BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Como tratar com quem errou.

 


  17 de março de 2025   

Segunda-feira da 2ª Semana da Quaresma


   Evangelho.  


Lc 6,36-38

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.

   Meditação.   


Sejam misericordiosos como também o Pai de vocês é misericordioso (Lc 6, 36)

Começamos a segunda semana da Quaresma. Toda a Quaresma é um programa de crescimento cristão, que poderíamos resumir no apelo à conversão cultivada pela oração, pela penitência e pela caridade. E este já é o 13º dia de nossa caminhada. Em foco, hoje, a caridade: como tratar com quem errou.

Não julgar, não condenar, perdoar, doar. Quatro ações onde exprimimos nossa comunhão com Deus no confronto com quem errou. Nós somos seus filhos. Imitando-o, exprimimos nossa condição de filhos. Jesus nos disse: Sejam perfeitos como o Pai de vocês é perfeito. Sejam misericordiosos como também o Pai de vocês é misericordioso.

Ele é misericordioso. É mais pai do que juiz. Não é só imparcial e reto. Está escrito no Salmo: “Se levares em conta nossas faltas, Senhor, quem poderá subsistir? Mas, em ti, encontra-se o perdão” (Salmo 129). Nosso Pai é, sobretudo, misericordioso, não nos trata segundo nossas faltas.

Mesmo sendo nós os responsáveis pela morte de Jesus na cruz, o Pai não nos condenou. Antes, pelo sacrifício oferecido pelo seu filho, abriu a porta da reconciliação e da restauração aos pecadores. Pela cruz, ofereceu o perdão.

Doar, emprestar, partilhar... são atitudes que copiam o modo como Deus, generosamente, cuida de nós, e, em sua providência, nos alimenta, nos veste e sustenta. O convite é para sermos misericordiosos como o nosso Pai, por isso: não julgar, não condenar, perdoar e doar com generosidade.

Uma atitude muito comum de nossa parte em relação a quem errou, quando não é o juízo e a condenação sumária, é a indiferença. Pela indiferença, nos isentamos de sofrer com o outro, de ser solidários com a dor alheia. Ser misericordioso é interessar-se pela vítima e também pelo faltoso. Não se trata de acobertar o seu erro, mas de encontrar caminhos para que ele se recupere, se emende, se converta.

Acrescenta ainda o Senhor que seremos tratados como tratarmos o nosso semelhante, em sua necessidade e em sua fragilidade. Não julgando, não seremos julgados. Não condenando, não seremos condenados. Perdoando, seremos perdoados. Doando, receberemos ainda mais. Com a mesma medida com que medirmos os outros, seremos também medidos. É exatamente isso que cantamos na Oração de São Francisco: "Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado. Compreender que ser compreendido. Amar que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna".




Guardando a mensagem

Imitamos Deus no amor aos irmãos, particularmente pelos mais frágeis e sofredores. Esse amor se manifesta particularmente no confronto com os que erram. Nessa condição, o amor e o respeito pelos que cometeram erros se mostram em não julgá-los, nem condená-los. Ao contrário, oferecemos-lhe o perdão. Não somos juízes do nosso irmão. Isso não quer dizer que estejamos de acordo com o seu erro. Isso quer dizer que não nos arvoramos em juízes dele, pois também somos fracos e pecadores. Longe de cultivar ódio ou indiferença, oferecemos-lhe uma nova chance. Isso não o isenta de ser penalizado na forma da lei pelos seus atos, quando seu comportamento entra em conflito com a norma. Mas, não o abandonamos no seu erro. Oferecemos-lhe o caminho da regeneração, do perdão. Assim, imitamos o modo misericordioso com que Deus nos trata, procurando ser misericordiosos como ele.

Sejam misericordiosos como também o Pai de vocês é misericordioso (Lc 6, 36)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
o teu apelo à misericórdia, ao tratamento fraterno de quem errou, ao perdão das ofensas é muito oportuno. Vivemos em meio a relacionamentos agressivos, intolerantes, violentos nas palavras e nas atitudes. E aos poucos vamos nos tornando também nós agressivos, intolerantes, violentos, quando deveríamos levar para a sociedade um testemunho de fraternidade, de diálogo, de compromisso com a paz. Este é o testemunho que se espera dos teus seguidores, dos filhos e filhas do Pai da Misericórdia. Senhor, ajuda-nos a enfrentar o dia-a-dia difícil da luta pela sobrevivência e a defesa da justiça e da paz com o coração desarmado, pautando-nos pela misericórdia e distanciando-nos de polarizações inúteis e destrutivas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um exame de consciência. Veja se identifica alguma pessoa do seu círculo de amizade ou de sua história de vida que tenha cometido um erro razoavelmente grave. Diante dessa pessoa, o seu comportamento foi misericordioso?

Comunicando

Deixo aqui um agradecimento sincero às pessoas que fazem comigo a AMA, a Associação Missionária Amanhecer. Estamos abraçando juntos, a quase três décadas, um lindo projeto de evangelização com a comunicação social, que envolve rádio, televisão, redes sociais, eventos. Talvez você também queira conhecer a AMA e, quem sabe, somar conosco. Se for assim, deixo-lhe um contato: o WhatsApp 81 3224-9284.  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A razão da nossa esperança.




  16 de março de 2025.  

2º Domingo da Quaresma

  Evangelho.  


Lc 9,28b-36

Naquele tempo, 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. 30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
33E, quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.
34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.
35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”
36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

  Meditação.  


Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante (Lc 9, 29)

São tantos problemas, hoje... problemas globais que tocam a todos. As guerras, com resultados tristes de mortes, destruição e humilhação dos mais fracos. Os eventos extremos das mudanças climáticas. A criminalização dos imigrantes, a violência, a pobreza... 

No meio de tudo isso, estamos nós, com a nossa luta diária e o nosso corre-corre. Todas as crises desse tempo – na família, na igreja, na escola, no estado – mexem com a gente. Sentimos que fazemos parte do problema e - esperemos - da sua solução também. O que será que a fé dos cristãos tem a dizer num momento como este da história da humanidade? E será que podemos ou devemos fazer alguma coisa, no meio dessa situação?

Vamos ver se o evangelho de hoje nos ajuda a pensar mais em tudo isso. Claro, a Palavra de Deus é uma luz para iluminar o nosso caminho, a nossa realidade. Não conta apenas uma história antiga, mas nos ajuda a perceber a presença e a ação de Deus hoje, em nossa história.

