PE. JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO: viúva
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20191115

REZAR COM PERSEVERANÇA

E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? (Lc 18, 7)
16 de novembro de 2019.
O juiz e a viúva. A viúva tinha uma causa na justiça. O juiz era iníquo, não temia a Deus, não respeitava ninguém. As chances da viúva eram mínimas. É a situação de muita gente. Tendo um problema sério para resolver, encontra barreiras muito grandes para ultrapassar. Tem diante de si um sistema burocrático, a força do poder econômico, a má vontade de quem deveria encaminhar uma solução... é problema de trabalho, é problema de saúde, é problema de família. Problemas grandes, com pouca chance de solução. Não seria o seu caso?
Bom, na parábola que Jesus contou, a situação estava difícil para a viúva. Ela tinha uma causa na justiça. E o juiz não era confiável. A fama dele era de injusto, sem temor a Deus. Tudo levava a crer que o juiz iria demorar demais a resolver o assunto e, claro, como não tinha compromisso com a justiça, iria prejudicá-la, pois ela era a parte mais frágil, mais desprotegida.
Mas, não foi bem assim. Ela conseguiu que ele julgasse o processo e lhe desse ganho de causa. Olha que surpresa! E o que mudou a situação? Jesus deixou claro: a insistência da viúva. Frequentemente, ela estava na porta do juiz: “Faça-me justiça contra o meu adversário”. O seu pedido insistente, perseverante acabou chateando o juiz. Ele pensou: vou resolver logo isso, senão essa viúva vai acabar com o meu juízo. E resolveu logo. E resolveu dando razão a quem tinha razão, à viúva. Que história interessante!
Por que será que Jesus contou essa história? Com certeza, pra gente não desanimar diante dos problemas, pra gente não cruzar os braços diante de situações difíceis; ir à luta, insistir, lutar pelo certo, pela verdade, pela justiça... A viúva não ficou em casa, se lamentando.... “Estou perdida, eu sou uma pobre viúva, e aquele juiz é um sujeito corrupto”.  Não, não ficou se lamentando. Foi à luta, enfrentou o juiz, insistiu, cobrou, encheu a paciência daquele homem... Nada de ficar esperando pra ver no que vai dar, nada de se bloquear imaginando-se sem chance... Ir à luta, enfrentar, cobrar, insistir.
A parábola também pode ser aplicada ao nosso relacionamento com Deus. Mesmo que Deus não tenha nada de parecido com o juiz da história, precisamos ser perseverantes naquilo que pedimos. É que Deus, como bom educador, quer ver a gente se mexendo pra encontrar solução para os problemas; quer que tenhamos um grau de compromisso com o que estamos pedindo; quer que cultivemos sentimento de verdadeira confiança nele.
Guardando a mensagem
A viúva da história de Jesus é um exemplo para nós. Diante de dificuldade quase intransponível, acreditou na sua causa e, de tanto insistir, terminou mobilizando o injusto juiz em seu favor, com o incômodo de sua cobrança persistente. Você mesmo tem coisas difíceis pra realizar, sonhos quase impossíveis pra conquistar. Aprenda da viúva do evangelho. Não fique de braços cruzados. Não se deixe vencer pelo desânimo, pelo cansaço. A vitória depende de sua perseverança, de sua insistência. Deus também, como um bom pai que é, gosta de dar um tempo quando a gente faz um pedido. Ele quer ver a gente se mexer com confiança e perseverança e amadurecer o grau de compromisso com aquilo que estamos pedindo. Só pais inexperientes dão tudo o que filho pede e na velocidade que ele deseja.
E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? (Lc 18, 7)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Quantas lições, aprendemos no teu santo evangelho! Hoje, nos dizes para sermos perseverantes, insistentes, chatos se for preciso, mas não desistirmos diante das dificuldades. E disseste isto comparando também com a oração. Deus não é como aquele juiz. Ele é um pai amoroso. Mas, é um pai que quer o nosso bem, e sabe se o que pedimos servirá mesmo para o nosso crescimento; e conhece a hora oportuna para recebermos o que pedimos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Amanhã é domingo, dia do Senhor. Quer mesmo agradar a esse Deus amoroso que nos deu o seu filho unigênito como salvador? Então, não falte à Santa Missa.


