PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: perdão
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Cuidado com o Pai Nosso!



  05 de março de 2024.  

Terça-feira da 3ª Semana da Quaresma

  Evagelho.  

Mt 18,21-35

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

   Meditação.   


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.

No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.

Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.

Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.



Guardando a mensagem

Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros. Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.

Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta x sete vezes. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.

Vivendo a palavra

Com certeza, na sua vida familiar, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Hoje, foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.

Comunicando

Segunda-feira próxima, dia 11 de março, vamos começar o nosso encontro bíblico semanal, no Youtube: será a nossa Segunda Bíblica. O encontro será às oito e meia da noite e terá meia hora de duração. Você vai precisar de sua bíblia, caderno e caneta. As inscrições estão abertas, sem nenhum custo pra você. Inscreva-se pelo nosso whatsapp 81 3224-9284.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Só há um remédio para reconstruir a vida: o perdão.




   17 de setembro de 2023.   

24º Domingo do Tempo Comum



   Evangelho.   


Mt 18,21-35

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”
22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.
35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.




   Meditação.   


Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)

Há muita injustiça nesse mundo, muita maldade. Você, com certeza, já foi vítima de humilhação, de sofrimento gerados pelo egoísmo de alguém, pela difamação de uma pessoa amiga, pela traição no casamento, quem sabe. Há pessoas que convivem com grandes chagas abertas em sua memória ou mesmo no seu inconsciente. Profissionais que foram perseguidos por colegas que chegaram a perder seus postos de trabalho. Pais que tiveram um filho assassinado. Pessoas que foram violentadas, abusadas quando mais jovens. Um mar de sofrimento causado por pessoas próximas e distantes.

Diante do mal que nos fazem, a primeira reação é a indignação. A pessoa não se conforma, reage percebendo o mal que estão lhe fazendo. Não aceita, sente-se prejudicada, traída, humilhada. É uma atitude aceitável, a indignação. Uma reação justa: não 
se acomodar diante da agressão, não permitir a continuação da ofensa, não permanecer na passividade diante do mal.

Agora, essa indignação pode virar ódio, desejo de vingança, desespero. Tem até quem pense no suicídio como punição contra si mesmo ou contra o agressor ou como forma de estancar essa dor na alma. 
Aí, vamos com calma. Você não pode permitir que o mal que lhe fizeram crie raízes em você, se reproduza no seu ódio, em projetos de vingança e de revanche. O mal se perpetua no mal. É uma onda de violência que puxa outra, não para mais. 

Você já ouviu falar daquelas cidades, no interior de Pernambuco, em que uma família matava a outra... ‘Mataram o meu filho... vou matar o filho dele também!’ ‘Mataram meu primo, vou me vingar!”. A vida daquelas pessoas virou um inferno, uma insegurança total, a cólera fervendo no coração daquele gente antes tão pacata... Só uma coisa estancou aquela tragédia que parecia sem fim: o perdão.

Só há um remédio para se reconstruir a vida: o perdão. O ódio e a vingança não resolvem, não curam a mágoa, nem o sofrimento causado pela difamação, pela traição, pela injustiça. Só o perdão pode trazer paz ao seu coração.

Claro, perdão não quer dizer que abro mão do direito de reparação, que não recorro à justiça. Você lembra do Papa João Paulo II, que levou um tiro de um jovem turco, muçulmano, que foi assassiná-lo na Praça de São Pedro, no Vaticano?! O santo Papa ficou entre a vida e a morte, coitado, e passou o resto da vida sentindo as consequências daquela agressão. Mas, aquele homem santo foi várias vezes visitar o seu agressor na penitenciária, para oferecer-lhe o perdão e acompanha-lo no seu caminho de conversão. Não deixou que o ódio tomasse conta do seu coração. A cadeia é a oportunidade do agressor se redimir, se reencontrar, se reabilitar. Se o tratamento que o agressor receber, dentro ou fora da cadeia, for de violência e crueldade, não resultará redimido, só embrutecido.

Ensinamento do livro do Eclesiástico: "O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados?". E olha como Deus nos trata, reza o Salmo 102: "O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas".

