BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

A HISTÓRIA DA VIÚVA POBRE



22 de novembro de 2021

Dia de Santa Cecília, Dia do músico


EVANGELHO


Lc 21,1-4

Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos e viu pessoas ricas depositando ofertas no tesouro do Templo. 2Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas. 3Diante disso, ele disse: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. 4Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver”.

MEDITAÇÃO


Em verdade lhes digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos (Lc 21, 3).

Jesus observou que uma pobre viúva depositou duas pequenas moedas no tesouro do Templo. E valorizou essa participação, aparentemente tão pequena. Viu também pessoas ricas fazendo suas ofertas. Comparou a viúva pobre e os ricos piedosos. Os ricos ofertaram o que lhes sobrava. Ela ofereceu ‘tudo quanto tinha para viver’.

Veja bem, dando as duas moedas que lhe fariam falta, ela deu algo de si mesma. As duas moedas a ajudariam em alguma coisa, um pão, um pouco de leite, quem sabe... Não deu do que lhe estava sobrando. Propriamente, não deu coisas fora de si. Empenhou-se a si mesma nesta oferta. Deu-se a si mesma. A viúva a si mesmo se ofereceu em oferta.

Os ricos que depositaram muito dinheiro no cofre do Templo, ofereceram muita coisa, mas não ofereceram nada de si, compreende? Nada daquilo representava mesmo algo de si mesmos. Aquele dinheiro todo não lhes faria falta, era coisa que já estava sobrando. Jesus podia até elogiá-los reconhecendo que tinham sido generosos. Mas, não. Não estavam implicados na oferta. A viúva, ah essa sim, fez a maior oferta. Deu de sua própria vida, tirou do seu próprio sustento. Sacrificou-se ao dar. Na verdade, a sua oferta era ela mesma.

A história da viúva das duas moedinhas é um exemplo vivo do ensinamento de Jesus: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia sua cruz e me siga”. A viúva renunciou a si mesma. O discípulo vê isso na vida do seu Mestre. Foi assim que Jesus realizou sua missão. Ontem, no evangelho da festa de Cristo Rei (Lc 23), vimos Jesus na cruz, oferecendo-se por nós. Não fez como a maioria dos nossos líderes que “salvam-se a si mesmos”. Ele entregou a sua vida em sacrifício, em nosso favor. Ele é o nosso rei, o nosso guia, o nosso pastor. O bom pastor dá vida por suas ovelhas. O que a viúva fez está em sintonia com o modo como Jesus realizou sua missão. Depositando duas moedas, tudo o que ela tinha, ela estava oferecendo-se a si mesma.

Guardando a mensagem

No gesto de dar uma oferta no Templo, a viúva pobre não deu apenas algo fora de si, que não a empenhava, nem a implicava. Especialmente, entregou-se a si mesma, deu-se na sua pobreza e na sua necessidade. E o que é que a viúva tem com você? É fácil: na sua relação com a Igreja (que está no lugar do antigo Templo), espera-se que você não dê apenas coisas, exteriormente. O evangelho da viúva indica que você precisa entregar-se a si mesmo, a si mesma. Não basta cumprir o preceito de assistir a Missa aos domingos. É preciso que você faça do seu domingo uma Missa. E o compromisso do dízimo? É, ele é importante, mas só vale mesmo se você for a oferta principal, não o seu dinheiro. Rezar é importante? Sim, se rezar for o modo de você reconhecer o amor de Deus, colocando-se às suas ordens. O que você faz ou dá não é o mais importante. Só é importante se sua vida estiver sendo oferecida e entregue no sinal da oferenda.

Em verdade lhes digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos (Lc 21, 3).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Temos que reconhecer que nosso dízimo e nossas ofertas na Igreja estão muito longe do sentimento de entrega da viúva. Ela propriamente se deu em oferta, oferecendo o que lhe faria falta. A nossa oferta deveria representar a oferta de nós mesmos a Deus, mas quase sempre são apenas esmolas e migalhas que representam apenas o nosso pouco compromisso com a Igreja e com a sua missão. Converte-nos, Senhor. Dá-nos o coração da viúva pobre que a si mesmo se ofereceu em sua oferta. Sendo hoje o Dia de jovem mártir Santa Cecília, nós te pedimos, Senhor, uma bênção para todos os que te servem com a música. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será que o evangelho está lhe pedindo alguma mudança? Responda no seu caderno espiritual.

