BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Um lugar especial para a Bíblia Sagrada.



   01 de setembro de 2025 

Segunda-feira da 22ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Lc 4,16-30

Naquele tempo, 16veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”
23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.
27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o Sírio”. 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.



   Meditação.   


Hoje, cumpriu-se essa passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir (Lc 4, 21)

E bem no início deste mês da Bíblia, a Igreja nos abre o santo livro para acompanharmos Jesus, na Sinagoga de Nazaré, lendo e explicando uma passagem bíblica.

Jesus, estava, naquele sábado, na localidade onde se criara, Nazaré. Na Sinagoga, ele levantou-se para ler o livro da Palavra de Deus. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Ele achou ali uma passagem muito especial. Ele leu: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres”. Quando terminou a leitura, ele sentou-se, como faziam os mestres. Todo mundo ficou na maior atenção. E ele começou a explicar como aquela passagem falava precisamente de sua missão. “Hoje, se cumpriu essa passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. A Palavra de Deus é atual, se cumpre hoje.

As Escrituras Sagradas do antigo povo de Deus ocupavam um lugar muito especial, nas sinagogas, no tempo de Jesus. Eram guardadas num lugar central à frente da assembleia, numa espécie de oratório que lembra os nossos sacrários de hoje. Nessa passagem do evangelho de São Lucas, o servidor lhe entregou o rolo do livro do profeta Isaías. Jesus o leu e depois o devolveu ao servidor, para que o guardasse. Aí, começou a explicar a leitura feita.

As Escrituras Sagradas dos cristãos compreendem os livros do antigo povo de Deus (o Antigo Testamento) e os escritos das comunidades cristãs do final do primeiro século (o Novo Testamento). Também para nós, as Escrituras Sagradas ocupam um lugar muito especial em nossas celebrações. A Missa, por exemplo, tem claramente duas partes distintas: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. Assim, somos alimentados pelo pão da vida, Jesus Cristo, na mesa da palavra e na mesa da eucaristia. 

Olha o que diz a Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina (Dei Verbum): “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo” (DV 21). Deu para entender? “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor”. As leituras bíblicas, organizadas com muito cuidado pela Igreja para cada domingo e para cada dia da semana, são um alimento sagrado para a nossa edificação. Somos alimentados pelo mesmo Cristo, palavra e pão.

É surpreendente o que lemos neste documento do Concílio, a Dei Verbum: “Nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual” (DV 21)



Nazaré de hoje. 

Guardando a mensagem

Em Nazaré, vemos Jesus, na sinagoga, fazendo a leitura na celebração e nos mostrando a atualidade da palavra. É hoje que Deus nos fala, é hoje que suas promessas se cumprem. Neste início do mês da Bíblia, essa passagem desperta a nossa atenção para o valor que devemos dar à Sagrada Escritura. Na celebração dominical, a Palavra é proclamada, explicada, rezada. É o pão da vida, alimento sagrado para nos sustentar na caminhada. Na Igreja, esteja sempre atento(a) à palavra que está sendo proclamada. A celebração é, por excelência, o lugar onde Deus está instruindo o seu povo. Em casa, não esqueça sua Bíblia em qualquer gaveta. Conserve-a em lugar visível, digno. Leia-a todos os dias. Todo dia, um trechinho. Sendo o evangelho do dia, melhor ainda. Ao iniciar sua leitura, peça as luzes do Espírito Santo. É ele quem faz da palavra escrita um verdadeiro encontro com o Senhor da palavra.

Hoje, cumpriu-se essa passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir (Lc 4, 21)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu és a própria palavra de Deus, o verbo feito carne. Em ti, todas as palavras da Escritura ganham sentido e força. Todo o Antigo Testamento vive da promessa de tua vinda. Todo o Novo Testamento nos comunica tua presença redentora. Senhor, que o livro santo de tua palavra seja objeto de leitura e estudo de nossa parte, para o compreendermos sempre mais e nele te acolhermos como caminho, verdade e vida. Concede que, neste mês da Bíblia, cresçamos no conhecimento e na prática de tua palavra. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Duas dicas para fazermos deste mês um tempo de encontro com o Senhor da Palavra. Primeira: Durante todo este mês, ponha sua Bíblia em lugar de destaque. Segunda dica: Participe em sua comunidade do curso bíblico sobre a Carta aos Romanos. 

Comunicando

E você já marque aí em sua agenda, de 15 a 26 de setembro, teremos o nosso Curso Bíblico sobre a Carta de São Paulo aos Romanos. Organizamos o curso em 10 aulas, de segunda a sexta. E você vai nos acompanhar no meu canal do YouTube, começando no próximo dia 15.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Não esqueça os mais pobres.


  31 de agosto de 2025.  

22º Domingo do Tempo Comum

Dia Nacional do Catequista


   Evangelho.   


Lc 14,1.7-14


1Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 7Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola:
8“Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, 9e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar.
10Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. 11Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.
12E disse também a quem o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. 13Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. 14Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.


   Meditação.   


Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos (Lc 14, 13)


No evangelho de hoje, Jesus tem dois ensinamentos pra gente. O primeiro é este: Não queira ser mais do que os outros.

Jesus foi a uma refeição festiva, na casa de alguém importante. Ele viu os convidados escolhendo os primeiros lugares. Nós também vemos isso todos os dias. O espírito do mundo é exatamente este: a busca dos primeiros lugares. É o mundo da concorrência, um querendo derrubar o outro; o mundo da competição, um querendo passar o outro pra trás. O espírito do mundo nos ensina a querer ser mais importantes do que os outros, a cobiçar os cargos mais altos, a querer estar sempre em evidência. E essa mentalidade acaba por incentivar a violência, a vaidade, a presunção, o orgulho.

Jesus está ensinando uma coisa muito diferente: Não queira ser mais do que ninguém. O espírito do evangelho é a fraternidade, o acolhimento e valorização de cada um, a cooperação. Foi isso que Jesus ensinou: somos irmãos, dependemos uns dos outros. Não queira ser mais do que ninguém.

O livro do Eclesiástico tem um ensinamento precioso sobre a humildade: “Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor” (Eclo 3). E a razão é simples: Deus revela seus mistérios aos humildes e resiste aos soberbos.

