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18 março 2020

O SANTO LIVRO

Não pensem que vim abolir a Lei e os Profetas (Mt 5, 17).

18 de março de 2020.

Já estamos passando da metade da Quaresma. E, hoje, nos chega um estímulo para que coloquemos, no centro de nossa espiritualidade, a Palavra de Deus.

Tudo o que está na Bíblia está valendo para os cristãos? Uma boa pergunta. Jesus era judeu e vivia na fé do povo de Israel. A Bíblia do povo de Deus era só o Antigo Testamento, onde estavam os livros de Moisés, dos profetas e os Salmos. Os seguidores de Jesus, aos poucos, acrescentaram outros escritos: o Novo Testamento. No Novo Testamento, estão os evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Cartas e o Apocalipse. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, reconhecemos a ação do Espírito Santo que assistiu os escritores sagrados ao registrarem a experiência da fé do povo santo, a quem Deus foi revelando o seu projeto de salvação.

O Evangelho de Mateus, lido hoje, nasceu entre comunidades cristãs que estavam em ambiente judeu, com a maioria dos membros vindos do judaísmo; gente, portanto, que prezava por demais a Lei que Deus lhes tinha dado por meio de Moisés. Nessas comunidades vindas do judaísmo, era muito necessário esclarecer bem qual tinha sido a relação de Jesus com a Lei de Moisés. Havia sempre uma dúvida: Será que Jesus deu valor à Lei de Moisés? E ele, realmente era praticante fiel desta Lei? Será que ele não veio mudar essa Lei? Então, a esse respeito, foram lembrados os ensinamentos de Jesus que estão no Sermão da Montanha. Jesus disse: “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento”. Então, para tranquilidade de todos, estava claro, Jesus deu valor à Lei. Não veio acabar com ela. Nem modificá-la. Veio dar-lhe plenitude.

Jesus deixou claro que a Lei de Deus não é um fardo pra gente carregar. É uma manifestação do amor de Deus para nos conduzir à felicidade e à salvação. Por isso, ele criticou muito os fariseus. Apesar de serem muito zelosos no cumprimento da Lei de Moisés, eles, no dizer de Jesus, “amarravam fardos pesados nas costas do povo”, transformando a Lei de Deus num instrumento de discriminação e opressão das pessoas.

Então, lendo o Antigo Testamento, percebemos que toda a Lei encontra seu sentido e seu coroamento em Jesus e no seu evangelho. O amor a Deus e ao próximo é a síntese completa da Lei do Senhor.

Guardando a mensagem

No Sermão da Montanha, está como Jesus explicou a Lei e como devemos realizá-la. E como devemos seguir a Lei de Deus?

Devemos seguir a Lei de Deus com a Liberdade que ele nos deu. É na liberdade que escolhemos o bem, a verdade e rejeitamos o mal. Deus nos fez livres para escolher o bem.

Devemos seguir a Lei de Deus com a Sabedoria que ele nos dá. Não a sabedoria do mundo, nem a sabedoria dos poderosos. A Sabedoria de Deus. Ele preparou coisas maravilhosas para nós, um mistério que só o Espírito Santo nos revela.

Devemos seguir a Lei de Deus com a Caridade para os com irmãos que ele nos pede. O que está escrito na Lei? Não matarás. Perfeito. Mas, não matar quer dizer também não odiar o irmão, não desqualificá-lo, não humilhá-lo. A caridade é uma das marcas da nossa vivência da Lei.

Não pensem que vim abolir a Lei e os Profetas (Mt 5, 17).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Hoje, neste 22º dia da Quaresma, em nosso caminho para a Páscoa, acolhemos com carinho a tua santa Palavra. O povo antigo amava o que eles chamavam a Lei. E nós continuamos a amar e venerar as Escrituras Sagradas, onde Deus nos fala. E continuamos a rezar, com os Salmos do povo bíblico: “A lei do Senhor é perfeita”. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu Santo Espírito, a conhecer, através do livro santo, a vontade de Deus e realizá-la em nossas vidas. Como nos inspiras, queremos também ser anunciadores do amor de Deus testemunhado no livro da história sagrada de nossa salvação. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Onde anda a sua Bíblia? Hoje, deixe-a num lugar de destaque. Nela, leia o evangelho que meditamos: Mateus 5,17-19.

E nós estamos realizando, em nossos programas, a Novena Extraordinária a Nossa Senhora Auxiliadora para renovar nossa confiança em Deus e pedir a proteção da Santíssima Virgem nestes dias de combate contra o coronavírus. O texto da novena está logo após a Meditação, em minha página na internet: www.padrejoaocarlos.com. Quem recebe a Meditação pelas redes sociais, é só clicar no link enviado. 

A gente se encontra às dez da noite, no facebook (@padrejoaocarlos).

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

NOVENA EXTRAORDINÁRIA 

A NOSSA SENHORA AUXILIADORA



Motivado pela disseminação do coronavírus, a Congregação Salesiana propõe a NOVENA EXTRAORDINÁRIA A NOSSA SENHORA AUXILIADORA, de 15 a 23 de março. Participe!

Em vista da disseminação do coronavírus em vários países, o Reitor-mor, padre Ángel Fernández Artime, convida os Salesianos, os membros da Família Salesiana e os jovens a renovar sua confiança em Maria Auxiliadora, seguindo o exemplo de Dom Bosco em circunstâncias semelhantes. Por esse motivo, ele propõe viver uma novena extraordinária de 15 a 23 de março e concluí-la no dia 24, comemoração mensal de Maria Auxiliadora, com uma oração de entrega.

NOVENA E ENTREGA A MARIA AUXILIADORA



Recitar durante nove dias consecutivos:

- Três Pai-nossos, Ave-marias e Glórias, ao Santíssimo Sacramento, com a prece:


Graças e louvores se deem a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento;


Três Salve-Rainhas a Maria SS. Auxiliadora, com a invocação:


Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós.


Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, ó Virgem entre todas singular, como Mãe recorro; de Vós me valho, gemendo sob o peso dos meus pecados, e me prostro a vossos pés. Não desprezeis minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.


Oração para livrar-nos do ‘coronavírus’

Deus todo-poderoso e eterno, de quem todo o universo recebe força, existência e vida, vimos até vós para invocar a vossa misericórdia, pois que também hoje experimentamos a fragilidade da condição humana na experiência de uma nova pandemia.

Cremos que sois Vós a guiar o curso da história humana e que o vosso Amor pode mudar para melhor o nosso destino, qualquer que seja a nossa condição humana. Por isso vos confiamos os doentes e suas famílias: pelo Mistério Pascal do vosso Filho, dai salvação e alívio a seu corpo e espírito.

Ajudai cada membro da sociedade a cumprir sua tarefa, fortalecendo o espírito de mútua solidariedade. Amparai os médicos e os agentes sanitários, os educadores e os assistentes sociais na prestação do seu serviço.

Vós que na fadiga sois conforto e apoio na fraqueza, por intercessão da Virgem Maria e de todos os santos médicos e patronos da saúde, afastai de nós todo o mal e contaminação.

Livrai-nos desta epidemia que nos aflige, a fim de que possamos voltar serenamente às nossas ocupações habituais e vos louvar agradecidos com sempre renovado coração.

Em Vós confiamos, ó Pai, e a Vós elevamos a nossa súplica, por Jesus Cristo vosso Filho e Nosso Senhor. Amém.



CONSAGRAÇÃO DO MUNDO A MARIA SS. AUXILIADORA 
[24 de março]


Santíssima e Imaculada Virgem Maria, Mãe nossa terníssima e poderoso Auxílio dos Cristãos, nós nos consagramos inteiramente a Vós, para que nos conduzais a Deus. Consagramos-vos a mente com seus pensamentos, o coração com seus afetos, o corpo com seus sentimentos e todas as suas forças; e vos prometemos trabalhar sempre para a maior glória de Deus e a salvação das almas.

E vós, entretanto, ó Virgem incomparável, que sempre fostes a Mãe da Igreja e o Auxílio dos Cristãos, continuai a mostrar-vos tal especialmente nestes dias.

Iluminai e fortalecei os bispos e os sacerdotes, mantendo-os sempre unidos e obedientes ao Papa, Mestre infalível; aumentai as vocações religiosas e sacerdotais para que, também por meio delas, o reino de Jesus Cristo se preserve entre nós e se estenda até aos confins da terra.

Pedimos-vos novamente, ó Mãe querida, que mantenhais o vosso olhar amoroso sobre os jovens, tão expostos sempre a tantos perigos; e sobre os pobres pecadores e moribundos.

Sede para todos, ó Maria, doce Esperança, Mãe de misericórdia e Porta do Céu. Mas também por nós Vos suplicamos, ó grande Mãe de Deus. Ensinai-nos a copiar em nós as vossas virtudes, especialmente a angélica modéstia, a humildade profunda e a ardente caridade.

Fazei, ó Maria Auxiliadora, que todos nos acolhamos sob o vosso manto de Mãe.

Fazei que nas tentações vos invoquemos logo com confiança: que o pensamento de que sois tão boa, amorosa e querida, que a lembrança do amor que dedicais aos vossos devotos nos sejam de tal conforto que sejamos vitoriosos contra os inimigos da nossa alma, na vida e na morte, e possamos um dia ser vossa Coroa de Glória no Céu. 
Amém.

07 março 2020

SEM ÓDIO NO CORAÇÃO

Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44). 


07 de março de 2020.

Neste 11º dia da Quaresma, um passo exigente no terreno da caridade. Prepare o coração. Jesus nos mandou amar os inimigos. Essa atitude cristã supera o comportamento humano digamos “normal” que seria amar os amigos e odiar os inimigos. Viver na fé em Jesus Cristo nos faz superar essa posição. 

Ter raiva é uma coisa natural. Deixar que a raiva tome conta da gente, aí é que não dá. Permitir que a raiva se transforme em rancor, ódio e nos cegue em nossas atitudes, aí não. Segundo o ensinamento de Jesus, o melhor caminho é acalmar o coração e tentar ver em quem nos ofende ou nos agride um irmão, uma pessoa que está equivocada, mas continua a merecer nossa consideração. Não responder-lhe na mesma medida, não desejar-lhe o mal, antes preservar sua boa imagem, querer o seu bem, rezar por ele ou por ela. É o que Jesus está nos dizendo neste evangelho. 

Amar o próximo é o mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. E quando o próximo for nosso inimigo ou a nossa inimiga, aí a coisa se complica. Amem os seus inimigos, mandou Jesus. Esse é o caminho da perfeição, amar os inimigos. E é nessa via que nós caminhamos, porque o Pai é perfeito. ‘Sejam perfeitos como o Pai do céu é perfeito’. Jesus foi claro: ‘tornem-se filhos do Pai que faz nascer o sol sobre maus e bons e manda chuva para justos e injustos’. O Pai é o modelo para o filho. O nosso Pai trata bem os maus, porque ele é pai de todos e a todos ama. Como filhos, nós o imitamos. 

Olha que interessante essa palavra de Jesus: “Tornem-se filhos do seu Pai que está nos céus”. O dom da filiação divina nós o recebemos no batismo, por meio do Espírito Santo. Somos filhos de Deus. Mas, Jesus está nos dizendo “tornem-se filhos do seu Pai”. Então, mesmo tendo recebido a graça de sermos filhos de Deus, precisamos aprender a agir como ele, neste caso, amando os nossos inimigos. Na carta aos Hebreus, a esse propósito, há uma passagem interessante sobre Jesus que aprendeu a ser um filho obediente. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.” (Hebreus 5,8). Pelo sofrimento, Jesus aprendeu a obediência de filho. Jesus é o maior exemplo. Ele falou e fez. Na cruz, humilhado, traído, torturado só pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, porque, disse ele, “eles não sabem o que fazem”. Rezou por eles. Também por eles, deu a vida. 

