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29 dezembro 2018

NÃO DEIXE A LUZ SE APAGAR

Senhor, meus olhos viram a tua salvação (Lc 2, 30)
29 de dezembro de 2018
Vamos acompanhar, hoje, a família de Jesus em Jerusalém. Está tudo no evangelho de Lucas. Maria e José, com o filho nos braços, estão chegando ao Templo. O que será que eles vieram fazer?
O livro do Levítico (capítulo 12) prescrevia tudo com detalhes. Dando à luz uma criança de sexo masculino, a mulher devia passar um resguardo de 40 dias. Depois desta quarentena, devia ir à Tenda de reunião da comunidade para purificar-se. A lei do AT era muito rigorosa em relação a tudo que envolvesse sangue: menstruação, parto, morte violenta, etc. Tudo isso tornava a pessoa impura e levava a rituais de purificação com holocaustos e oferendas no Templo. Então, uma das razões da vinda da família de Nazaré ao Templo de Jerusalém é a purificação de Maria.
A vinda ao Templo se explica ainda por uma segunda tradição. São normas codificadas no Livro do Êxodo, capítulo 13. Era um costume que visava manter viva a memória da libertação do Egito, onde Deus puniu os egípcios com a morte dos primogênitos. Assim, todo primogênito era consagrado a Deus. Primogênito é o primeiro filho, de gente ou de animal. Fosse animal – um carneiro, um bezerro, um jumentinho – seria sacrificado a Deus, como oferenda. Fosse gente, o primogênito seria resgatado, isso é, em lugar dele os pais ofereciam um carneirinho ou pássaros. E é isso que vieram fazer em Jerusalém: a purificação da mãe e o resgate do filho primogênito.
Observando esse jovem casal que está chegando ao Templo, com a criança nos braços, ficamos admirados como eles estão profundamente integrados na cultura religiosa do seu povo, como são cumpridores das regras da lei judaica. Por esses ritos, a sua gente reconhecia a vinda de uma criança ao mundo como uma coisa sagrada. Uma coisa que tinha a ver com Deus. E ainda reforçava a sua pertença ao povo da aliança, lembrando o compromisso da consagração do primogênito, como memória da libertação do Egito. Essa peregrinação deles à cidade santa de Jerusalém é uma forma concreta de reconhecer Deus como senhor da história e fonte da vida.
O certo é que em Jerusalém, José e Maria reconhecem sinais de Deus que os confirma na missão que assumiram, desde a anunciação do anjo. Um homem idoso muito santo, de nome Simeão, veio também ao Templo e toma o menino Jesus nos braços. E reza com todo o coração e cheio do Espírito Santo: "Agora, Soberano Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram tua salvação, que preparastes em face de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória de teu povo, Israel".
Guardando a palavra
Maria e José estão no Templo de Jerusalém. E eles vieram fazer duas coisas muito importantes: a purificação da mãe e o resgate do filho primogênito. Como judeus piedosos, eles estão cumprindo a Lei de Moisés, com muito zelo. No Templo, têm uma surpresa. Um ancião venerável, Simeão, pede para segurar um pouco o menino e faz um impressionante louvor a Deus. Ele reconhece Jesus, como a luz que Deus mandou para iluminar o povo do mundo. E diz a Maria que uma espada irá transpassar o seu coração de mãe. De verdade, o Senhor Jesus, com a sua graça e com sua Palavra, enche nossa vida de luz. E, nós iluminados por ele, somos chamados a difundir a sua luz ao nosso redor: em casa, na vizinhança, no nosso local de trabalho, na sociedade toda.
Senhor, meus olhos viram a tua salvação (Lc 2, 30)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Quando eras uma criancinha e foste levado ao Templo para a consagração dos primogênitos, o profeta Simeão te tomou nos braços e disse que tu eras a luz para iluminar as nações do mundo. Tu mesmo admitiste na presença dos teus discípulos: ‘Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas’. Uma vez iluminados com a tua luz, chamaste a nossa atenção para sermos também iluminadores dos outros. Hoje, te pedimos, Senhor, que a tua luz não se apague em nossos corações e em nossa vida. E que essa luz que vem de tua Palavra, de tua presença através da Igreja e na Eucaristia seja a luz que nós refletimos para os que conosco convivem ou conosco se encontram. Seja o bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Quando nos batizamos, fomos iluminados por Cristo.  A Igreja nos deu uma vela acesa para nos lembrarmos:  ‘Jesus te iluminou. Com ele, serás uma luz para os outros’. O que você poderia fazer, hoje, para mergulhar mais ainda nessa verdade: ‘Jesus me iluminou. Com ele, ilumino os outros’?  Posso lhe oferecer algumas sugestões. Escolha uma. Acenda uma vela (pode ser uma vela virtual). Poste uma foto do seu batizado ou do batizado do seu afilhado ou afilhada. Ilumine o seu presépio de maneira especial. Leia o evangelho de hoje. Compartilhe esta meditação. Ou invente outra coisa. Tudo para reforçar sua adesão a Cristo, a luz que Deus mandou para iluminar o mundo.

