PE. JOÃO CARLOS - BLOG DA MEDITAÇÃO DA PALAVRA: João Batista
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Quem foi batizado é uma nova criatura




09 de janeiro de 2023

Festa do Batismo do Senhor


EVANGELHO

Mt 3,13-17

Naquele tempo, 13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”
15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele.
17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.



MEDITAÇÃO


E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3, 17)

Jesus se batizou no batismo de João. João batizava as pessoas que queriam preparar-se para acolher, 
com uma nova vida, o Messias que chegaria em breve. Confessavam os seus pecados e João as mergulhava nas águas do Rio Jordão. A fila dos pecadores era grande.

Jesus entrou na fila dos pecadores, participando do batismo de penitência de João. Ao sair da água, veio sobre ele o Espírito Santo em forma de pomba. O batismo de Jesus pode nos ajudar a compreender o sentido de sua morte e de sua ressurreição, que tem a ver conosco e com o nosso batismo.

São Paulo deu uma boa explicação sobre o rito do batismo. Quando a gente desce às águas, na fé, participa da morte de Cristo. Quando saímos das águas, estamos participando, na fé, de sua ressurreição. Podemos olhar assim para o batismo de Jesus.

Jesus entrou na fila dos pecadores, assumindo o peso de nossas culpas e desceu às águas como pecador. Essa é uma bela imagem que antecipa o sentido de sua morte. Mergulhou nas águas da morte, morrendo em nosso lugar, purificando-nos dos pecados. Ao emergir da água, veio uma voz do céu. É como uma antecipação de sua ressurreição.
Este é o meu Filho amado”. Jesus se revelou o filho amado, em ter cumprido com obediência a vontade do Pai. Ele deu sua vida por nós, salvou-nos, morrendo na cruz e ressurgindo em nosso favor.

Então, o batismo tem a ver com a purificação dos pecados. Jesus não tinha pecados. Mas, carregou-se dos nossos e nos purificou nas águas de sua morte e na glória de sua ressurreição. Na sua morte, nos comunicou a vida, derramando sobre nós o seu Espírito. O Espírito Santo é quem aplica em nós a graça redentora de sua morte e ressurreição. Ele é a água viva que jorrou do peito do Senhor, ferido pelo soldado, na cruz. Essa água nos purifica e nos comunica a vida nova. A ação purificadora e revitalizadora do Espírito está representada na água da fonte batismal. No sinal da água, está a ação do Espírito que nos purifica e nos renova.


Guardando a mensagem

João Batista avisou ao povo: “Eu batizei vocês com água, mas ele batizará vocês com o Espírito Santo”. A água de João era só água mesmo, um sinal de penitência. Mas, a água de Jesus seria sacramento do Espírito Santo, ação do Espírito purificando e renovando. Que grande graça você ter recebido o batismo! Quem foi batizado é uma nova criatura, nasceu de novo. Nasceu para a vida de Deus, pela graça de Cristo. Tem a graça de poder viver em comunhão com ele. Participa da herança da vida eterna. Quem não chegou ainda a conhecer a importância do seu batismo, a grandeza de sua comunhão com Deus através dele, é como alguém que perdeu sua Certidão de Nascimento. Não tem a menor noção de suas origens nobres e do seu direito de herança. Em Cristo, somos herdeiros da felicidade que há em Deus, da vida eterna.

E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3, 17)

Rezando a Palavra 

Senhor Jesus,
que pena que haja tanta gente vivendo como se não fosse batizada. Vive como filho sem pai. Que graça a gente ser de Deus, ser filho(a) de Deus e viver como tal! Quando a gente toma consciência da importância do nosso batismo, a gente se dá conta da dignidade que tem. A pessoa humana é importante, porque foi criada por Deus. Mas o batismo, Senhor, revela ainda mais a nossa dignidade: fomos salvos por ti, somos filhos e filhas de Deus. Nossa vocação é realizar nossa vida como filhos de Deus, herdeiros da vida plena que há em ti, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

Fazer o sinal da cruz com água benta é uma forma de recordar o próprio batismo. Na próxima vez que você for a uma Igreja, sendo uma igreja matriz, sede de paróquia, procure a Capela do Batismo ou a fonte batismal ou algum recipiente com água benta. Vá lá e molhe sua mão, se benza, com o coração cheio de gratidão. Você foi lavado dos seus pecados na morte redentora de Cristo. Recorde e agradeça. No batismo, você nasceu como filho de Deus, como filha de Deus.

Comunicando

Estamos começando a Semana de Aniversário do programa Tempo de Paz. Participe do Sorteio, colocando seu nome no formulário que enviamos ou pelo whatsapp 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Aprendendo com Jesus e com João: somos servidores dos irnãos




06 de janeiro de 2023

Tempo do Natal antes da Epifania


EVANGELHO

Mc 1,7-11

Naquele tempo, 7João pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. 9Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.



MEDITAÇÃO


Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar as suas sandálias (Mc 1,8)

No calendário popular, hoje, 06 de janeiro, é Dia de Reis, a comemoração da visita dos Magos a Belém. No calendário litúrgico da Igreja no Brasil, esta festa, chamada de Epifania, ficou para domingo que vem. Epifania é a manifestação de Jesus como salvador de toda a humanidade. É o que contemplamos na visita dos Magos do Oriente ao Menino Jesus. 

O evangelho de São Marcos, lido hoje, apresenta Jesus que vai se batizar com o profeta João, no Rio Jordão. Quando Jesus saiu das águas, o céu se abriu e desceu sobre ele o Espírito Santo. E ouviu-se uma voz do céu confirmando que ele era o Filho Amado.

João Batista tinha dito que, depois dele, viria alguém mais forte do que ele. Só de prever o encontro com Jesus, João declarou não ser digno nem de se abaixar para desamarrar as suas sandálias. Lavar os pés do seu senhor era o serviço do servo, do criado. João estava dizendo que não se sentia digno desse serviço, tão elevado era o Messias que ele estava anunciando.

João mostrou-se muito humilde. Mas, Jesus foi mais longe ainda. Você se lembra da cena do lava-pés? Jesus levantou-se, tirou o manto, cingiu-se com uma toalha, abaixou-se e foi lavar os pés dos seus discípulos. Uma cena muito forte. Jesus, o Senhor, faz o papel de servo, de criado, lavando os pés dos seus subordinados. Mesmo Pedro estranhou aquilo e não queria que Jesus lavasse os seus pés.

O gesto de Jesus de lavar os pés dos seus discípulos sublinha o modo como ele exerceu a sua missão: abaixando-se ao assumir nossa condição humana, servindo, lavando-nos os pés, purificando-nos do pecado, tomando o nosso lugar na cruz.

