BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

O pecado desfigura a obra-prima de Deus.

 

   08 de setembro de 2024.  

23° Domingo do Tempo Comum

   Evangelho   


Mc 7,31-37

Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole.
32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”
35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam.
37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

   Meditação.  


Ele tem feito bem todas as coisas (Mc 7, 32)

Você já viu um oleiro trabalhando o barro? E já o viu fazendo alguma coisa de barro, um jarro, um animal, a figura de uma pessoa? Mas, garanto que você já ouviu essa frase antes: “Ele tem feito bem todas as coisas” ou “Ele viu que tudo era bom”. Lembra onde escutou essa frase?

Essa frase evoca a primeira página da Bíblia. Livro do Gênesis, a narração da criação. Deus criou o mundo em sete dias. E, no final de cada dia de trabalho, está escrito. “Deus viu tudo que tinha feito: e era muito bom” (Gn 1,31). Isso quer dizer: tudo estava bem feito. No sexto dia, Deus criou o homem. E o fez do pó da terra. Soprou em suas narinas o sopro da vida e o homem se tornou um ser vivente. E de novo, “viu que tudo estava bem feito”.

Veja se essa narração não é o modelo para a narração da cura do surdo-mudo, no evangelho de hoje! Trouxeram o homem surdo-mudo. Jesus o levou para longe do povo, tocou nos seus ouvidos com os seus dedos, cuspiu, tocou em sua língua com a saliva e suspirou dizendo “Efatá” (abre-te). Ele ficou bom. Começou a ouvir e falar direito. E o povo admirado dizia: “Ele tem feito bem todas as coisas”.

Achou alguma coisa parecida entre a narração da criação do homem e a cura do surdo-mudo?! Veja lá... Deus fez o homem do pó da terra. Claro, essa é a imagem do oleiro, que faz uma imagem de barro, mexendo, ajeitando com os dedos as suas feições, os seus ouvidos, a sua boca... E depois soprou em suas narinas para lhe comunicar a vida. Agora veja o que Jesus fez: separou o homem do meio do povo, ficou mexendo nos seus ouvidos com os dedos e na sua língua (as partes que não estavam funcionando bem, pois não escutava e não falava bem). E depois suspirou... suspirou? Deve-se entender melhor: soprou... Foi assim na criação do homem: Deus soprou nas narinas do protótipo de barro. Percebem, é uma espécie de reedição da criação do homem. E as pessoas entendem isso, pois reconhecem admiradas: “Ele tem feito bem todas as coisas”.

Nossa condição de pecadores, nesse mundo, bem se parece com a do surdo-mudo. Podemos estar bloqueados em nossas faculdades de ouvir e falar. Ouvir pode ser compreender o que está acontecendo, entender os sinais que estão sendo emitidos pela realidade. Falar é a capacidade de pronunciar-se, opinar, dizer a própria palavra sobre a realidade, como cidadãos do Reino de Deus neste mundo. E o que não estamos conseguindo ouvir? Não estamos ouvindo, por exemplo, o clamor da terra. Há uma crescente deterioração do clima no planeta. Não estamos ouvindo o grito do ódio e das armas. Há uma escala do autoritarismo em boa parte do mundo. Não estamos ouvindo o desespero da perda do sentido da vida. Está crescendo o número de suicídios, particularmente de jovens. A fé nos desperta para nossa condição de homens e mulheres criados à imagem e semelhança de Deus, sintonizados com o seu coração. Assim, nos tira dessa atitude passiva, alienada, omissa diante da realidade. A ação redentora de Jesus nos liberta para o amor, a justiça, a fraternidade. Faz-nos vencer a desinformação, a acomodação, o fatalismo. Como escreveu o apóstolo Paulo na Carta aos Gálatas: "Foi para a liberdade que Cristo nos libertou" (G 5, 1).




Guardando a mensagem

A cura, no fundo, é uma representação da ação mais profunda de Jesus, da realização de sua missão. Jesus não estava apenas curando pessoas.... ele estava consertando a obra prima da criação que o pecado tinha desfigurado. Deus tinha feito tudo bem-feito, mas o homem, pelo pecado, atrapalhou tudo, introduzindo a destruição, a morte. O ser humano que saiu perfeito das mãos de Deus estava todo desfigurado. Jesus veio resolver isso, veio salvar o ser humano desfigurado pelo pecado... por isso, nos evangelhos, aparecem tantas curas de doentes e possuídos pelo mal. Ele está restaurando a obra de Deus. E o faz como Deus que é, agindo como o Criador na primeira página da Bíblia.

Ele tem feito bem todas as coisas (Mc 7, 32).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
No batismo, tem uma parte em que o ministro, como tu fizeste com o surdo-mudo, mexe no ouvido do batizando, sopra e diz “Efatá”, isto é “abre-te”! É um rito, depois do batismo na água, que realça a grande verdade que Deus, no batismo, nos restaura, nos faz novas criaturas, nos põe de novo na condição original de escutar a Deus e de falar com ele, de sermos seus interlocutores. Claro, só fala bem quem ouve bem. Concede, Senhor, que nós, restaurados por tua morte e ressurreição, vivamos dignamente essa nossa santa vocação de filhos de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Repita muitas vezes, no dia de hoje, essa palavra do povo no evangelho: “Ele tem feito bem todas as coisas”. Isso pode ajudar você a recordar, com gratidão, a obra redentora de Jesus, o seu batismo, de maneira particular... Liberto de sua condição de surdo-mudo, você agora é interlocutor de Deus, ouvindo sua Palavra, captando os clamores da realidade e assumindo as opções do seu coração misericordioso pela paz, pela justiça, pela fraternidade.

