BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO: Messias
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A oferta da viúva.




06 de junho de 2026  

Sábado da 9ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho.  


Mc 12,38-44

Naquele tempo, 38Jesus dizia, no seu ensinamento, à multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. 40Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. 41Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. 42Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. 43Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. 44Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

  Meditação.  


Em verdade lhes digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas (Mc 12, 42)

Jesus observou que uma pobre viúva depositou duas pequenas moedas no tesouro do Templo. E valorizou essa participação, aparentemente tão pequena. Viu também pessoas ricas fazendo suas ofertas. Comparou a viúva pobre e os ricos piedosos. Os ricos ofertaram o que lhes sobrava. Ela ofereceu ‘tudo quanto tinha para viver’.

Veja bem, dando as duas moedas que lhe fariam falta, ela deu algo de si mesma. As duas moedas a ajudariam em alguma coisa, um pão, um pouco de leite, quem sabe... Não deu do que lhe estava sobrando. Propriamente, não deu coisas fora de si. Empenhou-se a si mesma nesta oferta. Deu-se a si mesma. A viúva a si mesmo se ofereceu em oferta.

Os ricos que depositaram muito dinheiro no cofre do Templo, ofereceram muita coisa, mas não ofereceram nada de si, compreende? Nada daquilo representava mesmo algo de si mesmos. Aquele dinheiro todo não lhes faria falta, era coisa que já estava sobrando. Jesus podia até elogiá-los reconhecendo que tinham sido generosos. Mas, não. Não estavam implicados na oferta. A viúva, ah essa sim, fez a maior oferta. Deu de sua própria vida, tirou do seu próprio sustento. Sacrificou-se ao dar. Na verdade, a sua oferta era ela mesma.

A história da viúva das duas moedinhas é um exemplo vivo do ensinamento de Jesus: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia sua cruz e me siga”. A viúva renunciou a si mesma. O discípulo vê isso na vida do seu Mestre. Foi assim que Jesus realizou sua missão. Ele entregou a sua vida em sacrifício, em nosso favor. Ele é o nosso rei, o nosso guia, o nosso pastor. O bom pastor dá vida por suas ovelhas. O que a viúva fez está em sintonia com o modo como Jesus realizou sua missão. Depositando duas moedas, tudo o que ela tinha, ela estava oferecendo-se a si mesma.




Guardando a mensagem

No gesto de dar uma oferta no Templo, a viúva pobre não deu apenas algo fora de si, que não a empenhava, nem a implicava. Especialmente, entregou-se a si mesma, deu-se na sua pobreza e na sua necessidade. E o que é que a viúva tem com você? É fácil: na sua relação com a Igreja (que está no lugar do antigo Templo), espera-se que você não dê apenas coisas, exteriormente. O evangelho da viúva indica que você precisa entregar-se a si mesmo, a si mesma. Não basta cumprir o preceito de assistir a Missa aos domingos. É preciso que você faça do seu domingo uma Missa. E o compromisso do dízimo? É, ele é importante, mas só vale mesmo se você for a oferta principal, não o seu dinheiro. Rezar é importante? Sim, se rezar for o modo de você reconhecer o amor de Deus, colocando-se às suas ordens. O que você faz ou dá não é o mais importante. Só é importante se sua vida estiver sendo oferecida e entregue no sinal da oferenda.

Em verdade lhes digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas (Mc 12, 42)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
temos que reconhecer que nosso dízimo e nossas ofertas na Igreja estão muito longe do sentimento de entrega da viúva. Ela propriamente se deu em oferta, oferecendo o que lhe faria falta. A nossa oferta deveria representar a oferta de nós mesmos a Deus, mas quase sempre são apenas esmolas e migalhas que representam apenas o nosso pouco compromisso com a Igreja e com a sua missão. Converte-nos, Senhor. Dá-nos o coração da viúva pobre que a si mesmo se ofereceu em sua oferta. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que o evangelho está lhe pedindo alguma mudança? Pense um pouco nisso.

Comunicando

05 de julho é a data do Passeio dos Ouvintes a Bezerros. É lá que está sendo instalada a Rádio Amanhecer FM. Na programação: Visita às instalações da futura emissora, Santa Missa,Tarde de Louvor e Adoração Eucarística. Informações pelo zap 81 8239-6686.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






Mais que um herdeiro de Davi.



  05 de junho de 2026  

1a. Sexta-feira do mês 

Memória de São Bonifácio, bispo e mártir


  Evangelho  


Mc 12,35-37

Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.

  Meditação  


Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

O povo de Deus vivia na grande expectativa da vinda do Messias. Os profetas tinham anunciado a vinda de alguém muito especial. Na cabeça das pessoas, chegaria alguém muito forte, assistido por Deus, que restauraria a nação e a levaria ao seu antigo esplendor, como no tempo de Davi ou Salomão. Para um povo que vivia sob o peso de uma dominação humilhante como aquela dos romanos no tempo de Jesus, a expectativa do Messias era uma coisa muito forte. Quanto mais sofrimento e humilhação, mais se fortalecia a convicção da chegada do Messias a qualquer momento para resolver a situação.

Quando os tempos estavam maduros, o Pai enviou seu filho. São Paulo falou disso, na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Mesmo Deus tendo esperado muito tempo para enviar o seu filho no momento certo, Jesus encontrou esse clima da espera de um Messias salvador da pátria, que dificultou a acolhida de sua pessoa e de seus ensinamentos.

No pensamento corrente, o Messias viria reinar, seria um rei. Assim, claro, ele teria que ser um descendente do rei Davi, a quem Deus tinha prometido que seu reinado não teria fim. O Messias seria filho de Davi, quer dizer da família real. Aos poucos, muita gente foi identificando Jesus com o Messias aguardado. Quando Jesus foi a Jerusalém, naquela peregrinação de Páscoa, a última antes de ser morto na cruz, sua entrada na cidade foi uma festa. Os peregrinos o aclamaram rei. “Hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor", gritavam euforicamente. E lhe deram, em sua pobreza, um tratamento de rei: forravam a estrada com ramos e com suas capas para ele passar, montado no seu jumentinho.

O que Jesus está dizendo hoje no evangelho é para ajudar aquelas pessoas que o cercavam a entender que o Messias não seria um simples descendente do rei Davi. “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?”

