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08 março 2020

AS QUATRO REVELAÇÕES

E Jesus foi transfigurado diante deles. O seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz (Mt 17, 2)
08 de março de 2020
Talvez você já tenha passado por isso. Você viajou com aquela pessoa ou a encontrou em algum lugar, mas não se deu conta quem realmente era, ou melhor, quão especial e socialmente importante era aquela pessoa. Já lhe aconteceu algo parecido? Podemos falar isso de pessoas prestigiadas, mas também de pessoas com quem a gente convive no dia-a-dia. Nem sempre, nos damos conta da grandeza moral daquele colega de trabalho, daquela liderança com quem convivemos ou até daquele pai ou mãe que temos. Um dia, mais tarde, ou já tarde, podemos, com surpresa, descobrir quão grande era aquela pessoa.
Os discípulos de Jesus andavam com ele. Conversavam, comiam, rezavam com ele. E, naquele momento, estavam sentindo o clima tenso ao redor dele. E ele mesmo falando em sofrimento, em morte. Eles estavam ficando tristes e apreensivos. Não estamos entendendo as coisas. Quem realmente é ele, o que ele quer? Um dia, alguns deles fizeram uma experiência muito especial: foram rezar com Jesus, na montanha, e o viram transfigurado, iluminado. Ficaram maravilhados. Foi como se de repente o véu caísse e eles vissem quem realmente era o Mestre que eles seguiam. Foi um momento de revelação, que encheu os seus corações de alegria e de júbilo.
A liturgia desse segundo domingo da Quaresma quer nos levar à montanha, para estar em oração com Jesus. E contando a cena da transfiguração, quer que também nós nos maravilhemos com a revelação de quem é Jesus. Nós o seguimos, nos batizamos em seu nome, nós o invocamos na oração, comungamos com ele... ele é alguém com quem convivemos, a quem queremos bem. Mas, talvez estejamos precisando dessa experiência da oração da montanha para contemplá-lo em toda a sua grandeza, em toda a sua glória.
A narração do evangelista de hoje, São Mateus, está construída sobre as histórias da revelação de Deus no monte Sinai. Lá, no livro do Êxodo, capítulo 19, Moisés sobe a montanha do Sinai acompanhado de algumas lideranças. Vai encontrar Deus e receber dele a Lei para o seu povo.  Como Moisés, Jesus sobe a montanha, com três discípulos. É a primeira revelação: JESUS É O NOVO MOISÉS, O LEGISLADOR DO REINO DE DEUS.
Na história do Sinai, quando Moisés desceu da montanha, estava com o rosto todo iluminado, o povo nem conseguia fita-lo. Os discípulos veem Jesus transfigurado, o rosto como sol, as roupas iluminadas. E ele conversando com Moisés e Elias. Estes dois homens de Deus de séculos passados eram tidos como representantes das Escrituras do antigo povo de Deus, que as descreviam como a Lei e os Profetas. A Palavra da Deus ilumina a pessoa de Jesus, nos diz quem é ele. É a segunda revelação: JESUS É O ENVIADO DE DEUS, O PROMETIDO NAS ESCRITURAS.
