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14 junho 2020

BONS PASTORES PARA O REBANHO


Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)

14 de junho de 2020.

Jesus percebe a situação de sofrimento e abandono do seu povo. E procura organizar o seu grande grupo de discípulos, nomeando doze líderes. Chamou doze, porque estava simbolicamente reorganizando todo o rebanho de Deus, o povo das doze tribos, que fora liderado por doze patriarcas. E Jesus enviou os doze em missão. É urgente que o rebanho conte com bons pastores, com boas lideranças. Pastores que cuidem das ovelhas estropiadas, que recuperem as desfalecidas, que lavem as sujas, que as defenda dos lobos.


A missão é anunciar a proximidade do Reino, que é o que Jesus já estava fazendo. “Em seu caminho, anunciem: o Reino dos céus está próximo”. Na realização desta missão, Jesus deu aos doze quatro tarefas: Curar os doentes; Ressuscitar os mortos; Purificar os leprosos; e Expulsar os demônios. Você sabe, quatro é um número de totalidade. Quatro é tudo, pois quatro são os pontos cardeais. A missão de anunciar a chegada do Reino de Deus mostra-se nestas quatro ações.

Vamos dar uma olhada nessas tarefas. A primeira foi curar os doentes. Jesus tinha um carinho especial pelos doentes. Basta lembrar a cena da sogra de Pedro ou do paralítico descido em sua maca diante dele. Cuidar dos doentes é uma forma de anunciar o Reino de Deus. Deus está perto de quem está sofrendo. Deus é a força de quem está debilitado. Estamos diante do tema da SAÚDE. Assistir os doentes e sofredores, rezar por eles, rezar com eles, acompanhá-los em seu tratamento são formas de mostrar o amor de Deus, a proximidade do Reino. Curar os enfermos.

A segunda tarefa foi ressuscitar os mortos. Jesus ressuscitou a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, o seu amigo Lázaro. Em todos esses episódios, vemos como Jesus deu atenção às famílias enlutadas, como ele ajudou as pessoas a crerem em Deus e na ressurreição que ele nos promete. Estamos diante do tema da VIDA. Na parábola do bom samaritano, o homem estava caído, semimorto, na beira da estrada. Acudir quem está caído, quem está em situação de morte é ressuscitar os mortos. Hoje, temos muita gente que está em situação de morte: pela droga, pela exploração do trabalho, pela fome, pelo coronavírus... Trabalhar pela recuperação dos dependentes químicos, salvar do suicídio quem perdeu o sentido da vida, garantir um leito de UTI para quem está precisando de um respirador são também formas de anunciar a proximidade do Reino. Ressuscitar os mortos.

A terceira tarefa foi purificar os leprosos. Os leprosos, no evangelho, têm a ver com a impureza em relação à Lei. Pela impureza, a pessoa estava apartada de Deus e de sua comunidade. A lepra é uma imagem do pecado. Estamos diante do tema da RECONCILIAÇÃO. Purificar os leprosos é ajudar a pessoa a se aproximar de Deus e alcançar o perdão dos seus pecados. Fomos reconciliados com Deus, por Jesus Cristo que morreu por nós. Trabalhar pela conversão, aproximar as pessoas do Sacramento da Confissão são formas de anunciar que o Reino está vizinho, próximo. Purificar os leprosos.

A quarta tarefa foi expulsar os demônios. Jesus venceu as tentações. E libertou muitas pessoas possuídas pelo mal. Estamos diante do problema da LIBERDADE. Muita gente está possuída, escravizada pelo preconceito, pelo sentimento de inferioridade, pela ignorância, por ideologias totalitárias, pela inveja, pela dependência cultural... são numerosas as formas de dominação do mal sobre as pessoas! Contribuir para a superação desses males, ajudar as pessoas a se libertarem dessas forças de opressão são formas de realizar o anúncio do Reino de Deus. Expulsar os demônios.

Guardando a mensagem

Jesus, diante do seu povo sofrido e humilhado, enche-se de compaixão. Vê que aquele é um rebanho sem pastor. Realizando sua missão de reorganizar o povo de Deus disperso, nomeia doze lideranças para o seu movimento. Ele envia os doze em missão. Eles devem, como Jesus, anunciar a proximidade do Reino de Deus. Para servir o seu povo cansado e abatido, Jesus providencia pastores que cuidem das ovelhas estropiadas (os enfermos), que recuperem as desfalecidas (os mortos), que lavem as sujas (os leprosos), que as defenda dos lobos (os demônios). A missão dos doze é a missão de todo o povo de Deus. A minha, a sua também.

Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)

Rezando a palavra


Senhor Jesus,
Aos teus missionários de ontem e de hoje, estás instruindo que todos estamos em missão. E que a missão não depende de contarmos com muitos recursos (ouro, prata, dinheiro). O que temos para oferecer não tem preço, nem são coisas que estamos distribuindo. Somos testemunhas do Reino que chegou com tua presença redentora. Estás insistindo, Senhor, que precisamos manter a postura de missionários, de viajantes, evitando a busca de benefícios pessoais (não levar sacola) e a busca de segurança ou bem-estar (duas túnicas, sandálias, bastão). Ajuda-nos, Senhor, a realizar, ao teu lado, a grande tarefa da evangelização, que toca a promoção da saúde, a defesa da vida, a libertação da dominação e a reconciliação com Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém


Vivendo a palavra



Estamos vivendo um momento de muito sofrimento em nosso país e em todo o mundo. A crise do coronavírus revela também uma grande crise de liderança. Neste domingo, peça ao Senhor que esta mesma crise nos leve a assumir o modelo de liderança do bom pastor em nossas comunidades e em toda a sociedade. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

29 maio 2020

CUIDA DAS MINHAS OVELHAS

Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21, 17).
29 de maio de 2020


Mesmo Pedro tendo sido purificado pela palavra de Jesus, caiu na tentação. Negou o Mestre, por três vezes. Acovardou-se diante do risco de ser sua testemunha. Negou conhecê-lo, ser seu discípulo, ter parte com ele. E o galo cantou duas vezes, denunciando a fraqueza do apóstolo, reprovando a covardia do profeta. E a palavra de Jesus ecoou forte no coração de Pedro: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes”. É, Pedro estava devendo uma conta a Jesus. Mas, coitado, quando Jesus preso passando o olhou, Pedro, envergonhado e decepcionado consigo mesmo, chorou amargamente. Um pecador arrependido de sua falta, precisando redimir-se.

Mas, Pedro, não fique triste! Você negou Jesus três vezes. É hora de professar que o ama, por três vezes. Pedro, é o amor que nos redime dos nossos pecados: o amor de Jesus que o levou a morrer por nós e o nosso amor por ele, que nos faz acolher a sua obra redentora, de coração aberto. Pedro, é o amor que passa a limpo a nossa vida de erros e pecados. E, mais, Pedro: Jesus é fiel no seu amor. Ele chamou você para ser pescador de gente, pois vai confirmá-lo à frente do seu rebanho. E você, Pedro, fique certo, só poderá realizar essa missão de pastor se você amar muito a Jesus, se o amar mais do que os outros.

Ressuscitado, o Mestre voltou a olhar Pedro de frente. E Pedro já não desviou o olhar. Seu coração arrependido tinha acompanhado o Mestre na descida à mansão dos mortos. Mas, subira com ele. Ressuscitara com ele. Como se fazia quando se descia às águas, na piscina batismal do início do cristianismo. Nascemos de novo. Já não tem mais vez o Adão que nos habitava. O Ressuscitado traz pela mão o Pedro renascido na sua morte redentora. Três vezes traiu. Três vezes vai declarar seu amor incondicional ao Mestre. Como um neófito, um catequizando, vai subindo degrau por degrau da piscina batismal. “Simão, tu me amas?”. “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” “Então, cuida dos meus carneiros”. Sim, é isso, nossa fraqueza não conta mais. Conta a força da ressurreição do Senhor que nos ergue. Conta o amor com que respondemos ao seu chamado. Mais um degrau. “Simão, tu me amas?”. “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. “Então, toma conta das minhas ovelhas”. 

Tantos quantos foram os degraus que descemos, tantos subimos, ressuscitando com ele. E assumindo a sua mesma missão. Identificando-nos com ele. “Já não sou eu que vivo. É Cristo que vive em mim”. “Simão, tu me amas?”. E Pedro um pouco entristecido: “Sim, Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”. “Então, toma conta do meu rebanho”. Apóstolo é que o foi escolhido. E enviado. Não porque é o melhor, o mais santo, o mais douto, mas porque amado pelo Mestre, porque escolhido por ele. Escolhido e enviado, porque ama o Senhor, porque confia apenas na fidelidade do seu Senhor, não na sua força, no seu poder, na sua sabedoria.

Guardando a mensagem

É para você a mensagem do evangelho de hoje, mesmo que você não se chame Pedro. O pecado leva você a se esconder de Deus, a se sentir indigno de estar em sua presença, como Pedro. O amor de Jesus por você, provado na sua morte na cruz, comunica-lhe vida nova, por sua ressurreição. É o amor que passa sua vida a limpo, cancelando as manchas do pecado, e fazendo de você uma testemunha do amor de Deus, um missionário de sua misericórdia, um cuidador, uma cuidadora do seu rebanho.

Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21, 17).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na palavra de hoje, entendemos que é o amor por ti que nos sustenta na missão. Pai e mãe, como bons pastores de sua família, receberam de ti essa missão e, apesar de sua fraqueza, são confirmados na sua missão na medida em que te amam verdadeiramente. Ao assumirmos o cuidado com os outros, nas muitas funções que a vida nos reserva, todos nos espelhamos em ti. Tu és o bom pastor que, por amor, dá a vida por suas ovelhas. Concede-nos, como Pedro, amar-te verdadeiramente e, nesse amor, cuidar daqueles que nos confias. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em suas orações, hoje, inclua uma prece em favor dos padres que você conhece, dos líderes de sua comunidade, do bispo de sua Diocese. Peça em favor deles, para que sejam bons pastores do rebanho de Deus.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

19 abril 2020

EM CASA, DE PORTAS FECHADAS


Estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19)

19 de abril de 2020 – 2º. Domingo da Páscoa, Festa da Divina Misericórdia


O evangelho deste segundo domingo de Páscoa nos conta a história de Tomé que só creu porque tocou nas chagas de Jesus. Assim, assegurou-se que o ressuscitado era mesmo o crucificado. Esta cena nos fala da fé que precisamos ter no Senhor ressuscitado, mesmo sem nunca tê-lo visto. Jesus esteve presente em duas reuniões dos discípulos, em dois domingos seguidos, mostrando-se vivo e enviando-os em missão.  

Lendo este evangelho, dentro deste nosso contexto de isolamento social, saltam aos olhos alguns detalhes que até agora certamente nos passaram despercebidos. As portas estavam fechadas. E os discípulos estavam trancados em casa. Olha que interessante! Nas duas aparições, Jesus encontra os discípulos reunidos dentro de casa, com as portas trancadas. E por que? Porque estavam com muito medo, medo da perseguição que tinham movido contra Jesus e que, com certeza, os poderia atingir. Com o seu Mestre preso, condenado e executado, eles ficaram malvistos e poderiam sofrer mais do que suspeitas, grosserias e agressões. Assim, para não se exporem, estavam a portas fechadas. E o que eles estavam fazendo? O texto diz que eles estavam reunidos. Com certeza, conversavam e rezavam. Mas, com medo.

A situação dos discípulos naquele segundo domingo da páscoa bem parece com a nossa, não é verdade? Inclusive, tem sempre um Tomé pelo meio do mundo, que por alguma razão não está presente na reunião. Nossas famílias estão em casa e estão temerosas, com o avanço do vírus.

Muito interessante que os discípulos estivessem reunidos em casa. Nos primeiros tempos da Igreja, não havia templos. Nem estavam autorizados a construí-los. No livro dos Atos dos Apóstolos, está a informação de que os discípulos e convertidos, em Jerusalém, frequentavam o Templo e partiam o pão pelas casas e unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração (At 2). ‘Partiam o pão pelas casas’. Partir o pão é um gesto que lembra a última ceia, é um modo de se referir à celebração da Eucaristia nos primeiros tempos. E partiam o pão, em refeição, com alegria e simplicidade. Jesus também tinha valorizado muito a casa das pessoas, visitando os doentes, fazendo refeição ou reunindo as pessoas em casa. Nos primeiros séculos, a casa era o lugar de reunião dos cristãos.

Mesmo com as portas fechadas, Jesus ressuscitado entrou e se apresentou ao grupo reunido. Fez-lhe a saudação de paz. “A paz esteja com vocês!”. A paz é nova situação inaugurada na cruz: perdão para os pecadores, reconciliação com Deus. A paz é remédio para o medo e para a divisão.

Este encontro de Jesus com os discípulos nos deixa três lições maravilhosas. A primeira: Ele está presente. Por sua ressurreição, agora ele está conosco sempre. Ele lhes mostrou as mãos e o lado rasgado pela lança. Eles ficaram muito felizes por vê-lo. Na missa, sempre fazemos a saudação da paz, como ele fez, e o povo de Deus responde: “Ele está no meio de nós”. A segunda lição: Ele nos envia em missão. A morte e ressurreição de Jesus nos reconciliaram com Deus. Jesus soprou comunicando o Espírito Santo e os mandou reconciliar o povo com Deus, perdoar os seus pecados. A terceira lição é esta: Crendo, temos a vida em seu nome. Jesus reclamou com Tomé: “não seja incrédulo, mas fiel”. A fé é a nossa resposta. Trata-se de acolher a verdade que ele está vivo, presente na comunidade, reconciliando os pecadores por meio do ministério dos seus discípulos.

Vamos guardar a mensagem.

