BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Curar, ressuscitar, purificar, defender - essa é a nossa missão.



11 de junho de 2026

  Memória de São Barnabé, apóstolo.  



  Leituras Bíblicas  


At 11,21b-26.13,1-3

Naqueles dias, 11,21b Muitas pessoas acreditaram no Evangelho e se converteram ao Senhor. 22 A notícia chegou aos ouvidos da Igreja que estava em Jerusalém. Então enviaram Barnabé até Antioquia. 23 Quando Barnabé chegou e viu a graça que Deus havia concedido, ficou muito alegre e exortou a todos para que permanecessem fiéis ao Senhor, com firmeza de coração. 24 É que ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E uma grande multidão aderiu ao Senhor. 25 Então Barnabé partiu para Tarso, à procura de Saulo. 26 Tendo encontrado Saulo, levou-o a Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos naquela Igreja, e instruíram uma numerosa multidão. Em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados com o nome de cristãos. 13,1 Na igreja de Antioquia, havia profetas e doutores. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado junto com Herodes, e Saulo. 2 Um dia, enquanto celebravam a liturgia, em honra do Senhor, e jejuavam, o Espírito Santo disse: "Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei". 3 Então eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e deixaram-nos partir.


Mt 10,7-13


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento.
11Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz”.



  Meditação.  


Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)

Jesus percebe a situação de sofrimento e abandono do seu povo. E procura organizar o seu grande grupo de discípulos, nomeando doze líderes. Chamou doze, porque estava simbolicamente reorganizando todo o rebanho de Deus, o povo das doze tribos, que fora liderado por doze patriarcas. E Jesus enviou os doze em missão. É urgente que o rebanho conte com bons pastores, com boas lideranças. Pastores que cuidem das ovelhas estropiadas, que recuperem as desfalecidas, que lavem as sujas, que as defendam dos lobos.

A missão é anunciar a proximidade do Reino, que é o que Jesus já estava fazendo. “Em seu caminho, anunciem: o Reino dos céus está próximo”. Na realização desta missão, Jesus deu aos doze quatro tarefas: Curar os doentes; Ressuscitar os mortos; Purificar os leprosos; e Expulsar os demônios. Você sabe, quatro é um número de totalidade. Quatro é tudo, pois quatro são os pontos cardeais. A missão de anunciar a chegada do Reino de Deus mostra-se nestas quatro ações.

Vamos dar uma olhada nessas tarefas. A primeira foi curar os doentes. Jesus tinha um carinho especial pelos doentes. Basta lembrar a cena da sogra de Pedro ou do paralítico descido em sua maca diante dele. Cuidar dos doentes é uma forma de anunciar o Reino de Deus. Deus está perto de quem está sofrendo. Deus é a força de quem está debilitado. Estamos diante do tema da SAÚDE. Assistir os doentes e sofredores, rezar por eles, rezar com eles, acompanhá-los em seu tratamento são formas de mostrar o amor de Deus, a proximidade do Reino. Curar os enfermos.

A segunda tarefa foi ressuscitar os mortos. Jesus ressuscitou a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, o seu amigo Lázaro. Em todos esses episódios, vemos como Jesus deu atenção às famílias enlutadas, como ele ajudou as pessoas a crerem em Deus e na ressurreição que ele nos promete. Estamos diante do tema da VIDA. Na parábola do bom samaritano, o homem estava caído, semimorto, na beira da estrada. Acudir quem está caído, quem está em situação de morte é ressuscitar os mortos. Hoje, temos muita gente que está em situação de morte: pela droga, pela exploração do trabalho, pela fome... Trabalhar pela recuperação dos dependentes químicos, salvar do suicídio quem perdeu o sentido da vida, por exemplo, são também formas de anunciar a proximidade do Reino. Ressuscitar os mortos.

A terceira tarefa foi purificar os leprosos. Os leprosos, no evangelho, têm a ver com a impureza em relação à Lei. Pela impureza, a pessoa estava apartada de Deus e de sua comunidade. A lepra é uma imagem do pecado. Estamos diante do tema da RECONCILIAÇÃO. Purificar os leprosos é ajudar a pessoa a se aproximar de Deus e alcançar o perdão dos seus pecados. Fomos reconciliados com Deus, por Jesus Cristo que morreu por nós. Trabalhar pela conversão, aproximar as pessoas do Sacramento da Confissão são formas de anunciar que o Reino está vizinho, próximo. Purificar os leprosos.

A quarta tarefa foi expulsar os demônios. Jesus venceu as tentações. E libertou muitas pessoas possuídas pelo mal. Estamos diante do problema da LIBERDADE. Muita gente está possuída, escravizada pelo preconceito, pelo sentimento de inferioridade, pela ignorância, por ideologias totalitárias, pela inveja, pela dependência cultural... são numerosas as formas de dominação do mal sobre as pessoas! Contribuir para a superação desses males, ajudar as pessoas a se libertarem dessas forças de opressão são formas de realizar o anúncio do Reino de Deus. Expulsar os demônios.





Guardando a mensagem

Jesus, diante do seu povo sofrido e humilhado, enche-se de compaixão. Vê que aquele é um rebanho sem pastor. Realizando sua missão de reorganizar o povo de Deus disperso, nomeia doze lideranças para o seu movimento. Ele envia os doze em missão. Eles devem, como Jesus, anunciar a proximidade do Reino de Deus. Para servir o seu povo cansado e abatido, Jesus providencia pastores que cuidem das ovelhas estropiadas (os enfermos), que recuperem as desfalecidas (os mortos), que lavem as sujas (os leprosos), que as defenda dos lobos (os demônios). A missão dos doze é a missão de todo o povo de Deus. A minha, a sua também.

Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
aos teus missionários de ontem e de hoje, estás instruindo que todos estamos em missão. E que a missão não depende de contarmos com muitos recursos (ouro, prata, dinheiro). O que temos para oferecer não tem preço, nem são coisas que estamos distribuindo. Somos testemunhas do Reino que chegou com tua presença redentora. Estás insistindo, Senhor, que precisamos manter a postura de missionários, de viajantes, evitando a busca de benefícios pessoais (não levar sacola) e a busca de segurança ou bem-estar (duas túnicas, sandálias, bastão). Ajuda-nos, Senhor, a realizar, ao teu lado, a grande tarefa da evangelização. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Dedique uma prece especial, hoje, pela missão da Igreja, pedindo que todos, leigos, consagrados e ordenados, estejamos em missão, como Jesus mandou.

Comunicando

Como toda quinta-feira, temos, hoje, a Santa Missa das 11 horas, rezando pelos ouvintes e associados. Deixe sua intenção no Chat do YouTube. 

