BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A prova dos nove.


  30 de outubro de 2026   

Sexta-feira da 30ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho   


Lc 14,1-6

Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?” 4Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” 6E eles não foram capazes de responder a isso.

  Meditação.  


Se algum de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado? (Lc 14, 5)

A gente sempre vê o evangelho falando mal dos fariseus. Mas, na cena de hoje, a gente descobre um pouco mais. Era um dia de sábado e Jesus estava numa refeição na casa de um dos chefes dos fariseus. Olha que surpresa! Um líder fariseu convidou Jesus para ir comer na casa dele. Um gesto bonito! E Jesus aceitou. Está lá comendo com eles: mestres da lei e fariseus. E você sabe que comer juntos era uma coisa muito forte na cultura do povo de Jesus! Comer juntos é sinal de comunhão. Lembre que eles não comiam junto com pagãos.

Então, podemos pensar que havia certa aproximação entre Jesus e os fariseus. Ao menos, alguns tinham certa simpatia por Jesus e Jesus os acolhia com muito boa vontade. Essa refeição na casa de um dos chefes dos fariseus está nos dizendo isso.

E você lembra que era um dia de sábado. Esse detalhe de ser num ‘sábado’ deve ser importante, porque essa informação se repete por três vezes nesse pequeno texto. Sábado era uma marca muito forte na religião deles. Os fariseus matavam e morriam pra todo mundo respeitar o sábado. Era o dia do descanso, nada de trabalho. E, você sabe, isso é maravilhoso, porque é uma afirmação da dignidade do trabalhador. O ser humano, como o Senhor Deus, pára para contemplar a sua obra. É senhor do seu trabalho, não é escravo. O sábado era também o dia do culto a Deus. Todo mundo se encontrava na sinagoga, para cantar os salmos e ouvir as Escrituras. Nisso tudo, Jesus, que era um bom judeu, estava também de acordo.

A refeição, talvez fosse um jantar, estava indo bem. Jesus e os fariseus cordialmente à mesa. Maravilha! Honrando o sábado. Tudo certo. Estranhamente, ali na frente de Jesus tem um hidrópico, um doente do barrigão, coitado. Aqui mostra-se a diferença entre Jesus e os religiosos do seu tempo. Está ali um filho de Deus sofrendo, um desgraçado estendendo a mão, pedindo ajuda a Jesus. E aí? Dia de sábado é dia de socorrer o irmão ou não? Foi a pergunta de Jesus. Ficaram calados. E se fosse um filho de vocês que caísse num poço, sendo sábado, vocês iriam ou não socorrê-lo logo? Ficaram confusos. E Jesus curou o hidrópico. Tomou-o pela mão, curou-o e o despediu.

Nós católicos temos muitas diferenças com outras igrejas, outros grupos religiosos e mesmo com pessoas que não têm fé. Mas, podemos e devemos ser amigos, parceiros, convivendo com respeito, diálogo, amizade, não é verdade? O que, de verdade, vai por a prova nossa amizade e nossa comunhão não será a doutrina, que tem, claro, diferenças. Mas a verdadeira prova, como foi para Jesus e os fariseus, é o hidrópico. Diante do colossal sofrimento do irmão marginalizado, explorado, excluído, o nosso sábado nos compromete com ele, ou, em seu nome, lavamos as mãos e nos omitimos. O sábado pode representar nossas práticas religiosas, nossas tradições. Nossa religiosidade (o sábado) nos impulsiona a retirar o filho que caiu no poço ou nos faz omissos diante do irmão que caiu à beira da estrada, como foi o caso do sacerdote e do levita na parábola do bom samaritano?




Guardando a mensagem

Jesus aceitou o convite para uma refeição na casa de um líder fariseu, num dia de sábado. Os fariseus foram gentis ao convidar Jesus. Isso mostra uma certa aproximação desse grupo com o grupo de Jesus. Comer juntos era um gesto de comunhão e amizade. Ia tudo bem, mas eis que apareceu um irmão doente, precisando de ajuda: um hidrópico. Jesus perguntou se o sábado, onde era proibido fazer qualquer trabalho, permitia que se desse socorro a ele. Eles não souberam responder. E Jesus o curou. Pelo ecumenismo com outras igrejas, nos sentamos à mesma mesa de refeição. O que vai marcar a diferença, vai ser a prova dos nove, para eles e para nós, é se o nosso sábado ou seja nossa religiosidade nos faz comprometidos ou omissos diante do sofrimento dos irmãos.

Se algum de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado? (Lc 14, 5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu também respeitavas o sábado dos judeus. E, como se tratava do dia de dar glória a Deus, mostravas como a fé se manifesta na louvação a Deus e na restauração dos humilhados. Assim, vivias e ensinavas o amor a Deus e ao próximo. Obrigado, Senhor, por tuas lições de fé e de vida. Impactados por tua ressurreição na manhã do primeiro dia da semana, nós teus seguidores guardamos o domingo, como o Dia do Senhor, o dia de nossa páscoa, de nossa libertação. Dá-nos, Senhor, que façamos desse dia uma afirmação de nossa adesão ao teu evangelho, que nos ensina a acolher o amor do Pai e a praticar esse amor como solidariedade e compromisso com o bem e a vida de todos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para estimular o entendimento e a prática da palavra, sugiro que você leia em sua Bíblia o evangelho de hoje (Lc 14, 1-6). Para facilitar este acesso diário à Palavra de Deus, você que recebe pessoalmente a Meditação tem visto que estamos enviando sempre um link pra você ler o texto bíblico e também a Meditação. É só clicar no link.

