PE. JOÃO CARLOS - BLOG DA MEDITAÇÃO DA PALAVRA: Messias
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Os pobres estão sendo evangelizados

 



14 de dezembro de 2022

Dia de São João da Cruz 


EVANGELHO


Lc 7,19-23

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

MEDITAÇÃO


Vão contar a João o que vocês viram e ouviram (Lc 7, 22)

Ficamos sempre esperando um outro... um outro partido amoroso, um outro emprego, um outro ano. O que temos não nos parece bom o suficiente. Nós nos negamos a reconhecer que o que temos seja o melhor, que nessa condição atual esteja a nossa felicidade, que este, aqui conosco, seja quem Deus enviou. É assim que desprezamos quem já está conosco, quem está perto de nós. E ficamos aguardando um que ainda venha. E que venha de longe, de fora e de cima, possivelmente, para lhe darmos crédito.

Foi o que aconteceu no tempo de Jesus. Não o reconheceram como Messias. Ele não preencheu as expectativas daquela gente. O próprio João Batista ficou em dúvida. Mandou alguns discípulos indagar se era ele mesmo ou se deviam esperar outro.

João anunciou um Messias diferente. Na linha do profeta Malaquias, João falou de um Messias que vinha com o fogo do julgamento. Iria recolher o trigo no celeiro, mas iria tocar fogo na palha. Seu machado já estava posto à raiz das árvores. Quem não desse fruto, seria cortado. Um Messias implacável como o fogo do fundidor, separando o ouro das impurezas com o calor do seu julgamento. E Jesus não estava batendo com esse modelo de Messias. Pelo contrário, ele mostrou-se manso e humilde de coração, próximo do povo, convivendo com os pecadores. Não um juiz implacável, mas um pastor que vai atrás da ovelha perdida. Não um lenhador de machado na mão, mas um agricultor semeando a sua semente. Não um fundidor assoprando o seu forno com o fole para derreter o minério, mas um pai abrindo as portas de casa para receber o filho que volta. Um Messias surpreendentemente diferente.

João Batista ficou confuso. Ele já apresentara Jesus ao povo, como Messias. Mas, a coisa não estava batendo. Mandou saber. Em resposta, Jesus mandou os emissários observarem e relatarem o que estavam vendo e ouvindo. A ação de Jesus, como Messias, no meio do povo, estava na linha do profeta Isaías. Em Isaías capítulo 35, o profeta falou da vinda do Messias. “Ele vem para salvar vocês”, disse ele ao povo humilhado no tempo do Exílio: “Então, os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos dos surdos se descerrarão, o coxo saltará como um cervo e a língua dos mudos se desatará. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa”. Para essa tradição profética, o tempo do Messias é o tempo do retorno à casa, o tempo da libertação dos humilhados.


Guardando a mensagem

Os emissários de João Batista podiam concluir: Jesus é o Messias que Deus mandou. Porque, como narrou o profeta Isaías, os pobres estão sendo evangelizados: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam. São as obras de Cristo, isto é, do Messias. Obras de restauração, de libertação do seu povo. Os cegos, os paralíticos, os leprosos, os surdos, os mortos representam o povo machucado pelo sofrimento, mas também depauperado pelo pecado. Os pobres são evangelizados. As curas são apenas exemplificação da restauração que o Messias veio realizar. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o livro santo.

Vão contar a João o que vocês viram e ouviram (Lc 7, 22)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
este tempo de advento, preparando-nos para o teu natal e para tua segunda vinda, é uma grande convocação para a conversão. É como se vivêssemos no tempo de João Batista, um tempo de preparação para a tua chegada. Dá-nos, Senhor, acolher os apelos deste tempo abençoado e voltarmo-nos para ti de todo coração. Concede que brote de nossos corações abrasados por tua palavra gestos de acolhida de tua pessoa e do teu evangelho, bem como ações de partilha e solidariedade com os irmãos mais pobres e sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Comece valorizando as pessoas que estão ao seu redor, a começar pelos de sua casa. O natal que estamos preparando é a grande lição de um Deus que veio cuidar da gente e se mostrou pequeno e próximo. Valorizando quem convive conosco, já estamos treinando para acolher Jesus, o Emanuel. 

Comunicando

Amanhã, dia 15, começa a Novena de Natal. E você já está com o seu e-book? E já compartilhou com pelo menos 5 contatos, como nós pedimos? Ótimo. Muito obrigado. Hoje, estamos lhe enviando um texto da novena próprio para ser impresso, para o caso de alguém preferir essa modalidade. E segue mais uma vez E-book da Novena, para quem vai acompanhar pelo celular. A Novena vai ser rezada em nossos programas de rádio (são 128 emissoras) e vai estar também disponível nos tocadores de podcast. E o nosso encontro diário será no Youtube, sempre às 20 horas: Youtube.com/padrejoaocarlos. Tendo alguma dúvida, entre em contato conosco pelo Whatsapp da AMA: 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

RECONHECER QUEM ESTÁ PERTO


 

15 de dezembro de 2021


EVANGELHO


Lc 7,19-23

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

MEDITAÇÃO


És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)


Ficamos sempre esperando um outro... um outro partido amoroso, um outro emprego, um outro ano. O que temos não nos parece bom o suficiente. Nós nos negamos a reconhecer que o que temos seja o melhor, que nessa condição atual esteja a nossa felicidade, que este, aqui conosco, seja quem Deus enviou. É assim que desprezamos quem já está conosco, quem está perto de nós. E ficamos aguardando um que ainda venha. E que venha de longe, de fora e de cima, possivelmente, para lhe darmos crédito.

