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11 fevereiro 2020

VENHAM A MIM, EU OS ALIVIAREI



Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mc 7, 6) 



11 de fevereiro de 2020.


O que Jesus está fazendo na Galileia chamou a atenção das autoridades religiosas da capital, Jerusalém. Assim, de lá veio gente para fiscalizar o que está acontecendo e, claro, para por sob controle esse novo fenômeno. Uma comissão de fariseus e mestres da Lei chegou de Jerusalém e foi logo encontrando defeito naquela movimentação em torno de Jesus. Identificaram logo um perigo naquele movimento: ‘Jesus não segue à risca os costumes e os rituais da tradição’. Que tradição é essa? Vamos ver se descobrimos. 

Vamos dar um jeito de entrar na roda da conversa que está se formando, em torno de Jesus. É bom a gente chegar mais perto para ouvir bem o que estão dizendo. Chega mais! Olha a cara de sonsos dessa turma de Jerusalém! Estão se queixando que os discípulos de Jesus comem sem lavar as mãos. Parece uma bobagem. Não ria! Isso pra eles é uma coisa muito séria. O que é que eles estão dizendo? Dá para escutar alguma coisa? Ah, estão dizendo que os discípulos comem com as mãos impuras... Vamos escutar. “Isso é um desrespeito à nossa religião. Comer o pão sem lavar as mãos, onde já se viu uma coisa dessa? A religião manda lavar as mãos antes de tomar o alimento, isso é que é o certo. Para estarmos bem com Deus, não podemos nos contaminar com coisas impuras. E nós, fariseus levamos isso muito a sério e cobramos isso de nossa gente. Ao voltar da praça, deve-se tomar banho. E, em casa, tomar cuidado com o alimento que se come, lavar direito as vasilhas e os copos. Nós somos um povo santo. Precisamos estar atentos para não nos contaminarmos com a impureza em relação a alimentos, doenças de pele, sangue, estrangeiros... A pessoa impura está afastada de Deus que é santo e não pode frequentar o culto até se purificar”. 

Puxa! Você ouviu isso? Para eles, Jesus está acabando com a religião deles, desconsiderando as normas religiosas da pureza. Veja que eles fazem uma separação rígida entre o puro e o impuro. Contraindo uma impureza, a pessoa se afasta da presença de Deus e de sua bênção. Para se purificar, há vários ritos previstos, conforme a impureza contraída: abluções (lavar as coisas ou parte do corpo), tomar banho, oferecer sacrifícios depois de sete dias, etc. Opa, parece que Jesus vai falar. Presta bem atenção. “O que o profeta Isaías escreveu, nas Escrituras Sagradas, foi mesmo pra vocês, hipócritas: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. Uma coisa é o ensinamento de Deus, outra coisa são os costumes que vocês criaram. Vocês estão confundindo o mandamento de Deus com as tradições humanas. Vocês estão esvaziando a Palavra de Deus, com essa preocupação exagerada com coisas externas”. Nossa! Essa lição que Jesus deu aos fariseus serve direitinho pra gente. 


Guardando a mensagem 


A preocupação dos fariseus com a pureza legal levava as pessoas a viverem uma religião de práticas externas, de ritos, deixando de lado coisas mais importantes da fé como o amor a Deus e ao próximo. Nós também vivemos, especialmente nos dias de hoje, sob a ditadura da aparência. Em nosso mundo, importa mais a embalagem, o externo. Assim, é na roupa que se veste, no corpo que se quer ter, na idade que se disfarça, na foto sorridente das redes sociais. Importante é parecer que se está bem, vitorioso, feliz. Até na liturgia, chega essa preocupação excessiva com a exterioridade. O evangelho de hoje chama a nossa atenção sobre isto.

Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mc 7, 6)



Rezando a palavra 


Senhor Jesus, 

Encanta-nos a liberdade com que anunciavas o Reino de Deus, sem aquela preocupação exagerada com os rituais de purificação que os fariseus tanto prezavam. Não estavas preocupado com o exterior, com o que se vê, com a aparência. O interno, o que está no coração, é isso que realmente tem valor. Senhor, hoje estamos celebrando o Dia Mundial do Enfermo. Assim, queremos confiar os doentes de nossas famílias à Virgem Maria, Saúde dos Enfermos. Em Lourdes, ela continua sendo um sinal de Deus que ama os seus filhos e os alivia do peso da doença. Rezamos também em favor dos que cuidam dos nossos doentes, os profissionais da saúde, os cuidadores e os seus familiares. Nós te bendizemos, Senhor Jesus, pois és o nosso bom samaritano, cuidando de nossas feridas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

O tema deste 28o. Dia Mundial do Enfermo é este: «Venham a mim, todos os que estão cansados e oprimidos e eu os aliviarei” (Mt 11, 28). Guarde de cor essa palavra. É possível que hoje você precise repeti-la para alguém.

11 de fevereiro de 2020
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



14 outubro 2019

O SEGREDO DE TEREZA

O Senhor disse ao fariseu: “Vocês, fariseus, limpam o copo e o prato por fora, mas o interior de vocês está cheio de roubos e maldades (Lc 11, 39). 


15 de outubro de 2019. 

A Igreja hoje celebra uma de suas filhas mais ilustres, Santa Tereza de Jesus. Ela viveu na Espanha, no início do século XVI. No tempo dela, a situação da mulher era muito ruim. Não podiam estudar. Eram inteiramente dominadas pelos maridos. E havia sempre o risco de uma mulher inteligente e escritora cair na desconfiança da Inquisição. Tempos difíceis. Ela foi ser freira, pensando encontrar um espaço de maior liberdade. Liberdade mesmo ela encontrou quando conseguiu viver uma vida de grande amizade e comunhão com Jesus. Foi quando ela venceu o medo pelo amor: um profundo amor por aquele que a amou primeiro. A conversão ao amor de Deus, manifestado em Jesus crucificado, a curou de tudo e a tornou uma grande apóstola, escritora e fundadora. A misericórdia de Deus transformou sua vida. Começou a sonhar com uma comunidade de religiosas onde se vivesse o evangelho com autenticidade. E aos poucos, reformou a vida das freiras e organizou dezenas de novos conventos carmelitas segundo essa nova mentalidade: oração, trabalho, silêncio e fraternidade, fazendo de cada pequena ação um ato de amor para melhorar o mundo. O Papa Paulo VI, hoje santo, a proclamou doutora da Igreja. Foi a primeira mulher reconhecida nessa condição de mestra na Igreja. Santa Tereza de Jesus. 

Essa história de Santa Tereza nos ajuda a compreender o evangelho de hoje. Não basta a aparência. Aliás, não é a aparência que conta. O que conta é o coração. Há muito cristão de fachada. A religião não é apenas um conjunto de regras e normas para serem cumpridas. Não se é verdadeiro cristão por obrigação, por conveniência ou por medo. Tudo isso pode gerar um cristão só do lado de fora. Dentro, pode não ser uma pessoa de Deus, como aparenta. 

O que muda tudo isso é quando a pessoa faz experiência do amor de Deus, quando se deixa amar por ele. Tudo muda quando se ama. Só o amor pode nos libertar das amarras dos instintos, das prisões sociais, do simples cumprimento externo das normas. E o nosso grande amor, como o de Tereza, é Jesus Cristo. Nossa vida é uma caminhada para a completa união com Cristo. Tereza experimentou e ensinou que nossa liberdade e nossa realização estão nesta união com Cristo. Só assim um discípulo se torna um apóstolo ardoroso, como ela. 

O evangelho de hoje conta assim: Um fariseu convidou Jesus para jantar em sua casa. E Jesus aceitou. Sentou-se à mesa, na casa dele e começou a fazer a refeição. O fariseu escandalizado porque Jesus não lavou as mãos antes da refeição. Por que o fariseu ficou assim tão escandalizado? Porque Jesus estava descumprindo uma norma religiosa. Sem cumprir essa formalidade externa, de lavar as mãos antes de comer, parecia que a pessoa ficasse suja, impura, sem mais a bênção de Deus. Eles viviam uma excessiva preocupação com o exterior. 

