Mostrando postagens com marcador jovem rico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jovem rico. Mostrar todas as postagens

20210524

O AMOR EXIGE RENÚNCIA


25 de maio de 2021

EVANGELHO


Mc 10,28-31

Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.

MEDITAÇÃO


Nós deixamos tudo e te seguimos (Mc 10, 28)

O jovem rico foi um mau exemplo de seguidor de Jesus. Ele não renunciou a nada. Um sujeito que amava mais o seu dinheiro do que o Reino de Deus. Tinha mais confiança nos seus bens do que na palavra do Senhor. Preferiu a segurança do seu status à aventura do seguimento de Jesus. Um mau exemplo.

Pedro e seus companheiros representam um bom exemplo de seguidores de Jesus. Eles deixaram tudo. Eles colocaram o Reino de Deus em primeiro lugar. Deixaram sua organização de pesca, seus barcos, sua profissão, suas famílias, a segurança de suas casas e puseram-se a caminho com Jesus. Colocaram sua confiança em Deus e aceitaram o desafio do seguimento. Um bom exemplo.

É, o amor exige renúncia. E pelo tamanho da renúncia se diz o quanto se ama. A jovem esposa acompanha o marido que foi transferido para um estado muito distante. Fica longe de tudo o que ela conhece e ama, seus pais, seus lugares preferidos, sua terra. Renuncia muito, porque ama muito. O pai, por causa dos filhos, de bom grado não frequenta mais as rodas de amigos no bar da esquina. Renuncia a boa conversa, regada a uma boa cerveja, para estar com os filhos, para brincar com eles, para sair com eles. Renuncia muito, porque ama muito. Aquela senhora já não está podendo mais ir a uma festa, fazer as viagens que fazia. Fica tomando conta da mãezinha idosa. Renuncia muito, porque ama muito.

O jovem rico amava pouco. Não deixou nada. Não abriu mão do seu dinheiro. Foi-se embora, entristecido. Fracassou o aprendiz de seguidor de Jesus. Pelo tamanho da renúncia se sabe o tamanho do amor. O jovem Francisco de Assis também era rico, de família importante, estudado, culto. Sentiu no coração um amor imenso por Jesus crucificado e pelos pobres que encarnavam o seu sofrimento. Renunciou seu prestígio, suas riquezas, seu título de nobreza. Fez-se um seguidor do Mestre pelos caminhos da pobreza e da oração. Pelo tamanho da renúncia se sabe o tamanho do amor.

Pedro e seus companheiros que deixaram tudo fizeram uma pergunta a Jesus: “O que nós vamos ganhar com isso?” A resposta de Jesus foi maravilhosa: ‘Nessa vida, cem vez mais do que deixaram. E na outra, a vida eterna’. Deus não se deixa vencer em generosidade. Você oferece 10, ele devolve 100. Eu mesmo deixei de constituir família, pensei que ia ficar sozinho. Nada, ele me tantas mães, tantos pais, tantos filhos, que já estou perdendo a conta.

E você, tem sido generoso/a com Deus? Tem confiado mais nele do que nos seus trocados? Tem renunciado alguma coisa para não faltar à missa, para fazer seu momento diário de oração, para observar os seus mandamentos? Pelo tamanho de sua renúncia se sabe o tamanho do seu amor por ele.

Guardando a mensagem

Jesus chamou um jovem para segui-lo, deixando tudo. No apego aos seus bens e à segurança de suas posses, ele não foi capaz de renunciar tudo e seguir Jesus. Pedro e seus companheiros também receberam o mesmo convite. Deixaram tudo e seguiram Jesus. Vão ficar sem nada? Jesus garantiu: cem vezes mais aqui na terra, com perseguições e a vida eterna, no mundo futuro. Pelo tamanho da renúncia, se sabe o tamanho do nosso amor a Jesus.

Nós deixamos tudo e te seguimos (Mc 10, 28)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Sempre nos vem à lembrança a pergunta que fizeste a Pedro: ‘Simão, tu me amas?’ Pedro, mesmo tendo fraquejado nos dias de tua paixão, te tinha um grande amor. E sofreu muito por não ter sido fiel cem por cento, como deveria. Certamente, isso lhe deu mais condições de compreender os seus irmãos e irmãs, em suas fragilidades e deslizes. E porque te amava tanto – deixou tudo para te seguir - , deste a ele a responsabilidade de cuidar do teu rebanho. Senhor, que o nosso amor por ti se comprove nas provações, nas dificuldades e nas horas em que seguir-te signifique renunciar alguma coisa ou muitas coisas. Seja o teu nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você conhece alguém que deixou muita coisa para seguir Jesus. Reze por ele ou por ela. Você conhece alguém que não conseguiu renunciar a muita coisa para seguir Jesus. Reze por ele ou ela também.

Quero agradecer, de coração, a quem participou conosco da Novena de Nossa Senhora Auxiliadora. No encerramento, ontem, o destaque foi a romaria virtual, a consagração da família e a bênção da casa. 

O Momento Musical Mariano de ontem à noite, também pelo youtube, foi uma bênção. E agradeço as muitas manifestações de satisfação que me enviaram. Agora, é aguardar o Show do dia 05 de junho, quando celebraremos os 25 anos de trabalho missionário de nossa Associação Missionária Amanhecer, a AMA. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200817

O CAMINHO DA PERFEITA CARIDADE


O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. O que ainda me falta? (Mt 19, 20)

17 de agosto de 2020.

