BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Quem é a noiva?

 



   15 de outubro de 2023.   

28º Domingo do Tempo Comum

   Evangelho.   


Mt 22,1-14

Naquele tempo, 1Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, 2dizendo: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3E mandou os seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir.
4O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ 5Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.
7O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’.
10Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11Quando o rei entrou para ver os convidados observou ali um homem que não estava usando traje de festa 12e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu.
13Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes’. 14Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

   Meditação.   


Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa (Mt 22, 11)

Jesus comparou o Reino de Deus com uma festa de casamento. O rei preparou a festa de casamento do filho e mandou chamar os convidados. Os que foram convidados disseram que não iam. Ele mandou um segundo recado. Eles ignoraram. Mandou então os seus empregados convidarem todo mundo que encontrassem pelo caminho. O salão de festa ficou cheio de convidados. Mas, o rei, passando para cumprimentar os convidados, notou um que estava sem o traje de festa. E mandou colocá-lo pra fora.

O Evangelho é um convite. O convite é para participarmos da grande festa de casamento do filho do rei. O rei é Deus Pai. O filho, o noivo, é Jesus. Os empregados que levam o convite são os profetas, os missionários, os evangelizadores. E por que essa imagem da festa de casamento? Porque Deus celebrou uma aliança com o seu povo, no Antigo Testamento. E Jesus, no Novo Testamento, celebrou, no seu sangue, a nova e eterna aliança de Deus com o povo redimido. E quem é a noiva? Precisamos descobrir nessa parábola quem é a noiva. E, também, por que alguém foi excluído da festa por estar sem a roupa apropriada?

No tempo de Jesus, a grande rejeição veio das elites do seu povo. Veja que exatamente Jesus está contando esta parábola às lideranças de Jerusalém. São eles que reagiram violentamente maltratando e matando os missionários. Assim, Jesus já vê que a destruição do país pelos romanos mais adiante é resultado de sua rejeição. Agora, você entende porque, na parábola, o rei ficou furioso e mandou destruir e tocar fogo nas cidades deles.

Um palpite de estudiosos da Bíblia é o seguinte: nós somos os convidados. Claro, isso você já sabia. Os convidados deviam estar com o traje da festa, vestidos com a roupa nupcial, pois era uma festa de casamento. Isto, você também já suspeitava. Olha o segredo da parábola: A noiva são os convidados. Os convidados são a noiva, por isso que eles precisam estar com a roupa nupcial, o traje da festa. Entendeu? Jesus é o noivo. A noiva é a Igreja, nós, o povo de Deus. Claro. A noiva somos nós, os convidados.

Só falta uma coisa: o que é esse traje nupcial? Aí temos que pensar um pouco mais. Quer um palpite? Podemos pensar numa coisa simples. A coisa que não pode faltar em quem vai se casar é... é o amor. Claro, sem amor a Jesus, não tem casamento. Sem adesão à pessoa de Jesus Salvador, não há salvação, não há aliança, não há casamento. Nossa adesão a Jesus é celebrada no batismo, quando pelo banho do Espírito Santo somos lavados do pecado e nos revestimos de Cristo. No batismo, até trajamos uma roupinha branca, nova, a veste nupcial. O traje de festa é o amor a Cristo, a nossa adesão a ele celebrada no batismo, a nossa condição de pessoas convertidas e perdoadas do pecado.




Guardando a mensagem

A aliança que Deus fez com Israel é como um casamento, no qual Deus é o esposo e a nação santa é a esposa. Jesus restaurou, no seu sangue, essa aliança enfraquecida ou rompida pela infidelidade. Jesus comparou o Reino de Deus com a festa de casamento que Deus preparou. Para essa festa, os primeiros convidados reagiram com violência. Foi a reação dos que o levaram à morte. Todos somos convidados para a grande festa. Pela evangelização, continuamos a ser convocados para ela. Na verdade, os convidados são a noiva. E precisam estar com o traje nupcial, que pode ser a adesão a Cristo pela fé, pelo amor e pela conversão. É isso que celebramos no batismo. Para representar nossa aliança com Cristo no batismo, nos trajamos com a veste nupcial.

Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa (Mt 22, 11)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
que linda comparação fizeste para entendermos o Reino de Deus: uma festa de casamento, no qual és o noivo e nós, tua Igreja, somos a noiva. Essa aliança de amor entre nós é a razão de tanta alegria, na grande casa do teu Pai e nosso Pai, do teu Deus e nosso Deus. Obrigado, Senhor, pelo maravilhoso serviço da evangelização, pelo qual o Pai continua a nos convocar para a grande festa. Que nenhuma desculpa nos impeça de comparecer ou de retardar nossa presença na tua festa. E que ninguém de nós compareça sem o traje nupcial que é a fé e a conversão com que fomos lavados do pecado no batismo. Foi no batismo que nos revestimos do homem novo, da roupa nova da graça. Como está escrito no Apocalipse: “Felizes os convidados para a ceia nupcial do cordeiro”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para entender ainda melhor o comentário de hoje, leia o evangelho e a meditação. Leia, não só ouça. O acesso ao texto é pelo link que estou lhe enviando. Não tendo o link, acesse www.padrejoaocarlos.com

Comunicando

Hoje, 15 de outubro, é o nosso Dia Missionário na AMA. Ao meio dia, vamos rezar o Ângelus com todos os associados, pela Rádio Amanhecer e pelas Redes Sociais. Rezando pela missão, da qual todos nós somos responsáveis.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Ouvir e praticar a Palavra.