No Sinai, Deus falava a Moisés do meio de uma nuvem. Os discípulos viram-se no meio de uma nuvem e ouviram a voz de Deus: Este é o meu filho amado. Escutem-no! Deus mesmo lhes diz quem é Jesus. É a terceira revelação: JESUS É O FILHO AMADO DE DEUS. Ele o deu para nossa salvação.
O povo antigo recebeu a Lei de Deus na Montanha do Sinai. Todo dia, na oração em que recitavam os 10 mandamentos, o povo de Deus começava com as palavras “Shemá, Israel... Ouve, Israel”. Deus diz aos discípulos que ouçam Jesus. Escutem-no! É a quarta revelação: JESUS NÃO É SÓ PORTADOR DE UMA MENSAGEM DE DEUS, ELE É A PRÓPRIA PALAVRA DE DEUS. Precisamos escutá-lo. São João escreveu, no seu evangelho, que ele era o verbo, a palavra, que se fez carne.
Guardando a mensagem
Na montanha, em oração, os três discípulos receberam uma revelação sobre quem é Jesus: Ele é o novo Moisés, que nos trouxe a Lei de Deus; Ele é o enviado, o prometido das Escrituras; Ele é o Filho amado de Deus; Ele é a própria palavra do Senhor, a comunicação perfeita de Deus a nós. Diante dessa revelação divina sobre quem é Jesus, aos discípulos cabe acolhê-lo, ouvi-lo, segui-lo. Esse momento de céu foi uma força para os discípulos que estavam apreensivos com o clima que precedeu a paixão de Jesus. A orientação que receberam foi de não contar nada a ninguém, até ele ressuscitasse dos mortos. A ressurreição é a condição divina, gloriosa, vitoriosa de Jesus, o filho de Deus, sobre o pecado, o mal e a morte.  
E Jesus foi transfigurado diante deles. O seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz (Mt 17, 2)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nesta caminhada de Quaresma, temos a oportunidade de tomar contato com este belo testemunho sobre a tua pessoa. Tu és o novo Moisés. Como ele, edificas o povo de Deus sobre o evangelho do Reino. Tu és o Messias, o enviado, a realização das promessas de Deus nas Escrituras. Tu és o filho de Deus, filho amado que o Pai enviou ao mundo para nossa salvação. Tu és a própria comunicação de Deus às suas criaturas e aos seus filhos. Dá-nos, Senhor, a graça de verdadeiramente nos deixar maravilhar por esta revelação de tua pessoa. Que pela graça do teu Santo Espírito, esse conhecimento da fé encha nossa vida de sentido e de alegria, para enfrentarmos o dia-a-dia com um novo olhar, com nova disposição. Hoje, te pedimos, Senhor, uma bênção bem especial para todas as mulheres, na passagem do Dia Internacional da Mulher. Em todas, brilhe sempre mais a dignidade de serem tuas filhas, em igualdade de direitos com os teus filhos homens. Dá-nos a graça de fortalecer uma cultura que impeça a injustiça, a desigualdade e a violência contra as mulheres.  Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Jesus pode ser uma pessoa com quem você fala todo dia e não se dá conta de sua grandeza, de sua identidade divina. Contemple Jesus na cruz e fique imaginando esta cena da transfiguração.
08 de março de 2020
Pe. João Carlos Ribeiro

