BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

A Palavra tem produzido mudança em sua vida?

 




   24 de julho de 2024.   

Quarta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.     


Mt 13,1-9

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. 2Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. 4Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 5Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
7Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. 8Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos, ouça!”

     Meditação.     


Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente (Mt 13, 8)

Com certeza, você tem tido muitas oportunidades de ouvir a Palavra de Deus, não é verdade? Na leitura pessoal da Bíblia, na pregação da Missa, na Meditação (a leitura orante), na conversa com outras pessoas... de muitas maneiras, a Palavra vem sendo semeada em sua vida. E você fica feliz e agradece a Deus por isso, estou certo? Agora, essa Palavra tem feito algum efeito em sua vida? Essa é a pergunta do evangelho hoje. Essa Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?

Jesus estava falando com o povo exatamente sobre isso: sobre como cada um estava recebendo a mensagem do Reino de Deus. Foi assim que ele contou uma parábola, uma história de agricultor. Era como se ele estivesse dividindo as pessoas ali presentes em quatro grupos, em quatro terrenos. Cada grupo, cada terreno é uma resposta à pergunta: “A Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?”.

Primeiro grupo. Veja se não é esse o seu caso. Quem está neste grupo, responde assim: ‘Sabe de uma coisa, eu não compreendo a Bíblia, é uma coisa muito complicada. Na verdade, de tudo que eu escuto, não fica quase nada’. É o seu caso? Jesus comparou essa primeira situação com a semente que caiu à beira do caminho. Veio o maligno e roubou o que foi semeado. E, claro, não nasceu nada. Sabe o que é isso? Não compreender o que é anunciado. E o recado é simples: prestar atenção, dedicar-se mais à escuta da Palavra, pedir a assistência do Espírito Santo. Sem compreender, não se pode dar nem o primeiro passo.

Segundo grupo. Pode ser o seu caso. Quem está neste grupo, diz assim: “Ah, eu fico muito feliz em ouvir a Palavra de Deus. Eu gosto demais. Se ela faz algum efeito? Acho que pouco. Na verdade, quando a gente volta para a vida real, nem se lembra mais”. É o seu caso? Jesus comparou essa segunda situação com a semente que caiu num terreno pedregoso. Nasceu, mas não pode se enraizar. Morreu queimada pelo sol. A Palavra precisa se enraizar na vida da gente. Qual é o problema? A superficialidade. Não deixar que a Palavra penetre na própria vida. O recado é simples: dedicar mais tempo à Palavra de Deus, rezar mais. Isso é como cavar mais para que a Palavra se enraíze.

Terceiro grupo. Vai ver que esse é que é o seu caso. A pessoa diz assim: ‘Olha, é uma bênção a Palavra de Deus na minha vida. Na hora, é aquela alegria que me dá! Agora, tudo aquilo que eu ouço, que eu entendo, que eu abraço, acaba se esvaziando no meu corre-corre, no meio de tanta preocupação, de tantas distrações’. É esse o seu caso? Jesus comparou essa terceira situação com a semente que caiu no meio de espinhos. Ela germinou, cresceu, mas não deu frutos, porque os espinhos a sufocaram. E os espinhos, o que seria? Ele lembrou duas coisas: as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza. Isso tudo sufoca a Palavra que está no nosso coração e a torna estéril. O recado é simples: Dê mais importância à Palavra, que ela seja a primeira na sua vida, a luz mais importante. A Palavra ajuda você a conhecer a vontade de Deus. É com essa luz que você vai olhar tudo ao seu redor, sua família, seu trabalho, seu lazer.

Quarto grupo. Se até agora, você não se encontrou... com certeza, esse é o seu caso. A pessoa diz assim: ‘Sou muito feliz porque na Palavra, eu encontro o próprio Deus que me orienta e me dá forças para caminhar. A Palavra tem modificado minha vida. Estou me tornando um cristão mais amoroso e um cidadão mais consciente’. Tomara que seja o seu caso! Jesus comparou essa quarta situação com a semente que caiu em terreno fértil. Germinou, cresceu e frutificou. Deu frutos: 30, 60 e até 100%. Quer dizer, alguns bem que poderiam estar rendendo mais... um chegou a 30, outro a 60. O recado é simples: que bom que a Palavra esteja dando frutos na sua vida! Mas, ela pode dar mais frutos ainda...




Guardando a mensagem

Para que a Palavra produza muito fruto em sua vida, quatro recomendações. Primeira – dê a atenção que a Palavra merece, isto é não a escanteie numa área marginal de sua vida (à beira do caminho). Segunda recomendação – dê mais espaço à Palavra, para que ela crie raízes em sua vida. Terceira – dê à Palavra o lugar que ela merece, ela é a luz para iluminar seus problemas, suas escolhas, suas lutas. Quarta recomendação - não se contente com o que a Palavra já fez na sua vida. Ela pode produzir muito mais.

Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente (Mt 13, 8)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no nosso terreno, tem uns espinhozinhos, não vamos negar. Mas, sabemos que a tua própria palavra é uma força para nos ajudar a removê-los. Contamos com a tua graça. Queremos que a tua palavra, que recebemos cada dia com grande alegria, seja a luz a orientar a nossa vida. Dá-nos, Senhor, a paciência do agricultor que prepara o terreno, rega a plantinha, limpa os matos e espera pacientemente que ela cresça e produza frutos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, responda a esta pergunta: A Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Você está interessado(a) no que Jesus está falando?