Estou lhe enviando o link para você se informar sobre o lançamento do meu novo álbum musical, no início de dezembro. Veja também, neste mesmo link, a novidade do livro que escrevi com a reflexão do evangelho de cada dia do ano que vem. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

JESUS É O NOSSO REI




21 de novembro de 2021

Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo

Dia Nacional dos Leigos e Leigas


EVANGELHO


Jo 18,33b-37

Naquele tempo, 33bPilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” 34Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?”
35Pilatos falou: “Por acaso sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”
36Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.
37Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?”
Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

MEDITAÇÃO


Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” (Jo 18,37)

E chegamos ao encerramento do ano litúrgico, com a Solenidade de Cristo Rei do Universo. E, com esta celebração, festejamos também o Dia Nacional dos Leigos e Leigas. 

No evangelho, acompanhamos o inquérito de Jesus no tribunal de Pilatos. Este quer saber se Jesus é o rei dos judeus, o que andou fazendo para ser preso e se, de verdade, é rei. Jesus não responde se é rei dos judeus. Pergunta se isso era uma dúvida pessoal dele mesmo. Também não respondeu o que andava fazendo. Disse que o seu reino não era deste mundo. E se era rei, disse que sim, que veio dar testemunho da verdade.

Esse texto do evangelho de São João, que estamos lendo hoje, vem acompanhado por dois textos muitos especiais: o profeta Daniel e o Apocalipse. O escrito do profeta Daniel vem de um tempo em que o povo de Deus estava sofrendo muito, debaixo da opressão dos selêucidas, um grupo de cultura grega que perseguiu, matou e tudo fez para impor sua cultura e sua religião. O escrito do Apocalipse igualmente surgiu para animar comunidades perseguidas pela política do imperador Domiciano, que inclusive queria ser adorado como deus. Ser cristão era um crime a ser pago com a prisão e a morte cruel em espetáculos públicos.

No meio do sofrimento do seu povo, o profeta Daniel falou do filho do homem, um representante do povo sofredor, que recebia de Deus a realeza, um reino eterno. Em meio à perseguição do império romano, o apóstolo João, no Apocalipse, fala de Jesus, a testemunha fiel do amor de Deus, que fez de nós um reino e sacerdotes para Deus. No evangelho de hoje, o mesmo apóstolo João, conta como em Jesus, no meio de sua paixão, revela-se a sua realeza. Ele é rei de verdade, dando sua vida por nós.

Então, essa festa de Jesus Rei não vem num clima de exaltação, de ufanismo, de triunfalismo. É uma afirmação do senhorio de Deus, por meio do seu filho Jesus, no mundo, no meio de tantas dificuldade e provações. O povo de Deus, na perseguição dos selêucidas, pode sentir como Deus era rei e lhes fortalecia na resistência contra a invasão cultural dos gregos. As comunidades perseguidas por Domiciano proclamaram Jesus como rei que lhes precedia na fidelidade ao projeto do Pai, em contraposição à prepotência e à violência do império. As comunidades cristãs de todos os tempos, ouvindo a paixão de Cristo narrada nos evangelhos, tomam consciência que o único e absoluto senhor da história é Jesus, que perseguido e morto, reinou dando sua vida e, ressuscitado, vai à frente dos seus irmãos e irmãs na construção de um mundo onde reinem a verdade, a justiça, o amor e a paz.

Guardando a mensagem

Falar de Jesus como rei é um tanto perigoso. Podemos ser tentados a associar Jesus, com esse título de rei, aos grandes deste mundo. Se isto acontecesse, estaríamos desfazendo do evangelho, colocando Jesus na mesma galeria dos senhores deste mundo, que governam com a força das armas e nem sempre no interesse da maioria. Esse título de rei foi dado a Jesus em situações de sofrimento e perseguição do povo de Deus. Com Daniel, o povo se sentiu representado no filho do homem a quem Deus deu uma realeza eterna. Com o Apocalipse, as comunidades cristãs se sentiram fortalecidas na sua resistência à violência do império, ao se reconhecerem comunidade esposa do cordeiro imolado e vitorioso sobre a morte e o mal. No evangelho, contemplando Jesus em sua paixão e morte, reconhecemos claramente a sua realeza. Ele é rei dando a vida por nós, sendo testemunha fiel do amor do Pai até o fim. A cruz é o seu trono. Não é à toa que Pilatos mandou escrever aquela plaquinha no alto de sua cruz: “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”. De verdade, ali ele era rei. Este, sim, é o nosso rei.

Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” (Jo 18,37)

Rezando a palavra

Vamos rezar com as palavras da Missa deste domingo:

Senhor Jesus,
Com óleo de exultação, tu foste consagrado sacerdote eterno e rei do universo. Oferecendo-se na cruz, como vítima pura e pacífica, tu realizaste a redenção da humanidade. Submetendo ao teu poder toda criatura, entregarás ao Pai um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

O que de melhor fazer hoje para celebrar o dia de Cristo Rei e Dia dos Leigos e Leigas? Sem dúvida, participar da Santa Missa em sua comunidade. 

Peço-lhe também uma prece por nós que estamos aqui em Juazeiro da Bahia, celebrando o 2º Congresso Eucarístico Diocesano, com o tema "A Eucaristia faz a Igreja".

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A VIDA FUTURA


20 de novembro de 2021

EVANGELHO


Lc 20,27-40

Naquele tempo, 27aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurreição, 28e lhe perguntaram: “Mestre, Moisés deixou-nos escrito: se alguém tiver um irmão casado e este morrer sem filhos, deve casar-se com a viúva a fim de garantir a descendência para o seu irmão. 29Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem deixar filhos. 30Também o segundo 31e o terceiro se casaram com a viúva. E assim os sete: todos morreram sem deixar filhos. 32Por fim, morreu também a mulher. 33Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela”.

34Jesus respondeu aos saduceus: “Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, 35mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; 36e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram.

37Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. 38Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele”. 39Alguns doutores da Lei disseram a Jesus: “Mestre, tu falaste muito bem”. 40E ninguém mais tinha coragem de perguntar coisa alguma a Jesus.


MEDITAÇÃO


Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele (Lc 20, 38) 

Um grupo de saduceus traz uma questão a Jesus, como se fazia nos debates dos rabinos. Até chamam Jesus de ‘Mestre’. Os saduceus eram uma espécie de partido religioso, com forte influência no Sinédrio. O Sinédrio era um plenário das lideranças do povo de Israel. Quem era saduceu? Saduceus eram os sumos-sacerdotes, escribas e os anciãos, representantes da aristocracia rural que faziam parte do Sinédrio. Os saduceus discordavam dos fariseus em vários pontos. Um deles era a ressurreição dos mortos. Para eles, gente rica e preocupada com a manutenção de sua condição social, a vida termina por aqui mesmo.

Trazem, então, uma questão, que com certeza, já tinham debatido com os fariseus. A Lei do Levirato do tempo de Moisés mandava o irmão se casar com a cunhada viúva, no caso de ela não ter filhos, isso para garantir a propriedade dos bens do falecido, uma vez que a mulher não tinha direito de posse. Mas isso, claro, não impedia desse irmão ter sua família. No caso inventado pelos saduceus, um irmão morreu, o outro teve se casar com a cunhada viúva. Morreu também esse, e lá foi o outro se casar com ela. Afinal, a mulher terminou se casando com os sete irmãos – olha que história! Se existir outra vida, pensavam, vai ser uma confusão: de quem essa mulher vai ser esposa? Isso prova, pensavam eles, que não existe outra vida depois da morte, não tem ressurreição coisa nenhuma.

Jesus explicou duas coisas: 1ª – Deus é Deus dos vivos. Há ressurreição, sim senhor. 2ª – Na ressurreição, não tem mais casamento. Estamos todos na casa do Pai, como irmãos.

Jesus foi explicando.... No episódio da sarça ardente, Deus falou com Moisés e se apresentou: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó”. Ele não disse: eu fui o Deus de Abraão, não, ele disse “eu sou o Deus de Abraão”. Então, Abraão está vivo, embora tenha morrido há séculos. Deus é o Deus de Isaac, é o Deus de Jacó. Não foi o Deus deles quando eles estavam na terra. Eles estão vivos com Deus. Deus é o Senhor deles, o seu Deus. Então, existe ressurreição. Foi o que Jesus concluiu: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”

Guardando a mensagem

Para aquela gente materialista (os saduceus), Jesus deu uma grande lição. A vida futura não é uma simples continuação da atual. É uma nova forma de viver, uma condição perfeita de existir. E é para esta vida em Deus que nos preparamos aqui. É para lá que nós estamos indo, se estivermos marchando no caminho certo. Então, é o caso de orientarmos nossa existência atual na direção da eternidade.

Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele (Lc 20, 38)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Concede-nos, viver esta nossa vida humana como uma graça preciosa que de Deus recebemos. Não nos permitas que nos fixemos apenas nas coisas que a nossa vista alcança, pois os verdadeiros bens ainda estão por vir. Vivendo, estamos apenas a caminho da vida verdadeira e plena que concedes aos que crêem. A nossa verdadeira casa é a tua, a casa do teu Pai, pela qual já ansiamos de coração inquieto. Dá-nos, Senhor, que não nos apeguemos demais às coisas dessa terra, pois nosso verdadeiro lar é contigo, por toda a eternidade, como filhos do único Deus e Pai, na grande festa do teu amor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Amanhã é o domingo de Cristo Rei, último domingo do ano litúrgico. No outro domingo, já estaremos no tempo do advento, nos preparando para o natal. Hoje, programe-se para não faltar à Missa de amanhã, o domingo de Cristo Rei.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


MINHA CASA SERÁ CASA DE ORAÇÃO



19 de novembro de 2011
Dia dos Mártires das Reduções Jesuíticas 
(São Roque e companheiros)

EVANGELHO


Lc 19,45-48

Naquele tempo, 45Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os vendedores. 46E disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões”. 47Jesus ensinava todos os dias no Templo. Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam modo de matá-lo. 48Mas não sabiam o que fazer, porque o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar.

MEDITAÇÃO


Jesus disse: Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’ (Lc 19, 46)

Jesus expulsou os vendedores. Mas, os vendedores eram apenas funcionários de quem comandava o Templo. No evangelho de hoje são nomeados os que queriam matar Jesus: os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo (os anciãos). Eram esses que controlavam o Templo; eles é que eram os donos do comércio de animais para o sacrifício e do câmbio de moedas. Eram esses que se beneficiavam daquele dito “sacro comércio”.

E porque se fazia aquele comércio no Templo? Bom, os animais – bois, ovelhas e aves – serviam para os sacrifícios em honra de Deus. E o câmbio era porque o Templo tinha a própria moeda. E, quem chegasse com “dinheiro do mundo”, deveriam trocá-lo pela moeda do Templo, para poder fazer sua oferta e comprar os animais para o sacrifício. Assim, na mentalidade deles, as coisas santas não seriam contaminadas com coisas impuras, como dinheiro estrangeiro.

Olha o que Jesus disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vocês fizeram dela um antro de ladrões”. Por que Jesus disse isso? Quem eram os ladrões: os vendedores ou os donos daquele comércio? Bem, aquele grupo que estava na liderança do Templo estava mais interessado na busca dos seus próprios interesses do que na glória de Deus. O Templo de Deus devia ser a casa do povo de Deus. Mas, se tornara coisa deles. Digamos assim, que, em certa medida, eles sequestraram a casa do povo de Deus, fazendo dela uma propriedade sua, um modo de ganhar dinheiro e de manter o seu poder. Aquele estilo de religião tinha roubado o Templo do seu povo.

Mas, há ainda outra razão pela qual Jesus disse que eles tinham transformado o Templo num antro de ladrões. A vocação daquele grande Templo da nação judaica era ser casa de oração, casa de encontro com Deus. Pela oração, os filhos se reuniam com o seu pai, recordavam as grandes obras de Deus em seu favor, a começar pela libertação do poder do faraó, da entrada na terra da promessa vencendo os reis cananeus. A casa era um testemunho de todo a história da salvação desse povo. Uma casa de oração, de memória, de exaltação da glória do Deus fiel. Mas, Jesus disse que o transformaram num antro de ladrões. E o que será que esses ladrões estavam roubando? Eles transformaram o relacionamento do povo com Deus numa relação comercial. Parecia que os fiéis, com suas oferendas e sacrifícios, estavam comprando a benevolência de Deus, o seu perdão, a sua bênção. Aquele estilo de religião tinha roubado Deus do seu povo.

Guardando a mensagem

Os dirigentes do Templo eram representantes de grupos muito poderosos e influentes no país. Jesus denunciou que eles tinham feito da Casa de Deus um antro de ladrões. Ladrões eram eles, porque estavam tirando o Templo do próprio povo de Deus; e estavam transformando o relacionamento com Deus num balcão de negócios, tirando Deus do seu povo. Que coisa preciosa é a religião! Que coisa santa é um Templo! Mas, todo cuidado é pouco para que não se transforme a religião em mais uma fonte de exploração e de opressão, e, o pior, em nome de Deus.

