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17 dezembro 2019

A ÁRVORE GENEALÓGICA DE JESUS

Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão (Mt 1,1).
17 de dezembro de 2019.
Com essas palavras – Livro da origem de Jesus Cristo – se inicia, em Mateus, a árvore genealógica dos antepassados de Jesus, do lado paterno, desde Abraão até o seu pai José.
Esta longa lista dos antepassados de Jesus, presente no evangelho de Mateus, como também no de Lucas, nos lembra que fazemos parte de uma longa história. Cada geração dá sua contribuição e passa adiante as suas causas e as suas conquistas. Uma geração não gera apenas outra geração. Não é apenas a vida biológica que se transfere. Transmite-se uma cultura, uma história. No caso do povo de Deus, passava-se em herança a longa experiência de um povo em aliança com Deus. Transmitia-se a fé no Deus vivo que caminha com o seu povo, sustentando suas lutas por terra, liberdade, cidadania.
Nesse mesmo tom, o evangelista João proclama que o Verbo se fez carne. O filho de Deus entrou em nossa história, se encarnou. Ele está unido, como numa corrente, aos seu antepassados. Como ser humano, é herdeiro da riqueza da história, da cultura e da fé do povo de Israel. Nasce judeu, em uma família de judeus. É circuncidado pequeninho com todo judeu em aliança com Deus, Recebe um nome judeu: Yeshua, Jesus. Fala aramaico, ama os seus parentes e faz suas preces conforme o ensinamento da Torá. Desde os 12 anos, participa das peregrinações a Jerusalém, nas grandes festas da fé judaica: a saída do Egito (Pascoa), a entrega da Lei no deserto (Pentecostes) e a posse da terra prometida (Cabanas).
Na cultura do Oriente Médio, o elo com o passado, com a história precedente é a figura do pai. O pai é o elo com a história. Ele é o canal de comunicação da herança social e religiosa do povo eleito aos seus filhos, particularmente ao primigênio, o primeiro filho. E a mãe? Na nossa cultura, atualmente, ela conta tanto quanto ou mais que o pai. Mas isso é na nossa cultura e nos dias de hoje. No povo hebreu, e naquele tempo, não era assim. 
Nesta longa lista dos antepassados, cada geração passa o bastão à geração seguinte.  É verdade que, neste evangelho de São Mateus, a lista contém nomes de cinco mulheres, entre as quais Maria. Bom, aí já é a nova mentalidade que começa a fermentar a partir de Jesus. Aí já é a novidade do evangelho.







4º Dia da Novena de Natal
 O TESTEMUNHO DE JOSÉ


Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa (Mt 1, 24).

17 de dezembro de 2018.

 Apresentação do tema

Caminhando para o natal, nos debruçamos hoje sobre uma figura muito especial, o esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. José é o homem obediente a Deus. Ele faz a vontade de Deus, assim que a conhece, com toda dedicação e enfrentando qualquer dificuldade. A sua acolhida da vontade de Deus é um grande exemplo para nós. José é também uma testemunha de Jesus. Com sua vida de pai e de esposo, ele nos diz quem é esse Jesus, que vai aprender com ele a ser um homem justo, um judeu piedoso, um carpinteiro útil na comunidade. 

O que será que o anjo realmente mandou José fazer? Primeiro, receber Maria por esposa. Estar ao lado de Maria, em sua gravidez, na educação do seu filho e em tudo, como esposo, companheiro, apoiando-a, protegendo-a, partilhando com ela as responsabilidades de uma família. E José, que tanto amor tinha por Maria, abraçou essa missão de esposo. Segundo, o anjo mandou que ele desse o nome de Jesus ao menino. E a missão do menino já estava expressa no seu nome: salvar o seu povo dos seus pecados. Dar o nome ao menino significava reconhecê-lo publicamente como filho, garantir sua pertença à família de Davi. Por meio de José, o filho de Deus seria também filho de Davi, seu descendente.

Oração do dia

Senhor Jesus,
Contemplando esse bonito exemplo de São José, nós te pedimos que os pais cristãos se espelhem nesse homem justo, a quem Deus te confiou e a quem tanto amaste e respeitaste como pai, aqui na terra. Aos pais, o Senhor nosso Deus continua entregando seus filhos para que lhes sirva de modelo, de estímulo e de guia nesta vida. Aos esposos cristãos, ele continua inspirando a fidelidade e o amor para com sua esposa e sua família. Que todos nós, Senhor Jesus, pais e filhos, aprendamos de José a acolhida respeitosa da vontade de Deus nosso pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Bênção 

O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém 

Vivência 

O que os homens de nossas famílias e de nossa comunidade podem aprender de São José? E nós, o que podemos aprender com ele? 

