BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Jesus nos comunica Vida.



   03 de fevereiro de 2026.   

Terça-feira da 4ª Semana do Tempo Comum

Memória de São Brás, bispo mártir


   Evangelho.   


Mc 5,21-43


Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!” 24Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia.
25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença.
30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?”
31Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’”
32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade.
34Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”. 35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João.
38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” – que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina.



   Meditação.   


Filha, a tua fé te curou. Vai em paz! (Mc 5, 34)

No tempo de Jesus, havia um clima muito sofrido no meio do seu povo: medo, baixa estima, doença, um clima sombrio de morte. Medo da repressão dos romanos, baixa estima em relação à prática religiosa por causa das cobranças dos fariseus, doenças sem cura. Um clima de morte.

No evangelho de hoje, vê-se claramente esse clima de morte. A menina de 12 anos estava nas últimas. A mulher há 12 anos sofria de uma hemorragia. Para a cultura daquela gente, sangue era vida. Perder sangue era estar morrendo. A mulher gastou tudo quanto possuía com os médicos e piorava a cada dia. Na casa da menina, a multidão estava gritando e chorando, lamentando a morte da garota. O clima é de morte.

Pense um pouco. Veja como a menina e a mulher, na condição de estarem caminhando para a morte, para além dos seus dramas pessoais, representam a própria comunidade que está mergulhada num clima de morte. Percebe? É como se toda a comunidade estivesse representada nelas. Não é à toa que as duas estão ligadas pelo número doze, o número do povo de Deus, o povo das doze tribos. A menina tem doze anos. A mulher está doente há doze anos.

No meio dessa situação, encontramos Jesus. Jesus é a resposta de Deus ao seu povo que vive um clima de morte. No livro da Sabedoria, está dito: ‘Deus não fez a morte. Deus fez todas as suas criaturas saudáveis. Deus criou o homem para a imortalidade, não para a morte. A morte é coisa do inimigo invejoso e de quem pertence a ele’.

No evangelho, as pessoas vencem a morte unindo-se a Jesus, pela fé. Deus é a fonte da vida. Jesus é Deus que veio nos comunicar a vida plena que vence a morte. A fé é o modo como nos abrimos para o amor de Deus. 

Disseram a Jairo: ‘Não incomode mais Jesus, sua filha morreu”. Jesus disse a Jairo: “Não tenha medo. Basta ter fé”. Jairo tinha mostrado sua fé em Jesus caindo aos seus pés, pedindo sua ajuda. A mulher também tinha mostrado sua fé em Jesus tocando-lhe a barra de sua veste, numa atitude de quem se prostra a seus pés. A ela Jesus disse: “Minha filha, a tua fé te curou”.

No evangelho, dá pra ver como Jesus revelou o amor de Deus que nos comunica vida, vencendo a morte. O texto diz logo que Jesus chegou de barco da outra margem. Jesus está no meio do seu povo. É quase um comentário ao mistério de sua encarnação. Jesus se aproximou de nós. E ele atende o pedido de Jairo, dirigindo-se à sua casa. Mostra o amor de Deus que se preocupa conosco, que presta atenção às nossas dores. No caminho, parou querendo saber quem o tinha tocado de uma maneira tão especial. Ouviu o relato da mulher e a confortou. Um Deus que comunica vida. Na casa de Jairo, tomou a menina pelo braço e a levantou, pedindo que lhe dessem de comer. E não quis que saíssem espalhando o acontecido. Jesus está revelando e comunicando o amor de Deus que vence a nossa morte.

Com Jesus, nós os seus discípulos, a sua Igreja, aprendemos a estar presentes nesse mundo, aproximando-nos de quem está enlutado, desempregado, faminto, desorientado. Com Jesus, aprendemos a ser solidários, a partilhar, a confortar, a socorrer. Somos testemunhas do Deus que toma a defesa dos humilhados. Somos, como Jesus e com ele, portadores do amor que restaura e liberta, amor que comunica luz e esperança.





Guardando a Mensagem

O povo de Jesus vivia num clima de sofrimento e morte. No evangelho de hoje, vemos duas mulheres sendo restauradas. Elas representam toda a comunidade do povo de Deus. Em suas histórias está todo o drama e sofrimento do seu povo: a humilhação, a exclusão, a doença, a morte. Na ação de Jesus, vemos o amor de Deus que vem ao nosso encontro, comunicando-nos a vida que vence a morte. Com Jesus, aprendemos a nos comprometer com a vida e a saúde dos irmãos, a mantermos acesa a chama da fé, da fraternidade, da esperança.

Filha, a tua fé te curou. Vai em paz! (Mc 5, 34)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu nos salvaste com teu amor, carregando-te de nossas dores, tomando nosso lugar na morte. Tu, Senhor, deste tua vida para nos resgatar do pecado, do domínio do mal, da morte. Contigo, aprendemos a não ser indiferentes à dor dos irmãos, a sermos solidários em suas situações de luto e sofrimento, a sermos comunicadores do amor de Deus que, na vida de quem crê, é perdão, paz, esperança.  
Ajuda-nos, Senhor, a ser testemunhas do teu amor que vence a morte. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a Palavra

Não deixe de ler o evangelho de hoje. São duas história entrelaçadas. Lendo, vai captar melhor a mensagem de hoje.

Comunicando

Daqui a 12 dias, estaremos no domingo de carnaval. Nesse dia, vai começar o Retiro Espiritual para jovens e adultos, em Jaboatão, área metropolitana do Recife. Quatro dias de convivência e oração, em preparação da Quaresma. Tendo interesse em participar do nosso retiro, entre em contato pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



Festa da Apresentação do Senhor.



   02 de Fevereiro de 2026.   

Festa da Apresentação do Senhor

30º Dia Mundial da Vida Consagrada


   Evangelho.   


Lc 2,22-40

22 Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23 Conforme está escrito na lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”.
24 Foram também oferecer o sacrifício — um par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor. 25 Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26 e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.
27 Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28 Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29 “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30 porque meus olhos viram a tua salvação, 31 que preparaste diante de todos os povos: 32 luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.
33 O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35 Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”.
36 Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37 Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.