Pe. João Carlos Ribeiro – 16 de novembro de 2019

20191020

NÃO ABAIXE OS BRAÇOS

E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? (Lc 18, 7)


20 de outubro de 2019

O juiz e a viúva. A viúva tinha uma causa na justiça. O juiz era iníquo, não temia a Deus, não respeitava ninguém. As chances da viúva eram mínimas. É a situação de muita gente. Tendo um problema sério para resolver, encontra barreiras muito grandes para ultrapassar. Tem diante de si um sistema burocrático, a força do poder econômico, a má vontade de quem deveria encaminhar uma solução... é problema de trabalho, é problema de saúde, é problema de família. Problemas grandes, com pouca chance de solução. Não seria o seu caso?

Bom, na parábola que Jesus contou, a situação estava difícil para a viúva. Ela tinha uma causa na justiça. E o juiz não era confiável. A fama dele era de injusto, sem temor a Deus. Tudo levava a crer que o juiz demoraria demais a resolver o assunto e, claro, como não tinha compromisso com a justiça, iria prejudica-la, pois ela era a parte mais frágil, mais desprotegida.

Mas, não foi bem assim. Ela conseguiu que ele julgasse o processo logo e lhe desse ganho de causa. Olha que surpresa! E o que mudou a situação? Jesus deixou claro: a insistência da viúva. Frequentemente, ela estava na porta do juiz: “Faça-me justiça contra o meu adversário”. O seu pedido insistente, perseverante acabou chateando o juiz. Ele pensou: ‘vou resolver logo isso, senão essa viúva vai acabar com o meu juízo’. E resolveu logo. E resolveu dando razão a quem tinha razão, à viúva. Que história interessante!

Por que será que Jesus contou essa história? Com certeza, pra gente não desanimar diante dos problemas, pra gente não cruzar os braços diante de situações difíceis; ir à luta, insistir, lutar pelo certo, pela verdade, pela justiça... A viúva não ficou em casa, se lamentando.... “Estou perdida, eu sou uma pobre viúva, e aquele juiz é um sujeito corrupto”. Não, não ficou se lamentando. Foi à luta, enfrentou o magistrado, insistiu, cobrou, encheu a paciência daquele homem... Nada de ficar esperando pra ver no que vai dar, nada de se bloquear imaginando-se sem chance... Ir à luta, enfrentar, cobrar, insistir. Entendeu?

A parábola também pode ser aplicada ao nosso relacionamento com Deus. Mesmo que Deus não tenha nada de parecido com o juiz da história, precisamos ser perseverantes naquilo que pedimos. É que Deus, como bom educador, quer ver a gente se mexendo pra encontrar solução para os problemas; quer que tenhamos um grau de compromisso com o que estamos pedindo; quer que cultivemos um sentimento de verdadeira confiança nele.

Nossa oração deve ser constante, perseverante. No livro do Êxodo, conta-se um fato curioso na batalha do povo de Deus contra os amalecitas. Moisés, no monte, rezava com as mãos elevadas, enquanto o povo lutava lá embaixo. “Enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, venciam os seus inimigos”. A vida é uma luta permanente. Não vencemos sem a força de Deus. Então, mantenha suas mãos erguidas, em prece, o tempo todo. Sem Deus, estamos perdidos.