Pe. João Carlos Ribeiro – 29.12.2018

28 dezembro 2018

CUIDADO COM HERODES


Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! (Mt 2, 13)
28 de dezembro de 2018
Era pra toda essa oitava do natal ser de festa e de alegria. Afinal, é o natal do Senhor. Só que o nascimento de Jesus, em Belém, foi num ambiente de muitos problemas e conflitos. Parece que, nesta nossa vida, não há, assim, uma alegria pura, isenta de problemas. E isso se deve ao nosso contexto, à maldade, à violência, à opressão que marcam nossa vida humana. O próprio nascimento do Salvador se deu numa estrebaria de animais, porque, como diz o livro santo “não havia lugar para eles”. E logo, logo a pobre família teve de imigrar para outras terras, fugindo da ameaça de morte decretada por Herodes.
A criança recém-nascida é um ser inteiramente dependente e indefeso. Ela precisa dos pais para tudo: o alimento, o agasalho, as necessidades fisiológicas, a proteção... Por causa dessa condição tão frágil da criança, Deus colocou no pai e na mãe um forte instinto de proteção dos seus filhos.  A mesma sociedade, quando se trata de uma sociedade sadia, guiada por princípios de justiça social, ao legislar em relação à criança, toma-a como prioridade. Quando a sociedade se afasta de Deus, ela deixa de proteger, na prática, a vida dos cidadãos mais frágeis, as crianças, os doentes, os idosos, os que têm alguma deficiência. Em vez de proteger, penaliza, pune, explora, decreta a morte. É o aborto, o desemprego, a fome, o abandono...
Na história do nascimento de Jesus, houve esse fato triste: Herodes mandou matar as criancinhas de Belém e arredores de até dois anos de vida. Muitos pais se sentem como José e Maria, nos dias de hoje, porque parece pesar uma ameaça de morte contra sua criança. São muitas as ameaças contra a vida da criança e o seu crescimento sadio: o alcoolismo, o desemprego, o ambiente insalubre de moradia, as brigas dentro de casa, a falta de atendimento médico adequado...
Mas, os pais não estão sozinhos.  No evangelho de hoje, o anjo do Senhor orienta José a fugir com a família. Avisa do mal que está para acontecer. E dirá a hora certa de voltar.  É uma grande lição. Os pais não estão sozinhos na luta pelo bem dos seus filhos. Deus está com eles. Deus é o nosso protetor. Com a orientação de Deus, é preciso “fugir”, isto é, não se acomodar à situação, mas buscar uma saída, ir para o Egito.  Para o Egito, migraram Jacó e seus filhos, no início do povo de Deus, durante uma grande fome em Canaã. ... “Fugir” pode ser mudar de profissão, mudar de endereço, buscar melhorias em outra região. O certo é não se acomodar... e fugir do mal, sob a orientação de Deus.
Guardando a mensagem
Quando Herodes viu que os magos foram embora, sem lhe entregar o endereço do menino Jesus, como ele lhes havia solicitado, ficou furioso e mandou matar as criancinhas de Belém e arredores. A essa altura, José, Maria e a criança já estavam longe, rumando para as bandas do Egito. Herodes continua condenando as crianças na fome, na desnutrição, no desemprego dos pais, no abuso sexual de menores, no desvio da merenda escolar... José foi instruído para fugir para o Egito com a família. Fugir pode ser uma boa estratégia. Cair fora enquanto é tempo: das más companhias, do trabalho escravo, da rede de prostituição infanto-juvenil, do tráfico de drogas, das novelas que pregam ideologia de gênero... fugir do Herodes. Fugir do mal, sob a proteção de Deus.
Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! (Mt 2, 13)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Pedimos hoje tua bênção para os recém-nascidos e suas famílias. Protege, Senhor, com tua santa bênção suas vidas, concedendo aos seus pais a assistência dos teus anjos para conduzi-los na luta diária pela sobrevivência e, quando preciso, buscarem refúgio no Egito contra os Herodes de hoje e suas políticas de morte. Abençoa, também, os profissionais da saúde e da educação que são uma bênção na vida de nossas crianças. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No seu diário espiritual, o caderno onde você está anotando algum ponto das meditações, responda a esta pergunta: Quem são os Herodes de hoje?