   Meditação.   


O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele (Lc 2, 33)

E, hoje, nós celebramos a Apresentação do Senhor. Esta é uma festa que vem dos primeiros séculos do cristianismo, celebrada quarenta dias depois do natal. Ela nos recorda a revelação sobre Jesus, quando seus pais o levam ao Templo, para cumprir o que manda a Lei de Moisés: a purificação da mãe e o resgate do primogênito.

Como o parto envolve sangue, o tempo de purificação da mãe (no caso de um filho homem) era de quarenta dias. Depois disso, ela oferecia um sacrifício no Templo (um cordeiro de um ano ou, sendo pobre, um par de rolinhas ou de pombas). Está tudo bem explicado no Livro do Levítico (Lv 12). Todo primeiro filho, dos humanos ou dos animais, pertencia a Deus. Os primogênitos dos animais eram sacrificados no Templo, como oferta ao Senhor. Os primogênitos dos humanos eram resgatados, substituídos pelo sacrifício de um animal. Tudo explicado no Livro do Êxodo (Ex 13).

O que temos? Um jovem casal, chegando ao grande Templo, em Jerusalém, com sua criança nos braços, em cumprimento das leis do seu povo. Tudo como outros tantos casais, agradecendo a bênção de terem gerado um filho varão e cumprindo os ritos que a tradição de sua fé mandava. Como tantos, o cansaço da viagem, a alegria de estar chegando à casa do seu Deus, o encontro com parentes e conhecidos, todos felizes pela bênção de um primogênito. Nesta cena, vemos algo da encarnação, como disse São Paulo: “Deus enviou o seu filho, nascido de uma mulher, sujeito à Lei” (Gl 4). Nós o vemos na normalidade da vida, no ritmo normal da existência humana de vinte séculos atrás. Um Deus encarnado.

Mas, o véu da normalidade encobre uma realidade maravilhosa. Aquele menininho frágil é o prometido de Deus, anunciado pelos profetas. Seus pais - não parece - têm uma história pessoal de colaboração com Deus. A encarnação na história passa por eles: são sua família, estarão ao seu lado no seu desenvolvimento humano, no seu crescimento espiritual, na sua inserção na história do povo eleito. Ele não é só o primogênito de José, ele é o primogênito de Deus.

Essa verdade profunda escondida sob o véu da normalidade, do habitual, da simplicidade do jovem casal é revelada por dois idosos profetas, como que representando toda a história daquele povo com Deus e sua tradição profética. Simeão, movido pelo Espírito Santo, toma a criança nos braços e revela: ‘Ele é salvação que Deus mandou, luz para iluminar o mundo todo, a glória do seu povo santo’. Simeão abençoa o pai e a mãe do menino e revela que Maria terá parte nas dores do filho: “Uma espada te transpassará a alma”. E Ana, idosa profetiza que vivia no Templo, começa a louvar a Deus e a falar do menino a quem estava passando por ali.





Guardando a mensagem

Celebramos hoje a festa da Apresentação do Senhor. José e Maria e seu primogênito chegam ao Templo para cumprir a Lei de Moisés: a purificação da mãe e a consagração do primogênito. O mistério do filho de Deus, enviado como Messias e Salvador da humanidade, está escondido na normalidade, na simplicidade dos seus piedosos pais e na sua fragilidade de criança de braço. O evangelista nos leva, por um momento, a retirar o véu e descobrir a beleza e a grandeza da presença de Deus no meio do seu povo. Simeão e Ana, profetas idosos, representando a tradição da fé do povo eleito, reconhecem nele o Messias prometido e louvam o Senhor que está cumprindo suas promessas. A liturgia nos ajuda a celebrar essa revelação: ele é o Anjo da Aliança que está chegando no Templo, o Senhor da glória para o qual os portões se abrem, o sumo-sacerdote que expiará o pecado do povo.

O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele (Lc 2, 33)

Rezando a palavra

Senhor nosso Deus,
escolheste a encarnação, como o jeito pelo qual o teu Filho se aproximou, fez-se um de nós, expiou nossa culpa por sua morte e, ressuscitado, nos conduz na história. Assim, consagraste o nosso dia-a-dia, o nosso cotidiano, como lugar de salvação. Um véu de normalidade cobre a nossa vida, mas, a verdade é mais profunda e luminosa: somos teus filhos, Jesus está conosco, somos o povo santo em páscoa. Só com a luz da fé, podemos perceber a glória de filhos e filhas que nos habita, pelo dom do teu Santo Espírito. Na vida dos consagrados, nossos irmãos e irmãs que vivem em comunidades nos conventos, nos mosteiros, nas casas religiosas ou vivem sua consagração em suas 
famílias, na normalidade de sua vida de oração e serviço, já brilha a radicalidade de nossa fé, no seguimento a Cristo. Neles e nelas, todos suspiramos: “Só Deus nos basta”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Peça, hoje, ao Senhor que chame e inspire muitos jovens para o seguimento de Jesus na vida consagrada.

Comunicando

Pela passagem, hoje, do 30º Dia Mundial da Vida Consagrada, o Dicastério romano que acompanha a vida religiosa enviou uma carta a todo os consagrados. Nela, se lê: "Confiamos cada um e cada uma de vocês ao Senhor, para que os torne firmes na esperança e mansos no coração, capazes de permanecer, de consolar, de recomeçar: e assim de ser, na Igreja e no mundo, profecia da presença e semente da paz." 
Parabéns a todos os consagrados nos institutos, ordens e congregações religiosas.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Começou o Sermão da Montanha.




  01 de fevereiro de 2026.  

4º Domingo do Tempo Comum


  Evangelho  


Mt 5,1-12a

Naquele tempo, 1Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3”Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.




  Meditação  


Os discípulos aproximaram-se e Jesus começou a ensiná-los (Mt 5, 1-2).

