PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: Mt 8
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Não desista de fazer o bem.


   05 de julho de 2023.  

Quarta-feira da 13ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mt 8,28-34

Naquele tempo, 28quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29Eles então gritaram: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”.
30Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”.
32Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

   Meditação   


Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Eu vou lhe explicar essa história dos porcos que se afogaram no mar. Uma manada de porcos se perdeu. A economia daquelas famílias ficou arruinada. Resultado: a cidade inteira saiu ao encontro de Jesus e o expulsou de sua região. 

E o que tinha acontecido? Jesus chegou a uma região já fora do seu país, uma região de pagãos. Apareceram dois homens possuídos pelo mal. Os demônios ficaram incomodados e pediram a Jesus, no caso de serem expulsos, de irem para a manada de porcos. Dito e feito. Os dois homens foram libertos, mas os porcos desceram de ladeira abaixo e se jogaram no mar. O povo da cidade não gostou do resultado e expulsou Jesus de suas terras.

Agora, vamos fazer uns descontos. Você lembra que o povo de Israel não comia porco e não criava porco de jeito nenhum. Porco era um símbolo da impureza, um sinal dos pagãos. Lembra a parábola do filho pródigo? O jovem judeu terminou no fundo do poço, empregou-se como cuidador de porcos. Foi a máxima humilhação. Então, vejam, Jesus está numa região de pagãos, logo tem porco por ali. Porco, para os judeus, era um sinal de coisa ruim, de gente que vivia longe da fé no Deus vivo. Mais do que uma história, a narração quer mostrar o significado da ação libertadora de Jesus também fora do povo de Deus e a reação negativa das pessoas. Para isso, a narração pode ter ficado um tanto aumentada. Quem conta um conto, sempre aumenta um ponto.

A verdade é que a ação de Jesus que liberta o homem de todas as amarras e opressões não é bem recebida por todo mundo. Uma sociedade má reage contra Jesus, expulsa-o. Por exemplo, libertar pessoas das drogas - os narcotraficantes ficam furiosos, é uma ameaça à sua economia. Libertar pessoas do analfabetismo político - alguém vai logo dizer que é comunismo, porque se beneficia da ingenuidade dessa gente. Denunciar a prostituição de meninas e meninos - a rede que se beneficia desse tipo de exploração reage com violência, pois fica no prejuízo. É o que está dito no texto de hoje. A população pagã daquela região viu-se prejudicada no triste fim da manada de porcos. Preferia que os diabos continuassem oprimindo aqueles homens, mandando naquela terra, impedindo que o povo andasse por aquelas estradas.  Expulsaram Jesus de sua região.




Guardando a mensagem

A ida de Jesus àquela região pagã é uma amostra de seu compromisso missionário com todos, não somente com os judeus. O povo hebreu não comia porco, nem criava porco. Porco era uma marca das regiões pagãs, consideradas impuras. Contando esse fato sobre a ida de Jesus a uma terra estrangeira, era natural que aparecesse porco na história. Livrar a terra dos porcos é também uma forma de falar da purificação daquele ambiente. É claro que essa não é uma narração jornalística, é uma história polarizada pelas disputas entre judeus e pagãos. A reação da cidade à ação de Jesus é a reação ao bem que se faz. Quem faz o bem sempre encontra resistência.

Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós nos entristecemos quando procuramos fazer o bem e encontramos tanta má vontade, resistência, oposição. Foi assim naquela região pagã que visitaste. Fizeste o bem, libertando aqueles dois homens possuídos pelo mal e liberando a estrada para o povo passar, sem medo. Mas, o povo, invocando prejuízos na economia, acabou te expulsando. Essa desculpa da economia, do dinheiro, do administrativo é motivo para muita gente resistir à tua Palavra, esquivar-se da conversão e da mudança de vida. Concede-nos, Senhor, acolher com abertura de coração e espírito de obediência a tua santa Palavra. E não desistirmos, quando trabalhando pelo bem dos outros, encontrarmos incompreensão, oposição, rejeição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pare um pouco pra pensar. Você já foi incompreendido(a) numa coisa boa que tenha feito? Desistiu ou continuou? Talvez alguém perto de você precise de uma força nesse assunto.

Comunicação

O programa de segunda-feira no Youtube será agora às quartas-feiras. Preparamos, pra hoje, um programa cheio de novidades. Começa às 20 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa.



   01 de julho de 2023.   

Sábado da 12ª Semana do Tempo Comum

     Evangelho.     


Mt 8,5-17

Naquele tempo, 5quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6“Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”.
10Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”.
13Então, Jesus disse ao oficial: “Vai! e seja feito como tu creste”. E, naquela mesma hora, o empregado ficou curado. 14Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades”.

     Meditação.   


Nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé (Mt 8, 10).


Nós fazemos um bom esforço para viver o evangelho de Jesus, para sermos fiéis ao que Deus tem nos ensinado. Ao menos, pensamos assim. O povo de Deus do tempo de Jesus também tinha essa ideia sobre si mesmo. Eles insistiam sempre no conhecimento que tinham do Deus verdadeiro e na exclusividade de serem o povo em aliança com Deus. Jesus, filho de Deus, encarnado naquele mundo religioso e cultural de Israel, também tinha em grande conta a história do povo eleito. Mas, aberto à realidade como ele era, experimentou em várias ocasiões como a fé deles era vivida de maneira egoísta e interesseira. E como, em nome da aliança com Deus, marginalizava-se gente de dentro e todos os de fora.