   14 de outubro de 2023.   

Sábado do 27ª Semana do Tempo Comum

   Evangelho.   


Lc 11,27-28

Naquele tempo, 27enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. 28Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.

   Meditação   


Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram (Lc 11, 27)

O elogio da mulher foi maravilhoso. Ela gritou alto no meio da multidão. “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Ela louvou a mãe daquele profeta maravilhoso, Jesus, ali presente, encantando as pessoas com sua pregação e seus milagres. Parece ser essa uma forma comum no povo do Oriente de saudar assim uma pessoa muito querida e importante. Na verdade, é sempre assim em qualquer lugar: quer homenagear o filho, honre a sua mãe, não é verdade? A mulher louvou Jesus, por meio de sua mãe que o gerou e o amamentou.

E olha que esse detalhe da amamentação é uma coisa muito especial. Hoje, se sabe que o período da amamentação de uma criança é um tempo de grande influência na vida daquele ser humano. Amamentar é um ato em continuidade com a gestação, garantindo desenvolvimento físico, social e mental da criança. Da criança e da mãe também.

Na mesma linha, Izabel tinha feito o seu elogio. Nós, inclusive, continuamos a honrar a mãe do Salvador com suas palavras: “Bendito o fruto do teu ventre”. Izabel, cheia do Espírito Santo, louvou o fruto do ventre de Maria, louvou o filho, Jesus. Mesmo louvando quem foi gerado, não esqueceu a mãe, mencionando apropriadamente o seu ventre, o seu útero.

Jesus aproveitou o elogio da mulher à maternidade de Maria, que o gerou, para elevar ainda mais a louvação à sua mãe. Mais feliz ainda é ela por “ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática”. Maria gerou o filho e o amamentou em atenção à palavra de Deus que o anjo lhe transmitira. Sua maternidade, antes de tudo, é obediência a Deus, realização de sua vontade. Nesse sentido, ela é um exemplo para todos os seguidores de Jesus. Todos podem participar de sua bem-aventurança: “ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática”.




Guardando a mensagem

O elogio que a mulher fez, no meio da multidão, a Jesus foi cheio de sensibilidade. Ela o honrou, louvando sua mãe que o gerou e o amamentou. Hoje, a ciência conhece a importância que tem os nove meses de gestação e o tempo de amamentação para a vida de um ser humano. É um tempo sagrado em que a vida desabrocha como um verdadeiro milagre. Jesus completou o elogio que a mulher fez à sua mãe. ‘Muito mais feliz é ela por ter ouvido a palavra de Deus e tê-la praticado’. De verdade, a maternidade de Maria é fruto de sua obediência à vontade de Deus. Essa é a sua verdadeira bem-aventurança. Nós também participamos dessa bem-aventurança de Maria, na medida em que também realizarmos em nossa vida a Palavra do Senhor.

Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram (Lc 11, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
estamos no mês do Rosário. Nessa oração tão simples e tão popular que é o Terço, meditamos, todos os dias, os mistérios de tua vida e de tua páscoa. E ao contemplarmos os passos de tua encarnação, pregação, paixão, morte e ressurreição, reconhecemos a presença amorosa e fiel de tua santa Mãe ao teu lado, fortalecendo tua obediência com a sua, sustentando tua missão com a sua incessante oração. E, com a tua volta ao Pai, ela continua cuidando da nova família que nasceu aos pés da tua cruz, o povo redimido pelo teu sacrifício redentor. Senhor, que nós a amemos sempre mais e a honremos como nossa mãe e modelo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

O dia de hoje está cheio de estímulos para você rezar o Terço Mariano. Faça isso como uma ressonância do evangelho de hoje.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Um reino dividido não prospera.

 


   13 de outubro de 2023.   

Sexta-feira da 27ª Semana do Tempo Comum

   Evangelho   


Lc 11,15-26

Naquele tempo, Jesus estava expulsando um demônio. 15Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”.
16Outros, para tentar Jesus, pediram-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.
21Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou.
23Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa. 24Quando o espírito mau sai de um homem, fica vagando em lugares desertos, à procura de repouso; não o encontrando, ele diz: ‘Vou voltar para minha casa de onde saí’. 25Quando ele chega encontra a casa varrida e arrumada. 26Então ele vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. E, entrando, instalam-se aí. No fim, esse homem fica em condição pior do que antes”.

   Meditação.   


Todo reino dividido contra si mesmo será destruído (Lc 11, 17).