Jesus abaixou-se para nos encontrar em nossa pequenez, em nossa humanidade. Ele fez-se servo. Ele nos lavou com o derramamento do seu Santo Espírito. Respondamos a esse amor com um amor sincero, mesmo sabendo que não somos dignos nem de sermos seus servos, de nos abaixarmos para desamarrar as sandálias dos seus pés.


Guardando a mensagem

Meditamos, hoje, sobre o amor de Jesus que se manifestou em vir a nós, com tanta humildade, colocando-se na fila dos pecadores, para receber o batismo de João. Assim, já vamos nos preparando para celebrar a Epifania do Senhor, a sua manifestação como salvador de toda a humanidade. É a mensagem da história da visita dos Magos que vamos celebrar domingo que vem. 
Ele fez-se servo obediente, como disse o profeta Isaías. São Paulo também falou dessa condição de Jesus, na carta aos Filipenses: ele foi servo obediente até à morte de cruz.
 O nosso amor a Cristo nos leva à sua imitação. Assim, amemos de verdade os nossos irmãos, como o Senhor nos ama. Nós somos também servidores dos nossos irmãos. 

Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar as suas sandálias (Mc 1,8)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
mostraste grande humildade indo se batizar com João Batista. João, sabendo de tua grandeza, achou que não era digno nem de se abaixar para desamarrar as tuas sandálias. E nós ficamos lembrando que toda a tua missão foi essa de servo, de servidor, lavando os nossos pés, com grande amor e humildade. Tu nos purificaste com o sacrifício de tua cruz. Nós nos damos conta que esse é o caminho que precisamos trilhar, à tua imitação. Dá-nos, Senhor, a graça de sermos também servidores dos irmãos, testemunhando nossa comunhão contigo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Em preparação da celebração deste domingo, a Festa da Epifania do Senhor, adiante a leitura do evangelho: Mateus 2,1-12.

Comunicando

Domingo próximo, Festa da Epifania, celebro a Santa Missa das 17 horas, na Igreja de Pontas de Pedras, município de Goiana, PE. Na segunda-feira, Festa do Batismo do Senhor, faço Show na festa de Santo Amaro, em Jaboatão dos Guararapes. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Porque ele veio, agora podemos ser seus seguidores.



03 de janeiro de 2023

Tempo do Natal antes da Epifania


EVANGELHO

Jo 1,29-34

29No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”.
32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”


MEDITAÇÃO

Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus! (Jo 1, 34)

A Palavra do Senhor nos aponta a pessoa de Jesus. Os evangelhos são testemunhos sobre Jesus, para que nós o conheçamos, para que o acolhamos. E mesmo o Antigo Testamento é lido pelos cristãos na perspectiva da revelação da pessoa de Jesus, o Messias prometido e já figurado na atuação dos sábios, profetas e reis. A Escritura nos aponta a pessoa de Jesus.

A missão de João Batista foi preparar o povo para receber Jesus e revelá-lo a este mesmo povo por ele preparado. O ponto alto de sua missão foi indicar-lhe Jesus, apontar-lhe o Messias ali presente. “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O grande testemunho de João sobre Jesus foi esse: ‘Ele é o Filho de Deus’.

Podemos dizer assim: todo o evangelho é um João Batista indicando Jesus. O que os evangelhos querem é exatamente apresentar Jesus para que sejamos seus seguidores. Seguir Jesus é tomá-lo como modelo de vida, é tornar-se seu discípulo, para aprender a viver como ele. A imitação de Cristo é possível por causa da encarnação. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele viveu nossa vida humana de maneira plenamente santa. É assim que queremos nascer, viver e morrer. Como ele. Os evangelhos nos convidam ao seguimento de Jesus.

João Batista, os evangelhos, os missionários nos apontam Jesus. “Eis o cordeiro de Deus”. Nós, em atenção a esta palavra, nos pomos no seguimento dele. Seguir Jesus é toma-lo como nosso Mestre, nosso orientador, nosso guia; É abraçar o seu evangelho, os seus ensinamentos. Seguir Jesus é acolher o seu sacrifício salvador na cruz, tomando posse da salvação que ele nos alcançou, o dom de, agora, sermos filhos de Deus. Seguir Jesus é por-se a caminho com ele, imitando seu modo humano de amar e servir, acolhendo-o como caminho, verdade e vida. E, claro, integrar-se no grupo dos discípulos que o seguem e cultivam a sua memória, a sua Igreja. Assim, nos tornamos discípulos do Senhor, seus seguidores.

Guardando a mensagem

Nós até que temos bastante informações sobre Jesus. Nós temos, inclusive, ouvido diariamente o seu evangelho. Mas, a Palavra nos aponta Jesus para o seguirmos. Nossa resposta à Palavra de Deus proclamada é nos tornarmos seguidores de Jesus. Segui-lo é tomá-lo como nosso mestre, nosso guia. Segui-lo é imitá-lo no seu amor e na sua fidelidade ao Pai e ao seu povo. Segui-lo é tomar cada dia a cruz de nossas dificuldades e lutas e subir o calvário com ele. E ressuscitar com ele, em cada vitória, em cada conquista, em cada etapa vencida. Nisso consiste a santidade, isto é, em vivermos habitados por sua graça: sermos seus seguidores na normalidade de nossas vidas.

Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus! (Jo 1, 34)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
João Batista, no auge do seu trabalho de preparação do povo para te receber, te revelou como Cordeiro de Deus, como aquele que iria batizar com o Espírito Santo, como Filho de Deus. Esse testemunho, nós o temos recebido pela pregação, pela meditação bíblica, pela evangelização. Senhor, que a nossa resposta à Palavra seja o teu seguimento, como nosso mestre, modelo e guia. Ajuda-nos, Senhor, a sermos, hoje, outros João Batistas, apontando aos outros a tua pessoa, o teu caminho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.



Vivendo a palavra

No seu momento de oração pessoal, peça a Deus a graça de ser fiel no seguimento de Jesus. Reze também, hoje,  pelo descanso eterno do Papa emérito Bento XVI. Suas últimas palavras foram "Senhor, eu te amo!". 

Comunicando

Compartilho com vocês minha agenda de shows deste mês  de janeiro em várias cidades. Em Jaboatão, no dia 09. Em Itapissuma, no dia 15. Em Vitória de Santo Antão, no dia 17. E
m Pontas de Pedras, no dia 27. Gravação de DVD Orante, em Juazeiro do Norte, no dia 31. Em Tacaratu, no dia 02 de fevereiro.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

João Batista fez uma revelação: "Ele já está entre vocês".

