BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

A purificação da Casa de Deus.




   24 de novembro de 2023.   

Memória de Santo André Dung-Lac, presbítero
 e companheiros mártires

  Evangelho  


Lc 19,45-48

Naquele tempo, 45Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os vendedores. 46E disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões”. 47Jesus ensinava todos os dias no Templo. Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam modo de matá-lo. 48Mas não sabiam o que fazer, porque o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar.

   Meditação.   


Jesus disse: Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’ (Lc 19, 46)

Jesus expulsou os vendedores. Mas, os vendedores eram apenas funcionários de quem comandava o Templo. No evangelho de hoje são nomeados os que queriam matar Jesus: os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo (os anciãos). Eram esses que controlavam o Templo; eles é que eram os donos do comércio de animais para o sacrifício e do câmbio de moedas. Eram esses que se beneficiavam daquele dito “sacro comércio”.

E porque se fazia aquele comércio no Templo? Bom, os animais – bois, ovelhas e aves – serviam para os sacrifícios em honra de Deus. E o câmbio era porque o Templo tinha a própria moeda. E, quem chegasse com “dinheiro do mundo”, deveria trocá-lo pela moeda do Templo, para poder fazer sua oferta e comprar os animais para o sacrifício. Assim, na mentalidade deles, as coisas santas não seriam contaminadas com coisas impuras, como dinheiro estrangeiro.

Olha o que Jesus disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vocês fizeram dela um antro de ladrões”. Por que Jesus disse isso? Quem eram os ladrões: os vendedores ou os donos daquele comércio? Bem, aquele grupo que estava na liderança do Templo estava mais interessado na busca dos seus próprios interesses do que na glória de Deus. O Templo de Deus devia ser a casa do povo de Deus. Mas, se tornara coisa deles. Digamos assim, que, em certa medida, eles sequestraram a casa do povo de Deus, fazendo dela uma propriedade sua, um modo de ganhar dinheiro e de manter o seu poder. Aquele estilo de religião tinha roubado o Templo do seu povo.

Mas, há ainda outra razão pela qual Jesus disse que eles tinham transformado o Templo num antro de ladrões. A vocação daquele grande Templo da nação judaica era ser casa de oração, casa de encontro com Deus. Pela oração, os filhos se reuniam com o seu pai, recordavam as grandes obras de Deus em seu favor, a começar pela libertação do poder do Faraó, da entrada na terra da promessa vencendo os reis cananeus. A casa era um testemunho de toda a história da salvação desse povo. Uma casa de oração, de memória, de exaltação da glória do Deus fiel. Mas, Jesus disse que o transformaram num antro de ladrões. E o que será que esses ladrões estavam roubando? Eles transformaram o relacionamento do povo com Deus numa relação comercial. Parecia que os fiéis, com suas oferendas e sacrifícios, estavam comprando a benevolência de Deus, o seu perdão, a sua bênção. Aquele estilo de religião tinha roubado Deus do seu povo.




Guardando a mensagem

Os dirigentes do Templo eram representantes de grupos muito poderosos e influentes no país. Jesus denunciou que eles tinham feito da Casa de Deus um antro de ladrões. Ladrões eram eles, porque estavam tirando o Templo do próprio povo de Deus; e estavam transformando o relacionamento com Deus num balcão de negócios, tirando Deus do seu povo. Que coisa preciosa é a religião! Que coisa santa é um Templo! Mas, todo cuidado é pouco para que não se transforme a religião em mais uma fonte de exploração e de opressão, e, o pior, em nome de Deus.

Jesus disse: Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’ (Lc 19, 46)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tua ação no Templo de Jerusalém, expulsando os vendedores e denunciando os ladrões, valeu como uma purificação da religião de Israel e de toda religião. Temos que tomar cuidado para que a religião não se torne uma fonte de exploração, de enriquecimento e de controle das pessoas por gente poderosa e interesseira. Contigo aprendemos que a religião que praticamos em nossos Templos deve nos ajudar a viver em fraternidade, na comunhão com o Senhor nosso Deus e Pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Todo mundo tem a sua paróquia, uma comunidade eclesial à qual pertence e onde vive e celebra a fé. Em geral, é a que está mais perto da própria casa. No seu caderno espiritual, escreva o nome de sua paróquia, o nome do seu padroeiro ou padroeira e o nome do pároco.

Comunicando

Enviamos uma carta de final de ano a todos os associados da AMA: uma carta para agradecer a cada um, a cada uma por seu compromisso com a missão e para agradecer a Deus todas as realizações deste ano. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Jesus chorou de emoção e tristeza.

 




   23 de novembro de 2023.   

Dia Nacional de Ação de Graças 

   Evangelho.  


Lc 19,41-44

Naquele tempo, 41quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: 42“Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, isso está escondido aos teus olhos! 43Dias virão em que os inimigos farão trincheiras contra ti e te cercarão de todos os lados. 44Eles esmagarão a ti e a teus filhos. E não deixarão em ti pedra sobre pedra. Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”.

   Meditação.   


Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar (Lc 19, 41)

Você já esteve em Aparecida? Quando se avista, ainda longe, a cúpula do Santuário Nacional, vem um aperto no peito, uma emoção que leva o peregrino às lágrimas. Acontece o mesmo quando você vai chegando a Juazeiro do Norte ou à Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O povo de Deus amava a cidade santa de Jerusalém. Os salmos falam disso: “se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que minha língua se cole na minha boca”. Em cada romaria, chegavam à cidade santa milhares de pessoas do país e de fora. Jesus mesmo, desde os 12 anos, participava anualmente de peregrinações à cidade santa.