Comunicando

Está lembrado(a) da Campanha da Torre? É a torre de nossa Rádio Amanhecer FM em implantação. Estamos contando com você. Diga "conte comigo" pelo Whatsapp 81 8239-6686.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O segredo da fidelidade de Jesus.

 


  29 de outubro de 2026.  

Quinta-feira da 30ª Semana do Tempo Comum

  Evangelho.  

Lc 13,31-35

31Naquela hora, alguns fariseus aproximaram-se e disseram a Jesus: “Tu deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar”. 32Jesus disse: “Ide dizer a essa raposa: eu expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. 33Entretanto, preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém.
34Jerusalém, Jerusalém! Tu que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste! 35Eis que vossa casa ficará abandonada. Eu vos digo: não me vereis mais, até que chegue o tempo em que vós mesmos direis: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”.


  Meditação.  


Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste! (Lc 13, 34)

Como foi o relacionamento de Jesus com as autoridades do seu tempo? Boa pergunta. Jesus não acabou bem, humanamente falando. Para sua condenação, concorreram os fariseus que o perseguiram, o tempo todo; o tetrarca da Galileia, Herodes; o poder romano representado pelo Procurador Pilatos; e, especialmente, o grande Conselho de Jerusalém, o Sinédrio, sob a liderança do Sumo-Sacerdote. Embora estivessem sempre em desacordo entre si, todos eles uniram-se para eliminar Jesus.

E por que Jesus foi tão mal visto pelas autoridades, que acabaram por decretar sua morte na cruz, como malfeitor? Pe. Zezinho, como poeta e teólogo, resumiu assim: “Um certo dia, ao tribunal / Alguém levou o jovem Galileu / Ninguém sabia qual foi o mal / E o crime que ele fez, quais foram seus pecados / Seu jeito honesto de denunciar / Mexeu na posição de alguns privilegiados. / E mataram a Jesus de Nazaré / E no meio de ladrões puseram sua cruz / Mas o mundo ainda tem medo de Jesus / Que tinha tanto amor!”.
“Seu jeito honesto de denunciar mexeu na posição de alguns privilegiados”. De fato, Jesus não representava nenhum desses segmentos de poder. Não era fariseu, nem saduceu. Claro, não era um romano; nem sacerdote do Templo. Era um leigo, um profeta do interior, com ampla circulação nos povoados, vilas e pequenas cidades da Galileia. Um profeta independente. Não vivia pregando contra o império romano, nem atacando Herodes, nem desmerecendo a autoridade dos sacerdotes do Templo. Mas sua pregação sobre o Reino de Deus e sua influência sobre o povo foram tidas como perigosas para o poder estabelecido.
O evangelho de hoje fala particularmente de um opositor: Herodes. Este era o Tetrarca da Galiléia, o rei daquela região onde Jesus vivia. Sua capital era uma cidade reconstruída por ele, perto do Mar da Galileia, Tiberíades. Esse Herodes tinha calado o profeta João, que pregava a conversão e batizava o povo no Rio Jordão. E andava incomodado com a fama de Jesus.
No evangelho de hoje, alguns fariseus foram levar um aviso a Jesus, não sei se para preveni-lo ou para se verem livres dele. Disseram: “Tu deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar”. Um aviso sério. Uma ameaça de morte. “Tu deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar”. Olha a reação de Jesus: “Vão dizer a essa raposa (que raposa? Herodes)... Vão dizer a essa raposa que eu expulso demônios e faço curas hoje e amanhã. E no terceiro dia, terminarei o meu trabalho”. O que ele está dizendo? Que iria continuar sua missão até o fim. O terceiro dia talvez seja a sua morte em Jerusalém ou quem sabe a sua ressurreição. É quando termina o seu trabalho, quando se completa a sua missão.




Guardando a mensagem

A pregação de Jesus anunciava ao povo o Reino de Deus, a proximidade amorosa de Deus que restaura o fraco, levanta o humilhado, liberta o oprimido. Foi o que ele leu no Profeta Isaías e explicou na Sinagoga de Nazaré. Com curas, exorcismos, milagres ele levava o povo a experimentar o amor de Deus que tem compaixão do doente e dos sofredores, e oferecia o perdão aos pecadores que aceitassem começar uma vida nova de comunhão com Deus e com os irmãos. Essa prática de Jesus foi sentida como uma ameaça ao poder do Templo, à influência dos fariseus sobre o povo e ao poder dos romanos e seus aliados. Em resposta, Jesus não recuou, manteve seu trabalho missionário com destemor e fidelidade.

Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste! (Lc 13, 34)
Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a resposta certa à tua palavra, à tua pregação é a conversão, a mudança de direção da própria vida. São tantos os que recebem a tua palavra e são restaurados e renascem para a vida nova da graça! Mas, infelizmente, muitos também rejeitam a pregação do Reino. E até reagem com violência contra tua pessoa e contra teus missionários. No evangelho de hoje, está a lamentação que dirigiste à cidade de Jerusalém: “Quantas vezes eu quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste”. Hoje, contemplamos, Senhor, tua firmeza e tua fidelidade na missão, até o fim. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. E faz-nos firmes e fortes no teu caminho, não deixando-nos vencer pelo cansaço, nem pelo espírito de acomodação, nem nos determos pela oposição de outros. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No meio de tantas oposições, provações e da própria paixão e cruz - podemos nos perguntar - como Jesus conseguiu permanecer firme e fiel? Uma resposta simples: a força da Oração e a graça do Espírito Santo. O Espírito Santo que o ungiu, o sustentou na missão. Pela oração, buscava a vontade do Pai e a força para realizá-la integralmente. Também podemos contar com a força da oração e com a graça do Santo Espírito para enfrentar as dificuldades, ser perseverantes e fiéis até o fim.
Comunicando
Às 11 horas desta quinta-feira, como de costume, temos a Santa Missa, com transmissão pelo Rádio e pelo Youtube. Preside hoje o Pe. Marcelo Manoel. Eu, com o grupo de peregrinos "Nos passos de Paulo" vamos celebrar, aqui em Roma, na Basílica de São Paulo fora dos Muros, junto ao túmulo do grande apóstolo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

O seu momento diário de oração.

 


QUARTA-FEIRA

   28 de outubro de 2026   

Festa de São Simão e São Judas Tadeu, apóstolos


   Evangelho.   



Lc 6,12-19


12Naqueles dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus. 13Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14Simão, a quem impôs o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. 17Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. 18Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados. 19A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos.


   Meditação.   



Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus (Lc 6, 12)


E quase ao término deste mês missionário, celebramos hoje dois apóstolos de Jesus: São Simão e São Judas Tadeu. Mais uma oportunidade, então, para aquecermos o nosso coração missionário.


Olha que grande lição Jesus está nos dando, no evangelho de hoje. Ele tinha uma decisão importante para tomar. Àquela altura da missão, um grupo numeroso de discípulos e discípulas o seguia. E ele precisava dar um mínimo de organização ao seu grupo. E pensar no futuro do seu ministério. Ele precisava tomar decisões importantes em benefício de sua missão, em perspectiva de continuidade do seu trabalho. O que faz? Sobe a montanha para rezar e passa a noite inteira em oração a Deus.


A montanha é o lugar da oração, do encontro com Deus. É na oração, que o cristão precisa encontrar a luz de Deus para sua vida. É na oração que pode discernir qual é a vontade do Senhor. E, uma vez compreendida a sua santa vontade, aderir a ela de todo o coração. Uma noite de oração na montanha, antes de tomar uma decisão importante: esse é o exemplo de Jesus.


E que decisões Jesus tomou naquela noite de oração? Nessa passagem, dá pra gente identificar ao menos quatro decisões. A primeira, chamar e escolher 12 líderes. Doze para marcar a continuidade com o povo de Deus, o povo das doze tribos. Doze, porque está construindo um novo momento do povo de Deus. Segunda decisão: escolher os doze do meio dos seus muitos discípulos. Não buscá-los fora. Tirar seus missionários dentre aqueles que o estavam acompanhando. Terceira: Designá-los como apóstolos, enviados. Essa será a sua identidade: serem apóstolos, enviados por ele. Quarta decisão: Reconhecer a liderança de Simão à frente do grupo, trocando o seu nome para Pedro. Na Bíblia, o nome é a missão. E a missão de Simão é ser a pedra, o alicerce da nova comunidade.





Guardando a mensagem


Jesus precisava tomar decisões importantes sobre a sua missão. Subiu a montanha e passou uma noite em oração. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze para serem seus apóstolos. O Papa Francisco explicou que “A oração é o coração da missão”. Não podemos acertar nosso caminho, sem o diálogo com Deus, sem uma noite de oração. Sempre que um cristão precisa tomar uma importante decisão, precisa subir a montanha, isto é, dedicar-se a um tempo razoável de discernimento e oração. Na oração, encontramos a luz de Deus para nossa vida, para nossas decisões. Esse é o caminho para podermos conhecer e acolher a vontade de Deus. E essa é a grandeza de nossa vida: fazer a vontade de Deus.


Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus (Lc 6, 12)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

teus apóstolos aprenderam contigo a estar sempre unidos ao Pai pela oração. Vendo o teu exemplo, em oração na montanha, nos perguntamos se as decisões mais importantes de nossa vida têm sido tomadas dentro de um processo de discernimento, que inclui também um tempo sério de oração. Pela oração, asseguravas que as tuas decisões estivessem de acordo com a vontade do Pai. E são tantas as decisões que um cristão, uma cristã precisa tomar em espírito de obediência ao Pai: a escolha da profissão, o casamento, a consagração religiosa, mudanças importantes na vida profissional e familiar e tanta coisa mais. Senhor, nessas horas, lembra-nos de subir a montanha e a decidir no diálogo com Deus. Assim, poderemos realizar o melhor para nossa vida, o melhor segundo o teu coração. Celebrando, hoje, os teus apóstolos Simão Zelota e Judas Tadeu, queremos renovar nossa adesão e nosso amor à tua Igreja edificada sobre sua fé, seu testemunho e seu martírio. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


O grande apelo que hoje se faz, em se tratando da oração, é que cada um de nós tenha o seu momento diário de oração. Um tempo nem grande demais, nem curto demais. Um momento em que você possa rezar as orações tradicionais que conheça, mas também ler um trechinho da Bíblia e fazer um pouco de meditação. Então, é esta a sugestão concreta para viver a palavra de hoje: comece ou reforce o seu momento diário de oração. 