Pe. João Carlos Ribeiro – 28.12.2018

27 dezembro 2018

RECONHECENDO OS SINAIS

 Ele viu e acreditou (Jo 20, 8)
27 de dezembro de 2018.
No dia em que celebramos o apóstolo João, lemos o trecho do seu evangelho que fala do túmulo de Jesus. O que tem João com esse tempo do Natal? E o que essa cena do túmulo nos inspira neste final de ano? Um pouco de paciência e a gente chega lá...
O evangelho que São João escreveu é um livro maravilhoso, inspirado pelo Espírito Santo como os outros evangelhos, claro, mas que tem uma contribuição muito original. Mais do que contar episódios da vida de Jesus, ele faz uma leitura do significado de sua missão. O prólogo, por exemplo, que nós lemos no dia de natal, nos diz, de uma maneira poética, que a vinda de Jesus é a realização da promessa que Deus fez, desde o início na criação. Lá, ele prometeu um salvador para a humanidade que se afastou da amizade com o Criador, pelo pecado. O filho, que já existia em Deus, como sua palavra criadora, fez-se carne e habitou entre nós.  Jesus é a descendência da mulher que vai esmagar a cabeça da serpente, isto é, que veio vencer o mal, o pecado e a morte. Essa pregação de São João, portanto, tem tudo a ver com o natal do Senhor, meditando sobre o significado de sua encarnação.
Na cena do evangelho de hoje, ele e Pedro foram correndo ao túmulo, onde Jesus fora sepultado. Era a madrugada do domingo. E Madalena viera correndo avisar que tinham roubado o corpo do Senhor. Ele chegou primeiro do que Pedro ao túmulo, claro, corria mais rápido, era mais jovem. Mas, não entrou, esperou Pedro chegar. Nesse gesto, ele está reconhecendo o papel de liderança de Pedro. Ele viu o túmulo vazio, as faixas de linho no chão. As faixas enrolavam todo o corpo do morto. Pedro, entrando no túmulo, viu também o pano que cobria a cabeça do morto dobrado num canto. Os dois entraram... Pedro não sabia o que pensar... Mas, João não teve dúvida: viu e creu. Viu e acreditou: Jesus ressuscitou como tinha anunciado.
Nesse primeiro momento, eles não viram Jesus ressuscitado. Madalena imaginou que tinham roubado o corpo. Pedro ficou sem saber o que pensar... Mas, João, diante dos sinais, acreditou: Jesus está vivo, ressuscitou. Os sinais estavam ali... João é que captou o significado deles. O túmulo vazio, as faixas de linho no chão, o pano do rosto dobrado num canto... sinais a indicar uma realidade surpreendente: a ressurreição do Senhor, a sua vitória sobre a morte e sobre o pecado e o mal.
Guardando a mensagem
Olha que lição especial o jovem apóstolo João está nos deixando hoje... há tanta crise nesse mundo, tanto sonho sepultado, tantos dramas na vida das pessoas, pode ser até o seu caso... Nessa situação, as lágrimas, a dor podem enuviar, embaçar nossos olhos... e sermos levados a enxergar apenas o fim, a destruição, o túnel sem saída. Madalena e Pedro estavam assim... na sua dor, no seu desalento, não enxergaram o que os sinais estavam indicando. O túmulo vazio, as faixas pelo chão, o pano dobrado num canto estavam indicando uma virada, uma revolução, a vitória de Jesus, a sua ressurreição. João viu aquilo e acreditou. Encheu seu coração de esperança.
Ele viu e acreditou (Jo 20, 8)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Como Pedro e Maria Madalena, muitas vezes ficamos como cegos diante dos sinais de Deus que age em nossa vida e em nossa história. Dá-nos, Senhor, a fé do teu jovem apóstolo João, que viu no túmulo vazio um indício claro de que tu não estavas mais na morte, mas tinhas ressuscitado. A vitória da justiça, da paz, da verdade, da honestidade está sinalizada em pequenos gestos e atitudes do nosso dia-a-dia. Dá-nos, Senhor, olhos para ver que a criança na manjedoura é, na verdade, o rei no seu trono, reinando a partir dos humildes e desprezados, na surpreendente lógica do amor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.   
Vivendo a palavra

No seu diário espiritual, aquele caderno que você ficou de adquirir, escreva uma pequena oração a Jesus no seu presépio.
Pe. João Carlos Ribeiro - 27.12.2018

