BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

32º dia da Quaresma: Carregar a cruz com Jesus.



   20 de março de 2026  

Sexta-feira da 4a. Semana da Quaresma

   Evangelho.   


Jo 7,1-2.10.25-30

Naquele tempo, 1Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim como que às escondidas.
25Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: “Não é este a quem procuram matar? 26Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde é”.
28Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, 29mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou”.
30Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

   Meditação.   


Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora (Jo 7, 30).

Os tempos estão ficando difíceis para os seguidores de Cristo. Houve aquele tempo da perseguição do império romano, no início do cristianismo, com tantos mártires que continuamos a celebrar! Poucas décadas atrás, no Brasil e em quase toda a América Latina, a perseguição atingiu muitos leigos, religiosos, padres e bispos com prisão, tortura, mortes, desaparecimento. No momento atual, em muitas partes do mundo, mesmo nos países que foram marcados pela civilização cristã, cresce a intolerância e a agressividade contra a Igreja e a pregação do evangelho. Os grandes valores defendidos pelos cristãos, valores que fundam a vida em sociedade, estão sendo combatidos abertamente pelo desregramento sexual, o aborto, o consumo de drogas, o enfraquecimento da instituição familiar, o vilipêndio de símbolos religiosos... Em síntese, ser cristão hoje é estar na contramão, no contrafluxo de um mundo que está tomando a direção contrária. E assim, seguir Jesus vai significar, cada vez mais, incompreensões, discriminação, difamação, perseguição.

Nesse contexto, podemos entender melhor o evangelho de hoje que nos diz que Jesus evitava andar pela Judeia, por causa da perseguição e ameaças de morte à sua pessoa. E que, depois que os discípulos foram para a festa das Tendas em Jerusalém, ele seguiu depois deles, às escondidas. Então, o clima estava muito pesado. Razão tinham os discípulos que não queriam que Jesus fosse àquela festa. Mas, impressiona ver que, em seguida, Jesus aparece em público ensinando, para surpresa dos seus inimigos, que, assim em público, não podiam prendê-lo, pela reação do povo ou, como diz São João, porque não tinha chegado a sua hora. Muitos até estranharam que Jesus, procurado como estava, estivesse assim falando e movimentando-se em público, com tanta desenvoltura.

Do que Jesus estava dizendo, temos um trechinho no evangelho de hoje. Ele estava ensinando em alta voz, no Templo. Notem, em alta voz. “Vocês me conhecem. Mas, eu não vim por mim mesmo. Vocês não conhecem quem me enviou. Eu o conheço”. Dava pra todo mundo entender: Foi Deus quem o enviou, e aquela gente, embora estivesse no Templo de Deus, não o conhecia.

No livro da Sabedoria está escrito: Os ímpios, em seus falsos raciocínios, dizem: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver sua serenidade e sua paciência. Vamos condená-lo à morte vergonhosa. Vamos ver se alguém vem socorrê-lo”. Conclui o livro santo: “A malícia os torna cegos”.

Nossa comunhão com Cristo nos leva a participar também de sua condição de perseguido e rejeitado. Somos seus discípulos e seguidores. Nosso amor por ele se alimenta de nossa convivência com sua palavra, da meditação de sua vida e de sua pregação do Reino de Deus. Nossa comunhão com ele nos leva à imitação de sua vida e a pensar, sentir e viver como ele viveu. É assim que tomamos nossa cruz de cada dia e o seguimos.


  


Guardando a mensagem

Estamos na preparação para a Páscoa. Jesus chegou à páscoa da ressurreição passando pela paixão e pela morte de cruz. Nós, como seguidores de Jesus, não apenas acompanhamos o drama de sua paixão, mas reconhecemos que muitos irmãos passam também, perto ou longe de nós, por sofrimentos semelhantes, por causa de Jesus Cristo e do seu evangelho. Com eles, ficamos solidários. E ficamos sabendo também que seguir Jesus pode comportar para nós algum incômodo, algum sacrifício, algum sofrimento. E é aí que amadurece a nossa fidelidade.

Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora (Jo 7, 30).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vezes, somos tentados a reduzir a religião a um pronto-socorro para nossos dramas e sofrimentos. Queremos fugir deles, queremos resolvê-los. Estamos sempre te pedindo isso, tu sabes bem. Mas, há um outro lado da fé cristã que este tempo da Quaresma nos ensina. Ser cristão é te seguir, caminhar segundo o teu evangelho. Isso nos põe na contramão dos que não conhecem os teus ensinamentos ou a eles se opõem. A nossa escolha por ti e por tua Igreja pode nos trazer incompreensão, discriminação, perseguição. Nesta hora, Senhor, ajuda-nos, com o dom do teu Santo Espírito, a nos mantermos firmes e a carregarmos a cruz contigo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça uma breve oração pedindo em favor dos cristãos perseguidos por causa de sua fé. O passo de hoje do nosso caminho quaresmal é unir-se a Cristo também em algum sofrimento que apareça por causa de nossa fé. 

Comunicando

Na quarta-feira santa, no Recife, vamos realizar a 27ª Via Sacra da Fraternidade, pelas ruas do centro da cidade. Concentração às sete da manhã, no Pátio de São Pedro. Encerramento com a Santa Missa presidida pelo arcebispo Dom Paulo Jackson, na Basilica da Penha, às 11 horas.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

31º dia da Quaresma: Imitar São José.

 




   19 de março de 2026.   

Solenidade de São José,
esposo da bem-aventurada Virgem Maria
e patrono da Igreja

   Evangelho.   


Mt 1,16.18-21.24a

16Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria em segredo. 20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 24aQuando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado.

ou Lc 2,41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”.
49Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” 50Eles, porém, não compreenderam as Palavras que lhes dissera. 51aJesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente.

   Meditação.   


José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo  (Mt 1,20)

Eles estavam noivos e ela apareceu grávida. Na verdade, já tinham feito as demoradas cerimônias de casamento. Mas, como era costume, não se ia logo morar juntos. Foi nesse tempo, em que ela ainda estava com os pais, que apareceu grávida. Mas, não era dele. Ele ficou desnorteado. Por que ela fez isso comigo? Casamento pronto, tudo arrumado... Num caso como esse, a Lei previa que ele devia denunciá-la ao conselho dos anciãos de sua vila, no caso Nazaré. Ela seria julgada e sentenciada. Certamente, o caso seria reconhecido como adultério.... e a Lei era rigorosa com esse gravíssimo deslize. Devia ser apedrejada. José estava triste e confuso. O casamento estava acabado. E o que ele iria fazer? Denunciá-la? Não, isso não, de jeito nenhum. Ele amava demais sua noiva para fazer isso. Resolveu fugir... a culpa recairia sobre ele. Iria tentar a vida bem longe. Era melhor. Ela criaria seu filho, com o apoio da família. Ele sairia por mau e irresponsável. Foi dormir, assim, triste, sofrido, com essa decisão na cabeça.