Foi o que aconteceu no tempo de Jesus. Não o reconheceram como Messias. Ele não preencheu as expectativas daquela gente. O próprio João Batista ficou em dúvida. Mandou alguns discípulos indagar se era ele mesmo ou se deviam esperar outro.

João anunciou um Messias diferente. Na linha do profeta Malaquias, João falou de um Messias que vinha com o fogo do julgamento. Iria recolher o trigo no celeiro, mas iria tocar fogo na palha. Seu machado já estava posto à raiz das árvores. Quem não desse fruto, seria cortado. Um Messias implacável como o fogo do fundidor, separando o ouro das impurezas com o calor do seu julgamento. E Jesus não estava batendo com esse modelo de Messias. Pelo contrário, ele mostrou-se manso e humilde de coração, próximo do povo, convivendo com os pecadores. Não um juiz implacável, mas um pastor que vai atrás da ovelha perdida. Não um lenhador de machado na mão, mas um agricultor semeando a sua semente. Não um fundidor assoprando o seu forno com o fole para derreter o minério, mas um pai abrindo as portas de casa para receber o filho que volta. Um Messias surpreendentemente diferente.

João Batista ficou confuso. Ele já apresentara Jesus ao povo, como Messias. Mas, a coisa não estava batendo. Mandou saber. Em resposta, Jesus mandou os emissários observarem e relatarem o que estavam vendo e ouvindo. A ação de Jesus, como Messias, no meio do povo, estava na linha do profeta Isaías. Em Isaías capítulo 35, o profeta falou da vinda do Messias. “Ele vem para salvar vocês”, disse ele ao povo humilhado no tempo do Exílio: “Então, os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos dos surdos se descerrarão, o coxo saltará como um cervo e a língua dos mudos se desatará. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa”. Para essa tradição profética, o tempo do Messias é o tempo do retorno à casa, o tempo da libertação dos humilhados.

Guardando a mensagem

Os emissários de João Batista podiam concluir: Jesus é o Messias que Deus mandou. Porque, como narrou o profeta Isaías, os pobres estão sendo evangelizados: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam. São as obras de Cristo, isto é, do Messias. Obras de restauração, de libertação do seu povo. Os cegos, os paralíticos, os leprosos, os surdos, os mortos representam o povo machucado pelo sofrimento, mas também depauperado pelo pecado. Os pobres são evangelizados. As curas são apenas exemplificação da restauração que o Messias veio realizar. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o livro santo.

João Batista pode ficar sossegado em sua prisão, Jesus é o Messias prometido por Deus. A novidade é que ele está restaurando a aliança de uma forma que ninguém tinha imaginado: próximo do povo, cuidando das feridas de quem foi assaltado e espancado, contando histórias de reconciliação e vida nova, festejando a conversão dos pecadores, pastoreando o seu rebanho e arriscando sua vida em defesa de suas ovelhas.

És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Este tempo de advento, preparando-nos para o teu natal e para tua segunda vinda, é uma grande convocação para a conversão. É como se vivêssemos no tempo de João Batista, um tempo de preparação para a tua chegada. Dá-nos, Senhor, acolher os apelos deste tempo abençoado e voltarmo-nos para ti de todo coração. Concede que brote de nossos corações abrasados por tua palavra gestos de acolhida de tua pessoa e do teu evangelho, bem como ações de partilha e solidariedade com os irmãos mais pobres e sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Comece valorizando as pessoas que estão ao seu redor, a começar pelos de sua casa. O natal que estamos preparando é a grande lição de um Deus que veio cuidar da gente e se mostrou pequeno e próximo. Valorizando quem convive conosco, já estamos treinando para acolher Jesus, o Emanuel. 

A novena de natal está começando hoje. São nove dias, como os nove meses da gestação de uma criança. Estamos rezando a novena toda tarde, às 15:00, pelo Youtube. Não sendo possível acompanhar a novena neste horário, veja em outro momento. Vai ficar tudo gravado.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

QUEM FOI ELIAS, NA SUA VIDA?



11 de dezembro de 2021

EVANGELHO


Mt 17,10-13

Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” 11Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles”. 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.

MEDITAÇÃO


Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Por muito tempo, o povo de Israel cultivou o sentimento da vinda do Messias. Havia uma expectativa muito forte, no tempo de Jesus, de que o Messias chegaria a qualquer momento. É verdade que nem todos coincidiam, em suas esperanças, sobre quem seria e o que ele faria. O Messias era uma promessa de Deus e a sua vinda seria a solução para a sofrida vida daquela gente. Assim, muitos esperavam que fosse um grande líder político e militar. Com certeza, enfrentaria os romanos e acabaria com aquela dominação opressora. Outros apostavam que seria um homem de Deus ‘ultra-santo’, sem nenhuma aproximação com os pecadores e as maldades desse mundo.

Jesus era o Messias que o Pai enviara. Messias é uma palavra que quer dizer “ungido”. Ungir é uma cerimônia em que a pessoa é consagrada com óleo para uma missão. O Messias é aquele que Deus ungiu para a grande missão de restaurar Israel.