17 março 2019

HORA DE ACENDER A LUZ


Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante (Lc 9, 29)

17 de março de 2019.

Foi uma semana de muitos sustos, não foi? O massacre na escola de Suzano, na quarta. O atentado contra comunidades muçulmanas, na Nova Zelândia na sexta. E as preocupações com a reforma da previdência e outras coisinhas...  Um tempo difícil pra se viver. Cresce a violência, cresce a insegurança.

No meio de tudo isso, estamos nós, com a nossa luta diária e o nosso corre-corre. Todas as crises desse tempo – na família, na igreja, na escola, no estado – mexem com a gente. Sentimos que fazemos parte do problema e, esperemos, da solução também. O que será que a fé dos cristãos tem a dizer num momento  como este?  E será que podemos ou devemos fazer alguma coisa, no meio dessa situação?

Vamos ver se o evangelho de hoje nos ajuda a pensar mais em tudo isso. Claro, a Palavra de Deus é uma luz para iluminar o nosso caminho, a nossa realidade. Não conta apenas uma história antiga, mas nos ajuda a perceber a presença e a ação de Deus hoje, em nossa história.

Jesus subiu ao monte, para rezar. E foram três discípulos com ele: Pedro, Tiago e João. Em oração, as feições de Jesus se iluminaram, suas vestes ficaram muito brancas e brilhantes. E apareceram, conversando com ele, dois personagens do Antigo Testamento, Moisés e Elias. Os discípulos estavam sonolentos e acabaram dormindo. Ao despertar, viram aquela beleza toda. Pedro teve uma ideia: fazer três tendas para Jesus e seus dois amigos, para ficarem por ali mesmo, no alto da montanha. Foi chegando uma nuvem e eles terminaram dentro dela, cheios de medo. Ouviu-se, então, uma voz: “Este é o meu filho, o escolhido. Escutem o que ele diz”. Nisso, Jesus ficou só. E eles ficaram calados, e, depois, não disseram nada a ninguém daquilo tudo.

Um pouco antes dessa cena, Jesus tinha feito o primeiro anúncio de sua paixão. E tinha avisado que quem quisesse segui-lo precisava também tomar sua cruz. Os discípulos estavam meio assustados com tudo isso. No monte, acompanhando Jesus em sua oração, eles fazem experiência de sua glória.  Eles o vêm luminoso. É uma revelação sobre a pessoa de Jesus e seu caminho.  Moisés e Elias, conforme escreveu o evangelista Lucas, estavam conversando com Jesus sobre o seu êxodo, isto é, sobre sua passagem pela morte, sua volta ao Pai. Em Jerusalém se cumpririam a paixão, a ressurreição e a ascensão de Jesus ao céu. Esse é o êxodo de Jesus, a sua passagem libertadora ao Pai. A nuvem é um sinal bíblico da presença de Deus, como no monte Sinai. A nuvem os cobriu. Eles ouvem a voz de Deus, apresentando o seu filho, o Messias; e recomendando que o escutem. Numa palavra, os discípulos, no monte, em oração com Jesus, o reconhecem em sua glória: as Escrituras Sagradas, representadas por Moisés e Elias, explicam o sentido de sua vida, de sua paixão e anunciam a sua vitória; o próprio Deus o revela como Filho e Messias. A eles, cabe agora escutá-lo, crer nele, segui-lo.

Toda essa experiência maravilhosa que eles viveram no monte serviria para iluminar sua vida e seu seguimento de Jesus, mesmo em tempos difíceis, como os que estavam chegando, o da paixão. Eles, infelizmente, não assimilaram logo essa linda experiência. No começo, enquanto Jesus está em oração, eles estão com sono, cochilando, dormindo. Depois dentro da nuvem, eles sentem muito medo. O texto termina dizendo que eles ficaram calados, naqueles dias não contaram a ninguém o acontecido. Foi assim que enfrentaram os dias turbulentos da paixão: meio entorpecidos, com medo e silenciosos. Mas, com a vinda do Espírito Santo, tornaram-se testemunhas destemidas de Jesus.

Guardando a mensagem

Vivemos dias turbulentos. O nosso mundo vive uma grande crise. É um período de mudanças e desencontros. E todos estamos meio atordoados e temerosos. É assim que nos apresentamos em nossa oração com Cristo, em nossas celebrações: sonolentos, temerosos, calados. Sonolentos, porque não estamos em estado de vigília como Jesus pediu, não estamos suficientemente despertos, ativos, informados. Temerosos, porque não sabemos como agir nesse momento e ficamos com medo do futuro. Calados, porque não estamos proclamando a mensagem de esperança que vem de nossa fé em Jesus. No monte, os discípulos fazem uma profunda experiência, em oração. Jesus, o filho de Deus, o escolhido, vai sofrer um bocado e enfrentar a morte na cruz, mas esse seu caminho está alicerçado na história de fé do povo bíblico, por ele alcançará vitória completa. Deus, o Pai, está com ele e confirma o seu caminho.

