14 dezembro 2014

Um ‘Recife Feliz Natal’ abençoado

A primeira coisa que chamou a atenção no RECIFE FELIZ NATAL deste ano foi a beleza do local. Na chegada, as pessoas se sentiram acolhidas por um ambiente bonito, arejado e seguro: o quartel do Derby ao fundo, decorado com luzes natalinas; a árvore do Natal Solidário da Rede Globo à esquerda, com a decoração das árvores do entorno;  e, claro, a beleza do nosso palco-móvel,  com sua iluminação e seus telões. Foi proveitosa demais a parceria com a Rede Globo, casando o nosso evento com a programação do Natal Solidário, valendo-nos uma boa divulgação e cobertura do evento e a destinação da campanha de brinquedos. Não se pode esquecer, claro, a disponibilidade do local pelo Comando Geral da Polícia Militar, que não economizou em gentileza e envolvimento com o nosso projeto. Afinal, um ambiente bonito, acolhedor e festivo foi uma das marcas desse evento natalino.

A segunda coisa que chamou a atenção no RECIFE FELIZ NATAL deste ano foi a presença missionária dos cantores religiosos. O primeiro time a se apresentar foi integrado por Paulo Deérre, Orlando Sérgio, Américo Júnior, Cecília Ribeiro e Katiúcia. Claro, a abertura com os Corais Harmonia e Vozes foi brilhante. Os novos cantores mostram a pujança do cenário musical católico, em franca ebulição. A presença do Frei Damião foi importante para celebrarmos o compromisso missionário comum com que participamos na missão da Igreja local, com a comunicação e a música. Cristina Amaral integrou o popular com o religioso, fazendo uma síntese a partir de sua identidade cristã. Frei Jurandir, franciscano que veio de Fortaleza, despertou um grande sentimento de entusiasmo e euforia no imenso auditório. Pe. Antonio Maria, para além de sua bela voz e de seu consagrado repertório, encantou com sua simplicidade, grande empatia e generosidade no acolhimento do nosso convite. E, conferindo a tudo isso um caráter fortemente eclesial, esteve conosco, oferecendo sua mensagem de feliz natal e sua bênção de pastor, o arcebispo Dom Fernando Saburido. Na prece natalina, também rezou conosco Dom Edvaldo Gonçalves do Amaral, amigo e incentivador presente em várias edições desse evento. Os apresentadores, é claro, também contribuíram para o clima de entusiasmo e o desfile integrado das várias apresentações.  A atuação missionária dos comunicadores e cantores religiosos marcaram decisivamente este encontro de música e espiritualidade.

A terceira coisa que chamou a atenção no RECIFE FELIZ NATAL deste ano foi o espírito missionário que o presidiu e animou. Sim, porque com este evento, já em sua 11ª edição, quisemos contribuir com a preparação do Natal do Senhor em nossa área
metropolitana. Digo quisemos, porque temos feito isso como um grupo de trabalho na Igreja, a Associação Missionária Amanhecer (AMA). E o temos realizado no desejo de oferecer um momento público de espiritualidade que ajude a resgatar o Natal, libertando-o do reducionismo aos apelos comerciais e às festas de fim de ano. Todo é esforço é dizer: “o Natal é Cristo. Acolha-o no seu coração, na sua casa, em nossa cidade. E ajudemos os outros a se prepararam para o encontro com o Senhor que vem”. E, como missionários dos meios de comunicação, temos procurado realizar esse evento com muita parceria e a colaboração de vários setores públicos e privados da sociedade.  E estamos felizes porque também a edição desse ano foi pautada pelo compromisso missionário, o de anunciar Jesus, preparando a celebração do seu natal.

Três coisas marcaram o RECIFE FELIZ NATAL deste ano:  o ambiente acolhedor e festivo, a música religiosa cantando a nossa fé e o espírito missionário com que o preparamos e o celebramos. Graças a Deus!  Afinal, conseguimos realizar bastante bem esse projeto
missionário: cheios de fé e de alegria, dissemos à nossa cidade “RECIFE FELIZ NATAL!”.

Pe. João Carlos Ribeiro – 14.12.2014

25 novembro 2014

Só um voltou

Eram dez, mas só um voltou para agradecer (Lucas 17, 1-19). Jesus notou isso e queixou-se: "Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser esse estrangeiro?". Todos eles tinham pedido ajuda aos gritos, implorando: "Jesus, tem compaixão de nós".  E até obedeceram a orientação do Mestre de ir logo a Jerusalém para apresentarem-se aos sacerdotes e pedirem o atestado de que estavam curados da lepra podendo retornar às suas famílias. Foram, na verdade, em espírito de fé, porque ainda estavam doentes quando tomaram a estrada. Mas, no caminho, na obediência da fé, viram-se curados. Foi aí que um voltou. E os outros prosseguiram.

