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2020/08/23

QUEM SOU EU?



Então Jesus lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” (Mt 16, 15) 

23 de Agosto de 2020


O que os outros dizem de mim me toca, de alguma forma. Se for coisa ruim, eu posso ficar com raiva, ficar triste ou  posso até me deixar corrigir em alguma coisa. Se for coisa boa, eu aceito, com prazer, afaga o meu ego, mas pode também me fortalecer naquilo que já expresso de bom com minha vida. Tem gente que só aceita o que lhe convém. Mas, saber o que os outros pensam de mim pode ser bom, se servir para eu corrigir o rumo da minha vida ou me fortalecer no caminho que estou percorrendo.

Mas, não posso me guiar apenas pelo que os outros acham ou dizem. Não podemos ser gente movida pela opinião pública, influenciada pela ditadura do ‘politicamente correto’, movendo-nos apenas ao sabor das tendências do mundo de hoje. Precisamos estar atentos. A opinião pública pode ser manipulada pelos interesses de quem faz a comunicação de massa, pelas fakenews da desinformação nas redes sociais, por ideologias favoráveis à ordem estabelecida.

Nesse nosso mundo hiperconectado, de gente que pensa pouco e compartilha tudo o que não presta, está em gestação um tipo de cristão inseguro, ansioso, desconfiado.  Não é o seu caso, claro. Inseguro, porque conhece pouco da fé cristã; ansioso, porque percebe que suas verdades estão sob cerrada crítica; e desconfiado, porque sua confiança nas instituições está abalada.

Num certo momento, Jesus quis saber o que os outros estavam dizendo sobre ele. O povo o reconhecia como um homem de Deus, na linha dos profetas. Ok. Quis saber mais: o que o seu grupo de discípulos pensava sobre ele. 'E segundo vocês, quem sou eu?' Pedro deu uma bela resposta: “Tu és o Messias, o filho do Deus vivo”. Jesus gostou do que ouviu. E reconheceu que aquilo era revelação de Deus, não simples conclusão do conhecimento humano. Ele era o Messias, o filho de Deus. 

Jesus indagou, mas não se deixou influenciar pelo resultado da pesquisa; nem pelas acusações que foi colecionando nos três anos de ministério: comilão, amigo de pecadores e publicanos, infrator da Lei do sábado, aliado de Belzebu, blasfemo... Nada disso o intimidou na sua caminhada. E mesmo diante da boa resposta de Pedro, ele manteve cautela: orientou que não dissessem aquilo a ninguém. Aquela compreensão sobre ele ainda precisava ser purificada por sua paixão e morte.

Fica uma pergunta: Como Jesus conseguiu se manter firme no seu caminho, apesar da oposição que foi crescendo ao seu redor? A resposta está na montanha. Frequentemente, subia para orar, para conferir com o Pai o seu caminho e para fazer suas opções. O Papa Francisco tem falado, desde o inicio do seu ministério como pastor da Igreja, na necessidade do discernimento. É preciso escutar todas as opiniões, dialogar para entende-las e fazer-se entender e conferir a sua resposta e a dos outros com Deus, com a revelação divina. Nisto, nos ajudam a leitura orante da Palavra de Deus, o estudo da fé cristã e a oração que dá espaço à escuta de Deus.

A Igreja é de Cristo, mas é feita também de homens e mulheres, frágeis e pecadores. Jesus fez a pedra-alicerce de sua Igreja aquele discípulo que proclamou a fé verdadeira, revelada por Deus, apesar de sua fraqueza. “Sobre esta pedra, edificarei a minha Igreja”. E lhe deu as chaves do Reino dos céus: para ele, como servo fiel, abrir e fechar, ligar e desligar, isto é, cuidar da casa do Senhor com a autoridade delea.

Guardando a Mensagem

Nesses tempos em que os interesses definem que a verdade é relativa e a fé é apenas uma opinião privada, precisamos ouvir o que dizem sobre nós, mas não para nos moldar ao seu pensamento, nem para nos amesquinhar às suas intenções destruidoras da vida, da família, da casa comum. Ouvir para dialogar, para apresentar o testemunho de nossa fé, para aprender também e nos corrigir, se for o caso. Jesus constrói sua Igreja sobre homens como Pedro, que apesar de sua fraqueza, acolheu e professou a revelação de Deus. O Senhor constrói famílias santas sobre homens e mulheres que dão mais ouvido à sua voz que ao vozerio raivoso dos homens. O Senhor alicerça a construção de um novo mundo de justiça, de paz e de liberdade sobre homens e mulheres que ouvem e praticam a sua palavra.