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
No meio de suas dificuldades, os três discípulos tocaram de perto o mistério de tua glória, experimentaram um pedacinho de céu. Aquela experiência, vivida na oração, serviria para animá-los e confirmá-los no caminho do teu seguimento, carregando também a sua cruz. Senhor, certamente esse é também o sentido de nossas celebrações. No meio de tantos problemas, respirarmos o ar da esperança, tocarmos a glória de Deus que é a realidade última e definitiva. E, assim, descermos a montanha, como testemunhas de que o caminho dos humildes, dos justos, dos perseguidos é um caminho de vitória; que Deus não nos abandona; que tu, Senhor Jesus, caminhas à nossa frente; que a paixão abre caminho para a ressurreição, a vida plena, a felicidade completa, obra tua, ó Redentor. Nosso encontro semanal contigo, Senhor Jesus Ressuscitado, na Santa Eucaristia, é o nosso Tabor, o monte da transfiguração. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante (Lc 9, 29)

Vivendo a palavra

Todo dia, a gente toca de perto a perplexidade das pessoas diante da situação do país e do mundo. Hoje, não engrosse a lamentação. Não espalhe má notícia. Não diga que está sem jeito. Hoje, acenda a luz da esperança, da fé em Jesus Cristo Ressuscitado. Ele é a razão de nossa esperança.

Pe. João Carlos Ribeiro – 17.03.2019

06 agosto 2018

NA ORAÇÃO, DEUS NOS REVELA JESUS


E transfigurou-se diante deles (Mc 9, 2)
06 de agosto de 2018.
Você já subiu uma montanha? Bom, pelo menos um monte mais alto já, não é verdade.
A montanha é um símbolo do encontro com Deus. O homem busca Deus, como que subindo uma montanha. Quando chega ao ponto mais alto, tem uma visão deslumbrante. Nem lembra mais do cansaço da subida. É, em certa medida, um momento de transfiguração, de êxtase, de encantamento. Veja que em cima dos montes tem sempre uma igreja construída ou, pelo menos, um cruzeiro. Já reparou isso? A montanha é o lugar simbólico do encontro com Deus.
Na Bíblia, há também essa identificação da montanha com o fascinante encontro com Deus. Moisés, por exemplo, falou com Deus no monte Sinai. Houve lá o episódio da Sarça Ardente. Mas, também a entrega da Lei nas tábuas de pedra.  No Monte Horeb (que é o mesmo Monte Sinai), também Elias falou com Deus. No monte Carmelo, o mesmo Elias desafiou centenas de sacerdotes pagãos. Ali, Deus mostrou quem era o Deus verdadeiro. A montanha é o lugar da manifestação de Deus. No Sinai, eram tantos relâmpagos e trovões que o povo lá em baixo quase morre de medo. Moisés desceu de lá com o rosto brilhando.
No evangelho da Transfiguração, lido hoje em Marcos, capítulo 9, está contado que Jesus subiu à montanha com Pedro, Tiago e João, três dos seus discípulos. Lá, eles tiveram uma experiência maravilhosa da manifestação de Jesus em sua condição gloriosa. E o que aconteceu na montanha? Ali, houve um profundo encontro com Deus, um momento de revelação da pessoa de Jesus. Jesus foi transfigurado diante deles, ficou com o rosto e as roupas brilhantes. E apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Depois, uma nuvem os cobriu e ouviram a voz de Deus: “Este é o meu filho amado, no qual pus todo o meu afeto. Ouçam-no!".
Subir a montanha é o que nós fazemos na Oração. No momento em que entramos profundamente na comunhão com Deus é como se nós chegássemos ao topo da montanha. Ali, podemos viver uma maravilhosa experiência com Deus. E quem pode nos conduzir assim à oração profunda e verdadeira? O acesso, o caminho já foi aberto por Jesus. E o Espírito Santo de Deus é quem nos conduz ao topo da montanha. Mas, ele conta com nossa docilidade, com nosso esforço em rezar com simplicidade e profundidade. Ficando só na superficialidade, rezando da boca pra fora, distraindo-nos com tudo ao nosso redor, dificilmente subimos à montanha. Ficamos no meio do caminho, não concluímos a subida. Quando alcançamos o topo, rezando de verdade, tudo se torna luminoso, nosso interior se enche de paz e de santa alegria. Ali, Deus nos fala, como pai.  Ele nos aponta Jesus como nosso caminho, nos dá direção, discernimento, conforto. Ficamos até com a tentação de permanecer naquela situação, como os três apóstolos que queriam montar tendas para se fixarem por ali.
Depois da experiência lá no topo, precisamos descer a montanha, voltar à normalidade de nossa vida. Mas, voltamos reabastecidos, reanimados. O encontro com Jesus ressuscitado dá novo ânimo à nossa existência e às nossas lutas.
 