Dormindo, José teve um sonho. O anjo do Senhor veio lhe explicar que o que aconteceu com Maria foi da vontade de Deus, que ela concebeu pela ação do Espírito Santo; que ele não tivesse medo de recebê-la como esposa; e que desse ao filho o nome de Jesus. José acordou assustado, mas decidido. Fez como o anjo do Senhor havia mandado.

O que será que o anjo realmente mandou José fazer? Primeiro, receber Maria por esposa. Estar ao lado de Maria, em sua gravidez, na educação do seu filho e em tudo, como esposo, companheiro, apoiando-a, protegendo-a, partilhando com ela as responsabilidades de uma família. E José, que tanto amor tinha por Maria, abraçou essa missão de esposo. Segundo, o anjo mandou que ele desse o nome de Jesus ao menino. E a missão do menino já estava expressa no seu nome: salvar o seu povo dos seus pecados. Dar o nome ao menino significava reconhecê-lo publicamente como filho, garantir sua pertença à família de Davi. Por meio de José, o filho de Deus seria também filho de Davi, seu descendente. E foi assim que José assumiu a condição de pai da criança.





Guardando a mensagem

Festejamos, hoje, uma figura muito especial, o esposo de Maria, pai legal de Jesus, patrono da Santa Igreja. José é o homem obediente a Deus. Ele faz a vontade de Deus, assim que a conhece, com toda dedicação e enfrentando qualquer dificuldade. A sua acolhida da vontade de Deus é um grande exemplo para nós. José é também uma testemunha de Jesus. Com sua vida de pai e de esposo, ele nos diz quem é esse Jesus, que vai aprender com ele a ser um homem justo, um judeu piedoso, um carpinteiro útil na comunidade: ele foi concebido pela ação do Espírito Santo em Maria Virgem, ele veio salvar o seu povo dos seus pecados, ele é o filho de Deus e o filho de Davi.

José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. (Mt 1,20)

Rezando a Palavra

No final da carta apostólica sobre São José, o Papa Francisco lhe dedicou uma breve oração, que rezamos agora:

Salve, guardião do Redentor 
e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o seu Filho;
em vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Amen.

Vivendo a Palavra

Procure conhecer mais a pessoa de São José, para imitá-lo e pedir a sua intercessão em suas dificuldades.

Comunicando

Hoje, faço show na cidade de Brejo da Madre de Deus, Diocese de Pesqueira. Claro, festa do padroeiro São José. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





30º dia da Quaresma: Reconhecer Deus como seu pai.

 



  18 de março de 2026   

Quarta-feira da 4ª Semana da Quaresma


  Evangelho   


Jo 5,17-30

Naquele tempo, 17Jesus respondeu aos judeus: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. 18Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus.
19Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: “Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. 20O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados.
21Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. 22De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, 23para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou.
24Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. 25Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem viverão. 26Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. 27Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. 28Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: 29aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação.
30Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

  Meditação.   


Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho (Jo 5, 17)

Quase todo mundo diz que crê em Deus. Ficamos até satisfeitos com isso. Mas, em que deus realmente crê? Claro, só há um Deus, é nesse que cremos. Certo. Será que muita gente que tem uma imagem confusa de Deus, na verdade, crê mesmo é nessa imagem confusa que faz de Deus? Pode ser, não é verdade?

Quem sabe direitinho quem é Deus? Bom, o povo de Israel compreendeu muita coisa de Deus, ao longo de sua história. Deus fez aliança com eles, se revelou a esse seu povo. Então, seu testemunho de fé, nas Escrituras, nos mostra muito desse Deus que se manifestou a Moisés e aos profetas, libertando o povo da escravidão, dando-lhes uma lei e uma terra. Esse Deus libertador prometeu-lhes também o Messias. E o Messias veio, foi Jesus. Mas, eles tiveram dificuldade de reconhecê-lo.

Os que acolheram Jesus como Messias reconheceram que ele era o filho unigênito de Deus. Perceberam que sua vida, suas atitudes, sua morte e ressurreição manifestavam com clareza quem era esse Deus que havia se revelado a Israel. O Filho é quem sabe quem é o Pai. E o Filho revelou que o Deus único que Israel conheceu é Pai, um pai onipotente e amoroso, não simplesmente um senhor poderoso e distante. Um pai de família, preocupado com os seus filhos. Não um fiscal marcando o que a gente faz de bom e de ruim. E Pai, não só dos filhos de Israel, mas Pai amoroso de cada homem ou mulher, gente criada por ele à sua imagem e semelhança. Pai, que é Deus junto com o Filho. E os dois nos comunicam uma terceira pessoa, o Santo Espírito, os três compondo a Trindade Santa, o único Deus. Pela obra de Jesus, o Pai dá a cada filho o seu Espírito. Assim, quem se une a Jesus, pelo batismo, recebe a adoção filial, torna-se filho de Deus.

O Filho revela o Pai. Veja essas palavras do Senhor: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho. O que o Pai faz, o Filho o faz também. Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer”. Vendo Jesus no seu trabalho missionário, pode-se compreender quem é o Pai. E Jesus disse mais: o Pai deu ao Filho o poder de julgar.

A maior parte dos religiosos do tempo de Jesus irritou-se com essas coisas que Jesus revelou sobre Deus. Isso abalava o seu modo de viver a religião e de organizar a vida em sociedade. Jesus mostrava, com suas palavras e suas atitudes, que Deus estava mais preocupado com as pessoas do que com as leis, as normas, por mais religiosas que fossem.




Guardando a mensagem

Jesus nos revela o Pai. Com ele, vamos entendendo que Deus é uma comunidade de pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O que Jesus revelou sobre Deus foi o que mais escandalizou o seu povo. Quando dizemos que cremos em Deus estamos dizendo que cremos no Deus e Pai de Jesus Cristo, nele e em seu único Filho e no Santo Espírito. Cremos no Deus uno e trino que Jesus revelou. Na oração, tratamos com o Pai com amor e proximidade, chamando-o de Pai, como Jesus ensinou.

Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho (Jo 5, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tuas atitudes e tuas palavras nos fazem compreender quem é o Pai, o Deus que Israel conheceu ao longo de sua história. Hoje, vamos te pedir como teu discípulo Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai”. Queremos conhecê-lo, amá-lo e obedecê-lo, como filhos. Lembramos bem o que disseste a Felipe: “Quem me vê, vê o Pai”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze hoje, devagar, e mais de uma vez durante o dia, o Pai Nosso. Nessa oração, Jesus nos ensinou a falar com Deus, o nosso Pai.

