Mostrando postagens com marcador Maria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria. Mostrar todas as postagens

20200414

UMA COMUNIDADE CHAMADA MADALENA

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20, 18)


14 de abril de 2020.

Madalena não é só uma personagem da história de Jesus. Ela, com certeza, é uma representante da primeira comunidade cristã. Nesse texto, ela pode estar representando a própria comunidade dos seguidores de Jesus, nos seus inícios. Quem é Madalena? Uma discípula. Uma pessoa resgatada por Jesus. Marcos e Lucas relatam que Jesus a libertou de sete demônios. Lucas relata que um grupo de mulheres andava com Jesus, várias delas libertadas de enfermidades ou de espíritos maus. Afinal, o que era a comunidade cristã, senão um grupo de pessoas resgatadas por Jesus da doença, da opressão da Lei, da exclusão social, do pecado? É isso que é a Igreja, o povo redimido, lavado do pecado no Batismo. Um povo de pecadores restaurados na graça de Deus, uma comunidade chamada Madalena.

A cena mostra sete passos da caminhada que a comunidade fez até descobrir que Jesus havia ressuscitado e anunciá-lo abertamente. Madalena representa a comunidade. Olha os passos... 1º. Ela vai ao túmulo, ainda escuro. 2º. Ela vê que a pedra foi retirada do túmulo. 3º. Ela sai correndo para avisar que tiraram o corpo de Jesus. 4º. Ela vê dois anjos vestidos de branco sentados no lugar do corpo. 5º. Ela vê Jesus de pé, achando que ele era o jardineiro. 6º. Ela reconhece Jesus ao ouvi-lo chamar seu nome. 7º. Ela vai anunciar aos discípulos: Eu vi o Senhor. Sete passos de Madalena, sete passos da comunidade cristã na descoberta de Jesus ressuscitado.

Veja que, no começo, tudo está meio em trevas. São os primeiros passos. Foi ao túmulo, quando ainda estava escuro, diz o texto. Esse é começo de nossa caminhada de fé, não é verdade? Muita gente hoje só vê a morte de Jesus. Não é à toa que a sexta-feira da paixão reúne mais gente que o sábado de aleluia. Nesse texto, as palavras ‘túmulo’ e ‘choro’ se repetem várias vezes. O começo é ainda a escuridão da noite da dor, do sofrimento. A primeira descoberta é que o túmulo está aberto. Um pouco mais adiante, percebe que o túmulo está vazio. É o segundo passo. Pressente alguma coisa, mas sem entender a sua profundidade. No terceiro passo, ela vai, aflita, comunicar aos discípulos que roubaram o corpo de Jesus. Ainda não tem a visão da fé. Depois, no quarto passo, vem o encontro com a tradição da fé que pode iluminar a compreensão da comunidade. Qual é, no fundo, o drama? Pelo pecado, fomos expulsos do paraíso. Conta o livro do Gênesis, que ficaram dois anjos na porta do Éden para não deixar ninguém entrar. Mas, Jesus veio para reabrir as portas do paraíso, da graça de Deus. Com ele, chegou o Reino de Deus. Os dois anjos estão ali, perguntando se ainda há razões para chorar. Da escuridão para a luz ... é este o caminho de Madalena, o caminho da comunidade. Bom, até aqui foram quatro passos.

Prosseguindo um pouco mais - é o quinto passo - ela encontra Jesus. Ela o encontra, mas pensa que é o jardineiro e quer saber onde ele colocou o morto. Está perto de Jesus, mas não o encontrou de verdade. Olha que tem muita gente nesse ponto! Mas, olha o sexto passo: ela voltou-se ao ouvir o seu nome, pronunciado por Jesus. É aqui que o laço se desata: em sentir-se conhecida e amada por Jesus. Aí o coração finalmente encontra o Mestre. E é aí que o discípulo se torna missionário. ‘Vai dizer aos meus irmãos que eu vou subir para o meu Pai e vosso Pai’... disse Jesus, é a missão. E o sétimo passo é esse mesmo: anunciar aos outros “Eu vi o Senhor!”

Guardando a mensagem

Madalena é uma discípula de Jesus. É uma mulher resgatada pelo amor de Cristo, como nós que fomos restaurados como novas criaturas, no batismo. Podemos pensar que, nesse texto, ela esteja representando a comunidade cristã, a de ontem e as de hoje. Podemos ver neste evangelho, os sete passos ou melhor o caminho da comunidade que aos poucos vai assimilando a obra redentora de Jesus, realizada por sua morte e ressurreição. Da escuridão inicial (a não compreensão, a falta de fé), cada discípulo vai progredindo passo a passo, passando pela luz da Palavra de Deus, até chegar a um encontro pessoal com o Senhor e se tornar seu missionário, anunciador de sua vitória sobre o mundo.

