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25 junho 2020

UM BOM ALICERCE

Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha (Mt 7, 25)
25 de junho de 2020.

Jesus dramatizou bem: três contra um. A chuva, as enchentes e os ventos, os três contra a casa. É que uma desgraça nunca vem só, não é verdade? Vem sempre acompanhada. Olha o trio: chuva, enchente e ventania. Outra escalação: desemprego, doença e desunião. Todos contra a casa.

Na história de Jesus e na história de nossa vida, sabemos: a crise sempre vem. É o inverno tropical: ventos, chuva e enchente. E a crise vem e derruba a casa, se a casa for mal construída. Se a casa for edificada sobre a areia, a ruína é certa. Desmorona, não tem jeito. E por que cai? Cai, porque suas bases são frágeis, porque não tem alicerces firmes.

O que seria a casa? A casa que a gente constrói é a nossa própria vida. Pode ser a vida profissional, pode ser o casamento ou qualquer outra construção humana. Quem constrói nas carreiras e pela lei do menor esforço edifica sobre terreno duvidoso. Esse pode ter o prejuízo de ter sua casa levada pelos ventos e pela enchente da primeira crise que vier. Construir na areia é optar pelo que é mais rápido e menos trabalhoso. Alicerce é coisa que gasta tempo, envolve esforço pessoal, paciência, dedicação. Lembra o evangelho de antes de ontem? Entrar pela porta estreita. A porta larga conduz à perdição.

Sem alicerce sólido, a sua casa não aguenta o inverno tropical. Sem estudo sério e comprometido, seu exercício profissional fracassa no primeiro teste. Sem séria formação do caráter, educação para a liberdade, capacidade de renúncia, o adolescente sucumbe na segunda oferta que um colega lhe fizer de um cigarro de maconha. Sem um namoro em que as pessoas cresceram, se acertaram e se organizaram com um mínimo de estrutura, o casamento pode desabar no terceiro desencontro do casal. Casas construídas sobre a areia não resistem às intempéries do inverno.

Jesus acrescentou um detalhe muito importante. Constrói casa sobre a areia quem ouve as suas palavras e não as pratica. Por outro lado, quem ouve as suas palavras e as põe em prática constrói sua casa sobre a rocha. É por isso, que os ventos, a chuva e as enchentes não a derrubam.
Quem está com os alicerces de sua casa comprometidos, uma boa notícia: a engenharia divina pode restaurar as bases de sua casa. Deus pode ajudar a reconstruir a sua vida!

Guardando a mensagem

Chuva, enchentes e fortes ventanias são uma representação das crises que se abatem sobre nós, na família, no trabalho, no casamento, na sociedade. Crises, problemas, fracassos, turbulências de todo tipo é o que não faltam em nossa vida. E vem pra todos. A diferença está nos alicerces. Se eles forem bons, a casa estará de pé quando a tempestade passar. E Jesus foi claro em dizer que alicerces são esses: ouvir sua palavra e pô-la em prática.

Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha (Mt 7, 25)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Estamos tentando construir nossa casa sobre a rocha firme de tua palavra. Estamos tentando reforçar os alicerces da construção de nossa casa. Sabemos que isso nos custa esforço, renúncia, sacrifício. Não se constrói de um dia pra outro. Não se improvisa uma casa boa e segura. É necessário planejamento e muito trabalho. Senhor, dá-nos a graça de não improvisarmos nossa profissão, nossa família ou mesmo nossa vida cristã. Quanto mais aprofundamos os alicerces na rocha firme, mas nos preparamos para enfrentar os vendavais da vida. Quanto mais brincamos de família, ou levamos no mais-ou-menos o nosso trabalho, ou tocamos uma vida espiritual relaxada, mais nos expomos ao fracasso. Dá-nos, Senhor, a graça da perseverança nessa construção. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém

Vivendo a palavra

Identificando alguma área de sua vida que mereça um reforço nos alicerces, pela prática da Palavra de Deus, faça um propósito de tomar alguma providência nesse sentido. Podendo, aconselhe alguém a fazer o mesmo.

Agradeço de coração a quem acompanhou a live de ontem no youtube, uma live musical solidária celebrando os 25 anos da Rede Vida e os 150 anos da associação dos ex-alunos de Dom Bosco. Se não viu, vale a pena ver. Já estou lhe enviando o link da live de ontem, para você conferir. Aproveite e se inscreva no canal. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

09 junho 2020

LÂMPADA PARA ILUMINAR

Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa (Mt 5, 15).
09 de junho de 2020.

No tempo de Jesus, não havia luz elétrica, claro. As casas eram um pouco escuras, com poucas janelas. O que eles chamavam de lâmpada era uma tigelinha de barro com um bico com um pavio de algodão ou de linho. Dentro da lâmpada - a tigelinha de barro -, se colocava azeite. O povo mesmo produzia o azeite de oliva, assim era barato. A lâmpada era colocada numa prateleira que estava na parede, num lugar mais alto, ou mesmo numa lamparina que estivesse pendurada. Com aquele pavio, a lâmpada podia ficar acesa o dia todo, sem gastar muito. E ficava acesa para iluminar a casa que era meio escura e para acender o fogo na hora de cozinhar. Só para lembrar, não havia fósforo. Tinham que manter a luz acesa mesmo. Uma das tarefas da dona de casa era manter a lâmpada acesa.

Jesus contou várias parábolas em que se fala da luz dessa lâmpada de azeite. Lembra-se da mulher que perdeu uma dracma e teve que procurar a casa toda com uma lâmpada? E aquela parábola das moças imprudentes que se esqueceram de levar o azeite? As lâmpadas se apagaram antes de começar a festa de casamento.