  23 de julho de 2024.  

Terça-feira da 16ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho.  


Mt 12,46-50

Naquele tempo, 46enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

  Meditação.  


Enquanto Jesus falava às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele (Mt 12, 46)

Esse texto foi lido outro dia. Os parentes de Jesus estavam do lado de fora. E Jesus indicou que seus verdadeiros parentes eram aqueles que faziam a vontade do seu Pai. E até refletimos que Maria é celebrada nos evangelhos como a serva obediente. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Temos que ser como Jesus e como Maria: filhos obedientes, realizadores da vontade do Senhor.

Mas, a palavra do Senhor é sempre nova. Por ela, ele nos diz sempre coisas surpreendentes. Relendo esse texto, me dei conta da repetição do verbo “falar”. Vou reler, com você, os versículos em que aparece esse verbo e você, por favor, conte quantas vezes essa palavra se repete. “Jesus estava falando às multidões. Sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém lhe disse: Olha, tua mãe e teus irmãos estão querendo falar contigo. Aí Jesus fez uma pergunta a quem tinha lhe falado isso”. Contou? Quantas vezes aparece o verbo “falar”? Quatro vezes. Quatro é um número completo, como os quatro pontos cardeais. “Falar” deve ser um elemento importante pra se prestar atenção no texto.

Jesus está falando ao povo. Coisa importante: ele estava ensinando, revelando as coisas do Reino de Deus, como sempre fazia. Haveria coisa mais importante do que isto, ouvir Jesus falando? Prestar atenção na palavra dele? Você se lembra de Marta e Maria. Maria estava escutando Jesus, sentadinha aos seus pés. Marta, toda ocupada, pra frente e pra trás, fazendo as tarefas de casa. O que lhe disse Jesus: “Marta, Marta, uma só coisa é necessária”. Ouvir a palavra é fundamental.

Então, Jesus está falando ao povo as coisas do Reino. E chegam os seus parentes, querendo o quê? Querendo falar com ele. Mandaram um recado por uma pessoa: “Teus parentes estão lá fora querendo falar contigo”. Por que eles não entraram para ouvir Jesus que está ensinando? Podemos pensar: ah, a casa estava cheia. Mas, o texto não está dizendo isto. Diz que ficaram do lado de fora. E que queriam falar com Jesus. Então, o assunto deles é mais importante do que a de Jesus? Então, quem dá a pauta são eles?

Está me ocorrendo o seguinte. Muitas vezes, não estamos interessados no que Jesus está falando, no que ele está dizendo, em sua pregação. Estamos interessados no nosso assunto, temos os nossos interesses, queremos que ele nos escute. Não entramos para escutar a palavra do Senhor, ficamos fora querendo que ele venha ao encontro dos nossos interesses. Está me seguindo? Esse é o problema. Muita gente não quer ouvir Jesus, quer falar-lhe o seu assunto.

Se você estiver entendendo o que eu estou dizendo – e eu sei que está -, vai entender direitinho o que está no salmo 94: “Oxalá, vocês ouvissem hoje a sua voz! Não endureçam o coração, como no tempo do deserto” (Sl 94, 7-8). A tentação é a gente não ouvir a voz de Deus, fechar o coração para a palavra de Jesus. Não temos interesse nela. Estamos interessados na nossa palavra, no que nós queremos dizer. E podemos ficar de fora, apenas querendo apresentar nossos pleitos, nossos pedidos, representar nossos interesses. Nada de escutar o que Deus tem para nos dizer. E assim nos comprometer com a sua vontade, não com a nossa.




Guardando a mensagem

Impressionante a palavra do Senhor. Nessa cena, em que os parentes de Jesus estão do lado de fora e querem falar com ele, chama à atenção a repetição do verbo “falar”. Jesus está falando ao povo, dentro da Casa. Os parentes estão do lado de fora, querendo falar-lhe. Não querem ouvir Jesus. Querem que Jesus os ouça. É o retrato da situação de muitos de nós. Alguns não estão interessados na palavra de Jesus. Estão interessados no seu problema, na sua necessidade, no que lhes parece importante. Sem ouvir a Palavra, não conhecemos a vontade de Deus. E se não realizamos a vontade de Deus, não temos parte com Jesus.

Enquanto Jesus falava às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele (Mt 12, 46)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nesta palavra de hoje, fica muito claro o lugar onde devemos ouvir tua palavra, onde tua palavra ganha sentido: a Casa, isto é, a comunidade, a Igreja. Não queremos ficar do lado de fora, Senhor, queremos nos integrar sempre mais na Comunidade-Igreja-Casa onde estás com teus discípulos. Este é o lugar certo para se escutar e viver a tua palavra. Do lado de fora, podemos apenas requisitar que escutes a nossa palavra, que sirvas aos nossos propósitos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, responda a esta pergunta: Você tem cultivado essa capacidade de escuta de Deus?

Comunicando

Se você perdeu a Missa dos Encontros dos Ouvintes de ontem à noite, no Recife, ou não participou da Segunda Bíblica sobre o Profeta Ezequiel... uma boa notícia: ficou tudo gravado no Youtube no Canal Padre João Carlos. Arrume um tempinho e fique por dentro. Do lado de fora, não dá, lembra?!

Até amanhã, se Deus quiser!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Somos Maria Madalena




22 de julho de 2024

  Dia de Santa Maria Madalena. 