Jesus está chamando a nossa atenção para o diferencial do cristão. Não agir como os pagãos ou pessoas reconhecidamente pecadoras desse mundo. Eles amam os seus amigos, tratam bem os seus iguais. Temos que imitar o Pai. Temos que imitar Jesus. Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem, fazer o bem a quem nos maltrata. 

Guardando a mensagem 

Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer-lhe o bem. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso modelo. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração. 

Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44). 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os mesmos sentimentos teus, como nos aconselhou o apóstolo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de inclinação à vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também são irmãos que precisam encontrar a graça da conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Identifique, hoje, na sua história de vida, alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar esse alguém. 

07 de março de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

06 março 2020

SUPERAR A MENTALIDADE DOS FARISEUS

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)


06 de março de 2020.

No Sermão da Montanha, Jesus está nos apresentando um manifesto do Reino. Jesus percebia que era necessário superar a mentalidade dos fariseus. ‘Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus’. Para eles, agradar a Deus era cumprir escrupulosamente as leis escritas nos Livros de Moisés e em sua tradição oral. Justo, abençoado, ensinavam eles, é quem pratica a Lei de Deus, com todos os seus erres e efes. Bom, praticar a Lei de Deus é uma coisa boa. “Feliz o homem que observa os seus preceitos”, diz o Salmo 118. O problema é quando se vive uma mentalidade legalista, onde a pessoa não vê mais nada a não ser a realização do que lhe foi mandado. Gente assim se esquece para que existe aquela Lei e vira escravo da letra da Lei.

Na verdade, entendemos, com São Paulo, que não é o cumprimento da Lei que nos salva. O que nos justifica, nos torna santos, é o amor de Deus por nós, amor que veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. É Cristo quem nos justifica, e o fez por sua morte redentora. Fomos justificados pelo seu sangue, diz São Paulo na carta aos Romanos (Rm 5, 9).

Jesus quer que, pela nossa condição de justificados por seu amor na cruz, sejamos capazes de fazer mais do que a Lei de Moisés manda. Não apenas fazer o que a letra da Lei determina, mas, pela experiência do amor de Deus e pela caridade, temos que ir mais adiante, fazer bem mais. Trata-se, então, de viver os mandamentos de Deus de maneira ainda mais profunda e respeitosa. No evangelho de hoje, Jesus comenta três dos mandamentos de Deus: Não matar, não cometer adultério, não jurar falso. Olhemos melhor, hoje, esse mandamento “Não matar”.

Aos antigos, foi dada esta lei: “Não matar. Quem matar será condenado pelo tribunal”. A nova lei de Jesus, ou melhor, o modo novo de ver a antiga lei, é ainda mais exigente. Matar é o extremo. Mas, a morte do outro começa com golpes aparentemente leves: a indiferença, a desconsideração, o desprezo, o preconceito, a ação movida pela cólera. A ofensa a Deus e ao próximo não é só matar com uma arma de fogo ou uma arma branca ou química. Há outras formas de matar aos poucos, igualmente repudiáveis: o bullying, a difamação, a intolerância, a discriminação. A lei do Evangelho exige mais do que o simples mandamento “Não matar”; inclui também não desqualificar alguém, considerando-o burro, ignorante, incapaz. Isto também é uma forma de violência e de morte. Palavras e atitudes também podem ser armas letais.

Para ser réu no tribunal, nem precisa chegar a cometer homicídio, aborto, eutanásia, feminicídio ou coisa parecida. Já vira réu quem se encolerizar com seu irmão, ensinou Jesus. Encolerizar-se com o irmão é agir movido pela raiva, pela cólera. Quando alguém se deixa tomar pela raiva, acaba magoando, machucando, agindo com violência e sentimentos de vingança. A ação movida pela cólera é impensada, violenta, cega. É melhor se acalmar no momento para não ter que amargar um arrependimento depois. Quando a raiva vier, é preciso parar, respirar, deixar baixar a poeira. Assim, a ação que vier será menos impulsiva e poderá mais facilmente ser pautada por respeito, consideração e disposição para a reconciliação. Isso, sim, é digno de um cristão.

Guardando a mensagem

Os mandamentos de Deus continuam valendo. Mas, Jesus alarga a sua compreensão. ‘Não matar’ não é só tirar a vida dos outros, mas também não ofendê-los em sua dignidade, desprezá-los, difamá-los. O adultério começa no olhar malicioso que é desrespeito e violência contra a mulher. Mais do que “não jurar falso”, falar sempre a verdade. O esforço por tratar bem os outros, em todas as situações, se harmoniza com a busca de reconciliação. E essa é uma condição para o culto a Deus. Jesus orientou claramente: “Deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”. Somos construtores de fraternidade, controlando em nós o impulso da ira, a tentação da indiferença, a violência do preconceito.

