BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Jesus nos liberta do poder do mal

 


10 de janeiro de 2023

Terça-feira da 1ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO


Mc 1,21b-28

21bEstando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei.
23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!”
26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “Que é isso? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galileia.

MEDITAÇÃO


Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” (Mc 1, 25)

Sabe o que foi? Jesus estava na sinagoga de Cafarnaum. Era um dia de sábado. O povo estava reunido para a oração e a escuta da palavra de Deus. E Jesus estava ensinando. As pessoas, ali, estavam admiradas com o seu ensinamento. Foi aí que um homem ali presente, possuído por um espírito impuro, começou a gritar e esbravejar contra Jesus. Jesus mandou o espírito calar a boca e sair daquele homem. Dito e feito. O homem foi sacudido com violência pelo espírito mau, que deu um urro assustador e saiu. As pessoas ficaram assustadas, não era pra menos. E admiradas com aquele ensinamento novo de Jesus, com a sua autoridade.

O ensinamento de Jesus é libertador das pessoas de todas as opressões. Seu ensinamento desmascara o mal que está escondido também dentro da comunidade, dominando a vida de algumas pessoas. Como na sinagoga de Cafarnaum, também em nossas comunidades, pode haver alguém que estranhe e reaja ao ensinamento de Jesus.

O que será que Jesus dizia e fazia que pudesse incomodar alguém? As pessoas viam uma grande diferença entre o ensinamento de Jesus e o ensinamento dos fariseus. A primeira coisa que marcava uma grande diferença era a atenção que Jesus dava aos sofredores e marginalizados. Estes estavam à margem de tudo, na vida social e na religião. E Jesus os incluía como pessoas importantes no seu anúncio do Reino de Deus. E uma segunda coisa que mexeu demais com as lideranças do seu povo foi a imagem que ele passava de Deus. Ele revelava Deus como pai amoroso, pronto para acolher o filho pecador de volta à sua casa. E essa não era exatamente a imagem de Deus que eles tinham. Eles o percebiam como juiz e retribuidor das boas ações e da prática da Lei.

Esse ensinamento de Jesus - feito de gestos de atenção e proximidade, de parábolas e diálogos sobre o Reino de Deus – despertou muita indignação e ódio nos fariseus, nos sacerdotes do Templo, nos partidários de Herodes. Essa gente estava possuída por preconceitos contra o povo, por interesses de classe, seduzida pelas benesses do poder, tomada de ciúme... e muita coisa ruim. Era como se estivessem possuídos por um espírito mau. Claro, o mal lança seus tentáculos nas estruturas sociais e nas pessoas. O que o diabo disse na sinagoga é o que diriam esses senhores: “Vieste para nos destruir?”.

E ali, na sinagoga e nas ruas, muita gente tomou consciência de que o ensinamento de Jesus era realmente novo, sobretudo quando viu que ele enfrentava essas manifestações do mal, as calava e conseguia libertar pessoas dessa dominação.


Guardando a mensagem

O evangelho é uma força de mudança, anuncia o Reino de Deus começando já aqui na terra. Jesus, com suas atitudes e palavras, instaura o reinado de Deus. Podemos entender esse reinado, como Deus acolhendo, na comunhão de sua casa, todos os seus filhos, a começar pelos que saíram de casa e retornam pela conversão. Jesus partia do que o povo de Deus já conhecia e manifestava mais claramente o amor de Deus que restaura, perdoa, liberta as pessoas. Esse evangelho, essa boa notícia, encontrou oposições também dentro da própria sinagoga, a comunidade de fé que ele frequentava. Essa oposição à novidade do evangelho que Jesus anuncia, ontem como hoje, só pode mesmo ter raízes no maligno. Mas, Jesus é vencedor sobre todo o mal. Com ele, nós também somos vencedores. No Pai Nosso, rezamos: “Livrai-nos do mal”.

Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” (Mc 1, 25)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a novidade do evangelho corre sempre o perigo de ser esquecida ou abafada pelas forças que não têm interesse na emancipação das pessoas e no senhorio de Deus. Essas forças atuam dentro e fora da comunidade. Não é à toa que a Igreja tenha tantos mártires. Eles experimentaram a oposição à fé cristã por parte de pessoas maldosas e violentas. Uniram-se, assim, ao teu sacrifício na cruz. Em sua fidelidade, são vitoriosas, contigo. Senhor, te pedimos, livra-nos do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Ao rezar o Pai Nosso hoje, acentue bem essa prece: “Livrai-nos do mal”. Aproveite e diga em prece hoje, muitas vezes, essa palavra.

Comunicando

Nesta Semana de Aniversário do Programa Tempo de Paz aproveito para lhe enviar a relação das rádios que transmitem os nossos programas. Como associação, somos gratos a todas as emissoras-parceiras e a todos os que, como sócios, são também parceiros na missão.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Quem foi batizado é uma nova criatura




09 de janeiro de 2023

Festa do Batismo do Senhor


EVANGELHO

Mt 3,13-17

Naquele tempo, 13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”
15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele.
17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.



MEDITAÇÃO


E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3, 17)

Jesus se batizou no batismo de João. João batizava as pessoas que queriam preparar-se para acolher, 
com uma nova vida, o Messias que chegaria em breve. Confessavam os seus pecados e João as mergulhava nas águas do Rio Jordão. A fila dos pecadores era grande.

Jesus entrou na fila dos pecadores, participando do batismo de penitência de João. Ao sair da água, veio sobre ele o Espírito Santo em forma de pomba. O batismo de Jesus pode nos ajudar a compreender o sentido de sua morte e de sua ressurreição, que tem a ver conosco e com o nosso batismo.

São Paulo deu uma boa explicação sobre o rito do batismo. Quando a gente desce às águas, na fé, participa da morte de Cristo. Quando saímos das águas, estamos participando, na fé, de sua ressurreição. Podemos olhar assim para o batismo de Jesus.

Jesus entrou na fila dos pecadores, assumindo o peso de nossas culpas e desceu às águas como pecador. Essa é uma bela imagem que antecipa o sentido de sua morte. Mergulhou nas águas da morte, morrendo em nosso lugar, purificando-nos dos pecados. Ao emergir da água, veio uma voz do céu. É como uma antecipação de sua ressurreição.
Este é o meu Filho amado”. Jesus se revelou o filho amado, em ter cumprido com obediência a vontade do Pai. Ele deu sua vida por nós, salvou-nos, morrendo na cruz e ressurgindo em nosso favor.

Então, o batismo tem a ver com a purificação dos pecados. Jesus não tinha pecados. Mas, carregou-se dos nossos e nos purificou nas águas de sua morte e na glória de sua ressurreição. Na sua morte, nos comunicou a vida, derramando sobre nós o seu Espírito. O Espírito Santo é quem aplica em nós a graça redentora de sua morte e ressurreição. Ele é a água viva que jorrou do peito do Senhor, ferido pelo soldado, na cruz. Essa água nos purifica e nos comunica a vida nova. A ação purificadora e revitalizadora do Espírito está representada na água da fonte batismal. No sinal da água, está a ação do Espírito que nos purifica e nos renova.


Guardando a mensagem

João Batista avisou ao povo: “Eu batizei vocês com água, mas ele batizará vocês com o Espírito Santo”. A água de João era só água mesmo, um sinal de penitência. Mas, a água de Jesus seria sacramento do Espírito Santo, ação do Espírito purificando e renovando. Que grande graça você ter recebido o batismo! Quem foi batizado é uma nova criatura, nasceu de novo. Nasceu para a vida de Deus, pela graça de Cristo. Tem a graça de poder viver em comunhão com ele. Participa da herança da vida eterna. Quem não chegou ainda a conhecer a importância do seu batismo, a grandeza de sua comunhão com Deus através dele, é como alguém que perdeu sua Certidão de Nascimento. Não tem a menor noção de suas origens nobres e do seu direito de herança. Em Cristo, somos herdeiros da felicidade que há em Deus, da vida eterna.