A pequena parábola de hoje também fala da lâmpada (de azeite, claro). "Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa". Todo mundo no tempo de Jesus entendia do que ele estava falando. O que aprendemos com Jesus é uma luz para iluminar a nossa casa. O que temos a dizer com nossas palavras ou com nosso comportamento é uma luz para iluminar nossa família.

Jesus nos disse que somos luz no mundo, cidade edificada na montanha, lamparina no lugar alto da casa. Testemunhamos que, em nossa pequenez, fomos resgatados por seu amor. Em nós, a sua graça e o seu amor resplendem, nos fazendo luz para os outros, luz de Deus para a vida dos outros. Outros podem encontrar sentido em suas vidas, à luz do nosso testemunho. Minha família não vai ficar na escuridão, porque a luz de Deus que preenche a minha vida pode iluminá-la como uma lamparina pendurada no teto ou lâmpada na prateleirinha da parede, no candeeiro. Por nossas boas obras que testemunham o amor de Deus pelos seus filhos, muita gente pode encontrá-lo e bendizê-lo.

Na verdade, você não é luz porque é um exemplo de vida, uma pessoa sem defeitos, um anjo de criatura. Não, você torna-se uma luz para o mundo, porque Deus enche de luz a sua vida (é o que nos dizem as bem-aventuranças). Você é bem-aventurado porque Deus lhe deu o seu Reino, adotou você como filho/filha, consolou você em sua aflição. É isso que você testemunha, é disso que você fala, é esse brilho que está em seu sorriso e em suas obras: a luz de Deus que inunda a sua vida.

Então, não se esconda. Não se camufle. Hoje, mostre a sua cara. Fale, sorria, aconselhe, testemunhe. Seja hoje um canal da luz de Deus para a vida de sua família, de seus amigos, dos que hoje encontrarem você.

Guardando a mensagem

O Senhor com a sua graça e com sua palavra enche nossa vida de luz. Somos chamados a difundir essa luz para iluminar os ambientes humanos em que vivemos: nossa casa, nossa vizinhança, nosso local de trabalho. Seus ensinamentos, as verdades que proclamou, ditos ontem e hoje em ambientes reservados, precisam ser proclamados e difundidos abertamente. Ele é a luz do mundo. Nós, iluminados por ele, temos a vocação de lâmpada acesa no lugar alto da sala. Estamos aí para iluminar a vida dos outros.

Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa (Mt 5, 15).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Quando eras uma criancinha e foste levado ao Templo para a consagração dos primogênitos, o profeta Simeão te tomou nos braços e disse que tu eras a luz para iluminar as nações do mundo. Tu mesmo admitiste na presença dos teus discípulos: ‘Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas’. Uma vez iluminados com a tua luz, chamaste a nossa atenção para sermos também iluminadores dos outros. Hoje, te pedimos, Senhor, que a tua luz não se apague em nosso coração e em nossa vida. E que essa luz que vem de tua Palavra, de tua presença através da Igreja, da Eucaristia seja a luz que refletimos para os que conosco convivem ou conosco se encontram. Seja o bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, faça um momento de oração por sua família. Recorde cada um, cada uma e peça ao Senhor que os ilumine com a sua Palavra. Peça também ajuda para realizar bem a tarefa que ele lhe dá: ser a lâmpada de azeite acesa e posta num lugar alto de sua casa para iluminá-la.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

19 abril 2020

EM CASA, DE PORTAS FECHADAS


Estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19)

19 de abril de 2020 – 2º. Domingo da Páscoa, Festa da Divina Misericórdia


O evangelho deste segundo domingo de Páscoa nos conta a história de Tomé que só creu porque tocou nas chagas de Jesus. Assim, assegurou-se que o ressuscitado era mesmo o crucificado. Esta cena nos fala da fé que precisamos ter no Senhor ressuscitado, mesmo sem nunca tê-lo visto. Jesus esteve presente em duas reuniões dos discípulos, em dois domingos seguidos, mostrando-se vivo e enviando-os em missão.  

Lendo este evangelho, dentro deste nosso contexto de isolamento social, saltam aos olhos alguns detalhes que até agora certamente nos passaram despercebidos. As portas estavam fechadas. E os discípulos estavam trancados em casa. Olha que interessante! Nas duas aparições, Jesus encontra os discípulos reunidos dentro de casa, com as portas trancadas. E por que? Porque estavam com muito medo, medo da perseguição que tinham movido contra Jesus e que, com certeza, os poderia atingir. Com o seu Mestre preso, condenado e executado, eles ficaram malvistos e poderiam sofrer mais do que suspeitas, grosserias e agressões. Assim, para não se exporem, estavam a portas fechadas. E o que eles estavam fazendo? O texto diz que eles estavam reunidos. Com certeza, conversavam e rezavam. Mas, com medo.

A situação dos discípulos naquele segundo domingo da páscoa bem parece com a nossa, não é verdade? Inclusive, tem sempre um Tomé pelo meio do mundo, que por alguma razão não está presente na reunião. Nossas famílias estão em casa e estão temerosas, com o avanço do vírus.

Muito interessante que os discípulos estivessem reunidos em casa. Nos primeiros tempos da Igreja, não havia templos. Nem estavam autorizados a construí-los. No livro dos Atos dos Apóstolos, está a informação de que os discípulos e convertidos, em Jerusalém, frequentavam o Templo e partiam o pão pelas casas e unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração (At 2). ‘Partiam o pão pelas casas’. Partir o pão é um gesto que lembra a última ceia, é um modo de se referir à celebração da Eucaristia nos primeiros tempos. E partiam o pão, em refeição, com alegria e simplicidade. Jesus também tinha valorizado muito a casa das pessoas, visitando os doentes, fazendo refeição ou reunindo as pessoas em casa. Nos primeiros séculos, a casa era o lugar de reunião dos cristãos.