Amanhã, a gente se encontra para o 5º dia da novena de natal. 






Pe. João Carlos Ribeiro – 17 de dezembro de 2019

06 dezembro 2019

VIVEMOS ILUMINADOS PELA FÉ

Tem compaixão de nós, filho de Davi! (Mt 9, 27)
06 dezembro de 2019
O texto de hoje conta a história de dois cegos que seguiram Jesus, gritando por ajuda. Chegando à casa, eles tiveram uma conversa com ele. Jesus lhe tocou os olhos e eles ficaram curados. O Mestre lhes pediu para não saírem espalhando o fato, mas foi perdido. Eles saíram falando pra todo mundo.
O evangelho não tem interesse em ficar contando milagres de Jesus, de qualquer jeito. Não é um “testemunho” pra chamar clientes para o próprio empreendimento religioso, como vemos hoje no rádio e na televisão. A narração dos milagres são catequeses sobre Jesus e nosso encontro com ele. É assim que vamos olhar para esse texto, como uma catequese sobre a fé.
Fé? Por que eu falei “fé”? Porque as histórias de cegueira física, no evangelho, são particularmente formas de falar da cegueira espiritual, da resistência ou da incompreensão diante da pessoa de Jesus ou do projeto de Deus. Cegueira, neste sentido, representa a falta de fé. Para confirmar essa compreensão, basta lembrar que, segundo o texto de Isaías que Jesus leu na sinagoga de Nazaré, “dar vista aos cegos” era um dos sinais da salvação trazida pelo Messias.
Afinal, quem são os cegos? Melhor, quantos são os cegos? Sua resposta: dois,  precisamente. Lembre-se do início do evangelho de Mateus. Jesus chamou primeiro dois irmãos: André e Simão. Depois, chamou mais dois: Tiago e João. E na história do filho pródigo, o pai tinha dois filhos. E outro pai falou com seus dois filhos para irem trabalhar na sua vinha. E na cruz, havia dois ao lado de Jesus, crucificados também. Eu só posso pensar nesses dois cegos como discípulos. E discípulos são os receberam o convite para seguir Jesus e puseram-se a caminho com ele.
Por falar nisso, escute bem o que está escrito: “dois cegos começaram a segui-lo”. E diferentemente de outro cego, que Jesus parou para atendê-lo, esses seguiram Jesus até à casa dele. E foi dentro de casa, que eles se aproximaram de Jesus e conversaram com ele. Seguimento, caminho, casa são indicações da condição de discípulos. Então, a história dos cegos é uma representação dos discípulos. E quando falamos de discípulos, não estamos falando só dos doze apóstolos, estamos falando das centenas de homens e mulheres que tinham Jesus como referência e até, muitos deles, andavam com ele.
E qual é a catequese sobre a fé que há nesse texto?  Vamos recolher três lições. A primeira: A fé nos põe no caminho de Jesus e vai se firmando, a cada passo. Os dois eram cegos e começaram a seguir Jesus. Gritavam por compaixão.  É no caminho que a fé vai se firmando, se aclarando, se consolidando. Lembra a história dos 10 leprosos? Foi no caminho, indo para Jerusalém, que eles se deram conta que estavam curados.  A fé vai crescendo no caminho que eu vou fazendo com Jesus.
A segunda lição:  A fé nos leva para a comunidade. Os cegos entraram na casa de Jesus (que é a casa de Pedro e de André). Na intimidade da casa, eles se aproximam de Jesus. É a comunidade que nos proporciona essa aproximação com Jesus, essa intimidade com ele. Os cegos-discípulos são acolhidos na família de Jesus, na sua casa, na sua comunidade.
A terceira lição:  A fé é aprofundada num diálogo esclarecedor, que chamamos de catequese. Jesus dialoga com os dois. Pergunta se acreditam nele. Eles respondem  que sim. Jesus toca nos olhos deles e diz “que seja feito conforme a sua fé”. E os olhos deles se abriram. Isso nos faz lembrar aqueles dois discípulos de Emaús. Após a catequese que Jesus fez no caminho, ceando com eles, fez os gestos da última ceia. Àquela altura, seus olhos se abriram. Eles viram Jesus ressuscitado. Devíamos falar de catequese e liturgia, mas não vamos complicar.