Em certo sentido, o estilo de Messias que Jesus exerceu não preencheu as expectativas do povo do seu tempo. Ele não era um sacerdote do templo, como podiam esperar os saduceus. Era um leigo, carpinteiro de profissão, vindo do interior. Não era um líder político-militar, como os zelotes esperavam. Era um profeta que pregava a mansidão, o perdão e a solidariedade com os pequenos. Não era um ilustrado professor da Lei, levando o povo a praticá-la com rigor, como esperavam os fariseus. Ensinava o povo com parábolas e pregava a lei do amor. Dessa forma, os grandes grupos religiosos de Israel não reconheceram Jesus como Messias.

Os Mestres ensinavam que antes que o Messias viesse, viria Elias. Elias foi um dos maiores profetas do povo de Deus e era sempre lembrado como alguém que restabeleceu a religião de Israel, ameaçada pelos cultos dos estrangeiros. Elias tinha vivido, vários séculos antes. Eles, lendo o livro do profeta Malaquias, entendiam que Elias voltaria antes que o Messias chegasse. Está assim no livro do profeta Malaquias: “Eis que eu envio o profeta Elias, antes que chegue o grandioso e terrível dia do Senhor” (Ml 3, 23). 

E Jesus explica aos seus discípulos que, de fato, Elias já veio. Foi João Batista, pelo que ele deu a entender. Não que ele tenha voltado em João Batista, isso não. É que João Batista fez o papel de Elias, aproximando o povo do seu Deus, preparando a chegada de Jesus. Disse Jesus: “Elias já veio, mas eles não o reconheceram”. E falou do modo como maltrataram João. O profeta, coitado, foi degolado na prisão de Herodes. E Jesus avisou que eles, tratariam mal, a ele também, o Filho do Homem.

Guardando a mensagem 

Este evangelho é um bom aviso para nós. Ficamos sempre esperando alguma coisa muito grande acontecer, para finalmente vivermos como convertidos. Não reconhecemos o Elias, que é quem prepara o caminho para o nosso encontro com Jesus. E nem reconhecemos o próprio Senhor que está no meio de nós. Ele se apresenta manso e humilde, renunciando as armas do poder. Elias já veio. O Messias também. O que é que estamos esperando para acolher o Reino de Deus que ele está anunciando?

Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
O papel de Elias de preparar os caminhos para a tua chegada foi realizado por João Batista. João foi o Elias que preparou os teus caminhos. Muitos fazem hoje esse papel, preparando o povo para o encontro contigo. Nós te bendizemos pelos Elias de hoje. Que eles não desanimem, pela pouca reação dos seus irmãos. Estamos seguros que também nós podemos e devemos fazer esse papel de Elias, ajudar as pessoas a abrirem o seu coração para te acolher como Messias e Salvador. Dá-nos, Senhor, paciência, sabedoria e perseverança para sermos Elias hoje, evangelizadores dos nossos irmãos e irmãs. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que você pode identificar quem foi Elias na sua vida, quem preparou você para o encontro com Cristo? Anote, no seu caderno espiritual, ao menos três nomes de pessoas que foram Elias na sua vida. E reze por eles. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O MESSIAS É O SENHOR DE DAVI







04 de junho de 2021

EVANGELHO


Mc 12,35-37

Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.

MEDITAÇÃO


Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

O povo de Deus vivia na grande expectativa da vinda do Messias. Os profetas tinham anunciado a vinda de alguém muito especial. Na cabeça das pessoas, chegaria alguém muito forte, assistido por Deus, que restauraria a nação e a levaria ao seu antigo esplendor, como no tempo de Davi ou Salomão. Para um povo que vivia sob o peso de uma dominação humilhante como aquela dos romanos no tempo de Jesus, a expectativa do Messias era uma coisa muito forte. Quanto mais sofrimento e humilhação, mais se fortalecia a convicção da chegada do Messias a qualquer momento para resolver a situação.

Quando os tempos estavam maduros, o Pai enviou seu filho. São Paulo falou disso, na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Mesmo Deus tendo esperado muito tempo para enviar o seu filho no momento certo, Jesus encontrou esse clima da espera de um Messias salvador da pátria, que dificultou a acolhida de sua pessoa e de seus ensinamentos.

No pensamento corrente, o Messias viria reinar, seria um rei. Assim, claro, ele teria que ser um descendente do rei Davi, a quem Deus tinha prometido que seu reinado não teria fim. O Messias seria filho de Davi, quer dizer da família real. Aos poucos, muita gente foi identificando Jesus com o Messias aguardado. Quando Jesus foi a Jerusalém, naquela peregrinação de Páscoa, a última antes de ser morto na cruz, sua entrada na cidade foi uma festa. Os peregrinos o aclamaram rei. “Hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor", gritavam euforicamente. E lhe deram, em sua pobreza, um tratamento de rei: forravam a estrada com ramos e com suas capas para ele passar, montado no seu jumentinho.

O que Jesus está dizendo hoje no evangelho é para ajudar aquelas pessoas que o cercavam a entender que o Messias não seria um simples descendente do rei Davi. “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?”

São muitas coisas que aquela gente e nós precisamos entender. A primeira coisa é que o Messias não é um simples filho de Davi. Como diz o salmo que Jesus citou: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. Quem é esse senhor? Deus. Deus disse ao senhor de Davi, não ao seu filho. O Messias é o Senhor de Davi, entendeu? O Messias tem parte com Deus.