Mesmo com as portas fechadas, Jesus ressuscitado entrou e se apresentou ao grupo reunido. Fez-lhe a saudação de paz. “A paz esteja com vocês!”. A paz é nova situação inaugurada na cruz: perdão para os pecadores, reconciliação com Deus. A paz é remédio para o medo e para a divisão.

Este encontro de Jesus com os discípulos nos deixa três lições maravilhosas. A primeira: Ele está presente. Por sua ressurreição, agora ele está conosco sempre. Ele lhes mostrou as mãos e o lado rasgado pela lança. Eles ficaram muito felizes por vê-lo. Na missa, sempre fazemos a saudação da paz, como ele fez, e o povo de Deus responde: “Ele está no meio de nós”. A segunda lição: Ele nos envia em missão. A morte e ressurreição de Jesus nos reconciliaram com Deus. Jesus soprou comunicando o Espírito Santo e os mandou reconciliar o povo com Deus, perdoar os seus pecados. A terceira lição é esta: Crendo, temos a vida em seu nome. Jesus reclamou com Tomé: “não seja incrédulo, mas fiel”. A fé é a nossa resposta. Trata-se de acolher a verdade que ele está vivo, presente na comunidade, reconciliando os pecadores por meio do ministério dos seus discípulos.

Vamos guardar a mensagem.

Neste domingo da Divina Misericórdia, no clima da páscoa, estamos em nossas casas, de portas fechadas, com medo da ameaça do coronavírus. Tem sempre um Tomé circulando por aí, às vezes por necessidade, às vezes por falta de consciência. A casa sempre foi a igreja dos cristãos, desde o tempo que não tínhamos templos. E mesmo com as igrejas, os cristãos nascem, crescem e vivem em suas igrejas domésticas. Foi assim que Jesus, no domingo da ressurreição e no domingo seguinte, se apresentou aos discípulos que estavam reunidos, numa casa, a portas trancadas. Três lições podemos guardar dessa visita de Jesus ressuscitado. Primeira: Ele está no meio de nós. Sua paz nos faz vencer o medo. Sua presença viva, permanente, entre nós é fruto da ressurreição. Segunda: Ele nos envia em missão, nos comunicando o dom do seu Espírito e dando autoridade à sua Igreja para administrar o perdão aos pecadores. A reconciliação e o Santo Espírito são dons preciosos que nos chegam pela ressurreição. E a terceira lição: Crendo, temos a vida em seu nome. A fé nos faz reconhecer que ele está presente entre nós e nos faz povo portador da reconciliação para todos.

Estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Nós te agradecemos porque estás conosco. Pela tua ressurreição, és de fato o Emanuel, o Deus conosco. O teu Santo Espírito, Senhor, atualiza a tua presença em nossa convivência, na meditação de tua Palavra, na solidariedade com os mais sofridos, em nossas celebrações. Na tua ressurreição, tu nos fazes um povo missionário portador da Palavra e do Perdão de Deus a todos os filhos pródigos. Na tua paz, vencemos o medo. Somos, agora, agentes da vida nova que começou na manhã da ressurreição. Abençoa, Senhor, nossas casas, nossas famílias, a tua Igreja. Livra-nos do vírus da incredulidade e desse coronavírus, também. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Na sua Bíblia, leia João 20, 19-31, o evangelho de hoje. Participando da Missa pelos meios de comunicação, ouça com muita atenção e respeito as leituras da Palavra de Deus e a homilia. É Jesus mesmo nos instruindo e nos confortando.  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