No evangelho de hoje, Jesus conta uma parábola para responder à pergunta ‘Quantas vezes devemos perdoar’. A resposta foi ‘sempre’, setenta vezes sete vezes. Sete é um número perfeito. Sete vezes sete dá quarenta e nove. O ano 50, segundo a antiga lei de Israel, era o ano do jubileu, o ano do perdão das dívidas e da remissão dos escravos. Jesus multiplicou tudo por 10. Setenta vezes sete. Na história de Jesus, nós somos o devedor que devia ao patrão uma soma impagável. Não tendo com que pagar, ele foi perdoado. O patrão teve compaixão dele. Agora, logo ele encontrou um colega que estava lhe devendo uma pequena soma. Como o pequeno devedor não tinha com que pagar, ele o jogou na cadeia. O patrão soube do ocorrido, cancelou a anistia do seu débito e lhe cobrou até o derradeiro centavo. Aprendemos a perdoar com Deus. 




Guardando a mensagem

Claro que perdoar não é fácil. Mas, um cristão tem o exemplo e os ensinamentos de Cristo. Ele sofreu uma morte muito cruel, mas morreu perdoando. Aliás, por sua paixão e morte oferecidas a Deus como sacrifício voluntário em nosso favor, fomos perdoados de nossos pecados. Nosso débito com Deus era impagável. E ele perdoou nossa dívida. À sua imitação, não podemos ter outro comportamento, senão perdoar as dívidas dos nossos semelhantes. E perdoar sempre. Não apenas quatro vezes, como ensinavam os rabinos e mestres da Lei. Nem só as generosas sete vezes que Pedro sugeriu. Sempre, perfeitamente. Setenta vezes sete, como Jesus prescreveu.

Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
aquele empregado que não tinha com que pagar uma enorme dívida foi perdoado pelo seu patrão. Seu patrão teve misericórdia dele. Ele não tinha com que pagar, sua família toda seria prejudicada. O patrão cancelou o seu débito, todinho. E aquele mesmo empregado, perdoado de sua grande dívida, não esqueceu o pequeno débito de um companheiro seu. O seu colega não tinha com que pagar naquele momento, mas ele exigiu de toda forma e o pobre homem foi parar na cadeia por causa daquela ninharia. Senhor, esse empregado somos nós. Fomos perdoados de uma dívida impagável. Deus nos perdoou dos nossos pecados. Agora, ele espera que nós também tenhamos compaixão dos nossos irmãos e irmãs que nos ofendem. Ajuda-nos, Senhor, a ser misericordiosos, como o Pai. Continua, com paciência, nos ensinando a perdoar, a curar nossas mágoas com o perdão, a libertar o nosso futuro pelo perdão. 
Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Alguém lhe ofendeu, lhe fez mal, lhe prejudicou? Tem mágoa, tem ódio no seu coração?  Você já sabe o que tem que fazer. E você já sabe porque precisa proceder como Jesus está nos ensinando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Perdoar é coisa muito difícil e necessária.


   17 de agosto de 2023    

Quinta-feira da 19ª Semana do Tempo Comum

    Evangelho.    


Mt 18,21–19,1


Naquele tempo, 18,21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.

25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.

29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias, tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’

34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.


     Meditação.    


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)


A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.


No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.


Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.


Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.



Guardando a mensagem


Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros. Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta vezes sete. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.


Vivendo a palavra


Com certeza, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Faça assim para praticar a palavra de hoje: foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.


Comunicando


Na Missa de hoje, às 11 horas, rezamos por você e por suas intenções. Você pode nos acompanhar pelo rádio e pelo nosso Canal do Youtube. Hoje, preside o Pe. Antonio Neto.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Peçamos ao Senhor a graça da conversão.




   06 de julho de 2023.   

Quinta-feira da 13º Semana do Tempo Comum

    Evangelho.    


Mt 9,1-8

Naquele tempo, 1entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. 2Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!”
3Então alguns mestres da Lei pensaram: “Esse homem está blasfemando!” 4Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: “Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5O que é mais fácil, dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te e anda’?
6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados, — disse, então, ao paralítico — “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. 7O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa. 8Vendo isso, a multidão ficou com medo e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens.