São muitas coisas que aquela gente e nós precisamos entender. A primeira coisa é que o Messias não é um simples filho de Davi. Como diz o salmo que Jesus citou: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. Quem é esse senhor? Deus. Deus disse ao senhor de Davi, não ao seu filho. O Messias é o Senhor de Davi, entendeu? O Messias tem parte com Deus.





Guardando a palavra

Aos poucos, os seguidores de Jesus foram entendendo: Jesus é o Messias, o ungido de Deus. Ele não só herdou a realeza humana de Davi, mas ele é o Filho de Deus. E o seu reinado não é o governo de alguma tribo ou de alguma nação. Ele é mais rei do que isso, ele é Senhor em todo canto. Ele não veio para restaurar o reino de Israel. Veio para restaurar o reino de Deus no mundo. Deus não é só Deus de Israel. É Deus de todos e quer o bem de todos e reina sobre todos, em qualquer lugar do mundo, onde aceitem seu filho e sua mensagem de fraternidade, de justiça, de amor e de paz. Os problemas de Israel é seu povo que vai encontrar soluções, no caminho da história. Ele veio para abrir um caminho de plenitude, de salvação para todos. Claro que isso tem influência na vida dos que crêem e nos caminhos históricos das nações. O Reino de Deus é como fermento na história, como ele bem explicou.

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
não foi só o povo do teu tempo que teve dificuldade de entender a tua presença e a tua mensagem. Nós, também. Eles esperavam um messias que resolvesse os seus problemas ou ao menos os liderasse na vitória sobre seus inimigos. Aos poucos, os teus seguidores compreenderam que a tua liderança era realmente real e decisiva, e se estendia a todas as pessoas e as todas as nações, como verdadeira onda de renovação do mundo na direção de Deus. És o Senhor da história, nos conduzindo para a justiça e a fraternidade que nascem do encontro com o amor de Deus, proclamado no teu evangelho. Por tua morte e ressurreição, abres os selos do livro lacrado da história. És o Senhor da história. E quanto estiver transformado, entregarás o reino como um presente ao Pai. Contigo, pedimos ao Pai, venha a nós o teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Abra a sua Bíblia, no salmo que Jesus citou hoje: Salmo 110 (ou 109, em algumas edições). É o salmo do sacerdócio do Messias.

Comunicando

Hoje, primeira sexta-feira do mês, faço show na cidade de Monte Alegre, SE. A festa é do padroeiro, o Sagrado Coração de Jesus. Amanhã, à noite, presido a Santa Missa em Camela, PE: noite da Trezena de Santo Antonio. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Quem foi Elias na sua vida?

  


   14 de dezembro de 2024   

Sábado da 2ª Semana do Advento

Memória de São João da Cruz


   Evangelho.   


Mt 17,10-13

Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” 11Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles”. 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.

   Meditação   


Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Por muito tempo, o povo de Israel cultivou o sentimento da vinda do Messias. Havia uma expectativa muito forte, no tempo de Jesus, de que o Messias chegaria a qualquer momento. É verdade que nem todos coincidiam, em suas esperanças, sobre quem seria e o que ele faria. O Messias era uma promessa de Deus e a sua vinda seria a solução para a sofrida vida daquela gente. Assim, muitos esperavam que fosse um grande líder político e militar. Com certeza, enfrentaria os romanos e acabaria com aquela dominação opressora. Outros apostavam que seria um homem de Deus ‘ultra-santo’, sem nenhuma aproximação com os pecadores e as maldades desse mundo.

Jesus era o Messias que o Pai enviara. Messias é uma palavra que quer dizer “ungido”. Ungir é uma cerimônia em que a pessoa é consagrada com óleo para uma missão. O Messias é aquele que Deus ungiu para a grande missão de restaurar Israel.

Em certo sentido, o estilo de Messias que Jesus exerceu não preencheu as expectativas do povo do seu tempo. Ele não era um sacerdote do templo, como podiam esperar os saduceus. Era um leigo, carpinteiro de profissão, vindo do interior. Não era um líder político-militar, como os zelotes esperavam. Era um profeta que pregava a mansidão, o perdão e a solidariedade com os pequenos. Não era um ilustrado professor da Lei, levando o povo a praticá-la com rigor, como esperavam os fariseus. Ensinava o povo com parábolas e pregava a lei do amor. Dessa forma, os grandes grupos religiosos de Israel não reconheceram Jesus como Messias.

Os Mestres ensinavam que antes que o Messias viesse, viria Elias. Elias foi um dos maiores profetas do povo de Deus e era sempre lembrado como alguém que restabeleceu a religião de Israel, ameaçada pelos cultos dos estrangeiros. Elias tinha vivido, vários séculos antes. Eles, lendo o livro do profeta Malaquias, entendiam que Elias voltaria antes que o Messias chegasse. Está assim no livro do profeta Malaquias: “Eis que eu envio o profeta Elias, antes que chegue o grandioso e terrível dia do Senhor” (Ml 3, 23). 

E Jesus explica aos seus discípulos que, de fato, Elias já veio. Foi João Batista, pelo que ele deu a entender. Não que ele tenha voltado em João Batista, isso não. É que João Batista fez o papel de Elias, aproximando o povo do seu Deus, preparando a chegada de Jesus. Disse Jesus: “Elias já veio, mas eles não o reconheceram”. E falou do modo como maltrataram João. O profeta, coitado, foi degolado na prisão de Herodes. E Jesus avisou que eles     tratariam mal, a ele também, o Filho do Homem.




Guardando a mensagem 

Este evangelho é um bom aviso para nós. Ficamos sempre esperando alguma coisa muito grande acontecer, para finalmente vivermos como convertidos. Não reconhecemos o Elias, que é quem prepara o caminho para o nosso encontro com Jesus. E nem reconhecemos o próprio Senhor que está no meio de nós. Ele se apresenta manso e humilde, renunciando as armas do poder. Elias já veio. O Messias também. O que é que estamos esperando para acolher o Reino de Deus que ele está anunciando?

Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o papel de Elias de preparar os caminhos para a tua chegada foi realizado por João Batista. João foi o Elias que preparou os teus caminhos. Muitos fazem hoje esse papel, preparando o povo para o encontro contigo. Nós te bendizemos pelos Elias de hoje. Que eles não desanimem, pela pouca reação dos seus irmãos. Estamos seguros que também nós podemos e devemos fazer esse papel de Elias, ajudar as pessoas a abrirem o seu coração para te acolher como Messias e Salvador. Dá-nos, Senhor, paciência, sabedoria e perseverança para sermos Elias hoje, evangelizadores dos nossos irmãos e irmãs. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que você pode identificar quem foi Elias na sua vida, quem preparou você para o encontro com Cristo? Anote, no seu caderno espiritual, ao menos três nomes de pessoas que foram Elias na sua vida. E reze por eles. 