 


02 de janeiro de 2022

São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno, 
bispos e doutores da fé


EVANGELHO 


Jo 1,19-28

19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” 20João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. 21Eles perguntaram: “Quem és, então? És Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”. 22Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos de levar uma resposta àqueles que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?”
23João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías. 24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”
26João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. 28Isso aconteceu em Betânia além do Jordão, onde João estava batizando.

MEDITAÇÃO


No meio de vocês, está alguém que vocês não conhecem (Jo 1, 26)


E já estamos no ano novo. Tudo bem com você? Passou bem o final de ano? Como disse o apóstolo: “Por tudo, dai graças ao Senhor”. Pois é, o ano começou. Vamos à luta! A roda já está girando. Depois da celebração do natal, agora já está no nosso horizonte a festa da epifania, popularmente chamada festa de reis. Esta é mais uma celebração a nos falar da pessoa de Jesus. Pela encarnação, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, nasceu humano, do ventre de Maria Virgem. O verbo se fez carne. Esse é o grande mistério do natal. Ele veio para estar conosco. É o Emanuel.

O evangelho de hoje nos ajuda a continuar meditando este mistério da presença de Jesus entre nós. João Batista está pregando no deserto e atrai a atenção de muita gente. De Jerusalém, a capital, chega uma comissão. Quer saber se ele, João, é o Messias. É o tipo da comissão que vem só para incriminar. Não havia boa vontade em que os enviou. No fim, querem saber com qual autoridade o profeta está batizando o povo. João aproveita para anunciar que ele é pequeno e está preparando o caminho de alguém muito maior. Esse, sim, renovará o povo. João se declara menos que um servo, nem merece descalçar suas sandálias. E mais: o enviado já está no meio do povo, “já está entre vocês”.

Quando falamos de João Batista, todos nos lembramos, ele preparou os caminhos de Jesus, preparou o povo para sua chegada. E sabemos: nessa preparação ele chamava o povo à conversão e o batizava nas águas do rio Jordão, em sinal de penitência. Mas, precisamos integrar mais alguma coisa nessa compreensão. Quando um catequista prepara um grupo de crianças para a primeira comunhão, qual é o momento mais importante? Depois de ter percorrido um caminho de encontros e atividades de preparação, durante um bom tempo, finalmente chega o dia da primeira eucaristia. O catequista prepara as crianças para o encontro com Jesus na Eucaristia e a sua tarefa se conclui bem quando as crianças encontram Jesus neste sacramento. Voltemos a João Batista. O mais importante de sua missão foi o momento em que o povo se encontrou com Jesus. Todo o seu trabalho de preparação chegou ao ponto mais alto no dia em que ele pode revelar Jesus ali presente.

Jesus já estava presente, seja porque já tinha nascido, seja porque estava entre os peregrinos que vinham a João. Graças ao trabalho evangelizador do profeta, muita gente pode entender quando ele apontou Jesus como o ‘cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’. Tanto isto é verdade que dois dos seus discípulos começaram a seguir Jesus, a partir dali.


Guardando a mensagem

A verdade do natal não é apenas que Jesus nasceu. A grande verdade do natal é que Deus se tornou humano, fez-se Emanuel, caminha conosco. Viveu sua vida humana cheia de sabedoria e caridade e morreu condenado numa cruz. Venceu a morte, ressuscitando ao terceiro dia. Por sua morte e ressurreição, alcançou a nossa reconciliação com Deus, o Pai. Voltando ao seio da Trindade, agora com o seu corpo humano, como Deus permanece conosco. Sua presença entre nós é real, em expressões diversas, na sua Palavra, no Sacramento da Ceia, no seu povo reunido em assembleia, no pobre e no sofredor e de tantas maneiras mais. Ele está presente. Ele está conosco. Foi esta a grande tarefa de João Batista: revelar Jesus que já estava presente.

No meio de vocês, está alguém que vocês não conhecem (Jo 1, 26)


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
começou o novo ano. A certeza que enche o nosso coração de esperança é a tua presença entre nós. Pela tua encarnação, caminhaste conosco fisicamente, vivendo a nossa vida humana. E mesmo agora, na glória divina, assentado à direita do Pai, estás conosco. Tu és o Emanuel, estás conosco como prometeste: “Eis que estarei com vocês todos os dias, até a consumação dos séculos”. Assim, começamos a caminhada deste ano novo que acabou de começar com esperança, certos de que contigo enfrentaremos e venceremos tudo o que se opuser à nossa dignidade de filhos de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A tarefa de João Batista pode ser a nossa também. Podemos ajudar outras pessoas a descobrir a presença de Jesus em suas vidas. Se você ainda não o faz, hoje, compartilhe a Meditação com outras pessoas.

Comunicando

São vários os nossos compromissos neste primeiro mês do ano, o principal deles é o aniversário do nosso programa TEMPO DE PAZ. Hoje o programa é apresentado em uma centena de emissoras de rádio. A Missa de Ação de Graças será no dia 16 de janeiro, com transmissão pelo rádio e pelas redes sociais.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Jesus vem nos liderar na luta contra o mal





19 de dezembro de 2022

Segunda-feira da 4ª Semana do Advento

5º DIA DA NOVENA DE NATAL

JESUS VEM NOS LIDERAR NA LUTA CONTRA O MAL



Canto

O mundo necessita de profetas
De gente que rejeita a falsidade
De gente que acredita na verdade
De gente que tem sua opinião.

O mundo presta culto à aparência
É gente que se vende por dinheiro
É gente procurando seu proveito
É assim que se corrompe uma nação

Eu sou amigo da verdade
Meu sim, é sim. Meu não, é não.
E eu não posso mais ficar calado
Eu sou profeta. Eu sou cristão
.


Introdução

O povo de Deus experimentou o amor de Deus que os protegeu e libertou da opressão do Egito, sob a liderança de Moisés. Na posse da terra prometida, sob a liderança de Josué, o povo viu a proteção de Deus na luta vitoriosa contra os senhores de Canaã. A vinda de Jesus também se entende como a de um novo Moisés que lidera o povo na saída da escravidão, no novo êxodo.

Leitura bíblica (Juízes 13, 1-5.24)

Naqueles dias, havia um homem de Saraá, da tribo de Dã, chamado Manué, cuja mulher era estéril. O anjo do Senhor apareceu à mulher e disse-lhe: “Tu és estéril e não tiveste filhos, mas conceberás e darás à luz um filho. Toma cuidado para não beberes vinho nem licor, de não comeres coisas alguma impura, pois conceberás e darás à luz um filho. Sua cabeça não será tocada por navalha, porque ele será consagrado ao Senhor desde o ventre materno e começará a libertar Israel das mãos dos filisteus. Ela deu à luz um filho e deu-lhe o nome de Sansão. O menino cresceu, e o Senhor o abençoou.
Palavra do Senhor.


Pistas para a reflexão

A Bíblia conta muitas histórias do nascimento de crianças de mulheres estéreis. Ser estéril e ficar grávida é um sinal concreto da ação de Deus, do seu poder criador. São estéreis, engravidam e dão à luz: Sara, mulher de Abraão (o filho é Isaac), Ana (o filho é Samuel), a mulher de Manué (o filho é Sansão), Isabel (o filho é João Batista) e muitas outras. A virgindade é também uma espécie de esterilidade, quer dizer, sublinha a ação de Deus autor a vida. Sansão ficou famoso por enfrentar os filisteus, inimigos do seu povo. Jesus, antes de começar seu ministério público, enfrentou as tentações de satanás, no deserto. Em sua pregação, ajudou o seu povo a enfrentar muitos males: a incredulidade dos que rejeitaram sua palavra; a marginalização dos pobres e doentes; o abandono dos leprosos; o poder exercido como opressão e violência; a idolatria do dinheiro; a instrumentalização da religião pelos fariseus. Na sua cruz, ele derrotou definitivamente o mal, o pecado e a morte. Jesus veio nos liderar na luta contra o mal.

🙏  Preces

Coloquemos em oração as pessoas que conhecemos que estão vivendo situações dolorosas de pobreza, fome, desemprego, solidão, ansiedade, depressão:
  • que possamos ajudá-las a se estabilizar num emprego, a se profissionalizarem, a valorizarem o estudo dos filhos;
  • que não faltemos aos nossos compromissos com a casa comum, atentos ao aquecimento do planeta e suas consequências;
  • que sejamos um povo comprometido com as lutas pela justiça e pela paz.

Fazer preces a partir dessas intenções....

Pai Nosso, Antífona do Ó e Bênção

Pai Nosso...

Ó Raiz de Jessé, ó estandarte levantado em sinal para as nações. Ante vós se calarão os reis da terra, e as nações implorarão misericórdia: vinde salvar-nos, libertai-nos sem demora.

Vem, ó Filho de Maria,
Vem dos tristes alegria,
Quanta sede, quanta espera,
Quando chega, quando chega aquele dia?…


O Senhor tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém.

Canto

O mundo necessita de profetas
De gente que rejeita a falsidade
De gente que acredita na verdade
De gente que tem sua opinião.

O mundo presta culto à aparência
É gente que se vende por dinheiro
É gente procurando seu proveito
É assim que se corrompe uma nação

Eu sou amigo da verdade
Meu sim, é sim. Meu não, é não.
E eu não posso mais ficar calado
Eu sou profeta. Eu sou cristão
.

Comunicando

Hoje, segunda-feira, aqui em Fortaleza, dirijo um Encontro de Espiritualidade, com ouvintes e associados, na Livraria Paulinas da Av. Antonio Sales, às três da tarde

Pe. João Carlos Ribeiro 

Os pobres estão sendo evangelizados

 



14 de dezembro de 2022

Dia de São João da Cruz 


EVANGELHO


Lc 7,19-23

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

MEDITAÇÃO


Vão contar a João o que vocês viram e ouviram (Lc 7, 22)

Ficamos sempre esperando um outro... um outro partido amoroso, um outro emprego, um outro ano. O que temos não nos parece bom o suficiente. Nós nos negamos a reconhecer que o que temos seja o melhor, que nessa condição atual esteja a nossa felicidade, que este, aqui conosco, seja quem Deus enviou. É assim que desprezamos quem já está conosco, quem está perto de nós. E ficamos aguardando um que ainda venha. E que venha de longe, de fora e de cima, possivelmente, para lhe darmos crédito.

Foi o que aconteceu no tempo de Jesus. Não o reconheceram como Messias. Ele não preencheu as expectativas daquela gente. O próprio João Batista ficou em dúvida. Mandou alguns discípulos indagar se era ele mesmo ou se deviam esperar outro.

João anunciou um Messias diferente. Na linha do profeta Malaquias, João falou de um Messias que vinha com o fogo do julgamento. Iria recolher o trigo no celeiro, mas iria tocar fogo na palha. Seu machado já estava posto à raiz das árvores. Quem não desse fruto, seria cortado. Um Messias implacável como o fogo do fundidor, separando o ouro das impurezas com o calor do seu julgamento. E Jesus não estava batendo com esse modelo de Messias. Pelo contrário, ele mostrou-se manso e humilde de coração, próximo do povo, convivendo com os pecadores. Não um juiz implacável, mas um pastor que vai atrás da ovelha perdida. Não um lenhador de machado na mão, mas um agricultor semeando a sua semente. Não um fundidor assoprando o seu forno com o fole para derreter o minério, mas um pai abrindo as portas de casa para receber o filho que volta. Um Messias surpreendentemente diferente.

João Batista ficou confuso. Ele já apresentara Jesus ao povo, como Messias. Mas, a coisa não estava batendo. Mandou saber. Em resposta, Jesus mandou os emissários observarem e relatarem o que estavam vendo e ouvindo. A ação de Jesus, como Messias, no meio do povo, estava na linha do profeta Isaías. Em Isaías capítulo 35, o profeta falou da vinda do Messias. “Ele vem para salvar vocês”, disse ele ao povo humilhado no tempo do Exílio: “Então, os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos dos surdos se descerrarão, o coxo saltará como um cervo e a língua dos mudos se desatará. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa”. Para essa tradição profética, o tempo do Messias é o tempo do retorno à casa, o tempo da libertação dos humilhados.


Guardando a mensagem

Os emissários de João Batista podiam concluir: Jesus é o Messias que Deus mandou. Porque, como narrou o profeta Isaías, os pobres estão sendo evangelizados: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam. São as obras de Cristo, isto é, do Messias. Obras de restauração, de libertação do seu povo. Os cegos, os paralíticos, os leprosos, os surdos, os mortos representam o povo machucado pelo sofrimento, mas também depauperado pelo pecado. Os pobres são evangelizados. As curas são apenas exemplificação da restauração que o Messias veio realizar. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o livro santo.

Vão contar a João o que vocês viram e ouviram (Lc 7, 22)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
este tempo de advento, preparando-nos para o teu natal e para tua segunda vinda, é uma grande convocação para a conversão. É como se vivêssemos no tempo de João Batista, um tempo de preparação para a tua chegada. Dá-nos, Senhor, acolher os apelos deste tempo abençoado e voltarmo-nos para ti de todo coração. Concede que brote de nossos corações abrasados por tua palavra gestos de acolhida de tua pessoa e do teu evangelho, bem como ações de partilha e solidariedade com os irmãos mais pobres e sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Comece valorizando as pessoas que estão ao seu redor, a começar pelos de sua casa. O natal que estamos preparando é a grande lição de um Deus que veio cuidar da gente e se mostrou pequeno e próximo. Valorizando quem convive conosco, já estamos treinando para acolher Jesus, o Emanuel. 