Guardando a mensagem

A viúva da história de Jesus é um exemplo para nós. Diante de dificuldade quase intransponível, acreditou na sua causa e, de tanto insistir, terminou mobilizando o injusto juiz em seu favor, com o incômodo de sua cobrança persistente. Você mesmo tem coisas difíceis pra realizar, sonhos quase impossíveis pra conquistar. Aprenda da viúva do evangelho. Não fique de braços cruzados. Não se deixe vencer pelo desânimo, pelo cansaço. A vitória depende de sua perseverança, de sua insistência. Deus também, como um bom pai que é, gosta de dar um tempo quando a gente faz um pedido. Ele quer ver a gente se mexer com confiança e perseverança e amadurecer o grau de compromisso com aquilo que estamos pedindo. Só pais inexperientes dão tudo o que filho pede e na velocidade que ele deseja.

E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? (Lc 18, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Quantas lições, aprendemos no teu santo evangelho! Hoje, nos dizes para sermos perseverantes, insistentes, chatos se for preciso, mas não desistirmos diante das dificuldades. E disseste isto comparando também com a oração. Deus não é como aquele juiz. Ele é um pai amoroso. Mas, é um pai que quer o nosso bem, e sabe se o que pedimos servirá mesmo para o nosso crescimento; e sabe a hora certa para nos conceder o que pedimos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Na sua Bíblia, procure o Salmo 120 (ou 121) para rezá-lo, hoje. Ele começa assim: “Eu levanto os meus olhos para os montes:/ de onde pode vir o meu socorro?”

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb – 20 de outubro de 2019

20181125

VOCÊ, AS MOEDAS E A VIÚVA

Em verdade lhes digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos (Lc 21, 3).
26 de novembro de 2018.
Jesus observou que uma pobre viúva depositou duas pequenas moedas no tesouro do Templo. E valorizou essa participação, aparentemente tão pequena. Viu também pessoas ricas fazendo suas ofertas. Comparou a viúva pobre e os ricos piedosos. Os ricos ofertaram o que lhes sobrava. Ela ofereceu ‘tudo quanto tinha para viver’.
Veja bem, dando as duas moedas que lhe fariam falta, ela deu algo de si mesma. As duas moedas a ajudariam em alguma coisa, um pão, um pouco de leite, quem sabe... Não deu do que lhe estava sobrando. Propriamente, não deu coisas fora de si. Empenhou-se a si mesma nesta oferta. Deu-se a si mesma. A viúva a si mesmo se ofereceu em oferta.
Os ricos que depositaram muito dinheiro no cofre do Templo, ofereceram muita coisa, mas não ofereceram nada de si, compreende? Nada daquilo representava mesmo algo de si mesmos. Aquele dinheiro todo não lhes faria falta, era coisa que já estava sobrando. Jesus podia até elogiá-los reconhecendo que tinham sido generosos. Mas, não. Não estavam implicados na oferta. A viúva, ah essa sim, fez a maior oferta. Deu de sua própria vida, tirou do seu próprio sustento. Sacrificou-se ao dar. Na verdade, a sua oferta era ela mesma.
A história da viúva das duas moedinhas é um exemplo vivo do ensinamento de Jesus: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia sua cruz e me siga”. A viúva renunciou a si mesma. O discípulo vê isso na vida do seu Mestre. Foi assim que Jesus realizou sua missão. Escreveu o apóstolo Paulo: “ele não se apegou à sua condição de igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição humana...”. O que a viúva fez está em sintonia com o modo como Jesus realizou sua missão.
Guardando a mensagem
No gesto de dar uma oferta no Templo, a viúva pobre não deu apenas algo fora de si, que não a empenhava, nem a implicava. Especialmente, entregou-se a si mesma, deu-se na sua pobreza e na sua necessidade. E o que é que a viúva tem com você? É fácil: na sua relação com a Igreja (que está no lugar do antigo Templo), espera-se que você não dê apenas coisas, exteriormente. O evangelho da viúva indica que você precisa entregar-se a si mesmo, a si mesma. Não basta cumprir o preceito de assistir a Missa aos domingos. É preciso que você faça do seu domingo uma Missa. E o compromisso do dízimo? É, ele é importante, mas só vale mesmo se você for a oferta principal, não o seu dinheiro. Rezar é importante? Sim, se rezar for o modo de você reconhecer o amor de Deus, colocando-se às suas ordens. O que você faz ou dá não é importante. Só é importante se sua vida estiver sendo oferecida e entregue no sinal da oferenda.
Em verdade lhes digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos (Lc 21, 3).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Temos que reconhecer que nosso dízimo e nossas ofertas na Igreja estão muito longe do sentimento de entrega da viúva. Ela propriamente se deu em oferta, oferecendo o que lhe faria falta. A nossa oferta deveria representar a oferta de nós mesmos a Deus, mas quase sempre são apenas esmolas e migalhas que representam apenas o nosso pouco compromisso com a Igreja e com a sua missão. Converte-nos, Senhor. Dá-nos o coração da viúva pobre que a si mesmo se ofereceu em sua oferta. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Será que o evangelho está lhe pedindo alguma mudança? Responda no seu caderno espiritual.