Ele já era um cara bacana. Já vivia os mandamentos de Deus. Mas, queria algo a mais. Olha a conversa dele com Jesus: “Mestre, o que é que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” Resposta de Jesus: Cumprir os mandamentos. Aí Jesus citou cinco mandamentos e juntou aquele resumo “amar o próximo como a si mesmo”. “Isso tudo, eu já faço”, disse o jovem. “O que ainda me falta?”.



Então, o jovem estava querendo algo a mais. Aparentemente, estava pronto para dar um novo passo. Jesus viu que o terreno era bom e lhe fez um convite. É verdade que essa proposta não é pra todo mundo, ao menos nessa medida, não. E ela só pode ser feita a quem está numa boa caminhada com Deus. Jesus não arrodeou muito. Foi direto e claro. “Deixe tudo e venha me seguir”. Para ficar mais claro: “Venha fazer parte do meu grupo, assumindo o meu estilo de vida”.

Deixar tudo para seguir Jesus. O jovem ficou pensando: que coisa legal andar com Jesus, fazer parte do seu ministério, ficar bem pertinho dele. Coisa maravilhosa! Mas, ‘pera lá: ‘Eu tenho minha vida, minhas coisas... Deixar tudo? Não dá pra ser um visitante, um membro eventual, um seguidor à distância?’ Tudo isso passando na cabeça daquele moço de boa pinta, de boa família, acostumado a ter toda facilidade na vida. A cabeça estava a mil: ‘Jesus vive sem nada, andando de um lado pro outro com esse grupo de discípulos, sem nenhuma segurança financeira, longe da família, voltado completamente para Deus e o seu povo. Seria uma mudança radical demais em minha vida... e os meus bens, minha herança, a vida que eu levo? Valerá a pena?’

Jesus deu um tempinho para o moço pensar, tinha posto as cartas na mesa. “Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem. Dê o dinheiro aos pobres e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e me siga”. Pronto, foi água na fervura... Aquela alegria de quem estava procurando algo novo foi se transformando em tristeza... e ele foi se retirando, meneando a cabeça, meio envergonhado pela escolha que estava fazendo. Ficou todo mundo surpreso. Jesus esperava mais dele. E os discípulos ficaram pensando na escolha que eles mesmos tinham feito.

Puxa vida, Jesus não faz esse convite a todo mundo, não faz. Para segui-lo, sim, convida a todos. Mas, cada um levando sua vida normal, “normal” entre aspas, segundo o Evangelho. Mas, a alguns ele dirige esse convite tão radical. “Fiquem comigo, vivam como eu”. Aos poucos, na história do cristianismo, esse modo de seguimento de Jesus foi sendo organizado no que hoje se conhece como vida religiosa consagrada. Esse é o modo de viver de cristãos que aceitam o convite radical de Jesus de segui-lo mais de perto, imitando o seu modo de viver unicamente para Deus e para o seu povo, renunciando a acumular bens, a constituir família e sozinho tomar as decisões em sua vida. Nós, que acolhemos essa vocação, esse chamado tão especial, integramos as comunidades religiosas em nossas congregações, ordens e institutos de vida consagrada. Nem todo mundo entende a nossa vocação. Às vezes, nem nós mesmos. Mas, é o caminho dos que resolveram de coração acolher o convite de Jesus: “Deixe tudo e me siga”. É o caminho da perfeita caridade, como disse o Concílio Vaticano II.

Guardando a mensagem

Ao jovem, que já era um bom praticante dos mandamentos de Deus, desejoso de uma vida de perfeição, Jesus fez um convite muito especial: “deixar tudo para segui-lo”. Deixar tudo não é coisa fácil e esse moço era muito rico. Aí, apegado às suas coisas, ele optou por continuar na sua vidinha mesmo. Desde o começo do cristianismo, alguns homens e mulheres sentem-se chamados, por uma vocação especial, para seguir Jesus mais de perto, imitando o seu modo humano de viver para Deus e para o seu povo, pelo caminho dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. É uma escolha amorosa do Senhor. E uma resposta generosa de vários de seus discípulos e discípulas.

O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. O que ainda me falta? (Mt 19, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
As três coisas que marcam a vocação dos teus discípulos e discípulas consagrados na vida religiosa são também uma indicação para todos os teus seguidores. Três tentações podem afastar as pessoas de tua graça: agarrar-se aos bens deste mundo, desviar o amor a Deus para o apego exclusivo às criaturas e decidir sua vida sem atenção à vontade de Deus. Neste sentido, a vida dos teus consagrados pode ser um permanente aviso a todos os teus seguidores. Abençoa, Senhor, os irmãos e irmãs que integram os institutos, congregações e ordens religiosas. Fortalece o caminho vocacional dos jovens que estão em formação na vida consagrada. E não desiste de chamar muitos jovens generosos para o teu seguimento. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Nesta semana dedicada à vocação à vida consagrada, recomende ao Senhor, num momento de prece, todos os que estão seguindo uma vocação especial de consagração na Igreja: vocacionados, seminaristas, formandos, irmãs, irmãos, professos nas congregações, ordens, institutos de vida consagrada, institutos seculares e novas comunidades. Reze por nós. 