Jesus está realizando a sua missão. Qual é a missão de Jesus? Anunciar o Reino de Deus entre nós, aproximar as pessoas de Deus, refazer a aliança de Deus como o seu povo, salvar a humanidade que se separou do Criador pelo pecado. Esses são modos como tentamos explicar a missão de Jesus. Nós o vemos no seu trabalho redentor: anunciando o amor de Deus, convidando as pessoas à conversão, perdoando os pecadores, libertando pessoas da dominação do mal.

Que os demônios se opusessem a Jesus, isso a gente entende. Que os grupos privilegiados de Jerusalém o odiassem, até dá para entender. Mas, que pessoas religiosas, praticantes da Lei, se indispusessem contra Jesus, a ponto de o difamarem, tentando desmoralizá-lo ou até tramando a sua prisão, isto nos deixa perplexos. Pois, foi o que aconteceu. No evangelho de hoje, vê-se como eles começaram a espalhar que Jesus expulsava demônios com a autoridade do próprio satanás. Olha que jogo baixo: espalhar que Jesus agia em nome do diabo. Haja paciência! Era gente de má vontade procurando desqualificar a vitória de Jesus sobre o mal. Agora, o pior é que se tratava de gente muito religiosa.

Jesus chamou para a lógica. Se for assim, se o mal estiver combatendo contra si mesmo, diabo contra diabo, então estão realmente perdidos, pois ‘todo reino dividido contra si mesmo será destruído’, acaba se esfacelando, se autodestruindo. Não tem a menor lógica. Mas, essa palavra de Jesus também poderia ser entendida a respeito dos seus opositores. Esse grupo de gente maldosa estava cavando o buraco para o seu próprio povo. Se eles ficassem contra Jesus, fazendo propaganda contra ele, dividindo o povo, causando desunião... qual seria o fim do seu povo? “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído”. De fato, 40 anos depois da morte de Jesus, houve uma guerra dos romanos contra os judeus e não ficou pedra sobre pedra. Os judeus perderam tudo. Um reino dividido não prospera.

O que Jesus diz no evangelho de hoje nos espanta. Ele tão tolerante, um dia não quis que os discípulos proibissem alguém que pregava e curava em seu nome sem pertencer ao grupo deles. Deixa, ele disse, “quem não está contra nós, está a nosso favor”. Mas, no evangelho de hoje, ele diz, a respeito dos que o estavam difamando: “Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Disse tudo.




Guardando a mensagem

Jesus, no exercício do seu ministério, encontrou muita oposição. Oposição das elites e de muitas lideranças populares, como foi o caso dos fariseus. Foi acusado de muita coisa. Uma dessas acusações dizia que ele agia em aliança com Satanás. Coisa triste, gente dividindo o povo. A difamação, as falsas acusações geram desconfiança e divisão na comunidade cristã. Hoje, com as redes sociais, é muito fácil falar mal de uma pessoa, difamá-la, destruir a sua imagem. E tem muita gente ruim interessada em desmoralizar a Igreja Católica e sua opção pelos pobres. Não repasse acusações maldosas contra a Igreja ou seus ministros. Não aceite que a defesa dos pobres seja taxada de comunismo. Trabalhe pela comunhão, pela unidade.

Todo reino dividido contra si mesmo será destruído (Lc 11, 17).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu nos chamas a reconhecer o Reino de Deus que chegou com tua presença, com tua palavra, com tua ação. Disseste: “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vocês o Reino de Deus”. Cremos em ti, Senhor, e não queremos apenas usufruir de tua graça e de teus dons. Queremos também estar ao teu lado, tomar tua defesa, quando maldosos continuarem te difamando ou te injuriando em tua Igreja, em teus ministros, em nossas pastorais. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A unidade da Igreja não é só uma construção humana. É, sobretudo, dom do Espírito Santo que nos une a Cristo, cabeça do corpo, e a todos os membros. Hoje, reze pela unidade de todos os que estão unidos a Cristo pela fé e pelo batismo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Nossa Senhora na festa de casamento.



   12 de outubro de 2023.   

Dia de Nossa Senhora Aparecida, 
padroeira do Brasil

Dia das Crianças

   Evangelho.   


Jo 2,1-11

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.
4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”.
5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser!”.
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água!”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala!”. E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!”
11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

   Meditação.   


Houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente (Jo 2, 1)

Neste dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida, lemos, no evangelho de São João, sobre o milagre da água transformada em vinho, o primeiro sinal que Jesus deu sobre sua identidade e sua missão. “Houve um casamento. E a mãe de Jesus estava presente”. É a primeira lição a aprender de Maria: a sua presença fraterna na casa daquela família. A presença é o primeiro sinal de amor, de valorização do outro. Só estando presente, pode-se saber o que está acontecendo, conhecer a realidade e participar de alguma solução para os problemas. Ela estava lá.