Comunicando

Amanhã, dia 15, começa a Novena de Natal. E você já está com o seu e-book? E já compartilhou com pelo menos 5 contatos, como nós pedimos? Ótimo. Muito obrigado. Hoje, estamos lhe enviando um texto da novena próprio para ser impresso, para o caso de alguém preferir essa modalidade. E segue mais uma vez E-book da Novena, para quem vai acompanhar pelo celular. A Novena vai ser rezada em nossos programas de rádio (são 128 emissoras) e vai estar também disponível nos tocadores de podcast. E o nosso encontro diário será no Youtube, sempre às 20 horas: Youtube.com/padrejoaocarlos. Tendo alguma dúvida, entre em contato conosco pelo Whatsapp da AMA: 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Já houve um Elias em sua vida cristã.

 



10 de dezembro de 2022

Sábado da 2ª Semana do Advento

EVANGELHO


Mt 17,10-13

Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” 11Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles”. 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.

MEDITAÇÃO


Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Por muito tempo, o povo de Israel cultivou o sentimento da vinda do Messias. Havia uma expectativa muito forte, no tempo de Jesus, de que o Messias chegaria a qualquer momento. É verdade que nem todos coincidiam, em suas esperanças, sobre quem seria e o que ele faria. O Messias era uma promessa de Deus e a sua vinda seria a solução para a sofrida vida daquela gente. Assim, muitos esperavam que fosse um grande líder político e militar. Com certeza, enfrentaria os romanos e acabaria com aquela dominação opressora. Outros apostavam que seria um homem de Deus ‘ultra-santo’, sem nenhuma aproximação com os pecadores e as maldades desse mundo.

Jesus era o Messias que o Pai enviara. Messias é uma palavra que quer dizer “ungido”. Ungir é uma cerimônia em que a pessoa é consagrada com óleo para uma missão. O Messias é aquele que Deus ungiu para a grande missão de restaurar Israel.

Em certo sentido, o estilo de Messias que Jesus exerceu não preencheu as expectativas do povo do seu tempo. Ele não era um sacerdote do templo, como podiam esperar os saduceus. Era um leigo, carpinteiro de profissão, vindo do interior. Não era um líder político-militar, como os zelotes esperavam. Era um profeta que pregava a mansidão, o perdão e a solidariedade com os pequenos. Não era um ilustrado professor da Lei, levando o povo a praticá-la com rigor, como esperavam os fariseus. Ensinava o povo com parábolas e pregava a lei do amor. Dessa forma, os grandes grupos religiosos de Israel não reconheceram Jesus como Messias.

Os Mestres ensinavam que antes que o Messias viesse, viria Elias. Elias foi um dos maiores profetas do povo de Deus e era sempre lembrado como alguém que restabeleceu a religião de Israel, ameaçada pelos cultos dos estrangeiros. Elias tinha vivido, vários séculos antes. Eles, lendo o livro do profeta Malaquias, entendiam que Elias voltaria antes que o Messias chegasse. Está assim no livro do profeta Malaquias: “Eis que eu envio o profeta Elias, antes que chegue o grandioso e terrível dia do Senhor” (Ml 3, 23). 

E Jesus explica aos seus discípulos que, de fato, Elias já veio. Foi João Batista, pelo que ele deu a entender. Não que ele tenha voltado em João Batista, isso não. É que João Batista fez o papel de Elias, aproximando o povo do seu Deus, preparando a chegada de Jesus. Disse Jesus: “Elias já veio, mas eles não o reconheceram”. E falou do modo como maltrataram João. O profeta, coitado, foi degolado na prisão de Herodes. E Jesus avisou que eles, tratariam mal, a ele também, o Filho do Homem.


Guardando a mensagem 

Este evangelho é um bom aviso para nós. Ficamos sempre esperando alguma coisa muito grande acontecer, para finalmente vivermos como convertidos. Não reconhecemos o Elias, que é quem prepara o caminho para o nosso encontro com Jesus. E nem reconhecemos o próprio Senhor que está no meio de nós. Ele se apresenta manso e humilde, renunciando as armas do poder. Elias já veio. O Messias também. O que é que estamos esperando para acolher o Reino de Deus que ele está anunciando?

Elias já veio, mas eles não o reconheceram (Mt 17, 12).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o papel de Elias de preparar os caminhos para a tua chegada foi realizado por João Batista. João foi o Elias que preparou os teus caminhos. Muitos fazem hoje esse papel, preparando o povo para o encontro contigo. Nós te bendizemos pelos Elias de hoje. Que eles não desanimem, pela pouca reação dos seus irmãos. Estamos seguros que também nós podemos e devemos fazer esse papel de Elias, ajudar as pessoas a abrirem o seu coração para te acolher como Messias e Salvador. Dá-nos, Senhor, paciência, sabedoria e perseverança para sermos Elias hoje, evangelizadores dos nossos irmãos e irmãs. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que você pode identificar quem foi Elias na sua vida, quem preparou você para o encontro com Cristo? Anote, no seu caderno espiritual, ao menos três nomes de pessoas que foram Elias na sua vida. E reze por eles. 

Comunicando

Ontem, fiz show na cidade de Monteirópolis, estado de Alagoas. No domingo, faço show em Ibimirim, cidade do sertão pernambucano. Em Salvador, vou estar no dia 15. Em Fortaleza, no dia 18. 

Um final de semana abençoado. 
Até amanhã, se Deus quiser. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

EU SOU PROFETA, EU SOU CRISTÃO




30 de julho de 2022

Sábado da 17ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO


Mt 14,1-12

1Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. 2Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”.
3De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. 4Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. 5Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. 6Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes 7que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. 8Instigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. 9O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. 10E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. 11Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para a sua mãe. 12Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus.

MEDITAÇÃO


Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta (Mt 14, 5)

Herodes, que mandara matar o profeta João Batista, ficou sabendo da fama de Jesus e ficou cheio de temores. Pensou logo “é João Batista que voltou, ressuscitou”. O evangelista Mateus aproveita para contar como foi a morte de João Batista e quem era esse mesquinho e violento governante.

Herodes era rei na Galiléia, a região onde Jesus morava. Tinha construído uma cidade para sua capital, à beira do Mar da Galiléia. Era um monarca vassalo de Tibério César, imperador romano. Para agradá-lo, Herodes pôs o nome de sua capital de Tiberíades. Mantinha-se às custas de impostos arrancados da população da Galiléia.

Era o tempo do profeta João Batista. E o Batista andou criticando o rei por suas maldades e por sua vida familiar escandalosa: estava vivendo com a mulher do seu irmão Felipe.