Talvez nossa reflexão de hoje possa ajudar alguém a pensar neste tema da vocação à vida consagrada. Então, que tal compartilhar o áudio e o texto da Meditação de hoje com mais alguém?

Obs.: Na foto, Filhas de Maria Auxiliadora (Salesianas) e Colaboradores no Capítulo Inspetorial 2019.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




20190819

DEIXE TUDO E ME SIGA

O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas.O que ainda me falta? (Mt 19, 20)
19 de agosto de 2019.
Ele já era um cara bacana. Já vivia os mandamentos de Deus. Mas, queria algo a mais. Olha a conversa dele com Jesus: “Mestre, o que é que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” Resposta de Jesus: Cumprir os mandamentos. Aí Jesus citou cinco mandamentos e juntou aquele resumo “amar o próximo como a si mesmo”. “Isso tudo, eu já faço”, disse o jovem. “O que ainda me falta?”.
Então, o jovem estava querendo algo a mais. Aparentemente, estava pronto para dar um novo passo. Jesus viu que o terreno era bom e lhe fez um convite. É verdade que essa proposta não é pra todo mundo, ao menos nessa medida, não. E ela só pode ser feita a quem está numa boa caminhada com Deus. Jesus não arrodeou muito. Foi direto e claro. “Deixe tudo e venha me seguir”. Para ficar mais claro: “Venha fazer parte do meu grupo, assumindo o meu estilo de vida”.
Deixar tudo para seguir Jesus. O jovem ficou pensando: que coisa legal andar com Jesus, fazer parte do seu ministério, ficar bem pertinho dele. Coisa maravilhosa!  Mas, ‘pera lá: ‘Eu tenho minha vida, minhas coisas... Deixar tudo? Não dá pra ser um visitante, um membro eventual, um seguidor à distância?’ Tudo isso se passando na cabeça daquele moço de boa pinta, de boa família, acostumado a ter toda facilidade na vida. A cabeça estava a mil: ‘Jesus vive sem nada, andando de um lado pro outro com esse grupo de discípulos, sem nenhuma segurança financeira, longe da família, voltado completamente para Deus e o seu povo. Seria uma mudança radical demais em minha vida... e os meus bens, minha herança, a vida que eu levo? Valerá a pena?’
Jesus deu um tempinho para o moço pensar, tinha posto as cartas na mesa. “Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem. Dê o dinheiro aos pobres e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e me siga”. Pronto, foi água na fervura... Aquela alegria de quem estava procurando algo novo foi se transformando em tristeza... e ele foi se retirando, meneando a cabeça, meio envergonhado pela escolha que estava fazendo. Ficou todo mundo surpreso. Jesus esperava mais dele. E os discípulos ficaram pensando na escolha que eles mesmos tinham feito.
Puxa vida, Jesus não faz esse convite a todo mundo, não faz. Para segui-lo, sim, convida a todos. Mas, cada um levando sua vida normal, “normal” entre aspas, segundo o Evangelho. Mas, a alguns ele dirige esse convite tão radical. “Fiquem comigo, vivam como eu”. Aos poucos, na história do cristianismo, esse modo de seguimento de Jesus foi sendo organizado no que hoje se conhece como vida religiosa consagrada. Esse é o modo de viver de cristãos que aceitam o convite radical de Jesus de segui-lo mais de perto, imitando o seu modo de viver unicamente para Deus e para o seu povo, renunciando a acumular bens, a constituir família e sozinho tomar as decisões em sua vida. Nós, que acolhemos essa vocação, esse chamado tão especial, integramos as comunidades religiosas em nossas congregações, ordens e institutos de vida consagrada. Nem todo mundo entende a nossa vocação. Às vezes, nem nós mesmos. Mas, é o caminho dos que resolveram de coração acolher o convite de Jesus: “Deixe tudo e me siga”. É o caminho da perfeita caridade, como disse o Concílio Vaticano II.
Guardando a mensagem
Ao jovem, que já era um bom praticante dos mandamentos de Deus, desejoso de uma vida de perfeição, Jesus fez um convite muito especial: “deixar tudo para segui-lo”. Deixar tudo não é coisa fácil e esse moço era muito rico. Aí, apegado às suas coisas, ele optou por continuar na sua vidinha mesmo. Desde o começo do cristianismo, alguns homens e mulheres sentem-se chamados, por uma vocação especial, para seguir Jesus mais de perto, imitando o seu modo humano de viver para Deus e para o seu povo, pelo caminho dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. É uma escolha amorosa do Senhor. E uma resposta generosa de vários de seus discípulos e discípulas.
O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas.O que ainda me falta? (Mt 19, 20)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
As três coisas que marcam a vocação dos teus discípulos e discípulas consagrados na vida religiosa são também uma indicação para todos os teus seguidores. Três tentações podem afastar as pessoas de tua graça: agarrar-se aos bens deste mundo, desviar o amor a Deus para o apego exclusivo às criaturas e decidir sua vida sem atenção à vontade de Deus. Neste sentido, a vida dos teus consagrados pode ser um permanente aviso a todos os teus seguidores. Abençoa, Senhor, os irmãos e irmãs que integram os institutos, congregações e ordens religiosas. Fortalece o caminho vocacional dos jovens que estão em formação na vida consagrada. E não desiste de chamar muitos jovens generosos para o teu seguimento. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Recomende ao Senhor, num momento de prece, todos os que estão seguindo uma vocação especial de consagração na Igreja: vocacionados, seminaristas, formandos, irmãs, irmãos, consagrados seculares, professos nas congregações, ordens e institutos de vida consagrada. Reze por nós. 
Pe. João Carlos Ribeiro – 19 de agosto de 2019.

