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20200913

SÓ O PERDÃO TRAZ A PAZ AO CORAÇÃO



Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)


13 de setembro de 2020, 24० Domingo do Tempo Comum

Há muita injustiça nesse mundo, muita maldade. Você, com certeza, já foi vítima de muita humilhação, de sofrimento gerado pelo egoísmo de alguém, pela difamação de uma pessoa amiga, pela traição no casamento, quem sabe. Há pessoas que convivem com grandes chagas abertas em sua memória ou mesmo no seu inconsciente. Profissionais que foram perseguidos por colegas que chegaram a perder seus postos de trabalho. Pais que tiveram um filho assassinado. Pessoas que foram violentadas, abusadas quando mais jovens. Um mar de sofrimento causado por pessoas próximas e distantes.

Diante do mal que nos fazem, a primeira reação é a indignação. A pessoa não se conforma, reage percebendo o mal que estão lhe fazendo. Não aceita, sente-se prejudicada, traída, humilhada. É uma atitude aceitável, a indignação. Uma reação justa. Não se acomodar diante da agressão, não permitir a continuação da ofensa, não permanecer na passividade diante do mal.

Agora, essa indignação pode virar ódio, desejo de vingança, revanche. Aí, vamos com calma. Você não pode permitir que o mal que lhe fizeram crie raízes em você, se reproduza no seu ódio, em projetos de vingança e de revanche. O mal se perpetua no mal. É uma onda de violência que puxa outra, não para mais. Você já ouviu falar daquelas cidades, no interior de Pernambuco, em que uma família matava a outra... ‘Mataram o meu filho... vou matar o filho dele também!’ ‘Mataram meu primo, vou me vingar!”. A vida daquelas pessoas virou um inferno, uma insegurança total, a cólera fervendo no coração daquele gente antes tão pacata... Só uma coisa estancou aquela tragédia que parecia sem fim: o perdão.

Só há um remédio para se reconstruir a vida: o perdão. O ódio e a vingança não resolvem, não curam a mágoa, nem o sofrimento causado pela difamação, pela traição, pela injustiça. Só o perdão pode trazer paz ao seu coração.

Claro, perdão não quer dizer que abro mão do direito de reparação, que não recorro à Justiça. Você se lembra do Papa João Paulo II, que levou um tiro de um jovem turco, muçulmano, que foi assassiná-lo na Praça de São Pedro, no Vaticano?! O santo Papa ficou entre a vida e a morte, coitado, e passou o resto da vida sentindo as consequências daquela agressão. Mas, aquele homem santo foi várias vezes visitar o seu agressor na penitenciária, para oferecer-lhe o perdão e acompanha-lo no seu caminho de conversão. Não deixou que o ódio tomasse conta do seu coração. A cadeia é a oportunidade do agressor se redimir, se reencontrar, se reabilitar. Se o tratamento que o agressor receber, dentro ou fora da cadeia, for de violência e crueldade, não resultará redimido, só embrutecido.

Ensinamento do livro do Eclesiástico: "O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados?". E olha como Deus nos trata, reza o Salmo 102: "O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas". 

Guardando a mensagem

Claro que perdoar não é fácil. Mas, um cristão tem o exemplo e os ensinamentos de Cristo. Ele sofreu uma morte muito cruel, mas morreu perdoando. Aliás, por sua paixão e morte oferecidas a Deus como sacrifício voluntário em nosso favor, fomos perdoados de nossos pecados. Nosso débito com Deus era impagável. E ele perdoou nossa dívida. À sua imitação, não podemos ter outro comportamento, senão perdoar as dívidas dos nossos semelhantes. E perdoar sempre. Não apenas quatro vezes, como ensinavam os rabinos e mestres da Lei. Nem só as generosas sete vezes que Pedro sugeriu. Sempre, perfeitamente. Setenta vezes sete, como Jesus prescreveu.

Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
Aquele empregado que não tinha com que pagar uma enorme dívida foi perdoado pelo seu patrão. Seu patrão teve misericórdia dele. Ele não tinha com que pagar, sua família toda seria prejudicada. O patrão cancelou o seu débito, todinho. E aquele mesmo empregado, perdoado de sua grande dívida, não esqueceu o pequeno débito de um companheiro seu. O seu colega não tinha com que pagar naquele momento, mas ele exigiu de toda forma e o pobre homem foi parar na cadeia por causa daquela ninharia. Senhor, esse empregado somos nós. Fomos perdoados de uma dívida impagável. Deus nos perdoou dos nossos pecados. Agora, ele espera que nós tenhamos também compaixão dos nossos irmãos e irmãs que nos ofendem. Ajuda-nos, Senhor, a ser misericordiosos, como o Pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Alguém lhe ofendeu, lhe fez mal, lhe prejudicou? Você já sabe o que tem que fazer. E você já sabe porque tem que fazer... 

E o nosso Curso Bíblico sobre o Evangelho de São Marcos começa segunda-feira. O Curso vai ser oferecido em 5 encontros, de segunda a sexta, das 16 às 17 horas. Eu vou ministrar o Curso, com transmissão pelo Youtube, pelo Facebook e pela Rádio Tempo de Paz. 

Se você ainda não se inscreveu, use este link que estou lhe enviando: INSCREVA-SE AQUI .  É só preecher os dados solicitados. Aproveite e compartilhe a informação com seus contatos. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200702

O DRAMA NÚMERO 01



Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados! (Mt 9,2)
02 de julho de 2020
Trouxeram-lhe um paralítico numa cama. Vendo a fé dos que conduziram o doente, Jesus perdoou-lhe os seus pecados. “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!”. Isso foi motivo de escândalo para os mestres da Lei. Julgaram que Jesus estivesse blasfemando, ofendendo a Deus com aquela conversa. Para que soubessem que ele tinha poder para perdoar os pecados, Jesus curou também o paralítico. “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. Foi um espanto só. Perdoou os pecados e curou da doença.
O evangelho está cheio de gente sofrida: doentes, cegos, paralíticos, leprosos, possessos... Jesus se aproxima dessas pessoas ou essas pessoas se aproximam dele. Jesus lhes dá atenção, toca nelas, as cura, as liberta... Isso tudo pode passar uma imagem equivocada da missão de Jesus. Ele não é um curandeiro. Não curou todos os cegos, nem todos os doentes, nem todos os leprosos. A mensagem que está sendo transmitida é que o encontro com Jesus, o enviado do Pai, resulta em transformação de vida, em mudança radical na própria existência, em libertação de todas as amarras e opressões.

A enfermidade, a cegueira, a lepra, a possessão apontam para um drama maior na vida das pessoas e da sociedade, o pecado. São Paulo resumiu bem essa percepção, quando disse: ‘o salário do pecado é a morte’. O pecado gera destruição, morte. Basta lembrar o caso de Adão e Eva, que é o símbolo do desastre que foi a humanidade dar as costas a Deus, rompendo a amizade com ele. Então, o sofrimento estampado no evangelho é uma indicação do pecado, o pecado como rompimento da aliança com Deus, por parte das pessoas e por parte de toda a comunidade de Israel.
A vinda de Jesus está explicada no próprio evangelho, em relação ao perdão dos pecados. O pai de João Batista, o sacerdote Zacarias, referiu-se à missão do Messias que viria trazer a salvação do povo pela “remissão dos seus pecados”. O próprio João Batista identificou e apontou Jesus como o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O resultado da obra de Jesus, finalmente, é a salvação, o perdão dos pecados. E sua obra é a pregação, a morte de cruz e a ressurreição. No Sermão no dia de Pentecostes, tendo anunciado Jesus morto e ressuscitado, Pedro convocou o povo à conversão e indicou o batismo para o perdão dos seus pecados.
Nesta cena do paralítico deitado numa cama, aparece Jesus no exercício de sua missão. Ele veio para perdoar os nossos pecados. E fez isso, por sua morte expiatória na cruz. Ele nos reconciliou com o Pai, por meio de sua cruz. O perdão nos põe na comunhão amorosa com o Pai, por meio do Filho, no seu Espírito. E em comunhão também com os nossos irmãos.
Guardando a mensagem
A missão de Jesus está descrita, nos evangelhos, em relação ao perdão dos pecados. O pecado é o drama número um do povo de Deus, por sua infidelidade à aliança. É o drama número um também da humanidade, como consta na história de Adão e Eva. Jesus veio para nos reconciliar com o Pai e nos alcançou isso por sua morte e ressurreição. Os doentes e sofredores, tão numerosos nos evangelhos, apontam para a presença do pecado no mundo. O pecado gera sofrimento e morte. Jesus veio para nos comunicar a vida, o perdão de Deus. Curar os doentes, exorcizar os demônios, purificar os leprosos eram ações que prefiguravam a obra por excelência de Jesus em nosso meio: a salvação, a remissão dos pecados, a vida nova da graça. Não peçamos apenas a Jesus a cura dos nossos males físicos ou a solução dos nossos problemas. Ele veio a nós para muito mais. Peçamos-lhe, em primeiro lugar, a graça da conversão e o perdão dos nossos pecados. A obra dele, por excelência, é a salvação.
Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados! (Mt 9,2)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Quando curaste o paralítico, o mandaste ficar de pé, carregar o leito e ir para casa. Tu o devolveste perdoado e sadio à sua família. Essa é a graça de vivermos santa e sadiamente: fazermos alguma coisa para os outros, a começar pelos de nossa casa. A sogra de Simão que tu ajudaste a se levantar de sua febre pôs-se logo a serviço. Servir é o que dá sentido à vida do cristão com saúde no corpo e na alma. Rezamos, hoje, Senhor, pelos enfermos. Dá-lhes conversão, oportunidade para receberem o perdão dos seus pecados e saúde para estarem a serviço, em suas famílias e em suas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Mostre interesse, particularmente hoje, por um enfermo ou por alguém que esteja em isolamento. Pergunte por sua saúde, mande uma mensagem ou telefone. Mostre interesse pelo seu bem. E o bem maior, você sabe, vai muito além da saúde física.
Às 11 horas de hoje, celebro a Santa Missa nas suas intenções. Acompanhe pelo youtube, pelo facebook ou pelo aplicativo Tempo de Paz. Para me encontrar nessas redes, digite Padre João Carlos.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200223