São quatro ações de Jesus descritas na abertura do Sermão da Montanha (Mt 5). Faça as contas: “Vendo Jesus as multidões (1ª. ação), subiu ao monte (2ª. ação) e sentou-se (3ª. ação). Os discípulos aproximaram-se (essa ação é dos discípulos), e Jesus começou a ensiná-los (4a. ação de Jesus). Quatro, você sabe, é um número de totalidade, abrangente como os quatro pontos cardeais.

Estamos no início do chamado Sermão da Montanha, que compreende os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus. O Sermão da Montanha é a proclamação da Lei do povo da nova aliança.

Vamos às quatro ações iniciais de Jesus.

A primeira foi “vendo as multidões”... Ele vê o povo que acorre para ouvi-lo, para pedir a cura de suas doenças... Ele não vê só com os olhos, vê com o coração. Na história que contou do homem assaltado e caído na estrada, só o samaritano viu, aproximou-se e cuidou dele. O sacerdote e o levita viram, mas passaram adiante. Jesus vê as multidões como Deus que falou com Moisés no Monte Sinai: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa dos seus opressores, pois eu conheço as suas angústias”. A primeira ação foi “Ver as multidões”, um olhar de compaixão e de compromisso com o seu bem.

A segunda ação de Jesus foi “subiu ao monte”. Que detalhe curioso, “subiu ao monte”! Que monte? Com certeza, uma das colinas próximas de Cafarnaum. O monte, na tradição bíblica, é um lugar privilegiado de encontro com Deus. Mas, por que subiu com a multidão ao monte? Claro, ele é o novo Moisés que está levando o povo hebreu para o Monte Sinai, para prestar culto a Deus, celebrar aliança com ele e dele receber a Lei. “Subiu ao monte” é uma ação cheia de significado. Refazendo o caminho da história, Jesus, o novo Moisés, está restaurando o seu povo, que renasce em aliança com Deus.

A terceira ação foi “sentou-se”. Por que sentar-se? Por que estava cansado? Para ficar mais próximo do povo? Os mestres, em Israel e em outros povos, ensinavam sentados. Na Sinagoga, o pregador ficava sentado. Lembra Jesus, na Sinagoga de Nazaré? Depois que leu, de pé, o profeta Isaías, sentou-se para explicar aquela passagem. Na Sinagoga, havia uma cadeira especial para o pregador, perto do púlpito, num lugar de destaque. Chamava-se a Cadeira de Moisés. Quando pediu uma barca para se afastar da multidão e falar-lhes sobre o Reino de Deus, lembra em que posição Jesus ficou? Sentado, claro. Sentar-se é a posição de quem vai ensinar, Jesus assume a condição de Mestre. É o novo Moisés que ensina a Lei de Deus ao seu povo.

A quarta ação foi “começou a ensiná-los”. O que ele começou a ensinar vem a seguir: as bem-aventuranças, as bem-aventuranças do Reino. Na interpretação que se fazia do decálogo do Monte Sinai, o bem-aventurado era o praticante da Lei, o que observava os mandamentos e as normas. Nas bem-aventuranças do Monte, Jesus proclama que o Reino de Deus é um dom para os humildes, os sofredores, os pecadores. O Reino é o consolo para os aflitos e perseguidos, a vitória da justiça e da paz para os sofredores, a força dos mansos, o conhecimento de Deus para os de coração limpo, a misericórdia para os pecadores. Afinal, o bem-aventurado no povo da nova aliança é o humilde e pecador amado por Deus.

Ouvindo essa palavra, sinta-se no meio daquela multidão. Você está na lista dos bem-aventurados do Reino. Não porque você seja muito bom, nem muito santo(a), nem muito praticante da Lei de Deus. Você está na lista dos bem-aventurados porque, na sua fraqueza, nos seus limites, na sua condição de pecador, Deus ama você. É o que Jesus está dizendo.




Guardando a mensagem

Está começando o Sermão da Montanha. Jesus, com compaixão, vê o povo, como Deus na revelação a Moisés, da sarça ardente. Jesus, com o povo e os discípulos, sobe ao monte. Ele é o novo Moisés que liderou a saída do Egito e levou o povo ao Monte Sinai para celebrar a aliança com Deus. Ele é o mestre que, sentado, ensina ao seu povo a lei do Reino de Deus. O seu ensinamento é o manifesto do Reino. Os pequenos são os amados de Deus, os cidadãos do seu Reino.

Os discípulos aproximaram-se e Jesus começou a ensiná-los (Mt 5, 1-2)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
longe de nós por nossa confiança no dinheiro, na riqueza deste mundo. Queremos acolher o Reino de Deus, como dom que nos é oferecido, como nossa maior riqueza. Longe de nós vivermos na condição de quem não precisa mais de nada, nem de ninguém. Queremos acolher o Reino, com sede e fome de justiça, buscando fraternidade, solidariedade e confiança na tua providência. Longe de nós vivermos a alegria falsa da bebida, das drogas ou da indiferença com a dor dos outros. Queremos viver a verdadeira alegria que o Reino nos traz pelo perdão, pela salvação que nos alcançaste. Longe de nós querermos agradar ao mundo e à opinião pública, negando o evangelho da vida, da família, da verdade. Queremos ser fieis, mesmo no meio de incompreensões ou perseguições, certos que este é o caminho da vitória. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Leia, na sua Bíblia, a passagem de hoje: Mateus 5, 1-12.

Comunicando

No meu Blog, você sempre pode ler o evangelho e a meditação. É só seguir o link que lhe envio.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Desesperados, no meio da tempestade.

 

Sábado

  31 de janeiro de 2026  

Memória de São João Bosco (Dom Bosco)

   Evangelho.   


Mc 4,35-41

35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!”
36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava, na barca. Havia ainda outras barcas com ele.
37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”
39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”
41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

  Meditação.  