A cidade estava construída sobre o Monte Sião. De longe, ela era vista toda cercada de uma grande muralha, com seus portões altos, belos palacetes e o grande Templo de Deus. Quando o peregrino vinha chegando, ao ver no horizonte a bela cidade de Davi, ficava emocionado. Estava chegando à Cidade de Deus, à casa da grande família do povo da aliança.

No evangelho de hoje, Jesus vinha chegando, como peregrino, com seus discípulos, depois de muitos dias de viagem a pé. Estavam chegando para a festa da páscoa. Quando Jesus avistou a cidade, ficou emocionado, começou a chorar. A primeira razão das lágrimas do nosso Mestre, com certeza, foi a emoção de estar chegando à cidade santa, por tudo que ela representava afetivamente para um judeu piedoso como ele.

Mas, havia uma segunda razão para aquela emoção tão forte. Olha o que ele disse: “Se tu compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!”. É que aquela cidade, representação do próprio povo de Deus, não o tinha reconhecido como o enviado do Pai. Apesar de todo o seu trabalho profético, por todo o país, Jerusalém continuava agressiva e impenitente. Estava, na verdade, armando-se para entregá-lo aos estrangeiros romanos e para exigir a sua condenação como malfeitor. Que pena, que chance estava perdendo, não reconhecendo a visita que estava recebendo!

Mas, há uma terceira razão para as lágrimas do Senhor. Ele sofre no coração porque enxerga mais: Jerusalém vai ficar entregue ao seu pecado. A consequência disso será a destruição, que em breve aconteceria pelas armas dos romanos. Não ficaria pedra sobre pedra. Jesus se entristece, se emociona, chora. Os discípulos ouviram o lamento dele: “Não conheceste o tempo em que foste visitada”.

Eu tenho certeza que Deus não nos mandou a pandemia do coronavírus, nem o aquecimento global, nem as guerras. Mas, quem sabe se esses eventos não estejam sinalizando a destruição que o pecado gera no mundo, pelo modelo predador com que nos relacionamos com o meio ambiente, a arrogância com que manipulamos a vida humana e a indiferença com que tratamos os nossos semelhantes?!. Rezemos para que a humanidade chegue a conhecer Jesus, amá-lo e segui-lo. Só ele é o caminho, a verdade, a vida.




Guardando a mensagem

A cidade de Jerusalém não acolheu Jesus, não reconheceu o dia que Deus marcou para o seu encontro com o Messias. Jerusalém pode ser também uma representação de sua própria vida, de sua família, de sua comunidade. Hoje, o Senhor nos visita, porque hoje é o dia salvação. Faça como Zaqueu, abra as portas de sua casa e de sua vida para receber Jesus. Não faça como Jerusalém, que fechou as portas para ele, que o perseguiu e o executou fora da cidade. O fim de Jerusalém é o fim de qualquer pessoa, família ou comunidade que perca a grande chance de acolher Jesus, de se converter, de abrir seu coração para o Reino. O que o fechamento para Deus, o pecado, realmente produz é a destruição.

Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar (Lc 19, 41)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
estavas chegando, a pé, à cidade santa, depois de muitos dias de viagem, em que além da distância, estavas cuidando da formação dos teus discípulos. Sentiste o coração apertado ao avistar Jerusalém, que aprendeste a amar como judeu piedoso que eras. A tua emoção de peregrino se misturou com a tristeza do fechamento do teu povo à tua presença de enviado do Pai. Antevias, com aflição, os dias da tragédia da destruição da cidade santa pelos exércitos romanos. Senhor, que nossas famílias e nossa sociedade não se fechem à tua presença ou fiquem indiferentes à pregação do teu Evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pais e mães de família também choram por seus filhos, ao anteverem as consequências de atitudes impensadas, irresponsáveis ou temerárias. Se um dia você passar por isso, lembre de unir-se ainda mais a Jesus, que chorou de tristeza ao perceber o rumo que as coisas tomariam para a cidade santa que fechou-se ao projeto de Deus.

Comunicando

Hoje, você tem um motivo a mais para estar conosco na celebração da Santa Missa das 11 horas: o Dia Nacional de Ação de Graças. Você pode nos acompanhar pela Rádio Amanhecer (no seu celular) ou pelo nosso Canal do Youtube. Nas intenções para a missa, só ponha agradecimentos. Hoje não é dia de pedir. Hoje é dia de agradecer. Por falar nisso, muito obrigado por você estar acompanhando a Meditação todos os dias e por compartilhá-la com os seus contatos. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Hora de confiar, ousar, empreender.



   22 de novembro de 2023   

Quarta-feira da 33ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho   


Lc 19,11-28

Naquele tempo, 11Jesus acrescentou uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e eles pensavam que o Reino de Deus ia chegar logo. 12Então Jesus disse:
“Um homem nobre partiu para um país distante, a fim de ser coroado rei e depois voltar. 13Chamou então dez dos seus empregados, entregou cem moedas de prata a cada um e disse: ‘Procurai negociar até que eu volte’. 14Seus concidadãos, porém, o odiavam, e enviaram uma embaixada atrás dele, dizendo: ‘Nós não queremos que esse homem reine sobre nós’. 15Mas o homem foi coroado rei e voltou. Mandou chamar os empregados, aos quais havia dado o dinheiro, a fim de saber quanto cada um havia lucrado.
16O primeiro chegou e disse: ‘Senhor, as cem moedas renderam dez vezes mais’. 17O homem disse: ‘Muito bem, servo bom. Como foste fiel em coisas pequenas, recebe o governo de dez cidades’. 18O segundo chegou e disse: ‘Senhor, as cem moedas renderam cinco vezes mais’. 19O homem disse também a este: ‘Recebe tu também o governo de cinco cidades’. 20Chegou o outro empregado e disse: ‘Senhor, aqui estão as tuas cem moedas que guardei num lenço, 21pois eu tinha medo de ti, porque és um homem severo. Recebes o que não deste e colhes o que não semeaste’.
22O homem disse: ‘Servo mau, eu te julgo pela tua própria boca. Tu sabias que eu sou um homem severo, que recebo o que não dei e colho o que não semeei. 23Então, por que tu não depositaste meu dinheiro no banco? Ao chegar, eu o retiraria com juros’. 24Depois disse aos que estavam aí presentes: ‘Tirai dele as cem moedas e dai-as àquele que tem mil’. 25Os presentes disseram: ‘Senhor, esse já tem mil moedas!’ 26Ele respondeu: ‘Eu vos digo: a todo aquele que já possui, será dado mais ainda; mas àquele que nada tem, será tirado até mesmo o que tem. 27E quanto a esses inimigos, que não queriam que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os na minha frente’”. 28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém.