NÃO ALIMENTAR A VIOLÊNCIA

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)

23 de fevereiro de 2020



Toda a história do antigo povo de Deus, suas leis, suas normas de comportamento, com a vinda de Jesus tudo ganhou mais luz, mais perfeição. No Sermão da Montanha, Jesus, como um novo Moisés, comunica a Lei ao seu povo. Ele não veio para acabar com a Lei antiga, mas para levá-la à perfeição, para aprimorá-la. A lei do Reino de Deus pauta-se pela misericórdia, pelo amor. 

No texto de hoje, ele corrige a Lei do Talião. A Lei do Talião, como está no Livro do Levítico, já era um grande avanço, porque disciplinava a reação às agressões. Não permitia o excesso. Era o mínimo de qualquer povo civilizado. Está escrito no Livro do Levítico: vida por vida, fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. O dano que causar a alguém será a sua paga, na mesma moeda, na mesma medida. Bateu, levou. Matou, morreu. É o nível humano, disciplinando a vingança, para a vingança não sair maior do que a ofensa. Essa legislação foi já um grande avanço para o povo do Antigo Testamento. 

Com Jesus, o homem redimido pela graça pode fazer muito mais do que isso. Pode reagir com maior controle, com mais caridade, pode vencer, em si próprio, a raiva, o ódio, o desejo de vingança. O homem renascido pela graça pode ser mais generoso, como Deus foi para com ele; ser misericordioso, como Deus foi com ele. Pode, na graça de Deus que o regenerou, oferecer o perdão, em vez da vingança. 

Olha o que Jesus disse: “Não enfrentem quem é malvado”. Rebater à violência com a violência é alimentar a espiral suicida da violência. A lei de Moisés impunha um controle sobre a medida da vingança, para ninguém se exceder fora da conta. Com Moisés, quem foi ofendido tem o direito de responder com a mesma moeda. Não mais. Com Jesus, nem isso. Quem foi ofendido, não se vinga de jeito nenhum. Não responde com a mesma moeda. Não parte para a violência. Nada de "olho por olho, dente por dente". Não só não parte para a violência, mas procura ser humilde e generoso para restabelecer a fraternidade. Não somente não se vinga, mas também não fecha as portas para o agressor. Assim, até se arrisca a receber outra pancada, outra traição, outra ofensa. "Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!". Fácil, não é. 

