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31 agosto 2019

AS DUAS LIÇÕES DA MESA

Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos (Lucas 14, 13)
01 de setembro de 2019 – 22º. Domingo do Tempo Comum
No evangelho de hoje, Jesus tem dois ensinamentos pra gente. O primeiro é esse: Não queira ser mais do que os outros.
Jesus foi a uma refeição festiva, na casa de alguém importante. Ele viu os convidados escolhendo os primeiros lugares. Nós também vemos isso todos os dias. O espírito do mundo é exatamente esse: a busca dos primeiros lugares. É o mundo da concorrência, um querendo derrubar o outro; o mundo da competição, um querendo deixar o outro pra trás. O espírito do mundo nos ensina a querer ser mais importantes que os outros, a cobiçar os cargos mais altos, a querer estar sempre em evidência. E essa mentalidade acaba por incentivar a violência, a vaidade, a presunção, o orgulho.
Jesus está ensinando uma coisa muito diferente: Não queira ser mais do que ninguém. O espírito do evangelho é a fraternidade, o acolhimento e valorização de cada um, a cooperação. Foi isso que Jesus ensinou: somos irmãos, dependemos uns dos outros. Não queira ser mais do que os outros.
O livro do Eclesiástico tem um ensinamento precioso sobre a humildade: “Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor” (Eclo 3). E a razão é simples: Deus revela seus mistérios aos humildes e resiste aos soberbos.
O segundo ensinamento de Jesus, no evangelho de hoje, é esse: Nunca se esqueça dos pobres.
Naquela refeição festiva, Jesus viu que os convidados eram gente importante, gente do alto nível social, amigos do dono da casa. Então ele disse a quem o convidou: Quando for fazer uma festa, não convide só seus parentes, seus vizinhos ricos, seus amigos, seus irmãos. Convide os pobres, os coxos, os aleijados, os cegos. 
O espírito do mundo pratica a exclusão social (deixar de fora quem não tem recursos) e a segregação social (separar de um lado os privilegiados e de outros, os desamparados; isso nos locais de moradia, nos elevadores, nos shoppings, nas casas de festa, nas escolas, nos hospitais, em todo canto). Um mundo de benefícios está reservado a quem tem dinheiro e importância social. O espírito do evangelho é outro: é a inclusão, a fraternidade, a comunhão, o oferecimento de oportunidades a quem é mais frágil e necessitado. Assim, nunca se esqueça dos pobres.
Guardando a mensagem
Jesus notou, naquela refeição na casa do fariseu, que os convidados eram os irmãos e parentes do dono da casa, seus amigos e vizinhos ricos. Isso mostra uma mentalidade: a comemoração do seu próprio status, a bajulação dos ricos, a exclusão social. É o espírito do mundo. O espírito do Reino é outro: a busca de inclusão dos pobres, dos mais sofridos, a valorização dos pequenos. Na cerimônia do seu casamento, não se esqueça dos parentes mais humildes. No seu colégio, não deixe as crianças pobres sem lanche. Na sua igreja, providencie os acessos para as pessoas com deficiência ou com dificuldade de locomoção. No seu almoço de domingo, reserve um prato de sua gostosa alimentação para quem passa a semana com fome. Não se esqueça de quem não teve as suas mesmas oportunidades. 
Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos (Lc 14, 13)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A refeição, que é um ato sagrado para o teu povo, foi palco de belos ensinamentos teus. Obrigado, Senhor. Concede-nos que nossas mesas sejam lugares de fraternidade, de diálogo, de inclusão, onde se manifeste o espírito do Reino, não o espírito do mundo. Concede que nossas refeições em família preparem a sagrada refeição da Eucaristia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Estamos começando o mês da Bíblia e eu queria fazer-lhe um desafio: nesse mês, ler o Evangelho de São Lucas. É o evangelho do ano. Ler o evangelho de São Lucas, todinho, nesse mês de setembro. São apenas 24 capítulos. Você topa? Se tomar, comece hoje. 
Pe. João Carlos Ribeiro – 01 de setembro de 2019.