    Meditação.    


Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados! (Mt 9,2)

Trouxeram-lhe um paralítico numa cama. Vendo a fé dos que conduziram o doente, Jesus perdoou-lhe os seus pecados. “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!”. Isso foi motivo de escândalo para os mestres da Lei. Julgaram que Jesus estivesse blasfemando, ofendendo a Deus com aquela conversa. Para que soubessem que ele tinha poder para perdoar os pecados, Jesus curou também o paralítico. “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. Foi um espanto só. Perdoou os pecados e curou da doença.

O evangelho está cheio de gente sofrida: doentes, cegos, paralíticos, leprosos, possessos... Jesus se aproxima dessas pessoas ou essas pessoas se aproximam dele. Jesus lhes dá atenção, toca nelas, as cura, as liberta... Isso tudo pode passar uma imagem equivocada da missão de Jesus. Ele não é um curandeiro. Não curou todos os cegos, nem todos os doentes, nem todos os leprosos. A mensagem que está sendo transmitida é que o encontro com Jesus, o enviado do Pai, resulta em transformação de vida, em mudança radical na própria existência, em libertação de todas as amarras e opressões.

A enfermidade, a cegueira, a lepra, a possessão apontam para um drama maior na vida das pessoas e da sociedade: o pecado. São Paulo resumiu bem essa percepção, quando disse: ‘o salário do pecado é a morte’. O pecado gera destruição, morte. Basta lembrar o caso de Adão e Eva, que é o símbolo do desastre que foi a humanidade dar as costas a Deus, rompendo a amizade com ele. Então, o sofrimento estampado no evangelho é uma indicação do pecado, o pecado como rompimento da aliança com Deus, por parte das pessoas e por parte de toda a comunidade de Israel.

A vinda de Jesus está explicada no próprio evangelho, em relação ao perdão dos pecados. O pai de João Batista, o sacerdote Zacarias, referiu-se à missão do Messias que viria trazer a salvação do povo pela “remissão dos seus pecados”. O próprio João Batista identificou e apontou Jesus como o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O resultado da obra de Jesus, finalmente, é a salvação, o perdão dos pecados. E sua obra é a pregação, a morte de cruz e a ressurreição. No Sermão no dia de Pentecostes, tendo anunciado Jesus morto e ressuscitado, Pedro convocou o povo à conversão e indicou o batismo para o perdão dos seus pecados.

Nesta cena do paralítico deitado numa cama, aparece Jesus no exercício de sua missão. Ele veio para perdoar os nossos pecados. E fez isso, por sua morte expiatória na cruz. Ele nos reconciliou com o Pai, por meio de sua cruz. O perdão nos põe na comunhão amorosa com o Pai, por meio do Filho, no seu Espírito. E em comunhão também com os nossos irmãos.




Guardando a mensagem

A missão de Jesus está descrita, nos evangelhos, em relação ao perdão dos pecados. O pecado é o drama número um do povo de Deus, por sua infidelidade à aliança. É o drama número um também da humanidade, como consta na história de Adão e Eva. Jesus veio para nos reconciliar com o Pai e nos alcançou isso por sua morte e ressurreição. Os doentes e sofredores, tão numerosos nos evangelhos, apontam para a presença do pecado no mundo. O pecado gera sofrimento e morte. Jesus veio para nos comunicar a vida, o perdão de Deus. Curar os doentes, exorcizar os demônios, purificar os leprosos eram ações que prefiguravam a obra por excelência de Jesus em nosso meio: a salvação, a remissão dos pecados, a vida nova da graça. Não peçamos apenas a Jesus a cura dos nossos males físicos ou a solução dos nossos problemas. Ele veio a nós para muito mais. Peçamos-lhe, em primeiro lugar, a graça da conversão e o perdão dos nossos pecados. A obra dele, por excelência, é a salvação.

Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados! (Mt 9,2)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
quando curaste o paralítico, o mandaste ficar de pé, carregar o leito e ir para casa. Tu o devolveste perdoado e sadio à sua família. Essa é a graça de vivermos santa e sadiamente: fazermos alguma coisa para os outros, a começar pelos de nossa casa. A sogra de Simão que tu ajudaste a se levantar de sua febre pôs-se logo a serviço. Servir é o que dá sentido à vida do cristão com saúde no corpo e na alma. Rezamos, hoje, Senhor, pelos enfermos. Dá-lhes conversão, oportunidade para receberem o perdão dos seus pecados e saúde para estarem a serviço, em suas famílias e em suas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Mostre interesse, particularmente hoje, por um enfermo ou por alguém que esteja passando por uma grande tribulação. Pergunte por sua saúde, mande uma mensagem ou telefone. Mostre interesse pelo seu bem. E o bem maior, você sabe, vai muito além da saúde física.

Comunicando

Como todas as quintas-feiras, hoje, temos a Santa Missa das 11 horas, pelo rádio e pelo YouTube. Não deixe de nos enviar a sua intenção para a Santa Missa. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O 21º passa do nosso caminho quaresmal é perdoar a quem lhe tenha ofendido.



14 de março de 2023

Terça-feira da 3ª Semana da Quaresma

21º passo do caminho quaresmal


EVANGELHO


Mt 18,21-35

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

MEDITAÇÃO


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.

No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.

Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.

Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.



Guardando a mensagem

Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros. Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.

Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta x sete vezes. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.

Vivendo a palavra

Com certeza, na sua vida familiar, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Hoje, foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.

O 21º passa do nosso caminho quaresmal é perdoar a quem lhe tenha ofendido, magoado. 

Comunicando

Amanhã é o dia missionário da AMA. Vou lhe pedir para rezar por nossa missão nos meios de comunicação social. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Ter um coração manso como o de Jesus




19 de fevereiro de 2023

7‘ Domingo do Tempo Comum


EVANGELHO

Mt 5,38-48

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 38“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ 39Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!
40Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! 41Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! 42Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado.
43Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa?
48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!”


MEDITAÇÃO 

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)

Toda a história do antigo povo de Deus, suas leis, suas normas de comportamento, com a vinda de Jesus tudo ganhou mais luz, mais perfeição. No Sermão da Montanha, Jesus, como um novo Moisés, comunica a Lei ao seu povo. Ele não veio para acabar com a Lei antiga, mas para levá-la à perfeição, para aprimorá-la. A lei do Reino de Deus pauta-se pela misericórdia, pelo amor.

No texto de hoje, ele corrige a Lei do Talião. A Lei do Talião, como está no Livro do Levítico, já era um grande avanço, porque disciplinava a reação às agressões. Não permitia o excesso. Era o mínimo de qualquer povo civilizado. Está escrito no Livro do Levítico: vida por vida, fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. O dano que causar a alguém será a sua paga, na mesma moeda, na mesma medida. Bateu, levou. Matou, morreu. É o nível humano, disciplinando a vingança, para a vingança não sair maior do que a ofensa. Essa legislação foi já um grande avanço para o povo do Antigo Testamento.

Com Jesus, o homem redimido pela graça pode fazer muito mais do que isso. Pode reagir com maior controle, com mais caridade, pode vencer, em si próprio, a raiva, o ódio, o desejo de vingança. O homem renascido pela graça pode ser mais generoso, como Deus foi para com ele; ser misericordioso, como Deus foi com ele. Pode, na graça de Deus que o regenerou, oferecer o perdão, em vez da vingança.

Olha o que Jesus disse: “Não enfrentem quem é malvado”. Rebater à violência com a violência é alimentar a espiral suicida da violência. A lei de Moisés impunha um controle sobre a medida da vingança, para ninguém se exceder fora da conta. Com Moisés, quem foi ofendido tem o direito de responder com a mesma moeda. Não mais. Com Jesus, nem isso. Quem foi ofendido, não se vinga de jeito nenhum. Não responde com a mesma moeda. Não parte para a violência. Nada de "olho por olho, dente por dente". Não só não parte para a violência, mas procura ser humilde e generoso para restabelecer a fraternidade. Não somente não se vinga, mas também não fecha as portas para o agressor. Assim, até se arrisca a receber outra pancada, outra traição, outra ofensa. "Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!". Fácil, não é.


