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16 agosto 2019

A FAMÍLIA COMO DEUS QUER

O que Deus uniu, o homem não separe (Mt 19, 6)
16 de agosto de 2019.
Nós estamos vivendo a Semana Nacional da Família. E o Evangelho de Jesus, hoje, nos fala do casamento. A união do homem e da mulher é obra do Criador. “Já não são dois, mas uma só carne”, diz a Palavra.  Unir duas vidas, vivendo um para o outro, partilhando projetos e sonhos, sendo canal para o nascimento de uma nova vida, tudo isso toca o mistério de Deus.
"Jesus, que tudo reconciliou em Si mesmo e redimiu o homem do pecado, não só voltou a levar o matrimônio e a família à sua forma original, mas também elevou o matrimônio a sinal sacramental do seu amor pela Igreja", nos diz a Exortação do Papa Francisco sobre a Família.  Você é casado, é casada? Então, viva essa condição como verdadeira graça de Deus. Nos dias de hoje, há muita coisa que conspira contra o matrimônio. Mas, não se deixe seduzir pelo mal. Não assuma o pensamento do mundo sobre o casamento. Assimile o pensamento de Deus, como Jesus o exprimiu no seu evangelho. A vida a dois é exigente, porque pede esforço de superação do egoísmo, do individualismo. Casamento não dá certo com gente egoísta ou interessada apenas no desfrute dessa vida.
Como é importante que o casamento seja vivido em obediência à vontade de Deus! É um estado de santidade, de participação no mistério de Deus que é Amor e Unidade. Por isso, é importante vivê-lo em clima de espiritualidade. Assim, lembremos a oração, a oração de todos pelo bem dos esposos e a oração dos esposos, um pelo outro e dos dois juntos. Longe de Deus, o casamento tem pouca chance de sobreviver e ser caminho de plenitude na vida do casal. Viva o seu casamento em obediência e comunhão com Deus. Esse é o caminha da felicidade.
Na Exortação Apostólica “O Amor na Família” (Amoris laetitia), o Papa Francisco deixou escrito: “A família e o matrimónio foram redimidos por Cristo, restaurados à imagem da Santíssima Trindade, mistério donde brota todo o amor verdadeiro. A aliança esponsal, inaugurada na criação e revelada na história da salvação, recebe a revelação plena do seu significado em Cristo e na sua Igreja. O matrimónio e a família recebem de Cristo, através da Igreja, a graça necessária para testemunhar o amor de Deus e viver a vida de comunhão”.
Noutra parte do documento, o Papa escreveu: “Um amor frágil ou enfermiço, incapaz de aceitar o matrimónio como um desafio que exige lutar, renascer, reinventar-se e recomeçar sempre de novo até à morte, não pode sustentar um nível alto de compromisso. Cede à cultura do provisório, que impede um processo constante de crescimento. Para que este amor possa atravessar todas as provações e manter-se fiel contra tudo, requer-se o dom da graça que o fortalece e eleva””.
O grande educador Dom Bosco, cujo aniversário de nascimento celebramos hoje, entendeu que sem família não se educa, não se evangeliza. A obra prima de São João Bosco foi a comunidade educativa, uma grande família de educadores e educandos, em estreitos laços de amizade e convivência, para abrigar adolescentes e jovens com pouca ou nenhuma referência familiar. Sem família, onde a pessoa se sinta amada e acolhida, não se cresce para a vida e para a fé.   
Guardando a mensagem
O casamento é obra do Criador, que o concebeu como expressão de verdadeira comunhão. Mesmo que os casais do seu tempo encontrassem dificuldades e limites na vida a dois, Jesus confirmou o ensinamento da Escritura: A unidade (os dois serão uma só carne) e a indissolubilidade (o que Deus uniu, o homem não separe). Feliz o casal que chega a viver o seu matrimônio como expressão de amor e de obediência a Deus e ao seu projeto de felicidade e salvação!
O que Deus uniu, o homem não separe (Mt 19, 6)
Acolhendo a palavra
Senhor Jesus,
Abençoa os casais que estão enfrentando turbulências no seu casamento. Senhor, que eles possam beber da fonte do amor que és tu mesmo e em ti encontrar forças para perseverar neste amor, exercitando a paciência e o perdão. Cura, Senhor, as chagas abertas pela infidelidade no matrimônio. Dá a graça da reconciliação, da restauração da vida matrimonial a tanta gente que se vê tocada por tua graça. Abençoa, Senhor, com a bênção dos filhos, a união matrimonial dos casais jovens. Abençoa, com a bênção dos netos, os casais mais adultos. Repete no coração de todos que o casamento é santo, lugar de santificação e de união com Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Podendo, leia em sua Bíblia o evangelho de hoje: Mt 19,3-12. Dedique também um momento de oração por sua família.  

Pe. João Carlos Ribeiro – 16 de agosto de 2019.