Então Jesus lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” (Mt 16, 15) 

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Quiseste saber o que o povo e os teus discípulos estavam pensando e dizendo de ti. Não era uma pesquisa de mercado, na intenção de redefinir estratégicas para vender melhor o teu produto. Era um gesto de diálogo para conferir o nível de compreensão que estavam alcançando e leva-lo em conta no processo da evangelização. As opiniões dos outros de alguma forma sempre mexem conosco, sobretudo quando são maldosas, destruidoras, mal-intencionadas. Mesmo sentido tristeza, e às vezes raiva, não podemos deixar que elas nos paralisem, nos bloqueiem os passos. Isto aprendemos contigo. Contigo, também estamos aprendemos a valorizar gente de fé como Pedro, aberto ao que o Pai lhe revela. Queremos, hoje, Senhor, renovar nossos laços de amor e adesão à tua Igreja, a Igreja de Pedro, assistida pelo teu Santo Espírito. Ajuda-nos a construir famílias santas, edificadas sobre a fé da tua Igreja. Neste início de semana dedicada à vocação dos leigos, dá-nos a graça de ser, neste mundo, a tua luz para iluminar os caminhos da família, educação, da política, do trabalho, da economia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a Palavra

Participando da Santa Missa, hoje, presencialmente ou remotamente, ouça com atenção o evangelho e leia-o pessoalmente, em sua Bíblia (Mateus 16, 13-20).


Em outro momento, comentei esssa mesma passagem sob outro enfoque, a fé em Jesus Cristo como alicerce de nossa vida. Sugiro que você dê uma olhada nessa reflexão também. Eu a coloquei no final do texto da Meditação de hoje. É só seguir o link que lhe enviei. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb









A FÉ EM CRISTO, O ALICERCE DE SUA VIDA
Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo (Mt 16, 16)
09 de agosto de 2018.
Jesus elogiou Pedro. Colocou-o como pedra de alicerce na construção de sua Igreja. E deu-lhe as chaves do Reino de Deus. Tudo porque Pedro, em nome dos discípulos, inspirado por Deus, disse que Jesus era o Messias, o Filho do Deus vivo.
Eles estavam fora do território de Israel. E foi aí Jesus teve uma conversa muita séria com eles. Começou perguntando o que o povo estava dizendo sobre ele, isto é, quem afinal as pessoas achavam que ele era. Aí chegou à pergunta principal: E vocês, o que dizem que eu sou? Claro, dessa compreensão dependeria o futuro do seu ministério. Será que a liderança do seu grande grupo de discípulos já estava entendendo quem era ele, qual era a sua missão? Simão Pedro respondeu em nome do grupo. E respondeu com toda sinceridade: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Boa resposta. Ótima resposta. Claro, esse entendimento é fruto da revelação de Deus. Só o Pai sabe quem é o Filho e aquele a quem ele o quiser revelar. Jesus elogiou Simão Pedro: foi o Pai que te disse isso. Feliz és tu!
O que Pedro disse resume a fé de todos os que encontraram Jesus e acolheram sua Palavra. Ele é o enviado de Deus, o prometido a Israel, o Messias. Mais: esse enviado, o Messias, é o Filho do Deus vivo, o maravilhoso Deus que se revelou ao povo de Israel e fez aliança com ele. É uma confissão da divindade de Jesus, ele é Deus com o seu Pai. Como Jesus ficou satisfeito com essa resposta! É nessa fé que ele pode construir a comunidade que vai dar continuidade ao seu ministério nesse mundo. Ele irá se ausentar, mas o trabalho terá continuidade.
“Sobre esta Pedra, construirei a minha Igreja”. A fé confessada por Pedro é a pedra sobre a qual Jesus edificará a Igreja. Por outro lado, esta pedra é também a pessoa de Pedro, o discípulo que confessou a fé em Jesus-Messias-filho de Deus. Mas também, esta pedra é a comunidade que Pedro representa, comunidade apostólica que professa a fé que ele proclamou.
E qual é a fé dessa comunidade, qual é a fé de Pedro? Isto é, o que essa comunidade, com as Escrituras e a sua história nas mãos, proclama sobre Jesus? O que nós cremos está, de certa forma, resumido no Credo. Os credos ou símbolos são sínteses da fé proclamada em momentos solenes da vida da Igreja, reunida nos primeiros Concílios Ecumênicos.
Guardando a mensagem
Nos alicerces de nossa vida cristã, está essa confissão de fé: cremos em Jesus, o filho do Deus vivo, enviado pelo Pai para nossa salvação. Jesus edificou a sua Igreja sobre o rochedo dessa fé confessada por Pedro (Catecismo da Igreja Católica 424). Não somos apenas pessoas religiosas. Cremos em Jesus, e o seguimos como discípulos e discípulas. As Escrituras Sagradas nos transmitem o conhecimento sobre Jesus Cristo Salvador. É assim que é tão importante que façamos diariamente a meditação da Palavra do Senhor, a chamada ‘lectio divina’. Tudo isso nos ajuda a colocar Cristo no centro de nossa vida. Ele é o nosso pastor, nosso guia.
Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo (Mt 16, 16)
Rezando a palavra
No chamado Credo niceno-constantinopolitano (declaração de fé dos Concílios de Nicéia e Constantinopla), rezamos assim a nossa fé em Jesus Cristo:
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e Se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim.
Vivendo a palavra
Leia o texto de hoje - Mt 16,13-23 -  em sua bíblia e responda no seu diário espiritual: Quem é Jesus para mim?