Neste domingo da Divina Misericórdia, no clima da páscoa, estamos em nossas casas, de portas fechadas, com medo da ameaça do coronavírus. Tem sempre um Tomé circulando por aí, às vezes por necessidade, às vezes por falta de consciência. A casa sempre foi a igreja dos cristãos, desde o tempo que não tínhamos templos. E mesmo com as igrejas, os cristãos nascem, crescem e vivem em suas igrejas domésticas. Foi assim que Jesus, no domingo da ressurreição e no domingo seguinte, se apresentou aos discípulos que estavam reunidos, numa casa, a portas trancadas. Três lições podemos guardar dessa visita de Jesus ressuscitado. Primeira: Ele está no meio de nós. Sua paz nos faz vencer o medo. Sua presença viva, permanente, entre nós é fruto da ressurreição. Segunda: Ele nos envia em missão, nos comunicando o dom do seu Espírito e dando autoridade à sua Igreja para administrar o perdão aos pecadores. A reconciliação e o Santo Espírito são dons preciosos que nos chegam pela ressurreição. E a terceira lição: Crendo, temos a vida em seu nome. A fé nos faz reconhecer que ele está presente entre nós e nos faz povo portador da reconciliação para todos.

Estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Nós te agradecemos porque estás conosco. Pela tua ressurreição, és de fato o Emanuel, o Deus conosco. O teu Santo Espírito, Senhor, atualiza a tua presença em nossa convivência, na meditação de tua Palavra, na solidariedade com os mais sofridos, em nossas celebrações. Na tua ressurreição, tu nos fazes um povo missionário portador da Palavra e do Perdão de Deus a todos os filhos pródigos. Na tua paz, vencemos o medo. Somos, agora, agentes da vida nova que começou na manhã da ressurreição. Abençoa, Senhor, nossas casas, nossas famílias, a tua Igreja. Livra-nos do vírus da incredulidade e desse coronavírus, também. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Na sua Bíblia, leia João 20, 19-31, o evangelho de hoje. Participando da Missa pelos meios de comunicação, ouça com muita atenção e respeito as leituras da Palavra de Deus e a homilia. É Jesus mesmo nos instruindo e nos confortando.  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

30 março 2020

QUARENTENA, TEMPO DE PERDÃO


Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério (Jo 8, 4)


30 de março de 2020

Para a meditação do evangelho de hoje, vamos começar com uma pergunta. Não se espante. O que é adultério? Ih, o padre começou pesado. Tranquilo. Adultério é quando alguém é infiel no seu casamento. Certo? Adultério tem a ver com infidelidade.

Estando de acordo, vamos a um segundo ponto. Deus fez aliança com o povo que ele tirou da escravidão do Egito. Você se lembra disso? No monte Sinai, Deus deu uma Lei ao seu povo, através de Moisés, uma Lei que ele mesmo escreveu com o dedo. Escreveu a lei nas tábuas de pedra. Com o dedo, diz o livro santo. Baseado nessa Lei, o povo celebrou uma aliança com Deus. A fórmula da aliança foi assim: “Eu serei o seu Deus. Vocês serão o meu povo”. A aliança é como um casamento. No casamento, um diz ao outro: “Ela: Eu te recebo como meu marido – Ele: Eu te recebo como minha mulher”. E juram amor e fidelidade, não é assim? Então, a aliança de Deus com o seu povo é como um casamento. Um promete ser para o outro e viver no amor e na fidelidade.


Então, adultério é a infidelidade no casamento. Bom, no caso da aliança de Deus com o seu povo, Deus nunca foi infiel. Mas, a comunidade do povo de Deus, muitas vezes, traiu a aliança. Os profetas reclamaram muito da infidelidade de Israel ao seu Deus. Mas, Deus foi sempre paciente. O Profeta Oseias chegou a fazer uma comparação: Deus seria como o marido traído que levou a mulher para o deserto para dar-lhe uma nova chance.


Mais uma coisa. É bom a gente se perguntar sobre o que Jesus veio fazer: qual foi a sua missão? Se olharmos por esse lado da aliança, podemos dizer que Jesus veio para reconciliar a comunidade pecadora com Deus. Veio para restaurar a aliança rompida pela infidelidade de Israel.

Bom, essas são bases para o entendimento do evangelho de hoje. Jesus estava no Templo, ensinando ao povo. Havia uma enorme roda de gente ouvindo-o. Nisso, chegaram os mestres da lei e os fariseus arrastando uma mulher e a jogaram aos pés de Jesus. Um metido a brabo foi logo dizendo: ‘Moisés manda apedrejar a mulher que for pega em adultério. E pegamos essa sujeita cometendo adultério. O que o senhor diz? É para cumprir a lei ou não?”. Era uma armadilha. Queriam incriminar Jesus. Dizendo que não, estaria contra a Lei. Dizendo que sim, negaria o seu ensinamento sobre o amor e o perdão. Jesus ficou calado. Abaixou-se e começou a escrever no chão, com o dedo. Ficou todo mundo calado, aguardando. Um deles perdeu a paciência e cobrou a resposta. Jesus se levantou com calma: “Quem de vocês não tiver pecado, atire a primeira pedra”. E abaixou-se de novo e continuou a escrever no chão. Um saiu, outro saiu... a começar pelos mais velhos, foram-se embora, um a um. Jesus ficou sozinho com a mulher, ali no meio do povo. Jesus lhe disse que ia condená-la, que ela podia ir embora, mas não pecasse mais. 

