PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: misericordia
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A CARIDADE É O PRIMEIRO LOUVOR A DEUS




15 de julho de 2022

Dia de São Boaventura, doutor da Igreja

Dia Missionário da AMA


EVANGELHO


Mt 12,1-8

1Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. 2Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: “Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!”
3Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? 4Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? 5Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma?
6Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. 7Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes. 8De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.


MEDITAÇÃO



Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

Em caminhada com Jesus, em dia de sábado, os discípulos, com fome, passando no meio de uma plantação, apanharam espigas para comer. Pronto, isso foi o suficiente para escandalizar os fariseus. Acusaram os discípulos de estarem profanando o sábado.

Os judeus guardam o sábado, pensando no descanso de Deus no final da obra da criação. Nós cristãos guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus. Os muçulmanos já guardam a sexta, festejando o dia em que Deus – Alá – criou o homem. No tempo de Jesus, a interpretação que os hebreus faziam do sábado era muito rigorosa, cheio de normas e detalhes. Não se podia trabalhar, de jeito nenhum. Até os passos deviam ser contados para não se ofender a santidade do sábado, o shabat.

Jesus chamou os seus opositores à razão: a necessidade humana está acima de uma norma religiosa. Se eles estavam com fome, é justo que procurassem conseguir o alimento. Note que a reclamação não foi porque arrancaram espigas da plantação. Isto era possível. O que não se podia era fazer isso em dia de sábado. Jesus relembrou que Davi e seus soldados, voltando de uma campanha, mortos de fome, comeram os pães das oferendas do Templo, o que não era permitido. E estava tudo certo.

Religião sem caridade vira uma coisa desumana. Jesus recordou um ensinamento escrito no Profeta Oséias, no Antigo Testamento “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. Quando você ouvir essa palavra “sacrifício” na Bíblia, lembre que ela se refere aos sacrifícios de animais que se fazia no Templo de Jerusalém (bois, carneiros, aves). O sacrifício é uma forma de culto muito comum nas religiões antigas. Então, Deus está dizendo nesta palavra do profeta que prefere a misericórdia ao sacrifício de animais. O verdadeiro culto é o da misericórdia, do amor, da caridade para com o próximo.

No livro do Profeta Isaías, também no Antigo Testamento, há uma reclamação de Deus. Deus reclama do culto que está recebendo: tantos sacrifícios de animais, ofertas, mas tanta injustiça, tanta violência no meio do povo, e nas mãos e no coração de quem está celebrando o culto! Isso sim é uma ofensa a Deus. "Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado", rezamos no Salmo 50.

Os fariseus estavam reclamando porque, em dia de sábado, os discípulos, que estavam com fome, estavam colhendo espigas para comer, durante o trajeto. O que vai agradar mais a Deus: seguir à risca a lei do sábado ou dar de comer a quem está com fome? O sacrifício ou a misericórdia?



Guardando a mensagem

Os fariseus do tempo de Jesus faziam uma interpretação muito rígida da lei do sábado, uma norma religiosa que visava o louvor de Deus, mas também o descanso do trabalho nesse dia. Eles viram os discípulos colhendo espigas no sábado e ficaram revoltados. Para eles, com esse trabalho, o sábado estava sendo profanado. ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios’, disse o Senhor pela boca dos profetas. O amor está acima de tudo. O primeiro louvor a Deus é o amor. E não dá para mostrar amor a Deus e não amar o seu irmão. Deus não fica contente com um culto bonito ou um louvor arrebatador que não esteja comprometido com a caridade, a compaixão para com os sofredores. Ele se agrada mesmo da misericórdia, do amor pelo pequeno. É isso que dá sentido e verdade ao nosso culto, ao nosso louvor.

Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vezes, não vemos a ligação que existe entre o culto que te prestamos e a caridade que devemos ao próximo. Na misericórdia, no amor solidário pelos mais sofridos, começa o verdadeiro culto que se explicita depois nos ritos, nas celebrações religiosas. Amar os irmãos, sobretudo defendendo, protegendo os doentes, os presos, os pobres, os mais frágeis, é uma forma de louvor a Deus. Senhor, ajuda-nos a viver nossa vida cristã e nossas práticas religiosas em sintonia com o amor ao próximo. Que a nossa devoção e o culto que te dirigimos tenham sua versão concreta no serviço aos mais pobres, no respeito aos idosos, na defesa da vida, pois preferes a misericórdia ao sacrifício. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Muita coisa, podemos fazer pelos irmãos e irmãs mais sofridos. A Igreja até fala das obras de misericórdia. E a tradição colecionou sete obras de misericórdia corporais e sete obras de misericórdia espirituais. Você as conhece? No final do texto da Meditação de hoje, vou deixar a lista completa das obras de misericórdia. Dê uma olhadinha em www.padrejoaocarlos.com. Para quem recebe a Meditação pelos aplicativos, é só clicar no link que estamos enviando. Jesus nos quer misericordiosos, como ele.