Guardando a mensagem

Oferecer a face esquerda ao agressor. Foi Jesus mesmo que em primeiro lugar realizou isso. Sua cruz foi isso! Nós o esbofeteamos, mas ele pediu ao Pai que nos perdoasse. Nós o crucificamos e, no entanto, ele nos reconciliou com Deus. O mandamento dele é ‘vingança não’ (aquele negócio de olho por olho) e nem voltar as costas a quem nos ofende. Agora a nova lei nos manda ser fraternos a toda prova. Nada de vingança. Nada de reações violentas. Permanecer desarmado, enfrentando a ofensa dos irmãos com humildade e pronto para o perdão. Não alimentar a violência.

Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! (Mt 5, 39)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
hoje, estás nos ensinando a agir com mansidão, não com violência. Deste o exemplo: ferido e violentado pelos soldados de Pilatos, te comportaste como um cordeiro levado ao matadouro. Ó Jesus, manso e humilde de coração, faz o nosso coração semelhante ao teu. Dá-nos vencer a espiral da violência, quebrando a resposta violenta que só a alimenta. Ensina-nos, Senhor, a não querermos fazer justiça com as nossas próprias mãos. Sustenta-nos com os dons da fortaleza e da não-violência. Tu és, Senhor, o nosso modelo de vida, o nosso Mestre. Abençoa, Senhor, nossas famílias, ajudando-nos a não embarcar no clima de desrespeito e violência que o carnaval estimula. Seja honesta a nossa diversão, verdadeira a nossa alegria. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Nesse assunto da paciência, da disposição para a reconciliação, da mansidão, há alguma coisa a consertar na sua vida? Se puder, escreva alguma coisa sobre isso no seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações).

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Trate seus irmãos com misericórdia




11 de agosto de 2022

Dia de Santa Clara

EVANGELHO


Mt 18,21–19,1


Naquele tempo, 18,21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.

25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.

29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias, tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’

34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.


MEDITAÇÃO


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)


A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.


No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.


Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.


Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.



Guardando a mensagem


Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros. Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta vezes sete. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.


Vivendo a palavra


Com certeza, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Faça assim para praticar a palavra de hoje: foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.


Comunicando


Na Missa de hoje, às 11 horas, rezamos por você e por suas intenções. Você pode nos acompanhar pelo rádio e pelas redes sociais.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


O PERDÃO DOS NOSSOS PECADOS




30 de junho de 2022

Quinta-feira da 13º Semana do Tempo Comum


EVANGELHO


Mt 9,1-8

Naquele tempo, 1entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. 2Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!”
3Então alguns mestres da Lei pensaram: “Esse homem está blasfemando!” 4Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: “Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5O que é mais fácil, dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te e anda’?
6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados, — disse, então, ao paralítico — “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. 7O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa. 8Vendo isso, a multidão ficou com medo e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens.


MEDITAÇÃO

Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados! (Mt 9,2)

Trouxeram-lhe um paralítico numa cama. Vendo a fé dos que conduziram o doente, Jesus perdoou-lhe os seus pecados. “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!”. Isso foi motivo de escândalo para os mestres da Lei. Julgaram que Jesus estivesse blasfemando, ofendendo a Deus com aquela conversa. Para que soubessem que ele tinha poder para perdoar os pecados, Jesus curou também o paralítico. “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. Foi um espanto só. Perdoou os pecados e curou da doença.

O evangelho está cheio de gente sofrida: doentes, cegos, paralíticos, leprosos, possessos... Jesus se aproxima dessas pessoas ou essas pessoas se aproximam dele. Jesus lhes dá atenção, toca nelas, as cura, as liberta... Isso tudo pode passar uma imagem equivocada da missão de Jesus. Ele não é um curandeiro. Não curou todos os cegos, nem todos os doentes, nem todos os leprosos. A mensagem que está sendo transmitida é que o encontro com Jesus, o enviado do Pai, resulta em transformação de vida, em mudança radical na própria existência, em libertação de todas as amarras e opressões.

