PE. JOÃO CARLOS - BLOG DA MEDITAÇÃO DA PALAVRA: batismo
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O fogo que nos purifica






14 de agosto de 2022

20º Domingo do Tempo Comum

Comemoração do Dia dos Pais

Abertura da Semana Nacional da Família




EVANGELHO



Lc 12,49-53

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 49Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! 50Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! 51Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. 52Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas 53e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.



MEDITAÇÃO


Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12, 49)

Esse evangelho de hoje deixa todo mundo confuso. Como assim: Jesus veio para lançar fogo sobre a terra? Que fogo é esse? E ainda diz que está esperando receber um batismo. Que batismo será esse? E o que tem uma coisa com a outra, o fogo com o batismo? Calma. Vamos pedir ajuda ao profeta Malaquias.

No capítulo 3, Malaquias descreve a chegada do Messias, depois da vinda do Mensageiro. Olha como está escrito: “Eis que ele chega. Quem poderá aguentar o dia de sua chegada? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Ele é igual ao FOGO de uma fundição. Sentado, o fundidor derrete a prata para beneficiá-la, assim também ele vai apurar os filhos de Levi, refiná-los como se fossem ouro ou prata. Só depois poderão se apresentar ao Senhor como uma oferenda como convém” (Ml 3, 1-3).

Malaquias passa a ideia de que o povo de Deus está precisando ser purificado, pois está como ouro misturado com outros minerais pobres ou sujeiras. Ora, Jesus veio para isso, para nos purificar do pecado. E o que faz o fundidor para purificar o ouro? Põe todo o material para derreter no fogo, dentro de um recipiente resistente. Agora, tem que ter muito fogo para chegar a uma temperatura super alta que derreta tudo e assim separe o ouro das impurezas. Perceba que o profeta Malaquias está falando da missão do Messias esperado. Ele iria fazer como um fundidor, purificaria o seu povo com o fogo.

Agora, escute a palavra de Jesus de novo, no evangelho de hoje: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!”. Ele veio para nos purificar. E está usando a imagem do fundidor, como no profeta Malaquias.

Jesus disse também que iria receber um batismo. E estava ansioso até que tudo se cumprisse. Que batismo é esse? O batismo é para purificar do pecado. Mas, ele não tem pecado. É, mas nós temos. E ele tirou o nosso pecado, por meio desse batismo. Que batismo é esse? Sua paixão, a sua morte. Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, pelo sacrifício de sua vida.

João Batista batizou o povo no Rio Jordão, num batismo de conversão. Muita gente até pensava que ele fosse o Messias. “Não, ele disse, não sou eu. Eu batizo vocês com água, mas o Messias vai batizar vocês com o Espírito Santo e o com o fogo”. A água de João era só água mesmo. Mas, a água de Jesus seria sacramento do Espírito Santo, ação do Espírito purificando e renovando.

Então, o batismo tem a ver com a purificação dos pecados. Jesus nos purificou nas águas de sua morte redentora. Na sua morte e na sua ressurreição, nos comunicou a vida, derramando sobre nós o seu Espírito. O Espírito Santo é quem aplica em nós a graça redentora de sua morte e ressurreição. Ele é a água viva que escorreu do peito do Senhor, ferido pelo soldado, na cruz. Essa água nos purifica e nos comunica a vida nova. No sinal da água do batismo, está a ação do Espírito que nos purifica e renova.

Mas, João Batista disse que o batismo do Messias seria com a água e com o fogo. Já vimos como, no Profeta Malaquias, estava predito que o Messias purificaria o seu povo, como o ourives fazia com o ouro e a prata, isto é, com o fogo. 
O fogo é a obra redentora de Jesus que o Espírito Santo atualiza para nós, nos purificando. A água e o fogo são duas representações da ação purificadora do Espírito Santo.

Naquela invocação, pedindo ao Pai o dom do Espírito Santo, eu escrevi assim: “Purifica-me, Senhor, nas tuas águas. Purifica-me, Senhor, com o fogo santo”. Se você ainda tiver com alguma dúvida sobre o fogo, basta você lembrar de Pentecostes. O Espírito veio sobre a comunidade em formas de línguas de fogo. O Espírito Santo atualiza a obra redentora de Jesus em nós. A obra de Jesus que o Espírito Santo atualiza em nós é o fogo que nos purifica do pecado.

Guardando a mensagem

Jesus disse que veio para lançar fogo sobre a terra. E que devia receber um batismo, pelo qual estava ansioso. O Profeta Malaquias nos ajuda a entender isso. Fogo e Batismo, nesse texto, estão em paralelo, os dois estão descrevendo a mesma obra de Jesus para nos purificar do pecado, para nos colocar em condições de ser uma oferenda digna. Como foi que ele nos purificou, nos libertou do pecado? Por sua paixão, morte e ressurreição. Esse foi o batismo a que ele se submeteu, embora não tivesse pecado. Esse foi o grande fogo que nos possibilitou emergir como ouro puro, livre das impurezas e minerais de segunda, isto é, purificados do pecado. Essa sua obra redentora é atualizada em nosso favor, pelo Santo Espírito de Deus. Assim, entendemos, Jesus nos batiza no Espírito Santo e no fogo. É essa obra redentora que ele quer espalhar em favor de todos na face da terra. Esse seu serviço purificador revela e vence o mal, o pecado. Por isso, aparentemente, cria divisão, ao separar o ouro da impureza.

Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12, 49)

Rezando a palavra


Senhor Jesus,
nós te agradecemos por tua obra redentora. Fomos lavados nas águas da tua morte, no teu batismo. Fomos purificados no fogo de tua paixão e cruz. Emergimos como ouro puro na tua ressurreição, como povo santo, justificado dos nossos pecados, em comunhão com Deus. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Em sinal de atenção à Palavra do Senhor, pegue hoje sua Bíblia e leia o livro do profeta Malaquias 3, 1-4. Só uma dica: Malaquias é o último livro do Antigo Testamento.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

AVISA AÍ A NICODEMOS: PÁSCOA É TEMPO DE RENOVAÇÃO!




26 de abril de 2022

Terça-feira da Segunda Semana da Páscoa

EVANGELHO


Jo 3,1-8

1Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: “Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele”.
3Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus”. 4Nicodemos disse: “Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?”
5Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. 6Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. 7Não te admires por eu haver dito: Vós deveis nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”.



MEDITAÇÃO


Você deve nascer de novo (Jo 3, 7)

Você se lembra de Nicodemos! Foi aquele fariseu, mestre da lei, membro do Sinédrio de Jerusalém, que foi falar com Jesus, de maneira sigilosa, à noite. Ele tinha uma simpatia por Jesus. Mas, como membro do Sinédrio, o grande conselho da capital, tinha medo da reação dos seus colegas e com certeza medo de perder sua posição. Quando Jesus foi preso, ele protestou contra a decisão já tomada, sem ao menos o acusado ter sido ouvido. Quando Jesus morreu na cruz, ele ajudou José de Arimateia a cuidar do seu enterro. Nicodemos é o tipo da pessoa importante, que por causa das conveniências do poder, tem dificuldade em assumir publicamente sua adesão a Jesus e ao seu Evangelho.

As lideranças também precisam ser evangelizadas, claro. É o que Jesus fez com Nicodemos. Jesus lhe disse que ele precisava nascer de novo. Ele era um mestre da lei, com assento no grande conselho de Jerusalém. Isso não lhe fazia cidadão do Reino. Só renunciando a si mesmo, se pode seguir Jesus. Só se fazendo pequeno é que se entra no Reino de Deus. Ele precisava nascer de novo. Passar por uma conversão. Renovar-se pelo batismo. Nascer de Deus.

Jesus disse a Nicodemos que ele tinha que nascer de novo. Essa expressão pode ser traduzida também por nascer do alto. Nicodemos quis tomar a palavra de Jesus ao pé da letra, dizendo que não cabia mais no ventre de sua mãe. Não se trata disso. Alguém pode pensar em reencarnação, também não se trata disso. Trata-se de ser renovado pela graça da redenção alcançada na cruz e celebrada no batismo. O batismo é o novo nascimento. Nele, nascemos de Deus, sendo lavados dos nossos pecados pela ação santificadora do Espírito Santo. Jesus explicou a Nicodemos: “Quem nasce da carne é carne. Quem nasce do Espírito é espírito”. Nascer na carne é a nossa vida biológica, nossa condição natural. Nascer do Espírito é ser renovado pela graça de Deus. O novo nascimento é o batismo. Foi o que Jesus explicou a Nicodemos: “Quem não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus”.

Como Nicodemos era profundo conhecedor das Escrituras, Jesus lembrou-lhe o episódio da serpente de bronze, no deserto. Ele, como mestre da Lei, poderia perceber facilmente que Jesus foi enviado pelo Pai para salvar o seu povo. No tempo passado, o povo estava atravessando o deserto, depois da saída da escravidão do Egito. O povo começou a se cansar e se revoltar contra Deus, reclamando do calor do deserto, da comida repetida que era o maná, do cansaço da caminhada. Deu uma peste de serpentes venenosas. Começou a morrer muita gente por causa de sua má vontade, do clima de murmuração e de revolta contra Deus. A haste com uma serpente de bronze foi um sinal. Deus mandou Moisés fazer essa representação. Quem fosse picado pelas serpentes, olhando para aquele sinal seria salvo da morte.

Esse símbolo, no Antigo Testamento, preparou o sinal de Jesus na cruz. A verdadeira salvação, a verdadeira cura, a libertação do pecado é Jesus em sua cruz. Fomos salvos por sua vida oferecida naquela haste da cruz. Como o povo antigo no deserto olhando para a haste com a serpente de bronze se curava, assim também nós pecadores temos um sinal de salvação, a cruz de Cristo, isto é a morte redentora de Jesus. Crendo em Jesus que morreu e ressuscitou por nós, encontramos a vida eterna.


Guardando a mensagem

Nicodemos é o representante das pessoas importantes, chamadas também à conversão. Ele, que tinha tanto conhecimento das Escrituras, poderia facilmente entender o que Jesus estava explicando. Deus o mandou para salvar o mundo. O povo está, como aquela gente do tempo do deserto, morrendo por causa dos seus pecados. E como no deserto, agora Deus também está nos dando um sinal de salvação. Crendo em Jesus crucificado e ressuscitado, o pecador encontra a salvação.

Você deve nascer de novo (Jo 3, 7)

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
vemos em Nicodemos, que para acolher o Reino de Deus, é preciso se desapegar de sua grandeza, de seu poder, de seus grandes conhecimentos. O filho de Deus nasce do alto, do Espírito Santo. A cruz, que é a grande humilhação que te impusemos, Jesus, longe de ser um sinal do teu fracasso, é o sinal de tua vitória e da salvação para todos os que aceitam o teu caminho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

A cruz nos lembra o sacrifício redentor de Cristo, pelo qual fomos salvos. Você sabe fazer o sinal da cruz? Se não sabe, peça a ajuda de alguém com mais experiência. Faça, hoje, mais de uma vez, o sinal da cruz.