14 junho 2019

A SANTIDADE NA CAMA

Não cometerás adultério (Mt 5, 27)
14 de junho de 2019.
Nós, seguidores de Jesus, acolhemos, com gratidão, a Lei da Aliança que Deus deu a Israel. No Sermão da Montanha, Jesus tomou alguns pontos da Lei e os explicou, aprofundando o nível de exigência no seu cumprimento.  Na observância dos mandamentos, ele acentuou duas coisas: que seja expressão de nossa aliança com Deus e do respeito e do amor que devemos ao nosso próximo.
Não cometer adultério. É um dos mandamentos da Lei que Deus deu ao seu povo, no Sinai. Nesse assunto do adultério, que toca tanto o homem como a mulher, Jesus, de maneira especial, tomou a defesa da mulher. A Lei ordena: “Não cometerás adultério”.  Perfeito. Mas, não cometer adultério é também não desrespeitar a mulher com um olhar malicioso ou expor a esposa ao adultério ao mandá-la embora de casa.
O evangelho de Jesus exalta o casamento, como participação no amor de Cristo e da Igreja. Anuncia a indissolubilidade desse laço que une homem e mulher, segundo o propósito de Deus. Abençoa o esforço de fidelidade dos esposos e o seu compromisso com a geração e a educação cristã dos  seus filhos. Repreende, portanto, o adultério, a traição e a vida conjugal sem entrega e sem compromisso.
Vivemos hoje em uma sociedade pluralista, com muitas opções sendo pregadas e defendidas. Nem todo mundo acredita nas mesmas coisas que nós acreditamos. O nosso modo de ver a família, o casamento, a vida sexual, como também a vida social, a economia, o trabalho, tudo isso encontra cada dia mais resistência e oposição. O ensinamento de Jesus e da Igreja é criticado, desprezado, rejeitado, por vezes.
Os valores que defendemos estão alicerçados na Palavra de Deus e na Tradição viva da fé. Não são invenções do Papa, dos padres ou de algum movimento religioso reacionário. Defendemos a vida, desde sua concepção até a sua morte natural. Não estamos de acordo com a promiscuidade sexual. Pregamos a castidade de solteiros e casados. Não temos dúvida que o verdadeiro casamento só pode acontecer entre homem e mulher. São valores, são princípios, são bandeiras que nascem de nossa fé, enraizados na revelação bíblica e no ensinamento dos apóstolos de ontem e de hoje.
Que não pensem igual a nós, tudo bem. O desastre será se nós, por conta de opiniões contrárias, renunciarmos ao modo cristão de ver a vida e o mundo. Triste será se os cristãos esquecerem sua fé, deesprezarem os ensinamentos de Cristo e embarcarem na onda forjadora de opinião dos grandes meios de comunicação e de grupos de pressão social. Já pensou se os cristãos trocarem o evangelho pela pregação que fazem hoje as novelas contra a família, contra o casamento, contra a santidade da vida sexual?
Guardando a mensagem
Um seguidor de Jesus, nesta sociedade em plena crise de valores, não pode ser uma pessoa que pensa com a cabeça dos outros e edita sua opinião, segundo os ventos da moda ou da pressão social. São Paulo foi bem claro: "Não se conformem com esse mundo, mas transformem-se, renovando sua maneira de pensar e julgar, para que possam distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito" (Romanos 12,2). Está claro demais. Não se conformar a esse mundo, isto é, não assimilar suas fraquezas e seus defeitos, não se moldar à sua imagem, mas antes, transformar-se, assimilando uma maneira de pensar e de agir de Deus. E isso vale particularmente para a nossa compreensão do casamento entre o homem e a mulher, o dom da sexualidade e a santidade da vida conjugal.
Não cometerás adultério (Mt 5, 27)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Ser cristão da porta da Igreja pra dentro até que não é tão difícil. Agora, ser cristão da porta da Igreja pra fora, aí a coisa se complica. O mundo tem uma pregação sobre a família: cada dia mais destrói as suas bases e os seus fundamentos. E muitos cristãos casados embarcam no mundo da infidelidade ao leito conjugal, no adultério. E jovens cristãos aventuram-se a coabitar, em completo desrespeito à sua vocação de esposos e pais. Tu, Senhor, nos alertaste que o adultério começa com o olhar malicioso, o linguajar  obsceno, o desrespeito à mulher. Dá, Senhor, que os irmãos e irmãs unidos pelo matrimônio, santifiquem o seu leito conjugal, procurando, na tua graça, viver o amor verdadeiro, que pede comunhão, paciência, diálogo, perdão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Quanto à palavra de hoje, verifique, se há alguma coisa em sua vida que esteja fragilizando a sua vivência do mandamento da fidelidade no amor, não pecar contra a castidade (o sexto mandamento da Lei de Deus).  

Pe. João Carlos Ribeiro -14 de junho de 2019.

