18 fevereiro 2017

Não imitem os malvados

Eu, porém lhes digo, não enfrentem quem é malvado. Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda (Mt 5, 39).

Deus está sempre nos instruindo na hora certa. Numa hora tão difícil como a nossa, ele chega com palavras sábias, com orientações precisas.

Estamos vivendo, nesta proximidade do carnaval, um clima de grande violência, agravado pelos movimentos salariais das polícias militares em vários Estados. A situação ficou extremamente dramática, particularmente no Espírito Santo. Mas, igualmente preocupante em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, entre outros. Uma onde de rebeliões instalou-se recentemente em presídios, com consequências extremas no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte, entre outros.  O desemprego, uma grande fonte de instabilidade e insegurança, hoje atinge mais de 12 milhões de trabalhadores. A violência nas ruas, pelo crescimento de assaltos, arrombamentos, homicídios, pode estar se agravando com o avanço do tráfico de drogas. E, se não bastasse esse clima preocupante de desgoverno na sociedade, o país se ressente pela desconfiança na honestidade de governantes e legisladores, às voltas com denúncias e processos da Lava Jato.
Alguém logo reage: isso não é assunto para a meditação da Palavra de Deus. Verdade. Aqui não é o caso de discutirmos essa situação. Mas, a palavra de Deus é comunicação para nós em nossa situação de hoje. Embora tenha sido escrita há muito tempo, o Espírito Santo a atualiza em nosso favor, tornando-a viva e atual. Assim, Deus nos fala hoje, nos orienta, a nós que estamos nesse clima de insegurança e violência.

Na verdade, a situação está nos levando a viver acuados, nos protegendo da violência. E um animal acuado, para se defender, torna-se violento também. E é o que está acontecendo. Estamos ficando violentos, à imitação dos bandidos, assaltantes, rebelados dos presídios que nos ameaçam. O perigo é que nos tornemos igualmente violentos em nossa resposta a esta situação. Quer ver? Veja esses sinais: sentimentos de vingança e de ódio nas pessoas, linchamentos, defesa da pena de morte...  estamos ficando violentos também. Estamos imitando os malvados.

E a Palavra de Deus hoje é clara e forte: Não imitem os malvados. Imitem Deus! O próprio Deus nos fala: “Sejam santos, como eu sou Santo. Não tenham ódio no coração contra o seu semelhante. Não procurem vingança contra ele. São palavras do Livro Levítico 19. E como Deus age nesses casos? O Salmo 102 responde: O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso, compassivo. É ele que devemos imitar, não os malvados.

Jesus, no Evangelho, corrige duas tendências que estão se impregnando em nós: o espírito de vingança e o ódio aos inimigos. A lei do Talião “Olho por olho, dente por dente” nasceu numa civilização antiga da Mesopotâmia. Visava disciplinar a vingança, para ela não sair maior do que a ofensa. Uma boa lei pagã. Mas, a lei de Jesus é outra, muito superior e exigente. Não revidar à ofensa (o tapa na face), não morrer de tristeza porque lhe levaram um bem (a túnica roubada), bondade e generosidade (dar a quem pedir e emprestar se tiver). Para os seguidores de Jesus, não é mais olho por olho. Vingança, não.

E também não é mais “amar o próximo e odiar o inimigo”. A orientação de Jesus é saudar a todos, não só aos irmãos. Saudar é manter relacionamento cordial. Não romper, intrigar-se, tornar-se indiferente. Amar a todos, não só aos irmãos. Rezar por aqueles que nos perseguem. Amar os inimigos, querer o seu bem, não a sua desgraça. Trabalhar para que se recuperem, para que se convertam. Ave Maria, que coisa difícil!

É, fácil é imitar os violentos, sendo violento também. E é isso que a Palavra de Deus está nos dizendo hoje, com toda clareza. Deixemos Jesus falar: “É assim que vocês vão se tornar filhos do Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons. Sejam perfeitos como Pai de vocês é perfeito” (Mt 5).

Não imitem os malvados. Imitem Deus!

Pe. João Carlos Ribeiro - 18.02.2017

12 fevereiro 2017

Os mandamentos do Senhor

Não pensem que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas dar-lhe pleno cumprimento  (Mt 5, 17).

O povo de Deus tinha uma Lei. Uma lei religiosa, a Lei da Aliança que está escrita na Bíblia. Mas, muitos mandamentos, regras e normas circulavam também oralmente. As pessoas se esforçavam para cumprir os mandamentos da Lei, sobretudo os fariseus que zelavam pelo seu fiel cumprimento.

O Evangelho de Mateus, que estamos lendo nesse ano, nasceu entre comunidades cristãs que estavam em ambiente judeu, com a maioria das pessoas vindas do judaísmo. Gente, portanto, que prezava demais a Lei que Deus lhes tinha dado, por meio de Moisés.

04 fevereiro 2017

Uma luz para os outros

Você está sendo uma luz para os outros? Boa pergunta. Aliás, essa é a pergunta desse 5º Domingo do Tempo Comum. Você está sendo uma luz para os outros?


Assim também brilhe a luz de vocês diante das pessoas, para que vejam as suas boas obras e louvem o seu Pai que está nos céus (Mt 5, 16)

É interessante observar que não se é luz para si mesmo, mas para os outros. A vela gasta-se iluminando o ambiente. A lâmpada expande a sua luz em favor de quem estiver por perto. A luz é para estar num lugar alto, como Jesus disse. Para iluminar a casa. Mas, como é que eu posso ser luz para os outros? Na Palavra de Deus deste domingo, a gente encontra resposta para esta pergunta.

A primeira resposta é esta: Sou luz para os outros pela minha fé em Cristo, pela fé que acolhe a pregação sobre Jesus Cristo crucificado. Está na primeira Carta aos Coríntios (1ª. Leitura): 1 Cor 2. Fé baseada no poder de Deus, não na sabedoria humana. O apóstolo Paulo comenta que, no meio daquela comunidade, não se apresentou com uma linguagem sofisticada, nem com altos discursos. Pelo contrário, pregou Jesus Cristo crucificado, no meio de suas fraquezas e receios, contando apenas com a força do Espírito Santo. Nossa fé abraça Jesus, que, sendo Deus, assumiu nossa condição humana e por nós morreu numa cruz. Ele é a luz do mundo. E, pela fé, ele nos faz luz para os outros. Nossa fé é uma luz para a vida de quem está ao nosso redor.