Pelo sinal + da santa cruz + livrai-nos Deus + nosso Senhor + dos nossos + inimigos + Em nome do Pai + e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.

Comunicando

Como todas as noites de terça-feira, hoje é dia do Programa Encontros no meu Canal do Youtube. Pe. Sérgio Lúcio, de Porto Velho, RO, é o convidado de hoje. Espero você, no Youtube, às 20 horas.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

AS ÁGUAS QUE DESCEM DA CRUZ




29 de março de 2022

28º dia da caminhada quaresmal

EVANGELHO


Jo 5,1-16

1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados — cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos.
6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8Jesus disse: “Levanta-te, pega tua cama e anda”. 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar.
Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’”. 12Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda’?” 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar.
14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.

MEDITAÇÃO


Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” (Jo 5, 6)

“Aonde chega o rio, chega a vida”. Essa frase está escrita no livro do Profeta Ezequiel, capítulo 47, versículo 11. O profeta foi levado por um anjo ao Templo e viu que jorrava água do Templo, do seu lado direito. E ele foi acompanhando aquela água que ia se espalhando na direção leste. O anjo foi medindo, e a cada 500 metros, mandava o profeta atravessar a água. Na primeira parada, chegava aos tornozelos. Na outra, chegava aos joelhos. Mais na frente, aquela água toda já chegava à cintura. Finalmente, só a nado se podia atravessar. E o profeta foi voltando pelas margens e vendo a paisagem transformada pelas águas: árvores frutíferas, plantações, animais, peixes em quantidade. Isso faz lembrar rios como o São Francisco, o velho Chico, do qual dependem milhares de agricultores e ribeirinhos. “Aonde chega o rio, chega a vida”.

Só pra saber se você está me acompanhando: onde nasce esse rio que leva tanta vida mundo afora? Não, não estou falando do Rio São Francisco que nasce em Minas, na serra da Canastra. Estou falando do rio do profeta Ezequiel. Onde ele nasce? No Templo. Ele jorra do lado direito do Templo. Você lembra que outro dia, Jesus disse que podiam destruir o Templo que ele reconstruiria em três dias? E por quê? Claro, porque o verdadeiro Templo é ele mesmo, o seu corpo. O Templo de Jerusalém, que não existe mais, foi um sinal do verdadeiro Templo, Jesus. Lembre também daquele episódio na cruz de Jesus. O soldado, vendo-o morto, em vez de lhe quebrar as pernas, perfurou o lado dele com a lança. E você pode me dizer o que aconteceu? Isso... Do seu lado aberto, escorreu sangue e água. Agora, junte as peças: Jesus é o verdadeiro Templo. Do seu lado aberto, jorrou sangue e água. Realizou-se nele o que o profeta tinha visto e anunciado: Do Templo, jorrava uma água que ia se espalhando, virando um rio, levando vida aonde chegasse. Do alto da cruz, do coração do Templo que é Jesus, jorra essa água que nos comunica a vida.

Com essa bagagem, vamos ao evangelho de hoje. Jesus foi a uma festa religiosa em Jerusalém. Lá havia uma piscina, a piscina de Betesda. Muita gente doente ficava ali na esperança de se curar, naquelas águas. Jesus encontrou ali um homem doente há trinta e oito anos. Ele estava prostrado, sem ninguém para ajudá-lo a se curar na água da piscina. Jesus perguntou se ele queria ficar bom. Imagine a resposta. Então Jesus disse: “Levante-se, pegue o seu leito e ande”. E ele ficou bonzinho da Silva. Pegou o seu leito e foi embora.

O homem doente, prostrado, à beira da piscina de Betesda é a imagem do pecador, da pecadora. Há muito tempo espera ser libertado. Quanto tempo já fazia que estava doente? 38 anos, quase quarenta. O povo de Deus, depois de uma peregrinação de quarenta anos, entrou na terra prometida. O homem pecador, esse homem que peregrina em sofrimento há 38 anos é como a terra seca do sertão esperando a água do Rio São Francisco. Agora, chegou a sua libertação. A essa terra seca, chegaram as águas abençoadas de Cristo, renovando a sua vida, fazendo dele uma nova criatura. Essa é a água que desce do alto da cruz, do coração rasgado pela lança. É o amor de Deus que se derrama. É o batismo lavando do pecado e comunicando a vida de Deus. Aonde chega esse rio, chega a vida.


Guardando a mensagem

A história do homem doente, à beira da piscina de Betesda, é uma catequese sobre o batismo. Estamos preparando a páscoa e a páscoa é a celebração da nossa salvação em Cristo. Por isso, na noite da páscoa, renovamos as promessas do batismo e batizamos novos cristãos. As águas que nos lavam do pecado e nos comunicam a vida de Deus vêm do Templo, do coração de Cristo rasgado pela lança, como num grande rio que vem descendo. A verdadeira piscina, que nos cura do pecado, é a do batismo. Somos restaurados nas águas que descem da cruz.

Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” (Jo 5, 6)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Que belo ensinamento sobre o batismo. Renascemos, como terra seca que recebe a água abundante da chuva ou da irrigação. É a tua graça, a tua Palavra, a tua vida comunicada na Eucaristia: são essas as águas que irrigam a nossa vida. Nós te bendizemos, Senhor. Estávamos prostrados à beira da piscina de Betesda, doentes há 38 anos e fomos restaurados nas tuas águas, no santo batismo. Em ti, renascemos, fizemos páscoa. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em nossa caminhada quaresmal, hora de dar o 28º passo: perceber a grandeza e a beleza do nosso batismo. Nas águas da morte e ressurreição de Cristo, renascemos para uma vida nova.