26 dezembro 2018

PERSEVERAR NAS DIFICULDADES, PRIMEIRA LIÇÃO DO NATAL

Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10, 22).
26 de dezembro de 2018.
Estamos na oitava do natal. E já celebrando o primeiro mártir cristão: Estêvão, o diácono Estêvão que pregou o nome de Jesus. Ele denunciou aqueles que levaram Jesus à cruz por conivência com o poder e em rejeição à manifestação de Deus no seu filho amado. Mas, o que essa comemoração do mártir Estêvão tem com o Natal do Senhor que estamos celebrando nesta oitava?
A cena do presépio nos parece doce e poética.  Na verdade, ali está representada a forma como a humanidade, a começar pelo seu próprio povo, tratou Jesus. E o tratamento que ele recebeu no seu nascimento foi de exclusão. Nasceu na estrebaria dos animais porque não havia lugar para ele nas casas de família e na hospedaria. Não acolheram o casal em dificuldade, chegando de uma longa viagem, a mulher em dores de parto, uma criancinha por nascer... Na falta de espaço em suas casas, ou melhor, de prioridade dos humildes em suas vidas, alguém lhes indicou a gruta dos animais.  Está certo que eles tiveram a atenção dos pastores naquela noite. Mas, os pastores encontraram a criança e seus pais na maior pobreza. Ah, teve mais nesses seus primeiros dias de vida... com a visita dos Magos do Oriente, José foi avisado que o rei Herodes procurava a criança para eliminá-la. E lá se vai a sagrada família, frente à iminente perseguição dos soldados do rei, migrando penosamente para as bandas do Egito. Exclusão e perseguição são as marcas da vida de Jesus, desde o início.
Jesus tinha avisado aos seus discípulos que eles seriam perseguidos. No evangelho de hoje, estão muitas de suas palavras sobre isso: “Levarão vocês presos para comparecerem diante de autoridades. Serão denunciados aos tribunais, açoitados nas sinagogas. Mas, não se intimidem, nem se desesperem. O Espírito Santo vai fazer a defesa de vocês. Ele falará em nome de vocês. Vejam que a perseguição pode sair até de dentro de sua própria casa. Vocês serão odiados. Mas, quem ficar perseverante até o fim, esse vencerá”.
As primeiras gerações de cristãos logo conheceram o sentido dessas palavras de Jesus. Estêvão era um dos sete diáconos escolhidos pelos apóstolos. A primeira proposta era organizar a distribuição de alimentos para as viúvas e para os pobres. Mas, os diáconos foram especialmente pregadores da Palavra de Deus. Continuaram a pregação de Jesus. Enquanto Estêvão estava só organizando a distribuição das feiras e outras ajudas às famílias pobres, todo mundo gostava. Quando começou a anunciar Jesus e denunciar os motivos de sua morte na cruz, aí começaram a persegui-lo. Estêvão é só um exemplo dos cristãos que continuam hoje a ser perseguidos por causa de sua fé, aliás, um bom exemplo, pois, enquanto estava sendo apedrejado, perdoou os seus algozes e entregou o seu espírito a Deus, imitando o próprio Jesus.
Guardando a mensagem
Estamos na oitava do Natal. No natal de Jesus, apesar do clima de poesia com que hoje o revestimos, vemos nele os sinais da exclusão e da violência. Foi assim desde o começo até à sua morte. Hoje, festejamos o primeiro mártir seguidor de Cristo, Estêvão. Ele foi perseguido e apedrejado por causa de sua fé e de sua pregação sobre o Senhor Jesus. Como seguidor de Jesus (ou sua seguidora), você também pode sofrer incompreensão, discriminação e até perseguição. Nessas condições, muita gente desiste, se acovarda, dissimula ou adoça o seu discurso. O que aprendemos no presépio e, hoje com Estêvão, é a fidelidade até o fim.
Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10, 22).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós te agradecemos por tua encarnação. Tu, o salvador enviado pelo Pai, nos surpreendeste nascendo entre os pobres, em completa solidariedade com os excluídos e sofredores deste mundo. Assim, nos indicaste o caminho que devemos percorrer nesta vida e o caminho que tu és como nosso mestre e Senhor. Nós te bendizemos pelos irmãos e irmãs que enfrentam com fidelidade e destemor os sofrimentos e perseguições por causa de sua fé. Nós te bendizemos por Estêvão, o mártir celebrado hoje. E, por sua intercessão, pedimos a bênção para todos os diáconos da Igreja e suas famílias. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Reze, hoje, pelas pessoas que estão passando dificuldades e sofrendo por causa de sua fé em Cristo.

Pe. João Carlos Ribeiro – 26.12.2018

25 dezembro 2018

PRECISAMOS SALVAR O NATAL


Vamos a Belém ver este acontecimento que o Senhor nos revelou (Lc 2, 15) 



25 de dezembro de 2018. 