15 janeiro 2020

UMA CASA ACOLHEDORA E MISSIONÁRIA

A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus (Mc 1, 30)
15 de janeiro de 2020
A cidade é Cafarnaum. Da sinagoga, Jesus vai para a casa. Na casa, cura a sogra de Simão que estava de cama. No terreiro da casa, faz o bem a muita gente doente e sofrida. E da casa sai para a missão em toda a região. ‘Casa’ nos lembra família. ‘Casa’ também nos remete à Igreja. Olhemos esse texto a partir da ‘casa’.
A casa de Simão é uma casa acolhedora de Jesus. A casa era de Simão e André, que eram irmãos. Como você lembra, a família era formada por todos os aparentados e quase sempre moravam juntos. No caso, encontramos a sogra de Simão morando ali também. E Jesus, quando voltou da Judeia, depois da prisão de João, ficou morando em Cafarnaum. E sempre que volta pra casa, volta pra esta casa de Simão. A casa de Simão é também a casa de Jesus. A casa da família de Simão é a casa que acolhe Jesus!
A casa de Simão é uma casa acolhedora do doente. As pessoas ali estão preocupadas com a mulher que está de cama, por isso comunicam isso a Jesus. Ele interessou-se por ela, foi vê-la e a ajudou a levantar-se, livrando-a da febre.
A casa de Simão é uma casa missionária, aberta à comunidade.  À tardinha, o povo de Cafarnaum reuniu-se à porta da casa. E Jesus, ali mesmo no terreiro da casa, atende às pessoas, cura algumas, liberta outras.
A casa de Simão é uma casa missionária, aberta para o mundo.  De casa, Jesus saiu, ainda escuro, para rezar num lugar deserto. Ali, em oração, tomou uma decisão: partir para outros lugares. A casa se transforma numa plataforma para o ministério de Jesus por todo o país.
Guardando a mensagem
A sua família, como a casa de Simão, é uma casa que acolhe Jesus. A sua pessoa, o seu evangelho têm um lugar especial em nossa vida de família, marcam o nosso modo de ser e de viver. A presença de Jesus fica clara quando a gente fala dele, quando a gente reza.
A sua família, como a casa de Simão, é uma casa acolhedora do doente. A família é o primeiro espaço de vivência de nossa fé. Ali aprendemos a amar as pessoas, a cuidar com carinho e respeito das crianças, dos doentes e dos idosos. Temos sempre diante de nós a atenção que Jesus teve com a sogra de Simão.
A sua família, como a casa de Simão, é uma casa missionária, aberta à comunidade.  Contrariando as tendências de isolamento e anonimato, a casa dos cristãos se comunica com a vizinhança e se abre à comunidade cristã do seu lugar. Jesus continua fazendo o bem, a partir da porta de sua casa.
A sua família, como a casa de Simão, é uma casa missionária, enviando para o mundo. A família forma cidadãos conscientes para agir, com o fermento do evangelho, no mundo do trabalho, da cultura, da economia, da política, do lazer.  A família é a plataforma de onde partem profissionais, cidadãos, pais de família, segundo o espírito do evangelho. A família é onde nascem as vocações apostólicas. É a primeira escola de formação de missionários leigos, consagrados e ordenados para levar o evangelho a toda criatura.
A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus (Mc 1, 30)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós te acolhemos em nossa casa. Queremos fazer como os discípulos de Emaús que te disseram: “Fica conosco, é tarde, a noite já vem”. Nós te acolhemos, em nossa casa, particularmente na pessoa do doente, do idoso, da criança. E queremos te apresentar as suas necessidades, para que os visites e os abençoes. Nós queremos que nossa casa seja missionária, aberta à comunidade e educadora de cidadãos e cristãos comprometidos  em melhorar o mundo, para o bem de todos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Na casa dos cristãos, há muitos sinais que indicam que se trata de uma casa que acolhe Jesus. Por exemplo: Um crucifixo em lugar de destaque, um quadro do Coração de Jesus ou a Bíblia Sagrada em lugar especial. São apenas sinais. Mas, eles dizem: ‘essa casa, como a de Simão, é a casa de Jesus’.Na sua casa, há algum sinal de acolhida de Jesus e de sua comunidade?
15 de janeiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro




24 setembro 2019

EVANGELIZANDO OS PARENTES

Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver (Lc 8, 19).
24 de setembro de 2019
Uma vez, me aconteceu que uma família queria batizar o seu filhinho caçula de meses. Coisa muito boa. Mas, os pais não queriam fazer as reuniões de preparação para o batismo, na paróquia. E por que não?  “Não, porque minha mulher é irmã do bispo tal e, assim, já se dão por descontadas essas reuniões”. ‘Que bom que ela seja irmã do bispo tal, mas precisa frequentar as reuniões de preparação’. “Por quê?” ‘Com certeza, ela já ouviu muitas pregações do irmão bispo, mas as reuniões em preparação do sacramento do batismo são necessárias para a família ter entendimento do valor deste sacramento e dos compromissos que estão assumindo com a educação cristã da criança’. Ih, o homem virou uma fera e foi-se embora prometendo queixar-se ao cunhado bispo. Tudo bem.
Estou contando isso, porque no evangelho de hoje tem uma cena parecida. Os parentes de Jesus chegaram à casa onde ele estava, não puderam entrar por conta da quantidade de gente e mandaram um aviso para ele dar a atenção que eles mereciam. Aí chegou o recado: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver”. Jesus aproveitou a ocasião para evangelizar os seus parentes e para ensinar aos que o estavam escutavam dentro da casa. “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.
O que esta palavra de Jesus significa? Bom, o recado para a sua família foi claro. Não basta serem seus parentes de sangue. Não se pertence ao Reino de Deus por ser parente de Jesus. É preciso ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática. Esses são seus verdadeiros parentes: os que se tornam seus discípulos, ouvintes e praticantes da Palavra. Essa palavra de Jesus é um convite à conversão dos seus parentes. Eles estão simbolicamente do lado de fora. Precisam entrar, precisam estar do lado de dentro, na comunidade dos discípulos. O lugar dos discípulos é dentro da casa, rodeando o Mestre para aprender o caminho do Reino. Eles estão do lado de fora.
Essa expressão “tua mãe e teus irmãos” é uma forma semita de falar da família. Não tem nenhum sentido negativo contra sua mãe Maria. “Tua mãe e teus irmãos” é uma forma de se referir à família dele, uma vez que não tinha mais o pai. Também não tinha irmãos. “Irmãos” aqui são seus primos ou parentes próximos.
Os parentes de Jesus tiveram dificuldade de entendê-lo, de aceitá-lo e segui-lo. Tinham que passar também pela conversão, como nós. Por sorte, vemos depois a irmã de sua mãe também aos pés da cruz e outros parentes com a comunidade no dia de Pentecostes, quando da vinda do Espírito Santo. Um parente seu, inclusive, foi, depois, líder da comunidade de Jerusalém, Tiago. Muitos dos seus parentes, então, tornaram-se seus discípulos.
A irmã do bispo e sua família também precisam entrar na dinâmica da comunidade e frequentar as reuniões de preparação para o batismo. Não é porque se tem um irmão bispo que se vai para o céu, sem mais. 
Guardando a mensagem
Os parentes de Jesus tiveram dificuldade de entender a sua identidade de filho de Deus e a sua missão de Messias. Num certo momento, acharam até que ele tinha perdido o juízo. Nessa passagem, eles aparecem do lado de fora, chamando Jesus. Jesus os chama para a condição de discípulos, os convida a ingressar no círculo dos seus seguidores, a entrar na casa. Seus verdadeiros parentes são os que, como ele e como Maria, fazem a vontade de Deus. Uma boa lição para nós todos. Não basta pertencermos a uma congregação religiosa ou mesmo ao clero, a uma comunidade católica ou associação piedosa por mais benemérita que seja. Todos somos chamados a ser discípulos e discípulas de Jesus. Como ele, como sua santa mãe, precisamos ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática.
Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver (Lc 8, 19).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Tua entrada no mundo já foi um gesto de obediência, como está escrito no Salmo 39: “Eis que venho, Senhor, com prazer, fazer a tua santa vontade”. Tua santa mãe acolheu a vontade de Deus com muito amor e entrega total. Disse ela, em resposta à comunicação do anjo: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E tu nos ensinaste também a acolher a vontade do Pai em nossa vida: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. Queremos, Senhor, entrar na tua casa, pertencer ao círculo dos teus discípulos, ser teus parentes: queremos ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Faça como Jesus: evangelize seus parentes. Hoje, reze por eles. Compartilhe com eles esta Meditação. Aos poucos, o Santo Espírito vai lhe mostrando como ajudá-los a se tornarem fiéis discípulos de Jesus.
Pe. João Carlos Ribeiro – 24 de setembro de 2019.

