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10 abril 2020

NA CASA DE ANÁS

Não és tu, também, um dos discípulos dele? (Jo 18, 25) 

10 de abril de 2020

Estamos na sexta-feira da paixão. Hoje, fazemos memória do julgamento, condenação, execução e sepultamento de Jesus. Estamos celebrando o Tríduo Pascal. O Tríduo é como um único dia, com três momentos: a entrega que Jesus fez de sua vida ao Pai e aos seus (a última ceia com o lava-pés da quinta-feira santa), sua paixão e morte na cruz (a celebração da Paixão do Senhor no dia de hoje) e sua ressurreição dos mortos (a Vigília Pascal do sábado santo). A alegria da vitória de Cristo, e de nossa vitória com ele, proclamada na Vigília continua no domingo da páscoa e em todos os domingos do ano. 

Para meditação do grande mistério da paixão, nesta sexta-feira, além da solene celebração das três da tarde, hora da morte do redentor, as comunidades realizam também vias sacras, procissão do Senhor Morto, sermão das sete palavras, encenações da paixão de Cristo, sermão do descimento e várias outras práticas piedosas. Uma de minhas tarefas pastorais no ano passado, neste dia, foi o sermão das sete palavras na Catedral da Sé, em São Paulo. 

Na narração da paixão, lendo João capítulos 18 e 19, há muita coisa a meditar. Vou meditar com vocês sobre um elemento apenas. Jesus assumiu sua identidade. Pedro escondeu sua identidade. Talvez você esteja fazendo como Pedro. Todos já passamos por isso. 

Depois da ceia de páscoa com os discípulos, o que chamamos de última ceia, Jesus foi para o Jardim das Oliveiras, com os discípulos. Como estava sendo perseguido e sob ameaça de prisão, ele se refugiava fora da cidade. Em lugares como aqueles, com árvores, era comum muitos romeiros acamparem durante a grande festa da páscoa. Judas tinha saído da ceia e não voltara mais. Mas, já tarde da noite, reapareceu ali no Jardim com soldados e guardas do Templo para Jesus. Ele já estava esperando e foi ao encontro deles. ‘Quem é que vocês estão procurando?'. ‘Jesus, o nazareno’. Jesus se identificou: ‘Sou eu’. Esse ‘sou eu’ deu um susto neles, que recuaram e caíram por terra. Jesus voltou a perguntar quem estavam procurando e a afirmar: ‘Sou eu’. 

Jesus não esconde sua identidade. Não se esconde. Pede para não fazerem nada com os discípulos. Mas, se apresenta: ‘Sou eu’. O susto deles certamente se refere ao conteúdo bíblico dessa afirmação de Jesus. ‘Sou eu’ é a forma como Deus se apresentou a Moisés no Monte Sinai. ‘Diga ao Faraó que ‘Eu sou’ mandou libertar o seu povo’. Essa é a identidade de Deus. Ele é. E ponto. Jesus já tinha se apresentado assim muitas vezes: Eu sou a luz do mundo; eu sou o pão descido do céu; eu sou a ressurreição e a vida; eu sou a porta das ovelhas; eu sou o bom pastor. Esse ‘eu sou’ ressoa como manifestação do próprio Deus. Certamente, por isso, a tropa recua e cai. Diante de Pilatos, Jesus também disse: ‘Eu sou’- ‘Eu sou rei’. Não se esconde, nem camufla sua identidade. Assume quem ele é, identifica-se aos soldados e à tropa do Templo: ‘Sou eu’. Enfrenta a traição e a injustiça da prisão com sua própria verdade: ‘Sou eu’. E o afirma por três vezes. 

Neste evangelho de São João, o interrogatório de Jesus na casa de Anás vem junto com o interrogatório de Pedro. Jesus está dentro da mansão do sumo-sacerdote. Pedro está no pátio da mansão, junto com serviçais e guardas. Lá dentro, Jesus assume sua identidade e sua missão. Lá fora, Pedro age bem diferente. 