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20, 18)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
No evangelho de hoje, contemplamos, em Madalena, a caminhada que cada um de nós vai fazendo para te encontrar e te anunciar aos irmãos. No começo, ela viu que a pedra foi retirada do túmulo. Foi uma primeira descoberta. Depois, ela viu que o túmulo estava vazio. Foi aí que ela viu os anjos de branco, a Palavra de Deus ajudando a enxergar melhor e ver que as portas do paraíso foram reabertas. Finalmente, tendo te encontrado, ela pode ser tua testemunha: Eu vi o Senhor! Ajuda-nos, Jesus, a não ficar marcando o passo, mas progredir no conhecimento da verdade, para que ela nos ilumine e com ela possamos iluminar os outros. Tu és o caminho, a verdade, a vida. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, anote os sete passos de Madalena. Eles são os sete passos do seu próprio crescimento em Cristo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200329

A SOLIDARIEDADE DE JESUS NO LUTO


Tendo dito isso, exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11, 43)

29 de março de 2020



A morte é uma realidade muito dolorosa. Quando se perde um parente ou mesmo uma pessoa amiga, vive-se momentos de muito sofrimento espiritual, mergulha-se numa grande tristeza. Quanto mais próxima a pessoa falecida - um pai, uma mãe, um irmão, um amigo do peito - mais dolorosa é a separação, o sentimento de impotência diante da morte, a sensação de perda irreparável. Ainda assim, a morte pode ser um momento de grande revelação de Deus em nossa vida. Foi assim com a família de Marta, Maria e Lázaro. 

Em um povoado perto de Jerusalém, chamado Betânia, morava essa família de quem Jesus era muito próximo. Marta, Maria e Lázaro eram amigos de Jesus. Lázaro caiu muito doente. E as irmãs mandaram avisar a Jesus, que estava longe. Jesus demorou a chegar. Quando chegou, o rapaz já estava morto há quatro dias. Tinha sido sepultado numa gruta fechada com uma pedra. Marta foi ao seu encontro. Jesus a consolou e a estimulou a crer nele. Maria também foi falar com Jesus e o comoveu com sua dor. Jesus quis ver o túmulo. Mandou rolar a pedra. Rezou ao Pai. E chamou Lázaro para fora. Foi uma grande comoção. Além das irmãs, estavam presentes também os discípulos de Jesus e muitos judeus. Nessa ocasião, muitos creram nele. 

Nós estamos lendo hoje o Evangelho de São João, capítulo 11, onde se conta essa linda história da ressurreição de Lázaro. É o final do chamado livro dos sinais (capítulos 1 a 11). Em todo o evangelho de João, estão descritos sete sinais. Os sinais nos ajudam a entender quem é Jesus, quem o enviou e como podemos viver a vida nova que ele nos trouxe. A ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal, portanto uma manifestação muito especial de quem é Jesus, um convite a crermos nele. 

E quem estava precisando reconhecer Jesus, acolhê-lo como o enviado do Pai, crer nele? Quem está precisando fazer essa experiência de Deus que comunica a vida, por meio do seu filho Jesus? Marta, Maria, os discípulos, as pessoas amigas da família, você, eu... todo mundo está precisando fazer essa experiência. 

Os discípulos estavam precisando fazer essa experiência. Eles estavam paralisados com a preocupação da morte. Aconselharam Jesus a não ir a Betânia, por causa da perseguição. Na Judeia, Jesus já tinha se livrado de ser preso e de ser apedrejado. Diante dos argumentos de Jesus, Tomé concluiu: “Vamos nós também para morrermos com ele”. Olha o que Jesus disse, querendo que eles fossem com ele a Betânia: “para que vocês creiam”. Os discípulos estavam precisando crer. 

Marta também estava precisando fazer essa experiência. Ela, como discípula que era, acreditava em Jesus, sabia que ele estava muito próximo de Deus. Acreditava na ressurreição dos mortos no último dia. Mas, não sabia que Jesus é a ressurreição e a vida. Quem nele crê, mesmo morto, tem a vida. E se vive e nele crê, não morre. Olha a pergunta de Jesus a Marta: “Crês isto?”. Marta também estava precisando crer. 

E Maria, será que Maria estava precisando também fazer essa experiência? Ela foi avisada por Marta que Jesus tinha chegado. Os judeus a acompanharam. Ela correu e ajoelhou-se chorando aos pés de Jesus. Jesus ficou comovido, chorou também com eles. Maria o levou ao lugar do túmulo. Jesus mandou retirar a pedra. Ela discordou: “Não faça isso. Já está sepultado há quatro dia, cheira mal”. Olha a palavra de Jesus: “Não te disse: se creres, verás a glória de Deus?”. Então, Maria também estava precisando crer. 

E aquele povo que tinha ido consolar as irmãs enlutadas e estavam ali também diante do túmulo? Também aquela gente precisava fazer aquela experiência. Olha a oração de Jesus: 'Pai, eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste.' Também eles precisavam crer. 