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



2019/11/14

O DIA DE LÓ

Lembrem-se da mulher de Ló (Lc 17, 32)
15 de novembro de 2019.
Houve o dia de Noé, o dia em que Noé entrou na arca. Esse dia foi um marco, separando a convivência distraída do povo e o dilúvio que acabou com tudo. O dia de Noé foi a intervenção de Deus, o juízo de Deus.
Houve o dia de Ló, o dia em que Ló deixou Sodoma. Esse dia foi um marco, separando a vidinha relaxada do povo e a chuva de fogo e enxofre que sepultou tudo. O dia de Ló foi a intervenção de Deus, o juízo de Deus.
Haverá o dia do Filho do Homem, o dia da revelação de Jesus, a sua manifestação no final da história. Esse dia será um marco, separando o tempo em que todo mundo foi convidado à conversão e a salvação dos justos. O dia do Filho do Homem será a intervenção de Deus, o julgamento de Deus.
Você está entendendo, Jesus está falando de seu retorno. Vivemos na expectativa de sua volta. O tempo da conversão é agora, enquanto o aguardamos.  Nesse contexto, Jesus falou da mulher de Ló. ‘Quem procura ganhar a sua vida, vai perdê-la’.
A história de Ló está no primeiro livro da Bíblia, o livro do Gênesis. Ló foi o único justo encontrado na cidade de Sodoma. Tudo de ruim havia naquela cidade. O justo foi convidado a sair dali, deixar tudo, abandonar aquela gente. Ló saiu com sua família. Deus poria um fim naquele antro de maldade, violência e perversidade. A família de Ló saiu da cidade. Havia uma recomendação: ninguém olhe pra trás. A certa altura, a mulher de Ló olhou para trás para ver o que estava acontecendo por lá. Não deu outra. Virou uma estátua de sal. Jesus relembrou essa antiga história bíblica e tirou uma lição: "Quem quiser ganhar a sua vida, vai perdê-la".
A chegada do Reino de Deus é como o convite para a saída de Sodoma. Em outras palavras, Jesus pregou desde o início: "O reino chegou, convertam-se". Conversão é reorientar a própria vida e a vida em nossa volta. Reorientá-la para Deus, em obediência à sua Palavra salvadora. Deixar o velho do pecado e abraçar o novo do perdão e da reconciliação oferecidos agora no próprio Jesus. Dar as costas à Sodoma e caminhar para um novo modo de ser e de viver. Não compactuar mais com a velha situação.  
Guardando a mensagem
Quem abraçou a novidade do Reino de Deus deixou para trás o que era antigo, isto é, o que era contrário ao Reino. Não dá pra continuar fazendo média com o que é desobediência a Deus. A mulher de Ló é o exemplo de quem abraça a novidade de Jesus e do seu Reino e fica olhando para trás. Fica com um pé na graça que nos gera novas criaturas, mas continua repetindo os velhos hábitos do Adão pecador. Quem foi gerado novo no Cristo Ressuscitado, superou o velho homem Adão, distanciado de Deus e amigo do pecado. A história da mulher de Ló é um alerta: abraçando o novo que nos chegou pela graça de Cristo, definitivamente nos apartemos do mundo do pecado que ficou para trás.
Lembrem-se da mulher de Ló (Lc 17, 32)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Deu pra entender, na palavra de hoje, que é pra gente não imitar o povo do tempo de Noé, levando na brincadeira a pregação da Palavra; que é pra gente não imitar o povo de Sodoma que não levou a sério os avisos de Deus sobre a vida devassa que estavam levando; que é pra gente não imitar a mulher de Ló, que convidada a sair de Sodoma, a destacar-se completamente daquela cidade de pecado, ainda continuava ligada a ela. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão sincera e da perseverança no caminho da vida nova. Nós te pedimos também, Senhor, uma bênção para o nosso Brasil, que está celebrando  hoje o aniversário da República. Concede a nós, filhos da Igreja, sermos fermento de justiça e fraternidade em nosso país. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.     
Vivendo a palavra
Essa história de Ló é muito interessante. Você vai gostar de conhecê-la nos seus pormenores. Assim, poderá entender melhor as palavras de Jesus. Então, leia, hoje, o capítulo 29 do Livro do Gênesis.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb – 15 de novembro de 2019