Jesus subiu ao monte, para rezar. E foram três discípulos com ele: Pedro, Tiago e João. Em oração, as feições de Jesus se iluminaram, suas vestes ficaram muito brancas e brilhantes. E apareceram, conversando com ele, dois personagens do Antigo Testamento, Moisés e Elias. Os discípulos estavam sonolentos e acabaram dormindo. Ao despertar, viram aquela beleza toda. Pedro teve uma ideia: fazer três tendas para Jesus e seus dois amigos, para ficarem por ali mesmo, no alto da montanha. Foi chegando uma nuvem e eles terminaram dentro dela, cheios de medo. Ouviu-se, então, uma voz: “Este é o meu filho, o escolhido. Escutem o que ele diz”. Nisso, Jesus ficou só. E eles ficaram calados, e, depois, não disseram nada a ninguém daquilo tudo.

Um pouco antes dessa cena, Jesus tinha feito o primeiro anúncio de sua paixão. E tinha avisado que quem quisesse segui-lo precisava também tomar sua cruz. Os discípulos estavam meio assustados com tudo isso. No monte, acompanhando Jesus em sua oração, eles fazem experiência de sua glória. Eles o vêm luminoso. É uma revelação sobre a pessoa de Jesus e seu caminho. Moisés e Elias, conforme escreveu o evangelista Lucas, estavam conversando com Jesus sobre o seu êxodo, isto é, sobre sua passagem pela morte, sua volta ao Pai. Em Jerusalém se cumpririam a paixão, a ressurreição e a ascensão de Jesus ao céu. Esse é o êxodo de Jesus, a sua passagem libertadora ao Pai. A nuvem é um sinal bíblico da presença de Deus, como no monte Sinai. A nuvem os cobriu. Eles ouvem a voz de Deus, apresentando o seu filho, o Messias; e recomendando que o escutem. Numa palavra, os discípulos, no monte, em oração com Jesus, o reconhecem em sua glória: as Escrituras Sagradas, representadas por Moisés e Elias, explicam o sentido de sua vida, de sua paixão e anunciam a sua vitória; o próprio Deus o revela como Filho e Messias. A eles, cabe agora escutá-lo, crer nele, segui-lo.

Toda essa experiência maravilhosa que eles viveram no monte serviria para iluminar sua vida e seu seguimento de Jesus, mesmo em tempos difíceis, como o que estava chegando, o da paixão. Eles, infelizmente, não assimilaram logo essa linda experiência. No começo, enquanto Jesus está em oração, eles estão com sono, cochilando, dormindo. Depois dentro da nuvem, eles sentem muito medo. O texto termina dizendo que eles ficaram calados, naqueles dias não contaram a ninguém o acontecido. Foi assim que enfrentaram os dias turbulentos da paixão: meio entorpecidos, com medo e silenciosos. Mas, com a vinda do Espírito Santo, tornaram-se testemunhas destemidas de Jesus.




Guardando a mensagem

Vivemos dias turbulentos. O nosso mundo vive uma grande crise. É um período de mudanças e desencontros. E todos estamos meio atordoados e temerosos. É assim que nos apresentamos em nossa oração com Cristo, em nossas celebrações: sonolentos, temerosos, calados. Sonolentos, porque não estamos em estado de vigília como Jesus pediu, não estamos suficientemente despertos, ativos, informados. Temerosos, porque não sabemos como agir nesse momento e ficamos com medo do futuro. Calados, porque não estamos proclamando a mensagem de esperança que vem de nossa fé em Jesus. No monte, os discípulos fazem uma profunda experiência, em oração. Jesus, o filho de Deus, o escolhido, vai sofrer um bocado e enfrentar a morte na cruz, mas esse seu caminho está alicerçado na história de fé do povo de Deus. E por ele alcançará vitória completa. Deus, o Pai, está com ele e confirma o seu caminho.

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no meio de suas dificuldades, os três discípulos tocaram de perto o mistério de tua glória, experimentaram um pedacinho de céu. Aquela experiência, vivida na oração, serviria para animá-los e confirmá-los no caminho do teu seguimento, carregando também a sua cruz. Senhor, certamente esse é também o sentido de nossas celebrações. No meio de tantos problemas, respirarmos o ar da esperança, tocarmos a glória de Deus que é a realidade última e definitiva. E, assim, descermos a montanha, como testemunhas de que o caminho dos humildes, dos justos, dos perseguidos é um caminho de vitória; que Deus não nos abandona; que tu, Senhor Jesus, caminhas à nossa frente; que a paixão abre caminho para a ressurreição, a vida plena, a felicidade completa, obra tua, ó Redentor. Nosso encontro semanal contigo, Senhor Jesus Ressuscitado, na Santa Eucaristia, é o nosso Tabor, o monte da transfiguração. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante (Lc 9, 29)

Vivendo a palavra

Todo dia, a gente toca de perto a perplexidade das pessoas diante da situação do país e do mundo. Hoje, não engrosse a lamentação. Não espalhe má notícia. Não diga que está sem jeito. Hoje, acenda a luz da esperança, da fé em Jesus Cristo Ressuscitado. Ele é a razão de nossa esperança.

Comunicando

Hoje, faço show na cidade de Abreu e Lima, área metropolitana do Recife. A paróquia de São José em Abreu e Lima está completando 60 anos de caminhada evangelizadora. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Você tem inimigos?


   15 de março de 2025   

Sábado da 1ª Semana da Quaresma


   Evangelho.   


Mt 5,43-48

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!’ 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos.
46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.


   Meditação.  


Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).

Jesus nos mandou amar os inimigos. Essa atitude cristã supera o comportamento humano digamos “normal” que seria amar os amigos e odiar os inimigos. Viver na fé em Jesus Cristo nos faz superar essa posição. Amar os seus inimigos e rezar por eles. Eita coisa difícil!

O Papa Francisco, em uma de suas homilias, tratando desse ensinamento de Jesus, deixou uma dica muito interessante. Disse ele: “Hoje, nos fará bem pensar num inimigo – creio que todos nós temos um -, alguém que nos fez mal ou que nos quer fazer mal ou tenta nos prejudicar: pensar nesta pessoa. A oração mafiosa é: “Você me paga”. A oração cristã é: “Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo”. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo” (Homilia na Capela da Casa Santa Marta, 19 junho 2018)

Interessante essa diferença entre a oração mafiosa e a oração cristã. Ter raiva é uma coisa natural. Deixar que a raiva tome conta da gente, aí é que não dá. Permitir que a raiva se transforme em rancor, ódio e nos cegue em nossas atitudes, aí não. Segundo o ensinamento de Jesus, o melhor caminho é acalmar o coração e tentar ver em quem nos ofende ou nos agride um irmão, uma pessoa que está equivocada, mas continua a merecer nossa consideração. Não responder-lhe na mesma medida, não desejar-lhe o mal, antes preservar sua boa imagem, querer o seu bem, rezar por ele ou por ela. É o que Jesus está nos dizendo neste evangelho.