O segundo ensinamento de Jesus, no evangelho de hoje, é este: Nunca se esqueça dos pobres.

Naquela refeição festiva, Jesus viu que os convidados eram gente importante, gente de alto nível social, amigos do dono da casa. Então ele disse a quem o convidou: Quando for fazer uma festa, não convide só seus parentes, seus vizinhos ricos, seus amigos, seus irmãos. Convide os pobres, os coxos, os aleijados, os cegos. 

O espírito do mundo pratica a exclusão social (deixar de fora quem não tem recursos) e a segregação social (separar de um lado os privilegiados e de outros, os desamparados; isso nos locais de moradia, nos elevadores, nos shoppings, nas casas de festa, nas escolas, nos hospitais, em todo canto). Um mundo de benefícios está reservado a quem tem dinheiro e importância social. O espírito do evangelho é outro: é a inclusão, a fraternidade, a comunhão, o oferecimento de oportunidades a quem é mais frágil e necessitado. Assim, nunca se esqueça dos pobres.





Guardando a mensagem

Jesus notou, naquela refeição na casa do fariseu, que os convidados eram os irmãos e parentes do dono da casa, seus amigos e vizinhos ricos. Isso mostra uma mentalidade: a comemoração do seu próprio status, a bajulação dos ricos, a exclusão social. É o espírito do mundo. O espírito do Reino é outro: a busca de inclusão dos pobres, dos mais sofridos, a valorização dos pequenos. Na cerimônia do seu casamento, não se esqueça dos parentes mais humildes. No seu colégio, não deixe as crianças pobres sem lanche. Na sua igreja, providencie os acessos para as pessoas com deficiência ou com dificuldade de locomoção. No seu almoço de domingo, reserve um prato de sua gostosa alimentação para quem passa a semana com fome. Não se esqueça de quem não teve as suas mesmas oportunidades. 

Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos (Lc 14, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a refeição, que é um ato sagrado para o teu povo, foi palco de belos ensinamentos teus. Obrigado, Senhor. Concede-nos que nossas mesas sejam lugares de fraternidade, de diálogo, de inclusão, onde se manifeste o espírito do Reino, não o espírito do Mundo. Concede que nossas refeições em família preparem a sagrada refeição da Eucaristia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Recorde os dois ensinamentos que recolhemos do evangelho de hoje (Não queira ser mais do que ninguém e Nunca se esqueça dos mais frágeis e sofredores) e peça ao Senhor a graça de vivê-los.

Comunicando

Uma saudação especial, neste último domingo do mês vocacional, aos Catequistas. Eles são ministros da iniciação cristã. São eles que acompanham o aprofundamento da fé dos membros da Igreja (adultos, jovens e crianças). A eles, o nosso reconhecimento e todo apoio em sua formação e no exercício do seu ministério. 

Pe. João Carlos Ribeiro,SDB


Os talentos que você recebeu.



  30 de agosto de 2025  

Sábado da 21ª Semana do Tempo Comum,

   Evangelho.   


Mt 25,14-30

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 14"Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 22Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? 27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!”

   Meditação.   


A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade (Mt 25, 15).

Gente de Deus, não é que eu encontrei o servo que recebeu um talento, aquele da história de Jesus! Encontrei-o numa viagem. Conheci logo pela cara. Aquela cara de tristeza envergonhada... Ele estava acompanhado da esposa, sofrida como ele, coitada. Ah, não perdi a oportunidade. ‘Prazer em conhecê-lo, senhor servo. Tenho muita curiosidade a respeito de alguns fatos de sua vida. Espero não ser inconveniente’... Fui direto ao assunto: ‘Me diga uma coisa, naquele episódio da distribuição dos talentos, o senhor ficou revoltado porque 
recebeu tão pouco?’

Ele ficou me olhando... ‘Bom - me disse ele depois de pigarrear - você quer saber se eu fiquei revoltado porque só recebi um talento. Você sabe quanto era um talento? Era um bom dinheiro. Um talento era uma soma de 6.000 denários. Um denário era a diária de um trabalhador. Um talento daria a soma do ganho de 16 anos de trabalho ou mais. Era um bom dinheiro. Você sabe que meus dois colegas receberam mais do que eu. Um recebeu dois talentos e o outro, recebeu cinco. Mas, sinceramente, eu não fiquei revoltado. O patrão deu a cada um conforme a sua capacidade. Ele entregou os seus bens pra gente administrar. Como ele tinha muito mais, quando ele voltou de viagem e houve a prestação de contas, ele disse a cada um dos meus colegas: “muito bem, servo bom e fiel, como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais”. Verdade seja dita, era um bom patrão e confiou em nós’.

Bom, aí, eu fiquei mais curioso ainda... e fiz uma outra pergunta, com cuidado para não ofendê-lo. ‘E por que o senhor não conseguiu render como os outros, por que o senhor enterrou o dinheiro do seu patrão?’ Ele suspirou profundamente.... e respondeu. ‘Sabe o que foi? Eu fiquei com medo de não dar conta, eu sabia que o patrão iria me cobrar, ele era muito exigente, tive medo de arriscar. Achei melhor não mexer naquele dinheiro e guarda-lo para devolvê-lo certinho quando ele voltasse. Vai que ele voltasse logo... Talvez você não saiba, mas naquela época a forma mais segura de guardar dinheiro era debaixo da terra mesmo’. Foi aí que a mulher dele, meio sem paciência, partiu para uma explicação mais clara: ‘Olha, moço, vamos falar a verdade... Meu marido teve medo de se aventurar em negócios que não dessem certo e teve medo do patrão também. Agora, cá pra nós, o medo dele serviu de desculpa, para ele não se mexer, não enfrentar a trabalheira que iria ter’. Cá comigo, me vieram aquelas palavrinhas da história de Jesus ‘servo mau e preguiçoso’. Esse negligente cruzou os braços, na hora que era preciso ir à luta! Foi aí que eu arrisquei um comentário em voz alta: ‘É, os outros dois não perderam tempo, trabalharam duro e chegaram a dobrar o valor que receberam”. E, antes que viesse uma reação, lancei logo a última pergunta.