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,

Vivemos em um mundo de muitos desencontros. Facilmente nos contrariamos, ficamos com raiva, nos frustramos, nos decepcionamos ou decepcionamos os outros. Às vezes, nossa reação é movida pela raiva, pela cólera, pelo ódio. E sabemos que esses sentimentos são fonte de violência, em nossa convivência. Hoje, recordamos o que disseste sobre os mandamentos de Deus. Senhor, ajuda-nos a viver no meio das dificuldades da vida com serenidade e fortaleza. E a defender nossos direitos ou nossos pontos de vista, sem agredir ou insultar quem não pensa como nós. Que em toda e qualquer contrariedade, sejamos iluminados por tua palavra e por tua mansidão. Em nossa prece de hoje, nós te recomendamos, Senhor, as vítimas das fortes chuvas na baixada santista, sobretudo em Santos, São Vicente e Guarujá. Sê conforto para os seus familiares e força para os desabrigados. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para se fortalecer no caminho do evangelho reze muitas vezes, hoje: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

06 de março de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

23 fevereiro 2020

NÃO ALIMENTAR A VIOLÊNCIA

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)

23 de fevereiro de 2020



Toda a história do antigo povo de Deus, suas leis, suas normas de comportamento, com a vinda de Jesus tudo ganhou mais luz, mais perfeição. No Sermão da Montanha, Jesus, como um novo Moisés, comunica a Lei ao seu povo. Ele não veio para acabar com a Lei antiga, mas para levá-la à perfeição, para aprimorá-la. A lei do Reino de Deus pauta-se pela misericórdia, pelo amor. 

No texto de hoje, ele corrige a Lei do Talião. A Lei do Talião, como está no Livro do Levítico, já era um grande avanço, porque disciplinava a reação às agressões. Não permitia o excesso. Era o mínimo de qualquer povo civilizado. Está escrito no Livro do Levítico: vida por vida, fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. O dano que causar a alguém será a sua paga, na mesma moeda, na mesma medida. Bateu, levou. Matou, morreu. É o nível humano, disciplinando a vingança, para a vingança não sair maior do que a ofensa. Essa legislação foi já um grande avanço para o povo do Antigo Testamento. 

Com Jesus, o homem redimido pela graça pode fazer muito mais do que isso. Pode reagir com maior controle, com mais caridade, pode vencer, em si próprio, a raiva, o ódio, o desejo de vingança. O homem renascido pela graça pode ser mais generoso, como Deus foi para com ele; ser misericordioso, como Deus foi com ele. Pode, na graça de Deus que o regenerou, oferecer o perdão, em vez da vingança. 

Olha o que Jesus disse: “Não enfrentem quem é malvado”. Rebater à violência com a violência é alimentar a espiral suicida da violência. A lei de Moisés impunha um controle sobre a medida da vingança, para ninguém se exceder fora da conta. Com Moisés, quem foi ofendido tem o direito de responder com a mesma moeda. Não mais. Com Jesus, nem isso. Quem foi ofendido, não se vinga de jeito nenhum. Não responde com a mesma moeda. Não parte para a violência. Nada de "olho por olho, dente por dente". Não só não parte para a violência, mas procura ser humilde e generoso para restabelecer a fraternidade. Não somente não se vinga, mas também não fecha as portas para o agressor. Assim, até se arrisca a receber outra pancada, outra traição, outra ofensa. "Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!". Fácil, não é. 

Guardando a mensagem 

Oferecer a face esquerda ao agressor. Foi Jesus mesmo que em primeiro lugar realizou isso. Sua cruz foi isso! Nós o esbofeteamos, mas ele pediu ao Pai que nos perdoasse. Nós o crucificamos e, no entanto, ele nos reconciliou com Deus. O mandamento dele é ‘vingança não’ (aquele negócio de olho por olho) e nem voltar as costas a quem nos ofende. Agora a nova lei nos manda ser fraternos a toda prova. Nada de vingança. Nada de reações violentas. Permanecer desarmado, enfrentando a ofensa dos irmãos com humildade e pronto para o perdão. Não alimentar a violência.

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Hoje, estás nos ensinando a agir com mansidão, não com violência. Deste o exemplo: ferido e violentado pelos soldados de Pilatos, te comportaste como um cordeiro levado ao matadouro. Ó Jesus, manso e humilde de coração, faz o nosso coração semelhante ao teu. Dá-nos vencer a espiral da violência, quebrando a resposta violenta que só a alimenta. Ensina-nos, Senhor, a não queremos fazer justiça com as nossas próprias mãos.  Sustenta-nos com os dons da fortaleza e da não-violência. Tu és, Senhor, o nosso modelo de vida, o nosso Mestre. Abençoa, Senhor, nossas famílias, ajudando-nos a não embarcar no clima de desrespeito e violência que o carnaval estimula. Seja honesta a nossa diversão, verdadeira a nossa alegria. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Nesse assunto da paciência, da disposição para a reconciliação, da mansidão, há alguma coisa a consertar na sua vida? Se puder, escreva alguma coisa sobre isso no seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações). 

23 de fevereiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro

16 fevereiro 2020

O AMOR É QUE É A LEI

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)

16 de fevereiro de 2020

Neste 6º. Domingo do Tempo Comum, continuamos ouvindo o Sermão da Montanha. Nele, Jesus está nos apresentando um manifesto do Reino. Há uma novidade nos seus ensinamentos. Eles superam o modo como os pregadores do seu tempo falavam de Deus e das obrigações que resultam de nossa aliança com ele.

Jesus percebia que era necessário superar a mentalidade dos fariseus. ‘Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus’. Para eles, agradar a Deus era cumprir escrupulosamente as leis escritas nos Livros de Moisés e em sua tradição oral. Justo, abençoado, ensinavam eles, é quem pratica a Lei de Deus, com todos os seus erres e efes. Bom, praticar a Lei de Deus é uma coisa boa. “Feliz o homem que observa os seus preceitos”, diz o Salmo 118. O problema é quando se vive uma mentalidade legalista, onde a pessoa não vê mais nada a não ser a realização do que lhe foi mandado. Gente assim se esquece para que existe aquela Lei e vira escravo da letra da Lei.

Na verdade, entendemos, com São Paulo, que não é o cumprimento da Lei que nos salva. O que nos justifica, nos torna santos, é o amor de Deus por nós, amor que veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. É Cristo quem nos justifica, e o fez por sua morte redentora. Fomos justificados pelo seu sangue, diz São Paulo na carta aos Romanos (Rm 5, 9).

