BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Enquanto é tempo, entremos pela porta estreita



26 de outubro de 2022

Quarta-feira da 30ª Semana do Tempo Comum

EVANGELHO


Lc 13,22-30


Naquele tempo, 22Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. 23Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”

Jesus respondeu: 24“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. 25Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’.

26Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’ 27Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ 28Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. 29Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. 30E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.


MEDITAÇÃO


Façam todo esforço possível para entrar pela porta estreita (Lc 13, 24).


Você quer ser feliz. Quem não quer? Não é fácil explicar o que é a felicidade. Felicidade é realização, é amar e ser correspondido, é ter solução para os seus pequenos e grandes problemas... Felicidade é o sentimento de alegria e satisfação com a vida e muito mais. E você quer ser feliz. No fundo, você sabe, a felicidade, por um lado, é um dom de Deus e, por outro lado, é também fruto do nosso esforço. Sem esforço, não pomos as bases para uma vida saudável e feliz: o cuidado com a alimentação, o estudo sério, o modo como assumo meus compromissos de família, de trabalho, como cultivo minhas amizades, como me relaciono com os outros... Deus nos abre os caminhos e nós procuramos prosseguir com seriedade e empenho. Esse é o caminho da felicidade.


Você quer a salvação. Quem não quer? Não é fácil explicar o que é a salvação. Salvação é o final feliz de nossa vida, a realização completa de nossa existência em Deus. Mas, não é só a chegada lá. É também a nossa condição agora, a nossa comunhão com Deus. Para entender um pouco dessa condição de plenitude e realização que é a salvação, Jesus falou de banquete, festa de casamento, lugar onde estão os justos, casa paterna de muitas moradas, Reino de Deus glorioso. Cada imagem dessas é uma brecha por onde já se enxerga o brilho da salvação eterna. E você quer a salvação, claro. E você sabe que a salvação é um dom de Deus, obra de sua graça. E sabe, pela evangelização, que a porta da casa de Deus nos foi aberta pela morte e ressurreição de Jesus. A salvação é um dom gratuito de Deus, sem merecimento algum de nossa parte. Ainda assim, nos lembremos, no acolhimento da salvação concorre também o nosso esforço, o nosso compromisso, uma vida segundo os mandamentos de Deus, em comunhão com ele e com os irmãos. Sem esforço de nossa parte, sem compromisso, sem conversão, a coisa fica pela metade, nos detemos no portão de entrada. Certo que a salvação é obra de Deus, mas nos cabe acolhê-la, nos deixar transformar por ela, colaborar com o seu crescimento em nós.


Se até aqui estivermos nos entendendo, já está explicado o evangelho de hoje. Perguntaram a Jesus se os que se salvam, são poucos ou são muitos? Jesus aproveitou a pergunta para estimular a conversão e o compromisso com uma vida de santidade. Falou da porta estreita. “Façam todo esforço para entrar pela porta estreita”. Isso você entende, não é verdade? Tem muita porta larga por aí: a do relaxamento, da preguiça, do egoísmo, do desregramento, dos vícios, da falta de seriedade nos compromissos consigo mesmo(a), com os outros e com Deus. Entrar pela porta estreita e, - ele também deu a entender - enquanto há tempo. Ele contou que quando o dono da casa fechar a porta, não se entra mais. Aí ele enfeitou a parábola: ‘tem gente que vai ficar batendo na porta, dizendo que é amigo do dono da casa, que já esteve com ele diversas vezes, que ouviu seus discursos...’. A resposta vai ser: “Eu não conheço vocês. Vão-se embora”. Você pegou a mensagem? Entrar pela porta estreita enquanto é tempo. Não deixe pra amanhã a sua conversão. É hoje o dia da salvação.




Guardando a mensagem


Perguntaram a Jesus sobre a salvação. Ele indicou duas coisas preciosas para o nosso caminho com Deus: entrar pela porta estreita e a tempo. ‘A tempo’ quer dizer não adiar a sua conversão, não deixar para amanhã os seus compromissos de vida nova. Amanhã, pode ser tarde e a porta pode estar já fechada. ‘Entrar pela porta estreita’ quer dizer que, mesmo sendo a salvação um dom gratuito de Deus, precisamos acolhê-la com esforço e compromisso.


Façam todo esforço possível para entrar pela porta estreita (Lc 13, 24).


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

a nossa caminhada para Deus se assemelha à peregrinação do teu povo de todas as nações para o monte santo de Jerusalém, como está descrito no Livro do Profeta Isaías (Is 66). Nossa vida é, de verdade, uma peregrinação, contigo, para Jerusalém. É nesse caminho, que tu vais nos ensinando, nos instruindo. Hoje, nos falaste da porta estreita. Senhor, a porta larga nos seduz. É a porta da facilidade, do relaxamento, do mais ou menos. Ajuda-nos, Senhor, a entrar pela porta estreita. Esta é a porta do compromisso, do esforço, do melhor possível. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Em um momento pessoal de oração, peça ao Senhor a graça de perseverar no caminho do bem e da salvação, sem se desviar da porta estreita.