2019/09/28

O NOSSO CAMINHO COM JESUS


O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens (Lc 9, 44). 

28 de setembro de 2019. 


Todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Mas, não entendiam o que Jesus dizia. Notaram? Admirados com que ele fazia, mas nem tudo que ele dizia chegavam a compreender. E ele foi claro: “Prestem atenção às palavras que eu vou dizer: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Aí é que eles não entenderam mesmo. Não pegaram o sentido dessa palavra. E até mesmo tinham medo de fazer perguntas sobre isso. 

Pela insistência de Jesus, o que ele está dizendo é muito importante para que ele seja compreendido. “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Quem é o Filho do homem? Jesus, ele mesmo. E ele gostava de se anunciar assim com essa expressão “o Filho do homem”. Essa expressão ocorre no livro do profeta Daniel. Chamar-se a si mesmo de “Filho do homem”, com certeza, era uma forma de sublinhar a sua encarnação, a sua condição humana. 

As pessoas estavam admiradas com aqueles sinais que mostravam sua ligação com Deus, sua participação no poder divino: a multiplicação dos pães no deserto, a tempestade acalmada no lago, a cura do cego de Jericó, a ressurreição de Lázaro... Esses são sinais de grandeza, de poder, reflexos de sua condição divina. Mas, ele assumiu a nossa condição humana. Encarnou-se. Nessa condição, será perseguido, condenado, executado. Agora, é claro, isso não podia passar pela cabeça dos discípulos. Pedro mesmo uma vez falou com Jesus, dando-lhe conselho para que ele não dissesse isso. Deus o livraria de qualquer coisa. 

Veja você, isso tem repercussão no modo como compreendemos Jesus. Jesus é Deus, mas de verdade fez-se gente, humano. E quando chegasse a hora da Paixão, ele não iria fugir, evadir-se pela força do seu poder divino. Não nos esqueçamos, ao olhar para Jesus, que ele assumiu de verdade a condição humana, no seio da virgem Maria e em nossa história. 

Apliquemos também esta compreensão à nossa vida. Mesmo sendo elevados à condição de filhos de Deus, ainda continuamos humanos, sujeitos às doenças, às contrariedades e à morte. Às vezes queremos escapar de nossa precariedade humana. Há quem até cobre de Deus que o livre de qualquer dor de cabeça, de uma doença perigosa, de uma complicação... mas, não podemos nos esquecer que essa nossa vida humana é o palco de nossa história de amor e fidelidade ao nosso Deus. É aqui, na precariedade de nossa vida, que experimentamos e vivemos nossa condição de filhos de Deus. Um dia, na eternidade, nossa condição de filhos de Deus será plenamente revelada.  