Mestre, estamos perecendo e tu não te importas? (Mc 4, 38)

Os discípulos estão numa travessia difícil. Estão navegando em direção à outra margem, como Jesus lhes indicara. E são surpreendidos por uma tempestade no mar, um furacão, coisa que acontecia e acontece no Mar da Galileia. É uma cena cheia de significados, indicando mais que a tempestade de ventania forte e ondas enfurecidas. Vento forte e mar bravio são representações das forças do mal, hostis ao projeto de Deus, ao seu Reino. A barca está já se enchendo de água e os discípulos se desesperam. Acordam Jesus que dormia na parte de trás da barca: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”. Jesus se levanta e ordena ao mar que se cale. É como um exorcismo. “Silêncio. Cala-te”. O mar se aquieta. E ele reclama com os discípulos por serem tão medrosos, parecendo que não têm fé.

Nós, como pessoas, como famílias, como comunidades, como humanidade, de vez em quando, nos encontramos no meio de uma grande tempestade. É uma doença, é um escândalo, é um desastre natural, é uma trajédia... tempestades não nos faltam. E, em momentos como estes, como os discípulos da Galileia, nos dirigimos a Jesus, desesperados: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”.

Meditando a passagem do evangelho de hoje em que Jesus acalma a tempestade no Mar da Galileia, no barco dos discípulos, podemos tirar algumas conclusões:

1. A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e nossas falsas seguranças. No meio do vendaval, cai a maquiagem de nossa autossuficiência, ficam em cheque nossa pose de senhores do mundo, nossas vaidades.

2. A tempestade provoca o reconhecimento de nossa pertença comum. Estamos no mesmo barco. Não há solução fora do apoio mútuo, da ajuda recíproca. Remamos juntos ou não vencemos.

3. A tempestade é o tempo da solidariedade, da sensibilidade para com o sofrimento dos outros. Tempo de fazer-se próximo do irmão caído à margem da estrada, tempo de sermos bons samaritanos.

5. A tempestade é o tempo da fé, da oração, da volta ao Senhor, da confiança em Deus. É dele que vem a nossa força. Em sua sabedoria, ele transforma em bem o que nos acontece de mal.

6. A tempestade reaviva a nossa fé pascal. Ressuscitado, Jesus vive conosco. Está no nosso barco. Sua ressurreição é penhor de vitória em todas as nossas lutas. Crendo, renovamos a nossa vida: morremos com ele e vivemos para ele.

7. A tempestade é o tempo da Esperança, o tempo do Espírito Santo, energia divina que nos faz criativos e comprometidos com a gestação de um futuro melhor.




Vamos guardar a mensagem

Todos nós, pessoalmente ou juntos, enfrentamos tempestades, tempos difíceis, turbulências... Da cena dos discípulos no Mar da Galileia, podemos tirar algumas indicações para iluminar nossas tempestades. A tempestade desmascara nossas falsas seguranças. Precisamos aprender, nessa hora, que estamos no mesmo barco. É o tempo da solidariedade, de ajudar os irmãos. Tempestade é também tempo de confiança em Deus. Reconheçamos: Jesus está no nosso barco. Ele é o ressuscitado, o vitorioso. Tempestade é ainda tempo de esperança: já estamos gerando um futuro melhor. 

Rezando a palavra

Rezemos com as palavras do Papa Francisco:

Senhor Jesus,
Tu estás nos dizendo: «Porque vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?» A tua Palavra, Senhor, atinge e nos toca a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaremos sempre saudáveis num mundo doente. Senhor, abençoa-nos, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Tu nos pedes para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e nos sentimos temerosos. Não nos deixes, Senhor, à mercê da tempestade. Continua a nos repetir: “Não tenham medo”. “Não tenham medo”. Amém.

Vivendo a palavra

Inspirados pelo tema da tempestade, rezemos a Oração a Dom Bosco, neste dia a ele dedicado:

São João Bosco, Pai e Mestre da juventude, dócil aos dons do Espírito e aberto às realidades do teu tempo, foste para os jovens, sobretudo os humildes e pobres, um sinal do amor e da predileção de Deus. Sê nosso guia no caminho da amizade com o Senhor Jesus, para podermos perceber n’Ele e no seu Evangelho o sentido da nossa vida e a fonte da verdadeira felicidade. Amém.

Comunicando

Janeiro está terminando. Já estamos nos preparando para acolher o novo mês e com ele o Retiro de Carnaval. O Retiro que AMA e Salesianos do Nordeste estão preparando será nos dias 15 a 18 de fevereiro, do domingo de carnaval à quarta-feira de cinzas - Um retiro para jovens e adultos, em clima de convivência e oração, na Casa de Encontros de Jaboatão, área metropolitana do Recife. Mais informações pelo site www.amanhecer.org.br. ou pelo zap 81 99964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



O Reino de Deus, que boa notícia!


  30 de Janeiro de 2026  

Sexta-feira da 3ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho. 


Mc 4,26-34

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.
28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.
30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.
33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

  Meditação.  


O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra (Mc 4, 26)

A gente fica esperando o Reino de Deus como uma intervenção poderosa do Senhor em nosso mundo: uma coisa forte, visível, que todo mundo reconheça e se submeta. Como falamos de ‘reino’, vêm em nossa imaginação os impérios deste mundo, os reinados de senhores poderosos e violentos de quem a história dá notícia.

Jesus, que tanto falou do Reino de Deus, não deixou uma definição do que é o Reino. Antes, fez comparações que desfazem completamente nossas expectativas farisaicas. O Reino é como a semente plantada na terra que, sem o agricultor saber como, nasce, cresce e produz frutos. O Reino é como uma semente de mostarda que se torna um belo arbusto. É como uma bela plantação, onde o inimigo semeou o joio. Só pra ficar nas comparações na área da agricultura. É melhor a gente desistir de querer definir o que é o Reino de Deus. Parece mais um jeito de Deus agir neste mundo.

Jesus nos conta, hoje, duas pequenas parábolas sobre o Reino de Deus: a semente que germina sozinha e o grão de mostarda que se torna um frondoso arbusto. Estas duas parábolas nos dão novas pistas sobre o Reino de Deus.

