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20200614

BONS PASTORES PARA O REBANHO


Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)

14 de junho de 2020.

Jesus percebe a situação de sofrimento e abandono do seu povo. E procura organizar o seu grande grupo de discípulos, nomeando doze líderes. Chamou doze, porque estava simbolicamente reorganizando todo o rebanho de Deus, o povo das doze tribos, que fora liderado por doze patriarcas. E Jesus enviou os doze em missão. É urgente que o rebanho conte com bons pastores, com boas lideranças. Pastores que cuidem das ovelhas estropiadas, que recuperem as desfalecidas, que lavem as sujas, que as defenda dos lobos.


A missão é anunciar a proximidade do Reino, que é o que Jesus já estava fazendo. “Em seu caminho, anunciem: o Reino dos céus está próximo”. Na realização desta missão, Jesus deu aos doze quatro tarefas: Curar os doentes; Ressuscitar os mortos; Purificar os leprosos; e Expulsar os demônios. Você sabe, quatro é um número de totalidade. Quatro é tudo, pois quatro são os pontos cardeais. A missão de anunciar a chegada do Reino de Deus mostra-se nestas quatro ações.

Vamos dar uma olhada nessas tarefas. A primeira foi curar os doentes. Jesus tinha um carinho especial pelos doentes. Basta lembrar a cena da sogra de Pedro ou do paralítico descido em sua maca diante dele. Cuidar dos doentes é uma forma de anunciar o Reino de Deus. Deus está perto de quem está sofrendo. Deus é a força de quem está debilitado. Estamos diante do tema da SAÚDE. Assistir os doentes e sofredores, rezar por eles, rezar com eles, acompanhá-los em seu tratamento são formas de mostrar o amor de Deus, a proximidade do Reino. Curar os enfermos.

A segunda tarefa foi ressuscitar os mortos. Jesus ressuscitou a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, o seu amigo Lázaro. Em todos esses episódios, vemos como Jesus deu atenção às famílias enlutadas, como ele ajudou as pessoas a crerem em Deus e na ressurreição que ele nos promete. Estamos diante do tema da VIDA. Na parábola do bom samaritano, o homem estava caído, semimorto, na beira da estrada. Acudir quem está caído, quem está em situação de morte é ressuscitar os mortos. Hoje, temos muita gente que está em situação de morte: pela droga, pela exploração do trabalho, pela fome, pelo coronavírus... Trabalhar pela recuperação dos dependentes químicos, salvar do suicídio quem perdeu o sentido da vida, garantir um leito de UTI para quem está precisando de um respirador são também formas de anunciar a proximidade do Reino. Ressuscitar os mortos.

A terceira tarefa foi purificar os leprosos. Os leprosos, no evangelho, têm a ver com a impureza em relação à Lei. Pela impureza, a pessoa estava apartada de Deus e de sua comunidade. A lepra é uma imagem do pecado. Estamos diante do tema da RECONCILIAÇÃO. Purificar os leprosos é ajudar a pessoa a se aproximar de Deus e alcançar o perdão dos seus pecados. Fomos reconciliados com Deus, por Jesus Cristo que morreu por nós. Trabalhar pela conversão, aproximar as pessoas do Sacramento da Confissão são formas de anunciar que o Reino está vizinho, próximo. Purificar os leprosos.

A quarta tarefa foi expulsar os demônios. Jesus venceu as tentações. E libertou muitas pessoas possuídas pelo mal. Estamos diante do problema da LIBERDADE. Muita gente está possuída, escravizada pelo preconceito, pelo sentimento de inferioridade, pela ignorância, por ideologias totalitárias, pela inveja, pela dependência cultural... são numerosas as formas de dominação do mal sobre as pessoas! Contribuir para a superação desses males, ajudar as pessoas a se libertarem dessas forças de opressão são formas de realizar o anúncio do Reino de Deus. Expulsar os demônios.

Guardando a mensagem

Jesus, diante do seu povo sofrido e humilhado, enche-se de compaixão. Vê que aquele é um rebanho sem pastor. Realizando sua missão de reorganizar o povo de Deus disperso, nomeia doze lideranças para o seu movimento. Ele envia os doze em missão. Eles devem, como Jesus, anunciar a proximidade do Reino de Deus. Para servir o seu povo cansado e abatido, Jesus providencia pastores que cuidem das ovelhas estropiadas (os enfermos), que recuperem as desfalecidas (os mortos), que lavem as sujas (os leprosos), que as defenda dos lobos (os demônios). A missão dos doze é a missão de todo o povo de Deus. A minha, a sua também.

Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)

Rezando a palavra


Senhor Jesus,
Aos teus missionários de ontem e de hoje, estás instruindo que todos estamos em missão. E que a missão não depende de contarmos com muitos recursos (ouro, prata, dinheiro). O que temos para oferecer não tem preço, nem são coisas que estamos distribuindo. Somos testemunhas do Reino que chegou com tua presença redentora. Estás insistindo, Senhor, que precisamos manter a postura de missionários, de viajantes, evitando a busca de benefícios pessoais (não levar sacola) e a busca de segurança ou bem-estar (duas túnicas, sandálias, bastão). Ajuda-nos, Senhor, a realizar, ao teu lado, a grande tarefa da evangelização, que toca a promoção da saúde, a defesa da vida, a libertação da dominação e a reconciliação com Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém


Vivendo a palavra



Estamos vivendo um momento de muito sofrimento em nosso país e em todo o mundo. A crise do coronavírus revela também uma grande crise de liderança. Neste domingo, peça ao Senhor que esta mesma crise nos leve a assumir o modelo de liderança do bom pastor em nossas comunidades e em toda a sociedade. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200329

A SOLIDARIEDADE DE JESUS NO LUTO


Tendo dito isso, exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11, 43)

29 de março de 2020



A morte é uma realidade muito dolorosa. Quando se perde um parente ou mesmo uma pessoa amiga, vive-se momentos de muito sofrimento espiritual, mergulha-se numa grande tristeza. Quanto mais próxima a pessoa falecida - um pai, uma mãe, um irmão, um amigo do peito - mais dolorosa é a separação, o sentimento de impotência diante da morte, a sensação de perda irreparável. Ainda assim, a morte pode ser um momento de grande revelação de Deus em nossa vida. Foi assim com a família de Marta, Maria e Lázaro. 

Em um povoado perto de Jerusalém, chamado Betânia, morava essa família de quem Jesus era muito próximo. Marta, Maria e Lázaro eram amigos de Jesus. Lázaro caiu muito doente. E as irmãs mandaram avisar a Jesus, que estava longe. Jesus demorou a chegar. Quando chegou, o rapaz já estava morto há quatro dias. Tinha sido sepultado numa gruta fechada com uma pedra. Marta foi ao seu encontro. Jesus a consolou e a estimulou a crer nele. Maria também foi falar com Jesus e o comoveu com sua dor. Jesus quis ver o túmulo. Mandou rolar a pedra. Rezou ao Pai. E chamou Lázaro para fora. Foi uma grande comoção. Além das irmãs, estavam presentes também os discípulos de Jesus e muitos judeus. Nessa ocasião, muitos creram nele. 

Nós estamos lendo hoje o Evangelho de São João, capítulo 11, onde se conta essa linda história da ressurreição de Lázaro. É o final do chamado livro dos sinais (capítulos 1 a 11). Em todo o evangelho de João, estão descritos sete sinais. Os sinais nos ajudam a entender quem é Jesus, quem o enviou e como podemos viver a vida nova que ele nos trouxe. A ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal, portanto uma manifestação muito especial de quem é Jesus, um convite a crermos nele. 

E quem estava precisando reconhecer Jesus, acolhê-lo como o enviado do Pai, crer nele? Quem está precisando fazer essa experiência de Deus que comunica a vida, por meio do seu filho Jesus? Marta, Maria, os discípulos, as pessoas amigas da família, você, eu... todo mundo está precisando fazer essa experiência. 

Os discípulos estavam precisando fazer essa experiência. Eles estavam paralisados com a preocupação da morte. Aconselharam Jesus a não ir a Betânia, por causa da perseguição. Na Judeia, Jesus já tinha se livrado de ser preso e de ser apedrejado. Diante dos argumentos de Jesus, Tomé concluiu: “Vamos nós também para morrermos com ele”. Olha o que Jesus disse, querendo que eles fossem com ele a Betânia: “para que vocês creiam”. Os discípulos estavam precisando crer. 