Foi aí que Jesus deu um grito: “Lázaro, vem para fora”. E o morto saiu, todo enrolado com as faixas de pano... Jesus mandou alguém desatar aquelas faixas para ele poder andar. Veja o que o evangelista anotou: “Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele”.

Guardando a mensagem

Então, você notou, o foco dessa narrativa, desse sinal, não é o milagre. É a fé que quer suscitar. É a experiência de Deus que podemos fazer também nos momentos difíceis da morte de alguém muito querido. Se nós cremos, a morte não nos assusta mais. A fé nos une a Cristo, que é a ressurreição e a vida. Estando com ele, a morte biológica é apenas uma passagem, porque a vida plena e verdadeira, já a temos em nós. 

Tendo dito isso, exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11, 43)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Estamos vivendo um momento muito doloroso no mundo, no meio de uma pandemia de um novo vírus que ainda não tem vacina nem remédio. O número de infectados e de mortes representa uma grande tragédia, Senhor. Em nosso país, estamos apenas começando. O número de infectados e de óbitos multiplica-se a cada dia. Estamos em isolamento social, tentando não receber e não passar adiante o vírus. Vamos passar mais esse domingo sem participar da Missa na igreja, só pelos meios de comunicação. Este teu evangelho de hoje nos traz alento, Senhor. A tua solidariedade com aquela família de Betânia, o teu sentimento pela perda do teu amigo Lázaro e o teu ensinamento sobre a ressurreição e a vida nos confortam. Senhor, te pedimos: aumenta a nossa fé, fortalece-nos na solidariedade, liberta-nos desse vírus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze, hoje, pelas pessoas que, mundo afora, faleceram nesses últimos dias, por conta dessa pandemia. Reze pelas vítimas, por suas famílias, pelos profissionais da saúde, da segurança, da limpeza, do comércio de alimentos e por todos os profissionais que estão trabalhando em funções essenciais para a população e por todas as lideranças civis. Deus nos conduza nesse momento tão difícil do país e do mundo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20190729

A LIÇÃO DE SANTA MARTA

Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa ( Jo 11, 20).

29 de julho de 2019

Na Igreja, hoje estamos festejando a discípula de Jesus de nome Marta. Marta é a figura de uma cristã cheia de fé, especialmente nos momentos de maior dificuldade e sofrimento. O caminho de fé de Marta é o caminho de fé da comunidade cristã e de cada um de nós.

Marta -  você lembra dela -  é a irmã de Maria e de Lázaro, amigos de Jesus que moravam em Betânia. Maria é aquela que ficou sentada aos pés de Jesus, escutando seu ensinamento, enquanto Marta ocupava-se dos afazeres da casa, lembra?! Na cena de hoje, Marta foi ao encontro de Jesus quando ele estava chegando e Maria ficou em casa, sentada. Curioso esse detalhe. Marta foi encontrar Jesus. Maria ficou sentada.
Bom, tinha acontecido uma coisa muito triste. Lázaro tinha morrido.  Elas, suas irmãs, tinham mandado chamar Jesus quando ele ainda estava gravemente enfermo. Mas, Jesus não apareceu. Quando ele veio chegar, Lázaro já estava morto há quatro dias.  A cena é essa: Jesus está chegando... Marta vai ao encontro dele, antes dele visitar o túmulo do amigo.

Vamos prestar atenção nas quatro coisas que Marta disse a Jesus:

A primeira palavra de Marta foi essa: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Na verdade, isso é uma queixa, porque Jesus demorou a ir ver o seu amigo. Elas contavam que Jesus o curasse da doença. Nós também passamos por momentos de muita dificuldade. Clamamos por Deus. Às vezes, parece que ele não vem nos socorrer. Nossa oração toma então um tom de reclamação.

Vamos à segunda palavra de Marta: “Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. Uma palavra que mostra sua confiança no poder de Deus que opera em Jesus. Seu coração está aberto à ação de Deus. Mesmo não sendo prontamente atendidos como pretendíamos, manifestamos ao Senhor nossa confiança. Confiamos nele. Não entendemos os seus planos, mas confiamos nele.

A terceira palavra de Marta no diálogo com Jesus foi essa: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. Ela tem a crença que boa parte do seu povo tem: no último dia haverá a ressurreição dos mortos. Sabe que Deus agirá no tempo dele. Nós também temos uma fé como a de Marta. Acreditamos que Deus é Senhor de tudo e lá no fim da história vai realizar todas as suas promessas.

A quarta e última palavra de Marta foi impressionante.  “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. É uma bela afirmação de sua fé. Reconhece que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, o prometido. Ela está dizendo que crê em Jesus que está ali presente, a revelação plena do Pai. Jesus tinha lhe dito: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais”. Ela confessa sua fé em Jesus, que está ali diante dela. O dom de Deus é não só para o final de nossa jornada. O dom de Deus, em Cristo, é já para hoje. Ele é a ressurreição e a vida.
Marta fez o caminho de fé, os quatro passos. Está pronta para o sinal da ressurreição do seu irmão Lázaro.