Comunicando

Hoje é um dia bom para você se inscrever no Curso Bíblico que vamos realizar, pelo Youtube, de 16 a 20 deste mês. Serão cinco dias de estudo intensivo sobre o Profeta Ezequiel. Inscreva-se pelo site www.sympla.com.br ou pelo whatsapp da AMA: 81 3224-9284.Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Antes de tudo, o amor.

 



   07 de setembro de 2024   

Sábado da 22ª Semana do Tempo Comum 

Dia da Pátria

   Evangelho   


Lc 6,1-5

1Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. 2Então alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?”
3Jesus respondeu-lhes: “Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? 4Davi entrou na casa de Deus, pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães”. 5E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”.


   Meditação.   


E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado” (Lc 6, 5)

Em caminhada com Jesus, em dia de sábado, os discípulos com fome, passando no meio de uma plantação, apanharam espigas para comer. Pronto, isso foi o suficiente para escandalizar os fariseus. Acusaram os discípulos de estarem profanando o sábado.

Os judeus guardam o sábado, pensando no descanso de Deus no final da obra da criação. Nós cristãos guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus. Os muçulmanos já guardam a sexta, festejando o dia em que Deus – Alá – criou o homem. No tempo de Jesus, a interpretação que os hebreus faziam do sábado era muito rigorosa, cheio de normas e detalhes. Não se podia trabalhar, de jeito nenhum. Até os passos deviam ser contados para não se ofender a santidade do sábado, o shabat.

Jesus chamou os seus opositores à razão: a necessidade humana está acima de uma norma religiosa. Se eles estavam com fome, é justo que procurassem conseguir o alimento. Note que a reclamação não foi porque arrancaram espigas da plantação. Isto era possível. O que não se podia era fazer isso em dia de sábado. Jesus relembrou que Davi e seus soldados, voltando de uma campanha, mortos de fome, comeram os pães das oferendas do Templo, o que não era permitido. E estava tudo certo.

Religião sem caridade vira uma coisa monstruosa. Jesus recordou um ensinamento escrito no Profeta Oséias, no Antigo Testamento “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. Quando você ouvir essa palavra “sacrifício” na Bíblia, lembre que ela se refere aos sacrifícios de animais que se faziam no Templo de Jerusalém (bois, carneiros, aves). O sacrifício é uma forma de culto muito comum nas religiões tradicionais. Então, Deus está dizendo nesta palavra do profeta que prefere a misericórdia ao sacrifício de animais. O verdadeiro culto é o da misericórdia, do amor, da caridade para com o próximo.

No livro do Profeta Isaías, também no Antigo Testamento, há uma reclamação de Deus. Deus reclama do culto que está recebendo: tantos sacrifícios de animais, ofertas, mas tanta injustiça, tanta violência no meio do povo, e nas mãos e no coração de quem está celebrando o culto! Isso sim é uma ofensa a Deus.

Um grande risco é praticarmos uma religião alienada, que se esconde atrás de normas e ritos e se omite diante do sofrimento dos irmãos. Nós seguidores de Jesus não podemos repetir o que os fariseus fizeram. Estavam preocupados com o cumprimento do sábado, mas de coração fechado às necessidades reais das pessoas.





Guardando a mensagem

Os fariseus do tempo de Jesus faziam uma interpretação muito rígida da lei do sábado, uma norma religiosa que visava o louvor de Deus, mas também o descanso do trabalho nesse dia. Eles viram os discípulos colhendo espigas no sábado e ficaram revoltados. Para eles, com esse trabalho, o sábado estava sendo profanado. ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios’, disse o Senhor pela boca dos profetas. Sacrifícios era o culto realizado no Templo, com o oferecimento de animais. Animais eram sacrificados no Templo em louvor a Deus ou para invocar o seu perdão. Jesus lhes mostrou que Deus está mais interessado na caridade, na misericórdia do que no cumprimento de ritos e costumes religiosos.

E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado” (Lc 6, 5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vezes, damos mais valor aos atos religiosos do que à caridade para com o próximo. Mas tu queres a misericórdia, mais do que o sacrifício, os ritos, o cumprimento de normas religiosas. Amar os irmãos, sobretudo defendendo, protegendo os doentes, os presos, os pobres, os mais frágeis, é mais importante do que apenas cumprir obrigações religiosas. Senhor, ajuda-nos a viver nossa vida cristã e nossas práticas religiosas em sintonia com o amor ao próximo. Que a nossa devoção e o culto que te dirigimos tenham sua versão concreta no serviço aos mais pobres, no respeito aos idosos, na defesa da vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Sendo hoje o Dia da Pátria, rezemos pelo Brasil e pelos brasileiros: que nossa religiosidade não seja desculpa ou razão de omissão diante da desigualdade social, do desemprego e da violência, antes, nos sustente no compromisso com a cidadania, a justiça e a paz.

Comunicando

Hoje é um dia bom para você se inscrever no Curso Bíblico que vamos realizar, pelo Youtube, de 16 a 20 deste mês. Serão cinco dias de estudo intensivo sobre o Profeta Ezequiel. Inscreva-se pelo site www.sympla.com.br ou pelo whatsapp da AMA: 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Em clima de casamento.



   06 de setembro de 2024.   

Sexta-feira da 22ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.  


Lc 5,33-39

Naquele tempo, 33os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. 34Jesus, porém, lhes disse: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? 35Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão”.
36Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. 37Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. 38Vinho novo deve ser posto em odres novos. 39E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor”.

   Meditação.  


Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? (Lc 5, 34)

Há uma coisa nova acontecendo na história. Já de algum tempo, é verdade. E o que é? A presença de Jesus entre nós. Essa é a maior notícia de todos os tempos. Jesus entre nós, reconstruindo nossa comunhão com Deus. O anjo de Belém falou da chegada dele como “uma grande alegria para o povo todo”. E as pessoas, por onde ele passa, estão se dando conta: “Nunca vimos uma coisa dessas!”. A salvação de Deus está agindo por meio dele, restaurando, reconciliando, libertando. Ele diz que é o Reino de Deus que chegou. Jesus salvador entre nós, que coisa maravilhosa, inédita! Uma coisa nova realmente está acontecendo, na história.

Essa é a nossa experiência, hoje. Essa é a experiência dos seguidores de Jesus no começo de sua atuação na Galileia. Nós e eles estamos envolvidos nesse clima de alegria, de festa. O Mestre caminha conosco, ele nos instrui no caminho de Deus. Ele é o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas. Ele está buscando e salvando a ovelha já perdida. O filho pródigo está voltando pra casa: motivo de festa, com direito a música, a dança e a churrasco do novilho cevado. Os cobradores de impostos estão sendo incluídos no Reino de Deus: motivo para banquete com Jesus, seus discípulos e pecadores à mesa. É a aliança de Deus com o seu povo que está sendo restaurada. O casamento da comunidade Israel com o seu Deus está sendo renovado. Não é à toa que o evangelho de São João comece, propriamente, com o casamento de Caná. O noivo oferece o melhor vinho. O noivo daquela festa – cá pra nós - é Jesus.

Então, a presença de Jesus entre nós, em nossa história humana, é a maior novidade de todos os tempos. É o Reino de Deus que chegou com ele nos salvando, nos resgatando, nos libertando. Ele é o noivo desse nosso casamento. Ele traz um vinho novo, a novidade do seu evangelho. Ele nos veste com uma roupa nova, a da graça, da comunhão com Deus. Estamos felizes. O clima é de festa. Agora, tem gente que não entendeu isso. E permanece mergulhado no seu sofrimento, no seu fracasso. Ou fica cobrando de Jesus e da gente uma cara de tristeza. Não, a nossa cara só pode ser de alegria. Estamos cheios de esperança e de luz. O clima não é de abatimento porque somos pecadores. O clima é de festa porque o amor de Deus nos redimiu dos nossos pecados. E começou o novo tempo, o tempo da graça de Deus em nós e no mundo.

O evangelho de hoje tem tudo isso. Jesus dizendo: ‘Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum enquanto o noivo está com eles?’ Quem são os convidados? Nós. Que casamento é esse? A nova e eterna aliança de Deus com a gente. E quem é esse noivo? Aí eu não preciso responder.... Claro, é Jesus. E ele falou assim porque havia uma reclamação: ‘É, tá tudo bem. Mas, o grupo de vocês não pratica o jejum, como os fariseus ou o pessoal de João Batista. Eles, sim, são fiéis e observantes’. Tenham paciência, agora não é hora de jejum. Agora, é hora de festa. É o que Jesus está dizendo. O Reino de Deus que ele anuncia é um tecido novinho pra gente fazer uma roupa nova. Não é um remendo pra sua roupa velha.




Guardando a mensagem

Muita gente estranhou o estilo de Jesus, comendo com os pecadores, participando de banquetes, contando histórias de festa. E nada de fazer jejum, com os seus seguidores, como os grupos tradicionais faziam. A presença de Jesus, inaugurando o Reino de Deus no meio do seu povo, é um tempo novo que começou. Seu evangelho é uma novidade fantástica: Deus reinando entre nós, nos conduzindo à plena realização. Jesus está restaurando a aliança de Deus com seu povo. O clima é de casamento, de festa. Ele é o noivo. Só quem não está entendendo, pode pensar em jejum numa hora dessas. Agora, é hora de festa, de alegria. O evangelho de Jesus não é um remendo pra roupa velha. É pano pra roupa nova.

Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? (Lc 5, 34)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu inauguraste um tempo novo de vitória para a humanidade. O Reino já está fermentando a nossa história. E nós somos os cidadãos desse reino, revestidos de tua graça, fortalecidos pelo teu Espírito. Nós – como nos disseste – somos sal e luz para este mundo. Então, temos motivos de sobra para viver nossos compromissos cidadãos com muita esperança. Senhor, precisamos de tua graça para não esmorecer diante das dificuldades, para não desanimar diante dos problemas. Dá-nos a força do teu Espírito para sermos instrumentos do teu amor, fermento de justiça e fraternidade neste mundo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

"Felizes os convidados para a ceia nupcial do cordeiro" (Ap 19,9). Ceia nupcial é o banquete de casamento. Esta é uma palavra do Apocalipse que nós aplicamos à comunhão eucarística, na Santa Missa. Nossa relação com Jesus está assim descrita, em tom nupcial. Ele é o noivo. A comunidade Igreja é a noiva. É muito importante que você leia o evangelho de hoje para captar melhor a mensagem (Lc 5,33-39).

Comunicando

Hoje é um dia bom para você se inscrever no Curso Bíblico que vamos realizar, pelo Youtube, de 16 a 20 deste mês. Serão cinco dias de estudo intensivo sobre o Profeta Ezequiel. Inscreva-se pelo site www.sympla.com.br ou pelo whatsapp da AMA: 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

O segredo da pescaria.


  05 de setembro de 2024. 

Quinta-feira da 22ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho. 


Lc 5,1-11

Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se a seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. 11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

  Meditação. 