O passo de hoje de sua caminhada quaresmal é renovar o seu relacionamento com Deus, como Pai amoroso. 

Comunicando

Hoje, é já o 30º dia da Quaresma. Na Semana Santa, que está chegando, nossa Associação Missionária Amanhecer (AMA) tem dois grandes compromissos. Na quarta-feira santa, animaremos a 27ª Via Sacra da Fraternidade no centro da cidade do Recife. No Tríduo Pascal, estaremos em missão na Comunidade Serra Negra, município de Bezerros, região do agreste pernambucano.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

29º dia da Quaresma: No batismo, celebramos a nossa restauração.

 


   17 de março de 2026   

Terça-feira da 4ª Semana da Quaresma

   Evangelho.   


Jo 5,1-16

1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados — cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos.
6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8Jesus disse: “Levanta-te, pega tua cama e anda”. 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar.
Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’”. 12Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda’?” 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar.
14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.

   Meditação.   


Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” (Jo 5, 6)

“Aonde chega o rio, chega a vida”. Essa frase está escrita no livro do Profeta Ezequiel, capítulo 47, versículo 11. O profeta foi levado por um anjo ao Templo e viu que jorrava água do Templo, do seu lado direito. E ele foi acompanhando aquela água que ia se espalhando na direção leste. O anjo foi medindo, e a cada 500 metros, mandava o profeta atravessar a água. Na primeira parada, chegava aos tornozelos. Na outra, chegava aos joelhos. Mais na frente, aquela água toda já chegava à cintura. Finalmente, só a nado se podia atravessar. E o profeta foi voltando pelas margens e vendo a paisagem transformada pelas águas: árvores frutíferas, plantações, animais, peixes em quantidade. Isso faz lembrar rios como o São Francisco, o velho Chico, do qual dependem milhares de agricultores e ribeirinhos. “Aonde chega o rio, chega a vida”.

Só pra saber se você está me acompanhando: onde nasce esse rio que leva tanta vida mundo afora? Não, não estou falando do Rio São Francisco que nasce em Minas, na serra da Canastra. Estou falando do rio do profeta Ezequiel. Onde ele nasce? No Templo. Ele jorra do lado direito do Templo. Você lembra que outro dia, Jesus disse que podiam destruir o Templo que ele reconstruiria em três dias? E por quê? Claro, porque o verdadeiro Templo é ele mesmo, o seu corpo. O Templo de Jerusalém, que não existe mais, foi um sinal do verdadeiro Templo, Jesus. Lembre também daquele episódio na cruz. O soldado, vendo-o morto, em vez de lhe quebrar as pernas, perfurou o lado dele com a lança. E você pode me dizer o que aconteceu? Isso... Do seu lado aberto, escorreu sangue e água. Agora, junte as peças: Jesus é o verdadeiro Templo. Do seu lado aberto, jorrou sangue e água. Realizou-se nele o que o profeta tinha visto e anunciado: Do Templo, jorrava uma água que ia se espalhando, virando um rio, levando vida aonde chegasse. Do alto da cruz, do coração do Templo que é Jesus, jorra essa água que nos comunica a vida.

Com essa bagagem, vamos ao evangelho de hoje. Jesus foi a uma festa religiosa em Jerusalém. Lá havia uma piscina, a piscina de Betesda. Muita gente doente ficava ali na esperança de se curar, naquelas águas. Jesus encontrou ali um homem doente há trinta e oito anos. Ele estava prostrado, sem ninguém para ajudá-lo a se curar na água da piscina. Jesus perguntou se ele queria ficar bom. Imagine a resposta. Então Jesus disse: “Levante-se, pegue o seu leito e ande”. E ele ficou bonzinho da Silva. Pegou o seu leito e foi embora.

O homem doente, prostrado, à beira da piscina de Betesda é a imagem do pecador, da pecadora. Há muito tempo espera ser libertado. Quanto tempo já fazia que estava doente? 38 anos, quase quarenta. O povo de Deus, depois de uma peregrinação de quarenta anos, entrou na terra prometida. O homem pecador, esse homem que peregrina em sofrimento há 38 anos é como a terra seca do sertão esperando a água do Rio São Francisco. Agora, chegou a sua libertação. A essa terra seca, chegaram as águas abençoadas de Cristo, renovando a sua vida, fazendo dele uma nova criatura. Essa é a água que desce do alto da cruz, do coração rasgado pela lança. É o amor de Deus que se derrama. É o batismo lavando do pecado e comunicando a vida de Deus. Aonde chega esse rio, chega a vida.





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A história do homem doente, à beira da piscina de Betesda, é uma catequese sobre o batismo. Estamos preparando a páscoa e a páscoa é a celebração da nossa salvação em Cristo. Por isso, na noite da páscoa, renovamos as promessas do Batismo e batizamos novos cristãos. As águas que nos lavam do pecado e nos comunicam a vida de Deus vêm do Templo, do coração de Cristo rasgado pela lança, como num grande rio que vem descendo. A verdadeira piscina, que nos cura do pecado, é a do batismo. Somos restaurados nas águas que descem da cruz.

Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” (Jo 5, 6)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
que belo ensinamento sobre o batismo. Renascemos, como terra seca que recebe a água abundante da chuva ou da irrigação. É a tua graça, a tua Palavra, a tua vida comunicada na Eucaristia: são essas as águas que irrigam a nossa vida. Nós te bendizemos, Senhor. Estávamos prostrados à beira da piscina de Betesda, doentes há 38 anos e fomos restaurados nas tuas águas, no santo Batismo. Em ti, renascemos, fizemos páscoa. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em nossa caminhada quaresmal, acolhamos esta catequese do evangelho sobre o batismo. Nas águas da morte e da ressurreição de Cristo, renascemos para uma vida nova.

No Batismo, nossos pecados são perdoados. Mas, acabamos pecando de novo. Por isso, precisamos do Sacramento da Reconciliação ou da Confissão. Convém confessar-se, antes da Páscoa.

Comunicando

Nesta quinta-feira, dia 19, solenidade de São José, faço show na cidade de Brejo da Madre de Deus. O show é sempre um momento forte de evangelização. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb  

28º dia da Quaresma: Evangelize sua família.




  16 de março de 2026   

Segunda-feira da 4ª Semana da Quaresma


   Evangelho.   