Guardando a palavra

Aos poucos, os seguidores de Jesus foran entendendo: Jesus é o Messias, o ungido de Deus. Ele não só herdou a realeza humana de Davi, mas ele é o Filho de Deus. E o seu reinado não é o governo de alguma tribo ou de alguma nação. Ele é mais rei do que isso, ele é Senhor em todo canto. Ele não veio para restaurar o reino de Israel. Veio para restaurar o reino de Deus no mundo. Deus não é só Deus de Israel. É Deus de todos e quer o bem de todos e reina sobre todos, em qualquer lugar do mundo, onde aceitem seu filho e sua mensagem de fraternidade, de justiça, de amor e de paz. Os problemas de Israel é seu povo que vai encontrar soluções, no caminho da história. Ele veio para abrir um caminho de plenitude, de salvação para todos. Claro que isso tem influência na vida dos que crêem e nos caminhos históricos das nações. O Reino de Deus é como fermento na história, como ele bem explicou.

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Não foi só o povo do teu tempo que teve dificuldade de entender a tua presença e a tua mensagem. Nós, também. Eles esperavam um messias que resolvesse os seus problemas ou ao menos os liderasse na vitória sobre seus inimigos. Aos poucos, os teus seguidores compreenderam que a tua liderança era realmente real e decisiva, e se estendia a todas as pessoas e as todas as nações, como verdadeira onda de renovação do mundo na direção de Deus. És o Senhor da história, nos conduzindo para a justiça e a fraternidade que nascem do encontro com o amor de Deus, proclamado no teu evangelho. Por tua morte e ressurreição, abres os selos do livro lacrado da história. És o Senhor da história. E quanto estiver transformado, entregarás o reino como um presente ao Pai. Contigo, pedimos ao Pai, venha a nós o teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Abra a sua Bíblia, no salmo que Jesus citou hoje: Salmo 110 (ou 109, em algumas edições). É o salmo do sacerdócio do Messias.

Eu já lhe falei da AMA, a Associação Missionária Amanhecer, que atua comigo na evangelização nos meios de comunicação social. Neste mês, a AMA está completando 25 anos de serviço missionário. E nós vamos festejar esta data, amanhã, de uma maneira especial. Vamos fazer um Show online, começando às 20 horas. Desejo muito que você esteja conosco neste momento. Você pode adquirir o ingresso no site www.sympla.com.br ou pelo whatsapp 81 9.9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

RECONHEÇA O VALOR DE QUEM ESTÁ PERTO DE VOCÊ



16 de dezembro de 2020


EVANGELHO


Lc 7,19-23

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

MEDITAÇÃO


És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)


Ficamos sempre esperando um outro... um outro partido amoroso, um outro emprego, um outro ano. O que temos não nos parece bom o suficiente. Nós nos negamos a reconhecer que o que temos seja o melhor, que nessa condição atual esteja a nossa felicidade, que este, aqui conosco, seja quem Deus enviou. É assim que desprezamos quem já está conosco, quem está perto de nós. E ficamos aguardando um que ainda venha. E que venha de longe, de fora e de cima, possivelmente, para lhe darmos crédito.

Foi o que aconteceu no tempo de Jesus. Não o reconheceram como Messias. Ele não preencheu as expectativas daquela gente. O próprio João Batista ficou em dúvida. Mandou alguns discípulos indagar se era ele mesmo ou se deviam esperar outro.

João anunciou um Messias diferente. Na linha do profeta Malaquias, João falou de um Messias que vinha com o fogo do julgamento. Iria recolher o trigo no celeiro, mas iria tocar fogo na palha. Seu machado já estava posto à raiz das árvores. Quem não desse fruto, seria cortado. Um Messias implacável como o fogo do fundidor, separando o ouro das impurezas com o calor do seu julgamento. E Jesus não estava batendo com esse modelo de Messias. Pelo contrário, ele mostrou-se manso e humilde de coração, próximo do povo, convivendo com os pecadores. Não um juiz implacável, mas um pastor que vai atrás da ovelha perdida. Não um lenhador de machado na mão, mas um agricultor semeando a sua semente. Não um fundidor assoprando o seu forno com o fole para derreter o minério, mas um pai abrindo as portas de casa para receber o filho que volta. Um Messias surpreendentemente diferente.

João Batista ficou confuso. Ele já apresentara Jesus ao povo, como Messias. Mas, a coisa não estava batendo. Mandou saber. Em resposta, Jesus mandou os emissários observarem e relatarem o que estavam vendo e ouvindo. A ação de Jesus, como Messias, no meio do povo, estava na linha do profeta Isaías. Em Isaías capítulo 35, o profeta falou da vinda do Messias. “Ele vem para salvar vocês”, disse ele ao povo humilhado no tempo do Exílio: “Então, os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos dos surdos se descerrarão, o coxo saltará como um cervo e a língua dos mudos se desatará. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa”. Para essa tradição profética, o tempo do Messias é o tempo do retorno à casa, o tempo da libertação dos humilhados.

Guardando a mensagem

Os emissários de João Batista podiam concluir: Jesus é o Messias que Deus mandou. Porque, como narrou o profeta Isaías, os pobres estão sendo evangelizados: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam. São as obras de Cristo, isto é, do Messias. Obras de restauração, de libertação do seu povo. Os cegos, os paralíticos, os leprosos, os surdos, os mortos representam o povo machucado pelo sofrimento, mas também depauperado pelo pecado. Os pobres são evangelizados. As curas são apenas exemplificação da restauração que o Messias veio realizar. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o livro santo.