Comunicando

Hoje, temos o segundo dia da Novena de Natal dos Associados da AMA. O tema de hoje é José, o Pai.  A novena é no Youtube com acesso para sócios e membros do Canal.

Neste domingo, vou estar em Fortaleza, na Missa dos Ouvintes da FM Dom Bosco.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Quem é que você está esperando?

 


   16 de dezembro de 2023.   

Sábado da 2ª Semana do Advento

3º. dia da Novena de Natal

   Evangelho.   


Mt 17,10-13

Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” 11Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles”. 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.

   Meditação   


Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Por muito tempo, o povo de Israel cultivou o sentimento da vinda do Messias. Havia uma expectativa muito forte, no tempo de Jesus, de que o Messias chegaria a qualquer momento. É verdade que nem todos coincidiam, em suas esperanças, sobre quem seria e o que ele faria. O Messias era uma promessa de Deus e a sua vinda seria a solução para a sofrida vida daquela gente. Assim, muitos esperavam que fosse um grande líder político e militar. Com certeza, enfrentaria os romanos e acabaria com aquela dominação opressora. Outros apostavam que seria um homem de Deus ‘ultra-santo’, sem nenhuma aproximação com os pecadores e as maldades desse mundo.

Jesus era o Messias que o Pai enviara. Messias é uma palavra que quer dizer “ungido”. Ungir é uma cerimônia em que a pessoa é consagrada com óleo para uma missão. O Messias é aquele que Deus ungiu para a grande missão de restaurar Israel.

Em certo sentido, o estilo de Messias que Jesus exerceu não preencheu as expectativas do povo do seu tempo. Ele não era um sacerdote do templo, como podiam esperar os saduceus. Era um leigo, carpinteiro de profissão, vindo do interior. Não era um líder político-militar, como os zelotes esperavam. Era um profeta que pregava a mansidão, o perdão e a solidariedade com os pequenos. Não era um ilustrado professor da Lei, levando o povo a praticá-la com rigor, como esperavam os fariseus. Ensinava o povo com parábolas e pregava a lei do amor. Dessa forma, os grandes grupos religiosos de Israel não reconheceram Jesus como Messias.

Os Mestres ensinavam que antes que o Messias viesse, viria Elias. Elias foi um dos maiores profetas do povo de Deus e era sempre lembrado como alguém que restabeleceu a religião de Israel, ameaçada pelos cultos dos estrangeiros. Elias tinha vivido, vários séculos antes. Eles, lendo o livro do profeta Malaquias, entendiam que Elias voltaria antes que o Messias chegasse. Está assim no livro do profeta Malaquias: “Eis que eu envio o profeta Elias, antes que chegue o grandioso e terrível dia do Senhor” (Ml 3, 23). 

E Jesus explica aos seus discípulos que, de fato, Elias já veio. Foi João Batista, pelo que ele deu a entender. Não que ele tenha voltado em João Batista, isso não. É que João Batista fez o papel de Elias, aproximando o povo do seu Deus, preparando a chegada de Jesus. Disse Jesus: “Elias já veio, mas eles não o reconheceram”. E falou do modo como maltrataram João. O profeta, coitado, foi degolado na prisão de Herodes. E Jesus avisou que eles     tratariam mal, a ele também, o Filho do Homem.




Guardando a mensagem 

Este evangelho é um bom aviso para nós. Ficamos sempre esperando alguma coisa muito grande acontecer, para finalmente vivermos como convertidos. Não reconhecemos o Elias, que é quem prepara o caminho para o nosso encontro com Jesus. E nem reconhecemos o próprio Senhor que está no meio de nós. Ele se apresenta manso e humilde, renunciando as armas do poder. Elias já veio. O Messias também. O que é que estamos esperando para acolher o Reino de Deus que ele está anunciando?

Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o papel de Elias de preparar os caminhos para a tua chegada foi realizado por João Batista. João foi o Elias que preparou os teus caminhos. Muitos fazem hoje esse papel, preparando o povo para o encontro contigo. Nós te bendizemos pelos Elias de hoje. Que eles não desanimem, pela pouca reação dos seus irmãos. Estamos seguros que também nós podemos e devemos fazer esse papel de Elias, ajudar as pessoas a abrirem o seu coração para te acolher como Messias e Salvador. Dá-nos, Senhor, paciência, sabedoria e perseverança para sermos Elias hoje, evangelizadores dos nossos irmãos e irmãs. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que você pode identificar quem foi Elias na sua vida, quem preparou você para o encontro com Cristo? Anote, no seu caderno espiritual, ao menos três nomes de pessoas que foram Elias na sua vida. E reze por eles. 

Comunicando

A gravação do DVD do meu novo álbum musical é hoje, aqui em Brasília. Começa às 10 da manhã. 

Hoje, é o 2º dia da Novena de Natal. Você nos acompanha, pelo Canal do Youtube, às 20 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Jesus é o Senhor da história e está nos conduzindo para a justiça e a fraternidade.




09 de junho de 2023

Memória de São José de Anchieta, presbítero

Evangelho


Mc 12,35-37

Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.

Meditação


Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

O povo de Deus vivia na grande expectativa da vinda do Messias. Os profetas tinham anunciado a vinda de alguém muito especial. Na cabeça das pessoas, chegaria alguém muito forte, assistido por Deus, que restauraria a nação e a levaria ao seu antigo esplendor, como no tempo de Davi ou Salomão. Para um povo que vivia sob o peso de uma dominação humilhante como aquela dos romanos no tempo de Jesus, a expectativa do Messias era uma coisa muito forte. Quanto mais sofrimento e humilhação, mais se fortalecia a convicção da chegada do Messias a qualquer momento para resolver a situação.

Quando os tempos estavam maduros, o Pai enviou seu filho. São Paulo falou disso, na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Mesmo Deus tendo esperado muito tempo para enviar o seu filho no momento certo, Jesus encontrou esse clima da espera de um Messias salvador da pátria, que dificultou a acolhida de sua pessoa e de seus ensinamentos.