Jo 4,43-54

Naquele tempo, 43Jesus partiu da Samaria para a Galileia. 44O próprio Jesus tinha declarado, que um profeta não é honrado na sua própria terra. 45Quando então chegou à Galileia, os galileus receberam-no bem, porque tinham visto tudo o que Jesus havia feito em Jerusalém, durante a festa. Pois também eles tinham ido à festa. 46Assim, Jesus voltou para Caná da Galileia, onde havia transformado a água em vinho.
Havia em Cafarnaum um funcionário do rei que tinha um filho doente. 47Ouviu dizer que Jesus tinha vindo da Judeia para a Galileia. Ele saiu ao seu encontro e pediu-lhe que fosse a Cafarnaum curar seu filho, que estava morrendo. 48Jesus disse-lhe: “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”. 49O funcionário do rei disse: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!” 50Jesus lhe disse: “Podes ir, teu filho está vivo”. O homem acreditou na palavra de Jesus e foi embora.
51Enquanto descia para Cafarnaum, seus empregados foram ao seu encontro, dizendo que o seu filho estava vivo. 52O funcionário perguntou a que horas o menino tinha melhorado. Eles responderam: “A febre desapareceu, ontem, pela uma da tarde”. 53O pai verificou que tinha sido exatamente na mesma hora em que Jesus lhe havia dito: “Teu filho está vivo”. Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família. 54Esse foi o segundo sinal de Jesus. Realizou-o quando voltou da Judeia para a Galileia.

   Meditação.   


Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família (Jo 4, 53)

Vamos começar a semana com uma passagem do evangelho que nos ensina a confiar em Deus e a ajudar nossa família a viver na fé.

O evangelista disse que foi o segundo sinal de Jesus. O primeiro foi nas bodas de Caná, a água transformada em vinho. Agora, é contado o segundo sinal: Um pai intercedeu pelo filho doente junto a Jesus e foi atendido. Vou logo lhe explicando que o evangelista João registrou, em seu evangelho, sete sinais na ação de Jesus. Os sinais são ações maravilhosas de Jesus que revelam a sua pessoa e o seu projeto missionário, que é o Reino de Deus. Por esses sinais, a comunidade pode reconhecer quem é Jesus e o que ele veio fazer. Por que sete? Porque sete é o número da obra perfeita, a exemplo da obra da criação que foi em sete dias.

Vou contar com sua curiosidade e já vou escutando sua pergunta: quais seriam os sete sinais de Jesus, no evangelho de São João? Posso lhe dizer agora (vá fazendo a conta): Jesus transforma a água em vinho – cura o filho do funcionário real – cura o enfermo na piscina de Siloé – multiplica os pães – caminha sobre as águas - cura o cego de nascença – ressuscita Lázaro. Quantos sinais? Isso, sete. É a obra perfeita de Jesus, pela qual podemos conhecê-lo na sua compaixão pelos sofredores e na realização da missão que o Pai lhe confiou.

Bom, voltemos ao evangelho de hoje. É o segundo sinal. Jesus chegou de novo em Caná da Galiléia. E veio um homem de Cafarnaum pedir por seu filho que estava doente. Cafarnaum devia ficar a uns 30 km de Caná, segundo os estudiosos. Aquele pai aflito pediu a Jesus para ele ir a Cafarnaum curar o seu filhinho que estava morrendo. Olha o que ele disse: “Senhor, desce a Cafarnaum, antes que meu filho morra!”. Jesus lhe respondeu: “Você pode ir, seu filho está vivo”. O homem entendeu o que Jesus lhe disse: que ele podia voltar pra casa, que a situação já estava resolvida. E ele acreditou. E voltou pra casa, em Cafarnaum. Antes que chegasse em casa, seus empregados o encontraram para avisá-lo da melhora do filho. Procurou saber a que horas o menino tinha ficado bom. E constatou que foi mesmo na hora em que Jesus tinha dito ‘pode ir, seu filho está vivo”.

Aquele pai procurou Jesus numa hora de aflição. E acreditou na sua palavra. E, ao receber a graça da cura do seu filho, cheio de reconhecimento, abraçou a fé, junto com sua família. Isto quer dizer: eles tornaram-se discípulos, membros da comunidade de Jesus. Muita gente pede ao Senhor pelas necessidades e dramas de seus filhos, de seus pais, parentes e amigos. Pede, até com insistência. E está muito bem. Precisamos mesmo recorrer ao Senhor, em nossas aflições, com humildade e fé. Agora, segundo a passagem de hoje, faltam ainda dois passos a serem dados: reconhecer a obra de Deus naqueles pelos quais intercedemos: a saúde, o livramento, a libertação. E abraçar a fé, isto é, tornar-se discípulo do Senhor, membro de sua comunidade.





Guardando a mensagem

Nós estamos sempre apresentando a Deus nossas situações de sofrimento e aflição, pedindo a sua intervenção. Intercedemos pelas nossas necessidades e as dos outros. A história do pai que intercedeu por seu filho está nos ensinando também que, ao recebermos a graça que pedimos, precisamos ser reconhecidos e agradecidos; e que essa ação de Deus em nossa vida, esse sinal, deve nos levar a uma resposta muito especial: abraçar a fé, entrar para a comunidade, tornarmo-nos discípulos. Este evangelho está nos ensinando ainda que a nossa conversão é uma porta que se abre para a salvação de nossa família.

Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família (Jo 4, 53)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
quase todos os dias, te apresentamos nossas situações de sofrimento e aflição e pedimos a tua intervenção. Intercedemos pelas nossas necessidades e as dos outros. Hoje, estás nos dizendo que isso está muito certo, se o fizermos com humildade e com fé. Mas, estás nos dizendo ainda mais: ao recebermos a graça que pedimos, precisamos ser reconhecidos e agradecidos; e que essa ação de Deus em nossa vida, esse sinal, deve nos levar a uma resposta muito especial: abraçar a fé, entrar para a comunidade, tornarmo-nos discípulos. E esse evangelho ainda nos diz que a nossa conversão, a nossa adesão a ti, é a porta que se abre para a salvação de nossa família. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pedindo uma graça e alcançando-a, não esqueça de reconhecer a obra de Deus e de renovar seu compromisso de viver na fé da Igreja, junto com sua família. Reze pelos seus e os ajude a conhecer mais o Senhor e a se inserir na vida da Igreja.

Comunicando

Hoje é um dia missionário na AMA (a Associação Missionária Amanhecer). Aproveito essa data para cumprimentar todos os associados espalhados pelo país. E lhes repetir uma verdade que precisa estar no seu coração: juntos, estamos fazendo um valioso serviço de evangelização, nos meios de comunicação social. E você que ainda não é da AMA, conheça mais nossa associação, visitando o site www.amanhecer.org.br. Quem sabe, você também não esteja sendo convocado(a) para fazer parte da AMA. Bom, se Deus colocar esse desejo no seu coração, entre em contato conosco pelo Whatsapp 81 9985-1528. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




26º dia da Quaresma: Reconhecer, com gratidão, a graça do batismo.

 


15 de março de 2026. 