O natal é uma festa maravilhosa, mas corre o risco de se esvaziar do seu conteúdo cristão e tornar-se apenas uma festa poética que fala de paz, amor e união; mais uma data no calendário para movimentar a indústria, o comércio e animar as comemorações de fim de ano. 

Podemos ainda salvar o natal se agirmos como os pastores de Belém, se fizermos como eles naquela noite do primeiro natal. A primeira coisa a notar neles é que, naquela noite de natal, estavam despertos, vigilantes. Cuidavam de seus rebanhos, mantendo-se acordados ao redor da fogueira. Durante todo o tempo do advento, em que nos preparamos para o natal, ouvimos falar de vigilância. Não dormir no ponto, não baixar a guarda. Em vigilância, não damos brecha ao inimigo que se esgueira na noite para assaltar, matar e dispersar as ovelhas. Assim, nos mantemos vigilantes para a chegada do Senhor a qualquer momento. Vigilantes. 

A segunda coisa que podemos notar e aprender dos pastores na noite de natal é que eles souberam ouvir o aviso da salvação que o anjo lhes trouxera. O que anjo fez é o que hoje a Igreja faz com a evangelização: avisa que a salvação se aproximou de nós, que chegou o tempo do Salvador. O anjo lhes falou de uma grande alegria para eles e para todo o povo: “nasceu, hoje, para vocês, o Salvador, que é o Cristo Senhor”. Esse aviso só pode ser bem recebido porque quem, na noite escura desta vida, está acordado, vigilante. A palavra é forte: nasceu ‘hoje’. O natal não é a festa do aniversário de Jesus. É a celebração da salvação que chegou por meio de Cristo, que se encarnou, que se fez um de nós. É hoje este dia maravilhoso do Salvador que nasceu para nossa salvação. Hoje, como aquele ‘hoje’ que Jesus pronunciou quando entrou na casa de Zaqueu: “Hoje, entrou a salvação nesta casa”. Precisamos imitar os pastores que ouviram o aviso da salvação. 

A terceira coisa a imitar nos pastores, para salvarmos a festa do natal, é o reconhecimento de Jesus Salvador na Gruta de Belém. Eles foram depressa ver o que o anjo lhes dissera: um menino no coxo dos animais, envolto em panos. O nascimento de uma criança pobrezinha, filho de um casal de peregrinos que não encontraram um lugar entre seus parentes e conhecidos de Belém. Neste menino tão pobre e desprotegido, eles reconheceram o Salvador da humanidade. Não fizeram como os magos, que seguindo a estrela, terminaram por procurar a criança na capital, Jerusalém; na casa do rei, no palácio de Herodes. Precisamos imitar os pastores: reconhecendo o Salvador na sua encarnação, na criança pobrezinha de Belém. 

Há uma quarta coisa a considerar, no caso de queremos salvar o natal. Os pastores chegaram à gruta, contando o que escutaram do anjo. E saíram da gruta, anunciando a todos a chegada do Salvador. E “todos os que ouviram os pastores, ficaram maravilhados com todos esses acontecimentos”. Não podemos chegar à noite de natal calados. Temos muito a contar sobre quanto ouvimos na evangelização, onde nos foi anunciado o Salvador. E não podemos sair mudos da noite de natal. Temos que sair contanto, narrando, anunciando a salvação que chegou para nós e para todos. Com este natal de comércio e de papai noel, andamos muito calados, permitindo que o natal se esvazie de conteúdo, que a manjedoura seja esquecida e que o menino Jesus seja apenas um enfeite em sua própria festa. Cada cristão há de ser um missionário, uma testemunha, um pastor maravilhado espalhando a boa notícia da salvação que nos chegou por Jesus Cristo. 

Guardando a mensagem 

O natal pode estar se esvaziando e sendo digerido pela sociedade de consumo como mais uma data de calendário, útil para movimentar a economia e para adormecer as consciências com um pouco de festa e de emoções em família. Os pastores nos dão um bom exemplo. Eles viveram aquela noite de natal como um marco, o início de um novo tempo, o tempo da salvação que chegara com o Messias. Em pelo menos quatro coisas precisamos imitar os pastores: estar despertos e vigilantes; ouvir o aviso da salvação hoje; reconhecer o Salvador em sua humanidade e em sua solidariedade com os pobres e marginalizados; e anunciar a todos as maravilhas da salvação, da qual agora somos testemunhas. Vigiar, Ouvir, Reconhecer, Anunciar. 