A enfermidade, a cegueira, a lepra, a possessão apontam para um drama maior na vida das pessoas e da sociedade: o pecado. São Paulo resumiu bem essa percepção, quando disse: ‘o salário do pecado é a morte’. O pecado gera destruição, morte. Basta lembrar o caso de Adão e Eva, que é o símbolo do desastre que foi a humanidade dar as costas a Deus, rompendo a amizade com ele. Então, o sofrimento estampado no evangelho é uma indicação do pecado, o pecado como rompimento da aliança com Deus, por parte das pessoas e por parte de toda a comunidade de Israel.

A vinda de Jesus está explicada no próprio evangelho, em relação ao perdão dos pecados. O pai de João Batista, o sacerdote Zacarias, referiu-se à missão do Messias que viria trazer a salvação do povo pela “remissão dos seus pecados”. O próprio João Batista identificou e apontou Jesus como o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O resultado da obra de Jesus, finalmente, é a salvação, o perdão dos pecados. E sua obra é a pregação, a morte de cruz e a ressurreição. No Sermão no dia de Pentecostes, tendo anunciado Jesus morto e ressuscitado, Pedro convocou o povo à conversão e indicou o batismo para o perdão dos seus pecados.

Nesta cena do paralítico deitado numa cama, aparece Jesus no exercício de sua missão. Ele veio para perdoar os nossos pecados. E fez isso, por sua morte expiatória na cruz. Ele nos reconciliou com o Pai, por meio de sua cruz. O perdão nos põe na comunhão amorosa com o Pai, por meio do Filho, no seu Espírito. E em comunhão também com os nossos irmãos.


Guardando a mensagem

A missão de Jesus está descrita, nos evangelhos, em relação ao perdão dos pecados. O pecado é o drama número um do povo de Deus, por sua infidelidade à aliança. É o drama número um também da humanidade, como consta na história de Adão e Eva. Jesus veio para nos reconciliar com o Pai e nos alcançou isso por sua morte e ressurreição. Os doentes e sofredores, tão numerosos nos evangelhos, apontam para a presença do pecado no mundo. O pecado gera sofrimento e morte. Jesus veio para nos comunicar a vida, o perdão de Deus. Curar os doentes, exorcizar os demônios, purificar os leprosos eram ações que prefiguravam a obra por excelência de Jesus em nosso meio: a salvação, a remissão dos pecados, a vida nova da graça. Não peçamos apenas a Jesus a cura dos nossos males físicos ou a solução dos nossos problemas. Ele veio a nós para muito mais. Peçamos-lhe, em primeiro lugar, a graça da conversão e o perdão dos nossos pecados. A obra dele, por excelência, é a salvação.

Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados! (Mt 9,2)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Quando curaste o paralítico, o mandaste ficar de pé, carregar o leito e ir para casa. Tu o devolveste perdoado e sadio à sua família. Essa é a graça de vivermos santa e sadiamente: fazermos alguma coisa para os outros, a começar pelos de nossa casa. A sogra de Simão que tu ajudaste a se levantar de sua febre pôs-se logo a serviço. Servir é o que dá sentido à vida do cristão com saúde no corpo e na alma. Rezamos, hoje, Senhor, pelos enfermos. Dá-lhes conversão, oportunidade para receberem o perdão dos seus pecados e saúde para estarem a serviço, em suas famílias e em suas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Mostre interesse, particularmente hoje, por um enfermo ou por alguém que esteja passando por uma grande tribulação. Pergunte por sua saúde, mande uma mensagem ou telefone. Mostre interesse pelo seu bem. E o bem maior, você sabe, vai muito além da saúde física.

Comunicando

No programa de rádio de hoje, conto como foi o Show de ontem, em Manaquiri. E como todas as quintas-feiras, hoje, temos a Missa das 11 horas, pelo rádio e pelas redes sociais. Preside o Pe. Neto, um jovem sacerdote salesiano, vice-presidente de nossa associação AMA. 