01 abril 2019

EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família (Jo 4, 53)
01 de abril de 2019
Vamos começar a semana e o novo mês com uma passagem do evangelho de São João, nos convidando a integrar nossa família no nosso processo de conversão.
O evangelista disse que foi o segundo sinal de Jesus. O primeiro foi nas bodas de Caná, a água transformada em vinho. Agora, é contado o segundo sinal: Um pai intercedeu pelo filho doente junto a Jesus e foi atendido. Vou logo lhe explicando que o evangelista João registrou, em seu evangelho, sete sinais na ação de Jesus. Os sinais são ações maravilhosas de Jesus que revelam a sua pessoa e o seu projeto missionário, que é o Reino de Deus. Por esses sinais, a comunidade pode reconhecer quem é Jesus e o que ele veio fazer.  Por que sete? Porque sete é o número da obra perfeita. a exemplo da obra da criação, que foi em sete dias.
Vou contar com sua curiosidade e já vou escutando sua pergunta: quais seriam os sete sinais de Jesus, no evangelho de São João? Posso lhe dizer agora (vá fazendo a conta): Jesus transforma a água em vinho – cura o filho do funcionário real – cura o enfermo na piscina de Siloé – multiplica os pães – caminha sobre as águas -  cura o cego de nascença – ressuscita Lázaro. Quantos sinais? Isso, sete. É a obra perfeita de Jesus, pela qual podemos conhecê-lo na sua compaixão pelos sofredores e na realização da missão que o Pai lhe confiou.
Bom, voltemos ao evangelho de hoje. É o segundo sinal. Jesus chegou de novo em Caná da Galileia. E veio um homem de Cafarnaum pedir por seu filho que estava doente. Cafarnaum devia ficar a uns 30 km de Caná, segundo os estudiosos. Aquele pai aflito pediu a Jesus para ele ir a Cafarnaum curar o seu filhinho que estava morrendo. Olha o que ele disse: “Senhor, desce a Cafarnaum, antes que meu filho morra!”. Jesus lhe respondeu: “Você pode ir, seu filho está vivo”. O homem entendeu o que Jesus lhe disse: que ele podia voltar pra casa, que a situação já estava resolvida. E ele acreditou. E voltou pra casa, em Cafarnaum. Antes que chegasse em casa, seus empregados o encontraram para avisá-lo da melhora do filho. Procurou saber a que horas o menino tinha ficado bom. E constatou que foi mesmo na hora em que Jesus tinha dito ‘pode ir, seu filho está vivo”. Aquele homem e sua família tornaram-se discípulos de Jesus, abraçaram a fé.
Guardando a mensagem
Aquele pai procurou Jesus numa hora de aflição. E acreditou na sua palavra. E, ao receber a graça da cura do seu filho, cheio de reconhecimento, abraçou a fé, junto com  sua família. Isto quer dizer: eles tornaram-se discípulos, membros da comunidade de Jesus. Muita gente pede ao Senhor pelas necessidades e dramas de seus filhos, de seus pais, parentes e amigos. Pede, até com insistência. E está muito bem. Precisamos mesmo recorrer ao Senhor, em nossas aflições, com humildade e fé. Agora, segundo a passagem de hoje, faltam ainda dois passos a serem dados: reconhecer a obra de Deus naqueles pelos quais intercedemos: a saúde, o livramento, a libertação. E abraçar a fé, isto é, tornar-se discípulo do Senhor, membro de sua comunidade. Pediu uma graça, alcançou, reconheça a intervenção divina e glorifique o Senhor por isso. E não se esqueça: torne-se um cristão amoroso e fiel. Você e sua casa.
Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família (Jo 4, 53)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Quase todos os dias, te apresentamos nossas situações de sofrimento e aflição e pedimos a tua intervenção. Intercedemos pelas nossas necessidades e as dos outros. Hoje, estás nos dizendo que isso está muito certo, se o fizermos com humildade e com fé. Mas, estás nos dizendo ainda mais: ao recebermos a graça que pedimos, precisamos ser reconhecidos e agradecidos; e que essa ação de Deus em nossa vida, esse sinal, deve nos levar a uma resposta muito especial: abraçar a fé, entrar para a comunidade, tornarmo-nos discípulos. E esse evangelho ainda nos diz que a nossa conversão, a nossa adesão a ti, é a porta que se abre para a salvação de nossa família. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Você tem uma coisa especial para pedir ao Senhor, hoje, em favor de alguém de sua família? Então, peça com humildade, fé e confiança. E não se esqueça de reconhecer a obra de Deus na solução deste seu problema e de renovar seu compromisso de viver na fé da Igreja junto com sua família.

