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20200707

O MUDO COMEÇOU A FALAR


Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)
07 de julho de 2020



Você é um cidadão. Você é uma cidadã. Coisa muito boa, parabéns. Mas, é um cidadão que participa ou que apenas assiste o que está acontecendo? Olha que aqui vai uma grande diferença, não é verdade? Há cidadãos que acompanham o movimento da sociedade, formam sua opinião, discutem, dão palpite... de alguma forma, participam. E há cidadãos que estão por fora, estão à margem, não se sentem em condições de dar sua opinião. Estão mudos, silenciosos. Não participam. Você conhece pessoas assim?

Por que será que há pessoas assim, mudas, num país democrático e numa Igreja de comunidades? Talvez o país não seja tão democrático assim. E a Igreja não esteja assim tão comunitária. O fato é este e é grave: há pessoas deixadas à margem, sem efetiva participação, que não têm opinião para dar ou que apenas repetem a visão dos grupos econômicos detentores dos grandes veículos de comunicação.

Esse problema, com certeza, havia no tempo de Jesus. Gente calada, silenciada por uma educação autoritária ou por uma situação política repressora. Gente acostumada a viver à margem, desconsiderada, só contada para os impostos, mas sem nenhuma participação e envolvimento na vida do país. No evangelho de hoje, está dito que Jesus, vendo o seu povo, compadeceu-se dele, vendo, naquela gente cansada e abatida, ovelhas sem pastor. E por onde ele andasse – povoados, cidades, sinagogas – ensinava, pregava o evangelho do Reino e curava todo tipo de doença e enfermidade. As curas eram uma forma de concretização do efeito da pregação. A Palavra de Deus resgata a dignidade da pessoa, acorda a sua condição de filho de Deus, devolve sua condição de protagonista de sua própria história. Boa parte das doenças se alimenta do abatimento das pessoas, de sua permanente humilhação, de sua falta de horizonte. Jesus, com a força divina, anunciava o amor de Deus, libertando, curando, expulsando o mal da vida das pessoas.

E é aí que entra a história do homem mudo que apresentaram a Jesus. Como eles entendiam, estava mudo porque estava possuído por um demônio. Justo. Povo calado, silencioso, sem opinião sobre nada de importante só pode mesmo estar possuído por uma força maligna que o impede de se sentir e de se expressar como filho de Deus, como cidadão participante e informado, capaz de dizer sua palavra sobre o mundo. Quando o demônio foi expulso, ele começou a falar.

É isso que ocorre com a pregação do Evangelho, o amor de Deus comunicado pela presença de Jesus... os que estão à margem são chamados para o centro; aos que não estão enxergando, os cegos, é dada a luz da fé; os que estão possuídos pelo mal, pela doença, experimentam o poder libertador de Deus. O mudo começa a falar... o cidadão passivo começa a participar.

Guardando a mensagem

Apresentaram um mudo a Jesus. Quase sempre a doença era explicada pela dominação de um mau espírito. Jesus expulsou o demônio e o mudo começou a falar. Em nossa sociedade, há um grande número de cidadãos mudos, silenciosos, à margem dos processos sociais. A verdadeira evangelização liberta essas pessoas de sua mudez, fazendo delas cidadãos participantes na sociedade e na Igreja.

Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Ficamos felizes quando percebemos que a pregação da Palavra de Deus está gerando cristãos conscientes, responsáveis e participativos na vida da Igreja. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Ficamos felizes quando percebemos que cidadãos antes passivos, desconsiderados, começam a ter sua opinião, a se sentir envolvidos e participantes nos processos. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Talvez hoje se apresente uma situação em que você precise emitir sua opinião. Faça um esforço para participar. Participando, a gente contribui, esclarece, aprende, forma opinião. A evangelização cura as pessoas de sua mudez.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200527

LIVRA-NOS DO MAL

Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno (Jo 17, 15)

27 de maio de 2020


Na oração que Jesus fez ao Pai, rogando por nós, ele disse que não pedia que o Pai nos tirasse do mundo, mas que nos guardasse do maligno. De fato, no Pai Nosso, ele nos ensinou a pedir ao Pai que nos livre do mal. Não que nos tirasse do mundo, mas que nos guardasse do mal que está no mundo, foi o pedido dele.

Neste sentido, há uma outra expressão nessa oração de Jesus muito especial: “Eles não são do mundo, como eu também não sou do mundo”. Nós não somos do mundo, estamos no mundo. Jesus também não é do mundo. Mas, veio ao mundo com a missão de salvá-lo.

No evangelho de João, aparece muito clara a oposição entre Jesus e o mundo. O mundo seria a ruindade que está no nosso meio, essa parte perversa em nós e na sociedade que se opõe a Deus, o domínio do pecado. Poderíamos entender essa palavra ‘mundo’ como a humanidade decaída. E Jesus identifica que o mal desse mundo tem sua inspiração e seu comando no demônio, sendo este, no seu dizer, o pai da mentira. Este está em oposição ao Espírito da Verdade, o Santo Espírito de Deus.

O mundo é, então, esse conjunto de forças que está longe de Deus e que se opôs a Jesus, levando-o à morte. E que se opõe também aos discípulos, penalizando-os com a mesma perseguição. A rejeição e a perseguição foram muito fortes nas primeiras gerações de cristãos. O mundo que rejeitou Jesus rejeitou também a pregação e o modo de vida dos seus seguidores.