Em atenção à tua palavra, vou lançar as redes (Lc 5,5)

“Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos”. Experiência de muita gente. Você se mata de trabalhar, corre pr’um lado, corre pro outro, e não vê crescimento, não vê perspectiva no que está fazendo. A experiência dos pescadores no lago da Galiléia resume bem isso. Eles passaram a noite toda pescando, remando, lançando rede, puxando rede, expostos ao vento frio... voltaram do mar ao raiar do dia, cansados, enfadados, sonolentos... e com as mãos vazias. Não conseguiram nada. É o retrato do fracasso, da luta inglória de tanta gente que, apesar do esforço, do trabalho duro, não vê as coisas irem pra frente, progredirem, melhorarem. Isso acontece no trabalho, na família, no país e na vida cristã também.

Jesus escolheu um daqueles barcos parados e subiu nele para falar ao povo reunido na praia. Sentou-se, como faziam os Mestres daquele tempo. Interessante é que ele escolheu a barca de Pedro, o líder daquele grupo de pescadores que tinham voltado do mar de mãos abanando. Ali, na barca, Jesus proclamou a Palavra de Deus. Depois, mandou o grupo de Pedro voltar ao mar, pescar de novo, mas dessa vez em águas mais fundas. Mas, olha só. Jesus não era pescador, era carpinteiro. Sabia fazer algum móvel rústico ou a cobertura de uma casa, não sabia nada de pescaria. É claro que os pescadores não acharam aquilo razoável. Pedro mesmo disse logo que eles já tinham passado a noite toda pescando... e não conseguiram nada.

O mar não estava pra peixe. Mas, Jesus insistiu: “vão para águas mais profundas e lancem as redes”. Xi.. e agora: Vão ou não? Se eles forem, irão por alguma razão que não está na lógica humana... eles sabem que que não iam conseguir nada. Se forem, irão em atenção ao próprio Jesus, em confiança na sua palavra. “Como é, a gente vai?, devem ter se perguntado”. Só foi uma barca, a de Pedro. A outra não foi. Pedro e seus companheiros foram e pegaram tanto peixe que quase afundaram o barco. Foi preciso chamar o outro barco para ajudar a trazer os peixes.

Olha que cena maravilhosa. Não tinham pescado nada, a noite toda. Mas agora, tinham feito uma pescaria fantástica. O que mudou? Eles pescaram do mesmo jeito, não houve uma técnica nova. Com certeza, voltaram ao mesmo lugar onde já tinham estado. O que houve de novo? Vamos dizer assim: Eles foram seguindo a indicação de Jesus. A pescaria foi um gesto de obediência à palavra de Jesus. Permitiram que Jesus orientasse o seu trabalho. Isso é que é pescar em águas profundas. Não eram apenas trabalhadores esforçados realizando uma tarefa, eram trabalhadores orientados por Jesus, guiados por sua palavra, agindo na confiança em Deus.





Guardando a mensagem

Bom, talvez seja isso que esteja faltando na sua vida. Você corre muito, já está ficando de cabelo branco, planta muito e colhe pouco, trabalha exaustivamente e quase não vê nada prosperar. Está faltando alguma coisa, não acha? Jesus diria: você está precisando pescar em águas mais profundas. Deixar-se orientar por Deus. Agir em obediência à sua palavra. Trabalhar em sintonia e em comunhão com o Senhor. Aí pode ter certeza, a sua pescaria vai ser surpreendente. A família que você está construindo vai ser uma bênção. A missão vai dar muitos frutos.

Em atenção à tua palavra, vou lançar as redes (Lc 5,5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
longe de tua graça, as coisas não dão certo mesmo. Muita coisa não vai bem em nossa vida, porque nos distanciamos de ti. Quando não estamos realizando nossa vida como adesão à tua vontade, o que colhemos é cansaço, fracasso. Pedro e seus companheiros, em atenção à tua palavra, conseguiram uma pescaria abundante. Como disseste: “Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus, e tudo o mais lhes será dado em acréscimo”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você sabe, cada dia, na celebração litúrgica, a Igreja nos lê uma passagem do santo Evangelho. 
Todos os dias, junto com a Meditação, nós enviamos também o texto do Evangelho do dia. É só seguir o link que acompanha a postagem. 

Quem acompanha pelo rádio, é só acessar o site www.padrejoaocarlos.com. Lá vai encontrar o evangelho e a meditação do dia. 

Comunicando

Na Missa das 11 horas, vamos rezar por você, por suas intenções e para que cresçamos no conhecimento da Palavra de Deus.

Não esqueça de se inscrever no curso bíblico sobre o Profeta Ezequiel. Será de 12 a 16 de setembro, no Youtube. Uma bela oportunidade de formação pra você. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Alguém aí está precisando da visita de Jesus?




   04 de setembro de 2024.   

Quarta-feira da 22ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Lc 4,38-44

Naquele tempo, 38Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los.
40Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus punha as mãos em cada um deles e os curava. 41De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias.
42Ao raiar do dia, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo de as deixar. 43Mas Jesus disse: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado”. 44E pregava nas sinagogas da Judeia.



   Meditação.   

A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela (Lc 4, 38).

Jesus está num dia memorável de evangelização na cidade de Cafarnaum. Na Sinagoga, ele liberta uma pessoa possuída por um espírito mal. Na casa de Simão, ele socorre a sogra acamada. Na entrada da cidade, um lugar público de reuniões populares, ele acolhe e cura muitos enfermos. Jesus mostra-se libertador no espaço religioso, a sinagoga; no espaço da casa, a família de Simão; no espaço público, às portas da cidade.