Então, Maria estava na festa de casamento. Jesus e os discípulos também tinham sido convidados e lá estavam. Devia ser alguém parente deles, para estarem todos ali. Houve um problema, faltou o vinho. A festa de casamento deles durava vários dias. E a bebida, claro, era o vinho. Faltou o vinho. Um desastre para aquela família pobre. Deduz-se que eram pobres, pela preocupação de Maria. Se tivessem posses, poderiam resolver facilmente a situação; não tendo grandes posses, como parece ser o caso, passariam um grande vexame, uma vergonha muito grande. Diriam, pelos corredores, que eles não tinham se preparado bem, que não tinham responsabilidade, que já estavam começando mal... sabe Deus quanta coisa ruim falariam, aumentando o clima de frustração na festa pela falta da bebida. Por isso, Maria ficou preocupada.

Foi Maria quem falou com Jesus. Ela lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus notou o tom aflito de sua mãe, era um pedido de ajuda dirigido a ele, ela estava pedindo a sua intervenção. Mas, ele julgou que não era a hora ainda de se manifestar publicamente. Ele lhe disse: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Mas, ela não se fez de rogada. Movimentou-se, entrou em contato com os garçons e orientou que eles se apresentassem a Jesus para fazer o que ele mandasse. Assim, Jesus mandou encher as talhas de água. Quando foi levada ao chefe dos garçons, a água era vinho da melhor qualidade.

Em Caná, naquela festa de casamento, Maria mostrou-se comprometida com o bem daquela família e proativa em relação a uma solução para o problema da falta de vinho. Mesmo com o aparente desinteresse demonstrado pelo filho, ela logo mexeu-se e orientou os garçons a se apresentarem a ele, aguardando uma indicação precisa do que fazer. Não ficou esperando de braços cruzados. Não apenas pediu a Jesus, pediu e encaminhou as coisas, certa que o filho agiria. Uma fé ativa, operante. Precisamos aprender isso com ela.



Guardando a mensagem

Nós somos devotos de Nossa Senhora, que bom! O Brasil tem Nossa Senhora Aparecida como sua padroeira. A devoção nos aproxima da pessoa que veneramos para sermos seus imitadores e gozarmos de sua proteção. Meditando sobre sua participação no casamento em Caná da Galileia, podemos aprender dela a sua preocupação com o sofrimento dos outros, sobretudo dos mais pobres e vulneráveis. Precisamos mesmo vencer a indiferença, que é um grande mal entre nós. Também de Maria aprendemos que não basta pedir a Deus o que precisamos e cruzar os braços. Isso não é fé, é alienação. A verdadeira fé nos faz implorar a Deus e arregaçar as mangas, confiados que ele já está agindo em nosso favor.

Houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente (Jo 2, 1)

Rezando a palavra

CONSAGRAÇÃO DAS FAMÍLIAS 
A NOSSA SENHORA APARECIDA

Nossa Senhora Aparecida
Mãe de Jesus e nossa,
Nós te consagramos, hoje, nossas famílias,
Acolhe-nos sob a tua proteção materna.
Ilumina, Senhora, nossos lares com a luz de Cristo.
Educa nossas crianças e adolescentes
com a Palavra do Senhor.
Conduze-nos pelos caminhos do Evangelho.
Afasta de nosso meio, Mãe, todo desrespeito
contra a vida humana,
a violência, a injustiça.
Livra nossos jovens das drogas e da violência.
Faz-nos fortes, Senhora, na luta contra o aborto,
e o trabalho infantil, o desemprego.
Confirma nossas famílias na santidade do matrimônio.
O mundo precisa de diálogo e reconciliação.
Ajuda-nos, Virgem Santa, a construir a paz
em nossa casa e na rua.
Intercede para que não falte o pão de cada dia
em nossas mesas.
Ensina-nos o caminho da missão.
Toma sob a tua proteção, Senhora,
as nossas famílias.
E dá-nos a tua bênção, Mãe Aparecida.
Amém.

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um momento de oração pelo Brasil. Peçamos que, pela intercessão da Senhora Aparecida, o Senhor nos conceda a graça de, no conjunto das nações, nos distinguirmos como um país comprometido com a igualdade social, a educação de qualidade, a preservação do meio ambiente e a fraternidade como marca do evangelho de Cristo. Uma prece também pelas crianças. 

Comunicando

O terço mariano é o compromisso especial que assumimos para este mês. Uma sugestão: neste dia tão especial, reze conosco o terço, às 18 horas, nos acompanhando pela Rádio Amanhecer. É só você baixar o aplicativo no seu celular. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Nós não pedimos riqueza.


   11 de outubro de 2023.   

Quarta-feira da 27ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Lc 11,1-4

1Um dia, Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. 2Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos,4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação’”.


   Meditação.   


Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos (Lc 11, 3)

‘Senhor, ensina-nos a rezar’, foi o pedido dos discípulos. No Pai Nosso, Jesus ensinou como e o quê dizer em oração. Está aí um modelo de oração. Era assim que ele rezava. É assim que um discípulo deve rezar. Nos evangelhos, ficaram duas versões dessa prece do Senhor. A de hoje, a de Lucas, é um pouco mais enxuta. Mas, nas duas versões – a de Mateus e a de Lucas – pede-se ao Pai o pão de cada dia.