O Papa Francisco, na homilia que mencionei no início, deu uma explicação interessante. Acompanhe. “Nós sabemos que devemos perdoar os nossos inimigos, nós dizemos isso todos os dias no Pai-Nosso. Pedimos perdão assim como nós perdoamos: é uma condição…", embora não seja fácil. Assim como “rezar pelos outros”, por aqueles que nos dão problemas, que nos colocam à prova: também isto é difícil, mas o fazemos. Mas rezar por aqueles que querem me destruir, os inimigos, para que Deus os abençoe: isso é realmente difícil de entender. É a difícil lógica de Jesus, que no Evangelho está contida na oração e na justificação daqueles que “o mataram” na cruz: “perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem”. Jesus pede perdão para eles, assim como fez Santo Estevão no momento do martírio” (até aqui, o Papa Francisco).

Amar os inimigos é uma coisa. Aprovar suas ações é outra. Rezar por eles é uma coisa. Cruzar os braços diante da injustiça e da maldade que eles fazem é outra coisa. É obrigação nossa bloquear o mal, estancar a injustiça. Mas, sem ódio no coração. Sem revanchismo, sem espírito de vingança. E querendo o bem também de quem nos faz mal: a sua conversão, a sua humanização.

Jesus está chamando a nossa atenção para o diferencial do cristão. Não agir como os pagãos ou pessoas sem a luz da fé. Eles amam os seus amigos, tratam bem os seus iguais. Temos que imitar o Pai. Temos que imitar Jesus. Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem, fazer o bem a quem nos maltrata.




Guardando a mensagem

Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer-lhe o bem. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso modelo. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração.

Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os teus mesmos sentimentos, como nos aconselhou o apóstolo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de inclinação à vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também são irmãos que precisam encontrar a graça da conversão. Ajuda-nos, Senhor, a vencer o mal com o bem. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Identifique, hoje, na sua história de vida, alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar essa pessoa.

Comunicando

A Meditação que você recebe, todos os dias, pelo WhatsApp ou pelo Telegram, também pode ser ouvida nas plataformas digitais, especialmente Spotify, Apple Podcasts, Deezer, Itunes, Amazon Music e outras. A Meditação diária está disponível também no Youtube e no Facebook. Para recebê-la, basta solicitar pelo nosso whatsapp 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





Sem amor, fica tudo sem valor.


   14 de março de 2025.   

Sexta-feira da 1ª Semana da Quaresma


    Evangelho.   


Mt 5,20-26

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno.
23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”



    Meditação.   


Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)

O que seria aqui essa “justiça”? “A justiça de vocês” – “A justiça dos fariseus”. Na mentalidade do povo de Jesus, justo é quem pratica certinho a Lei. Justo é o praticante da Lei de Moisés. De José, esposo de Maria, por exemplo, se diz que ele era justo. Isto quer dizer que ele era um fiel cumpridor da Lei de Moisés.

O que seria essa “justiça dos fariseus”? O modo como eles pensavam que a pessoa agradava a Deus: no cumprimento exato dos preceitos. Eles eram cumpridores rigorosos da Lei, ao menos se tinha essa imagem deles. E eles cobravam do povo o fiel cumprimento de todas as normas, os mandamentos, as ordens como estavam nos livros de Moisés e na sua tradição. Além dos mandamentos e ordens que estão nas Escrituras do Antigo Testamento, eles tinham criado centenas de outros.

A cobrança pelo cumprimento rigoroso das leis religiosas escritas e orais chegava a ser doentia. Você lembra como se aborreciam com Jesus, porque ele curava em dia de sábado. E ficavam bravos com os discípulos por bobagens: colher espigas em dia sábado, não lavar as mãos antes da refeição... O cumprimento da norma era tudo. Para eles, era isso que agradava a Deus, o cumprimento exato da Lei.

Jesus achou doentio aquele negócio de cobrança exagerada do cumprimento da Lei de Moisés. Primeiro, porque mais do que fazer coisas se trata de amar a Deus e agir com misericórdia para com o próximo. O amor é que nos move a praticar os mandamentos de Deus. Sem amor, fica tudo sem valor. Jesus chegou a lembrar um dos antigos profetas: “Quero a misericórdia, não os sacrifícios”. Segundo, porque muitas daquelas normas eram mandamentos humanos, isto é, eram expressão da vontade humana, não de Deus.

Vamos ver agora se dá para entender o que Jesus está dizendo no evangelho de hoje: “Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus”. Isso quer dizer que nós, os discípulos de Jesus, não devemos pensar e agir como os fariseus. Eles mediam as pessoas pelo cumprimento da Lei. Justo, santo, abençoado era quem praticasse a Lei, meticulosamente. Além disso, se limitavam a cumprir o que estava escrito ou dito na Lei. E Jesus queria e quer que nós, além de não colocarmos cargas exageradas nas costas dos outros, não nos limitemos apenas a cumprir a Lei. O amor nos faz ir muito mais além.

Assim, Jesus interpreta o mandamento “Não matar”, que é o quinto mandamento da Lei de Deus. Não é só não tirar a vida de uma pessoa. É também não difamá-la, não desprezá-la, não desconsiderá-la. Neste sentido, ele disse: “Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, lhes digo: vai a julgamento também quem se encolerizar com seu irmão, quem o chamar de ‘patife’, quem o qualificar de ‘tolo’”.




Guardando a mensagem

Os fariseus impuseram ao povo de Deus uma religião marcada pela prática da Lei, de mandamentos, de normas escritas e orais interpretadas por seus mestres. Isso sufocava as pessoas e marginalizava muita gente. Jesus lembrou que, antes de tudo, é necessário o amor: o amor a Deus e aos irmãos. É o amor que nos leva a observar os mandamentos de Deus. O que nos justifica diante de Deus não é o fiel cumprimento das normas. Fomos justificados pela morte redentora de Jesus. Assim, não podemos viver na mentalidade dos fariseus, resumindo a prática religiosa ao cumprimento de normas. O amor nos pede muito mais.

Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus (Mt 5, 20)


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o povo antigo amava o que eles chamavam a Lei. E nós continuamos a amar e venerar as Escrituras Sagradas, onde Deus nos fala. O teu evangelho é a proclamação do amor de Deus que se manifestou em tua vida, em tua morte e ressurreição. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu Santo Espírito, a conhecer, através do livro santo, a vontade de Deus e realizá-la em nossas vidas. E tu, Senhor, chamaste a atenção dos discípulos para se afastarem do modo de pensar dos fariseus. Eles julgavam que a pessoa era abençoada na medida em que cumpria a Lei de Moisés. Maior do que o cumprimento dos preceitos é o amor. Essa é a Lei. O amor nos leva mais longe, nos pede muito mais. E no fim, sabemos, que o que nos justifica não é termos feito o que estava prescrito, mas termos amado como tu nos amaste. O teu amor é o que nos justifica, nos redime. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, responda, depois de pensar um pouco: O que move você na sua prática religiosa: o preceito (a obrigação) ou o amor?