Diante desse texto, eu fico com três perguntas na cabeça: 1. Quem é essa mulher? 2. Onde está o marido traído? 3. Por que Jesus fica escrevendo no chão, com o dedo? Vamos tentar reponder. Essa mulher pode muito bem estar representando a comunidade de Israel. Israel é como essa mulher pecadora. E o pecado de Israel é, no final das contas, sua infidelidade à aliança, representada no adultério. E quem é o marido traído? Essa você responde. Quem é o marido traído? Respondeu ‘Deus’? Acertou. Deus é quem foi traído pelo povo infiel à aliança. E Jesus o representa. E por que Jesus está escrevendo com o dedo, no chão? Deixa que essa eu respondo. Você se lembra da lei da Aliança que Deus deu a Moisés? Deus a escreveu com o próprio dedo nas tábuas de pedra. Com esse gesto, Jesus está chamando atenção para a aliança, aliança que foi rompida e que precisa ser restaurada. 

Guardando a mensagem

A cena da mulher adúltera nos diz como estava sendo vivida a aliança que Israel fez com Deus. Israel estava vivendo em grande infidelidade, em adultério. Adultério é a infidelidade no casamento. A aliança é como um casamento. E o documento do casamento, o contrato, é a lei da aliança, que Deus pessoalmente entregou a Moisés, depois de tê-la escrito com o dedo, em tábuas de pedra. A mulher está representando todo aquele povo pecador, que se afastou da aliança com Deus. Os homens não puderam apedrejar a mulher, pois eles eram pecadores também. Aliás, a mulher está ali diante de Jesus representado toda a comunidade pecadora. Deus é o marido traído. Em vez de aniquilar a mulher (ou seja o povo infiel), Jesus quer restaurar a aliança, pela conversão e pelo perdão.

Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério (Jo 8, 4)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Essa história da mulher adúltera nos fala da tua missão entre nós. Vieste para restaurar a aliança rompida pela nossa infidelidade. Na tua cruz, nos reconciliaste com Deus. No teu sangue, restauraste a nossa aliança com ele. Na Missa, ao renovarmos o teu sacrifício redentor, ouvimos as tuas palavras: “Este é o meu sangue. O sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”. A mulher não foi condenada à morte, como parecia merecer pela lei. Tu, o justo, sem pecado, morreste no seu lugar. Obrigado, Senhor. Essa aliança com Deus cada um de nós a celebrou, com vestes brancas, como em núpcias, no batismo. No batismo, mergulhamos na tua morte e participamos de tua ressurreição. Somos a Igreja, a comunidade da nova aliança. Por isso o apóstolo Paulo falou da Igreja como tua esposa, santificada na tua páscoa. Ajuda-nos, Senhor, a responder com a conversão de nossas vidas, para vivermos esse tempo novo da reconciliação que nos alcançaste. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você não pode deixar de ler, na sua Bíblia, o evangelho de hoje: João 8, 1-11.

Lembre de rezar a novena de Nossa Senhora Auxiliadora, para proteção de sua família. 

A gente se encontra, às 10 da noite, no facebook.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

23 fevereiro 2020

NÃO ALIMENTAR A VIOLÊNCIA

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)

23 de fevereiro de 2020



Toda a história do antigo povo de Deus, suas leis, suas normas de comportamento, com a vinda de Jesus tudo ganhou mais luz, mais perfeição. No Sermão da Montanha, Jesus, como um novo Moisés, comunica a Lei ao seu povo. Ele não veio para acabar com a Lei antiga, mas para levá-la à perfeição, para aprimorá-la. A lei do Reino de Deus pauta-se pela misericórdia, pelo amor. 

No texto de hoje, ele corrige a Lei do Talião. A Lei do Talião, como está no Livro do Levítico, já era um grande avanço, porque disciplinava a reação às agressões. Não permitia o excesso. Era o mínimo de qualquer povo civilizado. Está escrito no Livro do Levítico: vida por vida, fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. O dano que causar a alguém será a sua paga, na mesma moeda, na mesma medida. Bateu, levou. Matou, morreu. É o nível humano, disciplinando a vingança, para a vingança não sair maior do que a ofensa. Essa legislação foi já um grande avanço para o povo do Antigo Testamento. 

Com Jesus, o homem redimido pela graça pode fazer muito mais do que isso. Pode reagir com maior controle, com mais caridade, pode vencer, em si próprio, a raiva, o ódio, o desejo de vingança. O homem renascido pela graça pode ser mais generoso, como Deus foi para com ele; ser misericordioso, como Deus foi com ele. Pode, na graça de Deus que o regenerou, oferecer o perdão, em vez da vingança. 