Olhando direitinho o texto, dá pra gente identificar os sete pecados do rei Herodes.

1. Ao ouvir falar de Jesus, imaginou que era João Batista que tivesse voltado. Ficou logo com medo.

2. João Batista bem que tinha razão. O rei devia dar exemplo, não viver maritalmente com a cunhada.

3. Ele mandou prender João Batista por causa das críticas que o profeta lhe fazia, publicamente. E queria mata-lo. Só não o fez logo, com medo da reação do povo. Mandou prender, amarrar, colocar na prisão o profeta inocente e desarmado.

4. Na festa do seu aniversário, no seu palácio, os convidados eram gente graúda que o sustentava no trono, gente que se beneficiava do seu governo.

5. Gostou da dança da mocinha, sua enteada, prometeu-lhe dar qualquer coisa que pedisse. Agiu com grande irresponsabilidade.

6. A mãe mandou a filha pedir a cabeça de João Batista em um prato. Ele ficou triste, mas não teve coragem de negar-se a atender o capricho da amante e voltar atrás diante dos convidados.

7. Mandou degolar João Batista na prisão, sem nenhum processo ou julgamento.

Com a morte de João Batista, não morreu a esperança que ele suscitou com sua pregação e com o batismo de penitência no Rio Jordão. Jesus, visivelmente, tomou o seu lugar no imaginário do povo. Ele que andava pela Judeia, voltou para sua região, a Galileia, se estabeleceu em Cafarnaum e começou o seu trabalho missionário. Por isso, Herodes ficou tão preocupado.


Guardando a mensagem

Por que será que o evangelho conta essa história da morte de João Batista com tantos detalhes, realçando os graves defeitos do governante Herodes? Com certeza, para enaltecer a figura do profeta João e o vigor de sua pregação que convocava todos a se converterem, do pequeno ao grande; também para preparar o leitor para a perseguição que as autoridades de Jerusalém moveriam contra Jesus.

Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta (Mt 14, 5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
lemos no evangelho, que quando soubeste desta morte cruel do teu primo João Batista, voltaste da Judeia para a Galileia, para a tua região, onde tinham ocorrido esses episódios tão tristes. Não te deixaste intimidar. Pelo contrário, foi a oportunidade para começares a tua missão publicamente, pregando o Reino de Deus. É como quem diz, caiu um profeta, levanta-se outro. Senhor, teu exemplo é um grande ensinamento para nós. Ajuda-nos a não nos deixarmos paralisar pelo medo ou pela omissão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Preparando a sua participação na Missa deste domingo, dê uma olhada no evangelho de amanhã: Lc 12,13-21.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

QUEM DEU TESTEMUNHO SOBRE JESUS




31 de março de 2022

4a. Semana da Quaresma

30º dia da caminhada quaresmal

EVANGELHO


Jo 5,31-47

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 31“Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não vale. 32Mas há um outro que dá testemunho de mim, e eu sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. 33Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa salvação. 35João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com a sua luz.
36Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou. 37E também o Pai que me enviou dá testemunho a meu favor. Vós nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua face, 38e sua palavra não encontrou morada em vós, pois não acreditais naquele que ele enviou.
39Vós examinais as Escrituras, pensando que nelas possuís a vida eterna. No entanto, as Escrituras dão testemunho de mim, 40mas não quereis vir a mim para ter a vida eterna! 41Eu não recebo a glória que vem dos homens. 42Mas eu sei que não tendes em vós o amor de Deus. 43Eu vim em nome do meu Pai, e vós não me recebeis. Mas, se um outro viesse em seu próprio nome, a este vós o receberíeis.
44Como podereis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do único Deus? 45Não penseis que eu vos acusarei diante do Pai. Há alguém que vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança. 46Se acreditásseis em Moisés, também acreditaríeis em mim, pois foi a respeito de mim que ele escreveu. 47Mas se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis então nas minhas palavras?”

MEDITAÇÃO


As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou (Jo 5, 36)

Certamente, alguém apresentou Jesus a você. Disse que Jesus é o filho de Deus; que ele foi enviado pelo Pai para nos salvar; que ele, por sua morte e ressurreição, nos alcançou a reconciliação com o Pai, o perdão dos nossos pecados. Quem foi que lhe disse isso? Quem lhe deu esse testemunho sobre Jesus? Você vai pensar um pouco ou já tem uma resposta? Ah, já tem a resposta. Ótimo. Então, quem foi que lhe deu esse testemunho sobre Jesus?

Em primeiro lugar, tenho quase certeza, foram seus pais os primeiros a lhe dar um testemunho sobre Jesus. Depois, vieram seus catequistas, seus educadores e a comunidade cristã onde você participava. É isso mesmo. É a Igreja quem nos diz quem é Jesus através dos nossos pais, catequistas, missionários, padres, religiosos. Claro, não podemos esquecer, a Palavra de Deus dá testemunho sobre Jesus. Verdade. Mas, é a Igreja quem nos apresenta e nos explica as Escrituras que dão testemunho sobre Jesus.

O importante é lembrar que esse testemunho que nos foi dado sobre Jesus nos pede uma resposta. Não foi uma informação histórica sobre um personagem do passado. Foi um testemunho sobre algo vital em nossa vida: a nossa felicidade, a nossa salvação; sobre algo e sobre alguém que tem a ver conosco, que continua falando conosco, nos sustentando e nos conduzindo nos caminhos do Reino de Deus. Esse testemunho pede uma resposta. Essa resposta pode ser chamada de fé, de conversão, de seguimento de Cristo.

Num certo momento de sua vida humana, Jesus fez uma forte reclamação contra o seu povo. Notou que o testemunho dado sobre ele não estava sendo acolhido, não estava sendo levado a sério. Então, ele elencou quatro testemunhos que estavam sendo dados sobre ele. Quatro, você sabe, é um número de totalidade, um número completo. É só pensar nos pontos cardeais. E quais são os quatro testemunhos dados sobre Jesus?

Em primeiro lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado por João Batista. João deu testemunho de Jesus. Ele o apresentou ao povo como o enviado de Deus, o Messias anunciado pelos profetas. Um testemunho valioso. Os judeus tinham enviado mensageiros a João para se informarem sobre isso. E João confirmou. Deu testemunho da verdade.

Em segundo lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado por suas próprias Obras. Como ele disse, “as obras que o Pai me concedeu realizar”. Quais são as obras de Jesus? As obras de Cristo estão descritas nos evangelhos: ele abre os olhos do cego, purifica o leproso, faz andar o paralítico, ressuscita o morto, evangeliza os pobres. São as obras anunciadas pelo profeta Isaías. Ele liberta o sofredor, reconcilia os pecadores, evangeliza o povo. São as obras de Jesus. Mas, a sua maior obra é a redenção pela morte na cruz.