Guardando a mensagem 

Oferecer a face esquerda ao agressor. Foi Jesus mesmo que em primeiro lugar realizou isso. Sua cruz foi isso! Nós o esbofeteamos, mas ele pediu ao Pai que nos perdoasse. Nós o crucificamos e, no entanto, ele nos reconciliou com Deus. O mandamento dele é ‘vingança não’ (aquele negócio de olho por olho) e nem voltar as costas a quem nos ofende. Agora a nova lei nos manda ser fraternos a toda prova. Nada de vingança. Nada de reações violentas. Permanecer desarmado, enfrentando a ofensa dos irmãos com humildade e pronto para o perdão. Não alimentar a violência.

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Hoje, estás nos ensinando a agir com mansidão, não com violência. Deste o exemplo: ferido e violentado pelos soldados de Pilatos, te comportaste como um cordeiro levado ao matadouro. Ó Jesus, manso e humilde de coração, faz o nosso coração semelhante ao teu. Dá-nos vencer a espiral da violência, quebrando a resposta violenta que só a alimenta. Ensina-nos, Senhor, a não queremos fazer justiça com as nossas próprias mãos.  Sustenta-nos com os dons da fortaleza e da não-violência. Tu és, Senhor, o nosso modelo de vida, o nosso Mestre. Abençoa, Senhor, nossas famílias, ajudando-nos a não embarcar no clima de desrespeito e violência que o carnaval estimula. Seja honesta a nossa diversão, verdadeira a nossa alegria. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Nesse assunto da paciência, da disposição para a reconciliação, da mansidão, há alguma coisa a consertar na sua vida? Se puder, escreva alguma coisa sobre isso no seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações). 

23 de fevereiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro

20200117

CONSULTÓRIO E CONFESSIONÁRIO - SAÚDE E PERDÃO

Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2, 5)
17 de janeiro de 2020
Ele chegou carregado por quatro homens. Deitado no leito, coitado. Tentaram entrar na casa onde Jesus estava. Lotada. Tiveram uma ideia. Subiram no terraço da casa e abriram uma brecha no teto de palha e barro e desceram o paralítico. Jesus interpretou aquele esforço todo como expressão de fé daqueles homens. E, como estava ensinando, aproveitou para uma grande lição. A grande obra é curar a alma, perdoar os pecados. E perdoou publicamente o paralítico dos seus pecados. Claro, muita gente ali estranhou. Perdoar, só Deus. Curar o corpo, também. Assim, Jesus mandou o paralítico se levantar e ir pra casa.
O carregado saiu carregando. Ele entrou ali deitado no seu leito, carregado por quatro homens. Agora, estava de pé, carregando o seu leito. Foi liberto de seus pecados e de sua doença. Há um vínculo muito estreito entre a saúde da alma e a saúde do corpo. Quando a pessoa entra num quadro de sofrimento moral, de decepção, de saudade ou de tristeza, que são sofrimentos da alma, também o corpo se ressente. Nestas condições, facilmente, uma doença pode se desenvolver no seu organismo. Do mesmo modo, quando alguém cuida bem do seu corpo, com boa alimentação, caminhada, repouso suficiente, logo sua parte espiritual reage positivamente. A inteligência, a memória, o bom humor, a alegria, tudo isso melhora. A pessoa humana é corpo e alma, soma e psiquê.
Então, há um vínculo entre pecado e doença, entre perdão e saúde. No sacramento da Reconciliação, que a gente chama de Confissão, nós recebemos o perdão dos nossos pecados. A graça de Deus que nos vem com o seu perdão é uma força muito grande para enfrentarmos as dificuldades da vida e a doença do corpo. O sacramento da Unção dos Enfermos, que também perdoa os pecados, é administrado, para que a pessoa tenha conforto, paz, coragem, e sendo da vontade de Deus, se recupere, vença a doença. O perdão que nós precisamos dar a quem nos ofende ou pedi-lo a quem nós ofendemos é uma fonte de alívio, de alegria, de saúde. Da mesma forma, o rancor, o ressentimento, o ódio são portas abertas para gastrite, úlcera e outros probleminhas desagradáveis.
Claro que o texto bíblico é muito rico e por ele Deus nos diz muitas coisas importantes para nossa vida. Mas, hoje fiquemos com essa consideração da proximidade que há entre o perdão e a saúde. Não é à toa que Jesus tenha se preocupado tanto com os doentes, quando sua missão era tirar o pecado do mundo.
Guardando a mensagem
Jesus perdoou os pecados do paralítico. Fez isso em consideração à fé que ele viu nos homens que o carregavam e no próprio doente. Depois o curou de sua doença. Fez isso para que compreendessem que ele tinha autoridade para isso. Com essa cura do corpo e da alma, percebemos também como as duas coisas andam bastante juntas, uma vez que a pessoa humana é, numa só unidade, corpo e alma. Consultório e Confessionário, precisamos dos dois.
Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2, 5)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Quando curaste o paralítico, o mandaste ficar de pé, carregar o leito e ir para casa. Tu o devolveste perdoado e sadio à sua família. Essa é a graça de vivermos santa e sadiamente: fazermos alguma coisa para os outros, a começar pelos de nossa casa. A sogra de Simão que tu ajudaste a se levantar de sua febre pôs-se logo a serviço. Servir é o que dá sentido à vida do cristão com saúde no corpo e na alma. Rezamos, hoje, Senhor, pelos enfermos. Dá-lhes conversão, oportunidade para receberem o perdão dos seus pecados e saúde para estarem a serviço, em suas famílias e em suas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Visite, hoje, um enfermo. Não sendo possível, mande uma mensagem, telefone. Mostre interesse pelo seu bem.
17 de janeiro de 2020
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20191225