Pe. João Carlos Ribeiro – 26.11.2018

20180918

AS TRÊS QUALIDADES DO CRISTÃO DO SÉCULO XXI

Deus veio visitar o seu povo (Lc 7, 16)
18 de setembro de 2018.
Os tempos mudaram. E o cristão, mudou? Na sua essência, não. Ser cristão não é moda que passa. É um modo de ser e viver dos seguidores de Jesus Cristo. Mas, claro, em cada tempo há alguma qualidade que torna mais significativo o seu modo de ser e de agir. No evangelho de hoje, reconhecemos pelo menos três qualidades do cristão de ontem e de hoje. Cristão é o que segue os passos do Mestre, o que o imita em seu caminho humano.
Jesus entrou na cidade de Naim. Chegou acompanhado dos discípulos e de muita gente que o seguia. Encontrou um enterro saindo da cidade. Uma situação de dor e sofrimento: uma viúva que perdera seu único filho, um jovem. Consolou a pobre senhora. Parou o enterro, mandou o moço levantar-se. Comoção, júbilo, festa. Deus visitou o seu povo: concluiu a multidão. E a voz espalhou a alegria do Reino que estava chegando como saúde, inclusão, solidariedade, vida.
A primeira qualidade do cristão, hoje, é a abertura para os outros. Jesus não foi um profeta com um endereço fixo. Nesse episódio de Naim, ele aparece chegando a essa pequena cidade. Ele circulava por todo o país, indo ao encontro do povo nos povoados, nas cidades, nos sítios. Participava com o seu povo das peregrinações a Jerusalém. Como expressou numa parábola, ele buscava a ovelha que se perdeu, até encontrá-la. E essa tem que ser a postura do cristão: alguém que superou o egoísmo e está voltado para os outros, para o mundo, não mais centrado em si mesmo; alguém que vive uma atitude missionária de abertura ao encontro com o outro. Naquela grande reunião dos bispos da América Latina em Aparecida, o grande compromisso foi esse: ajudar os cristãos a serem mais missionários.
A segunda qualidade do cristão, hoje, é a solidariedade. Nessa história do enterro de Naim, isso apareceu claro em Jesus. Ele encheu-se de compaixão, diz o texto, e foi consolar a viúva. Foi a compaixão que o moveu a deixar os planos de descanso e dedicar-se a ensinar àquele povo todo do outro lado do mar. Ele sensibilizava-se pelo sofrimento, deixava-se tocar pela dor dos outros. Tornava viva aquela palavra dita a Moisés, no Monte Sinai: “Ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo”. A solidariedade, a compaixão é a marca de Jesus, e tem que ser a marca do cristão também. No meio de tanto sofrimento, de tantos dramas humanos – o desemprego, a solidão, a injustiça, a dependência das drogas, a violência – o cristão há de ter o mesmo coração solidário do Senhor.
A terceira qualidade do cristão, hoje, é a defesa da vida. Jesus parou o enterro e devolveu o jovem vivo à sua mãe. Com as obras, realizava o seu mote: “Eu vim para que todos tenham vida”. Todas as histórias do evangelho são histórias de resgate, de inclusão, de defesa da vida, de promoção da dignidade das pessoas. Como ser um seguidor de Jesus e não ter compromisso com a vida, com a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a sustentabilidade do planeta? Compromisso com a vida se traduz concretamente na luta contra o abordo e a pena de morte, contra as drogas, contra a discriminação, em favor do salário digno, da defesa da família, da construção da paz.
Guardando a mensagem
Jesus chegou à pequena cidade de Naim e encontrou um enterro de um moço, filho único da viúva. Admiramos no Mestre a sua preocupação com os outros, os seus deslocamentos para encontrar o povo em suas realidades. Abertura para os outros. Vemos como ele teve compaixão daquela viúva e mostrou-se próximo daquela família. Solidariedade. Em atenção àquela situação, ele parou o enterro e ressuscitou o morto. E encheu de alegria a sua mãezinha viúva. Defesa da vida. Essas são três qualidades que o cristão precisa ter hoje: abertura para os outros, solidariedade e defesa da vida. Nisto, imita Jesus.
Deus veio visitar o seu povo (Lc 7, 16)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Providencialmente, barraste o enterro daquele jovem, em Naim. Infelizmente, um número surpreendente de jovens, hoje, está naquela mesma condição daquele filho da viúva: tendo a vida ceifada pela violência urbana, pelos acidentes de trânsito, pelas drogas, pela depressão. Senhor, hoje somos nós que, à tua imitação e com a tua graça, precisamos barrar essa procissão de morte dos jovens. Ajuda-nos, Senhor, a ser pessoas abertas às necessidades dos outros, solidários e comprometidos com a vida, como tu. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Responda no seu caderno espiritual: O que os cristãos precisam fazer para barrar a morte de tantos jovens (causadas pelo tráfico de drogas, pela violência urbana, por acidentes, pelo suicídio, etc.)?

