do Grão de Mostarda
4. Parábola do Fermento
5. Parábola do Tesouro escondido
6. Parábola da Pérola preciosa
7. Parábola da Rede de Pescar

A missão de Maria Madalena.




22 de julho de 2026

  Dia de Santa Maria Madalena. 



  Evangelho.  


Jo 20,1-2.11-18

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.



  Meditação.  


Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Hoje é Dia de Santa Maria Madalena, discípula de Jesus. Tudo indica que ela era originária da cidadezinha de Mágdala, na Galileia, por isso esse apelido de Madalena. Ela integrava o grupo de mulheres que, junto com os apóstolos e outros discípulos, acompanhava Jesus. A sua imagem ficou prejudicada com a ligação que se fez com a mulher pega em adultério que ia ser apedrejada, mas lá não se diz que é Maria Madalena. O certo é que ela é a primeira testemunha de Jesus ressuscitado.

Madalena não é só uma personagem da história de Jesus. Ela, com certeza, é uma representante da primeira comunidade cristã. Nesse texto, ela pode estar representando a própria comunidade dos seguidores de Jesus, nos seus inícios. Quem é Madalena? Uma discípula, uma pessoa resgatada por Jesus. Marcos e Lucas relatam que Jesus a libertou de sete demônios. Lucas relata que um grupo de mulheres andava com Jesus, várias delas libertadas de enfermidades ou de espíritos maus, entre elas Maria Madalena. Afinal, o que era a comunidade cristã, senão um grupo de pessoas resgatadas por Jesus da doença, da opressão da Lei, da exclusão social, do pecado? É isso que é a Igreja, o povo redimido, lavado do pecado, no batismo. Um povo de pecadores restaurados na graça de Deus. Uma comunidade chamada Madalena.

Podemos também pensar que Madalena, além de representar a comunidade cristã, pode ser uma representante de cada discípulo ou discípula de Jesus. Podemos, então, nos enxergar nela, em suas palavras e atitudes. Madalena, sou eu. Madalena é você. Vamos pensar direitinho.

Em primeiro lugar, Madalena é uma discípula, uma pessoa resgatada por Jesus. O discípulo é alguém que foi restaurado de sua condição de pecador. Nós fomos atraídos para ele, pelo Pai. Fomos redimidos em sua cruz. Lavados, no batismo, em sua morte redentora. Renascemos, na sua ressurreição. Igualzinho à Madalena, nós fomos resgatados por Jesus. Somos seus discípulos. Nossa vida agora é caminhar com ele. Nele, reconhecemos a vida e a graça que nos renovam. Somos Madalena.

Em segundo lugar, a discípula Madalena ama Jesus. O discípulo ama Jesus. Ama, respondendo ao seu amor, à sua amizade. Ele tinha dito: “Já não chamo vocês de servos, vocês são meus amigos”. Ele é o bom pastor que ama suas ovelhas e por elas entrega a própria vida; bom pastor que conhece as ovelhas pelo nome e estas conhecem a sua voz. Quando Jesus chamou-a pelo nome “Maria”, ela o reconheceu. Ela é a ovelha que reconhece a voz do pastor e o ama. Madalena somos nós que amamos Jesus e conhecemos sua palavra. Somos Madalena.

Em terceiro lugar, a discípula Madalena anuncia Jesus. O discípulo assume a missão de Jesus. “Vocês serão minhas testemunhas”, disse ele. A missão é levar a todos o testemunho do nosso encontro com Cristo e do nosso amor a ele. Nosso encontro com Jesus não é tê-lo, possui-lo como um bem. Talvez seja por isso que ele disse a Madalena: “não me retenhas”. Madalena recebe a missão: “Vai dizer aos meus irmãos”. “Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito”. Madalena foi uma missionária de Jesus. Nós somos testemunhas de Jesus, somos seus missionários. Somos Madalena.