Em terceiro lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado pelo Pai, que o enviou. O tempo todo, o Pai confirmou o seu filho nas suas palavras e nas suas obras. No batismo, ele o apresentou como seu filho amado. Na transfiguração, de novo se ouviu o Pai recomendando seu filho. Foi o Pai que o ressuscitou, confirmando-o como salvador e guia da humanidade.

Em quarto lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado pelas Escrituras. Toda a história da salvação no Antigo Testamento aponta para Jesus. O Novo Testamento é o testemunho sobre sua vida e sua obra redentora. Nos Evangelhos, está a própria palavra de Jesus viva e atual.



Guardando a mensagem

Recebemos o testemunho sobre Jesus dos nossos pais e catequistas, que nos comunicaram a fé da Igreja. No tempo de Jesus, ele mesmo chamou a atenção para quatro testemunhos dados sobre ele: o testemunho de João, o testemunho de suas obras, o testemunho do Pai e o testemunho das Escrituras. A reclamação de Jesus bem que pode ser para nós hoje. O que esses testemunhos têm produzido em nós? Como temos respondido a eles? A boa resposta seria a fé, a conversão, a vida de santidade. O que se pode esperar de nós que temos tido a chance de receber abundantemente o testemunho sobre Jesus? A vida de união com Deus e o compromisso de um mundo renovado pelo evangelho de Cristo.

As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou (Jo 5, 36)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tivemos a graça de receber, desde cedo, diversos testemunhos sobre a tua pessoa. Isso nos lembra o que disseste uma vez: a quem muito foi dado, muito será cobrado. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu Santo Espírito, a decididamente te escolher como caminho, verdade e vida. E te anunciar a outros, oferecendo também nós um testemunho forte sobre tua pessoa e tua obra redentora. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em nossa caminhada quaresmal, já estamos no 30º passo em direção da páscoa: dar testemunho de Jesus. Aderir seriamente a ele e ao seu Evangelho. Com nossa vida, nossas atitudes, e palavras, anunciá-lo a outros. Dar testemunho de Jesus.

Comunicando

Como todas as quintas, nos encontraremos na Santa Missa das 11 horas. Vai colocar sua intenção? Então, use o formulário. Ele está no final do texto da Meditação. É só seguir o link.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


A ALEGRIA DO AMIGO DO NOIVO



08 de janeiro de 2022

EVANGELHO


Jo 3,22-30

Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.
24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.
27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.

MEDITAÇÃO


Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)

Outro dia, eu presenciei o reencontro de uma professora minha amiga com sua antiga aluna. A professora, agora recém-aposentada e a aluna psicóloga, agora, em plena atuação profissional. Professora e ex-aluna ficaram felizes e eufóricas ao se reconhecerem e se reencontrarem. A Professora, muito feliz por encontrar sua antiga aluna tão bem colocada profissionalmente.

Eu fiquei olhando a reação da professora. Talvez alguém em seu lugar tivesse se lamentado, imaginando que sua aluna podia estar numa posição melhor do que a sua. Mas, ela nem de longe demonstrou esse sentimento mesquinho de quem se sente deixado pra trás. Ela gostava de ensinar e tinha sido uma boa educadora. Foi sua missão. E a missão deu certo, pois uma aluna como aquela tinha encontrado seu lugar na sociedade. Nada de inveja, nada de complexo de inferioridade. A professora ficou feliz, muito feliz. Feliz por sua missão ter se realizado tão bem como demonstrava o êxito de sua aluna.

Essa cena ilustra o evangelho de hoje. Os discípulos de João Batista vieram lhe contar que um dos que estivera com ele agora estava também batizando em outro local. Eles estavam irritados com isso: ‘João Batista deu todo cartaz a ele, deu testemunho sobre ele, até o tinha batizado. Agora, ele está reunindo muita gente e batizando’. Você nem precisa ler o evangelho de hoje para saber quem era esse pregador que estava despontando. Jesus, claro.

João Batista pode ser comparado com a professora recém-aposentada. Ele recebeu com alegria a notícia de que Jesus, que ele batizara e apontara como Cordeiro de Deus, agora, estava reunindo muita gente e batizando. João Batista não ficou enciumado. Ficou feliz. Ele comentou que já lhes tinha dito que não era o Cristo, mas tinha sido enviado adiante dele. E se comparou com o amigo do noivo que fica responsável pela festa do casamento. Ele toma todas as providências para que tudo saia bem e que o noivo, seu amigo, fique satisfeito. Quando o noivo chega, ele sabe que sua missão está terminada. E fica particularmente feliz porque sua missão chegou ao ponto mais alto. Se a missão que recebera era preparar a chegada do Messias, missão cumprida. Ele chegou. Alegria completa.

João Batista não se sentiu ameaçado ou traído por causa da atuação profética de Jesus, que estava aparentemente fazendo como ele, pregando e batizando. Sentiu-se feliz, reconhecendo que a tarefa que tinha recebido de Deus era preparar os caminhos para ele. E reconheceu, diante do povo e dos discípulos, ser apenas um servidor, indigno mesmo de desatar as correias de suas sandálias. Jesus, conhecido e reverenciado por tanta gente, também não se esqueceu de seu predecessor, nem desconsiderou a influência que teve o Batista na sua formação.

Guardando a mensagem

Os discípulos de João ficaram incomodados com o fato de Jesus estar reunindo o povo, pregando e batizando. Acharam que João ficaria aborrecido com essa atuação de Jesus, uma vez que o tinha batizado e recomendado ao povo. O Batista não se deixou guiar por esse sentimento mesquinho de ciúme ou de exclusividade. Soube reconhecer a grandeza de sua missão, que era preparar o povo para receber o Messias. Uma vez que o noivo chegou, o amigo do noivo que ficou responsável pela festa do casamento sabe, com humildade e alegria, que a sua missão está cumprida.

Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Foi bonito ver a professora ficar radiante com o reencontro com sua antiga aluna, agora uma psicóloga. Ela ficou feliz com o êxito de sua missão estampada na realização profissional de sua aluna. Foi o que aconteceu com o profeta João Batista ao ter conhecimento do sucesso que estavas alcançando com tuas pregações e curas. Ele soube, naquele momento, que sua missão estava plenamente realizada. Como ele disse: “minha alegria está completa”. Senhor, livra-nos desses sentimentos mesquinhos de inveja, ciúme, despeito pelos quais nos sentimos ameaçados pelo crescimento dos outros e entristecidos pelo seu sucesso. Dá-nos a alegria de ver nossa missão cumprida no êxito de nossos filhos, alunos, dependentes. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Amanhã, celebraremos a festa do Batismo do Senhor. Festeje também o seu batismo. Amanhã, não falte à celebração de sua comunidade. Não sendo possível, por razões realmente sérias, acompanhe pelas redes sociais a celebração de sua comunidade. Mantenha-se unido(a) ao seu rebanho e ao seu pastor.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





JESUS SE MUDOU



03 de janeiro de 2021

EVANGELHO


Mt 4,12-17.23-25

Naquele tempo, 12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”.
17Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 23Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24E sua fama espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: endemoninhados, epilépticos e paralíticos. E Jesus os curava. 25Numerosas multidões o seguiam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia, e da região além do Jordão.