Jesus quer que, pela nossa condição de justificados por seu amor na cruz, sejamos capazes de fazer mais do que a Lei de Moisés manda. Não apenas fazer o que a letra da Lei determina, mas, pela experiência do amor de Deus e pela caridade, temos que ir mais adiante, fazer bem mais. Trata-se, então, de viver os mandamentos de Deus de maneira ainda mais profunda e respeitosa. No evangelho de hoje, Jesus comenta três dos mandamentos de Deus: Não matar, não cometer adultério, não jurar falso. Olhemos melhor, hoje, esse mandamento “Não matar”.

Aos antigos, foi dada esta lei: “Não matar. Quem matar será condenado pelo tribunal”. A nova lei de Jesus, ou melhor, o modo novo de ver a antiga lei, é ainda mais exigente. Matar é o extremo. Mas, a morte do outro começa com golpes aparentemente leves: a indiferença, a desconsideração, o desprezo, o preconceito, a ação movida pela cólera. A ofensa a Deus e ao próximo não é só matar com uma arma de fogo ou uma arma branca ou química. Há outras formas de matar aos poucos, igualmente repudiáveis: o bullying, a difamação, a intolerância, a discriminação. A lei do Evangelho exige mais do que o simples mandamento “Não matar”; inclui também não desqualificar alguém, considerando-o burro, ignorante, incapaz. Isto também é uma forma de violência e de morte. Palavras e atitudes também podem ser armas letais.

Para ser réu no tribunal, nem precisa chegar a cometer homicídio, aborto, eutanásia, feminicídio ou coisa parecida. Já vira réu quem se encolerizar com seu irmão, ensinou Jesus. Encolerizar-se com o irmão é agir movido pela raiva, pela cólera. Quando alguém se deixa tomar pela raiva, acaba magoando, machucando, agindo com violência e sentimentos de vingança. A ação movida pela cólera é impensada, violenta, cega. É melhor se acalmar no momento para não ter que amargar um arrependimento depois. Quando a raiva vier, é preciso parar, respirar, deixar baixar a poeira. Assim, a ação que vier será menos impulsiva e poderá mais facilmente ser pautada por respeito, consideração e disposição para a reconciliação. Isso, sim, é digno de um cristão.

Guardando a mensagem

Os mandamentos de Deus continuam valendo. Mas, Jesus alarga a sua compreensão. ‘Não matar’ não é só tirar a vida dos outros, mas também não ofendê-los em sua dignidade, desprezá-los, difamá-los. O adultério começa no olhar malicioso que é desrespeito e violência contra a mulher. Mais do que “não jurar falso”, falar sempre a verdade. O esforço por tratar bem os outros, em todas as situações, se harmoniza com a busca de reconciliação. E essa é uma condição para o culto a Deus. Jesus orientou claramente: “Deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”. Somos construtores de fraternidade, controlando em nós o impulso da ira, a tentação da indiferença, a violência do preconceito.

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)

Acolhendo a mensagem

Senhor Jesus,

Vivemos em um mundo de muitos desencontros. Facilmente nos contrariamos, ficamos com raiva, nos frustramos, nos decepcionamos ou decepcionamos os outros. Às vezes, nossa reação é movida pela raiva, pela cólera, pelo ódio. E sabemos que esses sentimentos são fonte de violência, em nossa convivência. Hoje, recordamos o que disseste sobre os mandamentos de Deus. Senhor, ajuda-nos a viver no meio das dificuldades da vida com serenidade e fortaleza. E a defender nossos direitos ou nossos pontos de vista, sem agredir ou insultar quem não pensa como nós. Que em toda e qualquer contrariedade, sejamos iluminados por tua palavra e por tua mansidão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para se fortalecer no caminho do evangelho reze muitas vezes, hoje: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

16 de fevereiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

09 fevereiro 2020

AJUDANDO O MUNDO A SER MELHOR

Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? (Mt 5, 3)

09 de fevereiro de 2020

Estamos no Sermão da Montanha. Nele, Jesus começou sua pregação, proclamando as bem-aventuranças.  Com as bem-aventuranças, conforme o evangelho de Mateus, que estamos lendo neste ano litúrgico, Jesus traçou o perfil do cidadão do Reino de Deus: alguém desapegado dos bens desta terra, solidário com as dores dos seus irmãos, manso nos seus relacionamentos, comprometido com a verdade e a justiça, misericordioso com os seus semelhantes, correto em suas intenções, artesão da paz, perseverante nas provações. O primeiro que cabe nesse perfil é o próprio Jesus. As bem-aventuranças são a carta de identidade do cristão. Esta é a nossa vocação: viver, nesse mundo, como filhos de Deus que somos, tendo Jesus como nosso modelo e guia.  

Depois que Jesus fez essa linda declaração das bem-aventuranças, ele deu mais um passo em sua explicação. Aí entra o evangelho de hoje, que vem logo em seguida. As bem-aventuranças, o que são? Elas traçam o perfil do cristão. Ótimo. Vocês são os abençoados por Deus, os bem-aventurados, por obra de sua graça e do compromisso de vida de vocês. Muito bem. Mas, não para formarem uma comunidade de santos separada do mundo.  O que vocês são deve ajudar o mundo a ser melhor. Vocês são o sal da terra! Vocês são a luz do mundo!

Sempre houve uma tentação de se querer viver a fé fora do mundo real. No tempo de Jesus, os essênios formavam uma comunidade que vivia no deserto, sem contato com ninguém de fora. E toda aquela cobrança que havia, por parte dos fariseus, sobre o puro e o impuro, no fundo era querendo que o povo de Deus não tivesse contato com os pagãos ou com os não praticantes da Lei. E Jesus insistiu: vocês são o sal da terra, a luz do mundo. São uma cidade construída sobre um monte, não podem não ser uma referência para o peregrino, um farol para os navegantes. Uma luz no candeeiro da sala, num lugar alto, é o que vocês são.