Comunicando

Segunda-feira, na AMA (Associação Missionária Amanhecer) vamos realizar o nosso Dia Missionário deste mês. A nossa sede é no centro da cidade do Recife. Será um dia de atividades, de contato com os associados e ouvintes. Uma boa oportunidade para quem mora por perto do Recife nos ajudar nas muitas tarefas que teremos neste dia. Se for do seu interesse, faça contato com a AMA pelo fone e whatsapp 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Quem pede, alcança.

 


  13 de março de 2025.  

Quinta-feira da 1ª Semana da Quaresma


  Evangelho.  


Mt 7,7-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta.
9Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”.



  Meditação. 

Peçam e lhes será dado! Procurem e acharão! Batam e a porta lhes será aberta! (Mt 7, 7)

E a quaresma vai avançando. Já estamos no nono dia, o nono passo da escada de 40 degraus. Quando começamos esta caminhada, ouvimos três recomendações: a oração, a penitência e a caridade. A cada dia, a Palavra vai nos explicando melhor essas três práticas. Ultimamente, ouvimos Jesus nos indicando uma escola de oração, na prece do Pai Nosso. Uma prece com sete pedidos, três para a glória de Deus e quatro para o nosso bem.

Escutemos hoje, o próprio Senhor nos indicando a oração de súplica: “Peçam e lhes será dado! Procurem e acharão! Batam e a porta lhes será aberta!”. Bom, em matéria de pedir, nós já somos bem treinados, não é verdade? Mas, podemos aprender muito mais com o Senhor.

Em primeiro lugar, pedimos a quem? Eu queria muito ouvir sua resposta, pedir a quem? A Deus, claro. Melhor dizendo, ao Pai. A oração de Jesus e a oração dos seus seguidores dirige-se, em primeiro lugar, ao Pai. Ele é a fonte de todo o bem, ele é o Criador e Pai de todos nós. Claro, também pedimos a Jesus.

E por que o Pai nos atende? Porque é ele bom, primeira resposta. Jesus comentou: “vocês, que não são lá essas coisas, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai dá coisas boas a quem lhe pede”. Por que o Pai nos atende? Porque estamos unidos a Jesus, o seu filho unigênito, segunda resposta. Desde o batismo, temos parte com ele, somos membros do seu corpo. Olhando para nós, o Pai nos reconhece seus filhos, unidos a Cristo, em comunhão com ele. Por que o Pai nos atende? Porque vivemos na fé, terceira resposta. “A fé é uma adesão filial a Deus, acima daquilo que sentimos e compreendemos” (Catecismo da Igreja Católica 2608). Pela fé, abrimos as portas de nossa vida para a ação de Deus.

E o que pedimos a Deus? A primeira coisa que pedimos ao Senhor, porque o amamos como nosso Deus e Pai, é a sua honra, a sua glória: “venha a nós o vosso Reino”. Em primeiro lugar, queremos que Deus seja amado, respeitado, obedecido. Esse é o primeiro desejo de um filho que venceu o impulso egoísta de apenas querer tirar proveito dos seus pais. A segunda coisa que pedimos ao Senhor, reconhecendo nossa fragilidade, são os bens necessários para a nossa vida e nossa realização: o trabalho, a saúde, a segurança, o perdão, a superação das adversidades. A terceira coisa que pedimos a Deus, como filhos na comunhão dos irmãos, é o bem dos outros, sobretudo dos mais frágeis e desprotegidos.

E como pedimos a Deus? Com a confiança de filhos amados. Com a humildade de quem reconhece não ter merecimentos, mas contar unicamente com a misericórdia e o amor do seu Pai. Com a perseverança da fé, sabendo que a provação purifica o coração. E em nome de Cristo, certos do que ele nos disse: “E o que vocês pedirem em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14,13).





Guardando a mensagem

Jesus nos ensina a rezar. Hoje, nos estimula a fazer oração de súplica, a pedir, a bater, a procurar. Nós nos dirigimos, em súplica, ao Pai, mas também a Jesus. O Pai nos atende porque ele é bom, porque estamos em comunhão com Cristo, porque temos fé. Pedimos a Deus, em primeiro lugar, a sua glória; e depois, o nosso próprio bem e o bem dos outros, intercedendo em favor de suas necessidades. Pedimos, com confiança, com humildade, com perseverança e em nome de Cristo.

Peçam e lhes será dado! Procurem e acharão! Batam e a porta lhes será aberta! (Mt 7, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
aprendemos a rezar, contigo, como os primeiros discípulos. Aprendemos com teus ensinamentos e, sobretudo, com o teu modo de rezar. Aprendeste com Maria e com José, e com tua comunidade de Nazaré, a rezar com o livro santo da Palavra de Deus. De tua comunhão com o Pai, brotava uma oração filial comprometida com a glória de Deus e a felicidade e salvação dos teus irmãos. Em todos os momentos de decisão, te encontramos rezando no Monte, deixando-te conduzir pelo Santo Espírito. Obrigado, Senhor, pelas lições de tua vida e de tuas palavras sobre a oração. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Repita, hoje, muitas vezes, essa prece a Jesus, como os discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar!” (Lc 11,1). O nono passo de nossa caminhada quaresmal é fazer um pedido a Deus, em nome de Cristo, exercitando a oração de intercessão.

Comunicando

Como todas as quintas-feiras, hoje, temos a Santa Missa às 11 horas, com transmissão pelo rádio e pelo YouTube. A partir de hoje, a Missa das quintas-feiras será celebrada na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, no Recife, no bairro da Boa Vista. Quem morar por perto, tem a chance de participar presencialmente. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Um sinal para o povo.



   12 de março de 2025   

Quarta-feira da 1ª Semana da Quaresma


 Evangelho   

Lc 11,29-32

Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.
30Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. 32No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”.

   Meditação   


No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão (Lc 11, 32)

Parece que Jesus andava meio decepcionado... A pregação do Reino bem merecia uma acolhida mais entusiasta. Sua palavra, seus milagres... tanto esforço, tanto compromisso da parte dele e, ao que parece, pouco resultado. Certamente, por isso, ele estava dizendo: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas”.

