Mostrando postagens com marcador Vendedores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vendedores. Mostrar todas as postagens

2019/11/22

PURIFICANDO A RELIGIÃO

Jesus disse: Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’ (Lc 19, 46)
22 de novembro de 2019.
Jesus expulsou os vendedores. Mas, os vendedores eram apenas funcionários de quem comandava o Templo. No evangelho de hoje são nomeados os que queriam matar Jesus: os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo (os anciãos). Eram esses que controlavam o Templo; eles é que eram os donos do comércio de animais para o sacrifício e do câmbio de moedas. Eram esses que se beneficiavam daquele dito “sacro comércio”.
E porque se fazia aquele comércio no Templo? Bom, os animais – bois, ovelhas e aves – serviam para os sacrifícios em honra de Deus. E o câmbio era porque o Templo tinha a própria moeda. E, quem chegasse com “dinheiro do mundo”, deveriam trocá-lo pela moeda do Templo, para poder fazer sua oferta e comprar os animais para o sacrifício. Assim, na mentalidade deles, as coisas santas não seriam contaminadas com coisas impuras, como dinheiro estrangeiro.
Olha o que Jesus disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vocês fizeram dela um antro de ladrões”. Por que Jesus disse isso? Quem eram os ladrões: os vendedores ou os donos daquele comércio? Bem, aquele grupo que estava na liderança do Templo estava mais interessado na busca dos seus próprios interesses do que na glória de Deus. O Templo de Deus devia ser a casa do povo de Deus. Mas, se tornara coisa deles. Digamos assim, que, em certa medida, eles sequestraram a casa do povo de Deus, fazendo dela uma propriedade sua, um modo de ganhar dinheiro e de manter o seu poder. Aquele estilo de religião tinha roubado o Templo do seu povo.
Mas, há ainda outra razão pela qual Jesus disse que eles tinham transformado o Templo num antro de ladrões. A vocação daquele grande Templo da nação judaica era ser casa de oração, casa de encontro com Deus. Pela oração, os filhos se reuniam com o seu pai, recordavam as grandes obras de Deus em seu favor, a começar pela libertação do poder do faraó, da entrada na terra da promessa vencendo os reis cananeus... A casa era um testemunho de todo a história da salvação desse povo. Uma casa de oração, de memória, de exaltação da glória do Deus fiel. Mas, Jesus disse que o transformaram num antro de ladrões. E o que será que esses ladrões estavam roubando? Eles transformaram o relacionamento do povo com Deus numa relação comercial. Parecia que os fiéis, com suas oferendas e sacrifícios, estavam comprando a benevolência de Deus, o seu perdão, a sua bênção. Aquele estilo de religião tinha roubado Deus do seu povo.
Guardando a mensagem
Os dirigentes do Templo eram representantes de grupos muito poderosos e influentes no país. Jesus denunciou que eles tinham feito da Casa de Deus um antro de ladrões. Ladrões eram eles, porque estavam tirando o Templo do próprio povo de Deus; e estavam transformando o relacionamento com Deus num balcão de negócios, tirando Deus do seu povo. Que coisa preciosa é a religião! Que coisa santa é um Templo! Mas, todo cuidado é pouco para que não se transforme a religião em mais uma fonte de exploração e de opressão, e, o pior, em nome de Deus.
Jesus disse: Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’ (Lc 19, 46)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Tua ação no Templo de Jerusalém, expulsando os vendedores e denunciando os ladrões, valeu como uma purificação da religião de Israel e de toda religião. Temos que tomar cuidado para que a religião não se torne uma fonte de exploração, de enriquecimento e de controle das pessoas por gente poderosa e interesseira. Contigo aprendemos que a religião que praticamos em nossos Templos deve nos ajudar a viver em fraternidade, na comunhão com o Senhor nosso Deus e Pai. Sendo hoje o dia de nossa irmã mártir Santa Luzia, nós te pedimos que, por sua intercessão, nos concedas a graça da fidelidade à fé que professamos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Todo mundo tem a sua paróquia, uma comunidade eclesial à qual pertence e onde vive e celebra a fé. Em geral, é a que está mais perto da própria casa. No seu caderno espiritual, escreva o nome de sua paróquia, o nome do seu padroeiro ou padroeira e o nome do pároco. 