No evangelho de hoje, Jesus faz uma constatação que deve ter aborrecido muita gente do seu tempo: “Em verdade vos digo, nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé”. O elogio foi feito ao comportamento de um pagão. No encontro que ele teve com o oficial romano, em Cafarnaum, este intercedeu em favor do seu empregado. Este oficial tinha a patente de centurião, tendo sob seu comando uma centena de soldados do império. Claro, era um estrangeiro, um pagão. Ele contou a Jesus que o seu empregado estava de cama, sofrendo terrivelmente com uma paralisia. Jesus, judeu que era, segundo as regras religiosas de então, não podia entrar na casa dele, já que ele era um pagão. Passando por cima dessa barreira, Jesus se prontificou a ir à sua casa para curar o seu empregado. A resposta do pagão foi surpreendente: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa”. Foi uma palavra sincera, um reconhecimento de sua condição de pecador, de pagão. E mostrou sua grande fé quando acrescentou: “Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. E até comentou com Jesus sobre sua experiência de dar ordens aos seus soldados e aos seus servos, e de ser prontamente obedecido.

Diante da resposta do pagão, Jesus ficou admirado com a sua fé. Foi aí que ele disse aquela palavra tão surpreendente: “Nunca encontrei alguém que tivesse tanta fé em Israel”. E disse mais: “Eu lhes digo, muitos virão do oriente e do ocidente e se sentarão à mesa do reino dos céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó”. Nessa palavra, Jesus está em sintonia com os profetas, como Isaías, que anunciaram, muitos séculos antes, que também as nações pagãs se integrariam ao povo santo, chegariam também como peregrinos ao monte da Casa do Senhor. Deus quer integrar no seu reino também os outros povos, toda a humanidade.


Guardando a mensagem

Jesus nos aponta, hoje, um exemplo a ser imitado. Jesus elogiou a fé do oficial pagão, dizendo que não tinha encontrado ainda uma fé tão grande no meio do seu povo. Com esse elogio, o centurião pagão está sendo colocado como exemplo a ser seguido por nós. É bom nos darmos conta que, fora do nosso grupo e de nossa tradição religiosa, há quem demonstre mais fé do que nós. E podemos e devemos aprender com eles. Aprendamos com Jesus, que teve uma atitude missionária, apesar dos limites da prática religiosa do seu tempo: dispôs-se a ir à casa do pagão. Aprendamos com o pagão que Jesus elogiou: ele foi solidário com o seu empregado e foi humilde em reconhecer sua condição de pecador. Além disso, esse pagão demonstrou uma grande fé, sugerindo que Jesus apenas desse uma ordem e seu empregado ficaria curado. Fora do nosso grupo, pode haver gente levando a fé mais a sério do que nós. Aprendamos com eles.

Nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé (Mt 8, 10).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
ficamos encantados com teu espírito missionário. Desde o teu nascimento, vemos como os pagãos são acolhidos no caminho da salvação. São tantos exemplos nos evangelhos: a visita dos magos do oriente, aquela história da mulher siro-fenícia, da cananeia, das curas em território estrangeiro, essa história do empregado do centurião em Cafarnaum. E colocaste este pagão como exemplo a ser seguido por todos nós na sua solidariedade, na sua humildade e na sua fé. Ajuda-nos, Senhor, a acolher, sem discriminação, o bom exemplo de pessoas que não são do nosso grupo e da nossa tradição religiosa. E a vivermos a nossa fé com maior seriedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em seu momento de oração, peça ao Senhor que aumente a sua fé e fortaleça você em todas as suas ações e no seu compromisso com o bem dos outros. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb.

Você, pecador, se aproximando do Senhor.

   


30 de junho de 2023.


Sexta-feira da 12ª Semana do Tempo Comum



Evangelho.



Mt 8,1-4

1Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 3Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra.

4Então Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”.



Meditação.



Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo” (Mt 8, 3)


Podemos olhar a história do leproso de muitos pontos de vista. Hoje, eu quero convidar você a pensar que você é o leproso da história do Evangelho. Você é o leproso dessa história, combinado? Então, vamos lá. O leproso se aproximou de Jesus, se ajoelhou aos seus pés e pediu para ser purificado. Três gestos simbólicos importantes: aproximar-se, ajoelhar-se e implorar o favor de Deus. Muita gente quer uma graça, mas não se aproxima de Deus, não se ajoelha e não pede a sua graça. Vou me explicar. 


Você aproximou-se de Jesus. Aproximar-se é buscar Deus. Diz lá o texto da Escritura: “Buscai o Senhor enquanto se deixa encontrar”. Buscar a Deus é procurar encontrá-lo na oração, na meditação, na audição de sua palavra. Lê-se assim no livro do Deuteronômio: “Quando então buscares o Senhor teu Deus, o encontrarás, se o buscares de todo o teu coração e com toda a tua alma” (Dt 4, 29). Então, sua primeira atitude, como o leproso, foi aproximar-se. Vou lhe dizer uma coisa. Foi muita coragem de sua parte, porque, por causa de sua doença, não lhe era permitido aproximar-se de pessoas sadias como você fez. Você passou por cima dessa norma social, você ultrapassou a faixa amarela e foi ao encontro de Jesus. Sim, é verdade, Jesus vinha passando com a multidão. Na verdade, é ele que vem ao seu encontro. Mas, é preciso a gente se aproximar, vencendo as barreiras que pretendem impedir esse encontro. 