PERSEVERAR NAS DIFICULDADES, PRIMEIRA LIÇÃO DO NATAL

Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10, 22).
26 de dezembro de 2019.
Estamos na oitava do natal. E já celebrando o primeiro mártir cristão: Estêvão, o diácono Estêvão que pregou o nome de Jesus. Ele denunciou aqueles que levaram Jesus à cruz por conivência com o poder e em rejeição à manifestação de Deus no seu filho amado. Mas, o que essa comemoração do mártir Estêvão tem com o Natal do Senhor que estamos celebrando nesta oitava?
A cena do presépio nos parece doce e poética. Na verdade, ali está representada a forma como a humanidade, a começar pelo seu próprio povo, tratou Jesus. E o tratamento que ele recebeu no seu nascimento foi de exclusão. Nasceu na estrebaria dos animais porque não havia lugar para ele nas casas de família e na hospedaria. Não acolheram o casal em dificuldade, chegando de uma longa viagem, a mulher em dores de parto, uma criancinha por nascer... Na falta de espaço em suas casas, ou melhor, de prioridade dos humildes em suas vidas, alguém lhes indicou a gruta dos animais.  Está certo que a criança e seus pais tiveram a atenção dos pastores naquela noite. Mas, os pastores encontraram a criança e seus pais na maior pobreza. E não foi só isso... com a visita dos Magos do Oriente, José foi avisado que o rei Herodes procurava a criança para eliminá-la. E lá se vai a sagrada família, frente à iminente perseguição dos soldados do rei, migrando penosamente para as bandas do Egito. Exclusão e perseguição são as marcas da vida de Jesus, desde o início.
Jesus tinha avisado aos seus discípulos que eles seriam perseguidos. No evangelho de hoje, estão muitas de suas palavras sobre isso: “Levarão vocês presos para comparecerem diante de autoridades. Serão denunciados aos tribunais, açoitados nas sinagogas. Mas, não se intimidem, nem se desesperem. O Espírito Santo vai fazer a defesa de vocês. Ele falará em nome de vocês. Vejam que a perseguição pode sair até de dentro de sua própria casa. Vocês serão odiados. Mas, quem ficar perseverante até o fim, esse vencerá”. Foi o que Jesus falou.
As primeiras gerações de cristãos logo conheceram o sentido dessas palavras de Jesus. Estêvão era um dos sete diáconos escolhidos pelos apóstolos. A primeira proposta era organizar a distribuição de alimentos para as viúvas e para os pobres. Mas, os diáconos foram especialmente pregadores da Palavra de Deus. Continuaram a pregação de Jesus. Enquanto Estêvão estava só organizando a distribuição das feiras e outras ajudas às famílias pobres, todo mundo gostava. Quando começou a anunciar Jesus e denunciar os motivos de sua morte na cruz, aí começaram a persegui-lo. Estêvão é só um exemplo dos cristãos que continuam hoje a ser perseguidos por causa de sua fé, aliás, um bom exemplo, pois, enquanto estava sendo apedrejado, perdoou os seus algozes e entregou o seu espírito a Deus, imitando o próprio Jesus.