Pe. João Carlos Ribeiro – 22 de novembro de 2019.

2018/11/09

TEMPLO VERDADEIRO É O PRÓPRIO JESUS

Destruí este Templo, e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)
Hoje, a Igreja está celebrando o aniversário de dedicação da Catedral de Roma, a Basílica do Latrão. A dedicação de uma Igreja é sempre uma festa. Unge-se o altar com óleo e as paredes da Igreja também. A igreja-de-pedra é uma representação da igreja-comunidade, templo de Deus. De fato, na carta de São Pedro, está escrito: “quais outras pedras vivas, vocês também se tornam os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo" (1 Pr 2, 5). Os fieis em Cristo são pedras vivas desse Templo espiritual, um sacerdócio santo para oferecer sacrifícios do agrado de Deus. A igreja é o templo vivo de Deus.
Jesus estava chegando para celebrar a páscoa em Jerusalém. Nesta páscoa, ele seria imolado em sacrifício, na cruz. Ele entrou no Templo. E viu um bocado de coisa errada. O Templo de Deus, o único templo erguido em Israel, foi construído para ser um sinal da presença de Deus no meio do seu povo e para ser um local de encontro do povo fiel com o seu Deus. No Templo, o povo, em sinal de gratidão e adoração, oferecia sacrifícios e louvores. Aquele povo tinha uma história com Deus. Tinha sido libertado por ele do cativeiro do Egito, celebrado uma aliança com o Senhor, caminhado por 40 anos no deserto sob sua proteção e tomado posse da terra que ele prometera aos pais. O Templo era o testemunho de tudo isso. E a páscoa era a grande festa para lembrar aquele gesto maravilhoso que Deus tinha realizado em favor daquele povo: tirá-lo da escravidão e constituí-lo um povo livre, naquela terra.
E o que Jesus viu no Templo? Jesus viu o Templo entregue aos interesses de uma elite manipuladora, que instrumentaliza o Templo em favor dos seus interesses econômicos e políticos. A sede do Sinédrio que o condenou era lá. Lá, mandavam os saduceus, beneficiados pela dominação romana em seus negócios e em sua liderança. Jesus viu um Templo que perdeu a razão para a qual existia: ser um lugar de encontro da comunidade de Israel com o Deus dos seus pais, o Deus de sua história.
Como Jesus reagiu? Primeiro, ele expulsou os comerciantes que vendiam animais para os sacrifícios ou faziam o câmbio das moedas, no interior do Templo. Foi uma forma de reagir à má utilização que os líderes estavam fazendo do Templo. Segundo, ele disse, com todas as letras que ele é quem era o Templo de verdade. De fato, em Jesus encontramos e honramos o Pai que o enviou. É no seu corpo entregue e no seu sangue derramado, o único sacrifício que agora conta, que somos reconciliados com Deus. É só por meio dele que chegamos ao Pai. Ele é o Templo de verdade. Foi assim que ele disse: “Destruam esse Templo e eu o construirei em três dias”. De fato, foi isso que aconteceu. Eles destruíram o templo do seu corpo, pela cruel morte de cruz, mas Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Mas, isto, claro, ninguém ali na hora entendeu.
Guardando a mensagem
Celebramos hoje o aniversário de dedicação da Catedral de Roma. Como é o Templo que representa todos os outros templos do cristianismo, todos nos alegramos nessa festa. E recordamos que o verdadeiro templo é a comunidade dos fieis, o povo batizado, a Igreja. O templo-de-pedra representa a comunidade-povo-de-Deus. E nos lembramos de Jesus que, no tempo da páscoa, entrou no grande Templo de Jerusalém e, depois de ter expulsado os vendedores de animais e os cambistas, apresentou-se como o verdadeiro Templo. Ele é o sacerdote que oferece o sacrifício de sua própria vida, sacrifício que, de verdade, agrada a Deus e com ele nos reconcilia. Jesus é o templo de verdade.
Destruí este Templo, e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Gostamos muito de nossas igrejas, de nossos templos. Nem sempre nos lembramos que mais importante do que as paredes de pedra são as pessoas que formam a igreja viva, a comunidade santa, o povo de Deus. Claro, Senhor, precisamos zelar por nossas igrejas-templo, para que elas estejam sempre limpas, bonitas, acolhedoras. Mas, mais amor e maior cuidado precisamos ter com a comunidade dos cristãos que ali se reúne. E somos templo porque estamos unidos a ti, Templo vivo de Deus, pedra que os construtores rejeitaram, mas que tornou-se a pedra angular. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Se você tiver oportunidade hoje de passar por uma igreja, seja uma capelinha ou uma matriz, entre e sente um minutinho. E pense no evangelho de hoje... Você também é uma pedra viva do maravilhoso templo que é Cristo e sua Igreja.

