27 outubro 2014

Morrendo a cada dia

Não era para o cristão ter medo de morrer, não era mesmo. Toda a vida cristã está marcada pela dinâmica da morte e ressurreição, pela dinâmica da Páscoa de Cristo. A gente já começa a vida cristã fazendo um exercício de morte. O que é o batismo senão uma participação na morte de Cristo? Só há ressurreição se houver morte, ou não? O apóstolo Paulo ensinou isso claramente: no batismo mergulhamos nas águas da morte, com Cristo. Ali afogamos o pecado, morremos para o pecado. Renascemos para a graça. Ressuscitamos justificados por Cristo.

Então, a gente já começa a vida cristã se exercitando na morte. Renunciamos ao pecado, às seduções do maligno. E toda essa renúncia para abraçar o bem e a verdade que há em Deus. É esse o nosso ato de fé no batismo. Mas, batismo não é só na pia batismal. É todo dia. Todo dia procuramos viver como batizados, como filhos de Deus. Exercitamos cada dia a renúncia ao mal, morrendo para o que não presta e só prejudica os outros e a nós mesmos e ofende a Deus.

A espiritualidade cristã fala de sacrifício, de fuga da ocasião de pecado. Cada dia, procuramos viver o batismo como adesão incondicional ao Deus da vida, desmascarando o mal, vencendo o maligno. Assim, a vida cristã vai se tornando um exercício de morte. É morrendo que se ressuscita para a vida eterna, diz a oração de São Francisco. São Paulo explica assim: Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. Jesus foi claro: “Quem quiser salvar sua vida vai perdê-la. Mas quem perder sua vida por minha causa, vai salvá-la”. Conclusão: viver como cristãos é viver continuamente a dinâmica da morte. Se quisermos viver para Deus, temos que nos desapegar de tantas coisas, nos desviar de muitos maus caminhos, mantermo-nos longe do mal deste mundo. É que nós rezamos no Pai Nosso: Livrai-nos do mal. 

Batizado não era para ter medo de morrer. Já vive na dinâmica da morte e ressurreição. Já mergulhou sua vida na páscoa de Cristo. A cada dia, procura aperfeiçoar-se no caminho do evangelho que é o caminho daquele que avisou que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos”. E quando chegar o momento de apresentar-se ao Pai, já está acostumado a entregar-se por inteiro nas mãos de Deus. Viveu para este encontro. Não é naquela hora que vai querer fugir dele. Caminhou desde o batismo para esse encontro definitivo. Confia que a morte é apenas uma passagem para vida plena e verdadeira. Mesmo assim, sabe que o negócio não é brincadeira. Por isso todo dia reza: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

E como a morte é certa, é melhor a gente ir se preparando, vivendo bem. Vivenciando o batismo, na dinâmica de morrer cada dia para o mundo, para o egoísmo, para o mal que nos habita. Para ressuscitar cada dia mais íntegro, mais de Deus.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

09 outubro 2014

Salvar a família para consertar o mundo

É só abrir os jornais ou ler os noticiários para ver que há uma grande preocupação com as guerras, a crise econômica, a corrupção na política. De fato, o avanço do terrorismo do estado islâmico é uma grande ameaça para o mundo. E o desemprego continua a empurrar os jovens em migração em busca de oportunidades em outras terras.  E a corrupção destrói a credibilidade dos governos e enfraquece a confiança das pessoas na política. Mas, talvez haja um problema mais de fundo, uma coisa mais básica e mais vital que esteja em profunda crise. É, não tenha dúvida, a família. Estamos passando por uma profunda mudança cultural que está esfacelando ou ao menos redesenhando a família. A crise do mundo passa pela crise da família.

O Papa Francisco convocou um duplo Sínodo para tratar deste assunto: os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização. Sínodo é uma grande reunião com representantes da Igreja de todo o mundo, para refletir e propor soluções no serviço da evangelização. Após a reunião extraordinária neste ano, o Sínodo volta a se reunir no ano que vem e aí deve tomar decisões importantes, com o Papa, sobre este tema tão candente. Antes do Sínodo, em todas as Dioceses do mundo foi respondido um longo questionário que indagou sobre os problemas da família, o que está acontecendo, o que se está fazendo e o que poderá ser feito melhor. O Sínodo será a grande resposta da Igreja: como nós, missionários do evangelho de Jesus, vamos contribuir para fortalecer a família como uma célula básica da sociedade e da Igreja.

22 setembro 2014

Praticar a leitura orante da Bíblia

Com certeza você já ouviu falar da “Leitura Orante da Bíblia”. Há uma insistência muito grande, hoje, na Igreja, que a gente pratique esta leitura orante das Escrituras. Isto é, não apenas leia a Bíblia, mas reze a Bíblia, tenha um encontro com Deus na leitura dos textos sagrados. Chama-se Lectio Divina. Não é uma coisa complicada, pelo contrário é muito simples.

O apóstolo Tiago, em sua carta, diz assim: “Aquele que considera atentamente a Lei perfeita da Liberdade e nela persevera, não sendo um ouvinte esquecido, antes, praticando o que ela ordena, esse é bem-aventurado naquilo que faz” (TG 1,25). Ele estava reclamando das pessoas que escutam a palavra de Deus e não a praticam. E elogiando quem procura entendê-la e praticá-la. A Leitura orante da Bíblia ajuda a assimilar a Palavra, rezá-la e procurar colocá-la em prática.

A recomendação da Igreja é que todo fiel católico leia e medite regularmente a Palavra de Deus. Neste texto, os 10 passos da leitura orante da Bíblia, para você sozinho ou em grupo fazer a Leitura orante da Bíblia.

Vou explicar, então, a Leitura orante da Bíblia. Preste atenção nos 10 passos. Lá vai: Primeiro passo: Invocar o Espírito Santo; Segundo: Ler lenta e atentamente o texto; Terceiro: Recordar mentalmente o que leu; Quarto: Entender bem o sentido de cada frase; Quinto: Pensar no que Deus está lhe dizendo com essa Palavra; Sexto: Lembrar-se de outros textos bíblicos semelhantes ao que você está meditando; Sétimo: Ler de novo, rezando o texto e respondendo a Deus. Oitavo: Formular um compromisso; Nono: Rezar um salmo apropriado. Décimo: Escolher uma frase do texto, como resumo, para memorizar.