Comunicando


O 18º Congresso Eucarístico Nacional vai acontecer no Recife, de 11 a 15 de novembro. A organização pede que todos que venham ao Congresso, se inscrevam. A inscrição é gratuita. Segue o link para você conferir a programação desses dias. Quem vier à capital pernambucana, nesta data, pode nos encontrar no Centro de Convenções, na Feira Católica, no Stand da AMA (Associação Missionária Amanhecer). Na tarde do dia 11, faço show na acolhida dos participantes da Missa de Abertura.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Uma receita para mudar o mundo





25 de outubro de 2022

Dia de Santo Antonio de Santana Galvão


EVANGELHO


Lc 13,18-21

Naquele tempo, 18Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? 19Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”. 20Jesus disse ainda: “Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? 21Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.

MEDITAÇÃO


O Reino de Deus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado (Lc 13, 21)

Vamos começar com uma aula de culinária. Mas, não se espante. Vamos aprender a fazer pão, como no tempo de Jesus. Só assim poderemos entender melhor a comparação que ele fez com o Reino de Deus.

É bom lembrar: no tempo de Jesus, não havia padaria, o pão era feito em casa. E era feito pelas mulheres. A farinha para o pão precisava ser preparada na hora. Não havia fermento químico. Nem fogão e forno a gás. Mas, tudo bem. Vamos começar separando os grãos para fazer a farinha. A farinha de cevada era mais barata do que a de trigo, logo, a maior parte do povo fazia o pão de cevada. Pegue uma peneira, coloque nela uma boa porção de grãos de cevada ou de trigo. Sacuda bem a peneira para os talinhos, pedrinhas ou grãos diferentes aparecerem. Vá sacudindo, catando e limpando sua porção de grãos. Agora, triture tudo nas pedras de moer, na mó. São duas pedras achatadas e você põe o grão entre elas e vai rodando a pedra de cima. Precisa de jeito e de força também. Triturando os grãos, vai aparecendo a farinha. Está meio grossa, não se preocupe. É integral mesmo. Agora, ponha três porções de farinha numa vasilha de argila e um pouco de água e comece a misturar com as mãos. Cansou? Ponha o fermento agora. 

O fermento é um pouco de massa fermentada, chamada massa velha, guardada de outra ocasião. Misture tudo e, com paciência, vá amassando até pegar uma boa ligadura. É como fazem os pizzaiolos de hoje, preparando a massa para a pizza. Tudo pronto? Separe logo um pouco da massa fermentada para guardar: será o fermento do pão de amanhã. Achate as porções como se fosse uma pizza... Deixe a massa descansar... depois ponha no forno de lenha para assar. Cuidado para não se queimar. Ponha para assar dentro de um recipiente de argila. Quando tiver pronto, me chame... lembre que o pão não era pra comer só de manhã, o pão era o alimento principal para todas as refeições. Deu trabalho?! Não se preocupe, amanhã tem mais. Todo dia, a mulher precisa fazer o pão.

Foi assim que Jesus fez uma comparação simples: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Agora você já sabe que não é tão simples assim... fazer pão não é uma coisa banal. É uma atividade vital. Uma rotina muito importante para a família.

Nessa parábola de Jesus, vamos ficar atentos a três pontos: O fermento não é a massa; o fermento é misturado na massa; o fermento leveda a massa.

1. O fermento não é a massa. É uma porção menor, diferenciada. É um ingrediente que se incorpora à massa. O Reino de Deus é a obra de Deus entre nós, por meio de Cristo, nos comunicando vida e salvação. O Reino não é a massa, é o fermento. O evangelho é fermento na massa. Cristão não é massa, é fermento. Tem uma missão no meio do mundo.

2. O fermento é misturado na massa. O fermento precisa ser misturado na massa para fazer efeito. O evangelho precisa permear a vida das pessoas... sem isso não leveda, não influi, não transforma. E não é só colocar o fermento, dar uma mexidinha e deixar pra lá. Assim se faz com o fermento químico. A mistura do fermento, a massa fermentada, nas outras três porções de farinha é trabalhosa, demorada. Exige paciência, habilidade, perseverança. A mulher fica socando, amassando a massa por um longo tempo, até a massa chegar ao ponto. Aí se põe a massa para descansar um pouco e ser colocada no forno. Sem a paciência da mulher que faz o pão, não se produz mudanças no mundo.

3. O fermento leveda a massa. O Reino veio para melhorar o mundo, para transformá-lo. O evangelho é uma força de mudança, de transformação. É um fermento bom no meio de nossa sociedade. Não pode ser anulado e virar farinha com os outros. Assim, deixa de realizar sua missão. Não pode se afastar da sociedade, se ausentar do mundo: assim não faz o efeito pelo qual é fermento.


Guardando a mensagem

Jesus comparou o Reino de Deus com o fabrico artesanal do pão, pelas mulheres do seu tempo. O Reino produz mudanças no mundo, como o fermento que leveda a massa. Essa fermentação do mundo pelo evangelho vem pelo serviço dedicado dos pequenos, representados pelas mulheres. O fermento não é a massa. Se não for bem misturado, se não entrar na vida das pessoas, não fermenta nada.