Pedro, mesmo que ficasse exposto à perseguição, poderia ter confirmado: “Sou eu”. Primeiro, foi na porta do palacete de Anás. A empregada o reconheceu e perguntou se ele não era um discípulo do homem que chegara preso. Pedro respondeu: “Não sou”. Enquanto Jesus estava sendo interrogado e maltratado na mansão de Anás, Pedro, meio por fora, se esquentava na fogueira com guardas e criados. Fizeram-lhe a mesma pergunta. E ele, quase fazendo eco à bofetada que Jesus recebera dentro da mansão naquele momento, respondeu: “Sou não”. E Pedro ainda teve uma terceira chance. Um parente daquele que ele tinha cortado a orelha, lá no Jardim das Oliveiras, o identificou. ‘Eu vi você lá no Jardim.” ‘Eu? De jeito nenhum”. Por medo, para fugir da perseguição, Pedro negou sua identidade. Era discípulo. Mas, disse que não era. Andava com Jesus. Mas, disse que não o conhecia. Pedro o negou por três vezes. 

Guardando a mensagem 

Neste dia de jejum e oração, acompanhamos a paixão do nosso Redentor. Na narração da paixão, podemos contemplar a sua fidelidade, a sua obediência ao Pai, o seu amor misericordioso pelos pecadores pelos quais está entregando a vida. Não fugiu, não jogou culpa nos outros, não desconversou. Ele assumiu corajosamente a sua identidade: “Sou eu”. Disse isso por três vezes. Nesta sexta-feira da paixão, contemplemo-nos também nesse drama que marcou a história e deve marcar nossa vida igualmente. Nós somos Pedro. Na hora da provação, escondemos nossa identidade. Quando surgem críticas e oposições, tiramos o time de campo. Imitamos Pedro. “Sou não”. 

Não és tu, também, um dos discípulos dele? (Jo 18, 25) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

O galo da madrugada alertou Pedro de sua infidelidade, de sua traição. Essa sua falta lhe trouxe um grande sofrimento, um grande arrependimento. Caiu num choro de dias. Chorava pela humilhação que tu estavas padecendo, chorava pela infidelidade do seu “Sou não”. Nesta sexta-feira da paixão, dá-nos, Senhor, verdadeira contrição dos nossos pecados, de nossas infidelidades. Dá-nos a conversão de Pedro. Queremos imitar-te em tua fidelidade, na firmeza de tua entrega à vontade de Deus. E assumir com destemor nossa identidade de discípulos teus. E sustentá-la abertamente nas horas difíceis, na hora da provação. Nós te adoramos, Senhor Jesus Cristo, e te bendizemos, porque pela tua santa cruz, remiste o mundo. Amém. 

Vivendo a palavra 

Hoje, você sabe, é dia de penitência e solidariedade. Praticamos o jejum (ficando uma boa parte do dia sem comer) e a partilha (reservando uma doação de alimentos para os mais necessitados).

Às três da tarde, una-se à Igreja que está aos pés da cruz do Senhor, na celebração transmitida em todas as redes sociais e nos meios de comunicação. Dê preferência à transmissão de sua comunidade.  

Uma sugestão a mais: aproveite o dia de hoje para rezar o terço com calma, contemplando os mistérios. Pra você que recebe a Meditação pelas redes sociais, já vou incluindo um link para você ver os mistérios dolorosos, no caso de você não lembrar bem deles. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 



TERÇO - MISTÉRIOS DOLOROSOS 


No Primeiro Mistério contemplamos a Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras. 

No Segundo Mistério contemplamos a Flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo 

No Terceiro Mistério contemplamos a Coroação de espinhos de Nosso Senhor. 

No Quarto Mistério contemplamos Nosso Senhor carregando penosamente a Cruz até o Calvário. 

No Quinto Mistério contemplamos a Crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