No pensamento corrente, o Messias viria reinar, seria um rei. Assim, claro, ele teria que ser um descendente do rei Davi, a quem Deus tinha prometido que seu reinado não teria fim. O Messias seria filho de Davi, quer dizer da família real. Aos poucos, muita gente foi identificando Jesus com o Messias aguardado. Quando Jesus foi a Jerusalém, naquela peregrinação de Páscoa, a última antes de ser morto na cruz, sua entrada na cidade foi uma festa. Os peregrinos o aclamaram rei. “Hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor", gritavam euforicamente. E lhe deram, em sua pobreza, um tratamento de rei: forravam a estrada com ramos e com suas capas para ele passar, montado no seu jumentinho.

O que Jesus está dizendo hoje no evangelho é para ajudar aquelas pessoas que o cercavam a entender que o Messias não seria um simples descendente do rei Davi. “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?”

São muitas coisas que aquela gente e nós precisamos entender. A primeira coisa é que o Messias não é um simples filho de Davi. Como diz o salmo que Jesus citou: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. Quem é esse senhor? Deus. Deus disse ao senhor de Davi, não ao seu filho. O Messias é o Senhor de Davi, entendeu? O Messias tem parte com Deus.



Guardando a palavra

Aos poucos, os seguidores de Jesus foram entendendo: Jesus é o Messias, o ungido de Deus. Ele não só herdou a realeza humana de Davi, mas ele é o Filho de Deus. E o seu reinado não é o governo de alguma tribo ou de alguma nação. Ele é mais rei do que isso, ele é Senhor em todo canto. Ele não veio para restaurar o reino de Israel. Veio para restaurar o reino de Deus no mundo. Deus não é só Deus de Israel. É Deus de todos e quer o bem de todos e reina sobre todos, em qualquer lugar do mundo, onde aceitem seu filho e sua mensagem de fraternidade, de justiça, de amor e de paz. Os problemas de Israel é seu povo que vai encontrar soluções, no caminho da história. Ele veio para abrir um caminho de plenitude, de salvação para todos. Claro que isso tem influência na vida dos que crêem e nos caminhos históricos das nações. O Reino de Deus é como fermento na história, como ele bem explicou.

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
não foi só o povo do teu tempo que teve dificuldade de entender a tua presença e a tua mensagem. Nós, também. Eles esperavam um messias que resolvesse os seus problemas ou ao menos os liderasse na vitória sobre seus inimigos. Aos poucos, os teus seguidores compreenderam que a tua liderança era realmente real e decisiva, e se estendia a todas as pessoas e as todas as nações, como verdadeira onda de renovação do mundo na direção de Deus. És o Senhor da história, nos conduzindo para a justiça e a fraternidade que nascem do encontro com o amor de Deus, proclamado no teu evangelho. Por tua morte e ressurreição, abres os selos do livro lacrado da história. És o Senhor da história. E quanto estiver transformado, entregarás o reino como um presente ao Pai. Contigo, pedimos ao Pai, venha a nós o teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Abra a sua Bíblia, no salmo que Jesus citou hoje: Salmo 110 (ou 109, em algumas edições). É o salmo do sacerdócio do Messias.

Comunicando

Agradeço, de coração, as muitas manifestações de amizade e as preces pela passagem, ontem, do meu aniversário. Deus os recompense. 
Nesta segunda-feira, dia 12, teremos o Encontro dos Ouvintes no Recife. Será na igreja de Santo Antonio, no centro da cidade, às 11 horas. 
Quinta-feira próxima, dia 15, é a noite católica no Pátio de Eventos em Caruaru, Pernambuco. Eu e o Frei Gilson estamos escalados para a noite de música e evangelização. Para participar de nossas caravanas, ligue ou mande mensagem para 81 3224-9284. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Os pobres estão sendo evangelizados

 



14 de dezembro de 2022

Dia de São João da Cruz 


EVANGELHO


Lc 7,19-23

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

MEDITAÇÃO


Vão contar a João o que vocês viram e ouviram (Lc 7, 22)

Ficamos sempre esperando um outro... um outro partido amoroso, um outro emprego, um outro ano. O que temos não nos parece bom o suficiente. Nós nos negamos a reconhecer que o que temos seja o melhor, que nessa condição atual esteja a nossa felicidade, que este, aqui conosco, seja quem Deus enviou. É assim que desprezamos quem já está conosco, quem está perto de nós. E ficamos aguardando um que ainda venha. E que venha de longe, de fora e de cima, possivelmente, para lhe darmos crédito.

Foi o que aconteceu no tempo de Jesus. Não o reconheceram como Messias. Ele não preencheu as expectativas daquela gente. O próprio João Batista ficou em dúvida. Mandou alguns discípulos indagar se era ele mesmo ou se deviam esperar outro.

João anunciou um Messias diferente. Na linha do profeta Malaquias, João falou de um Messias que vinha com o fogo do julgamento. Iria recolher o trigo no celeiro, mas iria tocar fogo na palha. Seu machado já estava posto à raiz das árvores. Quem não desse fruto, seria cortado. Um Messias implacável como o fogo do fundidor, separando o ouro das impurezas com o calor do seu julgamento. E Jesus não estava batendo com esse modelo de Messias. Pelo contrário, ele mostrou-se manso e humilde de coração, próximo do povo, convivendo com os pecadores. Não um juiz implacável, mas um pastor que vai atrás da ovelha perdida. Não um lenhador de machado na mão, mas um agricultor semeando a sua semente. Não um fundidor assoprando o seu forno com o fole para derreter o minério, mas um pai abrindo as portas de casa para receber o filho que volta. Um Messias surpreendentemente diferente.

João Batista ficou confuso. Ele já apresentara Jesus ao povo, como Messias. Mas, a coisa não estava batendo. Mandou saber. Em resposta, Jesus mandou os emissários observarem e relatarem o que estavam vendo e ouvindo. A ação de Jesus, como Messias, no meio do povo, estava na linha do profeta Isaías. Em Isaías capítulo 35, o profeta falou da vinda do Messias. “Ele vem para salvar vocês”, disse ele ao povo humilhado no tempo do Exílio: “Então, os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos dos surdos se descerrarão, o coxo saltará como um cervo e a língua dos mudos se desatará. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa”. Para essa tradição profética, o tempo do Messias é o tempo do retorno à casa, o tempo da libertação dos humilhados.