  Evangelho.  

Jo 20,1-2.11-18

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.



  Meditação.  


Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Hoje é Dia de Santa Maria Madalena, discípula de Jesus. Tudo indica que ela era originária da cidadezinha de Mágdala, na Galileia, por isso esse apelido de Madalena. Ela integrava o grupo de mulheres que, junto com os apóstolos e outros discípulos, acompanhava Jesus. A sua imagem ficou prejudicada com a ligação que se fez com a mulher pega em adultério que ia ser apedrejada, mas lá não se diz que é Maria Madalena. O certo é que ela é a primeira testemunha de Jesus ressuscitado.

Madalena não é só uma personagem da história de Jesus. Ela, com certeza, é uma representante da primeira comunidade cristã. Nesse texto, ela pode estar representando a própria comunidade dos seguidores de Jesus, nos seus inícios. Quem é Madalena? Uma discípula, uma pessoa resgatada por Jesus. Marcos e Lucas relatam que Jesus a libertou de sete demônios. Lucas relata que um grupo de mulheres andava com Jesus, várias delas libertadas de enfermidades ou de espíritos maus, entre elas Maria Madalena. Afinal, o que era a comunidade cristã, senão um grupo de pessoas resgatadas por Jesus da doença, da opressão da Lei, da exclusão social, do pecado? É isso que é a Igreja, o povo redimido, lavado do pecado, no batismo. Um povo de pecadores restaurados na graça de Deus. Uma comunidade chamada Madalena.

Podemos também pensar que Madalena, além de representar a comunidade cristã, pode ser uma representante de cada discípulo ou discípula de Jesus. Podemos, então, nos enxergar nela, em suas palavras e atitudes. Madalena, sou eu. Madalena é você. Vamos pensar direitinho.

Em primeiro lugar, Madalena é uma discípula, uma pessoa resgatada por Jesus. O discípulo é alguém que foi restaurado de sua condição de pecador. Nós fomos atraídos para ele, pelo Pai. Fomos redimidos em sua cruz. Lavados, no batismo, em sua morte redentora. Renascemos, na sua ressurreição. Igualzinho à Madalena, nós fomos resgatados por Jesus. Somos seus discípulos. Nossa vida agora é caminhar com ele. Nele, reconhecemos a vida e a graça que nos renovam. Somos Madalena.

Em segundo lugar, a discípula Madalena ama Jesus. O discípulo ama Jesus. Ama, respondendo ao seu amor, à sua amizade. Ele tinha dito: “Já não chamo vocês de servos, vocês são meus amigos”. Ele é o bom pastor que ama suas ovelhas e por elas entrega a própria vida; bom pastor que conhece as ovelhas pelo nome e estas conhecem a sua voz. Quando Jesus chamou-a pelo nome “Maria”, ela o reconheceu. Ela é a ovelha que reconhece a voz do pastor e o ama. Madalena somos nós que amamos Jesus e conhecemos sua palavra. Somos Madalena.

Em terceiro lugar, a discípula Madalena anuncia Jesus. O discípulo assume a missão de Jesus. “Vocês serão minhas testemunhas”, disse ele. A missão é levar a todos o testemunho do nosso encontro com Cristo e do nosso amor a ele. Nosso encontro com Jesus não é tê-lo, possui-lo como um bem. Talvez seja por isso que ele disse a Madalena: “não me retenhas”. Madalena recebe a missão: “Vai dizer aos meus irmãos”. “Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito”. Madalena foi uma missionária de Jesus. Nós somos testemunhas de Jesus, somos seus missionários. Somos Madalena.




Guardando a mensagem

Madalena é, com certeza, uma representação da própria comunidade cristã que caminha da escuridão da noite para a luz do novo dia, acolhendo aos poucos a novidade da ressurreição de Cristo. Podemos também, como discípulos, nos reconhecer nela, percebendo que ela está nos representando. Ela é uma discípula de Jesus, uma mulher resgatada pelo amor de Cristo, como nós que fomos restaurados como novas criaturas, no batismo. Ela é modelo do discípulo que ama Jesus, que sofre por ele, que se arrisca por ele, que conhece a sua voz. Ele é a missionária de Jesus, que leva o testemunho do seu encontro com ele e suas palavras à comunidade e ao mundo. Somos Madalena.

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
contemplamos, hoje, em tua discípula Maria Madalena, a caminhada que cada um de nós vai fazendo para te encontrar e te anunciar aos irmãos. E o que fez toda diferença foi tu a teres chamado pelo nome: “Maria”. Ela reconheceu tua voz, ela se sentiu conhecida e amada por ti. Foi uma experiência de encontro pessoal contigo, uma experiência maravilhosa. Sem esse encontro pessoal contigo, permanecemos tateando, procurando, meio perdidos. Tu nos chamas pelo nome, o nome que recebemos no batismo, quando acolhemos a vida nova da graça. Tu que confiaste a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal, dá-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que tu vives e contemplar-te na glória do teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Quando Jesus chamou Madalena pelo nome “Maria”, ela voltou-se e exclamou em sua língua “Rabbuni’ (que quer dizer “Mestre”). Repita essa palavra várias vezes no dia, contemplando essa cena do encontro do Ressuscitado com sua discípula.