08 janeiro 2020

NÃO ESQUECER A LIÇÃO DOS PÃES

Jesus logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo! (Mc 6, 50)
08 de janeiro de 2020.
O evangelho de hoje conta que Jesus foi ao encontro dos discípulos, andando sobre o mar. E quando entrou na barca, o vento se acalmou. E que os discípulos estavam apavorados e assustados. E por quê? Disse o evangelho: porque eles não tinham compreendido nada a respeito dos pães. Vamos ver se a gente entende isso.
Você se lembra da cena dos pães, de ontem, não lembra? Jesus encontrou-se com um povo numeroso e encheu-se de compaixão. Ensinou muitas coisas e, no fim do dia, repartiu cinco pães e dois peixes com todo mundo. Foi uma refeição farta, pelas sobras que se recolheram. Quando tudo terminou, Jesus obrigou os discípulos a tomarem a barca e irem a uma cidade do outro lado do mar, o grande lago da Galileia. Depois que despediu o povo, Jesus foi rezar no monte.
A travessia na barca foi se complicando. Escureceu, o vento foi ficando forte e contrário. Já perto de amanhecer o dia, eles cansados de remar, viram um vulto andando sobre o mar, vindo na direção deles. Foi um medo só. Pensaram que fosse um fantasma. Jesus de lá gritou: “Tenham coragem. Sou eu. Tenham medo não”. Jesus se aproximou, subiu na barca e ficou com eles. O vento cessou e a viagem foi tranquila. Os discípulos estavam pasmos, espantados.
O que aconteceu com os discípulos, podemos resumir, foram duas coisas. Primeiro, eles não estavam conseguindo atravessar o lago, por causa da escuridão e do vento contrário. E segundo, eles não reconheceram Jesus que foi ajudá-los, por causa do medo de que estavam possuídos.
Eles remavam noite adentro e não conseguiam avançar. Essa travessia na barca é uma representação da missão que Jesus lhes confiou. Representa também as dificuldades que experimentamos hoje no cumprimento de nossa missão. As dificuldades vinham de fora (a ventania) e deles mesmos (a escuridão). Eles podiam ter pensado: ‘Gente, ontem, nós vimos aquele povo na mesma situação, ovelhas sem pastor, enfrentando a ventania da dispersão, da doença, da fome. E nós vimos: Deus mandou um pastor para cuidar do seu rebanho, Jesus ensinou e alimentou aquele povo todo. Ele não nos abandona. Deus está conosco’. Mas, eles não tinham aprendido a lição dos pães.
Aí Jesus, com pena deles, foi em seu socorro, andando sobre o mar. Eles conheciam as Escrituras. Sabiam que só Deus é quem anda sobre o mar. Já tinham ouvido isso no livro de Jó: “Só ele estende os céus e anda sobre as ondas do mar” (Jó 9,8). Mas, ao verem Jesus que vinha sobre as águas eles quase morreram de medo. Não tinham aprendido a lição da multiplicação dos pães. Em Jesus, age o próprio Deus, na sua grandeza, no seu poder. Jesus disse “Sou eu”, uma palavra que se repete na Bíblia como uma apresentação do próprio Deus.
Guardando a mensagem

Contando a história da travessia do lago, naquela noite de ventos fortes, o evangelista São Marcos comentou que os discípulos não tinham compreendido o que acontecera com os pães, estavam com o coração endurecido. E não entenderam, pelo menos, duas coisas. Primeiro, que Deus não abandona seus filhos. Foi o que Jesus tinha explicado e mostrado na prática: Deus, no seu amor de pai, não dá as costas ao povo necessitado, nem desampara seus filhos nas travessias difíceis. E a segunda coisa que eles não entenderam: Jesus é Deus que vem em nosso auxílio. De fato, mesmo depois da morte de Jesus, não foi fácil eles se convencerem da  sua ressurreição. E quando não se crê no poder de Deus que nos liberta do mal e da morte, vive-se com medo.
Jesus logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo! (Mc 6, 50)

Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Tu acalmaste os discípulos, dizendo: “Sou eu. Não tenham medo”. Disseste SOU EU. O Pai tinha falado assim, no Monte Sinai, a Moisés: ‘Diga ao Faraó que EU SOU mandou dizer que liberte o meu povo'. EU SOU é Deus. No meio daquele vendaval, naquela noite escura, os discípulos fizeram uma experiência maravilhosa: a tua revelação como Deus. Tu, Senhor Jesus, és o Deus que domina o mar, que acalma a tempestade. Em nossas travessias difíceis, enche-nos de confiança. Em nossas noites escuras, reveste-nos da fé. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
É possível que, hoje, se apresente uma oportunidade para você dizer uma palavra de fé que ajude a acalmar alguma tempestade. Se aparecer essa oportunidade, dê seu testemunho sobre Jesus: anuncie que é ele quem acalma o mar.

08 de janeiro de 2020.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

04 maio 2019

CALMA, JESUS ESTÁ CONOSCO!