Pe. João Carlos Ribeiro – 01.04.2019

24 setembro 2018

A LÂMPADA QUE ESTÁ ILUMINANDO A SUA CASA

Coloca a lâmpada no candeeiro a fim de que todos os que entram vejam a luz (Lc 8, 16).
24 de setembro de 2018.
No tempo de Jesus, não havia luz elétrica, claro. As casas eram um pouco escuras, com poucas janelas. O que eles chamavam de lâmpada era uma tijelinha de barro com um bico com um pavio de algodão ou de linho. Dentro da lâmpada - a  tijelinha de barro -, se colocava azeite. O povo mesmo produzia o azeite de oliva, assim era barato. A lâmpada era colocada numa prateleira que estava na parede, num lugar mais alto, ou mesmo numa lamparina que estivesse pendurada. Com aquele pavio, a lâmpada podia ficar acesa o dia todo, sem gastar muito. E ficava acesa para iluminar a casa que era meio escura e para acender o fogo na hora de cozinhar. Só para lembrar, não havia fósforo. Tinham que manter a luz acesa mesmo. Uma das tarefas da dona de casa era manter a lâmpada acesa.
Jesus contou várias parábolas em que se fala da luz dessa lâmpada de azeite. Lembra-se da mulher que perdeu uma dracma e teve que procurar a casa toda com uma lâmpada? E aquela parábola das moças imprudentes que se esqueceram de levar o azeite? As lâmpadas se apagaram antes de começar a festa de casamento.
A pequena parábola de hoje também fala da lâmpada (de azeite, claro). “Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz”. Todo mundo no tempo de Jesus entendia do que ele estava falando. O que aprendemos com Jesus é uma luz para iluminar a nossa casa. O que temos a dizer com nossas palavras ou com nosso comportamento é uma luz para iluminar nossa família.
Jesus nos disse que somos luz no mundo, cidade edificada na montanha, lamparina no lugar alto da casa. Testemunhamos que, em nossa pequenez, fomos resgatados por seu amor. Em nós, a sua graça e o seu amor resplendem, nos fazendo luz para os outros, luz de Deus para a vida dos outros. Outros podem encontrar sentido em suas vidas, à luz do nosso testemunho. Minha família não vai ficar na escuridão, porque a luz de Deus que preenche a minha vida pode iluminá-la como uma lamparina pendurada no teto ou lâmpada na prateleirinha da parede, no candeeiro. Por nossas boas obras que testemunham o amor de Deus pelos seus filhos, muita gente pode encontrá-lo e bendizê-lo.
Na verdade, você não é luz porque é um exemplo de vida, uma pessoa sem defeitos, um anjo de criatura. Não, você torna-se uma luz para o mundo, porque Deus enche de luz a sua vida (é o que nos dizem as bem-aventuranças). Você é bem-aventurado porque Deus lhe deu o seu Reino, adotou você como filho/filha, consolou você em sua aflição. É isso que você testemunha, é disso que você fala, é esse brilho que está em seu sorriso e em suas obras: a luz de Deus que inunda a sua vida.
Então, não se esconda. Não se camufle. Hoje, mostre a sua cara. Fale, sorria, aconselhe, testemunhe. Seja hoje um canal da luz de Deus para a vida de sua família, de seus amigos, dos que hoje encontrarem você.
Guardando a mensagem
O Senhor com a sua graça e com sua palavra enche nossa vida de luz. Somos chamados a difundir essa luz para iluminar os ambientes humanos em que vivemos: nossa casa, nossa vizinhança, nosso local de trabalho. Seus ensinamentos, as verdades que proclamou, ditos ontem e hoje em ambientes reservados, precisam ser proclamados e difundidos abertamente. Ele é a luz do mundo. Nós, iluminados por ele, temos a vocação de lâmpada acesa no lugar alto da sala. Estamos aí para iluminar a vida dos outros.
Coloca a lâmpada no candeeiro a fim de que todos os que entram vejam a luz (Lc 8, 16).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Quando eras uma criancinha e foste levado ao Templo para a consagração dos primogênitos, o profeta Simeão te tomou nos braços e disse que tu eras a luz para iluminar as nações do mundo. Tu mesmo admitiste na presença dos teus discípulos: ‘Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas’. Uma vez iluminados com a tua luz, chamaste a nossa atenção para sermos também iluminadores dos outros. Hoje, te pedimos, Senhor, que a tua luz não se apague em nosso coração e em nossa vida. E que essa luz que vem de tua Palavra, de tua presença através da Igreja, da Eucaristia seja a luz que refletimos para os que conosco convivem ou conosco se encontram. Seja o bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Hoje, faça um momento de oração por sua família. Recorde cada um, cada uma e peça ao Senhor que os ilumine com a sua Palavra. Peça também ajuda para realizar bem a tarefa que ele lhe dá: ser a lâmpada de azeite acesa e posta num lugar alto de sua casa para iluminá-la.

Pe. João Carlos Ribeiro- 24 .09.2018.

24 junho 2018

A ALEGRIA PELA CHEGADA DE UMA CRIANÇA



Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Izabel e alegraram-se com ela (Lc 1, 58).

24 de junho de 2018.

Este domingo, 24 de junho, é especial. É o dia de São João. E o encerramento da semana nacional do Migrante. E tudo isso celebrado no dia do Senhor, no dia em que festejamos a ressurreição de Jesus, a sua e nossa vitória sobre tudo quanto existe de ruim no meio do mundo. Então, um bom domingo pra você e pra sua família, com muita alegria no coração.

Falei ‘alegria’. Disto, nos falam as leituras da palavra de Deus desta solenidade do nascimento de São João Batista. Alegria pelo nascimento de uma criança. E isto, hoje, pra mim que estou ainda na África, em Angola, tem um sabor muito especial. Criança é o que não falta por aqui. Criança teimando em nascer e crescer, no meio de uma pobreza tão grande, num país em reconstrução, depois de uma longa guerra civil terminada há apenas 16 anos!

A alegria dos vizinhos e parentes foi grande ao saber do nascimento do filho de Izabel e Zacarias. Alegria que se espalhou pelas montanhas de Judá, diz o evangelho. Uma criança não é obra do acaso, a vida humana é obra de Deus. Na chegada de uma criança, há algo de especial, de inesperado, por mais que os pais se preparem. A criança não é o fruto de um planejamento. Os pais podem, responsavelmente, planejar-se para acolher do melhor modo possível a vida que vai chegar. Mas, não a produzem, a acolhem. E o ser humano que chega, gerado pelos pais, já estava no pensamento de Deus, antes de existir. O jovem Jeremias ouviu Deus lhe dizer: “Antes de te formar no seio materno, eu te conheci; antes de saíres do ventre de tua mamãe, eu te consagrei”. O servo de Javé do Livro do profeta Isaías declarou: “O Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome”. O ser humano é obra do Deus criador, no milagre da geração humana e na criação de sua alma.