Comunicando

Em nossa Associação Missionária Amanhecer (AMA),  dedicamos todo dia 15 a um Dia Missionário. O objetivo é manter o nosso coração missionário aquecido. Não podemos nos acomodar, nem nos omitir. Cada um pode fazer alguma coisa ou até muita coisa pela missão. Neste 15 de julho, vamos nos dedicar a uma tarde de adoração em nossa Capela (a Capela de N. Sra. Auxiliadora, em nossa sede) e ao lançamento de um whatsapp com assistente virtual: o 81 3224-9284. O convite pra você é duplo: fazer contato conosco através deste whatsapp 81 3224-9284 e associar-se também à AMA. O convite está valendo.

Um abençoado 15 de julho, preparando-nos para a festa de Nossa Senhora do Carmo!

Até amanhã, se Deus quiser.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





AS OBRAS DE MISERICÓRDIA



Há catorze Obras de Misericórdia: sete corporais e sete espirituais.

Obras de misericórdia corporais:

1) Dar de comer a que tem fome
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Dar pousada aos peregrinos
4) Vestir os nus
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos

Obras de misericórdia espirituais:

1) Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram
4) Perdoar as injúrias
5) Consolar os tristes
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos

As Obras de misericórdia corporais encontram-se, na sua maioria, na lista enunciada pelo Senhor na descrição do Juízo Final.

A lista das obras de misericórdia espirituais tirou-a a Igreja de outros textos que se encontram ao longo da Bíblia e de atitudes e ensinamentos do próprio Cristo: o perdão, a correção fraterna, o consolo, suportar o sofrimento, etc.

A MISERICÓRDIA


Quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

17 de julho de 2020

Em caminhada com Jesus, em dia de sábado, os discípulos, com fome, passando no meio de uma plantação, apanharam espigas para comer. Pronto, isso foi o suficiente para escandalizar os fariseus. Acusaram os discípulos de estarem profanando o sábado.

Os judeus guardam o sábado, pensando no descanso de Deus no final da obra da criação. Nós cristãos guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus. Os muçulmanos já guardam a sexta, festejando o dia em que Deus – Alá – criou o homem. No tempo de Jesus, a interpretação que os hebreus faziam do sábado era muito rigorosa, cheio de normas e detalhes. Não se podia trabalhar, de jeito nenhum. Até os passos deviam ser contados para não se ofender a santidade do sábado, o shabat.

Jesus chamou os seus opositores à razão: a necessidade humana está acima de uma norma religiosa. Se eles estavam com fome, é justo que procurassem conseguir o alimento. Note que a reclamação não foi porque arrancaram espigas da plantação. Isto era possível. O que não se podia era fazer isso em dia de sábado. Jesus relembrou que Davi e seus soldados, voltando de uma campanha, mortos de fome, comeram os pães das oferendas do Templo, o que não era permitido. E estava tudo certo.

Religião sem caridade vira uma coisa desumana. Jesus recordou um ensinamento escrito no Profeta Oséias, no Antigo Testamento “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. Quando você ouvir essa palavra “sacrifício” na Bíblia, lembre que ela se refere aos sacrifícios de animais que se fazia no Templo de Jerusalém (bois, carneiros, aves). O sacrifício é uma forma de culto muito comum nas religiões antigas. Então, Deus está dizendo nesta palavra do profeta que prefere a misericórdia ao sacrifício de animais. O verdadeiro culto é o da misericórdia, do amor, da caridade para com o próximo.

No livro do Profeta Isaías, também no Antigo Testamento, há uma reclamação de Deus. Deus reclama do culto que está recebendo: tantos sacrifícios de animais, ofertas, mas tanta injustiça, tanta violência no meio do povo, e nas mãos e no coração de quem está celebrando o culto! Isso sim é uma ofensa a Deus. "Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado", rezamos no Salmo 50.