Soprava um vento forte e o mar estava agitado (Jo 6,18).
04 de maio de 2019
O que aconteceu foi o seguinte. Os discípulos, de tardinha, pegaram a barca pra voltar para Cafarnaum, que ficava do outro lado do mar. O mar deles, na verdade, era o grande lago da Galileia. Jesus tinha ficado no monte. Tinha se esquivado do povo que o queria proclamar rei, depois da multiplicação dos pães. A travessia estava muito difícil. Escureceu, o vento contrário foi ficando forte e o mar ficou agitado. Já estavam na metade da viagem quando viram aquele vulto andando sobre as águas, vindo na direção deles. Foi um medo só. Jesus de lá gritou: “Sou eu. Tenham medo não”. Puxa, que susto. Eles ficaram esperando que Jesus subisse na barca, mas nem deu tempo. A barca de repente chegou ao destino.
O que essa história está ensinando? Só contando um fato curioso? Certamente que não.  O próprio texto (Jo 6,16-21) já nos dá uma pista de compreensão. A palavra “mar” (ou águas), por exemplo, está repetida quatro vezes. ‘Mar’ é sempre uma representação do mundo a que os discípulos estão enviados como missionários. O ‘mar’ é o  mundo onde se realiza a missão. A palavra “barca” está repetida quatro vezes. Não pode ser por acaso. ‘Barca’, você sabe bem, é uma representação da comunidade, da Igreja. A barca de Pedro é a Igreja, a comunidade dos discípulos. O que é que está acontecendo? Eles estão tentando atravessar o mar e estão encontrando muita dificuldade. O que significa a barca dos discípulos atravessando o mar? É a Igreja realizando a sua missão no mundo, no meio de muitas dificuldades. Note as palavras que aparecem: já estava escuro, os ventos eram contrários, o mar ficou agitado. Que dificuldades encontra a Igreja na realização de sua missão? Nem precisamos fazer uma lista, ou precisamos? O Papa acabou de falar, na Exortação sobre a Santidade, de duas correntes muito fortes que enfraquecem a fé. Ele falou do gnosticismo e do pelagianismo. É, o mar continua revolto. E os ventos, contrários. Noite escura nessa travessia. Olha, como esse texto é atual!
Voltemos ao mar da Galileia. O que aconteceu no meio daquela apreensão toda dos discípulos, coitados, no meio daquela tempestade? Eles viram um vulto andando sobre as águas e vindo na direção deles. Ficaram de cabelo em pé. Mas, reconheceram quem era, quando ele se apresentou. Lembra o que foi que Jesus disse? Vou recordar: “Sou eu. Tenham medo não”. E quem é ele? Claro, é Jesus. Mas, ele disse SOU EU. Disse como Deus, o Pai, tinha dito no Monte Sinai a Moisés. EU SOU. Diga ao Faraó que EU SOU mandou dizer que liberte o meu povo. EU SOU é Deus. Podemos pensar assim: no meio daquele vendaval, daquela tormenta, os discípulos fizeram uma experiência maravilhosa: Jesus é Deus. Ele é EU SOU. Você lembra que muitas vezes ele foi se revelando: Eu sou o pão vivo descido do céu. Eu sou o Bom Pastor. Eu sou a Luz do Mundo. Ele é Deus. É Deus quem domina o mar, é Deus quem acalma a tempestade. Por falar em tempestade, cadê a tempestade? Mal os discípulos se prepararam para Jesus entrar na barca, tinham chegado.
Guardando a mensagem
O mar é o mundo, onde os discípulos levam adiante a missão que Jesus lhes confiou. A barca é a comunidade dos discípulos, a Igreja. De vez em quando, a comunidade se encontra cercada de problemas e dificuldades, no meio de uma verdadeira tempestade. Em momentos como esse, faz uma profunda experiência de Deus. Jesus mesmo vem ao seu encontro. Jesus é o Deus vencedor do pecado, do mal e da morte. É ele quem garante o êxito da missão, ele domina a tempestade.
Soprava um vento forte e o mar estava agitado (Jo 6,18).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Minha família também é como uma barca, navegando no mar. De vez em quando, dá cada tempestade! Pensando bem, nunca nos deixaste sozinhos no meio das tormentas. Nós é que somos distraídos. Tu vens ao nosso encontro, mesmo quando partimos sem ti. É quando experimentamos, com emoção, a força de tua proteção, a grandeza do teu amor. Tua presença acalma a tempestade. Muito obrigado, Senhor. Tu és o nosso Deus e Salvador. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
É possível que, hoje, se apresente uma oportunidade para você dizer uma palavra de fé que ajude a acalmar uma tempestade. Se aparecer essa oportunidade, dê seu testemunho sobre Jesus: testemunhe que é ele quem acalma o mar.

