PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: camelo
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UMA NOVA DIREÇÃO DA SUA VIDA


 

10 de outubro de 2021

28º Domingo do Tempo Comum


EVANGELHO


Mc 10,17-30

Naquele tempo, 17quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?”
18Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. 19Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe”.
20Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”.
21Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”
22Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.
23Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!”
24Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!”
26Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?”
27Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”.
28Pedro então começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”.
29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.

MEDITAÇÃO


Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)

A religião cristã não é apenas um conjunto de práticas religiosas que realizamos para o louvor de Deus e para o nosso bem pessoal. A religião cristã é, especialmente, seguimento de Jesus Cristo. Seguimento. O que nos define não é um título de pertença a uma instituição bimilenar. O que nos define é sermos discípulos de Jesus. É sermos seus seguidores, suas seguidoras. Percorremos com ele o seu caminho. Vamos com ele a Jerusalém.

Jesus e os discípulos estão indo a Jerusalém. Essa é a grande viagem que marca a sua vida. Em Jerusalém, acontecerá o drama da paixão. Essa caminhada é propriamente a direção da vida de Jesus. Neste caminho, a uma certa altura, vem alguém correndo, ajoelha-se aos seus pés e lhe pergunta o que deve fazer para ganhar a vida eterna. Ele já cumpria os mandamentos da Lei, desde a sua juventude. ‘Então, concluiu Jesus, só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”. O homem ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.

Essa pessoa buscava a felicidade, a realização, como todos nós. Era uma pessoa religiosa, praticante da Lei desde pequeno. Pelo que respondeu a Jesus, praticava certinho os mandamentos de Deus. Mas, estava inquieto. Sabia que lhe faltava alguma coisa. O que ele poderia fazer para ganhar a vida eterna, para participar da herança da completa felicidade? Ele percebeu que Jesus tinha a resposta. Ele poderia lhe indicar o que realmente tinha que fazer. E lhe pediu isso de joelhos, de coração aberto, com toda sinceridade.

Ele ouviu a resposta de Jesus. A resposta foi dada com muito respeito, muita consideração e como sinal de um amor sincero por ele. Está escrito: “Jesus o olhou com amor”. Não foi uma resposta para afastá-lo, para desanimá-lo em sua busca de felicidade, da herança da vida eterna. Foi uma resposta verdadeira, exigente. Ele, que estava ansioso em busca da felicidade, da vida eterna, ouvindo isso, ficou abatido e desistiu, foi embora cheio de tristeza. Não aceitou a proposta de Jesus, o caminho que ele lhe indicou. Optou por continuar sua vidinha. Optou por não ser seguir Jesus, não ser seu discípulo.

O que é que Jesus lhe pediu e pede a mim e a você, hoje? Ele o chamou para segui-lo. Só isso. “Vem e segue-me”. Segui-lo no seu caminho, sendo livre e solidário como ele. Livre de qualquer carga ou amarra. Solidário com os pobres e sofredores. Foi o que ele pediu àquele homem: o desapego dos seus bens e a solidariedade com quem nada tem. ‘Vende o que tens e dá aos pobres”. Em outras palavras, Jesus lhe indicou um modo novo de se relacionar com os bens e com os seus semelhantes. No trato com os bens, ser livre. Não viver para o dinheiro. Não ser possuído pelos seus bens. No trato com os seus semelhantes, ser solidário. Importar-se com sua dor, partilhar, não lhes ser indiferente.

Guardando a mensagem

Muitos cristãos estão ocupados na posse de muitos bens, usufruindo do seu bem-estar e fazendo da religião apenas um complemento para sua felicidade. No fundo, são infelizes, vivem tristes. Está lhes faltando alguma coisa. Eles também perguntam a Jesus o que precisam fazer para alcançar a felicidade completa, para ter direito à herança da vida eterna? Esperam que Jesus lhe passe uma receita de algumas coisas a serem feitas. Mas, Jesus lhe dá uma nova orientação para as suas vidas. Jesus os chama para segui-lo. Duas condições são necessárias para o seu seguimento: estar livre e ser solidário. Jesus os chama a ter um novo relacionamento com os bens (a liberdade) e com seus semelhantes (a solidariedade). A verdadeira felicidade está em sermos irmãos, a caminho com Jesus, para a casa do Pai.

Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
fica-nos a impressão que foste muito exigente com aquele que se apresentou no caminho, querendo fazer alguma coisa para ganhar a vida eterna. Tu o chamaste para te seguir. Para isso, ele precisava estar livre (não mais voltado para os seus bens) e ser solidário (não mais indiferente à sorte dos pobres). Ele não teve coragem de dar uma nova direção à sua vida. Na sua tristeza, vemos a tristeza de quem vive voltado para si mesmo. Por sorte, esse mesmo evangelho nos mostra que houve quem deixasse tudo e te seguisse, como foi o caso dos teus apóstolos. Livres e solidários, eles teriam tudo que deixaram cem vezes mais e a vida eterna no mundo futuro. Obrigado, Senhor, pelo exemplo de tantos irmãos e irmãs que seguem contigo, livres e solidários, pelo caminho da vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será muito importante que você abra hoje sua Bíblia e leia essa passagem que toda a Igreja está meditando neste domingo: Marcos 10,17-30.

No próximo final de semana, a gente se encontra no 4º Acampamento Missionário. Na sexta-feira, a Missa de abertura transmitida pela Rede Vida e, no sábado, uma movimentada tarde online com testemunhos, pregação, adoração eucarística e momento musical. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

CAMELOS E MOSQUITOS

Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)
28 de agosto de 2018 – Dia de Santa Mônica
A gente até acha engraçado. O navio está afundando, mas a grande preocupação daquele capitão era pintar o mastro da embarcação. Engraçado e desesperador. O navio está afundando, mas ele está preocupado com a pintura do mastro do navio. Pode ser que a obsessão pela apresentação externa das coisas ou por alguns detalhes seja tão grande, que a pessoa perca o senso do real. E fique escravo de uma visão mesquinha e limitada.
É o que estava acontecendo no tempo de Jesus. Os fariseus viviam tão obcecados pelo fiel cumprimento da Lei de Moisés que esqueciam as coisas mais importantes da própria Lei. A Lei era uma expressão da aliança de Deus com o seu povo. A chamada Lei era um contrato de amizade e mútua pertença entre Deus e o povo hebreu. Mas, aos poucos foi se transformando num fardo pesado para as pessoas, pela quantidade de novos preceitos escritos e orais que foram sendo incorporados. Assim, com tanta preocupação com os detalhes, o principal ficava esquecido ou relegado ao segundo plano.
E nesse assunto, Jesus não deixou por menos. Todo o capítulo 23 do evangelho de São Mateus é uma denúncia contra a visão míope daqueles homens tão apegados à Lei, os fariseus. Olha o que está no evangelho de hoje: “Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade“. A justiça, a misericórdia e a fidelidade – segundo disse Jesus – são os ensinamentos mais importantes da Lei. Mas, eles estavam preocupados com picuinhas.
O sábado, por exemplo, era uma coisa importante. Tratava-se de guardar um dia na semana para honrar o Deus criador e libertador e afirmar a dignidade de pessoas livres e donas de sua capacidade de trabalho. O sábado ou o domingo são instituições maravilhosas, divinas. Mas, os fariseus ficavam com tanta exigência, inflando o preceito do sábado de tantas normas e proibições que, no final das contas, o sábado tornou-se mais uma opressão do que um respiro de liberdade. A legislação previa até a quantidade de passos que podiam ser dados em dia de sábado, uma coisa sufocante. Diante disso, Jesus se insurgiu, ensinando: ‘O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado’.
Há sempre um risco de a gente ficar tão focado numa coisa, agarrando-se a pormenores, que termine perdendo a visão de conjunto. É o caso daquele capitão que, mesmo com o navio afundando, sua maior preocupação era com a pintura do mastro. Os fariseus repetiam a mesma coisa na religião. Aferravam-se a picuinhas, coisas em si corretas, esquecendo-se do principal. E, assim, na sua miopia oprimiam o povo e descaracterizavam a religião. Jesus os chamou de ‘guias cegos’. “Vocês filtram o mosquito e engolem o camelo”. 
Guardando a mensagem
Os fariseus estavam tão preocupados com coisinhas secundárias, que se esqueciam do principal: a caridade, a misericórdia, a justiça. É importante a gente notar que esse defeito dos fariseus é sempre uma tentação em nossas instituições, na administração da justiça, na vida das comunidades e das famílias, na vida da Igreja. Não podemos esquecer o principal, desviando-nos para coisas secundárias e marginais. Às vezes, se briga por uma bobagem, um detalhe, uma coisa pequena. Às vezes, se julga uma pessoa por um deslize, esquecendo-se toda uma vida de doação e serviço. Está na hora de a gente parar de “coar mosquito e engolir camelo”.
Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Está escrito na Carta do teu apóstolo Pedro: “Acima de tudo, cultivem, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pr 4,8). É isso mesmo, Senhor. Precisamos viver com confiança, com esperança. A graça de Deus é tão grande e nos abraça de maneira tão generosa... Não precisamos ficar agarrados a picuinhas e casuísmos que nos desviem do principal, do fundamental. Como tu disseste, fundamental na Lei é a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Hoje, é Dia de Santa Mônica, que rezou com perseverança longos anos pela conversão do seu filho Agostinho. Inspire-se nela. Certamente, você tem por quem interceder.