Comunicando


E o mês de outubro está chegando ao seu final. Hora de tomarmos o pulso da caminhada e sabermos como foi o desafio deste mês. Você conseguiu rezar o terço diariamente pela paz, como nos pediu o Papa Leão XIV? Estou lhe enviando o formulário para você marcar as suas respostas.  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

As maravilhosas lições do pão feito em casa.



   27 de outubro de 2026  

Terça-feira da 30ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho   


Lc 13,18-21

Naquele tempo, 18Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? 19Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”. 20Jesus disse ainda: “Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? 21Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.

   Meditação   


O Reino de Deus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado (Lc 13, 21)

Vamos começar com uma aula de culinária. Mas, não se espante. Vamos aprender a fazer pão, como no tempo de Jesus. Só assim poderemos entender melhor a comparação que ele fez com o Reino de Deus.

É bom lembrar: no tempo de Jesus, não havia padaria, o pão era feito em casa. E era feito pelas mulheres. A farinha para o pão precisava ser preparada na hora. Não havia fermento químico. Nem fogão e forno a gás. Mas, tudo bem. Vamos começar separando os grãos para fazer a farinha. A farinha de cevada era mais barata do que a de trigo, logo, a maior parte do povo fazia o pão de cevada. Pegue uma peneira, coloque nela uma boa porção de grãos de cevada ou de trigo. Sacuda bem a peneira para os talinhos, pedrinhas ou grãos diferentes aparecerem. Vá sacudindo, catando e limpando sua porção de grãos. Agora, triture tudo nas pedras de moer, na mó. São duas pedras achatadas e você põe o grão entre elas e vai rodando a pedra de cima. Precisa de jeito e de força também. Triturando os grãos, vai aparecendo a farinha. Está meio grossa, não se preocupe. É integral mesmo. Agora, ponha três porções de farinha numa vasilha de argila e um pouco de água e comece a misturar com as mãos. Cansou? Ponha o fermento agora. 

O fermento é um pouco de massa fermentada, chamada massa velha, guardada de outra ocasião. Misture tudo e, com paciência, vá amassando até pegar uma boa ligadura. É como fazem os pizzaiolos de hoje, preparando a massa para a pizza. Tudo pronto? Separe logo um pouco da massa fermentada para guardar: será o fermento do pão de amanhã. Achate as porções como se fosse uma pizza... Deixe a massa descansar... depois ponha no forno de lenha para assar. Cuidado para não se queimar. Ponha para assar dentro de um recipiente de argila. Quando tiver pronto, me chame... lembre que o pão não era pra comer só de manhã, o pão era o alimento principal para todas as refeições. Deu trabalho?! Não se preocupe, amanhã tem mais. Todo dia, a mulher precisa fazer o pão.

Foi assim que Jesus fez uma comparação simples: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Agora você já sabe que não é tão simples assim... fazer pão não é uma coisa banal. É uma atividade vital. Uma rotina muito importante para a família.

Nessa parábola de Jesus, vamos ficar atentos a três pontos: O fermento não é a massa; o fermento é misturado na massa; o fermento leveda a massa.

1. O fermento não é a massa. É uma porção menor, diferenciada. É um ingrediente que se incorpora à massa. O Reino de Deus é a obra de Deus entre nós, por meio de Cristo, nos comunicando vida e salvação. O Reino não é a massa, é o fermento. O evangelho é fermento na massa. Cristão não é massa, é fermento. Tem uma missão no meio do mundo.

2. O fermento é misturado na massa. O fermento precisa ser misturado na massa para fazer efeito. O evangelho precisa permear a vida das pessoas... sem isso não leveda, não influi, não transforma. E não é só colocar o fermento, dar uma mexidinha e deixar pra lá. Assim se faz com o fermento químico. A mistura do fermento, a massa fermentada, nas outras três porções de farinha é trabalhosa, demorada. Exige paciência, habilidade, perseverança. A mulher fica socando, amassando a massa por um longo tempo, até a massa chegar ao ponto. Aí se põe a massa para descansar um pouco e ser colocada no forno. Sem a paciência da mulher que faz o pão, não se produz mudanças no mundo.

3. O fermento leveda a massa. O Reino veio para melhorar o mundo, para transformá-lo. O evangelho é uma força de mudança, de transformação. É um fermento bom no meio de nossa sociedade. Não pode ser anulado e virar farinha com os outros. Assim, deixa de realizar sua missão. Não pode se afastar da sociedade, se ausentar do mundo: assim não faz o efeito pelo qual é fermento.




Guardando a mensagem

Jesus comparou o Reino de Deus com o fabrico artesanal do pão, pelas mulheres do seu tempo. O Reino produz mudanças no mundo, como o fermento que leveda a massa. Essa fermentação do mundo pelo evangelho vem pelo serviço dedicado dos pequenos, representados pelas mulheres. O fermento não é a massa. Se não for bem misturado, se não entrar na vida das pessoas, não fermenta nada.