Guardando a mensagem

Madalena é, com certeza, uma representação da própria comunidade cristã que caminha da escuridão da noite para a luz do novo dia, acolhendo aos poucos a novidade da ressurreição de Cristo. Podemos também, como discípulos, nos reconhecer nela, percebendo que ela está nos representando. Ela é uma discípula de Jesus, uma mulher resgatada pelo amor de Cristo, como nós que fomos restaurados como novas criaturas, no batismo. Ela é modelo do discípulo que ama Jesus, que sofre por ele, que se arrisca por ele, que conhece a sua voz. Ele é a missionária de Jesus, que leva o testemunho do seu encontro com ele e suas palavras à comunidade e ao mundo. Somos Madalena.

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
contemplamos, hoje, em tua discípula Maria Madalena, a caminhada que cada um de nós vai fazendo para te encontrar e te anunciar aos irmãos. E o que fez toda diferença foi tu a teres chamado pelo nome: “Maria”. Ela reconheceu tua voz, ela se sentiu conhecida e amada por ti. Foi uma experiência de encontro pessoal contigo, uma experiência maravilhosa. Sem esse encontro pessoal contigo, permanecemos tateando, procurando, meio perdidos. Tu nos chamas pelo nome, o nome que recebemos no batismo, quando acolhemos a vida nova da graça. Tu que confiaste a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal, dá-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que tu vives e contemplar-te na glória do teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Quando Jesus chamou Madalena pelo nome “Maria”, ela voltou-se e exclamou em sua língua “Rabbuni’ (que quer dizer “Mestre”). Repita essa palavra várias vezes no dia, contemplando essa cena do encontro do Ressuscitado com sua discípula.

Comunicando

No mês de outubro, conduzo uma peregrinação aos lugares  onde viveu e atuou o apóstolo Paulo. Vamos visitar lugares onde viveram comunidades cristãs animadas pela pregação do apóstolo, comunidades que leram suas cartas e o livro do Apocalipse de João. Vamos à Turquia, Grécia e Itália. São 85 pessoas, saindo de dois pontos: do Recife e de Guarulhos. O grupo do Recife já está fechado. No grupo de Guarulhos, restam ainda 3 vagas. Desejando maiores informações, fale com nossa equipe pelo whatsapp 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




O melhor lugar para escutar.


  21 de julho de 2026.  

Terça-feira da 16ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho.  


Mt 12,46-50

Naquele tempo, 46enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

  Meditação.  


Enquanto Jesus falava às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele (Mt 12, 46)

Esse texto foi lido outro dia. Os parentes de Jesus estavam do lado de fora. E Jesus indicou que seus verdadeiros parentes eram aqueles que faziam a vontade do seu Pai. E até refletimos que Maria é celebrada nos evangelhos como a serva obediente. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Temos que ser como Jesus e como Maria: filhos obedientes, realizadores da vontade do Senhor.

Mas, a palavra do Senhor é sempre nova. Por ela, ele nos diz sempre coisas surpreendentes. Relendo esse texto, me dei conta da repetição do verbo “falar”. Vou reler, com você, os versículos em que aparece esse verbo e você, por favor, conte quantas vezes essa palavra se repete. “Jesus estava falando às multidões. Sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém lhe disse: Olha, tua mãe e teus irmãos estão querendo falar contigo. Aí Jesus fez uma pergunta a quem tinha lhe falado isso”. Contou? Quantas vezes aparece o verbo “falar”? Quatro vezes. Quatro é um número completo, como os quatro pontos cardeais. “Falar” deve ser um elemento importante pra se prestar atenção no texto.

Jesus está falando ao povo. Coisa importante: ele estava ensinando, revelando as coisas do Reino de Deus, como sempre fazia. Haveria coisa mais importante do que isto, ouvir Jesus falando? Prestar atenção na palavra dele? Você se lembra de Marta e Maria. Maria estava escutando Jesus, sentadinha aos seus pés. Marta, toda ocupada, pra frente e pra trás, fazendo as tarefas de casa. O que lhe disse Jesus: “Marta, Marta, uma só coisa é necessária”. Ouvir a palavra é fundamental.