Poderíamos até tentar entender as razões dos nove que seguiram para o Templo: eles foram tomar providências para poderem se reintegrar logo em seus povoados. A lei mandava assim: adoeceu de lepra, fica excluído da cidade, vá morar nos matos, não se aproxime de ninguém; ficou bom, vá ao Templo e pegue um atestado pra poder entrar de novo no seu povoado.  Só que ficar bom de lepra era muito difícil. Enquanto caminhavam, viram-se curados. Voltar para avisar a Jesus e agradecer ou seguir pra resolver logo o seu problema? Eles nem titubearam. Prosseguiram para Jerusalém. Com certeza, se não foram capazes de voltar e reconhecer a obra que Jesus tinha feito por eles, em Jerusalém não iriam dizer que foram curados por ele. Com certeza, relataram que estavam curados, e pronto. Pensaram apenas neles mesmos. Precisaram, imploram. Ficaram bons, esqueceram-se. Não viram necessidade de reconhecer a intervenção de Deus, por meio de Jesus. Usufruiu da graça, tá bom demais. Gente egoísta só pensa em si. Estou falando dos nove de hoje. Os nove de ontem mostraram-se egoístas, interesseiros, mal-agradecidos. Os nove de hoje continuam os mesmos de ontem.

Mas um preferiu voltar para agradecer, para bendizer a Deus pela cura. Sentiu-se na obrigação de voltar. Lucas descreveu assim: "Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu. E este era um samaritano". O fato de ser samaritano foi notado por Jesus: "Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?". O fato de ser samaritano possivelmente lhe trazia maior dificuldade de reconhecer que a obra de Deus teria acontecido em sua vida pelas mãos de um judeu. Isso era muito mais difícil para ele, que vinha de uma tradição religiosa um pouco diferente, em conflito com a religião e o mundo dos judeus. Mas, logo ele, um estrangeiro, manifesta sua gratidão, bendiz a Deus e reconhece a presença de Deus em Jesus, pois se prostra aos seus pés em sinal de adoração. "A tua fé te salvou", lhe disse Jesus.

27 outubro 2014

Morrendo a cada dia

Não era para o cristão ter medo de morrer, não era mesmo. Toda a vida cristã está marcada pela dinâmica da morte e ressurreição, pela dinâmica da Páscoa de Cristo. A gente já começa a vida cristã fazendo um exercício de morte. O que é o batismo senão uma participação na morte de Cristo? Só há ressurreição se houver morte, ou não? O apóstolo Paulo ensinou isso claramente: no batismo mergulhamos nas águas da morte, com Cristo. Ali afogamos o pecado, morremos para o pecado. Renascemos para a graça. Ressuscitamos justificados por Cristo.

Então, a gente já começa a vida cristã se exercitando na morte. Renunciamos ao pecado, às seduções do maligno. E toda essa renúncia para abraçar o bem e a verdade que há em Deus. É esse o nosso ato de fé no batismo. Mas, batismo não é só na pia batismal. É todo dia. Todo dia procuramos viver como batizados, como filhos de Deus. Exercitamos cada dia a renúncia ao mal, morrendo para o que não presta e só prejudica os outros e a nós mesmos e ofende a Deus.

A espiritualidade cristã fala de sacrifício, de fuga da ocasião de pecado. Cada dia, procuramos viver o batismo como adesão incondicional ao Deus da vida, desmascarando o mal, vencendo o maligno. Assim, a vida cristã vai se tornando um exercício de morte. É morrendo que se ressuscita para a vida eterna, diz a oração de São Francisco. São Paulo explica assim: Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. Jesus foi claro: “Quem quiser salvar sua vida vai perdê-la. Mas quem perder sua vida por minha causa, vai salvá-la”. Conclusão: viver como cristãos é viver continuamente a dinâmica da morte. Se quisermos viver para Deus, temos que nos desapegar de tantas coisas, nos desviar de muitos maus caminhos, mantermo-nos longe do mal deste mundo. É que nós rezamos no Pai Nosso: Livrai-nos do mal. 

Batizado não era para ter medo de morrer. Já vive na dinâmica da morte e ressurreição. Já mergulhou sua vida na páscoa de Cristo. A cada dia, procura aperfeiçoar-se no caminho do evangelho que é o caminho daquele que avisou que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos”. E quando chegar o momento de apresentar-se ao Pai, já está acostumado a entregar-se por inteiro nas mãos de Deus. Viveu para este encontro. Não é naquela hora que vai querer fugir dele. Caminhou desde o batismo para esse encontro definitivo. Confia que a morte é apenas uma passagem para vida plena e verdadeira. Mesmo assim, sabe que o negócio não é brincadeira. Por isso todo dia reza: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

E como a morte é certa, é melhor a gente ir se preparando, vivendo bem. Vivenciando o batismo, na dinâmica de morrer cada dia para o mundo, para o egoísmo, para o mal que nos habita. Para ressuscitar cada dia mais íntegro, mais de Deus.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb