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2019/07/31

EMPENHAR TUDO PARA SER DELE

Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola (Mt 13, 46)

31 de julho de 2019  - Dia de Santo Inácio de Loiola

Duas parábolas parecidas, a do tesouro escondido e a da pérola preciosa. Comparações que Jesus fez sobre o Reino de Deus. 

O Reino dos Céus é um como um tesouro escondido no campo que o homem encontra. O Reino é um dom de Deus, um tesouro que está escondido em nossa vida, em nossa história. Nós só o encontramos, mas ele já estava lá. Nós nos deparamos com ele, nos surpreendemos com a sua existência. Não o produzimos. Ele é um tesouro que nós não amealhamos. Mas, ele está ali para nós, um grande dom em nossa vida. Assim é o Reino de Deus.

O Reino dos Céus é como um comprador que procura pérolas preciosas e encontra uma de grande valor. O homem procura pérolas preciosas. Em sua busca, encontra algo maravilhoso, a pérola dos seus sonhos. O Reino não deixa de ser dom, uma pedra preciosa de imenso valor que não é obra de nossas mãos. Mas, há uma detalhe nessa parábola. O homem a buscava... ela é a resposta aos seus sonhos, à sua busca. O Reino de Deus é uma resposta aos profundos anseios de nosso coração: o amor, a paz, a unidade, a comunhão, a fraternidade, a justiça... Assim é o Reino de Deus.  

As duas parábolas também nos dizem como teremos parte no Reino de Deus. O agricultor que encontrou o tesouro escondido no campo vendeu tudo quanto possuía e comprou o campo. O comerciante também vendeu tudo o que tinha e comprou aquela pérola. Como podemos entender isso? O tesouro vale mais do que todos os bens que o agricultor possui.  Será o grande bem de sua vida. A pérola preciosa vale mais do que todos os bens que o comerciante tem. Será o seu maior bem. Quando se encontra o Reino de Deus, que é o maior bem que a gente pode ter, a gente renuncia a qualquer outro valor para colocá-lo em primeiro lugar. Como disse Jesus: “Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais lhes será dado em acréscimo”. E Paulo apóstolo: “Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo” (Filipenses 3,7).

É claro, nós não compramos o Reino de Deus. Não é isto que a parábola está dizendo. Nós damos ao Reino de Deus o lugar mais importante, colocando o resto em segundo plano. Como disse Paulo: “por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo”. Na verdade, ao vender tudo para comprar o campo, é o tesouro que agora me tem. Ao vender tudo para comprar a pérola, é a pérola que agora me possui. Paulo não desprezou tudo para ser dono de Jesus. Pelo contrário, para ser completamente de Jesus é que ele renunciou a tudo.

Guardando a mensagem

Na parábola do tesouro, entendemos que o Reino de Deus é, em primeiro lugar, um dom de Deus em nossas vidas. Um dom, um tesouro encontrado pelo agricultor. Na parábola da pérola, entendemos que o Reino de Deus é uma resposta de Deus aos nossos anseios, aos nossos sonhos. É a resposta à busca do comerciante. Mas, não basta encontrar o Reino de Deus. Precisamos redimensionar tudo em nossa própria vida para que ele esteja em primeiro lugar. Para que nós pertençamos a ele.

Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola (Mt 13, 46)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Nós já encontramos o Reino de Deus ou ele nos encontrou. O Reino é a tua presença entre nós, nos comunicando o amor do Pai. Nós te descobrimos, como o agricultor cavando a terra. Nós te encontramos, como o comerciante procurando a pérola mais valiosa. Falta-nos ainda nos empenhar por completo, para colocar o Reino de Deus como valor supremo de nossas vidas, não para te possuirmos, mas para pertencermos a ti. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça deste último dia do mês um dia de ação de graças. Bendiga o Senhor por tudo que você recebeu dele: amor, proteção, oportunidades, bênçãos. Agradeça, agradeça várias vezes durante o dia. Sua presença amorosa em nossa vida é o nosso maior tesouro. 