Pe. João Carlos Ribeiro – 18.09.2018

20180305

SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRES?

MEDITAÇÃO PARA A SEGUNDA-FEIRA 05 DE MARÇO DE 2018.
Em verdade eu lhes digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria (Lc 4, 24)
Jesus disse isso - "nenhum profeta é bem recebido em sua pátria" - na Sinagoga de Nazaré, diante da má acolhida dos seus conterrâneos. E ele comprovou isso lembrando dois outros profetas: Elias e Eliseu. Num tempo de fome, mesmo com tantas viúvas em Israel, Elias foi acolhido e multiplicou o pão de uma viúva estrangeira, que era de Sarepta. No tempo de Eliseu, mesmo com tantos leprosos em Israel, quem lhe procurou e foi curado foi um pagão, o sírio Naamã.
Isso que Jesus falou "nenhum profeta é bem recebido em sua pátria" foi uma afirmação, uma reclamação ou uma lamentação? Seus conterrâneos de Nazaré não quiseram lhe dar crédito. Ele estava explicando que as palavras do livro santo estavam se cumprindo naquela ocasião, em sua missão. Começaram a murmurar, achando que Jesus estava indo longe demais. Todos o conheciam, era o filho do carpinteiro. Seus parentes eram todos conhecidos naquela vila de Nazaré. De onde lhe viria tanta sabedoria? E outros comentavam descrentes: "ele anda fazendo milagre por todo canto, vamos ver se ele faz um milagre aqui". E chegaram a expulsá-lo da sinagoga e da Vila.  A acolhida fria, desconfiada e violenta dos seus conterrâneos dava razão ao ditado "nenhum profeta é bem recebido em sua pátria ". Foi uma lamentação o que Jesus disse, não foi uma afirmação. Não é que tem que ser assim. Infelizmente, é assim que acontece.
"Santo de casa não faz milagres" é o ditado que ainda corre o mundo. Mas isto não quer dizer que seja uma coisa correta. Por que é que nós não damos valor à prata da casa? Por que vemos com desconfiança alguém que nós conhecemos que ascendeu na vida, que se tornou um profissional renomado ou assumiu uma posição de liderança na sociedade? Na verdade, quando desqualificamos alguém do nosso grupo, estamos desqualificando a nós mesmos. Não acredito no outro porque não acredito em mim.   Aquele discípulo de Jesus, Natanael, quando ouviu falar de Jesus fez um comentário preconceituoso que representava boa parte da opinião corrente: "Por acaso de Nazaré pode sair alguma coisa boa?". Olha o preconceito! Será que os conterrâneos de Jesus tinham introjetado esse preconceito contra eles mesmos? Ou será que trancaram o coração e a razão por pura inveja? Ou quem sabe agiram como nós continuamos agindo porque não nos valorizamos, não damos valor ao que é da terra, considerando que o melhor é sempre o de fora, o do outro grupo, o da outra rua.  Com certeza, foi  tudo isso junto e muito mais.