E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3, 17)

Rezando a Palavra 

Senhor Jesus,
que pena que haja tanta gente vivendo como se não fosse batizada. Vive como filho sem pai. Que graça a gente ser de Deus, ser filho(a) de Deus e viver como tal! Quando a gente toma consciência da importância do nosso batismo, a gente se dá conta da dignidade que tem. A pessoa humana é importante, porque foi criada por Deus. Mas o batismo, Senhor, revela ainda mais a nossa dignidade: fomos salvos por ti, somos filhos e filhas de Deus. Nossa vocação é realizar nossa vida como filhos de Deus, herdeiros da vida plena que há em ti, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

Fazer o sinal da cruz com água benta é uma forma de recordar o próprio batismo. Na próxima vez que você for a uma Igreja, sendo uma igreja matriz, sede de paróquia, procure a Capela do Batismo ou a fonte batismal ou algum recipiente com água benta. Vá lá e molhe sua mão, se benza, com o coração cheio de gratidão. Você foi lavado dos seus pecados na morte redentora de Cristo. Recorde e agradeça. No batismo, você nasceu como filho de Deus, como filha de Deus.

Comunicando

Estamos começando a Semana de Aniversário do programa Tempo de Paz. Participe do Sorteio, colocando seu nome no formulário que enviamos ou pelo whatsapp 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Os presentes do Menino Jesus



08 de janeiro de 2022

Domingo da Epifania do Senhor

EVANGELHO


Mt 2,1-12

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei4, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.
7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.
9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

MEDITAÇÃO


Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes (Mt 2, 11)

Toda criança, no seu nascimento, ganha presentes. Ganha fralda, mamadeira, sabonetes, brinquedinhos... Tios, avós, padrinhos, conhecidos cada um traz uma coisa. Sinal de satisfação pela chegada do bebê e reforço nos laços de amizade com a família da criança. O menino Jesus também ganhou presentes, no seu nascimento. Estranhos viajantes chegaram a Belém para visitá-lo. Depois de reverenciá-lo, deram-lhe presentes. Na verdade, presentes de pouca utilidade imediata, mas tudo bem.

Hoje é o dia da festa da visita dos magos ao menino Jesus, o Domingo da Epifania, celebrada popularmente como festa de reis. A cena está narrada no evangelho de São Mateus. Os magos do Oriente viram surgir uma estrela e chegaram a Jerusalém procurando “o recém-nascido rei dos judeus”. Depois de idas e vindas, consultas aos sábios e uma conversa com o rei Herodes, seguiram para Belém. A estrela voltou a aparecer e os conduziu ao local onde estava o bebê. Depois da visita, seguindo orientação de um sonho, voltaram por outro caminho, não dando ao rei a informação do endereço da criança. 

O evangelho não nos diz o significado dos presentes que o menino ganhou: ouro, incenso e mirra. A tradição, porém, nos tem oferecido muitas indicações. O ouro, mineral nobre e valioso, pode significar o reconhecimento de Jesus como Rei, como filho de Davi. O incenso, uma resina cheirosa usada no culto, pode representar o reconhecimento de Jesus como Deus. A mirra, uma substância perfumada usada para embalsamar os corpos dos falecidos, pode significar o reconhecimento de Jesus como Homem, sujeito à morte. 

O certo é que mesmo ainda hoje, existe o costume de, ao se fazer uma visita a uma pessoa importante, levar um presente. Na Bíblia, há também muitos exemplos disso, especialmente quando se trata de um visitante do Oriente. Lembre o caso da Rainha de Sabá que foi a Jerusalém fazer uma visita ao rei Salomão. Está no segundo livro das Crônicas que “ela deu ao rei quatro mil e duzentos quilos de ouro e grande quantidade de especiarias e de pedras preciosas”. Esses presentes são o reconhecimento da rainha do Oriente à grandeza e à sabedoria do rei Salomão.

A partir desse exemplo da rainha de Sabá e de muitos outros na Bíblia e na história dos povos antigos, é possível entender que os presentes dados a uma personalidade são sinal de aliança e submissão. Os magos do Oriente, ao abrirem seus cofres e oferecerem presentes ao menino estavam demonstrando amizade ao futuro rei e reconhecendo sua supremacia sobre eles. Ofereceram aquilo que de mais precioso os representava. Suas regiões eram produtoras de riquezas e especiarias. Incenso e mirra eram produtos valiosos transportados por comerciantes dessas regiões. 

Por outro lado, vemos, à distância, que os presentes antecipam a boa acolhida que os pagãos dariam à pregação do evangelho. Com os magos, compreendemos que Jesus é o salvador de toda a humanidade. 


Guardando a mensagem

Os presentes oferecidos no nascimento de uma criança reforçam os laços de amizade com sua família. Os presentes dos magos mostraram a adesão das nações pagãs ao Salvador, que veio para todos. Os magos ajoelharam-se diante do menino e o adoraram. E ofereceram-lhe algo de precioso que representaram consideração, submissão e aliança com o novo rei. O ouro pode representar suas posses, suas rendas, sua riqueza. O incenso pode representar sua religiosidade, suas crenças. A mirra pode representar o cuidado com a vida, o corpo e sua preocupação com a imortalidade. Se os presentes dos magos podem representar submissão e aliança com o novo rei recém-nascido, podemos nos perguntar que presentes representam hoje nossa adesão a Jesus, nosso Deus e Salvador. 

Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes (Mt 2, 11)

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 
os presentes dos magos, por um lado, revelaram o reconhecimento deles em relação à tua realeza, à tua divindade e à tua humanidade. Por outro lado, os presentes foram sinal de sua adesão à tua pessoa, de submissão ao teu senhorio e de aliança contigo. Que presentes poderíamos trazer a ti, como compromissos neste início de ano, Senhor? O ouro pode representar nossos ganhos, nossa sobrevivência, nossas posses. O dízimo pode ser o nosso ouro. O incenso pode representar nossa vivência religiosa, nossa adoração. A missa dominical pode ser o nosso incenso. A mirra pode representar nosso compromisso com a vida ameaçada, com as crianças pobres, com os desempregados. Nosso empenho na campanha da fraternidade deste ano pode ser a nossa mirra. Recebe, então, Senhor, os nossos presentes. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Primeiro, leia em sua Bíblia, o evangelho de hoje: Mt 2,1-12. Segundo, leia o texto desta meditação (se ainda não o fez). 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

O que aconteceu naquela festa de casamento



07 de janeiro de 2023

Sábado no Tempo do Natal antes da Epifania

EVANGELHO


Jo 2,1-11

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”.
5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”.
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.
9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!”
11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

MEDITAÇÃO


Mas tu guardaste o vinho melhor até agora! (Jo 2, 10)

Celebrando a Missa, outro dia, confesso que me emocionei ao pronunciar as palavras da consagração do vinho: “Este é o cálice do meu sangue, sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados”. Eu tinha feito a homilia, explicando que nas bodas de Caná se mostra o que Jesus veio fazer: a restauração da aliança. E na consagração, me ocorreu que Jesus continua, em nossa história, fazendo a nova aliança no seu sangue.

A aliança é uma imagem para representar o relacionamento entre Deus e o seu povo. O povo de Deus conhecia as alianças que se faziam entre povos e nações. Mas, entre Deus e Israel, a aliança era de mútua pertença, como num casamento. “Eu sou o seu Deus. Vocês são o meu povo”. Vários profetas falaram do relacionamento amoroso entre Israel e seu Deus, como de um casamento. Isaías, por exemplo, escreveu: “como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus” (Is 62, 5). Neste modo de falar, Deus é o noivo, o esposo. A comunidade de Israel é a noiva, a esposa.

A grande tarefa dos profetas sempre foi combater a infidelidade do povo ao seu Deus. Deus foi sempre fiel. A comunidade de Israel, nem sempre. Aguardava-se o Messias para exatamente refazer a aliança, para conduzir o povo à fidelidade ao seu Deus.

São João, quase no início do seu evangelho, conta o que aconteceu na festa de casamento que houve em Caná da Galileia. A festa do casamento estava ameaçada por um problema. Maria, Jesus e os discípulos estavam presentes. Maria deu-se conta do que estava acontecendo e pediu ajuda a Jesus: “Eles não têm mais vinho”. Jesus lhe disse que sua hora ainda não tinha chegado. Mas, ela orientou os serventes a fazerem o que ele mandasse. E ele mandou encher de água as seis talhas de pedra. Quando retiraram a água para levar para o responsável, era vinho da melhor qualidade.

E qual era o problema daquele casamento em Caná? Maria disse: “Eles não têm mais vinho”. Vinho é sinal de amor e alegria. Que problema tinha a aliança de Israel com Deus? Israel estava vivendo em grande infidelidade à aliança com o Senhor. Estava faltando amor e alegria. Estava faltando vinho.

E por que Jesus disse que não tinha chegado sua hora? A hora de Jesus é a sua paixão, a sua cruz, a sua morte redentora. Na noite de sua paixão, ainda na ceia, Jesus rezou: “Chegou a hora. Glorifica, Pai, o teu filho, para que o teu filho te glorifique”. A hora de Jesus era a sua morte, quando realizaria plenamente a sua missão.


Guardando a mensagem

Nas bodas de Caná, já aparece a obra redentora de Jesus. Sua obra é nos reconciliar com Deus. É restaurar a aliança, aliança rompida pela infidelidade, pelo pecado. Pela intercessão de sua mãe, ele antecipa a sua hora. A hora de Jesus é a morte na cruz. É por sua morte redentora e por sua ressurreição que ele nos reconcilia com Deus, que ele restaura a aliança, o casamento ameaçado de fracasso por nosso pecado, por nossa infidelidade. Celebrando a Santa Missa, renovamos o sacrifício de Jesus em sua cruz, a sua entrega em favor dos pecadores. É o sacrifício da nova aliança. Jesus, no seu sangue, isto é, na sua morte redentora, nos reconcilia com Deus, restaura a aliança, fazendo-a nova e eterna.

Mas tu guardaste o vinho melhor até agora! (Jo 2, 10)


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na festa de casamento em Caná, podemos imaginar quem estava se casando. O responsável pela festa chamou o noivo e elogiou o excelente vinho que ele reservou para o final. O noivo, nos ocorre, és tu mesmo, Senhor. Foste tu que, com a salvação alcançada em tua morte redentora, nos deste o vinho do amor fiel e verdadeiro e da plena alegria. E a noiva não aparece na história. Mas, claro, é a comunidade-Igreja, somos nós, a comunidade da nova aliança. Nós te agradecemos, Senhor, porque agora o contrato da aliança não está mais escrito em tábuas de pedra, como na primeira aliança. Por isso, as seis talhas eram de pedra. Agora, o contrato da aliança, a lei, está escrito em nossos corações, pelo derramamento do teu Espírito, representado na água. A Missa é o sacramento da nova aliança. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será muito proveitoso que você leia, em sua Bíblia, o evangelho de hoje: João 2,1-11.

No texto da Meditação de hoje, tem fotos que ilustram esta bela cena das bodas de Caná. Que tal conferir? É só clicar no link que estou lhe enviando.

Comunicando

Segunda-feira, começa a Semana de Aniversário do nosso Programa Tempo de Paz, apresentado em rede em mais de uma centena de emissoras de rádio. Teremos sorteios durante toda a semana. Para você, ouvinte, participar do sorteio, ponha o seu nome no formulário que está acompanhando a Meditação. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Sorteio diário na Semana de Aniversário do Programa Tempo de Paz - 09 a 14 de janeiro de 2023










Aprendendo com Jesus e com João: somos servidores dos irnãos




06 de janeiro de 2023

Tempo do Natal antes da Epifania


EVANGELHO

Mc 1,7-11

Naquele tempo, 7João pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. 9Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.