Vamos guardar a mensagem
A montanha é uma imagem da experiência com Deus. Nesse encontro, fundamentalmente o Pai nos apresenta Jesus, seu filho amado. E faz isso, de maneira especial, através de sua Palavra. A Palavra de Deus, na visão dos três apóstolos na montanha, está representada por Moisés e Elias. O povo de Deus dava aos escritos sagrados o título de “Moisés e os Profetas”. Moisés representa a Lei, boa parte das Escrituras Sagradas. Elias representa os profetas, a outra parte das Escrituras. É a Palavra de Deus anunciada e compreendida que nos abre ao conhecimento da Pessoa de Jesus. Deus nos revela Jesus, de maneira especial, por meio de sua Palavra. O Espírito Santo é quem nos leva a compreender a Palavra e a estar em comunhão com Deus. Sem o Espírito Santo, não há oração verdadeira, não se sobe a montanha.
E transfigurou-se diante deles (Mc 9, 2)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Subir à montanha é procurar o encontro com Deus pela oração. É na oração que o Pai nos revela quem és tu, Senhor. Ele nos diz que tu és o seu filho amado, aquele que ele enviou para nossa salvação. Na verdadeira oração, quando também escutamos e deixamos espaço para a palavra de Deus, o Pai nos revela quem somos nós, seus filhos amados. A oração é o lugar da tua transfiguração. E da nossa também. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Reserve, hoje, um pouco mais de tempo para seu momento de oração. Na sua vida cristã, este momento pessoal de oração precisa ser diário. Na oração, encontramos forças para prosseguir o caminho da vida, com alegria e esperança.

Pe. João Carlos Ribeiro – 06.08.2018

25 fevereiro 2018

VOCÊ JÁ SUBIU A MONTANHA, HOJE?

MEDITAÇÃO PARA O 2º DOMINGO DA QUARESMA, 
DIA 25 DE FEVEREIRO DE 2018.

Este é o meu filho amado. Escutem o que ele diz! (Mc 9, 7)

Pedro, diante da maravilha da transfiguração de Jesus na montanha, teve uma ideia. Acampar ali mesmo. Fazer três tendas. Uma para Jesus, outra para Moisés e outra para Elias. Será que a ideia de Pedro foi boa?

Jesus foi para a montanha, com três dos seus discípulos. Lá, transfigurou-se diante deles. Apareceu com roupas brancas brilhantes, luminoso. Moisés e Elias, personagens do Antigo Testamento conversavam com ele. Que coisa linda! Que visão deslumbrante! Foi aí que Pedro teve a ideia de acamparem por ali. E logo uma nuvem desceu e os encobriu. E da nuvem, veio uma voz: “Este é o meu filho amado. Escutem o que ele diz”. Tudo desapareceu. E eles só viram Jesus com eles.

Montanha tem um significado muito especial. Para o povo semita, montanha é o lugar do encontro com Deus. Basta lembrar o Monte Sinai, onde Moisés recebeu a Lei, das mãos do próprio Deus. Ou o Monte Carmelo, onde Deus acolheu o sacrifício oferecido por Elias, desmascarando a idolatria no meio do seu povo. Jesus muitas vezes passa a noite em oração... na montanha. O monte é o lugar do encontro com Deus. Então, a experiência dos três discípulos na montanha, com Jesus, é uma experiência de oração.