Estamos fechando nosso grupo de peregrinação deste ano. Em outubro, iremos à Turquia, Grécia e Itália, percorrendo os passos do apóstolo Paulo. Temos ainda 3 vagas no grupo que sai do Recife e 7 vagas no grupo que sai de Guarulhos. Informações pelo WhatsApp 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Somos o povo da Bíblia.


  10 de junho de 2026.  


  Quarta-feira da 10ª Semana do Tempo Comum.  


    Evangelho.    


Mt 5,17-19

Naquele tempo; disse Jesus aos seus discípulos: 17”Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

    Meditação.    


Não vim para abolir a lei e os profetas, mas para dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5, 17)

O evangelho desta quarta-feira nos fala da Palavra de Deus. É um pedacinho do Sermão da Montanha, no evangelho de São Mateus. Jesus está explicando aos seus seguidores que ele veio dar pleno cumprimento à Lei e os Profetas.

O povo da antiga aliança (do Antigo Testamento) fez uma forte experiência de Deus, em sua história. Olhando a história desde que o povo foi se formando, vemos como Deus foi se revelado a eles de uma maneira muito especial. Deus começou esse povo com Abraão. Do neto de Abraão, Jacó, surgiram as doze tribos. Num tempo de seca e fome, o grupo de Jacó mudou-se para o Egito. Lá, acabaram se tornando escravos no regime dos Faraós. A libertação e a volta para sua terra foi um processo em que aprenderam muito sobre a bondade e a vontade de Deus. No Sinai, Deus lhes deu uma Lei escrita, por meio de Moisés.

Um pouco mais adiante, o povo das tribos se tornou um reinado. Nesse tempo, apareceram os profetas que falavam em nome de Deus, instruindo o povo. Essas palavras foram guardadas nos livros dos Profetas. O reino se dividiu em dois. E os dois reinos acabaram sendo invadidos por outros povos. Marcou muito o exílio de uma parte do povo na Babilônia. Na volta do exílio, houve muito trabalho para a restauração de tudo que tinha sido destruído. Aos poucos, foi se organizando a coletânea das Livros de Sabedoria, com os Salmos e outros escritos.

Assim, no tempo de Jesus, o povo da antiga aliança quando falava das Escrituras referia-se a três grupos de escritos: a Lei, os Profetas e os Salmos. Agora, dá para entender melhor o que Jesus fala hoje no evangelho: “Não pensem que eu vim abolir a lei e os profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento”. Toda a experiência de fé do povo eleito e seus escritos sagrados continuam valendo. Na verdade, percebemos como seguidores de Jesus, toda essa revelação de Deus preparou a vinda de Jesus. Em Jesus, a revelação de Deus se completou. Ele é o Verbo que se fez carne, explicou o evangelista São João. Ele é a própria palavra personificada.

É verdade que somos o povo da nova aliança. Lendo os evangelhos e os demais escritos do Novo Testamento, acolhemos Jesus, o salvador da humanidade e seus ensinamentos. E, com ele, acolhemos também a tradição da fé do povo da antiga aliança. Mas, entendemos que Jesus é o auge da revelação de Deus e do seu Reino, esboçada no Antigo Testamento. Ele ensinava com autoridade. Não ficava apenas repetindo o que estava escrito. Chegou a aperfeiçoar a antiga Lei. No Sermão da Montanha, ele referiu-se a vários pontos das escrituras, dizendo “vocês ouviram o que foi dito aos antigos... mas, eu porém, lhes digo....”. Ele é o verdadeiro intérprete das Escrituras.

Ao lado da Sagrada Escritura, a Igreja tem em conta igualmente a pregação apostólica que nos entrega e nos explica as escrituras. Diz a Dei Verbum, o documento do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina: “A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos”.





Guardando a mensagem

Jesus nasceu no mundo dos judeus, o povo da antiga aliança. Toda a história desse povo foi uma grande experiência do amor de Deus. Deus foi se revelando aos poucos. Os seus escritos sagrados estavam distribuídos em três blocos: a Lei, os Profetas e os Salmos. São os livros do Antigo Testamento. Jesus nos ensinou a considerar e venerar essas Escrituras sagradas do seu povo, pois elas nos revelam o próprio Deus e a sua vontade salvífica. Jesus, o filho de Deus, o verbo, a palavra feita carne, é o ponto mais alto dessa revelação de Deus. Somos o povo do Novo Testamento, dos evangelhos, dos escritos dos apóstolos e das primeiras comunidades cristãs. A partir de Jesus, lemos e interpretamos o Antigo Testamento, lembrados que a Bíblia não é um livro de receitas, mas um testemunho de fé, uma direção para a nossa vida.

Não vim para abolir a lei e os profetas, mas para dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
aprendemos de ti, que veneravas as Escrituras sagradas do teu povo. Nós, em espírito de fé, acolhemos o livro santo da palavra de Deus, no Antigo e no Novo Testamentos, como escritos inspirados pelo Santo Espírito, como Palavra de Deus. Em ti, reconhecemos a plena revelação de Deus, esboçada já nos antigos escritos. Tu és o Verbo que se fez carne. O teu Santo Espírito faz atual a tua palavra e abre o nosso coração para o encontro contigo nas páginas sagradas do santo livro. É o mesmo Espírito que assiste os líderes da Igreja na correta transmissão da Palavra e da Tradição da fé. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

O Salmo 119 (ou 118) é um elogio à Lei de Deus. É uma longa louvação, seguindo as letras do alfabeto hebraico. Mas, a tarefa de hoje é simples e rápida. Rezar o Salmo 119, 1-16.

Comunicando

No primeiro domingo de julho, dia 05, vamos realizar, aqui na área metropolitana do Recife, o Passeio dos Ouvintes. Será uma jornada de convivência e celebração na cidade de Bezerros, onde estamos implantando a nossa Rádio Amanhecer FM. Informações pelo WhatsApp 81 8239-6686.  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Vocês são o sal da terra!




  09 de junho de 2026.  

Memória de São José de Anchieta, presbítero


  Evangelho.  


Mt 5,13-16


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa.
16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.




  Meditação.  



Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? (Mt 5, 13)

Estamos no Sermão da Montanha. Nele, Jesus começou sua pregação, proclamando as bem-aventuranças. Com as bem-aventuranças, conforme o evangelho de Mateus, que estamos lendo neste ano litúrgico, Jesus traçou o perfil do cidadão do Reino de Deus: alguém desapegado dos bens desta terra, solidário com as dores dos seus irmãos, manso nos seus relacionamentos, comprometido com a verdade e a justiça, misericordioso com os seus semelhantes, correto em suas intenções, artesão da paz, perseverante nas provações. O primeiro que cabe nesse perfil é o próprio Jesus. As bem-aventuranças são a carta de identidade do cristão. Esta é a nossa vocação: viver, nesse mundo, como filhos de Deus que somos, tendo Jesus como nosso modelo e guia.