Guardando a mensagem
Você e eu somos os cegos. Mesmo com uma fé incompleta e frágil, começamos a seguir Jesus. Somos testemunhas que nossa fé vai se fortalecendo à medida em que vamos caminhando com ele. O caminho nos leva à sua casa, à sua comunidade, na qual somos acolhidos. A comunidade nos comunica a verdade sobre Jesus e celebra conosco a sua obra redentora. Na comunidade, os nossos olhos se abrem. E nos fazemos seus missionários, espalhadores de sua mensagem. Nosso testemunho não é que ele está operando milagres (ele não está interessado nesse tipo de propaganda). Testemunhamos que o encontramos, que somos um milagre dele. Éramos cegos e agora vemos. Vivemos iluminados pela fé.
Tem compaixão de nós, filho de Davi! (Mt 9, 27)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A história dos dois cegos é a nossa história. A cegueira física é uma representação da nossa cegueira espiritual. Com uma fé ainda frágil, nós nos colocamos no teu seguimento, respondendo ao teu chamado para sermos teus discípulos. É na caminhada contigo que a nossa fé vai se robustecendo. E a fé nos leva à comunidade, à vida de comunhão contigo e com os irmãos. Na catequese e na celebração, vemos com clareza sempre crescente o projeto do Pai que se realiza em ti e a nossa vocação de filhos e filhas de Deus. De toda forma, Senhor, estamos sempre necessitados de tua misericórdia. Por isso, continuamos a te pedir: “Tem compaixão de nós, filho de Davi”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Faça seu este pedido insistente dos cegos: “Tem compaixão de nós, filho de Davi”. Nesta prece, repetida várias vezes durante o dia de hoje, peça que a luz da fé seja sempre mais luminosa em sua vida.
Pe. João Carlos Ribeiro – 06 de dezembro de 2019.

18 novembro 2019

OS SETE PASSOS DO CEGO


O cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus (Lc 18, 43)

18 de novembro de 2019.


No evangelho de Lucas, um pouco antes do texto de hoje, Jesus instruía os discípulos sobre a proximidade de sua paixão, em Jerusalém. Mas, diz o evangelista, eles não entenderam nada. É como se estivessem cegos. Chegando à entrada de Jericó, encontraram um cego mendigando, sentado à beira da estrada. Esse cego pode muito bem representar os discípulos que estão caminhando com Jesus, mas sem entender, sem enxergar. Em grande parte, é o nosso caso.

Podemos pensar, então, que esse texto é um roteiro sobre o caminho que cada discípulo ou discípula percorre para aproximar-se e seguir Jesus. É o caminho da catequese, da formação cristã. Por isso, está organizado em sete passos, sendo sete a conta da obra da criação, da obra perfeita.

Primeiro passo – Um cego está sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. É a condição de quem não caminha com Jesus. Está à margem, mendigando algum sentido para a vida. Foi onde começamos.
Segundo passo – Ouvindo a multidão passar, ele perguntou o que estava acontecendo. A primeira coisa que nos desperta é a movimentação da comunidade, da Igreja. Uma multidão barulhenta que passa, que sinaliza alguma coisa. Isso desperta curiosidade. Alguém à margem quer saber o que está acontecendo.

Terceiro passo
– Disseram-lhe que Jesus Nazareno estava passando por ali. A comunidade cristã anuncia claramente a presença de Jesus que passa por nossas vidas. Ele, Deus verdadeiro, veio nos encontrar. Estamos alegres porque Jesus caminha conosco. É a evangelização.

Quarto passo – Então, o cego gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”. E as pessoas mandaram-no calar a boca. É a hora em que se começa buscar Jesus, sem o ter ainda encontrado. É um pedido de socorro, a busca de uma solução para um problema, por exemplo. Essa busca é intensa (por isso, o cego ‘grita’) e muita gente se incomoda. Não falta quem o mande ficar quieto.

Quinto passo – Mas ele grita mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim”. Jesus parou e mandou que levassem o cego até ele. É a experiência de perseverar na busca do Senhor. Jesus quer vê-lo. Aqui entra a ajuda de alguém que vai aproximá-lo do Senhor. Alguém será a ponte que vai levá-lo a Jesus.

Sexto passo – Quando o cego chegou perto, Jesus perguntou: ‘O que queres que eu faça por ti? O cego respondeu: “Senhor, eu quero enxergar de novo”. Jesus disse: “Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou”. É o encontro pessoal com Cristo, um encontro transformador. Muita gente um dia já enxergou. Mas, agora está cego. Mas, nesse encontro da fé, vai voltar a ver. E você sabe, não estou falando da cegueira física.