Guardando a mensagem

Os emissários de João Batista podiam concluir: Jesus é o Messias que Deus mandou. Porque, como narrou o profeta Isaías, os pobres estão sendo evangelizados: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam. São as obras de Cristo, isto é, do Messias. Obras de restauração, de libertação do seu povo. Os cegos, os paralíticos, os leprosos, os surdos, os mortos representam o povo machucado pelo sofrimento, mas também depauperado pelo pecado. Os pobres são evangelizados. As curas são apenas exemplificação da restauração que o Messias veio realizar. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o livro santo.

Vão contar a João o que vocês viram e ouviram (Lc 7, 22)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
este tempo de advento, preparando-nos para o teu natal e para tua segunda vinda, é uma grande convocação para a conversão. É como se vivêssemos no tempo de João Batista, um tempo de preparação para a tua chegada. Dá-nos, Senhor, acolher os apelos deste tempo abençoado e voltarmo-nos para ti de todo coração. Concede que brote de nossos corações abrasados por tua palavra gestos de acolhida de tua pessoa e do teu evangelho, bem como ações de partilha e solidariedade com os irmãos mais pobres e sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Comece valorizando as pessoas que estão ao seu redor, a começar pelos de sua casa. O natal que estamos preparando é a grande lição de um Deus que veio cuidar da gente e se mostrou pequeno e próximo. Valorizando quem convive conosco, já estamos treinando para acolher Jesus, o Emanuel. 

Comunicando

Amanhã, dia 15, começa a Novena de Natal. E você já está com o seu e-book? E já compartilhou com pelo menos 5 contatos, como nós pedimos? Ótimo. Muito obrigado. Hoje, estamos lhe enviando um texto da novena próprio para ser impresso, para o caso de alguém preferir essa modalidade. E segue mais uma vez E-book da Novena, para quem vai acompanhar pelo celular. A Novena vai ser rezada em nossos programas de rádio (são 128 emissoras) e vai estar também disponível nos tocadores de podcast. E o nosso encontro diário será no Youtube, sempre às 20 horas: Youtube.com/padrejoaocarlos. Tendo alguma dúvida, entre em contato conosco pelo Whatsapp da AMA: 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

RECONHECER QUEM ESTÁ PERTO


 

15 de dezembro de 2021


EVANGELHO


Lc 7,19-23

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

MEDITAÇÃO


És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)


Ficamos sempre esperando um outro... um outro partido amoroso, um outro emprego, um outro ano. O que temos não nos parece bom o suficiente. Nós nos negamos a reconhecer que o que temos seja o melhor, que nessa condição atual esteja a nossa felicidade, que este, aqui conosco, seja quem Deus enviou. É assim que desprezamos quem já está conosco, quem está perto de nós. E ficamos aguardando um que ainda venha. E que venha de longe, de fora e de cima, possivelmente, para lhe darmos crédito.

Foi o que aconteceu no tempo de Jesus. Não o reconheceram como Messias. Ele não preencheu as expectativas daquela gente. O próprio João Batista ficou em dúvida. Mandou alguns discípulos indagar se era ele mesmo ou se deviam esperar outro.

João anunciou um Messias diferente. Na linha do profeta Malaquias, João falou de um Messias que vinha com o fogo do julgamento. Iria recolher o trigo no celeiro, mas iria tocar fogo na palha. Seu machado já estava posto à raiz das árvores. Quem não desse fruto, seria cortado. Um Messias implacável como o fogo do fundidor, separando o ouro das impurezas com o calor do seu julgamento. E Jesus não estava batendo com esse modelo de Messias. Pelo contrário, ele mostrou-se manso e humilde de coração, próximo do povo, convivendo com os pecadores. Não um juiz implacável, mas um pastor que vai atrás da ovelha perdida. Não um lenhador de machado na mão, mas um agricultor semeando a sua semente. Não um fundidor assoprando o seu forno com o fole para derreter o minério, mas um pai abrindo as portas de casa para receber o filho que volta. Um Messias surpreendentemente diferente.

João Batista ficou confuso. Ele já apresentara Jesus ao povo, como Messias. Mas, a coisa não estava batendo. Mandou saber. Em resposta, Jesus mandou os emissários observarem e relatarem o que estavam vendo e ouvindo. A ação de Jesus, como Messias, no meio do povo, estava na linha do profeta Isaías. Em Isaías capítulo 35, o profeta falou da vinda do Messias. “Ele vem para salvar vocês”, disse ele ao povo humilhado no tempo do Exílio: “Então, os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos dos surdos se descerrarão, o coxo saltará como um cervo e a língua dos mudos se desatará. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa”. Para essa tradição profética, o tempo do Messias é o tempo do retorno à casa, o tempo da libertação dos humilhados.

Guardando a mensagem

Os emissários de João Batista podiam concluir: Jesus é o Messias que Deus mandou. Porque, como narrou o profeta Isaías, os pobres estão sendo evangelizados: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam. São as obras de Cristo, isto é, do Messias. Obras de restauração, de libertação do seu povo. Os cegos, os paralíticos, os leprosos, os surdos, os mortos representam o povo machucado pelo sofrimento, mas também depauperado pelo pecado. Os pobres são evangelizados. As curas são apenas exemplificação da restauração que o Messias veio realizar. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o livro santo.

João Batista pode ficar sossegado em sua prisão, Jesus é o Messias prometido por Deus. A novidade é que ele está restaurando a aliança de uma forma que ninguém tinha imaginado: próximo do povo, cuidando das feridas de quem foi assaltado e espancado, contando histórias de reconciliação e vida nova, festejando a conversão dos pecadores, pastoreando o seu rebanho e arriscando sua vida em defesa de suas ovelhas.

És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Este tempo de advento, preparando-nos para o teu natal e para tua segunda vinda, é uma grande convocação para a conversão. É como se vivêssemos no tempo de João Batista, um tempo de preparação para a tua chegada. Dá-nos, Senhor, acolher os apelos deste tempo abençoado e voltarmo-nos para ti de todo coração. Concede que brote de nossos corações abrasados por tua palavra gestos de acolhida de tua pessoa e do teu evangelho, bem como ações de partilha e solidariedade com os irmãos mais pobres e sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Comece valorizando as pessoas que estão ao seu redor, a começar pelos de sua casa. O natal que estamos preparando é a grande lição de um Deus que veio cuidar da gente e se mostrou pequeno e próximo. Valorizando quem convive conosco, já estamos treinando para acolher Jesus, o Emanuel. 