Jesus disse: Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’ (Lc 19, 46)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Tua ação no Templo de Jerusalém, expulsando os vendedores e denunciando os ladrões, valeu como uma purificação da religião de Israel e de toda religião. Temos que tomar cuidado para que a religião não se torne uma fonte de exploração, de enriquecimento e de controle das pessoas por gente poderosa e interesseira. Contigo aprendemos que a religião que praticamos em nossos Templos deve nos ajudar a viver em fraternidade, na comunhão com o Senhor nosso Deus e Pai. Senhor, hoje celebramos os mártires das reduções jesuíticas (o paraguaio São Roque e os espanhóis Santos Afonso e João).  Eles te imitaram: doaram a sua vida em defesa dos povos indígenas da América do Sul.  Dá-nos, Senhor, que a exemplo desses irmãos mártires, caminhemos perseverantes na fé que professamos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Todo mundo tem a sua paróquia, uma comunidade eclesial à qual pertence e onde vive e celebra a fé. Em geral, é a que está mais perto da própria casa. No seu caderno espiritual, escreva o nome de sua paróquia, o nome do seu padroeiro ou padroeira e o nome do pároco.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O DIA EM QUE JESUS CHOROU

 



18 de novembro de 2021

EVANGELHO


Lc 19,41-44

Naquele tempo, 41quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: 42“Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, isso está escondido aos teus olhos! 43Dias virão em que os inimigos farão trincheiras contra ti e te cercarão de todos os lados. 44Eles esmagarão a ti e a teus filhos. E não deixarão em ti pedra sobre pedra. Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”.

MEDITAÇÃO


Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar (Lc 19, 41)

Você já esteve em Aparecida? Quando se avista, ainda longe, a cúpula do Santuário Nacional, vem um aperto no peito, uma emoção que leva o peregrino às lágrimas. Acontece o mesmo quando você vai chegando a Juazeiro do Norte ou à Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O povo de Deus amava a cidade santa de Jerusalém. Os salmos falam disso: “se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que minha língua se cole na minha boca”. Em cada romaria, chegavam à cidade santa milhares de pessoas do país e de fora. Jesus mesmo, desde os 12 anos, participava anualmente de peregrinações à cidade santa.

A cidade estava construída sobre o Monte Sião. De longe, ela era vista toda cercada de uma grande muralha, com seus portões altos, belos palacetes e o grande Templo de Deus. Quando o Peregrino vinha chegando, ao ver no horizonte a bela cidade de Davi, ficava emocionado. Estava chegando à Cidade de Deus, à casa da grande família do povo da aliança.

No evangelho de hoje, Jesus vinha chegando, como peregrino, com seus discípulos, depois de muitos dias de viagem a pé. Estavam chegando para a festa da páscoa. Quando Jesus avistou a cidade, ficou emocionado, começou a chorar. A primeira razão das lágrimas do nosso Mestre, com certeza, foi a emoção de estar chegando à cidade santa, por tudo que ela representava afetivamente para um judeu piedoso como ele.

Mas, havia uma segunda razão para aquela emoção tão forte. Olha o que ele disse: “Se tu compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!”. É que aquela cidade, representação do próprio povo de Deus, não o tinha reconhecido como o enviado do Pai. Apesar de todo o seu trabalho profético, por todo o país, Jerusalém continuava agressiva e impenitente. Estava, na verdade, armando-se para entregá-lo aos estrangeiros romanos e para exigir a sua condenação como malfeitor. Que pena, que chance estava perdendo, não reconhecendo a visita que estava recebendo!

Mas, há uma terceira razão para as lágrimas do Senhor. Ele sofre no coração porque enxerga mais: Jerusalém vai ficar entregue ao seu pecado. A consequência disso será a destruição, que em breve aconteceria pelas armas dos romanos. Não ficaria pedra sobre pedra. Jesus se entristece, se emociona, chora. Os discípulos ouviram o lamento dele: “Não conheceste o tempo em que foste visitada”.

Tenho certeza que Deus não nos mandou esta pandemia que vem nos afligindo por quase dois anos. Mas, quem sabe se ela não esteja sinalizando a destruição que o pecado gera no mundo, pelo modelo predador com que nos relacionamos com o meio ambiente, a arrogância com manipulamos a vida humana e a indiferença com que tratamos os nossos semelhantes. Rezemos para que a humanidade chegue a conhecer Jesus, amá-lo e segui-lo. Só ele é o caminho, a verdade, a vida.