Você aproximou-se e ajoelhou-se diante de Jesus. Ajoelhar-se é um ato de adoração, em todas as religiões. Ajoelhar-se, prostrar-se é o reconhecimento da grandeza de Deus presente em Jesus, é um reconhecimento de sua divindade. Buscar a Deus não para que Deus faça a nossa vontade, mas que a vontade de Deus se cumpra em nossa vida. Maria expressou esse sentimento ao dizer: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Ajoelhar-se é um gesto de adoração, de humildade, de reconhecimento da grandeza de Deus e da disposição de estar a seu serviço.


Você aproximou-se, ajoelhou-se e fez um pedido a Jesus: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Foi um pedido feito num contexto de quem se aproximou, de quem o está buscando; de quem se ajoelhou, isto é de quem presta ao Senhor um culto de adoração, reconhecendo-o seu Senhor. E o seu pedido foi humilde, “se queres”, se for da sua vontade. É, muita gente pede coisas importantes a Deus, mas não o busca para andar em seus caminhos, nem é um adorador desse Deus fiel que vem ao nosso encontro. Você pediu bem. E Jesus atendeu você. Ele estendeu a mão, tocou em você e disse: “Eu quero, fica limpo”. E, no mesmo instante, você ficou livre da lepra.


Guardando a mensagem


Jesus vinha com a multidão. Deus toma sempre a dianteira, dá sempre o primeiro passo. E você, superando as barreiras que o mundo criou para nos manter à distância de Deus, aproximou-se de Jesus. Com espírito de fé e de adoração, reconhecendo em Jesus o salvador que o Pai nos enviou, pediu-lhe uma coisa importante. Pediu que se realizasse, antes de tudo, a vontade dele em sua vida. Bom, se não pediu, já sabe como fazê-lo. E você sabe como terminou a história.


Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo” (Mt 8, 3)

Rezando a palavra


Senhor Jesus,

o leproso somos nós. A lepra é um sinal de nossa condição de pecadores. E é do pecado que nos purificas com tua vinda e com o teu amor. Dá-nos, Senhor, a graça de não esquecermos que a ti e à tua cruz devemos a vida nova e a comunhão que hoje temos com Deus nosso Pai. Que em todas as nossas necessidades, nós nos aproximemos de ti com espírito de fé, e peçamos o teu favor, desejosos de realizar, antes de tudo, a vontade de Deus. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


No seu diário espiritual (no seu caderno de anotações), lembrando que você é o leproso, escreva uma breve oração a Jesus.


Comunicando


Hoje, a Rede Vida de Televisão exibe o Show PADRE JOÃO CARLOS Especial de São João, gravado em Caruaru. Estou lhe enviando o vídeo de divulgação (do show). Peço que você o compartilhe com os seus contatos. O show na Rede Vida, hoje, começa às 22 horas.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




O BEM TAMBÉM ENCONTRA RESISTÊNCIA



29 de junho de 2022

Festa popular de São Pedro

Quarta-feira da 13ª Semana do Tempo Comum



EVANGELHO


Mt 8,28-34

Naquele tempo, 28quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29Eles então gritaram: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”.
30Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”.
32Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

MEDITAÇÃO


Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Eu vou lhe explicar essa história dos porcos que se afogaram no mar. Uma manada de porcos se perdeu. A economia daquelas famílias ficou arruinada. Resultado: a cidade inteira saiu ao encontro de Jesus e o expulsou de sua região. 

E o que tinha acontecido? Jesus chegou a uma região já fora do seu país, uma região de pagãos. Apareceram dois homens possuídos pelo mal. Os demônios ficaram incomodados e pediram a Jesus, no caso de serem expulsos, de irem para a manada de porcos. Dito e feito. Os dois homens foram libertos, mas os porcos desceram de ladeira abaixo e se jogaram no mar. O povo da cidade não gostou do resultado e expulsou Jesus de suas terras.

Agora, vamos fazer uns descontos. Você lembra que o povo de Israel não comia porco e não criava porco de jeito nenhum. Porco era um símbolo da impureza, um sinal dos pagãos. Lembra a parábola do filho pródigo? O jovem judeu terminou no fundo do poço, empregou-se como cuidador de porcos. Foi a máxima humilhação. Então, vejam, Jesus está numa região de pagãos, logo tem porco por ali. Porco, para os judeus, era um sinal de coisa ruim, de gente que vivia longe da fé no Deus vivo. Mais do que uma história, a narração quer mostrar o significado da ação libertadora de Jesus também fora do povo de Deus e a reação negativa das pessoas. Para isso, a narração pode ter ficado um tanto aumentada. Quem conta um conto, sempre aumenta um ponto.

A verdade é que a ação de Jesus que liberta o homem de todas as amarras e opressões não é bem recebida por todo mundo. Uma sociedade má reage contra Jesus, expulsa-o. Por exemplo, libertar pessoas das drogas - os narcotraficantes ficam furiosos, é uma ameaça à sua economia. Libertar pessoas do analfabetismo político - alguém vai logo dizer que é comunismo, porque se beneficia da ingenuidade dessa gente. Denunciar a prostituição de meninas e meninos - a rede que se beneficia desse tipo de exploração reage com violência, pois fica no prejuízo. É o que está dito no texto de hoje. A população pagã daquela região viu-se prejudicada no triste fim da manada de porcos. Preferia que os diabos continuassem oprimindo aqueles homens, mandando naquela terra, impedindo que o povo andasse por aquelas estradas.  Expulsaram Jesus de sua região.



