PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: Templo
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Jesus é a presença salvadora de Deus.



23 de abril de 2024

  Terça-feira da 4ª Semana da Páscoa. 

  Evangelho.  


Jo 10,22-30

22Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do Templo. Era inverno. 23Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”.
25Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

  Meditação. 


Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai (Jo 10, 29).

O evangelho de hoje começa informando que, em Jerusalém, onde Jesus se encontrava, celebrava-se a festa da Dedicação do Templo. Certamente, essa informação pode nos ajudar a compreender o contexto das palavras de Jesus nessa ocasião. Que festa será essa da “Dedicação do Templo”?

Primeiro, vou lhe dizer que Templo era esse. O de Jerusalém, claro. Mas, não era o Templo de Salomão. O Templo de Salomão tinha sido destruído pelos babilônios, seis séculos antes (ano 587 a.C). O Templo que Jesus frequentou nas grandes peregrinações foi o Templo reconstruído no retorno dos exilados (ano 521 a.C) e restaurado por Herodes Magno, mais ou menos no tempo em que Jesus nasceu. Assim, o Templo que aparece no Novo Testamento é o Templo de Herodes. 

E a festa da Dedicação do Templo? Bom, essa é uma linda história que está contada nos dois Livros dos Macabeus, no Antigo Testamento. Por um tempo, os pagãos da Síria dominaram o povo de Deus e pintaram e bordaram no Templo de Jerusalém. Foi um tempo de muito sofrimento e humilhação, mas afinal, sob a liderança de Judas Macabeu, o povo conseguiu expulsar os dominadores de suas terras. Depois que limparam e consertaram o que podiam do Templo, fizeram uma linda festa para purificá-lo e dedicá-lo de novo ao culto a Deus. Cada ano, com essa festa, recordavam essa Dedicação do Templo.

O Templo de Jerusalém era um centro de unidade para o povo de Deus. Para eles, era um sinal visível da presença de Deus que os guardava e protegia. Nele, os pecadores se reconciliavam com Deus, oferecendo sacrifícios de animais. Ali, ouviam as explicações da Lei e rendiam graças por todos os favores que recebiam do Altíssimo.

Pois Jesus está no Templo, na festa de sua Dedicação. Se aquele povo tivesse acolhido a pregação de Jesus, entenderia que mais do que aquele Templo, o sinal visível da presença de Deus no meio do seu povo era o próprio Jesus; que em Jesus, Deus estava reunindo as ovelhas dispersas e amparando os mais sofridos; e que, mais do que os sacrifícios de touros e carneiros que eles ofereciam ali, seria o sacrifício de Jesus, o verdadeiro cordeiro de Deus, a redimir o seu povo dos seus pecados. O próprio Templo, em si mesmo, já era um testemunho sobre Jesus.

Mas, eles estavam de coração fechado para Deus e para a boa notícia do Reino que Jesus estava anunciando. Consideraram que Jesus estava ofendendo a Deus com suas palavras e suas pretensões, chamaram-no de blasfemo e quiseram até apedrejá-lo. Não eram de suas ovelhas. As suas ovelhas ouvem a sua voz.

Nós somos as ovelhas que o Pai encarregou Jesus de cuidar e salvar. Ele nos conhece e nos dá a vida eterna. Nós, suas ovelhas, escutamos sua voz e o seguimos. Ele nos tranquiliza: não nos perderemos e não seremos arrancados de sua mão. E nos diz o porquê: Ele e o Pai são um. Ele manifesta o Pai e o Pai, como ele disse, é maior que todos. 

Guardando a mensagem

Na festa da Dedicação do Templo, ficou claro: mais do que o Templo, Jesus é a presença salvadora de Deus no meio do seu povo. Ele é o bom pastor que dá a vida por nós, suas ovelhas. Ninguém vai nos dispersar, nem nos arrancar de suas mãos. Ele nos revela que o Pai que cuida de nós, nos defende, nos salva, nos constitui seu rebanho. Por nossa causa, ele foi oferecido como se fora um cordeiro imolado no Templo. Por sua ressurreição, o cordeiro tornou-se pastor. Ele é o bom pastor que marcha à nossa frente. Reconheçamos a sua voz. Sejamos seus seguidores.

Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai (Jo 10, 29).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
bom pastor de nossas vidas, nós te bendizemos pelo amor fiel que te levou ao sacrifício da cruz. Nós te louvamos por seres o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E nós queremos ser fieis a ti em nosso seguimento, acolhendo tuas palavras, unindo-nos como tua Igreja que somos e protegendo e cuidando dos mais frágeis e sofredores. Ajuda-nos, Senhor, pela ação do teu Santo Espírito, a reconhecer tua presença em nossa vida e a viver a vida nova que nos foi comunicada no santo batismo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

A imagem do Bom Pastor nos fala de Jesus que convive com suas ovelhas, ama-as, conhece-as pelo nome e as defende com a sua vida. Essa imagem nos faz também pensar em nossa condição de ovelhas do seu rebanho que conhecem sua voz e o seguem. Um convite, então, pra você renovar sua adesão a Cristo e progredir com fidelidade no seu seguimento e no seu evangelho.

Comunicando

Parece que você não teve tempo de acompanhar a Segunda Bíblica de ontem, no Youtube. Mas, tudo bem, como o encontro fica gravado, é só você reservar um tempinho nesta semana para fazer o estudo deste 7º encontro sobre o Profeta Ezequiel. É só procurar o Canal Padre João Carlos no Youtube. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Tomaram a decisão: matar Jesus.


23 de março de 2024

   Sábado da 5a. Semana da Quaresma.   

   Evangelho.   


Jo 11,45-56

Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”.
49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.
54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”

   Meditação.   


Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Eu tenho um convite pra você. Gostaria que você fosse comigo a uma sessão especial do alto Conselho de Jerusalém, o Sinédrio. Se aceitar, temos que ir logo, porque já vai começar a reunião. Vai?! Ótimo. Vamos lá, mas apresse o passo. A reunião do Sinédrio é no Templo. Repare bem que o templo não é como uma igreja que você conheça. O templo é uma grande estrutura, com muitas áreas para diversas finalidades. Uma delas é a sala do grande Conselho, o Sinédrio. Vamos entrar e ficar num cantinho, meio escondidos.

Olha, estão entrando as autoridades. Simbolicamente, o Sinédrio deveria ser formado por 70 homens, mas não virão todos. A maior parte pertence ao movimento dos fariseus. Eles são os mais influentes junto do povo, estão por todo o país. Claro, aqui só têm assento os mestres da Lei, os mais estudados. Vários pertencem ao movimento dos saduceus, inclusive são eles que comandam o Templo e o Conselho, através do sumo-sacerdote. Outros conselheiros são os chamados anciãos, grandes proprietários de terra da Judeia, representantes de famílias influentes. Esse que está entrando? Pelas vestes, é o Sumo-Sacerdote. Parece que cada ano muda o sumo-sacerdote, mas sempre do grupo dos saduceus. Neste ano, o Sumo-Sacerdote é Caifás. Vai começar a sessão. Caifás deu o sinal. Estão se sentando e se calando.

Dá pra escutar o que estão dizendo? Tens uns de pé, contando à assembléia alguma coisa. Parece que estão falando de Jesus. Eu sabia... eles estão relatando o que aconteceu em Betânia, dois ou três dias atrás. Você está sabendo? Gente, na casa de Marta e Maria... O amigo de Jesus tinha morrido. É um judeu conhecido, Lázaro. Jesus chegou de viagem antes de ontem e foi visitar a família enlutada. O amigo já estava enterrado há quatro dias. E Jesus mandou abrir o túmulo e chamou Lázaro. E ele saiu vivinho. Foi um rebuliço maior do mundo na redondeza. Muita gente passou a acreditar em Jesus. E, pelo jeito, a notícia já chegou aqui. Também Betânia é perto, uns 11 km daqui.

Levantou-se outro. Pelo menos, esse fala mais alto. “O que faremos? Esse homem realiza muitos sinais. Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eita, agora tá todo mundo falando junto, não dá pra entender nada... Epa, o Sumo-sacerdote se levantou e vai falar. “Vocês não entendem nada mesmo. Não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?”.

Ih, gente lá vem um guarda do Templo na nossa direção. É melhor a gente sair, antes que ele nos expulse. Vamos... rápido! “Já estamos saindo, desculpe”. Está escutando? Estão se combinando para dar fim a Jesus. A maioria está apoiando. A decisão é matar Jesus. Santo Deus!




Guardando a mensagem

Nesta sessão do Sinédrio, ficou clara a razão da morte de Jesus para as autoridades do seu povo. Eles disseram: “Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele”. Para os líderes, Jesus era uma ameaça para o seu poder, para a sua hegemonia. “Todos vão acreditar nele”. Para eles, seria péssimo. Como eles iriam ficar nesse negócio? Então, tinham que acabar com Jesus. E, logo, encontraram uma desculpa, uma razão política. Assim, “virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eles estavam interessados na manutenção de sua boa situação e no seu controle sobre o povo. Negaram-se a perceber a ação de Deus que enviara Jesus, para chamar para a vida os que estavam à sombra da morte, inclusive eles mesmos. Foi assim que Caifás, o sumo-sacerdote, resumiu que era melhor um só morrer do que o povo todo ser prejudicado. Ou como está escrito, disse que era melhor “um só morrer pelo povo”. E, aqui, o evangelista João viu uma manifestação profética. Caifás, sem querer já disse a razão da morte de Jesus no plano da salvação. “Ele iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos”. Ele morreria no lugar de todo o povo. Em vez de o povo perecer por causa do seu pecado, Jesus morreria no seu lugar. Pagaria por todos. Todos ficariam quites, perdoados dos seus pecados. Assim, pela morte do Filho, o Pai comunicaria a vida, a reconciliação, o perdão ao seu povo.

Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vésperas da Semana Santa, tua palavra nos recorda as razões de tua morte. Os que te condenaram, o fizeram como completa rejeição a Deus que te enviou para comunicar vida. Para os planos de Deus, a rejeição deles foi oportunidade para, por meio de tua morte, comunicares a vida plena aos que te acolherem pela fé. Que a celebração de tua paixão, nesses dias, Senhor, aumente em nós a fé, a comunhão com Deus e a solidariedade com os sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Meditando este evangelho que mostra a rejeição das pessoas a Jesus e ao Pai que o enviou, um bom propósito seria você participar bem da Semana Santa. O ponto alto desta semana maior da fé cristã é o Tríduo Pascal (que começa no entardecer da quinta-feira santa e vai até a manhã do domingo de páscoa). 

Comunicando

Na manhã da quarta-feira santa, aqui no Recife, vamos realizar a Via Sacra da Fraternidade no cento da cidade. A Santa Missa, no encerramento, será transmitida pelo nosso Canal do Youtube. Bom, participe bem da Semana Santa, começando amanhã, pelo Domingo de Ramos. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Que conusão foi essa?



   03 de março de 2024.   

Terceiro Domingo da Quaresma


   Evangelho   


Jo 2,13-25

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”.
20Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”
21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.
23Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. 24Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; 25e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.



   Meditação.   


Destruam esse Templo e em três dias eu o levantarei (Jo 2, 19)

Olha, tem muita gente passando por essa rua, é gente que não se acaba mais. Quase todo mundo a pé, alguns puxando um jumento carregado, crianças, adultos, muita gente. Olha lá, tem uns tangendo carneiros, ovelhas... Pequenos grupos, famílias inteiras, vizinhos de sítio, todos subindo a Jerusalém. O que estão indo fazer? Estão indo para a festa da páscoa. Todo ano é assim. Milhares de peregrinos vão para a grande festa da páscoa. É a maior festa religiosa do ano. E você não vai? Então, se arrume logo, porque não podemos nos atrasar. E leve algum dinheiro, porque a festa dura vários dias.

Pode perguntar. Enquanto você se arruma, dá tempo a gente conversar. Ah, por que estão levando carneiros? Porque é a festa da páscoa! O quê? ‘Tá, ‘tá... eu lhe explico. A páscoa comemora a libertação do nosso povo da escravidão do Egito. O grande momento da páscoa é a refeição em que, em família, a gente come o carneiro assado, com pão ázimo, ervas, recordando as histórias daquela noite em que o anjo da morte passou e feriu os primogênitos do Egito. Cada família do povo de Deus tinha sacrificado um cordeiro e ungido os portais de suas casas com o seu sangue. Foi naquela noite que Faraó foi forçado a liberar o nosso povo do seu domínio. Foi a noite santa da páscoa.

Tudo arrumado? Então, vamos. Como é a sua primeira vez, vou lhe dizer o que a gente vai encontrar lá, em Jerusalém. O ponto de chegada dos peregrinos é o Templo. E tem bastante coisa pra se fazer no Templo. Primeira coisa: pagar o imposto anual da casa de Deus. Está levando dinheiro? Ah, mas esse dinheiro não serve não... esse dinheiro é dinheiro de origem pagã. Bom, chegando lá, você vai ter que trocá-lo. Nem se preocupe, tem cambistas à vontade no Templo. Eles trocam essas moedas impuras por moedas do Templo, dinheiro santo, sem vínculo com a impureza do mundo. Mas, claro, no câmbio, eles acrescentam um jurozinho. No Templo, você também vai fazer suas devoções, oferecer sacrifícios de expiação para se purificar dos seus pecados. Tá com muito dinheiro? Se tivesse aí uma boa nota, podia comprar um boi pra oferecer. Ah, nem se preocupe, os sacerdotes e os levitas sangram o boi, e queimam as gorduras em homenagem a Deus. Agora, seu dinheiro é pouco, só vai dar pra oferecer uma pombinha. Deus não se incomoda, nem se preocupe. No Templo, também se pode escutar as explicações dos Mestres da Lei ou discutir com eles os assuntos das Escrituras. Agora, o mais importante é fazer o sacrifício do cordeiro pra gente comer a páscoa com nossos parentes. Ah, não, não precisa levar carneiro não. A gente compra lá. Lá tem boi, ovelhas, pombas, tudo. Tranquilo, a gente compra lá. Mas, claro, tem que trocar o dinheiro pra comprar o carneiro. Os sacerdotes vão sangrar o cordeiro e a gente leva pra casa dos parentes pra assar.

É uma emoção a gente entrar na cidade santa de Jerusalém. Olha os portões da cidade, que coisa grandiosa, que emoção dá na gente. E o Templo, gente?! Magnífico, alto, grande, muitos corredores e pátios, parece um grande mercado. Um mercado santo, pera aí. Gente de todo o país e judeus de fora também estão por aqui. Hei, cuidado! O que está acontecendo? Que barulho é esse? Corre, sai da frente. Os bois estão soltos. As ovelhas também. Houve alguma coisa, tá um desespero. Ei, amigo, o que está havendo? Esse profeta Jesus... ele endoidou. Fez um chicote de cordas e expulsou os animais, os vendedores, derrubou as mesas dos cambistas, um desmantelo... E desafiou os sacerdotes do Templo. Deus Santo de Israel, tende misericórdia! Se ele disse alguma coisa, disse. Disse que podiam destruir o Templo, que ele iria reconstruir em três dias. Que loucura! ‘Podem destruir esse Templo, em três dias eu o levantarei’. Vá entender esses profetas de hoje, cada um mais doido do que o outro. Desculpe, estou procurando minha mulher. Dê licença.

Calma, vamos pedir um pouco de água e ver o que está acontecendo. Vamos sentar aqui na escadaria. Senta aí. O que será que houve? Por que o profeta de Nazaré disse isso? “Podem destruir esse Templo, em três dias eu o levantarei”. Estou pensando o seguinte: Vai ver esse profeta é o Messias. O profeta Zacarias tinha falado que quando chegasse o Messias esse comércio no Templo ia se acabar. Ele iria limpar isso tudo. Mas, por quê? Quem sabe, esse idoso aí do seu lado talvez saiba. O senhor, meu velho, conhece Jesus? Tem acompanhado ele, não diga! Por que ele fez isso? ... Eu, eu sei, ele está falando baixinho, tranquilo. Eu lhe repasso depois.

Obrigado, venerando ancião. O Deus de Israel seja bendito, shalom! ... Vem cá. Ele disse que Jesus soltou os animais, porque não há mais necessidade do sacrifício deles. Os sacrifícios do Templo criam a imagem de uma religião que promove uma espécie de comércio: compra o perdão e a bênção de Deus com a oferta da vida de animais. Acabou isso. O sacrifício que vai valer agora, pelo qual o Senhor Deus vai perdoar os pecadores, será o sacrifício do cordeiro pascal. Ele disse que o profeta soltou as ovelhas e os carneiros, porque o cordeiro da páscoa que vai ser imolado é ele mesmo. Parece que o Templo agora é ele mesmo. Essa eu não entendi. Pode ser morto, destruído. Mas, vai ser restaurado em três dias. Essa parte, o ancião não soube me explicar.

Olha, sei não, esse Jesus vai se dar mal. Ele mexeu no coração da religião do Templo, nos sacrifícios de animais que tanto dinheiro traz para os donos dos animais (os anciãos), os cambistas, os sacerdotes, os saduceus que comandam o Templo. A festa da páscoa é a festa da vitória contra a escravidão, celebrada na refeição do cordeiro, eu já lhe disse isso. E pelo que ele disse, nenhum animal precisa ser mais sacrificado. Você viu falar do profeta João Batista que Herodes mandou matar? Quando ele apresentou Jesus ao povo, ele disse que Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Destruam esse Templo e em três dias eu o levantarei (Jo 2, 19)





Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o teu gesto de expulsar os vendedores, desmantelar aquela feira de animais e os postos de troca de moedas foi uma atitude típica dos profetas. Estavas assim inaugurando um novo tempo na religião do teu povo. Com esse gesto, anunciavas o fim do tempo dos sacrifícios de animais. A vítima para o sacrifício eras tu mesmo, o cordeiro imolado em nosso favor. Deixaste o Templo de Jerusalém sem sua função. O verdadeiro lugar do encontro com Deus e do perdão dos pecadores não seria mais o Templo de pedra, mas a tua pessoa de filho de Deus. Tu és o Templo, onde o pecador encontra o perdão de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

O passo de hoje em nossa escadaria quaresmal, já o 19º, é este: Purificar a própria religiosidade. Centrar sua fé em Jesus Cristo, que nos redimiu por sua morte e ressurreição.

Leia, na sua Bíblia, o evangelho deste terceiro domingo da Quaresma: João 2, 13-25. E, se achar útil, compartilhe a meditação com outras pessoas.

Comunicando

Celebro a Santa Missa deste domingo, às 17 horas, com transmissão pela FM Dom Bosco e pela Rádio Amanhecer . Aproveite e baixe o aplicativo da rádio no seu celular.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB

Jesus é o Templo Vivo de Deus.


 

  09 de novembro de 2021.  

Festa da Dedicação da Basílica do Latrão

(Catedral de Roma)


   Evangelho.   


Jo 2,13-22


13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei”. 20Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.


  Meditação.  


Destruí este Templo e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)


Hoje, a Igreja está celebrando o aniversário de dedicação da Catedral de Roma, a Basílica do Latrão. A dedicação de uma Igreja é sempre uma festa. Unge-se o altar com óleo e as paredes da Igreja também. A igreja-de-pedra é uma representação da igreja-comunidade, templo de Deus. De fato, na carta de São Pedro, está escrito: “quais outras pedras vivas, vocês também se tornam os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo" (1 Pr 2, 5). Os fieis em Cristo são pedras vivas desse Templo espiritual, um sacerdócio santo para oferecer sacrifícios do agrado de Deus. A igreja é o templo vivo de Deus.


Jesus estava chegando para celebrar a páscoa em Jerusalém. Nesta páscoa, ele seria imolado em sacrifício, na cruz. Ele entrou no Templo. E viu um bocado de coisa errada. O Templo de Deus, o único templo erguido em Israel, foi construído para ser um sinal da presença de Deus no meio do seu povo e para ser um local de encontro do povo fiel com o seu Deus. No Templo, o povo, em sinal de gratidão e adoração, oferecia sacrifícios e louvores. Aquele povo tinha uma história com Deus. Tinha sido libertado por ele do cativeiro do Egito, celebrado uma aliança com o Senhor, caminhado por 40 anos no deserto sob sua proteção e tomado posse da terra que ele prometera aos pais. O Templo era o testemunho de tudo isso. E a páscoa era a grande festa para lembrar aquele gesto maravilhoso que Deus tinha realizado em favor daquele povo: tirá-lo da escravidão e constituí-lo um povo livre, naquela terra.


E o que Jesus viu no Templo? Jesus viu o Templo entregue aos interesses de uma elite manipuladora, que o instrumentaliza em favor dos seus interesses econômicos e políticos. A sede do Sinédrio que o condenou era lá. Lá, mandavam os saduceus, beneficiados pela dominação romana em seus negócios e em sua liderança. Jesus viu um Templo que perdeu a razão para a qual existia: ser um lugar de encontro da comunidade de Israel com o Deus dos seus pais, o Deus de sua história.


Como Jesus reagiu? Primeiro, ele expulsou os comerciantes que vendiam animais para os sacrifícios ou faziam o câmbio das moedas, no interior do Templo. Foi uma forma de reagir à má utilização que os líderes estavam fazendo do Templo. Segundo, ele disse, com todas as letras que ele é quem era o Templo de verdade. De fato, em Jesus encontramos e honramos o Pai que o enviou. É no seu corpo entregue e no seu sangue derramado, o único sacrifício que agora conta, que somos reconciliados com Deus. É só por meio dele que chegamos ao Pai. Ele é o Templo de verdade. Foi assim que ele disse: “Destruam esse Templo e eu o construirei em três dias”. De fato, foi isso que aconteceu. Eles destruíram o templo do seu corpo, pela cruel morte de cruz, mas Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Mas, isto, claro, ninguém ali na hora entendeu.





Guardando a mensagem


Celebramos hoje o aniversário de dedicação da Catedral de Roma. Como é o Templo que representa todos os outros templos do cristianismo, todos nos alegramos nessa festa. E recordamos que o verdadeiro templo é a comunidade dos fiéis, o povo batizado, a Igreja. O templo-de-pedra representa a comunidade-povo-de-Deus. E nos lembramos de Jesus que, no tempo da páscoa, entrou no grande Templo de Jerusalém e, depois de ter expulsado os vendedores de animais e os cambistas, apresentou-se como o verdadeiro Templo. Ele é o sacerdote que oferece o sacrifício de sua própria vida, sacrifício que, de verdade, agrada a Deus e com ele nos reconcilia. Jesus é o templo de verdade.


Destruí este Templo e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

gostamos muito de nossas igrejas, de nossos templos. Nem sempre nos lembramos que mais importante do que as paredes de pedra são as pessoas que formam a igreja viva, a comunidade santa, o povo de Deus. Claro, Senhor, precisamos zelar por nossas igrejas-templo, para que elas estejam sempre limpas, bonitas, acolhedoras. Mas, mais amor e maior cuidado precisamos ter com a comunidade dos cristãos que ali se reúne. E somos templo porque estamos unidos a ti, Templo vivo de Deus, pedra que os construtores rejeitaram, mas que tornou-se a pedra angular. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Muita gente ainda guarda o bom costume de, ao cruzar por uma igreja, benzer-se, saudando Jesus que lá está, sacramentalmente, no sacrário. Se tiver oportunidade hoje, faça o mesmo. E pense neste evangelho ... Você também é uma pedra viva do maravilhoso templo que é Cristo e sua Igreja.


Comunicando

Como é que anda o Desafio do Mês? Recebemos, até agora, 2.837 respostas positivas: gente que, além de ouvir a Meditação, está lendo o evangelho do dia. 

Como todas as quintas-feiras, hoje temos a Santa Missa, rezando pelos associados e ouvintes, às 11 horas. Você nos acompanha pela Rádio Amanhecer no seu celular ou pelo Canal do Youtube Padre João Carlos.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Participe bem da Semana Santa, começando, amanhã pelo Domingo de Ramos.



01 de abril de 2023

Sábado da 5a. Semana da Quaresma


EVANGELHO


Jo 11,45-56

Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”.
49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.
54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”

MEDITAÇÃO


Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Eu tenho um convite pra você. Gostaria que você fosse comigo a uma sessão especial do alto Conselho de Jerusalém, o Sinédrio. Se aceitar, temos que ir logo, porque já vai começar a reunião. Vai?! Ótimo. Vamos lá, mas apresse o passo. A reunião do Sinédrio é no Templo. Repare bem que o templo não é como uma igreja que você conheça. O templo é uma grande estrutura, com muitas áreas para diversas finalidades. Uma delas é a sala do grande Conselho, o Sinédrio. Vamos entrar e ficar num cantinho, meio escondidos.

Olha, estão entrando as autoridades. Simbolicamente, o Sinédrio deveria ser formado por 70 homens, mas não virão todos. A maior parte pertence ao movimento dos fariseus. Eles são os mais influentes junto do povo, estão por todo o país. Claro, aqui só têm assento os mestres da Lei, os mais estudados. Vários pertencem ao movimento dos saduceus, inclusive são eles que comandam o Templo e o Conselho, através do sumo-sacerdote. Outros conselheiros são os chamados anciãos, grandes proprietários de terra da Judeia, representantes de famílias influentes. Esse que está entrando? Pelas vestes, é o Sumo-Sacerdote. Parece que cada ano muda o sumo-sacerdote, mas sempre do grupo dos saduceus. Neste ano, o Sumo-Sacerdote é Caifás. Vai começar a sessão. Caifás deu o sinal. Estão se sentando e se calando.

Dá pra escutar o que estão dizendo? Tens uns de pé, contando à assembléia alguma coisa. Parece que estão falando de Jesus. Eu sabia... eles estão relatando o que aconteceu em Betânia, dois ou três dias atrás. Você está sabendo? Gente, na casa de Marta e Maria... O amigo de Jesus tinha morrido. É um judeu conhecido, Lázaro. Jesus chegou de viagem antes de ontem e foi visitar a família enlutada. O amigo já estava enterrado há quatro dias. E Jesus mandou abrir o túmulo e chamou Lázaro. E ele saiu vivinho. Foi um rebuliço maior do mundo na redondeza. Muita gente passou a acreditar em Jesus. E, pelo jeito, a notícia já chegou aqui. Também Betânia é perto, uns 11 km daqui.

Levantou-se outro. Pelo menos, esse fala mais alto. “O que faremos? Esse homem realiza muitos sinais. Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eita, agora tá todo mundo falando junto, não dá pra entender nada... Epa, o Sumo-sacerdote se levantou e vai falar. “Vocês não entendem nada mesmo. Não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?”.

Ih, gente lá vem um guarda do Templo na nossa direção. É melhor a gente sair, antes que ele nos expulse. Vamos... rápido! “Já estamos saindo, desculpe”. Está escutando? Estão se combinando para dar fim a Jesus. A maioria está apoiando. A decisão é matar Jesus. Santo Deus!


Guardando a mensagem

Nesta sessão do Sinédrio, ficou clara a razão da morte de Jesus para as autoridades do seu povo. Eles disseram: “Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele”. Para os líderes, Jesus era uma ameaça para o seu poder, para a sua hegemonia. “Todos vão acreditar nele”. Para eles, seria péssimo. Como eles iriam ficar nesse negócio? Então, tinham que acabar com Jesus. E, logo, encontraram uma desculpa, uma razão política. Assim, “virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eles estavam interessados na manutenção de sua boa situação e no seu controle sobre o povo. Negaram-se a perceber a ação de Deus que enviara Jesus, para chamar para a vida os que estavam à sombra da morte, inclusive eles mesmos. Foi assim que Caifás, o sumo-sacerdote, resumiu que era melhor um só morrer do que o povo todo ser prejudicado. Ou como está escrito, disse que era melhor “um só morrer pelo povo”. E, aqui, o evangelista João viu uma manifestação profética. Caifás, sem querer já disse a razão da morte de Jesus no plano da salvação. “Ele iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos”. Ele morreria no lugar de todo o povo. Em vez de o povo perecer por causa do seu pecado, Jesus morreria no seu lugar. Pagaria por todos. Todos ficariam quites, perdoados dos seus pecados. Assim, pela morte do Filho, o Pai comunicaria a vida, a reconciliação, o perdão de Deus ao seu povo.

Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vésperas da Semana Santa, tua palavra nos recorda as razões de tua morte. Os que te condenaram, o fizeram como completa rejeição a Deus que te enviou para comunicar vida. Para os planos de Deus, a rejeição deles foi oportunidade para, por meio de tua morte, comunicares a vida plena aos que te acolherem pela fé. Que a celebração de tua paixão, nesses dias, Senhor, aumente em nós a fé, a comunhão com Deus e a solidariedade com os sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Meditando este evangelho que mostra a rejeição das pessoas a Jesus e ao Pai que o enviou, um bom propósito seria você participar bem da Semana Santa. O ponto alto desta semana maior da fé cristã é o Tríduo Pascal (que começa no entardecer da quinta-feira santa e vai até a manhã do domingo de páscoa). Participe bem da Semana Santa, começando amanhã, pelo Domingo de Ramos. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A Igreja é o Templo Vivo de Deus













09 de novembro de 2021

Dedicação da Basílica de São João do Latrão


EVANGELHO


Jo 2,13-22


13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei”. 20Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.


MEDITAÇÃO


Destruí este Templo e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)


Hoje, a Igreja está celebrando o aniversário de dedicação da Catedral de Roma, a Basílica do Latrão. A dedicação de uma Igreja é sempre uma festa. Unge-se o altar com óleo e as paredes da Igreja também. A igreja-de-pedra é uma representação da igreja-comunidade, templo de Deus. De fato, na carta de São Pedro, está escrito: “quais outras pedras vivas, vocês também se tornam os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo" (1 Pr 2, 5). Os fieis em Cristo são pedras vivas desse Templo espiritual, um sacerdócio santo para oferecer sacrifícios do agrado de Deus. A igreja é o templo vivo de Deus.


Jesus estava chegando para celebrar a páscoa em Jerusalém. Nesta páscoa, ele seria imolado em sacrifício, na cruz. Ele entrou no Templo. E viu um bocado de coisa errada. O Templo de Deus, o único templo erguido em Israel, foi construído para ser um sinal da presença de Deus no meio do seu povo e para ser um local de encontro do povo fiel com o seu Deus. No Templo, o povo, em sinal de gratidão e adoração, oferecia sacrifícios e louvores. Aquele povo tinha uma história com Deus. Tinha sido libertado por ele do cativeiro do Egito, celebrado uma aliança com o Senhor, caminhado por 40 anos no deserto sob sua proteção e tomado posse da terra que ele prometera aos pais. O Templo era o testemunho de tudo isso. E a páscoa era a grande festa para lembrar aquele gesto maravilhoso que Deus tinha realizado em favor daquele povo: tirá-lo da escravidão e constituí-lo um povo livre, naquela terra.


E o que Jesus viu no Templo? Jesus viu o Templo entregue aos interesses de uma elite manipuladora, que o instrumentaliza em favor dos seus interesses econômicos e políticos. A sede do Sinédrio que o condenou era lá. Lá, mandavam os saduceus, beneficiados pela dominação romana em seus negócios e em sua liderança. Jesus viu um Templo que perdeu a razão para a qual existia: ser um lugar de encontro da comunidade de Israel com o Deus dos seus pais, o Deus de sua história.


Como Jesus reagiu? Primeiro, ele expulsou os comerciantes que vendiam animais para os sacrifícios ou faziam o câmbio das moedas, no interior do Templo. Foi uma forma de reagir à má utilização que os líderes estavam fazendo do Templo. Segundo, ele disse, com todas as letras que ele é quem era o Templo de verdade. De fato, em Jesus encontramos e honramos o Pai que o enviou. É no seu corpo entregue e no seu sangue derramado, o único sacrifício que agora conta, que somos reconciliados com Deus. É só por meio dele que chegamos ao Pai. Ele é o Templo de verdade. Foi assim que ele disse: “Destruam esse Templo e eu o construirei em três dias”. De fato, foi isso que aconteceu. Eles destruíram o templo do seu corpo, pela cruel morte de cruz, mas Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Mas, isto, claro, ninguém ali na hora entendeu.



















Guardando a mensagem


Celebramos hoje o aniversário de dedicação da Catedral de Roma. Como é o Templo que representa todos os outros templos do cristianismo, todos nos alegramos nessa festa. E recordamos que o verdadeiro templo é a comunidade dos fiéis, o povo batizado, a Igreja. O templo-de-pedra representa a comunidade-povo-de-Deus. E nos lembramos de Jesus que, no tempo da páscoa, entrou no grande Templo de Jerusalém e, depois de ter expulsado os vendedores de animais e os cambistas, apresentou-se como o verdadeiro Templo. Ele é o sacerdote que oferece o sacrifício de sua própria vida, sacrifício que, de verdade, agrada a Deus e com ele nos reconcilia. Jesus é o templo de verdade.


Destruí este Templo e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

gostamos muito de nossas igrejas, de nossos templos. Nem sempre nos lembramos que mais importante do que as paredes de pedra são as pessoas que formam a igreja viva, a comunidade santa, o povo de Deus. Claro, Senhor, precisamos zelar por nossas igrejas-templo, para que elas estejam sempre limpas, bonitas, acolhedoras. Mas, mais amor e maior cuidado precisamos ter com a comunidade dos cristãos que ali se reúne. E somos templo porque estamos unidos a ti, Templo vivo de Deus, pedra que os construtores rejeitaram, mas que tornou-se a pedra angular. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Muita gente ainda guarda o bom costume de, ao cruzar por uma igreja, benzer-se, saudando Jesus que lá está, sacramentalmente, no sacrário. Se tiver oportunidade hoje, faça o mesmo. E pense neste evangelho ... Você também é uma pedra viva do maravilhoso templo que é Cristo e sua Igreja.


Comunicando

O Congresso Eucarístico Nacional, sediado no Recife, começa nesta sexta-feira, dia 11 de novembro. É nesta sexta que faço o show de acolhida do povo de Deus, às 16 horas, precedendo a Missa de Abertura do Congresso. Vindo a Recife, você nos encontra, nos dias do Congresso, no stand da AMA, na feira católica no Centro de Convenções. Lembro que você também pode participar do Congresso, acompanhando as transmissões das redes católicas de televisão ou através de nossas redes sociais.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

SE VOCÊ FOR COMIGO AO SINÉDRIO...



09 de abril de 2022

5a. Semana da Quaresma

39º dia da caminhada quaresmal

EVANGELHO


Jo 11,45-56

Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”.
49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.
54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”

MEDITAÇÃO


Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Eu tenho um convite pra você. Gostaria que você fosse comigo a uma sessão especial do alto Conselho de Jerusalém, o Sinédrio. Se aceitar, temos que ir logo, porque já vai começar a reunião. Vai?! Ótimo. Vamos lá, mas apresse o passo. A reunião do Sinédrio é no Templo. Repare bem que o templo não é como uma igreja que você conheça. O templo é uma grande estrutura, com muitas áreas para diversas finalidades. Uma delas é a sala do grande Conselho, o Sinédrio. Vamos entrar e ficar num cantinho, meio escondidos.

Olha, estão entrando as autoridades. Simbolicamente, o Sinédrio deveria ser formado por 70 homens, mas não virão todos. A maior parte pertence ao movimento dos fariseus. Eles são os mais influentes junto do povo, estão por todo o país. Claro, aqui só têm assento os mestres da Lei, os mais estudados. Vários pertencem ao movimento dos saduceus, inclusive são eles que comandam o Templo e o Conselho, através do sumo-sacerdote. Outros conselheiros são os chamados anciãos, grandes proprietários de terra da Judeia, representantes de famílias influentes. Esse que está entrando? Pelas vestes, é o Sumo-Sacerdote. Parece que cada ano muda o sumo-sacerdote, mas sempre do grupo dos saduceus. Neste ano, o Sumo-Sacerdote é Caifás. Vai começar a sessão. Caifás deu o sinal. Estão se sentando e se calando.

Dá pra escutar o que estão dizendo? Tens uns de pé, contando à assembléia alguma coisa. Parece que estão falando de Jesus. Eu sabia... eles estão relatando o que aconteceu em Betânia, dois ou três dias atrás. Você está sabendo? Gente, na casa de Marta e Maria... O amigo de Jesus tinha morrido. É um judeu conhecido, Lázaro. Jesus chegou de viagem antes de ontem e foi visitar a família enlutada. O amigo já estava enterrado há quatro dias. E Jesus mandou abrir o túmulo e chamou Lázaro. E ele saiu vivinho. Foi um rebuliço maior do mundo na redondeza. Muita gente passou a acreditar em Jesus. E, pelo jeito, a notícia já chegou aqui. Também Betânia é perto, uns 11 km daqui.

Levantou-se outro. Pelo menos, esse fala mais alto. “O que faremos? Esse homem realiza muitos sinais. Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eita, agora tá todo mundo falando junto, não dá pra entender nada... Epa, o Sumo-sacerdote se levantou e vai falar. “Vocês não entendem nada mesmo. Não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?”.

Ih, gente lá vem um guarda do Templo na nossa direção. É melhor a gente sair, antes que ele nos expulse. Vamos... rápido! “Já estamos saindo, desculpe”. Está escutando? Estão se combinando para dar fim a Jesus. A maioria está apoiando. A decisão é matar Jesus. Santo Deus!


Guardando a mensagem

Nesta sessão do Sinédrio, ficou clara a razão da morte de Jesus para as autoridades do seu povo. Eles disseram: “Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele”. Para os líderes, Jesus era uma ameaça para o seu poder, para a sua hegemonia. “Todos vão acreditar nele”. Para eles, seria péssimo. Como eles iriam ficar nesse negócio? Então, tinham que acabar com Jesus. E, logo, encontraram uma desculpa, uma razão política. Assim, “virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eles estavam interessados na manutenção de sua boa situação e no seu controle sobre o povo. Negaram-se a perceber a ação de Deus que enviara Jesus, para chamar para a vida os que estavam à sombra da morte, inclusive eles mesmos. Foi assim que Caifás, o sumo-sacerdote, resumiu que era melhor um só morrer do que o povo todo ser prejudicado. Ou como está escrito, disse que era melhor “um só morrer pelo povo”. E, aqui, o evangelista João viu uma manifestação profética. Caifás, sem querer já disse a razão da morte de Jesus no plano da salvação. “Ele iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos”. Ele morreria no lugar de todo o povo. Em vez de o povo perecer por causa do seu pecado, Jesus morreria no seu lugar. Pagaria por todos. Todos ficariam quites, perdoados dos seus pecados. Assim, pela morte do Filho, o Pai comunicaria a vida, a reconciliação, o perdão de Deus ao seu povo.

Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
com este sábado, chegamos ao 39º dia de nossa caminhada quaresmal. Às vésperas da Semana Santa, tua palavra nos recorda as razões de tua morte. Os que te condenaram, o fizeram como completa rejeição a Deus que te enviou para comunicar vida. Para os planos de Deus, a rejeição deles foi oportunidade para, por meio de tua morte, comunicares a vida plena aos que te acolherem pela fé. Que a celebração de tua paixão, nesses dias, Senhor, aumente em nós a fé, a comunhão com Deus e a solidariedade com os sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Meditando este evangelho que mostra a rejeição das pessoas a Jesus e ao Pai que o enviou, um bom propósito seria você participar bem da Semana Santa. O ponto alto desta semana maior da fé cristã é o Tríduo Pascal (que começa no entardecer da quinta-feira santa e vai até o domingo de páscoa). Participe bem da Semana Santa, começando amanhã pelo Domingo de Ramos. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O DOMINGO DAS TENTAÇÕES



06 de março de 2022

1º Domingo da Quaresma

EVANGELHO


Lc 4,1-13

Naquele tempo, 1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. 2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. 3O diabo disse, então, a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. 4Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”
5O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo 6e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isto foi entregue a mim e posso dá-lo a quem quiser. 7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”.
8Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”.
9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! 10Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!’ 11E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.
12Jesus, porém, respondeu: “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”.
13Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.