Pe. João Carlos Ribeiro – 31 de julho de 2019

2019/05/22

SEM ELE, ESTAMOS PERDIDOS

Sem mim, vocês nada podem fazer (Jo 15,5)
22 de maio de 2019.
Como Israel era um povo agrícola, a Bíblia está cheia de comparações com plantas frutíferas: oliveira, videira, vinha, figueira... A vinha é uma imagem tradicional do povo de Deus. Deus plantou seu povo naquela terra abençoada de Canaã, como quem planta uma vinha, um parreiral, uma linda roça de uva.
Jesus falou de uma forma alegórica, dizendo que ele é a videira, o Pai é o agricultor e nós somos os ramos. A cultura agrícola do seu povo permitia um imediato entendimento dessa comparação. Uma imagem muita rica, cheia de detalhes a nos falar de nossa unidade com Cristo e de nosso crescimento na vida cristã. No batismo, fomos enxertados em Cristo, como ramos enxertados na videira. Somos filhos adotivos. Nossa identidade está ligada a Jesus Salvador. Sem essa vinculação permanente com a videira, não prosperamos do ponto de vista espiritual. Não damos frutos. Separados da videira, o ramo seca. É de se pensar que muitos se batizam, mas não continuam unidos a Cristo, alimentando-se de sua Palavra e da Eucaristia, integrado à sua comunidade eclesial.
“Sem mim, vocês nada podem fazer”. Sem essa união com Cristo, videira verdadeira, não há como darmos fruto. O ramo não prospera separado da videira ou só aparentemente unido. Digo ‘aparentemente’, porque, em muitos casos, a pessoa não se mantém realmente vinculada a Cristo, não permanece unida a ele. O alerta de Jesus é sobre ‘permanecer’. Permanecer é perseverar na comunhão com ele, na comunhão com a comunidade dos discípulos e na prática dos seus mandamentos. Podemos desconfiar dessa vinculação com o Senhor quando a pessoa não tem uma vida de oração, não se alimenta da palavra de Deus, não frequenta a celebração eucarística.
“Sem mim, vocês nada podem fazer”. Fomos inseridos em Cristo pela fé e pelo batismo. Mas, isto não basta. A imagem da videira nos ajuda a perceber isso. Os frutos não surgem de repente, levam um tempo. Eles vêm, num certo momento do processo, num ramo que está profundamente unido ao tronco, alimentando-se permanentemente da seiva que vem dele e da fotossíntese que realiza na presença da luz solar. É preciso permanecer, crescer nele, para poder dar frutos.
“Nisto meu Pai é glorificado: que vocês deem muito fruto e se tornem meus discípulos”. Segundo essa palavra, dar fruto é o mesmo que tornar-se seus discípulos. De fato, que fruto maior se pode esperar de um filho de Deus, de uma filha de Deus senão tornar-se parecido com Jesus?! Tornar-se discípulo é chegar a pensar como Jesus, amar como ele e agir como ele; com o seu coração, com a sua entrega, com a sua fidelidade.
Guardando a mensagem
Jesus, em suas comparações, valia-se de imagens do ambiente conhecido pelo seu povo. A comparação com a videira já vinha do Antigo Testamento. Jesus falou de nossa comunhão com ele como a do ramo enxertado na videira. Se não permanecermos nele, não damos fruto. Para a aderência no tronco da videira, o ramo precisa ser limpo. Jesus nos limpou, nos purificou com sua morte redentora.  A grande obra de nossa vida é nos tornarmos discípulos e discípulas do Senhor. E, assim, realizamos nossa vida, inspirada na sua, iluminada pelo seu exemplo, trilhando o seu caminho. Como discípulos, à imagem de Jesus, tudo o que fizermos agradará e glorificará o nosso Deus e Pai.
Sem mim, vocês nada podem fazer (Jo 15,5)
Senhor Jesus,
A nossa união contigo está figurada na alegoria da videira. Tu és a videira, o tronco. Nós somos os ramos, os galhos. O Pai é o agricultor. Ele cuida da videira, do tronco e dos ramos. Somos um contigo, somos a tua Igreja. Estamos unidos a ti, como ramos enxertados. Quanto mais permanecemos em ti, mais podemos florescer como filhos de Deus, com atitudes e ações de discípulos teus. Concede-nos, Senhor, o teu Santo Espírito que nos une a ti, videira verdadeira.  Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
A oração é uma forma de permanecermos em Cristo. Sem ele, nada podemos fazer. Reforce, hoje, seu compromisso com o seu momento diário de oração.

Pe. João Carlos Ribeiro – 22.05.2019.