Jesus pensava assim: O problema não é o que está fora. O problema é o que está dentro. Ali mesmo, no jantar, ele disse ao fariseu: ‘vocês fariseus limpam o copo e o prato por fora. O interior de vocês é que está sujo, podre, cheio de roubos e maldades’. Os fariseus eram cumpridores de centenas de normas e leis, mas descuidavam-se do principal da Lei de Deus: a justiça, a misericórdia, a piedade. Cuidavam da limpeza exterior, mas o interior é que estava sujo. Sem o amor, a religião vira um peso, uma formalidade cansativa. 

Guardando a mensagem 

Tereza não estava satisfeita em ser uma freira apenas cumpridora de suas obrigações. Isso não lhe trazia felicidade. Muita gente pode viver na religião por fuga, por medo, por conveniência. Assim, pratica uma religião de fachada. Por fora, está tudo certo. Mas, por dentro está tudo vazio. O que mudou a vida de Tereza, de Paulo, de Vicente, de Pedro, de Dulce foi experimentar o grande amor de Deus. Eles descobriram que Deus os amava demais, sem merecimento da parte deles. E eles deixaram-se amar. E responderam ao amor de Deus com um grande amor. Jesus passou a ser o amor de suas vidas. Passaram a viver em grande intimidade e comunhão com o Senhor Jesus. Mudou tudo na vida deles. Os fariseus eram muito religiosos, aparentemente. Viviam preocupados com a aparência, com as coisas externas, com a prática fiel das normas religiosas. Escandalizaram-se porque Jesus se descuidava das coisinhas miúdas da prática religiosa deles, como era o caso de lavar as mãos antes da refeição. Jesus ensinou que o importante é o que está dentro do coração. A limpeza tem que começar ali. 

O Senhor disse ao fariseu: “Vocês, fariseus, limpam o copo e o prato por fora, mas o interior de vocês está cheio de roubos e maldades (Lc 11, 39). 

Rezando a palavra 

Rezemos com as palavras de Santa Tereza: 

“Ó meu Senhor, como és o amigo verdadeiro; és poderoso, quando queres podes, e nunca deixas de querer quem te quer! Louvem-te todas as coisas, Senhor do mundo! (Vida 25, 17) 

“Bendito sejas para sempre, porque, 
mesmo quando te deixei, 
tu não te afastaste de mim por inteiro, 
Dando-me sempre a mão 
Para que eu voltasse a me levantar; 
Muitas vezes, Senhor, eu não a queria, 
Nem procurava entender porque tantas vezes 
Me chamavas de novo”. (Vida 6,9) 

Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Bom, lavar as mãos não deixa de ser importante para a nossa saúde. Mas, é bom lembrar, hoje, ao lavar as mãos antes da refeição, que é mais importante e necessário purificar o próprio interior. Só um grande amor no coração pode sustentar uma vida de trabalho e doação. 

Para ler o texto da Meditação de hoje acesse www.padrejoaocarlos.com

Eu estou lhe enviando o link da nova música QUERO QUE VALORIZE, a terceira faixa do meu novo trabalho musical. Espero que goste. 

A gente se encontra às dez da noite, no facebook. 

Pe. João Carlos Ribeiro – 15 de outubro de 2019.

12 fevereiro 2019

LAVAR AS MÃOS OU SE BENZER?

Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mc 7, 6)
12 de fevereiro de 2019.
O que Jesus está fazendo na Galileia chamou a atenção das autoridades religiosas da capital Jerusalém. Assim, de lá veio gente para fiscalizar o que está acontecendo e, claro, para por sob controle esse novo fenômeno. Uma comissão de fariseus e mestres da Lei chegou de Jerusalém e foi logo encontrando defeito naquela movimentação em torno de Jesus. Identificaram logo um perigo naquele movimento: ‘Jesus não segue à risca os costumes e os rituais da tradição’. Que tradição é essa? Vamos ver se descobrimos.
Vamos dar um jeito de entrar na roda da conversa que está se formando, em torno de Jesus. É bom a gente chegar mais perto para ouvir bem o que estão dizendo. Chega mais! Olha a cara de sonsos dessa turma de Jerusalém! Estão se queixando que os discípulos de Jesus comem sem lavar as mãos. Parece uma bobagem. Não ria! Isso pra eles é uma coisa muito séria. O que é que eles estão dizendo? Dá para escutar alguma coisa? Ah, estão dizendo que os discípulos comem com as mãos impuras... Vamos escutar. “Isso é um desrespeito à nossa religião. Comer o pão sem lavar as mãos, onde já se viu uma coisa dessa? A religião manda lavar as mãos antes de tomar o alimento, isso é que é o certo. Para estarmos bem com Deus, não podemos nos contaminar com coisas impuras. E nós, fariseus levamos isso muito a sério e cobramos isso de nossa gente. Ao voltar da praça, deve-se tomar banho. E, em casa, tomar cuidado com o alimento que se come, lavar direito as vasilhas e os copos. Nós somos um povo santo. Precisamos estar atentos para não nos contaminarmos com a impureza em relação a alimentos, doenças de pele, sangue, estrangeiros... A pessoa impura está afastada de Deus que é santo e não pode frequentar o culto até se purificar”.
Puxa! Você ouviu isso? Pra eles, Jesus está acabando com a religião deles, desconsiderando as normas religiosas da pureza. Veja que eles fazem uma separação rígida entre o puro e o impuro. Contraindo uma impureza, a pessoa se afasta da presença de Deus e de sua bênção. Para se purificar, há vários ritos previstos, conforme a impureza contraída: abluções (lavar as coisas ou parte do corpo), tomar banho, oferecer sacrifícios depois de sete dias, etc. Opa, parece que Jesus vai falar. Presta bem atenção. “O que o profeta Isaías escreveu, nas Escrituras Sagradas, foi mesmo pra vocês, hipócritas: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. Uma coisa é o ensinamento de Deus, outra coisa são os costumes que vocês criaram. Vocês estão confundindo o mandamento de Deus com as tradições humanas. Vocês estão esvaziando a Palavra de Deus, com essa preocupação exagerada com coisas externas”. Nossa! Essa lição que Jesus deu aos fariseus serve direitinho pra gente.  
Guardando a mensagem
A preocupação dos fariseus com a pureza legal levava as pessoas a viverem uma religião de práticas externas, de ritos, deixando de lado coisas mais importantes da fé como o amor a Deus e ao próximo. Esse perigo de se ficar no ritualismo estéril é de toda religião. No cristianismo católico também podemos incorrer nesse engano. As práticas externas nos ajudam a viver na fé e na comunhão com o Senhor nosso Deus. Mas, cuidemos para que elas não esvaziem a Palavra de Deus e acabem nos fazendo servidores apenas de tradições humanas.
Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mc 7, 6)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Encanta-nos Senhor, a liberdade com que anunciavas o Reino de Deus, sem aquela preocupação exagerada com os rituais de purificação que os fariseus tanto prezavam. Não estavas preocupado com o exterior, com o que se vê, com a aparência. O interno, o que está no coração, é isso que realmente tem valor. Senhor, nós vivemos, hoje, sob a ditadura da aparência. Em nosso mundo, importa mais a embalagem, o externo. Assim, é na roupa que se veste, no corpo que se quer ter, na idade que se disfarça, na foto sorridente das redes sociais. Importante é parecer que se está bem, vitorioso, feliz. Até na liturgia, chega essa preocupação excessiva com a exterioridade. Liberta-nos, Senhor, com o teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Os ritos são importantes pelo que eles representam, pela compreensão que está por trás deles. Se os ritos não forem sinais de algo mais profundo, eles se esvaziam. Lavar as mãos era um rito religioso no tempo de Jesus. Benzer-se é um rito religioso cristão. Benzer-se pode ter um grande significado ou pode ser apenas um gesto vazio e supersticioso. No seu caderno espiritual, responda: quando você se benze (traça a cruz sobre si mesmo), o que isso significa?