20190304

UM JOVEM QUE NÃO ESCOLHEU JESUS

Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)


04 de março de 2019 A religião cristã não é apenas um conjunto de práticas religiosas que realizamos para o louvor de Deus e para o nosso bem pessoal. A religião cristã é, especialmente, seguimento de Jesus Cristo. Seguimento. O que nos define não é um título de pertença a uma instituição bimilenar. O que nos define é sermos discípulos de Jesus. É sermos seus seguidores, suas seguidoras. Percorremos com ele o seu caminho. Vamos com ele a Jerusalém.

Jesus e os discípulos estão indo a Jerusalém. Essa é a grande viagem que marca a sua vida. Em Jerusalém, acontecerá o drama da paixão. Essa caminhada é propriamente a direção da vida de Jesus. Neste caminho, a uma certa altura, vem alguém correndo, ajoelha-se aos seus pés e lhe pergunta o que deve fazer para ganhar a vida eterna. Ele já cumpria os mandamentos da Lei, desde a sua juventude. ‘Então, concluiu Jesus, só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”. O homem ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.


Essa pessoa buscava a felicidade, a realização, como todos nós. Era uma pessoa religiosa, praticante da Lei desde pequeno. Pelo que respondeu a Jesus, praticava certinho os mandamentos de Deus. Mas, estava inquieto. Sabia que lhe faltava alguma coisa. O que ele poderia fazer para ganhar a vida eterna, para participar da herança da completa felicidade? Ele percebeu que Jesus tinha a resposta. Ele poderia lhe indicar o que realmente tinha que fazer. E lhe pediu isso de joelhos, de coração aberto, com toda sinceridade.


Ele ouviu a resposta de Jesus. A resposta foi dada com muito respeito, muita consideração e como sinal de um amor sincero por ele. Está escrito: “Jesus o olhou com amor”. Não foi uma resposta para afastá-lo, para desanimá-lo em sua busca de felicidade, da herança da vida eterna. Foi uma resposta verdadeira, exigente. Ele, que estava ansioso em busca da felicidade, da vida eterna, ouvindo isso, ficou abatido e desistiu, foi embora cheio de tristeza. Não aceitou a proposta de Jesus, o caminho que ele lhe indicou. Optou por continuar sua vidinha. Optou por não ser seguir Jesus, não ser seu discípulo.


O que é que Jesus lhe pediu e pede a mim e a você, hoje? Ele o chamou para segui-lo. Só isso. “Vem e segue-me”. Segui-lo no seu caminho, sendo livre e solidário como ele. Livre de qualquer carga ou amarra. Solidário com os pobres e sofredores. Foi o que ele pediu àquele homem: o desapego dos seus bens e a solidariedade com quem nada tem. ‘Vende o que tens e dá aos pobres”. Em outras palavras, Jesus lhe indicou um modo novo de se relacionar com os bens e com os seus semelhantes. No trato com os bens, ser livre. Não viver para o dinheiro. Não ser possuído pelos seus bens. No trato com os seus semelhantes, ser solidário. Importar-se com sua dor, partilhar, não lhe ser indiferente.


Guardando a mensagem Muitos cristãos estão ocupados na posse de muitos bens, usufruindo do seu bem-estar e fazendo da religião apenas um complemento para sua felicidade. No fundo, são infelizes, vivem tristes. Está lhes faltando alguma coisa. Eles também perguntam a Jesus o que precisam fazer para alcançar a felicidade completa, para ter direito à herança da vida eterna? Esperam que Jesus lhe passe uma receita de algumas coisas a serem feitas. Mas, Jesus lhe dá uma nova orientação para as suas vidas. Jesus os chama para segui-lo. Duas condições são necessárias para o seu seguimento: estar livre e ser solidário. Jesus os chama a ter um novo relacionamento com os bens (a liberdade) e com seus semelhantes (a solidariedade). A verdadeira felicidade está em sermos irmãos, a caminho com Jesus, para a casa do Pai.


Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,
Fica-nos a impressão que foste muito exigente com aquele que se apresentou no caminho, querendo fazer alguma coisa para ganhar a vida eterna. Tu o chamaste para te seguir. Para isso, ele precisava estar livre (não mais voltado para os seus bens) e ser solidário (não mais indiferente à sorte dos pobres). Ele não teve coragem de dar uma nova direção à sua vida. Na sua tristeza, vemos a tristeza de quem vive voltado para si mesmo. Por sorte, esse mesmo evangelho nos mostra que houve quem deixasse tudo e te seguisse, como foi o caso dos teus apóstolos. Livres e solidários, eles teriam tudo que deixaram cem vezes mais e a vida eterna no mundo futuro. Obrigado, Senhor, pelo exemplo de tantos irmãos e irmãs que seguem contigo, livres e solidários, pelo caminho da vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Hoje, segunda-feira de carnaval, reze pelos jovens que, como este moço do evangelho, estão com dificuldade para responder ao chamado de Jesus para uma vida santa e solidária.