Os parentes e vizinhos de Izabel alegram-se com ela. Surpreendem-se com a ação misericordiosa de Deus na vida daquele casal idoso e estéril. Reconhecem a obra de Deus na vinda daquele menino ao mundo. Intuem que aquela criança está destinada a uma missão muito especial.  Dos fatos do nascimento e circuncisão do filho de Izabel, podemos recolher lições importantes para nós, hoje. Recolhamos, ao menos, três lições.  

Primeira lição: desejar e acolher o filho. Aqueles pais idosos, sem filhos pela esterilidade da mãe, desejavam o filho. Pediram muito a Deus por isso. O anjo disse a Zacarias, quando este oficiava no Templo: “Deus ouviu tua súplica”. O Senhor, no seu tempo, lhes concedeu esse dom tão precioso. Desejar o filho é a primeira atitude dos que constituem família. Ser pai e mãe é responder a uma vocação, a um chamado especial de Deus. Filho dá trabalho, altera a vida do casal. Mas, ao desejar e acolher um filho, os pais realizam a sua vocação, fonte de felicidade e realização.

Segunda lição: dar-lhe um nome. Os judeus circuncidavam o menino no oitavo dia e lhe davam o nome nessa cerimônia familiar, pela qual inseriam a criança na aliança com Deus. Dar um nome é dar uma identidade, assegurar-lhe um lugar na família e no seu povo. A vida de um ser humano é um mistério de possibilidades abertas ao futuro. Não é apenas uma continuação dos pais. Na casa de Izabel, os parentes ficaram confusos. O menino recebeu um nome em desacordo com a tradição familiar, não recebeu o nome do pai. “João é o seu nome”, escreveu o pai numa tabuinha. Foi um gesto de obediência a Deus que tinha mandado dar esse nome, em vista da missão que o menino desempenharia. A criança precisa ter um nome, um sobrenome, uma identidade, um lugar na família, na sociedade. As famílias cristãs dão nomes cristãos aos seus filhos, providenciam seu registro de nascimento, integram-nos na comunidade dos discípulos pelo batismo e os educam para serem úteis e significativos na sociedade. Dão-lhe um nome.

Terceira lição: Sermos solidários com as famílias. Foi essa a atitude dos parentes e vizinhos do abençoado casal. Eles alegraram-se com Izabel, na gravidez e no nascimento da criança, ao perceber como o Senhor tinha sido misericordioso para com ela. Uma atitude de fé e de exultação interior. Eles também ficaram admirados, surpresos, diante do nome recebido pela criança. Uma atitude de quem se deixa surpreender pela ação de Deus. Uma parenta de Izabel mostrou-se particularmente solidária: Maria. Ela esteve presente, ajudando sua prima nos últimos três meses da gestação. Maria e outros parentes e vizinhos mostraram-se próximos, solidários, interessados no bem daquela família. A pobreza da grande maioria do povo angolano, com alto índice de mortalidade infantil, pede nossa solidariedade, por ações de voluntariado, pelo sustento das missões católicas, pela oração em favor dos missionários que operam aqui. Mas, Angolas existem aí perto de você. São situações a nos pedir presença e solidariedade através da pastoral familiar, da pastoral da criança, de ações cidadãs em defesa da vida, da saúde, da educação das crianças.

Vamos guardar a mensagem

No dia de hoje, em que celebramos o nascimento de São João Batista, recolhamos as lições do evangelho no cuidado e na defesa da vida das crianças. Primeira lição: desejar e acolher o filho; Segunda lição: dar-lhe um nome. Terceira lição: Sermos solidários com as famílias e suas crianças. Cuidar bem dos próprios filhos e nos sentirmos todos responsáveis pela defesa e proteção das crianças.

Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Izabel e alegraram-se com ela (Lc 1, 58).

Vamos rezar a palavra

Rezemos o canto de Zacarias, o pai da criança:

Serás profeta do Altíssimo, ó menino,
pois irás andando à frente do Senhor
para aplainar e preparar os seus caminhos,
anunciando ao seu povo a salvação,
que está na remissão de seus pecados;
pelo amor do coração de nosso Deus,
sol nascente que nos veio visitar lá do alto
como luz resplandecente a iluminar
a quantos jazem entre as trevas
e na sombra da morte estão sentados
e para dirigir os nossos passos,
guiando-nos no caminho da paz.

Vamos viver a palavra

Havendo uma oportunidade, nesta semana, faça um gesto de atenção em relação a uma família pobre e suas crianças.

Pe. João Carlos Ribeiro – 24.06.2018

15 junho 2018

QUEM DISSE QUE FIDELIDADE NO CASAMENTO ESTÁ FORA DE MODA?!