Guardando a mensagem  

Marta é uma discípula de Jesus. O seu caminho de fé é também o caminho de cada cristão, o nosso caminho. No seu caminho de fé, ela deu quatro passos no seu encontro com Jesus: passou da queixa para a confiança nele; e de uma fé genérica para uma fé pessoal em Jesus Salvador. Que bom que você possa percorrer esse mesmo itinerário: da queixa passar à confiança em Jesus; da fé genérica passar para uma adesão pessoal a Jesus Salvador. Nele, manifestou-se a vida de Deus. 

Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa ( Jo 11, 20).

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Como Marta, que perdeu seu irmão Lázaro, muitos de nós estão passando pela perda de um ente querido. É uma dor profunda, uma tristeza muito grande que se experimenta, sobretudo se se tratar de um pai, de uma mãe ou de um filho ou filha. Em muitas situações, rogou-se ardorosamente pela cura daquela pessoa e o milagre aparentemente não aconteceu. Perdoa, Senhor, se não compreendemos os teus desígnios. Essa vida biológica que nos deste se esgota com o tempo. Mas, a vida que nos deste não termina na morte do corpo. Olhamos para ti, Jesus, e contemplamos a tua ressurreição. Cremos que venceste a morte e estás vivo e ressuscitado. Cremos na ressurreição da carne. Como tu, seremos ressuscitados para vivermos sempre contigo, na comunhão do Pai e do Santo Espírito. Sabemos, na fé, que a ressurreição será plena e total, quando chegar o dia da ressurreição da carne, na tua volta. Queremos viver, Senhor, nessa fé. E acompanhar, na oração, os que partiram. Recebe a todos eles na tua santa morada. E conforta os corações sofridos pela ausência dos seus entes queridos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vamos viver a palavra

Reze, hoje, pelos seus falecidos. E, aparecendo oportunidade conforte alguém enlutado com as palavras da fé.

A gente se reencontra, hoje, às 22 horas, no facebook.

Pe. João Carlos Ribeiro – 29 de julho de 2019

20190722

MADALENA, A DISCÍPULA DE JESUS

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

22 de julho de 2019.

Sendo hoje o dia de Santa Maria Madalena, a Igreja nos apresenta essa bela página do evangelho de São João. Madalena não é só uma personagem da história de Jesus. Ela, com certeza, é uma representante da primeira comunidade cristã. Nesse texto, ela pode estar representando a própria comunidade dos seguidores de Jesus, nos seus inícios. Quem é Madalena? Uma discípula. Uma pessoa resgatada por Jesus. Marcos e Lucas relatam que Jesus a libertou de sete demônios. João não menciona esse dado. Lucas relata que um grupo de mulheres andava com Jesus, várias delas libertadas de enfermidades ou de espíritos maus. Afinal, o que era a comunidade cristã, senão um grupo de pessoas resgatadas por Jesus da doença, da opressão da Lei, da exclusão social, do pecado? É isso que é a Igreja, o povo redimido, lavado do pecado, no batismo. Um povo de pecadores restaurados na graça de Deus. Uma comunidade chamada Madalena.

A cena mostra sete passos da caminhada que a comunidade fez até descobrir que Jesus havia ressuscitado e anunciá-lo abertamente. Madalena representa a comunidade. Olha os passos... 1º. Ela vai ao túmulo, ainda escuro. 2º. Ela vê que a pedra foi retirada do túmulo. 3º. Ela sai correndo para avisar que tiraram o corpo de Jesus. 4º. Ela vê dois anjos vestidos de branco sentados no lugar do corpo. 5º. Ela viu Jesus de pé, achando que ele era o jardineiro. 6º. Ela reconheceu Jesus ao ouvi-lo chamar seu nome. 7º. Ela foi anunciar aos discípulos: Eu vi o Senhor. Sete passos de Madalena, sete passos da comunidade cristã na descoberta de Jesus ressuscitado.

Veja que, no começo, tudo está escuro. Foi ao túmulo, quando ainda estava escuro, diz o texto.  Esse é começo de nossa caminhada de fé, não é verdade? Muita gente hoje só vê a morte de Jesus. Não é à toa que a sexta-feira da paixão reúne mais gente que o sábado de aleluia. A primeira descoberta é que o túmulo está aberto. Um pouco mais adiante, percebe que o túmulo está vazio. Depois vem o encontro com a tradição da fé que pode iluminar a compreensão da comunidade. Qual é, no fundo, o drama? Pelo pecado, fomos expulsos do paraíso. Ficaram dois anjos na porta do Éden para não deixar ninguém entrar. Mas, Jesus veio para reabrir as portas do paraíso, da graça de Deus.  Com ele, chegou o Reino de Deus. Os dois anjos estão ali, perguntando se ainda há razões para chorar. Da escuridão para a luz ... é o caminho de Madalena, é o caminho da comunidade. Bom, até aqui foram quatro passos.
 