27 junho 2019

QUESTÃO DE ALICERCES


Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha (Mt 7, 25)
27 de junho de 2019.
Jesus dramatizou bem:  três contra um. A chuva, as enchentes e os ventos, os três contra a casa. É que uma desgraça nunca vem só, não é verdade? Vem sempre acompanhada. Olha o trio: chuva, enchente e ventania. Outra escalação: desemprego, doença e desunião. Todos contra a casa.
Na história de Jesus e na história de nossa vida, sabemos: a crise sempre vem.  É o inverno tropical: ventos, chuva e enchente. E a crise vem e derruba a casa, se a casa for mal construída. Se a casa for edificada sobre a areia, a ruína é certa. Desmorona, não tem jeito. E por que cai? Cai, porque suas bases são frágeis, porque não tem alicerces firmes.
O que seria a casa? A casa que a gente constrói é a nossa própria vida. Pode ser a vida profissional, pode ser o casamento ou qualquer outra construção humana.  Quem constrói nas carreiras e pela lei do menor esforço edifica sobre terreno duvidoso. Esse pode ter o prejuízo de ter sua casa levada pelos ventos e pela enchente da primeira crise que vier. Construir na areia é optar pelo que é mais rápido e menos trabalhoso. Alicerce é coisa que gasta tempo, envolve esforço pessoal, paciência, dedicação. Lembra o evangelho de antes de ontem? Entrar pela porta estreita. A porta larga conduz à perdição.
Sem alicerce sólido, a sua casa não aguenta o inverno tropical. Sem estudo sério e comprometido, seu exercício profissional fracassa no primeiro teste. Sem séria formação do caráter, educação para a liberdade, capacidade de renúncia, o adolescente sucumbe na segunda oferta que um colega lhe fizer de um cigarro de maconha.  Sem um namoro em que as pessoas cresceram, se acertaram e se organizaram com um mínimo de estrutura, o casamento pode desabar no terceiro desencontro do casal. Casas construídas sobre a areia não resistem às intempéries do inverno.
Jesus acrescentou um detalhe muito importante. Constrói casa sobre a areia quem ouve as suas palavras e não as pratica. Por outro lado, quem ouve as suas palavras e as põe em prática constrói sua casa sobre a rocha. É por isso, que os ventos, a chuva e as enchentes não a derrubam.
Quem está com os alicerces de sua casa comprometidos, uma boa notícia: a engenharia divina pode restaurar as bases de sua casa. Deus pode ajudar a reconstruir a sua vida!
Guardando a mensagem
Chuva, enchentes e fortes ventanias são uma representação das crises que se abatem sobre nós, na família, no trabalho, no casamento, na sociedade. Crises, problemas, fracassos, turbulências de todo tipo é o que não faltam em nossa vida. E vem pra todos. A diferença está nos alicerces. Se eles forem bons, a casa estará de pé quando a tempestade passar. E Jesus foi claro em dizer que alicerces são esses: ouvir sua palavra e pô-la em prática.


Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha (Mt 7, 25)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Estamos tentando construir nossa casa sobre a rocha firme de tua palavra. Estamos tentando reforçar os alicerces da construção de nossa casa. Sabemos que isso nos custa esforço, renúncia, sacrifício.  Não se constrói de um dia pra outro. Não se improvisa uma casa boa e segura. É necessário planejamento e muito trabalho. Senhor, dá-nos a graça de não improvisarmos nossa profissão, nossa família ou mesmo nossa vida cristã. Quanto mais aprofundamos os alicerces na rocha firme, mas nos preparamos  para enfrentar os vendavais da vida. Quanto mais brincamos de família, ou levamos no mais-ou-menos o nosso trabalho, ou tocamos uma vida espiritual relaxada, mais nos expomos ao fracasso. Dá-nos, Senhor, a graça da perseverança nessa construção. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém
Vivendo a palavra
Identificando alguma área de sua vida que mereça um reforço nos alicerces, pela prática da Palavra de Deus, faça um propósito de tomar alguma providência nesse sentido. Podendo, aconselhe alguém a fazer o mesmo.
Você me encontra, de segunda a sexta, no facebook, às 10 da noite. 