Jonas foi um sinal para o povo de Nínive. Ele, a mando de Deus, pregou por três dias na grande cidade, anunciando o castigo de Deus sobre todo aquele povo. Castigo por conta de sua impenitência, de sua vida de maldade e violência. E o povo de Nínive, diante daquela pregação do profeta, tomou consciência de sua condição e implorou a misericórdia de Deus. Acolheu a pregação de Jonas como um convite urgente à penitência e à conversão. Do pequeno ao grande, do pobre ao rei, todos se sentaram em cinzas e pediram perdão de seus pecados. Jonas foi um sinal para o povo de Nínive. Uma convocação à conversão. Mas, também um sinal da misericórdia de Deus, pois Deus, tendo desistido do seu intento de destruir tudo, mostrou a sua misericórdia, dando o seu perdão.

Esse sinal de Jonas para o povo do seu tempo estava sendo reeditado na presença de Jesus, na sua pregação. Como Jonas foi um sinal para o povo de Nínive, assim Jesus seria para o povo do seu tempo. Jonas pregou por três dias, cobrindo toda aquela cidade pagã. Jesus pregou por três anos, percorrendo todo o país. Ele também trazia um convite urgente à conversão. Ele começou sua missão, convidando todos a acolherem o Reino que estava se aproximando: convertam-se e creiam no evangelho. O convite à conversão, na verdade, é um convite à acolhida da misericórdia de Deus.

Jesus estava lembrando que o povo de Nínive recebeu melhor o profeta Jonas do que o seu povo a ele. Converteu-se à pregação de Jonas. E ali, Jesus não estava encontrando a mesma acolhida, nem a mesma disposição para a conversão. O povo de Nínive iria ser juiz daquele povo do tempo de Jesus. E iria condená-lo. E quem estava ali anunciando a mensagem de Deus para eles não era simplesmente alguém como Jonas. Como ele mesmo disse, ali estava alguém maior que Jonas, o próprio filho de Deus. 




Guardando a mensagem

O povo pagão de Nínive converteu-se à pregação de Jonas. O povo de Deus do tempo de Jesus respondeu com indiferença à sua pregação. E um bom grupo reagiu com violência à boa notícia anunciada por ele. A pregação do Evangelho, que anuncia o Reino de Deus, continua hoje e chega até você e à sua família. Como é que vocês estão reagindo a esse anúncio que pede conversão e acolhida do amor de Deus? Como o povo de Nínive? Como o povo do tempo de Jesus?

No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão (Lc 11, 32)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
essa página do Evangelho vem reforçar nossa caminhada cristã, que é um permanente convite à conversão, à acolhida da vida nova que tu nos alcançaste em tua cruz. Concede-nos, Senhor, que vençamos a indiferença, que é atitude típica do nosso tempo: o não ligar, o deixar pra lá, o não dar importância. Que a tua Palavra encontre abrigo em nossos corações e em nossas vidas, nos animando num processo de verdadeira conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A conversão é a nossa resposta à Palavra de Deus. A conversão é obra nossa e do Espírito Santo de Deus em nós. Assim, hoje, peça ao Santo Espírito, mais de uma vez, a graça da conversão. Especialmente, peça para vencer a indiferença: não ficar indiferente à Palavra do Senhor que lhe está sendo anunciada.

Comunicando

A partir de hoje, em todas as quartas-feiras, os grupos de estudo da Segunda Bíblica no Whatsapp ficam abertos para cada participante colocar a sua resposta à tarefa da semana. A tarefa de hoje é, depois de ler o Capítulo 1º dos Atos dos Apóstolos, identificar versículos que se refiram ao Espírito Santo, à Igreja, à Missão e aos Missionários. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Diálogo ou audiência?



  11 de março de 2025.  

Terça-feira da 1ª Semana da Quaresma


   Evangelho  

Mt 6,7-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras.
8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, 13e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.



   Meditação   

Vocês devem rezar assim (Mt 6, 9)

Nossa caminhada quaresmal chega hoje ao sétimo dia. E o tema para nosso crescimento hoje é a Oração. O Pai Nosso é mais do que uma oração. É uma escola de oração. É como um discípulo ou uma discípula deve rezar, sempre. No Pai Nosso, podemos encontrar as quatro características da oração dos discípulos do Senhor.

A primeira característica é que é feita com intimidade e confiança em Deus. Não se trata de uma audiência de um servo com seu patrão. Trata-se do diálogo amoroso entre pai e filho ou filha. Por isso, Jesus ensina a invocar a Deus como “pai”, “Pai Nosso”. Esse modo de falar com Deus era inteiramente novo na história do seu povo. Falar com Deus com intimidade e confiança. No sermão da montanha, Jesus chamou a atenção dos discípulos para não imitarem os fariseus, nem os pagãos. Em contraposição ao exibicionismo dos fariseus e mestres de lei, Jesus os orientou a proceder como um filho que conversa com seu pai ou sua mãe, a portas fechadas no seu quarto. Nunca imitar os pagãos nesse assunto da oração, recomendou Jesus. Eles recorrem à força de muitas palavras para serem ouvidos. O Pai já está sabendo de nossas necessidades antes que abramos a boca. Intimidade e confiança em Deus. É a primeira característica.

A segunda característica da oração cristã, sublinhada no Pai Nosso, é que ela busca, em primeiro lugar, a glória de Deus. É quando a oração vira louvor, adoração. Os primeiros pedidos do Pai Nosso, no evangelho de São Mateus, referem-se a Deus, buscando a sua honra e a sua glória. “Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. São três pedidos, todos dirigidos à glória de Deus: a santificação do seu nome, a vinda do seu Reino, a realização de sua vontade. Buscar, em primeiro lugar, a glória de Deus. É a segunda característica.

A terceira característica da oração cristã é o pedido a Deus pelo nosso bem temporal e espiritual. É o que nós precisamos para viver com dignidade e em santidade. No Pai Nosso, são quatro os pedidos em nosso favor. “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. O pão de cada dia, o perdão dos pecados, a vitória sobre a tentação e a libertação do mal. O ‘pão de cada dia’ compreende o emprego, o trabalho, o alimento, a segurança... São as necessidades de nossa sobrevivência. Mas, nem só de pão vive o homem. Também precisamos do perdão dos pecados e da restauração da vida, a partir da conversão e do crescimento do homem novo. Igualmente, precisamos da vitória sobre a tentação e a libertação do mal. A busca do nosso bem é a terceira característica.

A quarta característica da oração cristã é o compromisso. Nos três primeiros pedidos do Pai Nosso, desejando a glória de Deus, na verdade estamos nos comprometendo em santificar o seu nome, acolher o seu Reino, realizar a sua vontade. Nos quatro pedidos em nosso favor, não estamos delegando tudo a Deus, para ficar de braços cruzados esperando ele agir. Reconhecendo a mão de Deus em nossa vida, estamos nos comprometendo a ganhar o pão de cada dia com o nosso trabalho, a nos esforçar no caminho da conversão e do perdão aos nossos agressores, a fugir das ocasiões de pecado e a lutar contra o mal. A oração nos compromete. Compromisso é a quarta característica.