Então, Jesus está falando ao povo as coisas do Reino. E chegam os seus parentes, querendo o quê? Querendo falar com ele. Mandaram um recado por uma pessoa: “Teus parentes estão lá fora querendo falar contigo”. Por que eles não entraram para ouvir Jesus que está ensinando? Podemos pensar: ah, a casa estava cheia. Mas, o texto não está dizendo isto. Diz que ficaram do lado de fora. E que queriam falar com Jesus. Então, o assunto deles é mais importante do que a de Jesus? Então, quem dá a pauta são eles?

Está me ocorrendo o seguinte. Muitas vezes, não estamos interessados no que Jesus está falando, no que ele está dizendo, em sua pregação. Estamos interessados no nosso assunto, temos os nossos interesses, queremos que ele nos escute. Não entramos para escutar a palavra do Senhor, ficamos fora querendo que ele venha ao encontro dos nossos interesses. Está me seguindo? Esse é o problema. Muita gente não quer ouvir Jesus, quer falar-lhe o seu assunto.

Se você estiver entendendo o que eu estou dizendo – e eu sei que está -, vai entender direitinho o que está no salmo 94: “Oxalá, vocês ouvissem hoje a sua voz! Não endureçam o coração, como no tempo do deserto” (Sl 94, 7-8). A tentação é a gente não ouvir a voz de Deus, fechar o coração para a palavra de Jesus. Não temos interesse nela. Estamos interessados na nossa palavra, no que nós queremos dizer. E podemos ficar de fora, apenas querendo apresentar nossos pleitos, nossos pedidos, representar nossos interesses. Nada de escutar o que Deus tem para nos dizer. E assim nos comprometer com a sua vontade, não com a nossa.




Guardando a mensagem

Impressionante a palavra do Senhor. Nessa cena, em que os parentes de Jesus estão do lado de fora e querem falar com ele, chama à atenção a repetição do verbo “falar”. Jesus está falando ao povo, dentro da Casa. Os parentes estão do lado de fora, querendo falar-lhe. Não querem ouvir Jesus. Querem que Jesus os ouça. É o retrato da situação de muitos de nós. Alguns não estão interessados na palavra de Jesus. Estão interessados no seu problema, na sua necessidade, no que lhes parece importante. Sem ouvir a Palavra, não conhecemos a vontade de Deus. E se não realizamos a vontade de Deus, não temos parte com Jesus.

Enquanto Jesus falava às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele (Mt 12, 46)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nesta palavra de hoje, fica muito claro o lugar onde devemos ouvir tua palavra, onde tua palavra ganha sentido: a Casa, isto é, a comunidade, a Igreja. Não queremos ficar do lado de fora, Senhor, queremos nos integrar sempre mais na Comunidade-Igreja-Casa onde estás com teus discípulos. Este é o lugar certo para se escutar e viver a tua palavra. Do lado de fora, podemos apenas requisitar que escutes a nossa palavra, que sirvas aos nossos propósitos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, responda a esta pergunta: Você tem cultivado essa capacidade de escuta de Deus?

Comunicando

Quero saudar, com muito carinho, o povo querido da cidade de Manacapuru, no estado do Amazonas. Estou chegando de lá, onde fiz um show no encerramento do aniversário da cidade. E já vou cumprimentando o povo da cidade de União dos Palmares, no estado de Alagoas, com quem estarei amanhã, no show da festa da padroeira, Santa Maria Madalena. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Teimoso como você.


   20 de julho de 2026   

Segunda-feira da 16º Semana do Tempo Comum


   Evangelho   


Mt 12,38-42

Naquele tempo, 38alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 39Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas.
40Com efeito, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. 41No dia do juízo, os habitantes de Nínive se levantarão contra essa geração e a condenarão, porque se converteram diante da pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas.
42No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará contra essa geração, e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão”.


   Meditação.   


Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Estamos começando a semana com um apelo muito forte da parte do Senhor: a nossa conversão. Fale a verdade: Deus já lhe deu muitas oportunidades para você tornar-se um fervoroso seguidor de Jesus, uma fervorosa discípula do Senhor, não é verdade? Quantas chances, Deus já lhe deu para você mudar de vida, converter-se? Agora, é bem capaz que você esteja esperando algo de grande impacto para que finalmente se entregue a esse grande amor! E é precisamente de amor que estamos falando. A conversão é um ato de amor: mudar o rumo de sua vida, colocando-a na direção do imenso amor de Deus. E ele nos ama por primeiro.