Guardando a mensagem

A ida de Jesus àquela região pagã é uma amostra de seu compromisso missionário com todos, não somente com os judeus. O povo hebreu não comia porco, nem criava porco. Porco era uma marca das regiões pagãs, consideradas impuras. Contando esse fato sobre a ida de Jesus a uma terra estrangeira, era natural que aparecesse porco na história. Livrar a terra dos porcos é também uma forma de falar da purificação daquele ambiente. É claro que essa não é uma narração jornalística, é uma história polarizada pelas disputas entre judeus e pagãos. A reação da cidade à ação de Jesus é a reação ao bem que se faz. Quem faz o bem sempre encontra resistência.

Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós nos entristecemos quando procuramos fazer o bem e encontramos tanta má vontade, resistência, oposição. Foi assim naquela região pagã que visitaste. Fizeste o bem, libertando aqueles dois homens possuídos pelo mal e liberando a estrada para o povo passar sem medo. Mas, o povo, invocando prejuízos na economia, acabou te expulsando. Essa desculpa da economia, do dinheiro, do administrativo é motivo para muita gente resistir à tua Palavra, esquivar-se da conversão e da mudança de vida. Concede-nos, Senhor, acolher com abertura de coração e espírito de obediência a tua santa Palavra. E não desistirmos, quando trabalhando pelo bem dos outros, encontrarmos incompreensão, oposição, rejeição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pare um pouco pra pensar. Você já foi incompreendido(a) numa coisa boa que tenha feito? Desistiu ou continuou? Talvez alguém perto de você precise de uma força nesse assunto.

Comunicação

Mesmo que a Festa de São Pedro continue na data de hoje, 29 de junho, a solenidade litúrgica de São Pedro e São Paulo, no Brasil, é celebrada domingo próximo.

Ontem, na Livraria Paulinas de Manaus tive a alegria de me encontrar com vários ouvintes da Meditação. Estou lhes enviando uma foto do grupo que esteve por lá. É hoje o show na cidade de Manaquiri, aqui no Amazonas, nos festejos de São Pedro Apóstolo. O show será transmitido pelas Rádios Amanhecer, Castanho e Rio Mar.

Uma abençoada quarta-feira. Até amanhã, se Deus quiser!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

SEU PAI NÃO PRECISA DE COVEIRO




27 de junho de 2022

Segunda-feira da 13ª Semana do Tempo Comum

EVANGELHO


Mt 8,18-22

Naquele tempo, 18vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem do lago. 19Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: “Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás”.
20Jesus lhe respondeu: “As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. 21Um outro dos discípulos disse a Jesus: “Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai”. 22Mas Jesus lhe respondeu: “Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos”.




MEDITAÇÃO


Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos (Mt 8, 22).

Nos evangelhos, encontramos textos maravilhosos em que aparece a generosidade de pessoas que foram chamadas a seguir Jesus e largaram tudo para atender ao seu convite. É Deus quem chama. Seguir Jesus é uma expressão para indicar a condição de ser seu discípulo, sua discípula. Caminhar com ele, ao lado dele, como muitos faziam, era uma espécie de escola, de tempo de formação e um modelo para toda a vida. Mesmo não andando com Jesus o tempo todo, o discípulo ou a discípula tinha sempre em mente estar caminhando com ele, seguindo os seus passos.

Generosos foram os primeiros discípulos, como narrado nos evangelhos. Aqueles pescadores largaram o barco, o mar, a família e passaram a acompanhar Jesus em suas andanças missionárias. Levi, sentado na coletoria de impostos, deixou tudo, ao ouvir o convite ‘Segue-me’. Mas, nem sempre a resposta foi pronta e generosa por parte de quem foi chamado. É assim que lemos, no texto de hoje, casos em que os convidados se mostraram reticentes e pouco generosos diante do convite para seguir Jesus.

Ontem, nós ouvimos um texto semelhante, lido em outro evangelista, São Lucas. Lá, estavam em discussão 3 tentações para os que caminham com Jesus: o entusiasmo sem compromisso, as desculpas para protelar a adesão e as sementes ruins da desistência.

Hoje, o mesmo episódio está sendo lido em São Mateus. Neste evangelho, dois casos são contemplados. O primeiro caso é do mestre da Lei que se apresentou, todo animado, para seguir Jesus. O Mestre lhe disse: “As raposas têm tocas. Os pássaros têm ninhos. Mas, eu não tenho nem onde deitar a cabeça”. Está claro. O discípulo não pode estar atrás de segurança e de comodidades. Deve acompanhar Jesus em seu despojamento. Esse tal, pela conversa de Jesus, não estava disposto à vida de andarilho e sem conforto que Jesus levava.

Outro discípulo arrumou logo uma desculpa para retardar o seu engajamento no movimento de Jesus: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. Isso quer dizer que ele adiaria o seu seguimento de Jesus para depois que o seu pai se fosse. Aí, sim, pensou ele, estaria livre, desimpedido... Não, meu amigo, o chamado é pra hoje. “Deixe que os mortos enterrem os seus mortos, mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. Anunciar o Reino de Deus é comunicar ao povo uma boa nova, uma notícia maravilhosa. É anunciar a vitória da vida sobre a morte e o mal. O pai dele precisava exatamente desta boa notícia. Não de um coveiro.