Guardando a mensagem

Em nossa caminhada quaresmal, somos hoje instruídos por Jesus sobre a Oração. Ele ensinou o Pai Nosso, uma verdadeira escola de oração. Nele, encontramos as quatro características da oração dos discípulos do Senhor: intimidade e confiança em Deus, busca de sua glória, busca do nosso bem e o compromisso em realizar a sua vontade.

Vocês devem rezar assim (Mt 6, 9)

Rezando a palavra

Rezemos como Jesus nos ensinou:

Pai nosso que estás nos céus,
santificado seja o Vosso nome.
Venha a nós o Vosso Reino.
Seja feita a Vossa vontade,
assim na terra como no Céu.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

Amém.


Vivendo a palavra

A dica de hoje está evidente: rezar o PAI NOSSO, bem rezado. Eu sei, eu sei que você já reza bem. Mas, pode rezá-lo ainda melhor. Reze com atenção ao que está dizendo. Reze deixando espaço para o Espírito Santo rezar em você.

Comunicando


Realizamos, ontem, o nosso primeiro encontro 
da Segunda Bíblica deste ano, no YouTube, sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos. Começamos bem, com a graça de Deus. Será uma série de 38 encontros, até o final do ano. Se você não participou do encontro, vale a pena conferir. Mesmo estando aberto pra todo mundo participar, lembro que inscrevendo-se você tem acesso ao grupo de estudo no WhatsApp, ao material de estudo de cada encontro, do ebook da programação, etc. Então, continuo convidando você para estudar conosco a Palavra de Deus. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






O sétimo sofredor.


   10 de março de 2025.   

Segunda-feira da 1ª Semana da Quaresma



   Evangelho   


Mt 25,31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 31“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’. 37Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ 40Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ 41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar’. 44E responderão também eles: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’ 45Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’ 46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.


   Meditação  


Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, como estrangeiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos? (Mt 25, 44)

Estamos fazendo, juntos, o caminho da Quaresma. Já estamos no sexto dia de nossa caminhada. O foco de hoje está no serviço da caridade, uma das áreas de atenção neste tempo de penitência.

Ontem, o evangelho mencionou que Jesus esteve no deserto por 40 dias e foi tentado por Satanás. Uma das tentações de Jesus, e nossa também, é a do poder opressor. O diabo disse que estava no comando dos reinos do mundo e que passaria tudo pra Jesus, contanto que ele o adorasse. Adorá-lo seria trair Deus, trocar Deus pelo diabo. A resposta de Jesus foi: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás”. Veja como aí aparece serviço. “Só a ele servirás”. Jesus definiu a sua missão como serviço. “Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos”. Os seus seguidores participarão do seu Reino, na medida em que forem servidores, como ele.

No evangelho de hoje, aparece claramente este tema do serviço, da caridade. Em Mateus, capítulo 25, Jesus fala de si mesmo como o rei pastor que, no final da história, reúne todos os povos, separando as ovelhas dos cabritos. As ovelhas irão para a vida eterna, os cabritos irão para o castigo eterno. O critério do juízo é muito simples e prático: você ter servido aos necessitados, mesmo sem se dar conta de que era a Jesus que estava servindo. Só isso. Se você amou a Jesus, servindo os irmãos em suas necessidades, você tem acesso ao Reino preparado pelo Pai desde que o mundo começou. “Venham benditos do meu Pai!” Se não amou Jesus nos irmãos sofredores, o final é triste. “Afastem-se de mim, malditos!”.

Jesus faz uma lista de seis tipos de necessitados: o faminto, o sedento, o estrangeiro, o nu, o doente e o preso. É uma lista simbólica de todos os sofredores. Estranhamente não é uma lista de sete, como se podia esperar, para ser uma obra perfeita. Acho que a resposta é muito simples: o sétimo é o próprio Jesus.

O discípulo é um imitador do Mestre. Jesus, em sua missão redentora entre nós, foi um servidor. Para não ficar qualquer margem de dúvida, no final, ele lavou os pés dos discípulos. Nossa avaliação, diante de Deus, será sobre nossa imitação de Jesus: se servimos aos irmãos necessitados, como Jesus que, cheio de compaixão, aproximou-se dos pobres, dos enfermos, dos oprimidos como servidor.




 
Guardando a mensagem

Esta página do evangelho é um ensinamento precioso sobre o serviço, sobre a caridade, mas tem uma grande novidade. Já sabíamos que o amor ao pobre, ao necessitado e ao sofredor se realiza com ações, com compromisso, com a construção de uma sociedade inclusiva, com respeito pela dignidade humana de cada um, de cada uma. E Jesus acrescentou uma grande novidade: No amor aos “irmãos mais pequeninos”, como ele os chamava, está-se amando, servindo e honrando a ele mesmo. Jesus se sente defendido, protegido, promovido, amado quando fazemos isso aos sofredores. Ao servir os pequeninos, estamos imitando Jesus e mostrando nosso amor por ele. 
A Campanha da Fraternidade é uma escola quaresmal de caridade. Com a Campanha deste ano, nós podemos crescer na consciência da responsabilidade que temos com a Casa Comum, especialmente, nos interessando pela temática das mudanças climáticas, com consciência cidadã e solidariedade cristã. 

Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, como estrangeiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos? (Mt 25, 44)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
ajudar os pobres até que ajudamos. Somos todos sensíveis às campanhas de solidariedade, à esmola, ao socorro aos humilhados deste mundo. Ajudar os pobres não é tão difícil. Amar os pobres, como tu o fizeste, aí já é mais difícil. Difícil, porque amar é reconhecer a grandeza daquela pessoa desfigurada pela doença, pela droga, pelo desamparo; porque amar é engajamento na conquista dos seus direitos, no compromisso cidadão por uma sociedade justa e sem violência. Amar é comprometer-se com o outro, é entrar na comunhão com ele. Aí é bem mais difícil. Dá-nos, Senhor, que nesta quaresma, passemos de “ajudar os pobres” a “amar os pobres”. Que a nossa preocupação com a fome dos nossos irmãos e irmãs seja expressa em atitudes, cuidados, ações preocupadas com o bem de todos, especialmente dos mais frágeis e desprotegidos. Seja bendito o teu santo nome. hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, reproduza a lista dos necessitados que o evangelho repete quatro vezes hoje. Faça apenas a lista dos 6 tipos de necessitados.