Fazendo um pouco de média, eu disse: ‘É, meu irmão, patrão só fica feliz quando tira o couro do empregado. Você foi honesto com ele, devolveu o dinheiro dele certinho... Você não acha que ele foi injusto com você? Ele o despediu sem dó, nem piedade.’ O sujeito, já apanhado da vida, ponderou... ‘É, a gente colhe o que planta. Como empregado dele, minha obrigação era fazer prosperar o seu negócio, esse era o meu trabalho. Se eu me neguei a isso, não merecia mais permanecer na sua casa. Ele estava com a razão. Agora, aqui fora é que eu sei a oportunidade que perdi... E a mulher dele completou: ‘Nós sabemos, meu velho, nós sabemos...’.





Guardando a mensagem

Na parábola, o patrão é Deus. Ele nos confia seus bens para administrarmos. Cada servo recebe segundo sua capacidade. E não recebe pouco. Sua função é trabalhar, é empreender, é fazer render o que recebeu. Com os dons que o senhor nos confia, podemos contribuir para que tudo melhore ao nosso redor: a família, a comunidade, a escola, o bairro, o mundo... Não foram poucos os recursos que Deus nos deu: consciência, inteligência, saúde, família, amigos, oportunidades... E esses dons humanos são pequenos e poucos diante dos bens eternos que ele nos concede: a fé, a intercessão da Virgem Maria, a pertença à Igreja, o dom do Espírito Santo, o perdão dos pecados, a luz de sua Palavra, a presença eucarística de Jesus... Não podemos enterrar esses talentos. Temos que nos empenhar, como servos bons e fiéis, para que haja crescimento, para que apareçam frutos, para que tudo melhore para felicidade nossa, para o bem dos que nos cercam e para a glória do nosso Senhor e Deus.

A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade (Mt 25, 15).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
obrigado por tudo que nos confiaste. Sabemos que são teus esses bens que estamos administrando e que deles vamos prestar contas. É verdade, esta é a hora do empenho, do trabalho, do compromisso. Hora de confiar e empreender, de ousar e ir à luta. Queremos ouvir a tua aprovação: “muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar de minha alegria”. Ah, Senhor, é tudo o que, no final, nós queremos ouvir. Senhor, cuida, hoje, daqueles que estão se julgando inúteis e fracassados. Dá-lhes o ânimo do teu Santo Espírito. Enquanto aguardamos a tua chegada, ou a tua chamada, é tempo de crescimento, de superação, de conquista. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pense em como empenhar-se, com fidelidade e perseverança, no desenvolvimento dos talentos que Deus lhe deu.

Comunicando

Em setembro, teremos o Curso Bíblico on-line sobre a Carta de São Paulo aos Romanos. Vá se programando para participar. Vai ser muito valioso para o seu crescimento cristão.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Levar a sério nossa condição de seguidores de Jesus.


   29 de agosto de 2025  

Memória do Martírio de São João Batista


   Evangelho.   


Mc 6,17-29

Naquele tempo, 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava.
21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu te darei”. 23E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”.
24Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João.
O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.


   Meditação.   


Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão (Mc 6, 17)

Hoje, temos, na liturgia, a memória do martírio de São João Batista. O profeta João Batista estava preparando o povo para o novo tempo do Messias. Ele tinha feito críticas ao rei Herodes, porque ele estava vivendo com a cunhada. Na primeira oportunidade, a mulher conseguiu que o profeta fosse preso. No aniversário do rei, sua filha dançou e encantou os convivas e o rei prometeu dar-lhe o que pedisse. Pronto, a mãe soprou: a cabeça de João Batista. Assim, mataram o profeta, para tristeza e desorientação do povo que o seguia. 

Quando o Batista foi preso, Jesus tomou uma decisão: voltar para a Galiléia e começar o seu ministério. Quando correu a notícia da morte do profeta, o povo sofrido acorreu a Jesus. É o texto que segue à morte do Batista. Jesus deu atenção àquela gente sofrida, cheio de compaixão. Foi naquele dia em que ele, a partir de poucos pães e peixes, alimentou mais de 5 mil pessoas. Reviveu-se a cena do deserto, quando Deus alimentava o seu povo peregrino com o maná. Foi um verdadeiro banquete. Esse banquete de Jesus com o povo naquele lugar deserto é exatamente o contrário do banquete de Herodes, no seu palácio. Lá, foi servida, numa bandeja, a cabeça do profeta João Batista. Foi um banquete de morte. O de Jesus, foi um banquete de vida, de fé, de solidariedade. Foi assim que Jesus reagiu à morte de João Batista. 

As comunidades cristãs quando contavam essa história, mais de 30 anos depois pondo-a por escrito, estavam sofrendo grande perseguição. Os cristãos que moravam em Roma estavam sofrendo grande violência, acusados de todo tipo de barbaridade. A comunidade de Jerusalém já tinha passado por um momento muito difícil, no tempo de Estêvão, o diácono que foi morto a pedradas. E nos três primeiros séculos, os cristãos foram submetidos a muito sofrimento: expulsão das cidades, prisões, sequestro dos seus bens, humilhações e morte nas arenas em espetáculos públicos. Nesse primeiro período da Igreja, a leitura do martírio de João Batista inspirava os cristãos a se manterem firmes e fiéis, na perseguição. 

Para nós que estamos lendo esse texto, hoje, qual será a mensagem? Eu fico pensando quão séria é a nossa condição de seguidores de Jesus. Somos filhos de Deus, temos o evangelho como nossa regra de vida, somos também nós portadores da mensagem do Reino de Deus ao mundo. Tudo isso é graça de Deus em nossa vida, mas também uma grande responsabilidade. Uma graça que nos pede fidelidade, perseverança, mesmo nas adversidades ou nas perseguições. O martírio de João Batista há de ser uma inspiração também para nós. 





Guardando a mensagem

A narração do martírio de João Batista inspirou as primeiras comunidades cristãs a se manterem fiéis e perseverantes, apesar das dificuldades e das perseguições. De alguma forma, a narração já vai preparando o leitor para os fatos da paixão e morte de Jesus. Ele levou sua missão até o fim, com firmeza e destemor. Venceu, ressuscitou, por sua fidelidade ao Pai e à missão que dele recebeu. Para nós que lemos hoje esse texto, o martírio de João Batista nos chama também a levar a sério nossa condição de discípulos e seguidores de Jesus. Tomemos distância de uma vida cristã medíocre, acomodada, descomprometida. 

Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão (Mc 6, 17)

Rezando a Palavra

Senhor Jesus, 
ficamos imaginando como recebeste a notícia da prisão e depois da morte do profeta João Batista. Ele estava preparando e purificando o povo para acolher o novo tempo que chegara contigo. Ele tinha te apresentado como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E, mesmo a contragosto, tinha te batizado no Rio Jordão. Um homem de Deus, um profeta. Que perversidade o rei da Galiléia fez com ele. Mas tu, Senhor, longe de cederes ao medo, exatamente naquele momento iniciaste teu ministério de vida e salvação. Concede, Senhor, que o exemplo de João Batista nos anime a viver o evangelho com seriedade, com perseverança, com fidelidade. Os momentos de prova, Senhor, nos fortaleçam. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Veja se há na sua vida cristã algum sinal de acomodação, de fuga do compromisso. Já sabe o que fazer. 

Comunicando

Em setembro, a Igreja no Brasil, em todas as suas comunidades, vai estudar a Carta de São Paulo aos Romanos. Nós também, na mesma sintonia, vamos estudar esta carta paulina em um curso bíblico pelo YouTube. Você, com certeza, vai querer participar.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB


Cuidar das pessoas: essa é a sua missão.



   28 de agosto de 2025   

Memória de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja


   Evangelho.   


Mt 24,42-51

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42”Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor! 43Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá.
45Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46Feliz o empregado, cujo senhor encontrar agindo assim, quando voltar. 47Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48Mas, se o empregado mau pensar: ‘Meu Senhor está demorando’, 49e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes”.

   Meditação.   


Vigiem, porque vocês não sabem a hora em que virá o Senhor! (Mt 24, 42)

Nós aguardamos Jesus. Estamos esperando a sua volta. O final do Livro do Apocalipse apresenta a Igreja como uma noiva que anseia pela chegada do noivo para o grande casamento. Será uma grande manifestação de triunfo do Cristo Senhor e do seu povo. A sua vinda será um momento de júbilo para uns e de juízo para outros. Por isso, apesar da alegria da espera, ficamos um tanto temerosos. Ele, ao partir, nos entregou a tarefa de cuidar de sua casa. E disso nos pedirá conta.

Vigilância é a palavra-chave do evangelho de hoje. As comunidades, depois de Jesus, deram muita ênfase a essa recomendação de Jesus para o tempo da espera, o tempo em que ele estaria fora. Eu disse ‘fora’, mas ele está sempre conosco, você sabe. “Vigiem, porque vocês não sabem a hora em que virá o Senhor!” Jesus contou pequenas parábolas para isso ficar bem clarinho. Falou do pai de família que, se soubesse que o ladrão viria naquela noite, ficaria vigiando e não deixaria que sua casa fosse arrombada. Falou do servo que o Senhor deixou tomando conta de sua casa, cuidando de sua família. O servo vigilante está atento e alimenta bem a família. O servo relaxado espanca os empregados e cai na farra e na bebida, descuidando-se de suas obrigações. O servo fiel e prudente vai ser muito bem recompensado. O mau servo vai ser despedido e castigado.

Todo mundo entende essas parábolas de Jesus. E sabe bem que, mesmo ele não voltando logo, precisamos estar sempre preparados, cumprindo bem nossas tarefas, realizando bem a nossa missão. Nós cuidamos de algo de que fomos encarregados. E disso, seremos cobrados, vamos prestar contas. Na parábola, o empregado cuidava da casa do seu senhor. E é isso que nós precisamos aprender: a coisa principal é cuidar das pessoas, pessoas que podem estar sob nossa responsabilidade, mas não são nossa propriedade. O pai e a mãe de família cuidam de sua casa, das pessoas que estão sob sua dependência. E precisam estar sempre atentos, vigilantes para o mal não penetrar em sua casa, como Jesus falou na parábola.

Precisamos viver aquela mesma tensão das primeiras comunidades, na espera do Senhor que partiu e volta a qualquer momento. Viver com compromisso, em santidade, dando o primeiro lugar a Deus em nossa vida. Nada de relaxamento, de preguiça, de estado de sonolência e indiferença. Aguardar acordados é estar realizando bem a tarefa que recebemos, cuidando bem da família, da comunidade, do mundo – isso tudo é a casa dele. Não queremos que ele chegue e nos pegue desprevenidos, ociosos, cochilando no serviço. Queremos aguardá-lo em vigília, acordados. Foi o que ele nos pediu.



Guardando a mensagem

Jesus alertou sobre a vigilância: estarmos atentos, acordados, despertos... não permitindo que o mal, como um ladrão, penetre em nossa casa, em nossa família. Fomos encarregados de cuidar de sua casa. Para isso, ele nos deu autoridade e nos pede responsabilidade. E é a ele que daremos conta. Cuidar das pessoas é a nossa missão. A qualquer momento, poderemos ser cobrados. Vigilância é a nossa atitude permanente.

Vigiem, porque vocês não sabem a hora em que virá o Senhor! (Mt 24, 42)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
na parábola que contaste, tem o administrador fiel que cuidou bem da casa do seu senhor, alimentou bem seus dependentes, zelou para que tudo andasse direito, estando sempre vigilante, atento. E disseste: “Feliz o empregado que o senhor quando voltar o encontrar assim”. Nós queremos, Senhor, ser zelosos e vigilantes como esse empregado elogiado. Ajuda-nos, Senhor, a cumprir bem nossas obrigações na família, na Igreja, na sociedade. Dá-nos sabedoria para conduzir bem aqueles que colocaste sob nossa responsabilidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Rezemos uns pelos outros, pedindo ao Senhor a graça de sermos servos vigilantes, cuidando bem de sua casa e esperando-o com fidelidade e alegria. 