O Reino de Deus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado (Lc 13, 21)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
teu Reino é o bom fermento a levedar a nossa vida, as estruturas sociais, o mundo. E nós somos agentes desse Reino, como fermento transformador da realidade. Dá-nos, Senhor, a graça de compreender e viver teu evangelho, sustentados por tua graça e por teu Santo Espírito. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Só para você recordar esse evangelho, pergunte hoje a quem faz a sua comida que tipo de fermento usa em bolos ou outras massas.

Comunicando
 
Estamos na peregrinação "Nos passos de Paulo". Começamos pela Grécia. Estivemos no areópago onde Paulo pregou. Celebramos a Missa nas ruínas da antiga cidade de Corinto onde ele ficou um ano e meio pregando e organizando a comunidade. Estamos agora na Turquia. Hoje, vamos conhecer e celebrar em Éfeso, onde ficou três anos instruindo novos discípulos. E ainda temos muito a percorrer até Roma, para rezar diante do seu túmulo na Basílica de São Paulo fora dos muros.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

domingo, 25 de outubro de 2026

Uma vida restaurada.




   26 de outubro de 2026.   

Segunda-feira da 30ª Semana do Tempo Comum

   Evangelho.   



Lc 13,10-17


Naquele tempo, 10Jesus estava ensinando numa sinagoga, em dia de sábado. 11Havia aí uma mulher que, fazia dezoito anos, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de se endireitar. 12Vendo-a, Jesus chamou-a e lhe disse: “Mulher, estás livre da tua doença”. 13Jesus pôs as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus.

14O chefe da sinagoga ficou furioso, porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado. E, tomando a palavra, começou a dizer à multidão: “Existem seis dias para trabalhar. Vinde, então, nesses dias para serdes curados, não em dia de sábado”.

15O Senhor lhe respondeu: “Hipócritas! Cada um de vós não solta do curral o boi ou o jumento, para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? 16Esta filha de Abraão, que Satanás amarrou durante dezoito anos, não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?” 17Esta resposta envergonhou todos os inimigos de Jesus. E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que ele fazia.


   Meditação.   



Jesus colocou as mãos sobre a mulher encurvada e imediatamente a mulher se endireitou e começou a louvar a Deus (Lc 13, 13)

Nos filmes de guerra, aparece o general vencedor e seu exército entrando na cidade, num desfile onde se exibe inimigos acorrentados como troféus. Eles desfilam sua humilhação, de cabeça baixa.


Nas partidas de futebol, ao apito final, o time vencedor festeja aos pulos e gritos, partilhando a euforia da torcida. Os jogadores do time perdedor retiram-se, desviando-se no quanto possível da torcida e da imprensa. Escondem-se do constrangimento, de cabeça baixa.


Na vida real, pessoas habituadas a serem tratadas aos gritos, a sempre cumprir ordens sem serem ouvidas, humilhadas pela miséria ou atormentadas pelo sentimento de impotência ou inferioridade se apresentam, em público, de cabeça baixa.


"Cabeça baixa" é um sinal da pessoa vencida, humilhada, perdedora; arqueada pela prepotência, pela impotência; aviltada em sua dignidade de ser humano. Há pessoas que de tanto sofrimento, de tanto olhar para o chão, adoecem fisicamente, contraem doenças na coluna vertebral.


Era um dia de sábado. Jesus estava pregando numa sinagoga. E curou uma mulher encurvada. O chefe da Sinagoga não gostou. Achou que Jesus estava fazendo um trabalho que não devia ser feito no dia de sábado. E falou ao povo: ‘Em dia de sábado, não. São seis dias de trabalho na semana, venham nesses dias’. Mas Jesus insistia em curar no sábado. Por quê? Bom, a Obra da Criação, que teve seu ponto alto na criação do ser humano, foi coroada com o descanso de Deus, no sétimo dia, no sábado. Mas, o homem, obra prima de Deus foi desfigurado pelo pecado. Então, era preciso libertar o homem para que a glória de Deus fosse realmente completa. E ‘a glória de Deus é o homem vivo’, escreveu Santo Irineu, um dos primeiros teólogos da Igreja. O ser humano de pé é glória para Deus, gente de cabeça erguida, não de cabeça baixa, humilhada, desfigurada. Esse, sim, manifesta a glória de Deus, de quem é a imagem. O sétimo dia, o sábado da Bíblia, é o dia da glória de Deus, da obra de Deus perfeita, restaurada. É o trabalho de Jesus, coroado na ressurreição no primeiro dia da semana.


No texto, está dito que um espírito a fazia doente esse tempo todo. Temos que fazer um desconto: o povo de Jesus achava que toda doença era uma obra de um espírito mal. Mas, de verdade o sofrimento, a humilhação, a violência geram pessoas fisicamente cabisbaixas, encurvadas. O evangelho de hoje está nos ensinando que a obra de Jesus é a restauração da pessoa humana. Ele ‘conserta’ a obra prima de Deus arrebentada pelo pecado (o próprio ou o dos outros). Ele nos liberta de tudo o que tira nossa dignidade de filhos de Deus.