Não cometerás adultério (Mt 5, 27)
15 de junho de 2018.
Os seguidores de Jesus acolhem, com gratidão, a Lei da Aliança que Deus deu a Israel. Não cometer adultério.  É um dos mandamentos da Lei que Deus deu ao seu povo, no Sinai. No Sermão da Montanha, Jesus tomou alguns pontos da Lei e os explicou, aprofundando o nível de exigência no seu cumprimento.  Na observância dos mandamentos, ele acentuou duas coisas: que seja expressão de nossa aliança com Deus e do respeito e do amor que devemos ao nosso próximo.
Nesse assunto do adultério, que toca tanto o homem como a mulher, Jesus, de maneira especial, tomou a defesa da mulher. A Lei ordena: “Não cometerás adultério”.  Perfeito. Mas, não cometer adultério é também não desrespeitar a mulher com um olhar malicioso ou expor a esposa ao adultério ao mandá-la embora de casa.
O evangelho de Jesus exalta o casamento, como participação no amor de Cristo e da Igreja. Anuncia a indissolubilidade desse laço que une homem e mulher, segundo o propósito de Deus. Abençoa o esforço de fidelidade dos esposos e o seu compromisso com a geração e a educação cristã dos  seus filhos. Repreende, portanto, o adultério, a traição e a vida conjugal sem entrega e sem compromisso.
Vivemos hoje em uma sociedade pluralista, com muitas opções sendo pregadas e defendidas. Nem todo mundo acredita nas mesmas coisas que nós acreditamos. O nosso modo de ver a família, o casamento, a vida sexual, como também a vida social, a economia, o trabalho, tudo isso encontra cada dia mais resistência e oposição. O ensinamento de Jesus e da Igreja é criticado, desprezado, rejeitado.
Os valores que defendemos estão alicerçados na Palavra de Deus e na Tradição viva da fé. Não são invenções do Papa, dos padres ou de algum movimento religioso reacionário. Defendemos a vida, desde sua concepção até a sua morte natural. Não estamos de acordo com a promiscuidade sexual. Pregamos a castidade de solteiros e casados. Não temos dúvida que o verdadeiro casamento só pode acontecer entre homem e mulher. São valores, são princípios, são bandeiras que nascem de nossa fé, enraizados na revelação bíblica e no ensinamento dos apóstolos de ontem e de hoje.
Que não pensem igual a nós, tudo bem. O desastre será se nós, por conta de opiniões contrárias, renunciarmos ao modo cristão de ver a vida e o mundo. Triste será se os cristãos esquecerem sua fé e embarcarem na onda forjadora de opinião dos grandes meios de comunicação e de grupos de pressão social. Já pensou se os cristãos trocarem o evangelho pela pregação que fazem hoje as novelas contra a família, contra o casamento, contra a santidade da vida sexual?
Vamos guardar a mensagem
Um seguidor de Jesus, nesta nossa sociedade em plena crise de valores, não pode ser uma pessoa que pensa com a cabeça dos outros e edita sua opinião, segundo os ventos da moda ou da pressão social. São Paulo foi bem claro: "Não se conformem com esse mundo, mas transformem-se, renovando sua maneira de pensar e julgar, para que possam distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito" (Romanos 12,2). Está claro demais. Não se conformar a esse mundo, isto é, não assimilar suas fraquezas e seus defeitos, não se moldar à sua imagem, mas antes, transformar-se, assimilando uma maneira de pensar e de agir de Deus.
Não cometerás adultério (Mt 5, 27)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Ser cristão da porta da Igreja pra dentro até que não é tão difícil. Agora, ser cristão da porta da Igreja pra fora, aí a coisa se complica. O mundo tem uma pregação sobre a família: cada dia mais destrói as suas bases e os seus fundamentos. E muitos cristãos casados embarcam no mundo da infidelidade ao leito conjugal, no adultério. E jovens cristãos aventuram-se a coabitar, em completo desrespeito à sua vocação de esposos e pais. Tu, Senhor, nos alertaste que o adultério começa com o olhar malicioso, o linguajar  obsceno, o desrespeito à mulher. Dá, Senhor, que os irmãos e irmãs unidos pelo matrimônio, santifiquem o seu leito conjugal, procurando, na tua graça, viver o amor verdadeiro, que pede comunhão, paciência, diálogo, perdão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Cheguei hoje, aqui, em Angola. Amanhã, faço show, com minha banda, num grande evento na Missão Salesiana de Calulo, na Província de Sumbe. Peço suas preces em favor desta viagem missionária.
Quanto à palavra de hoje, veja se identifica, em seu dia-a-dia, alguma coisa que esteja fragilizando a sua vivência do mandamento da fidelidade no amor, não pecar contra a castidade (o sexto mandamento da Lei de Deus).  

Pe. João Carlos Ribeiro -15.06.2018

25 abril 2016

O remédio do perdão

Nossa vida em família nos traz momentos de muita alegria e felicidade, mas também é palco de muitos desencontros e problemas:  a infidelidade, o desrespeito, as agressões, o abandono, a desunião, o individualismo.... São feridas abertas. 

As feridas de nosso relacionamento precisam ser curadas. E há para isso um remédio único, maravilhoso, o perdão... o perdão para quem se arrepende, a chance de recomeçar para quem reconhece o seu erro, a porta aberta para quem saiu de casa.  A mulher adúltera ia ser apedrejada, mas Jesus desafiou aquela turba de cínicos: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. O Papa Francisco tem insistido: “Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão. Deus nos perdoa, saibamos perdoar os outros”.
Jesus perdoou de verdade. Olhou para Pedro e o seu olhar de amigo decepcionado lançou Pedro numa profunda crise. Pedro saiu do pátio do Sumo Sacerdote soluçando como uma criança desesperada. Depois de ressuscitado, Jesus dialogou com Pedro, deu o primeiro passo. Perguntou se lhe queria bem, se o amava de verdade. E fez Pedro responder isso três vezes, cancelando a culpa de suas três negações.  Pedro não fechou o coração ao perdão de Jesus, acolheu sua presença amiga, suas perguntas, seu perdão.