Pe João Carlos Ribeiro – 04.05.2019

19 abril 2019

EU VI VOCÊ NA CASA DE ANÁS

Não és tu, também, um dos discípulos dele? (Jo 18, 25) 



19 de abril de 2019 



Estamos na sexta-feira da paixão. Hoje, fazemos memória do julgamento, condenação, execução e sepultamento de Jesus. Estamos celebrando o Tríduo Pascal. O Tríduo é como um único dia, com três momentos: a entrega que Jesus fez de sua vida ao Pai e aos seus (a última ceia com o lava-pés da quinta-feira santa), sua paixão e morte na cruz (a celebração da Paixão do Senhor no dia de hoje) e sua ressurreição dos mortos (a Vigília Pascal do sábado santo). A alegria da vitória de Cristo, e de nossa vitória com ele, proclamada na Vigília continua no domingo da páscoa e em todos os domingos do ano. 

Para meditação do grande mistério da paixão, nesta sexta-feira, além da solene celebração das três da tarde, hora da morte do redentor, as comunidades realizam também vias sacras, procissão do Senhor Morto, sermão das sete palavras, encenações da paixão de Cristo, sermão do descimento e várias outras práticas piedosas. Uma de minhas tarefas pastorais hoje é o sermão das sete palavras na Catedral da Sé, em São Paulo. 

Na narração da paixão, lendo João capítulos 18 e 19, há muita coisa a meditar. Vou meditar com vocês sobre um elemento apenas. Jesus assumiu sua identidade. Pedro escondeu sua identidade. Talvez você esteja fazendo como Pedro. Todos já passamos por isso. 

Depois da ceia de páscoa com os discípulos, o que chamamos de última ceia, Jesus foi para o Jardim das Oliveiras, com os discípulos. Como estava sendo perseguido e sob ameaça de prisão, ele se refugiava fora da cidade. Em lugares como aqueles, com árvores, era comum muitos romeiros acamparem durante a grande festa da páscoa. Judas tinha saído da ceia e não voltara mais. Mas, já tarde da noite, reapareceu ali no Jardim com soldados e guardas do Templo para Jesus. Ele já estava esperando e foi ao encontro deles. ‘Quem é que vocês estão procurando?'. ‘Jesus, o nazareno’. Jesus se identificou: ‘Sou eu’. Esse ‘sou eu’ deu um susto neles, que recuaram e caíram por terra. Jesus voltou a perguntar quem estavam procurando e a afirmar: ‘Sou eu’. 

Jesus não esconde sua identidade. Não se esconde. Pede para não fazerem nada com os discípulos. Mas, se apresenta: ‘Sou eu’. O susto deles certamente se refere ao conteúdo bíblico dessa afirmação de Jesus. ‘Sou eu’ é a forma como Deus se apresentou a Moisés no Monte Sinai. ‘Diga ao Faraó que ‘Eu sou’ mandou libertar o seu povo’. Essa é a identidade de Deus. Ele é. E ponto. Jesus já tinha se apresentado assim muitas vezes: Eu sou a luz do mundo; eu sou o pão descido do céu; eu sou a ressurreição e a vida; eu sou a porta das ovelhas; eu sou o bom pastor. Esse ‘eu sou’ ressoa como manifestação do próprio Deus. Certamente, por isso, a tropa recua e cai. Diante de Pilatos, Jesus também disse: ‘Eu sou’- ‘Eu sou rei’. Não se esconde, nem camufla sua identidade. Assume quem ele é, identifica-se aos soldados e à tropa do Templo: ‘Sou eu’. Enfrenta a traição e a injustiça da prisão com sua própria verdade: ‘Sou eu’. E o afirma por três vezes. 

Neste evangelho de São João, o interrogatório de Jesus na casa de Anás vem junto com o interrogatório de Pedro. Jesus está dentro da mansão do sumo-sacerdote. Pedro está no pátio da mansão, junto com serviçais e guardas. Lá dentro, Jesus assume sua identidade e sua missão. Lá fora, Pedro age bem diferente. 