Uma primeira indicação é esta: O Reino se constrói com pequenos sinais. O Reino está potencialmente presente no que, hoje, nós estamos semeando, que nos parece tão pouco, tão pequeno. Ele é como a semente plantada que germina ou como o grão de mostarda tão pequenininho que vai se tornar uma grande hortaliça. Quando semeamos, nós mostramos confiança na semente e no futuro dela. Ao realizarmos pequenas ações e nos movermos com pequenos passos, estando na direção certa, estamos semeando o reino. É um conselho que damos, é uma desculpa que aceitamos, é uma pequena decisão que tomamos na direção justa. O Reino se constrói com pequenos sinais. São sementes que plantamos, grãos lançados na terra.

Uma segunda afirmação é a seguinte: O Reino não é obra nossa, é obra de Deus, servindo-se de nossa muito pequena participação. Mesmo que seja o agricultor a plantar a semente, a germinação é um segredo do Criador. É dele o milagre daquela semente tornar-se uma plantinha, crescer, florescer, frutificar. O agricultor colabora, plantando, limpando, irrigando, mas a espiga é obra da natureza e de quem a fez. O mesmo acontece com o grão de mostarda. O arbusto que vai acolher até os passarinhos é fruto de uma dinâmica que não é controlada pelo agricultor. O Reino não é obra nossa. É obra de Deus, com sua lógica, sua dinâmica, sua atuação.

Uma terceira afirmação é esta: o Reino será uma realidade surpreendente. Se plantarmos, colheremos. A semente dará fruto, dela se colherão as espigas, cuja farinha nos fornecerá um delicioso pão. O grão de mostarda será uma linda hortaliça e abrigará os pássaros do céu. O agricultor vai se surpreender com a obra de Deus em seu favor.

O Evangelho é a revelação desse evento maravilhoso: o Reino está ao nosso alcance, está batendo à nossa porta, está próximo de nós, está entre nós.





Guardando a mensagem

Mesmo com tanta crise, com tanta coisa ruim acontecendo, com tanto desmantelo no mundo, experimentamos cada dia que o Reino de Deus está entre nós, está acontecendo, está em gestação. Ele é obra de Deus, com nossa pequena colaboração. Por meio do seu filho Jesus, Deus está semeando um mundo novo de comunhão, de paz, de reconciliação. Jesus está conosco até a consumação dos séculos, como prometeu. Não nos abandona. O seu Santo Espírito atualiza a sua presença e a sua ação redentora. O Reino já está entre nós. Enfim, na colheita do que plantarmos, o Reino aparecerá pleno, surpreendente.

O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra (Mc 4, 26)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu estás entre nós, estás conosco na assembleia que se reúne, na Palavra que é proclamada, no Pão eucarístico que nos alimenta. É isso que experimentamos cada dia e que celebramos na Missa: a tua presença redentora entre nós, nos instruindo, nos abençoando, nos conduzindo. O Reino, de que tanto falaste, é a tua presença salvando esse mundo, reconduzindo o pecador à comunhão com Deus, nos guiando no caminho da justiça e da paz. Tu és o Emanuel, Deus conosco. E como estamos na véspera do Dia de São João Bosco, amigo e educador dos jovens, te pedimos que o seu exemplo e o seu carisma continuem fazendo o bem em tua Igreja. Dele queremos aprender o seu grande amor à Eucaristia, a sua confiança ilimitada na proteção da Virgem Maria e a sua fidelidade ao Papa e aos pastores da Igreja. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, escreva uma oração começando com o que rezamos no Pai Nosso: “Venha a nós o vosso Reino”.

Comunicando

Janeiro está terminando. Já estamos nos preparando para acolher o novo mês e com ele o Retiro de Carnaval. O Retiro que AMA e Salesianos do Nordeste estão preparando será nos dias 15 a 18 de fevereiro, do domingo de carnaval à quarta-feira de cinzas - Um retiro para jovens e adultos, em clima de convivência e oração, na Casa de Encontros de Jaboatão, área metropolitana do Recife. Mais informações pelo site www.amanhecer.org.br. ou pelo zap 81 99964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Luz para iluminar a sua casa.



  29 de janeiro de 2026.  

Quinta-feira da 3ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho  


Mc 4,21-25

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21“Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24Jesus dizia ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.


  Meditação.  


Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? (Mc 4, 21).

Gente nova não pode imaginar um tempo em que não havia luz elétrica. Nesse tempo, o candeeiro era uma peça muito importante de uma casa. E andando para trás mais um pouco, nem luz elétrica, nem baterias, pilhas, nem gás butano. E recuando no tempo ainda mais, nem fósforo havia. Eita! Chegamos no tempo de Jesus.

No tempo de Jesus, as casas eram um pouco escuras, com poucas janelas. O que eles chamavam de lâmpada era uma tigelinha de barro com um bico com um pavio de algodão ou de linho. Dentro da lâmpada - a tigelinha de barro -, se colocava azeite. O povo mesmo produzia o azeite de oliva. A lâmpada era colocada em uma prateleira que estava na parede, num lugar mais alto, ou mesmo numa lamparina que estivesse pendurada. Com aquele pavio, a lâmpada podia ficar acesa o dia todo, sem gastar muito. E ficava acesa para iluminar a casa que era meio escura e para acender o fogo na hora de cozinhar. Só para lembrar, não havia fósforo. Tinham que manter a luz acesa mesmo. Uma das tarefas da dona de casa era manter a lâmpada acesa.

O evangelho de hoje fala da lâmpada (de azeite, claro). “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro?” Isso quer dizer: uma luz é para ser colocada num lugar em que possa iluminar. Nós somos luz para iluminar, não podemos nos esconder, nos omitir. O que aprendemos com Jesus é uma luz para iluminar a nossa casa. O que temos a dizer com nossas palavras ou com nosso comportamento é uma luz para iluminar a vida dos outros.

Jesus nos disse que somos uma lamparina no lugar alto da casa. Em nós, a sua graça e o seu amor resplendem, nos fazendo luz para os outros, luz de Deus para a vida dos outros. Outros podem encontrar sentido para suas vidas, à luz do nosso testemunho. Minha família não vai ficar na escuridão, porque a luz de Deus que preenche a minha vida pode iluminá-la como uma lamparina pendurada no teto ou como uma lâmpada na prateleirinha da parede, no candeeiro. Por nossas boas obras que testemunham o amor de Deus pelos seus filhos, muita gente pode encontrá-lo e bendizê-lo.