Comunicando

E hoje tem Segunda Bíblica, nosso encontro semanal de estudo da Palavra de Deus. Nós concluíremos hoje o 2º Módulo sobre o livro do Profeta Ezequiel. Na semana que vem, começaremos o 3º módulo, com um repasse do que foi estudado até agora, para facilitar a participação de quem estiver chegando. Nosso encontro é no canal do Youtube Padre João Carlos e começa às oito e meia da noite.

Antes da Segunda Bíblica, você pode nos acompanhar, também pelo Youtube, na Missa do Encontro dos Ouvintes, no Recife, às 19 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Tudo pelo rebanho disperso.

 


   21 de julho de 2024    

16º Domingo do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mc 6,30-34

Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. 32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles.
34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.


   Meditação   


Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor (Mc 6, 34)

A obra de Jesus foi congregar as ovelhas dispersas do rebanho de Deus. Quando ele e os seus missionários apóstolos desembarcaram, encontraram uma multidão que tinha corrido a pé de todas as cidades para encontrá-lo. É o evangelho de hoje.

Jesus estava indo descansar com os seus missionários. Eles estavam voltando da missão em que tinham visitado vilas, sítios e cidades. Estavam fugindo do afluxo de gente que não lhes permitia nem tempo para comer. A numerosa multidão que chegou a pé para encontrá-lo os surpreendeu. Jesus ficou tomado de compaixão e os sentiu como ovelhas sem pastor. Aí começa tudo, na compaixão. Jesus viu aquele povo que o procurava e lhe doeu o coração vê-lo tão necessitado, tão fragilizado. Para uma pessoa do interior como Jesus, dava pena ver um rebanho sem pastor: as ovelhas se dispersam, os carneirinhos viram presas fáceis para as feras e os ladrões, não têm quem guie a um bom pasto. E olha que Jesus estava levando os discípulos para um lugar afastado para eles descansarem um pouco, pois estavam voltando, muito cansados, de uma missão. Diante daquela cena – ovelhas sem pastor – esqueceu-se o descanso e Jesus começou a “ensinar-lhes muitas coisas”, diz o evangelho.

Lendo o livro do Profeta Jeremias, nos damos conta da grandeza da ação de Jesus, nesta passagem e em todo o seu ministério. Em Jeremias 23, temos uma foto da situação do povo em certo momento, no Antigo Testamento. A descrição mostra a condição que levou o Pai a enviar Jesus. O rebanho está disperso. Deus se queixa dos pastores que ele colocou para cuidar do seu rebanho: descuidaram-se, afugentaram as ovelhas, dispersaram o rebanho. O que ele fará? Pela boca do profeta, o Senhor Deus disse: “Eu reunirei o resto das minhas ovelhas de todos os países para onde foram expulsas e as farei voltar aos seus campos. Suscitarei para elas novos pastores. Farei nascer um descendente de Davi, ele reinará como rei, ele será sábio”. Davi foi o rei que começou como pastor de ovelhas. Jesus é o pastor sábio, o novo Davi que Deus enviou para cuidar do seu rebanho. Ele é o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas. É o que está acontecendo nesta cena do evangelho. Ele e os apóstolos, os novos pastores que Deus estava suscitando, sacrificaram seu justo descanso para cuidar do rebanho disperso.

A obra de Jesus foi, então, congregar as ovelhas dispersas. Pastoreando o seu povo, ele ensina-lhes muitas coisas e oferece a sua própria vida pela salvação de todos. Não somente congrega as ovelhas de Israel, mas congrega também as ovelhas de todas as nações, de todas as cidades, quem não pertencia a Israel. A Carta de São Paulo aos Efésios, cap 2, explica ainda melhor isso. “Ele quis, a partir do judeu e do pagão, criar em si um só homem novo, estabelecendo a paz. Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz. Assim ele destruiu em si mesmo a inimizade”. 

Neste domingo, na Santa Missa, experimente isso: ao redor da mesa da palavra e da mesa do sacrifício eucarístico, somos todos um só rebanho, congregado por um só pastor.






Guardando a mensagem

Antes de tudo, a compaixão. Jesus viu o povo e sentiu seu coração amargurado por vê-lo tão sofrido, tão fragilizado. Ele deixou de lado outro projeto e dedicou-se a “ensinar-lhe muitas coisas”. Isto é a evangelização. A evangelização é o anúncio do amor do Pai pelo seu povo, que nos mandou Jesus como pastor e salvador. A evangelização nasce da compaixão. E gera compaixão, caridade, amor a Deus e ao próximo.

Esse rebanho congregado por Cristo, ao qual foram incorporados os pagãos, pastoreado por ele e por seus apóstolos missionários, é a Igreja. Este é um domingo para aumentar o seu amor e a sua comunhão com o pastor, os pastores e o rebanho. Somos a Igreja de Cristo. Ele nos conduz, nos resgatando da dispersão, da exploração, da inimizade, do pecado.

Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor (Mc 6, 34)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
tu és o nosso pastor, o pastor que o Pai prometeu para reunir suas ovelhas dispersas, dispersas pela má condução de seus líderes, pelos descaminhos de quem se arvora a caminhar pela própria cabeça; dispersas por caminhos tortos de quem se deixou atrair por falsas promessas. Dá-nos, Senhor, aumentar nossa comunhão contigo, nosso amor à Igreja e nossa lealdade aos pastores do teu rebanho. Ajuda-nos, Jesus, a viver a compaixão e a misericórdia como base de nossa vida cristã e do nosso seguimento a ti, bom pastor que entregou sua vida para nos comunicar a vida de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Leia o texto do evangelho de hoje: Marcos 6,30-34. Anote alguma frase desse evangelho no seu caderno espiritual.