"A galinha do vizinho é sempre a mais gorda" é outro ditado que merece uma reflexão. Quando nos desvalorizamos, desqualificando as pessoas que emergem socialmente no nosso meio ou que pleiteiam assumir uma posição de destaque entre nós na verdade, fazemos isso supervalorizando os de fora, os de outro status social. Não acreditando em nós mesmo, em nossa classe, em nossa capela, em nossa família, supervalorizamos os de fora. "Ah, aqui é uma bagunça, uma corrupção generalizada. Bom é nos Estados Unidos". "Nossos artistas são regionais. Celebridades são os do Rio de Janeiro". O de fora é que é o tal. Isso em bom português se chama alienação: deixar de reconhecer o seu valor para curvar-se ao valor de outro supostamente mais forte, mais rico, mais badalado. A galinha do vizinho nem sempre é a mais gorda. Aliás, quase sempre não o é.
Vamos guardar a mensagem
Jesus, pregando na Sinagoga de Nazaré, sentiu fortemente o descrédito dos seus conterrâneos, dos seus amigos de infância, dos seus parentes. Refletiu que isso repetia a história deles mesmos: a desvalorização das pessoas de sua convivência, movidos, quem sabe, pelo preconceito, pela inveja ou pela alienação de seu próprio valor. Nessa lógica humana, mesquinha, alienada, Jesus para ser o salvador enviado por Deus devia ter chegado de fora, com toda pompa e poder, quem sabe arrodeado por um exército luminoso de anjos, sei lá... Que viesse de fora, de outro país, ou pelo menos de Jerusalém, da capital ou fosse membro das elites de Israel. Mas essa não foi a lógica de Deus e não foi assim que Jesus realizou sua missão. São João foi claro: "O verbo se fez carne". Ele abaixou-se, assumiu a nossa fraqueza. Encarnou-se na periferia do mundo, identificou-se com os humildes e nos resgatou desde lá de baixo. Essa é a lógica de Deus. É nessa lógica que podemos reconhecer Jesus e crescer em direção à plenitude. Acreditar em nós mesmos. Valorizar as possibilidades de nossa própria condição. Apostar que santo de casa é que faz milagre.
Em verdade eu lhes digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria (Lc 4, 24)
Vamos acolher a mensagem
Senhor Jesus,
Na sinagoga de Nazaré, vê-se claramente como o preconceito produz exclusão e violência. Os teus conterrâneos de Nazaré te expulsaram da cidade. E alguns mais exaltados queriam te empurrar no precipício. Verdade, o preconceito produz violência. Ao desclassificar uma pessoa (por razão de cor, de religião, de opção sexual, de opção política,...), deixamos de reconhecer a sua dignidade e ela torna-se alvo fácil do ódio, da discriminação, da violência física. Fortalece, Senhor, com a força do teu Santo Espírito, o nosso caminho de conversão para agirmos sempre com verdadeiro acolhimento das pessoas, com grande respeito à sua dignidade e à sua liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
No seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações), faça uma lista de pessoas de sua convivência que você reconhece com gente de grande valor.  