O Reino de Deus pede prioridade e exclusividade. ‘Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus’, ensinava Jesus.



Guardando a mensagem

Nos evangelhos, são narrados muitos exemplos de pessoas que, sentindo-se chamadas para o seguimento de Jesus, deixaram tudo e prontamente aderiram ao convite do Senhor. O evangelho de hoje, curiosamente, traz dois exemplos de convidados que não foram generosos e prontos na resposta. O primeiro estava preocupado com a segurança e as comodidades. Precisava entender o estilo de vida de Jesus e imitá-lo. O segundo condicionava sua adesão ao convite de Jesus ao final da vida do seu pai. Precisava entender que seguir Jesus é participar da experiência e do anúncio da vida nova, com plenitude e sentido. Esse era o bem maior a fazer ao seu pai.

Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos (Mt 8, 22).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
todos os dias, podemos sentir o teu chamado. A tua palavra é um permanente 'Vem e Segue-me!". Senhor, vivemos no meio de muitas amarras, de muitas urgências, de muitos compromissos, especialmente com a sobrevivência. Em tua Palavra, nos fazes perceber que, às vezes, queremos te seguir, como se isso fosse uma fuga dos nossos compromissos de família, de trabalho, de cidadania. Ao contrário, tu nos dizes, o teu caminho, sem nos tirar de nossa realidade, apenas exige de nós uma outra postura: simplicidade de vida, confiança em Deus, solidariedade com os irmãos. Igualmente, nos orientas que o que mais nossas famílias precisam é da vida que vem de vós, do sentido da existência que emana da tua Palavra, da experiência de amor que fazemos ao viver o teu evangelho. Senhor, queremos te seguir, com prontidão e generosidade. Dá-nos o teu Santo Espírito para nos ajudar a entender e viver os teus ensinamentos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Será que alguma coisa está impedindo você de seguir Jesus com mais entusiasmo? Seria interessante você escrever alguma coisa sobre isso, no seu caderno espiritual.

Comunicando

No programa de rádio de hoje, comento como foi o Show-Mensagem em Rio Preto da Eva e a Santa Missa, ontem à noite, em Manaus. Amanhã, temos um encontro na Livraria Paulinas aqui de Manaus, às 10 horas da manhã. 

Uma boa semana. Até amanhã, se Deus quiser!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A HISTÓRIA DOS PORCOS QUE SE AFOGARAM NO MAR





30 de junho de 2021

EVANGELHO


Mt 8,28-34

Naquele tempo, 28quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29Eles então gritaram: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”.
30Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”.
32Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

MEDITAÇÃO


Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Eu vou lhe explicar essa história dos porcos que se afogaram no mar. Uma manada de porcos se perdeu. A economia daquelas famílias ficou arruinada. Resultado: a cidade inteira saiu ao encontro de Jesus e o expulsou de sua região. 

E o que tinha acontecido? Jesus chegou a uma região já fora do seu país, uma região de pagãos. Apareceram dois homens possuídos pelo mal. Os demônios ficaram incomodados e pediram a Jesus, no caso de serem expulsos, de irem para a manada de porcos. Dito e feito. Os dois homens foram libertos, mas os porcos desceram de ladeira abaixo e se jogaram no mar. O povo da cidade não gostou do resultado e expulsou Jesus de suas terras.

Agora, vamos fazer uns descontos. Você lembra que o povo de Israel não comia porco e não criava porco de jeito nenhum. Porco era um símbolo da impureza, um sinal dos pagãos. Lembra a parábola do filho pródigo? O jovem judeu terminou no fundo do poço, empregou-se como cuidador de porcos. Foi a máxima humilhação. Então, vejam, Jesus está numa região de pagãos, logo tem porco por ali. Porco, para os judeus, era um sinal de coisa ruim, de gente que vivia longe da fé no Deus vivo. Mais do que uma história, a narração quer mostrar o significado da ação libertadora de Jesus também fora do povo de Deus e a reação negativa das pessoas. Para isso, a narração pode ter ficado um tanto aumentada. Quem conta um conto, sempre aumenta um ponto.

A verdade é que a ação de Jesus que liberta o homem de todas as amarras e opressões não é bem recebida por todo mundo. Uma sociedade má reage contra Jesus, expulsa-o. Por exemplo, libertar pessoas das drogas - os narcotraficantes ficam furiosos, é uma ameaça à sua economia. Libertar pessoas do analfabetismo político - alguém vai logo dizer que é comunismo, porque se beneficia da ingenuidade dessa gente. Denunciar a prostituição de meninas e meninos - a rede que se beneficia desse tipo de exploração reage com violência, pois fica no prejuízo. É o que está dito no texto de hoje. A população pagã daquela região viu-se prejudicada no triste fim da manada de porcos. Preferia que os diabos continuassem oprimindo aqueles homens, mandando naquela terra, impedindo que o povo andasse por aquelas estradas.  Expulsaram Jesus de sua região.

Guardando a mensagem

A ida de Jesus àquela região pagã é uma amostra de seu compromisso missionário com todos, não somente com os judeus. O povo hebreu não comia porco, nem criava porco. Porco era uma marca das regiões pagãs, consideradas impuras. Contando esse fato sobre a ida de Jesus a uma terra estrangeira, era natural que aparecesse porco na história. Livrar a terra dos porcos é também uma forma de falar da purificação daquele ambiente. É claro que essa não é uma narração jornalística, é uma história polarizada pelas disputas entre judeus e pagãos. A reação da cidade à ação de Jesus é a reação ao bem que se faz. Quem faz o bem sempre encontra resistência.

Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Nós nos entristecemos quando procuramos fazer o bem e encontramos tanta má vontade, resistência, oposição. Foi assim naquela região pagã que visitaste. Fizeste o bem, libertando aqueles dois homens possuídos pelo mal e liberando a estrada para o povo passar sem medo. Mas, o povo, invocando prejuízos na economia, acabou te expulsando. Essa desculpa da economia, do dinheiro, do administrativo é motivo para muita gente resistir à tua Palavra, esquivar-se da conversão e da mudança de vida. Concede-nos, Senhor, acolher com abertura de coração e espírito de obediência a tua santa Palavra. E não desistirmos, quando trabalhando pelo bem dos outros, encontrarmos incompreensão, oposição, rejeição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pare um pouco pra pensar. Você já foi incompreendido(a) numa coisa boa que tenha feito? Desistiu ou continuou? Talvez alguém perto de você precise de uma força neste assunto.

Amanhã, como você sabe, celebro a Santa Missa dos Ouvintes e Associados, às 11 horas, com transmissão pelo rádio e pelas redes sociais. Gostaria muito de contar com sua participação.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

SERENIDADE NA TEMPESTADE


29 de junho de 2021

EVANGELHO


Mt 8,23-27

Naquele tempo, 23Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. 24E eis que houve uma grande tempestade no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, dormia.
25Os discípulos aproximaram-se e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!” 26Jesus respondeu: “Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?” Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria. 27Os homens ficaram admirados e diziam: “Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”

MEDITAÇÃO


Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo! (Mt 8, 25).

Tradicionalmente, 29 de junho é o Dia de São Pedro. Na liturgia, porém, a celebração está transferida para o próximo domingo, quando celebraremos a Solenidade de São Pedro e São Paulo.

"Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo". Foi este o pedido de socorro dos discípulos a Jesus que estava dormindo, na barca. Estavam no meio de uma grande tempestade, a barca estava sendo coberta pelas ondas. E em meio a esta preocupante situação, Jesus dormia, calmamente. Eles o acordaram aos gritos: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo”.

Jesus acordou, certamente sem muita pressa. E lhes fez uma pergunta muita séria: “Por que vocês estão com tanto medo, gente fraca na fé?”. Levantou-se e repreendeu os ventos e o mar, e estes se acalmaram. O medo é a reação de quem se sente acuado, sem saída. O medo é a resposta de quem não tem fé ou de quem tem uma fé muito fraca.

Podemos nos perguntar, por que Jesus estava dormindo àquela hora, na barca, em pleno mar revolto? Bom, talvez estivesse cansado. É que a sua vida era uma loucura. Está escrito no Evangelho que ele nem tinha tempo para comer, tantas eram as pessoas que o procuravam. E, além da atenção permanente às pessoas, havia os longos deslocamentos a pé, o cuidado permanente com a formação dos discípulos, as noites de oração... tudo isso contribuía para o seu cansaço. Possivelmente, o seu sono era de cansaço.

Mas, há outra coisa que podemos considerar também. Quem dorme assim na barca, ou no avião ou no carro, dorme tranquilo se tiver confiança em quem está na direção, o motorista, o piloto, não é verdade? Jesus dormiu tranquilo porque estava cansado e também porque confiava na experiência dos seus discípulos pescadores. Confiava nos discípulos. E, claro, depositava sua confiança no Pai. Se confiamos em Deus, não vivemos asustados, como se estivéssemos largados, sem referência, abandonados a nós mesmos. 

Agora, cansaço é uma coisa. Estresse é outra. Quem está apreensivo, estressado, preocupado, dorme bem? O que acha? Não dorme. O estressado pode perder o sono, ou adormecendo, dorme um sono agitado pelos sonhos que se cruzam com suas preocupações, chegando até a ter pesadelo... e já acorda agitado, nervoso, irritado. Quem está estressado, descansa um pouco, mas o seu sono não é tranquilo, não é repousante.

O sono de Jesus, na barca, estava tranquilo ou agitado? Pela chamada de atenção aos discípulos, podemos deduzir que ele estava tranquilo, sereno. ‘Por que vocês estão com tanto medo?”. Agitados estavam os discípulos, coitados, esbaforidos com a tempestade agitando a barca. Para eles, estavam de cara com a morte, podendo naufragar a qualquer momento.

O mar agitado é uma imagem das crises que se abatem em nossa vida: as crises no casamento, a enfermidade, a situação gerada pelo desemprego, os problemas internos da comunidade, do país, a pandemia... Tem sempre uma tempestade no mar. O que muda é como nós as enfrentamos: com sinais de desespero ou com serenidade? O clamor amedrontado dos discípulos despertou Jesus. O medo é o contrário da confiança. Pedir é correto. Mas, pedir porque confia, porque se está seguro que Deus nos ampara em todas as nossas tribulações. Mas, nunca como expressão de desespero, de desconfiança que estamos perdidos, que vamos naufragar. Deus está em nosso barco, não vamos naufragar. A fé nos dá serenidade em nossas crises. Faz-nos estar calmos no meio da tempestade, embora buscando saída, procurando solução, trabalhando para resolver os problemas que nos afligem. Mas, movidos pela fé, confortados pela convicção profunda que Deus está conosco, que ele não nos abandona, que é ele a nossa segurança.