Guardando a mensagem

A cidade de Jerusalém não acolheu Jesus, não reconheceu o dia que Deus marcou para o seu encontro com o Messias. Jerusalém pode ser também uma representação de sua própria vida, de sua família, de sua comunidade. Hoje, o Senhor nos visita, porque hoje é o dia salvação. Faça como Zaqueu, abra as portas de sua casa e de sua vida para receber Jesus. Não faça como Jerusalém, que fechou as portas para ele, que o perseguiu e o executou fora da cidade. O fim de Jerusalém é o fim de qualquer pessoa, família ou comunidade que perca a grande chance de acolher Jesus, de se converter, de abrir seu coração para o Reino. O que o fechamento para Deus, o pecado, realmente produz é a destruição.

Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar (Lc 19, 41)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Estavas chegando, a pé, à cidade santa, depois de muitos dias de viagem, em que além da distância, estavas cuidando da formação dos teus discípulos. Sentiste o coração apertado ao avistar Jerusalém, que aprendeste a amar como judeu piedoso que eras. A tua emoção de peregrino se misturou com a tristeza do fechamento do teu povo à tua presença de enviado do Pai. Antevias, com aflição, os dias da tragédia da destruição da cidade santa pelos exércitos romanos. Senhor, que nossas famílias e nossa sociedade não se fechem à tua presença ou fiquem indiferentes à pregação do teu Evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Se você tiver um tempinho, hoje, reserve uma hora para estar conosco na Santa Missa. Como toda quinta-feira, celebro às 11 horas, com transmissão pelo rádio e pelas redes sociais. Já estou lhe enviando o link. De toda forma, use o formulário para colocar o seu pedido de oração. Vamos rezar por você e suas necessidades. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

AS 100 MOEDAS DE PRATA QUE VOCÊ RECEBEU



17 de novembro de 2021

EVANGELHO


Lc 19,11-28

Naquele tempo, 11Jesus acrescentou uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e eles pensavam que o Reino de Deus ia chegar logo. 12Então Jesus disse:
“Um homem nobre partiu para um país distante, a fim de ser coroado rei e depois voltar. 13Chamou então dez dos seus empregados, entregou cem moedas de prata a cada um e disse: ‘Procurai negociar até que eu volte’. 14Seus concidadãos, porém, o odiavam, e enviaram uma embaixada atrás dele, dizendo: ‘Nós não queremos que esse homem reine sobre nós’. 15Mas o homem foi coroado rei e voltou. Mandou chamar os empregados, aos quais havia dado o dinheiro, a fim de saber quanto cada um havia lucrado.
16O primeiro chegou e disse: ‘Senhor, as cem moedas renderam dez vezes mais’. 17O homem disse: ‘Muito bem, servo bom. Como foste fiel em coisas pequenas, recebe o governo de dez cidades’. 18O segundo chegou e disse: ‘Senhor, as cem moedas renderam cinco vezes mais’. 19O homem disse também a este: ‘Recebe tu também o governo de cinco cidades’. 20Chegou o outro empregado e disse: ‘Senhor, aqui estão as tuas cem moedas que guardei num lenço, 21pois eu tinha medo de ti, porque és um homem severo. Recebes o que não deste e colhes o que não semeaste’.
22O homem disse: ‘Servo mau, eu te julgo pela tua própria boca. Tu sabias que eu sou um homem severo, que recebo o que não dei e colho o que não semeei. 23Então, por que tu não depositaste meu dinheiro no banco? Ao chegar, eu o retiraria com juros’. 24Depois disse aos que estavam aí presentes: ‘Tirai dele as cem moedas e dai-as àquele que tem mil’. 25Os presentes disseram: ‘Senhor, esse já tem mil moedas!’ 26Ele respondeu: ‘Eu vos digo: a todo aquele que já possui, será dado mais ainda; mas àquele que nada tem, será tirado até mesmo o que tem. 27E quanto a esses inimigos, que não queriam que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os na minha frente’”. 28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém.

MEDITAÇÃO


Chamou então dez dos seus empregados, entregou cem moedas de prata a cada um e disse: ‘Procurem negociar até que eu volte’ (Lc 19, 13).

Você já ouviu a parábola dos talentos. O patrão entregou cinco talentos a um, dois a outro e um talento a um terceiro. Na volta de sua viagem, cada um prestou contas. O terceiro tinha enterrado o dinheiro e não tinha lucrado nada. Lembra dessa parábola? A parábola contada no evangelho de São Lucas, é parecida com esta, mas tem algumas diferenças.

Na parábola de hoje, o patrão dá uma mesma quantia a cada um. Cada um recebeu 100 moedas de prata (o que equivale a uma mina). Um dos servos lucrou dez vezes mais. Outro lucrou cinco vezes mais. E o terceiro guardou o dinheiro no lenço, amarrou-o bem e devolveu tal e qual no dia da prestação de contas. Claro, o patrão não gostou nada disso.