Prosseguindo um pouco mais -  é o quinto passo - ela encontra Jesus. Ela o encontra, mas pensa que é o jardineiro e quer saber onde ele colocou o morto. Está perto de Jesus, mas não o encontrou de verdade. Olha que tem muita gente nesse passo. Mas, olha o sexto passo: ela voltou-se ao ouvir o seu nome, pronunciado por Jesus. É aqui que o laço se desata: em sentir-se conhecida e amada por Jesus. Aí o coração finalmente encontra o Mestre. E é aí que o discípulo torna-se um missionário: ‘Vai dizer aos meus irmãos que eu vou subir para o meu Pai e vosso Pai’.  O sétimo passo é anunciar aos outros: “Eu vi o Senhor!”

Guardando a  mensagem

Madalena é uma discípula de Jesus. É uma mulher resgatada pelo amor de Cristo, como nós que fomos restaurados como novas criaturas, no batismo. Podemos pensar que, nesse texto, ela esteja representando a comunidade cristã, a de ontem e as de hoje. Podemos ver, no evangelho de hoje, sete passos, o caminho da comunidade que aos poucos vai assimilando a obra redentora de Jesus, realizada por sua morte e ressurreição. Da escuridão inicial (a não compreensão, a falta de fé), cada discípulo vai progredindo passo a passo, passando pela luz da Palavra de Deus, até chegar a um encontro pessoal com o Senhor e se tornar seu missionário, anunciador de sua vitória sobre o mundo.

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Contemplamos, hoje, em tua discípula Maria  Madalena, a caminhada que cada um de nós vai fazendo para te encontrar e te anunciar aos irmãos. E o que fez toda diferença foi tu a teres chamado pelo nome: “Maria”. Ela reconheceu tua voz, ela se sentiu conhecida e amada por ti. Foi uma experiência de encontro pessoal contigo. Sem esse encontro pessoal contigo, permanecemos tateando, procurando, meio perdidos. Tu nos chamas pelo nome, o nome que recebemos no batismo, quando acolhemos a vida nova da graça.  Ajuda-nos, Senhor, a não ficarmos marcando o passo, mas progredirmos no conhecimento de tua palavra, para que ela nos ilumine e com ela possamos iluminar os outros. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, anote os sete passos de Madalena. Eles são os sete passos do seu próprio crescimento em Cristo.


Pe. João Carlos Ribeiro – 22 de julho de 2019.

20190414

MARIA E JUDAS DIANTE DA PAIXÁO


A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo (Jo 12, 3)


15 de abril de 2019.
Seis dias antes da Páscoa, Jesus hospeda-se na casa de Marta, Maria e Lázaro, seus amigos e discípulos. Prepararam um bom jantar para receber Jesus e o seu grupo. Muita gente curiosa apareceu por lá. É que esse Lázaro era aquele que Jesus tinha ressuscitado. Durante o jantar, aconteceu uma coisa muito curiosa.
Marta estava servindo. Lázaro estava à mesa com Jesus, com outras pessoas. Aí Maria veio com meio litro de perfume de nardo puro, muito caro e ungiu os pés de Jesus. A casa ficou cheia do perfume de Maria. Judas ficou incomodado. Ele calculou que aquilo estava custando umas 300 moedas de prata. Fez logo um aparte: era melhor ter vendido aquele perfume para ajudar os pobres. Conversa daquele dissimulado, ele estava de olho no dinheiro que o perfume poderia render.
Maria representa quem aprendeu a amar como Jesus. O perfume é coisa que fala de amor, de carinho. Lavar os pés do visitante era um gesto de serviço, trabalho de criados. O que ela fez foi um gesto de amor, de gratuidade, de serviço. Com certeza, ela empregou um bom dinheiro para comprar aquele perfume e o derramou sem pena nos pés do Mestre. Foi um gesto de gratuidade, de um amor generoso que não faz as contas de quanto está gastando, quanto está empenhando, quanto está colocando de si. Amor gratuito, como o de Jesus que estava para dar a própria vida, sem reserva, sem fazer contas. Dar a própria vida: ninguém tem maior amor.
Judas representa quem não é capaz de amar como Jesus; ou quem não quer acolher o amor de Jesus, assim tão generoso e gratuito como é. Por isso, ele reclama do desperdício de derramar aquele perfume todo ou mesmo o dinheiro que poderia ter sido economizado para ajudar os pobres. Judas não entendeu: não se trata apenas de ajudar os pobres. Trata-se de amar os pobres, sendo solidários com eles com a própria vida. Como Jesus, comprometendo a própria vida, numa atitude de serviço gratuito e generoso.
Guardando a mensagem
Maria ungiu os pés de Jesus com um perfume super caro. Jesus disse que ela fez isso já antecipando o dia do seu sepultamento. É como se já estivesse preparando o corpo do Mestre para a sepultura.  Na proximidade da morte de Jesus, temos aqui duas visões, a de Maria e a de Judas. Pelo seu gesto, vê-se que Maria intui que, na morte, Jesus realiza radicalmente a entrega de si mesmo em favor dos outros. Ele é o ungido (é o que quer dizer Messias) para servir e dar a sua vida em favor da humanidade. Pela conversa interesseira de Judas, sua percepção é que Jesus é uma oportunidade para se ganhar dinheiro. Ficou de olho no valor de 300 moedas de prata. Vendeu Jesus, depois, por 30 moedas de prata. Maria mostrou sua compreensão de Jesus como servidor até o fim. Estava pronta para segui-lo até à cruz. Judas mostrou sua compreensão de Jesus como uma oportunidade de um bom negócio. Não tinha mesmo condição de seguir Jesus até à cruz.
A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo (Jo 12, 3).
Vamos rezar a Palavra
Senhor Jesus,
Tua discípula Maria, naquele jantar de Betânia, mostrou que aprendeu contigo, assimilou bem tua vida. O perfume do seu amor e de sua fidelidade encheu a casa toda, encantando a todos. Teu discípulo Judas Iscariotes, naquela mesma mesa, mostrou que não aprendeu as tuas lições, não assimilou teu estilo de vida. Ele revelou o sentimento mesquinho de quem está interessado mesmo é no seu próprio bolso e não está disposto a por-se a serviço dos outros. Ajuda-nos, Senhor, a participar dessa Semana Santa com o desejo sincero de realizar tua palavra e de imitar teu modo de ser filho de Deus e irmão nosso, pela amorosa doação de si mesmo.  Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
Responda no seu caderno espiritual. Maria ofereceu o perfume do seu amor e do seu serviço, com largueza e generosidade. Quanto você tem oferecido de si mesmo, dos seus recursos, do seu tempo para o serviço de Deus e dos meus irmãos?
Pe. Joao Carlos Ribeiro – 15.04.2019