4º Domingo da Quaresma


  Evangelho  


Jo 9,1-41

Naquele tempo: 1ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 2Os discípulos perguntaram a Jesus: 'Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?' 3Jesus respondeu: 'Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. 4É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mudo, eu sou a luz do mundo.' 6Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7E disse-lhe: 'Vai lavar-te na piscina de Siloé' (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego — pois ele era mendigo — diziam: 'Não é aquele que ficava pedindo esmola?' 9Uns diziam: 'Sim, é ele!' Outros afirmavam: 'Não é ele, mas alguém parecido com ele.' Ele, porém, dizia: 'Sou eu mesmo!'
10Então lhe perguntaram: 'Como é que se abriram os teus olhos?' 11Ele respondeu: 'Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: 'Vai a Siloé e lava-te'. Então fui, lavei-me e comecei a ver.' 12Perguntaram-lhe: 'Onde está ele?' Respondeu: 'Não sei.'
13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: 'Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!'
16Disseram, então, alguns dos fariseus: 'Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado.' Mas outros diziam: 'Como pode um pecador fazer tais sinais?'
17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: 'E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?' Respondeu: 'É um profeta.'
18Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista.
Chamaram os pais dele 19e perguntaram-lhes: 'Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?' 20Os seus pais disseram: 'Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo.' 22Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias.
23Foi por isso que seus pais disseram: 'É maior de idade. Interrogai-o a ele.' 24Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: 'Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador.' 25Então ele respondeu: 'Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo.' 26Perguntaram-lhe então: 'Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?' 27Respondeu ele: 'Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?' 28Então insultaram-no, dizendo: 'Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. 29Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é.' 30Respondeu-lhes o homem: 'Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! 31Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade. 32Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada'.
34Os fariseus disseram-lhe: 'Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?' E expulsaram-no da comunidade.
35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: 'Acreditas no Filho do Homem?' 36Respondeu ele: 'Quem é, Senhor, para que eu creia nele?' 37Jesus disse: 'Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.' Exclamou ele: 38'Eu creio, Senhor'! E prostrou-se diante de Jesus.
39Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' 40Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' 41Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece.'



  Meditação  


Jesus lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9, 7)

E chegamos ao quarto domingo da Quaresma. Cada domingo é um patamar a que vamos chegando em nossa subida diária em direção à páscoa. É um caminho de revelação de quem é Jesus e de sua obra redentora que continua em nossas vidas e na história. É uma caminhada em que vamos renovando nossa condição de discípulos e nossa adesão à pessoa do Salvador. Estamos em comunhão com ele, caminhamos com ele desde o nosso batismo.

O evangelho de hoje conta a história do cego de nascença que foi curado de sua cegueira. E esse texto é tão interessante que eu vou pedir a você, para o seu bem espiritual, que leia o evangelho de hoje completinho em sua Bíblia. João capítulo 9, de 1 a 41. 

Vamos recordar nosso caminho nessa quaresma. No primeiro domingo, o tema foi o pecado, na cena das tentações. Jesus  é o novo Adão que vence o pecado. No segundo domingo, o tema foi a Lei, na transfiguração. Jesus é o novo Moisés que nos traz a Palavra de Deus. No terceiro domingo, o tema foi a água, na história da Samaritana. É ele que nos comunica a água viva, o dom de sua vida e o Espírito Santo. Neste quarto domingo da quaresma, o tema é a luz e a água, na história do cego de nascença. 
Explicou Paulo na carta aos Efésios: "Outrora, vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz".

A história de hoje é como um teatro em cinco atos e se desenvolve como se fosse um processo, com acusações, interrogatório e sentença final. Não deixe de ler. Em resumo: Jesus mandou o cego de nascença lavar-se na piscina de Siloé. E ele ficou bom. Os vizinhos e conhecidos estranharam não vê-lo mais pedindo esmolas. Os fariseus quiseram saber o que aconteceu. E ficaram com raiva e não acreditaram na conversa dele. Os pais dele foram interrogados. O ex-cego também foi interrogado e expulso da comunidade. Jesus se encontrou de novo com ele e ele proclamou sua fé: “Eu creio Senhor”. Vem a sentença de Jesus: “Quem era cego agora pode ver. Os que vêem agora estão cegos.”

Agora, me diga, onde é que fomos lavados? Pense aí... quando é fomos restaurados? Você pensou no batismo? Então, acertou. Fomos lavados do pecado no batismo. Fomos curados de nossa escuridão no batismo. Esse domingo nos ajuda a perceber a grandeza do nosso batismo. Isso faz parte de nossa preparação para a páscoa. É possível que na noite da páscoa haja batizado de adultos em sua comunidade. E, com certeza, haverá o momento em que todos farão a renovação das promessas do batismo. No batismo, somos lavados de nosso pecado, iluminados em nossa escuridão.




Guardando a mensagem

O batismo é a nova criação. Nele se celebra o que o Senhor faz por nós: ele nos restaura, consertando a obra que foi desfigurada pelo pecado. Veja o que Jesus fez: fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. Fez como o criador do início da Bíblia que, como um oleiro, fez o homem do barro. No batismo, renascemos em Cristo, somos iluminados por ele. Até recebemos uma vela acesa para ilustrar a obra que Jesus faz em nós. Veja o que aconteceu: o cego de nascença passou a enxergar, depois que se lavou na piscina. O que representa essa piscina? ... Isso. Não precisou que eu dissesse. O batismo, a pia batismal. A conclusão é uma atitude: Viver a vida nova que o Senhor nos comunica pelo batismo. Como disse São Paulo: “Vivam como filhos da luz. Desmascarem as obras das trevas. Se estiverem dormindo, despertem”.

Jesus lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a riqueza de tua palavra enche o nosso coração de alegria. Diante da maravilha que é tua obra em nosso favor, nós não podemos e não queremos viver como cegos, de jeito nenhum. Já fomos cegos, agora vivemos na tua luz. Já nos lavamos na piscina de Siloé. Fomos restaurados ali como novas criaturas. Não temos mais parte com a escuridão: a desonestidade, a infidelidade, a descrença. Agora é hora de, no confronto com os fariseus de hoje, testemunhar que te reconhecemos como nosso Salvador. Como o cego curado, mesmo expulso da sinagoga, queremos dizer-te hoje: “Eu creio, Senhor”. E viver nessa fé. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

O 26º passo de nossa caminhada quaresmal é recordar, com gratidão, o seu batismo. Nele, fomos lavados dos nossos pecados, iluminados em nossa escuridão. Anote no seu caderno espiritual o nome dos seus padrinhos de batismo. Será que você ainda tem alguma foto do seu batizado? 

Comunicando

O WhatsApp, além das conversas, tem também Canais. No Canal Padre João Carlos, você pode acompanhar novidades, atualizações e conteúdos exclusivos. Para acessar, clique na aba Atualizações. Fica então o convite: siga o meu Canal no WhatsApp.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

25º da Quaresma: Rezar com humildade.