Jesus nos ensinou a pedir ao Pai “Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos”. Pedimos o necessário para a nossa sobrevivência, não riqueza, fortuna. Nossa confiança está em Deus, não no dinheiro. É o Senhor quem nos sustenta, quem nos guarda, quem cuida de nós. Como disse Jesus, é só olhar como ele alimenta os pardais e veste de maneira tão bela as flores do mato. Com maior empenho, ele cuida dos seus filhos e de suas filhas, de sua comida, de sua roupa, de suas contas. Nossa confiança não pode estar no dinheiro, na segurança econômica. Nossa confiança só pode estar em Deus, nosso Pai providente. A nossa escolha de vida é o trabalho honesto, no qual, com a providência de Deus, garantimos a sobrevivência de nossa casa, vivendo com sobriedade e essencialidade. Nosso ideal não é a riqueza e o luxo. Amamos o trabalho e valorizamos a partilha. Confiamos em Deus.

Jesus sentenciou: “Mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. Não é ter muita coisa, muito dinheiro, muitos bens que resolve. A felicidade não está em ter bens. Precisamos ter o suficiente para viver com dignidade. Na verdade, o acúmulo de coisas, de dinheiro, de valores pode nos dar a falsa impressão de segurança, de independência, de autonomia, de felicidade. De falsa felicidade. O coração humano não se contenta com coisas. Um coração voltado para a riqueza desvia-se de Deus e faz do dinheiro o seu senhor. Não por a confiança no dinheiro. Como diz o salmo 131: “Põe tua esperança no Senhor”.

Jesus nos ensinou a pedir ao Pai: “Venha o teu Reino”. Em nossa realidade, muitos entre nós estão vivendo dias muito difíceis, numa situação de desemprego. E muitos outros sobrevivendo precariamente na informalidade ou no subemprego. Nosso modelo econômico é perverso: não se preocupa com o emprego e a distribuição de renda. A oração de Jesus nos ajuda a enfrentar essa situação com esperança. Temos um Pai que não nos abandona, que cuida de nós; um Pai que nos abre à solidariedade e ao sentido do bem comum. Ele nos sustenta na esperança que não nos deixa desistir, nos abre oportunidades, nos estimula a buscar alternativas e nova qualificação, nos educa no caminho da justiça e da fraternidade. 




Guardando a mensagem

Os discípulos pediram que Jesus os ensinasse a rezar. Jesus lhes ensinou como estar em oração, com as palavras do Pai Nosso. Nessa oração-modelo de toda oração cristã, Jesus nos disse para pedir ao Pai, entre outras coisas, o pão de cada dia. Não pedir riquezas, nem para ganhar na loteria. Pedir a graça da sobrevivência com dignidade. É a graça do trabalho, da remuneração decente. Pedir é querer estar em sintonia com o projeto de Deus, que é o Reino. Pedir o pão de cada dia é reconhecer que dele dependemos e prometer que tudo faremos para acolher o seu dom e a sua graça pelo estudo sério, pela qualificação profissional, pelo trabalho honesto, pela solidariedade, pelo compromisso com o bem de todos. 

Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos (Lc 11, 3)

Rezando a palavra

“Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação” (Lc 11,1-4)

Vivendo a palavra

Reze muitas vezes, no dia de hoje, à moda de jaculatória: “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje”.

Comunicando

E o terço mariano, como vai? O desafio desse mês do rosário é rezá-lo diariamente e muita gente está se esforçando para ser fiel à essa prática de piedade. Só lembrando: a oração é a primeira ação missionária. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Sem a oração, a correria não leva a nada.



   10 de outubro de 2023.   

Terça-feira do 27a. Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Lc 10,38-42

Naquele tempo, 38Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!” 41O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

   Meditação.   


Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas (Lc 10, 41)

Normalmente, vivemos ocupados e preocupados com muita coisa. Imaginamos que estamos fazendo muita coisa pela família, pelos outros e até mesmo para Deus. Talvez sua família precise de mais atenção do que de coisas. Com certeza, mais importante do que sua frenética ação é a direção do que você faz.

Jesus entrou num povoado e hospedou-se na casa de Marta. Sua irmã, Maria, sentou-se aos pés do Senhor e escutava sua palavra. Marta, ocupada com muitos afazeres, reclamou porque sua irmã não a estava ajudando no serviço da casa. Jesus observou que Marta estava muito ocupada com tanta coisa, quando uma só coisa é necessária.

Marta mostrou-se muito trabalhadora, muito preocupada com os afazeres da casa, super atarefada, tudo para receber bem o Senhor. Uma excelente anfitriã. Maria sentou-se aos pés de Jesus, como faziam os discípulos nas escolas dos rabinos. Estava escutando a sua palavra. Como discípula, estava aprendendo, atenta, interessada nos ensinamentos do Mestre. Ouvir a palavra do Senhor é fundamental para encontrar o sentido e a direção do que precisamos fazer. Na palavra do Senhor, o discípulo encontra a orientação de sua ação. Maria é modelo de discípula.