Vamos a Belém ver este acontecimento que o Senhor nos revelou (Lc 2, 15) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 
neste dia de natal, celebrando o mistério de tua vinda em nossa humanidade, queremos ter as mesmas atitudes dos pastores de Belém. Vencendo todas as tentações de entorpecimento pelas preocupações, pela força da propaganda, pela bebida, queremos estar alertas, vigilantes, despertos para não sermos enganados e para não perdermos os teus sinais. Apesar das vozes que nos seduzem – a grande mídia, as fake news, a opinião pública manipulada – queremos dar ouvidos ao teu aviso da salvação, que nos chega pela evangelização. Como os pastores, queremos reconhecer-te nosso Deus e Senhor na criança da manjedoura e acolher o evangelho do Reino que contempla, antes de todos, os humildes, os pobres, os sofredores. E como os pastores de Belém, Senhor, queremos falar a todos de ti, do teu amor, da lógica da gruta, da luz que és para a escuridão do mundo, da palavra que tudo criou e tudo sustenta, da salvação que nos alcançaste te entregando por nós. Somos os teus pastores, Senhor. Feliz Natal, Jesus! Amém. 

Vivendo a palavra 

Hoje, com calma, contemple um presépio e relembre como agiram os pastores naquela noite. Aproveite e diga uma palavrinha a Jesus, na sua manjedoura. 

FOTO: Crianças no Sítio Riacho do Meio (São Benedito do Sul, PE) encenam o nascimento de Jesus, em 16/12/2018 - 23ª Natal das Crianças promovido pela Família Ribeiro.

Pe. João Carlos Ribeiro – 25.12.2018

08 janeiro 2017

VIMOS SUA ESTRELA

Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo (Mt 2,2)

O povo de Deus queria bem demais a Jerusalém. Lá estava o Templo de Deus. E o povo santo teve uma experiência muita triste quando viu Jerusalém ser destruída pelos inimigos e as lideranças serem levadas cativas para a Babilônia. Foi um tempo de tristeza o exílio na Babilônia, tristeza para quem foi levado para lá e sofrimento para quem ficou nas terras de Judá. Um dia, Deus mandou um recado pelo profeta, um recado que animou a povo a viver mais confortado no meio de tanto sofrimento: “Vai chegar o dia em que a gloria de Deus vai brilhar tão forte em Jerusalém que vai atrair gente do mundo todo. O mundo todo vai estar em trevas, mas em Jerusalém se verá um enorme clarão da glória de Deus. Quem ficou vai ver os cativos da Babilônia voltando pra casa libertos, carregados de riquezas; e gente de todo canto chegando à cidade santa; as nações, com seus reis, chegando de longe. Eles vão trazer ouro e incenso para honrar o Senhor.  Vai ser uma invasão de dromedários e camelos das terras dos pagãos. Deus vai manifestar sua glória e vai atrair o mundo todo para a sua luz”. Essa profecia está na primeira leitura da celebração de hoje (Isaías capítulo 60).

01 janeiro 2017

As três atitudes dos pastores

E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam (Lc  2, 18)

Ano novo. Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. Dia Mundial da Paz. Temos muitas razões para ouvir, com entusiasmo e gratidão, a Palavra do Senhor nesse primeiro dia do ano.

Os pastores e a Virgem Maria estão em destaque no evangelho de hoje. Eles são um modelo para nós, nesse tempo de natal. Depois que o anjo do Senhor avisou aos pastores que Jesus tinha nascido, eles foram depressa a Belém e encontraram a criança na manjedoura, com seus pais. Eles contaram tudo o que tinham visto e ouvido sobre o menino, para maravilha de todos que os escutaram. Depois, eles voltaram louvando a Deus. E Maria guardou tudo aquilo no seu coração. É o evangelho de hoje.

04 dezembro 2015

Veio, vem, virá


A primeira vinda de Jesus foi o maior acontecimento de todos os tempos. Quem poderia imaginar que o Deus vivo e verdadeiro viesse morar com as pessoas dessa terra? Foi isso que aconteceu no primeiro natal. Deus veio e armou sua tenda entre nós. A Segunda pessoa da Trindade Santa, o Filho, assumiu nossa condição humana no seio de Maria Virgem. Nasceu e viveu entre nós. Como diz o Evangelho de João: "veio para o que era seu. Mas, os seus não o receberam" (Jo 1,11).


Ao lado da alegria que experimentamos no Natal – a vinda do Senhor – reconhecemos com pesar que ele foi rejeitado. Não foi bem recebido. Nem pelos seus conterrâneos, nem pelas autoridades de seu país, nem pelo povo judeu, em geral. No nascimento, Herodes o perseguiu para exterminar pela raiz qualquer possibilidade de oposição política. Na sua comunidade, em Nazaré, foi expulso da Sinagoga  pelos seus próprios conterrâneos. Na cruz, foram as autoridades do Templo e os representantes do Império Romano que o baniram como um malfazejo. Excluíram-no como um indesejado. Poucos o receberam. Mas, estamos com o evangelho de João: "A todos os que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus".