No breve relato da presença de Jesus na casa de Simão, observemos três coisas. Membros da família pedem a Jesus em favor da sogra de Simão acamada;  Jesus a visita, tirando-lhe a febre; e ela, uma vez restabelecida, levanta-se e vai servi-los.

Sempre tem gente doente, precisando da visita de Jesus. Importante é que haja quem apresente essas pessoas a Jesus, quem as recomende à sua atenção. É o papel da oração. Na oração de intercessão, aparece a compaixão que temos pelo nosso próximo, a solidariedade que nos move a pedir em seu favor. É a oração pelo necessitado, por quem está precisando.

Jesus sendo informado, não fica indiferente. Ele visita o doente, liberta a pessoa. E você sabe, ele costuma visitar através de um médico, de um especialista, de um padre que administra o sacramento da unção dos enfermos.

A disposição da sogra nos causa admiração. Estava acamada, com febre. Levanta-se, restabelecida pela visita de Jesus, e vai servir. Com certeza, ajuda a por a mesa para o almoço e outras coisas. Quem recebe a graça da saúde, se estiver no caminho de Jesus, torna-se um servidor, alguém comprometido com o bem dos outros. Esta é uma bela lição.

Neste relato da cura da sogra, lendo a passagem paralela no evangelho de São Marcos (Mc 1 29-45), observemos e aprendamos com Jesus três atitudes da caridade cristã: proximidade, solidariedade e apoio.

O evangelho nos diz como Jesus agiu em relação à sogra de Simão acamada e como devemos agir diante do doente. Ele se aproximou. Segurou sua mão. E ajudou-a a levantar-se. Neste ELE SE APROXIMOU já está a primeira atitude: proximidade. O Papa escreveu em uma de suas mensagens: “A proximidade é um bálsamo precioso, que dá apoio e consolação a quem sofre na doença”. O bom samaritano viu e aproximou-se do homem caído na estrada, vítima de assaltantes. Proximidade é a superação da indiferença. Indiferença é não ligar para o sofrimento dos outros, não sentir a dor alheia.

Depois de ter se aproximado, ELE SEGUROU A SUA MÃO. Bastaria ter dado uma bênção ou uma ordem para a febre dela passar. Mas, ele segurou sua mão, numa demonstração de consideração e afeto. Mostrou-se misericordioso, solidário. Solidariedade é a segunda atitude. Solidariedade como expressão de afeto e respeito pelo ser humano adoecido. Solidariedade que vence a esmola pela partilha. Solidariedade que é vitória contra o egoísmo que estrutura vidas e a própria sociedade.

Aproximou-se, segurou a sua mão e AJUDOU-A A LEVANTAR-SE: o apoio de quem estava ao seu lado, oferecendo o braço, acompanhando o seu esforço. E ela, sentindo-se apoiada e estimulada, aos poucos levanta-se, vencendo a condição de acamada. É o papel do educador na emancipação das pessoas. Apoio é a terceira atitude.




Guardando a mensagem

Saindo da Sinagoga, em Cafarnaum, Jesus vai à casa de Simão. Lá, apresentam-lhe a situação da sogra acamada, com febre alta. Jesus interessou-se pela doente e a curou. Ela, quando se viu com saúde, levantou-se e foi servir a Jesus e ao seu grupo. Muitas coisas podemos aprender nessa cena: o valor da oração de intercessão pela qual apresentamos nossas necessidades ao Senhor; a misericórdia de Jesus que vem ao nosso encontro em nossas tribulações; e a atitude de serviço própria de quem está no caminho de Jesus.

A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela (Lc 4, 38).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
em nossa prece de hoje, queremos te apresentar os doentes, particularmente os de nossas famílias, as pessoas enfermas que nós conhecemos, em casa ou no hospital. Também pedimos em favor dos seus acompanhantes. Queremos fazer como os que te acompanharam à casa de Simão e André. Queremos falar deles a ti, apresentar-te sua situação e seu sofrimento. E pedir em favor deles. Na casa de Simão, sabendo da situação daquela mulher acamada, com febre, tu te aproximaste, tomaste-a pela mão e a levantaste. Acabou-se a febre, desapareceu a doença. Onde chegas com tua presença bendita, o mal se afasta. É o Reino de Deus que chega com tua bondade e tua misericórdia. Onde tocas, com tuas mãos benditas, renasce a vida, comunicas a graça e a bênção. É isso que te pedimos para os nossos enfermos. Visita-os, abençoa-os, comunica-lhes a saúde. Confiamos hoje nossos doentes à tua misericórdia, Senhor. Amém.


Vivendo a palavra

Apresente, hoje, ao Senhor, o nome dos doentes de sua família. E lhe peça para você ter os seus mesmos sentimentos e atitudes em relação aos enfermos e necessitados: proximidade, solidariedade e apoio.

Comunicando

Mês da Bíblia, tempo de estudo da Palavra de Deus. É bom você ficar atento(a) a algum estudo, círculo bíblico ou curso que sua comunidade estiver oferecendo neste mês. Nós colocamos à sua disposição o Curso Bíblico sobre o Profeta Ezequiel que vou ministrar pelo Youtube, de 16 a 20 de setembro. Inscrevendo-se você terá acesso ao ebook, material exclusivo e o certificado. Inscreva-se pelo Sympla.com.br ou pelo Whatsapp 81 3224-9284.

Hoje, tem podcast estreando em meu canal no Youtube. Acompanhando a viagem apostólica do papa Francisco a quatro países da Ásia, converso com o Pe. Valdemir Augusto sobre o tema da fraternidade universal, desenvolvido na encíclica Fratelli Tutti.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB


Tu vieste para nos destruir?