11 novembro 2018

A VIÚVA POBRE E OS FARISEUS SABIDOS


Eles devoram as casas das viúvas, enquanto fingem fazer longas orações (Mc 12, 40)

11 de novembro de 2018.

Na liturgia deste domingo, a viúva está em evidência. Conta-se a história da pobre viúva estrangeira que hospedou o profeta Elias, numa grande seca. E a história da viúva pobrezinha  que deu uma oferta no Templo e foi elogiada por Jesus. Ela deu tudo o que tinha, e mesmo sendo tão pouco – duas moedinhas – deu mais do que todo mundo.  E no meio desse elogio à viúva pobre, tem uma crítica muito forte aos mestres da Lei, os fariseus estudados do tempo de Jesus. O que será tem uma coisa com a outra: a viúva pobre com os fariseus sabidos?

Quando se fala de pobre na Bíblia, aparecem três grupos: a viúva, o órfão e o estrangeiro. A viúva, perdendo o marido, perdeu sua referência e sua segurança. O órfão, pela perda do pai ou da mãe, é a própria figura do desamparo. O estrangeiro, migrante ou exilado, fora de sua terra e de sua parentela, está longe de sua pátria e de sua cultura.

O povo de Deus nunca poderia se esquecer de suas raízes, de sua história. Eles eram um povo de viúvas, órfãos e estrangeiros. Essa era a sua condição na servidão do Egito ou no exílio da Babilônia. Famílias dizimadas pelas guerras, povo deportado de sua terra pela pobreza ou pelos vencedores. Quando o povo  entrou na posse da terra prometida, assumiu o compromisso de cuidar bem dos pobres e sofredores. Eles mesmos tinham passado por essa condição de insegurança, desamparo e saudade de sua terra.  Como povo livre, assumiu o compromisso de amparar a viúva, proteger o órfão e acolher o estrangeiro pobre. Essa é a vocação de Israel, o povo de Deus.

O que Jesus encontrou no seu tempo? Um povo esquecido de sua vocação. Uma sociedade onde a norma era o desamparo e o abandono dos doentes, dos pobres  e a marginalização dos humildes. O que Jesus fez diante desse quadro tão doloroso?  Em primeiro lugar, agiu de maneira diferente. Nós o vemos, quase o tempo todo, ocupando-se dos doentes, cercado de famintos, procurado pelos leprosos, cegos, pessoas com deficiência. Ele organiza sua comunidade a partir dos pobres e marginalizados. Seus apóstolos são pescadores, cobrador de impostos, gente simples. Em segundo lugar, Jesus prega que o Reino de Deus é dos pobres, dos mansos, dos perseguidos.  Anuncia que sua missão é cuidar deles: trazer luz para os cegos, saúde para os doentes, liberdade para os oprimidos.

Em terceiro lugar,  Jesus corrige o que está errado. Ao lado de sua nova prática e de um vigoroso ensinamento sobre a centralidade dos pequenos no Reino de Deus, Jesus denuncia os que negam a cidadania dos pobres e os que tristemente os exploram. Nesse nível, podemos entender melhor a palavra de hoje: “Eles devoram as casas das viúvas, enquanto fingem fazer longas orações”. De quem Jesus está falando? Dos mestres da lei, os fariseus estudados.  Foi o que ele disse, depois de reclamar do modo como viviam de ostentação e de busca de privilégios.  Reclamou que eles gostavam de se sentar nos primeiros lugares na sinagoga. Eles se tornaram fortes lideranças na vida religiosa das comunidades. Assim, em vez de liderar a comunidade como espaço de todos, a começar dos mais humildes, o fazia em benefício de seus interesses. As comunidades cristãs, ao menos no início do cristianismo, eram formadas por gente humilde. O apóstolo Tiago claramente nos diz isso, quando pergunta onde estão os ricos e influentes na comunidade. Em nossas comunidades, há sempre o risco de no centro não estarem mais os pobres e sofredores, mas os ricos e influentes e seus interesses. E a comunidade acabar reforçando a desigualdade social e a marginalização dos pobres presente na sociedade.