Pe. João Carlos Ribeiro – 27 de agosto de 2019

UMA NOVA DIREÇÃO PARA A SUA VIDA


Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)

14 de outubro de 2018.

A religião cristã não é apenas um conjunto de práticas religiosas que realizamos para o louvor de Deus e para o nosso bem pessoal. A religião cristã é, especialmente, seguimento de Jesus Cristo. Seguimento. O que nos define não é um título de pertença a uma instituição bimilenar. O que nos define é sermos discípulos de Jesus. É sermos seus seguidores, suas seguidoras. Percorremos com ele o seu caminho. Vamos com ele a Jerusalém.

Jesus e os discípulos estão indo a Jerusalém. Essa é a grande viagem que marca a sua vida. Em Jerusalém, acontecerá o drama da paixão. Essa caminhada é propriamente a direção da vida de Jesus. Neste caminho, a uma certa altura, vem alguém correndo, ajoelha-se aos seus pés e lhe pergunta o que deve fazer para ganhar a vida eterna. Ele já cumpria os mandamentos da Lei, desde a sua juventude. ‘Então, concluiu Jesus, só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”. O homem ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.

Essa pessoa buscava a felicidade, a realização, como todos nós. Era uma pessoa religiosa, praticante da Lei desde pequeno. Pelo que respondeu a Jesus, praticava certinho os mandamentos de Deus. Mas, estava inquieto. Sabia que lhe faltava alguma coisa. O que ele poderia fazer para ganhar a vida eterna, para participar da herança da completa felicidade? Ele percebeu que Jesus tinha a resposta. Ele poderia lhe indicar o que realmente tinha que fazer. E lhe pediu isso de joelhos, de coração aberto, com toda sinceridade.

Ele ouviu a resposta de Jesus. A resposta foi dada com muito respeito, muita consideração e como sinal de um amor sincero por ele. Está escrito: “Jesus o olhou com amor”. Não foi uma resposta para afastá-lo, para desanimá-lo em sua busca de felicidade, da herança da vida eterna. Foi uma resposta verdadeira, exigente. Ele, que estava ansioso em busca da felicidade, da vida eterna, ouvindo isso, ficou abatido e desistiu, foi embora cheio de tristeza. Não aceitou a proposta de Jesus, o caminho que ele lhe indicou. Optou por continuar sua vidinha. Optou por não ser seguir Jesus, não ser seu discípulo.