MEDITAÇÃO


Jesus deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia (Mt 4, 13).

No evangelho de hoje, há uma notícia que desperta nossa atenção: Jesus se mudou de Nazaré para Cafarnaum. Ele morava em Nazaré e mudou-se para Cafarnaum. Daqui pra frente, sempre que o evangelho disser que ele voltou pra casa, já se sabe, chegou à Cafarnaum.

Mudar de residência, mudar de cidade, é uma decisão que exige um pouco de reflexão, não é verdade? Você, com certeza, já se mudou de um lugar pra outro. Posso até apostar que onde você mora hoje não é o lugar onde você nasceu e se criou. Estou certo? As pessoas se mudam em busca de melhoria de vida: por ter se casado e precisar acompanhar o cônjuge, por razões de trabalho, estudo dos filhos, oportunidades melhores em outro local, etc. E ninguém se muda sem um processo razoável de reflexão e decisão, não é verdade?! E a razão é que mudar-se, sobretudo deixar o seu lugarzinho, o cantinho de sua família, de seus conhecidos é sempre doloroso. E a mudança precisa ser bem planejada para que dê certo.

Boa parte do nosso povo migra de um lugar para outro, à procura de melhoria de vida. Somos um país de migrantes. Uns chegaram de fora. Outros se mandam do norte para o sul, do sudeste para o centro oeste, do nordeste para o sudeste, do sul para o norte... Em grande parte, se está longe do seu lugar de origem, dos seus pais e parentes mais próximos. Basta lembrar os brasileiros que estão nos Estados Unidos. E lembro deles porque, em bom número, na região de Boston, nos acompanham no Rádio e na Meditação diária. Afinal, somos todos migrantes, como Jesus.

Por que será que Jesus se mudou de Nazaré para Cafarnaum? Fácil, com certeza, não foi. Deixou em Nazaré, sua mãe, seus parentes próximos, tios e primos. Por lá ficou sua história de quase trinta anos de convivência, conhecimento e trabalho. É verdade que nascera em Belém. Mas, foram poucos dias de recém-nascido até sair em viagem apressada para as bandas do Egito, nos braços dos pais aflitos com a notícia da perseguição de Herodes. De lá, voltaram para Nazaré, depois da morte do rei. Em Nazaré, está a sua história: os seus dias de criança, sua participação na escola da sinagoga, o aprendizado na oficina de carpintaria do pai. Em Nazaré, todo mundo o conhecia: Jesus, filho de José, o carpinteiro. Lá, tinha um nome, uma profissão, uma mãe de quem recebia bons conselhos, muito carinho e muitas orações em seu favor; um pai piedoso e trabalhador também, mas não sabemos se a esta altura, ele já tivesse falecido ou não.

Perto dos seus trinta anos, Jesus, de alguma forma, acompanhou o movimento do Batista, filho de Zacarias e Isabel, seu parente. É possível que tenha tomado conhecimento das pregações de João Batista no deserto, em alguma de suas peregrinações a Jerusalém. Muita gente estava acompanhando João Batista. Ele era a voz no deserto, como anunciara o Profeta Isaías. Estava preparando o povo para a chegada do Messias. Convocava o povo à conversão e o batizava no Rio Jordão. Jesus participou de pregações do Batista, sensível àquele movimento de renovação e se batizou também no Rio Jordão, mesmo com o protesto do profeta. Essa movimentação do Batista se dava na Judeia, no deserto, na parte mais ao sul do país. E Jesus ainda estava na Judeia, quando soube – olha que tristeza – que João tinha sido preso. Foi, então, que tomou a decisão de se mudar: voltar para a Galileia (norte do país), se estabelecer numa cidade mais central e começar sua missão.


Guardando a mensagem

Jesus tomou a decisão de mudar-se de Nazaré para Cafarnaum, num momento muito delicado da vida do seu povo: o profeta João Batista fora preso por ordem do rei Herodes, o filho do velho Herodes do seu tempo de recém-nascido. Quanta gente foi presa por esse monarca corrupto, quantos desaparecidos, quantos mortos nos calabouços de seus palácios!... Até agora, com certeza, Jesus estava procurando entender melhor sua missão, numa longa preparação de trinta anos. Chegara a hora de aparecer publicamente e proclamar que o tempo da espera terminara: com ele, o Reino de Deus estava chegando. Nazaré era uma cidadezinha isolada, no norte, longe das estradas públicas. Cafarnaum era central, na Galileia. Ficava às margens do grande lago, chamado de Mar da Galileia. Muito perto de Cafarnaum, passava uma estrada que cortava todo o país, a via maris, a estrada do mar. Pela maior facilidade de locomoção, pela centralidade da cidade em relação aos povoados e cidades vizinhas, Cafarnaum seria um lugar estratégico para a missão de Jesus.

Jesus deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia (Mt 4, 13).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Sempre que lemos o teu evangelho, cresce em nós a admiração pelo mistério da encarnação do Verbo. Tu és o Deus que viveu a nossa vida humana, percorreu os nossos caminhos, fez história com o nosso povo. Tu também experimentaste mudar de uma cidade para outra, como quase todos nós, que somos um povo de migrantes, movidos pelas necessidades da sobrevivência. Certamente, não foi uma decisão fácil, por tudo que a tua pacata Nazaré representava em tua vida. Escolheste morar em Cafarnaum, uma cidade mais central e com mais facilidade de comunicação. Ainda assim, uma cidade mal vista pela elite de Jerusalém, que a considerava uma terra de pagãos e de judeus pouco praticantes da lei de Moisés. Escolher Cafarnaum como plataforma de tua missão foi já uma grande lição: Deus fala e age a partir dos pequenos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Não deixe de ler o texto de hoje em sua Bíblia: Mateus 4,12-17.23-25. Em seu momento de oração, recomende ao Senhor os seus parentes que moram longe de você.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb











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Os caminhos do Batista continuam nos caminhos de Jesus

03 de fevereiro de 2023 Primeira sexta-feira do mês Dia de São Brás EVANGELHO Mc 6,14-29 Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus...

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