Olha o que Jesus disse: “Não enfrentem quem é malvado”. Rebater à violência com a violência é alimentar a espiral suicida da violência. A lei de Moisés impunha um controle sobre a medida da vingança, para ninguém se exceder fora da conta. Com Moisés, quem foi ofendido tem o direito de responder com a mesma moeda. Não mais. Com Jesus, nem isso. Quem foi ofendido, não se vinga de jeito nenhum. Não responde com a mesma moeda. Não parte para a violência. Nada de "olho por olho, dente por dente". Não só não parte para a violência, mas procura ser humilde e generoso para restabelecer a fraternidade. Não somente não se vinga, mas também não fecha as portas para o agressor. Assim, até se arrisca a receber outra pancada, outra traição, outra ofensa. "Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!". Fácil, não é. 

Guardando a mensagem 

Oferecer a face esquerda ao agressor. Foi Jesus mesmo que em primeiro lugar realizou isso. Sua cruz foi isso! Nós o esbofeteamos, mas ele pediu ao Pai que nos perdoasse. Nós o crucificamos e, no entanto, ele nos reconciliou com Deus. O mandamento dele é ‘vingança não’ (aquele negócio de olho por olho) e nem voltar as costas a quem nos ofende. Agora a nova lei nos manda ser fraternos a toda prova. Nada de vingança. Nada de reações violentas. Permanecer desarmado, enfrentando a ofensa dos irmãos com humildade e pronto para o perdão. Não alimentar a violência.

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Hoje, estás nos ensinando a agir com mansidão, não com violência. Deste o exemplo: ferido e violentado pelos soldados de Pilatos, te comportaste como um cordeiro levado ao matadouro. Ó Jesus, manso e humilde de coração, faz o nosso coração semelhante ao teu. Dá-nos vencer a espiral da violência, quebrando a resposta violenta que só a alimenta. Ensina-nos, Senhor, a não queremos fazer justiça com as nossas próprias mãos.  Sustenta-nos com os dons da fortaleza e da não-violência. Tu és, Senhor, o nosso modelo de vida, o nosso Mestre. Abençoa, Senhor, nossas famílias, ajudando-nos a não embarcar no clima de desrespeito e violência que o carnaval estimula. Seja honesta a nossa diversão, verdadeira a nossa alegria. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Nesse assunto da paciência, da disposição para a reconciliação, da mansidão, há alguma coisa a consertar na sua vida? Se puder, escreva alguma coisa sobre isso no seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações). 

23 de fevereiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro

14 junho 2018

QUANDO MATAMOS SEM ARMAS


Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo (Mt 5, 22)
14 de junho de 2018.
E de olho na agitação do seu dia, no corre-corre de suas atividades, uma palavra que lhe diz: ‘não esqueça quem está ao seu lado, não despreze quem cruza o seu caminho’. Respeito, paciência, reconciliação. Nunca a violência. Nem de palavras, nem de atitudes.


O evangelho de hoje é uma página do Sermão da Montanha. Jesus está orientando os discípulos sobre como se comportarem e se conduzirem na vida. Neste ponto, ele está comentando o alcance do mandamento “Não Matar”. Aos antigos, foi dada esta lei. “Não matar. Quem matar será condenado pelo tribunal”. A nova lei de Jesus, ou melhor, o modo novo de ver a antiga lei, é ainda mais exigente. Matar é o extremo. Mas, a morte do outro começa com golpes aparentemente leves: a indiferença, a desconsideração, o desprezo, o preconceito, a ação movida pela cólera. A ofensa a Deus e ao próximo não é só matar com uma arma de fogo ou uma arma branca ou química. Há outras formas de matar aos poucos, igualmente repudiáveis: o bullying, a difamação, a intolerância, a discriminação. A lei do Evangelho exige mais do que o simples mandamento “Não matar”. Inclui também não desqualificar seus semelhantes, considerando-os burros, ignorantes, incapazes, supersticiosos, errados. São todas formas de violência e de morte.

Para ser réu de juízo, nem precisa chegar a homicídio, aborto, eutanásia, feminicídio ou coisa parecida. Já vira réu quem se encolerizar com seu irmão, ensinou Jesus. Encolerizar-se com o irmão é agir movido pela raiva, pela cólera. Quando alguém se deixa tomar pela raiva, acaba magoando, machucando, agindo com violência e sentimentos de vingança. A ação movida pela cólera é impensada, violenta, cega. É melhor se acalmar no momento para não ter que amargar um arrependimento tardio. Quando a raiva vier, é preciso parar, respirar, deixar baixar a poeira. Assim, a ação que vier será menos impulsiva e poderá mais facilmente ser pautada por respeito, consideração e disposição para a reconciliação. Isso, sim, é digno de um cristão.