O que é que Jesus lhe pediu e pede a mim e a você, hoje? Ele o chamou para segui-lo. Só isso. “Vem e segue-me”. Segui-lo no seu caminho, sendo livre e solidário como ele. Livre de qualquer carga ou amarra. Solidário com os pobres e sofredores. Foi o que ele pediu àquele homem: o desapego dos seus bens e a solidariedade com quem nada tem. ‘Vende o que tens e dá aos pobres”. Em outras palavras, Jesus lhe indicou um modo novo de se relacionar com os bens e com os seus semelhantes. No trato com os bens, ser livre. Não viver para o dinheiro. Não ser possuído pelos seus bens. No trato com os seus semelhantes, ser solidário. Importar-se com sua dor, partilhar, não lhe ser indiferente.

Guardando a mensagem

Muitos cristãos estão ocupados na posse de muitos bens, usufruindo do seu bem-estar e fazendo da religião apenas um complemento para sua felicidade. No fundo, são infelizes, vivem tristes. Está lhes faltando alguma coisa. Eles também perguntam a Jesus o que precisam fazer para alcançar a felicidade completa, para ter direito à herança da vida eterna? Esperam que Jesus lhe passe uma receita de algumas coisas a serem feitas. Mas, Jesus lhe dá uma nova orientação para as suas vidas. Jesus os chama para segui-lo. Duas condições são necessárias para o seu seguimento: estar livre e ser solidário. Jesus os chama a ter um novo relacionamento com os bens (a liberdade) e com seus semelhantes ( a solidariedade). A verdadeira felicidade está em sermos irmãos, a caminho com Jesus, para a casa do Pai.

Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? (Mc 10, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Fica-nos a impressão que foste muito exigente com aquele que se apresentou no caminho, querendo fazer alguma coisa para ganhar a vida eterna. Tu o chamaste para te seguir. Para isso, ele precisava estar livre (não mais voltado para os seus bens) e ser solidário (não mais indiferente à sorte dos pobres). Ele não teve coragem de dar uma nova direção à sua vida. Na sua tristeza, vemos a tristeza de quem vive voltado para si mesmo. Por sorte, esse mesmo evangelho nos mostra que houve quem deixasse tudo e te seguisse, como foi o caso dos teus apóstolos. Livres e solidários, eles teriam tudo que deixaram cem vezes mais e a vida eterna no mundo futuro. Obrigado, Senhor, pelo exemplo de tantos irmãos e irmãs que seguem contigo, livres e solidários, pelo caminho da vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Será muito importante que você abra hoje sua Bíblia e leia essa passagem que toda a Igreja está meditando neste domingo: Marcos 10,17-30.