Comunicando

Amanhã, nos aguardam dois compromissos significativos: o Encontro dos Ouvintes no Recife (será na paróquia N. Sra. do Bom Parto, no bairro de Campo Grande) e a Segunda Bíblica (o estudo sobre o capítulo 18 do Livro do Profeta Ezequiel, no Youtube).

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Cuidado com o coração.




   20 de julho de 2024.   

Sábado da 15ª Semana do Tempo Comum 

   Evangelho.   


Mt 12,14-21

Naquele tempo, 14os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. 15Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, 17para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18“Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual ponho a minha afeição; porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. 19Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. 21Em seu nome as nações depositarão a sua esperança”.

   Meditação.   


Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus (Mt 12, 14)

É triste ler isso no evangelho. “Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus”. É de não se acreditar. Para chegar a este ponto, eles deviam estar muito incomodados com Jesus. Por que eles chegaram a esse ponto? Claro, a explicação mais simples é que eles fecharam o coração à novidade que era Jesus e sua pregação. Mas, podemos tentar entender um pouco mais sobre essa rejeição.

Por que os fariseus não gostavam de Jesus? Bom, o povo de Deus estava vivendo um tempo de muita turbulência. Muita coisa preocupante estava acontecendo e trazendo mal-estar e insegurança às pessoas. A maior parte do povo da Galileia era de agricultores. E eles estavam com a corda no pescoço, por causa dos impostos que deviam entregar para Herodes e os romanos. Os romanos, que dominavam diretamente a Judeia e a Samaria, eram pagãos e suas legiões esmagavam qualquer manifestação ou revolta. As elites da capital e os grandes proprietários de terra controlavam o Templo de Jerusalém. Tudo isso criava muita insegurança no meio do povo.

Os fariseus, uma espécie de irmandade ou de partido, era o grupo mais próximo da população. No seu quadro, havia muitos mestres da Lei, gente que estudava as Escrituras. Eles não eram aliados dos romanos, como os saduceus do Templo. Eles eram defensores fervorosos da exata observância da Lei de Moisés. A segurança para eles estava em praticar fielmente todos os preceitos escritos e orais que regulavam a vida do judeu. É possível que a mensagem de Jesus criasse muita insegurança para eles, pois Jesus liberava o povo daquele rigorismo que eles pregavam. Jesus considerava aquele apego à letra da Lei um desvio da religião, acabando por excluir as pessoas e deixar de lado a caridade e a misericórdia, que são o centro da Lei. Além disso, Jesus apontava muitas falhas neles: o exibicionismo na oração, a busca de privilégios e de prestígio, a falta de autenticidade (ensinavam e não faziam). No fundo, Jesus, como nova liderança ouvida pelo povo, ameaçava a posição de liderança deles e sua influência nas comunidades. Por tudo isso, os fariseus viram, em Jesus, uma ameaça. E decidiram matá-lo.

Claro, não chegaram de repente a essa decisão de eliminar Jesus. A oposição foi crescendo devagar... vemos isso nas páginas dos evangelhos. A mensagem de Jesus pedia conversão, mudança de vida. E eles permaneceram de coração fechado. Aos poucos, a incompreensão, a impaciência, o mal estar vão se convertendo em rancor, em ódio, e, por fim, em decisão de eliminação do profeta. Essa é uma coisa pra gente pensar. Se a pregação do evangelho não encontra um terreno bom no seu coração e você vai se permitindo que cresça a indiferença, as dúvidas que se transformam em críticas.... afinal, aos poucos vai se formando um muro, uma barreira entre você e Jesus, entre você e a Igreja, que finda por afastar você, definitivamente, da novidade do evangelho.

O resultado dessa decisão de matar Jesus, lemos hoje no evangelho, é que Jesus retirou-se dali. De fato, percebemos no evangelho, que, a partir de certo momento do seu ministério, diminuem suas aparições públicas e também o afluxo das grandes multidões. Ele continua curando muita gente, mas recomenda que não mencione o seu nome, que não digam quem foi. Procura ser discreto, nesse clima da perseguição. Assim, o evangelista aplica-lhe o que o profeta Isaías escrevera sobre a misteriosa figura do servo de Deus: “Ele não discutirá nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega”. O servo de Deus descrito é alguém manso, discreto, humilde. Não enfrenta com violência os seus opositores, não sai ameaçando, arrebentando, agredindo. Foi essa a atitude de Jesus frente à perseguição contra sua pessoa. O medo não o paralisou, mas ele agiu sempre com prudência e humildade.




Guardando a mensagem

O evangelho tem páginas maravilhosas. Todas o são. Mas, em algumas, aparece claramente a oposição e a perseguição contra Jesus. A grande perseguição dos dias da paixão foi construída, aos poucos, com atitudes de boicote, críticas, insinuações maldosas e decisões homicidas como a que lemos hoje neste texto. Sempre que os cristãos e a Igreja se comportam profeticamente, movidos pela liberdade do Espírito Santo, colhem sofrimento e perseguição. Na verdade, quem vive o evangelho destoa da normalidade, deslegitima privilégios, suscita oposição. Assim, é bom você se policiar.... o evangelho é fermento de um mundo novo, não é a cobertura do bolo desse mundo de mentiras e maldades.

Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus (Mt 12, 14)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a oposição dos fariseus, que acabou por decidir a tua morte, é um alerta para nós. Quantas oportunidades eles tiveram, ouvindo a pregação do evangelho, conhecendo-te pessoalmente, vendo os testemunhos de teus milagres e das pessoas que tiveram suas vidas transformadas no teu seguimento. Ainda assim, construíram uma negativa total à revelação de Deus em tua pessoa. Senhor, ajuda-nos a manter o coração aberto para a tua palavra e a tua presença redentora hoje, na Igreja. Que a indiferença não enfraqueça a nossa fé. Que as pequenas suspeitas, insinuações e críticas não acabem por nos separar de ti e de tua Igreja. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu diário espiritual (seu caderno de anotações), escreva uma oração a Jesus sobre a meditação de hoje.

Comunicando

No próximo dia 26, faço show em Goiana, PE, dentro dos festejos de N. Senhora do Carmo. No dia 14 de agosto, o show será em Areia Branca, RN, na festa de Nossa Senhora dos Navegantes.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Eu quero misericórdia.



   19 de julho de 2024.   

Sexta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.     


Mt 12,1-8

1Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. 2Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: “Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!”
3Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? 4Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? 5Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma?
6Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. 7Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes. 8De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.


     Meditação.     


Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

Em caminhada com Jesus, em dia de sábado, os discípulos, com fome, passando no meio de uma plantação, apanharam espigas para comer. Pronto, isso foi o suficiente para escandalizar os fariseus. Acusaram os discípulos de estarem profanando o sábado.

Os judeus guardam o sábado, pensando no descanso de Deus no final da obra da criação. Nós cristãos guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus. Os muçulmanos já guardam a sexta, festejando o dia em que Deus – Alá – criou o homem. No tempo de Jesus, a interpretação que os hebreus faziam do sábado era muito rigorosa, cheio de normas e detalhes. Não se podia trabalhar, de jeito nenhum. Até os passos deviam ser contados para não se ofender a santidade do sábado, o shabat.

Jesus chamou os seus opositores à razão: a necessidade humana está acima de uma norma religiosa. Se eles estavam com fome, é justo que procurassem conseguir o alimento. Note que a reclamação não foi porque arrancaram espigas da plantação. Isto era possível. O que não se podia era fazer isso em dia de sábado. Jesus relembrou que Davi e seus soldados, voltando de uma campanha, mortos de fome, comeram os pães das oferendas do Templo, o que não era permitido. E estava tudo certo.

Religião sem caridade vira uma coisa desumana. Jesus recordou um ensinamento escrito no Profeta Oséias, no Antigo Testamento “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. Quando você ouvir essa palavra “sacrifício” na Bíblia, lembre que ela se refere aos sacrifícios de animais que se fazia no Templo de Jerusalém (bois, carneiros, aves). O sacrifício é uma forma de culto muito comum nas religiões antigas. Então, Deus está dizendo nesta palavra do profeta que prefere a misericórdia ao sacrifício de animais. O verdadeiro culto é o da misericórdia, do amor, da caridade para com o próximo.

No livro do Profeta Isaías, também no Antigo Testamento, há uma reclamação de Deus. Deus reclama do culto que está recebendo: tantos sacrifícios de animais, ofertas, mas tanta injustiça, tanta violência no meio do povo, e nas mãos e no coração de quem está celebrando o culto! Isso sim é uma ofensa a Deus. "Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado", rezamos no Salmo 50.

Os fariseus estavam reclamando porque, em dia de sábado, os discípulos, que estavam com fome, estavam colhendo espigas para comer, durante o trajeto. O que vai agradar mais a Deus: seguir à risca a lei do sábado ou dar de comer a quem está com fome? O sacrifício ou a misericórdia?






Guardando a mensagem

Os fariseus do tempo de Jesus faziam uma interpretação muito rígida da lei do sábado, uma norma religiosa que visava o louvor de Deus, mas também o descanso do trabalho nesse dia. Eles viram os discípulos colhendo espigas no sábado e ficaram revoltados. Para eles, com esse trabalho, o sábado estava sendo profanado. ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios’, disse o Senhor pela boca dos profetas. O amor está acima de tudo. O primeiro louvor a Deus é o amor. E não dá para mostrar amor a Deus e não amar o seu irmão. Deus não fica contente com um culto bonito ou um louvor arrebatador que não esteja comprometido com a caridade, a compaixão para com os sofredores. Ele se agrada mesmo da misericórdia, do amor pelo pequeno. É isso que dá sentido e verdade ao nosso culto, ao nosso louvor.

Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vezes, não vemos a ligação que existe entre o culto que te prestamos e a caridade que devemos ao próximo. Na misericórdia, no amor solidário pelos mais sofridos, começa o verdadeiro culto que se explicita depois nos ritos, nas celebrações religiosas. Amar os irmãos, sobretudo defendendo, protegendo os doentes, os presos, os pobres, os mais frágeis, é uma forma de louvor a Deus. Senhor, ajuda-nos a viver nossa vida cristã e nossas práticas religiosas em sintonia com o amor ao próximo. Que a nossa devoção e o culto que te dirigimos tenham sua versão concreta no serviço aos mais pobres, no respeito aos idosos, na defesa da vida, pois preferes a misericórdia ao sacrifício. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Muita coisa, podemos fazer pelos irmãos e irmãs mais sofridos. A Igreja até fala das obras de misericórdia. E a tradição colecionou sete obras de misericórdia corporais e sete obras de misericórdia espirituais. Você as conhece? No final do texto da Meditação de hoje, vou deixar a lista completa das obras de misericórdia. Dê uma olhadinha em www.padrejoaocarlos.com. Para quem recebe a Meditação pelos aplicativos, é só clicar no link que estamos enviando. Jesus nos quer misericordiosos, como ele.