   03 de setembro de 2024   


Memória de São Gregório Magno, 
papa e doutor da Igreja



   Evangelho.   



Lc 4,31-37


Naquele tempo, 31Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí ensinava-os aos sábados. 32As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33Na sinagoga, havia um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro, que gritou em alta voz: 34“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!”
35Jesus o ameaçou, dizendo: “Cala-te, e sai dele!” Então o demônio lançou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum. 36O espanto se apossou de todos e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem”. 37E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza.




   Meditação.   


Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem (Lc 4, 36)

Jesus estava na sinagoga de Cafarnaum. Era um dia de sábado. O povo estava reunido para a oração e a escuta da palavra de Deus. E Jesus estava ensinando. As pessoas, ali, estavam admiradas com o seu ensinamento. Foi aí que um homem ali presente, possuído por um espírito impuro, começou a gritar e esbravejar contra Jesus. Jesus mandou o espírito calar a boca e sair daquele homem. Dito e feito. As pessoas ficaram assustadas, não era pra menos. E admiradas com aquele ensinamento novo de Jesus, com a sua autoridade.

O ensinamento de Jesus é libertador das pessoas de todas as opressões. Seu ensinamento desmascara o mal que está escondido também dentro da comunidade, dominando a vida de algumas pessoas. Como na sinagoga de Cafarnaum, também em nossas comunidades, aparece alguém que estranha e reage a esse ensinamento, com os mesmos argumentos do demônio de Cafarnaum.

O que será que Jesus dizia e fazia que pudesse incomodar alguém? As pessoas viam uma grande diferença entre o ensinamento de Jesus e o ensinamento dos fariseus. A primeira coisa que marcava uma grande diferença era a atenção que Jesus dava aos sofredores e marginalizados. Estes estavam à margem de tudo, na vida social e na religião. E Jesus os incluía como pessoas importantes no seu anúncio do Reino de Deus. E uma segunda coisa que mexeu demais com as lideranças do seu povo foi a imagem que ele passava de Deus. Ele revelava Deus como pai amoroso, pronto para acolher o filho pecador de volta à sua casa. E essa não era exatamente a imagem de Deus que eles tinham. Eles o percebiam como juiz e retribuidor das boas ações e da prática da Lei.

Esse ensinamento de Jesus - feito de gestos de atenção e proximidade, de parábolas e diálogos sobre o Reino de Deus – despertou muita indignação e ódio nos fariseus, nos sacerdotes do Templo, nos partidários de Herodes. Essa gente estava possuída por preconceitos contra o povo, por interesses de classe, seduzida pelas benesses do poder, tomada de ciúme... e muita coisa ruim. Era como se estivessem possuídos por um espírito mau. Claro, o mal lança seus tentáculos nas estruturas sociais e nas pessoas. O que o diabo disse na sinagoga é o que diriam esses senhores: “Vieste para nos destruir?”.

E ali, na sinagoga e nas ruas, muita gente tomou consciência de que o ensinamento de Jesus era realmente novo, sobretudo quando viu que ele enfrentava essas manifestações do mal, as calava e conseguia libertar pessoas dessa dominação.





Guardando a mensagem

O evangelho é uma força de mudança, anuncia o Reino de Deus já aqui na terra. Jesus, com suas atitudes e palavras, instaura o reinado de Deus. Podemos entender esse reinado, como Deus acolhendo, na comunhão de sua casa, todos os seus filhos, a começar pelos que saíram de casa e retornam pela conversão. Jesus partia do que o povo de Deus já conhecia e manifestava mais claramente o amor de Deus que restaura, perdoa, liberta as pessoas. Esse evangelho, essa boa notícia, encontrou oposições também dentro da própria sinagoga, a comunidade de fé que ele frequentava. Essa oposição à novidade do evangelho que Jesus anuncia, ontem como hoje, só pode mesmo ter raízes no maligno. Mas, Jesus é vencedor sobre todo o mal. Com ele, nós também somos vencedores. No Pai Nosso, rezamos: “Livrai-nos do mal”.

Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem (Lc 4, 36)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a novidade do evangelho corre sempre o perigo de ser esquecida ou abafada pelas forças que não têm interesse na emancipação das pessoas e no senhorio de Deus. Essas forças atuam dentro e fora da comunidade. Não é à toa que a Igreja tenha tantos mártires. Eles experimentaram a oposição à fé cristã por parte de pessoas maldosas e violentas. Uniram-se, assim, ao teu sacrifício na cruz. Em sua fidelidade, são vitoriosas, contigo. Senhor, te pedimos, livra-nos do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Ao rezar o Pai Nosso, hoje, preste bem atenção às palavras do sétimo pedido: Livrai-nos do mal. 

Comunicando

Você já está sabendo: Curso Bíblico sobre o Profeta Ezequiel, de 16 a 20 deste mês de setembro, no meu Canal do Youtube. Desejando receber o ebook, materiais exclusivos e o certificado, inscreva-se. Faça isso pelo Sympla.com ou pelo WhasApp da AMA: 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB

Ponha a sua bíblia em destaque.



   02 de setembro de 2024  

Segunda-feira da 22ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Lc 4,16-30

Naquele tempo, 16veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”
23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.
27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o Sírio”. 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.



   Meditação.   


Hoje, cumpriu-se essa passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir (Lc 4, 21)

E bem no início deste mês da Bíblia, a Igreja nos abre o santo livro para acompanharmos Jesus, na Sinagoga de Nazaré, lendo e explicando uma passagem bíblica.