Às vezes, somos tentados a pensar numa separação completa entre o que é do mundo e o que é de Deus. E pensamos, erradamente, que de Deus são as coisas religiosas e do mundo são as coisas seculares. Engano. Tudo é de Deus, ele está em tudo e em todos. Deus se manifesta e comanda também o que nos parece secular, fora da órbita do sagrado. O que Deus criou é dele. O sonho é que tudo seja reino de Deus.

Às vezes, somos tentados também a pensar que, de um lado está o bem e do outro está o mal. Também este é um engano. As coisas podem estar misturadas, como Jesus mostrou na parábola do joio e do trigo. Não dá para arrancar logo o joio, senão prejudica o trigo que está crescendo ao seu lado. E só dá pra saber mesmo certinho quem é quem quando chega a hora de dar frutos. Quer coisa mais santa do que o grupo dos apóstolos, que Jesus pessoalmente escolheu, depois de uma noite de oração?! Pois, o traidor foi um dos doze apóstolos. As coisas, realmente, estão misturadas.

Mesmo habitado pelo mal, o mundo foi amado por Deus. E Jesus veio para convidá-lo à conversão. “Deus tanto amou o mundo que enviou o seu filho unigênito”. E o próprio Jesus explicou, para escândalo dos fariseus: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”.

Guardando a mensagem

Na ceia, Jesus pediu ao Pai por nós: que ele nos livrasse do maligno. Nós não somos mais do mundo, somos de Deus. Mas, estamos no mundo. Jesus também não era do mundo, mas veio ao mundo para salvá-lo. Mesmo não sendo do mundo, estamos nele e temos uma missão dentro dele. Reconhecemos que esse mundo que Deus criou está cheio de coisas boas e promissoras. Mas, experimentamos também que há muita perversidade e maldade no meio do mundo. E temos certeza, como Jesus tinha, que sem desmerecer a responsabilidade humana, por trás de tanto mal há a atuação do inimigo da humanidade e de Deus. E temos consciência que o mal não está só fora do ambiente religioso. Também entre nós, há sementes de egoísmo, de violência e desamor.

Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno (Jo 17, 15)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Que a mentalidade do Reino de Deus – a fraternidade, a justiça, o amor, a paz – marque nossa vida de cristãos e nossos compromissos nesse mundo. E que a mentalidade do mundo – o individualismo, a luxúria, a exploração, o consumismo – não enfraqueça o espírito cristão que professamos. Livra-nos, Senhor, de todo o mal. Amém.

Vivendo a palavra

Estamos na semana de oração pela unidade dos cristãos. É possível que na sua família haja alguém que não seja católico. Hoje, dedique um momento de oração em favor dessa ou dessas pessoas. Peça pelo seu bem, pela sua felicidade, pela sua fidelidade ao evangelho.

A gente se reencontra às 22 horas, na Live da Oração da Noite, nas redes sociais: facebook, youtube e no aplicativo Tempo de Paz. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200113

JESUS VEIO NOS LIBERTAR

Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” (Mc 1, 25) 


14 de janeiro de 2020.

Sabe o que foi? Jesus estava na sinagoga de Cafarnaum. Era um dia de sábado. O povo estava reunido para a oração e a escuta da palavra de Deus. E Jesus estava ensinando. As pessoas, ali, estavam admiradas com o seu ensinamento. Foi aí que um homem ali presente, possuído por um espírito impuro, começou a gritar e esbravejar contra Jesus. Jesus mandou o espírito calar a boca e sair daquele homem. Dito e feito. O homem foi sacudido com violência pelo espírito mau, que deu um urro assustador e saiu. As pessoas ficaram assustadas, não era pra menos. E admiradas com aquele ensinamento novo de Jesus, com a sua autoridade. 

O ensinamento de Jesus é libertador das pessoas de todas as opressões. Seu ensinamento desmascara o mal que está escondido também dentro da comunidade, dominando a vida de algumas pessoas. Como na sinagoga de Cafarnaum, também em nossas comunidades, há sempre alguém que estranha e reage a este ensinamento, dizendo quase a mesma coisa do diabo da sinagoga: “Vieste para nos destruir?!”. 

O que será que Jesus dizia e fazia que pudesse incomodar alguém? As pessoas viam uma grande diferença entre o ensinamento de Jesus e o ensinamento dos fariseus. A primeira coisa que marcava uma grande diferença era a atenção que Jesus dava aos sofredores e marginalizados. Estes estavam à margem de tudo, na vida social e na religião. E Jesus os incluía como pessoas importantes no seu anúncio do Reino de Deus. E uma segunda coisa que mexeu demais com as lideranças do seu povo foi a imagem que ele passava de Deus. Ele revelava Deus como pai amoroso, pronto para acolher o filho pecador de volta à sua casa. E essa não era exatamente a imagem de Deus que eles tinham. Eles o percebiam como juiz e retribuidor das boas ações e da prática da Lei. 

Esse ensinamento de Jesus - feito de gestos de atenção e proximidade, de parábolas e diálogos sobre o Reino de Deus – despertou muita indignação e ódio nos fariseus, nos sacerdotes do Templo, nos partidários de Herodes. Essa gente estava possuída por preconceitos contra o povo, por interesses de classe, seduzida pelas benesses do poder, tomada de ciúme... e muita coisa ruim. Era como se estivessem possuídos por um espírito mau. Claro, o mal lança seus tentáculos nas estruturas sociais e nas pessoas. O que o diabo disse na sinagoga é o que diriam esses senhores: “Vieste para nos destruir?”. 