Vamos guardar a mensagem

O mandamento é “Não Matar”. Ele continua valendo. Mas, o evangelho alarga a sua compreensão. Segundo a explicação de Jesus, não se trata apenas de não tirar a vida do próximo, mas também de não se encolerizar com ele, não desqualificá-lo, destratá-lo, humilhá-lo. O esforço de tratar bem os outros, em todas as situações, se harmoniza com a busca de reconciliação. E essa é uma condição para o culto a Deus. Jesus orientou claramente: “Deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”. Somos construtores de fraternidade, controlando em nós o impulso da ira, a tentação da indiferença, a violência do preconceito.

Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo (Mt 5, 22)

Vamos rezar a palavra

Senhor Jesus,

Vivemos em um mundo de muitos desencontros. Facilmente nos contrariamos, ficamos com raiva, nos frustramos, nos decepcionamos ou decepcionamos os outros. Às vezes, nossa reação é movida pela raiva, pela cólera, pelo ódio. E sabemos que esses sentimentos são fonte de violência em nossa convivência. Hoje, recordamos o que disseste sobre o mandamento de Deus. ‘Não matar’ não é só tirar a vida dos outros, mas também não ofendê-los em sua dignidade, desprezá-los, difamá-los. As palavras também são armas mortais. Senhor, ajuda-nos a viver no meio das dificuldades da vida com serenidade e fortaleza. Que aprendamos a defender nossos direitos ou nossos pontos de vista, sem agredir ou insultar aqueles que não pensam como nós. Que em toda e qualquer contrariedade, sejamos iluminados por tua palavra e por tua mansidão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vamos viver a palavra

Faça um esforço, hoje, de aproximar-se de quem parece manter uma certa reserva ou distância de você. E para se fortalecer no caminho do evangelho, reze muitas vezes, hoje: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

Pe. João Carlos Ribeiro – 14.06.2018

23 fevereiro 2018

AME OS SEUS INIMIGOS

MEDITAÇÃO PARA O SÁBADO, 24 DE FEVEREIRO DE 2018



Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).


Neste 11º dia da Quaresma, um passo exigente no terreno da caridade. Prepare o coração. Jesus nos mandou amar os inimigos. Essa atitude cristã supera o comportamento humano digamos “normal” que seria amar os amigos e odiar os inimigos. Viver na fé em Jesus Cristo nos faz superar essa posição. 

Ter raiva é uma coisa natural. Deixar que a raiva tome conta da gente, aí é que não dá. Permitir que a raiva se transforme em rancor, ódio e nos cegue em nossas atitudes, aí não. Segundo o ensinamento de Jesus, o melhor caminho é acalmar o coração e tentar ver em quem nos ofende ou nos agride um irmão, uma pessoa que está equivocada, mas continua a merecer nossa consideração. Não responder-lhe na mesma medida, não desejar-lhe o mal, antes preservar sua boa imagem, querer o seu bem, rezar por ele ou por ela. É o que Jesus está nos dizendo neste evangelho. 

Amar o próximo é o mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. E quando o próximo for nosso inimigo ou a nossa inimiga, aí a coisa se complica. Amem os seus inimigos, mandou Jesus. Esse é o caminho da perfeição, amar os inimigos. E é nessa via que nós caminhamos, porque o Pai é perfeito. ‘Sejam perfeitos como o Pai do céu é perfeito’. Jesus foi claro: ‘tornem-se filhos do Pai que faz nascer o sol sobre maus e bons e manda chuva para justos e injustos’. O Pai é o modelo para o filho. O nosso Pai trata bem os maus, porque ele é pai de todos e a todos ama. Como filhos, nós o imitamos. 

Olha que interessante essa palavra de Jesus: “Tornem-se filhos do seu Pai que está nos céus”. O dom da filiação divina nós o recebemos no batismo, por meio do Espírito Santo. Somos filhos de Deus. Mas, Jesus está nos dizendo “tornem-se filhos do seu Pai”. Então, mesmo tendo recebido a graça de sermos filhos de Deus, precisamos aprender a agir como ele, neste caso, amando os nossos inimigos. Na carta aos Hebreus, a esse propósito, há uma passagem interessante sobre Jesus que aprendeu a ser um filho obediente. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.” (Hebreus 5,8). Pelo sofrimento, Jesus aprendeu a obediência de filho. Jesus é o maior exemplo. Ele falou e fez. Na cruz, humilhado, traído, torturado só pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, porque, disse ele, “eles não sabem o que fazem”. Rezou por eles. Também por eles, deu a vida. 

Jesus está chamando a nossa atenção para o diferencial do cristão. Não agir como os pagãos ou pessoas reconhecidamente pecadoras desse mundo. Eles amam os seus amigos, tratam bem os seus iguais. Temos que imitar o Pai. Temos que imitar Jesus. Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem, fazer o bem a quem nos maltrata. 