Na verdade, você não é luz porque é um exemplo de vida, uma pessoa sem defeitos, um anjo de criatura. Não, você torna-se uma luz para o mundo, porque Deus enche de luz a sua vida. É isso que você testemunha, é disso que você fala, é esse brilho que está em seu sorriso e em suas obras: a luz de Deus que inunda a sua vida.

Então, não se esconda. Não se camufle. Hoje, mostre a sua cara. Fale, sorria, aconselhe, testemunhe. Seja hoje um canal da luz de Deus para a vida de sua família, de seus amigos, dos que hoje encontrarem você.




Guardando a mensagem

O Senhor, com a sua graça e com sua palavra, enche nossa vida de luz. Somos chamados a difundir essa luz para iluminar os ambientes humanos em que vivemos: nossa casa, nossa vizinhança, nosso local de trabalho. Seus ensinamentos, as verdades que proclamou, ditos ontem e hoje em ambientes reservados, precisam ser proclamados e difundidos abertamente. Ele é a luz do mundo. Nós, iluminados por ele, temos a vocação de lâmpada acesa no lugar alto da sala. Estamos aí para iluminar a vida dos outros.

Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? (Mc 4, 21).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu que és a luz do mundo, nos disseste para ser luz para os outros. Nós reconhecemos, não temos luz própria. Nós recebemos a tua luz e é com ela que procuramos iluminar nossa casa, nossos ambientes de trabalho, de convivência, de lazer. É muito bonita a imagem da luz do candeeiro dentro de casa, que falaste no evangelho. Mesmo durante o dia, ela precisa ser mantida acesa. E é isso que precisa acontecer: não podemos deixar a tua luz em nós se apagar. Bem que São Paulo disse que não deixássemos o fogo do Espírito se extinguir. Ajuda-nos, Senhor, a manter a luz acesa em nós e onde vivemos e atuamos. A oração, a tua Palavra, a fé hão de ser o azeite que não faltará em nossa lâmpada. Nossa vida, nosso testemunho, nossas palavras hão de refletir a tua luz para que todos, ao nosso redor, vivam iluminados pelo amor de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, faça um momento de oração pedindo ao Senhor que você possa fazer bem a tarefa que ele lhe deu: ser a lâmpada de azeite acesa e posta num lugar alto de sua casa, para iluminá-la.

Comunicando

E hoje, quinta-feira, dia de nossa Missa das 11 horas, no rádio e no canal do YouTube. Hoje, preside o Pe. Francisco Demontier. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



A planta que cresceu no meio dos espinhos.



Quarta-feira

   28 de janeiro de 2026.   

Memória de São Tomás de Aquino, 
presbítero e doutor da Igreja.


   Evangelho.   


Mc 4,1-20

Naquele tempo, 1Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.
2Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3“Escutai! O semeador saiu a semear. 4Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto.
8Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. 9E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. 10Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11Jesus lhes disse: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”.
13E lhes disse: “Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14O semeador semeia a Palavra. 15Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem.
18Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um”.

   Meditação.  


Outra parte da semente caiu no meio dos espinhos (Mc 4, 7).

Aquele povo todo estava ouvindo Jesus. Ele, na barca, sentado. Era nessa posição que os mestres ensinavam. O povo à beira mar, ouvindo. E Jesus contando a parábola dos terrenos. O semeador saiu semeando a sua semente. E ela caiu em quatro terrenos diferentes. Quatro, claro, para falar de todos os terrenos que recebem a semente. Quatro é um número de totalidade. Uma parte caiu à beira do caminho. Outra, num terreno pedregoso. Outra, no meio de espinhos. E o quarto terreno foi uma terra boa.

Uma história como essa, todo mundo ali podia entender. Grande parte dos seus ouvintes eram agricultores. E plantar era com eles. Será que eles entendiam o significado da parábola? Com certeza, alguma coisa, entendiam. Mas, depois, conversando entre eles, certamente vinham muitas ideias. E parábola é assim. Não tem um único significado. Não é um enunciado de uma verdade arrumadinha. É uma chave para o entendimento de uma alguma coisa que está acontecendo.

E o que está acontecendo? Bem, a pregação do evangelho. Ontem e hoje, a palavra está sendo semeada. E as pessoas, como você, recebem a palavra em situações diferentes. Umas como um terreno à beira do caminho. Outras, como um terreno pedregoso. Alguém como um terreno de espinhos. Por sorte, tem também quem a receba como um terreno bom. Só aí vai prosperar a palavra semeada.

Podemos imaginar essa parte do terreno de espinhos. Que plantas estariam nesse terreno? Pensa aí: Cactos, cardos, maliça, esporão, unha de gato... bom, já tem bastante. Coitada da semente que cair num terreno desse! Não vai pra frente. Pode até nascer e crescer, mesmo fraquinha, mas será sufocada pelos espinhos. Não dá fruto nenhum.

Olha o que Jesus explicou: “Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto”. Então, esses espinhos têm nome: preocupações do mundo, ilusão da riqueza, outros desejos. O que poderiam ser preocupações do mundo? Bom, eu fico pensando na vaidade, na ostentação, na ditadura da opinião formulada pela mídia... E o que seria ilusão da riqueza? Aqui é mais fácil: a ganância, o apego ao dinheiro, a tentação do luxo, a discriminação dos pobres... E os outros desejos? É o que não falta. Na primeira carta de São João tem uma passagem que pode nos ajudar: “Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2 16).