Jesus corrigiu Marta. ‘Uma coisa só é necessária, Marta. Você se preocupa e anda agitada com tanta coisa!’. O que será essa coisa necessária? A coisa necessária foi a que Maria escolheu. Podemos pensar assim: Marta está se ocupando com muitas coisas. Maria está se ocupando de Jesus. Marta atira para todos os lados, nos seus compromissos de dona de casa. Maria, escutando Jesus, está acolhendo uma direção para sua existência e para os seus compromissos.

De verdade, a gente, normalmente, faz muita coisa, corre muito, e sempre há mais o que fazer. O mais importante não é fazer muitas coisas, mesmo que seja para Deus. O necessário mesmo é ocupar-se de Deus, curtir a sua presença, acolher a sua palavra. E assim, encontrar um sentido e uma direção para sua vida e para suas atividades.





Guardando a mensagem

Marta foi uma boa anfitriã, fazendo coisas pra Jesus, ocupada com tantos afazeres na preparação da casa e do almoço. Maria foi uma discípula exemplar, ocupando-se de Jesus, atenta à sua pessoa, à sua palavra. O principal não é fazer coisas para os filhos, por mais necessário que pareça, como é trabalhar, fazer a feira, arrumar a casa, levar o filho para a escola. O mais importante não é fazer coisas pelos filhos ou enchê-los de presentes. É estar ao seu lado, participar de sua vida e do seu crescimento, curtir a sua presença, estar com eles. Estar presente. Isso é o mais importante. Marta se ocupa com muito trabalho. Precisa fazer como Maria: ocupar-se de Jesus.

Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas (Lc 10, 41)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
é muito nobre a ação, como também o compromisso do trabalho e o exercício da missão. É santo o tempo da oração, da escuta amorosa da tua palavra, para encontrar sentido para a ação, pra gente não virar escravo do trabalho, mas sermos sempre operários de tua vinha. Sem a oração, Senhor, nossa correria fica estéril. Fazemos muito e colhemos pouco. Com a oração, nosso esforço ganha luz e sentido. Fazemos menos e colhemos mais. Senhor, dá-nos um pouco de Maria, porque de Marta já temos bastante. Tranquiliza-nos aos teus pés, orienta-nos com tua palavra, conduze-nos com a tua luz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Estamos no Mês Missionário, um mês para nos ajudar a crescer no compromisso da missão. E a missão se faz com o anúncio, o testemunho, a caridade, sustentados pela oração, pela comunhão com Deus. 

Comunicando

Participo, hoje, de um festival literário, na cidade de Carpina, a 58 km do Recife. Sábado que vem, vamos encontrar todos os voluntários e voluntárias da AMA, num dia de passeio e confraternização.  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Abandonaram o irmão.


   09 de outubro de 2023.   

Segunda-feira da 27ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Lc 10,25-37


Naquele tempo, 25um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?”
26Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” 27Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!”
28Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. 29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?”30Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu na mão de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora, deixando-o quase morto.
31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado.
32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado.
33Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais’”.
E Jesus perguntou: 36“Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.

   Meditação.  

Na sua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? (Lc 10, 36)


Com o evangelho nas mãos, vamos dar a palavra a alguém muito especial...


Acordei, naquela manhã, cheio de dores. Abri os olhos e me assustei. Onde estou? Um lugar diferente, um quarto modesto, mas organizado. Eu estava sozinho. O sol estava clareando o dia. Tentei me levantar. Dores muito fortes nas costas, na cabeça, hematomas por toda parte. Onde estou? O que me aconteceu?


Comecei me lembrar vagamente de alguma coisa. Aos poucos, as imagens, na minha mente, foram se alinhando. Vinha forte, a imagem de um homem jovem me carregando no seu burro. Lembro que ele ia a pé e segurava a rédia do animal. De vez em quando, levantava minha cabeça, conferindo se eu estava reagindo.E dizia alguma coisa que eu não me lembro.

Mas, pera aí... eu estava voltando de Jerusalém, no caminho para Jericó. Estou me lembrando... Eu vinha tranquilo, voltando pra casa, quando, de repente, do nada, apareceu um grupo de malfeitores. Gritavam, ameaçavam, me batiam com violência. Fiquei apavorado. Tentei acalmá-los, puxar conversa. Mas, nada, eles não queriam me ouvir, me tomaram tudo o que eu trazia, o dinheiro, as coisas que eu tinham comprado na feira, até minha roupa. Eles me chutaram, ferozmente, me deram pauladas... eu caí, sem poder me levantar e fiquei gemendo de dor. Ainda estou sentindo as pancadas na cabeça.