Guardando a mensagem

O povo de Deus foi formado por gente muito sofrida. Sua maior referência é a memória que Deus os tirou da escravidão do Egito. Com o salmo 145, o povo eleito celebrava a obra de Deus que protege o estrangeiro, ampara o órfão e a viúva, mas confunde os caminhos dos maus. A comunidade de Jesus anuncia o Reino de Deus dado aos pobres e sofredores. As comunidades cristãs seguintes também foram formadas por gente humilde. Mas, sempre houve a tentação de, à imitação das classes dominantes na sociedade, uma elite tomar a liderança da comunidade, escanteando e esquecendo os pobres, como fizeram os mestres da Lei no tempo de Jesus. Esse é o alerta do evangelho de hoje. Pior ainda, quando, além de tomar o espaço dos pequeninos na comunidade, as lideranças aproveitam-se deles, pela exploração econômica. Esse ensinamento de Jesus é um incentivo para construirmos comunidades segundo o evangelho da viúva e para nos pormos em alerta contra modelos segundo o evangelho dos fariseus sabidos.

Eles devoram as casas das viúvas, enquanto fingem fazer longas orações (Mc 12,40)     
 
Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Chamaste a atenção dos discípulos para o modo como os mestres da Lei se comportavam, em sua liderança, buscando prestígio, disputando privilégios e ostentando superioridade. Eles apossavam-se do lugar dos humildes na comunidade, descaracterizando a vocação do povo eleito de amparar a viúva, defender o órfão e acolher o estrangeiro pobre. Fizeste uma denúncia muito séria contra eles: devoram a casa da viúva, em nome da religião. Hás de nos perdoar, Senhor, se ficamos aplicando tuas palavras ao que vemos hoje, em nome da fé. Dá-nos a graça, Senhor, de acolher teus ensinamentos e construir famílias e comunidades cristãs onde os pequenos estejam no centro de nossa atenção, especialmente  as crianças, os doentes e os idosos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Leia o evangelho deste domingo, em sua Bíblia ( Marcos 12, 38-44) e compartilhe a Meditação com seus parentes e amigos.

Pe. João Carlos Ribeiro – 11.10.2018

03 novembro 2018

TOME O CONSELHO DE JESUS: SEJA HUMILDE E FRATERNO

Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares (Lc 14, 7)
03 de novembro de 2018.
Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. Notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. E deu um conselho: ”você sendo convidado para uma festa de casamento, não ocupe os lugares reservados a pessoas importantes. Você pode passar uma grande vergonha. De repente, chega alguém mais importante do que você e o dono da casa vai pedir que você ceda aquele lugar... é melhor, sentando-se mais atrás, ser convidado para ocupar um lugar mais à frente, do que ser humilhado na frente de todo mundo”.
O que Jesus observou naquele jantar é o retrato do que nós vivemos hoje: a busca pelos primeiros lugares; pessoas achando-se importantes, gente procurando regalias, cobrando tratamento VIP, diferenciado. Quando alguém se sente importante, superior, especial, está, na verdade, cultivando a própria projeção, inflacionando o próprio egoísmo. Assim, passa a exigir a atenção dos outros, a admiração, a homenagem, a obediência... e condições diferenciadas dos outros, em seu modo de viver.
Nem sempre a imagem que se tem de si mesmo corresponde ao que de fato se é. E uma imagem inflada pelo sentimento de superioridade falseia a realidade. Além de atentar contra si mesmo, expondo-se a comportamentos e atitudes vaidosas, presunçosas, arrogantes..., essa busca de privilégios ofende as pessoas que estão ao seu redor. Quem se julga superior, tenta reduzir os outros a inferiores, servidores, capachos.
O ensinamento de Jesus é o contrário disso. Nada de arrogância, julgando-se superior por sua condição social, pela cor de sua pele, pelo bairro onde mora ou pelo dinheiro e influência que tenha. Modéstia. Humildade. Não querer ocupar os primeiros lugares, numa afirmação de superioridade sobre os outros. Sentar-se modestamente ao lado dos outros. Valorizar todo mundo, a partir dos aparentemente mais frágeis. Se vier algum reconhecimento, sendo chamado mais para frente, será uma honra bem-vinda. Porque, como disse o nosso Mestre, quem se eleva será humilhado; e quem se humilha, será exaltado.
Guardando a mensagem
Esta é uma tentação permanente em nossa vida, na sociedade e na Igreja: a busca de privilégios e de reconhecimento social. Os fariseus eram mestres nisso. O espírito do evangelho é a fraternidade, um modo de se conviver em sociedade e na Igreja em estilo de acolhimento, cooperação e  valorização de cada um. O mundo ensina diferente: seja o primeiro, o mais importante, o mais sabido, o mais poderoso; tem valor quem tem mais dinheiro, quem tem mais estudo, quem tem melhor aparência. O espírito do evangelho, ensinado por Jesus, diz diferente: somos irmãos, cada um tem seu valor, dependemos uns dos outros. Humildade, nada de arrogância.
Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares (Lc 14, 7)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
naquela refeição, observaste o que simbolicamente é a busca dos primeiros lugares: as disputas de poder, a busca de privilégios. O teu evangelho é a proclamação da fraternidade, todos somos irmãos. A boa nova que pregaste é afirmação da prioridade dos pequenos, os últimos serão os primeiros. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Não fique triste se não lhe fizerem aquela homenagem que você acha que merece. Não sinta inveja de quem parece ter se dado melhor do que você. Tome o conselho de Jesus: “não fique correndo atrás dos primeiros lugares”. Isso é loucura, vaidade, arrogância. Somos todos irmãos, estamos todos no mesmo barco.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03.11.2018