Comunicando

Terça feira é dia do nosso programa no meu canal do Youtube. Espero você, às 20 horas, para um momento de música, reflexão e espiritualidade.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A ALEGRIA DO AMIGO DO NOIVO



08 de janeiro de 2022

EVANGELHO


Jo 3,22-30

Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.
24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.
27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.

MEDITAÇÃO


Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)

Outro dia, eu presenciei o reencontro de uma professora minha amiga com sua antiga aluna. A professora, agora recém-aposentada e a aluna psicóloga, agora, em plena atuação profissional. Professora e ex-aluna ficaram felizes e eufóricas ao se reconhecerem e se reencontrarem. A Professora, muito feliz por encontrar sua antiga aluna tão bem colocada profissionalmente.

Eu fiquei olhando a reação da professora. Talvez alguém em seu lugar tivesse se lamentado, imaginando que sua aluna podia estar numa posição melhor do que a sua. Mas, ela nem de longe demonstrou esse sentimento mesquinho de quem se sente deixado pra trás. Ela gostava de ensinar e tinha sido uma boa educadora. Foi sua missão. E a missão deu certo, pois uma aluna como aquela tinha encontrado seu lugar na sociedade. Nada de inveja, nada de complexo de inferioridade. A professora ficou feliz, muito feliz. Feliz por sua missão ter se realizado tão bem como demonstrava o êxito de sua aluna.

Essa cena ilustra o evangelho de hoje. Os discípulos de João Batista vieram lhe contar que um dos que estivera com ele agora estava também batizando em outro local. Eles estavam irritados com isso: ‘João Batista deu todo cartaz a ele, deu testemunho sobre ele, até o tinha batizado. Agora, ele está reunindo muita gente e batizando’. Você nem precisa ler o evangelho de hoje para saber quem era esse pregador que estava despontando. Jesus, claro.

João Batista pode ser comparado com a professora recém-aposentada. Ele recebeu com alegria a notícia de que Jesus, que ele batizara e apontara como Cordeiro de Deus, agora, estava reunindo muita gente e batizando. João Batista não ficou enciumado. Ficou feliz. Ele comentou que já lhes tinha dito que não era o Cristo, mas tinha sido enviado adiante dele. E se comparou com o amigo do noivo que fica responsável pela festa do casamento. Ele toma todas as providências para que tudo saia bem e que o noivo, seu amigo, fique satisfeito. Quando o noivo chega, ele sabe que sua missão está terminada. E fica particularmente feliz porque sua missão chegou ao ponto mais alto. Se a missão que recebera era preparar a chegada do Messias, missão cumprida. Ele chegou. Alegria completa.

João Batista não se sentiu ameaçado ou traído por causa da atuação profética de Jesus, que estava aparentemente fazendo como ele, pregando e batizando. Sentiu-se feliz, reconhecendo que a tarefa que tinha recebido de Deus era preparar os caminhos para ele. E reconheceu, diante do povo e dos discípulos, ser apenas um servidor, indigno mesmo de desatar as correias de suas sandálias. Jesus, conhecido e reverenciado por tanta gente, também não se esqueceu de seu predecessor, nem desconsiderou a influência que teve o Batista na sua formação.

Guardando a mensagem

Os discípulos de João ficaram incomodados com o fato de Jesus estar reunindo o povo, pregando e batizando. Acharam que João ficaria aborrecido com essa atuação de Jesus, uma vez que o tinha batizado e recomendado ao povo. O Batista não se deixou guiar por esse sentimento mesquinho de ciúme ou de exclusividade. Soube reconhecer a grandeza de sua missão, que era preparar o povo para receber o Messias. Uma vez que o noivo chegou, o amigo do noivo que ficou responsável pela festa do casamento sabe, com humildade e alegria, que a sua missão está cumprida.

Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Foi bonito ver a professora ficar radiante com o reencontro com sua antiga aluna, agora uma psicóloga. Ela ficou feliz com o êxito de sua missão estampada na realização profissional de sua aluna. Foi o que aconteceu com o profeta João Batista ao ter conhecimento do sucesso que estavas alcançando com tuas pregações e curas. Ele soube, naquele momento, que sua missão estava plenamente realizada. Como ele disse: “minha alegria está completa”. Senhor, livra-nos desses sentimentos mesquinhos de inveja, ciúme, despeito pelos quais nos sentimos ameaçados pelo crescimento dos outros e entristecidos pelo seu sucesso. Dá-nos a alegria de ver nossa missão cumprida no êxito de nossos filhos, alunos, dependentes. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Amanhã, celebraremos a festa do Batismo do Senhor. Festeje também o seu batismo. Amanhã, não falte à celebração de sua comunidade. Não sendo possível, por razões realmente sérias, acompanhe pelas redes sociais a celebração de sua comunidade. Mantenha-se unido(a) ao seu rebanho e ao seu pastor.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





O BATISMO: NOSSO NOVO NASCIMENTO




12 de abril de 2021

EVANGELHO


Jo 3,1-8

1Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: “Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele”.
3Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus”. 4Nicodemos disse: “Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?”
5Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. 6Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. 7Não te admires por eu haver dito: Vós deveis nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”.