Pe. João Carlos Ribeiro – 04.03.2019

20181014

UMA NOVA DIREÇÃO PARA A SUA VIDA


Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)

14 de outubro de 2018.

A religião cristã não é apenas um conjunto de práticas religiosas que realizamos para o louvor de Deus e para o nosso bem pessoal. A religião cristã é, especialmente, seguimento de Jesus Cristo. Seguimento. O que nos define não é um título de pertença a uma instituição bimilenar. O que nos define é sermos discípulos de Jesus. É sermos seus seguidores, suas seguidoras. Percorremos com ele o seu caminho. Vamos com ele a Jerusalém.

Jesus e os discípulos estão indo a Jerusalém. Essa é a grande viagem que marca a sua vida. Em Jerusalém, acontecerá o drama da paixão. Essa caminhada é propriamente a direção da vida de Jesus. Neste caminho, a uma certa altura, vem alguém correndo, ajoelha-se aos seus pés e lhe pergunta o que deve fazer para ganhar a vida eterna. Ele já cumpria os mandamentos da Lei, desde a sua juventude. ‘Então, concluiu Jesus, só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”. O homem ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.

Essa pessoa buscava a felicidade, a realização, como todos nós. Era uma pessoa religiosa, praticante da Lei desde pequeno. Pelo que respondeu a Jesus, praticava certinho os mandamentos de Deus. Mas, estava inquieto. Sabia que lhe faltava alguma coisa. O que ele poderia fazer para ganhar a vida eterna, para participar da herança da completa felicidade? Ele percebeu que Jesus tinha a resposta. Ele poderia lhe indicar o que realmente tinha que fazer. E lhe pediu isso de joelhos, de coração aberto, com toda sinceridade.

Ele ouviu a resposta de Jesus. A resposta foi dada com muito respeito, muita consideração e como sinal de um amor sincero por ele. Está escrito: “Jesus o olhou com amor”. Não foi uma resposta para afastá-lo, para desanimá-lo em sua busca de felicidade, da herança da vida eterna. Foi uma resposta verdadeira, exigente. Ele, que estava ansioso em busca da felicidade, da vida eterna, ouvindo isso, ficou abatido e desistiu, foi embora cheio de tristeza. Não aceitou a proposta de Jesus, o caminho que ele lhe indicou. Optou por continuar sua vidinha. Optou por não ser seguir Jesus, não ser seu discípulo.

O que é que Jesus lhe pediu e pede a mim e a você, hoje? Ele o chamou para segui-lo. Só isso. “Vem e segue-me”. Segui-lo no seu caminho, sendo livre e solidário como ele. Livre de qualquer carga ou amarra. Solidário com os pobres e sofredores. Foi o que ele pediu àquele homem: o desapego dos seus bens e a solidariedade com quem nada tem. ‘Vende o que tens e dá aos pobres”. Em outras palavras, Jesus lhe indicou um modo novo de se relacionar com os bens e com os seus semelhantes. No trato com os bens, ser livre. Não viver para o dinheiro. Não ser possuído pelos seus bens. No trato com os seus semelhantes, ser solidário. Importar-se com sua dor, partilhar, não lhe ser indiferente.

Guardando a mensagem

Muitos cristãos estão ocupados na posse de muitos bens, usufruindo do seu bem-estar e fazendo da religião apenas um complemento para sua felicidade. No fundo, são infelizes, vivem tristes. Está lhes faltando alguma coisa. Eles também perguntam a Jesus o que precisam fazer para alcançar a felicidade completa, para ter direito à herança da vida eterna? Esperam que Jesus lhe passe uma receita de algumas coisas a serem feitas. Mas, Jesus lhe dá uma nova orientação para as suas vidas. Jesus os chama para segui-lo. Duas condições são necessárias para o seu seguimento: estar livre e ser solidário. Jesus os chama a ter um novo relacionamento com os bens (a liberdade) e com seus semelhantes ( a solidariedade). A verdadeira felicidade está em sermos irmãos, a caminho com Jesus, para a casa do Pai.

Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Fica-nos a impressão que foste muito exigente com aquele que se apresentou no caminho, querendo fazer alguma coisa para ganhar a vida eterna. Tu o chamaste para te seguir. Para isso, ele precisava estar livre (não mais voltado para os seus bens) e ser solidário (não mais indiferente à sorte dos pobres). Ele não teve coragem de dar uma nova direção à sua vida. Na sua tristeza, vemos a tristeza de quem vive voltado para si mesmo. Por sorte, esse mesmo evangelho nos mostra que houve quem deixasse tudo e te seguisse, como foi o caso dos teus apóstolos. Livres e solidários, eles teriam tudo que deixaram cem vezes mais e a vida eterna no mundo futuro. Obrigado, Senhor, pelo exemplo de tantos irmãos e irmãs que seguem contigo, livres e solidários, pelo caminho da vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Será muito importante que você abra hoje sua Bíblia e leia essa passagem que toda a Igreja está meditando neste domingo: Marcos 10,17-30.

Pe. João Carlos Ribeiro - 14.10.2018

20180820

DEIXAR TUDO PARA SEGUIR JESUS?

O que ainda me falta? (Mt 19, 20)
20 de agosto de 2018.
Ele já era um cara bacana. Já vivia os mandamentos de Deus. Mas, queria algo a mais. Olha a conversa dele com Jesus: “Mestre, o que é que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” Resposta de Jesus: Cumprir os mandamentos. Aí Jesus citou cinco mandamentos e juntou aquele resumo “amar o próximo como a si mesmo”. “Isso tudo, eu já faço”, disse o jovem. “O que ainda me falta?”.
Então, o jovem estava querendo algo a mais. Aparentemente, estava pronto para dar um novo passo. Jesus viu que o terreno era bom e lhe fez um convite. É verdade que essa proposta não é pra todo mundo, ao menos nessa medida, não. E ela só pode ser feita a quem está numa boa caminhada com Deus. Jesus não arrodeou muito. Foi direto e claro. “Deixe tudo e venha me seguir”. Para ficar mais claro: “Venha fazer parte do meu grupo, assumindo o meu estilo de vida”.
Deixar tudo para seguir Jesus. O jovem ficou pensando: que coisa legal andar com Jesus, fazer parte do seu ministério, ficar bem pertinho dele. Coisa maravilhosa!  Mas, ‘pera lá: ‘Eu tenho minha vida, minhas coisas... Deixar tudo? Não dá pra ser um visitante, um membro eventual, um seguidor à distância?’ Tudo isso se passando na cabeça daquele moço de boa pinta, de boa família, acostumado a ter toda facilidade na vida. A cabeça estava a mil: ‘Jesus vive sem nada, andando de um lado pro outro com esse grupo de discípulos, sem nenhuma segurança financeira, longe da família, voltado completamente para Deus e o seu povo. Seria uma mudança radical demais em minha vida... e os meus bens, minha herança, a vida que eu levo? Valerá a pena?’
Jesus deu um tempinho para o moço pensar, tinha posto as cartas na mesa. “Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem. Dê o dinheiro aos pobres e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e me siga”. Pronto, foi água na fervura... Aquela alegria de quem estava procurando algo novo foi se transformando em tristeza... e ele foi se retirando, meneando a cabeça, meio envergonhado pela escolha que estava fazendo. Ficou todo mundo em choque. Jesus esperava mais dele. E os discípulos ficaram pensando na escolha que eles mesmos tinham feito.
Puxa vida, Jesus não faz esse convite a todo mundo, não faz. Para segui-lo, sim, convida a todos. Mas, cada um levando sua vida normal, “normal” entre aspas, segundo o Evangelho. Mas, a alguns ele dirige esse convite tão radical. “Fiquem comigo, vivam como eu”. Aos poucos, na história do cristianismo, esse modo de seguimento de Jesus foi sendo organizado no que hoje se conhece como vida religiosa consagrada. Esse é o modo de viver de cristãos que aceitam o convite radical de Jesus de segui-lo mais de perto, imitando o seu modo de viver unicamente para Deus e para o seu povo, renunciando a acumular bens, a constituir família e sozinho tomar as decisões em sua vida. Nós, que acolhemos essa vocação, esse chamado tão especial, integramos as comunidades religiosas em nossas congregações, ordens e institutos de vida consagrada. Nem todo mundo entende a nossa vocação. Às vezes, nem nós mesmos. Mas, é o caminho dos que resolveram de coração acolher o convite de Jesus: “Deixe tudo e me siga”. É o caminho da perfeita caridade, como disse o Concílio Vaticano II.
Guardando a mensagem
Ao jovem, que já era um bom praticante dos mandamentos de Deus, desejoso de uma vida de perfeição, Jesus fez um convite muito especial: “deixar tudo para segui-lo”. Deixar tudo não é coisa fácil e esse moço era muito rico. Aí, apegado às suas coisas, ele optou por continuar na sua vidinha mesmo. Desde o começo do cristianismo, alguns homens e mulheres sentem-se chamados, por uma vocação especial, para seguir Jesus mais de perto, imitando o seu modo humano de viver para Deus e para o seu povo, pelo caminho dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. É uma escolha amorosa do Senhor. E uma resposta generosa de vários de seus discípulos e discípulas.
O que ainda me falta? (Mt 19, 20)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
As três coisas que marcam a vocação dos teus discípulos e discípulas consagrados na vida religiosa são também uma indicação para todos os teus seguidores. Três tentações podem afastar as pessoas de tua graça: agarrar-se aos bens deste mundo, desviar o amor a Deus para o apego exclusivo às criaturas e decidir sua vida sem atenção à vontade de Deus. Neste sentido, a vida dos teus consagrados deveria ser um permanente aviso a todos os teus seguidores. Abençoa, Senhor, os irmãos e irmãs que integram os institutos, congregações e ordens religiosas. Fortalece o caminho vocacional dos jovens que estão em formação na vida consagrada. E não desiste de chamar muitos jovens generosos para o teu seguimento. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Recomende ao Senhor, num momento de prece, todos os que estão seguindo uma vocação especial de consagração na Igreja: vocacionados, seminaristas, formandos, irmãs, irmãos, professos nas congregações, ordens e institutos de vida consagrada. Reze por nós.