E ali, na sinagoga e nas ruas, muita gente tomou consciência de que o ensinamento de Jesus era realmente novo, sobretudo quando viu que ele enfrentava essas manifestações do mal, as calava e conseguia libertar pessoas dessa dominação. 

Guardando a mensagem 

O evangelho é uma força de mudança, anuncia o Reino de Deus já aqui na terra. Jesus, com suas atitudes e palavras, instaura o reinado de Deus. Podemos entender esse reinado, como Deus acolhendo, na comunhão de sua casa, todos os seus filhos, a começar pelos que saíram de casa e retornam pela conversão. Jesus partia do que o povo de Deus já conhecia e manifestava mais claramente o amor de Deus que restaura, perdoa, liberta as pessoas. Esse evangelho, essa boa notícia, encontrou oposições também dentro da própria sinagoga, a comunidade de fé que ele frequentava. Essa oposição à novidade do evangelho que Jesus anuncia, ontem como hoje, só pode mesmo ter raízes no maligno. Mas, Jesus é vencedor sobre todo o mal. Com ele, nós também somos vencedores. No Pai Nosso, rezamos: “Livrai-nos do mal”. 

Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” (Mc 1, 25) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

A novidade do evangelho corre sempre o perigo de ser esquecida ou abafada pelas forças que não têm interesse na emancipação das pessoas e no senhorio de Deus. Essas forças atuam dentro e fora da comunidade. Não é à toa que a Igreja tenha tantos mártires. Eles experimentaram a oposição à fé cristã por parte de pessoas maldosas e violentas. Uniram-se, assim, ao teu sacrifício na cruz. Em sua fidelidade, são vitoriosas, contigo. Senhor, te pedimos, livra-nos do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Ao rezar o Pai Nosso hoje, acentue bem essa prece: “Livrai-nos do mal”. Aproveite e diga em prece hoje, muitas vezes, essa palavra.

14 de janeiro de 2020 

João Carlos Ribeiro, sdb

20190903

UM ENSINAMENTO QUE LIBERTA

Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem (Lc 4, 36) 

03 de setembro de 2019 - Dia de São Gregório Magno. 



Jesus estava na sinagoga de Cafarnaum. Era um dia de sábado. O povo estava reunido para a oração e a escuta da palavra de Deus. E Jesus estava ensinando. As pessoas, ali, estavam admiradas com o seu ensinamento. Foi aí que um homem ali presente, possuído por um espírito impuro, começou a gritar e esbravejar contra Jesus. Jesus mandou o espírito calar a boca e sair daquele homem. Dito e feito. As pessoas ficaram assustadas, não era pra menos. E admiradas com aquele ensinamento novo de Jesus, com a sua autoridade. 


O ensinamento de Jesus é libertador das pessoas de todas as opressões. Seu ensinamento desmascara o mal que está escondido também dentro da comunidade, dominando a vida de algumas pessoas. Como na sinagoga de Cafarnaum, também em nossas comunidades, aparece alguém que estranha e reage a esse ensinamento, com os mesmos argumentos do demônio de Cafarnaum. 

O que será que Jesus dizia e fazia que pudesse incomodar alguém? As pessoas viam uma grande diferença entre o ensinamento de Jesus e o ensinamento dos fariseus. A primeira coisa que marcava uma grande diferença era a atenção que Jesus dava aos sofredores e marginalizados. Estes estavam à margem de tudo, na vida social e na religião. E Jesus os incluía como pessoas importantes no seu anúncio do Reino de Deus. E uma segunda coisa que mexeu demais com as lideranças do seu povo foi a imagem que ele passava de Deus. Ele revelava Deus como pai amoroso, pronto para acolher o filho pecador de volta à sua casa. E essa não era exatamente a imagem de Deus que eles tinham. Eles o percebiam como juiz e retribuidor das boas ações e da prática da Lei. 

Esse ensinamento de Jesus - feito de gestos de atenção e proximidade, de parábolas e diálogos sobre o Reino de Deus – despertou muita indignação e ódio nos fariseus, nos sacerdotes do Templo, nos partidários de Herodes. Essa gente estava possuída por preconceitos contra o povo, por interesses de classe, seduzida pelas benesses do poder, tomada de ciúme... e muita coisa ruim. Era como se estivessem possuídos por um espírito mau. Claro, o mal lança seus tentáculos nas estruturas sociais e nas pessoas. O que o diabo disse na sinagoga é o que diriam esses senhores: “Vieste para nos destruir?”. 

E ali, na sinagoga e nas ruas, muita gente tomou consciência de que o ensinamento de Jesus era realmente novo, sobretudo quando viu que ele enfrentava essas manifestações do mal, as calava e conseguia libertar pessoas dessa dominação. 

Guardando a mensagem 

O evangelho é uma força de mudança, anuncia o Reino de Deus já aqui na terra. Jesus, com suas atitudes e palavras, instaura o reinado de Deus. Podemos entender esse reinado, como Deus acolhendo, na comunhão de sua casa, todos os seus filhos, a começar pelos que saíram de casa e retornam pela conversão. Jesus partia do que o povo de Deus já conhecia e manifestava mais claramente o amor de Deus que restaura, perdoa, liberta as pessoas. Esse evangelho, essa boa notícia, encontrou oposições também dentro da própria sinagoga, a comunidade de fé que ele frequentava. Essa oposição à novidade do evangelho que Jesus anuncia, ontem como hoje, só pode mesmo ter raízes no maligno. Mas, Jesus é vencedor sobre todo o mal. Com ele, nós também somos vencedores. No Pai Nosso, rezamos: “Livrai-nos do mal”. 

Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem (Lc 4, 36) 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

A novidade do evangelho corre sempre o perigo de ser esquecida ou abafada pelas forças que não têm interesse na emancipação das pessoas e no senhorio de Deus. Essas forças atuam dentro e fora da comunidade. Não é à toa que a Igreja tenha tantos mártires. Eles experimentaram a oposição à fé cristã por parte de pessoas maldosas e violentas. Uniram-se, assim, ao teu sacrifício na cruz. Em sua fidelidade, são vitoriosas, contigo. Senhor, te pedimos, livra-nos do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Ontem, eu lhe fiz um desafio. Você não me disse ainda se topou. Ler, neste mês de setembro, o evangelho de São Lucas. Todo dia, ler um pedacinho. São só 24 capítulos. Se não começou ainda, comece hoje. 

Pe. João Carlos Ribeiro - 03 de setembro de 2019

20190709

VENCENDO O MAL

Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)
09 de julho de 2019.
Você é um cidadão. Você é uma cidadã. Coisa muito boa, parabéns. Mas, é um cidadão que participa ou que apenas assiste o que está acontecendo? Olha que aqui vai uma grande diferença, não é verdade? Há cidadãos que acompanham o movimento da sociedade, formam sua opinião, discutem, dão palpite... de alguma forma, participam. E há cidadãos que estão por fora, estão à margem, não se sentem em condições de dar sua opinião. Estão mudos, silenciosos. Não participam. Você conhece pessoas assim?
Por que será que há pessoas assim, mudas, num país democrático e numa Igreja de comunidades? Talvez o país não seja tão democrático assim. E a Igreja não esteja assim tão comunitária. O fato é este e é grave: há pessoas deixadas à margem, sem efetiva participação, que não têm opinião para dar ou que apenas repetem a visão dos grupos econômicos detentores dos grandes veículos de comunicação.
Esse problema, com certeza, havia no tempo de Jesus. Gente calada, silenciada por uma educação autoritária ou por uma situação política repressora. Gente acostumada a viver à margem, desconsiderada, só contada para os impostos, mas sem nenhuma participação e envolvimento na vida do país. No evangelho de hoje, está dito que Jesus, vendo o seu povo, compadeceu-se dele, vendo, naquela gente cansada e abatida, ovelhas sem pastor.  E por onde ele andasse – povoados, cidades, sinagogas – ensinava, pregava o evangelho do Reino e curava todo tipo de doença e enfermidade. As curas eram uma forma de concretização do efeito da pregação. A Palavra de Deus resgata a dignidade da pessoa, acorda a sua condição de filho de Deus, devolve sua condição de ator ou atriz de sua própria história. Boa parte das doenças se alimenta do abatimento das pessoas, de sua permanente humilhação, de sua falta de horizonte. Jesus, com a força divina, anunciava o amor de Deus, libertando, curando, expulsando o mal da vida das pessoas.
E é aí que entra a história do homem mudo que apresentaram a Jesus. Como eles entendiam, estava mudo porque estava possuído por um demônio. Justo. Povo calado, silencioso, sem opinião sobre nada de importante só pode mesmo estar possuído por uma força maligna que o impede de se sentir e de se expressar como filho de Deus, como cidadão participante e informado, capaz de dizer sua palavra sobre o mundo. Quando o demônio foi expulso, ele começou a falar.
É isso que ocorre com a pregação do Evangelho, o amor de Deus comunicado pela presença de Jesus... os que estão à margem são chamados para o centro; aos que não estão enxergando, os cegos, é dada a luz da fé; os que estão possuídos pelo mal, pela doença, experimentam o poder libertador de Deus. O mudo começa a falar... o cidadão passivo começa a participar.
Guardando a mensagem
Apresentaram um mudo a Jesus. Quase sempre a doença era explicada pela dominação de um mau espírito. Jesus expulsou o demônio e o mudo começou a falar. Em nossa sociedade, há um grande número de cidadãos mudos, silenciosos, à margem dos processos sociais. A verdadeira evangelização liberta essas pessoas de sua mudez, fazendo delas cidadãos participantes na sociedade e na Igreja.
Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Ficamos felizes quando percebemos que a pregação da Palavra de Deus está gerando cristãos conscientes, responsáveis e participativos na vida da Igreja. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Ficamos felizes quando percebemos que cidadãos antes passivos, desconsiderados, começam a ter sua opinião, a se sentir envolvidos e participantes nos processos. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Talvez hoje se apresente uma situação em que você precise emitir sua opinião. Faça um esforço para participar. Participando, a gente contribui, esclarece, aprende, forma opinião. A evangelização cura as pessoas de sua mudez.

Pe. João Carlos Ribeiro – 10 de julho de 2019.