MEDITAÇÃO


Você deve nascer de novo (Jo 3, 7)

Você se lembra de Nicodemos! Foi aquele fariseu, mestre da lei, membro do Sinédrio de Jerusalém, que foi falar com Jesus, de maneira sigilosa, à noite. Ele tinha uma simpatia por Jesus. Mas, como membro do Sinédrio, o grande conselho da capital, tinha medo da reação dos seus colegas e com certeza medo de perder sua posição. Quando Jesus foi preso, ele protestou contra a decisão já tomada, sem ao menos o acusado ter sido ouvido. Quando Jesus morreu na cruz, ele ajudou José de Arimateia a cuidar do seu enterro. Nicodemos é o tipo da pessoa importante, que por causa das conveniências do poder, tem dificuldade em assumir publicamente sua adesão a Jesus e ao seu Evangelho.

As lideranças também precisam ser evangelizadas, claro. É o que Jesus fez com Nicodemos. Jesus lhe disse que ele precisava nascer de novo. Ele era um mestre da lei, com assento no grande conselho de Jerusalém. Isso não lhe fazia cidadão do Reino. Só renunciando a si mesmo, se pode seguir Jesus. Só se fazendo pequeno é que se entra no Reino de Deus. Ele precisava nascer de novo. Passar por uma conversão. Renovar-se pelo batismo. Nascer de Deus.

Jesus disse a Nicodemos que ele tinha que nascer de novo. Essa expressão pode ser traduzida também por nascer do alto. Nicodemos quis tomar a palavra de Jesus ao pé da letra, dizendo que não cabia mais no ventre de sua mãe. Não se trata disso. Alguém pode pensar em reencarnação, também não se trata disso. Trata-se de ser renovado pela graça da redenção alcançada na cruz e celebrada no batismo. O batismo é o novo nascimento. Nele, nascemos de Deus, sendo lavados dos nossos pecados pela ação santificadora do Espírito Santo. Jesus explicou a Nicodemos: “Quem nasce da carne é carne. Quem nasce do Espírito é espírito”. Nascer na carne é a nossa vida biológica, nossa condição natural. Nascer do Espírito é ser renovado pela graça de Deus. O novo nascimento é o batismo. Foi o que Jesus explicou a Nicodemos: “Quem não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus”.

Como Nicodemos era profundo conhecedor das Escrituras, Jesus lembrou-lhe o episódio da serpente de bronze, no deserto. Ele, como mestre da Lei, poderia perceber facilmente que Jesus foi enviado pelo Pai para salvar o seu povo. No tempo passado, o povo estava atravessando o deserto, depois da saída da escravidão do Egito. O povo começou a se cansar e se revoltar contra Deus, reclamando do calor do deserto, da comida repetida que era o maná, do cansaço da caminhada. Deu uma peste de serpentes venenosas. Começou a morrer muita gente por causa de sua má vontade, do clima de murmuração e de revolta contra Deus. A haste com uma serpente de bronze foi um sinal. Deus mandou Moisés fazer essa representação. Quem fosse picado pelas serpentes, olhando para aquele sinal seria salvo da morte.

Esse símbolo, no Antigo Testamento, preparou o sinal de Jesus na cruz. A verdadeira salvação, a verdadeira cura, a libertação do pecado é Jesus em sua cruz. Fomos salvos por sua vida oferecida naquela haste da cruz. Como o povo antigo no deserto olhando para a haste com a serpente de bronze se curava, assim também nós pecadores temos um sinal de salvação, a cruz de Cristo, isto é a morte redentora de Jesus. Crendo em Jesus que morreu e ressuscitou por nós, encontramos a vida eterna.

Guardando a mensagem

Nicodemos é o representante das pessoas importantes, chamadas também à conversão. Ele, que tinha tanto conhecimento das Escrituras, poderia facilmente entender o que Jesus estava explicando. Deus o mandou para salvar o mundo. O povo está, como aquela gente do tempo do deserto, morrendo por causa dos seus pecados. E como no deserto, agora Deus também está nos dando um sinal de salvação. Crendo em Jesus crucificado e ressuscitado, o pecador encontra a salvação.

Você deve nascer de novo (Jo 3, 7)

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
Vemos em Nicodemos, que para acolher o Reino de Deus, é preciso se desapegar de sua grandeza, de seu poder, de seus grandes conhecimentos. O filho de Deus nasce do alto, do Espírito Santo. A cruz, que é a grande humilhação que te impusemos, Jesus, longe de ser um sinal do teu fracasso, é o sinal de tua vitória e da salvação para todos os que aceitam o teu caminho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A cruz nos lembra o sacrifício redentor de Cristo, pelo qual fomos salvos. Você sabe fazer o sinal da cruz? Se não sabe, peça a ajuda de alguém com mais experiência. Faça, hoje, mais de uma vez , o sinal da cruz.

Pelo sinal + da santa cruz + livrai-nos Deus + nosso Senhor + dos nossos + inimigos + Em nome do Pai + e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.

Agradecendo ainda a participação   no SHOW DA PÁSCOA, sábado passado. Para quem não pode participar, pode vê-lo ainda no meu canal do Youtube (Padre João Carlos): Clique aqui para ver o Show da Páscoa. O próximo show nas redes sociais já está com data marcada: 05 de junho. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

AGRADECER O BATISMO



16 de março de 2021

EVANGELHO


Jo 5,1-16

1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados — cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos.
6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8Jesus disse: “Levanta-te, pega tua cama e anda”. 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar.
Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’”. 12Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda’?” 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar.
14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.