Pedro, mesmo que ficasse exposto à perseguição, poderia ter confirmado: “Sou eu”. Primeiro, foi na porta do palacete de Anás. A empregada o reconheceu e perguntou se ele não era um discípulo do homem que chegara preso. Pedro respondeu: “Não sou”. Enquanto Jesus estava sendo interrogado e maltratado na mansão de Anás, Pedro, meio por fora, se esquentava na fogueira com guardas e criados. Fizeram-lhe a mesma pergunta. E ele, quase fazendo eco à bofetada que Jesus recebera dentro da mansão naquele momento, respondeu: “Sou não”. E Pedro ainda teve uma terceira chance. Um parente daquele que ele tinha cortado a orelha, lá no Jardim das Oliveiras, o identificou. ‘Eu vi você lá no Jardim.” ‘Eu? De jeito nenhum”. Por medo, para fugir da perseguição, Pedro negou sua identidade. Era discípulo. Mas, disse que não era. Andava com Jesus. Mas, disse que não o conhecia. Pedro o negou por três vezes. 

Guardando a mensagem 

Neste dia de jejum e oração, acompanhamos a paixão do nosso Redentor. Na narração da paixão, podemos contemplar a sua fidelidade, a sua obediência ao Pai, o seu amor misericordioso pelos pecadores pelos quais está entregando a vida. Não fugiu, não jogou culpa nos outros, não desconversou. Ele assumiu corajosamente a sua identidade: “Sou eu”. Disse isso por três vezes. Nesta sexta-feira da paixão, contemplemo-nos também nesse drama que marcou a história e deve marcar nossa vida igualmente. Nós somos Pedro. Na hora da provação, escondemos nossa identidade. Quando surgem críticas e oposições, tiramos o time de campo. Imitamos Pedro. “Sou não”. 

Não és tu, também, um dos discípulos dele? (Jo 18, 25) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 
O galo da madrugada alertou Pedro de sua infidelidade, de sua traição. Essa sua falta lhe trouxe um grande sofrimento, um grande arrependimento. Caiu num choro de dias. Chorava pela humilhação que tu estavas padecendo, chorava pela infidelidade do seu “Sou não”. Nesta sexta-feira da paixão, dá-nos, Senhor, verdadeira contrição dos nossos pecados, de nossas infidelidades. Dá-nos a conversão de Pedro. Queremos imitar-te em tua fidelidade, na firmeza de tua entrega à vontade de Deus. E assumir com destemor nossa identidade de discípulos teus. E sustentá-la abertamente nas horas difíceis, na hora da provação. Nós te adoramos, Senhor Jesus Cristo, e te bendizemos, porque pela tua santa cruz, remiste o mundo. Amém. 

Vivendo a palavra 

Caso você não tenha oportunidade de participar, hoje, da “Celebração da Paixão” às 15 horas, em sua comunidade, ou de uma via sacra ou outra prática de piedade cristã no dia de hoje, sugiro que, pelo menos, reze o terço, contemplando os mistérios dolorosos. No meu site, vou deixar a relação dos mistérios dolorosos, para o caso de você não lembrar bem deles. 

Vou lhe deixar outra dica. Baixe o meu aplicativo no seu celular. No seu celular, vá até à loja play store e baixe o aplicativo PADRE JOÃO CARLOS. Lá você vai encontrar a meditação, o rádio, local para pedidos de oração, redes sociais e muito mais. Válido para celular android. 



Pe. João Carlos Ribeiro – 19.04.2019


TERÇO - MISTÉRIOS DOLOROSOS

No Primeiro Mistério contemplamos a Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras. 

No Segundo Mistério contemplamos a Flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo 

No Terceiro Mistério contemplamos a Coroação de espinhos de Nosso Senhor. 

No Quarto Mistério contemplamos Nosso Senhor carregando penosamente a Cruz até o Calvário.

No Quinto Mistério contemplamos a Crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