Jesus então já veio. Mas,  continua vindo, continua nos encontrando nas estradas desse mundo. É claro, ele hoje está à direita do Pai, governando a história, como Senhor do céu e da terra. Nisto cremos. Mas, sua promessa foi de ficar conosco, seu povo, sua Igreja, todos os dias até à consumação dos séculos. Assim é que ele continua presente anunciando o Reino, nos interpelando, nos guiando no caminho de volta para a casa do Pai. Ele continua vindo: fazendo-se presente na palavra das Escrituras, no sacramento da refeição eucarística, no conselho e na sabedoria dos irmãos, no sofrimento dos pobres, no clamor dos injustiçados. Ele continua vindo. Oxalá, saibamos reconhecê-lo e recebê-lo.

È certo, Jesus já veio uma primeira vez. E permanentemente, vem a nós, hoje. Mas, definitivamente, no fim dos tempos, virá para julgar vivos e mortos. Quando, não sabemos. Mas, precisamos tomar o seu conselho, estejamos vigilantes, preparados. Disto, tem-nos falado muito nesses dias nas Escrituras. "O dono da casa pode voltar a qualquer momento. Felizes os que estiverem acordados e vigilantes". Como voltará, não sabemos. Apenas temos as imagens da pregação dos profetas do Antigo Testamento. Um modo de falar apocalíptico que Jesus utilizou também. Mas, apenas um modo de falar. O "como' o "quando" voltará são realidades tão surpreendentes e fortes que dela podemos ter apenas uma vaga ideia. A verdade fundamental comunicada nesses textos é que Jesus, o filho de Deus, consumará sua obra fechando com chave de ouro a história, e entregando ao Pai, como um presente, o que de bom colher por aqui.

A Igreja – o povo de Jesus – vai voltando seus olhos, nesses dias do advento, para o presépio de Belém. Foi lá a sua primeira vinda. Mas, não pode deixar de abrir os olhos para o momento atual da história: é nele que o Senhor nos interpela, nos educa, abre o caminho da casa do Pai à nossa frente. Hoje ele continua vindo. Olhando ainda mais longe, apurando bem a vista, nos damos conta também que ele ainda virá. Será a sua segunda vinda. Virá para coroar sua obra iniciada e deixada aos nossos cuidados. E a Igreja, o povo santo, se enche de respeito profundo e sentimentos de penitência frente ao seu Senhor que veio, que vem e que virá. É o advento.

Pe. João Carlos Ribeiro

22 dezembro 2012

Feliz Natal!

O SORRISO DO MENINO DEUS
Mensagem de natal do Pe. João Carlos para você

 Observe o que Deus fez no natal. Sendo nós quem somos, num gesto imenso de amor, Deus nos enviou seu próprio filho para nos resgatar. Deus foi imensamente generoso, vindo ao nosso encontro, dando o primeiro passo para a nossa reconciliação com ele. Mesmo sendo nós pecadores, ele nos amou primeiro.

Neste natal, ao menos neste natal, não feche o seu coração para quem supostamente lhe ofendeu. Dê o primeiro passo. Aproxime-se. Ofereça seu perdão. O que Deus fez com você, faça com os outros. Seja generoso, seja generosa. Ainda não aprendemos a lição do natal. O natal de Jesus apela para o crescimento de nossa própria humanidade. A visita de Deus nos humaniza. Nos diviniza.
        
         Neste Natal, seja mais acolhedor, mais acolhedora.

Na pousada, não havia lugar. Gente demais. Mas, na pobreza da gruta, a natureza ofereceu ao casal e à criança que estava chegando um lugar quentinho para se abrigar da frieza da noite. Desde a sua concepção, a criança não ocupava só um cantinho no útero da virgem, era o centro de sua vida, de suas atenções, de suas orações, de todo o seu ser. Ali na gruta, sem ninguém para ajudar no parto, ela mesma o recebeu com suas mãos trêmulas de dor e felicidade: o colocou nos braços, o envolveu com uns paninhos e o acomodou no coxo dos animais, na manjedoura. O pai que tinha procurado em vão um lugar melhor, estava ali, entre preocupado e feliz, ajeitando e ajudando no que podia. Seus braços foram um abrigo seguro para o bebê que chegara numa pobreza tão extrema. Lá fora, estava frio. Lá em Belém, na estalagem dos peregrinos, não havia lugar para eles. Mas, a gruta, a mãe, o pai, os animais: todos ofereceram colo ao recém-chegado. Foram acolhedores.