A novena de natal está começando hoje. São nove dias, como os nove meses da gestação de uma criança. Estamos rezando a novena toda tarde, às 15:00, pelo Youtube. Não sendo possível acompanhar a novena neste horário, veja em outro momento. Vai ficar tudo gravado.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

QUEM FOI ELIAS, NA SUA VIDA?



11 de dezembro de 2021

EVANGELHO


Mt 17,10-13

Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” 11Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles”. 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.

MEDITAÇÃO


Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Por muito tempo, o povo de Israel cultivou o sentimento da vinda do Messias. Havia uma expectativa muito forte, no tempo de Jesus, de que o Messias chegaria a qualquer momento. É verdade que nem todos coincidiam, em suas esperanças, sobre quem seria e o que ele faria. O Messias era uma promessa de Deus e a sua vinda seria a solução para a sofrida vida daquela gente. Assim, muitos esperavam que fosse um grande líder político e militar. Com certeza, enfrentaria os romanos e acabaria com aquela dominação opressora. Outros apostavam que seria um homem de Deus ‘ultra-santo’, sem nenhuma aproximação com os pecadores e as maldades desse mundo.

Jesus era o Messias que o Pai enviara. Messias é uma palavra que quer dizer “ungido”. Ungir é uma cerimônia em que a pessoa é consagrada com óleo para uma missão. O Messias é aquele que Deus ungiu para a grande missão de restaurar Israel.

Em certo sentido, o estilo de Messias que Jesus exerceu não preencheu as expectativas do povo do seu tempo. Ele não era um sacerdote do templo, como podiam esperar os saduceus. Era um leigo, carpinteiro de profissão, vindo do interior. Não era um líder político-militar, como os zelotes esperavam. Era um profeta que pregava a mansidão, o perdão e a solidariedade com os pequenos. Não era um ilustrado professor da Lei, levando o povo a praticá-la com rigor, como esperavam os fariseus. Ensinava o povo com parábolas e pregava a lei do amor. Dessa forma, os grandes grupos religiosos de Israel não reconheceram Jesus como Messias.

Os Mestres ensinavam que antes que o Messias viesse, viria Elias. Elias foi um dos maiores profetas do povo de Deus e era sempre lembrado como alguém que restabeleceu a religião de Israel, ameaçada pelos cultos dos estrangeiros. Elias tinha vivido, vários séculos antes. Eles, lendo o livro do profeta Malaquias, entendiam que Elias voltaria antes que o Messias chegasse. Está assim no livro do profeta Malaquias: “Eis que eu envio o profeta Elias, antes que chegue o grandioso e terrível dia do Senhor” (Ml 3, 23). 

E Jesus explica aos seus discípulos que, de fato, Elias já veio. Foi João Batista, pelo que ele deu a entender. Não que ele tenha voltado em João Batista, isso não. É que João Batista fez o papel de Elias, aproximando o povo do seu Deus, preparando a chegada de Jesus. Disse Jesus: “Elias já veio, mas eles não o reconheceram”. E falou do modo como maltrataram João. O profeta, coitado, foi degolado na prisão de Herodes. E Jesus avisou que eles, tratariam mal, a ele também, o Filho do Homem.

Guardando a mensagem 

Este evangelho é um bom aviso para nós. Ficamos sempre esperando alguma coisa muito grande acontecer, para finalmente vivermos como convertidos. Não reconhecemos o Elias, que é quem prepara o caminho para o nosso encontro com Jesus. E nem reconhecemos o próprio Senhor que está no meio de nós. Ele se apresenta manso e humilde, renunciando as armas do poder. Elias já veio. O Messias também. O que é que estamos esperando para acolher o Reino de Deus que ele está anunciando?

Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
O papel de Elias de preparar os caminhos para a tua chegada foi realizado por João Batista. João foi o Elias que preparou os teus caminhos. Muitos fazem hoje esse papel, preparando o povo para o encontro contigo. Nós te bendizemos pelos Elias de hoje. Que eles não desanimem, pela pouca reação dos seus irmãos. Estamos seguros que também nós podemos e devemos fazer esse papel de Elias, ajudar as pessoas a abrirem o seu coração para te acolher como Messias e Salvador. Dá-nos, Senhor, paciência, sabedoria e perseverança para sermos Elias hoje, evangelizadores dos nossos irmãos e irmãs. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que você pode identificar quem foi Elias na sua vida, quem preparou você para o encontro com Cristo? Anote, no seu caderno espiritual, ao menos três nomes de pessoas que foram Elias na sua vida. E reze por eles. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O MESSIAS É O SENHOR DE DAVI







04 de junho de 2021

EVANGELHO


Mc 12,35-37

Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.

MEDITAÇÃO


Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

O povo de Deus vivia na grande expectativa da vinda do Messias. Os profetas tinham anunciado a vinda de alguém muito especial. Na cabeça das pessoas, chegaria alguém muito forte, assistido por Deus, que restauraria a nação e a levaria ao seu antigo esplendor, como no tempo de Davi ou Salomão. Para um povo que vivia sob o peso de uma dominação humilhante como aquela dos romanos no tempo de Jesus, a expectativa do Messias era uma coisa muito forte. Quanto mais sofrimento e humilhação, mais se fortalecia a convicção da chegada do Messias a qualquer momento para resolver a situação.

Quando os tempos estavam maduros, o Pai enviou seu filho. São Paulo falou disso, na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Mesmo Deus tendo esperado muito tempo para enviar o seu filho no momento certo, Jesus encontrou esse clima da espera de um Messias salvador da pátria, que dificultou a acolhida de sua pessoa e de seus ensinamentos.

No pensamento corrente, o Messias viria reinar, seria um rei. Assim, claro, ele teria que ser um descendente do rei Davi, a quem Deus tinha prometido que seu reinado não teria fim. O Messias seria filho de Davi, quer dizer da família real. Aos poucos, muita gente foi identificando Jesus com o Messias aguardado. Quando Jesus foi a Jerusalém, naquela peregrinação de Páscoa, a última antes de ser morto na cruz, sua entrada na cidade foi uma festa. Os peregrinos o aclamaram rei. “Hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor", gritavam euforicamente. E lhe deram, em sua pobreza, um tratamento de rei: forravam a estrada com ramos e com suas capas para ele passar, montado no seu jumentinho.