Pe. João Carlos Ribeiro – 12.02.2019

15 outubro 2018

A DITADURA DA APARÊNCIA

O seu interior está cheio de roubos e maldades (Lc 11, 39)
16 de outubro de 2018.
Um fariseu convidou Jesus para jantar em sua casa. E Jesus aceitou. Sentou-se à mesa na casa dele e começou a fazer a refeição. O fariseu ficou passado: o quê?! Ele come sem lavar as mãos antes da refeição! Ficou escandalizado.
Por que o fariseu ficou assim tão escandalizado? Porque Jesus estava descumprindo uma de suas normas religiosas. Eles viviam doentiamente focados na ideia de pureza. Para estar em comunhão com Deus, achavam que tinham que evitar tudo o que pudesse torná-los impuros no contato com pessoas de má reputação, sobretudo estrangeiros, ou com coisas que consideravam impuras, como o sangue. E tinham muitas regras em relação à alimentação. Na comida, vários alimentos eram terminantemente proibidos, como, por exemplo, a carne de porco e outros tipos de animais de casco fendido. E, para se manterem rigorosamente limpos, puros, havia maneiras corretas de se lavar os pratos e os copos e ações externas de purificação como era o caso de lavar as mãos ou banhar-se antes da refeição. Lavar as mãos não era apenas um hábito higiênico, era um item das leis de pureza. Sem isso, a pessoa ficava contaminada, suja, impura religiosamente. Eles viviam uma excessiva preocupação com o exterior.
Imagine se Jesus estava ligando pra isso! Nem ele, nem os discípulos dele. O problema não é o que está fora, pensava Jesus. Problema é o que está dentro. Ali mesmo, no jantar, ele disse ao fariseu: ‘vocês fariseus limpam o copo e o prato por fora. O interior de vocês é que está sujo, podre, cheio de roubos e maldades’.
O fariseu ficou escandalizado porque Jesus foi comer sem lavar as mãos. Isso só mostrava claramente a sua excessiva preocupação com o exterior, a ideia fixa da pureza legal. A religião que eles praticavam era especialmente de cumprimento de mandamentos e normas. Escandalizado porque Jesus não lavou as mãos, mas olhe só!... Eles eram cumpridores de centenas de normas e leis, mas descuidavam-se do principal da Aliança: a justiça, a misericórdia, a piedade. Cuidavam da limpeza exterior, mas o interior é que estava sujo.
Guardando a mensagem
A gente honra a Deus com os lábios, com a boca, quando reza, quando louva, quando canta um hino. Nós também o honramos quando dizemos que o amamos, que o reconhecemos como nosso Criador e Pai. Honrar a Deus com os lábios, com a boca, é uma coisa santa. Mas, lamentou Jesus em certa ocasião, ‘este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim’. O problema, então, está no coração: se ele está longe ou perto de Deus. O coração bem que pode estar cheio de coisas ruins, de maldades, de violência, de mágoas, de ódio. O fariseu estava preocupado com a pureza exterior. Jesus estava preocupado com a pureza interior, com o que tem dentro do coração.  
O seu interior está cheio de roubos e maldades (Lc 11, 39)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Ainda vivemos preocupados com o exterior, com a aparência, com o cumprimento da norma pela norma. Naquela história que tu contaste, o irmão mais velho do filho pródigo cumpria todas as suas obrigações para com o seu pai, formalmente. Mas, não teve um coração misericordioso com o seu irmão que voltou arrependido, não teve caridade para com ele. De que adianta ter sido tão trabalhador, mas não ter tido misericórdia do seu irmão? Os fariseus do teu tempo faziam tudo certinho nas suas práticas religiosas, mas excluíam os pequenos, descriminavam os pobres, oprimiam os humildes. Obrigado, Senhor, por este ensinamento: menos preocupação com o exterior, a aparência e mais atenção com o que vai no coração de cada um, onde nascem as opções e as ações do ser humano. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Bom, lavar as mãos não deixa de ser importante para a nossa saúde. Mas, é bom lembrar, hoje, ao lavar as mãos antes da refeição, que é mais importante e necessário purificar o seu interior. E isso se faz com um bom exame de consciência, um ato de contrição, e se necessário, uma boa confissão. Ao lavar as mãos, hoje, lembre-se disso.
Para ler o texto da Meditação de hoje acesse www.padrejoaocarlos.com.