Vamos recolher algumas lições:

A primeira lição que podemos tirar é sobre a volta do Senhor: enquanto o aguardamos, é tempo de trabalho e realização. Jesus é o senhor da história que foi ser coroado no exterior. Enquanto ele não volta, é tempo de trabalho, de compromisso. Cada um tem seus dons, suas capacidades, suas oportunidades e os deve colocar a serviço da vida, da fraternidade, da missão da Igreja. Uns podem conseguir mais, outro menos. Mas, todos podem contribuir, pois para isso receberam recursos (as moedas de prata). Enquanto o senhor não chega, é preciso trabalhar e muito.

A segunda lição é sobre a prestação de contas: todos prestaremos contas do que conseguirmos realizar com os dons que ele nos deu para administrar. Chegará o dia da avaliação, do balanço do que se conseguiu com os recursos que ele nos deixou. Será muito ruim se a gente se apresentar de mãos vazias, com a desculpa de ter tido medo do nível de exigência dele ou qualquer outra desculpa esfarrapada. Nessa parábola, todos receberam por igual -100 moedas de prata - embora tenham conseguido resultados diferentes. Todos serão cobrados.

A terceira lição é sobre o julgamento dos que trabalharam contra. Na história do evangelho de hoje, alguns fizeram forte oposição para que o senhor não fosse coroado rei. Mandaram até uma embaixada ao estrangeiro, tentando impedir a sua coroação. Mas, afinal o senhor voltou coroado rei. Jesus está falando de si mesmo. É ele que, depois de sua paixão e morte, voltou glorioso ao terceiro dia e retornará no final dos tempos como juiz dos vivos e dos mortos. Infelizmente, há também hoje muitas forças opondo-se à Igreja e ao Senhor Jesus. Eles também prestarão contas do que fizeram para impedir ou cercear o reinado de Cristo.

Guardando a mensagem

Nós somos os empregados que receberam os recursos para negociar e multiplicá-los. Com os dons que o Senhor nos confia, podemos contribuir para que tudo melhore ao nosso redor: a família, a comunidade, a escola, o bairro, o mundo... Não foram poucos os recursos que Deus nos deu: consciência, inteligência, saúde, família, amigos, oportunidades... E esses dons materiais e sociais são pequenos diante dos bens espirituais que ele nos concede: a fé, a esperança, a intercessão da Virgem Maria e dos santos, a Palavra, a Eucaristia... Não podemos apenas conservar esses dons num lenço ou mesmo enterrá-los. Temos que nos empenhar, como servos bons e fiéis, para que haja crescimento, para que apareçam frutos, para que tudo melhore ao nosso redor, para felicidade nossa, para o bem dos que nos cercam e para a glória do nosso Senhor e Deus.

Chamou então dez dos seus empregados, entregou cem moedas de prata a cada um e disse: ‘Procurem negociar até que eu volte’. (Lc 19, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Sabemos que são teus os bens que estamos administrando e que deles vamos prestar contas. Sabemos que esta é a hora de empenho, de trabalho, de compromisso. Hora de confiar, de ousar e empreender. Queremos ouvir, no final, a tua aprovação: “Muito bem, servo bom”. Senhor, cuida hoje daqueles que estão se julgando inúteis e fracassados. Eles estão guardando num lenço os dons que receberam para construir o bem para si e para os outros. Senhor, enquanto aguardamos a tua chegada, ou a tua chamada, é tempo de crescimento, de superação, de conquista. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você já tem o seu caderno de anotações, o seu diário espiritual? Então, está na hora de conseguir um. Qualquer caderno serve para suas anotações espirituais. A dica de hoje é essa: no seu caderno, copie esse versículo do evangelho de hoje: Lucas 19, 17.

E eu quero agradecer, de todo o coração, a você que, seguindo a indicação de ontem, conheceu um pouco mais da AMA e preencheu sua ficha de associado. Juntos, podemos fazer mais e realizar melhor a missão. E a missão é a de todos nós: iluminar a vida com a luz do Senhor Jesus, a nossa vida e a vida dos outros.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A HISTÓRIA DE ZAQUEU

 




16 de novembro de 2021


EVANGELHO


Lc 19,1-10

Naquele tempo, 1Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. 2Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. 3Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. 4Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. 5Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. 6Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. 7Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!” 8Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: “Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais”. 9Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.

MEDITAÇÃO


Zaqueu desceu depressa e recebeu Jesus com alegria (Lc 19, 4).