Comunicando

Hoje, quinta-feira, é dia da Santa Missa, às 11 horas, rezada nas intenções dos associados e ouvintes. E, hoje, eu tenho uma intenção especial na celebração: o meu aniversário de ordenação. Se puder, agradeça comigo o dom do sacerdócio ministerial com o qual fui chamado a estar a serviço de Deus e do seu povo santo. A santa missa será transmitida pelo rádio e pelo Canal do YouTube.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Sem máscaras, sem mentiras.


   27 de agosto de 2025   

Memória de Santa Mônica

   Evangelho.   


Mt 23,27-32

Naquele tempo, disse Jesus: 27“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.
29Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. 31Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32Completai, pois, a medida de vossos pais!”

   Meditação.   


Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça (Mt 23, 28).

Jesus foi muito duro com os fariseus. Desmascarou neles a presunção de serem santos e fiéis diante do povo, mas na verdade serem movidos por sentimentos e interesses reprováveis: o desprezo pelos mais pobres ou menos praticantes, o sentimento de superioridade sobre os outros, o exibicionismo de sua piedade, a hipocrisia de suas ações. No evangelho de hoje, os chamou de sepulcros caiados, bonitos por fora, mas podres por dentro. Olha a palavra de hoje: “Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23, 28).

Nesse confronto com os fariseus, Jesus usa a fórmula dos “ais” dos antigos profetas. É uma forma de denúncia e condenação. O capítulo 23 do evangelho de São Mateus registra sete “ais” que ele dirigiu contra os fariseus. O texto de hoje nos reporta dois deles. E a denúncia é clara: aparentam uma coisa e são outra (são como sepulcros caiados); e são coniventes com a violência, disfarçando homenagem às vítimas (ficam enfeitando os túmulos dos justos).

Bom, essa palavra de Jesus não é mais para reprovar os antigos fariseus que já não existem. Hoje, essa palavra vem para nos corrigir no que exista, em nós ou entre nós, de farisaísmo, de hipocrisia, de culto à aparência. Sim, porque o mundo presta culto à aparência, como eu digo naquela música “Profetas”. Vale mais a fachada, do que o interior. Vale mais a aparência do que a realidade. E é isso que Jesus está recriminando.

E onde a gente precisa se corrigir? Bom, por fora, a coisa já está bonita. É por dentro que precisamos mudar, para sermos tão cordiais com os de casa como o somos com as pessoas de fora; para que o nosso sorriso corresponda aos verdadeiros sentimentos do nosso coração. É um convite, então, para limparmos nosso coração de tanta coisa ruim, de tantos sentimentos negativos, preconceitos, desejos de vingança... Sermos bons por dentro e por fora, sem segundas intenções, nem mascaramentos. E o remédio, qual é? A conversão. Nada de farisaísmo. Nada de máscaras, de mentiras, de faz de conta. Verdadeiros e bons, por dentro e por fora. É assim que Jesus nos quer.





Guardando a mensagem

São sete “ais” que Jesus dirige aos fariseus, usando a fórmula clássica de condenação usada pelos antigos profetas. Nos dois “ais” do evangelho de hoje, Jesus denuncia a falsidade deles. São sepulcros caiados: cara bonita, aparência de santidade, mas movidos a ambições, maldades e a preconceito. Enfeitam os túmulos dos justos: é apenas um disfarce de sua conivência com a violência e a exclusão. Isso tudo Jesus está dizendo, hoje, não mais para os antigos fariseus, mas para o que existir de ‘fariseu’ dentro de nós e em nossa convivência social.

Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça (Mt 23, 28).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a palavra, hoje, é uma chamada de atenção para nós. Como cristãos, precisamos ser coerentes com o que professamos. Não podemos ser pessoas que parecem uma coisa e são outra, que defendem uma coisa e vivem outra. Ah, Senhor, vivemos numa sociedade que valoriza mais a embalagem que o conteúdo. Assim, somos permanentemente tentados a parecer mais do que ser. Ensina-nos, Senhor, a ser verdadeiros, a cultivar uma consciência reta, um coração puro como o teu. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Recordando Santa Mônica, que perseverou em oração em favor da conversão do seu filho Santo Agostinho, procure também ser perseverante no caminho do evangelho que você medita todos os dias.

Comunicando

Teremos, hoje, uma reunião online com os associados da AMA (Associação Missionária Amanhecer). Será uma reunião festiva na celebração dos 29 anos de nossa associação, com um momento de oração, lançamento da cartilha dos sócios e sorteio de bíblias. O link da reunião já está nos grupos exclusivos de sócios. A reunião começa às oito e meia da noite. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Distinguir o que é fundamental.

 

26 de agosto de 2025.


Terça-feira da 21ª Semana do Tempo Comum



Evangelho.



Mt 23,23-26


Naquele tempo, disse Jesus: 23 "Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24 Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25 Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26 Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo".



  Meditação.  


Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)

A gente até acha engraçado. O navio está afundando, mas a grande preocupação daquele capitão era pintar o mastro da embarcação. Engraçado e desesperador. O navio está afundando, mas ele está preocupado com a pintura do mastro do navio. Pode ser que a obsessão pela apresentação externa das coisas ou por alguns detalhes seja tão grande, que a pessoa perca o senso do real. E fique escravo de uma visão mesquinha e limitada.

É o que estava acontecendo no tempo de Jesus. Os fariseus viviam tão obcecados pelo fiel cumprimento da Lei de Moisés que esqueciam as coisas mais importantes da própria Lei. A Lei era uma expressão da aliança de Deus com o seu povo. A chamada Lei era um contrato de amizade e mútua pertença entre Deus e o povo hebreu. Mas, aos poucos foi se transformando num fardo pesado para as pessoas, pela quantidade de novos preceitos escritos e orais que foram sendo incorporados. Assim, com tanta preocupação com os detalhes, o principal ficava esquecido ou relegado ao segundo plano.

E esse assunto, Jesus não deixou por menos. Todo o capítulo 23 do evangelho de São Mateus é uma denúncia contra a visão míope daqueles homens tão apegados à Lei, os fariseus. Olha o que está no evangelho de hoje: “Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade“. A justiça, a misericórdia e a fidelidade – segundo disse Jesus – são os ensinamentos mais importantes da Lei. Mas, eles estavam preocupados com picuinhas.