20181121

ELA É MODELO PARA OS DISCÍPULOS DE JESUS

Eis minha mãe e meus irmãos (Mt 12, 49)
21 de novembro de 2018.
No evangelho de hoje, temos uma cena da vida pública de Jesus, onde está inserida sua mãe. Claro, hoje é o dia da apresentação de Nossa Senhora. Olhamos para Maria, hoje, no grupo dos parentes de Jesus, sendo testemunha ocular de um ensinamento precioso do Mestre.
Jesus está falando ao povo. Um grupo de parentes chega e fica do lado de fora, não se integra. E manda um aviso que quer falar com ele. Jesus ensina que o verdadeiro laço de parentesco com ele é a obediência à vontade do Pai. É isso que o define: ser cumpridor da vontade de Deus. Assim, ele deixa claro que o lugar dos parentes é dentro da casa ou da comunidade, como discípulos, aprendendo o caminho do Reino. Eles estão do lado de fora. Então, a palavra de Jesus é um convite para eles se tornarem discípulos, para entrarem.
O recado que Jesus recebeu foi este: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. “Tua mãe e teus irmãos” é uma expressão que se repete várias vezes nesse texto. Refere-se, claro, aos parentes próximos de Jesus. Irmãos são seus primos, ao lado de quem se criara em Nazaré. A Bíblia chama primos de irmãos.
O texto nos ajuda a perceber como os parentes próximos de Jesus tiveram dificuldade para entender o que ele andava fazendo. Houve um tempo em que eles pensaram que Jesus tinha ficado louco. Só aos poucos, eles foram se integrando na grande comunidade que se formou ao redor de Jesus. A resposta de Jesus é um convite claro a que eles se integrem, não fiquem do lado de fora. Este é o verdadeiro laço de parentesco que vai contar: fazer a vontade do Pai.
Olha a palavra de Jesus, apontando para os discípulos:  “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Fazer a vontade de Deus é que nos faz discípulos, parentes de Jesus.
E Maria, estava no meio daqueles parentes que não estavam entendendo Jesus? Bom, dizer “tua mãe e teus irmãos” é uma forma de falar da família dele. Pelo modo de dizer, o pai dele não estava mais vivo. Se o principal é fazer a vontade de Deus, então isso é um elogio à sua mãe. De fato, Maria foi elogiada no Evangelho por ser cumpridora fiel da vontade do Pai. Izabel a bendisse porque ela acreditou na Palavra do Senhor que lhe fora comunicada. A vontade de Deus, na sua vida, estava acima de qualquer interesse ou projeto pessoal. Ela prontamente aceitou cumpri-la, quando o anjo Gabriel lhe disse o que Deus queria dela.
Santo Agostinho, em um de seus sermões, escreveu: “Acaso a Virgem Maria não fez a vontade do Pai, ela que creu pela fé, que pela fé concebeu, que foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação? Ela foi criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado. Ela fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que sua mãe”.
Guardando a mensagem
O que nos faz próximos de Jesus, seus parentes, é a obediência à vontade do nosso Deus e Pai, mais do que qualquer laço sanguíneo ou qualquer cargo na Igreja. Parente de Jesus é aquele que cumpre a vontade de Deus, da qual ele é o primeiro cumpridor. O discípulo fiel imita Maria, sua mãe, a Virgem obediente. Maria sempre colocou a vontade de Deus acima de tudo e de todos. A vontade de Deus é a lei que rege a vida daquele que crê. Ela é modelo para todo discípulo.
Eis minha mãe e meus irmãos (Mt 12, 49)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Quando ensinaste os teus discípulos a rezar, nos entregaste a bela oração do Pai Nosso. Assim, aprendemos contigo a querer de todo coração fazer a vontade do Pai e a nos empenhar com todas as forças para que sua vontade se realize entre nós. Rezamos contigo: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. Temos parentesco contigo e com tua mãe, na medida em que nos tornamos fiéis cumpridores da santa vontade do nosso Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Hoje, dia da apresentação de Nossa Senhora, fazendo memória de sua consagração a Deus, reze pelas crianças e pelos adolescentes de sua família. Peça ao Senhor a graça de eles conhecerem e abraçarem generosamente a sua vocação, como discípulos de Jesus.