Guardando a mensagem


Num sábado, numa sinagoga, Jesus cura uma mulher encurvada. As lideranças da comunidade consideram que não se pode fazer esse trabalho em dia de sábado. Mas, Jesus aparece sempre curando no sábado. O sábado é o dia de dar glória a Deus. E a glória de Deus é ver seus filhos libertados e felizes. Jesus está restaurando o homem decaído pelo pecado. A obra de Jesus, o seu trabalho, é esse mesmo: conduzir-nos da morte para a vida, nos ressuscitar para vivermos na dignidade de filhos e filhas de Deus. Há muita coisa que oprime as pessoas: a violência doméstica, a falta de oportunidades, o trabalho escravo, a prostituição infantil, o preconceito... Sobre tudo isso, nossa fé em Cristo nos faz vitoriosos. Com ele, trabalhamos para erguer os encurvados.


Jesus colocou as mãos sobre a mulher encurvada, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus (Lc 13, 13)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

recordamos-te, hoje, todos os que estão na situação de encurvados, humilhados pelo desemprego, pela miséria, pelo abandono, pela violência. Concede-nos viver, com destemor, a dignidade de filhos e filhas de Deus, em solidariedade com todos os que precisam do nosso apoio, de nossa consciência cidadã, de nossa caridade cristã. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

No dia de hoje, tente identificar, no seu convívio, alguma pessoa “encurvada” e veja em que você pode ajudá-la a não perder a esperança e a não se deixar vencer pelo desânimo.

Comunicando

Passado o período eleitoral, como seguidores do Senhor Jesus e do seu evangelho, esforcemo-nos para ser agentes de reconciliação e de paz nas famílias, no ambiente de trabalho, nas redes sociais. 

Hoje é dia de Segunda Bíblica. E eu cumprimento você pelo esforço que está fazendo em relação à sua formação cristã. Quanta coisa estamos aprendendo, estudando o livro do Apocalipse! Jesus é o Senhor e juiz da história humana. 

Pe. João Carlos Ribeiro sdb



sábado, 24 de outubro de 2026

Um amor que ilumina os nossos compromissos.



      25 de outubro de 2026.  

30º Domingo do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mt 22,34-40

Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36”Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

   Meditação.   


Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos (Mt 22, 40)

Na parábola do rei que preparou uma linda festa de casamento para o seu filho, os primeiros convidados rejeitaram com violência o convite para a festa e os seus mensageiros. Esses são os que não acolheram Jesus e tudo fizeram para eliminá-lo. Um grupo muito popular e muito religioso também movimentou-se o tempo todo contra Jesus: os fariseus. No evangelho de hoje, um grupo deles vem ao encontro de Jesus, disposto a desmoralizá-lo. Chegaram com uma pergunta aparentemente inocente: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”.

Os eruditos, os mestres da Lei, os mais estudados dos fariseus, viviam em intermináveis discussões sobre as centenas de mandamentos que eles reconheciam nas escrituras e na sua tradição oral. Qual seria o maior mandamento, como hierarquizar tantas normas? Jesus deu uma resposta convincente. ‘O maior e primeiro mandamento é este: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!”. Na verdade, Jesus recitou o início da oração diária de todo judeu, como está no Livro do Deuteronômio, a Oração do Shemá. Ninguém poderia discordar. E Jesus acrescentou: “O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’”.

Perguntaram pelo maior mandamento, Jesus respondeu com dois mandamentos. Amar a Deus e amar o próximo. Aproximou os dois, juntou os dois. Uma coisa não pode ser desligada da outra. Como escreveu São João na sua primeira carta: “Quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê, é um mentiroso”. Essa relação íntima entre o amor a Deus a ao seu semelhante certamente não era uma novidade, já estava na Escritura. Mas, não estava na prática religiosa dos fariseus, que desprezavam os pobres e ignorantes. Não dá para amar a Deus e não amar os irmãos, particularmente os necessitados, os excluídos. E amar, não com palavras, mas com atitudes, obras, compromissos.

A palavra de Jesus, hoje, é um grande ensinamento para nossa vida. Amar a Deus e amar os irmãos. Esse é o mandamento. A prática da religião não é apenas louvar, glorificar, honrar a Deus com nossos cânticos e louvores. Esse amor a Deus transfigura os nossos relacionamentos, ilumina os nossos compromissos, nos compromete com a justiça, o bem, a verdade. Como amar o pai e não reconhecer e amar os outros filhos dele, seus irmãos e irmãs?




Guardando a palavra

O fariseu queria saber de Jesus qual é o maior mandamento da Lei. Jesus respondeu que o maior e primeiro mandamento é o amor a Deus. Mas, este sagrado dever está unido a um segundo, semelhante ao primeiro: amar o próximo como a si mesmo. Não é possível honrar a Deus com verdadeiro amor, sem interessar-se e comprometer-se com o bem dos seus irmãos, filhos e filhas do mesmo Pai. E amar com o coração do Pai é estar atento aos irmãos que estão em maior dificuldade, para incluí-los, para garantir-lhes as oportunidades necessárias, para estar ao seu lado como bom irmão, como boa irmã.

Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos (Mt 22, 40)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
disseste bem: “Toda a Lei e os Profetas dependem destes dois mandamentos”. A Lei e os Profetas são a Sagrada Escritura. Nela, se revela um Deus que ama seu povo, caminha com ele e o socorre na aflição. Nela, o fiel descobre que agrada a Deus e o honra quando o imita no seu amor pelos pequenos, na sua compaixão pelos sofredores, na sua misericórdia pelos pecadores. E depois de ter falado pelos profetas, o Pai nos fala por ti, Senhor Jesus, deixando tudo bem claro. O verdadeiro culto é fazer a vontade do Pai. O verdadeiro adorador é o samaritano que socorre o assaltado quase-morto, na estrada. O verdadeiro amor é o de quem dá a sua vida pelos amigos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze, com calma, o Pai Nosso. E veja como Jesus nos faz rezar como filhos, sem deixar ninguém de fora. Todos precisamos do pão, do perdão, da libertação, da vitória sobre o mal. Quando reza o Pai Nosso, você intercede por todos os seus irmãos e irmãs. 

Comunicando

Não saia de casa para ir votar, hoje, sem fazer um momento pessoal de oração. Seu voto seja um sinal do seu amor a Deus de todo o coração e do seu amor ao próximo, como a si mesmo(a).

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A história da figueira que ia ser cortada.


   24 de outubro de 2026.   

Sábado da 29ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.  


Lc 13,1-9

1Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. 2Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? 3Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. 6E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. 7Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’
8Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. 9Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”.


   Meditação.   


Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou (Lc 13, 6)

Você já viu uma figueira? Muita gente nunca viu uma figueira, uma planta que dá figo. É um arbusto muito comum na terra de Jesus. E aparece muito na Bíblia. Adão e Eva, por exemplo, cobriram sua nudez, costurando folhas de figueira. E Zaqueu subiu numa figueira brava pra ver Jesus passar. No frio, a figueira perde todas as suas folhas, mas lá pelo mês de março, ela renasce e se prepara para dar figos, uma fruta gostosa, muito apreciada pelo povo da Bíblia.

No evangelho de hoje, Jesus contou que um homem havia plantado uma figueira em sua vinha. Durante três anos, ele voltou lá para colher algum fruto. Nada. Não achava coisa nenhuma. Na terceira vez que ele foi procurar o fruto na figueira e, claro, não encontrou nem sinal, ele perdeu a paciência e mandou o empregado cortá-la. Estava ocupando o terreno inutilmente.

A figueira, na Bíblia, representa a pessoa ou mesmo o povo de Deus. Esta figueira improdutiva é a imagem de pessoas do tempo de Jesus que, mesmo ouvindo sua pregação, não se converteram, não mudaram de vida. João Batista, preparando a vinda de Jesus, tinha insistido em que o povo desse fruto de vida nova, apresentasse sinais de sua conversão. Jesus, de igual modo, está cobrando que as pessoas que o escutam, acolham sua palavra, produzam frutos, mudem de vida. Lembra a parábola do semeador? A semente, a palavra de Deus, está sendo semeada. Só no terreno bom, cresce, floresce e dá muito fruto.

Na história, o dono da terra já procurava frutos na figueira há três anos. É uma clara alusão ao ministério de Jesus, que completava três anos. Três anos de pregação, de milagres, de curas, de exorcismo... cadê os frutos desse povo, quais os sinais que mostram que abraçaram a vida nova que ele estava anunciando? Faltou paciência ao dono da terra. Mandou cortar aquela figueira parasita, ocupando à toa o terreno dele. Mas, o seu empregado pediu mais tempo e prometeu maior empenho. ‘Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e colocarei adubo. Talvez, depois disto dê frutos. Caso contrário, vamos cortá-la’.





Guardando a mensagem

A figueira pode ser a sua vida, a sua família, a sua comunidade. Não basta estar coberta de belas folhagens, tem que dar frutos. Que frutos Jesus espera encontrar em nossas vidas e em nossas instituições? Podemos fazer uma lista: conversão, comunhão com Deus, cumprimento dos mandamentos, vivência da fraternidade, compromisso com a justiça e com a verdade, honestidade, fidelidade, solidariedade, participação na missão, atenção aos pobres e sofredores. Mas, a lista pode ser bem maior. Pela história, você sabe, o Senhor nos dá mais um tempo. Seu empregado está pondo mais adubo, regando mais frequentemente... torcendo que demos frutos; frutos de conversão, de vida nova em Cristo.

Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou (Lc 13, 6)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
não basta ouvir a tua palavra. É preciso ouvi-la e praticá-la. É assim que a nossa vida vai se modificando, afastando-se do mal e nos edificando como novas criaturas, pessoas renascidas na tua graça. Afastando-nos de ti e do teu evangelho, não damos frutos, como o ramo separado da videira. Dá-nos, Senhor, que com a assistência do teu Santo Espírito, frutifiquemos em obras de conversão, de amor solidário e na edificação de pessoas interiormente renovadas neste mundo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, reze por sua conversão e pela conversão de alguém muito próximo de você.

Comunicando

Seria muito bom você antes de sair para votar amanhã, recolher-se por uns minutos em oração. Peça as luzes do Espírito Santo para que sua decisão seja responsável, livre e cidadã.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

A hora de Deus na sua vida.


   23 de outubro de 2026   

Sexta-feira da 29ª Semana do Tempo Comum



   Evangelho.  