Depois que Jesus fez essa linda declaração das bem-aventuranças, ele deu mais um passo em sua explicação. Aí entra o evangelho de hoje, que vem logo em seguida. As bem-aventuranças, o que são? Elas traçam o perfil do cristão. Ótimo. Vocês são os abençoados por Deus, os bem-aventurados, por obra de sua graça e do compromisso de vida de vocês. Muito bem. Mas, não para formarem uma comunidade de santos separada do mundo. O que vocês são deve ajudar o mundo a ser melhor. Vocês são o sal da terra! Vocês são a luz do mundo!

Sempre houve uma tentação de se querer viver a fé fora do mundo real. No tempo de Jesus, os essênios formavam uma comunidade que vivia no deserto, sem contato com ninguém de fora. E toda aquela cobrança que havia, por parte dos fariseus, sobre o puro e o impuro, no fundo era querendo que o povo de Deus não tivesse contato com os pagãos ou com os não praticantes da Lei. E Jesus insistiu: vocês são o sal da terra, a luz do mundo. São uma cidade construída sobre um monte, não podem não ser uma referência para o peregrino, um farol para os navegantes. Uma luz no candeeiro da sala, num lugar alto, é o que vocês são.

Sobre a luz, já falamos em outras ocasiões. Vamos, hoje, considerar melhor esse “sal da terra”. No tempo de Jesus, o sal vinha de uma região do Mar Morto, que era chamado de Mar do Sal. E tinha muitas utilidades, além de condimentar os alimentos. Por exemplo, todos os sacrifícios (de animais) oferecidos no Templo levavam sal. Pedras de sal recolhidas no Mar Morto, em estado bruto, serviam também para manter o fogo aceso. E muitos outros usos.

Para a compreensão do evangelho de hoje, é bom não perdermos de vista duas preciosas utilidades do sal: preservar e dar sabor. De maneira especial, o sal era usado para preservar da corrupção. Naquele tempo não havia geladeira. O peixe, a carne precisavam levar sal para não se estragar. E, claro, comida insossa não tem graça. O sal realça o sabor dos alimentos, dá sabor.

E é disso que Jesus está falando: o cristão, no mundo, é sal. A sua condição de filho de Deus deve influir no seu ambiente, deve influenciar positivamente sua casa, sua rua, seu trabalho. O cristão é sal para preservar o mundo da corrupção, que é o pecado, a injustiça, a maldade. A condição do cristão é a do sal, um influenciador. A comunidade cristã não pode se fechar no seu mundinho de paz, mas precisa ser no seu ambiente uma força em favor da justiça, da educação de qualidade, do respeito à vida. Se o cristão e sua comunidade se negam a ser sal da terra, o mundo fica privado da força de Deus que renova todas as coisas. Se o cristão e sua comunidade se negam a ser luz do mundo, o mundo fica privado da luz de Cristo.





Guardando a mensagem

Nas bem-aventuranças, Jesus traçou o perfil dos filhos de Deus, dos seus seguidores. Ele é o que mais se encaixa nesse perfil. Assim, ser cristão é ser seu seguidor, seu imitador. No evangelho de hoje, Jesus dá um segundo passo: explica que essa condição de filhos de Deus não nos afasta da realidade, mas nos faz influenciadores no mundo. Neste sentido, nos disse, vocês são o sal da terra (não do céu), a luz do mundo. Sal para preservar da corrupção, da degradação que o mal provoca no mundo dos negócios, da cultura, da vida em sociedade. Sal para conferir sabor, para sublinhar o sentido da vida, do trabalho, da família. Cristo é a luz do mundo. A comunidade cristã e cada batizado iluminam o mundo com suas palavras, com seu testemunho, com suas ações. Por eles, Cristo ilumina o mundo.

Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? (Mt 5, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu nos disseste, hoje, que a nossa condição de filhos abençoados de Deus, de bem-aventurados, nos faz pessoas e comunidades comprometidas com o bem, a verdade e a justiça no mundo. Nossas palavras, nossas ações, nosso testemunho oferecem a tua luz e a tua verdade a todos, influenciando positivamente os ambientes onde vivemos, trabalhamos, nos divertimos. Se o sal perde sua força de salgar, para que serve, perguntaste. Livra-nos, Senhor, de ser sal que não preserva e que não dá sabor, que não está no mundo como uma força em favor da vida, da liberdade, da inclusão, do cuidado com a casa comum. Em nós, apesar de nossa fraqueza, és tu que ages salgando, salvando, iluminando o mundo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Reze, na sua Bíblia, o Salmo 111 (ou 112). Começa assim: Feliz aquele que teme o Senhor e que muito se compraz em seus mandamentos.

Comunicando

Nosso 5º Encontro sobre o Apocalipse, ontem, foi realmente muito bom. Bonito ver o interesse de mais de 1000 irmãos estudando, com seriedade, a Palavra de Deus. Quanto a Palavra do Senhor tem a nos instruir, a nos iluminar, a nos orientar! 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Jesus anuncia o Reino de Deus.




  08 de junho de 2026  

Segunda-feira da 10ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho  


Mt 5,1-12a

Naquele tempo, 1Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3”Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.




  Meditação  


Os discípulos aproximaram-se e Jesus começou a ensiná-los (Mt 5, 1-2).

E a semana está começando com a pregação de Jesus no Sermão da Montanha: ele nos fala do Reino de Deus, do amor de Deus que nos faz seu povo, sua herança, sua Igreja. 

São quatro ações de Jesus descritas na abertura do Sermão da Montanha (Mt 5). Faça as contas: “Vendo Jesus as multidões (1ª. ação), subiu ao monte (2ª. ação) e sentou-se (3ª. ação). Os discípulos aproximaram-se (essa ação é dos discípulos), e Jesus começou a ensiná-los (4a. ação de Jesus). Quatro, você sabe, é um número de totalidade, abrangente como os quatro pontos cardeais.

Estamos no início do chamado Sermão da Montanha, que compreende os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus. O Sermão da Montanha é a proclamação da Lei do povo da nova aliança.

Vamos às quatro ações iniciais de Jesus.

A primeira foi “vendo as multidões”... Ele vê o povo que acorre para ouvi-lo, para pedir a cura de suas doenças... Ele não vê só com os olhos, vê com o coração. Na história que contou do homem assaltado e caído na estrada, só o samaritano viu, aproximou-se e cuidou dele. O sacerdote e o levita viram, mas passaram adiante. Jesus vê as multidões como Deus que falou com Moisés no Monte Sinai: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa dos seus opressores, pois eu conheço as suas angústias”. A primeira ação foi “Ver as multidões”, um olhar de compaixão e de compromisso com o seu bem.