Neste natal, ao menos neste natal, seja mais acolhedor, mais acolhedora. Receba melhor quem chega à sua casa, quem bate à sua porta, quem lhe telefona, quem lhe procura. Acolha um amigo ou uma amiga a mais em sua vida. Abra mais seu coração. Seja mais acolhedor, mais acolhedora.

23 dezembro 2011

Natal do presépio

Só de pensar no natal, o comércio enlouquece. As campanhas publicitárias redobram suas cruzadas de convencimento. "Compre, compre... o que será do seu natal sem compras?". São fortes apelos, criando necessidades e frustrações. São os assédios da sociedade de consumo. E o pessoal fica inquieto, calculando como vai fazer para ir às compras. Pagar não, isto é depois, no ano novo, quem sabe!.  Pendura-se no cartão de crédito. E no cheque especial também. O negócio é voltar pra casa com grandes pacotes e o ego satisfeito por ter desfilado pelos corredores do shopping entre os vorazes consumidores da temporada do natal. Natal, o que é o natal? Seria o tempo de compras de fim de ano?

13 dezembro 2011

Um natal religioso e cultural

Essa é a décima vez que a Associação Missionária Amanhecer está organizando o RECIFE FELIZ NATAL. É um belo serviço de nossa associação à preparação para o natal. Natal, como festa de Jesus que vem a nós, nascendo em solidariedade. E a preocupação da Associação nesse evento é exatamente contribuir para reavivar no centro comercial da cidade o espírito religioso do natal. É que outros estímulos, longe do sentimento religioso natalino, vão ocupando cada vez mais espaço nas vitrines, nas ruas, no imaginário do natal. Estou falando do Papai Noel, ícone do consumismo desse período.

12 dezembro 2011

O novo da história

O que há de novo na história da humanidade? O que poderia haver de revolucionário suficiente para dar um novo começo a essa história um tanto quanto atrapalhada? Os cristãos asseguram que, há pouco mais de dois mil anos, a história da humanidade foi marcada por um evento absolutamente revolucionário. Deus mesmo veio morar com a gente. É esta a boa notícia que impactou a aventura humana na terra há pouco mais de dois mil anos. Deus mesmo veio morar com a gente.

E em que isso faz a diferença? É que se há um ideal a ser seguido, ele não está mais nas nuvens, no além, nos livros, nas promessas. O ideal de humanidade ética, solidária, espiritualizada não é apenas um projeto. É uma pessoa. Os ideais de bondade, comunhão, fraternidade, justiça, verdade podem ser vistos, tocados na vida e na experiência de uma pessoa humana: Jesus de Nazaré, Deus e Homem a um só tempo. O verbo eterno que estava desde sempre ao lado do Pai e agora entrou na história humana, solidário com todo ser humano, particularmente com o mais sofrido e desprezado.

E isso faz toda a diferença. Como disse o apóstolo João em sua carta: "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos apalparam da Palavra da Vida, ....isso nós vos anunciamos..." (1 Jo 1, 1.3). Jesus é essa verdade maravilhosa de Deus ao nosso alcance, Deus que veio a nós. O inefável que deixou-se tocar. Isso é o natal.

Não é a toa que Jesus pode nos dizer a certa altura de sua vida humana: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". Podemos segui-lo, crer nele, experimentar a vida eterna que ele nos comunica porque ele é de nossa raça humana, anda pelos nossos caminhos, sente as nossas dores, atravessa o nosso mesmo vale de lágrimas. Agora, podemos saber como é que um filho de Deus nessa terra pode manter-se em comunhão com o Pai e com os irmãos, ser-lhe fiel, encontrar realização e felicidade em sintonia com a vontade divina. Assim dá para entender bem o modo como Jesus convocava seus seguidores. O convite era simples: Vem e segue-me. Ele continua nos convidando a viver como ele, a tê-lo como regra de vida, a imitá-lo em sua vida humana de filho de Deus. Vem e segue-me!

A magia do natal, como costumamos definir o clima de reconciliação e paz que emana dessa comemoração, não brota das fachadas enfeitadas ou dos pinheiros decorados. A magia do natal é a presença de Jesus entre nós, Deus mesmo que veio morar com a gente. E não se trata de uma visita, em que Deus, por meio do seu filho, tirou um pouco de seu tempo para estar conosco. Ele se define como Emanuel, o Deus que está conosco. Como diz o prólogo do evangelho de São João: "O verbo se fez carne e habitou entre nós".

Pe. João Carlos Ribeiro – 12.11.2011