12 janeiro 2016

Os 10 mandamentos para a paz na familia

Disse um dia a Dra. Zilda Arns, fundadora da pastoral da criança, em uma entrevista: 

“A Pastoral da Criança, desde o início, teve a preocupação não só de reduzir a mortalidade infantil e a desnutrição, mas também de promover a paz nas famílias e comunidades, pelas atitudes de solidariedade e a partilha do saber a todas as famílias”.

Os 10 mandamentos para a paz na Família 

A Pastoral da Criança está divulgando os 10 Mandamentos para a Paz na Família. Achei interessante essa formulação e passo a comentá-los.
1.       Tenha fé e viva a Palavra de Deus, amando o próximo como a si mesmo. Fé em Deus e amor ao próximo são bases fundamentais para a vida pessoal e familiar.
2.       Ame-se, confie em si mesmo, em sua família e ajude a criar um ambiente de amor e paz ao seu redor. O amor ao próximo, ensina a Bíblia, seja "como a si mesmo". Então, o amor ao próximo parte do respeito que eu tenho também por mim mesmo, sem me anular, mas também sem me superdimensionar.
3.       Reserve momentos para brincar e se divertir com sua família, pois a criança aprende brincando e a diversão aproxima as pessoas. Jesus falou da necessidade de a gente imitar as crianças no sentimento de confiança, de gratuidade, de simplicidade.
4.       Eduque seu filho através da conversa, do carinho e do apoio e tome cuidado: quem bate para ensinar está ensinando a bater. O diálogo é o melhor caminho. Também se pode dar um castigo, especialmente privando o filho de algo que ele gosta muito, mas sempre evitando espancamento.
5.       Participe com sua família da vida da comunidade, evitando as más companhias e diversões que incentivam a violência. Em comunidade, exercitamos muitos valores da cidadania e da religião: a solidariedade, a alegria, a sociabilidade, o apoio mútuo, a compreensão da realidade.
6.       Procure resolver os problemas com calma e aprenda com as situações difíceis, buscando em tudo o seu lado positivo. É preciso pensar um pouco antes de agir, para não perder o controle. Falar e agir no impulso: esse é um terreno fértil para atitudes preconceituosas e vingativas, coisas de que depois podemos nos arrepender.
7.       Partilhe seus sentimentos com sinceridade, dizendo o que você pensa e ouvindo o que os outros têm para dizer. A fé cristã ajuda a construir cidadãos que pensam e agem com critérios do Evangelho.
8.       Respeite as pessoas que pensam diferente de você, pois as diferenças são uma verdadeira riqueza para cada um e para o grupo. Toda unanimidade é burra, já disse alguém, acertadamente. Numa sociedade pluralista como a nossa, há de se formar pessoas para a tolerância, o respeito às diferenças, o diálogo.
9.       Dê bons exemplos, pois a melhor palavra é o nosso jeito de ser. Santo Antônio de Pádua deixou escrito: "Cessem as palavras, falem as obras".
10.   Peça desculpas quando ofender alguém e perdoe de coração quando se sentir ofendido, pois o perdão é o maior gesto de amor que podemos demonstrar. Jesus, no Pai Nosso, nos ensinou a pedir o perdão de Deus e a nos comprometer a compreender e perdoar a fraqueza dos outros.
São estes os 10 mandamentos para a Paz na família.
Pe. João Carlos Ribeiro – 07.11.2011

10 janeiro 2016

A água e o fogo

Você já observou que, em cada igreja matriz, sede de paróquia, tem a pia batismal. A fonte batismal é uma das marcas da igreja matriz. A Igreja é mãe e gera filhos para Deus, no sacramento do batismo. Você mesmo foi batizado(a) numa fonte batismal. As igrejas mais antigas reservaram um lugar para a celebração desse sacramento, a capela do batismo.


A água e o fogo – é a mensagem de hoje.

Jesus se batizou no batismo de João. João batizava as pessoas que queriam preparar-se para acolher o Messias que chegaria em breve, com uma nova vida. Confessavam os seus pecados e João as mergulhava nas águas do rio Jordão. A fila dos pecadores era grande. E João, naquele dia, viu, com susto, que Jesus estava na fila. “Mas, você não é um pecador! Como pode querer receber o batismo?”. E a resposta de Jesus : Vamos fazer tudo conforme a vontade de Deus, conforme a sua lei! Na verdade, ele disse isso com outras palavras: "convém que realizemos a justiça da lei".