Pe. João Carlos Ribeiro – 20.08.2018

20180528

UM BOM EXEMPLO

Nós deixamos tudo e te seguimos (Mc 10, 28)
29 de maio de 2018.
O jovem rico foi um mau exemplo de seguidor de Jesus. Ele não renunciou a nada. Um sujeito que amava mais o seu dinheiro do que o Reino de Deus. Tinha mais confiança nos seus bens do que na palavra do Senhor. Preferiu a segurança do seu status à aventura do seguimento de Jesus. Um mau exemplo.  
Pedro e seus companheiros representam um bom exemplo de seguidores de Jesus. Eles deixaram tudo. Eles colocaram o Reino de Deus em primeiro lugar. Deixaram sua organização de pesca, seus barcos, sua profissão, suas famílias, a segurança de suas casas e puseram-se a caminho com Jesus. Colocaram sua confiança em Deus e aceitaram o desafio do seguimento. Um bom exemplo.
É, o amor exige renúncia. E pelo tamanho da renúncia se diz o quanto se ama. A jovem esposa acompanha o marido que foi transferido para um estado muito distante. Fica longe de tudo o que ela conhece e ama, seus pais, seus lugares preferidos, sua terra. Renuncia muito, porque ama muito. O pai, por causa dos filhos, de bom grado não frequenta mais as rodas de amigos no bar da esquina. Renuncia a boa conversa, regada a uma boa cerveja, para estar com os filhos, para brincar com eles, para sair com eles. Renuncia muito, porque ama muito. Aquela senhora já não está podendo mais ir a uma festa, fazer as viagens que fazia. Fica tomando conta da mãezinha idosa. Renuncia muito, porque ama muito.
O jovem rico amava pouco. Não deixou nada. Não abriu mão do seu dinheiro. Foi-se embora, entristecido. Fracassou o aprendiz de seguidor de Jesus. Pelo tamanho da renúncia se sabe o tamanho do amor. O jovem Francisco de Assis também era rico, de família importante, estudado, culto. Sentiu no coração um amor imenso por Jesus crucificado e pelos pobres que encarnavam o seu sofrimento. Renunciou seu prestígio, suas riquezas, seu título de nobreza. Fez-se um seguidor do Mestre pelos caminhos da pobreza e da oração. Pelo tamanho da renúncia se sabe o tamanho do amor.
Pedro e seus companheiros que deixaram tudo fizeram uma pergunta a Jesus: “O que nós vamos ganhar com isso?” A resposta de Jesus foi maravilhosa:  ‘Nessa vida, cem vez mais do que deixaram. E na outra, a vida eterna’. Deus não se deixa vencer em generosidade. Você oferece 10, ele devolve 100. Eu mesmo deixei de constituir família, pensei que ia ficar sozinho. Nada, ele me tantas mães, tantos pais, tantos filhos, que já estou perdendo a conta.
E você, tem sido generoso/a com Deus? Tem confiado mais nele do que nos seus trocados? Tem renunciado alguma coisa para não faltar à missa, para fazer seu momento diário de oração, para observar os seus mandamentos? Pelo tamanho de sua renúncia se sabe o tamanho do seu amor por ele.
Vamos guardar a mensagem
Jesus chamou um jovem para segui-lo, deixando tudo. No apego aos seus bens e à segurança de suas posses, ele não foi capaz de renunciar tudo e seguir Jesus. Pedro e seus companheiros também receberam o mesmo convite. Deixaram tudo e seguiram Jesus. Vão ficar sem nada? Jesus garantiu: cem vezes mais aqui na terra, com perseguições e a vida eterna, no mundo futuro. Pelo tamanho da renúncia, se sabe o tamanho do nosso amor a Jesus.
Nós deixamos tudo e te seguimos (Mc 10, 28)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Sempre nos vem à lembrança a pergunta que fizeste a Pedro: ‘Simão, tu me amas?’ Pedro, mesmo tendo fraquejado nos dias de tua paixão, te tinha um grande amor. E sofreu muito por não ter sido fiel cem por cento, como deveria. Certamente, isso lhe deu mais condições de compreender os seus irmãos e irmãs, em suas fragilidades e deslizes. E porque te amava tanto – deixou tudo para te seguir - , deste a ele a responsabilidade de cuidar do teu rebanho. Senhor, que o nosso amor por ti se comprove nas provações, nas dificuldades e nas horas em que seguir-te signifique renunciar alguma coisa ou muitas coisas. Seja o teu nome bendito, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Você conhece alguém que deixou muita coisa para seguir Jesus. Reze por ele ou por ela. Você conhece alguém que não conseguiu renunciar a muita coisa para seguir Jesus. Reze por ele ou ela também.