MEDITAÇÃO


Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar as suas sandálias (Mc 1,8)

No calendário popular, hoje, 06 de janeiro, é Dia de Reis, a comemoração da visita dos Magos a Belém. No calendário litúrgico da Igreja no Brasil, esta festa, chamada de Epifania, ficou para domingo que vem. Epifania é a manifestação de Jesus como salvador de toda a humanidade. É o que contemplamos na visita dos Magos do Oriente ao Menino Jesus. 

O evangelho de São Marcos, lido hoje, apresenta Jesus que vai se batizar com o profeta João, no Rio Jordão. Quando Jesus saiu das águas, o céu se abriu e desceu sobre ele o Espírito Santo. E ouviu-se uma voz do céu confirmando que ele era o Filho Amado.

João Batista tinha dito que, depois dele, viria alguém mais forte do que ele. Só de prever o encontro com Jesus, João declarou não ser digno nem de se abaixar para desamarrar as suas sandálias. Lavar os pés do seu senhor era o serviço do servo, do criado. João estava dizendo que não se sentia digno desse serviço, tão elevado era o Messias que ele estava anunciando.

João mostrou-se muito humilde. Mas, Jesus foi mais longe ainda. Você se lembra da cena do lava-pés? Jesus levantou-se, tirou o manto, cingiu-se com uma toalha, abaixou-se e foi lavar os pés dos seus discípulos. Uma cena muito forte. Jesus, o Senhor, faz o papel de servo, de criado, lavando os pés dos seus subordinados. Mesmo Pedro estranhou aquilo e não queria que Jesus lavasse os seus pés.

O gesto de Jesus de lavar os pés dos seus discípulos sublinha o modo como ele exerceu a sua missão: abaixando-se ao assumir nossa condição humana, servindo, lavando-nos os pés, purificando-nos do pecado, tomando o nosso lugar na cruz.

Jesus abaixou-se para nos encontrar em nossa pequenez, em nossa humanidade. Ele fez-se servo. Ele nos lavou com o derramamento do seu Santo Espírito. Respondamos a esse amor com um amor sincero, mesmo sabendo que não somos dignos nem de sermos seus servos, de nos abaixarmos para desamarrar as sandálias dos seus pés.


Guardando a mensagem

Meditamos, hoje, sobre o amor de Jesus que se manifestou em vir a nós, com tanta humildade, colocando-se na fila dos pecadores, para receber o batismo de João. Assim, já vamos nos preparando para celebrar a Epifania do Senhor, a sua manifestação como salvador de toda a humanidade. É a mensagem da história da visita dos Magos que vamos celebrar domingo que vem. 
Ele fez-se servo obediente, como disse o profeta Isaías. São Paulo também falou dessa condição de Jesus, na carta aos Filipenses: ele foi servo obediente até à morte de cruz.
 O nosso amor a Cristo nos leva à sua imitação. Assim, amemos de verdade os nossos irmãos, como o Senhor nos ama. Nós somos também servidores dos nossos irmãos. 

Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar as suas sandálias (Mc 1,8)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
mostraste grande humildade indo se batizar com João Batista. João, sabendo de tua grandeza, achou que não era digno nem de se abaixar para desamarrar as tuas sandálias. E nós ficamos lembrando que toda a tua missão foi essa de servo, de servidor, lavando os nossos pés, com grande amor e humildade. Tu nos purificaste com o sacrifício de tua cruz. Nós nos damos conta que esse é o caminho que precisamos trilhar, à tua imitação. Dá-nos, Senhor, a graça de sermos também servidores dos irmãos, testemunhando nossa comunhão contigo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Em preparação da celebração deste domingo, a Festa da Epifania do Senhor, adiante a leitura do evangelho: Mateus 2,1-12.

Comunicando

Domingo próximo, Festa da Epifania, celebro a Santa Missa das 17 horas, na Igreja de Pontas de Pedras, município de Goiana, PE. Na segunda-feira, Festa do Batismo do Senhor, faço Show na festa de Santo Amaro, em Jaboatão dos Guararapes. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Você conhece o significado da escada de Jacó?


05 de janeiro de 2023

Tempo do Natal antes da Epifania


EVANGELHO


Jo 1,43-51

Naquele tempo, 43Jesus decidiu partir para a Galileia. Encontrou Filipe e disse: “Segue-me”. 44Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. 45Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. 46Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”.