Pe. João Carlos Ribeiro – 16.10.2018

05 fevereiro 2018

MÃOS IMPURAS

MEDITAÇÃO PARA A TERÇA-FEIRA, 06 DE FEVEREIRO DE 2018.
Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mc 7, 6)
O que Jesus está fazendo na Galileia chamou a atenção das autoridades religiosas da capital Jerusalém. Assim, de lá veio gente para fiscalizar o que está acontecendo e, claro, para por sob controle esse novo fenômeno. Uma comissão de fariseus e mestres da Lei chegou de Jerusalém e foi logo encontrando defeito naquela movimentação em torno de Jesus. Identificaram logo um perigo naquele movimento: ‘Jesus não segue à risca os costumes e os rituais da tradição’. Que tradição é essa? Vamos ver se descobrimos.
Vamos dar um jeito de entrar na roda da conversa que está se formando, em torno de Jesus. É bom a gente chegar mais perto para ouvir bem o que estão dizendo. Chega mais! Olha a cara de sonsos dessa turma de Jerusalém! Estão se queixando que os discípulos de Jesus comem sem lavar as mãos. Parece uma bobagem. Não ria! Isso pra eles é uma coisa muito séria. O que é que eles estão dizendo? Dá para escutar alguma coisa? Ah, estão dizendo que os discípulos comem com as mãos impuras...  Vamos escutar. “Isso é um desrespeito à nossa religião. Comer o pão sem lavar as mãos, onde já se viu uma coisa dessa? A religião manda lavar as mãos antes de tomar o alimento, isso é que é o certo. Para estarmos bem com Deus, não podemos nos contaminar com coisas impuras. E nós, fariseus levamos isso muito a sério e cobramos isso de nossa gente. Ao voltar da praça, deve-se tomar banho. E, em casa, tomar cuidado com o alimento que se come, lavar direito as vasilhas e os copos. Nós somos um povo santo. Precisamos estar atentos para não nos contaminarmos com a impureza em relação a alimentos, doenças de pele, sangue, cadáveres, estrangeiros... A pessoa impura está afastada de Deus que é santo e não pode frequentar o culto até se purificar”.
Puxa! Você ouviu isso? Pra eles, Jesus estava acabando com a religião deles, desconsiderando as normas religiosas da pureza. Parece que Jesus vai falar. Presta atenção. “O que o profeta Isaías escreveu, nas Escrituras Sagradas, foi mesmo pra vocês, hipócritas: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. Uma coisa é o ensinamento de Deus, outra coisa são os costumes que vocês criaram. Vocês estão confundindo o mandamento de Deus com as tradições humanas. Vocês estão esvaziando a Palavra de Deus, com essa preocupação exagerada com coisas externas”. Nossa! Sabe de uma coisa? Eu estou achando que essa oposição dos fariseus a Jesus está só começando. Infelizmente.
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Jesus não somente agradou a muita gente, particularmente às pessoas que nele encontraram sentido para sua vida, esperança, restauração da saúde.. . mas também, deixou muita gente perplexa e irritada, sobretudo os grupos que controlavam a vida religiosa do seu povo. Um dos pontos de atrito foi a preocupação dos fariseus e mestres da Lei com a pureza legal.  Eles faziam uma separação rígida entre o puro e o impuro. Contraindo uma impureza, a pessoa se afastava da presença de Deus que é santo e ficava impedida de participar do culto, até se purificar. A impureza estava em muitos alimentos que não podiam ser consumidos, na lepra ou doenças da pele, no contato com o sangue ou com cadáveres, na atividade sexual e no contato com estrangeiros. Para se purificar, havia vários ritos previstos, conforme a impureza contraída:  abluções (lavar as coisas ou parte do corpo), tomar banho, oferecer sacrifícios depois de sete dias, etc.  Toda essa preocupação levava as pessoas a viverem uma religião de práticas externas, de ritos, deixando de lado coisas mais importantes da fé como o amor a Deus e ao próximo. Esse perigo de se ficar no ritualismo estéril é de toda religião. No cristianismo católico também podemos incorrer nesse engano. As práticas externas nos ajudam a viver na fé e na comunhão com o Senhor nosso Deus. Mas, cuidemos para que elas não esvaziem a Palavra de Deus e acabem nos fazendo servidores apenas de tradições humanas.
Vamos acolher a mensagem
Senhor Jesus,
Encanta-nos Senhor, a liberdade com que anunciavas o Reino de Deus, sem aquela preocupação exagerada com os rituais de purificação que os fariseus tanto prezavam. Não estavas tão preocupado com o exterior, com o que se vê, com a aparência.  O interno, o que está no coração, é isso que realmente tem valor. Senhor, nós vivemos,  hoje, sob a ditadura da aparência. Em nosso mundo, importa mais a embalagem, o externo. Assim, é na roupa que se veste, no corpo que se quer ter, na idade que se disfarça, na foto sorridente das redes sociais. Importante é parecer que se está bem, vitorioso, feliz. Até na liturgia, chega essa preocupação excessiva  com a exterioridade. Às vezes, a preocupação com as vestes litúrgicas parece ofuscar a atenção à qualidade da oração. Liberta-nos, Senhor, com o teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Você precisa ler a passagem de hoje na sua Bíblia (Marcos 7, 1-13). Aproveite para contar quantas vezes aparece a palavra “tradição”, referindo-se a normas e ritos que vão se criando ao longo do tempo.