João Batista pode ficar sossegado em sua prisão, Jesus é o Messias prometido por Deus. A novidade é que ele está restaurando a aliança de uma forma que ninguém tinha imaginado: próximo do povo, cuidando das feridas de quem foi assaltado e espancado, contando histórias de reconciliação e vida nova, festejando a conversão dos pecadores, pastoreando o seu rebanho e arriscando sua vida em defesa de suas ovelhas.

És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)


Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Este tempo de advento, preparando-nos para o teu natal e para tua segunda vinda, é uma grande convocação para a conversão. É como se vivêssemos no tempo de João Batista, um tempo de preparação para a tua chegada. Dá-nos, Senhor, acolher os apelos deste tempo abençoado e voltarmo-nos para ti de todo coração. Concede que brote de nossos corações abrasados por tua palavra gestos de acolhida de tua pessoa e do teu evangelho, bem como ações de partilha e solidariedade com os irmãos mais pobres e sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Comece valorizando as pessoas que estão ao seu redor, a começar pelos de sua casa. O natal que estamos preparando é a grande lição de um Deus que veio cuidar da gente e se mostrou pequeno e próximo. Valorizando quem convive conosco, já estamos treinando para acolher Jesus, o Emanuel. 

A novena de natal começou ontem. São nove dias, como os nove meses da gestação de uma criança. Estamos rezando a novena toda tarde, às 14:00, pelo Youtube e pelo Facebook. Não podendo nos acompanhar nesse horário, encontre um tempinho para ver o vídeo que fica gravado depois da novena. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

MÚSICA 


MEU BOM DEUS

(Pe. João Carlos)


Senhor, meu Deus, aqui estou
Aqui estou cansado e só
Estou buscando o teu amor,
Teu ombro amigo
Preciso tanto de tua paz, 
Do teu abrigo.


Senhor, meu Deus, aqui estou
Longe de ti, tentei viver
Só encontrei desilusão 
No meu caminho
Que vou fazer sem teu perdão
Sem teu carinho?


Meu Bom Deus, 
O teu amor me trouxe aqui.
Meu Bom Deus,
Não sou ninguém 
Longe de ti. (Bis)


Senhor, meu Deus, aqui estou,
O teu amor me transformou.
Pedi somente a tua graça,
Arrependido,
Mas me quiseste em tua casa
Como filho.


Senhor, meu Deus, aqui estou
Ainda há quem não te encontrou
Não retornou de tanto beco 
Sem saída
Só o teu amor renova tudo
Em nossa vida.

O FILHO DE DAVI

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

05 de junho de 2020.


O povo de Deus vivia na grande expectativa da vinda do Messias. Os profetas tinham anunciado a vinda de alguém muito especial. Na cabeça das pessoas, chegaria alguém muito forte, assistido por Deus, que restauraria a nação e a levaria ao seu antigo esplendor, como no tempo de Davi ou Salomão. Para um povo que vivia sob o peso de uma dominação humilhante como aquela dos romanos no tempo de Jesus, a expectativa do Messias era uma coisa muito forte. Quanto mais sofrimento e humilhação, mais se fortalecia a convicção da chegada do Messias a qualquer momento para resolver a situação.   

Quando os tempos estavam maduros, o Pai enviou seu filho. São Paulo falou disso, na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Mesmo Deus tendo esperado muito tempo para enviar o seu filho no momento certo, Jesus encontrou esse clima da espera de um Messias salvador da pátria, que dificultou a acolhida de sua pessoa e de seus ensinamentos.

No pensamento corrente, o Messias viria reinar, seria um rei. Assim, claro, ele teria que ser um descendente do rei Davi, a quem Deus tinha prometido que seu reinado não teria fim. O Messias seria filho de Davi, quer dizer da família real. Aos poucos, muita gente foi identificando Jesus com o Messias aguardado. Quando Jesus foi a Jerusalém, naquela peregrinação de Páscoa, a última antes de ser morto na cruz, sua entrada na cidade foi uma festa. Os peregrinos o aclamaram rei. “Hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor", gritavam euforicamente. E lhe deram, em sua pobreza, um tratamento de rei: forravam a estrada com ramos e com suas capas para ele passar, montado no seu jumentinho.

O que Jesus está dizendo hoje no evangelho é para ajudar aquelas pessoas que o cercavam a entender que o Messias não seria um simples descendente do rei Davi. “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?”

São muitas coisas que aquela gente e nós precisamos entender. A primeira coisa é que o Messias não é um simples filho de Davi. Como diz o salmo que Jesus citou: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. Quem é esse senhor? Deus. Deus disse ao senhor de Davi, não ao seu filho. O Messias é o Senhor de Davi, entendeu? O Messias tem parte com Deus.

Guardando a palavra

Aos poucos, os seguidores de Jesus foran entendendo: Jesus é o Messias, o ungido de Deus. Ele não só herdou a realeza humana de Davi, mas ele é o Filho de Deus. E o seu reinado não é o governo de alguma tribo ou de alguma nação. Ele é mais rei do que isso, ele é Senhor em todo canto. Ele não veio para restaurar o reino de Israel. Veio para restaurar o reino de Deus no mundo. Deus não é só Deus de Israel. É Deus de todos e quer o bem de todos e reina sobre todos, em qualquer lugar do mundo, onde aceitem seu filho e sua mensagem de fraternidade, de justiça, de amor e de paz. Os problemas de Israel é seu povo que vai encontrar soluções, no caminho da história. Ele veio para abrir um caminho de plenitude, de salvação para todos. Claro que isso tem influência na vida dos que crêem e nos caminhos históricos das nações. O Reino de Deus é como fermento na história, como ele bem explicou.