Pe. João Carlos Ribeiro – 27 de junho de 2019.

07 dezembro 2018

OS DOIS CEGOS E A LUZ DE CRISTO

Tem compaixão de nós, filho de Davi! (Mt 9, 27)
07 de dezembro de 2018.
O texto de hoje conta a história de dois cegos que seguiram Jesus, gritando por ajuda. Chegando à casa, eles tiveram uma conversa com ele. Jesus lhe tocou os olhos e eles ficaram curados. O Mestre lhes pediu para não saírem espalhando o fato, mas foi perdido. Eles saíram falando pra todo mundo.
O evangelho não tem interesse em ficar contando milagres de Jesus, de qualquer jeito. Não é um “testemunho” pra chamar clientes para o próprio empreendimento religioso, como vemos hoje no rádio e na televisão. A narração dos milagres são catequeses sobre Jesus e nosso encontro com ele. É assim que vamos olhar para esse texto, como uma catequese sobre a fé.
Fé? Por que eu falei “fé”? Porque as histórias de cegueira física, no evangelho, são particularmente formas de falar da cegueira espiritual, da resistência ou da incompreensão diante da pessoa de Jesus ou do projeto de Deus. Cegueira, neste sentido, representa a falta de fé. Para confirmar essa compreensão, basta lembrar que, segundo o texto de Isaías que Jesus leu na sinagoga de Nazaré, “dar vista aos cegos” era um dos sinais da salvação trazida pelo Messias.
Afinal, quem são os cegos? Melhor, quantos são os cegos? Sua resposta: dois,  precisamente. Lembre-se do início do evangelho de Mateus. Jesus chamou primeiro dois irmãos: André e Simão. Depois, chamou mais dois: Tiago e João. E na história do filho pródigo, o pai tinha dois filhos. E outro pai falou com seus dois filhos para irem trabalhar na sua vinha. E na cruz, havia dois ao lado de Jesus, crucificados também. Eu só posso pensar nesses dois cegos como discípulos. E discípulos são os receberam o convite para seguir Jesus e puseram-se a caminho com ele.
Por falar nisso, escute bem o que está escrito: “dois cegos começaram a segui-lo”. E diferentemente de outro cego, que Jesus parou para atendê-lo, esses seguiram Jesus até à casa dele. E foi dentro de casa, que eles se aproximaram de Jesus e conversaram com ele. Seguimento, caminho, casa são indicações da condição de discípulos. Então, a história dos cegos é uma representação dos discípulos. E quando falamos de discípulos, não estamos falando só dos doze apóstolos, estamos falando das centenas de homens e mulheres que tinham Jesus como referência e até, muitos deles, andavam com ele.
E qual é a catequese sobre a fé que há nesse texto?  Vamos recolher três lições. A primeira: A fé nos põe no caminho de Jesus e vai se firmando, a cada passo. Os dois eram cegos e começaram a seguir Jesus. Gritavam por compaixão.  É no caminho que a fé vai se firmando, se aclarando, se consolidando. Lembra a história dos 10 leprosos? Foi no caminho, indo para Jerusalém, que eles se deram conta que estavam curados.  A fé vai crescendo no caminho que eu vou fazendo com Jesus.
A segunda lição:  A fé nos leva para a comunidade. Os cegos entraram na casa de Jesus (que é a casa de Pedro e de André). Na intimidade da casa, eles se aproximam de Jesus. É a comunidade que nos proporciona essa aproximação com Jesus, essa intimidade com ele. Os cegos-discípulos são acolhidos na família de Jesus, na sua casa, na sua comunidade.
A terceira lição:  A fé é aprofundada num diálogo esclarecedor, que chamamos de catequese. Jesus dialoga com os dois. Pergunta se acreditam nele. Eles respondem  que sim. Jesus toca nos olhos deles e diz “que seja feito conforme a sua fé”. E os olhos deles se abriram.  Isso nos faz lembrar aqueles dois discípulos de Emaús. Após a catequese que Jesus fez no caminho, ceando com eles, fez os gestos da última ceia. Àquela altura, seus olhos se abriram. Eles viram Jesus ressuscitado. Devíamos falar de catequese e liturgia, mas não vamos complicar.
Guardando a mensagem
Você e eu somos os cegos. Mesmo com uma fé incompleta e frágil, começamos a seguir Jesus. Somos testemunhas que nossa fé vai se fortalecendo à medida em que vamos caminhando com ele. O caminho nos leva à sua casa, à sua comunidade, na qual somos acolhidos. A comunidade nos comunica a verdade sobre Jesus e celebra conosco a sua obra redentora. Na comunidade, os nossos olhos se abrem. E nos fazemos seus missionários, espalhadores de sua mensagem. Nosso testemunho não é que ele está operando milagres (ele não está interessado nesse tipo de propaganda). Testemunhamos que o encontramos, que somos um milagre dele. Éramos cegos e agora vemos. Vivemos iluminados pela fé.
Tem compaixão de nós, filho de Davi! (Mt 9, 27)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A história dos dois cegos é a nossa história. A cegueira física é uma representação da nossa cegueira espiritual. Com uma fé ainda frágil, nós nos colocamos no teu seguimento, respondendo ao teu chamado para sermos teus discípulos. É na caminhada contigo que a nossa fé vai se robustecendo. E a fé nos leva à comunidade, à vida de comunhão contigo e com os irmãos. Na catequese e na celebração, vemos com clareza sempre crescente o projeto do Pai que se realiza em ti e a nossa vocação de filhos e filhas de Deus. De toda forma, Senhor, estamos sempre necessitados de tua misericórdia. Por isso, continuamos a te pedir: “Tem compaixão de nós, filho de Davi”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Faça seu este pedido insistente dos cegos: “Tem compaixão de nós, filho de Davi”. Nesta prece, repetida várias vezes durante o dia de hoje, peça que a luz da fé seja sempre mais luminosa em sua vida.