Jesus, estava, naquele sábado, na localidade onde se criara, Nazaré. Na Sinagoga, ele levantou-se para ler o livro da Palavra de Deus. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Ele achou ali uma passagem muito especial. Ele leu: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres”. Quando terminou a leitura, ele sentou-se, como faziam os mestres. Todo mundo ficou na maior atenção. E ele começou a explicar como aquela passagem falava precisamente de sua missão. “Hoje, se cumpriu essa passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. A Palavra de Deus é atual, se cumpre hoje.

As Escrituras Sagradas do antigo povo de Deus ocupavam um lugar muito especial, nas sinagogas, no tempo de Jesus. Eram guardadas num lugar central à frente da assembleia, numa espécie de oratório que lembra os nossos sacrários de hoje. Nessa passagem do evangelho de São Lucas, o servidor lhe entregou o rolo do livro do profeta Isaías. Jesus o leu e depois o devolveu ao servidor, para que o guardasse. Aí, começou a explicar a leitura feita.

As Escrituras Sagradas dos cristãos compreendem os livros do antigo povo de Deus (o Antigo Testamento) e os escritos das comunidades cristãs do final do primeiro século (o Novo Testamento). Também para nós, as Escrituras Sagradas ocupam um lugar muito especial em nossas celebrações. A Missa, por exemplo, tem claramente duas partes distintas: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. Assim, somos alimentados pelo pão da vida, Jesus Cristo, na mesa da palavra e na mesa da eucaristia. 

Olha o que diz a Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina (Dei Verbum): “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo” (DV 21). Deu para entender? “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor”. As leituras bíblicas, organizadas com muito cuidado pela Igreja para cada domingo e para cada dia da semana, são um alimento sagrado para a nossa edificação. Somos alimentados pelo mesmo Cristo, palavra e pão.

É surpreendente o que lemos neste documento do Concílio, a Dei Verbum: “Nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual” (DV 21)



Nazaré de hoje. 

Guardando a mensagem

Em Nazaré, vemos Jesus, na sinagoga, fazendo a leitura na celebração e nos mostrando a atualidade da palavra. É hoje que Deus nos fala, é hoje que suas promessas se cumprem. Neste início do mês da Bíblia, essa passagem desperta a nossa atenção para o valor que devemos dar à Sagrada Escritura. Na celebração dominical, a Palavra é proclamada, explicada, rezada. É o pão da vida, alimento sagrado para nos sustentar na caminhada. Na Igreja, esteja sempre atento(a) à palavra que está sendo proclamada. A celebração é, por excelência, o lugar onde Deus está instruindo o seu povo. Em casa, não esqueça sua Bíblia em qualquer gaveta. Conserve-a em lugar visível, digno. Leia-a todos os dias. Todo dia, um trechinho. Sendo o evangelho do dia, melhor ainda. Ao iniciar sua leitura, peça as luzes do Espírito Santo. É ele quem faz da palavra escrita um verdadeiro encontro com o Senhor da palavra.

Hoje, cumpriu-se essa passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir (Lc 4, 21)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu és a própria palavra de Deus, o verbo feito carne. Em ti, todas as palavras da Escritura ganham sentido e força. Todo o Antigo Testamento vive da promessa de tua vinda. Todo o Novo Testamento nos comunica tua presença redentora. Senhor, que o livro santo de tua palavra seja objeto de leitura e estudo de nossa parte, para o compreendermos sempre mais e nele te acolhermos como caminho, verdade e vida. Concede que, neste mês da Bíblia, cresçamos no conhecimento e na prática de tua palavra. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Duas dicas para fazermos deste mês um tempo de encontro com o Senhor da Palavra. Primeira: Durante todo este mês, ponha sua Bíblia em lugar de destaque. Segunda dica: Inscreva-se no curso bíblico sobre o Profeta Ezequiel, em sua paróquia ou conosco, pelo Youtube. 

Comunicando

Programamos o nosso curso bíblico para as noites de 16 a 20 deste mês de setembro (serão cinco encontros). O curso será oferecido pelo Youtube, aberto pra todo mundo. 
Inscrevendo-se, você garante o ebook, materiais exclusivos e o certificado.Você pode se inscrever pelo nosso Whatsapp 81 3224-9284 ou pelo Sympla.com. Os associados da AMA, para terem acesso a um desconto especial, inscrevam-se somente pelo whatsapp. Residentes no exterior, na inscrição, estão dispensados da taxa de participação. Salve aí, no seu celular, o whatsapp da AMA para sua inscrição: 81 3224.9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Não perca de vista o essencial.



  01 de setembro de 2024.  

22º Domingo do Tempo Comum

Abertura do Mês da Bíblia 

   Evangelho 


Mc 7,1-8.14-15.21-23

Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”
6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.
14Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai, todos, e compreendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”

   Evangelho  


Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mc 7, 6)

O que Jesus está fazendo na Galiléia chama a atenção das autoridades religiosas da capital Jerusalém. Assim, de lá vem gente para fiscalizar o que está acontecendo e, claro, para por sob controle esse novo fenômeno. Uma comissão de fariseus e mestres da Lei chega de Jerusalém e vai logo encontrando defeito naquela movimentação em torno de Jesus. Identificam logo um perigo naquele movimento: ‘Jesus não segue à risca os costumes e os rituais da tradição’. Que tradição é essa? Vamos ver se descobrimos.