   Meditação.  


Chamou então dez dos seus empregados, entregou cem moedas de prata a cada um e disse: ‘Procurem negociar até que eu volte’ (Lc 19, 13).

Você já ouviu a parábola dos talentos. O patrão entregou cinco talentos a um, dois a outro e um talento a um terceiro. Na volta de sua viagem, cada um prestou contas. O terceiro tinha enterrado o dinheiro e não tinha lucrado nada. Lembra dessa parábola? A parábola contada no evangelho de São Lucas, é parecida com esta, mas tem algumas diferenças.

Na parábola de hoje, o patrão dá uma mesma quantia a cada um. Cada um recebeu 100 moedas de prata (o que equivale a uma mina). Um dos servos lucrou dez vezes mais. Outro lucrou cinco vezes mais. E o terceiro guardou o dinheiro no lenço, amarrou-o bem e devolveu tal e qual no dia da prestação de contas. Claro, o patrão não gostou nada disso.

Vamos recolher algumas lições:

A primeira lição que podemos tirar é sobre a volta do Senhor: enquanto o aguardamos, é tempo de trabalho e realização. Jesus é o senhor da história que foi ser coroado no exterior. Enquanto ele não volta, é tempo de trabalho, de compromisso. Cada um tem seus dons, suas capacidades, suas oportunidades e os deve colocar a serviço da vida, da fraternidade, da missão da Igreja. Uns podem conseguir mais, outro menos. Mas, todos podem contribuir, pois para isso receberam recursos (as moedas de prata). Enquanto o senhor não chega, é preciso trabalhar e muito.

A segunda lição é sobre a prestação de contas: todos prestaremos contas do que conseguirmos realizar com os dons que ele nos deu para administrar. Chegará o dia da avaliação, do balanço do que se conseguiu com os recursos que ele nos deixou. Será muito ruim se a gente se apresentar de mãos vazias, com a desculpa de ter tido medo do nível de exigência dele ou qualquer outra desculpa esfarrapada. Nessa parábola, todos receberam por igual -100 moedas de prata - embora tenham conseguido resultados diferentes. Todos serão cobrados.

A terceira lição é sobre o julgamento dos que trabalharam contra. Na história do evangelho de hoje, alguns fizeram forte oposição para que o senhor não fosse coroado rei. Mandaram até uma embaixada ao estrangeiro, tentando impedir a sua coroação. Mas, afinal o senhor voltou coroado rei. Jesus está falando de si mesmo. É ele que, depois de sua paixão e morte, voltou glorioso ao terceiro dia e retornará no final dos tempos como juiz dos vivos e dos mortos. Infelizmente, há também hoje muitas forças opondo-se à Igreja e ao Senhor Jesus. Eles também prestarão contas do que fizeram para impedir ou cercear o reinado de Cristo.




Guardando a mensagem

Nós somos os empregados que receberam os recursos para negociar e multiplicá-los. Com os dons que o Senhor nos confia, podemos contribuir para que tudo melhore ao nosso redor: a família, a comunidade, a escola, o bairro, o mundo... Não foram poucos os recursos que Deus nos deu: consciência, inteligência, saúde, família, amigos, oportunidades... E esses dons materiais e sociais são pequenos diante dos bens espirituais que ele nos concede: a fé, a esperança, a intercessão da Virgem Maria e dos santos, a Palavra, a Eucaristia... Não podemos apenas conservar esses dons num lenço ou mesmo enterrá-los. Temos que nos empenhar, como servos bons e fiéis, para que haja crescimento, para que apareçam frutos, para que tudo melhore ao nosso redor, para felicidade nossa, para o bem dos que nos cercam e para a glória do nosso Senhor e Deus.

Chamou então dez dos seus empregados, entregou cem moedas de prata a cada um e disse: ‘Procurem negociar até que eu volte’. (Lc 19, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
sabemos que são teus os bens que estamos administrando e que deles vamos prestar contas. Sabemos que esta é a hora de empenho, de trabalho, de compromisso. Hora de confiar, de ousar e empreender. Queremos ouvir, no final, a tua aprovação: “Muito bem, servo bom”. Senhor, cuida hoje daqueles que estão se julgando inúteis e fracassados. Eles estão guardando num lenço os dons que receberam para construir o bem para si e para os outros. Senhor, enquanto aguardamos a tua chegada, ou a tua chamada, é tempo de crescimento, de superação, de conquista. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você já tem o seu caderno de anotações, o seu diário espiritual? Então, está na hora de conseguir um. Qualquer caderno serve para suas anotações espirituais. A dica de hoje é essa: no seu caderno, copie esse versículo do evangelho de hoje: Lucas 19, 17.