20190605

LIVRA-NOS DO MAL


Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno (Jo 17, 15)
05 de junho de 2019.
Na oração que Jesus fez ao Pai, rogando por nós, ele disse que não pedia que o Pai nos tirasse do mundo, mas que nos guardasse do maligno. De fato, no Pai Nosso, ele nos ensinou a pedir ao Pai que nos livre do mal. Não que nos tirasse do mundo, mas que nos guardasse do mal que está no mundo, foi o pedido dele.
Neste sentido, há uma outra expressão nessa oração de Jesus muito especial: “Eles não são do mundo, como eu também não sou do mundo”. Nós não somos do mundo, estamos no mundo. Jesus também não é do mundo. Mas, veio ao mundo com a missão de salvá-lo.
No evangelho de João, aparece muito clara a oposição entre Jesus e o mundo. O mundo seria a ruindade que está no nosso meio, essa parte perversa em nós e na sociedade que se opõe a Deus, o domínio do pecado. Poderíamos entender essa palavra ‘mundo’ como a humanidade decaída. E Jesus identifica que o mal desse mundo tem sua inspiração e seu comando no demônio, sendo este, no seu dizer, o pai da mentira. Este está em oposição ao Espírito da Verdade, o Santo Espírito de Deus.
O mundo é, então, esse conjunto de forças que está longe de Deus e que se opôs a Jesus, levando-o à morte. E que se opõe também aos discípulos, penalizando-os com a mesma perseguição. A rejeição e a perseguição foram muito fortes nas primeiras gerações de cristãos. O mundo que rejeitou Jesus rejeitou também a pregação e o modo de vida dos seus seguidores.
Às vezes, somos tentados a pensar numa separação completa entre o que é do mundo e o que é de Deus. E pensamos, erradamente, que de Deus são as coisas religiosas e do mundo são as coisas seculares. Engano. Tudo é de Deus, ele está em tudo e em todos. Deus se manifesta e comanda também o que nos parece secular, fora da órbita do sagrado. O que Deus criou é dele. O sonho é que tudo seja reino de Deus.
Às vezes, somos tentados também a pensar que, de um lado está o bem e do outro está o mal. Também este é um engano. As coisas podem estar misturadas, como Jesus mostrou na parábola do joio e do trigo. Não dá para arrancar logo o joio, senão prejudica o trigo que está crescendo ao seu lado. E só dá pra saber mesmo certinho quem é quem quando chega a hora de dar frutos. Quer coisa mais santa do que o grupo dos apóstolos, que Jesus pessoalmente escolheu, depois de uma noite de oração?! Pois, o traidor foi um dos doze apóstolos. As coisas, realmente, estão misturadas.
Mesmo habitado pelo mal, o mundo foi amado por Deus. E Jesus veio para convidá-lo à conversão. “Deus tanto amou o mundo que enviou o seu filho unigênito”. E o próprio Jesus explicou, para escândalo dos fariseus: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”.
Guardando a mensagem
Na ceia, Jesus pediu ao Pai por nós: que ele nos livrasse do maligno. Nós não somos mais do mundo, somos de Deus. Mas, estamos no mundo. Jesus também não era do mundo, mas veio ao mundo para salvá-lo. Mesmo não sendo do mundo, estamos nele e temos uma missão dentro dele. Reconhecemos que esse mundo que Deus criou está cheio de coisas boas e promissoras. Mas, experimentamos também que há muita perversidade e maldade no meio do mundo. E temos certeza, como Jesus tinha, que sem desmerecer a responsabilidade humana, por trás de tanto mal há a atuação do inimigo da humanidade e de Deus. E temos consciência que o mal não está só fora do ambiente religioso. Também entre nós, há sementes de egoísmo, de violência e desamor.
Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno (Jo 17, 15)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Que a mentalidade do Reino de Deus – a fraternidade, a justiça, o amor, a paz – marque nossa vida de cristãos e nossos compromissos nesse mundo. E que a mentalidade do mundo – o individualismo, a luxúria, a exploração, o consumismo – não enfraqueça o espírito cristão que professamos. Livra-nos, Senhor, de todo o mal. Amém.
Vivendo a palavra
Estamos na semana de oração pela unidade dos cristãos. É possível que na sua família haja alguém que não seja católico. Hoje, dedique um momento de oração em favor dessa ou dessas pessoas. Peça pelo seu bem, pela sua felicidade, pela sua fidelidade ao evangelho.

Pe. João Carlos Ribeiro – 05 de junho de 2019.

20190227

CONCORRENTE OU PARCEIRO?