09 janeiro 2019

NOITE ESCURA E VENTOS FORTES

Jesus logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo! (Mc 6, 50)
09 de janeiro de 2018.
O evangelho de hoje conta que Jesus foi ao encontro dos discípulos, andando sobre o mar. E quando entrou na barca, o vento se acalmou. E que os discípulos estavam apavorados e assustados. E por quê? Disse o evangelho: porque eles não tinham compreendido nada a respeito dos pães. Vamos ver se a gente entende isso.
Você se lembra da cena dos pães, de ontem, não lembra? Jesus encontrou-se com um povo numeroso e encheu-se de compaixão. Ensinou muitas coisas e, no fim do dia, repartiu cinco pães e dois peixes com todo mundo. Foi uma refeição farta, pelas sobras que se recolheram. Quando tudo terminou, Jesus obrigou os discípulos a tomarem a barca e irem a uma cidade do outro lado do mar, o grande lago da Galileia. Depois que despediu o povo, Jesus foi rezar no monte.
A travessia na barca foi se complicando. Escureceu, o vento foi ficando forte e contrário. Já perto de amanhecer o dia, eles cansados de remar, viram um vulto andando sobre o mar, vindo na direção deles. Foi um medo só. Pensaram que fosse um fantasma. Jesus de lá gritou: “Tenham coragem. Sou eu. Tenham medo não”. Jesus se aproximou, subiu na barca e ficou com eles. O vento cessou e a viagem foi tranquila. Os discípulos estavam pasmos, espantados.
O que aconteceu com os discípulos, podemos resumir, foram duas coisas. Primeiro, eles não estavam conseguindo atravessar o lago, por causa da escuridão e do vento contrário. E segundo, eles não reconheceram Jesus que foi ajudá-los, por causa do medo de que estavam possuídos.
Eles remavam noite adentro e não conseguiam avançar. Essa travessia na barca é uma representação da missão que Jesus lhes confiou. Representa também as dificuldades que experimentamos hoje no cumprimento de nossa missão. As dificuldades vinham de fora (a ventania) e deles mesmos (a escuridão). Eles podiam ter pensado: ‘Gente, ontem, nós vimos aquele povo na mesma situação, ovelhas sem pastor, enfrentando a ventania da dispersão, da doença, da fome. E nós vimos: Deus mandou um pastor para cuidar do seu rebanho, Jesus ensinou e alimentou aquele povo todo. Ele não nos abandona. Deus está conosco’. Mas, eles não tinham aprendido a lição dos pães.
Aí Jesus, com pena deles, foi em seu socorro, andando sobre o mar. Eles conheciam as Escrituras. Sabiam que só Deus é quem anda sobre o mar. Já tinham ouvido isso no livro de Jó: “Só ele estende os céus e anda sobre as ondas do mar” (Jó 9,8). Mas, ao ver Jesus que vinha sobre as águas eles quase morreram de medo. Não tinham aprendido a lição da multiplicação dos pães. Em Jesus, age o próprio Deus, na sua grandeza, no seu poder. Jesus disse “Sou eu”, uma palavra que se repete na Bíblia como uma apresentação do próprio Deus.
Guardando a mensagem

Contando a história da travessia do lago, naquela noite de ventos fortes, o evangelista São Marcos comentou que os discípulos não tinham compreendido o que acontecera com os pães, estavam com o coração endurecido. E não entenderam, pelo menos, duas coisas. Primeiro, que Deus não abandona seus filhos. Foi o que Jesus tinha explicado e mostrado na prática: Deus, no seu amor de pai, não dá as costas ao povo necessitado, nem desampara seus filhos nas travessias difíceis. E a segunda coisa que eles não entenderam: Jesus é Deus que vem em nosso auxílio. De fato, mesmo depois da morte de Jesus, não foi fácil eles se convencerem da  sua ressurreição. E quando não se crê no poder de Deus que nos liberta do mal e da morte, vive-se com medo.
Jesus logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo! (Mc 6, 50)

Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Tu acalmaste os discípulos, dizendo: “Sou eu. Não tenham medo”. Disseste SOU EU. O Pai tinha falado assim, no Monte Sinai, a Moisés: ‘Diga ao Faraó que EU SOU mandou dizer que liberte o meu povo'. EU SOU é Deus. No meio daquele vendaval, naquela noite escura, os discípulos fizeram uma experiência maravilhosa: a tua revelação como Deus. Tu, Senhor Jesus, és o Deus que domina o mar, que acalma a tempestade. Em nossas travessias difíceis, enche-nos de confiança. Em nossas noites escuras, reveste-nos da fé. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
É possível que, hoje, se apresente uma oportunidade para você dizer uma palavra de fé que ajude a acalmar alguma tempestade. Se aparecer essa oportunidade, dê seu testemunho sobre Jesus: anuncie que é ele quem acalma o mar.