Pe. João Carlos Ribeiro – 09.11.2017

2018/03/04

ESTE ANO, VOCÊ VAI A JERUSALÉM?



MEDITAÇÃO PARA O DOMINGO 04 DE MARÇO DE 2018.

Destruam esse Templo e em três dias eu o levantarei (Jo 2, 19)

Olha, tem muita gente passando por essa rua, é gente que não se acaba mais. Quase todo mundo a pé, alguns puxando um jumento carregado, crianças, adultos, muita gente. Olha lá, tem uns tangendo carneiros, ovelhas...  Pequenos grupos, famílias inteiras, vizinhos de sítio,  todos subindo  a Jerusalém. O que estão indo fazer? Estão indo para a festa da páscoa. Todo ano é assim. Milhares de peregrinos vão para a grande festa da páscoa. É a maior festa religiosa do ano. E você não vai? Então, se arrume logo, porque não podemos nos atrasar. E leve algum dinheiro, porque a festa dura vários dias.

Pode perguntar. Enquanto você se arruma, dá tempo a gente conversar. Ah, por que estão levando carneiros? Porque é a festa da páscoa! O quê? ‘Tá, ‘tá... eu lhe explico. A páscoa comemora a libertação do nosso povo da escravidão do Egito. O grande momento da páscoa é a refeição em que, em família, a gente come o carneiro assado, com pão ázimo, ervas, recordando as histórias daquela noite em que o anjo da morte passou e feriu os primogênitos do Egito. Cada família do povo de Deus tinha sacrificado um cordeiro e ungido os portais de suas casas com o seu sangue. Foi naquela noite que Faraó foi forçado a liberar o nosso povo do seu domínio. Foi a noite santa da páscoa.

Tudo arrumado?  Então, vamos. Como é a sua primeira vez, vou lhe dizer o que a gente vai encontrar lá. O ponto de chegada dos peregrinos é o Templo. E tem bastante coisa pra se fazer no Templo.  Primeira coisa: pagar o imposto anual da casa de Deus. Está levando dinheiro? Ah, mas esse dinheiro não serve não... esse dinheiro é dinheiro de origem pagã. Bom, chegando lá, você vai ter que trocá-lo. Nem se preocupe, tem cambistas à vontade no Templo. Eles trocam essas moedas impuras por moedas do Templo, dinheiro puro. Mas, claro, no câmbio, eles acrescentam um jurozinho. No Templo, você também vai fazer suas devoções, oferecer sacrifícios de expiação para se purificar dos seus pecados. Tá com muito dinheiro? Se tivesse aí uma boa nota, podia comprar um boi pra oferecer. Ah, nem se preocupe, os sacerdotes e os levitas sangram o boi, e queimam as gorduras em homenagem a Deus. Agora, seu dinheiro é pouco, só vai dar pra oferecer uma pombinha. Deus não se incomoda, nem se preocupe. No Templo, também se pode escutar as explicações dos Mestres da Lei ou discutir com eles os assuntos das Escrituras. Agora, o mais importante é fazer o sacrifício do cordeiro pra gente comer a páscoa com nossos parentes. Ah, não, não precisa levar carneiro não. A gente compra lá. Lá tem boi, ovelhas, pombas, tudo. Tranquilo, a gente compra lá. Mas, claro, tem que trocar o dinheiro pra comprar o carneiro. Os sacerdotes vão sangrar o cordeiro e a gente leva pra casa dos parentes pra assar.