Quem não é contra nós é a nossa favor (Mc 9, 40)
27 de fevereiro de 2019.
Jesus libertava as pessoas da dominação, expulsava demônios. Expulsar demônios era uma forma de tornar visível a presença do Reino de Deus como libertação de todas as forças de opressão. Os discípulos também deviam fazer isso, em nome de Jesus. E com certeza, o faziam. Recentemente, por exemplo, vimos que eles não conseguiram expulsar o espírito mudo de um menino.
No texto de hoje, os discípulos encontraram alguém expulsando demônios em nome de Jesus. ‘O quê? Em nome de Jesus? Não pode!  Nós que andamos com Jesus, nós é que estamos autorizados a invocar a força do seu nome para expulsar demônios. Ninguém mais’. Foram lá e interferiram. Proibiram o sujeito de expulsar demônios no nome de Jesus.
Pensando no sentido desse texto, a gente identifica logo com assunto de religião, e com razão. Mas, podemos pensar com maior abrangência. Pensemos, por exemplo, na educação, no comércio, na prestação de serviços. Sempre encontramos alguém que está fazendo mais ou menos o que estamos nos propondo a fazer, está atuando na nossa mesma área. E o tomamos logo por inimigo, não é verdade? A sociedade do mercado em que vivemos nos diz logo que se trata de um concorrente que vai nos arruinar. E ‘concorrente’ é um inimigo do qual temos que tomar distância e vigiar atentamente seus movimentos.
A resposta de Jesus foi admirável. Ele censurou os discípulos por terem proibido a pessoa de expulsar demônios em seu nome. E disse a razão: “se essa pessoa faz milagres em meu nome, não vai depois falar mal de mim”. E concluiu: “Quem não é contra nós é a nosso favor”.
Jesus nos encarregou de fazer um bocado de coisa, não foi? Mandou a gente anunciar o evangelho a toda criatura. Mandou batizar e ensinar. Mandou perdoar os pecados dos irmãos também. De repente, a gente se dá conta que há outros fazendo isso e não são da nossa Igreja, não estão sob o comando de nossas lideranças. A nossa reação pode ser igualzinha a de João e seus colegas: desautorizar, impedir, bloquear sua atuação, no quanto possível.
O ensinamento do Mestre é claro. Jesus não é propriedade nossa. Outros podem ter acesso a ele. O evangelho não é exclusividade de meu grupo religioso, de minha igreja. Se quem está agindo em seu nome, fora de nossos quadros, estiver agindo com desonestidade ou má intenção, Deus lá o julgue.  Se forem verdadeiros os seus propósitos, se estiver procurando a comunhão com Cristo, poderá também ser dócil e obediente aos seus desígnios. E mais cedo ou mais tarde pode até se entender conosco. Jesus mesmo disse que tinha outras ovelhas que não eram daquele aprisco. E já avisou que haverá um só rebanho e um só pastor.
Guardando a mensagem
Sabe de uma coisa? Vá treinando para ser tolerante como Jesus. Não tome por adversário, por inimigo, quem está empreendendo no comércio ao seu lado, ou na sua área de atuação na saúde ou na educação, ou mesmo na evangelização. Comece dentro de casa a ser paciente e tolerante com quem não reza na sua mesma cartilha. Veja lá se você não tem o que aprender com ele ou com ela. Aproveite para viver com mais autenticidade e fidelidade as suas opções. E prepare o seu coração, pois quem sabe você possa, em breve, contar com um novo parceiro no caminho do Reino.  Aprenda a viver sua fé com tolerância, com respeito às opções dos outros, com abertura para o ecumenismo e o diálogo religioso.
Quem não é contra nós é a nossa favor (Mc 9, 40)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A tolerância sempre foi uma virtude necessária para uma convivência pacífica e respeitosa. Hoje, com a globalização e pluralismo, tornou-se ainda mais importante. Tolerância é o contrário do exclusivismo, do bairrismo, do fanatismo. Admiramos a tua tolerância, Senhor. Ensinaste que “quem é não é contra nós, é a nosso favor”. Ensina-nos a viver com seriedade nossa vida cristã e a não nos sentirmos ameaçados por outras opções religiosas. Que tenhamos um coração respeitoso e tolerante, como o teu, que nos permita uma aproximação maior de outros grupos religiosos, com quem possamos até participar juntos na construção de um mundo melhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Na sua família ou no seu trabalho, pode haver alguém que você já identificou como concorrente. Essa palavra de Jesus lhe diz alguma coisa sobre isso?

Pe. João Carlos Ribeiro – 27.02.2019

20180930

A VERDADE QUE CONSTRÓI A PAZ


Quem não é contra nós é a nosso favor (Mc 9, 40)

30 de setembro de 2018.

Vivemos numa sociedade pluralista: muitas opiniões, muitas visões de mundo, muitas escolhas possíveis. Houve um tempo, no Brasil, em que o pensamento cristão católico era dominante. Todo mundo pensava conforme a tradição da fé católica. Quem pensasse diferente era repreendido e descriminado. Hoje, a coisa já não é mais assim. Sentimos que o pensamento cristão é cada vez mais, na sociedade, um pensamento, ao lado de outros. Sabemos que estamos com a verdade, mas não somos donos da verdade. Há outros que também expressam essa mesma verdade, seja porque são cristãos de outras igrejas, seja porque são pessoas de boa vontade que estão buscando sinceramente o bem.

Essa nova condição que vivemos hoje nos assusta. Pertencemos a uma instituição bimilenar, que vem guardando fielmente o depósito da fé, desde o tempo dos apóstolos. Mas, agora convivemos com pessoas e instituições que expressam sua fé, suas crenças, independentemente de nós.  Algumas dessas crenças parecem próximas das nossas, outras parecem bem diferentes e até opostas às nossas. Não é que tudo agora seja relativo e esteja todo mundo certo. Isso não. Mas, já não somos os únicos, nem podemos negar que outros possam estar próximos da verdade.

Em outros tempos, essas divergências podiam se resolver facilmente pela negação do diferente, por sua proibição ou pela repressão às novas crenças e atitudes. Hoje, se espera que estejamos em condição de agir de forma diferente.

O evangelho (de hoje – Marcos 9) vem em nosso auxílio. Os apóstolos encontraram alguém expulsando demônios em nome de Cristo. Mas, esse tal não fazia parte do grupo deles. Então, eles o proibiram. “Quem já se viu, usando o nome de Cristo, expulsando demônios em seu nome e não pertencer ao nosso grupo!”. Jesus não concordou com essa atitude. “Não façam isso. Não proíbam. Ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor”.

O que essa cena nos ensina? A missão não estava só no grupo dos discípulos, mesmo eles tendo a presença de Jesus. A missão também estava acontecendo fora do grupo deles. Aquela pessoa não era um inimigo, nem estava usurpando o poder deles.  A mão de Deus operava também lá, mesmo fora do grupo deles. A visão de Jesus é surpreendente: “Quem não é contra nós é a nosso favor”. Isto é, é alguém que está somando conosco.

E aquela cena do livro dos Números (Nm 11)? Deus distribuiu um pouco do espírito de Moisés com 70 anciãos. Dois deles nem estavam na reunião. Estes, lá no acampamento, começaram a profetizar. O ajudante de Moisés correu para avisar: “Moisés, meu senhor, manda que eles se calem”. Olha a resposta de Moisés: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito”.