Guardando a mensagem
Estamos na oitava do Natal. No natal de Jesus, apesar do clima de poesia com que hoje o revestimos, vemos nele os sinais da exclusão e da violência. Foi assim desde o começo até à sua morte. Hoje, festejamos o primeiro mártir seguidor de Cristo, Estêvão. Ele foi perseguido e apedrejado por causa de sua fé e de sua pregação sobre o Senhor Jesus. Como seguidor de Jesus (ou sua seguidora), você também pode sofrer incompreensão, discriminação e até perseguição. Nessas condições, muita gente desiste, se acovarda, dissimula ou adoça o seu discurso. O que aprendemos no presépio e, hoje com Estêvão, é a fidelidade até o fim.
Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10, 22).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós te agradecemos por tua encarnação. Tu, o salvador enviado pelo Pai, nos surpreendeste nascendo entre os pobres, em completa solidariedade com os excluídos e sofredores deste mundo. Assim, nos indicaste o caminho que devemos percorrer nesta vida e o caminho que tu és como nosso mestre e Senhor. Nós te bendizemos pelos irmãos e irmãs que enfrentam com fidelidade e destemor os sofrimentos e perseguições por causa de sua fé. Nós te bendizemos por Estêvão, o mártir celebrado hoje. E, por sua intercessão, pedimos a bênção para todos os diáconos da Igreja e suas famílias. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Reze, hoje, pelas pessoas que estão passando dificuldades e sofrendo por causa de sua fé em Cristo.
Pe. João Carlos Ribeiro – 26 de dezembro de 2019

20190815

O PERDÃO DAS DÍVIDAS


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)
15 de agosto de 2019.
A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.
No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.
Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.
Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Guardando a mensagem
Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros.  Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.
Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta vezes sete. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.  
Vivendo a palavra
Com certeza, na sua vida familiar, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Nesta Semana Nacional da Família, faça assim para praticar a palavra de hoje: foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.

Pe. João Carlos Ribeiro – 15 de agosto de 2019.

20180913

JESUS NOS ORIENTOU A FAZER UMA COISA MUITO DIFÍCIL

Amem os seus inimigos. Façam o bem aos que odeiam vocês (Lc 6, 27)

13 de setembro de 2018.

Prepare o seu coração. Jesus nos mandou amar os inimigos. Essa atitude cristã supera o comportamento humano digamos “normal” que seria amar os amigos e odiar os inimigos. Viver na fé em Jesus Cristo nos faz superar essa posição.

Ter raiva é uma coisa natural. Deixar que a raiva tome conta da gente, aí é que não dá. Permitir que a raiva se transforme em rancor, ódio e nos cegue em nossas atitudes, aí não. Segundo o ensinamento de Jesus, o melhor caminho é acalmar o coração e tentar ver em quem nos ofende ou nos agride um irmão, uma pessoa que está equivocada, mas   continua a merecer nossa consideração. Não responder-lhe na mesma medida, não desejar-lhe o mal, antes preservar sua boa imagem, querer o seu bem, rezar por ele ou por ela. É o que Jesus está nos dizendo neste evangelho de hoje.

Amar o próximo é o mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. E quando o próximo é o nosso inimigo ou a nossa inimiga, aí a coisa se complica. Amem os seus inimigos, Jesus mandou. Esse é o caminho da perfeição, amar os inimigos. E fazemos assim, porque Deus faz assim. Disse Jesus: “Assim vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus”. O Pai é o modelo para o filho. O nosso Pai trata bem os maus, porque ele é pai de todos e a todos ama. Como filhos, nós o imitamos.

O dom da filiação divina, nós o recebemos no batismo, por meio do Espírito Santo. Somos filhos de Deus. Mas, Jesus está nos dizendo “assim vocês serão filhos do Altíssimo”. Então, mesmo tendo recebido a graça de sermos filhos de Deus, precisamos aprender a agir como ele, neste caso, amando os nossos inimigos. Na carta aos Hebreus, a esse propósito, há uma passagem interessante sobre Jesus que aprendeu a ser um filho obediente. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. (Hebreus 5,8). Pelo sofrimento, Jesus aprendeu a obediência de filho. Jesus é o maior exemplo. Na cruz, humilhado, traído, torturado só pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, porque, disse ele, “eles não sabem o que fazem”. Rezou por eles. Também por eles, deu a vida.

