20 maio 2017

O Outro Defensor

Não lhes deixarei órfãos. Eu virei a vocês (Jo 14, 18)

No Evangelho deste 6º domingo da páscoa, Jesus nos apresenta a presença e a ação do Espírito Santo. Jesus parte da nossa comunhão com ele e com o Pai. Ele está no Pai, nós estamos nele e ele em nós. Essa nossa união com Cristo ficou mais compreendida quando ele usou a comparação com a videira. Ele é a videira. Nós somos os ramos, estamos enxertados na videira que é ele mesmo. Quanto mais estamos unidos à videira e limpos para aderir ao tronco, mais podemos dar frutos. Os frutos vêm dessa permanência em Cristo, dessa união prolongada nele.

Talvez você ainda não esteja suficientemente convencido (a) disso. Você está unido a Cristo, não por merecimento de sua parte, claro, mas pelo amor de Cristo. E sua união com Cristo, é, por ele, também comunhão com o Pai. O seu amor a Cristo manifesta-se na observância dos seus mandamentos. E o mandamento dele é o amor ao próximo, como ele nos amou. O mandamento não é uma obrigação. Faço a vontade de Deus, como Jesus a faz, na liberdade e no amor. Uno-me ao Pai e ao seu filho, e realizo, no amor, a sua vontade.

Essas palavras de Jesus estão no contexto da despedida, capítulos  13 a 17. Por isso, Jesus revela que não nos deixará órfãos. Vai pedir e o Pai nos dará um outro Defensor. Ele é o Espírito da Verdade, que o mundo não conhece. Mas, nós o conhecemos. Nós o conhecemos porque ele permanece junto de nós e está em nós. O mundo é a humanidade decaída, subjugada pelo pecado, que reage contra Jesus e contra os seus seguidores. O mundo está sob o comando do pai da Mentira. Não reconhece Jesus que é a Verdade. Assim, não pode reconhecer o Espírito, que é o Espírito da Verdade. Mas, nós o conhecemos, porque conhecemos Jesus e seu amor por nós e pelo Pai.

Se voltarmos à comparação da Videira, podemos pensar que dessa sua comunhão com Cristo, como ramo na figueira, é-lhe comunicada a seiva, a vida. Podemos pensar no Espírito Santo, como essa comunicação da vida que lhe vem por meio de Jesus. Nas comunidades de Lucas, no seu evangelho e nos Atos dos Apóstolos, o Espírito é derramado no dia de Pentecostes. Mas, para o evangelista João, o Espírito nos é comunicado na cruz. É na cruz que o Senhor entrega o seu Espírito: “Pai, em tuas mãos, entrego o meu Espírito”. Do seu lado aberto, escorreram sangue e água: sangue do Sacrifício, que renovamos na Santa Missa; água da Vida Nova, que celebramos no Batismo. A carta de Pedro (segunda leitura de hoje), diz precisamente que Jesus morreu em sua existência humana, mas recebeu vida nova no Espírito. É o que aconteceu a você, no Batismo. Ali, lhe foi aplicada a redenção que vem da cruz de Cristo e desceu sobre você a vida nova no seu Espírito. No batismo, a água é o sinal sacramental da ação do Espírito que nos regenera, nos dando vida nova.

Vamos guardar a mensagem de hoje

Então, podemos entender, com essas imagens do evangelho de São João, que o Espírito Santo, terceira pessoa da Trindade Santa, está em nós, permanece em nós. É o dom da vida nova que Jesus nos comunicou, com sua morte redentora. E é ele quem atualiza a presença de Cristo entre nós. Por sua ação, o Pai escuta a nossa oração elevada em nome de Cristo; a Palavra de Jesus que nós lemos torna-se palavra viva; a presença de Cristo na Eucaristia torna-se real; a missão de Jesus continua sua marcha por nossas pobres mãos. É o Espírito quem atualiza a presença de Cristo entre nós. De fato, Jesus não nos deixou órfãos.


Pe. João Carlos Ribeiro – 20.05.2017

13 maio 2017

Jesus nos revela o Pai e nos leva a ele


Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim (Jo 14, 6)

Chegamos ao 5º domingo da Páscoa, celebrando a ressurreição de Jesus e a nossa ressurreição com ele. Para nos ajudar a meditar no sentido da morte e ressurreição do Senhor, a Igreja abre conosco, hoje, o Evangelho de São João, no capítulo 14. Aí nos sentamos com os discípulos para ouvir Jesus falando sobre sua partida e sobre a sua intimidade com o Pai. A morte é a sua partida para o Pai.

Quatro palavrinhas merecem uma atenção maior de nossa parte: Pai, eu vou, moradas e caminho.

Comecemos pela palavra “Pai”. A palavra Pai se repete 12 vezes no evangelho de hoje. Jesus revelou que o Deus da Aliança é Pai. Não é só o criador. Ele é eternamente Pai em relação a seu Filho único. E o Filho é eternamente filho em sua relação com o Pai. Jesus revelou o Pai. O Pai se revelou em Jesus. As primeiras comunidades ficaram pensando em tudo isso que Jesus falou e amadureceram uma compreensão que transmitiram às gerações seguintes. No ano 325, no Concílio Ecumênico de Niceia, a Igreja afirmou com toda clareza: o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer é um só Deus com ele.

07 maio 2017

O pastor e o ladrão

O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. 
Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10,10)

Resultado de imagem para pastor de ovelhasAssaltantes, estranhos, ladrões. Três tipinhos desinteressantes. Jesus referiu-se a eles em oposição ao que deve ser um bom pastor. São três tentações para quem pastoreia, para quem exerce liderança na Igreja e na Sociedade. O assaltante pula o muro, não entra pela porta. O estranho não conhece, nem é conhecido. O ladrão se aproveita, arranca o que pode, tira a vida.

O tema é o pastor, o bom e o mau pastor. Por isso, esse domingo é o dia mundial de oração pelas vocações. Rezamos para que não faltem pastores e para que os pastores sejam bons. Em sua mensagem para esta data, o Papa Francisco começa avisando: “todos os cristãos são constituídos missionários do evangelho”. A mensagem trata, então, da dimensão missionária da vocação cristã. Pelo batismo, nós somos missionários de Cristo, testemunhas dele para levar sua mensagem aos outros.