A segunda ação de Jesus foi “subiu ao monte”. Que detalhe curioso, “subiu ao monte”! Que monte? Com certeza, uma das colinas próximas de Cafarnaum. O monte, na tradição bíblica, é um lugar privilegiado de encontro com Deus. Mas, por que subiu com a multidão ao monte? Claro, ele é o novo Moisés que está levando o povo hebreu para o Monte Sinai, para prestar culto a Deus, celebrar aliança com ele e dele receber a Lei. “Subiu ao monte” é uma ação cheia de significado. Refazendo o caminho da história, Jesus, o novo Moisés, está restaurando o seu povo, que renasce em aliança com Deus.

A terceira ação foi “sentou-se”. Por que sentar-se? Por que estava cansado? Para ficar mais próximo do povo? Os mestres, em Israel e em outros povos, ensinavam sentados. Na Sinagoga, o pregador ficava sentado. Lembra Jesus, na Sinagoga de Nazaré? Depois que leu, de pé, o profeta Isaías, sentou-se para explicar aquela passagem. Na Sinagoga, havia uma cadeira especial para o pregador, perto do púlpito, num lugar de destaque. Chamava-se a Cadeira de Moisés. Quando pediu uma barca para se afastar da multidão e falar-lhes sobre o Reino de Deus, lembra em que posição Jesus ficou? Sentado, claro. Sentar-se é a posição de quem vai ensinar, Jesus assume a condição de Mestre. É o novo Moisés que ensina a Lei de Deus ao seu povo.

A quarta ação foi “começou a ensiná-los”. O que ele começou a ensinar vem a seguir: as bem-aventuranças, as bem-aventuranças do Reino. Na interpretação que se fazia do decálogo do Monte Sinai, o bem-aventurado era o praticante da Lei, o que observava os mandamentos e as normas. Nas bem-aventuranças do Monte, Jesus proclama que o Reino de Deus é um dom para os humildes, os sofredores, os pecadores. O Reino é o consolo para os aflitos e perseguidos, a vitória da justiça e da paz para os sofredores, a força dos mansos, o conhecimento de Deus para os de coração limpo, a misericórdia para os pecadores. Afinal, o bem-aventurado no povo da nova aliança é o humilde e pecador amado por Deus.

Ouvindo essa palavra, sinta-se no meio daquela multidão. Você está na lista dos bem-aventurados do Reino. Não porque você seja muito bom, nem muito santo(a), nem muito praticante da Lei de Deus. Você está na lista dos bem-aventurados porque, na sua fraqueza, nos seus limites, na sua condição de pecador, Deus ama você. É o que Jesus está dizendo.





Guardando a mensagem

Está começando o Sermão da Montanha. Jesus, com compaixão, vê o povo, como Deus na revelação a Moisés, da sarça ardente. Jesus, com o povo e os discípulos, sobe ao monte. Ele é o novo Moisés que liderou a saída do Egito e levou o povo ao Monte Sinai para celebrar a aliança com Deus. Ele é o mestre que, sentado, ensina ao seu povo a lei do Reino de Deus. O seu ensinamento é o manifesto do Reino. Os pequenos são os amados de Deus, os cidadãos do seu Reino.

Os discípulos aproximaram-se e Jesus começou a ensiná-los (Mt 5, 1-2)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
longe de nós por nossa confiança no dinheiro, na riqueza deste mundo. Queremos acolher o Reino de Deus, como dom que nos é oferecido, como nossa maior riqueza. Longe de nós vivermos na condição de quem não precisa mais de nada, nem de ninguém. Queremos acolher o Reino, com sede e fome de justiça, buscando fraternidade, solidariedade e confiança na tua providência. Longe de nós vivermos a alegria falsa da bebida, das drogas ou da indiferença com a dor dos outros. Queremos viver a verdadeira alegria que o Reino nos traz pelo perdão, pela salvação que nos alcançaste. Longe de nós querermos agradar ao mundo e à opinião pública, negando o evangelho da vida, da família, da verdade. Queremos ser fieis, mesmo no meio de incompreensões ou perseguições, certos que este é o caminho da vitória. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Leia, na sua Bíblia, a passagem de hoje: Mateus 5, 1-12.

Comunicando

Hoje tem Segunda Bíblica. É o nosso quinto encontro sobre o Livro do Apocalipse, o quinto de 30 encontros. Quem vai se inscrever hoje, vai receber o ebook e os links dos 4 encontros anteriores. O link do encontro de hoje estará no grupo de Whatsapp às 20 horas, hora do início da aula de hoje.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



INSCREVA-SE NO ESTUDO DO LIVRO DO APOCALIPSE


Hoje (2ª feira, 08/06/26), tem Segunda Bíblica. O quinto encontro sobre o Livro do Apocalipse começa às 20 horas. 

O acesso ao YouTube é exclusivo de quem está inscrito no curso. Serão 30 encontros. Estamos apenas começando. 

Inscrevendo-se hoje, você vai receber:
🔸 o ebook 
🔸 e o link das quatro primeiras aulas. 

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O evangelho renova o mundo.


  07 de junho de 2026  

10º Domingo do Tempo Comum


  Evangelho. 


Mt 9,9-13

Naquele tempo, 9 Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me!" Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10 Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: "Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?" 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: "Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Aprendei, pois, o que significa: 'Quero misericórdia e não sacrifício'. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores".

 

  Meditação. 


Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos (Mt 9, 10)

No tempo de Jesus, o povo detestava os cobradores de impostos. Certo, ninguém gosta de pagar imposto. E esses tais cobravam impostos para o império romano que dominava o mundo judeu. Pagar imposto aos romanos era um atestado de reconhecimento da dominação estrangeira sobre eles, uma humilhação. Com dois agravantes. Primeiro, essa dominação era de um povo pagão. E os hebreus evitavam qualquer aproximação dos pagãos, por considerá-los impuros. Não se entrava na casa de um pagão. Não se comia com um pagão. E segundo: os cobradores de impostos estavam autorizados a arrancar o quanto pudessem da população. Assim, facilmente se enriqueciam. 

Um judeu se passar a ser cobrador de impostos para os romanos passava a ser uma pessoa mal-vista, detestada. Ficava logo isolada, pois a sua aproximação dos pagãos era um sinal de impureza. Assim, ninguém devia ser amigo deles, nem comer com eles.  Eram chamados de pecadores públicos, publicanos, escória da sociedade.

Mas Jesus tinha um discípulo que era cobrador de impostos: Mateus.  Aliás, foi Jesus quem pessoalmente o convidou a segui-lo, quando ele estava trabalhando na coletoria de impostos. E mais: Jesus, acompanhado dos seus discípulos, participou de uma refeição com Mateus e outros cobradores de impostos e publicanos, na casa dele. 

Nesse fato, vemos com clareza como Jesus se move dentro desse horizonte acanhado que discriminava os pagãos e marginalizava os cobradores de impostos e outros profissionais. E como o Reino de Deus que ele anuncia integra, aproxima e põe na mesma mesa todos os filhos de Deus. 

Claro, a mentalidade do antigo povo de Deus não era essa. Assim, na cena entram os fariseus. Eles se escandalizam com essa atitude de Jesus. E cobram explicações aos discípulos. “Por que o Mestre de vocês come com os cobradores de impostos e pecadores?”. Eles, os fariseus, são os justos, os praticantes da Lei. Os outros são os pecadores, ignorantes, infiéis, impuros. 

A resposta de Jesus foi maravilhosa: “Quem tem saúde, não precisa de médico. Os doentes, sim, estes é que precisam de médico. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores’. Os fariseus se achavam justos, justificados pela prática da Lei. Não precisavam de médico. 



Guardando a mensagem

A comunidade de Jesus (a sua Igreja) aprende com ele a acolher, integrar, fazer comunhão com todos os irmãos e irmãs, sem discriminação. Quando as comunidades se espalharam pelo mundo romano, não foi fácil viverem a comunhão na mesa e na eucaristia com os não-judeus. Assim, esse evangelho era sempre recordado, para mostrar como Jesus agia. Vivemos numa sociedade com grande desigualdade social. Como cristãos, precisamos vencer essas diferenças, para amar e acolher a todos como irmãos, reconhecendo em cada um, em cada uma a dignidade de filho de Deus, de filha de Deus. A igualdade social baseia-se no reconhecimento da dignidade do outro. Essa é a base da construção de uma sociedade renovada pelo evangelho. 

Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos  (Mt 9, 10)

Rezando a palavra


Senhor Jesus,
quando muitos olham para o outro com olhar de superioridade, julgando-se mais santos, mais capazes, mais importantes, tu chamas Mateus, um cobrador de impostos, um cidadão discriminado por sua colaboração com os romanos; tu o chamas para te seguir, para ser teu apóstolo. Quando muitos se isolam em nome de sua santidade ou da ameaça que o outro possa representar, tu te sentas à mesa com os cobradores de impostos e pecadores, fazes comunhão com eles. Continua, Senhor, a nos lembrar o ensinamento dos profetas: “Deus quer a misericórdia, não o sacrifício”, isto é, Deus quer o amor, a caridade mais que ritos religiosos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Leia o evangelho de hoje (Mt 9, 9-13) e procure entender o convite de Jesus pra você: “Siga-me!”.

Comunicando

Para me encontrar nas redes sociais (YouTube, Instagram,Tiktok, Facebook, Spotify, etc.), é só procurar Padre João Carlos. Padre, por extenso.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



A oferta da viúva.




06 de junho de 2026  

Sábado da 9ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho.  


Mc 12,38-44

Naquele tempo, 38Jesus dizia, no seu ensinamento, à multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. 40Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. 41Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. 42Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. 43Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. 44Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

  Meditação.  


Em verdade lhes digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas (Mc 12, 42)

Jesus observou que uma pobre viúva depositou duas pequenas moedas no tesouro do Templo. E valorizou essa participação, aparentemente tão pequena. Viu também pessoas ricas fazendo suas ofertas. Comparou a viúva pobre e os ricos piedosos. Os ricos ofertaram o que lhes sobrava. Ela ofereceu ‘tudo quanto tinha para viver’.

Veja bem, dando as duas moedas que lhe fariam falta, ela deu algo de si mesma. As duas moedas a ajudariam em alguma coisa, um pão, um pouco de leite, quem sabe... Não deu do que lhe estava sobrando. Propriamente, não deu coisas fora de si. Empenhou-se a si mesma nesta oferta. Deu-se a si mesma. A viúva a si mesmo se ofereceu em oferta.

Os ricos que depositaram muito dinheiro no cofre do Templo, ofereceram muita coisa, mas não ofereceram nada de si, compreende? Nada daquilo representava mesmo algo de si mesmos. Aquele dinheiro todo não lhes faria falta, era coisa que já estava sobrando. Jesus podia até elogiá-los reconhecendo que tinham sido generosos. Mas, não. Não estavam implicados na oferta. A viúva, ah essa sim, fez a maior oferta. Deu de sua própria vida, tirou do seu próprio sustento. Sacrificou-se ao dar. Na verdade, a sua oferta era ela mesma.

A história da viúva das duas moedinhas é um exemplo vivo do ensinamento de Jesus: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia sua cruz e me siga”. A viúva renunciou a si mesma. O discípulo vê isso na vida do seu Mestre. Foi assim que Jesus realizou sua missão. Ele entregou a sua vida em sacrifício, em nosso favor. Ele é o nosso rei, o nosso guia, o nosso pastor. O bom pastor dá vida por suas ovelhas. O que a viúva fez está em sintonia com o modo como Jesus realizou sua missão. Depositando duas moedas, tudo o que ela tinha, ela estava oferecendo-se a si mesma.




Guardando a mensagem

No gesto de dar uma oferta no Templo, a viúva pobre não deu apenas algo fora de si, que não a empenhava, nem a implicava. Especialmente, entregou-se a si mesma, deu-se na sua pobreza e na sua necessidade. E o que é que a viúva tem com você? É fácil: na sua relação com a Igreja (que está no lugar do antigo Templo), espera-se que você não dê apenas coisas, exteriormente. O evangelho da viúva indica que você precisa entregar-se a si mesmo, a si mesma. Não basta cumprir o preceito de assistir a Missa aos domingos. É preciso que você faça do seu domingo uma Missa. E o compromisso do dízimo? É, ele é importante, mas só vale mesmo se você for a oferta principal, não o seu dinheiro. Rezar é importante? Sim, se rezar for o modo de você reconhecer o amor de Deus, colocando-se às suas ordens. O que você faz ou dá não é o mais importante. Só é importante se sua vida estiver sendo oferecida e entregue no sinal da oferenda.

Em verdade lhes digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas (Mc 12, 42)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
temos que reconhecer que nosso dízimo e nossas ofertas na Igreja estão muito longe do sentimento de entrega da viúva. Ela propriamente se deu em oferta, oferecendo o que lhe faria falta. A nossa oferta deveria representar a oferta de nós mesmos a Deus, mas quase sempre são apenas esmolas e migalhas que representam apenas o nosso pouco compromisso com a Igreja e com a sua missão. Converte-nos, Senhor. Dá-nos o coração da viúva pobre que a si mesmo se ofereceu em sua oferta. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que o evangelho está lhe pedindo alguma mudança? Pense um pouco nisso.

Comunicando

05 de julho é a data do Passeio dos Ouvintes a Bezerros. É lá que está sendo instalada a Rádio Amanhecer FM. Na programação: Visita às instalações da futura emissora, Santa Missa,Tarde de Louvor e Adoração Eucarística. Informações pelo zap 81 8239-6686.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






Mais que um herdeiro de Davi.