Jesus está chamando a nossa atenção para o diferencial do cristão. Não agir como os pagãos ou pessoas reconhecidamente longe de Deus. Eles amam os seus amigos, tratam bem os seus iguais. Aos inimigos, eles pisam, maltratam, prejudicam.  E acham tudo normal. Nós não podemos agir assim. Temos que imitar o Pai. Temos que imitar Jesus. Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem, fazer o bem a quem nos maltrata.

Guardando a mensagem

Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer o bem a quem nos odeia. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso espelho. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração.

Amem os seus inimigos. Façam o bem aos que odeiam vocês (Lc 6, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os teus mesmos sentimentos, como nos aconselhou o apóstolo Paulo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também precisam encontrar a graça da conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Identifique, hoje, na sua história de vida, alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar essa pessoa.

Pe. João Carlos Ribeiro – 13.09.2018

20180815

HOJE É DIA DE DISPENSAR AQUELA MÁGOA

Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)
16.08.2018
A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.
No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.
Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.
Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Guardando a mensagem
Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros.  Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.
Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta vezes sete. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.  
Vivendo a palavra
Com certeza, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Faça assim para praticar a palavra de hoje: foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.

Pe. João Carlos Ribeiro – 16.08.2018

20180619

A DIFERENÇA QUE FAZ O CRISTÃO

Amem os seus inimigos (Mt 5, 44)
19 de junho de 2018.
Amar os inimigos, rezar pelos perseguidores. Foi o que Jesus ensinou. Assim, nos tornamos filhos de Deus. É o que está escrito no evangelho de São Mateus: “Assim, vocês se tornarão filhos do seu Pai que está nos céus”. Fazendo como ele, que ama a todos e a todos abençoa com o seu sol e a sua chuva, nos tornamos seus filhos.
Verdade, nós nos tornamos filhos de Deus por nossa adesão a Cristo e pela graça do Espírito Santo derramado sobre nós no batismo. No santo batismo, renascemos como filhos. E, como diz a primeira Carta de São João, ainda não se manifestou claramente a nossa identidade de filhos, mas o somos de fato. Somos herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo.
Embora já sejamos filhos pela misericórdia de Deus, diz Jesus no evangelho de hoje, que precisamos nos tornar filhos dele, isto é, realizar em nós a identidade de filhos, imitando-o, fazendo como ele. Sem merecimento de nossa parte, recebemos a graça da adoção filial, mas precisamos exercitá-la, em nosso comportamento, em nossas atitudes.
Diz certo o ditado: “filho de peixe, peixinho é”. Deus ama a todos e a todos trata bem, mesmo os maus e injustos. Assim, indica Jesus, devemos amar os nossos inimigos e rezar pelos que nos perseguem. Nisso, ele também deu exemplo. Na cruz, ao invés de amaldiçoar ou invocar um castigo para seus algozes, ele pediu ao Pai que os perdoasse, porque não sabiam o que estavam fazendo.
Falar de amor aos inimigos onde estou, em Angola, não é  fácil. O país passou por uma guerra civil que terminou há dezesseis anos (2002). Foram 27 anos de guerra, com mais de meio milhão de mortos. Mas, o perdão é o único remédio que estanca a violência. O ódio, o revanche, a vingança só alimentam a cadeia da violência.
Jesus dá uma razão muito simples para nos esforçarmos nesse quesito do amor aos inimigos. Que diferença fará nossa fé, pergunta ele, se nos mantivermos rancorosos e vingativos? Apenas amar os que nos amam... Isso os pecadores já fazem. Querer bem apenas aos irmãos, aos amigos.... Isso é o que todo pagão já faz. Onde está a nossa diferença?
O Papa Francisco, em sua recente Exortação Apostólica sobre a ‘Chamada à Santidade no Mundo Atual’ escreveu o seguinte: São Paulo convidava os cristãos de Roma a não pagar a ninguém o mal com o mal (cf. Rm 12, 17), a não fazer justiça por conta própria (cf. 12, 19), nem a deixar-se vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem (cf. 12, 21). Esta atitude não é sinal de fraqueza, mas da verdadeira força, porque o próprio Deus «é paciente e grande em poder» (Na 1, 3).
Vamos guardar a mensagem
Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer-lhe o bem. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso modelo. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração.
Amem os seus inimigos (Mt 5, 44)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os teus mesmos sentimentos, como nos aconselhou o apóstolo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de inclinação à vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também são irmãos que precisam encontrar a graça da conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Identifique, hoje, na sua história de vida alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar esse alguém.