   14 de março de 2026    

Sábado da 3ª Semana da Quaresma

   Evangelho.   


Lc 18,9-14

Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10“Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’.
13O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’
14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

   Meditação.   


Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha será elevado (Lc 18, 14)

A Palavra hoje nos convida a avaliar como anda nosso estilo de oração. Dois homens subiram ao Templo para rezar. Um era fariseu. E o outro, publicano. O pecador voltou pra casa, abençoado. O que se julgava santo, não.

O que é que teve de errado com a oração do fariseu? A oração do fariseu não agradou a Deus porque foi uma auto-exaltação idolátrica e porque discriminou o seu irmão. O louvor que ele fez foi a ele mesmo: “não sou como os outros (ladrões, desonestos, adúlteros), isto é, os que não cumprem os mandamentos da lei de Moisés. Pelo contrário, eu cumpro direitinho toda a Lei”. Foi uma exaltação de si mesmo. Mostrou-se presunçoso, orgulhoso. Jesus descreveu a postura dele: rezava de pé, para si mesmo. E mais: era tão bom cumpridor da lei que fazia mais do que estava prescrito: jejuava duas vezes por semana (quando a lei mandava jejuar apenas uma vez por ano) e dava o dízimo de toda a sua renda (contribuindo sobre itens que nem estavam previstos pela lei).

E por que Deus não gostou dessa oração? Porque o fariseu se colocou no lugar de Deus. Ele era o santo, o perfeito, merecendo ele mesmo ser honrado e louvado. Ele estava tomando o lugar de Deus, louvando-se a si mesmo. Quando você reza assim, não há mais lugar para Deus. Você está no centro, no lugar que cabe a ele. E olha que tem muita oração assim. Não há mais lugar para Deus quando nós nos bastamos a nós mesmos. Não há lugar para o mistério de Deus quando nós somos a nossa própria referência. A Palavra de Deus já não nos orienta, nem nos corrige quando estamos convencidos que sabemos o caminho e não precisamos mais mudar em nada. Então, não é mais oração. É idolatria. A pessoa se toma a si mesma como deus.

O fariseu gabou-se de não ser como os outros, de ser muito praticante da religião e de não ser como o cobrador de impostos. Assim, estava julgando seu irmão. E quem julga é Deus. Mas a oração no estilo fariseu é de quem tomou o lugar de Deus. Com a própria oração, estava desclassificando, discriminando, ofendendo o seu irmão. Em vez de reconhecer o outro como irmão, a oração idolátrica reforça as atitudes de discriminação, de exclusão, de violência contra o outro que não é igual a mim. Falou mal do irmão na frente do Pai. Rompeu com a caridade, que é o coração da Lei de Deus. Claro, que Deus não gostou dessa oração. Claro, que esse orgulhoso não saiu abençoado do Templo.

Por que Deus se agradou da oração do publicano? O publicano era o nome dado aos cobradores de impostos (a rede de cobrança do imposto para o império romano). Eles eram mal vistos, porque agiam como aliados das forças de ocupação e por suas práticas extorsivas na arrecadação dos impostos. E numa cultura em que se dava tanto valor à pureza ritual, os publicanos eram impuros por sua proximidade com os pagãos romanos. Ser publicano, portanto, era viver na condição de pecador diante de todos.

Por que Deus se agradou da oração do publicano? Porque sua oração foi um mergulho na misericórdia de Deus. Realmente, ele se sentia pecador. E, com humildade, batia no peito, dizendo: “Senhor, tem piedade de mim, que sou um pecador”. É uma verdadeira oração. Não toma o lugar de Deus. Reconhece sua condição de distanciamento da lei do Senhor. E Jesus descreve as quatro atitudes que denotam sua humildade e sua reverência a Deus: “ficou à distância, de olhos baixos, batendo no peito e clamando a misericórdia de Deus”. Diferentemente do fariseu, não se gabou de si mesmo, nem menosprezou quem quer que fosse. Fez uma oração de verdade, porque Deus estava no centro e o seu coração estava aberto à ação de Deus que é misericórdia.




Guardando a mensagem

O que é que teve de errado na oração do fariseu? A oração do fariseu não agradou a Deus porque foi uma auto-exaltação, uma oração idolátrica, destronando Deus e colocando-se ele mesmo no altar e porque discriminou o seu irmão. E por que Deus se agradou da oração do publicano? Porque sua oração foi um reconhecimento de sua pequenez e um mergulho na misericórdia de Deus.

Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha será elevado (Lc 18,14)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
queremos que a nossa oração seja como a do publicano: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador”. Diante de tua presença, diante da santidade de Deus, nos reconhecemos falhos e pecadores. E nos confiamos à tua compaixão, à misericórdia divina. Ajuda-nos, Senhor a corrigir a nossa oração, para que ela seja sempre humilde, confiante, verdadeira. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A palavra de hoje já vai nos preparando para celebrar o 4º Domingo da Quaresma. Rezar com humildade.

Comunicando

Nós da AMA, estamos preparando e apoiando dois eventos missionários neste ano. O primeiro é agora na Semana Santa. O outro é em julho próximo. Na Semana Santa Missionária, um grupo de 20 missionários da AMA vai comigo ao Município de Bezerros, região do agreste pernambucano. Lá, estaremos em missão na comunidade Serra Negra, visitando as famílias, reunindo as crianças e os jovens e realizando as celebrações litúrgicas na capela da comunidade. Em julho, acompanho um grupo de jovens missionários que vai, por iniciativa dos Salesianos, a uma missão de 15 dias na Diocese de Macapá, no Amapá. Rezemos para que cresça em todos nós, em você também, o compromisso com a missão que Jesus nos confiou. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

24º dia da Quaresma: Amar o próximo.

 



   13 de março de 2026   

Sexta-feira da 3ª Semana da Quaresma

   Evangelho.   


Mc 12,28b-34

Naquele tempo, 28b um escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” 29Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”.
32O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”.
34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.

   Meditação.   


O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! (Mc 12, 31)

E a quaresma vai prosseguindo. Você lembra, quando começamos esse tempo litúrgico, nos falaram de três exercícios importantes para o nosso crescimento cristão, nesse período: a oração, a penitência e a caridade. Hoje, o evangelho desenvolve esse ponto da caridade.

Um Mestre da Lei perguntou a Jesus qual era o primeiro de todos os mandamentos. Os Mestres da Lei tinham uma lista de centenas de mandamentos, era coisa que não se acabava mais. Vamos ver o que Jesus respondeu. Jesus, como bom judeu, recitou um texto do livro do Deuteronômio. ‘O primeiro mandamento é este: “Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”. É a oração do Shemá que todo judeu recitava diariamente. E Jesus acrescentou: ‘O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo!’ Também este mandamento estava na Escritura. ‘Não existe outro mandamento maior do que estes’, disse Jesus.