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Não foi só o povo do teu tempo que teve dificuldade de entender a tua presença e a tua mensagem. Nós, também. Eles esperavam um messias que resolvesse os seus problemas ou ao menos os liderasse na vitória sobre seus inimigos. Aos poucos, os teus seguidores compreenderam que a tua liderança era realmente real e decisiva, e se estendia a todas as pessoas e as todas as nações, como verdadeira onda de renovação do mundo na direção de Deus. És o Senhor da história, nos conduzindo para a justiça e a fraternidade que nascem do encontro com o amor de Deus, proclamado no teu evangelho. Por tua morte e ressurreição, abres os selos do livro lacrado da história. És o Senhor da história. E quanto estiver transformado, entregarás o reino como um presente ao Pai. Contigo, pedimos ao Pai, venha a nós o teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra


Abra a sua Bíblia, no salmo que Jesus citou hoje: Salmo 110 (ou 109, em algumas edições). É o salmo do sacerdócio do Messias.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O SEU ENCONTRO COM JESUS

Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José (Jo 1, 45).

24 de agosto de 2019 - Dia de São Bartolomeu, apóstolo.

Como hoje é dia do apóstolo São Bartolomeu, o evangelho nos traz uma cena em que ele está presente. Esse nome 'Bartolomeu' se encontra na lista dos doze apóstolos, mas nesse início do evangelho de São João ele é chamado de Natanael.

Jesus tinha chamado Felipe para segui-lo, isto é para ser seu discípulo. Felipe aceitou o convite e começou a andar com Jesus. Este Felipe encontrou-se com Natanael e falou-lhe sobre Jesus. Felipe e Natanael eram da mesma aldeia, Betsaida. Felipe passou para o seu amigo Natanael a informação que tinha encontrado o Messias. Natanael, claro, ficou logo muito curioso. ‘Encontrou o Messias? Puxa’... E quem é ele? Felipe informou que era Jesus do povoado de Nazaré, o filho de José carpinteiro. Tinha certeza que ele era o Messias, aquele de quem Moisés e os Profetas tinham escrito. E levou Natanael para conhecer Jesus.

É importante lembrar que Natanael fez certa dificuldade, diante da novidade do seu amigo. Saiu-se com uma expressão que poderia ter deixado Felipe desanimado. “Por acaso, pode sair alguma coisa boa de Nazaré?!”. Olha o preconceito desse moço! Mas, hoje é a festa dele, não é dia de chamar atenção sobre suas falhas. Deixemos assim. Importante é que Felipe não se deixou abater, nem desanimar… Olha qual foi a reação dele: “Vem ver!”. 

Veja que interessante. Felipe tinha tido um encontro com Jesus. Jesus o tinha convidado para o seu grupo de discípulos. E ele, muito feliz com essa novidade, passou a notícia para o seu amigo Natanael. Contou-lhe que tinha encontrado o Messias que Deus prometera a Israel. O mesmo já tinha acontecido com André. André era discípulo de João Batista. E passou a seguir Jesus. Foi André que evangelizou Pedro, num certo modo de dizer. Escute o que André disse a Pedro, que era seu irmão: “Encontramos o Messias”. Então, André falou-lhe do seu encontro com Jesus e o levou até ele.

Observe bem: antes de Felipe e André irem avisar alguém (a Natanael ou a Pedro), eles tiveram um encontro pessoal com o Senhor. Desse encontro com Jesus é que nasce a necessidade quase natural de comunicar aos outros a boa notícia: “Encontrei Jesus, o Messias”. E comunicá-la aos parentes e amigos, ao seu círculo de amizade. A gente sempre quer partilhar com os outros as coisas boas que nos acontecem, as novidades que nós tomamos conhecimento. Com a fé, é assim também. Quem encontrou Jesus, parte para evangelizar os seus parentes e amigos, como fez Felipe.

Então, o missionário nasce no encontro com o Senhor. Assim, se você ainda não é um missionário, um cristão que testemunha a sua fé, que procura envolver outros nas coisas da Igreja, que leva outros a Cristo... talvez seja porque você ainda não encontrou seriamente o Senhor ou não deixou que ele o encontrasse.

Guardando a mensagem

Festejamos hoje o apóstolo São Bartolomeu. Ele foi, segundo a tradição, o grande evangelizador do povo da Índia e da Armênia. Com o evangelho de hoje, ficamos sabendo que foi o seu amigo Felipe que lhe falou de Jesus e o levou até ele. Foi assim também no caso de André que evangelizou seu irmão Pedro. A grande lição de hoje é que nós precisamos de verdade ter esse encontro com Jesus para nos tornarmos seus missionários. Sem encontro sério com Jesus, não parte um missionário, uma missionária.

Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José (Jo 1, 45).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Hoje, nós queremos imitar teu discípulo Felipe. Depois de ter esse encontro contigo, queremos anunciar-te aos nossos parentes e amigos, como ele fez com o seu amigo Natanael. Queremos falar de ti, e trazê-los à tua presença. Com o evangelho de hoje, aprendemos também que precisamos ser perseverantes e não nos deixarmos impressionar pela primeira cara feia. Apesar dos preconceitos de Natanael contra o povo de Nazaré, Felipe insistiu para que ele fosse com ele te conhecer. E Natanael ficou encantado com a tua acolhida. Dá-nos, Senhor, um coração missionário. Nós também queremos trazer os nossos amigos para te conhecer. Queremos evangelizá-los. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em sintonia com a festa do apóstolo Bartolomeu, hoje, convide um amigo ou parente para um encontro com Jesus. Se não tiver ideia melhor, compartilhe a meditação de hoje com ele ou com ela. É importante também já ir se programando para santificar o domingo, o Dia do Senhor, com a participação na Santa Missa. 

Pe. João Carlos Ribeiro – 24 de agosto de 2019.

VADE RETRO, SATANAS!

E vocês, quem dizem que eu sou? (Mc 8, 29)
21 de fevereiro de 2019
Como estou em Roma, nesses dias, na Casa Salesiana do Sagrado Coração, fundada por Dom Bosco, olho para o evangelho de hoje e logo me lembro do que sua mãe Mamãe Margarida lhe disse, bem no dia de sua ordenação. Na hora, com certeza, ele não entendeu. Ela lhe disse: “Meu filho, começar a dizer Missa é começar a sofrer”. Você também não entendeu, não foi? Mas, vai entender. Olha a sabedoria dessa camponesa analfabeta: quando alguém percorre o mesmo caminho de Jesus, encontra também sofrimentos, como ele encontrou.
Olha o que conta o evangelho de hoje. Jesus estava explicando aos discípulos que ele devia ir a Jerusalém e sofrer muito. Notou isso? “Sofrer muito”. Seria rejeitado pelos líderes do seu povo que o entregariam à morte, mas ressuscitaria ao terceiro dia. Essa era uma passagem difícil do caminho de Jesus: a rejeição e a morte. E ele não queria fugir desse momento. Estava resolvido a enfrentar esse sofrimento, com a doação de sua vida e com total confiança no Pai.
Se dependesse de Pedro, a história de Jesus teria sido outra. Ele dispensaria o capítulo da paixão e da morte. Jesus realizaria toda a sua missão sem sofrimento, sem precisar passar pelo vexame da cruz. O que Pedro queria é o que nós queremos. Não queremos assumir os sofrimentos, as provações que vêm junto com nossa opção por Jesus Cristo e por seu evangelho. Seguir Jesus, tudo bem. Sofrer como ele, não. Triunfo, sim; cruz, não. Na primeira crise, o casamento desagua em divórcio. Numa avaliação mais rigorosa do professor, abandona-se a faculdade. No meio de uma crise existencial, o reverendo abandona o ministério.  Basta uma cara feia do coordenador de minha pastoral que eu desisto, ‘não estou aqui para sofrer’. Fugimos de qualquer sofrimento.
Pedro chamou Jesus à parte e o repreendeu. “Não diga uma coisa dessas. Tire da cabeça esse negócio de se dar mal em Jerusalém. Deus não vai permitir uma desgraça dessas. Isso não vai lhe acontecer”. A reação de Jesus espantou os discípulos: “Vade retro, satanas!”- “Afaste-se de mim, satanás! Você não está pensando segundo o que Deus quer, mas segundo a vontade do homem”. Foi um choque para Pedro e para os seus colegas. Em outro momento, Pedro tinha sido elogiado porque tinha reconhecido que Jesus era o Messias, o filho do Deus vivo. E agora, Jesus o estava tratando como satanás, o tentador.  É isso mesmo! Quem proclama que Jesus é o Messias tem também que subir com ele o calvário.
Todo o evangelho é um convite a nos tornarmos seguidores de Jesus. Seguidor é o que percorre a mesma estrada do Mestre, quem faz o seu caminho. O caminho de Jesus é a entrega total de si mesmo pelos outros. Discípulo é quem o segue. E quem o segue, por causa de sua fé, por causa do Reino que Jesus pregou, vai passar também por alguma dificuldade, por algum sofrimento por causa de sua fé e do seu amor a Cristo. Então, Mamãe Margarida, a mãe de Dom Bosco tinha razão. “Começar a dizer Missa é começar a sofrer”. Isto ela disse para o seu filho que tinha acabado  de ser ordenado padre. Mas, o que ela disse serve para nós hoje também: “Fazer opção por Jesus é começar a sofrer”.
Guardando a mensagem
Ninguém quer sofrer. Todo mundo foge do sofrimento. Vivemos a ‘civilização do analgésico’. O evangelho nos faz um convite: seguir Jesus. Jesus nos alerta sobre o sofrimento que existe no seu caminho. Quem o quiser seguir, precisa renunciar a ser o centro de sua vida, para realizar a vontade de Deus. Claro, a vontade de Deus não é que a gente sofra. E não é de qualquer sofrimento que Jesus está falando. A sua escolha foi entregar sua vida pelos outros, em obediência à vontade salvadora do Pai. Quem o quiser seguir, tem que estar pronto para participar também da travessia difícil do sofrimento que vem por causa da fé e do evangelho que se abraça. Seguir com Jesus não é estar com ele só no triunfo, é estar com ele também na paixão.
E vocês, quem dizem que eu sou? (Mc 8, 29)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
O mundo de facilidades que temos hoje, comparando com outros tempos, podem nos tentar a desistir de nossas opções, quando as dificuldades aparecem. Não procuramos sofrimentos, mas pagamos sempre um preço por nossas escolhas. Sermos teus seguidores tem também seu preço. São as renúncias a se fazer, o peso da fidelidade e da perseverança nas horas difíceis, a incompreensão, a discriminação, até a perseguição, em muitos casos. Tu, Senhor Jesus, fizeste a escolha de comunicar a vida de Deus aos pecadores e a realizaste com absoluta fidelidade. A cruz que te impuseram, tu a abraçaste com amor. Deste a tua vida por nós. Ensina-nos a trilhar o teu caminho. Seja  bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Pode ser que hoje apareça uma oportunidade de você aconselhar alguém num momento de dificuldade. Aconselhe a fazer como Jesus, a não desistir dos seus sonhos e dos sonhos de Deus.  