Comunicando

Segunda-feira próxima é dia de encontro dos ouvintes no Recife. Desta vez, nos recebe a paróquia de N. Sra do Bom Parto, no bairro de Campo Grande. O encontro dos ouvintes começa com o terço mariano, às 18 horas, com transmissão por uma rede de rádios; e prossegue com a Santa Missa, transmitida também em nosso canal do Youtube.

Até amanhã, se Deus quiser.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





AS OBRAS DE MISERICÓRDIA



Há catorze Obras de Misericórdia: sete corporais e sete espirituais.

Obras de misericórdia corporais:

1) Dar de comer a que tem fome
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Dar pousada aos peregrinos
4) Vestir os nus
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos

Obras de misericórdia espirituais:

1) Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram
4) Perdoar as injúrias
5) Consolar os tristes
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos


As Obras de misericórdia corporais encontram-se, na sua maioria, na lista enunciada pelo Senhor na descrição do Juízo Final.

A lista das obras de misericórdia espirituais tirou-a a Igreja de outros textos que se encontram ao longo da Bíblia e de atitudes e ensinamentos do próprio Cristo: o perdão, a correção fraterna, o consolo, suportar o sofrimento, etc.



Venham a mim.



   18 de julho de 2024.  

Quinta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mt 11,28-30

Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 28“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.


   Meditação.   


Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos (Mt 11, 28)!


Que fardos são esses? Esses fardos eram, em primeiro lugar, no tempo de Jesus, as obrigações que a Lei de Moisés impunha, ou melhor, a interpretação da Lei feita pelos mestres e fariseus. Era uma carga pesada demais, oprimindo e afastando as pessoas de Deus. A religião como obrigação continua sendo um fardo pesado para muita gente, hoje. Mas, como Jesus pode aliviar esse nosso peso? O seu ensinamento nos liberta, torna leve a nossa carga. O seu maior ensinamento é que Deus nos ama como um pai. Ele compreende a nossa fraqueza. Ele enviou seu filho para nos conduzir no caminho. O Filho se revestiu de nossa humanidade e tornou-se agora o nosso guia. A fé é nossa melhor resposta. O seu ensinamento alivia o nosso peso.

Que fardos são esses? O peso do nosso pecado e de suas consequências. E Jesus alivia esse nosso peso pela reconciliação. Ele está nos sugerindo que troquemos os fardos que estamos carregando pelo seu peso que é leve, o nosso coração inquieto pelo seu coração manso e humilde. Ele nos revela que o Pai nos perdoa e nos reconcilia consigo pelo sacrifício de sua cruz. Assim, o peso do pecado nos é retirado das costas. Podemos caminhar com mais leveza e esperança. O amor de Deus nos liberta. O perdão nos tira o peso do pecado das costas.

Que fardos são esses? O peso massacrante da vida. Diante de pessoas acachapadas pelo sofrimento, pelo medo, pelo cansaço do trabalho com pouco retorno, pela falta de horizonte, Jesus se apresenta com um convite: "Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos, e eu lhes darei descanso". Ele nos tranquiliza: o Pai cuida de nós, nos sustenta, nos socorre. Não estamos sós. Não lutamos apenas com as nossas forças. Sendo assim, o peso de nossas obrigações já fica mais leve. O amor a Deus e ao próximo, ensinado por Jesus, liberta o nosso trabalho da marca da obrigação desumanizadora. Nossas responsabilidades, na lógica do amor, passam a ser serviço criativo e amoroso. O amor nos liberta do massacrante peso da obrigação.

Guardando a mensagem

Jesus encontrou o povo de Deus oprimido por muitas situações de exploração, violência e dominação. Por isso, o evangelho está cheio de doentes, leprosos, cegos, possessos, encurvados. Ele chamou a si esse povo humilhado, oferecendo-lhe a vida, a liberdade, a felicidade. Ele nos revelou o amor do Pai e o seu amor por nós. Ele carregou-se de nossas dores e nos abriu o caminho da vitória sobre toda opressão por meio de sua palavra, de suas atitudes, de sua morte na cruz, de sua ressurreição.

Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos (Mt 11, 28)!



Rezando a palavra

Senhor Jesus,
é grande o peso dos nossos fardos: a condição imposta pelos limites de nossa condição biológica; as dificuldades na luta pela sobrevivência e a manutenção de nossas famílias; os desencontros, os drama da vida familiar; a doença; o clima de guerra e violência no mundo ... cansados e fatigados, sob o peso dos nossos fardos, nos aproximamos de ti, implorando a graça do teu abrigo, do teu repouso, da tua paz. Dá-nos a sabedoria que nos vem do Santo Espírito para encontrarmos as melhores soluções e a serenidade para atravessarmos com paciência as horas difíceis, na fé de que estás sempre conosco e nos conduzes como bom pastor de nossas vidas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Que tal você atender essa palavra de Jesus “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados”? Vou lhe deixar uma sugestão. Reserve, hoje, um tempinho para um momento de oração. A sós com Deus, fale de sua vida... Alguma coisa muito importante, ele tem para lhe dizer.