Pe. João Carlos Ribeiro – 05.02.2018

17 outubro 2017

JESUS NÃO LAVOU AS MÃOS


O Senhor disse ao fariseu: “Vocês, fariseus, limpam o copo e o prato por fora, mas o seu interior está cheio de roubos e maldades” (Lc 11, 39)


Um fariseu convidou Jesus para jantar em sua casa. Lá foi Jesus. Sentou-se à mesa na casa dele e começou a fazer a refeição. O fariseu ficou passado: o quê?! Ele come sem lavar as mãos antes da refeição! Ficou escandalizado.

Por que o fariseu ficou assim tão escandalizado? Porque Jesus estava descumprindo uma de suas normas religiosas. Eles viviam doentiamente focados na ideia de pureza. Para estar em comunhão com Deus, achavam que tinham que evitar tudo o que pudesse torna-los impuros, no contato com pessoas de má reputação, sobretudo estrangeiros, ou com coisas que consideravam impuras, como o sangue, e seguiam muitas regras em relação à alimentação. Na comida, vários alimentos eram terminantemente proibidos, como por exemplo a carne de porco e outros tipos de animais de casco fendido. E, para se manterem rigorosamente limpos, puros, havia maneiras corretas de se limpar os pratos e os copos e ações externas de purificação como era o caso de lavar as mãos ou banhar-se antes da refeição. Lavar as mãos não era apenas um hábito higiênico, era um ítem das leis de pureza. Sem isso, a pessoa ficava contaminada, suja, impura religiosamente. Eles viviam uma excessiva preocupação com o exterior.

Imagine se Jesus estava ligando pra isso. Nem ele, nem os discípulos dele. O problema não é o que está fora, pensava Jesus. Problema é o que está dentro. Ali mesmo, no jantar, ele disse ao fariseu: ‘vocês fariseus limpam o copo e o prato por fora. O interior de vocês é que está sujo, podre, cheio de roubos e maldades’.

A gente honra a Deus com os lábios, com a boca, quando reza, quando louva, quando canta um hino; quando dizemos que o amamos, que o reconhecemos como nosso Criador e Pai. Honrar a Deus com a boca é uma coisa muito boa, muito bonita. Honrar a Deus com os lábios, com a boca, é uma coisa santa. Mas, lamentou Jesus em certa ocasião, ‘este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim’. O problema, então, está no coração: se ele está longe ou perto de Deus; se é uma coisa que está saindo do coração mesmo. E o coração pode ser que esteja cheio de coisas ruins, de maldades, de violência, de mágoas. Assim, as palavras emitidas pela boca não nascem do coração. Nesse sentido, é bom você avaliar se a sua oração está nascendo mesmo no seu coração, ou se é apenas uma formalidade que você está cumprindo.

Vamos guardar a mensagem de hoje

O fariseu ficou escandalizado porque Jesus foi comer sem lavar as mãos. Isso só mostrou claramente a sua excessiva preocupação com o exterior, com a ideia fixa da pureza legal. A religião que eles praticavam era especialmente de cumprimento de mandamentos e normas. Escandalizado porque Jesus não lavou as mãos, mas olhe só!... Eles eram cumpridores de centenas de normas e leis, mas não cumpriam o principal da Aliança: a justiça, a misericórdia, a piedade. Cuidavam da limpeza exterior, mas o interior é que estava sujo.