Guardando a mensagem

A palavra é como a semente que o agricultor espalha pelos terrenos. A parte que caiu no terreno cheio de espinhos não deu fruto nenhum. A plantinha até cresceu, mas foi sufocada pelos espinhos. Espinhos pode ser o modo de pensar do mundo (que privilegia a aparência, que nos estimula à vaidade e ao orgulho, ...). Espinhos pode ser também a ilusão da riqueza (o apego aos bens materiais, o desprezo pelos humildes, a ganância). Espinhos são também desejos que fujam do nosso controle (na sexualidade desregrada, na dependência do álcool, por exemplo). O que você pode fazer para receber melhor a semente da palavra de Deus, no caso de seu terreno estar cheio de espinhos? Vou lhe dar algumas sugestões: Limpe o terreno. Dê importância à semente e a proteja dos espinhos. Deixe que a semente, a palavra, reoriente a sua vida. Dê ao Reino de Deus o primeiro lugar. Não deixe ninguém sufocar essa semente. Ela está destinada a dar muitos frutos.

Outra parte da semente caiu no meio dos espinhos (Mc 4, 7).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no meu terreno, tem uns espinhozinhos, não vou negar. Mas, sei que a tua própria palavra é uma força para me ajudar a removê-los. Conto com a tua graça. Quero que a tua palavra, que recebo cada dia com grande alegria, seja a luz a orientar a minha vida. Dá-me, Senhor, a paciência do agricultor que prepara o terreno, rega a plantinha, limpa o mato e espera pacientemente que ela cresça e produza frutos. Que a tua palavra cresça, dia após dia, em minha vida e dela possas colher muitos frutos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Lendo o texto bíblico de hoje, escolha um versículo e transcreva-o no seu caderno espiritual.

Comunicando

Muita gente está planejando o que vai fazer nos dias carnaval. Uns vão descansar, outros viajar, outros vão cair na folia. Um grupo numeroso se planeja para dias de retiro ou outras atividades religiosas. De nossa parte, estamos preparando um RETIRO DE CARNAVAL. O Retiro vai acontecer na Casa de Encontros dos Salesianos, em Jaboatão, área metropolitana do Recife, de 15 a 18 de fevereiro. É um retiro para jovens e adultos, com hospedagem e alimentação no local. Informações pelo site www.amanhecer.org.br ou pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB

 

Eu quero entrar na tua casa.


   27 de janeiro de 2026.   

Terça-feira da 3ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mc 3,31-35

Naquele tempo, 31chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”.
33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.


   Meditação.   


Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo (Mc 3, 31)

Você lembra que, outro dia, nós lemos no evangelho que os mestres da lei começaram a difamar Jesus, dizendo que ele estava com um espírito mau. Jesus chamou a atenção deles. Não fechem as portas para Deus. Não fechem os olhos para a ação de Deus. Não blasfemem contra o Espírito Santo. O pecado contra o Espírito Santo não tem perdão. Os fariseus se opuseram fortemente a Jesus.

Hoje, vamos considerar como também os seus parentes tiveram dificuldade para se inserir na comunidade de Jesus. Eles ficaram desorientados diante de sua atividade missionária. Quando souberam que ele não tinha nem tempo pra comer, com tanta gente atrás dele, eles pensaram ‘Jesus enlouqueceu’. O evangelista Marcos escreveu, nos dando um susto: “saíram para agarrá-lo”. Puxa! Os parentes dele eram gente pacata da aldeia de Nazaré. Nazaré fica a uns 50 km de Cafarnaum, a cidade onde Jesus estava morando. Pois eles pegaram a estrada e foram atrás de Jesus.

No texto de hoje, os seus parentes chegaram a Cafarnaum. Chegaram na casa onde Jesus estava, permaneceram do lado de fora e mandaram chamá-lo. O recado que eles mandaram dizia: “tua mãe e teus irmãos está aí fora e querem falar contigo”. Não se preocupe. Esse recado não tem nenhum sentido negativo contra Maria, sua mãe. “Tua mãe e teus irmãos” é uma forma de se referir aos seus parentes de sangue.

O texto apresenta claramente os que estão dentro e os que estão fora. Dentro de casa, claro, está Jesus com muita gente. A casa está cheia. Pela narração anterior, tanta gente se juntava que não dava mais para entrar. Houve até aquela vez que desceram um paralítico pelo teto, lembra? Mas, há uma anotação especial no texto de hoje: As pessoas estão sentadas, ao redor de Jesus. Isto é mencionado duas vezes, nesse pequeno texto, para chamar nossa atenção. ‘Sentados’ é a posição dos discípulos ao redor do Mestre. Você lembra de Maria, irmã de Marta, sentada aos pés de Jesus? Sentado, o discípulo escuta o Mestre, dialoga com ele, está numa posição de quem está aprendendo.

Os que estão dentro de casa, com Jesus, estão sentados. São discípulos e discípulas. Mas, tem gente lá fora, não tem? Isso, os parentes de Jesus. Eles estão fora. Eles precisam dar um passo importante: entrar na casa, isto é, tornarem-se também discípulos de Jesus. 

Sabe quem ficou de fora? Do lado de fora ficaram Adão e Eva (expulsos do paraíso), as moças distraídas (foram comprar óleo, quando chegaram a porta já estava fechada) e o irmão mais velho do filho pródigo (indignado com a festa que o pai preparou, não quis entrar em casa). O lugar dos discípulos é dentro da casa, rodeando o Mestre para aprenderem os caminhos do Reino. Os parentes estavam do lado de fora. Não é Jesus que tem que sair. São os parentes que precisam entrar. A palavra de Jesus é um convite para eles se tornarem seus discípulos. O que Jesus disse? “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Esse é o verdadeiro laço de parentesco com ele, a obediência à vontade de Deus.




Guardando a mensagem

Os parentes de Jesus tiveram dificuldade de entender a sua identidade de filho de Deus e a sua missão de Messias. Num certo momento, acharam que ele tinha perdido o juízo. Nessa passagem, eles aparecem do lado de fora, chamando Jesus. Jesus os chama para a condição de discípulos, os convida a ingressar no círculo dos seus seguidores, a entrar na casa. Seus verdadeiros parentes são os que, como ele, fazem a vontade de Deus. O texto não diminui a importância da Virgem Maria. Ninguém mais do que ela soube ser obediente à vontade de Deus. A expressão “tua mãe e teus irmãos” é uma forma de se referir à família, neste caso à família de Jesus, uma vez que não tinha mais pai. Também não tinha irmãos. “Irmãos” aqui são seus primos ou parentes próximos. Não é Jesus que precisa sair. São eles que precisam entrar.

Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo (Mc 3, 31)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tua entrada no mundo já foi um gesto de obediência, como está escrito no Salmo 39: “eis que venho, Senhor, com prazer, fazer a tua santa vontade”. Tua santa mãe também acolheu a vontade de Deus com muito amor e entrega total. Disse ela, em resposta à comunicação do anjo: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E tu nos ensinaste também a acolher a vontade do Pai em nossa vida: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. Queremos, Senhor, entrar na tua casa, pertencer ao círculo dos teus discípulos, ser teus parentes: queremos ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

O que você poderia fazer para ajudar seus parentes a se aproximarem mais de Jesus? Pense nisso. Anote alguma coisa no seu diário espiritual.

Comunicando

Vai ser uma bênção a peregrinação deste ano aos lugares onde o apóstolo Paulo pregou o evangelho da salvação em. Cristo Jesus: Atenas, Corinto, Bursa, Esmirna, Éfeso, Istambul, Roma. Grécia, Turquia e Itália em 12 dias de peregrinação. Saída: 20 de outubro. Informações pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Envia, Senhor, operários para a tua messe.


Segunda-feira

   26 de janeiro de 2026   

Memória de São Timóteo e São Tito


   Evangelho.  


Lc 10,1-9

Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’”.

   Meditação.   


Peçam ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita (Lc 10, 2).

Jesus estava enviando setenta e dois discípulos, dois a dois, à sua frente, aos lugares por onde ele iria passar. E fez-lhes diversas recomendações, para que se mantivessem focados no anúncio do Reino, com proximidade junto ao povo (partilhando pousada e alimentos em suas casas) e em estilo de simplicidade e despojamento (sem cargas para levar). Fez a este grupo de 72 enviados também a recomendação de orar ao Pai, pedindo-lhe que mande mais operários para a sua messe.

Messe é colheita, a hora em que a grande plantação de trigo ou cevada, exige um mutirão. É o tempo da safra, como se diz na área da cana de açúcar. ‘A messe é grande. Mas, os trabalhadores são poucos’. Jesus, em seu fervor missionário, estava sentindo isso na pele. E os 72 iriam experimentar isso também, deslocando-se por vilas, povoados e cidades. Há muito que fazer e é urgente que se faça. Mas, a mão de obra disponível é pequena. Agora, a Messe tem um dono, o Pai, que enviou o filho como seu missionário. E o Pai pode enviar mais trabalhadores para a colheita. Então, é preciso rezar, pedir-lhe mais missionários.

A oração pelas vocações tem sido uma recomendação da Igreja a todos nós. Diante de tantas necessidades, da fome de Deus que tem esse mundo, das periferias existenciais desassistidas (como gostar de falar o nosso Papa), sentimos a falta de missionários, de animadores cristãos, de agentes de pastoral, de religiosos, diáconos e padres que continuem a anunciar o Reino e de apresentar Jesus salvador a todas as pessoas.

E por que Jesus mandou em missão setenta e dois discípulos? Numa certa ocasião, ele enviou 12, os doze apóstolos. Doze é o número do povo de Deus organizado nas tribos. Doze é o número da Igreja, o povo de Deus liderado pelos 12 apóstolos. Mas, nessa cena aqui ele mandou 72. Setenta e dois é um múltiplo de 12, é 12 x 6. Esse número passa uma clara mensagem: Todo o povo de Deus é missionário. Não são enviados apenas alguns. Todos estamos sendo enviados. E enviados como Igreja, como povo organizado ao redor dos apóstolos. E a missão não é uma aventura isolada de alguém. Eles vão de dois em dois. Dois é o número do testemunho. O testemunho coincidente de duas pessoas era o suficiente, num processo em Israel. Além disso, ir assim, em dupla, indica também que a missão é algo partilhado, tarefa de Igreja, assumida em co-responsabilidade.




 Guardando a mensagem

O evangelista Lucas, nos informa, neste capítulo 10, que Jesus enviou 72 discípulos à sua frente, com a missão de anunciar o Reino de Deus, preparando sua passagem por aqueles lugares. O número setenta e dois, sendo múltiplo de 12 (é 6x12) nos avisa que a missão é de todos os discípulos, de toda a Igreja organizada em torno dos doze apóstolos. As recomendações que o Senhor deixou aos missionários foram que fossem próximos do povo e se movessem com grande despojamento e confiança em Deus. Como a messe é grande e os operários insuficientes, seguindo o que recomendou Jesus, devemos pedir ao Pai que mande missionários para o grande mutirão da evangelização do mundo.

Peçam ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita (Lc 10, 2).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
informaste àquela leva de missionários que eles estavam sendo enviados como ovelhas no meio de lobos. Essa imagem nos faz entender as dificuldades, os problemas, as oposições que o exercício da missão suscita. Foi assim contigo, não será diferente conosco. Sustenta-nos, Senhor, com o teu Santo Espírito, para que sejamos generosos, criativos e fiéis na missão que nos confiaste. Sendo hoje o Dia de São Timóteo e São Tito, discípulos de São Paulo e missionários como ele, pedimos que nos dês, por seu exemplo e sua proteção, o mesmo ardor missionário que os fez enfrentar e vencer tantos obstáculos para anunciar o teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Quando você pede ao Senhor operários para a sua Messe, na verdade, está também se dispondo a ser convocado ou convocada para a missão. No dia de hoje, mais de uma vez, faça esse pedido ao Pai, como Jesus orientou: “Senhor, manda operários para a tua Messe!”.

Comunicando

Nos passos de Paulo. 12 dias visitando, conhecendo e rezando em lugares onde São Paulo pregou o evangelho e animou comunidades cristãs na Grécia, na Turquia e em Roma. Nossa peregrinação começa no dia 20 de outubro deste ano. Para informações, mande uma zap para 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Postagem em destaque

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