Você lembra: outro dia, Jesus estava se queixando das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Viram tantos milagres, mas não se converteram. Hoje, fariseus e mestres da lei, opositores de Jesus, estão lhe pedindo um milagre: ‘Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti’. Jesus deve ter ficado aborrecido. Pessoas mesquinhas como aquelas pedindo para presenciar um milagre, mas olhe só! Jesus não fazia milagres pra se mostrar. Àquela altura, Jesus já tinha tomado uma decisão: não iria mais fazer milagre nenhum. Ele chamou aquele povo de geração má e adúltera. ‘Essa geração está pedindo sinais, milagres. Não vai ter mais. Só um sinal, eles vão ter agora: o sinal de Jonas’.

Você se lembra do profeta Jonas?! Deus o mandou pregar em Nínive, capital da Assíria. Jonas calculou bem: Nínive, uma capital pagã... uma missão muito difícil, perigosa, tempo perdido. E logo o que tinha que anunciar: que Deus iria destruir tudo por ali. Nem pensar. Jonas pegou um navio numa rota contrária. Sujeito teimoso, esse Jonas. No meio da viagem, o mar ficou tão enfurecido que os marinheiros desconfiaram que alguém ali estivesse em falta muito grave contra o seu Deus. Jonas confessou que estava fugindo de Deus e da missão difícil que ele lhe confiara. Para salvar a tripulação e o navio, não houve outro jeito. Foi atirado no mar. O que aconteceu foi incrível e você recorda. Um peixe o engoliu e três dias e três noites depois ele foi vomitado na praia. Deus o mandou de volta para a tarefa que lhe tinha confiado.

Jesus disse que não teriam mais nenhum sinal, mais nenhum milagre. Só um: o de Jonas. E ele mesmo explicou: ‘assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estaria três dias e três noites no seio da terra’ (Mt 12, 40). Ele está falando, então, de sua morte e de sua ressurreição. Este seria o grande sinal, o milagre pelo qual lhes seria mostrado sua condição de Messias, enviado de Deus. Esse milagre é um dos mistérios centrais de nossa fé. Mistério recordado em cada celebração. Dele fazemos memória na Santa Missa. Como Jonas engolido pelo peixe e devolvido vivo, ao terceiro dia. Morte e ressurreição. Esse é o grande sinal.





Guardando a mensagem

Fariseus e mestres da Lei queriam ver um sinal para acreditar em Jesus. Ele já tinha feito tantos, mas nunca para se mostrar, para se exibir. Na corte de Herodes, também lhe pediram um milagre para divertir a corte. Jesus ficou quieto. Chega de milagres, foi a decisão de Jesus. Ele já estava chateado com a pouca conversão nas cidades onde tinha feito tantos milagres... Afinal, haveria um só sinal, o de Jonas. A morte e a ressurreição de Jesus é o milagre prefigurado no sinal de Jonas. Depois de três dias no seio da terra, Jesus foi devolvido vivo, ressuscitado.

Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
disseste que, no dia do juízo, os moradores de Nínive iriam condenar a geração do teu tempo, porque se converteram à pregação de Jonas, diferentemente de grande parte dos que te escutaram. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Que à tua Palavra, respondamos prontamente, acolhendo o teu amor, na graça da fé e no seguimento do teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A conversão é a nossa resposta à Palavra de Deus. A conversão é obra nossa e do Espírito Santo de Deus em nós. Assim, no dia de hoje, peça ao Santo Espírito, mais de uma vez, a graça da conversão.

Comunicando

Hoje é dia de Segunda Bíblica, nosso compromisso semanal de estudo da Palavra de Deus. Se você nunca participou, comece hoje. Muito bom pra sua formação cristã, para fortalecimento de sua fé. Estamos estudando o Livro do Apocalipse, pelo YouTube. Inscreva-se pelo Sympla.com.br ou pela Secretaria da Segunda Bíblica: 81 8239-6686. Nosso encontro começa às oito da noite. 