04 novembro 2017

A DOIDICE DA VAIDADE


Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares (Lc 14, 7)
Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. Notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. E deu um conselho: ”você sendo convidado para uma festa de casamento, não ocupe os lugares reservados a pessoas importantes. Você pode passar uma grande vergonha. De repente, chega alguém mais importante do que você e o dono da casa vai pedir que você ceda aquele lugar... é melhor, sentando-se mais atrás, ser convidado para ocupar um lugar mais à frente, do que ser humilhado na frente de todo mundo.
O que Jesus observou naquele jantar é o retrato do que nós vivemos hoje: a busca pelos primeiros lugares; pessoas achando-se importantes, gente procurando regalias, cobrando tratamento VIP, diferenciado. Quando alguém se sente importante, superior, especial, está, na verdade, cultivando a própria projeção, inflacionando o próprio egoísmo. Assim, passa a exigir a atenção dos outros, a admiração, a homenagem, a obediência... e condições diferenciadas dos outros em seu modo de viver.
Nem sempre a imagem que se tem de si mesmo corresponde ao que de fato se é. E uma imagem inflada pelo sentimento de superioridade falseia a realidade. Além de atentar contra si mesmo, expondo-se a comportamentos e atitudes vaidosas, presunçosas, arrogantes..., essa busca de privilégios ofende as pessoas que estão ao seu redor. Quem se julga superior, tenta reduzir os outros a inferiores, servidores, capachos.
O ensinamento de Jesus é o contrário disso. Nada de arrogância, julgando-se superior por sua condição social, pela cor de sua pele, pelo bairro onde mora ou pelo dinheiro e influência que tenha. Modéstia. Humildade. Não querer ocupar os primeiros lugares, numa afirmação de superioridade sobre os outros. Sentar-se modestamente ao lado dos outros. Se vier algum reconhecimento, sendo chamado mais para frente, será uma honra bem-vinda. Porque, como disse o nosso Mestre, quem se eleva será humilhado, e quem se humilha, será exaltado.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Na refeição, na casa do fariseu, Jesus notou como alguns buscavam os primeiros lugares. Esse é uma tentação permanente em nossa vida, na sociedade e na Igreja: buscar privilégios, destaques, reconhecimento social. Os fariseus eram mestres nisso. Jesus deu um conselho: a humildade é o melhor caminho.