O que será que o Mestre da Lei achou da resposta de Jesus? Antes de considerar esse ponto, vamos pensar mais no que Jesus falou. A pergunta, qual era? Qual o primeiro dos mandamentos, o mais importante. E Jesus respondeu com dois mandamentos. O primeiro e o segundo, notou? Amar a Deus e amar o próximo. Aproximou os dois, juntou os dois. Uma coisa não pode ser desligada da outra. Como escreveu São João na sua primeira carta: “Quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê, é um mentiroso”. Podemos dizer que o fundamento disso é que Deus nos ama, infinitamente. É o que explica o seu relacionamento com Israel. Deus ama o seu povo, o protege, o livra dos inimigos, o guia. Ele fez uma aliança com o seu povo, uma aliança de amor.

Agora, vamos ver a reação do Mestre da Lei que fez a pergunta. Ele ficou satisfeito com a resposta de Jesus. “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. Ele estava de acordo com a resposta de Jesus. Jesus ficou admirado com o Mestre da Lei. “Tu não estás longe do Reino de Deus”. Reconheceu que ele estava no caminho do Reino, do evangelho que ele estava anunciando. De fato, a pregação de Jesus era sobre o amor de Deus pelos seus filhos. O verdadeiro culto a Deus tem a ver também com o amor aos irmãos.

Com a quaresma, estamos vivendo o tempo da Campanha da Fraternidade, exatamente para nos ajudar a crescer no amor a Deus e ao próximo. A Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema "Fraternidade e Moradia", busca o crescimento de nossa consciência sobre o grave déficit habitacional no país, sobre o grande número de pessoas que moram em condições 
precárias e insalubres. Falarmos sobre isso, preocuparmo-nos com essa situação, fortalecermos ações que visam diminuir esse sofrimento e humilhação... isso é vivência da caridade, do mandamento do amor ao próximo.





Guardando a mensagem

O Mestre da Lei queria saber qual era o maior mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. Um leva ao outro. Deus nos ama. Nós, em resposta, o amamos e amamos o nosso semelhante. O Mestre da Lei, nisso, pensava igual a Jesus. Os dois mandamentos se completam, são faces da mesma moeda. A Campanha da Fraternidade, na Quaresma, é uma oportunidade para exercitarmos o amor a Deus que tudo criou com perfeição e o amor ao próximo, pelo compromisso com a vida e o bem de todos, sobretudo dos mais sofridos e vulneráveis.

O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! (Mc 12, 31)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
hoje vamos recitar contigo, o Shemá, a oração diária do teu povo: “Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra


Um modo de expressar o amor ao próximo é demonstrar interesse pelos irmãos mais necessitados, não ser indiferente ao sofrimento dos outros. Não deixar ninguém para trás, como nos repetia o Papa Francisco. 

Comunicando

Nós da AMA, estamos preparando e apoiando dois eventos missionários neste ano. O primeiro é agora na Semana Santa. O outro é em julho próximo. Na Semana Santa Missionária, um grupo de 20 missionários da AMA vai comigo ao Município de Bezerros, região do agreste pernambucano. Lá, estaremos em missão na comunidade Serra Negra, visitando as famílias, reunindo as crianças e os jovens e realizando as celebrações litúrgicas na capela da comunidade. Em julho, acompanho um grupo de jovens missionários que vai, por iniciativa dos Salesianos, a uma missão de 15 dias na Diocese de Macapá, no Amapá. Rezemos para que cresça em todos nós, em você também, o compromisso com a missão que Jesus nos confiou. 

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB 

23º dia da Quaresma: Rezar e trabalhar pela unidade da Igreja.

  


   12 de março de 2026.   

Quinta-feira da 3a. Semana da Quaresma


   Evangelho.   


Lc 11,14-23

Naquele tempo, 14Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. 15Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”.
16Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra.
18Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus. 21Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo dispersa”.

   Meditação.   


Todo reino dividido contra si mesmo será destruído (Lc 11, 17).

Jesus está realizando a sua missão. Qual é a missão de Jesus? Anunciar o Reino de Deus entre nós, aproximar as pessoas de Deus, refazer a aliança de Deus como o seu povo, salvar a humanidade que se separou do Criador pelo pecado. Esses são modos como tentamos explicar a missão de Jesus. Nós o vemos no seu trabalho redentor: anunciando o amor de Deus, convidando as pessoas à conversão, perdoando os pecadores, libertando pessoas da dominação do poder opressor e do demônio.

Que os demônios se opusessem a Jesus, isso a gente entende. Que os grupos privilegiados de Jerusalém o odiassem, até dá para entender. Mas, que pessoas religiosas, praticantes da Lei, se indispusessem contra Jesus, a ponto de o difamarem, tentando desmoralizá-lo ou até tramando a sua prisão, isto nos deixa perplexos. Pois, foi o que aconteceu. No evangelho de hoje, eles começaram a espalhar que Jesus expulsava demônios com a força do próprio satanás. Olha que jogo baixo: espalhar que Jesus agia em nome do diabo. Haja paciência! Era gente de má vontade procurando desqualificar a vitória de Jesus sobre o mal. Agora, o pior é que se tratava de gente de dentro da religião do povo de Deus.

Jesus chamou para a lógica. Se for assim, se o mal está combatendo a si mesmo, diabo contra diabo, então estão realmente perdidos, pois ‘todo reino dividido contra si mesmo será destruído’, acaba se esfacelando, se autodestruindo. Não tem a menor lógica. Mas, essa palavra de Jesus também poderia ser entendida a respeito dos seus opositores. Esse grupo de gente maldosa estava cavando o buraco para o seu próprio povo. Se eles ficassem contra Jesus, fazendo propaganda contra ele, dividindo o povo, causando desunião... qual seria o fim do seu povo? “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído”. De fato, 40 anos depois da morte de Jesus, houve uma guerra dos romanos contra a Judéia e não ficou pedra sobre pedra. O povo da Judéia perdeu tudo. Um reino dividido, não prospera. Termina caindo uma casa por cima da outra, como falou Jesus.

O que Jesus diz no evangelho de hoje nos espanta. Ele tão tolerante, um dia não quis que os discípulos proibissem alguém que pregava e curava em seu nome sem pertencer ao grupo deles. Deixa, ele disse, “quem não está contra nós, está a nosso favor”. Mas, no evangelho de hoje, ele diz, a respeito dos que o estavam difamando: “Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Disse tudo.