Comunicando

Começa hoje a Segunda Bíblica, um programa de estudo da Palavra de Deus, nas noites de segunda-feira, no meu Canal do YouTube. Neste ano, estudaremos o Livro dos Atos dos Apóstolos. O encontro pelo Youtube é aberto pra todo mundo. Inscrevendo-se, você recebe o material de cada encontro e tem acesso ao grupo de estudo no WhatsApp. Os inscritos estão recebendo hoje o ebook da programação. Você pode inscrever-se pelo Sympla.com.br ou pelo Whatsapp 81 3224-9284. Toda segunda-feira, às oito e meia da noite, de hoje até 15 de dezembro, tem Segunda Bíblica. Ótimo pra quem quer conhecer mais a santa Palavra de Deus. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

As nossas tentações.



   09 de março de 2025.  

1º Domingo da Quaresma

   Evangelho.  


Lc 4,1-13

Naquele tempo, 1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. 2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. 3O diabo disse, então, a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. 4Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”
5O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo 6e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isto foi entregue a mim e posso dá-lo a quem quiser. 7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”.
8Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”.
9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! 10Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!’ 11E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.
12Jesus, porém, respondeu: “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”.
13Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.


  Meditação.  


Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno (Lc 4, 13)

Eu começo bendizendo a Deus por você estar escutando essa palavra, neste primeiro domingo da Quaresma. Louvo a Deus por seu esforço e a ele rogo que lhe dê perseverança neste caminho de quarenta dias de retiro espiritual do povo cristão, em direção à Páscoa do Senhor. O número quarenta nos recorda um tempo de provação, de purificação, o tempo do povo de Israel peregrinando no deserto, preparando–se para entrar na terra prometida. Aliás, nossa vida toda é como essa peregrinação, cheia de provas e provações.

O evangelista Lucas resume, hoje, todo o caminho de Jesus, com todas as suas provas ou tentações. Ele nos conta que, durante quarenta dias, Jesus esteve no deserto e foi tentado pelo diabo. E, mais do que isso, ele nos diz que Jesus venceu todas as tentações.

Por trás do relato do evangelho, está a história do povo de Deus, palco de tentações, onde o povo de Deus foi infiel. Ao apresentar sua oferta dos primeiros frutos do trabalho no Templo, os fieis confessavam, agradecidos, que Deus os tinha libertado da escravidão no Egito e os tinha trazido pelo deserto para a terra em que habitavam. É o que lemos no livro do Deuteronômio. O deserto foi um lugar de tentação. Em certo momento, instigado pela fome, o povo se revoltou contra Deus, preferindo sua condição anterior de escravo no Egito, mas de barriga cheia. Jesus passou por essa situação na primeira tentação. Olha o tinhoso: “Para que continuar com fome? Transforme a pedra em pão!”. Desconsiderar a encarnação, o caminho humano e suado para resolver os problemas. “Não, Anjo Decaído. Não só de pão vive o homem”, lembrou Jesus. 

Quando Israel entrou na terra da promessa, começou a encantar-se com os reinos vizinhos e copiar seus costumes, imitar a desigualdade social e a exploração desses impérios e adorar os seus deuses. Jesus passou por essa situação na segunda tentação. O diabo apresentou os reinos do mundo, sua glória e seu poder. E propôs um acordo pra Jesus ter tudo aquilo: “Eu vou ser o seu deus, me adore!”. “Sai pra lá! Eu só sirvo a um Deus, ao único e verdadeiro. Na minha missão, não vou copiar o poder do mundo, nem agir como os poderosos da terra. Eu quero servir, como Deus me manda”.

Depois que Israel organizou a monarquia, com rei, corte, exército e tudo o mais, construiu um grande e único Templo para o Senhor. Aos poucos, o Templo de Deus foi se tornando um poderoso instrumento de opressão do povo, de poder e enriquecimento das classes dirigentes. Claro, tudo em nome de Deus. Jesus viveu essa situação em sua terceira tentação. O diabo levou Jesus para o lugar mais alto do Templo de Jerusalém. “Ô cara, quero ver agora sua confiança em Deus. Pule daqui. Na Bíblia, está escrito que Deus vai mandar seus anjos para proteger e amparar você. Esse Deus tem poder ou não tem?”. “Alto lá! Ninguém tem o direito de por Deus à prova, de testá-lo, de usar seu nome indevidamente”.

Jesus venceu todas as tentações do diabo. E ele se afastou de Jesus, para retornar no tempo oportuno. Que tempo oportuno é esse? O momento da paixão. Na paixão, estão as maiores tentações do diabo: escapar da morte humilhante, revoltar-se contra Deus ou querer que Deus o livrasse da cruz, desconsiderando a sua encarnação. A gozação dos soldados foi uma provocação igualzinha a do tentador: “Se és filho de Deus, desce da cruz”. Jesus venceu todas as tentações: aceitou cumprir a vontade de Deus, entregou-se livremente em nosso favor, perdoou os seus algozes, foi fiel até o fim. Por sua morte e ressurreição, Jesus venceu definitivamente o mal, abrindo um caminho de fidelidade para todos os que o seguirem.




Guardando a mensagem

A cena das tentações, bem no início de sua vida pública, resume a vitória do Filho de Deus encarnado e dos seus seguidores, nós, sobre todas as armadilhas, tentações e provas que a vida pode nos reservar.  O momento mais forte da vida de Jesus - a sua paixão e morte - foi o momento onde as tentações foram mais fortes. A morte redentora de Jesus e sua ressurreição foram a vitória avassaladora e total sobre o mal, representado por Satanás. Por sua influência, desde Adão, a humanidade tinha sido infiel a Deus. O próprio povo de Deus tinha caído em momentos decisivos de sua história. Jesus, o novo Adão, restaurador da aliança com Deus Pai, foi fiel até o fim. Assim, venceu o pecado, a morte (consequência do pecado) e o mal e o seu inspirador, Satanás. O mundo já não está mais sob o domínio do diabo, embora ele continue agindo. Cabe-nos, já com a vitória na mão, continuar resistindo às suas insinuações maldosas e às inclinações para o mal que as marcas do pecado deixaram em nós.

Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno (Lc 4, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
neste primeiro domingo da Quaresma, celebramos a tua vitória contra as tentações do diabo, em toda a tua vida humana. Esta cena nos prepara para a grande vitória de tua cruz. Nela, venceste o pecado, a morte e o mal. Em nossa vida, somos submetidos, nós também, às tuas mesmas tentações: a busca de solução mágica para os nossos problemas, a idolatria do poder opressor que impede uma cultura de fraternidade e serviço e manipulação do nome de Deus em favor dos próprios interesses. Mas, a tua vitória é a nossa vitória também. Com o teu exemplo, a tua graça e o teu Santo Espírito, nós também somos vencedores. Por isso, nos ensinaste a pedir ao Pai: “Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Escute essa palavra de hoje, na Santa Missa. A comunidade cristã é onde melhor ecoa a palavra de Deus. Ela proclama o senhorio de Cristo: “Ele é o Senhor!”