Os fariseus estavam reclamando porque, em dia de sábado, os discípulos, que estavam com fome, estavam colhendo espigas para comer, durante o trajeto. O que vai agradar mais a Deus: seguir à risca a lei do sábado ou dar de comer a quem está com fome? O sacrifício ou a misericórdia?

Guardando a mensagem

Os fariseus do tempo de Jesus faziam uma interpretação muito rígida da lei do sábado, uma norma religiosa que visava o louvor de Deus, mas também o descanso do trabalho nesse dia. Eles viram os discípulos colhendo espigas no sábado e ficaram revoltados. Para eles, com esse trabalho, o sábado estava sendo profanado. ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios’, disse o Senhor pela boca dos profetas. O amor está acima de tudo. O primeiro louvor a Deus é o amor. E não dá para mostrar amor a Deus e não amar o seu irmão. Deus não fica contente com um culto bonito ou um louvor arrebatador que não esteja comprometido com a caridade, a compaixão para com os sofredores. Ele se agrada mesmo da misericórdia, do amor pelo pequeno. É isso que dá sentido e verdade ao nosso culto, ao nosso louvor.

Quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Às vezes, não vemos a ligação que existe entre o culto que te prestamos e a caridade que devemos ao próximo. Na misericórdia, no amor solidário pelos mais sofridos, começa o verdadeiro culto que se explicita depois nos ritos, nas celebrações religiosas. Amar os irmãos, sobretudo defendendo, protegendo os doentes, os presos, os pobres, os mais frágeis, é uma forma de louvor a Deus. Senhor, ajuda-nos a viver nossa vida cristã e nossas práticas religiosas em sintonia com o amor ao próximo. Que a nossa devoção e o culto que te dirigimos tenham sua versão concreta no serviço aos mais pobres, no respeito aos idosos, na defesa da vida, pois preferes a misericórdia ao sacrifício. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Muita coisa, podemos fazer pelos irmãos e irmãs mais sofridos. A Igreja até fala das obras de misericórdia. E a tradição colecionou catorze obras de misericórdia. Você as conhece? No final do texto da Meditação de hoje, vou deixar a lista completa das obras de misericórdia. Dê uma olhadinha em www.padrejoaocarlos.com. Jesus nos quer misericordiosos, como ele.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


AS OBRAS DE MISERICÓRDIA

Há catorze Obras de Misericórdia: sete corporais e sete espirituais.

Obras de misericórdia corporais:

1) Dar de comer a que tem fome
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Dar pousada aos peregrinos
4) Vestir os nus
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos


Obras de misericórdia espirituais:

1) Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram
4) Perdoar as injúrias
5) Consolar os tristes
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos

As Obras de misericórdia corporais encontram-se, na sua maioria, na lista enunciada pelo Senhor na descrição do Juízo Final.

A lista das obras de misericórdia espirituais tirou-a a Igreja de outros textos que se encontram ao longo da Bíblia e de atitudes e ensinamentos do próprio Cristo: o perdão, a correção fraterna, o consolo, suportar o sofrimento, etc.