2018/08/23

A PÉROLA QUE GANHOU O COMERCIANTE


Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo (Mt 13, 44).
23 de agosto de 2018.
Duas parábolas parecidas, a do tesouro escondido e a da pérola preciosa. Comparações que Jesus fez sobre o Reino de Deus. O Reino dos Céus é um como um tesouro escondido no campo que o homem encontra. O Reino é um dom de Deus, um tesouro que está escondido em nossa vida, em nossa história. Nós só o encontramos, mas ele já estava lá. Nós nos deparamos com ele, nos surpreendemos com a sua existência. Não o produzimos. Ele é um tesouro que nós não amealhamos. Mas, ele está ali para nós, um grande dom em nossa vida. Assim é o Reino de Deus.
O Reino dos Céus é como um comprador que procura pérolas preciosas e encontra uma de grande valor. O homem procura pérolas preciosas. Em sua busca, encontra algo maravilhoso, a pérola dos seus sonhos. O Reino não deixa de ser dom, uma pedra preciosa de imenso valor que não é obra de nossas mãos. Mas, há uma detalhe nessa parábola. O homem a buscava... ela é a resposta aos seus sonhos, à sua busca. O Reino de Deus é uma resposta aos profundos anseios de nosso coração: o amor, a paz, a unidade, a comunhão, a fraternidade, a justiça... Assim é o Reino de Deus.  
As duas parábolas também nos dizem como teremos parte no Reino de Deus. O agricultor que encontrou o tesouro escondido no campo vendeu tudo quanto possuía e comprou o campo. O comerciante também vendeu tudo o que tinha  e comprou aquela pérola. Como podemos entender isso? O tesouro vale mais do que todos os bens que o agricultor possui. Será o grande bem de sua vida. A pérola preciosa vale mais do que todos os bens que o comerciante tem. Será o seu maior bem. Quando se encontra o Reino de Deus, que é o maior bem que a gente pode ter, a gente renuncia a qualquer outro valor para colocá-lo em primeiro lugar. Como disse Jesus: “Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais lhes será dado em acréscimo”. E Paulo apóstolo: “Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo” (Filipenses 3,7).

É claro, nós não compramos o Reino de Deus. Não é isto que a parábola está dizendo. Nós damos ao Reino de Deus o lugar mais importante, colocando o resto em segundo plano. Como disse Paulo: “por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo”. Na verdade, ao vender tudo para comprar o campo, é o tesouro que agora me tem. Ao vender tudo para comprar a pérola, é a pérola que agora me possui. Paulo não desprezou tudo para ser dono de Jesus. Pelo contrário, para ser completamente de Jesus é que renunciou a tudo.
Guardando a mensagem
Na parábola do tesouro, entendemos que o Reino de Deus é, em primeiro lugar, um dom de Deus em nossas vidas. Um dom, um tesouro encontrado pelo agricultor. Na parábola da pérola, entendemos que o Reino de Deus é uma resposta de Deus aos nossos anseios, aos nossos sonhos. É a resposta à busca do comerciante. Mas, não basta encontrar o Reino de Deus. Precisamos redimensionar tudo em nossa própria vida para que ele esteja em primeiro lugar. Para que nós pertençamos a ele.
Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo (Mt 13, 44).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós já encontramos o Reino de Deus ou ele nos encontrou. O Reino é a tua presença entre nós, nos comunicando o amor do Pai. Nós te descobrimos, como o agricultor cavando a terra. Nós te encontramos, como o comerciante procurando a pérola mais valiosa. Falta-nos ainda nos empenhar por completo, para colocar-te, para colocar o Reino de Deus como valor supremo de nossas vidas, não para te possuirmos, mas para pertencermos a ti. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No seu diário espiritual (o seu caderno de anotações), escreva uma oração a Jesus, falando da pérola preciosa que você encontrou.

Pe. João Carlos Ribeiro – 01.08.2017

2018/07/28

ATENÇÃO PARA NÃO SEMEAREM JOIO NA SUA PLANTAÇÃO



Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora (Mt 13, 25). 


28 de julho de 2018.


Jesus contou uma parábola para ensinar a gente a ser paciente, tolerante e deixar o julgamento para Deus. E, certamente, também pra gente ficar mais atento com o que estamos fazendo, com a nossa plantação. Ele contou a parábola do joio e do trigo. Um homem semeou boa semente de trigo em seu campo. De noite, veio o inimigo e semeou o joio. Cresceram juntos, trigo e joio. Quando começaram a aparecer as espigas, notou-se que no meio do trigo havia o joio. Os empregados queriam arrancá-lo. Mas, o homem não deixou. Poderiam confundir trigo com joio. Deixassem chegar o tempo da colheita. Aí, sim, arrancariam primeiro o joio e tocariam fogo nele. O trigo não, o trigo iria para o celeiro.