Vamos dar um jeito de entrar na roda da conversa que está se formando, em torno de Jesus. É bom a gente chegar mais perto para ouvir bem o que estão dizendo. Chega mais! Olha a cara de sonsos dessa turma de Jerusalém! Estão se queixando que os discípulos de Jesus comem sem lavar as mãos. Parece uma bobagem. Não ria! Isso pra eles é uma coisa muito séria. O que é que eles estão dizendo? Dá para escutar alguma coisa? Ah, estão dizendo que os discípulos comem com as mãos impuras... Vamos escutar. “Isso é um desrespeito à nossa religião. Comer o pão sem lavar as mãos, onde já se viu uma coisa dessa? A religião manda lavar as mãos antes de tomar o alimento, isso é que é o certo. Para estarmos bem com Deus, não podemos nos contaminar com coisas impuras. E nós, fariseus levamos isso muito a sério e cobramos isso de nossa gente. Ao voltar da praça, deve-se tomar banho. E, em casa, tomar cuidado com o alimento que se come, lavar direito as vasilhas e os copos. Nós somos um povo santo. Precisamos estar atentos para não nos contaminarmos com a impureza em relação a alimentos, doenças de pele, sangue, cadáveres, estrangeiros... A pessoa impura está afastada de Deus que é santo e não pode frequentar o culto até se purificar”.

Puxa! Você ouviu isso? Pra eles, Jesus estava acabando com a religião deles, desconsiderando as normas religiosas da pureza. Parece que Jesus vai falar. Presta atenção. “O que o profeta Isaías escreveu, nas Escrituras Sagradas, foi mesmo pra vocês, hipócritas: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. Uma coisa é o ensinamento de Deus, outra coisa são os costumes que vocês criaram. Vocês estão confundindo o mandamento de Deus com as tradições humanas. Vocês estão esvaziando a Palavra de Deus, com essa preocupação exagerada com coisas externas”. Nossa! 

Sabe de uma coisa? Eu estou achando que essa oposição dos fariseus a Jesus está só começando. Infelizmente.




Guardando a mensagem

Jesus não somente agradou a muita gente, particularmente às pessoas que nele encontraram sentido para sua vida, esperança, restauração da saúde.. . mas também, deixou muita gente perplexa e irritada, sobretudo os grupos que controlavam a vida religiosa do seu povo. Um dos pontos de atrito foi a preocupação dos fariseus e mestres da Lei com a pureza legal. Eles faziam uma separação rígida entre o puro e o impuro. Contraindo uma impureza, a pessoa se afastava da presença de Deus que é santo e ficava impedida de participar do culto, até se purificar. A impureza estava em muitos alimentos que não podiam ser consumidos, na lepra ou doenças da pele, no contato com o sangue ou com cadáveres, na atividade sexual e no contato com estrangeiros. Para se purificar, havia vários ritos previstos, conforme a impureza contraída: abluções (lavar as coisas ou parte do corpo), tomar banho, oferecer sacrifícios depois de sete dias, etc. Toda essa preocupação levava as pessoas a viverem uma religião de práticas externas, de ritos, deixando de lado coisas mais importantes da fé como o amor a Deus e ao próximo. Esse perigo de se ficar no ritualismo estéril é de toda religião. No cristianismo católico também podemos incorrer nesse engano. As práticas externas nos ajudam a viver na fé e na comunhão com o Senhor nosso Deus. Mas, cuidemos para que elas não esvaziem a Palavra de Deus e acabem nos fazendo servidores apenas de tradições humanas.

Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mc 7, 6)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
encanta-nos Senhor, a liberdade com que anunciavas o Reino de Deus, sem aquela preocupação exagerada com os rituais de purificação que os fariseus tanto prezavam. Não estavas tão preocupado com o exterior, com o que se vê, com a aparência. O interno, o que está no coração, é isso que realmente tem valor. Senhor, nós vivemos, hoje, sob a ditadura da aparência. Em nosso mundo, importa mais a embalagem, o externo. Assim, é na roupa que se veste, no corpo que se quer ter, na idade que se disfarça, na foto sorridente das redes sociais. Importante é parecer que se está bem, vitorioso, feliz. Até na liturgia, chega essa preocupação excessiva com a exterioridade. Às vezes, a preocupação com as vestes litúrgicas parece ofuscar a atenção à qualidade da oração. Liberta-nos, Senhor, com o teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Os ritos são importantes pelo que eles representam, pela compreensão que está por trás deles. Se os ritos não forem sinais de algo mais profundo, eles se esvaziam. Lavar as mãos era um rito religioso no tempo de Jesus. Benzer-se é um rito religioso cristão. Benzer-se pode ter um grande significado ou pode ser apenas um gesto vazio e supersticioso. No seu caderno espiritual, responda: quando você se benze (traça a cruz sobre si mesmo), o que isso significa?

Comunicando

Com este domingo, estamos começando o Mês da Bíblia. No Brasil, está previsto o estudo do Livro do Profeta Ezequiel em todas as comunidades. Já há material abundante nas livrarias e secretarias paroquiais para este estudo. Nós da AMA, começamos o estudo em março, com a Segunda Bíblica. Mas, claro, neste mês de setembro, temos uma proposta especial para você: o Curso Bíblico sobre Ezequiel, de 16 a 20 deste mês de setembro, pelo Youtube. Todo mundo vai poder acompanhar, no meu Canal, sem nenhum custo. Quem desejar receber o ebook, materiais exclusivos e o certificado, faz sua inscrição, contribuindo com uma pequena taxa. Para se inscrever, é só fazer contato pelo WhatsApp 81 3224-9284 ou ir diretamente no Sympla.com.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Postagem em destaque

Envia, Senhor, operários para a tua messe.

Segunda-feira    26 de janeiro de 2026    Memória de São Timóteo e São Tito    Evangelho.   Lc 10,1-9 Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outr...

POSTAGENS MAIS VISTAS