Comunicando

Com o início do Tempo do Advento (dia 03 de dezembro), vai entrar em uso a nova edição do Missal Romano, o livro que usamos na celebração da Santa Missa. Na live semanal do Youtube (Programa Encontros), vamos falar sobre isso (quais são as novidades na nova versão do Missal). É hoje, à noite. O programa começa às 20 horas. É só procurar o Canal Padre João Carlos no Youtube.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Apresentação de Nossa Senhora.



   21 de novembro de 2023.   

Memória da Apresentação de Nossa Senhora


   Evangelho   


Mt 12,46-50

Naquele tempo, 46enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.



   Meditação.   

E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos (Mt 12, 49).

Celebramos, hoje, a memória da apresentação de Nossa Senhora, no Templo. Através de uma antiga tradição, não presente nos evangelhos bíblicos, temos notícia de que os pais de Maria (São Joaquim e Santa Ana) a consagraram ao serviço de Deus. Na vida religiosas, muitas comunidades aproveitam esta data para seus novos membros emitirem os seus votos, consagrarem-se a Deus, como Maria. 

No evangelho de hoje, temos uma cena da vida pública de Jesus, onde está inserida sua mãe. Olhamos para ela, hoje, no grupo dos parentes de Jesus, sendo testemunha ocular de um ensinamento precioso do Mestre.

Jesus está falando ao povo. Um grupo de parentes chega e fica do lado de fora, não se integra. E manda um aviso que quer falar com ele. Jesus ensina que o verdadeiro laço de parentesco com ele é a obediência à vontade do Pai. É isso que o define: ser cumpridor da vontade de Deus. Assim, ele deixa claro que o lugar dos parentes é dentro da casa ou da comunidade, como discípulos, aprendendo o caminho do Reino. Eles estão do lado de fora. Então, a palavra de Jesus é um convite para eles se tornarem discípulos, para entrarem.

O texto nos ajuda a perceber como os parentes próximos de Jesus tiveram dificuldade para entender o que ele andava fazendo. A Bíblia chama primos de irmãos. “Os irmãos” são seus primos, ao lado de quem Jesus cresceu em sua terra natal. Houve um tempo em que eles pensaram que Jesus tinha ficado louco. Só aos poucos, eles foram se integrando na grande comunidade que se formou ao redor de Jesus. A resposta de Jesus é um convite claro a que eles se integrem, não fiquem do lado de fora. Este é o verdadeiro laço de parentesco que vai contar: fazer a vontade do Pai.

Olha a palavra de Jesus, apontando para os discípulos: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Fazer a vontade de Deus é que nos faz discípulos, parentes de Jesus.

E Maria, estava no meio daqueles parentes que não estavam entendendo Jesus? Bom, dizer “tua mãe e teus irmãos” é uma forma de falar da família dele. Pelo modo de dizer, o pai dele não estava mais vivo. Se o principal é fazer a vontade de Deus, então isso é um elogio à sua mãe. De fato, Maria foi elogiada no Evangelho por ser cumpridora fiel da vontade do Pai. Izabel a bendisse porque ela acreditou na Palavra do Senhor que lhe fora comunicada. A vontade de Deus, na sua vida, estava acima de qualquer interesse ou projeto pessoal. Ela prontamente aceitou cumpri-la, quando o anjo Gabriel lhe disse o que Deus queria dela.

Santo Agostinho, em um de seus sermões, escreveu: “Acaso a Virgem Maria não fez a vontade do Pai, ela que creu pela fé, que pela fé concebeu, que foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação? Ela foi criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado. Ela fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que sua mãe”.

















Guardando a mensagem

O que nos faz próximos de Jesus, seus parentes, é a obediência à vontade do nosso Deus e Pai, mais do que qualquer laço sanguíneo ou qualquer cargo na Igreja. Parente de Jesus é aquele que cumpre a vontade de Deus, da qual ele é o primeiro cumpridor. O discípulo fiel imita Maria, sua mãe, a Virgem obediente. Maria sempre colocou a vontade de Deus acima de tudo e de todos. A vontade de Deus é a lei que rege a vida daquele que crê. Maria é modelo para todo discípulo.


E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos (Mt 12, 49).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
queremos, hoje, te expressar nossa gratidão pela mãe que nos deste, como preciosa herança quando morrias na cruz. Na pessoa do teu discípulo João, nós a acolhemos em nossas casas, em nossas famílias, em nossos corações. Ela é a nossa boa mãe que continua cuidando de nós, como cuidou de ti, Jesus, com imenso amor e dedicação. Obrigado, Senhor, pela boa mãe que nos deste. Nós a temos como modelo de adesão e obediência à vontade do Pai. No teu evangelho de hoje, aprendemos que temos parentesco contigo e com tua mãe, na medida em que nos tornamos fiéis cumpridores da santa vontade do nosso Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Hoje, dia da apresentação de Nossa Senhora, fazendo memória de sua consagração a Deus, reze pelos adolescentes de sua família. Peça ao Senhor a graça de eles conhecerem e abraçarem generosamente a sua santa vontade.

Comunicando

Enviamos a todos os associados da AMA uma cartinha de final de ano, com um balanço pastoral de nossa caminhada neste ano. Se você que participa de nossa Associação ainda não tiver recebido sua carta, por favor, entre em contato pelo whtasapp 81 3224-9284. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

O que é não enxergar.