O sábado, por exemplo, era uma coisa importante. Tratava-se de guardar um dia na semana para honrar o Deus criador e libertador e afirmar a dignidade de pessoas livres e donas de sua capacidade de trabalho. O sábado ou o domingo é uma instituição maravilhosa, divina. Mas, os fariseus ficavam com tanta exigência, inflacionando o preceito do sábado de tantas normas e proibições que, no final das contas, o sábado tornou-se mais uma opressão do que um respiro de liberdade. A legislação previa até a quantidade de passos que podiam ser dados em dia de sábado, uma coisa sufocante. Diante disso, Jesus se insurgiu, ensinando: ‘O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado’.

Há sempre um risco de a gente ficar tão focado numa coisa, agarrando-se a pormenores, que termine perdendo a visão de conjunto, como no caso daquele capitão do navio, que, com o barco afundando, estava preocupado mesmo com a pintura do mastro. Os fariseus repetiam a mesma coisa na religião. Aferravam-se a picuinhas, coisas em si corretas, mas esquecendo-se do principal. E, assim, na sua miopia oprimiam o povo e descaracterizavam a religião. Jesus os chamou de ‘guias cegos’. “Vocês filtram o mosquito e engolem o camelo”. 

Guardando a mensagem

Os fariseus estavam tão preocupados com coisinhas secundárias, que se esqueciam do principal: a fidelidade, a misericórdia, a justiça. É importante a gente notar que esse defeito dos fariseus é sempre uma tentação em nossas instituições, na vida das comunidades e das famílias, na vida da Igreja. Não podemos esquecer o principal, desviando-nos para coisas secundárias e marginais. Às vezes, se briga por uma bobagem, um detalhe, uma coisa pequena. Às vezes, se julga uma pessoa por um deslize, esquecendo-se toda uma vida de doação e serviço. Está na hora de a gente parar de “coar mosquito e engolir camelo”.

Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
está escrito na Carta do teu apóstolo Pedro: “Acima de tudo, cultivem, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pr 4,8). É isso mesmo, Senhor. Precisamos viver com confiança, com esperança. A graça de Deus é tão grande e nos abraça de maneira tão generosa... Não precisamos ficar agarrados a picuinhas e casuísmos que nos desviem do principal, do fundamental. Como tu disseste, fundamental na Lei é a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em seu momento de oração, peça ao Senhor que lhe dê um coração, como o de Jesus, misericordioso com os pecadores, compreensivo com os que erram, centrado na caridade que é o centro da Lei de Deus. 

Comunicando

Caso você não tenha visto, ontem, o nosso encontro da Segunda Bíblica, tranquilize o coração. O encontro ficou gravado no Youtube. Arrume um tempinho, hoje, para esse estudo. 

Atenção, associados da AMA. Amanhã, teremos um live exclusiva para os associados. Vamos festejar os 29 anos de caminhada e, saber em primeira mão, o que vem por aí até o final do ano. A live é no YouTube, amanhã, às oito e meia da noite. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


 

Rejeitaram Jesus.

 



   25 de agosto de 2025    

Segunda-feira da 21ª Semana do Tempo Comum 


   Evangelho   


Mt 23,13-22

Naquele tempo, disse Jesus: 13“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós fechais o Reino dos Céus aos homens. Vós porém não entrais, 14nem deixais entrar aqueles que o desejam. 15Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós percorreis o mar e a terra para converter alguém, e quando conseguis, o tornais merecedor do inferno, duas vezes pior do que vós.
16Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo Templo, não vale; mas, se alguém jura pelo ouro do Templo, então vale!’ 17Insensatos e cegos! O que vale mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? 18Vós dizeis também: ‘Se alguém jura pelo altar, não vale; mas, se alguém jura pela oferta que está sobre o altar, então vale!’
19Cegos! O que vale mais: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? 20Com efeito, quem jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. 21E quem jura pelo Templo, jura por ele e por Deus que habita no Templo. 22E quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado”.



   Meditação.    


Ai de vocês, guias cegos! (Mt 23, 16)


Os antigos profetas, como Isaías e Jeremias, andaram denunciando a má conduta das lideranças do seu povo. Era comum, nessas ocasiões, usarem a expressão: “Ai de vocês...”. Jesus assume o modo de falar dos profetas diante das lideranças do seu tempo, particularmente em confronto com o grupo de maior influência sobre o dia-a-dia do seu povo, o grupo dos fariseus.

Os fariseus formavam uma grande confraria de homens praticantes da Lei de Moisés. Eles marcavam o ritmo da vida do seu povo, com sua forte influência nas sinagogas, nas praças, nas peregrinações, nas rodas de discussão no Templo de Jerusalém. A elite dos fariseus era formada pelos doutores da Lei, os mais estudados, chamados mestres e tidos como guias do povo. Eles interpretavam a Lei escrita e oral, sufocando o povo com centenas de mandamentos e normas e discriminando os mais pobres, doentes e sofredores.

O evangelho de hoje traz três AIS de Jesus contra os fariseus e os seus mestres. “Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus hipócritas”. E as reclamações são três: fecham o acesso do Reino de Deus ao povo, não entram nem deixam entrar; Quando conseguem converter alguém, fazem dele um ser pior do que eles mesmos; E no fundo, ensinam que os bens materiais têm mais valor do que as coisas de Deus.

Jesus os chama de guias cegos. A cegueira era uma doença muito comum em Israel e em todo o Oriente. Dizem que uma das causas dessa cegueira era o clima. Jesus mesmo curou vários cegos: o de Betesda, o de Jericó e o de Jerusalém. A cegueira é tomada no evangelho como uma representação espiritual da falta da luz de Deus ou da obstinação em não se querer ver. Assim, comparativamente, quem não tem a luz de Deus, quem não tem a fé, está se conduzindo nesse mundo como cego. Houve até aquele episódio da cura do cego, em que Jesus tirou essa conclusão: “Cego mesmo é quem vê, mas não enxerga”. Pois bem, nessa denúncia, Jesus está chamando os fariseus de cegos. Não querem enxergar o Reino de Deus que chegou com ele, não querem reconhecer a obra de Deus que está se realizando com a presença do Messias. E o problema não é só estarem cegos. O pior é que, como cegos, estão conduzindo o povo. São líderes cegos. São guias cegos.