O que essa cena nos ensina? Deus distribui seus dons de maneira surpreendente. O Espírito sopra onde quer. Cabe-nos, com espírito de fé, reconhecer a ação de Deus, que age para além dos nossos limites culturais e religiosos.

Guardando a mensagem

Já no Concílio Vaticano II, a Igreja, examinando sua presença no mundo, reconheceu que as sementes do Verbo estão em todas as culturas; e que, mesmo aonde não chegaram os nossos missionários, o Espírito Santo já chegou e lá vem atuando para que todos cheguem ao conhecimento da verdade.  Mesmo nos reconhecendo portadores do Evangelho do Senhor ao mundo, nos cabe sempre uma atitude de humildade, de diálogo, de abertura para com quem não pensa como nós ou que não pertence ao nosso grupo. Moisés não se deixou levar pelo ciúme: “Quem nos dera que todo o povo do Senhor profetizasse”. Jesus nos deixou o exemplo maior:  “Quem é não é contra nós é a nosso favor”. Humildade, diálogo, tolerância, para sermos significativos no Brasil de hoje e contribuirmos na construção de um mundo melhor.

Quem não é contra nós é a nosso favor (Mc 9, 40)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Essa tua palavra chega mesmo numa hora em que estamos, em nosso país, em um momento de extrema polarização e nenhum diálogo. Queremos aprender contigo: dialogar, não eliminar o  adversário; expor a nossa verdade, não impor a nossa verdade; saber conviver com quem pensa diferente, sem deixarmos de ser fiéis aos nossos princípios. Senhor, ajuda-nos, com teu Santo Espírito, a  aprender também com os outros e nos sentirmos aliados de quem luta pela vida, pela justiça e pela paz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, sendo o dia da Bíblia, leia Marcos 9, 38-40 e comente com alguém de sua amizade sobre estes ensinamentos de Jesus tão atuais e oportunos para os nossos dias.

Pe. João Carlos Ribeiro – 30.09.2018

20180811

A HISTÓRIA DE UM PAI AFLITO

Senhor, tem piedade do meu filho (Mt 17, 15)
11 de agosto de 2018.
Todo pai pede a Deus para que o seu filho venha com saúde. Às vezes, a natureza traz o filho com problemas. Não se pode colocar a culpa em Deus, de jeito nenhum. Deus faz tudo bem feito. O homem ou a natureza é que embaralham as coisas. Muita coisa a ciência ainda não sabe, está pesquisando. O certo é que, venha como vier, os pais recebam a sua criança com todo carinho. E Deus que é pai de todos está sempre por perto para socorrer, abençoar, providenciar o melhor para aquela família. Tenho visto que muitas vezes, por ter um filho com alguma deficiência (autismo, síndrome de down, uma grave alergia e tanta coisa mais...), exatamente por causa da fragilidade do filho, os pais terminam por se aproximar mais de Deus.
Bem na véspera do dia dos pais, nos vem esse belo texto do evangelho de São Mateus. Na cena do evangelho, “um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: “Senhor, tem piedade do meu filho”. Jesus estava no meio de uma multidão. Mas, aquele pai, vencendo qualquer respeito humano, apresenta seu pedido desesperado ao Mestre. Já tinha tentado que os discípulos resolvessem, mas eles não tinham conseguido ajudar. Aproximou-se de Jesus... Aproximar-se de Deus é a atitude número um de um pai.  Aproximar-se do Senhor, ficar perto dele. O pai e a mãe, na verdade, já têm uma aproximação com Deus, porque eles participam do seu poder criador. Uma pessoa de fé sabe disso. O nascimento de uma criança é um dom maravilhoso de Deus, pela mediação de um pai e de uma mãe. A paternidade e a maternidade já deixam pai e mãe mais achegados a Deus.
Relendo o texto: Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se...  Ajoelhar-se é a atitude de quem está diante de Deus. É uma atitude de adoração, de reconhecimento de sua dependência de Deus. A gente se ajoelha para acompanhar respeitosamente a consagração na Santa Missa ou diante de Jesus Eucarístico, em adoração. Ajoelhar-se é estar diante de Deus, com respeito e em reconhecimento de sua grandeza.  Foi ajoelhado diante de Jesus que o pai pediu: “Senhor, tem piedade do meu filho”. Também esta palavra “Senhor” na boca desse pai tem sabor de reconhecimento de que está diante de Deus. Reconhecer que Jesus é o Senhor é uma profunda atitude de fé. A oração desse pai é uma oração de intercessão. E esta é uma das atribuições da missão paterna ou materna: interceder diante de Deus pelos seus filhos, pedir a Deus que os abençoe, os proteja dos perigos, os guarde, livre-os do mal.
“Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água”, disse o pai. Ainda hoje quem tem epilepsia é alvo de preconceito. Imaginemos o que não era há mais de 2.000 anos atrás, ainda mais naquele povo antigo que explicava qualquer doença como sendo uma possessão do demônio. Olha a aflição desse pai: seu filho epilético está tendo ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. Imagine o cuidado permanente daquela família com esse filho.
Jesus mandou que trouxessem o menino, ou quem sabe já um adolescente. Dentro da lógica de sua gente, Jesus exorcizou o demônio da doença e o menino ficou bom, naquela mesma hora.
Guardando a mensagem
Um pai aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e pediu em favor do seu filho epilético. Pela paternidade e pela maternidade, pai e mãe já estão mais próximos de Deus. Ajoelhar-se é um reconhecimento da divindade de Jesus. O pai não foi com dúvidas se Jesus podia ajudar ou não. O pai mostrou, por ter tratado o Mestre de ‘Senhor’ e por ter se ajoelhado, a sua completa confiança em Jesus. Ele pediu clemência para o filho epilético. E Jesus o curou, exorcizando o mal que estava nele. O pai quer sempre o melhor para o seu filho. E nunca pode esquecer de que ele, na obra da geração humana e na obra da educação, é parceiro de Deus.
Senhor, tem piedade do meu filho (Mt 17, 15)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
No Evangelho, de vez em quando um pai vem ao teu encontro, pedindo em favor de um filho que está em situação desesperadora.  Jairo, por exemplo, veio te contar a situação de sua filha adolescente, que havia morrido e pediu tua intervenção. Esse pai do evangelho de hoje, com um filho epilético, implorou a tua misericórdia.  A todos, Senhor, tu atendias segundo a sua fé, não segundo os seus merecimentos. Continua, Senhor, ouvindo as preces dos pais e mães de hoje que te apresentam continuamente seus rogos em favor de seus filhos, sobretudo de quem está em perigo na alma e no corpo. Derrama, Senhor, tuas bênçãos sobre os pais, amanhã vamos festeja-los, no seu dia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
O melhor presente que você pode dar ao seu pai vivo ou falecido é rezar por ele. O maior presente é, com certeza, oferecer a Santa Missa em favor dele. Então, programe-se para, amanhã, participar da celebração em sua comunidade e oferecer a Santa Missa por seu pai.