Pe. João Carlos Ribeiro – 04.03.2018

20170919

É ASSIM QUE VOCÊ TEM QUE SER


Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo (Lc 7, 16)
Jesus entrou na cidade de Naim. Chegou acompanhado dos discípulos e de muita gente que o seguia. Encontrou um enterro saindo da cidade. Uma situação de dor e sofrimento: uma viúva que perdera seu único filho, um jovem. Consolou a pobre senhora. Parou o enterro, mandou o moço levantar-se. Comoção, júbilo, festa. Deus visitou o seu povo: concluiu a multidão. E a voz espalhou a alegria do Reino que estava chegando como saúde, inclusão, solidariedade, vida. Nessa breve cena do Evangelho de Lucas, estão ao menos três qualidades do cristão, do seguidor de Jesus de ontem e de hoje. Cristão é o que segue os passos do Mestre, o que o imita em seu caminho humano.
A primeira qualidade do cristão hoje é ter um espírito missionário. Jesus não foi um profeta com um endereço fixo. Nesse episódio de Naim, ele aparece chegando a essa pequena cidade. Ele circulava por todo o país, indo ao encontro do povo nos povoados, nas cidades, nos sítios. Participava com o seu povo das peregrinações a Jerusalém. Buscava a ovelha que se perdeu, até encontrá-la. E essa tem que ser a postura do cristão: alguém que superou o egoísmo e está voltado para os outros, para o mundo, não mais centrado em si mesmo; alguém que vive uma atitude missionária de abertura ao encontro com o outro. Naquela grande reunião dos bispos da América Latina em Aparecida, o que mais preocupou foi isso: ajudar os cristãos a serem mais missionários.
A segunda qualidade do cristão hoje é a solidariedade. Nessa história do enterro de Naim, isso apareceu claro em Jesus. Ele encheu-se de compaixão, diz o texto, e foi consolar a viúva. Foi a compaixão que o moveu a deixar os planos de descanso e dedicar-se a ensinar aquele povo todo do outro lado do mar. Ele sensibilizava-se pelo sofrimento, deixava-se tocar pela dor dos outros. Tornava viva aquela palavra dita a Moisés, no Monte Sinai: “Ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo”. A solidariedade, a compaixão é a marca de Jesus, e tem que ser a marca do cristão também. No meio de tanto sofrimento, de tantos dramas humanos – o desemprego, a solidão, a injustiça, a dependência das drogas, a violência – o cristão há de ter o mesmo coração solidário do Senhor.
A terceira qualidade do cristão hoje é o seu compromisso com a vida. De novo a história de Naim é exemplar. Jesus parou o enterro e devolveu o jovem vivo à sua mãe. Com as obras, realizava o seu mote: “Eu vim para que todos tenham vida”. Todas as histórias do evangelho são histórias de resgate, de inclusão, de defesa da vida, de promoção da dignidade das pessoas. Como ser um seguidor de Jesus e não ter compromisso com a vida, com a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a sustentabilidade do planeta? Compromisso com a vida se traduz concretamente na luta contra o abordo e a pena de morte, contra as drogas, contra a discriminação, em favor do salário digno, da defesa da família, da construção da paz.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Jesus chegou à pequena cidade de Naim e encontrou um enterro do rapaz, filho único da viúva. Admiramos no Mestre a sua preocupação com os outros, os seus deslocamentos para encontrar o povo em suas realidades. Um missionário. Vemos como ele teve compaixão daquela viúva e mostrou-se próximo daquela família. Solidariedade. Em atenção àquela situação, ele parou o enterro e ressuscitou o morto. E encheu de alegria a sua mãezinha viúva. Compromisso com a vida. Essas são as três qualidades que o cristão precisa ter hoje: espírito missionário, solidariedade e compromisso com a vida. Imitando Jesus.