É uma emoção a gente entrar na cidade santa de Jerusalém. Olha os portões da cidade, que coisa grandiosa, que emoção dá na gente. E o Templo, gente?! Magnífico, alto, grande,  muitos corredores e pátios, parece um grande mercado. Um mercado santo, pera aí. Gente de todo o país e judeus de fora também estão por aqui. Hei, cuidado! O que está acontecendo? Que barulho é esse? Corre, saí da frente. Os bois estão soltos. As ovelhas também. Houve alguma coisa, tá um desespero. Ei, amigo, o que está havendo? Esse profeta Jesus... ele endoidou. Fez um chicote de cordas e expulsou os animais, os vendedores, derrubou as mesas dos cambistas, um desmantelo... E desafiou os sacerdotes do Templo. Deus Santo de Israel, tende misericórdia!  Se ele disse alguma coisa, disse. Disse que podiam destruir o Templo, que ele iria reconstruir em três dias. Que loucura! ‘Podem destruir esse Templo, em três dias eu o levantarei’. Vá entender esses profetas de hoje, cada um mais doido do que o outro. Desculpe, estou procurando minha mulher. Dê licença.

Calma, vamos pedir um pouco de água e ver o que está acontecendo. Vamos sentar aqui na escadaria. Senta aí. O que será que houve? Por que o profeta de Nazaré disse isso? “Podem destruir esse Templo, em três dias eu o levantarei”. Estou pensando o seguinte: Vai ver esse profeta é o Messias. O profeta Zacarias tinha falado que quando chegasse o Messias esse comércio no Templo ia se acabar. Ele iria limpar isso tudo. Mas, por quê? Quem sabe, esse idoso aí do seu lado talvez saiba. O senhor, meu velho, conhece Jesus? Tem acompanhado ele, não diga! Por que ele fez isso? ... Eu, eu sei, ele está falando baixinho, tranquilo. Eu lhe repasso depois.

Obrigado, venerando ancião. O Deus de Israel seja bendito, shalom! ... Vem cá. Ele disse que Jesus soltou os animais, porque não há mais necessidade do sacrifício deles. Os sacrifícios do Templo criam a imagem de uma religião que promove uma espécie de comércio: compra o perdão e a bênção de Deus com a oferta da vida de animais. Acabou isso. O sacrifício que vai valer agora, pelo qual o Senhor Deus vai perdoar os pecadores, será o sacrifício do cordeiro pascal. Ele disse que o profeta soltou as ovelhas e os carneiros, porque o cordeiro da páscoa que vai ser imolado é ele mesmo. Parece o Templo agora é ele mesmo. Essa eu não entendi. Pode ser morto, destruído. Mas, vai ser restaurado em três dias. Esse pedaço, o ancião não soube me explicar.

Olha, sei não, esse Jesus vai se dar mal. Ele mexeu no coração da religião do Templo, nos sacrifícios de animais que tanto dinheiro traz para os donos dos animais (os anciãos), os cambistas, os sacerdotes, os saduceus que comandam o Templo. A festa da páscoa é a festa da vitória contra a escravidão, celebrada na refeição do cordeiro, eu já lhe disse isso. E pelo que ele disse, nenhum animal precisa ser mais sacrificado. Você viu falar do profeta João Batista que Herodes mandou matar? Quando ele apresentou Jesus ao povo, ele disse que Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Destruam esse Templo e em três dias eu o levantarei (Jo 2, 19)

Vamos acolher a mensagem

Senhor Jesus,
O teu gesto de expulsar os vendedores, desmantelar aquela feira de animais e os postos de troca de moedas  foi uma atitude típica dos profetas. Estavas assim inaugurando um novo tempo na religião do teu povo.  Com esse gesto, anunciavas o fim do tempo dos sacrifícios de animais. A vítima para o sacrifício eras tu mesmo, o cordeiro imolado em nosso favor. Deixaste o Templo de Jerusalém sem sua função. O verdadeiro lugar do encontro com Deus e do perdão dos pecadores não era mais o Templo de pedra, mas a tua pessoa de filho de Deus. Tu és o Templo, onde o pecador encontra o perdão de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vamos viver a Palavra