Pe. João Carlos Ribeiro – 07.12.2018

24 julho 2018

QUEM ESTÁ DO LADO DE FORA NÃO QUER OUVIR, SÓ QUER FALAR

Enquanto Jesus falava às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele (Mt 12, 46)
24 de julho de 2018.
Esse texto foi lido outro dia. Os parentes de Jesus estavam do lado de fora. E Jesus indicou que seus verdadeiros parentes eram aqueles que faziam a vontade do seu Pai. E até refletimos que Maria é celebrada nos evangelhos como a serva obediente. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Temos que ser como Jesus e como Maria: filhos obedientes, realizadores da vontade do Senhor.
Mas, a palavra do Senhor é sempre nova. Por ela, ele nos diz sempre coisas surpreendentes. Relendo esse texto, me dei conta da repetição do verbo “falar”. Vou reler, com você, os versículos em que aparece esse verbo e você, por favor, conte quantas vezes essa palavra se repete. “Jesus estava falando às multidões. Sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém lhe disse: Olha, tua mãe e teus irmãos estão querendo falar contigo. Aí Jesus fez uma pergunta a quem tinha lhe falado isso”. Contou? Quantas vezes aparece o verbo “falar”? Quatro vezes. Quatro é um número completo, como os quatro pontos cardeais. “Falar” deve ser um elemento importante pra se prestar atenção no texto.
Jesus está falando ao povo. Coisa importante: ele estava ensinando, revelando as coisas do Reino de Deus, como sempre fazia. Haveria coisa mais importante do que isto, ouvir Jesus falando? Prestar atenção na palavra dele? Você se lembra de Marta e Maria. Maria estava escutando Jesus, sentadinha aos seus pés. Maria, toda ocupada, pra frente e pra trás, fazendo as tarefas de casa. O que lhe disse Jesus: “Marta, Marta, uma só coisa é necessária”. Ouvir a palavra é fundamental.
Então, Jesus está falando ao povo as coisas do Reino. E chegam os seus parentes, querendo o quê? Querendo falar com ele. Mandaram um recado por uma pessoa: “Teus parentes estão lá fora querendo falar contigo”. Por que eles não entraram para ouvir Jesus que está ensinando? Podemos pensar: ah, a casa estava cheia. Mas, o texto não está dizendo isto. Diz que ficaram do lado de fora. E que queriam falar com Jesus. Então, o assunto deles é mais importante do que a de Jesus? Então, quem dá a pauta são eles?
Está me ocorrendo o seguinte. Muitas vezes, não estamos interessados no que Jesus está falando, no que ele está dizendo, em sua pregação. Estamos interessados no nosso assunto, temos os nossos interesses, queremos que ele nos escute. Não entramos para escutar a palavra do Senhor, ficamos fora querendo que ele venha ao encontro dos nossos interesses. Está me seguindo? Esse é o problema. Muita gente não quer ouvir Jesus, quer falar-lhe o seu assunto.
Se você estiver entendendo o que eu estou dizendo – e eu sei que está - , vai entender direitinho o que está no salmo 94: “Oxalá, vocês ouvissem hoje a sua voz! Não endureçam o coração, como no tempo do deserto” (Sl 94, 7-8). A tentação é a gente não ouvir a voz de Deus, fechar o coração para a palavra de Jesus. Não temos interesse nela. Estamos interessados na nossa palavra, no que nós queremos dizer. E podemos ficar de fora, apenas querendo apresentar nossos pleitos, nossos pedidos, representar nossos interesses. Nada de escutar o que Deus tem para nos dizer. E assim nos comprometer com a sua vontade, não com a nossa.
Vamos guardar a mensagem
Impressionante a palavra do Senhor. Nessa cena, em que os parentes de Jesus estão do lado de fora e querem falar com ele, chama à atenção a repetição do verbo “falar”. Jesus está falando ao povo, dentro da Casa. Os parentes estão do lado de fora, querendo falar-lhe. Não querem ouvir Jesus. Querem que Jesus os ouça. É o retrato da situação de muitos de nós. Alguns não estão interessados na palavra de Jesus. Estão interessados no seu problema, na sua necessidade, no que lhes parece importante. Sem ouvir a Palavra, não conhecemos a vontade de Deus. E se não realizamos a vontade de Deus, não temos parte com Jesus.
Enquanto Jesus falava às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele (Mt 12, 46)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Nesta palavra de hoje, fica muito claro o lugar onde devemos ouvir tua palavra, onde tua palavra ganha sentido: a Casa, isto é, a comunidade, a Igreja. Não queremos ficar do lado de fora, Senhor, queremos nos integrar sempre mais na Comunidade-Igreja-Casa onde estás com teus discípulos. Este é o lugar certo para se escutar e viver a tua palavra. Do lado de fora, podemos apenas requisitar que escutes a nossa palavra, que sirvas aos nossos propósitos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
No seu diário espiritual (seu caderno de anotações), responda por escrito a esta pergunta: A quem, realmente, você dá ouvidos? A quem você escuta?

Pe. João Carlos Ribeiro – 24.07.2018

10 junho 2018

A CASA E A NOVA FAMÍLIA DE JESUS


Aqui estão minha mãe e meus irmãos (Mc 3, 34)

10 de junho de 2018.