Guardando a mensagem

O mar estava revolto. Os discípulos estavam agitados. Bateu o desespero. Gritaram, acordaram o Mestre que estava na barca. “Estamos perecendo, salva-nos!”. Jesus pediu calma, serenidade. Essa é atitude de quem tem fé. Ele mesmo estava dormindo um sono tranquilo, cansado, mas confiante na liderança dos seus discípulos. A serenidade nasce da confiança em Deus, em si mesmo e nos outros. A serenidade é o brilho da fé. Se você estiver vivendo uma tempestade, veja se Jesus está no seu barco, peça a ajuda dele. Não se desespere, não morra de medo. Enfrente serenamente a tempestade, com fé, com confiança. Ela vai passar.

Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo! (Mt 8, 25).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
São tantas as tempestades em nossa vida pessoal, em nossa familia, em nossa vida profissional. Agora mesmo, estamos no meio de uma grande turbulência, esta pandemia. Senhor, como cristãos, renascidos na tua morte e na tua ressurreição, estamos confiantes que a vida, o amor, a fraternidade, a justiça terão a última palavra; que a tua ressurreição entrou para a história humana como superação de todas as crises, sinal da vitória sobre o mal. Por isso, o nosso olhar é um olhar transfigurado pela fé e pela esperança. A todos, chegue, Senhor, a tua palavra e a tua presença que acalmam os ventos fortes e o mar bravio. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No meio dos problemas que você talvez esteja vivendo, faça um ato de confiança no Senhor Jesus, Deus conosco, e nas pessoas que estão à sua volta. Muita gente merece sua confiança. Você pode contar com elas também .

Um convite. Podendo, me acompanhe hoje na Rede Vida, às 11 horas, no programa Escolhas da Vida, apresentado pelo meu amigo Dalcides Biscalquin. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A FÉ DO PAGÃO




26 de junho de 2021

EVANGELHO


Mt 8,5-17

Naquele tempo, 5quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6“Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”.
10Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”.
13Então, Jesus disse ao oficial: “Vai! e seja feito como tu creste”. E, naquela mesma hora, o empregado ficou curado. 14Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades”.

MEDITAÇÃO


Nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé (Mt 8, 10).

Nós fazemos um bom esforço para viver o evangelho de Jesus, para sermos fiéis ao que Deus tem nos ensinado. Ao menos, pensamos assim. O povo de Deus do tempo de Jesus também tinha essa ideia sobre si mesmo. Eles insistiam sempre no conhecimento que tinham do Deus verdadeiro e na exclusividade de serem o povo em aliança com Deus. Jesus, filho de Deus, encarnado naquele mundo religioso e cultural de Israel, também tinha em grande conta a história do povo eleito. Mas, aberto à realidade como ele era, experimentou em várias ocasiões como a fé deles era vivida de maneira egoísta e interesseira. E como, em nome da aliança com Deus, marginalizava-se gente de dentro e todos os de fora.

No evangelho de hoje, Jesus faz uma constatação que deve ter aborrecido muita gente do seu tempo: “Em verdade vos digo, nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé”. O elogio foi feito ao comportamento de um pagão. No encontro que ele teve com o oficial romano, em Cafarnaum, este intercedeu em favor do seu empregado. Este oficial tinha a patente de centurião, tendo sob seu comando uma centena de soldados do império. Claro, era um estrangeiro, um pagão. Ele contou a Jesus que o seu empregado estava de cama, sofrendo terrivelmente com uma paralisia. Jesus, judeu que era, segundo as regras religiosas de então, não podia entrar na casa dele, já que ele era um pagão. Passando por cima dessa barreira, Jesus se prontificou a ir à sua casa para curar o seu empregado. A resposta do pagão foi surpreendente: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa”. Foi uma palavra sincera, um reconhecimento de sua condição de pecador, de pagão. E mostrou sua grande fé quando acrescentou: “Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. E até comentou com Jesus sobre sua experiência de dar ordens aos seus soldados e aos seus servos, e de ser prontamente obedecido.

Diante da resposta do pagão, Jesus ficou admirado com a sua fé. Foi aí que ele disse aquela palavra tão surpreendente: “Nunca encontrei alguém que tivesse tanta fé em Israel”. E disse mais: “Eu lhes digo, muitos virão do oriente e do ocidente e se sentarão à mesa do reino dos céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó”. Nessa palavra, Jesus está em sintonia com os profetas, como Isaías, que anunciaram, muitos séculos antes, que também as nações pagãs se integrariam ao povo santo, chegariam também como peregrinos ao monte da Casa do Senhor. Deus quer integrar no seu reino também os outros povos, toda a humanidade.

Guardando a mensagem

Jesus nos aponta, hoje, um exemplo a ser imitado. Jesus elogiou a fé do oficial pagão, dizendo que não tinha encontrado ainda uma fé tão grande no meio do seu povo. Com esse elogio, o centurião pagão está sendo colocado como exemplo a ser seguido por nós. É bom nos darmos conta que, fora do nosso grupo e de nossa tradição religiosa, há quem demonstre mais fé do que nós. E podemos e devemos aprender com eles. Aprendamos com Jesus, que teve uma atitude missionária, apesar dos limites da prática religiosa do seu tempo: dispôs-se a ir à casa do pagão. Aprendamos com o pagão que Jesus elogiou: ele foi solidário com o seu empregado e foi humilde em reconhecer sua condição de pecador. Além disso, esse pagão demonstrou uma grande fé, sugerindo que Jesus apenas desse uma ordem e seu empregado ficaria curado. Fora do nosso grupo, pode haver gente levando a fé mais a sério do que nós. Aprendamos com eles.

Nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé (Mt 8, 10).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Ficamos encantados com teu espírito missionário. Desde o teu nascimento, vemos como os pagãos são acolhidos no caminho da salvação. São tantos exemplos nos evangelhos: a visita dos magos do oriente, aquela história da mulher siro-fenícia, da cananeia, das curas em território estrangeiro, essa história do empregado do centurião em Cafarnaum. E colocaste este pagão como exemplo a ser seguido por todos nós na sua solidariedade, na sua humildade e na sua fé. Ajuda-nos, Senhor, a acolher, sem discriminação, o bom exemplo de pessoas que não são do nosso grupo e da nossa tradição religiosa. E a vivermos a nossa fé com maior seriedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em seu momento de oração, peça ao Senhor que aumente a sua fé e fortaleça você em todas as suas ações e no seu compromisso com o bem dos outros. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb.

O ENCONTRO COM O LEPROSO

  


25 de junho de 2021

EVANGELHO


Mt 8,1-4

1Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 3Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra.

4Então Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”.



MEDITAÇÃO



Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo” (Mt 8, 3)


Podemos olhar a história do leproso de muitos pontos de vista. Hoje, eu quero convidar você a pensar que você é o leproso da história do Evangelho. Então, você é o leproso dessa história, combinado? Então, vamos lá. O leproso se aproximou de Jesus, se ajoelhou aos seus pés e pediu para ser purificado. Três gestos simbólicos importantes: aproximar-se, ajoelhar-se e implorar o favor de Deus. Muita gente quer uma graça, mas não se aproxima de Deus, não se ajoelha e não pede a sua graça. Vou me explicar. 


Você aproximou-se de Jesus. Aproximar-se é buscar Deus. Diz lá o texto da Escritura: “Buscai o Senhor enquanto se deixa encontrar”. Buscar a Deus é procurar encontrá-lo na oração, na meditação, na audição de sua palavra. Lê-se assim no livro do Deuteronômio: “Quando então buscares o Senhor teu Deus, o encontrarás, se o buscares de todo o teu coração e com toda a tua alma” (Dt 4, 29). Então, sua primeira atitude, como o leproso, foi aproximar-se. Vou lhe dizer uma coisa. Foi muita coragem de sua parte, porque, por causa de sua doença, não lhe era permitido aproximar-se de pessoas sadias como você fez. Você passou por cima dessa norma social, você ultrapassou a faixa amarela e foi ao encontro de Jesus. Sim, é verdade, Jesus vinha passando com a multidão. Na verdade, é ele que vem ao seu encontro. Mas, é preciso a gente se aproximar, vencendo as barreiras que pretendem impedir esse encontro. 


Você aproximou-se e ajoelhou-se diante de Jesus. Ajoelhar-se é um ato de adoração, em todas as religiões. Ajoelhar-se, prostrar-se é o reconhecimento da grandeza de Deus presente em Jesus, é um reconhecimento de sua divindade. Buscar a Deus não para que Deus faça a nossa vontade, mas que a vontade de Deus se cumpra em nossa vida. Maria expressou esse sentimento ao dizer: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Ajoelhar-se é um gesto de adoração, de humildade, de reconhecimento da grandeza de Deus e da disposição de estar a seu serviço.


Você aproximou-se, ajoelhou-se e fez um pedido a Jesus: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Foi um pedido feito num contexto de quem se aproximou, de quem o está buscando; de quem se ajoelhou, isto é de quem presta ao Senhor um culto de adoração, reconhecendo-o seu Senhor. E o seu pedido foi humilde, “se queres”, se for da sua vontade. É, muita gente pede coisas importantes a Deus, mas não o busca para andar em seus caminhos, nem é um adorador desse Deus fiel que vem ao nosso encontro. Você pediu bem. E Jesus atendeu você. Ele estendeu a mão, tocou em você e disse: “Eu quero, fica limpo”. E, no mesmo instante, você ficou livre da lepra.

Guardando a mensagem


Jesus vinha com a multidão. Deus toma sempre a dianteira, dá sempre o primeiro passo. E você, superando as barreiras que o mundo criou para nos manter à distância de Deus, aproximou-se de Jesus. Com espírito de fé e de adoração, reconhecendo em Jesus o salvador que o Pai nos enviou, pediu-lhe uma coisa importante. Pediu que se realizasse, antes de tudo, a vontade dele em sua vida. Bom, se não pediu, já sabe como fazê-lo. E você sabe como terminou a história.


Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo” (Mt 8, 3)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

O leproso somos nós. A lepra é um sinal de nossa condição de pecadores. E é do pecado que nos purificas com tua vinda e com o teu amor. Dá-nos, Senhor, a graça de não esquecermos que a ti e à tua cruz devemos a vida nova e a comunhão que hoje temos com Deus nosso Pai. Que em todas as nossas necessidades, nós nos aproximemos de ti com espírito de fé, e peçamos o teu favor, desejosos de realizar, antes de tudo, a vontade de Deus. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


No seu diário espiritual (no seu caderno de anotações), lembrando que você é o leproso, escreva uma breve oração a Jesus.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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