   20 de novembro de 2023   

Segunda-feira da 33ª Semana do Tempo Comum

   Evangelho   


Lc 18,35-43

35Quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. 36Ouvindo a multidão passar, ele perguntou o que estava acontecendo. 37Disseram-lhe que Jesus Nazareno estava passando por ali. 38Então o cego gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 39As pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse calado. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” 40Jesus parou e mandou que levassem o cego até ele. Quando o cego chegou perto, Jesus perguntou: 41“Que queres que eu faça por ti?” O cego respondeu: “Senhor, eu quero enxergar de novo”. 42Jesus disse: “Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou”. 43No mesmo instante, o cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus. Vendo isso, todo o povo deu louvores a Deus.

   Meditação   


O cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus (Lc 18, 43)

No evangelho de Lucas, um pouco antes do texto de hoje, Jesus instruía os discípulos sobre a proximidade de sua paixão, em Jerusalém. Mas, diz o evangelista, eles não entenderam nada. É como se estivessem cegos. Chegando à entrada de Jericó, encontraram um cego mendigando, sentado à beira da estrada. Esse cego pode muito bem representar os discípulos que estão caminhando com Jesus, mas sem entender, sem enxergar. Em grande parte, é o nosso caso.

Podemos pensar, então, que esse texto é um roteiro sobre o caminho que cada discípulo ou discípula percorre para aproximar-se e seguir Jesus. É o caminho da catequese, da formação cristã. Por isso, está organizado em sete passos, sendo sete a conta da obra da criação, da obra perfeita.

Primeiro passo – Um cego está sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. É a condição de quem não caminha com Jesus. Está à margem, mendigando algum sentido para a vida. Foi onde começamos.

Segundo passo – Ouvindo a multidão passar, ele perguntou o que estava acontecendo. A primeira coisa que nos desperta é a movimentação da comunidade, da Igreja. Uma multidão barulhenta que passa, que sinaliza alguma coisa. Isso desperta curiosidade. Alguém à margem quer saber o que está acontecendo.

Terceiro passo – Disseram-lhe que Jesus Nazareno estava passando por ali. A comunidade cristã anuncia claramente a presença de Jesus que passa por nossas vidas. Ele, Deus verdadeiro, veio nos encontrar. Estamos alegres porque Jesus caminha conosco. É a evangelização.

Quarto passo – Então, o cego gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”. E as pessoas mandaram-no calar a boca. É a hora em que se começa buscar Jesus, sem o ter ainda encontrado. É um pedido de socorro, a busca de uma solução para um problema, por exemplo. Essa busca é intensa (por isso, o cego ‘grita’) e muita gente se incomoda. Não falta quem o mande ficar quieto.

Quinto passo – Mas ele grita mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim”. Jesus parou e mandou que levassem o cego até ele. É a experiência de perseverar na busca do Senhor. Jesus quer vê-lo. Aqui entra a ajuda de alguém que vai aproximá-lo do Senhor. Alguém será a ponte que vai levá-lo a Jesus.

Sexto passo – Quando o cego chegou perto, Jesus perguntou: ‘O que queres que eu faça por ti? O cego respondeu: “Senhor, eu quero enxergar de novo”. Jesus disse: “Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou”. É o encontro pessoal com Cristo, um encontro transformador. Muita gente um dia já enxergou. Mas, agora está cego. Mas, nesse encontro da fé, vai voltar a ver. E você sabe, não estou falando da cegueira física.

Sétimo passo – No mesmo instante, o cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus. Olha só o que, de verdade, é enxergar: é seguir Jesus. Ele queria ver de novo, mas termina a história como discípulo, segue Jesus. Isso é enxergar, é conhecer, é crer.




Guardando a mensagem

Na história do cego de Jericó, Lucas capítulo 18, temos os sete passos que percorremos para a comunhão com o Senhor e com a sua Igreja. De pessoas que esmolavam sentido para a vida, como que sentados à margem da estrada, chegamos a pessoas que caminham com Jesus, cheios de alegria e glorificando a Deus. A isso, nos ajuda a comunidade que desperta nossa atenção, nos anuncia Jesus e nos aproxima dele. Essa mudança se dá no nosso encontro pessoal com o Senhor que nos faz ver claramente e nos torna seus discípulos. Você, em que passo está? Acolhendo o anúncio da comunidade ou ainda sentado à beira da estrada? Indo ao encontro do Senhor ou já engrossando a grande caminhada dos discípulos com ele?

O cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus (Lc 18, 43)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
somos teus discípulos. Um dia, fomos cegos. Fomos levados ao teu encontro por nossas famílias. A família é a primeira comunidade cristã. E naquele dia, na fé dos nossos pais e padrinhos, tu iluminaste a nossa vida. Para representar isso, nos deram uma vela acesa e nos recomendaram que conservássemos sempre essa luz. Alguns de nós, infelizmente, voltaram à escuridão, mas agora querem ver de novo. Acolhe-os Senhor, comunica-lhes a tua luz, para que como discípulos, no teu caminho, glorifiquem o nosso Deus e Pai. Nós também Senhor, neste Dia da Consciência Negra, pedimos que a tua bênção fortaleça o compromisso de superarmos a desigualdade social, o racismo e a discriminação na sociedade e na Igreja. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Só para ajudar a se reconhecer no caminho com Jesus... Abra, hoje, sua Bíblia e veja o que aconteceu quando Jesus e os discípulos entraram em Jericó, depois que encontraram o cego. Está em Lucas capítulo 19, 1-10. Você vai gostar de saber.

