07 agosto 2016

Não posso dormir no ponto

Sejam como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater. (Lucas 12, 36)

O mesmo assunto está tratado, nesta parte do evangelho, com diversas comparações. Em cada comparação, podemos perceber novas facetas do mesmo tema. O tema é da vigilância, da prontidão. Recebemos uma tarefa, vamos prestar contas a qualquer momento. Precisamos estar atentos e vigilantes. Nada de dormir no ponto.

O empregado está esperando a volta do seu patrão, que foi a uma festa, e volta a qualquer momento. Precisa estar acordado na hora em que o patrão voltar. O patrão, de tão satisfeito, é quem vai por a mesa para o seu empregado. O dono da casa está atento à segurança de sua família. Nenhum ladrão vai pegá-lo de surpresa.  O administrador ficou responsável pela casa do patrão e pelos seus funcionários e está fazendo tudo direito, conforme a vontade do seu Senhor. A esse, o patrão, de tão satisfeito, vai dar mais responsabilidades ainda.

O Senhor é o próprio Jesus. Ele viajou (é a ascensão ao céu), mas, vai voltar e ninguém sabe a hora certa em que vai chegar (é a sua nova vinda). O servo sou eu. A serva é você. Ficamos na responsabilidade de cuidar casa dele, da família dele. A casa é a minha família (que não é minha), a minha comunidade (que não é minha). Fiquei na responsabilidade de cuidar dessa família, dessa comunidade, dessa organização. Ele me deixou com a responsabilidade de organizar, de providenciar o alimento, de prover a segurança, de fazer funcionar as coisas... Eu não sou o dono. Sou um servidor. Não posso me aproveitar desse meu cargo a meu bel prazer. Não posso maltratar os que ele deixou sob minha responsabilidade. Eu vou prestar contas. Eu vou ser avaliado. E essa hora de sua chegada pode ser a qualquer momento, ele vem sem programação. Mas, vai ficar muito feliz se encontrar tudo em ordem, as pessoas satisfeitas, as coisas progredidas... vai cear comigo, contar as novidades de sua viagem e, eu nem queria, vai me oferecer responsabilidades mais altas ainda, porque confia em mim.  

As comunidades cristãs, no começo, tinham uma grande preocupação, certas de que Jesus voltaria logo. Por isso, acentuaram o desapego das coisas desse mundo. Essa tensão da vinda do Senhor ajudava as pessoas a viverem a fé com maior fidelidade. E tinham razão. Nós precisamos dessa tensão, para não nos perdermos no relaxamento de uma vida mundana. Porque, é certo que ele vem.

E vem, definitivamente, no final dos tempos. Mas, de verdade, vem sempre. Vem por uma grande oportunidade. Se não estamos preparados, perdemos (uma promoção, um concurso, um casamento, uma porta de realização, um salto em nossa vida espiritual). É, ele sempre vem.  Se não vem, manda chamar a gente. É a morte. Essa é a hora da avaliação de nossa vida. Aprovados, iremos para o banquete eterno que ele nos servirá. Se não manda chamar, manda um aviso. É a doença. A doença me diz: você não está aqui pra sempre, você é frágil; você recebeu uma tarefa: está valorizando os meios que lhe foram dados para realizar a sua missão: a saúde, as pessoas que lhe querem bem, qualidades, capacidades? está tudo pronto, já pode partir?

Como ele não tem hora pra chegar, eu não posso relaxar na minha tarefa, não devo abandonar o meu posto. Ele chega a qualquer hora. Tenho que estar atento, vigilante, ativo. De prontidão. Não posso dormir no ponto.

Sejam como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater. (Lucas 12, 36)

31 julho 2016

Nada de ganância!

E Jesus lhes disse: “Atenção! Tomem cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. (Lucas 12, 15)

 Chegou a Jesus a confusão de irmãos, disputando uma herança. Esse negócio de herança dá muita confusão. E a razão é simples: quando o assunto é a posse de bens, parece que no ser humano despertam-se forças estranhas, primitivas, pagãs. É uma tentação lá dentro de cada um: garantir o seu lado, cercar-se de segurança, ter o mais possível. Ter. E ter muito. E aí, vê-se cenas deprimentes: irmãos se degladiando, um querendo passar por cima do direito do outro, genros e noras que entram também na disputa... vira uma guerra de família. 

Jesus sentenciou: “Mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. Não é ter muita coisa, muito dinheiro, muitos bens que resolve. A felicidade não está em ter bens. Precisamos ter o suficiente para viver com dignidade. Mas, o acúmulo de coisas, de dinheiro, de valores pode nos dar a falsa impressão de segurança, de independência, de autonomia, de felicidade. De falsa felicidade. O coração humano não se contenta com coisas. Pode-se até ter a impressão que ao se ter a posse daquele bem, ou chegar àquele status, vai-se encontrar um grau de satisfação que vai ser a própria felicidade. Não é verdade. A felicidade não está em ter coisas, Jesus está nos lembrando.

24 julho 2016

Senhor, ensina-nos a rezar!

Eles viram Jesus rezando muitas vezes. Queriam aprender a rezar como ele. “Senhor, ensina-nos a rezar”, foi o pedido discípulos. De tudo quanto Jesus ensinou sobre como rezar, as comunidades dos dois evangelistas Mateus e Lucas guardaram elementos que constituem a oração do Pai Nosso. Lucas anotou cinco pedidos ao Pai. Mateus, certamente com a vida de sua comunidade mais desenvolvida, anotou sete pedidos no mesmo Pai Nosso.  

Com o Pai Nosso, Jesus não só ensinou uma oração, mas apresentou aos discípulos um modo de rezar. Resumindo os ensinamentos de Jesus sobre a oração, a partir desse texto (Lucas 11, 1-13), vemos quatro características na oração dos discípulos do Senhor.