Jesus entrou na fila dos pecadores, assumindo o peso de nossas culpas e desceu às águas como pecador. Essa é uma bela imagem que antecipa a sua morte. Mergulhou nas águas da morte, morrendo em nosso lugar, purificando-nos dos pecados. Ao emergir da água, veio uma voz do céu. É como uma antecipação de sua ressurreição. “Este é o meu filho amado!” Jesus se revelou o filho amado, em ter cumprido com obediência a vontade do Pai. Ele deu sua vida por nós, salvou-nos, morrendo na cruz e ressurgindo em nosso favor.

Então, o batismo tem a ver com a purificação dos pecados. Jesus não tinha pecados. Mas, carregou-se dos nossos e nos purificou nas águas de sua morte e na glória de sua ressurreição. Na sua morte, nos comunicou a vida, derramando sobre nós o seu Espírito. O Espírito Santo é quem aplica em nós a graça redentora de sua morte e ressurreição. Ele é a água viva que escorreu do peito do Senhor, ferido pelo soldado, na cruz. Essa água nos purifica e nos comunica a vida nova. A ação purificadora e revitalizadora do Espírito está representada na água da fonte batismal. No sinal da água, está a ação do Espírito que nos purifica e renova.

Muita gente estava pensando que João fosse o Messias. “Não, ele disse, não sou eu. Eu batizo vocês com água, mas o Messias vai batizar vocês com o Espírito Santo e o com o fogo”. A água de João era só água mesmo. Mas, a água de Jesus seria sacramento do Espírito Santo, ação do Espírito purificando e renovando.

Bom, tudo claro quanto à água. Mas, e o fogo?  “Eu batizo vocês com água, mas o Messias vai batizar vocês com o Espírito Santo e o com o fogo”. Para entender melhor, temos que olhar o livro do Profeta Malaquias (Ml 3), com o qual João Batista tem bastante afinidade. Ali foi dito que o Messias viria com o fogo do ourives para purificar os filhos de Levi como se faz com o ouro e a prata. O profeta Malaquias estava se referindo ao trabalho do profissional ourives que, com o fogo, derrete o ouro e a prata, liberando-os das sujeiras e impurezas.  O Messias iria purificar com o fogo os seus sacerdotes, sua gente. Aí, sim, eles estariam limpos e poderiam apresentar ofertas que agradáveis a  Deus. Está claro, o fogo é a mesma ação do Espírito Santo, nos purificando. A água e o fogo, duas representações da ação purificadora do Espírito Santo. “Eu batizo vocês com água, mas o Messias vai batizar vocês com o Espírito Santo e o com o fogo”.

Naquela invocação, pendindo ao Pai o dom do Espírito Santo, eu escrevi assim: “Purifica-me, Senhor, nas tuas águas. Purifica-me, Senhor, com o fogo santo”. Se você ainda tiver com alguma dúvida sobre o fogo, basta você lembrar de Pentecostes. O Espírito veio sobre a comunidade em formas de línguas de fogo.

Na próxima vez que você for a uma Igreja, sendo uma igreja matriz, sede de paróquia, procure a Capela do Batismo ou a fonte batismal ou algum recipiente com água benta. Vá lá e molhe sua mão, se benza, com o coração cheio de gratidão. Você foi lavado dos seus pecados na morte redentora de Cristo. O Espírito Santo, como água e como fogo que purificam e renovam, comunicou-lhe a vida de Deus. No batismo, você nasceu como filho de Deus, como filha de Deus. 

08 janeiro 2016

João e o Batismo

O profeta, no deserto, prepara a vinda do Messias convocando o povo à conversão. No batismo, no rio Jordão, Jesus é apresentado pelo Pai como seu filho amado. O batismo revela a nossa dignidade de filhos. 

No tempo de Jesus e de João Batista, o povo, na Palestina, andava meio esquentado. Os romanos dominavam o país. O povo vivia massacrado pelos de fora e também pelos de dentro. Os grupos religiosos que controlavam o templo procuravam na verdade os seus próprios interesses. Mesmo os fariseus, o grupo religioso mais popular, marginaliza o povo. Um tempo de marginalização e humilhação do povo pobre. E também de revoltas, rebeliões, estremecimento social. Nesse clima, o povo aguardava ansiosamente o Messias: só ele poderia tirá-lo daquela situação-limite, só ele poderia restaurar a aliança com Deus.