O problema dos fariseus foi um só: de tão apegados às tradições, às leis de Moisés, fecharam o coração para o novo de Deus. Eles não conseguiram perceber a novidade da ação de Deus em sua história. E rejeitaram Jesus, o filho amado que o Pai enviou para comunicar-lhes o Reino de Deus.




Guardando a mensagem

Jesus assume a atitude dos antigos profetas, denunciando abertamente a conduta de um influente grupo religioso, os fariseus. Ele recomendava ao povo que fizesse o que eles ensinavam, mas não imitasse as suas ações. E, corajosamente, colocou-se frente a frente com eles, reprovando sua conduta, com a linguagem dos “ais” dos antigos profetas. Ele os chamou de guias cegos. Além de cegos (sem a luz de Deus, fechados à manifestação do Reino de Deus), são guias cegos (arvorando-se em líderes, querendo conduzir os outros). A aplicação desse texto, nos dias de hoje, não é difícil. Há muito cego fazendo-se de guia, por interesses de todo tipo (econômicos, políticos, religiosos, etc.). Fique alerta! Não vá na conversa deles.

Ai de vocês, guias cegos! (Mt 23, 16)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
identificaste, nos ensinamentos dos fariseus e seus mestres, mais interesse pelas coisas materiais do que respeito pelas coisas sagradas. Senhor, diante do teu evangelho de hoje, te pedimos duas coisas: não nos deixes ser como eles e não nos deixes ser guiados por gente como eles. Teus ensinamentos nos abrem os olhos para corrigirmos qualquer tendência farisaica existente entre nós e para nos acautelarmos contra guias cegos que queiram nos conduzir nesta condição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Nem precisamos procurar "fariseus" fora de nós. É possível que em cada um de nós haja um pouco (ou muito) de farisaísmo. Releia com atenção a meditação de hoje e olhe para dentro de você mesmo(a). Um pouquinho de fariseu, certamente, a gente tem. Deixemos que a palavra do Senhor nos corrija. 

Comunicando

E separe já a sua Bíblia e o seu caderno de anotações, porque hoje é dia de Segunda Bíblica. O estudo de hoje é do Capítulo 19 do livro dos Atos dos Apóstolos. É no Youtube, Canal Padre João Carlos. E começa às oito e meia da noite. Uma boa oportunidade de formação para você. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A porta estreita.



   24 de agosto de 2025  

21º Domingo do Tempo Comum

Domingo da Vocação dos Ministros Leigos


   Evangelho   


Lc 13,22-30


Naquele tempo, 22Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. 23Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”

Jesus respondeu: 24“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. 25Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’.

26Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’ 27Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ 28Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. 29Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. 30E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.


   Meditação.   


Façam todo esforço possível para entrar pela porta estreita (Lc 13, 24).


Você quer ser feliz. Quem não quer? Não é fácil explicar o que é a felicidade. Felicidade é realização, é amar e ser correspondido, é ter solução para os seus pequenos e grandes problemas... Felicidade é o sentimento de alegria e satisfação com a vida e muito mais. E você quer ser feliz. No fundo, você sabe, a felicidade, por um lado, é um dom de Deus e, por outro lado, é também fruto do nosso esforço. Sem esforço, não pomos as bases para uma vida saudável e feliz: o cuidado com a alimentação, o estudo sério, o modo como assumo meus compromissos de família, de trabalho, como cultivo minhas amizades, como me relaciono com os outros... Deus nos abre os caminhos e nós procuramos prosseguir com seriedade e empenho. Esse é o caminho da felicidade.


Você quer a salvação. Quem não quer? Não é fácil explicar o que é a salvação. Salvação é o final feliz de nossa vida, a realização completa de nossa existência em Deus. Mas, não é só a chegada lá. É também a nossa condição agora, a nossa comunhão com Deus. Para entender um pouco dessa condição de plenitude e realização que é a salvação, Jesus falou de banquete, festa de casamento, lugar onde estão os justos, casa paterna de muitas moradas, Reino de Deus glorioso. Cada imagem dessas é uma brecha por onde já se enxerga o brilho da salvação eterna. E você quer a salvação, claro. E você sabe que a salvação é um dom de Deus, obra de sua graça. E sabe, pela evangelização, que a porta da casa de Deus nos foi aberta pela morte e ressurreição de Jesus. A salvação é um dom gratuito de Deus, sem merecimento algum de nossa parte. Ainda assim, nos lembremos, no acolhimento da salvação concorre também o nosso esforço, o nosso compromisso, uma vida segundo os mandamentos de Deus, em comunhão com ele e com os irmãos. Sem esforço de nossa parte, sem compromisso, sem conversão, a coisa fica pela metade, nos detemos no portão de entrada. Certo que a salvação é obra de Deus, mas nos cabe acolhê-la, nos deixar transformar por ela, colaborar com o seu crescimento em nós.


Se até aqui estivermos nos entendendo, já está explicado o evangelho de hoje. Perguntaram a Jesus se os que se salvam, são poucos ou são muitos? Jesus aproveitou a pergunta para estimular a conversão e o compromisso com uma vida de santidade. Falou da porta estreita.Façam todo esforço para entrar pela porta estreita”. Isso você entende, não é verdade? Tem muita porta larga por aí: a do relaxamento, da preguiça, do egoísmo, do desregramento, dos vícios, da falta de seriedade nos compromissos consigo mesmo(a), com os outros e com Deus. Entrar pela porta estreita e, - ele também deu a entender - enquanto há tempo. Ele contou que quando o dono da casa fechar a porta, não se entra mais. Aí ele enfeitou a parábola: ‘tem gente que vai ficar batendo na porta, dizendo que é amigo do dono da casa, que já esteve com ele diversas vezes, que ouviu seus discursos...’. A resposta vai ser: “Eu não conheço vocês. Vão-se embora”. Você pegou a mensagem? Entrar pela porta estreita enquanto é tempo. Não deixe pra amanhã a sua conversão. É hoje o dia da salvação.