Devo ter ficado muito tempo assim, caído, na beira daquela estrada deserta. Pedi muito a Deus que mandasse alguém... alguém que passasse por ali e me ajudasse. Nem levantar a cabeça eu conseguia. Passado algum tempo, senti o barulho de passos pela estrada... quis gritar, não consegui, todo travado de dor. Os passos se aproximaram... ‘alguém vem me socorrer, pensei. Bendito seja Deus!’ Os passos pararam a uma certa distância... e senti que tomaram outro rumo e foram diminuindo até não ouvir mais nada, só o vento. Depois de alguns minutos, acendeu-se de novo a minha esperança. ‘Graças a Deus, vem mais alguém por aí’, pensei, ouvindo o rumor de passos. Mas, quem vinha fez igualzinho ao primeiro... afastou-se de mim e foi-se embora. Estou perdido, pensei.

Desta vez, estava ouvindo o trote de um cavalo ou um animal de carga. Bom, vinha devagar, devia ser um burro. Será que vai me ver? Tentei me mexer, mas não consegui. Mas, o animal parou. E desceu alguém, que me observou de perto. Voltou ao animal, pegou alguma coisa. Limpou minhas costas com as mãos e derramou um pouco do que ele trouxe. Cuidou também de minha cabeça e dos meus braços. Depois me carregou e colocou na sua montaria. Não sei para onde me levou. Acho que fiquei desacordado boa parte do caminho. Sei que me pôs num quarto e providenciou um banho, sopa e cobertas limpas. Vi quando ele pagou a alguém, talvez o dono do lugar. Também o ouvi recomendando que cuidasse de mim, pois na volta de sua viagem ele pagaria qualquer despesa a mais.

Preciso saber quem foi essa pessoa caridosa que me salvou. Só ele teve compaixão de mim. Ele me tirou da beira da estrada, quase morto. Pelo sotaque dele, sei que não é dos nossos, não é do nosso povo. Fico pensando numa coisa, mas acho que não pode ser. Será que ele é um samaritano? Não pode ser, samaritanos não se dão conosco. Mas, pela fala dele, bem que poderia ser. Preciso encontrar essa pessoa. Sei que se eu conhecê-la, muita coisa vai mudar na minha vida. Tenho que reconhecer que lhe devo a minha vida. E não posso deixar de fazer com os outros o que ele fez por mim.





Guardando a mensagem

A parábola do bom samaritano é a história de quem foi resgatado de sua condição de morte, por pura misericórdia. É a história de quem foi socorrido em sua condição de assaltado e largado semi-morto. Ele sentiu-se amado e socorrido numa condição de extrema penúria e abandono. É a experiência da ovelha perdida que foi resgatada e carregada nos ombros do pastor. É a sua história. É a nossa história. O bom samaritano é, particularmente, Jesus. Ele, movido de compaixão por você que estava ferido pelo pecado, aproximou-se, por sua encarnação, e lhe tratou as feridas, derramando sobre elas o seu próprio sangue derramado na cruz (o vinho) e o Santo Espírito de Deus que nos comunica a vida nova (o óleo). Foi ele que o carregou nas costas, como a ovelha resgatada. Foi ele quem pagou, com o preço de sua vida, por sua salvação. E quando voltar, na sua segunda vinda, recompensará regiamente a quem fez como ele, socorrendo seus irmãos. Na história do bom samaritano, está o retrato de Jesus e de quem age como ele.

Na sua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? (Lc 10, 36)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós te agradecemos e te bendizemos pelo teu imenso amor por nós, nos redimindo do pecado e de suas consequências destruidoras. Tu és o nosso bom samaritano. Em ti, vemos realizado o mandamento do amor a Deus e ao próximo, como a si mesmo. O teu amor mostrou-se real, concreto, redentor. Somos novas criaturas, restaurados na tua morte e na tua ressurreição. Só há um modo de viver essa vida nova: amando como tu amaste. Amando a Deus e ao nosso próximo. Nesse amor fiel e redentor, tu Senhor Jesus, revelas o Pai. Dá-nos, Senhor, a graça de viver mergulhados nesse mistério de amor, amando a Deus e amando o próximo, como bons samaritanos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém


Vivendo a palavra

Muita coisa chama a atenção nessa parábola do bom samaratino, contada por Jesus no evangelho de hoje. Mais do que o assalto e a violência, me chama a atenção o abandono. Aquele judeu assaltado, semi-morto foi abandonado por dois religiosos que, como ele, estavam voltando do Templo ou da peregrinação. Viram, afastaram-se, passaram de longe. Abandonaram o irmão. Pense nisso, durante o dia de hoje.

Comunicando

No Recife, temos, hoje, Encontro dos Ouvintes das Rádios Recife FM e Olinda FM. O encontro - celebrando o mês missionário - começa às 11 horas, na Igreja de Santo Antonio, na pracinha do Diário. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O Domingo da vinha, o domingo da vida.



   08 de outubro de 2023.   

27º Domingo do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mt 21,33-43

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: 33“Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro.
34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram.
36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma.
37Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’.
38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”
41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.
42Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?’
43Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.



