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16 fevereiro 2020

O AMOR É QUE É A LEI

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)

16 de fevereiro de 2020

Neste 6º. Domingo do Tempo Comum, continuamos ouvindo o Sermão da Montanha. Nele, Jesus está nos apresentando um manifesto do Reino. Há uma novidade nos seus ensinamentos. Eles superam o modo como os pregadores do seu tempo falavam de Deus e das obrigações que resultam de nossa aliança com ele.

Jesus percebia que era necessário superar a mentalidade dos fariseus. ‘Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus’. Para eles, agradar a Deus era cumprir escrupulosamente as leis escritas nos Livros de Moisés e em sua tradição oral. Justo, abençoado, ensinavam eles, é quem pratica a Lei de Deus, com todos os seus erres e efes. Bom, praticar a Lei de Deus é uma coisa boa. “Feliz o homem que observa os seus preceitos”, diz o Salmo 118. O problema é quando se vive uma mentalidade legalista, onde a pessoa não vê mais nada a não ser a realização do que lhe foi mandado. Gente assim se esquece para que existe aquela Lei e vira escravo da letra da Lei.

Na verdade, entendemos, com São Paulo, que não é o cumprimento da Lei que nos salva. O que nos justifica, nos torna santos, é o amor de Deus por nós, amor que veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. É Cristo quem nos justifica, e o fez por sua morte redentora. Fomos justificados pelo seu sangue, diz São Paulo na carta aos Romanos (Rm 5, 9).

Jesus quer que, pela nossa condição de justificados por seu amor na cruz, sejamos capazes de fazer mais do que a Lei de Moisés manda. Não apenas fazer o que a letra da Lei determina, mas, pela experiência do amor de Deus e pela caridade, temos que ir mais adiante, fazer bem mais. Trata-se, então, de viver os mandamentos de Deus de maneira ainda mais profunda e respeitosa. No evangelho de hoje, Jesus comenta três dos mandamentos de Deus: Não matar, não cometer adultério, não jurar falso. Olhemos melhor, hoje, esse mandamento “Não matar”.

Aos antigos, foi dada esta lei: “Não matar. Quem matar será condenado pelo tribunal”. A nova lei de Jesus, ou melhor, o modo novo de ver a antiga lei, é ainda mais exigente. Matar é o extremo. Mas, a morte do outro começa com golpes aparentemente leves: a indiferença, a desconsideração, o desprezo, o preconceito, a ação movida pela cólera. A ofensa a Deus e ao próximo não é só matar com uma arma de fogo ou uma arma branca ou química. Há outras formas de matar aos poucos, igualmente repudiáveis: o bullying, a difamação, a intolerância, a discriminação. A lei do Evangelho exige mais do que o simples mandamento “Não matar”; inclui também não desqualificar alguém, considerando-o burro, ignorante, incapaz. Isto também é uma forma de violência e de morte. Palavras e atitudes também podem ser armas letais.

Para ser réu no tribunal, nem precisa chegar a cometer homicídio, aborto, eutanásia, feminicídio ou coisa parecida. Já vira réu quem se encolerizar com seu irmão, ensinou Jesus. Encolerizar-se com o irmão é agir movido pela raiva, pela cólera. Quando alguém se deixa tomar pela raiva, acaba magoando, machucando, agindo com violência e sentimentos de vingança. A ação movida pela cólera é impensada, violenta, cega. É melhor se acalmar no momento para não ter que amargar um arrependimento depois. Quando a raiva vier, é preciso parar, respirar, deixar baixar a poeira. Assim, a ação que vier será menos impulsiva e poderá mais facilmente ser pautada por respeito, consideração e disposição para a reconciliação. Isso, sim, é digno de um cristão.

Guardando a mensagem

Os mandamentos de Deus continuam valendo. Mas, Jesus alarga a sua compreensão. ‘Não matar’ não é só tirar a vida dos outros, mas também não ofendê-los em sua dignidade, desprezá-los, difamá-los. O adultério começa no olhar malicioso que é desrespeito e violência contra a mulher. Mais do que “não jurar falso”, falar sempre a verdade. O esforço por tratar bem os outros, em todas as situações, se harmoniza com a busca de reconciliação. E essa é uma condição para o culto a Deus. Jesus orientou claramente: “Deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”. Somos construtores de fraternidade, controlando em nós o impulso da ira, a tentação da indiferença, a violência do preconceito.

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)

Acolhendo a mensagem

Senhor Jesus,

Vivemos em um mundo de muitos desencontros. Facilmente nos contrariamos, ficamos com raiva, nos frustramos, nos decepcionamos ou decepcionamos os outros. Às vezes, nossa reação é movida pela raiva, pela cólera, pelo ódio. E sabemos que esses sentimentos são fonte de violência, em nossa convivência. Hoje, recordamos o que disseste sobre os mandamentos de Deus. Senhor, ajuda-nos a viver no meio das dificuldades da vida com serenidade e fortaleza. E a defender nossos direitos ou nossos pontos de vista, sem agredir ou insultar quem não pensa como nós. Que em toda e qualquer contrariedade, sejamos iluminados por tua palavra e por tua mansidão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para se fortalecer no caminho do evangelho reze muitas vezes, hoje: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

16 de fevereiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

13 junho 2019

O PRECEITO OU O AMOR?