Comunicando

Partilho com você uma boa notícia. Acabei de gravar o meu 15º álbum musical. Vou dizer o título do novo álbum e você já vai saber do que se trata: “Quando eu quero falar com Deus”... Isso! São 12 faixas, interpretando canções religiosas de Roberto Carlos. Os arranjos são do Maestro Tutuca Borba, um dos maestros do rei. Mas, vou aguardar mais uns dias para mostrar a vocês esse novo trabalho, que modestamente preciso dizer, ficou muito bonito, mas muito bonito mesmo. Estamos preparando agora a gravação do DVD deste novo álbum. Será um especial de final de ano. A gravação está marcada para o dia 16 de dezembro. Será em Brasília, no Santuário Dom Bosco, no Plano Piloto. É um sábado, às 10 da manhã e a entrada é franca. No formulário que estamos disponibilizando, você já pode informar que vai estar conosco nesta data. 16 de dezembro, no Santuário Dom Bosco, em Brasília.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Você recebeu quantos talentos?

 



   19 de novembro de 2023.   

33º Domingo do Tempo Comum,

7º Dia Mundial do Pobre

   Evangelho.   


Mt 25,14-30

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 14"Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 22Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? 27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!”

   Meditação.   


A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade (Mt 25, 15).

Gente de Deus, não é que eu encontrei o servo que recebeu um talento, aquele da história de Jesus! Encontrei-o numa viagem. Conheci logo pela cara. Aquela cara de tristeza envergonhada... Ele estava acompanhado da esposa, sofrida como ele, coitada. Ah, não perdi a oportunidade. ‘Prazer em conhecê-lo, senhor servo. Tenho muita curiosidade a respeito de alguns fatos de sua vida. Espero não ser inconveniente’... Fui direto ao assunto: ‘Me diga uma coisa, naquele episódio da distribuição dos talentos, o senhor ficou revoltado porque 
recebeu tão pouco?’

Ele ficou me olhando... ‘Bom - me disse ele depois de pigarrear - você quer saber se eu fiquei revoltado porque só recebi um talento. Você sabe quanto era um talento? Era um bom dinheiro. Um talento era uma soma de 6.000 denários. Um denário era a diária de um trabalhador. Um talento daria a soma do ganho de 16 anos de trabalho ou mais. Era um bom dinheiro. Você sabe que meus dois colegas receberam mais do que eu. Um recebeu dois talentos e o outro, recebeu cinco. Mas, sinceramente, eu não fiquei revoltado. O patrão deu a cada um conforme a sua capacidade. Ele entregou os seus bens pra gente administrar. Como ele tinha muito mais, quando ele voltou de viagem e houve a prestação de contas, ele disse a cada um dos meus colegas: “muito bem, servo bom e fiel, como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais”. Verdade seja dita, era um bom patrão e confiou em nós’.

Bom, aí, eu fiquei mais curioso ainda... e fiz uma outra pergunta, com cuidado para não ofendê-lo. ‘E por que o senhor não conseguiu render como os outros, por que o senhor enterrou o dinheiro do seu patrão?’ Ele suspirou profundamente.... e respondeu. ‘Sabe o que foi? Eu fiquei com medo de não dar conta, eu sabia que o patrão iria me cobrar, ele era muito exigente, tive medo de arriscar. Achei melhor não mexer naquele dinheiro e guarda-lo para devolvê-lo certinho quando ele voltasse. Vai que ele voltasse logo... Talvez você não saiba, mas naquela época a forma mais segura de guardar dinheiro era debaixo da terra mesmo’. Foi aí que a mulher dele, meio sem paciência, partiu para uma explicação mais clara: ‘Olha, moço, vamos falar a verdade... Meu marido teve medo de se aventurar em negócios que não dessem certo e teve medo do patrão também. Agora, cá pra nós, o medo dele serviu de desculpa, para ele não se mexer, não enfrentar a trabalheira que iria ter’. Cá comigo, me vieram aquelas palavrinhas da história de Jesus ‘servo mau e preguiçoso’. Esse negligente cruzou os braços, na hora que era preciso ir à luta! Foi aí que eu arrisquei um comentário em voz alta: ‘É, os outros dois não perderam tempo, trabalharam duro e chegaram a dobrar o valor que receberam”. E, antes que viesse uma reação, lancei logo a última pergunta.

Fazendo um pouco de média, eu disse: ‘É, meu irmão, patrão só fica feliz quando tira o couro do empregado. Você foi honesto com ele, devolveu o dinheiro dele certinho... Você não acha que ele foi injusto com você? Ele o despediu sem dó, nem piedade.’ O sujeito, já apanhado da vida, ponderou... ‘É, a gente colhe o que planta. Como empregado dele, minha obrigação era fazer prosperar o seu negócio, esse era o meu trabalho. Se eu me neguei a isso, não merecia mais permanecer na sua casa. Ele estava com a razão. Agora, aqui fora é que eu sei a oportunidade que perdi... E a mulher dele completou: ‘Nós sabemos, meu velho, nós sabemos...’.




Guardando a mensagem

Na parábola, o patrão é Deus. Ele nos confia seus bens para administrarmos. Cada servo recebe segundo sua capacidade. E não recebe pouco. Sua função é trabalhar, é empreender, é fazer render o que recebeu. Com os dons que o senhor nos confia, podemos contribuir para que tudo melhore ao nosso redor: a família, a comunidade, a escola, o bairro, o mundo... Não foram poucos os recursos que Deus nos deu: consciência, inteligência, saúde, família, amigos, oportunidades... E esses dons humanos são pequenos e poucos diante dos bens eternos que ele nos concede: a fé, a intercessão da Virgem Maria, a pertença à Igreja, o dom do Espírito Santo, o perdão dos pecados, a luz de sua Palavra, a presença eucarística de Jesus... Não podemos enterrar esses talentos. Temos que nos empenhar, como servos bons e fiéis, para que haja crescimento, para que apareçam frutos, para que tudo melhore para felicidade nossa, para o bem dos que nos cercam e para a glória do nosso Senhor e Deus.