O que Jesus está dizendo hoje no evangelho é para ajudar aquelas pessoas que o cercavam a entender que o Messias não seria um simples descendente do rei Davi. “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?”

São muitas coisas que aquela gente e nós precisamos entender. A primeira coisa é que o Messias não é um simples filho de Davi. Como diz o salmo que Jesus citou: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. Quem é esse senhor? Deus. Deus disse ao senhor de Davi, não ao seu filho. O Messias é o Senhor de Davi, entendeu? O Messias tem parte com Deus.

Guardando a palavra

Aos poucos, os seguidores de Jesus foran entendendo: Jesus é o Messias, o ungido de Deus. Ele não só herdou a realeza humana de Davi, mas ele é o Filho de Deus. E o seu reinado não é o governo de alguma tribo ou de alguma nação. Ele é mais rei do que isso, ele é Senhor em todo canto. Ele não veio para restaurar o reino de Israel. Veio para restaurar o reino de Deus no mundo. Deus não é só Deus de Israel. É Deus de todos e quer o bem de todos e reina sobre todos, em qualquer lugar do mundo, onde aceitem seu filho e sua mensagem de fraternidade, de justiça, de amor e de paz. Os problemas de Israel é seu povo que vai encontrar soluções, no caminho da história. Ele veio para abrir um caminho de plenitude, de salvação para todos. Claro que isso tem influência na vida dos que crêem e nos caminhos históricos das nações. O Reino de Deus é como fermento na história, como ele bem explicou.

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Não foi só o povo do teu tempo que teve dificuldade de entender a tua presença e a tua mensagem. Nós, também. Eles esperavam um messias que resolvesse os seus problemas ou ao menos os liderasse na vitória sobre seus inimigos. Aos poucos, os teus seguidores compreenderam que a tua liderança era realmente real e decisiva, e se estendia a todas as pessoas e as todas as nações, como verdadeira onda de renovação do mundo na direção de Deus. És o Senhor da história, nos conduzindo para a justiça e a fraternidade que nascem do encontro com o amor de Deus, proclamado no teu evangelho. Por tua morte e ressurreição, abres os selos do livro lacrado da história. És o Senhor da história. E quanto estiver transformado, entregarás o reino como um presente ao Pai. Contigo, pedimos ao Pai, venha a nós o teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Abra a sua Bíblia, no salmo que Jesus citou hoje: Salmo 110 (ou 109, em algumas edições). É o salmo do sacerdócio do Messias.

Eu já lhe falei da AMA, a Associação Missionária Amanhecer, que atua comigo na evangelização nos meios de comunicação social. Neste mês, a AMA está completando 25 anos de serviço missionário. E nós vamos festejar esta data, amanhã, de uma maneira especial. Vamos fazer um Show online, começando às 20 horas. Desejo muito que você esteja conosco neste momento. Você pode adquirir o ingresso no site www.sympla.com.br ou pelo whatsapp 81 9.9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

RECONHEÇA O VALOR DE QUEM ESTÁ PERTO DE VOCÊ



16 de dezembro de 2020


EVANGELHO


Lc 7,19-23

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

MEDITAÇÃO


És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)


Ficamos sempre esperando um outro... um outro partido amoroso, um outro emprego, um outro ano. O que temos não nos parece bom o suficiente. Nós nos negamos a reconhecer que o que temos seja o melhor, que nessa condição atual esteja a nossa felicidade, que este, aqui conosco, seja quem Deus enviou. É assim que desprezamos quem já está conosco, quem está perto de nós. E ficamos aguardando um que ainda venha. E que venha de longe, de fora e de cima, possivelmente, para lhe darmos crédito.

Foi o que aconteceu no tempo de Jesus. Não o reconheceram como Messias. Ele não preencheu as expectativas daquela gente. O próprio João Batista ficou em dúvida. Mandou alguns discípulos indagar se era ele mesmo ou se deviam esperar outro.

João anunciou um Messias diferente. Na linha do profeta Malaquias, João falou de um Messias que vinha com o fogo do julgamento. Iria recolher o trigo no celeiro, mas iria tocar fogo na palha. Seu machado já estava posto à raiz das árvores. Quem não desse fruto, seria cortado. Um Messias implacável como o fogo do fundidor, separando o ouro das impurezas com o calor do seu julgamento. E Jesus não estava batendo com esse modelo de Messias. Pelo contrário, ele mostrou-se manso e humilde de coração, próximo do povo, convivendo com os pecadores. Não um juiz implacável, mas um pastor que vai atrás da ovelha perdida. Não um lenhador de machado na mão, mas um agricultor semeando a sua semente. Não um fundidor assoprando o seu forno com o fole para derreter o minério, mas um pai abrindo as portas de casa para receber o filho que volta. Um Messias surpreendentemente diferente.

João Batista ficou confuso. Ele já apresentara Jesus ao povo, como Messias. Mas, a coisa não estava batendo. Mandou saber. Em resposta, Jesus mandou os emissários observarem e relatarem o que estavam vendo e ouvindo. A ação de Jesus, como Messias, no meio do povo, estava na linha do profeta Isaías. Em Isaías capítulo 35, o profeta falou da vinda do Messias. “Ele vem para salvar vocês”, disse ele ao povo humilhado no tempo do Exílio: “Então, os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos dos surdos se descerrarão, o coxo saltará como um cervo e a língua dos mudos se desatará. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa”. Para essa tradição profética, o tempo do Messias é o tempo do retorno à casa, o tempo da libertação dos humilhados.

Guardando a mensagem

Os emissários de João Batista podiam concluir: Jesus é o Messias que Deus mandou. Porque, como narrou o profeta Isaías, os pobres estão sendo evangelizados: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam. São as obras de Cristo, isto é, do Messias. Obras de restauração, de libertação do seu povo. Os cegos, os paralíticos, os leprosos, os surdos, os mortos representam o povo machucado pelo sofrimento, mas também depauperado pelo pecado. Os pobres são evangelizados. As curas são apenas exemplificação da restauração que o Messias veio realizar. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o livro santo.

João Batista pode ficar sossegado em sua prisão, Jesus é o Messias prometido por Deus. A novidade é que ele está restaurando a aliança de uma forma que ninguém tinha imaginado: próximo do povo, cuidando das feridas de quem foi assaltado e espancado, contando histórias de reconciliação e vida nova, festejando a conversão dos pecadores, pastoreando o seu rebanho e arriscando sua vida em defesa de suas ovelhas.