Guardando a mensagem


Perguntaram a Jesus sobre a salvação. Ele indicou duas coisas preciosas para o nosso caminho com Deus: entrar pela porta estreita e a tempo. ‘A tempo’ quer dizer não adiar a sua conversão, não deixar para amanhã os seus compromissos de vida nova. Amanhã, pode ser tarde e a porta pode estar já fechada. ‘Entrar pela porta estreita’ quer dizer que, mesmo sendo a salvação um dom gratuito de Deus, precisamos acolhê-la com esforço e compromisso.


Façam todo esforço possível para entrar pela porta estreita (Lc 13, 24).


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

a nossa caminhada para Deus se assemelha à peregrinação do teu povo de todas as nações para o monte santo de Jerusalém, como está descrito no Livro do Profeta Isaías (Is 66). Nossa vida é, de verdade, uma peregrinação, contigo, para Jerusalém. É nesse caminho, que tu vais nos ensinando, nos instruindo. Hoje, nos falaste da porta estreita. Senhor, a porta larga nos seduz. É a porta da facilidade, do relaxamento, do mais ou menos. Ajuda-nos, Senhor, a entrar pela porta estreita. Esta é a porta do compromisso, do esforço, do melhor possível. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Em um momento pessoal de oração, peça ao Senhor a graça de perseverar no caminho do bem e da salvação, sem se desviar da porta estreita.


Comunicando


Na programação do mês vocacional, este domingo celebra a vocação dos leigos e leigas. Os cristãos leigos têm a vocação de fermentar o mundo com o evangelho, isto é, serem o bom fermento de Jesus no mundo da família, do trabalho, da economia, da política, da educação, em toda a sociedade. Também na Igreja, são chamados a ter uma presença ativa e responsável na liturgia, na catequese, na comunicação, no serviço da caridade, na liderança das comunidades, serviços e pastorais. Rezemos, hoje, pela vocação dos leigos e leigas de nossas comunidades. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Compro a pérola mais linda.

  


   23 de agosto de 2025   

Dia de Santa Rosa de Lima, 
padroeira da América Latina

   Evangelho.   


Mt 13,44-46

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“O Reino do Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.
45O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola”.

   Meditação.   


Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola (Mt 13, 46)

Duas parábolas parecidas, a do tesouro escondido e a da pérola preciosa. Comparações que Jesus fez sobre o Reino de Deus.

O Reino dos Céus é um como um tesouro escondido no campo que o homem encontra. O Reino é um dom de Deus, um tesouro que está escondido em nossa vida, em nossa história. Nós só o encontramos, mas ele já estava lá. Nós nos deparamos com ele, nos surpreendemos com a sua existência. Não o produzimos. Ele é um tesouro que nós não amealhamos. Mas, ele está ali para nós, um grande dom em nossa vida. Assim é o Reino de Deus.

O Reino dos Céus é como um comprador que procura pérolas preciosas e encontra uma de grande valor. O homem procura pérolas preciosas. Em sua busca, encontra algo maravilhoso, a pérola dos seus sonhos. O Reino não deixa de ser dom, uma pedra preciosa de imenso valor que não é obra de nossas mãos. Mas, há uma detalhe nessa parábola. O homem a buscava... ela é a resposta aos seus sonhos, à sua busca. O Reino de Deus é uma resposta aos profundos anseios de nosso coração: o amor, a paz, a unidade, a comunhão, a fraternidade, a justiça... Assim é o Reino de Deus.

As duas parábolas também nos dizem como teremos parte no Reino de Deus. O agricultor que encontrou o tesouro escondido no campo vendeu tudo quanto possuía e comprou o campo. O comerciante também vendeu tudo o que tinha e comprou aquela pérola. Como podemos entender isso? O tesouro vale mais do que todos os bens que o agricultor possui. Será o grande bem de sua vida. A pérola preciosa vale mais do que todos os bens que o comerciante tem. Será o seu maior bem. Quando se encontra o Reino de Deus, que é o maior bem que a gente pode ter, a gente renuncia a qualquer outro valor para colocá-lo em primeiro lugar. Como disse Jesus: “Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais lhes será dado em acréscimo”. E Paulo apóstolo: “Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo” (Filipenses 3,7).

É claro, nós não compramos o Reino de Deus. Não é isto que a parábola está dizendo. Nós damos ao Reino de Deus o lugar mais importante, colocando o resto em segundo plano. Como disse Paulo: “por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo”. Na verdade, ao vender tudo para comprar o campo, é o tesouro que agora me tem. Ao vender tudo para comprar a pérola, é a pérola que agora me possui. Paulo não desprezou tudo para ser dono de Jesus. Pelo contrário, para ser completamente de Jesus é que ele renunciou a tudo.




Guardando a mensagem

Na parábola do tesouro, entendemos que o Reino de Deus é, em primeiro lugar, um dom de Deus em nossas vidas. Um dom, um tesouro encontrado pelo agricultor. Na parábola da pérola, entendemos que o Reino de Deus é uma resposta de Deus aos nossos anseios, aos nossos sonhos. É a resposta à busca do comerciante. Mas, não basta encontrar o Reino de Deus. Precisamos redimensionar tudo em nossa própria vida para que ele esteja em primeiro lugar. Para que nós pertençamos a ele.

Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola (Mt 13, 46)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós já encontramos o Reino de Deus ou ele nos encontrou. O Reino é a tua presença entre nós, nos comunicando o amor do Pai. Nós te descobrimos, como o agricultor cavando a terra. Nós te encontramos, como o comerciante procurando a pérola mais valiosa. Falta-nos ainda nos empenhar por completo, para colocar o Reino de Deus como valor supremo de nossas vidas, não para te possuirmos, mas para pertencermos a ti. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para melhor compreensão da meditação de hoje, sugiro que você siga o link enviado ou leia o texto que está publicado no meu blog (padrejoaocarlos.com).  

Comunicando
 
E, hoje, faço show em Caetés I, município de Abreu e Lima, área metropolitana do Recife, na festa do padroeiro São João Bosco. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Postagem em destaque

Um jantar na casa de Seu Levi.

   17 de janeiro de 2026.    Sábado da 1ª Semana do Tempo Comum    Evangelho.    Mc 2,13-17 Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira...

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