Jesus, à parte, em casa, com os discípulos deu uma explicação dessa parábola. O homem que semeou a boa semente é ele mesmo, o Mestre. O trigo são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno. No fim dos tempos, os anjos farão a ceifa. E cada um terá o seu destino: os maus para o fogo eterno, os justos para a glória. 

Você conhece um pé de trigo? O trigo é como um capim crescido com espigas. Quando chega o tempo da colheita, fica tudo amarelinho. Espigas bonitas, os grãos todos arrumadinhos, tudo bem certinho. É bonito de se ver. O trigo era a base alimentar do povo do tempo de Jesus. Com ele, faziam o pão, em casa. Mas, e o joio? O joio, você nunca viu. O joio é uma erva daninha, também chamada de cizânia, que dá no meio de cereais como o trigo. Ele é bem parecido com o trigo. Só quando começa a dar espigas é que se nota a diferença. Umas espigas com uns grãos desengonçados, uns grãozinhos pretos tóxicos. As feiosas espigas ficam logo pendidas para um lado. E tem outro detalhe que os diferencia. O trigo tem raízes não muito profundas, é fácil arrancá-lo. Já o joio tem raízes rasteiras que se entrelaçam nas raízes do trigo. Na história de Jesus, o homem achou melhor não arrancar o joio. O melhor seria aguardar a colheita. Arrancando o joio iria-se prejudicar o trigo, claro, porque suas raízes se misturam com as do trigo. Seria prejuízo para o desenvolvimento da espiga do trigo. 


A grande lição da parábola é a tolerância. Vivemos nesse mundo, junto com todo mundo. Não podemos viver separados. A oração de Jesus na última ceia dizia: “Pai, não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno”. Trata-se de convivermos, com respeito e tolerância com todos. Não quer dizer que aplaudimos o mal. Não. Trabalhamos para que todos se consertem, todos precisam ter essa chance. Temos que ser pacientes, como Deus é paciente. Somos trigos. Convivemos com o joio. Mas, todo cuidado é pouco para não nos tornamos também joio, permitindo que o mal nos influencie e nos faça à sua imagem. O joio e o trigo se conhecem pelas espigas, pelos frutos. O fruto é que nos diz se é trigo e vai dar um bom pão ou se é joio e está só sugando a terra e atrapalhando o desenvolvimento do trigo.


Vamos guardar a mensagem 

Os fariseus bem que queriam viver separados das outras pessoas, a quem eles chamavam de pecadores. Mas, Jesus agiu de maneira diferente. Procurava estar com todos, mesmo com aqueles que a sociedade discriminava. Vivemos misturados, joio e trigo. O joio não vai ter um bom final. Mas, o trigo tem que ter cuidado para não se deixar assimilar pelo joio e tornar-se estéril ou dar frutos venenosos como ele. Pelo contrário, o trigo precisa trabalhar para ajudar na conversão do joio. A parábola do joio e do trigo é um belo ensinamento sobre a tolerância, a convivência. Mas, também sobre a vigilância. Não deixar que o inimigo semeie o joio na nossa plantação.


Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora (Mt 13, 25).

Vamos rezar a palavra



Senhor Jesus, 

Tu nos ensinaste a rezar, no Pai Nosso, “Livrai-nos do mal”. Ajuda-nos, Senhor, a estar vigilantes para que o inimigo não semeie joio na nossa plantação de trigo, na nossa família, na nossa comunidade. Ensina-nos a conviver com quem é joio, sem exclui-lo, mas sem imitá-lo ou deixar-nos cooptar pela desonestidade, pela infidelidade, por suas más ações. Antes, sejamos capazes de ajudá-los a se transformarem em trigo, antes que chegue o dia final da colheita. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vamos viver a palavra 

Talvez você já esteja identificando algum joio na sua plantação. Que tal rezar por ele, para que se converta enquanto é tempo?

Pe. João Carlos Ribeiro – 28.07.2018

2018/06/17

O REINO, A LINDA OBRA DE DEUS EM NOSSA HISTÓRIA


O Reino de Deus é como um grão de mostarda (Mc 4, 31)

17 de junho de 2018.

A gente fica esperando o Reino de Deus como uma intervenção poderosa do Senhor em nosso mundo. Uma coisa forte, visível que todo mundo reconheça e se submeta. Como falamos de ‘reino’, ficamos imaginando os impérios deste mundo, os reinados de senhores poderosos e violentos de quem a história dá notícia.