Comunicando

Amanhã, começa o nosso estudo bíblico semanal. Eu vou estar com vocês, todas as segundas-feiras, às oito e meia da noite, pelo YouTube, estudando o Livro dos Atos dos Apóstolos. É a nossa Segunda Bíblica. Olha, caso você não possa nos acompanhar nesse horário, não se preocupe, vai ficar tudo gravado pra você assistir depois. Claro que você tem todo interesse em conhecer mais a Palavra de Deus. Então, aproveite esse domingo para se inscrever na Segunda Bíblica. Todo mundo pode acompanhar livremente pelo meu Canal do Youtube. Mas, os inscritos receberão o material de cada encontro, terão acesso ao grupo de estudo no Whatsapp e outras coisas mais. Você pode se inscrever pelo site Sympla.com.br ou pelo WhatsApp da AMA: 81 3224-9284. É só procurar por Segunda Bíblica.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O encontro que mudou a vida de Levi.


   08 de março de 2025.  

Sábado após as cinzas


   Evangelho.   


Lc 5,27-32

Naquele tempo, 27Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhe disse: “Segue-me”. 28Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu.
29Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí grande número de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. 30Os fariseus e seus mestres da Lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: “Por que vós comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?”
31Jesus respondeu: “Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. 32Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”.

   Meditação.   


Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu (Lc 5, 28)

Chegamos ao 4º dia da Quaresma. A Quaresma é um programa de crescimento espiritual. A cada dia, um novo passo. Nestes primeiros dias, o convite é claro: seguir Jesus. Hoje, temos o exemplo de Levi, o cobrador de impostos. Um exemplo de resposta ao chamado do Mestre.

Jesus viu um cobrador de impostos (o tal Levi). Ele estava sentado na coletoria. Jesus o chamou: “Segue-me”. Agora, preste atenção à resposta dele: Deixou tudo, levantou-se e o seguiu. Depois, preparou em casa um grande banquete pra Jesus. No banquete, estava um grande número de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles.

O evangelista narra a resposta de Levi em quatro ações: deixou tudo, levantou-se, seguiu Jesus e preparou, para ele, um banquete em sua casa.

Ele trabalhava coletando impostos para os romanos, profissão mal vista pelo seu povo. Deixou tudo. Tudo o quê? Tudo o que representava segurança, estabilidade, ser um elo na rede de arrecadação pública de impostos. Largou isso. Deu outro rumo à sua vida. Zaqueu também era um cobrador de impostos, mal afamado. Ao que parece, ele não deixou a sua profissão, como Levi, mas também deu novo rumo a ela. Prometeu reparar a quem prejudicou. Vá então pensando no seu caso. 'Deixar tudo' pode significar dar um rumo novo ao seu trabalho, à sua profissão, ao seu casamento.

Curiosamente, o evangelista anotou que Levi, que deixou tudo, levantou-se. Parece uma observação sem importância. Mas, veja: Jesus o viu sentado e o chamou; Ele, deixando tudo, levantou-se. Sentado é o sinal de instalação, acomodação, enquadramento. Levantar-se é a atitude de quem está se desinstalando, saindo de uma posição cômoda para enfrentar um novo desafio. Levantar-se para pôr-se a caminho. O Papa Francisco escreveu na sua primeira Exortação Apostólica (Evangelii Gaudium) a Igreja tem que ser assim, “em saída”. O seguidor de Jesus, o cristão, há de ser uma pessoa “em saída”, disposta a caminhar, a empreender, a crescer, a partir. A igreja não é a casa dos acomodados, é o caminho dos que seguem Jesus.

Bom, ele deixou tudo (deu um novo rumo ao que era e ao que fazia), levantou-se (venceu a acomodação de sua situação) e seguiu Jesus. Seguir é fazer-se aluno, discípulo. E segue Jesus, com os outros discípulos, faz comunidade com eles. Isso é a Igreja, que nasce por obra do Espírito Santo unindo a Cristo os que se põem a caminho com ele.

E a quarta ação de Levi foi o banquete em sua casa. O banquete é o sinal de alegria, de festa, de celebração da ressurreição. Levi é um novo homem. Ressuscitado em Cristo. É o que se vai fazer na Igreja todo domingo: celebrar a ressurreição, com Cristo.




Guardando a mensagem

A Quaresma é um programa de crescimento em Cristo. Hoje, olhamos para a resposta de Levi. Jesus o chamou para o seu seguimento, como me chama e chama você. E Levi, numa resposta maravilhosa, completa (representada nas quatro ações), deixou tudo (deu novo rumo ao que era e fazia), levantou-se (rompeu com sua acomodação), seguiu Jesus (tomou Jesus como a direção de sua vida) e organizou um banquete em casa (celebrou, em comunidade, a vida nova em Cristo). É assim que deve ser a nossa resposta ao chamado de Jesus.

Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu (Lc 5, 28)
 
Rezando a palavra

Senhor Jesus,
obrigado por tua santa Palavra. Ela hoje me faz compreender que a conversão envolve toda a minha vida: é um novo rumo em tudo o que sou e faço, sob a tua direção. Na verdade, como disseste, tu és o caminho. Vamos por ti, andamos contigo, em ti está a realização completa do ser humano. Ajuda-nos, Senhor, a responder ao teu chamado com generosidade, com radicalidade, com alegria, como Levi. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Neste quarto dia da quaresma, vá se preparando para o banquete da vida nova, a Eucaristia, que celebramos em comunidade, no dia do Senhor. Programe, prepare-se, convide outros. Amanhã, vamos celebrar o primeiro domingo da Quaresma.

Comunicando

Neste dia internacional da mulher, deixo aqui uma saudação especial a todas as mulheres que nos acompanham na Meditação da Palavra, certo de que o evangelho do Senhor nos impulsiona a construir relações de igualdade e respeito entre homens e mulheres.

Segunda-feira que vem, dia 10, começa a Segunda Bíblica, com o estudo do Livro dos Atos dos Apóstolos. Você pode se inscrever pelo site Sympla.com.br ou pelo WhatsApp da AMA: 81 3224-9284. É só procurar por Segunda Bíblica. Segunda-feira, a gente começa, às oito e meia da noite. Não podendo neste horário - sem problemas - fica tudo gravado pra você acessar na sua hora. Você vai precisar de sua Bíblia e de um caderno para anotações. Então, você pode se inscrever pelo site Sympla.com.br ou pelo WhatsApp da AMA: 81 3224-9284.  
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






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