QUANDO A RELIGIÃO SE ESQUECE DA FOME

Por que vocês fazem o que não é permitido em dia de sábado? (Lc 6, 2)
Em caminhada com Jesus, em dia de sábado, os discípulos com fome, passando no meio de uma plantação, apanharam espigas para comer. Pronto, isso foi o suficiente para escandalizar os fariseus. Acusaram os discípulos de estarem profanando o sábado.
Os judeus guardam o sábado, pensando no descanso de Deus no final da obra da criação.  Nós cristãos guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus. Os muçulmanos já guardam a sexta, festejando o dia em que Deus – Alá – criou o homem. No tempo de Jesus, a interpretação que os hebreus faziam do sábado era muito rigorosa, cheio de normas e detalhes. Não se podia trabalhar, de jeito nenhum. Até os passos deviam ser contados para não se ofender a santidade do sábado, o shabat.
Jesus chamou os seus opositores à razão: a necessidade humana está acima de uma norma religiosa. Se eles estavam com fome, é justo que procurassem conseguir o alimento. Note que a reclamação não foi porque arrancaram espigas da plantação. Isto era possível. O que não se podia era fazer isso em dia de sábado. Jesus relembrou que Davi e seus soldados, voltando de uma campanha, mortos de fome, comeram os pães das oferendas do Templo, o que não era permitido. E estava tudo certo.
Religião sem caridade vira uma coisa monstruosa. Jesus recordou um ensinamento escrito no Profeta Oséias, no Antigo Testamento “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. Quando você ouvir essa palavra “sacrifício” na Bíblia, lembre que ela se refere aos sacrifícios de animais que se faziam no Templo de Jerusalém (bois, carneiros, aves). O sacrifício é uma forma de culto muito comum nas religiões tradicionais.  Então, Deus está dizendo nesta palavra do profeta que prefere a misericórdia ao sacrifício de animais. O verdadeiro culto é o da misericórdia, do amor, da caridade para com o próximo.
No livro do Profeta Isaías, também no Antigo Testamento, há uma reclamação de Deus. Deus reclama do culto que está recebendo: tantos sacrifícios de animais, ofertas, mas tanta injustiça, tanta violência no meio do povo, e nas mãos e no coração de quem está celebrando o culto! Isso sim é uma ofensa a Deus. 
Um grande risco é praticarmos uma religião alienada, que se esconde atrás de normas e ritos e se omite diante do sofrimento dos irmãos. Nós seguidores de Jesus não podemos repetir o que os fariseus fizeram. Estavam preocupados com o cumprimento do sábado, mas de coração fechado às necessidades reais das pessoas.
Guardando a mensagem
Os fariseus do tempo de Jesus faziam uma interpretação muito rígida da lei do sábado, uma norma religiosa que visava o louvor de Deus, mas também o descanso do trabalho nesse dia. Eles viram os discípulos colhendo espigas no sábado e ficaram revoltados. Para eles, com esse trabalho, o sábado estava sendo profanado. ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios’, disse o Senhor pela boca dos profetas. Sacrifícios era o culto realizado, no Templo, com o oferecimento de animais. Animais eram sacrificados no Templo em louvor a Deus ou para invocar o seu perdão. Jesus lhes mostrou que Deus está mais interessado na caridade, na misericórdia do que no cumprimento de ritos e costumes religiosos.
Por que vocês fazem o que não é permitido em dia de sábado? (Lc 6, 2)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Às vezes, damos mais valor aos atos religiosos do que à caridade para com o próximo. Mas tu queres a misericórdia, mais do que o sacrifício, os ritos, o cumprimento de normas religiosas. Amar os irmãos, sobretudo defendendo, protegendo os doentes, os presos, os pobres, os mais frágeis, é mais importante do que apenas cumprir obrigações religiosas. Senhor, ajuda-nos a viver nossa vida cristã e nossas práticas religiosas em sintonia com o amor ao próximo. Que a nossa devoção e o culto que te dirigimos tenham sua versão concreta no serviço aos mais pobres, no respeito aos idosos, na defesa da vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.  
Vivendo a palavra
Sendo hoje o Dia da Pátria, rezemos pelo Brasil e pelos brasileiros: que nossa religiosidade não seja desculpa para a omissão diante das injustiças sociais, mas antes se expresse como compromisso com a justiça, a fraternidade e a paz.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB  - 07 de setembro de 2019

A COMUNIDADE DA MISERICÓRDIA


Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja com vocês” (Jo 20, 19)

28 de abril de 2019.

“A paz esteja com vocês!” – foi a saudação de Jesus ao se reencontrar com os discípulos no dia de sua ressurreição.  Já era a noitinha daquele domingo, o primeiro dia da semana. Ele encontrou os discípulos na mesma casa em que celebraram a última ceia, na quinta-feira anterior. Estavam trancados na sala grande, assustados, com medo. Jesus se apresentou no meio deles, nem precisou entrar pela porta. E foi logo mostrando os sinais de sua crucificação: o lugar dos cravos nas mãos e o lado perfurado pela lança do soldado. Foi uma alegria só. Todos ficaram muito felizes. Aí, Jesus falou de novo: “A paz esteja com vocês!”. E comunicou que, como o Pai o tinha enviado, assim agora ele os enviava. E soprou sobre eles, comunicando-lhes o Espírito Santo, e lhes dando a tarefa de perdoar os irmãos: “A quem vocês perdoarem, os seus pecados serão perdoados”.

Tomé, um dos doze apóstolos, não estava nesse encontro do domingo da ressurreição. E não acreditou no testemunho da comunidade de que Jesus estivera na reunião com eles. Disse que só acreditaria se conferisse pessoalmente as suas chagas. No domingo seguinte, o segundo domingo da páscoa, como o de hoje, na mesma hora, estavam todos na sala de reunião e Jesus chegou. Ele fez a mesma saudação: “A paz esteja com vocês!”.  Aí, chamou logo Tomé pra conferir o lugar dos cravos e o lado aberto. Tomé ajoelhou-se aos pés do Senhor, cheio de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”.