Lc 12,54-59

Naquele tempo, 54Jesus dizia às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. 55Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. 56Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? 57Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?
58Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia. 59Eu te digo: daí tu não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.

   Meditação.   


Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente? (Lc 12, 56)

Jesus estava chamando a atenção para uma coisa muito simples: não perder a hora da graça. Aquela era a hora do Messias, a realização da grande promessa de Deus. A hora da graça tinha chegado e as pessoas não estavam percebendo. Reconheciam as mudanças de tempo, sabiam se ia chover, se o inverno seria bom... mas, não estavam reconhecendo os sinais que indicavam o novo tempo que Deus marcou para a humanidade, o tempo do enviado, o tempo da salvação.

Na atuação de Jesus, com boa vontade e com o olhar da fé, eles podiam perceber os sinais de Deus. Os gestos, as palavras, as ações de Jesus apontavam para uma coisa muito importante e definitiva. A acolhida amorosa dos pequenos e dos excluídos, a cura das doenças, a expulsão de demônios, tantos sinais... tudo isso apontava para uma grande realidade: o Reino de Deus tinha chegado. Em Jesus, Deus tinha se aproximado do seu povo para encontrar e salvar a ovelha perdida. Mas, muita gente não estava se dando conta do que estava acontecendo.

Nós estamos na mesma situação e, portanto, merecendo a mesma chamada de atenção. Tem gente informada de toda a programação cultural da capital e dos próximos lançamentos de séries no Netflix, em dia com o último capítulo da novela e por dentro da final do campeonato, mas está completamente por fora de todas as propostas de evangelização que a Igreja está fazendo. Não toma conhecimento da movimentação religiosa de sua Igreja. Nem se apercebe que esse é o tempo da graça, que essa é a hora de Deus em sua vida, em sua história. Não se dá conta que Jesus, o salvador, está entre nós, abrindo-nos o sentido da vida e nos conduzindo para a plenitude da paz.

Com o advento das redes sociais, onde qualquer um pode escrever qualquer coisa ou editar qualquer foto ou vídeo, muita gente vive em sobressaltos, pelas fake news. É uma nova cegueira. Deixam-se ofuscar pela mentira, pelo jogo ideológico e em vez de enxergar uma igreja missionária, movida pelo Espírito Santo, enchem-se de suspeita e passam a disseminar a divisão na própria Igreja.

No tempo de Jesus, muita gente preferiu ver nele um perigo, um falso profeta, um agente de satanás. Assim, fecharam os olhos para a manifestação de Deus, na pessoa do seu Filho encarnado, amigo dos pobres e dos pecadores. Na verdade, encontravam assim boas desculpas para se esquivarem do grande apelo de conversão, de mudança de vida, de fazerem-se próximos dos que estavam caídos à beira da estrada (como na história do bom samaritano).

É o que Jesus estava e está cobrando. Não deixemos a hora da graça passar, reconheçamos a hora de Deus em nossa história.




Guardando a mensagem

Os sinais de Deus e de sua passagem entre nós estão em nossa história pessoal, familiar, social. Seus sinais estão nos acontecimentos dos nossos dias. Há um grande apelo de Deus para nós, nos dias de hoje. Posso lembrar alguns. O apelo para cuidarmos com responsabilidade da Casa Comum, do planeta terra, ameaçado pelas mudanças climáticas. A hora é essa, enquanto há tempo. O fato de a Igreja ter se debruçado sobre o tema dos Jovens e a fé, em um Sínodo, é um sinal de Deus: é o momento de integrarmos os jovens no caminho de Jesus. A hora de abraçarmos essa causa, que é urgente e decisiva para o futuro da Igreja, é agora. A questão da imigração é um grande sinal dos nossos tempos. Não se interessar por ela, não abraça-la é negar a evangelho de Jesus, sua atualidade e a sua força de transformação. O Sínodo da Amazônia foi outro sinal de Deus. A pandemia, com certeza, foi um sinal de Deus, dos grandes. O Papa Francisco, com sua simplicidade e seus ensinamentos, foi um sinal de Deus. O Papa Leão XIV com sua encíclica "Magnificat Humanitas" sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial é um sinal de Deus. É preciso prestar atenção ao tempo de Deus, aos seus apelos. É preciso saber interpretar o tempo presente, acolhendo a graça desta hora. 

Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente? (Lc 12, 56)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tanta coisa significativa acontecendo em nossa história, tantos sinais de Deus em nossa vida... É só abrir os olhos pra ver: estamos no tempo da graça, no kairós de Deus. Ajuda-nos, Senhor, pelo teu Santo Espírito, a compreender os sinais de tua presença redentora entre nós, fazendo novas todas as coisas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em seu momento de oração, pense um pouco: a sua vida está cheia de sinais de Deus. Por eles, Deus lhe corrige, conforta, fala do seu amor, envia você em missão... Nestes últimos dias, tem algum sinal que você precise prestar mais atenção?

Comunicando

Na Campanha da Torre só está faltando você. É a torre da rádio católica que estamos implantando. 15 de dezembro, se Deus quiser, será a bênção das instalações, mas a torre de 50m para transmissão da Palavra de Deus não sobe sem a sua participação. Saiba mais sobre a campanha, fazendo contato pelo WhatsApp 81 8239-6686.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

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