A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade (Mt 25, 15).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
obrigado por tudo que nos confiastes. Sabemos que são teus esses bens que estamos administrando e que deles vamos prestar contas. É verdade, esta é a hora do empenho, do trabalho, do compromisso. Hora de confiar e empreender, de ousar e ir à luta. Queremos ouvir a tua aprovação: “muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar de minha alegria”. Ah, Senhor, é tudo o que, no final, nós queremos ouvir. Senhor, cuida, hoje, daqueles que estão se julgando inúteis e fracassados. Dá-lhes o ânimo do teu Santo Espírito. Enquanto aguardamos a tua chegada, ou a tua chamada, é tempo de crescimento, de superação, de conquista. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pense em como empenhar-se, com fidelidade e perseverança, no desenvolvimento dos talentos que Deus lhe deu.

Comunicando

Hoje, a Igreja celebra o 7º Dia Mundial do Pobre, com o tema "Nunca desvies o olhar de um pobre" (Tb 4,7). Em sua mensagem, escreveu o Papa Francisco: "o grito dos irmãos e irmãs que pedem ajuda, apoio e solidariedade ergue-se cada vez mais forte". 

 Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Não cruze os braços diante de um problema.



   18 de novembro de 2023.   

Sábado da 32ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho   


Lc 18,1-8

Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2“Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha agredir-me!’” 6E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

   Meditação.   


E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? (Lc 18, 7)

O juiz e a viúva. A viúva tinha uma causa na justiça. O juiz era iníquo, não temia a Deus, não respeitava ninguém. As chances da viúva eram mínimas. É a situação de muita gente. Tendo um problema sério para resolver, encontra barreiras muito grandes para ultrapassar. Tem diante de si um sistema burocrático, a força do poder econômico, a má vontade de quem deveria encaminhar uma solução... é problema de trabalho, é problema de saúde, é problema de família. Problemas grandes, com pouca chance de solução. Não seria o seu caso?

Bom, na parábola que Jesus contou, a situação estava difícil para a viúva. Ela tinha uma causa na justiça. E o juiz não era confiável. A fama dele era de injusto, sem temor a Deus. Tudo levava a crer que o juiz iria demorar demais a resolver o assunto e, claro, como não tinha compromisso com a justiça, iria prejudicá-la, pois ela era a parte mais frágil, mais desprotegida.

Mas, não foi bem assim. Ela conseguiu que ele julgasse o processo e lhe desse ganho de causa. Olha que surpresa! E o que mudou a situação? Jesus deixou claro: a insistência da viúva. Frequentemente, ela estava na porta do juiz: “Faça-me justiça contra o meu adversário”. O seu pedido insistente, perseverante acabou chateando o juiz. Ele pensou: vou resolver logo isso, senão essa viúva vai acabar com o meu juízo. E resolveu logo. E resolveu dando razão a quem tinha razão, à viúva. Que história interessante!

Por que será que Jesus contou essa história? Com certeza, pra gente não desanimar diante dos problemas, pra gente não cruzar os braços diante de situações difíceis; ir à luta, insistir, lutar pelo certo, pela verdade, pela justiça... A viúva não ficou em casa, se lamentando.... “Estou perdida, eu sou uma pobre viúva, e aquele juiz é um sujeito corrupto”. Não, não ficou se lamentando. Foi à luta, enfrentou o juiz, insistiu, cobrou, encheu a paciência daquele homem... Nada de ficar esperando pra ver no que vai dar, nada de se bloquear imaginando-se sem chance... Ir à luta, enfrentar, cobrar, insistir.

A parábola também pode ser aplicada ao nosso relacionamento com Deus. Mesmo que Deus não tenha nada de parecido com o juiz da história, precisamos ser perseverantes naquilo que pedimos. É que Deus, como bom educador, quer ver a gente se mexendo pra encontrar solução para os problemas; quer que tenhamos um grau de compromisso com o que estamos pedindo; quer que cultivemos sentimento de verdadeira confiança nele.




Guardando a mensagem

A viúva da história de Jesus é um exemplo para nós. Diante de dificuldade quase intransponível, acreditou na sua causa e, de tanto insistir, terminou mobilizando o injusto juiz em seu favor, com o incômodo de sua cobrança persistente. Você mesmo tem coisas difíceis pra realizar, sonhos quase impossíveis pra conquistar. Aprenda da viúva do evangelho. Não fique de braços cruzados. Não se deixe vencer pelo desânimo, pelo cansaço. A vitória depende de sua perseverança, de sua insistência. Deus também, como um bom pai que é, gosta de dar um tempo quando a gente faz um pedido. Ele quer ver a gente se mexer com confiança e perseverança e amadurecer o grau de compromisso com aquilo que estamos pedindo. Só pais inexperientes dão tudo o que filho pede e na velocidade que ele deseja.

E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? (Lc 18, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
quantas lições, aprendemos no teu santo evangelho! Hoje, nos dizes para sermos perseverantes, insistentes, chatos se for preciso, mas não desistirmos diante das dificuldades. E disseste isto comparando também com a oração. Deus não é como aquele juiz. Ele é um pai amoroso. Mas, é um pai que quer o nosso bem, e sabe se o que pedimos servirá mesmo para o nosso crescimento; e conhece a hora oportuna para recebermos o que pedimos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Comente, hoje, esse evangelho com alguém. O pequeno vence pela insistência, pela perseverança e pela confiança em Deus.

Comunicando

Grato por se associar à AMA. Obrigado por estar conosco na missão.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Pobre da mulher de Ló.



   17 de novembro de 2023.   