Pe. Joao Carlos Ribeiro, sdb




As lições do joio e do trigo.

    19 de julho de 2026   

16º Domingo do Tempo Comum


    Evangelho.     


Mt 13,24-43

Naquele tempo, 24Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’
28O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’
29O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’”
31Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”.
33Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.
34Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.
36Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!”
37Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. 40Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41o Filho do Homem enviará seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes.
43Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.


      Meditação.       


O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno (Mt 13, 38).

Nós formamos famílias cristãs, zelando para que elas cresçam na unidade da fé. Organizamo-nos em comunidades cristãs, procurando trilhar os caminhos da santidade. Respiramos ainda um clima religioso em nosso país, sentindo-nos todos um povo abençoado por Deus.

Mas, sabemos que nem tudo são flores. Em nossa terra, há processos e estruturas responsáveis por desigualdade, injustiça, desemprego. Em nossas comunidades cristãs, também se abrigam pessoas preconceituosas, egoístas e violentas. Em nossa casa, também moram infidelidade e violência doméstica. Tem joio no nosso roçado.

Jesus nos conta, hoje, uma parábola super-interessante, a do joio e do trigo. Na plantação, só entrou a boa semente de trigo. Mas, o inimigo veio de noite e semeou também o joio. Quando cresceram e o trigo começou a dar espigas, notou-se que uma parte da plantação era joio. E o joio é parecido com o trigo, com a diferença de que dá um fruto venenoso. Além de difícil de distinguir, suas raízes se misturam com as do trigo.

Ao descobrirmos o mal e os seus responsáveis em nossas famílias, em nossos grupos, em nosso convívio social, achamos logo a solução: arrancá-los de nossa convivência, extirpando o mal pela raiz. Foi o que os trabalhadores quiserem fazer com o joio. Mas, o agricultor não permitiu. Iria prejudicar o trigo. O melhor era ter paciência e aguardar o tempo da colheita. Aí, sim, o trigo seria recolhido e guardado no celeiro. E o joio queimado no fogo.

O que Jesus está nos ensinando, com esta parábola?

A primeira lição é renunciarmos à presunção de sermos gente santa e pura, em contraste com os maus e pecadores. Santos, nós somos pela graça de Cristo que nos redimiu. Mas, igualmente somos pecadores. Os fariseus se julgavam justos, praticantes, separados. Assim, cometeram muita injustiça com o povo pobre ou sem conhecimento da Lei. E rejeitaram Jesus, que vivia misturado com os pecadores. Em nome da pureza da raça, cometeu-se a tragédia do holocausto, particularmente contra os judeus. Somos santos e pecadores. Não devemos ceder à tentação de querer viver separados, como um trigo santo. Há sementes de joio em nosso coração e joio crescido em nossa própria comunidade. Mais humildade.

A segunda lição é não nos arvorarmos em juízes dos outros. Só Deus julga e condena, mas só o fará no final de tudo, na colheita. Ele dá toda chance, age com grande paciência e aguarda a conversão para sanar o mal com o seu perdão e a sua misericórdia. Assim, não tomemos o lugar de Deus. Espelhemo-nos nele, em sua paciência e em sua compaixão. Devemos apontar os erros e as estratégias que nos pareçam equivocadas, mas não desrespeitemos a dignidade humana de quem quer que seja. Não coloquemos ninguém no inferno. Não julguemos para não sermos julgados.

A terceira lição é continuarmos a ser bons e cada vez mais amorosos com Deus e com o nosso próximo, apesar de estarmos rodeados de tentações e convivendo com o joio. O mal me obriga a ser bom com maior consciência, com maior responsabilidade e com sempre maior capacidade de resistência e perseverança. O mal nos obriga a assumir mais claramente a nossa condição de filhos amados e de irmãos servidores. Que o mal não nos faça maus. Ao contrário, como fermento na massa, trabalhemos para melhorar as pessoas e o mundo.