Pe. João Carlos Ribeiro – 11.08.2018

20180710

PARTICIPAÇÃO RIMA COM OPINIÃO


Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)
10 de julho de 2018.
Você é um cidadão. Você é uma cidadã. Coisa muito boa, parabéns. Mas, é um cidadão que participa ou que apenas assiste o que está acontecendo? Olha que aqui vai uma grande diferença, não é verdade? Há cidadãos que acompanham o movimento da sociedade, formam sua opinião, discutem, dão palpite... de alguma forma, participam. E há cidadãos que estão por fora, estão à margem, não se sentem em condições de dar sua opinião. Estão mudos, silenciosos. Não participam. Você conhece pessoas assim?
Por que será que há pessoas assim, mudas, num país democrático e numa igreja de comunidades? Talvez o país não seja tão democrático assim. E a Igreja não esteja assim tão comunitária. O fato é este e é grave: há pessoas deixadas à margem, sem efetiva participação, que não têm opinião para dar ou que apenas repetem a visão dos grupos econômicos detentores dos grandes veículos de comunicação.
Esse problema, com certeza, havia no tempo de Jesus. Gente calada, silenciada por uma educação autoritária ou por uma situação política repressora. Gente acostumada a viver à margem, desconsiderada, só contada para os impostos, mas sem nenhuma participação e envolvimento na vida do país. No evangelho de hoje, está dito que Jesus, vendo o seu povo, compadeceu-se dele, vendo, naquela gente cansada e abatida, ovelhas sem pastor.  E por onde ele andasse – povoados, cidades, sinagogas – ensinava, pregava o evangelho do Reino e curava todo tipo de doença e enfermidade. As curas eram uma forma de concretização do efeito da pregação. A Palavra de Deus resgata a dignidade da pessoa, acorda a sua condição de filho de Deus, devolve sua condição de ator ou atriz de sua própria história. Boa parte das doenças se alimenta do abatimento das pessoas, de sua permanente humilhação, de sua falta de horizonte. Jesus, com a força divina, anunciava o amor de Deus, libertando, curando, expulsando o mal da vida das pessoas.
E é aí que entra a história do homem mudo que apresentaram a Jesus. Como eles entendiam, estava mudo porque estava possuído por um demônio. Justo. Povo calado, silencioso, sem opinião sobre nada de importante só pode mesmo estar possuído por uma força maligna que o impede de se sentir e de se expressar como filho de Deus, como cidadão participante e informado, capaz de dizer sua palavra sobre o mundo. Quando o demônio foi expulso, ele começou a falar.
É isso que ocorre com a pregação do Evangelho, o amor de Deus comunicado pela presença de Jesus... os que estão à margem são chamados para o centro; aos que não estão enxergando, os cegos, é dada a luz da fé; os que estão possuídos pelo mal, pela doença, experimentam o poder libertador de Deus. O mudo começa a falar... o cidadão passivo começa a participar.
Vamos guardar a mensagem
Apresentaram um mudo a Jesus. Quase sempre a doença era explicada pela dominação de um mau espírito. Jesus expulsou o demônio e o mudo começou a falar. Em nossa sociedade, há um grande número de cidadãos mudos, silenciosos, à margem dos processos sociais. A verdadeira evangelização liberta essas pessoas de sua mudez, fazendo delas, cidadãos participantes na sociedade e na Igreja.
Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Ficamos felizes quando percebemos que a pregação da Palavra de Deus está gerando cristãos conscientes, responsáveis e participativos na vida da Igreja. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Ficamos felizes quando percebemos que cidadãos antes passivos, desconsiderados, começam a ter sua opinião, a se sentir envolvidos e participantes nos processos. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Talvez hoje se apresente uma situação em que você precise emitir sua opinião. Faça um esforço para participar. Participando, a gente contribui, esclarece, aprende, forma opinião. Pessoas evangelizadas foram curadas de sua mudez.

Pe. João Carlos Ribeiro – 10.07.2018

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