Vamos guardar a mensagem 

Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer-lhe o bem. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso modelo. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração. 

Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês (Mt 5, 44).

Vamos acolher a mensagem

Senhor Jesus, 

Está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os mesmos sentimentos teus, como nos aconselhou o apóstolo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de inclinação à vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também são irmãos que precisam encontrar a graça da conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. 

Amém. 

Vamos viver a palavra

Identifique, hoje, na sua história de vida alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar esse alguém. 

Pe. João Carlos Ribeiro – 22.02.2018

VAI PRIMEIRO RECONCILIAR-TE COM O TEU IRMÃO


MEDITAÇÃO PARA A SEXTA-FEIRA, DIA 23 DE FEVEREIRO DE 2018.
Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo (Mt 5, 22)
Neste 10º dia da Quaresma, mais um passo para nosso crescimento cristão: a caridade em nossa convivência. O respeito, a paciência, a reconciliação. Nunca a violência. Nem de palavras, nem de atitudes, nem de armas.
O evangelho de hoje é uma página do Sermão da Montanha. Jesus está orientando os discípulos sobre como se comportarem e se conduzirem na vida. Neste ponto, ele está comentando o alcance do mandamento “Não Matar”. Aos antigos, foi dada esta lei. “Não matar. Quem matar será condenado pelo tribunal”. A nova lei de Jesus, ou melhor, o modo novo de ver a antiga lei, é ainda mais exigente. Matar é o extremo. Mas, a morte do outro começa com golpes aparentemente leves: a indiferença, a desconsideração, o desprezo, o preconceito, a ação movida pela cólera. A ofensa a Deus e ao próximo não é só matar com uma arma de fogo ou uma arma branca ou química. Há outras formas de matar aos poucos, igualmente repudiáveis: o bullying, a difamação, a intolerância, a discriminação. A lei do Evangelho exige mais do que o simples mandamento “Não matar”. Inclui também não desqualificar seres humanos, considerando-os burros, ignorantes, incapazes. Essas também são formas de violência e de morte.
Para ser réu de juízo, nem precisa chegar a homicídio, aborto, eutanásia, feminicídio, ou coisa parecida. Já vira réu quem se encolerizar com seu irmão, ensinou Jesus. Encolerizar-se com o irmão é agir movido pela raiva, pela cólera. Quando alguém se deixa tomar pela raiva, acaba magoando, machucando, agindo com violência e sentimentos de vingança. A ação movida pela cólera é impensada, violenta, cega. É melhor se acalmar no momento para não ter que amargar um arrependimento depois.  Quando a raiva vier, é preciso parar, respirar, deixar baixar a poeira. Assim, a ação que vier será menos impulsiva e poderá mais facilmente ser pautada por respeito, consideração e disposição para a reconciliação. Isso, sim, é digno de um cristão.
Vamos guardar a mensagem
O mandamento é “Não Matar”. Ele continua valendo. Mas, o evangelho alarga a sua compreensão. Segundo a explicação de Jesus, não se trata apenas de não tirar a vida do próximo, mas também de não se encolerizar com ele, não desqualificá-lo, destratá-lo, humilhá-lo. O esforço de tratar bem os outros, em todas as situações, se harmoniza com a busca de reconciliação. E essa é uma condição para o culto a Deus. Jesus orientou claramente: “Deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”. O ensinamento de hoje nos põe em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano, sobre a superação da violência. Somos construtores de fraternidade, controlando em nós o impulso da ira, a tentação da indiferença, a violência do preconceito.
Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo (Mt 5, 22)
Vamos acolher a mensagem
Senhor Jesus,
Vivemos em um mundo de muitos desencontros. Facilmente nos contrariamos, ficamos com raiva, nos frustramos, nos decepcionamos ou decepcionamos os outros. Às vezes, nossa reação é movida pela raiva, pela cólera, pelo ódio. E sabemos que esses sentimentos são fonte de violência em nossa convivência. Hoje, recordamos o que disseste sobre o mandamento de Deus. ‘Não matar’ não é só tirar a vida dos outros, mas também não ofendê-los em sua dignidade, desprezá-los, difamá-los. As palavras também são armas mortais. Senhor, ajuda-nos a viver no meio das dificuldades da vida com serenidade e fortaleza. Que aprendamos a defender nossos direitos ou nossos pontos de vista, sem agredir ou insultar aqueles que não somam com nosso modo de ver. Que em toda e qualquer contrariedade, sejamos iluminados por tua palavra e por tua mansidão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos praticar a palavra
Faça um esforço, hoje, de aproximar-se de quem parece manter uma certa reserva ou distância de você. E para se fortalecer no caminho do evangelho reze muitas vezes, hoje: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

Pe. João Carlos Ribeiro – 22.02.2018