  05 de junho de 2026  

1a. Sexta-feira do mês 

Memória de São Bonifácio, bispo e mártir


  Evangelho  


Mc 12,35-37

Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.

  Meditação  


Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

O povo de Deus vivia na grande expectativa da vinda do Messias. Os profetas tinham anunciado a vinda de alguém muito especial. Na cabeça das pessoas, chegaria alguém muito forte, assistido por Deus, que restauraria a nação e a levaria ao seu antigo esplendor, como no tempo de Davi ou Salomão. Para um povo que vivia sob o peso de uma dominação humilhante como aquela dos romanos no tempo de Jesus, a expectativa do Messias era uma coisa muito forte. Quanto mais sofrimento e humilhação, mais se fortalecia a convicção da chegada do Messias a qualquer momento para resolver a situação.

Quando os tempos estavam maduros, o Pai enviou seu filho. São Paulo falou disso, na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Mesmo Deus tendo esperado muito tempo para enviar o seu filho no momento certo, Jesus encontrou esse clima da espera de um Messias salvador da pátria, que dificultou a acolhida de sua pessoa e de seus ensinamentos.

No pensamento corrente, o Messias viria reinar, seria um rei. Assim, claro, ele teria que ser um descendente do rei Davi, a quem Deus tinha prometido que seu reinado não teria fim. O Messias seria filho de Davi, quer dizer da família real. Aos poucos, muita gente foi identificando Jesus com o Messias aguardado. Quando Jesus foi a Jerusalém, naquela peregrinação de Páscoa, a última antes de ser morto na cruz, sua entrada na cidade foi uma festa. Os peregrinos o aclamaram rei. “Hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor", gritavam euforicamente. E lhe deram, em sua pobreza, um tratamento de rei: forravam a estrada com ramos e com suas capas para ele passar, montado no seu jumentinho.

O que Jesus está dizendo hoje no evangelho é para ajudar aquelas pessoas que o cercavam a entender que o Messias não seria um simples descendente do rei Davi. “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?”

São muitas coisas que aquela gente e nós precisamos entender. A primeira coisa é que o Messias não é um simples filho de Davi. Como diz o salmo que Jesus citou: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. Quem é esse senhor? Deus. Deus disse ao senhor de Davi, não ao seu filho. O Messias é o Senhor de Davi, entendeu? O Messias tem parte com Deus.





Guardando a palavra

Aos poucos, os seguidores de Jesus foram entendendo: Jesus é o Messias, o ungido de Deus. Ele não só herdou a realeza humana de Davi, mas ele é o Filho de Deus. E o seu reinado não é o governo de alguma tribo ou de alguma nação. Ele é mais rei do que isso, ele é Senhor em todo canto. Ele não veio para restaurar o reino de Israel. Veio para restaurar o reino de Deus no mundo. Deus não é só Deus de Israel. É Deus de todos e quer o bem de todos e reina sobre todos, em qualquer lugar do mundo, onde aceitem seu filho e sua mensagem de fraternidade, de justiça, de amor e de paz. Os problemas de Israel é seu povo que vai encontrar soluções, no caminho da história. Ele veio para abrir um caminho de plenitude, de salvação para todos. Claro que isso tem influência na vida dos que crêem e nos caminhos históricos das nações. O Reino de Deus é como fermento na história, como ele bem explicou.

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
não foi só o povo do teu tempo que teve dificuldade de entender a tua presença e a tua mensagem. Nós, também. Eles esperavam um messias que resolvesse os seus problemas ou ao menos os liderasse na vitória sobre seus inimigos. Aos poucos, os teus seguidores compreenderam que a tua liderança era realmente real e decisiva, e se estendia a todas as pessoas e as todas as nações, como verdadeira onda de renovação do mundo na direção de Deus. És o Senhor da história, nos conduzindo para a justiça e a fraternidade que nascem do encontro com o amor de Deus, proclamado no teu evangelho. Por tua morte e ressurreição, abres os selos do livro lacrado da história. És o Senhor da história. E quanto estiver transformado, entregarás o reino como um presente ao Pai. Contigo, pedimos ao Pai, venha a nós o teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Abra a sua Bíblia, no salmo que Jesus citou hoje: Salmo 110 (ou 109, em algumas edições). É o salmo do sacerdócio do Messias.

Comunicando

Hoje, primeira sexta-feira do mês, faço show na cidade de Monte Alegre, SE. A festa é do padroeiro, o Sagrado Coração de Jesus. Amanhã, à noite, presido a Santa Missa em Camela, PE: noite da Trezena de Santo Antonio. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Por Cristo, com Cristo, em Cristo.



  04 de junho de 2026.  

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo


  Evangelho  


Jo 6,51-58

Naquele tempo, disse Jesus às multidões dos judeus: 51“Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. 52Os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”.


  Meditação.  


Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente (Jo 6, 51).

Chegamos ao dia de Corpus Christi. O que celebramos? O corpo e o sangue de Cristo, claro. A Eucaristia. O Concílio Vaticano II disse que a Eucaristia é fonte e ápice de toda a evangelização, de toda a vida da Igreja. Dom Bosco escreveu: “O sacrifício do altar é a glória, a vida, o coração do cristianismo”.

A Eucaristia é a Ceia Pascal que Jesus celebrou com os seus discípulos. E o que Jesus fez na última ceia? Ele antecipou a sua entrega na cruz, entregando-se ao Pai em nosso favor. Na cruz, ele deu a sua vida por nós. Aquela oferta generosa e obediente de si mesmo na cruz foi a mesma da ceia. É a mesma da Missa. A Missa renova aquela oferta do calvário, a sua morte redentora em favor da humanidade. A morte cruenta foi uma única vez. Mas, na Missa, como na última ceia, esse sacrifício é renovado, reapresentado a Deus.

A última ceia foi uma ceia de páscoa. Na ceia da páscoa, comia-se o cordeiro assado, cordeiro que tinha sido antes oferecido em sacrifício a Deus. Na ceia de Jesus, não houve cordeiro sacrificado. O cordeiro era Jesus. Ele seria sacrificado. Ele seria o alimento a ser consumido, na ceia da páscoa.

A Missa é a ceia da páscoa. O cordeiro que comemos, em família, em comunidade, em ação de graças pela libertação, é o próprio Jesus. Jesus está sacramentalmente presente no pão e no vinho consagrados. “Comam. Este é o meu corpo”. “Bebam. Este é o meu sangue”.

Na ceia pascal, a grande família rendia graças a Deus por todas as maravilhas que o Senhor realizara na história do seu povo, sobretudo a libertação do cativeiro do Egito. Na ceia dos cristãos, tudo é ação de graças ao Pai, por tudo que ele fez desde a criação até a vinda de Jesus e do Santo Espírito, e sobretudo a obra redentora de Jesus.