Não tem jeito, você precisa ler hoje, na sua Bíblia, o evangelho deste terceiro domingo da Quaresma: João 2, 13-25. E, se achar útil, compartilhe a meditação com outras pessoas.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03.03.2018

2017/11/08

O TEMPLO DE PEDRA E O TEMPLO DE CARNE


Destruí este Templo, e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)
Hoje, a Igreja está celebrando o aniversário de dedicação da Catedral de Roma, a Basílica do Latrão. A dedicação de uma Igreja é sempre uma festa muito bonita. Unge-se o altar com óleo e as paredes da Igreja também. A igreja-de-pedra é uma representação da igreja-comunidade, templo de Deus. De fato, na carta de São Pedro, está escrito: “quais outras pedras vivas, vocês também se tornam os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo" (1 Pr 2, 5). Os fieis em Cristo são pedras vivas desse Templo espiritual, um sacerdócio santo para oferecer sacrifícios do agrado de Deus. A igreja é o templo vivo de Deus.
Jesus estava chegando para celebrar a páscoa em Jerusalém. Foi nessa páscoa que ele foi imolado em sacrifício, na cruz. Ele entrou no Templo. E viu um bocado de coisa errada. O Templo de Deus, o único templo erguido em Israel, foi construído para ser um sinal da presença de Deus no meio do seu povo e para ser um local de encontro do povo fiel com o seu Deus. No Templo, o povo, em sinal de gratidão e adoração, oferecia sacrifícios e louvores. Aquele povo tinha uma história com Deus. Tinha sido libertado por ele do cativeiro do Egito, celebrado uma aliança com o Senhor, caminhado por 40 anos no deserto sob sua proteção e tomado posse da terra que ele prometera aos pais. O Templo era o testemunho de tudo isso. E a páscoa era a grande festa para lembrar aquele gesto maravilhoso que Deus tinha realizado em favor daquele povo: tirá-lo da escravidão e constituí-lo um povo livre, naquela terra.
E o que Jesus viu no Templo? Jesus viu o Templo entregue aos interesses de uma elite manipuladora, que instrumentaliza o Templo em favor dos seus interesses econômicos e políticos. A sede do Sinédrio que o condenou era lá. Lá, mandavam os saduceus, beneficiados pela dominação romana em seus negócios e em sua liderança. Jesus viu um Templo que perdeu a razão para a qual existia: ser um lugar de encontro da comunidade de Israel com o Deus dos seus pais, o Deus de sua história.
Como Jesus reagiu? Primeiro, ele expulsou os comerciantes que vendiam animais para os sacrifícios ou faziam o câmbio das moedas, no interior do Templo. Foi uma forma de reagir à má utilização que os líderes estavam fazendo do Templo. Segundo, ele disse, com todas as letras que ele é quem era o Templo de verdade. De fato, em Jesus encontramos e honramos o Pai que o enviou. É no seu corpo entregue e no seu sangue derramado, o único sacrifício que agora conta, que somos reconciliados com Deus. É só por meio dele que chegamos ao Pai. Ele é o Templo de verdade. Foi assim que ele disse: “Destruam esse Templo e eu o construirei em três dias”. De fato, foi isso que aconteceu. Eles destruíram o templo do seu corpo, pela cruel morte de cruz, mas Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Mas, isto, claro, ninguém ali na hora entendeu.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Celebramos hoje o aniversário de dedicação da Catedral de Roma. Como é o Templo que representa todos os outros templos do cristianismo, todos nos alegramos nessa festa. E recordamos que o verdadeiro templo é a comunidade dos fieis, o povo batizado, a Igreja. O templo-de-pedra representa a camunidade-povo-de-Deus. E nos lembramos de Jesus que entrou, no tempo da páscoa, no grande Templo de Jerusalém e depois de ter expulsado os vendedores de animais e os cambistas, apresentou-se como o Templo de verdade. Ele é o sacerdote que oferece o sacrifício de sua própria vida, sacrifício que, de verdade, agrada a Deus e com ele nos reconcilia. Jesus é o templo de verdade.
Destruí este Templo, e em três dias o levantarei (Jo 2, 19)