Guardando a mensagem

Na parábola do joio e do trigo, descobriram que havia joio junto com o trigo, que não dava para arrancar logo o joio e que o final do joio e do trigo seria bem diferente. Três lições podemos recolher desta parábola: renunciar à presunção de querermos viver no gueto dos santos; ser tolerantes, evitando julgar e condenar os outros; e reafirmar, com clareza, nossa adesão ao bem e à verdade, exatamente onde a mentira e a desonestidade querem ter a última palavra.

O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno (Mt 13, 38).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
vivemos num mundo complicado, em meio a um grande pluralismo cultural e religioso e a uma polarização política empobrecedora. Tua palavra hoje nos ajuda a nos colocarmos melhor nessa situação. Tu nos ensinas a não nos isolarmos do mundo, pensando que estaremos a salvo em nossos grupos afins nas redes sociais ou em nosso ambiente religioso exclusivo. O joio está em toda parte. Nesse contexto, precisamos ser bons e muitos bons, com frutos de solidariedade, de santidade, de amor a Deus e ao próximo; Não só não nos deixarmos contagiar pelo vírus do mal, mas sermos fermento na massa. Ensina-nos, Senhor, a ser tolerantes, sem cairmos no relativismo de que tudo está certo e no fatalismo, de que isso não tem jeito. Na colheita, terás a palavra final. Até lá, queremos ser trigo e dos bons. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Escolha um momento no seu dia para ler o evangelho de hoje, na sua Bíblia:
Mt 13,24-43.

Comunicando

Faço show, hoje, na cidade de Manacapuru, estado do Amazonas, Prelazia de Coari. O municipio está completando 94 anos de emancipação. Presido a Santa Missa de ação de graças e, em seguida, faço o show. Na quarta-feira, o show é em União dos Palmares, Estado de Alagoas, na festa da padroeira Santa Maria Madalena.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





Um plano para matar Jesus.


   18 de julho de 2026  

Sábado da 15ª Semana do Tempo Comum 

   Evangelho.   


Mt 12,14-21

Naquele tempo, 14os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. 15Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, 17para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18“Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual ponho a minha afeição; porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. 19Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. 21Em seu nome as nações depositarão a sua esperança”.

   Meditação.   


Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus (Mt 12, 14)

É triste ler isso no evangelho. “Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus”. É de não se acreditar. Para chegar a este ponto, eles deviam estar muito incomodados com Jesus. Por que eles chegaram a esse ponto? Claro, a explicação mais simples é que eles fecharam o coração à novidade que era Jesus e sua pregação. Mas, podemos tentar entender um pouco mais sobre essa rejeição.

Por que os fariseus não gostavam de Jesus? Bom, o povo de Deus estava vivendo um tempo de muita turbulência. Muita coisa preocupante estava acontecendo e trazendo mal-estar e insegurança às pessoas. A maior parte do povo da Galileia era de agricultores. E eles estavam com a corda no pescoço, por causa dos impostos que deviam entregar para Herodes e os romanos. Os romanos, que dominavam diretamente a Judeia e a Samaria, eram pagãos e suas legiões esmagavam qualquer manifestação ou revolta. As elites da capital e os grandes proprietários de terra controlavam o Templo de Jerusalém. Tudo isso criava muita insegurança no meio do povo.

Os fariseus, uma espécie de irmandade ou de partido, era o grupo mais próximo da população. No seu quadro, havia muitos mestres da Lei, gente que estudava as Escrituras. Eles não eram aliados dos romanos, como os saduceus do Templo. Eles eram defensores fervorosos da exata observância da Lei de Moisés. A segurança para eles estava em praticar fielmente todos os preceitos escritos e orais que regulavam a vida do judeu. É possível que a mensagem de Jesus criasse muita insegurança para eles, pois Jesus liberava o povo daquele rigorismo que eles pregavam. Jesus considerava aquele apego à letra da Lei um desvio da religião, acabando por excluir as pessoas e deixar de lado a caridade e a misericórdia, que são o centro da Lei. Além disso, Jesus apontava muitas falhas neles: o exibicionismo na oração, a busca de privilégios e de prestígio, a falta de autenticidade (ensinavam e não faziam). No fundo, Jesus, como nova liderança ouvida pelo povo, ameaçava a posição de liderança deles e sua influência nas comunidades. Por tudo isso, os fariseus viram, em Jesus, uma ameaça. E decidiram matá-lo.