Precisamos sempre subir a montanha. Lá, em oração, fazemos experiência do encontro com Deus. Na oração, Deus nos revela o seu filho único. “Este é o meu filho amado”. O Pai, que nos revela o filho, nos convida a escutá-lo. A principal oração dos membros do povo de Deus era o Shemá. Shemá Israel. “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Recitava-se essa passagem do livro do Deuteronômio muitas vezes ao dia. O discípulo precisa ouvir, escutar, acolher o filho único. Na experiência da montanha, ou seja da oração, encontramos Jesus vivo, ressuscitado, glorioso, triunfante sobre o pecado, o mal e a morte. Essa profunda experiência espiritual está descrita nas roupas brancas brilhantes de Jesus. É uma antevisão de sua ressurreição. Mas, também na oração entramos em contato com o Pai. Somos envolvidos por sua presença divina. É o que está representado na nuvem. Ao revelar o filho, reconheçamos quem é o Pai: ‘aquele que não poupou o seu filho único, mas o entregou por todos nós’, no dizer da Carta aos Romanos.

Uma tentação é, diante da maravilhosa experiência do encontro com Deus na montanha, querer ficar por ali mesmo, acampar. Mas, Jesus desce com eles a montanha. A experiência da oração é um momento de reabastecimento das baterias, de animação, de respiro da alma. É luz para iluminar a escuridão da vida. É esperança e força para se enfrentar os dramas de cada dia. É preciso descer a montanha. Voltar à normalidade da vida, reforçados em esperança e confiança em Deus.

Desde o começo, Jesus tinha indicado as condições para segui-lo: ‘Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e me siga”. A tentação é sempre querer a vitória sem luta; a contemplação sem compromisso; a oração sem ação. É preciso descer a montanha, com Jesus, para enfrentar os problemas, os dramas de cada dia. Descer, com a certeza de que Deus caminha conosco, que está ao nosso lado. Ele me ajuda, abençoa, protege. Mas, eu sou sujeito de minha história. Assistido pela graça de Deus, tenho que dar conta da minha vida, temos que dar conta da nossa história. É preciso descer a montanha, com Jesus.

Vamos guardar a mensagem

A montanha é uma representação da experiência da oração. Na oração, o Pai nos revela o seu filho único. E nos indica que o escutemos. Escutar Jesus é acolher sua pessoa e seus ensinamentos. Na experiência de encontro com o Senhor, conhecemos também o Pai que não poupou o seu filho único, mas o entregou em nosso favor. Num segundo momento, se desce da montanha para a planície da vida ordinária, para os empenhos de todo dia e para os compromissos que nos cabem no mundo. A tentação é fixar-se nos louvores, nos aleluias e esquivar-se de enfrentar os dramas de cada dia, com as luzes e as forças que o Senhor nos oferece na oração.

Este é o meu filho amado. Escutem o que ele diz! (Mc 9, 7)

Vamos acolher a mensagem

Senhor Jesus,

Nesta quaresma, continua subindo a montanha conosco. Precisamos muito da oração, do encontro profundo com Deus. No meio das dificuldades e dos problemas dessa vida, a oração nos põe em contato profundo contigo, com o Pai. Nisso, somos conduzidos pelo Santo Espírito.
Nesta quaresma, continua descendo a montanha conosco. Precisamos muito que a nossa ação, os compromissos do dia-a-dia sejam iluminados pela luz de tua presença de ressuscitado. Ajuda-nos, Senhor a vencer a tentação de uma religião desligada da vida, de pretender vitória sem luta, glória sem cruz.
Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. 
Amém.

Vamos viver a palavra

Afinal, a ideia de Pedro de fazer três tendas no alto da montanha, foi uma boa ideia ou não foi? Hoje, fale com alguém sobre isso.  


Pe. João Carlos Ribeiro  25.02.2018

05 agosto 2017

NO TOPO DA MONTANHA

Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha (Mt 17, 1)

Você já subiu uma montanha? Bom, pelo menos um monte mais alto já, não é verdade.
A montanha é um símbolo do encontro com Deus. O homem busca Deus, como que subindo uma montanha. Quando chega ao ponto mais alto, tem uma visão deslumbrante. Nem se lembra mais do cansaço da subida. É, em certa medida, um momento de transfiguração, de êxtase, de encantamento. Veja que em cima dos montes tem sempre uma igreja construída ou, pelo menos, um cruzeiro. Já reparou isso? A montanha é o lugar simbólico do encontro com Deus.