Pe. João Carlos Ribeiro - 14.10.2018

COAR MOSQUITO E ENGOLIR CAMELO

Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)
28 de agosto de 2018.
A gente até acha engraçado. O navio está afundando, mas a grande preocupação daquele capitão era pintar o mastro da embarcação. Engraçado e desesperador. O navio está afundando, mas ele está preocupado com a pintura do mastro do navio. Pode ser que a obsessão pela apresentação externa das coisas ou por alguns detalhes seja tão grande, que a pessoa perca o senso do real. E fique escravo de uma visão mesquinha e limitada.
É o que estava acontecendo no tempo de Jesus. Os fariseus viviam tão obcecados pelo fiel cumprimento da Lei de Moisés que esqueciam as coisas mais importantes da própria Lei. A Lei era uma expressão da aliança de Deus com o seu povo. A chamada Lei era um contrato de amizade e mútua pertença entre Deus e o povo hebreu. Mas, aos poucos foi se transformando num fardo pesado para as pessoas, pela quantidade de novos preceitos escritos e orais que foram sendo incorporados. Assim, com tanta preocupação com os detalhes, o principal ficava esquecido ou relegado ao segundo plano.
E nesse assunto, Jesus não deixou por menos. Todo o capítulo 23 do evangelho de São Mateus é uma denúncia contra a visão míope daqueles homens tão apegados à Lei, os fariseus. Olha o que está no evangelho de hoje: “Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade“. A justiça, a misericórdia e a fidelidade – segundo disse Jesus – são os ensinamentos mais importantes da Lei. Mas, eles estavam preocupados com picuinhas.
O sábado, por exemplo, era uma coisa importante. Tratava-se de guardar um dia na semana para honrar o Deus criador e libertador e afirmar a dignidade de pessoas livres e donas de sua capacidade de trabalho. O sábado ou o domingo são instituições maravilhosas, divinas. Mas, os fariseus ficavam com tanta exigência, inflando o preceito do sábado de tantas normas e proibições que, no final das contas, o sábado tornou-se mais uma opressão do que um respiro de liberdade. A legislação previa até a quantidade de passos que podiam ser dados em dia de sábado, uma coisa sufocante. Diante disso, Jesus se insurgiu, ensinando: ‘O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado’.
Guardando a mensagem
Há sempre um risco de a gente ficar tão focado numa coisa, agarrando-se a pormenores, que termine perdendo a visão de conjunto. É o caso daquele capitão que, mesmo com o navio afundando, sua maior preocupação era com a pintura do mastro. Os fariseus repetiam a mesma coisa na religião. Aferravam-se a picuinhas, coisas em si corretas, esquecendo-se do principal. E, assim, na sua miopia oprimiam o povo e descaracterizavam a religião. Jesus os chamou de ‘guias cegos’. “Vocês filtram o mosquito e engolem o camelo”. Ficam preocupados com coisinhas secundárias e esquecem-se do principal. É importante a gente notar que esse defeito dos fariseus é sempre uma tentação em nossas instituições, na administração da justiça, na vida das comunidades e das famílias, na vida da Igreja. Não podemos esquecer o principal, desviando-nos para coisas secundárias e marginais.
Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Está escrito na Carta do teu apóstolo Pedro, “Acima de tudo, cultivem, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pr 4,8). É isso mesmo, Senhor. Precisamos viver com confiança, com esperança. A graça de Deus é tão grande e nos abraça de maneira tão generosa... Não precisamos ficar agarrados a picuinhas e casuísmos que nos desviem do principal, do fundamental. Como tu disseste, fundamental na Lei é a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Às vezes, se briga por uma bobagem, um detalhe, uma coisa pequena. Às vezes, se julga uma pessoa por um deslize, esquecendo-se toda uma vida de doação e serviço. Você não acha que está na hora de parar de “coar mosquito e engolir camelo”? Magoar-se ou indignar-se com coisas secundárias e esquecer-se das coisas fundamentais? Pense nisso.
Pe. João Carlos Ribeiro – 28.08.2018   