És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? (Lc 7, 20)


Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Este tempo de advento, preparando-nos para o teu natal e para tua segunda vinda, é uma grande convocação para a conversão. É como se vivêssemos no tempo de João Batista, um tempo de preparação para a tua chegada. Dá-nos, Senhor, acolher os apelos deste tempo abençoado e voltarmo-nos para ti de todo coração. Concede que brote de nossos corações abrasados por tua palavra gestos de acolhida de tua pessoa e do teu evangelho, bem como ações de partilha e solidariedade com os irmãos mais pobres e sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Comece valorizando as pessoas que estão ao seu redor, a começar pelos de sua casa. O natal que estamos preparando é a grande lição de um Deus que veio cuidar da gente e se mostrou pequeno e próximo. Valorizando quem convive conosco, já estamos treinando para acolher Jesus, o Emanuel. 

A novena de natal começou ontem. São nove dias, como os nove meses da gestação de uma criança. Estamos rezando a novena toda tarde, às 14:00, pelo Youtube e pelo Facebook. Não podendo nos acompanhar nesse horário, encontre um tempinho para ver o vídeo que fica gravado depois da novena. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

MÚSICA 


MEU BOM DEUS

(Pe. João Carlos)


Senhor, meu Deus, aqui estou
Aqui estou cansado e só
Estou buscando o teu amor,
Teu ombro amigo
Preciso tanto de tua paz, 
Do teu abrigo.


Senhor, meu Deus, aqui estou
Longe de ti, tentei viver
Só encontrei desilusão 
No meu caminho
Que vou fazer sem teu perdão
Sem teu carinho?


Meu Bom Deus, 
O teu amor me trouxe aqui.
Meu Bom Deus,
Não sou ninguém 
Longe de ti. (Bis)


Senhor, meu Deus, aqui estou,
O teu amor me transformou.
Pedi somente a tua graça,
Arrependido,
Mas me quiseste em tua casa
Como filho.


Senhor, meu Deus, aqui estou
Ainda há quem não te encontrou
Não retornou de tanto beco 
Sem saída
Só o teu amor renova tudo
Em nossa vida.

O FILHO DE DAVI

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

05 de junho de 2020.


O povo de Deus vivia na grande expectativa da vinda do Messias. Os profetas tinham anunciado a vinda de alguém muito especial. Na cabeça das pessoas, chegaria alguém muito forte, assistido por Deus, que restauraria a nação e a levaria ao seu antigo esplendor, como no tempo de Davi ou Salomão. Para um povo que vivia sob o peso de uma dominação humilhante como aquela dos romanos no tempo de Jesus, a expectativa do Messias era uma coisa muito forte. Quanto mais sofrimento e humilhação, mais se fortalecia a convicção da chegada do Messias a qualquer momento para resolver a situação.   

Quando os tempos estavam maduros, o Pai enviou seu filho. São Paulo falou disso, na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Mesmo Deus tendo esperado muito tempo para enviar o seu filho no momento certo, Jesus encontrou esse clima da espera de um Messias salvador da pátria, que dificultou a acolhida de sua pessoa e de seus ensinamentos.

No pensamento corrente, o Messias viria reinar, seria um rei. Assim, claro, ele teria que ser um descendente do rei Davi, a quem Deus tinha prometido que seu reinado não teria fim. O Messias seria filho de Davi, quer dizer da família real. Aos poucos, muita gente foi identificando Jesus com o Messias aguardado. Quando Jesus foi a Jerusalém, naquela peregrinação de Páscoa, a última antes de ser morto na cruz, sua entrada na cidade foi uma festa. Os peregrinos o aclamaram rei. “Hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor", gritavam euforicamente. E lhe deram, em sua pobreza, um tratamento de rei: forravam a estrada com ramos e com suas capas para ele passar, montado no seu jumentinho.

O que Jesus está dizendo hoje no evangelho é para ajudar aquelas pessoas que o cercavam a entender que o Messias não seria um simples descendente do rei Davi. “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?”

São muitas coisas que aquela gente e nós precisamos entender. A primeira coisa é que o Messias não é um simples filho de Davi. Como diz o salmo que Jesus citou: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. Quem é esse senhor? Deus. Deus disse ao senhor de Davi, não ao seu filho. O Messias é o Senhor de Davi, entendeu? O Messias tem parte com Deus.

Guardando a palavra

Aos poucos, os seguidores de Jesus foran entendendo: Jesus é o Messias, o ungido de Deus. Ele não só herdou a realeza humana de Davi, mas ele é o Filho de Deus. E o seu reinado não é o governo de alguma tribo ou de alguma nação. Ele é mais rei do que isso, ele é Senhor em todo canto. Ele não veio para restaurar o reino de Israel. Veio para restaurar o reino de Deus no mundo. Deus não é só Deus de Israel. É Deus de todos e quer o bem de todos e reina sobre todos, em qualquer lugar do mundo, onde aceitem seu filho e sua mensagem de fraternidade, de justiça, de amor e de paz. Os problemas de Israel é seu povo que vai encontrar soluções, no caminho da história. Ele veio para abrir um caminho de plenitude, de salvação para todos. Claro que isso tem influência na vida dos que crêem e nos caminhos históricos das nações. O Reino de Deus é como fermento na história, como ele bem explicou.

Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? (Mc 12, 35)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Não foi só o povo do teu tempo que teve dificuldade de entender a tua presença e a tua mensagem. Nós, também. Eles esperavam um messias que resolvesse os seus problemas ou ao menos os liderasse na vitória sobre seus inimigos. Aos poucos, os teus seguidores compreenderam que a tua liderança era realmente real e decisiva, e se estendia a todas as pessoas e as todas as nações, como verdadeira onda de renovação do mundo na direção de Deus. És o Senhor da história, nos conduzindo para a justiça e a fraternidade que nascem do encontro com o amor de Deus, proclamado no teu evangelho. Por tua morte e ressurreição, abres os selos do livro lacrado da história. És o Senhor da história. E quanto estiver transformado, entregarás o reino como um presente ao Pai. Contigo, pedimos ao Pai, venha a nós o teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra


Abra a sua Bíblia, no salmo que Jesus citou hoje: Salmo 110 (ou 109, em algumas edições). É o salmo do sacerdócio do Messias.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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