A história de Zaqueu é a história de alguém que vivia longe de Deus e o encontrou. Ou melhor, foi encontrado. É a nossa história.

O encontro de Jesus com Zaqueu foi muito curioso. Jesus é o missionário do Pai que vem ao nosso encontro. Ele chegou à cidade de Zaqueu, Jericó, acompanhado de muita gente. A multidão é a comunidade, o povo que o admira, nós que o seguimos. Dá pra perceber que ele está chegando, pelo barulho que a gente faz, pelo "converseiro" que toma conta das ruas. É a comunidade de Jesus, o povo que o acompanha.

Zaqueu é como nós. Alguém cheio de vontade de ver Jesus. Ele queria vê-lo. E certamente não era só por curiosidade. Pois ele, que era baixinho, só via a multidão, só via o povo, nada de Jesus. Teve uma ideia. Correu à frente. Não é comum se ver uma pessoa importante correndo na rua pra ver alguém. E mais ainda, subir numa árvore, como ele o fez. Coisa de criança, vocês não acham? Mas, como disse Jesus, quem não for como criança não entra no Reino de Deus.

E vocês sabem por que eu disse que ele era uma pessoa importante. Ele era chefe dos cobradores de impostos, era muito rico. É o que diz o evangelho de Lucas. Era chefe dos cobradores de impostos, diretamente ligado ao poder romano. Mas, correu como uma criança, querendo ver Jesus. Há muito queria vê-lo. Era essa a oportunidade. Lá de cima da figueira, Zaqueu teve uma surpresa.

Ele queria ver Jesus, e foi Jesus quem o viu, quem o encontrou. Olhou para o alto da árvore e foi dizendo: 'Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. Quem poderia esperar essa iniciativa de Jesus? Nem Zaqueu. Logo ele, um homem muito pequeno, como disse São Lucas. Um homem cheio de defeitos, pequeno demais para ser digno de receber Jesus em casa. É claro que eu não estou falando de sua altura física. Estou falando de sua condição de pecador.

E quando Zaqueu abriu a porta da casa pra Jesus entrar... ah, não era mais aquele homem mesquinho, desonesto, aproveitador. Era um homem novo, renascido pela graça que o conquistou e pela sua conversão. Eu fico até imaginando: ele certamente tinha tomado banho, vestido uma roupa branca, reunido a família e os amigos. Foi como no dia do batismo da gente, o dia em que a gente renasceu na alegria da comunhão com Deus. E o que Jesus falou ali foi surpreendente: “Hoje, a salvação entrou nesta casa!”



Guardando a mensagem

Zaqueu sou eu. Zaqueu é você. É a pessoa apequenada pelo pecado. Sem merecimento algum de nossa parte, sendo nós distantes pecadores, Jesus veio ao nosso encontro, com provas de um imenso amor de predileção; amor surpreendente e restaurador. Zaqueu, diante de Jesus que entrou na sua casa, emocionado com esse imerecido gesto de atenção, reconheceu e confessou seus erros e anunciou sua decisão de abraçar uma nova vida. Tinha sido egoísta e explorador até ali. Seria agora solidário e irmão dos pobres. Tinha defraudado muita gente. Compensaria generosamente a quem prejudicou. E o que Jesus lhe disse, como uma sentença de perdão, diz a você também agora: “Hoje, a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão”.

Zaqueu desceu depressa e recebeu Jesus com alegria (Lc 19, 4)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Como disseste na casa de Zaqueu, vieste buscar e salvar o que estava perdido. É maravilhosa esta história de conversão de Zaqueu. Por ela, ficamos sabendo que na raiz de nossa conversão, há um amor de predileção que nos alcança de uma maneira surpreendente ainda quando estamos ou estávamos distantes de Deus e da fé. Obrigado, Senhor, por seres o bom pastor que não descansa, procurando até encontrar a sua ovelhinha perdida. Nós te bendizemos, Senhor, porque, como bom pastor, dás a vida em resgate de tuas ovelhas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Alguém perto de você precisa de sua oração em favor de sua conversão. E Jesus espera que você, em seu nome, ajude essa pessoa a abrir as portas de sua vida para recebê-lo.

E já que estamos falando de evangelização, deixe-me apresentar-lhe a AMA, a Associação Missionária Amanhecer. Esta obra, que faz comigo um volumoso trabalho de evangelização nos meios de comunicação, está completando 25 anos de serviço na Igreja. Gostaria muito que você conhecesse esta nossa obra. E considerasse a possibilidade de fazer parte dela. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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