MEDITAÇÃO


Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” (Jo 5, 6)

“Aonde chega o rio, chega a vida”. Essa frase está escrita no livro do Profeta Ezequiel, capítulo 47, versículo 11. O profeta foi levado por um anjo ao Templo e viu que jorrava água do Templo, do seu lado direito. E ele foi acompanhando aquela água que ia se espalhando na direção leste. O anjo foi medindo, e a cada 500 metros, mandava o profeta atravessar a água. Na primeira parada, chegava aos tornozelos. Na outra, chegava aos joelhos. Mais na frente, aquela água toda já chegava à cintura. Finalmente, só a nado se podia atravessar. E o profeta foi voltando pelas margens e vendo a paisagem transformada pelas águas: árvores frutíferas, plantações, animais, peixes em quantidade. Isso faz lembrar rios como o São Francisco, o velho Chico, do qual dependem milhares de agricultores e ribeirinhos. “Aonde chega o rio, chega a vida”.

Só pra saber se você está me acompanhando: onde nasce esse rio que leva tanta vida mundo afora? Não, não estou falando do Rio São Francisco que nasce em Minas, na serra da Canastra. Estou falando do rio do profeta Ezequiel. Onde ele nasce? No Templo. Ele jorra do lado direito do Templo. Você lembra que outro dia, Jesus disse que podiam destruir o Templo que ele reconstruiria em três dias? E por quê? Claro, porque o verdadeiro Templo é ele mesmo, o seu corpo. O Templo de Jerusalém, que não existe mais, foi um sinal do verdadeiro Templo, Jesus. Lembre também daquele episódio na cruz de Jesus. O soldado, vendo-o morto, em vez de lhe quebrar as pernas, perfurou o lado dele com a lança. E você pode me dizer o que aconteceu? Isso... Do seu lado aberto, escorreu sangue e água. Agora, junte as peças: Jesus é o verdadeiro Templo. Do seu lado aberto, jorrou sangue e água. Realizou-se nele o que o profeta tinha visto e anunciado: Do Templo, jorrava uma água que ia se espalhando, virando um rio, levando vida aonde chegasse. Do alto da cruz, do coração do Templo que é Jesus, jorra essa água que nos comunica a vida.

Com essa bagagem, vamos ao evangelho de hoje. Jesus foi a uma festa religiosa em Jerusalém. Lá havia uma piscina, a piscina de Betesda. Muita gente doente ficava ali na esperança de se curar, naquelas águas. Jesus encontrou ali um homem doente há trinta e oito anos. Ele estava prostrado, sem ninguém para ajudá-lo a se curar na água da piscina. Jesus perguntou se ele queria ficar bom. Imagine a resposta. Então Jesus disse: “Levante-se, pegue o seu leito e ande”. E ele ficou bonzinho da Silva. Pegou o seu leito e foi embora.

O homem doente, prostrado, à beira da piscina de Betesda é a imagem do pecador, da pecadora. Há muito tempo espera ser libertado. Quanto tempo já fazia que estava doente? 38 anos, quase quarenta. O povo de Deus, depois de uma peregrinação de quarenta anos, entrou na terra prometida. O homem pecador, esse homem que peregrina em sofrimento há 38 anos é como a terra seca do sertão esperando a água do Rio São Francisco. Agora, chegou a sua libertação. A essa terra seca, chegaram as águas abençoadas de Cristo, renovando a sua vida, fazendo dele uma nova criatura. Essa é a água que desce do alto da cruz, do coração rasgado pela lança. É o amor de Deus que se derrama. É o batismo lavando do pecado e comunicando a vida de Deus. Aonde chega esse rio, chega a vida.

Guardando a mensagem

A história do homem doente, à beira da piscina de Betesda, é uma catequese sobre o batismo. Estamos preparando a páscoa e a páscoa é a celebração da nossa salvação em Cristo. Por isso, na noite da páscoa, renovamos as promessas do batismo e batizamos novos cristãos. As águas que nos lavam do pecado e nos comunicam a vida de Deus vêm do Templo, do coração de Cristo rasgado pela lança, como num grande rio que vem descendo. A verdadeira piscina, que nos cura do pecado, é a do batismo. Somos restaurados nas águas que descem da cruz.

Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” (Jo 5, 6)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Que belo ensinamento sobre o batismo. Renascemos, como terra seca que recebe a água abundante da chuva ou da irrigação. É a tua graça, a tua Palavra, a tua vida comunicada na Eucaristia: são essas as águas que irrigam a nossa vida. Nós te bendizemos, Senhor. Estávamos prostrados à beira da piscina de Betesda, doentes há 38 anos e fomos restaurados nas tuas águas, no santo batismo. Em ti, renascemos, fizemos páscoa. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Neste segundo dia da novena de N. Sra. Auxiliadora pela proteção de nossas famílias contra o coronavírus estamos rezando pelos que foram infectados e se curaram. Rezamos agradecendo a Deus o livramento. Nosso segundo encontro é hoje, às 14:30, pelas redes sociais. No último dia, faremos a consagração das famílias. O texto da novena está no final da Meditação que estou lhe enviando (para quem a recebe pelo celular). 