Pe. João Carlos Ribeiro – 29. 05. 2018

O CAMELO E A AGULHA


Como é difícil para os ricos entrar no reino de  Deus (Mc 10, 23)
28 de maio de 2018.
Há, no evangelho, um critério muito especial para o nosso seguimento de Jesus. Você, certamente, já se deu conta. Não é bastante você ser uma pessoa religiosa ou praticante dos mandamentos da lei de Deus. Ou mesmo, apenas ter um amor especial pelo Senhor Jesus. Tudo isso é importante e necessário e você nisso, mais ou menos, está em dia, não é verdade? Mas, há uma coisa que dá a tudo isso um tom especial. É o que eu estou lhe dizendo: um critério especial para o nosso seguimento de Jesus.
Estou indo com calma pra você não se assustar. Mas, vou dizer agora: o pobre. O amor aos pobres. O pobre é o critério que qualifica o nosso seguimento de Jesus. Todo o evangelho é um testemunho do amor preferencial de Jesus pelo pequeno, pelo pobre, pelo sofredor. Basta que eu lhe lembre a parábola do bom samaritano (o próximo é quem está caído, assaltado, semi-morto). E as bem-aventuranças (felizes os pobres, os aflitos, os famintos – o reino de Deus é deles). Mas, deixe-me acrescentar mais uma passagem: a cena do juízo final (eu estava com fome e me destes de comer; eu estava preso e me visitaste). Não tenha dúvida: a vida de Jesus está marcada pela atenção ao pobre, ao fraco, ao sofredor. O pobre está em primeiro lugar. E em Jesus, nem preciso lhe dizer isso, está a manifestação mais completa de Deus. Suas palavras, suas ações revelam o Pai. Então, o pobre está em primeiro lugar no coração do nosso Deus. E, claro, no coração dos seguidores de Jesus.
E eu estou lhe explicando tudo isso pra você entender melhor o evangelho de hoje: Marcos, capítulo 10. Chegou um jovem pra falar com Jesus. Ele queria uma orientação: o que  poderia fazer para ganhar a vida eterna? Resposta de Jesus: praticar os mandamentos. “Ah, já cumpro tudo direitinho desde pequeno”. Que coisa boa. Jesus ficou muito satisfeito. Estava diante um ardoroso jovem que se tornaria um discípulo exemplar: disposto, praticante, começando a vida, em condições de dar à sua vida a direção que Jesus deu à sua. Diante de um terreno tão fértil, Jesus lançou as redes. Fez-lhe uma proposta radical:  “Só está faltando agora você desfazer-se dos seus bens em favor dos pobres e vir me seguir”. Ih, foi uma ducha de água fria no ardor daquele jovem tão religioso. Pensou um pouco. Era demais. Não dava. Foi-se embora, no meio de uma grande tristeza.
A esse jovem, aparentemente tão generoso, Jesus fez uma proposta. Radicalizou, é verdade. Não é pra todo mundo esse convite para estar ao seu lado, do jeito dele: renunciando aos bens deste mundo e ocupando-se de bens ainda mais altos e nobres. Esse convite, Jesus tinha feito aos seus discípulos mais próximos. Estes renunciaram a tudo para caminhar ao seu lado, como ele que esvaziou-se de sua condição divina para assumir nossa vida humana. Na verdade, a proposta feita àquele jovem, fundamentalmente, estende-se a todos os seus seguidores.
Para todos nós, está posto o apelo de nos conduzirmos, em nossa vida, com o critério do pobre. Se esquecermos dos pobres, perderemos nossa identidade de cristãos, de seguidores de Jesus. Quando o Papa Francisco foi eleito, o seu amigo cardeal Claudio Hummes o abraçou e lhe disse: “não se esqueça dos pobres”. Nunca podemos nos esquecer dos pobres. Nós nos lembramos deles, tendo um coração solidário, partilhando com os mais necessitados algo do que temos: roupa, comida, conhecimento, entre outros. E não só no natal solidário. Solidariedade como atitude permanente. Iluminamos nossa vida com o critério do amor ao pobre, quando exercemos uma profissão como verdadeiro serviço à população, facilitando o acesso dos menos favorecidos aos nossos serviços. Lembramo-nos deles, mantendo um compromisso cidadão, preocupados com a inclusão dos que têm menos oportunidade, com a justiça social, com políticas públicas que garantam educação de qualidade para todos, bem como segurança, emprego, moradia. O critério do amor aos pobres dá o tom evangélico à nossa vida cristã.
Vamos guardar a mensagem
Jesus ficou triste porque o jovem rico não teve coragem de reorientar a sua vida pelo critério do pobre, do sofredor. Pela seriedade com que levava sua vida religiosa, poderia muito bem ter aceito aquele convite exigente que Jesus lhe fez. Seria um passo decisivo para sua realização, sua felicidade, sua salvação. O apego ao dinheiro, aos bens fechou-lhe  o coração. O critério do pobre continua válido para todo seguidor de Jesus. É um critério que orienta a nossa vida social, o exercício de nossa profissão, os nossos compromissos de cidadãos. O critério é o amor ao pobre. Pobre como sujeito, como protagonista, como irmão.
Como é difícil para os ricos entrar no reino de  Deus (Mc 10, 23)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
A palavra de hoje ilumina esse momento que estamos vivendo no Brasil. A paralização dos caminhoneiros, que é não só dos caminhoneiros, é um grito desesperado no meio de uma situação de injustiça em que todos temos sido penalizados,  especialmente os mais pobres e menos favorecidos. Dá-nos, Senhor, ter o teu mesmo coração e realizarmos, sem medo, nossa missão de fermentar a sociedade brasileira com o evangelho da justiça, da fraternidade e do amor aos pequenos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Talvez você, hoje, possa se informar melhor sobre as manifestações que estão ocorrendo em todo o país. Procurar entender e formar sua consciência cidadã é um sinal de amor aos pobres.

Pe. João Carlos Ribeiro – 28.05.2018