MEDITAÇÃO


Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno (Lc 4, 13)

Eu começo bendizendo a Deus por você estar escutando essa palavra, neste primeiro domingo da Quaresma. Louvo a Deus por seu esforço e a ele rogo que lhe dê perseverança neste caminho de quarenta dias de retiro espiritual do povo cristão, em direção à Páscoa do Senhor. O número quarenta nos recorda um tempo de provação, o tempo do povo de Israel peregrinando no deserto, preparando–se para entrar na terra prometida. Aliás, nossa vida toda é como essa peregrinação, cheia de provas e provações.

O evangelista Lucas resume, hoje, todo o caminho de Jesus, com todas as suas provas ou tentações. Ele nos conta que, durante quarenta dias, Jesus esteve no deserto e foi tentado pelo diabo. E, mais do que isso, ele nos diz que Jesus venceu todas as tentações.

Por trás do relato do evangelho, está a história do povo de Deus, palco de tentações, onde o povo de Deus foi infiel. Ao apresentar sua oferta dos primeiros frutos do trabalho no Templo, os fieis confessavam, agradecidos, que Deus os tinha libertado da escravidão no Egito e os tinha trazido pelo deserto para a terra em que habitavam. É o que lemos no livro do Deuteronômio. O deserto foi um lugar de tentação. Em certo momento, instigado pela fome, o povo se revoltou contra Deus, preferindo sua condição anterior de escravo no Egito, mas de barriga cheia. Jesus passou por essa situação na primeira tentação. Olha o tinhoso: “Para que continuar com fome? Transforme a pedra em pão!”. Desconsiderar a encarnação, o caminho humano e suado para resolver os problemas. “Não, Anjo Decaído. Não só de pão vive o homem”, lembrou Jesus. A liberdade tem seu preço.

Quando Israel entrou na terra da promessa, começou a encantar-se com os reinos vizinhos e copiar seus costumes, imitar a desigualdade social e a exploração desses impérios e adorar os seus deuses. Jesus passou por essa situação na segunda tentação. O diabo apresentou-lhes os reinos do mundo, sua glória e seu poder. E propôs um acordo pra Jesus ter tudo aquilo: “Eu vou ser o seu deus, me adore!”. “Sai pra lá! Eu só sirvo a um Deus, ao único e verdadeiro. Na minha missão, não vou copiar o poder do mundo, nem agir como os poderosos da terra. Eu quero servir, como Deus me manda”.

Depois que Israel organizou a monarquia, com rei, corte, exército e tudo o mais, construiu um grande e único Templo para o Senhor. Aos poucos, o Templo de Deus foi se tornando um poderoso instrumento de opressão do povo, de poder e enriquecimento das classes dirigentes. Claro, tudo em nome de Deus. Jesus viveu essa situação em sua terceira tentação. O diabo levou Jesus para o lugar mais alto do Templo de Jerusalém. “Ô cara, quero ver agora sua confiança em Deus. Pule daqui. Na Bíblia, está escrito que Deus vai mandar seus anjos para proteger e amparar você. Esse Deus tem poder ou não tem?”. “Alto lá! Ninguém tem o direito de por Deus à prova, de testá-lo, de usar seu nome indevidamente”.

Jesus venceu todas as tentações do diabo. E ele se afastou de Jesus, para retornar no tempo oportuno. Que tempo oportuno é esse? O momento da paixão. Na paixão, estão as maiores tentações do diabo: escapar da morte humilhante, revoltar-se contra Deus ou querer que Deus o livrasse da cruz, desconsiderando a sua encarnação. A gozação dos soldados foi uma provocação igualzinha a do tentador: “Se és filho de Deus, desce da cruz”. Jesus venceu todas as tentações: aceitou cumprir a vontade de Deus, entregou-se livremente em nosso favor, perdoou os seus algozes, foi fiel até o fim. Por sua morte e ressurreição, Jesus venceu definitivamente o mal, abrindo um caminho de fidelidade para todos os que o seguirem.


Guardando a mensagem

A cena das tentações, bem no início de sua vida pública, resume a vitória do Filho de Deus encarnado e dos seguidores, nós, sobre todas as armadilhas, tentações e provas que a vida pode nos reservar.  O momento mais forte da vida de Jesus - a sua paixão e morte - foi o momento onde as tentações foram mais fortes. A morte redentora de Jesus e sua ressurreição foram a vitória avassaladora e total sobre o mal, representado por Satanás. Por sua influência, desde Adão, a humanidade tinha sido infiel a Deus. O próprio povo de Deus tinha caído em momentos decisivos de sua história. Jesus, o novo Adão, restaurador da aliança com Deus Pai, foi fiel até o fim. Assim, venceu o pecado, a morte (consequência do pecado) e o mal e o seu inspirador, Satanás. O mundo já não está mais sob o domínio do diabo, embora ele continue agindo. Cabe-nos, já com a vitória na mão, continuar resistindo às suas insinuações maldosas e às inclinações para o mal que as marcas do pecado deixaram em nós.

Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno (Lc 4, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
neste primeiro domingo da Quaresma, celebramos a tua vitória contra as tentações do diabo, em toda a tua vida humana. Esta cena nos prepara para a grande vitória de tua cruz. Nela, venceste o pecado, a morte e o mal. Em nossa vida, somos submetidos, nós também, às tuas mesmas tentações: a busca de solução mágica para os nossos problemas, a idolatria do poder opressor que impede uma cultura de fraternidade e serviço e manipulação do nome de Deus em favor dos próprios interesses. Mas, a tua vitória é a nossa vitória também. Com o teu exemplo, a tua graça e o teu Santo Espírito, nós também somos vencedores. Por isso, nos ensinaste a pedir ao Pai: “Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Escute essa palavra de hoje, na Santa Missa. A comunidade cristã é onde melhor ecoa a palavra de Deus. Ela proclama o senhorio de Cristo: “Ele é o Senhor!”

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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