Na Bíblia, há também essa identificação da montanha com o fascinante encontro com Deus. Moisés, por exemplo, falou com Deus no monte Sinai. Houve lá o episódio da Sarça Ardente. Mas, também a entrega da Lei nas tábuas de pedra.  No Monte Horeb (que é o mesmo Monte Sinai), também Elias falou com Deus. No monte Carmelo, o mesmo Elias desafiou centenas de sacerdotes pagãos. A montanha é o lugar da manifestação de Deus. No Sinai, eram tantos relâmpagos e trovões que o povo lá em baixo, quase morre de medo. Moisés desceu de lá com o rosto brilhando.

No evangelho da Transfiguração, lido hoje em Mateus capítulo 17, está contado que Jesus subiu à montanha com Pedro, Tiago e João, três dos seus discípulos. Lá, eles tiveram uma experiência maravilhosa da manifestação de Jesus em sua condição gloriosa. E, quando tudo passou, desceram a montanha, com a recomendação de não contarem nada a ninguém. E o que aconteceu na montanha? Ali, houve um profundo encontro com Deus, um momento de revelação da pessoa de Jesus. Jesus foi transfigurado diante deles, ficou com o rosto e as roupas brilhantes. E apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Depois, uma nuvem os cobriu e ouviram a voz de Deus: “Este é o meu filho amado, no qual pus todo o meu afeto. Ouvi-o”.

Subir a montanha é o que nós fazemos na Oração. No momento em que entramos profundamente na comunhão com Deus é como se nós chegássemos ao topo da montanha. Ali, podemos viver uma maravilhosa experiência com Deus. E quem pode nos conduzir assim à oração profunda e verdadeira? O acesso, o caminho já foi aberto por Jesus. E o Espírito Santo de Deus é quem nos conduz ao topo da montanha. Mas, ele conta com nossa docilidade, com nosso esforço em rezar com simplicidade e profundidade. Ficando só na superficialidade, rezando da boca pra fora, distraindo-nos com tudo ao nosso redor, dificilmente subimos à montanha. Ficamos no meio do caminho, não concluímos a subida. Quando alcançamos o topo, rezando de verdade, tudo se torna luminoso, nosso interior se enche de paz e de santa alegria. Ali, Deus nos fala, como pai.  Ele nos aponta Jesus como nosso caminho, nos dá direção, discernimento, conforto. Ficamos até com a tentação de permanecer naquela situação, como os três apóstolos que queriam montar tendas para se fixarem por ali.

Depois da experiência lá no topo, precisamos descer a montanha, voltar à normalidade de nossa vida. Mas, voltamos reabastecidos, reanimados. O encontro com Jesus ressuscitado dá novo ânimo à nossa existência e às nossas lutas.
  

10 março 2017

Um novo Moisés

E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutem-no!” (Mt 17, 5).

E chegamos ao segundo domingo da Quaresma.  No primeiro domingo, subimos com Jesus ao Monte das Tentações. Ali, ele enfrentou o Tentador e venceu as tentações. Com ele, entramos no novo tempo em que o pecado de Adão foi superado pela obediência do novo homem, Jesus. Então, no primeiro domingo da Quaresma, Jesus foi comparado com Adão. Ele é o vencedor da tentação, do pecado.   

Nesse segundo domingo da Quaresma, subimos com Jesus à montanha da transfiguração.  A Lei e os Profetas, os livros santos de Israel representados por Moisés e Elias, nos dizem quem é esse Jesus. Ele é o novo Moisés, libertador do povo, restaurador da aliança. E o próprio Deus intervém, como no tempo do Sinai, para dizer que Jesus é o seu filho amado e para nos recomendar que o escutemos.