Guardando a mensagem

Jesus, no exercício do seu ministério, encontrou muita oposição. Oposição das elites e de muitas lideranças populares, como foi o caso dos fariseus. Foi acusado de muita coisa. Uma dessas acusações dizia que ele agia em aliança com Satanás. Coisa triste, gente dividindo o povo. A difamação, as falsas acusações geram desconfiança e divisão na comunidade cristã. Hoje, com as redes sociais, é muito fácil falar mal de uma pessoa, difamá-la, destruir a sua imagem. E tem muita gente ruim interessada em desmoralizar a Igreja Católica e sua opção pelos pobres. Não repasse acusações maldosas contra a Igreja ou seus ministros. Trabalhe pela comunhão, pela unidade.

Todo reino dividido contra si mesmo será destruído (Lc 11, 17).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu nos chamas a reconhecer o Reino de Deus que chegou com tua presença, com tua palavra, com tua ação. Disseste: “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vocês o Reino de Deus”. Cremos em ti, Senhor, e não queremos apenas usufruir de tua graça e de teus dons. Queremos também estar ao teu lado, tomar tua defesa, quando maldosos continuarem te difamando ou te injuriando em tua Igreja, em teus ministros, em nossas pastorais. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A unidade da Igreja não é só uma construção humana. É, sobretudo, dom do Espírito Santo que nos une a Cristo, cabeça do corpo. Então, hoje, reze pela unidade de todos os que estão unidos a Cristo pela fé e pelo batismo. O que fomenta desconfiança e desunião não vem de Deus.

Comunicando

E, hoje, como todas as quintas-feiras, vamos rezar por você na Santa Missa, às 11 horas, com transmissão pelo rádio e pelo Youtube. Aproveite para enviar sua intenção, deixando o seu pedido de oração no formulário que está seguindo com a meditação ou em nossas redes sociais.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


22º dia da Quaresma: Conhecer e meditar a Bíblia Sagrada



  11 de março de 2026  

Quarta-feira da 3a. Semana da Quaresma


  Evangelho   


Mt 5,17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.


  Meditação   


Não pensem que vim abolir a Lei e os Profetas (Mt 5, 17).

Já estamos passando da metade da Quaresma. E, hoje, nos chega um estímulo para que coloquemos, no centro de nossa espiritualidade, a Palavra de Deus.

Tudo o que está na Bíblia está valendo para os cristãos? Uma boa pergunta. Jesus era judeu e vivia na fé do povo de Israel. A Bíblia do povo de Deus era só o Antigo Testamento, onde estavam os livros de Moisés, dos Profetas e os Salmos. Os seguidores de Jesus, aos poucos, acrescentaram outros escritos: o Novo Testamento. No Novo Testamento, estão os evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Cartas e o Apocalipse. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, reconhecemos a ação do Espírito Santo que assistiu os escritores sagrados ao registrarem a experiência da fé do povo santo, a quem Deus foi revelando o seu projeto de salvação.

O Evangelho de Mateus, lido hoje, nasceu entre comunidades cristãs que estavam em ambiente judeu, com a maioria dos membros vindos do judaísmo; gente, portanto, que prezava por demais a Lei que Deus lhes tinha dado por meio de Moisés. Nessas comunidades vindas do judaísmo, era muito necessário esclarecer bem qual tinha sido a relação de Jesus com a Lei de Moisés. Havia sempre uma dúvida: Será que Jesus deu valor à Lei de Moisés? E ele, realmente era praticante fiel desta Lei? Será que ele não veio mudar essa Lei? Então, a esse respeito, foram lembrados os ensinamentos de Jesus que estão no Sermão da Montanha. Jesus disse: “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento”. Então, para tranquilidade de todos, estava claro, Jesus deu valor à Lei. Não veio acabar com ela. Nem modificá-la. Veio dar-lhe plenitude.

Jesus deixou claro que a Lei de Deus não é um fardo pra gente carregar. É uma manifestação do amor de Deus para nos conduzir à felicidade e à salvação. Por isso, ele criticou muito os fariseus. Apesar de serem muito zelosos no cumprimento da Lei de Moisés, eles, no dizer de Jesus, “amarravam fardos pesados nas costas do povo”, transformando a Lei de Deus num instrumento de discriminação e opressão das pessoas.

Então, lendo o Antigo Testamento, percebemos que toda a Lei encontra seu sentido e seu coroamento em Jesus e no seu evangelho. O amor a Deus e ao próximo é a síntese completa da Lei do Senhor.





Guardando a mensagem

No Sermão da Montanha, está como Jesus explicou a Lei e como devemos realizá-la. E como devemos seguir a Lei de Deus?

Devemos seguir a Lei de Deus com a Liberdade que ele nos deu. É na liberdade que escolhemos o bem, a verdade e rejeitamos o mal. Deus nos fez livres para escolher o bem.

Devemos seguir a Lei de Deus com a Sabedoria que ele nos dá. Não a sabedoria do mundo, nem a sabedoria dos poderosos. A Sabedoria de Deus. Ele preparou coisas maravilhosas para nós, um mistério que só o Espírito Santo nos revela.

Devemos seguir a Lei de Deus com a Caridade para os com irmãos que ele nos pede. O que está escrito na Lei? Não matarás. Perfeito. Mas, não matar quer dizer também não odiar o irmão, não desqualificá-lo, não humilhá-lo. A caridade é uma das marcas da nossa vivência da Lei.

Não pensem que vim abolir a Lei e os Profetas (Mt 5, 17).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
hoje, neste 22º dia da Quaresma, em nosso caminho para a Páscoa, acolhemos com carinho a tua santa Palavra. O povo antigo amava o que eles chamavam a Lei. E nós continuamos a amar e venerar as Escrituras Sagradas, onde Deus nos fala. E continuamos a rezar, com os Salmos do povo bíblico: “A lei do Senhor é perfeita”. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu Santo Espírito, a conhecer, através do livro santo, a vontade de Deus e realizá-la em nossas vidas. Como nos inspiras, queremos também ser anunciadores do amor de Deus testemunhado no livro da história sagrada de nossa salvação. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Onde anda a sua Bíblia? Por ela, Deus nos fala. Nela, nos encontramos como povo de Deus a caminho. 


Comunicando

Deixe eu lhe falar sobre o Projeto Segunda Bíblica. Após a páscoa, no começo de abril, retomaremos o nosso caminho de estudo da Palavra de Deus, toda segunda-feira, às 20 horas, pelo YouTube. O ano passado foi dedicado ao estudo dos Atos dos Apóstolos. No ano anterior, estudamos o livro do Profeta Ezequiel. Neste ano, vamos estudar o Livro do Apocalipse. Em breve, vamos abrir as inscrições. Prepare a sua bíblia e o seu caderno de anotações. Vai começar a Segunda Bíblica 2026. 

 Pe. João Carlos Ribeiro, SDB


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