Sétimo passo – No mesmo instante, o cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus. Olha só o que, de verdade, é enxergar: é seguir Jesus. Ele queria ver de novo, mas termina a história como discípulo, segue Jesus. Isso é enxergar, é conhecer, é crer.

Guardando a mensagem

Na história do cego de Jericó, Lucas capítulo 18, temos os sete passos que percorremos para a comunhão com o Senhor e com a sua Igreja. De pessoas que esmolavam sentido para a vida, como que sentados à margem da estrada, chegamos a pessoas que caminham com Jesus, cheios de alegria e glorificando a Deus. A isso, nos ajuda a comunidade que desperta nossa atenção, nos anuncia Jesus e nos aproxima dele. Essa mudança se dá no nosso encontro pessoal com o Senhor que nos faz ver claramente e nos torna seus discípulos. Você, em que passo está? Acolhendo o anúncio da comunidade ou ainda sentado à beira da estrada? Indo ao encontro do Senhor ou já engrossando a grande caminhada dos discípulos com ele?

O cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus (Lc 18, 43)
Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Somos teus discípulos. Um dia, fomos cegos. Fomos levados ao teu encontro por nossas famílias. A família é a primeira comunidade cristã. E naquele dia, na fé dos nossos pais e padrinhos, tu iluminaste a nossa vida. Para representar isso, nos deram uma vela acesa e nos recomendaram que conservássemos sempre essa luz. Alguns de nós, infelizmente, voltaram à escuridão, mas agora querem ver de novo. Acolhe-os Senhor, comunica-lhes a tua luz, para que como discípulos, no teu caminho, glorifiquem o nosso Deus e Pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Só para ajudar a se reconhecer no caminho com Jesus... Abra, hoje, sua Bíblia e veja o que aconteceu quando Jesus e os discípulos entraram em Jericó, depois que encontraram o cego. Está em Lucas capítulo 19, 1-10. Você vai gostar de saber.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb – 18 de novembro de 2019.

19 março 2019

ESPOSO, PAI E EDUCADOR

José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. (Mt 1,20)
19 de março de 2019.
Eles estavam noivos e ela apareceu grávida. Na verdade, já tinham feito as demoradas cerimônias de casamento. Mas, como era costume, não se ia logo morar juntos. Foi nesse tempo, em que ela ainda estava com os pais, que apareceu grávida. Mas, não era dele. Ele ficou desnorteado. Por que ela fez isso comigo? Casamento pronto, tudo arrumado...  Num caso como esse, a Lei previa que ele devia denunciá-la ao conselho dos anciãos de sua vila, no caso Nazaré. Ela seria julgada e sentenciada. Certamente, o caso seria reconhecido como adultério.... e a Lei era rigorosa com esse gravíssimo deslize. Devia ser apedrejada. José estava triste e confuso. O casamento estava acabado. E o que ele iria fazer? Denunciá-la? Não, isso não, de jeito nenhum.  Ele amava demais sua noiva para fazer isso. Resolveu fugir... a culpa recairia sobre ele. Iria tentar a vida bem longe. Era melhor. Ela criaria seu filho, com o apoio da família. Ele sairia por mau e irresponsável. Foi dormir, assim, triste, sofrido, com essa decisão na cabeça.
Dormindo, José teve um sonho. O anjo do Senhor veio lhe explicar que o que aconteceu com Maria foi da vontade de Deus, que ela concebeu pela ação do Espírito Santo; que ele não tivesse medo de recebê-la como esposa; e que desse ao filho o nome de Jesus. José acordou assustado, mas decidido. Fez como o anjo do Senhor havia mandado.
O que será que o anjo realmente mandou José fazer? Primeiro, receber Maria por esposa. Estar ao lado de Maria, em sua gravidez, na educação do seu filho e em tudo, como esposo, companheiro, apoiando-a, protegendo-a, partilhando com ela as responsabilidades de uma família. E José, que tanto amor tinha por Maria, abraçou essa missão de esposo. Segundo, o anjo mandou que ele desse o nome de Jesus ao menino. E a missão do menino já estava expressa no seu nome: salvar o seu povo dos seus pecados. Dar o nome ao menino significava reconhecê-lo publicamente como filho, garantir sua pertença à família de Davi. Por meio de José, o filho de Deus seria também filho de Davi, seu descendente. E foi assim que José assumiu a condição de pai da criança.
Vamos guardar a mensagem
Festejamos hoje uma figura muito especial, o esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. José é o homem obediente a Deus. Ele faz a vontade de Deus, assim que a conhece, com toda dedicação e enfrentando qualquer dificuldade. A sua acolhida da vontade de Deus é um grande exemplo para nós. José é também uma testemunha de Jesus. Com sua vida de pai e de esposo, ele nos diz quem é esse Jesus, que vai aprender com ele a ser um homem justo, um judeu piedoso, um profissional útil na comunidade: ele foi concebido pela ação do Espírito Santo em Maria Virgem, ele veio salvar o seu povo dos seus pecados, ele é o filho de Deus e o filho de Davi.
José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo (Mt 1,20)
Vamos rezar a Palavra
Senhor Jesus,
Contemplando o exemplo de São José, nós te pedimos que os pais cristãos se espelhem nesse homem justo, a quem o Pai te confiou e a quem tanto amaste e respeitaste como pai, aqui na terra. Deus continua confiando seus filhos a pais nesta terra, para que lhes sirvam de proteção, modelo, estímulo e guia nesta vida. Aos esposos cristãos, São José continua inspirando a fidelidade e o amor para com sua esposa e sua família. Que todos, Senhor Jesus, pais e filhos, todos nós aprendamos de José a acolhida respeitosa da vontade de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
Hoje, é um dia bom para você de rezar pelo seu pai. Falecido ou aqui na terra, ele merece todo o seu carinho e suas preces em favor de sua felicidade e sua realização em Deus. Hoje, reze pelo seu pai. Reze também pela Igreja, de quem são José é o patrono.