49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.



MEDITAÇÃO


Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem (Jo 1, 51)

Jesus chamou Felipe para segui-lo. Filipe encontrou-se com Natanael e lhe contou que tinha encontrado o Messias, Jesus de Nazaré. Mesmo cheio de preconceito contra o povo de Nazaré, Natanael acompanhou Felipe que o levou até Jesus. Na verdade, Jesus já o conhecia, para admiração de Natanael. Foi quando Jesus lhe disse que ele iria presenciar coisas muito maiores. “Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1, 51).

Para entender essa palavra de Jesus a Natanael é preciso lembrar o sonho de Jacó, contado no livro do Gênesis cap. 28. Jacó, em viagem, dormindo ao relento, teve um sonho. Viu uma escada apoiada no chão e com a outra ponta tocando o céu. Por essa escada, os anjos de Deus subiam e desciam. Lá, no topo, da escada, lá em cima no céu, estava Deus sentado no seu trono. E ele se apresentou a Jacó. Disse que era o Deus de Abraão, seu antepassado, Deus de Isaac, seu pai. E que lhe daria toda aquela terra por onde ele e sua família peregrinavam.

Qual será o significado desse sonho de Jacó? O que seria essa escada da terra ao céu com os anjos subindo e descendo por ela? Esse sonho foi uma profunda experiência de Deus em que o Senhor revelou ao seu servo uma comunicação direta entre o céu e a terra, entre Deus e o seu povo. Estava aberto um canal de comunicação direta com o Senhor. Os anjos são seus mensageiros, vêm da parte de Deus. E levam a Deus nossas preces, os nossos rogos, nossos louvores. O céu aberto e os anjos indo e vindo pela escada é o tempo novo da comunhão entre o céu e a terra, entre Deus e os seus servos. Esse tempo sonhado por Jacó chegou plenamente com a presença de Jesus entre nós.

É o que Jesus disse a Natanael: Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem. Note essa parte: os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem. O Filho do homem é Jesus. Jesus nos abriu as portas do céu. A escada é ele mesmo. Jesus é a comunicação perfeita com o Pai, é aquele que nos liga ao Pai, é por ele que o Pai nos fala e se comunica conosco. Note que em todas as orações da Igreja, concluímos sempre dizendo: “Por Cristo, nosso Senhor”. ‘Por Cristo’ quer dizer por meio dele. Ele é o mediador entre o céu e a terra, a escada por onde nos comunicamos com o céu e por onde o Pai se comunica conosco.


Guardando a mensagem

Quando Natanael começou a seguir Jesus, o Mestre lhe disse que ele iria ver o céu aberto e os anjos subindo e descendo. Era uma referência ao sonho de Jacó, a comunicação direta entre o céu e a terra. Com Jesus, temos agora um canal de comunicação direta com Deus, o Pai, uma escada por onde podemos ascender ao céu. Lembre o que Jesus falou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. É por ele que chegamos ao Pai. É por ele, que o Pai nos abençoa e nos conduz. Ele é o mediador entre o céu e a terra. Ele é a escada.

Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem (Jo 1, 51)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
hoje podemos nos colocar no lugar do teu discípulo Natanael. Disseste a ele que já o conhecias, antes mesmo dele te ser apresentado. Tu nos conheces antes mesmo do nosso nascimento. E, com a tua vinda, morte e ressurreição, abriste definitivamente um caminho para o Pai. O caminho és tu mesmo. É por ti que vamos ao Pai. É por ti que o Pai nos abençoa e nos perdoa. Então, vamos dizer como Natanael disse: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Pense, durante o dia de hoje, no significado da escada de Jacó. “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do Céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo” (Ef 1, 3).

Comunicando

Hoje, como todas as quintas-feiras, é dia da Santa Missa, às 11 horas, com associados e ouvintes, transmitida pelo rádio e pelas redes sociais. Para colocar suas intenções, use o formulário que estamos lhe enviando, pelo whatsApp.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


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