Em nossa escadaria quaresmal, hora de subir o 28º degrau: Agradecer o batismo. Nas águas da morte e ressurreição de Cristo, renascemos para uma nova vida. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

CRER NO EVANGELHO



21 de fevereiro de 2021

1º. Domingo da Quaresma

EVANGELHO


Mc 1,12-15

Naquele tempo, 12o Espírito levou Jesus para o deserto. 13E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. 14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

MEDITAÇÃO


Convertam-se e creiam no Evangelho! (Mc 1, 15)

Chegamos ao primeiro domingo da Quaresma. A Quaresma se inspira nos quarenta anos de peregrinação do povo hebreu pelo deserto em direção à terra prometida. Esta longa peregrinação foi como um grande retiro que ajudou o povo a encontrar a sua identidade de povo de Deus. Jesus também ficou quarenta dias no deserto, como que refazendo a peregrinação do seu povo. Passados esses dias, ele começou a anunciar que o Reino de Deus já estava chegando, como os que antigamente tinham anunciado ao povo a alegria de já se estar avistando a terra prometida.

O Reino de Deus é o novo tempo que está chegando. É a nossa terra prometida. No anúncio de Jesus, ele já nos diz como acolher o Reino que está às portas: “Convertam-se e creiam no evangelho!”. A fé e a conversão são a resposta à pregação do evangelho, ao anúncio do Reino de Deus que vem a nós. E o Reino vem a nós em Jesus e por meio dele. 

No final do evangelho de São Marcos, evangelho que estamos lendo neste ano litúrgico, Jesus entrega a missão aos seus discípulos: anunciar o evangelho a toda criatura. O evangelho é a boa notícia de que o Reino de Deus chegou em Cristo e por meio dele, como salvação para todos. Quem receber essa notícia maravilhosa (que é o conteúdo da evangelização), precisa dar uma resposta. E a melhor resposta é a fé. A fé, a adesão a Cristo. “Quem crer e for batizado, será salvo”. O batismo é o mergulho de quem crê no mistério da morte e ressurreição do Senhor, na sua páscoa.

Para meditar esse grande mistério de nossa aliança com Cristo, pelo batismo, nas águas de sua morte e ressurreição, nos é contada hoje a história de Noé. Do grande dilúvio, nasceu uma humanidade purificada, salva na arca, uma humanidade em aliança com Deus (Gn 9). Na primeira carta de Pedro, nos é dito que esta arca representa o nosso batismo (1 Pd 3). Na purificação das águas da morte redentora do Senhor, nasce um povo em aliança com Deus, nós. Está escrito: “À arca, corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação”. O tema do batismo também está presente no evangelho de hoje (Mc 1). Depois do batismo no Rio Jordão, Jesus foi levado pelo Espírito para o deserto. E lá, ele estava entre os animais selvagens, como Noé em sua barca. 

Neste domingo, podemos identificar mais um passo na subida dos 40 degraus, que podem representar a Quaresma: “Crer no evangelho” - Crer na boa notícia de que o Reino de Deus chegou em Cristo como salvação para nós. É como o aviso de que já se estava avistando a terra prometida, a terra da liberdade e da fartura. Crer é acolher com alegria essa boa notícia. E a boa notícia, no final das contas, é o próprio Jesus, sua presença e sua ação nos purificando com sua morte e nos pondo em aliança com Deus; e nos levando, pelo seu Santo Espírito, a traduzir o Reino neste mundo em fraternidade, solidariedade, justiça, paz, reconciliação. 

Guardando a mensagem

São quarenta dias, o tempo da quaresma. Podemos pensar em quarenta degraus, a serem subidos passo por passo. E já vamos no quinto-dia desta subida. No primeiro degrau, estava escrito: partir com humildade (foi a quarta-feira de cinzas). No segundo, seguir com Cristo. No terceiro, jejuar para crescer. Ontem, quarto passo, na história de Levi: vencer a acomodação. O passo de hoje pode ser este: crer no evangelho. O evangelho é a boa notícia de que o Reino de Deus chegou com Jesus. A fé e a conversão constituem a nossa resposta à pregação do evangelho. No batismo, celebramos a fé que acolhe esta boa notícia. Nele, somos purificados nas águas da morte e da ressurreição do Senhor. É a nossa páscoa com ele. A fé neste evangelho ilumina a nossa vida, nos ajudando a enfrentar e vencer os problemas e as tentações. A fé nos faz anunciadores e construtores de um mundo onde já brilhem os sinais do Reino de Deus: a liberdade, a unidade, o amor. 

Convertam-se e creiam no Evangelho! (Mc 1, 15)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Quando começamos a quaresma, ouvimos estas tuas palavras, ao recebermos as cinzas: “Convertam-se e creiam no evangelho”. E estamos entendendo que a boa notícia, o evangelho, é que “o tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo”. Crer neste evangelho é a resposta que esperas de nós, a acolhida de tua pessoa divina e humana entre nós. A tua obra redentora nos põe em aliança com Deus e nos reconcilia com todos os seus filhos e suas criaturas. Pela fé e pela conversão, acolhemos o Reino de Deus que nos chega como salvação. Pelo batismo, somos purificados nas águas de tua morte e renovados em tua ressurreição. Viver nessa verdade é viver em páscoa. Neste primeiro domingo da Quaresma, queremos renovar nosso ‘sim’ ao teu chamado, nossa adesão ao teu evangelho, nosso amor à tua Igreja. Nela, nós recebemos o santo batismo, pelo qual estamos em comunhão contigo e, por meio de ti e do Santo Espírito, unidos uns aos outros formando um só corpo. Dá-nos, Senhor, a graça de viver nesta fé e de anunciá-la com palavras e ações que, neste mundo, expressem fraternidade, construam a justiça e edifiquem a paz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Ouça com atenção as leituras da liturgia de hoje. Estou lhe enviando um link que dá acesso a esta Meditação e também a uma outra reflexão que fiz sobre esse mesmo evangelho, em outra ocasião. A leitura desses dois comentários pode lhe ajudar a compreender melhor a mensagem deste primeiro domingo da Quaresma.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




MEDITAÇÃO 2


NO FINAL DOS QUARENTAS DIAS, 

UMA MARAVILHOSA NOTÍCIA 


Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por satanás (Mc 1, 13)

Primeiro domingo da Quaresma, 5º dia deste tempo penitencial que iniciamos na quarta-feira de cinzas. A cada dia, um novo passo no caminho da Páscoa. O foco de hoje está no tema da CONVERSÃO. A conversão é a chave para entrarmos no Reino de Deus.