Pe. João Carlos Ribeiro – 09.01.2018

13 abril 2018

O MAR E O MEDO

Soprava um vento forte e o mar estava agitado (Jo 6,18).
14 de abril de 2018.
O que aconteceu foi o seguinte. Os discípulos, de tardezinha, pegaram a barca pra voltar para Cafarnaum, que ficava do outro lado do mar. O mar deles, na verdade, era o grande lago da Galileia. Jesus tinha ficado no monte. Tinha se esquivado do povo que o queria proclamar rei, depois da multiplicação dos pães. A travessia estava muito difícil. Escureceu, o vento contrário foi ficando forte e o mar ficou agitado. Já estavam na metade da viagem quando viram aquele vulto andando sobre as águas, vindo na direção deles. Foi um medo só. Jesus de lá gritou: “Sou eu. Tenham medo não”. Puxa, que susto. Eles ficaram esperando que Jesus subisse na barca, mas nem deu tempo. A barca de repente chegou ao destino.
O que essa história está ensinando? Só contando um fato curioso? Certamente que não.  O próprio texto (Jo 6, 16-21) já nos dá uma pista de compreensão. A palavra “mar” (ou águas), por exemplo, está repetida quatro vezes. ‘Mar’ é sempre uma representação do mundo a que os discípulos estão enviados como missionários. O ‘mar’ é o  mundo onde se realiza a missão. A palavra “barca” está repetida quatro vezes. Não pode ser por acaso. ‘Barca’, você sabe bem, é uma representação da comunidade, da Igreja. A barca de Pedro é a Igreja, a comunidade dos discípulos. O que é que está acontecendo? Eles estão tentando atravessar o mar e estão encontrando muita dificuldade. O que significa a barca dos discípulos atravessando o mar? É a Igreja realizando a sua missão no mundo, no meio de muitas dificuldades. Note as palavras que aparecem: já estava escuro, os ventos eram contrários, o mar ficou agitado. Que dificuldades encontra a Igreja na realização de sua missão? Nem precisamos fazer uma lista, ou precisamos? O Papa acabou de falar, na Exortação sobre a Santidade, de duas correntes muito fortes que enfraquecem a fé. Ele falou do gnosticismo e do pelagianismo. É, o mar continua revolto. E os ventos, contrários. Noite escura nessa travessia. Olha, como esse texto é atual!
Voltemos ao mar da Galileia. O que aconteceu no meio daquela apreensão toda dos discípulos, coitados, no meio daquela tempestade? Eles viram um vulto andando sobre as águas e vindo na direção deles. Ficaram de cabelo em pé. Mas, reconheceram quem era, quando ele se apresentou. Lembra o que foi que Jesus disse? Vou recordar: “Sou eu. Tenham medo não”. E quem é ele? Claro, é Jesus. Mas, ele disse SOU EU. Disse como Deus, o Pai, tinha dito no Monte Sinai a Moisés. EU SOU. Diga ao Faraó que EU SOU mandou dizer que liberte o meu povo. EU SOU é Deus. Podemos pensar assim: no meio daquele vendaval, daquela tormenta, os discípulos fizeram uma experiência maravilhosa: Jesus é Deus. Ele é EU SOU. Você lembra que muitas vezes ele foi se revelando: Eu sou o pão vivo descido do céu. Eu sou o Bom Pastor. Eu sou a Luz do Mundo. Ele é Deus. É Deus quem domina o mar, é Deus quem acalma a tempestade. Por falar em tempestade, cadê a tempestade? Mal os discípulos se prepararam para Jesus entrar na barca, tinham chegado.
Vamos guardar a mensagem
O mar é o mundo, onde os discípulos levam adiante a missão que Jesus lhes confiou. A barca é a comunidade dos discípulos, a Igreja. De vez em quando, a comunidade se encontra cercada de problemas e dificuldades, no meio de uma verdadeira tempestade. Em momentos como esse, faz uma profunda experiência de Deus. Jesus mesmo vem ao seu encontro. Jesus é o Deus vencedor do pecado, do mal e da morte. É ele quem garante o êxito da missão, ele domina a tempestade.
Soprava um vento forte e o mar estava agitado (Jo 6,18).
Vamos rezar a Palavra
Senhor Jesus,
Minha família também é como uma barca, navegando no mar. De vez em quando, dá cada tempestade! Pensando bem, nunca nos deixaste sozinhos no meio das tormentas. Nós é que somos distraídos. Tu vens ao nosso encontro, mesmo quando partimos sem ti. É quando experimentamos, com emoção, a força de tua proteção, a grandeza do teu amor. Tua presença acalma a tempestade. Muito obrigado, Senhor. Tu és o nosso Deus e Salvador. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
É possível que, hoje, se apresente uma oportunidade para você dizer uma palavra de fé que ajude a acalmar uma tempestade. Se aparecer essa oportunidade, dê seu testemunho sobre Jesus: testemunhe que é ele quem acalma o mar.

Pe João Carlos Ribeiro – 14.04.2018