Claro, não chegaram de repente a essa decisão de eliminar Jesus. A oposição foi crescendo devagar... vemos isso nas páginas dos evangelhos. A mensagem de Jesus pedia conversão, mudança de vida. E eles permaneceram de coração fechado. Aos poucos, a incompreensão, a impaciência, o mal estar vão se convertendo em rancor, em ódio, e, por fim, em decisão de eliminação do profeta. Essa é uma coisa pra gente pensar. Se a pregação do evangelho não encontra um terreno bom no seu coração e você vai se permitindo que cresça a indiferença, as dúvidas que se transformam em críticas.... afinal, aos poucos vai se formando um muro, uma barreira entre você e Jesus, entre você e a Igreja, que finda por afastar você, definitivamente, da novidade do evangelho.

O resultado dessa decisão de matar Jesus, lemos hoje no evangelho, é que Jesus retirou-se dali. De fato, percebemos no evangelho, que, a partir de certo momento do seu ministério, diminuem suas aparições públicas e também o afluxo das grandes multidões. Ele continua curando muita gente, mas recomenda que não mencione o seu nome, que não digam quem foi. Procura ser discreto, nesse clima da perseguição. Assim, o evangelista aplica-lhe o que o profeta Isaías escrevera sobre a misteriosa figura do servo de Deus: “Ele não discutirá nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega”. O servo de Deus descrito é alguém manso, discreto, humilde. Não enfrenta com violência os seus opositores, não sai ameaçando, arrebentando, agredindo. Foi essa a atitude de Jesus frente à perseguição contra sua pessoa. O medo não o paralisou, mas ele agiu sempre com prudência e humildade.




Guardando a mensagem

O evangelho tem páginas maravilhosas. Todas o são. Mas, em algumas, aparece claramente a oposição e a perseguição contra Jesus. A grande perseguição dos dias da paixão foi construída, aos poucos, com atitudes de boicote, críticas, insinuações maldosas e decisões homicidas como a que lemos hoje neste texto. Sempre que os cristãos e a Igreja se comportam profeticamente, movidos pela liberdade do Espírito Santo, colhem sofrimento e perseguição. Na verdade, quem vive o evangelho destoa da normalidade, deslegitima privilégios, suscita oposição. Assim, é bom você se policiar.... o evangelho é fermento de um mundo novo, não é a cobertura do bolo desse mundo de mentiras e maldades.

Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus (Mt 12, 14)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a oposição dos fariseus, que acabou por decidir a tua morte, é um alerta para nós. Quantas oportunidades eles tiveram, ouvindo a pregação do evangelho, conhecendo-te pessoalmente, vendo os testemunhos de teus milagres e das pessoas que tiveram suas vidas transformadas no teu seguimento. Ainda assim, construíram uma negativa total à revelação de Deus em tua pessoa. Senhor, ajuda-nos a manter o coração aberto para a tua palavra e a tua presença redentora hoje, na Igreja. Que a indiferença não enfraqueça a nossa fé. Que as pequenas suspeitas, insinuações e críticas não acabem por nos separar de ti e de tua Igreja. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu diário espiritual (seu caderno de anotações), escreva uma oração a Jesus sobre a meditação de hoje.

Comunicando

Ontem, infelizmente, não tivemos o programa no Rádio. Mais de 200 emissoras ficaram sem o programa Tempo de Paz. Tudo por conta de falhas na internet no local onde estou, no estado do Amapá. Mas, graças a Deus, tudo restabelecido. Hoje, teremos normalmente o programa no Rádio. Não tendo rádio nos transmitindo em sua localidade, você tem duas opções. A primeira: baixar a Rádio Amanhecer online em seu celular (é só ir na lojinha de aplicativos do seu celular e procurar Rádio Amanhecer). A segunda opção é nos ouvir pelo Spotify (neste caso, procure Padre João Carlos - Meditação). 


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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