Mas, Jesus que tanto falou do Reino de Deus, não deixou uma definição do que é o Reino. Antes, fez comparações que desfazem completamente nossas expectativas farisaicas. O Reino é como a semente plantada na terra que, sem o agricultor saber como, vai nascer, crescer e produzir frutos. O Reino é como uma semente de mostarda que vai se tornar um belo arbusto. O Reino é como uma festa de casamento, para o qual estamos convidados. É como a plantação, onde o inimigo semeou o joio. É melhor a gente desistir de querer definir o que é o Reino de Deus. Parece mais um jeito de Deus agir neste mundo.

Jesus nos conta, hoje, duas pequenas parábolas: a semente que germina sozinha e o grão de mostarda que se torna um frondoso arbusto. Estas duas parábolas deste 11º  domingo do tempo comum nos dão novas pistas sobre o Reino de Deus.

Uma primeira lição é esta: O Reino se constrói com pequenos sinais. O Reino está potencialmente presente no que, hoje, nós estamos semeando, que nos parece tão pouco, tão pequeno. Ele é como a semente plantada que germina ou como o grão de mostarda tão pequeninho que vai se tornar uma grande hortaliça. Quando semeamos, nós mostramos confiança na semente e no futuro dela. Ao realizarmos pequenas ações e nos movermos com pequenos passos, estando na direção certa, estamos semeando o reino. É um conselho que damos, é uma desculpa que aceitamos, é uma pequena decisão que tomamos na direção justa. O Reino se constrói com pequenos sinais. São sementes que plantamos, grãos de trigo lançados na terra.

Uma segunda lição é a seguinte: O Reino não é obra nossa. É obra de Deus, servindo-se de nossa muito pequena participação. Embora o agricultor plante a semente, mas a germinação é um segredo do criador. É dele o milagre daquela semente tornar-se uma plantinha, crescer, florescer, frutificar. O agricultor colabora, plantando, limpando, irrigando, mas a espiga é obra da natureza e de quem a fez. O mesmo acontece com o grão de mostarda. O arbusto que vai acolher até os passarinhos é fruto de uma dinâmica que não é controlada pelo agricultor. O Reino não é obra nossa. É obra de Deus, com sua lógica, sua dinâmica, sua atuação.

Uma terceira lição é esta: o Rino será uma realidade surpreendente. Se plantarmos, colheremos. A semente dará fruto, dela se colherão as espigas. O grão de mostarda vai será uma linda hortaliça e abrigará os pássaros do céu. O agricultor vai se surpreender com a obra de Deus em seu favor.

O Evangelho é a revelação desse evento maravilhoso: o Reino está ao nosso alcance, está batendo à nossa porta, está próximo de nós, está entre nós. Deus está cumprindo sua promessa: “Eis que faço novas todas as coisas”. É por essa razão que o Evangelho, em confirmação das palavras de Jesus, narra tantos milagres, curas, exorcismos. É o Reino se instalando como luz, como saúde, como paz, como perdão.

Vamos guardar a mensagem

Mesmo com tanta crise, com tanta coisa ruim acontecendo, com tanto desmantelo no mundo, experimentamos cada dia que o Reino de Deus está entre nós, está acontecendo, está em gestação. Ele é obra de Deus, com nossa pequena colaboração. Por meio do seu filho Jesus, está semeando um mundo novo de comunhão, de paz, de reconciliação. Jesus está conosco até a consumação dos séculos, como prometeu. Não nos abandona. O seu Santo Espírito atualiza a sua presença e a sua ação redentora. O Reino está entre nós.

O Reino de Deus é como um grão de mostarda (Mc 4, 31)

Vamos rezar a palavra

Senhor Jesus,

Tu estás entre nós, tu estás conosco na assembleia que se reúne, na Palavra que é proclamada, no Pão eucarístico que nos alimenta. É isso que experimentamos cada dia e que celebramos na Missa: a tua presença redentora entre nós, nos instruindo, nos abençoando, nos conduzindo. O Reino, de que tanto falaste, é a tua presença salvando esse mundo, reconduzindo o pecador à comunhão com Deus, nos conduzindo no caminho da justiça e da paz. Tu és o Emanuel, Deus conosco. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vamos viver a palavra

Domingo, dia de participar da Missa, com a sua comunidade. Seu pequeno gesto – como este de deixar tudo para estar, com o Senhor e com os seus irmãos e irmãs – está construindo o reino, onde Deus é Senhor de sua vida, da vida de sua família, de nossa história.

Pe. João Carlos Ribeiro – 17.06.2018