Pe. João Carlos Ribeiro – 19.03.2019

07 dezembro 2018

OS DOIS CEGOS E A LUZ DE CRISTO

Tem compaixão de nós, filho de Davi! (Mt 9, 27)
07 de dezembro de 2018.
O texto de hoje conta a história de dois cegos que seguiram Jesus, gritando por ajuda. Chegando à casa, eles tiveram uma conversa com ele. Jesus lhe tocou os olhos e eles ficaram curados. O Mestre lhes pediu para não saírem espalhando o fato, mas foi perdido. Eles saíram falando pra todo mundo.
O evangelho não tem interesse em ficar contando milagres de Jesus, de qualquer jeito. Não é um “testemunho” pra chamar clientes para o próprio empreendimento religioso, como vemos hoje no rádio e na televisão. A narração dos milagres são catequeses sobre Jesus e nosso encontro com ele. É assim que vamos olhar para esse texto, como uma catequese sobre a fé.
Fé? Por que eu falei “fé”? Porque as histórias de cegueira física, no evangelho, são particularmente formas de falar da cegueira espiritual, da resistência ou da incompreensão diante da pessoa de Jesus ou do projeto de Deus. Cegueira, neste sentido, representa a falta de fé. Para confirmar essa compreensão, basta lembrar que, segundo o texto de Isaías que Jesus leu na sinagoga de Nazaré, “dar vista aos cegos” era um dos sinais da salvação trazida pelo Messias.
Afinal, quem são os cegos? Melhor, quantos são os cegos? Sua resposta: dois,  precisamente. Lembre-se do início do evangelho de Mateus. Jesus chamou primeiro dois irmãos: André e Simão. Depois, chamou mais dois: Tiago e João. E na história do filho pródigo, o pai tinha dois filhos. E outro pai falou com seus dois filhos para irem trabalhar na sua vinha. E na cruz, havia dois ao lado de Jesus, crucificados também. Eu só posso pensar nesses dois cegos como discípulos. E discípulos são os receberam o convite para seguir Jesus e puseram-se a caminho com ele.
Por falar nisso, escute bem o que está escrito: “dois cegos começaram a segui-lo”. E diferentemente de outro cego, que Jesus parou para atendê-lo, esses seguiram Jesus até à casa dele. E foi dentro de casa, que eles se aproximaram de Jesus e conversaram com ele. Seguimento, caminho, casa são indicações da condição de discípulos. Então, a história dos cegos é uma representação dos discípulos. E quando falamos de discípulos, não estamos falando só dos doze apóstolos, estamos falando das centenas de homens e mulheres que tinham Jesus como referência e até, muitos deles, andavam com ele.
E qual é a catequese sobre a fé que há nesse texto?  Vamos recolher três lições. A primeira: A fé nos põe no caminho de Jesus e vai se firmando, a cada passo. Os dois eram cegos e começaram a seguir Jesus. Gritavam por compaixão.  É no caminho que a fé vai se firmando, se aclarando, se consolidando. Lembra a história dos 10 leprosos? Foi no caminho, indo para Jerusalém, que eles se deram conta que estavam curados.  A fé vai crescendo no caminho que eu vou fazendo com Jesus.
A segunda lição:  A fé nos leva para a comunidade. Os cegos entraram na casa de Jesus (que é a casa de Pedro e de André). Na intimidade da casa, eles se aproximam de Jesus. É a comunidade que nos proporciona essa aproximação com Jesus, essa intimidade com ele. Os cegos-discípulos são acolhidos na família de Jesus, na sua casa, na sua comunidade.