Sobre a luz, já falamos em outras ocasiões. Vamos, hoje, considerar melhor esse “sal da terra”. No tempo de Jesus, o sal vinha de uma região do Mar Morto, que era chamado de Mar do Sal. E tinha muitas utilidades, além de condimentar os alimentos. Por exemplo, todos os sacrifícios (de animais) oferecidos no Templo levavam sal. Pedras de sal recolhidas no Mar Morto, em estado bruto, serviam também para manter o fogo aceso. E muitos outros usos.

Para a compreensão do evangelho de hoje, é bom não perdermos de vista duas preciosas utilidades do sal: preservar e dar sabor. De maneira especial, o sal era usado para preservar da corrupção. Naquele tempo não havia geladeira. O peixe, a carne precisavam levar sal para não se estragar. E, claro, comida insossa não tem graça. O sal realça o sabor dos alimentos, dá sabor.

E é disso que Jesus está falando: o cristão, no mundo, é sal. A sua condição de filho de Deus deve influir no seu ambiente, deve influenciar positivamente sua casa, sua rua, seu trabalho. O cristão é sal para preservar o mundo da corrupção, que é o pecado, a injustiça, a maldade. A condição do cristão é a do sal, um influenciador. A comunidade cristã não pode se fechar no seu mundinho de paz, mas precisa ser no seu ambiente uma força em favor da justiça, da educação de qualidade, do respeito à vida.  Se o cristão e sua comunidade se negam a ser sal da terra, o mundo fica privado da força de Deus que renova todas as coisas. Se o cristão e sua comunidade se negam a ser luz do mundo, o mundo fica privado da luz de Cristo.    

Guardando a mensagem

Nas bem-aventuranças, Jesus traçou o perfil dos filhos de Deus, dos seus seguidores. Ele é o que mais se encaixa nesse perfil. Assim, ser cristão é ser seu seguidor, seu imitador. No evangelho de hoje, Jesus dá um segundo passo: explica que essa condição de filhos de Deus não nos afasta da realidade, mas nos faz influenciadores no mundo. Neste sentido, nos disse, vocês são o sal da terra (não do céu), a luz do mundo. Sal para preservar da corrupção, da degradação que o mal provoca no mundo dos negócios, da cultura, da vida em sociedade. Sal para conferir sabor, para sublinhar o sentido da vida, do trabalho, da família. Cristo é a luz do mundo. A comunidade cristã e cada batizado iluminam o mundo com suas palavras, com seu testemunho, com suas ações. Por eles, Cristo ilumina o mundo.

Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? (Mt 5, 3)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Tu nos disseste, hoje, que a nossa condição de filhos abençoados de Deus, de bem-aventurados, nos faz pessoas e comunidades comprometidas com o bem, a verdade e a justiça no mundo. Nossas palavras, nossas ações, nosso testemunho oferecem a tua luz e a tua verdade a todos, influenciando positivamente os ambientes onde vivemos, trabalhamos, nos divertimos. Se o sal perde sua força de salgar, para que serve, perguntaste. Livra-nos, Senhor, de ser sal que não preserva e que não dá sabor, que não está no mundo como uma força em favor da vida, da liberdade, da inclusão, do cuidado com a casa comum. Em nós, apesar de nossa fraqueza, és tu que ages salgando, salvando, iluminando o mundo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze, na sua Bíblia, o Salmo 111 (ou 112). Começa assim: Feliz aquele que teme o Senhor e que muito se compraz em seus mandamentos.