Memória de Santa Isabel da Hungria, religiosa


   Evangelho      


Lc 17,26-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 26“Como aconteceu nos dias de Noé, assim também acontecerá nos dias do Filho do Homem. 27Eles comiam, bebiam, casavam-se e se davam em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então chegou o dilúvio e fez morrer todos eles. 28Acontecerá como nos dias de Ló: comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam. 29Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, Deus fez chover fogo e enxofre do céu e fez morrer todos. 30O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado. 31Nesse dia, quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens que estão em sua casa. E quem estiver nos campos não volte para trás. 32Lembrai-vos da mulher de Ló. 33Quem procura ganhar a sua vida vai perdê-la; e quem a perde vai conservá-la. 34Eu vos digo: nesta noite, dois estarão numa cama; um será tomado e o outro será deixado. 35Duas mulheres estarão moendo juntas; uma será tomada e a outra será deixada. 36Dois homens estarão no campo; um será levado e o outro será deixado”. 37Os discípulos perguntaram: “Senhor, onde acontecerá isso?” Jesus respondeu: “Onde estiver o cadáver, aí se reunirão os abutres”.

   Meditação   


Lembrem-se da mulher de Ló (Lc 17, 32)

Houve o dia de Noé, o dia em que Noé entrou na arca. Esse dia foi um marco, separando a convivência distraída do povo e o dilúvio que acabou com tudo. O dia de Noé foi a intervenção de Deus, o juízo de Deus.

Houve o dia de Ló, o dia em que Ló deixou Sodoma. Esse dia foi um marco, separando a vidinha relaxada do povo e a chuva de fogo e enxofre que sepultou tudo. O dia de Ló foi a intervenção de Deus, o juízo de Deus.

Haverá o dia do Filho do Homem, o dia da revelação de Jesus, a sua manifestação no final da história. Esse dia será um marco, separando o tempo em que todo mundo foi convidado à conversão e a salvação dos justos. O dia do Filho do Homem será a intervenção de Deus, o julgamento de Deus.

Você está entendendo, Jesus está falando de seu retorno. Vivemos na expectativa de sua volta. O tempo da conversão é agora, enquanto o aguardamos. Nesse contexto, Jesus falou da mulher de Ló. ‘Quem procura ganhar a sua vida, vai perdê-la’.

A história de Ló está no primeiro livro da Bíblia, o livro do Gênesis. Ló foi o único justo encontrado na cidade de Sodoma. Tudo de ruim havia naquela cidade. O justo foi convidado a sair dali, deixar tudo, abandonar aquela gente. Ló saiu com sua família. Deus poria um fim naquele antro de maldade, violência e perversidade. A família de Ló saiu da cidade. Havia uma recomendação: ninguém olhe pra trás. A certa altura, a mulher de Ló olhou para trás para ver o que estava acontecendo por lá. Não deu outra. Virou uma estátua de sal. Jesus relembrou essa antiga história bíblica e tirou uma lição: "Quem quiser ganhar a sua vida, vai perdê-la".

A chegada do Reino de Deus é como o convite para a saída de Sodoma. Em outras palavras, Jesus pregou desde o início: "Reino chegou, convertam-se". Conversão é reorientar a própria vida e a vida em nossa volta. Reorientá-la para Deus, em obediência à sua Palavra salvadora. Deixar o velho do pecado e abraçar o novo do perdão e da reconciliação oferecidos agora no próprio Jesus. Dar as costas à Sodoma e caminhar para um novo modo de ser e de viver. Não compactuar mais com a velha situação.




Guardando a mensagem

Quem abraçou a novidade do Reino de Deus deixou para trás o que era antigo, isto é, o que era contrário ao Reino. Não dá pra continuar fazendo média com o que é desobediência a Deus. A mulher de Ló é o exemplo de quem abraça a novidade de Jesus e do seu Reino e fica olhando para trás. Fica com um pé na graça que nos gera novas criaturas, mas continua repetindo os velhos hábitos do Adão pecador. Quem foi gerado novo no Cristo Ressuscitado, superou o velho homem Adão, distanciado de Deus e amigo do pecado. A história da mulher de Ló é um alerta: abraçando o novo que nos chegou pela graça de Cristo, definitivamente nos apartemos do mundo do pecado que ficou para trás.

Lembrem-se da mulher de Ló (Lc 17, 32)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
deu pra entender, na palavra de hoje, que é pra gente não imitar o povo do tempo de Noé, levando na brincadeira a pregação da Palavra; que é pra gente não imitar o povo de Sodoma que não levou a sério os avisos de Deus sobre a vida devassa que estavam levando; que é pra gente não imitar a mulher de Ló, que convidada a sair de Sodoma, a destacar-se completamente daquela cidade de pecado, ainda continuava ligada a ela. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão sincera e da perseverança no caminho da vida nova. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Essa história de Ló é muito interessante. Você vai gostar de conhecê-la nos seus pormenores. Assim, poderá entender melhor as palavras de Jesus. Então, leia, hoje, o capítulo 19 do Livro do Gênesis.

Comunicando

Vou lhe dizer o que é a AMA, a Associação Missionária Amanhecer. A AMA congrega pessoas que se sentem tocadas pelo evangelho e querem comunicar a Palavra a muita gente, utilizando-se dos meios de comunicação (rádio, televisão, vídeo, redes sociais, publicações, eventos, etc.). A evangelização é a missão que Jesus nos deixou: "Vão pelo mundo todo e anunciem o evangelho a toda criatura!" Se você também se sentir tocado(a) pelo evangelho, faça seu cadastro de associado(a) e seja bem vindo, seja bem vinda. Depois, a gente liga pra você, pra tirar as suas dúvidas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb  

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