Você percebeu que a saudação de Jesus ressuscitado se repetiu, na passagem de hoje, por três vezes. “A paz esteja com vocês!”. Essa palavra tem a ver com a saudação com que os membros do povo de Deus se cumprimentavam:  “Shalom!”. Ao saudar com o Shalom, a pessoa estava desejando tudo de bom da parte de Deus para a outra pessoa: saúde, harmonia, felicidade. Shalom ou Paz é como um conjunto de coisas boas  que a pessoa está desejando ou comunicando a outrem. Mas, essa saudação dita por Jesus ressuscitado tem um sabor muito especial, não acha? Ele passou por uma grande tribulação e saiu vencedor. Venceu todo o mal que se abateu sobre ele. E agora está trazendo para a sua comunidade tudo o que conseguiu de bom. E o que será que Jesus está comunicando com esse seu Shalom!?

Em primeiro lugar, Jesus está trazendo e comunicando o perdão de Deus, que ele alcançou por sua morte e ressurreição. Os pecadores foram reconciliados, no seu sacrifício. Voltando da morte, ele é o portador da paz, da reconciliação. Agora, os que crerem nele estão em paz com Deus e em paz uns com os outros. Em segundo lugar, Jesus está trazendo e comunicando o Espírito Santo. Foi o Espírito que o ungiu para a missão de Messias e Salvador, o Espírito que renova a face da terra, como rezavam na oração dos salmos. Lá, na primeira semana da criação, no começo da humanidade, Deus soprou no homem e este recebeu a vida. Agora, na primeira semana da nova criação, Jesus ressuscitado soprou sobre os discípulos para eles receberem a vida nova em Deus. “Recebam o Espírito Santo”. Em terceiro lugar, Jesus está comunicando a sua missão. “Como o Pai me enviou, assim também eu envio vocês”.  É o Espírito Santo quem vai conduzi-los a partir de agora, animando-os para continuarem a sua missão. O perdão que Jesus alcançou, os discípulos vão espalhar, conferindo o perdão aos seus irmãos, comunicando-lhes a paz.

Guardando a mensagem

Que coisa bonita: ali está a comunidade dos seguidores de Jesus. Não precisam mais viver acuados, trancados, temerosos. Jesus está com eles, está no meio deles, ressuscitado, vitorioso.  Ressuscitado, ele lhes comunica o perdão para viverem em paz com Deus e com todos; comunica-lhes o seu Espírito, para viverem a vida nova dos reconciliados; comunica-lhes a sua missão. Em seu nome, vão anunciar a todos o perdão dos pecados, a vida nova de comunhão com Deus  e com os irmãos, a paz. Animados pelo Santo Espírito, darão continuidade à missão de Jesus. A comunidade é o lugar onde Jesus ressuscitado comunica o perdão e a paz. Por meio da comunidade cristã, da Igreja, o Senhor ressuscitado continua agindo, ensinando, perdoando, libertando, salvando.

Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja com vocês” (Jo 20, 19)

Rezando a palavra

Senhor Jesus Misericordioso,

Sempre que nos reunimos no domingo, como comunidade cristã, como teus discípulos, fazemos memória de tua morte e de tua ressurreição. Em cada domingo, sentimos tua presença de ressuscitado a nos abençoar e a nos enviar em missão. Unidos a ti, somos a comunidade dos reconciliados e reconciliadores. Na celebração de cada domingo, tu nos comunicas vida e esperança pela amizade dos irmãos e irmãs reunidos, pelas orientações de tua palavra e pelo alimento do pão eucarístico. Do teu coração misericordioso, continuam a jorrar sangue e água, em favor de toda a humanidade: a água do batismo e o sangue do sacrifício eucarístico - água da vida nova de reconciliados e sangue redentor ao qual unimos nossas lutas e nossas dores. Foi o que revelaste a Santa Faustina: os raios brancos e vermelhos que partem do teu lado aberto: vida e salvação para todos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, não fazer como São Tomé, faltando à celebração no dia da ressurreição e fazendo pouco caso do testemunho de sua comunidade. Hoje, fazer como São Tomé, caindo aos pés do Senhor e manifestando seu amor e sua gratidão: “Meu Senhor e meu Deus!”.

Pe. João Carlos Ribeiro – 28.04.2019

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