Guardando a mensagem 

Não podia passar pela cabeça dos discípulos que Jesus passaria por tantos sofrimentos e por uma morte cruel. Jesus os preveniu, repetidas vezes, que ele seria entregue nas mãos dos homens. Mesmo sendo Deus, Jesus fez-se humano de verdade, assumindo também o sofrimento, a traição e a morte como parte do seu caminho. Nós, em nossa condição humana, às vezes somos tentados a não aceitar os sofrimentos e as contrariedades que as nossas limitações humanas nos impõem. A encarnação de Jesus foi de verdade, por opção dele e do Pai. Assim, ele santificou o nosso caminho humano. Com todos os seus limites, nossa vida humana é o nosso caminho de santificação e de realização da vontade de Deus. 

O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens (Lc 9, 44). 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Que no meio de nossas dificuldades e problemas, de nossa fragilidade diante da doença, do sofrimento, expressemos, com fidelidade, o amor ao Senhor nosso Deus e Pai. Com a tua humanidade, santificaste o nosso caminho humano. Com a tua Paixão, encheste de sentido o percurso de nossos sofrimentos. Abriste um caminho para a vida, passando pela morte. Tu, Senhor, és o caminho, a verdade, a vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Será que você consegue recordar, ao menos, dois momentos de grande sofrimento em sua vida? E você conseguiu atravessar essas fases difíceis ao lado de Jesus? 

Pe. João Carlos Ribeiro - 28 de setembro de 2019.

2018/11/18

PREPARE-SE PARA O CASAMENTO


Fiquem sabendo que o filho do homem está próximo, está às portas (Mc 13, 29)

18 de novembro de 2018.

Um mês atrás, abençoei o casamento de minha sobrinha Mariana. Casou-se com um rapaz chamado Lincoln. Foi uma festa linda, uma festa de família, celebrado na capela que minha família frequenta. Eles se preparam para esse casamento ao longo de quase dois anos. Depois do noivado, começaram a se organizar para a vida a dois: o apartamento, os móveis, as louças, tanta coisa... e mais próximo, o curso de noivos, os batistérios, os convidados, o tio padre, o cartório, a ornamentação da capela, a cerimônia de casamento, a comemoração depois em casa de festa. Do noivado ao casamento, um tempo de preparação, estimulado por uma sadia tensão com a proximidade da data do grande dia.

No capítulo 13 de São Marcos, estão reunidas muitas palavras de Jesus sobre um dia muito especial que vai chegar: o dia de sua volta- uma volta gloriosa, à moda de uma grande avaliação da humanidade. Com as imagens do livro do Apocalipse, podemos pensar num grande casamento. Jesus é o noivo. A noiva é a Igreja. Estas núpcias do cordeiro são aguardadas ao longo da história, com grande ansiedade pelo povo fiel. Para esse encontro, a noiva Igreja vem se preparando desde que o seu senhor voltou ao seio do Pai, na ascensão.

Sempre pensamos na volta de Jesus, como um evento que nos apavora. Há uma certa razão nisso, se nos fixarmos demais nas imagens utilizadas por Jesus neste capítulo 13 de São Marcos. Jesus fala de guerras, de perseguições, de tragédias naturais, de destruição da cidade santa de Jerusalém. E por que ele fala tudo isso? Para nos avisar que antes que ele volte, vamos passar por muita coisa; para nos animar a resistir, a perseverar na fé, no meio das provações e dificuldades. E para nos prevenir sobre a necessidade de nos preparar para esse momento máximo da história: a sua volta gloriosa ou, no dizer do Apocalipse de São João, as núpcias do cordeiro, o seu casamento místico com a comunidade dos redimidos. 



Esse tempo de espera da volta gloriosa do Senhor é tempo de preparação, como os dois anos de preparação do casamento de Mariana e Lincoln. Em nossas atitudes de hoje, mostra-se o grau de compromisso que temos com esse casamento que se avizinha. Nas próximas semanas, vamos ouvir bastante essa palavra: vigilância! Vigilância é mantermo-nos despertos, operosos, propositivos, comprometidos com Jesus e seu Evangelho. Assim, estamos nos preparando para  o grande momento de nossa vida: o encontro com o Senhor que vem para celebrar as bodas eternas.