22 janeiro 2015

Paternidade responsável

Hoje, não dá mais para ter muitos filhos, como no passado. O Papa Francisco disse aos jornalistas, na volta de sua viagem à Ásia, que uma boa conta seria uma família ter três filhos. Ele falou de paternidade responsável.

Os jornais logo ficaram em alerta para saber se o Papa estava liberando os métodos contraceptivos. O Papa só fez um comentário sobre famílias numerosas, recordando que a Igreja sempre promoveu o princípio da paternidade e maternidade responsáveis. Esse princípio está contido na encíclica "Humanae vitae", escrita pelo Papa Paulo VI, em 1968.  Ele falou que, quando foi escrita a encíclica, havia uma preocupação com a  teoria neo-Malthusiana que pregava o controle da natalidade por parte das potências. E isso seria um grande perigo. Claro, disse o Papa, isso não significa que o cristão deve fazer filhos em série.

A teóloga e escritora católica, Maria Clara Lucchetti Bingemer, escreveu um belo artigo sobre a Humanae Vitae, com esse título: “Muito além da pílula”. A Encíclica “Humanae Vitae”, do Papa Paulo VI, trata justamente da concepção e contracepção da vida humana, lançado oito anos depois da liberação da pílula anticoncepcional. Disse ela: “O documento que se posicionou contra a pílula anticoncepcional por ser um método artificial de evitar a gravidez é o mesmo que estimula os casais cristãos e católicos a exercerem a paternidade e maternidade responsável.  A vida moderna não permite que se tenha filhos sem um planejamento responsável, maduro, refletido e assumido conjugalmente na oração, no discernimento e na escuta da comunidade eclesial”.

A Igreja, naquela ocasião, resumindo aqui  o artigo da teóloga Maria Clara, se manifestou contra a investida de se reduzir a natalidade -  a tentação neo-maltusiana -  pela qual os países ricos querem penalizar os países pobres;  A posição da Igreja, mesmo reconhecendo o direito dos cônjuges de planejarem a vinda de seus filhos, não está de acordo que os pais sejam únicos e absolutos nessa questão.  O documento foi uma posição contrária à utilização irresponsável de meios artificiais que tornem infecundo o ato conjugal e abram por aí uma porta a outras medidas como o aborto ou a esterilização involuntária de mulheres como acontece ou tem acontecido por parte de organizações ou governos irresponsáveis.  A Humanae vitae não viu com bons olhos a pílula, um recurso químico do qual ainda não se sabiam nem se conheciam as consequências. Hoje, com a distancia histórica de cinqüenta anos, é possível ver que a produção dos anticoncepcionais também avançou.  Há mais cuidado por parte dos médicos ao receitar pílulas a suas pacientes e por parte destas em tomá-los.  Há várias mulheres que preferem outros métodos para evitar a gravidez, sem química, sem interferência direta em seu organismo.

A Humanae Vitae foi uma tomada de posição da Igreja que continua valendo. É a postura dos cristãos de qualquer época em favor da vida.  Sua única preocupação é proteger e preservar a vida em sua sacralidade e sua beleza, tal como a deseja e a concebeu o Criador. A Igreja quer proteger a instituição do matrimonio cristão. Quer colocar bem altos seus ideais, suas finalidades, seus objetivos.  Quer reafirmar a beleza da união entre o homem e a mulher no matrimonio e apontar para o fato de que esta união tem finalidades mais altas do que simplesmente o prazer imediato e a satisfação de necessidades biológicas. Com esse documento, a Igreja quis reforçar a responsabilidade e o dever gravíssimos que implica o fato de ter filhos e gerar novas vidas.  Trata-se de uma participação direta na obra do Criador, portanto algo que fala alto sobre a criação do ser humano à sua imagem e semelhança.

O Papa Francisco está com a razão. Não se pode ter mais famílias numerosas, com muitos filhos, como no passado. Mas, não se pode evitar filhos de qualquer maneira, sobretudo por métodos artificiais e abortivos. Nem encher a casa de filhos sem se ter condições.

Pe. João Carlos Ribeiro,

resumindo e comentando artigo de Maria Clara L. Bingemer - 22.01.2015

09 outubro 2014

Salvar a família pra consertar o mundo

É só abrir os jornais ou ler os noticiários para ver que há uma grande preocupação com as guerras, a crise econômica, a corrupção na política. De fato, o avanço do terrorismo do estado islâmico é uma grande ameaça para o mundo. E o desemprego continua a empurrar os jovens em migração em busca de oportunidades em outras terras.  E a corrupção destrói a credibilidade dos governos e enfraquece a confiança das pessoas na política. Mas, talvez haja um problema mais de fundo, uma coisa mais básica e mais vital que esteja em profunda crise. É, não tenha dúvida, a família. Estamos passando por uma profunda mudança cultural que está esfacelando ou ao menos redesenhando a família. A crise do mundo passa pela crise da família.