09 de fevereiro de 2020
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



03 novembro 2019

A FESTA DE TODOS OS FILHOS E FILHAS DE DEUS

Alegrem-se e exultem, porque será grande a recompensa de vocês nos céus (Mt 5, 12)
03 de novembro de 2019
Este é o domingo de todos os santos. Podemos compreendê-lo melhor, dizendo: este é o domingo de todos os filhos e filhas de Deus. Santo é Deus. Santos somos nós, pela graça que recebemos de sermos seus filhos; e também, mesmo que não seja suficiente, pelo esforço que fazemos para acolher e viver esse dom. 
O apóstolo São João explicou, em sua primeira carta, que Deus nos deu um grande presente de amor. Que presente é esse? “Sermos chamados filhos de Deus. E o sermos de fato”. Ainda não se manifestou o que seremos, mas desde já somos filhos de Deus. Somos filhos porque estamos unidos a Cristo. Somos filhos e filhas porque o Espírito Santo foi derramado em nós. E São João explicou mais uma coisa: quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele.
Olha que graça tão grande, somos filhos de Deus. Temos o seu Espírito. Estamos unidos a Jesus, que é o filho unigênito. Somos filhos adotivos de um pai que nos ama sem medida. Ele foi capaz de entregar o seu filho único em nosso favor. Um pai amoroso e fiel. 
Mas, nós somos pecadores. Pois é. Vivíamos afastados, de costas para Deus. Por isso, o Pai nos enviou Jesus e ele nos purificou com o seu sangue, isto é, com o sacrifício de sua cruz. No Apocalipse, São João viu uma multidão tão numerosa que não dava para contar: gente que lavou suas roupas no sangue do Cordeiro. Fomos purificados, lavados no sangue do Cordeiro. 
No evangelho de hoje, Jesus vê a grande multidão que o procura, tanta gente. Sobe ao monte e senta-se para ensinar. Os discípulos se aproximam. Nessa pregação da montanha, uma das coisas que ele disse foi: “Sejam santos, como o Pai de vocês é santo”. E dá pra gente ser santo, imitando Deus? Bom, nós já fomos criados à imagem e semelhança dele. No batismo, pela fé, recebemos o dom da filiação divina. Então, se trata de a gente viver nessa graça, procurando imitar o nosso Pai no seu amor, imitando o seu filho Jesus, a quem temos como modelo e guia. 
Foi nessa pregação, na Montanha, que Jesus proclamou as bem-aventuranças. Elas são o retrato do verdadeiro filho de Deus, o perfil dos filhos e filhas de Deus, no caminho da santidade. O primeiro que cabe nesse perfil é Jesus, o filho unigênito. O Papa Francisco, na Exortação Apostólica que ele escreveu no ano passado sobre a santidade, dá uma explicação muito clara das bem-aventuranças. Bem-aventurados são os abençoados por Deus. Como diz o Salmo de hoje, Salmo 23 (24): “Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e salvador”. 
No perfil que Jesus desenhou em sua pregação na Montanha, o filho ou a filha de Deus, nesse mundo, é alguém desapegado dos bens desta terra, solidário com as dores dos seus irmãos, manso nos seus relacionamentos, comprometido com a verdade e a justiça, misericordioso com o seu semelhante, respeitoso e correto em suas intenções e artesão da paz. Na minha conta, são sete bem-aventuranças.
Quem faz assim, esforçando-se para viver e agir como Jesus, imitando a bondade e a paciência do Pai, pode encontrar muita incompreensão, oposição, perseguição. Aí Jesus arremata a sua pregação, proclamando mais uma bem-aventurança, a da perseverança nas dificuldades e nas provações. 
Guardando a mensagem
Este é o domingo de todos os santos, o domingo de todos os filhos e filhas de Deus. Deus nos deu um grande presente de amor: sermos seus filhos. Pela fé e pelo batismo, somos filhos de Deus, estamos habitados pelo Espírito Santo, somos filhos no Filho, Jesus Cristo. Jesus nos convida a ser e a viver aquilo que já somos por vocação: filhos de Deus. Foi assim que ele proclamou, no monte, as bem-aventuranças, o perfil do verdadeiro filho de Deus. O pobre em espírito é quem confia em Deus, não nos bens deste mundo. Os aflitos são os que sofrem também pelos outros, são os solidários. Os mansos são os que não agem com violência, mas prezam o diálogo e o entendimento. Os que têm fome e sede de justiça são os que se empenham em favor do bem comum, da transformação da sociedade. Os misericordiosos são os que, mesmo nos desencontros, tratam o seu semelhante com compreensão e caridade. Os que promovem a paz são os que trabalham pela reconciliação e pela convivência respeitosa entre todos. Por fim, Jesus orientou como reagir à incompreensão, à perseguição de que formos alvo por vivermos assim:  fidelidade e perseverança. Esse perfil traçado nas bem-aventuranças é, em primeiro lugar, uma fotografia do próprio Jesus. E, assim, um ideal de vida para todos nós, seus seguidores. 
Alegrem-se e exultem, porque será grande a recompensa de vocês nos céus (Mt 5, 12)
Rezando a palavra
Senhor Jesus, 
Hoje, estamos festejando todos os santos e santas de Deus. Todos nós somos chamados à santidade. Nós que estamos por aqui, neste caminho da história, temos um ideal a seguir, ou melhor, uma pessoa a imitar: tu, Senhor Jesus, caminho, verdade e vida. Tu és o caminho traçado nas bem-aventuranças. Como diz a tradição, somos a igreja militante. De todos os batizados que já passaram por aqui, antes de nós, muitos, muitos mesmo já estão contigo, na glória. Alguns deles, a tua Igreja reconheceu a sua santidade de vida e nos deu como exemplos e intercessores. São os santos do céu, a igreja triunfante. Nós nos lembramos, hoje, também dos irmãos que se destinam ao paraíso, mas estão ainda em purificação de suas faltas, no purgatório. Eles são a igreja padecente. Todos, nós, os da terra, os do céu e os do purgatório somos os teus santos e santas. Dá-nos viver como fidelidade e perseverança nossa vocação à santidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Você não pode deixar de ler o evangelho de hoje: Mateus 5, 1-12. Lendo, sublinhe, na sua Bíblia, a bem-aventurança que mais chamou a sua atenção.
Pe. João Carlos Ribeiro – 03 de novembro de 2019.

18 junho 2019

NÃO DIGA ‘VOCÊ ME PAGA’

Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).
18 de junho de 2019.
Jesus nos mandou amar os inimigos. Essa atitude cristã supera o comportamento humano digamos “normal” que seria amar os amigos e odiar os inimigos. Viver na fé em Jesus Cristo nos faz superar essa posição. Amar os seus inimigos e rezar por eles. Eita coisa difícil.
O Papa Francisco, em uma de suas homilias, tratando desse ensinamento de Jesus, deixou uma dica muito interessante. Disse ele: “Hoje, nos fará bem pensar num inimigo – creio que todos nós temos um -, alguém que nos fez mal ou que nos quer fazer mal ou tenta nos prejudicar: pensar nesta pessoa. A oração mafiosa é: “Você me paga”. A oração cristã é: “Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo”. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo”. (Homilia na Capela da Casa Santa Marta, 19 junho 2018)
Interessante essa diferença entre a oração mafiosa e a oração cristã. Ter raiva é uma coisa natural. Deixar que a raiva tome conta da gente, aí é que não dá. Permitir que a raiva se transforme em rancor, ódio e nos cegue em nossas atitudes, aí não. Segundo o ensinamento de Jesus, o melhor caminho é acalmar o coração e tentar ver em quem nos ofende ou nos agride um irmão, uma pessoa que está equivocada, mas continua a merecer nossa consideração. Não responder-lhe na mesma medida, não desejar-lhe o mal, antes preservar sua boa imagem, querer o seu bem, rezar por ele ou por ela. É o que Jesus está nos dizendo neste evangelho.
O Papa Francisco, na homilia que mencionei no início, deu um explicação interessante. Acompanhe. “Nós sabemos que devemos perdoar os nossos inimigos”, nós dizemos isso todos os dias no Pai-Nosso. Pedimos perdão assim como nós perdoamos: é uma condição…", embora não seja fácil. Assim como “rezar pelos outros”, por aqueles que nos dão problemas, que nos colocam à prova: também isto é difícil, mas o fazemos. Mas rezar por aqueles que querem me destruir, os inimigos, para que Deus os abençoe: isso é realmente difícil de entender. Pensemos no século passado, os pobres cristãos russos que somente pelo fato de serem cristãos eram enviados para a Sibéria para morrer de frio: e eles deveriam rezar pelo governante carrasco que os enviava ali? Mas como é possível? E muitos o fizeram: rezaram. Pensemos em Auschwitz e em outros campos de concentração: eles deveriam rezar por este ditador que queria a raça pura e matava sem escrúpulo, e rezar para que Deus os abençoasse! E muitos fizeram isso. É a difícil lógica de Jesus, que no Evangelho está contida na oração e na justificação daqueles que “o mataram” na cruz: “perdoa-os Pai, porque não sabem o que fazem”. Jesus pede perdão para eles, assim como fez como Santo Estevão no momento do martírio”.