Guardando a mensagem

Neste domingo, nos examinemos se estamos nos preparando bem para o encontro com o Senhor que vem. Podemos fazer como Mariana e Lincoln e suas famílias: na sadia tensão do dia do casamento que estava chegando, eles se organizaram, envolveram os familiares, investiram, convidaram, preparam-se. As núpcias do cordeiro estão chegando. É o grande casamento místico do Senhor com sua Igreja, pela qual entregou sua vida. Não é mais hora de vivermos distraídos, relaxados, despreocupados... a hora está chegando. No meio das dificuldades, resistamos. No corre-corre da vida, mantenhamos o foco. O dia mais feliz de nossas vidas está chegando. O Senhor vem!

Fiquem sabendo que o filho do homem está próximo, está às portas (Mc 13, 29)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Falaste para ficarmos atentos aos sinais dos tempos. Como os brotos e folhinhas verdes da figueira indicam que o verão está chegando, assim também poderemos reconhecer os sinais de tua iminente chegada em situações e acontecimentos da história. Ajuda-nos, Senhor, com teu Santo Espírito, a ler os teus sinais em nossa história. Sendo hoje o dia mundial dos pobres, logo nos lembramos deste grande sinal a nos indicar tua presença e teu senhorio: a solidariedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Na Missa deste domingo, após a consagração, preste bem atenção à oração que a assembleia  faz em resposta às palavras do padre: “Eis o mistério da fé!”. Veja se encontra nessa oração uma ligação com o evangelho de hoje.

Pe. João Carlos Ribeiro – 18.11. 2018

2018/09/29

JESUS, OS ANJOS E A ESCADA

Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem (Jo 1, 51)
29 de setembro de 2018.
Jesus chamou Felipe para segui-lo. Filipe encontrou-se com Natanael e lhe contou que tinha encontrado o Messias, Jesus de Nazaré. Mesmo cheio de preconceito contra o povo de Nazaré, Natanael acompanhou Felipe que o levou até Jesus. Na verdade, Jesus já o conhecia, para admiração de Natanael. Foi quando Jesus lhe disse que ele iria presenciar coisas muito maiores. “Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1, 51)
Para entender essa palavra de Jesus a Natanael é preciso lembrar o sonho de Jacó, contado no livro do Gênesis cap. 28. Jacó, em viagem, dormindo ao relento, teve um sonho. Viu uma escada apoiada no chão e com a outra ponta tocando o céu. Por essa escada, os anjos de Deus subiam e desciam. Lá, no topo, da escada, lá em cima no céu, estava Deus sentado no seu trono. E ele se apresentou a Jacó. Disse que era o Deus de Abraão, seu antepassado, Deus de Isaac, seu pai. E que lhe daria toda aquela terra por onde ele e sua família peregrinavam.
Qual será o significado desse sonho de Jacó? O que seria essa escada da terra ao céu com os anjos subindo e descendo por ela? Esse sonho foi uma profunda experiência de Deus em que o Senhor revelou ao seu servo uma comunicação direta entre o céu e a terra, entre Deus e o seu povo. Estava aberto um canal de comunicação direta com o Senhor. Os anjos são seus mensageiros, vêm da parte de Deus. E levam a Deus nossas preces, os nossos rogos, nossos louvores. O céu aberto e os anjos indo e vindo pela escada é o tempo novo da comunhão entre o céu e a terra, entre Deus e os seus servos. Esse tempo sonhado por Jacó chegou plenamente com a presença de Jesus entre nós.
É o que Jesus disse a Natanael: Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem. Note essa parte: os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem. O Filho do homem é Jesus. Jesus nos abriu as portas do céu. A escada é ele mesmo. Jesus é a comunicação perfeita com o Pai, é aquele que nos liga ao Pai, é por ele que o Pai nos fala e se comunica conosco. Note que em todas as orações da Igreja, concluímos sempre dizendo: “Por Cristo, nosso Senhor”. ‘Por Cristo’ quer dizer por meio dele. Ele é o mediador entre o céu e a terra, a escada por onde nos comunicamos com o céu e por onde o Pai se comunica conosco.
Guardando a mensagem
Quando Natanael começou a seguir Jesus, o Mestre lhe disse que ele iria ver o céu aberto e os anjos subindo e descendo. Era uma referência ao sonho de Jacó, a comunicação direta entre o céu e a terra. Com Jesus, temos agora um canal de comunicação direta com Deus, o Pai, uma escada por onde podemos ascender ao céu. Lembre o que Jesus falou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. É por ele que chegamos ao Pai. É por ele, que o Pai nos abençoa e nos conduz. Ele é o mediador entre o céu e a terra. Ele é a escada.
Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem (Jo 1, 51)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Hoje festejamos os anjos Miguel, Gabriel e Rafael. Na visão que Jacó teve da escada que unia a terra ao céu, ele viu os anjos subindo e descendo por ela. Com a tua obra redentora, Senhor Jesus, chegou esse tempo de comunhão entre o céu e a terra. Agora, sim, agora os anjos mensageiros de Deus e portadores de nossas preces podem estar em plena ação. Pois agora, essa comunicação entre o céu e a terra é possível por meio de ti, mediador da humanidade junto do Pai. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Jesus chamou Felipe para segui-lo. E Felipe chamou Natanael para conhecer Jesus. Se hoje, aparecer uma oportunidade para falar de Jesus a alguém... faça como Felipe. Não se deixe intimidar pelo preconceito. Fale do seu encontro com Jesus a essa pessoa.
Pe. João Carlos Ribeiro – 29.09.2018