Marta também estava precisando fazer essa experiência. Ela, como discípula que era, acreditava em Jesus, sabia que ele estava muito próximo de Deus. Acreditava na ressurreição dos mortos no último dia. Mas, não sabia que Jesus é a ressurreição e a vida. Quem nele crê, mesmo morto, tem a vida. E se vive e nele crê, não morre. Olha a pergunta de Jesus a Marta: “Crês isto?”. Marta também estava precisando crer. 

E Maria, será que Maria estava precisando também fazer essa experiência? Ela foi avisada por Marta que Jesus tinha chegado. Os judeus a acompanharam. Ela correu e ajoelhou-se chorando aos pés de Jesus. Jesus ficou comovido, chorou também com eles. Maria o levou ao lugar do túmulo. Jesus mandou retirar a pedra. Ela discordou: “Não faça isso. Já está sepultado há quatro dia, cheira mal”. Olha a palavra de Jesus: “Não te disse: se creres, verás a glória de Deus?”. Então, Maria também estava precisando crer. 

E aquele povo que tinha ido consolar as irmãs enlutadas e estavam ali também diante do túmulo? Também aquela gente precisava fazer aquela experiência. Olha a oração de Jesus: 'Pai, eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste.' Também eles precisavam crer. 

Foi aí que Jesus deu um grito: “Lázaro, vem para fora”. E o morto saiu, todo enrolado com as faixas de pano... Jesus mandou alguém desatar aquelas faixas para ele poder andar. Veja o que o evangelista anotou: “Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele”.

Guardando a mensagem

Então, você notou, o foco dessa narrativa, desse sinal, não é o milagre. É a fé que quer suscitar. É a experiência de Deus que podemos fazer também nos momentos difíceis da morte de alguém muito querido. Se nós cremos, a morte não nos assusta mais. A fé nos une a Cristo, que é a ressurreição e a vida. Estando com ele, a morte biológica é apenas uma passagem, porque a vida plena e verdadeira, já a temos em nós. 

Tendo dito isso, exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11, 43)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Estamos vivendo um momento muito doloroso no mundo, no meio de uma pandemia de um novo vírus que ainda não tem vacina nem remédio. O número de infectados e de mortes representa uma grande tragédia, Senhor. Em nosso país, estamos apenas começando. O número de infectados e de óbitos multiplica-se a cada dia. Estamos em isolamento social, tentando não receber e não passar adiante o vírus. Vamos passar mais esse domingo sem participar da Missa na igreja, só pelos meios de comunicação. Este teu evangelho de hoje nos traz alento, Senhor. A tua solidariedade com aquela família de Betânia, o teu sentimento pela perda do teu amigo Lázaro e o teu ensinamento sobre a ressurreição e a vida nos confortam. Senhor, te pedimos: aumenta a nossa fé, fortalece-nos na solidariedade, liberta-nos desse vírus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze, hoje, pelas pessoas que, mundo afora, faleceram nesses últimos dias, por conta dessa pandemia. Reze pelas vítimas, por suas famílias, pelos profissionais da saúde, da segurança, da limpeza, do comércio de alimentos e por todos os profissionais que estão trabalhando em funções essenciais para a população e por todas as lideranças civis. Deus nos conduza nesse momento tão difícil do país e do mundo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20180322