Comunicando

Hoje, quinta-feira, dia eucarístico, celebramos a Santa Missa na intenção de ouvintes e associados. Mande sua intenção pelo whatsapp 81 3224-9284.

No próximo dia 26, faço show em Goiana, PE, dentro dos festejos de N. Senhora do Carmo. 

No mês de agosto, teremos show em Areia Branca, RN (dia 14) e em Itambé, PE (dia 23).


Até amanhã, se Deus quiser. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Os pequeninos do evangelho.




   17 de julho de 2024   

Memória do Bem-aventurado Inácio de Azevedo,
presbítero, e companheiros, mártires


   Evangelho.   

 


25Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”


   Meditação.   


Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25)


Jesus usa muito a palavra “pequeninos”. O tempo todo, ele está cercado por gente sem grande expressão social, pobres, doentes, mulheres, crianças, sofredores de todo tipo. Eles são os pequeninos. Quase toda a atividade de Jesus ocorreu na periferia do mundo judaico, na Galiléia, norte do país, terra de agricultores, artesãos, pescadores, moradores de vilas e pequenas cidades. Os evangelhos nem chegam a citar a capital da Galileia, Tiberíades, onde morava o rei Herodes. Em Jerusalém, capital da Judéia, Jesus ia, basicamente, nas grandes romarias.


Os grandes, os importantes, os ricos tinham mais dificuldade de acolher o Reino. Basta lembrar o episódio do encontro com o jovem rico e o comentário que Jesus fez em seguida: “Como é difícil o rico entrar no Reino de Deus”. A Nicodemos, um membro importante do Sinédrio que o procurou à noite, Jesus explicou que ele precisava nascer de novo, renascer do alto. Muitas vezes disse aos discípulos e discípulas que só dava para entrar no Reino de Deus quem fosse como as crianças, isto é, quem se tornasse como os pequeninos ou fosse solidário com eles.


No evangelho de hoje, Jesus está em oração. Ele louva o Pai porque o Reino está sendo revelado aos pequeninos. Igualmente o louva porque, revelando o Reino a uns, o Pai o esconde a outros, os sábios e entendidos. E o que é que está havendo com os sábios e entendidos, isto é, com os estudados, os professores da Lei, os que se sentiam conhecedores da Palavra de Deus? Estes fecharam o coração. Não conseguiram ver em Jesus de Nazaré a revelação do Pai amoroso e fiel que fez aliança com Israel. Encheram o peito de presunção de que já sabiam de tudo. E de inveja, sentindo-se ameaçados pela popularidade de Jesus, por seus ensinamentos e por seus milagres.


Embora Jesus pregasse pra todo mundo, a todos procurasse iniciar no Reino, via-se cercado de gente simples e pobre, pecadores, sofredores. Os grandes também se aproximavam, mas quase sempre para censurar, para tentar coibir a sua palavra, para desafiá-lo... Estes tentavam desmoralizar o seu ministério ou encontrar motivo para denúncias e perseguições. Os grandes fecharam o coração. Os pequenos abriram-se à obra de Deus. É o que Jesus está vendo. E por isso está louvando o Pai.





Guardando a mensagem


Jesus rezou, publicamente, louvando o Pai porque este estava revelando o Reino aos pequeninos. E o estava revelando por meio do Filho. Em Jesus, reconhecemos a bondade e a misericórdia do nosso Deus, atuando em favor do seu povo. Os grandes fecharam o coração. Os grupos de poder rejeitaram Jesus. Os pobres e os pecadores aproximaram-se dele, acolhendo o Reino que ele anunciava. A lógica de Jesus é a lógica do Pai. Ele escolhe os pequenos. A lógica de Jesus deve ser a nossa também. Valorizemos os pequenos. O Reino é deles. No sermão da Montanha ele disse: “Felizes os pobres porque o Reino de Deus é deles”. Tornemo-nos pequenos, sejamos solidários com eles, se quisermos ter parte no Reino.


Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

na oração que nos ensinaste, pedimos ao Pai: “venha a nós o vosso Reino!”. Tu nos ensinaste a rezar assim para que entendamos que o Reino é, antes de tudo, um dom que nos vem do Pai, não é uma conquista de nossas obras, de nossa inteligência ou de nossa santidade. O Reino vem a nós por pura bondade e graça de Deus, nosso Pai. E és tu, Senhor Jesus, que nos revelas o Pai, que nos comunicas o seu Reino, sua presença amorosa em nossa história. Venha a nós o vosso Reino! Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém


Vivendo a palavra


Hoje, durante o dia, reze com Jesus, mais de uma vez: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”.


Comunicando

Quem são as duas águias e quem é o cedro?  Essa é a pergunta da semana que você vai responder, depois de ler o capítulo 17 do Profeta Ezequiel. Os grupos de estudo da Segunda Bíblica ficam abertos no dia de hoje, aguardando sua resposta.  


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Postagem em destaque

Envia, Senhor, operários para a tua messe.

Segunda-feira    26 de janeiro de 2026    Memória de São Timóteo e São Tito    Evangelho.   Lc 10,1-9 Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outr...

POSTAGENS MAIS VISTAS