Jesus está chamando a nossa atenção para o diferencial do cristão. Não agir como os pagãos ou pessoas sem a luz da fé. Eles amam os seus amigos, tratam bem os seus iguais. Temos que imitar o Pai. Temos que imitar Jesus. Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem, fazer o bem a quem nos maltrata.
Guardando a mensagem
Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer-lhe o bem. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso modelo. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração.
Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os teus mesmos sentimentos, como nos aconselhou o apóstolo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de inclinação à vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também são irmãos que precisam encontrar a graça da conversão. Ajuda-nos, Senhor, a vencer o mal com o bem. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Identifique, hoje, na sua história de vida, alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar esse alguém.

Pe. João Carlos Ribeiro – 18 de junho de 2019

17 junho 2019

TER A MANSIDÃO DE JESUS

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)

17 de junho de 2018. 


Toda a história do antigo povo de Deus, suas leis, suas normas de comportamento, com a vinda de Jesus tudo ganhou mais luz, mais perfeição. No Sermão da Montanha, Jesus, como um novo Moisés, comunica a Lei ao seu povo. Ele não veio para acabar com a Lei antiga, mas para levá-la à perfeição, para aprimorá-la. A lei do Reino de Deus pauta-se pela misericórdia, pelo amor. 

No texto de hoje, ele corrige a Lei do Talião. A Lei do Talião, como está no Livro do Levítico, já era um grande avanço, porque disciplinava a reação às agressões. Não permitia o excesso. Era o mínimo de qualquer povo civilizado. Está escrito no Livro do Levítico: vida por vida, fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. O dano que causar a alguém será a sua paga, na mesma moeda, na mesma medida. Bateu, levou. Matou, morreu. É o nível humano, disciplinando a vingança, para a vingança não sair maior do que a ofensa. Essa legislação foi já um grande avanço para o povo do Antigo Testamento. 

Com Jesus, o homem redimido pela graça pode fazer muito mais do que isso. Pode reagir com maior controle, com mais caridade, pode vencer, em si próprio, a raiva, o ódio, o desejo de vingança. O homem renascido pela graça pode ser mais generoso, como Deus foi para com ele; ser misericordioso, como Deus foi com ele. Pode, na graça de Deus que o regenerou, oferecer o perdão, em vez da vingança. 

Olha o que Jesus disse: “Não enfrentem quem é malvado”. Rebater à violência com a violência é alimentar a espiral suicida da violência. A lei de Moisés impunha um controle sobre a medida da vingança, para ninguém se exceder fora da conta. Com Moisés, quem foi ofendido tem o direito de responder com a mesma moeda. Não mais. Com Jesus, nem isso. Quem foi ofendido, não se vinga de jeito nenhum. Não responde com a mesma moeda. Não parte para a violência. Nada de "olho por olho, dente por dente". Não só não parte para a violência, mas procura ser humilde e generoso para restabelecer a fraternidade. Não somente não se vinga, mas também não fecha as portas para o agressor. Assim, até se arrisca a receber outra pancada, outra traição, outra ofensa. "Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!". Fácil, não é. 

Guardando a mensagem 


Oferecer a face esquerda ao agressor. Foi Jesus mesmo que em primeiro lugar realizou isso. Sua cruz foi isso! Nós o esbofeteamos, mas ele pediu ao Pai que nos perdoasse. Nós o crucificamos e, no entanto, ele nos reconciliou com Deus. O mandamento dele é ‘vingança não’ (aquele negócio de olho por olho) e nem voltar as costas a quem nos ofende. Agora a nova lei nos manda ser fraternos a toda prova. Nada de vingança. Nada de reações violentas. Permanecer desarmado, enfrentando a ofensa dos irmãos com humildade e pronto para o perdão. 


Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39) 

Rezando a palavra 


Senhor Jesus, 

Hoje estás nos ensinando a agir com mansidão, não com violência. Deste o exemplo: ferido e violentado pelos soldados de Pilatos, te comportaste como um cordeiro levado ao matadouro. Ó Jesus, manso e humilde de coração, faze o nosso coração semelhante ao teu. Dá-nos vencer a espiral da violência, quebrando a resposta violenta que só a alimenta. Abençoa, Senhor, os irmãos e as irmãos que estão passando por grandes dificuldades. Ensina-os, Senhor, pelo teu Santo Espírito, a confiarem no diálogo, no entendimento, na busca perseverante de reconciliação. Sustenta-os com os dons da fortaleza e da paciência. Tu és, Senhor, o nosso modelo de vida, o nosso Mestre. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 


Vivendo a palavra 
  
Nesse assunto da paciência, da disposição para a reconciliação, da mansidão, há alguma a consertar na sua vida? Se puder, escreva alguma coisa sobre isso no seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações). 

Pe. João Carlos Ribeiro – 17 de junho de 2019.