O CAMELO E A AGULHA


Como é difícil para os ricos entrar no reino de  Deus (Mc 10, 23)
28 de maio de 2018.
Há, no evangelho, um critério muito especial para o nosso seguimento de Jesus. Você, certamente, já se deu conta. Não é bastante você ser uma pessoa religiosa ou praticante dos mandamentos da lei de Deus. Ou mesmo, apenas ter um amor especial pelo Senhor Jesus. Tudo isso é importante e necessário e você nisso, mais ou menos, está em dia, não é verdade? Mas, há uma coisa que dá a tudo isso um tom especial. É o que eu estou lhe dizendo: um critério especial para o nosso seguimento de Jesus.
Estou indo com calma pra você não se assustar. Mas, vou dizer agora: o pobre. O amor aos pobres. O pobre é o critério que qualifica o nosso seguimento de Jesus. Todo o evangelho é um testemunho do amor preferencial de Jesus pelo pequeno, pelo pobre, pelo sofredor. Basta que eu lhe lembre a parábola do bom samaritano (o próximo é quem está caído, assaltado, semi-morto). E as bem-aventuranças (felizes os pobres, os aflitos, os famintos – o reino de Deus é deles). Mas, deixe-me acrescentar mais uma passagem: a cena do juízo final (eu estava com fome e me destes de comer; eu estava preso e me visitaste). Não tenha dúvida: a vida de Jesus está marcada pela atenção ao pobre, ao fraco, ao sofredor. O pobre está em primeiro lugar. E em Jesus, nem preciso lhe dizer isso, está a manifestação mais completa de Deus. Suas palavras, suas ações revelam o Pai. Então, o pobre está em primeiro lugar no coração do nosso Deus. E, claro, no coração dos seguidores de Jesus.
E eu estou lhe explicando tudo isso pra você entender melhor o evangelho de hoje: Marcos, capítulo 10. Chegou um jovem pra falar com Jesus. Ele queria uma orientação: o que  poderia fazer para ganhar a vida eterna? Resposta de Jesus: praticar os mandamentos. “Ah, já cumpro tudo direitinho desde pequeno”. Que coisa boa. Jesus ficou muito satisfeito. Estava diante um ardoroso jovem que se tornaria um discípulo exemplar: disposto, praticante, começando a vida, em condições de dar à sua vida a direção que Jesus deu à sua. Diante de um terreno tão fértil, Jesus lançou as redes. Fez-lhe uma proposta radical:  “Só está faltando agora você desfazer-se dos seus bens em favor dos pobres e vir me seguir”. Ih, foi uma ducha de água fria no ardor daquele jovem tão religioso. Pensou um pouco. Era demais. Não dava. Foi-se embora, no meio de uma grande tristeza.
A esse jovem, aparentemente tão generoso, Jesus fez uma proposta. Radicalizou, é verdade. Não é pra todo mundo esse convite para estar ao seu lado, do jeito dele: renunciando aos bens deste mundo e ocupando-se de bens ainda mais altos e nobres. Esse convite, Jesus tinha feito aos seus discípulos mais próximos. Estes renunciaram a tudo para caminhar ao seu lado, como ele que esvaziou-se de sua condição divina para assumir nossa vida humana. Na verdade, a proposta feita àquele jovem, fundamentalmente, estende-se a todos os seus seguidores.
Para todos nós, está posto o apelo de nos conduzirmos, em nossa vida, com o critério do pobre. Se esquecermos dos pobres, perderemos nossa identidade de cristãos, de seguidores de Jesus. Quando o Papa Francisco foi eleito, o seu amigo cardeal Claudio Hummes o abraçou e lhe disse: “não se esqueça dos pobres”. Nunca podemos nos esquecer dos pobres. Nós nos lembramos deles, tendo um coração solidário, partilhando com os mais necessitados algo do que temos: roupa, comida, conhecimento, entre outros. E não só no natal solidário. Solidariedade como atitude permanente. Iluminamos nossa vida com o critério do amor ao pobre, quando exercemos uma profissão como verdadeiro serviço à população, facilitando o acesso dos menos favorecidos aos nossos serviços. Lembramo-nos deles, mantendo um compromisso cidadão, preocupados com a inclusão dos que têm menos oportunidade, com a justiça social, com políticas públicas que garantam educação de qualidade para todos, bem como segurança, emprego, moradia. O critério do amor aos pobres dá o tom evangélico à nossa vida cristã.
Vamos guardar a mensagem
Jesus ficou triste porque o jovem rico não teve coragem de reorientar a sua vida pelo critério do pobre, do sofredor. Pela seriedade com que levava sua vida religiosa, poderia muito bem ter aceito aquele convite exigente que Jesus lhe fez. Seria um passo decisivo para sua realização, sua felicidade, sua salvação. O apego ao dinheiro, aos bens fechou-lhe  o coração. O critério do pobre continua válido para todo seguidor de Jesus. É um critério que orienta a nossa vida social, o exercício de nossa profissão, os nossos compromissos de cidadãos. O critério é o amor ao pobre. Pobre como sujeito, como protagonista, como irmão.
Como é difícil para os ricos entrar no reino de  Deus (Mc 10, 23)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
A palavra de hoje ilumina esse momento que estamos vivendo no Brasil. A paralização dos caminhoneiros, que é não só dos caminhoneiros, é um grito desesperado no meio de uma situação de injustiça em que todos temos sido penalizados,  especialmente os mais pobres e menos favorecidos. Dá-nos, Senhor, ter o teu mesmo coração e realizarmos, sem medo, nossa missão de fermentar a sociedade brasileira com o evangelho da justiça, da fraternidade e do amor aos pequenos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Talvez você, hoje, possa se informar melhor sobre as manifestações que estão ocorrendo em todo o país. Procurar entender e formar sua consciência cidadã é um sinal de amor aos pobres.

Pe. João Carlos Ribeiro – 28.05.2018

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