O Papa Francisco convocou um duplo Sínodo para tratar deste assunto: os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização. Sínodo é uma grande reunião com representantes da Igreja de todo o mundo, para refletir e propor soluções no serviço da evangelização. Após a reunião extraordinária neste ano, o Sínodo volta a se reunir no ano que vem e aí deve tomar decisões importantes, com o Papa, sobre este tema tão candente. Antes do Sínodo, em todas as Dioceses do mundo foi respondido um longo questionário que indagou sobre os problemas da família, o que está acontecendo, o que se está fazendo e o que poderá ser feito melhor. O Sínodo será a grande resposta da Igreja: como nós, missionários do evangelho de Jesus, vamos contribuir para fortalecer a família como uma célula básica da sociedade e da Igreja.

Mas, as respostas não estarão apenas no final do Sínodo. A resposta já está presente no próprio acontecimento sinodal: temos que nos dar conta do que está acontecendo e sair em defesa da família, ajudando-a a realizar bem sua tarefa de escola de comunhão, de cidadania e de fé. O Sínodo já é uma reposta. Precisamos ser gente que escuta a realidade e age para transformá-la. Não podemos ficar de braços cruzados, “vendo a banda passar”, apenas nos lamentando pelo desmonte da família por uma sociedade que estimula o individualismo, o consumismo e a busca de prazer a qualquer custo. O Sínodo é uma grande lição: um espaço  coletivo de discussão, em clima de abertura e franqueza, para conhecer a realidade e o pensamento dos outros e reafirmar nosso compromisso com Cristo para iluminar o mundo com a luz do seu Evangelho.

E as dificuldades para se realizar bem a família são bem conhecidas, porque são feridas em nosso próprio corpo. Perguntei no facebook: qual é o maior problema da família hoje? Centenas de respostas apontaram desunião, falta de diálogo, individualismo; os vícios, a bebida, as drogas; a infidelidade; a falta de respeito e obediência dos filhos; a doença e tantas outras situações causadoras de sofrimento para as pessoas. A família sofre as consequências de um mundo que se afasta dos valores cristãos e se entrega à lógica do mercado.

Mas, o tempo não é apenas de lamentação, requer ação. E nós precisamos nos unir para fazer alguma coisa pela família. E há muito o que fazer. E cada um precisa fazer sua parte. E por onde podemos começar? Iniciemos por onde o Sínodo começou, percebendo que família é um dom de Deus, acolhido com fé. A família já estava no pensamento de Deus, desde o princípio. Somos família, porque fomos criados à sua imagem e semelhança. Vamos começar com uma visão de fé e de confiança nessa obra prima de Deus.  Ela nasceu para dar certo. Ela conta com a força do alto. A família não é apenas uma necessidade para nós, para a sociedade e para a Igreja. Ela é importante também para Deus que a assiste sempre, para que ela seja um lugar de sua bênção e de seu amor. Ter uma visão de fé sobre a família já é um bom começo para nós que estamos mergulhados nesse mundo de guerras, de crise econômica, de corrupção política. Vamos salvar a família, pra consertar o mundo.

Pe. João Carlos /Ribeiro, sdb  -  09.10.2014




26 março 2014

Meu pai é alcoólatra

Tenho aqui o email de um adolescente de 16 de anos. Ele quer um conselho. Ele tem um pai alcoólatra e quer fazer alguma coisa por ele. Pede uma orientação. Um adolescente preocupado com a situação da família, especialmente com o pai que bebe muito e apronta. Viciado no álcool, o pai chega bêbado em casa, sai quebrando as coisas, tratando mal os filhos, a esposa. Este adolescente angustiado com a situação, quer um conselho, está procurando uma forma de ajudar.

12 agosto 2013

Transmissão da fé

Um grande desafio que a Igreja enfrenta hoje é a transmissão da fé às novas gerações. Os pais desse início de século estão com dificuldade para transmitir a fé católica aos seus filhos. Antigamente, parece que a coisa era mais fácil. Pais católicos ensinavam seus filhos a praticar a religião católica desde cedo. Era o normal, o que todo mundo fazia. Hoje, nós estamos correndo o risco que a nova geração não seja suficientemente evangelizada e inserida na Igreja.
A Semana Nacional da Família deste ano está voltada para este desafio: a transmissão e a educação da fé na família.  Todas as comunidades e dioceses estão empenhadas em sensibilizar os pais e os educadores para esse compromisso urgente: iniciar crianças, adolescentes e jovens na fé da Igreja.

26 junho 2012

Águas mais profundas

Avancem para águas mais profundas. Orientação de Jesus a Pedro e aos seus companheiros de pesca. Convite de Jesus a todos nós.

 Águas mais profundas na convivência. O corre-corre da vida pode ir nos fazendo superficiais nos nossos relacionamentos. Sem verdadeiro encontro de pessoas ninguém se sente integrado, valorizado, feliz. É aí que chega Jesus e nos diz: Avancem para águas mais profundas no relacionamento com os outros. Passar de um relacionamento de frieza, indiferença, desconfiança, superficialidade para um relacionamento de cordialidade, amizade, interesse pelo bem do outro.