Pe. João Carlos Ribeiro – 21.02.2019

O CRISTO E OS CRISTÃOS NA MESMA CAMINHADA


Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus” (Lucas 9, 20)
28 de setembro de 2018.
Vamos começar reparando que esse texto está na conclusão do período de atividade de Jesus na Galileia. Essa conversa de Jesus com os discípulos equivale a uma avaliação de todo o seu trabalho feito, desde que retornou do batismo, no Jordão. A essa cena, segue-se a cena da transfiguração. E começa a grande viagem de Jesus com o seu grande grupo de discípulos a Jerusalém (Lc 9, 51).  Aí já é outra etapa, em que Jesus se concentra na formação deles.
Na avaliação, Jesus indaga se o povo e eles mesmos, os discípulos, captaram bem a sua mensagem e entenderam a sua pessoa.  São quatro níveis de resposta. “O Senhor é João Batista. O senhor é Elias. O Senhor é um dos profetas antigos que voltou à vida. O Senhor é o Cristo de Deus”. Todas as respostas têm certa dose de verdade, a começar pelo  que o povo estava dizendo sobre ele. A ação de Jesus é uma forma de dar continuidade ao trabalho de João, interrompido pela perseguição de Herodes. Elias, que, no passado, tinha feito um trabalhado de restauração da fé de Israel, era aguardado para a obra final: podiam ver isso em Jesus.  E ele agia mesmo com a liberdade e a determinação dos antigos profetas. Mas, os discípulos, representados por Pedro, o tinham compreendido melhor: ele era o Cristo de Deus.
Cristo é uma palavra grega que equivale à palavra Messias, do hebraico. Cristo quer dizer “ungido”. Jesus é o ungido de Deus. De fato, na sinagoga de Nazaré, Jesus tinha lido o profeta Isaías e se identificado com suas palavras: o Espírito de Deus o tinha ungido para evangelizar os pobres e anunciar o Reino. O ungido é especialmente o rei, o escolhido, o enviado do Senhor. Mas, talvez eles não tivessem entendido tudo. O Messias, o Cristo, o ungido, na realização de sua missão, iria passar por muitas provações.  Foi aí que Jesus fez o primeiro de três anúncios de sua paixão. Ele detalhou tudo também em quatro pontos. Ele iria sofrer muito, ser rejeitado pelos chefes, morrer e, então, ressuscitar. Esse seria o caminho do Messias, o servo sofredor anunciado pelo profeta Isaías. Portanto, nada de dizer ao povo que ele era o Messias, sem absorver o jeito com o qual ele realizaria sua missão.
Se esse era o caminho do Cristo, do ungido, não poderia ser outro o caminho dos seus discípulos, os cristãos. Os discípulos mais tarde começaram a ser chamados com esse título, na comunidade de Antioquia. Ficaram conhecidos como cristãos, os ungidos, como Jesus.

Guardando a mensagem
A lição de Jesus foi clara. Entender quem é ele é tomar o seu caminho. Ele é o Cristo de Deus, e vai enfrentar sofrimento e morte e ressuscitar. Quem for segui-lo, deve fazer o seu mesmo caminho: renunciar a si mesmo e tomar a própria cruz como ele e com ele, cada dia. E isso o que significa? Que você, como seguidor(a) de Jesus, vai encontrar muitas dificuldades, sofrimentos e tribulações no seu caminho. Você não deve pensar que porque está seguindo Jesus, está livre dos problemas. Pelo contrário, é nas dificuldades e nos sofrimentos que você amadurece seu amor e sua imitação de Cristo, o Ungido de Deus. Saiba que é neste caminho histórico de sua vida, marcado pelos limites de sua própria condição humana e pecadora, que o Espírito Santo vai construindo em você, a nova criatura, destinada à plena comunhão com o Pai e à ressurreição final.
Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus (Lucas 9, 20)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Todo mundo sabe que só se conhece bem uma pessoa, quando se convive com ela, quando se caminha com ela. Nós sabemos que tu és o Cristo, como Pedro e os teus apóstolos nos ensinaram. Mas, precisamos caminhar contigo, conviver contigo, para crescermos, cada vez mais, no conhecimento de tua pessoa de filho de Deus. A tua caminhada para Jerusalém com os teus discípulos foi um grande momento de aprendizado para o teu grupo. Simbolicamente, queremos caminhar contigo, seguir contigo a Jerusalém, para estar contigo no teu sacrifício e na tua ressurreição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.  
Vivendo a palavra
Leia o texto de hoje em sua Bíblia – Lucas 9, 18-22 - e responda no seu caderno espiritual: Quem é Jesus para mim?

Pe. João Carlos Ribeiro – 28.09.2018

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