Ele disse ao povo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”. De fato, por sua morte, ele nos trouxe a vida. Ressuscitado, ele apresentou-se aos discípulos e lhes comunicou a paz e o Espírito. A sua vida entregue expiou o nosso pecado. Ressuscitado, ele nos abriu as portas da casa de Deus: pelo dom do seu Espírito, agora somos filhos Deus. Na sua morte, ele nos deu a vida.

Na missa, na nossa ceia pascal, nos unimos a Cristo pela fé, pela caridade, pela oração e, muito especialmente, pela comunhão eucarística. Nós nos associamos ao seu sacrifício com nossas dores, nossos sofrimentos, nossas lutas. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. Na comunhão eucarística, nos unimos a ele e ele se une a nós.

No sacrário, em cada igreja, se conserva a reserva eucarística, o pão consagrado na Missa para comunhão dos doentes e também para a adoração dos fiéis. Santos, como o Cura D’Ars, recomendava a Visita ao Santíssimo Sacramento. Dom Bosco era claro: “Vocês querem que Jesus lhes conceda muitas graças? Visitem-no muitas vezes. Querem que ele lhes conceda poucas? Então, visitem-no poucas vezes”.





Guardando a mensagem

Jesus celebrou a entrega obediente de sua vida na ceia pascal, a última ceia. Do pão, fez sacramento do seu corpo e o deu em alimento. Do vinho, fez sacramento do seu sangue e o deu em bebida. A Missa é a ceia pascal de Jesus. No lugar do cordeiro sacrificado, comemos pão e vinho, que, pelas palavras do Salvador e pela efusão do Espírito Santo, tornam-se substancialmente corpo e sangue de Cristo. Pela comunhão no seu corpo e no seu sangue, nos unimos profundamente a ele e ele a nós. Na Missa, elevamos ao Pai - com Cristo, em Cristo e por Cristo – a mais alta louvação e dele recebemos as mais elevadas graças e bênçãos.


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
reunido com os apóstolos na última ceia, tu te ofereceste ao Pai como cordeiro sem mancha e foste aceito como sacrifício de perfeito louvor. Pela comunhão no sublime sacramento da Eucaristia, tu nos nutres e santificas. Dá-nos, Senhor, a graça de nos aproximar sempre da mesa de tão grande mistério para encontrar, por tua graça, a garantia da vida eterna. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Para honrar o Santíssimo Sacramento, no dia de hoje, é importante participar da Santa Missa e da Procissão Eucarística. 

Comunicando

Você sabe que todas as quintas-feiras, nós celebramos a Santa Missa com ouvintes e associados, às 11 horas. Nesta quinta, Solenidade de Corpus Christi, você me acompanha presencialmente, pelo Rádio ou pelo YouTube na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, a igreja dos Salesianos no Recife. Anote a sua intenção no formulário que estou lhe enviando.

Um abençoado dia de Corpus Christi e até amanhã, se Deus quiser!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Ela teve sete maridos.



   03 de junho de 2026.  

Memória de São Carlos Lwanga, 
jovem católico mártir, de Uganda, 
padroeiro da juventude da África Cristã 


   Evangelho.  


Mc 12,18-27

Naquele tempo, 18vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição e lhe propuseram este caso: 19“Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: Se morrer o irmão de alguém, e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão”.
20Ora, havia sete irmãos: o mais velho casou-se, e morreu sem deixar descendência. 21O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Porque os sete se casaram com ela!”
24Jesus respondeu: “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? 25Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’? 27Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados”.

   Meditação   


Quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu (Mc 12, 25)

Os saduceus não acreditavam na ressurreição. E, claro, procuravam defender essa sua posição com muitos argumentos. Apresentaram a Jesus esse caso: a mulher que foi esposa de sete maridos... Trata-se da lei do levirato, uma prescrição de Moisés. ‘Se seu irmão casado morrer sem deixar filhos, você deve se casar com a viúva, para suscitar descendência ao seu irmão’. Nesse caso que os saduceus apresentaram a Jesus, os sete irmãos morreram, um depois do outro. Assim, a mulher teve sete maridos. Se houver ressurreição, perguntaram eles, de quem ela será esposa na outra vida? Para eles isso era uma prova de que não haveria ressurreição. Já pensou na confusão que daria, no desentendimento entre os sete maridos, argumentavam eles.

Jesus, com toda paciência, explica que na outra vida, não há mais casamento. Os ressuscitados viverão numa outra dinâmica: são filhos e filhas, irmãos e irmãs, na alegria da casa do Pai. Serão como os anjos. Não haverá mais os limites desse mundo de agora. Nem os seus problemas, nem as suas dores - um outro mundo de alegria sem fim.

Então, os saduceus não acreditavam na ressurreição. Para eles, não havia outra vida. Toda esperança estava aqui mesmo na terra, nos poucos ou muitos anos de vida que temos. Eles formavam uma elite em Jerusalém: os grandes proprietários chamados anciãos, os sumos sacerdotes do Templo, pessoas ilustres. Uma elite que não acreditava na ressurreição. Talvez por isso, o seu apego ao dinheiro e ao poder fosse tão grande. Quando se vive sem esperança de futuro, a pessoa se agarra ao presente, de unhas e dentes. Se o seu coração não está no Deus que transcende tudo, aferra-se às coisas desse mundo e faz delas o deus de sua vida.

Agora, muita gente não acredita na ressurreição. E mesmo que diga que crê, na prática, não acredita. Vive sem esperança, procurando encontrar a realização de sua existência em ter coisas, em colecionar títulos e glórias nesse mundo. No fundo, são pessoas entristecidas pela falta de sentido na vida e aterrorizadas pelo fim de sua existência que se aproxima, galopante. Quanto mais perto chega, mais amargo fica.




Guardando a mensagem

Só a luz da fé pode iluminar o coração humano e encher de sentido uma vida, fazendo-nos ansiar pelo dia feliz de nossa ressurreição, quando não haverá mais pranto, nem dor, nem o limite do tempo, nem a frustração do pecado ou do sofrimento; o dia em que seremos plenamente filhos de Deus, na sua casa, na grande comunhão de irmãos.

Quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu (Mc 12, 25)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no final, haverá a ressurreição da carne. Ressuscitaremos, como tu ressuscitaste. Teremos o nosso corpo glorificado. Como Paulo escreveu:’ tu és o primogênito que vais à nossa frente, o primogênito dentre os mortos’. Nós, de alguma forma, já estamos participando de tua ressurreição, de tua completa vitória sobre o pecado e a morte. Pelo batismo, já nos associamos à tua ressurreição. Ajuda-nos, Senhor, a viver iluminados por esta esperança que não decepciona. E livra-nos de viver prisioneiros do materialismo ou de qualquer forma de ateísmo prático. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Muita gente, infelizmente, vive longe de Deus. E vive sem esperança. Não é à toa que tem crescido tanto o número de suicídios. Aparecendo uma oportunidade hoje, dê testemunho de sua fé no Deus vivo, que, em Cristo, nos ressuscitará.