2017/09/30

UM CAMINHO HUMANO


O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens (Lc 9, 44).
Todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Mas, não entendiam o que Jesus dizia. Notaram? Admirados com que ele fazia, mas nem tudo que ele dizia chegavam a compreender. E ele foi claro: “Prestem atenção às palavras que eu vou dizer: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Aí é que eles não entenderam mesmo. Não pegaram o sentido dessa palavra. E até mesmo tinham medo de fazer perguntas sobre isso.
Pela insistência de Jesus, o que ele está dizendo é muito importante para que ele seja compreendido. “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Quem é o Filho do homem? Jesus, ele mesmo. E ele gostava de se anunciar assim com essa expressão “o Filho do homem”. Essa expressão ocorre no livro do profeta Daniel. Chamar-se a si mesmo de “Filho do homem”, com certeza, era uma forma de sublinhar a sua encarnação, a sua condição humana.
As pessoas estavam admiradas com aqueles sinais que mostravam sua ligação com Deus, sua participação no poder divino: a multiplicação dos pães no deserto, a tempestade acalmada no lago, a cura do cego de Jericó, a ressurreição de Lázaro...  Esses são sinais de grandeza, de poder, reflexos de sua condição divina. Mas, ele assumiu a nossa condição humana. Encarnou-se. Nessa condição, será perseguido, condenado, executado. Agora, é claro, isso não podia passar pela cabeça dos discípulos. Pedro mesmo uma vez falou com Jesus, dando-lhe conselho para que ele não dissesse isso. Deus o livraria de qualquer coisa.
Veja você, isso tem repercussão no modo como compreendemos Jesus. Jesus é Deus, mas de verdade fez-se gente, humano. E quando chegasse a hora da Paixão, ele não iria fugir, evadir-se pela força do seu poder divino. Não nos esqueçamos, ao olhar para Jesus, que ele assumiu de verdade a condição humana, no seio da virgem Maria e em nossa história.


Apliquemos também esta compreensão à nossa vida. Mesmo sendo elevados à condição de filhos de Deus, ainda continuamos humanos, sujeitos às doenças, às contrariedades e à morte. Às vezes queremos escapar de nossa precariedade humana. Há quem até cobre de Deus que o livre de qualquer dor de cabeça, de uma doença perigosa, de uma complicação... mas, não podemos nos esquecer que essa nossa vida humana é o palco de nossa história de amor e fidelidade ao nosso Deus. É aqui, na precariedade de nossa vida que experimentamos e vivemos nossa condição de filhos de Deus.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Não podia passar pela cabeça dos discípulos que Jesus passaria por tantos sofrimentos e por uma morte cruel. Jesus os preveniu, repetidas vezes, que ele seria entregue nas mãos dos homens. Mesmo sendo Deus, Jesus fez-se humano de verdade, assumindo também o sofrimento, a traição e a morte como parte do seu caminho. Nós, em nossa condição humana, às vezes somos tentados a não aceitar os sofrimentos e as contrariedades que as nossas limitações humanas nos impõem. A encarnação de Jesus foi de verdade, por opção dele e do Pai. Assim, ele santificou o nosso caminho humano. Com todos os seus limites, nossa vida humana é o nosso caminho de santificação e de realização da vontade de Deus.
O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens (Lc 9, 44).