   Meditação.   


Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros? (Mt 21, ​40)

A sua vida é sua, tudo bem. Sua, como assim? Bom, você dá a direção que quiser à sua vida, mas ela não lhe pertence. Você não se criou a si mesmo, já pensou nisso? E você vai prestar contas do que fizer com sua vida. Isso assusta. Não somos fruto do acaso. Não estamos aqui pra viver de qualquer jeito, nem fazer o que der e vier e tudo bem... Alguém pensou em nós e não estamos largados nesse mundão, sem rumo nem direção.

É verdade que você dá à sua vida a direção que quiser. Estou falando de direção. Pode não ter as mesmas coisas de outros, pode não chegar aonde muita gente chega, mas isso não impede de você ser uma pessoa justa, verdadeira, responsável. Para isso, você tem inteligência, vontade e liberdade, dons de Deus. Isso ninguém tira de você, nem a pobreza, nem a injustiça, nem a falta de oportunidades. Seu esforço pessoal pode levar você muito longe, superando muitos obstáculos. Mas, no pouco ou no muito, você pode sempre ser uma pessoa bondosa, honesta, solidária.

Jesus contou uma história que vem a calhar. Alguém preparou uma vinha, uma unidade de produção de vinho, montada com tudo, desde a plantação da uva, a fabricação, a segurança, tudo, até a comercialização do produto. Uma beleza de vinha. Ele entregou sua bela vinha a um grupo de agricultores para cuidarem dela. Com o tempo, os agricultores (os vinhateiros) sentiram-se donos da vinha. Maltrataram os enviados do dono que foram receber sua parte da colheita e até mataram o seu filho, para não haver herdeiro que viesse a reclamar a propriedade.

Ao contar essa história, Jesus se referia logo àqueles que se apossaram da vinha de Deus, o povo da aliança, ali representados pelos sumos-sacerdotes, mestres da Lei e anciãos. O povo santo não é propriedade das elites e de seus governantes. Não vale perseguir os profetas e matar o filho único do proprietário que fora enviado para sanar a situação. Moral da história: isso não ficaria assim.

Que grandes lições nos traz essa história de Jesus! A vinha não é sua. A família não é minha. A vida não é sua. Somos administradores, estamos responsáveis como cuidadores, não somos os proprietários. Deus é o senhor de nossa vinha, de nossa família, de nossa vida. Foi ele que teve a iniciativa de criar, de organizar, de preparar tudo para nosso bem, nossa felicidade, nossa realização. E nos deixou cuidando de tudo isso que é seu.




Guardando a mensagem

Quando nos negamos a reconhecer Deus como senhor da nossa vinha e nossa condição de cuidadores de seus maravilhosos dons, não só usurpamos os direitos de Deus, mas nos impedimos a nós mesmos de expressar a nossa própria grandeza. E a nossa grandeza está em nossa dignidade de filhos de Deus, em comunhão com ele. A beleza de nossa vida está em viver em relação amorosa e filial com Deus que nos criou, que nos redimiu por meio do seu filho, que nos habita por meio do seu Santo Espírito. E expressamos essa dependência amorosa em nossa vida pelo diálogo da oração, pelos gestos de fraternidade, pela atenção à sua palavra, pelo amor à sua Igreja, pelo compromisso em defender a vida e melhorar este mundo.

Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros? (Mt 21, 40)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
reconhecemos que és o filho enviado pelo Senhor nosso Deus para colher os frutos de sua vinha. E a vinha é tudo isto que estamos cuidando, organizando, administrando: o meio ambiente, a sociedade, a igreja, a família, nossa própria vida. Quando nos comportamos como senhores e exploradores dos bens criados, acabamos por promover queimadas, poluição, destruição das comunidades, mudanças climáticas. Assim também, quando uma liderança passa a controlar sua casa, seu grupo, seu país a serviço do interesse de poucos, acaba por semear desunião, desinformação, violência. Dá-nos, Senhor, que nos sintamos sempre em dependência amorosa e filial com o Deus que nos criou, nos redimiu e nos conduz para a completa felicidade e realização. Dá-nos, Senhor, que cuidemos e defendamos a vida e a dignidade de todo ser humano, desde a concepção até seu fim natural; que não sejamos sentenciadores de morte dos teus filhos que estão sendo gerados. 
Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

​Hoje, 08 de outubro, é o Dia do Nascituro. Todos nós fomos nascituros, no ventre de nossas mães. Esta data foi precedida, na Igreja do Brasil, pela celebração da Semana Nacional da Vida, com o tema “Adoção: Amor com laços do coração”. ​M​uitas manifestações estão previstas, para o dia de hoje, em favor da vida e contra o aborto. Defendemos a vida: a da criança e a da mãe. ​Por trás das palavras ‘interrupção voluntária da gravidez’​ está um grave atentado contra a vida humana. Inaceitável. 

Este é o domingo da vinha, o domingo da vida. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





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