Comunicando

Amanhã, é Dia de Corpus Christi, um dia para reverenciarmos a presença redentora do Senhor Jesus no sacramento da Eucaristia. Como toda quinta-feira, teremos a Missa das 11 horas, transmitida pelo rádio e pelo YouTube. Quem puder participar presencialmente, estaremos na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, no Recife, a igreja dos salesianos. Não podendo, una-se a nós pelo rádio ou pelo YouTube. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Armaram para Jesus.


   02 de junho de 2026   

Terça-feira da 9ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mc 12,13-17

Naquele tempo, 13as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. 14Quando chegaram, disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?”
15Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja”. 16Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?” Eles responderam: “De César”. 17Então Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. E eles ficaram admirados com Jesus.

    Meditação    


E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição que estão nesta moeda?” (Mc 12, 16)

Mas tem muita gente ruim nesse mundo! As autoridades fizeram um plano para destruir Jesus. Mandaram fariseus e partidários de Herodes para cavar uma acusação contra ele. E eles chegaram com aquela conversinha, chamando Jesus de ‘Mestre’ e fazendo-lhe altos elogios. Disseram que foram fazer-lhe uma consulta: ‘Dize-nos o que pensas: é lícito ou não pagar imposto a César?’. Ninguém se engane, não era uma dúvida. Era uma armadilha.

Jesus logo percebeu o jogo deles. O imposto do imperador era alvo de muita polêmica, revoltas da população e muita repressão por parte dos romanos. Se dissesse que estava de acordo, eles o acusariam diante do povo como traidor. Pagar o imposto seria reconhecer a dominação romana sobre o país. Se dissesse que não era para pagar, eles o denunciariam aos romanos como incitador do povo contra o império, como aliás o fizeram no processo da paixão. Jesus percebeu a maldade deles e começou desmascarando o grupo. Ele os chamou de hipócritas e disse que aquilo era, na verdade, uma armadilha.

Depois de desmascará-los, Jesus pediu para ver a moeda com que se pagava o imposto, a moeda romana, a dracma. Se Jesus pediu para ver a moeda, é porque Jesus não tinha a moeda, concordam? Mas, eles a tinham. E mostraram. O fato de terem a moeda já mostra como eles estavam integrados no sistema romano, não acha? Bom, fique atento à pergunta de Jesus. ‘De quem é a imagem e a inscrição desta moeda?’. Eles responderam que era de César. Então, havia uma imagem e uma inscrição. E eram de César, o imperador romano. Um judeu piedoso não suportava imagem, você sabe disso. Mas, esses tais carregavam no bolso, tranquilamente, a imagem do imperador.

O caso é que devia ser um problema muito sério para os judeus do tempo de Jesus. Na moeda, havia a imagem do imperador. E a inscrição dizia: ‘Tibério César Augusto, filho do divino Augusto’. Os imperadores romanos daquele período eram divinizados. O pai adotivo desse Tibério foi chamado de divino Augusto, reconhecido como um deus pelo senado romano. Havia um templo em Esmirna, onde esse imperador Tibério era cultuado. Então, era a moeda de um imperador divinizado... e isso será que vai bem com um judeu piedoso? Claro que não. O primeiro mandamento do decálogo (Ex 20) fala do único Deus a quem se deve adorar e prestar culto. E que não deve ser representado em imagem. Essa era uma regra sagrada para o judeu. Não vale exatamente para nós hoje, depois de mais vinte séculos, mas aí é outra história.

Bom, você está entendendo... nas mãos de Jesus, está a moeda do imposto. O que ela tem de especial? Ela é uma declaração do senhorio de um imperador divinizado. É a proclamação de um deus que não é o Deus de Israel. Um imperador com seu título de filho do divino Augusto e com sua imagem, uma agressão para o judeu do tempo de Jesus. Servir a outro Senhor é idolatria, é traição ao verdadeiro Deus.




Guardando a mensagem

As autoridades estavam decididas a eliminar Jesus. Levaram-lhe uma pergunta, na verdade, armaram-lhe uma armadilha. Esses ‘inocentes senhores’ queriam saber ‘se era certo pagar o imposto a César?’. Jesus começou desmascarando aquele grupo mal intencionado pela pergunta que fez e pelo tratamento que eles estavam dando ao imperador divinizado. Jesus não respondeu se era para pagar imposto ou não pagar imposto. Jesus denunciou que eles tinham embarcado no projeto do imperador que estava tomando o lugar do Deus vivo e verdadeiro. O Senhor de nossas vidas e de nossa história é Deus, o Deus que se revelou ao povo de Israel, que o libertou do cativeiro e o constituiu seu povo. Não é César. A Deus, devemos dar todo o nosso amor e toda a nossa adoração. A Deus, não a César. Nem a César, nem a qualquer outro senhorzinho de plantão.

E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição que estão nesta moeda?” (Mc 12, 16)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tua palavra é uma luz em nossa vida. Ela ilumina as situações que enfrentamos, mostrando suas ambiguidades. Nesse assunto do imposto ao império romano, percebeste que o problema não era pagar ou não pagar o imposto. O problema era fazer do imposto um ato de idolatria, de culto a um falso Deus. Ajuda-nos, Senhor, com a luz do teu Santo Espírito, a não elegermos falsos deuses em nossa vida, a quem sirvamos e nos sacrifiquemos. Só o Deus vivo e verdadeiro merece toda honra e toda glória. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amem.

Vivendo a palavra

Só o Deus vivo e verdadeiro merece todo o nosso amor e a nossa adoração. Ninguém pode tomar o lugar dele. Nem filho, nem marido, nem mulher; nem trabalho, nem dinheiro, nem o mercado. Deus é o nosso amor maior, o nosso bem maior. No dia de hoje, verifique qual é a imagem que tem na sua ‘moeda’... qual é o deus que está se escondendo naquilo que você mais dá valor.

Comunicando

Fiquei muito satisfeito com a Segunda Bíblica de ontem sobre o livro do Apocalipse. Bom, nesse assunto, eu sou suspeito. É bom você conferir. Você que está inscrito em nosso estudo semanal, acesse esta 4ª aula a partir do link no grupo do WhatsApp. Você que não está inscrito, faça uma forcinha: se inscreva pelo Whatsapp 81 8239-6686. Não perca esta oportunidade.

Quinta-feira, dia 04, Dia de Corpus Christi, celebro às 11 horas, na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, no Recife, com transmissão pelo rádio e pelo YouTube. 

Sexta-feira, dia 05, faço show na cidade de Monte Alegre, SE, na festa do padroeiro, o Sagrado Coração de Jesus. 

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB

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