A terceira lição:  A fé é aprofundada num diálogo esclarecedor, que chamamos de catequese. Jesus dialoga com os dois. Pergunta se acreditam nele. Eles respondem  que sim. Jesus toca nos olhos deles e diz “que seja feito conforme a sua fé”. E os olhos deles se abriram.  Isso nos faz lembrar aqueles dois discípulos de Emaús. Após a catequese que Jesus fez no caminho, ceando com eles, fez os gestos da última ceia. Àquela altura, seus olhos se abriram. Eles viram Jesus ressuscitado. Devíamos falar de catequese e liturgia, mas não vamos complicar.
Guardando a mensagem
Você e eu somos os cegos. Mesmo com uma fé incompleta e frágil, começamos a seguir Jesus. Somos testemunhas que nossa fé vai se fortalecendo à medida em que vamos caminhando com ele. O caminho nos leva à sua casa, à sua comunidade, na qual somos acolhidos. A comunidade nos comunica a verdade sobre Jesus e celebra conosco a sua obra redentora. Na comunidade, os nossos olhos se abrem. E nos fazemos seus missionários, espalhadores de sua mensagem. Nosso testemunho não é que ele está operando milagres (ele não está interessado nesse tipo de propaganda). Testemunhamos que o encontramos, que somos um milagre dele. Éramos cegos e agora vemos. Vivemos iluminados pela fé.
Tem compaixão de nós, filho de Davi! (Mt 9, 27)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A história dos dois cegos é a nossa história. A cegueira física é uma representação da nossa cegueira espiritual. Com uma fé ainda frágil, nós nos colocamos no teu seguimento, respondendo ao teu chamado para sermos teus discípulos. É na caminhada contigo que a nossa fé vai se robustecendo. E a fé nos leva à comunidade, à vida de comunhão contigo e com os irmãos. Na catequese e na celebração, vemos com clareza sempre crescente o projeto do Pai que se realiza em ti e a nossa vocação de filhos e filhas de Deus. De toda forma, Senhor, estamos sempre necessitados de tua misericórdia. Por isso, continuamos a te pedir: “Tem compaixão de nós, filho de Davi”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Faça seu este pedido insistente dos cegos: “Tem compaixão de nós, filho de Davi”. Nesta prece, repetida várias vezes durante o dia de hoje, peça que a luz da fé seja sempre mais luminosa em sua vida.

Pe. João Carlos Ribeiro – 07.12.2018

09 junho 2017

O Messias e Davi

O próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho? (Mc 12, 37)      

Não sei porque Jesus entrou nessa discussão: se o Messias era ou não era filho de Davi. Será que isso tinha alguma importância?  Bom, ele estava ensinando no Templo. E partiu dessa pergunta:  Por que os mestres da lei dizem que o Messias é filho de Davi?

Você entende esse negócio de ‘Messias’? Messias quer dizer Ungido, uma pessoa marcada por Deus para liderar o povo e libertá-lo. E olha que , no tempo de Jesus, o povo estava na maior aflição, ansiando pela chegada  de um Messias. E sabe por quê? Porque estava no meio de um grande sofrimento. Os romanos dominavam o país. Tinha havido um rei na Palestina muito cruel, perseguidor e aliado dos romanos. Você já ouviu falar dele. Quando Jesus nasceu era rei em Jerusalém.  Herodes, isso mesmo. Mandou matar as criancinhas de Belém, entre outras atrocidades.  Jesus escapou, porque seus pais tinham fugido com ele para o Egito. E só voltaram de lá quando ele morreu. No lugar dele, ficaram seus filhos reinando cada um numa parte da Palestina. Eram chefes políticos aliados dos romanos.  Os altos impostos, a humilhação de serem dominados por pagãos (os romanos), a violência, tudo isso levava a revoltas em várias partes do país. Nesse clima, o povo esperava que Deus enviasse o Messias. Só ele podia liderar o povo para libertá-lo do jugo dos romanos.