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)
13 de junho de 2019.
O que seria aqui essa “justiça”? “A justiça de vocês” – “A justiça dos fariseus”.  Na mentalidade do povo de Jesus, justo é quem pratica certinho a Lei. Justo é o praticante da Lei de Moisés. De José, esposo de Maria, por exemplo, se diz que ele era justo. Isto quer dizer que ele era um fiel cumpridor da Lei de Moisés.
O que seria essa “justiça dos fariseus”? O modo como eles pensavam que a pessoa agradava a Deus: no cumprimento exato dos preceitos. Eles eram cumpridores rigorosos da Lei, ao menos se tinha essa imagem deles. E eles cobravam do povo o fiel cumprimento de todas as normas, os mandamentos, as ordens como estavam nos livros de Moisés e na sua tradição. Além dos mandamentos e ordens que estão nas escrituras do antigo testamento, eles tinham criado centenas de outros.
A cobrança pelo cumprimento rigoroso das leis religiosas escritas e orais chegava a ser doentia. Você lembra como se aborreciam com Jesus, porque ele curava em dia de sábado. E ficavam bravos com os discípulos por bobagens: colher espigas em dia sábado, não lavar as mãos antes da refeição... O cumprimento da norma era tudo. Para eles, era isso que agradava a Deus. O cumprimento exato da Lei.
Jesus achou doentio aquele negócio de cobrança exagerada do cumprimento da Lei de Moisés. Primeiro, porque mais do que fazer coisas se trata de amar a Deus e agir com misericórdia para com o próximo. O amor é que nos move a praticar os mandamentos de Deus. Sem amor, fica tudo sem valor. Jesus chegou a lembrar um dos antigos profetas: “Quero a misericórdia, não os sacrifícios”. Segundo, porque muitas daquelas normas eram mandamentos humanos, isto é, eram expressão da vontade humana, não de Deus.
Vamos ver agora se dá para entender o que Jesus está dizendo no evangelho de hoje: “Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus”. Isso quer dizer que nós, os discípulos de Jesus, não devemos pensar e agir como os fariseus. Eles mediam as pessoas pelo cumprimento da Lei. Justo, santo, abençoado era quem praticasse a Lei, meticulosamente. Além disso, se limitavam a cumprir o que estava escrito ou dito na Lei. E Jesus queria e quer que nós, além de não colocarmos cargas exageradas nas costas dos outros, não nos limitemos apenas a cumprir a Lei. O amor nos faz ir muito mais além.
Assim, Jesus interpreta o mandamento “Não matar”, que é o quinto mandamento da Lei de Deus. Não é só não tirar a vida de uma pessoa. É também não difamá-la, não desprezá-la, não desconsiderá-la. Neste sentido, ele disse: “Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, lhes digo: vai a julgamento também quem se encolerizar com seu irmão, quem o chamar de ‘patife’, quem o qualificar de ‘tolo’”.
Guardando a mensagem
Os fariseus impuseram ao povo de Deus uma religião marcada pela prática da Lei, de mandamentos, de normas escritas e orais interpretadas por seus mestres. Isso sufocava as pessoas e marginalizava muita gente. Jesus lembrou que, antes de tudo, é necessário o amor: o amor a Deus e aos irmãos. É o amor que nos leva a observar os mandamentos de Deus. O que nos justifica diante de Deus não é o fiel cumprimento das normas. Fomos justificados pela morte redentora de Jesus. Assim, não podemos viver na mentalidade dos fariseus, resumindo a prática religiosa ao cumprimento de normas. O amor nos pede muito mais.
Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Hoje, neste dia do grande pregador da Palavra de Deus, Santo Antônio, queremos manifestar nosso sincero desejo de conhecer sempre mais a tua santa Palavra. O povo antigo amava o que eles chamavam a Lei. E nós continuamos a amar e venerar as Escrituras Sagradas, onde Deus nos fala. O teu evangelho é a proclamação do amor de Deus que se manifestou em tua vida, em tua morte e ressurreição. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu santo Espírito, a conhecer, através do livro santo, a vontade de Deus e realizá-la em nossas vidas. Como Santo Antônio, sejamos também capazes de anunciar aos outros, com destemor e alegria, o teu santo Evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No seu caderno espiritual, responda, depois de pensar um pouco: O que move você na prática religiosa: o preceito ou o amor?

Pe. João Carlos Ribeiro – 13 de junho de 2019