O Reino de Deus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado (Lc 13, 21)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
teu Reino é o bom fermento a levedar a nossa vida, as estruturas sociais, o mundo. E nós somos agentes desse Reino, como fermento transformador da realidade. Dá-nos, Senhor, a graça de compreender e viver teu evangelho, sustentados por tua graça e por teu Santo Espírito. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Só para você recordar esse evangelho, pergunte hoje a quem faz a sua comida que tipo de fermento usa em bolos ou outras massas.

Comunicando

Quando você tiver um tempinho, visite o meu Canal no Youtube e se inscreva nele. No Youtube, procure 'Padre João Carlos': www.youtube.com/padrejoaocarlos

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A restauração da obra de Deus desfigurada




24 de outubro de 2022

Segunda-feira da 30ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO



Lc 13,10-17


Naquele tempo, 10Jesus estava ensinando numa sinagoga, em dia de sábado. 11Havia aí uma mulher que, fazia dezoito anos, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de se endireitar. 12Vendo-a, Jesus chamou-a e lhe disse: “Mulher, estás livre da tua doença”. 13Jesus pôs as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus.

14O chefe da sinagoga ficou furioso, porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado. E, tomando a palavra, começou a dizer à multidão: “Existem seis dias para trabalhar. Vinde, então, nesses dias para serdes curados, não em dia de sábado”.

15O Senhor lhe respondeu: “Hipócritas! Cada um de vós não solta do curral o boi ou o jumento, para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? 16Esta filha de Abraão, que Satanás amarrou durante dezoito anos, não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?” 17Esta resposta envergonhou todos os inimigos de Jesus. E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que ele fazia.


MEDITAÇÃO


Jesus colocou as mãos sobre a mulher encurvada, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus (Lc 13, 13)


Nos filmes de guerra, aparece o general vencedor e seu exército entrando na cidade, num desfile onde se exibe inimigos acorrentados como troféus. Eles desfilam sua humilhação, de cabeça baixa.


Nas partidas de futebol, ao apito final, o time vencedor festeja aos pulos e gritos, partilhando a euforia da torcida. Os jogadores do time perdedor retiram-se, desviando-se no quanto possível da torcida e da imprensa. Escondem-se do constrangimento, de cabeça baixa.


Na vida real, pessoas habituadas a serem tratadas aos gritos, a sempre cumprir ordens sem serem ouvidas, humilhadas pela miséria ou atormentadas pelo sentimento de impotência ou inferioridade se apresentam, em público, de cabeça baixa.


"Cabeça baixa" é um sinal da pessoa vencida, humilhada, perdedora; arqueada pela prepotência, pela impotência; aviltada em sua dignidade de ser humano. Há pessoas que de tanto sofrimento, de tanto olhar para o chão, adoecem fisicamente, contraem doenças na coluna vertebral.


Era um dia de sábado. Jesus estava pregando numa sinagoga. E curou uma mulher encurvada. O chefe da Sinagoga não gostou. Achou que Jesus estava fazendo um trabalho que não devia ser feito no dia de sábado. E falou ao povo: ‘Em dia de sábado, não. São seis dias de trabalho na semana, venham nesses dias’. Mas Jesus insistia em curar no sábado. Por quê? Bom, a Obra da Criação, que teve seu ponto alto na criação do ser humano, foi coroada com o descanso de Deus, no sétimo dia, no sábado. Mas, o homem, obra prima de Deus foi desfigurado pelo pecado. Então, era preciso libertar o homem para que a glória de Deus fosse realmente completa. E ‘a glória de Deus é o homem vivo’, escreveu Santo Irineu, um dos primeiros teólogos da Igreja. O ser humano de pé é glória para Deus, gente de cabeça erguida, não de cabeça baixa, humilhada, desfigurada. Esse sim manifesta a glória de Deus, de quem é a imagem. O sétimo dia, o sábado da Bíblia, é o dia da glória de Deus, da obra de Deus perfeita, restaurada. É o trabalho de Jesus, coroado na ressurreição no primeiro dia da semana.


No texto, está dito que um espírito a fazia doente esse tempo todo. Temos que fazer um desconto: o povo de Jesus achava que toda doença era uma obra de um espírito mal. Mas, de verdade o sofrimento, a humilhação, a violência geram pessoas fisicamente cabisbaixas, encurvadas. O evangelho de hoje está nos ensinando que a obra de Jesus é a restauração da pessoa humana. Ele ‘conserta’ a obra prima de Deus arrebentada pelo pecado (o próprio ou o dos outros). Ele nos liberta de tudo o que tira nossa dignidade de filhos de Deus.