AS PEDRAS E AS OBRAS


Por ordem do Pai, mostrei a vocês muitas obras boas. Por qual delas vocês querem me apedrejar? (Jo 10, 32)
23 de março de 2018.
Estamos já no 38º dia da Quaresma. Domingo já é o Domingo de Ramos. E o que celebramos na Semana Santa? Claro, o imenso amor de Deus que se manifestou na morte redentora de Jesus, pela qual nos reconciliou e nos uniu a si e ao Pai. Mas, no drama da paixão, não aparece só o amor fiel de Deus e a fidelidade do seu filho Jesus. Aparece também o pecado do ser humano, sua maldade, sua rejeição ao projeto de Deus. Foi isso precisamente que levou Jesus à cruz.
Olha o evangelho de hoje. Eles acham que Jesus está pecando gravemente, blasfemando, ao equiparar-se a Deus, ao revelar sua identidade de Filho de Deus. É só mais uma forma de expressar a sua rejeição profunda e total a Jesus. Já o tinham censurado sobre o seu comportamento com relação ao sábado. Já o tinham condenado por sua convivência com os marginalizados, os publicanos, as pessoas mal vistas por sua lei religiosa. Eles realmente não suportavam Jesus. A perseguição vinha crescendo lentamente. Só estava faltando uma oportunidade para darem cabo dele. Na cena de hoje, já estão de pedras na mão para apedrejá-lo.
Mas, você me diga uma coisa: por que esse ódio, essa violência toda? O que é isso no coração dessa gente que os cega à ação de Deus, tão clara na pessoa de Jesus? Na verdade, esses opositores são os dirigentes, as lideranças do povo, segundo o evangelho de São João. Eles têm interesses a defender. Vêem Jesus como uma ameaça. O que os incomoda? Incomoda a sua pregação, porque anuncia o Reino de Deus que chegou como novo tempo de reconciliação e fraternidade. Incomodam suas atitudes de atenção e defesa dos marginalizados e sofredores. Incomoda sua denúncia sobre a comercialização da fé no Templo. Incomodam suas curas, seus milagres, as histórias que contam sobre ele. Em cada história dessas, Jesus está libertando pessoas da cegueira, da exclusão, da paralisia, da morte. É, é o pecado que os cega. Embora, falem em nome de Deus, estão agindo contra Deus, negando-se a acolher a Palavra de Deus proclamada por Jesus e a própria Palavra feita carne que é Jesus.
Estão armados de pedras. Querem apedrejá-lo. Mas, Jesus continua dialogando, explicando, revelando-se. Algum ali há de entender, de abrir o coração. Às pedras deles, Jesus opõe as suas obras. Não crêem em sua palavra, tudo bem. Então, creiam nas obras que faz. Elas são ações em continuidade com a obra do Deus criador. Lembra que ele disse: “Meu pai trabalha e eu também trabalho”?  As obras manifestam que o Pai está com ele, que age nele.
Vamos guardar a mensagem
As pedras representam a violência que produz a morte. Eles estão prontos para o apedrejamento do inocente. Estão no pecado, afastaram-se de Deus, mesmo invocando o seu nome. Reagem violentamente contra o enviado de Deus. O pecado gera morte. Honram o deus da cabeça deles, mas na verdade, utilizam-se do nome de Deus em favor dos seus interesses. As obras, invocadas por Jesus, são suas ações que geram vida. Elas vêm de Deus, elas manifestam o amor vivificador de Deus. As obras confirmam as suas palavras. Elas manifestam decididamente o projeto de salvação de Deus. O que está nos dizendo o evangelho de hoje? Está nos convidando à conversão. As pedras são sinais da morte que o pecado gera. As obras são sinais da vida plena que Jesus nos trouxe. Passemos da morte para a vida. Acolhamos Jesus. Convertamo-nos!
Por ordem do Pai, mostrei a vocês muitas obras boas. Por qual delas vocês querem me apedrejar? (Jo 10, 32)
Vamos rezar a Palavra
Senhor Jesus,
Uma vez lançaste um desafio. Queriam apedrejar a mulher adúltera. “Quem não tiver pecados, atire a primeira pedra”. Foram soltando as pedras, bem devagar e se retirando, envergonhados. Não ficou um pra contar a história. Somos todos pecadores. E este é o tempo da graça, do perdão. Queres nos conceder a vida nova, que vem pela grande obra de tua morte redentora. Mas, só nos desarmando, reconhecendo nosso pecado, abrindo o coração para a conversão podemos receber a vida nova que nos alcançaste na cruz. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Não as pedras, a violência. Mas, a acolhida amorosa de tuas obras, de tua grande obra: a salvação. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
Não tem jeito. Você vai precisar ler a passagem de hoje na sua Bíblia: João 10, 31-42. E fazer uma conta. A conta é só pra você ficar atento ao texto. Quantas vezes aparecem as palavras pedras ou apedrejar e obras? Podendo, me mande o resultado de sua pesquisa. Amanhã, você confere aqui a sua resposta.
Pe. João Carlos Ribeiro – 22.03.2018

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