Pe. João Carlos Ribeiro – 21.11.2018.

20181013

A BEM-AVENTURADA

  
Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram (Lc 11, 27)
13 de outubro de 2018.
Depois do feriado da padroeira do Brasil, nossa mãe e senhora Aparecida, em que meditamos o texto das Bodas de Caná, o evangelho de hoje lhe faz um duplo elogio: à sua maternidade e à sua vivência da palavra de Deus.
O elogio da mulher foi maravilhoso. Ela gritou alto no meio da multidão. “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Ela louvou a mãe daquele profeta maravilhoso, Jesus, ali presente, encantando as pessoas com sua pregação e seus milagres. Parece ser essa uma forma comum no povo do Oriente de saudar assim uma pessoa muito querida e importante. Na verdade, é sempre assim em qualquer lugar: quer homenagear o filho, honre a sua mãe, não é verdade? A mulher louvou Jesus, por meio de sua mãe que o gerou e o amamentou.
E olha que esse detalhe da amamentação é uma coisa muito especial. Hoje, se sabe que o período da amamentação de uma criança é um tempo de grande influência na vida daquele ser humano. Amamentar é um ato em continuidade com a gestação, garantindo desenvolvimento físico, social e mental da criança. Da criança e da mãe também.
Na mesma linha, Izabel tinha feito o seu elogio. Nós, inclusive, continuamos a honrar a mãe do Salvador com suas palavras: “Bendito o fruto do teu ventre”. Izabel, cheia do Espírito Santo, louvou o fruto do ventre de Maria, louvou o filho, Jesus. Mesmo louvando quem foi gerado, não esqueceu a mãe, mencionando apropriadamente o seu ventre, o seu útero.
Jesus aproveitou o elogio da mulher à maternidade de Maria, que o gerou, para elevar ainda mais a louvação à sua mãe. Mais feliz ainda é ela por “ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática”.  Maria gerou o filho e o amamentou em atenção à palavra de Deus que o anjo lhe transmitira. Sua maternidade, antes de tudo, é obediência a Deus, realização de sua vontade. Nesse sentido, ela é um exemplo para todos os seguidores de Jesus. Todos podem participar de sua bem-aventurança: “ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática”.
Guardando a mensagem
O elogio que a mulher fez, no meio da multidão, a Jesus foi cheio de sensibilidade. Ela o honrou, louvando sua mãe que o gerou e o amamentou.  Hoje, a ciência conhece a importância que tem os nove meses de gestação e o tempo de amamentação para a vida de um ser humano. É um tempo sagrado em que a vida desabrocha como um verdadeiro milagre. Jesus completou o elogio que a mulher fez à sua mãe. ‘Muito mais feliz é ela por ter ouvido a palavra de Deus e tê-la praticado’. De verdade, a maternidade de Maria é fruto de sua obediência à vontade de Deus. Essa é a sua verdadeira bem-aventurança. Nós também participamos dessa bem-aventurança de Maria, na medida em que também realizarmos em nossa vida a Palavra do Senhor.
Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram (Lc 11, 27)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Estamos no mês do Rosário. Nessa oração tão simples e tão popular que é o Terço, meditamos, todos os dias, os mistérios de tua vida e de tua páscoa. E ao contemplarmos os passos de tua encarnação, pregação, paixão, morte e ressurreição, reconhecemos a presença amorosa e fiel de tua santa Mãe ao teu lado, fortalecendo tua obediência com a sua, sustentando tua missão com a sua incessante oração. E, com a tua volta ao Pai, ela continua cuidando da nova família que nasceu aos pés da tua cruz, o povo redimido pelo teu sacrifício redentor. Senhor, que nós a amemos sempre mais e a honremos como  nossa mãe e modelo. Seja bendito o teu santo nome, 5689hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
O pedido que o Papa fez, no início do mês, é um estímulo para vivermos essa palavra de hoje. Ele pediu que rezássemos o terço diariamente, nesse mês do rosário, pedindo a proteção de Nossa Senhora sobre a Igreja.
Só para lembrar: segundas e sábados, no Terço, meditamos os mistérios gozosos (A anunciação do anjo à Virgem Maria – A visitação a sua prima Izabel – O nascimento de Jesus na gruta de Belém – A apresentação do menino Jesus no Templo e a purificação de Maria – A perda e o encontro do adolescente Jesus no Templo.
Além do CD BEM-AVENTURADA com canções marianas de minha autoria, você agora pode também adquirir o meu LIVRO BEM-AVENTURADA. em nossa livraria virtual (www.amanhecer.org.br).