Guardando a mensagem


Num sábado, numa sinagoga, Jesus cura uma mulher encurvada. As lideranças da comunidade consideram que não se pode fazer esse trabalho em dia de sábado. Mas, Jesus aparece sempre curando no sábado. O sábado é o dia de dar glória a Deus. E a glória de Deus é ver seus filhos libertados e felizes. Jesus está restaurando o homem decaído pelo pecado. A obra de Jesus, o seu trabalho, é esse mesmo: conduzir-nos da morte para a vida, nos ressuscitar para vivermos na dignidade de filhos e filhas de Deus. Há muita coisa que oprime as pessoas: a violência doméstica, a falta de oportunidades, o trabalho escravo, a prostituição infantil, o preconceito... Sobre tudo isso, nossa fé em Cristo nos faz vitoriosos. Com ele, trabalhamos para erguer os encurvados.


Jesus colocou as mãos sobre a mulher encurvada, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus (Lc 13, 13)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

recordamos-te, hoje, todos os que estão na situação de encurvados, humilhados pelo desemprego, pela miséria, pelo abandono, pela violência. Concede-nos viver, com destemor, a dignidade de filhos e filhas de Deus, em solidariedade com todos os que precisam do nosso apoio, de nossa consciência cidadã, de nossa caridade cristã. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Neste 24 de outubro, ocorre a comemoração mensal de Nossa Senhora Auxiliadora. Teremos Missa na Capela da AMA, no Recife, às 14 horas. Rezemos a oração composta por Dom Bosco:

Ó Maria, Virgem poderosa,
Tu, grande e ilustre defensora da Igreja,
Tu, auxílio maravilhoso dos cristãos,
Tu, terrível como exército ordenado em batalha,
Tu, que só destruíste toda heresia em todo o mundo:
nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defende-nos do inimigo; e na hora da morte, acolhe a nossa alma no paraíso. Amém.

Vivendo a palavra

No dia de hoje, tente identificar, no seu convívio, alguma pessoa “encurvada” e veja em que você pode ajudá-la a não perder a esperança e a não se deixar vencer pelo desânimo.

Comunicando

Hoje, participo do Programa Escolhas da Vida, na Rede Vida de Televisão, às 11 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro sdb

A oração que agrada a Deus





23 de outubro de 2022

30º Domingo do Tempo Comum

Dia Mundial das Missões


EVANGELHO


Lc 18,9-14

Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10“Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos.
11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’.
3O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”



MEDITAÇÃO


Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros (Lc 18, 9)


A pergunta deste 30º Domingo Comum é a seguinte: A sua oração está mudando a sua vida? Vale dizer: a sua oração tem sustentado o seu caminho de conversão?

A história que Jesus conta, hoje, nos deixa com a pulga na orelha. Não basta rezarmos e sermos fieis à oração. Precisamos estar atentos ao risco de nossa oração reforçar o nosso egoísmo e justificar a exclusão dos irmãos e, assim, ofender seriamente a Deus.

Dois homens subiram ao Templo para rezar. Um era fariseu, um homem praticante da Lei de Moisés. O outro era publicano, um cobrador de impostos, com pouca ou nenhum observância da Lei de Deus.

Jesus descreveu assim a oração do fariseu: “O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’”.

Essa oração do fariseu parecia um louvor a Deus feito por um homem santo, bom cumpridor de suas obrigações religiosas, de comportamento ilibado. Na verdade, sua oração apresenta, pelo menos, cinco falhas graves: 1. Mesmo dirigindo-se a Deus, ele fez uma homenagem a si mesmo por ser tão bom, tão praticante, tão piedoso. Assim, ele tomou o lugar de Deus, louvando-se a si mesmo, invocando sua honestidade e sua santidade. 2. Tendo ele já tanto merecimento, Deus ficaria, na verdade, obrigado a abençoá-lo, a recompensá-lo por sua santidade. 3. Sua oração reforçou o seu egoísmo. Tem muito “eu” na sua breve oração: (eu te agradeço, eu jejuo duas vezes por semana, eu dou o dízimo..). 4. A sua oração reforçou a discriminação do irmão, do publicano, ao invés de criar solidariedade (“te dou graças, porque não sou como os outros homens, nem como esse aí”). 5. Em sua presunção, a sua oração não abriu espaço para conversão, mudança de vida.

Jesus descreveu a oração do publicano assim: “O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’

O cobrador de impostos reconhece a grandeza de Deus e a sua condição de pecador. Em três gestos, isso fica claro: fica à distância, não se atreve a elevar os olhos, bate no peito. Assim, invoca a misericórdia de Deus: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. Deus está no centro de sua oração. Ele reconhece a sua condição de pecador. A sua oração abre caminho para a conversão, para a mudança de vida. Coloca-se nas mãos de Deus, invocando sua misericórdia.


Guardando a mensagem

Nesta história do fariseu e do publicano, Jesus, hoje, nos instrui sobre a oração. Muitas vezes, a nossa oração pode reproduzir o nosso egoísmo, nossa vaidade, nossa presunção. Assim, tomamos o lugar de Deus, nos auto-homenageando e julgando o irmão, reforçando a sua discriminação e exclusão. O fariseu mostra-se merecedor das graças de Deus, do seu favor. Em seu orgulho, fecha-se a qualquer apelo de mudança, de conversão. Assim, avisou Jesus, ele não voltou para casa justificado, perdoado, abençoado. O publicano, com humildade, reconhece-se necessitado da misericórdia de Deus. Na oração, abre-se para a ação de Deus, para sua graça, para sua misericórdia. Disse Jesus, este voltou pra casa justificado, perdoado, abençoado.

Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros (Lc 18, 9)

Rezando a palavra

Rezemos com as palavras do Salmo (Sl 33)

— O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos.

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— Mas ele volta a sua face contra os maus,/ para da terra apagar sua lembrança./ Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta/ e de todas as angústias os liberta.

— Do coração atribulado ele está perto/ e conforta os de espírito abatido./ Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos,/ e castigado não será quem nele espera.

Vivendo a palavra

Hoje, reze como o publicano, muitas vezes no dia: “Meu Deus, tem misericórdia de mim, porque sou um pecador”.

Comunicando

Hoje é o Dia Mundial das Missões. Em sua mensagem, o Papa Francisco, apresentou o tema "Sereis minhas testemunhas" (At 1,8). Neste dia, nós entregamos à Igreja uma oferta para o sustento dos trabalhos missionários nos lugares de maior pobreza e carência, em muitas partes do planeta. À essa oferta material, unimos nossa oração em favor da missão que o Senhor nos entregou: "Vão pelo mundo todo, anunciem o evangelho a toda a criatura". Muito bonita a mensagem do Papa para este Dia Mundial das Missões. E você pode lê-la neste e-book que estou lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A sua figueira está dando frutos?



 22 de outubro de 2022

Sábado da 29ª Semana do Tempo Comum



EVANGELHO

Lc 13,1-9

1Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. 2Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? 3Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. 6E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. 7Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’
8Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. 9Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”.

MEDITAÇÃO


Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou (Lc 13, 6)

Você já viu uma figueira? Muita gente nunca viu uma figueira, uma planta que dá figo. É um arbusto muito comum na terra de Jesus. E aparece muito na Bíblia. Adão e Eva, por exemplo, cobriram sua nudez, costurando folhas de figueira. E Zaqueu subiu numa figueira brava pra ver Jesus passar. No frio, a figueira perde todas as suas folhas, mas lá pelo mês de março, ela renasce e se prepara para dar figos, uma fruta gostosa, muito apreciada pelo povo da Bíblia.

No evangelho de hoje, Jesus contou que um homem havia plantado uma figueira em sua vinha. Durante três anos, ele voltou lá para colher algum fruto. Nada. Não achava coisa nenhuma. Na terceira vez que ele foi procurar o fruto na figueira e, claro, não encontrou nem sinal, ele perdeu a paciência e mandou o empregado cortá-la. Estava ocupando o terreno inutilmente.

A figueira, na Bíblia, representa a pessoa ou mesmo o povo de Deus. Esta figueira improdutiva é a imagem de pessoas do tempo de Jesus que, mesmo ouvindo sua pregação, não se converteram, não mudaram de vida. João Batista, preparando a vinda de Jesus, tinha insistido em que o povo desse fruto de vida nova, apresentasse sinais de sua conversão. Jesus, de igual modo, está cobrando que as pessoas que o escutam, acolham sua palavra, produzam frutos, mudem de vida. Lembra a parábola do semeador? A semente, a palavra de Deus, está sendo semeada. Só no terreno bom, cresce, floresce e dá muito fruto.

Na história, o dono da terra já procurava frutos na figueira há três anos. É uma clara alusão ao ministério de Jesus, que completava três anos. Três anos de pregação, de milagres, de curas, de exorcismo... cadê os frutos desse povo, quais os sinais que mostram que abraçaram a vida nova que ele estava anunciando? Faltou paciência ao dono da terra. Mandou cortar aquela figueira parasita, ocupando à toa o terreno dele. Mas, o seu empregado pediu mais tempo e prometeu maior empenho. ‘Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e colocarei adubo. Talvez, depois disto dê frutos. Caso contrário, vamos cortá-la’.


Guardando a mensagem

A figueira pode ser a sua vida, a sua família, a sua comunidade. Não basta estar coberta de belas folhagens, tem que dar frutos. Que frutos Jesus espera encontrar em nossas vidas e em nossas instituições? Podemos fazer uma lista: Conversão, comunhão com Deus, cumprimento dos mandamentos, vivência da fraternidade, compromisso com a justiça e com a verdade, honestidade, fidelidade, solidariedade, participação na missão, atenção aos pobres e sofredores. Mas, a lista pode ser bem maior. Pela história, você sabe, o Senhor nos dá mais um tempo. Seu empregado está pondo mais adubo, regando mais frequentemente... torcendo que demos frutos; frutos de conversão, de vida nova em Cristo.

Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou (Lc 13, 6)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Não basta ouvir a tua palavra. É preciso ouvi-la e praticá-la. É assim que a nossa vida vai se modificando, afastando-se do mal e nos edificando como novas criaturas, pessoas renascidas na tua graça. Afastando-nos de ti e do teu evangelho, não damos frutos, como o ramo separado da videira. Dá-nos, Senhor, que com a assistência do teu Santo Espírito, frutifiquemos em obras de conversão, de amor solidário e na edificação de pessoas interiormente renovadas neste mundo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, reze por sua conversão e pela conversão de alguém muito próximo de você.

Comunicando

Hoje, em São Paulo, participo da Missa de Ação de Graças pelo aniversário da Rádio 9 de julho, no Mosteiro da Luz, às 16 horas.

Amanhã, celebro a Santa Missa na Comunidade N. Sra. Aparecida, no Jardim Maria Sampaio, São Paulo (capital), Paróquia de São Sebastião, Diocese de Campo Limpo, às 8 da manhã.

Segunda-feira, participo de programa na Rede Vida, às 11 horas da manhã.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Não perca a hora da graça!



21 de outubro de 2022

Sexta-feira da 29ª Semana do Tempo Comum



EVANGELHO

Lc 12,54-59

Naquele tempo, 54Jesus dizia às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. 55Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. 56Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? 57Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?
58Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia. 59Eu te digo: daí tu não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.


MEDITAÇÃO


Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente? (Lc 12, 56)

Jesus estava chamando a atenção para uma coisa muito simples: não perder a hora da graça. Aquela era a hora do Messias, a realização da grande promessa de Deus. A hora da graça tinha chegado e as pessoas não estavam percebendo. Reconheciam as mudanças de tempo, sabiam se ia chover, se o inverno seria bom... mas, não estavam reconhecendo os sinais que indicavam o novo tempo que Deus marcou para a humanidade, o tempo do enviado, o tempo da salvação.

Na atuação de Jesus, com boa vontade e com o olhar da fé, eles podiam perceber os sinais de Deus. Os gestos, as palavras, as ações de Jesus apontavam para uma coisa muito importante e definitiva. A acolhida amorosa dos pequenos e dos excluídos, a cura das doenças, a expulsão de demônios, tantos sinais... tudo isso apontava para uma grande realidade: o Reino de Deus tinha chegado. Em Jesus, Deus tinha se aproximado do seu povo para encontrar e salvar a ovelha perdida. Mas, muita gente não estava se dando conta do que estava acontecendo.

Nós estamos na mesma situação e, portanto, merecendo a mesma chamada de atenção. Tem gente informada de toda a programação cultural da capital e dos próximos lançamentos de séries no Netflix, em dia com o último capítulo da novela e por dentro da final do campeonato, mas está completamente por fora de todas as propostas de evangelização que a Igreja está fazendo. Não toma conhecimento da movimentação religiosa de sua Igreja. Nem se apercebe que esse é o tempo da graça, que essa é a hora de Deus em sua vida, em sua história. Não se dá conta que Jesus, o salvador, está entre nós, abrindo-nos o sentido da vida e nos conduzindo para a plenitude da paz.

Com o advento das redes sociais, onde qualquer um pode escrever qualquer coisa ou editar qualquer foto ou vídeo, muita gente vive em sobressaltos, pelas fake news. É uma nova cegueira. Deixam-se ofuscar pela mentira, pelo jogo ideológico e em vez de enxergar uma igreja missionária, movida pelo Espírito Santo, enchem-se de suspeita e passam a disseminar a divisão na própria Igreja.

No tempo de Jesus, muita gente preferiu ver nele um perigo, um falso profeta, um agente de satanás. Assim, fecharam os olhos para a manifestação de Deus, na pessoa do seu Filho encarnado, amigo dos pobres e dos pecadores. Na verdade, encontravam assim boas desculpas para se esquivarem do grande apelo de conversão, de mudança de vida, de fazerem-se próximos dos que estavam caídos à beira da estrada (como na história do bom samaritano).

É o que Jesus estava e está cobrando. Não deixemos a hora da graça passar, reconheçamos a hora de Deus em nossa história.


Guardando a mensagem

Os sinais de Deus e de sua passagem entre nós estão em nossa história pessoal, familiar, social. Seus sinais estão nos acontecimentos dos nossos dias. Há um grande apelo de Deus para nós, nos dias de hoje. Posso lembrar alguns. O apelo para cuidarmos com responsabilidade da Casa Comum, do planeta terra, ameaçado pelas mudanças climáticas. A encíclica do Papa Francisco é um grande apelo a toda pessoa de boa vontade. A hora é essa, enquanto há tempo. O fato de a Igreja ter se debruçado sobre o tema dos Jovens e a fé, em um Sínodo, é um sinal de Deus: é o momento de integrarmos os jovens no caminho de Jesus. A hora de abraçarmos essa causa, que é urgente e decisiva para o futuro da Igreja, é agora. A questão da Imigração é um grande sinal dos nossos tempos. Não se interessar por ela, não abraça-la é negar a evangelho de Jesus, sua atualidade e a sua força de transformação. O Sínodo da Amazônia foi outro sinal de Deus. E a Encíclica Fratelli Tutti: igualmente é uma grande convocação divina à fraternidade universal. E a pandemia, não terá sido um forte sinal para a humanidade? E o Sínodo sobe Caminhar Juntos, sobre Sinodalidade, que será celebrado em duas etapas 2023 e 2024? Muitos sinais, muitos apelos... não perca a hora da graça, não perca a hora de Deus! 

Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente? (Lc 12, 56)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Tanta coisa significativa acontecendo em nossa história, tantos sinais de Deus em nossa vida... É só abrir os olhos pra ver: estamos no tempo da graça, no kairós de Deus. Ajuda-nos, Senhor, pelo teu Santo Espírito, a compreender os sinais de tua presença redentora entre nós, fazendo novas todas as coisas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, escreva algumas linhas sobre “A hora de Deus em minha vida”.

Comunicando

Amanhã, sábado, em São Paulo, participo da Missa de Ação de Graças pelo do aniversário de reabertura da Rádio 9 de julho, no Mosteiro da Luz, às 16 horas. 

 

No domingo, celebro a Santa Missa na Comunidade N. Sra. Aparecida, Jd Maria Sampaio, São Paulo (capital), Paróquia de São Sebastião, Diocese de Campo Limpo, às 8 da manhã.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A purificação do ouro




20 de outubro de 2022

Quinta-feira da 20ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO


Lc 12,49-53


Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 49“Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! 50Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra!

51Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. 52Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; 53ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.


MEDITAÇÃO


Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12, 49)


Esse evangelho de hoje deixa todo mundo confuso. Como assim: Jesus veio para lançar fogo sobre a terra? Que fogo é esse? E ainda diz que está esperando receber um batismo. Que batismo será esse? E o que tem uma coisa com a outra, o fogo com o batismo? Calma. Vamos pedir ajuda ao profeta Malaquias.


Esse pequeno escrito do Antigo Testamento, o livro do Profeta Malaquias, fala, em alguns pontos, da vinda do Messias. Ao que parece, no tempo de Jesus, as profecias de Malaquias estavam muito presentes na mente das pessoas. Por exemplo, a ideia de que antes do Messias viria o Elias vem desse profeta. Por isso, alguns até diziam que Jesus era o Elias. Bom, isso só para dizer que esse escrito do profeta Malaquias tinha uma boa influência no povo do tempo de Jesus. Não seria estranho, então, Jesus usar imagens vindas deste escrito bíblico.


No capítulo 3, Malaquias descreve a chegada do Messias, depois da vinda do Mensageiro. Olha como está escrito: “Eis que ele chega. Quem poderá aguentar o dia de sua chegada? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Ele é igual ao FOGO de uma fundição. Sentado, o fundidor derrete a prata para beneficiá-la, assim também ele vai apurar os filhos de Levi, refiná-los como se fossem ouro ou prata. Só depois poderão se apresentar ao Senhor como uma oferenda como convém” (Ml 3, 1-3).


Malaquias passa a ideia de que o povo de Deus está precisando ser purificado, pois está como ouro misturado com outros minerais pobres ou sujeiras. Ora, Jesus veio para isso, para nos purificar do pecado. E o que faz o fundidor para purificar o ouro? Põe todo o material para derreter no fogo, dentro de um recipiente resistente. Agora, tem que ter muito fogo para chegar a uma temperatura super alta que derreta tudo e assim separe o ouro das impurezas. Perceba que o profeta Malaquias está falando da missão do Messias esperado. Ele iria fazer como um fundidor, purificaria o seu povo com o fogo. 


Agora, escute a palavra de Jesus de novo, no evangelho de hoje: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!”. Ele veio para nos purificar. E está usando a imagem do fundidor, como no profeta Malaquias.


Jesus disse também que iria receber um batismo. E estava ansioso até que tudo se cumprisse. Que batismo é esse? O batismo é para purificar do pecado. Mas, ele não tem pecado. É, mas nós temos. E ele tirou o nosso pecado, por meio desse batismo. Que batismo é esse? Sua paixão, a sua morte. Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, pelo sacrifício de sua vida.



Guardando a mensagem


Jesus disse que veio para lançar fogo sobre a terra. E que devia receber um batismo, pelo qual estava ansioso. O Profeta Malaquias nos ajuda a entender isso. Fogo e Batismo, nesse texto, estão em paralelo, os dois estão descrevendo a mesma obra de Jesus para nos purificar do pecado, para nos colocar em condições de ser uma oferenda digna. Como foi que ele nos purificou, nos libertou do pecado? Por sua paixão, morte e ressurreição. Esse foi o batismo a que ele se submeteu, embora não tivesse pecado. Ele assumiu o nosso lugar. Como foi que ele nos purificou, nos libertou do pecado? Por sua paixão, morte e ressurreição. Esse foi o grande fogo que nos possibilitou emergir como ouro puro, livre das impurezas e minerais de segunda, isto é, purificados do pecado. Essa sua obra redentora ele quer espalhar em favor de todos na face da terra. Esse seu serviço purificador revela e vence o mal, o pecado. Por isso, aparentemente, cria divisão, ao separar o ouro da impureza.


Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12 49)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

nós te agradecemos por tua obra redentora. Fomos lavados nas águas da tua morte, no teu batismo. Fomos purificados no fogo de tua paixão e cruz. Emergimos como ouro puro na tua ressurreição, como povo santo, justificado dos nossos pecados, em comunhão com Deus. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Em sinal de atenção à Palavra do Senhor, pegue hoje sua Bíblia e leia o livro do profeta Malaquias 3, 1-4. Só uma dica: Malaquias é o último livro do Antigo Testamento.


Comunicando


Na Santa Missa das 11 horas, vamos rezar por você e suas necessidades. No link que estou lhe enviando, você pode deixar sua intenção para a Missa de hoje. Podendo rezar conosco, vamos estar no Youtube.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Deixe aqui o seu pedido de oração para a Missa de hoje:


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Uma recomendação para o tempo da espera





19 de outubro de 2022

Quarta-feira da 20ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO


Lc 12,39-48

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 39“Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.
41Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” 42E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis.
47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. 48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”

MEDITAÇÃO


Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? (Lc 12, 42)

Nós aguardamos a volta de Jesus. Estamos esperando a sua nova vinda. A sua vinda será um momento de júbilo para uns e de juízo para outros. Por isso, apesar da alegria da espera, ficamos um tanto temerosos.

Vigilância é a palavra-chave do evangelho de hoje. As comunidades, depois de Jesus, deram muita ênfase a essa recomendação de Jesus para o tempo da espera, o tempo em que ele estaria fora. Eu disse ‘fora’, mas ele está sempre conosco, você sabe. “Vigiem, porque vocês não sabem a hora em que virá o Senhor!” Jesus contou pequenas parábolas para isso ficar bem clarinho. Falou do pai de família que, se soubesse que o ladrão viria naquela noite, ficaria vigiando e não deixaria que sua casa fosse arrombada. Falou do servo que o Senhor deixou tomando conta de sua casa, cuidando de sua família. O servo vigilante está atento e alimenta bem a família. O servo relaxado espanca os empregados e cai na farra e na bebida, descuidando-se de suas obrigações. O servo fiel e prudente vai ser muito bem recompensado. O servo relaxado vai ser despedido e castigado.

Jesus, com essa história, quis nos incentivar a estar sempre vigilantes. Nós cuidamos de algo de que fomos encarregados. E disso, seremos cobrados, vamos prestar contas. Na parábola, o empregado cuidava da casa do seu senhor, de sua família. Esse é um ensinamento importante: nós estamos encarregados de cuidar de pessoas, pessoas que podem estar sob nossa responsabilidade, mas não são nossa propriedade. Pai e mãe cuidam de sua casa, das pessoas que estão sob sua dependência. E precisam estar sempre atentos, vigilantes para o mal não penetrar em sua casa, como Jesus falou na parábola. Ele disse: “Se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada”.

O fato de Jesus estar demorando, não quer dizer que ele não vem. E não pode ser motivo para relaxamento, despreocupação, abandono da missão. Vigilância é o ensinamento de hoje.


Guardando a mensagem

Jesus alertou sobre a vigilância: estarmos atentos, acordados, despertos, não permitindo que o mal penetre em nossa casa, em nossa família. Na verdade, a casa que cuidamos é dele, pois aí estamos como encarregados, investidos de autoridade e de responsabilidade por ele mesmo. E é a ele que daremos conta. Cuidar das pessoas é a nossa missão. Vigilância é a nossa atitude permanente. Mesmo ele não voltando logo, precisamos estar sempre preparados, cumprindo bem nossas tarefas, realizando bem a nossa missão.

Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? (Lc 12, 42)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
na parábola que contaste, tem o administrador fiel que cuidou bem de sua casa, alimentou bem seus dependentes, zelou para que tudo andasse direitinho, estava sempre vigilante, atento. E disseste: “Feliz o empregado que o senhor quando voltar o encontrar assim”. Nós queremos, Senhor, ser zelosos e vigilantes como esse empregado elogiado. Ajuda-nos, Senhor, a cumprir bem nossas obrigações em nossas famílias, em nossas comunidades; ajuda-nos a providenciar o necessário para vivermos dignamente e dá-nos sabedoria para conduzir bem aqueles que colocaste sob nossa responsabilidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Arrume um tempinho, hoje, para rezar por sua família. Faça como o empregado elogiado da parábola: cuide bem de sua casa.

Comunicando

Nesta sexta-feira, dia 21, faço show na comunidade de Tejucupapo, em Goiana, litoral norte de Pernambuco, na festa de N. Sra. do Rosário.

No sábado, dia 22, em São Paulo, participo da celebração do aniversário de reabertura da Rádio 9 de julho, no Mosteiro da Luz, às 16 horas.

No domingo, dia 23, celebro a Santa Missa na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no Jd Maria Sampaio, Paróquia de São Sebastião, Diocese de Campo Limpo, às 8 da manhã.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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