Uma abençoada quinta-fera e até amanhã, se Deus quiser!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A. HISTÓRIA DE ALGUÉM QUE NÃO SOUBE PERDOAR




22 de março de 2022

21º dia da Quaresma

EVANGELHO


Mt 18,21-35

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

MEDITAÇÃO


Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

A compaixão é a marca de Jesus no seu encontro com os sofredores e os pecadores. O patrão da história teve compaixão do seu empregado que lhe devia uma enorme fortuna. Como ele não tivesse com que pagar, teria que ser vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo que possuísse, para pagar a dívida. O empregado, de joelhos, suplicou pedindo um prazo e prometendo quitar a dívida. O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou a dívida. Esse patrão da história representa o Pai, nosso Deus. Nós somos esse empregado grande-devedor. Fomos perdoados.

No Pai Nosso ensinado por Jesus, no registro do mesmo evangelho de São Mateus, essa parábola fica bem compreendida. Jesus ensinou a rezar com essas palavras: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. E era assim que antigamente se rezava o Pai Nosso. As nossas dívidas com Deus são as nossas faltas, os nossos pecados, as nossas ofensas. Depois, começou-se a dizer para maior clareza: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Nossa dívida com Deus, nosso pecado é impagável. Mas, Deus nos perdoou por causa do sacrifício de Jesus. Jesus ofereceu a sua vida em remissão dos nossos pecados. E fomos liberados das consequências do nosso débito, a morte eterna. Nossa dívida foi redimida. Fomos perdoados. Nosso Deus teve compaixão de nós.

Mas, a história continua. O empregado, perdoado da grande dívida, encontrou um colega, um companheiro que lhe devia um dinheiro pouco. Cobrou o seu dinheiro, na maior ignorância. O colega fez como ele tinha feito com o patrão. De joelhos, pediu um prazo para quitar a dívida. O empregado não quis conversa, fez uma denúncia na Justiça e o colega acabou preso, e lá ficaria até que pagasse o último centavo. A notícia circulou e chegou aos ouvidos do patrão. O empregado foi chamado. “Homem perverso, eu te perdoei toda a tua dívida porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Aí a coisa ficou feia pro lado do empregado que não teve compaixão do seu semelhante.

Você foi perdoado, perdoada, de uma grande dívida pelo seu Criador e Pai. Ele teve compaixão de você. Em Cristo, ele fez de você uma nova criatura, com o nome limpo na praça. Aprenda isso com ele. Aja também com compaixão com os seus irmãos. Seja compreensivo, paciente, misericordioso com os outros. E... tenha cuidado com o Pai Nosso... “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.



Guardando a mensagem

Jesus está contando uma história para entendermos que assim como Deus nos perdoou, igualmente devemos perdoar os outros. Deus nos perdoou os pecados, as ofensas, que nós cometemos contra ele. Nossa dívida era impagável. Jesus a pagou por nós, na cruz. Já que fomos assim generosamente perdoados, precisamos tratar os nossos semelhantes com misericórdia e piedade.

Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (Mt 18, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
perdoar não é fácil. E estar disposto a perdoar sempre que a pessoa pede uma chance, ou mostra-se arrependida, é uma tarefa que parece superar nosso limite humano. Mas, também é verdade que perdoar o outro é um gesto de humildade e gratidão para com o Pai que nos perdoou de nossa grande dívida. Nós somos os filhos pródigos que voltamos arrependidos para casa. E ele nos recebe de braços abertos. Então, não há outro caminho, senão imitá-lo na sua compaixão. Também precisamos ter compaixão dos nossos semelhantes. Ajuda-nos, Senhor, a imitar a compaixão do nosso Deus e sermos capazes de perdoar setenta x sete vezes. E a rezar de verdade: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com a tua compaixão, Senhor, concede-nos a generosidade do perdão e conforta-nos em nossos dramas e em nossas dores, com a tua bênção e com o teu amor. Amém.

Vivendo a palavra

Com certeza, na sua vida familiar, você tem, no seu coração, mágoas, ressentimentos... coisa de muito tempo atrás ou até coisa recente. Hoje, foque em uma dessas situações e peça a Deus forças para ser capaz de perdoar. E tome uma decisão importante e libertadora: perdoe.

Comunicando

No canal do Youtube, hoje tem ENCONTROS. Toda terça-feira, às 20 horas, eu apresento um programa de entrevistas, música e espiritualidade. E vou ficar muito feliz com sua audiência.  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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