‘Jesus voltou para casa com os seus discípulos’. É o que está escrito no evangelho de hoje. ‘Jesus voltou para casa com os seus discípulos’. Depois de muitas andanças país afora, eles estão de volta. A casa é em Cafarnaum. Mesmo sendo a casa da família de André e Simão, ninguém lembra mais disso. É a casa de Jesus. Chama a atenção a quantidade de gente que o procura, que se reúne na casa. Aquele povão todo, sentado, ao seu redor o escuta com  atenção. Estão dentro da casa. Há um novo laço de parentesco naquela casa. No final dessa passagem do evangelho, Jesus esclarece: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos”. Uma nova família está reunida em torno de Jesus, percebe? O laço de parentesco com Jesus não é mais o convencional. É parente dele quem faz a vontade de Deus.

Na casa de Jesus, está reunida a sua nova família, gente que faz a vontade de Deus. Por alguma razão, o evangelista exagera dizendo: “Havia uma multidão sentada ao seu redor”. Por que será que fala de multidão? Mesmo que a casa fosse grande, “multidão” é gente demais. E olha que com Jesus já estavam os seus discípulos. Tanta gente e tanto trabalho que, como informa o evangelista, eles nem sequer podiam comer. Com certeza, fala-se de ‘multidão’ para acentuar o caráter de povo que está ali. Ali, na casa de Jesus, está um povo que acolhe a palavra de Jesus. Esta é a nova família de Jesus. Um povo que acolhe a vontade de Deus.

Talvez este seja um resumo de toda a atividade de Jesus. Senão, vejamos. O que Jesus andava fazendo país afora?  Conversando com as pessoas, pregando o reino de Deus, curando os doentes, expulsando os demônios. E tudo isso pra que? Boa pergunta. Tudo isso pra que? Vamos ariscar alguma resposta. Para restaurar o povo de Deus. Para congregar as ovelhas dispersas. Para reconstruir a aliança de Deus com o seu povo. Para comunicar a vida plena onde havia sofrimento e morte. Estamos no caminho certo, não acha? Ele  veio refazer a aliança com Deus. Boa resposta.

Afinal, qual é o sentido de toda a atividade de Jesus? Pra que ele liberta a pessoa de uma doença? A sogra de Pedro responde: para reintegrá-la na família, como servidora. Pra que ele expulsa um demônio? O rapaz do cemitério responde: para que ele, livre de qualquer dominação, possa segui-lo. Pra que ele ressuscita um morto? O filho da viúva de Naim responde: para restaurar a sua família. Por que ele perdoa os pecados? O paralítico que desceu com sua maca em cordas dentro daquela casa responde: para reintegrar no povo de Deus. Numa palavra: Toda a ação de Jesus visa reconstruir o povo de Deus, uma família de filhos livres, felizes e reconciliados. Então, na casa já está o resultado da ação missionária de Jesus: um povo restaurado em aliança com Deus, a nova família de Jesus.

Uma nova família está nascendo, ao redor de Jesus. Um povo libertado, em comunhão com a vontade de Deus está emergindo do antigo Israel, pelo trabalho missionário de Jesus. É claro que essa obra não acontece sem conflitos e oposição. No evangelho de hoje, estão descritas duas dessas oposições. Uma, nasce dos familiares. Outra, dos religiosos. Os parentes de Jesus suspeitam que ele tenha enlouquecido. Foram atrás dele, mas não entraram na casa, ficaram do lado de fora. Mandaram chamá-lo. Jesus indica, no entanto, que verdadeiros parentes são os que estão dentro da casa, não os que ficam fora. Um chamado à conversão dos seus parentes. Os mestres da lei acusam Jesus dele estar endemoniado, agindo em nome de satanás. Jesus alerta para não se fecharem ao Santo Espírito de Deus. O Espírito é quem conduz Jesus, o inspira, o sustenta na missão. Este povo renascido em comunhão com Deus é obra de Jesus e do seu Espírito. Opor-se ao Santo Espírito, pecar contra ele é perder a chance do perdão.

Vamos guardar a mensagem

Toda a atividade de Jesus visa restaurar o povo de Deus. De um povo disperso e sujeitado pela Lei e pelo pecado, vai nascendo um povo libertado, comprometido com a vontade de Deus. Na casa de Cafarnaum, já está reunido esse povo novo, ao redor de Jesus. Os mestres da lei, como todos os líderes religiosos, reconheçam a novidade do Espírito que age em Jesus. Os parentes de Jesus, como todos os que se sentem próximos dele por laços religiosos, lembrem-se que o laço de parentesco com Jesus que mais vale é, como ele, fazer a vontade de Deus.

Aqui estão minha mãe e meus irmãos (Mc 3, 34)

Vamos rezar a palavra

Senhor Jesus,
Obrigado, Senhor. De um rebanho disperso, fizeste um povo novo, reunido no teu nome, animado pelo Espírito Santo. Obrigado, Senhor. Somos a Igreja, o povo santificado pela tua palavra e pelo sacrifício de tua vida. Que estejamos sempre ao teu redor, sentados à tua volta, na tua casa, aprendendo a conhecer e realizar a vontade de Deus. Que não imitemos os mestres da lei que não reconhecem a atuação do Santo Espírito na tua obra. Que não imitemos teus parentes, que estavam do lado de fora da casa, quando os teus verdadeiros parentes são os que estão dentro da casa, na comunidade. Obrigado, Senhor.

Vamos viver a palavra

A melhor vivência dessa palavra, neste domingo, é a participação na Santa Missa. Participando ou não, será muito útil ler, em sua Bíblia, o evangelho de hoje: Marcos 3, 20-35.

Pe. João Carlos Ribeiro – 10.06.2018