Pe. João Carlos Ribeiro – 19.06.2018

20180618

UM TAPA NA CARA, VOCÊ AGUENTA?

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)
18 de junho de 2018.
Toda a história do antigo povo de Deus, suas leis, suas normas de comportamento, com a vinda de Jesus tudo ganhou mais luz, mais perfeição. No Sermão da Montanha, Jesus, como um novo Moisés, comunica a Lei ao seu povo. Ele não veio para acabar com a Lei antiga, mas para levá-la à perfeição, para aprimorá-la. A lei do Reino de Deus pauta-se pela misericórdia, pelo amor.
No texto de hoje, ele corrige a Lei do Talião. A Lei do Talião, como está no Livro do Levítico, já era um grande avanço, porque disciplinava a reação às agressões. Não permitia o excesso. Era o mínimo de qualquer povo civilizado. Está escrito no Livro do Levítico: vida por vida, fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. O dano que causar a alguém será a sua paga, na mesma moeda, na mesma medida. Bateu, levou. Matou, morreu. É o nível humano, disciplinando a vingança, para a vingança não sair maior do que a ofensa. Essa legislação foi já um grande avanço para o povo do Antigo Testamento.
Com Jesus, o homem redimido pela graça pode fazer muito mais do que isso. Pode reagir com maior controle, com mais caridade, pode vencer, em si próprio, a raiva, o ódio, o desejo de vingança. O homem renascido pela graça pode ser mais generoso, como Deus foi para com ele; ser misericordioso, como Deus foi com ele. Pode, na graça de Deus que o regenerou, oferecer o perdão, em vez da vingança.
Olha o que Jesus disse: “Não enfrentem quem é malvado”. Rebater à violência com a violência é alimentar a espiral suicida da violência. A lei de Moisés impunha um controle sobre a medida da vingança, para ninguém se exceder fora da conta. Com Moisés, quem foi ofendido tem o direito de responder com a mesma moeda. Não mais. Com Jesus, nem isso. Quem foi ofendido, não se vinga de jeito nenhum. Não responde com a mesma moeda. Não parte para a violência. Nada de "olho por olho, dente por dente". Não só não parte para a violência, mas procura ser humilde e generoso para restabelecer a fraternidade.  Não somente não se vinga, mas também não fecha as portas para o agressor. Assim, até se arrisca a receber outra pancada, outra traição, outra ofensa. "Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!". Fácil, não é.
Vamos guardar a mensagem
Oferecer a face esquerda ao agressor. Foi Jesus mesmo que em primeiro lugar realizou isso. Sua cruz foi isso! Nós o esbofeteamos, mas ele pediu ao Pai que nos perdoasse. Nós o crucificamos e, no entanto, ele nos reconciliou com Deus. O mandamento dele é ‘vingança não’ (aquele negócio de olho por olho) e nem voltar as costas a quem nos ofende. Agora a nova lei nos manda ser fraternos a toda prova. Nada de vingança. Nada de reações violentas. Permanecer desarmado, enfrentando a ofensa dos irmãos com humildade e pronto para o perdão.
Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)

Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Hoje estás nos ensinando a agir com mansidão, não com violência. Deste o exemplo: ferido e violentado pelos soldados de Pilatos, te comportaste como um cordeiro levado ao matadouro. Ó Jesus, manso e humilde de coração, faze o nosso coração semelhante ao teu. Dá-nos vencer a espiral da violência, quebrando a resposta violenta que só a alimenta. Abençoa, Senhor, os irmãos e as irmãos que estão passando por grandes dificuldades. Ensina-os, Senhor, pelo teu Santo Espírito, a confiarem no diálogo, no entendimento, na busca perseverante de reconciliação. Sustenta-os com os dons da fortaleza e da paciência. Tu és, Senhor, o nosso modelo de vida, o nosso Mestre. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.   
Vamos viver a palavra
Nesse assunto da paciência, da disposição para a reconciliação, da mansidão, há alguma a consertar na sua vida? Se puder, escreva alguma coisa sobre isso no seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações).

Pe. João Carlos Ribeiro – 18.06.2018

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