Pe. João Carlos Ribeiro – 13.10.2018

20181008

DAR PRESENTE OU ESTAR PRESENTE?

Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas (Lc 10, 41)
09 de outubro de 2018.
Normalmente, vivemos ocupados e preocupados com muita coisa. Imaginamos que estamos fazendo muita coisa pela família, pelos outros e até mesmo para Deus. Talvez sua família precise de mais atenção do que de coisas. Com certeza, mais importante do que sua frenética ação é a direção do que você faz.
Jesus entrou num povoado e hospedou-se na casa de Marta. Sua irmã, Maria, sentou-se aos pés do Senhor e escutava sua palavra. Marta, ocupada com muitos afazeres, reclamou porque sua irmã não a estava ajudando no serviço da casa. Jesus observou que Marta estava muito ocupada com tanta coisa, quando uma só coisa é necessária.
Marta mostrou-se muito trabalhadora, muito preocupada com os afazeres da casa, superatarefada, tudo para receber bem o Senhor. Uma excelente anfitriã. Maria sentou-se aos pés de Jesus, como faziam os discípulos nas escolas dos rabinos. Estava escutando a sua palavra. Como discípula, estava aprendendo, atenta, interessada nos ensinamentos do Mestre. Ouvir a palavra do Senhor é fundamental para encontrar o sentido e a direção do que precisamos fazer. Na palavra do Senhor, o discípulo encontra a orientação de sua ação. Maria é modelo de discípula.
Jesus corrigiu Marta. ‘Uma coisa só é necessária, Marta. Você se preocupa e anda agitada com tanta coisa!’.  O que será essa coisa necessária? A coisa necessária foi a que Maria escolheu. Podemos pensar assim: Marta está se ocupando com muitas coisas. Maria está se ocupando de Jesus. Marta atira para todos os lados, nos seus compromissos de dona de casa. Maria, escutando Jesus, está acolhendo uma direção para sua existência e para os seus compromissos.
De verdade, a gente, normalmente, faz muita coisa, corre muito, e sempre há mais o que fazer. O mais importante não é fazer muitas coisas, mesmo que seja para Deus. O necessário mesmo é ocupar-se de Deus, curtir a sua presença, acolher a sua palavra. E assim, encontrar um sentido e uma direção para sua vida e para suas atividades.
Guardando a mensagem
Marta foi uma boa anfitriã, fazendo coisas pra Jesus, ocupada com tantos afazeres na preparação da casa e do almoço. Maria foi uma discípula exemplar, ocupando-se de Jesus, atenta à sua pessoa, à sua palavra. Como estamos na Semana da Criança, podemos aplicar isso também aos pais. O principal não é fazer coisas para a criança, por mais necessário que pareça, como é trabalhar, fazer a feira, arrumar a casa, levar o filho para a escola. O mais importante não é fazer coisas pelos filhos ou enchê-los de presentes. É estar ao seu lado, participar de sua vida e do seu crescimento, curtir a sua presença, estar com eles. Estar presente. Isso é o mais importante. Marta se ocupa com muito trabalho. Precisa fazer como Maria: ocupar-se de Jesus.
Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas (Lc 10, 41)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
É muito nobre a ação, como também o compromisso do trabalho e o exercício da missão. É santo o tempo da oração, da escuta amorosa da tua palavra, para encontrar sentido para a ação, pra gente não virar escravo do trabalho, mas sermos sempre operários de tua vinha. Sem a oração, Senhor, minha correria fica estéril. Faço muito e colho pouco. Com a oração, meu esforço ganha luz e sentido. Faço menos e colho mais. Senhor, dá-me um pouco de Maria, porque de Marta já tenho bastante. Tranquiliza-me aos teus pés, orienta-me com tua palavra, conduze-me com a tua luz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No seu caderno espiritual (espero que já o tenha), responda: o que eu tenho de Marta? O que eu tenho de Maria?

Pe. João Carlos Ribeiro – 09.10.2018

Postagem em destaque

Vá e faça a mesma coisa

Eu já andava desconfiado que o bom samaritano do evangelho fosse Jesus. Agora, já não tenho mais dúvidas. Bom, Jesus contou a históri...