‘O Reino de Deus está chegando!’ Esta é a boa notícia que Jesus anunciou. O evangelista Marcos fez um resumo do programa pastoral de Jesus. Em quatro curtas frases, ele resume toda a sua pregação. “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

O texto do evangelho de hoje é bem pequeno e ainda pode ser dividido em duas partes. A primeira parte em torno do DESERTO. A segunda parte em torno do REINO DE DEUS.

Vamos à primeira parte, que realça o tema DESERTO. Depois do batismo no Rio Jordão, o Espírito Santo levou Jesus para o deserto. E, no deserto, ele ficou quarenta dias e aí foi tentado por satanás. Essas poucas palavras evocam coisas muito importantes na história do povo de Deus. Depois de liberado do Egito, o povo peregrinou longamente pelo deserto, até entrar na posse da terra prometida. Foi uma dura peregrinação de quarenta anos. E houve muitos momentos de tentação, em que o povo caiu, revoltou-se contra Deus e contra Moisés. Jesus, membro do povo eleito, simbolicamente refaz a caminhada do seu povo. Ele está no deserto, por quarenta dias e, aí, diferentemente de Israel, ele vence as tentações.

Vamos à segunda parte, em torno do tema REINO DE DEUS. Vencidos os quarenta anos de peregrinação e purificação pelo deserto, o povo de Deus entrou na posse da terra prometida. A terra prometida não era só o território de Canaã, mas um conjunto de sonhos e promessas que, infelizmente, não se realizaram todos na posse da terra. Vencidos os quarenta dias de purificação, Jesus anuncia que estava na hora de entrar no Reino de Deus. O que foi a terra prometida para o povo antigo, agora podia ser experimentado de maneira mais completa e plena no Reino de Deus.

‘O tempo já se completou’, quer dizer ‘a espera terminou’. São João fala da plenitude dos tempos que tinha chegado. ‘O Reino de Deus está próximo’, isto é, aproximou-se, está perto da gente, está acessível. É a terra prometida que já se avistava. Essa é a boa notícia: Deus está reinando sobre o seu povo. Jesus, com suas atitudes e palavras, manifesta o Reino de Deus presente na história. Precisamos acreditar nessa boa notícia (crer no evangelho). E, diante dessa boa notícia, precisamos nos voltar para Deus (conversão). É assim que devemos receber a boa notícia do Reino (o evangelho): pela fé e pela conversão. 

Guardando a Mensagem

O movimento de João, no deserto, preparou o povo para acolher o tempo novo que estava chegando com o Messias. Com a sua prisão, Jesus começa publicamente sua missão. E anuncia o tempo novo que estava chegando. Em suas primeiras palavras, está o programa de todo o seu trabalho: ‘O tempo da espera terminou. O Reino de Deus está próximo de vocês. Creiam nessa boa notícia. E voltem-se para Deus, pela conversão do coração’. Conversão é a grande palavra da Quaresma. E conversão é crer nessa boa notícia, acertar o passo com Jesus e rever seus compromissos, sua vida à luz do reinado de Deus. A sua quaresma são os quarenta dias de Jesus: oração, jejum, resistência às tentações, acolhida do Reino. No fim dessa jornada, celebramos a Páscoa com Jesus.
Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por satanás (Mc 1, 13)

Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por satanás (Mc 1, 13)

Vivendo a palavra

É dia de você pegar sua Bíblia e ler nela a passagem de hoje: Marcos 1, 12-15. Aproveite e sublinhe na sua Bíblia, nessa passagem, as palavras DESERTO e REINO DE DEUS. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A ALEGRIA DO AMIGO DO NOIVO


 09 de janeiro de 2021

EVANGELHO 


Jo 3,22-30


Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.

24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.

27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.


MEDITAÇÃO


Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)


Outro dia, eu presenciei o reencontro de uma professora minha amiga com sua antiga aluna. A professora, agora recém-aposentada e a aluna psicóloga, agora, em plena atuação profissional. Professora e ex-aluna ficaram felizes e eufóricas ao se reconhecerem e se reencontrarem. A Professora, muito feliz por encontrar sua antiga aluna tão bem colocada profissionalmente. 

Eu fiquei olhando a reação da professora. Talvez alguém em seu lugar tivesse se lamentado, imaginando que sua aluna podia estar numa posição melhor do que a sua. Mas, ela nem de longe demonstrou esse sentimento mesquinho de quem se sente deixado pra trás. Ela gostava de ensinar e tinha sido uma boa educadora. Foi sua missão. E a missão deu certo, pois uma aluna como aquela tinha encontrado seu lugar na sociedade. Nada de inveja, nada de complexo de inferioridade. A professora ficou feliz, muito feliz. Feliz por sua missão ter se realizado tão bem como demonstrava o êxito de sua aluna. 

Essa cena ilustra o evangelho de hoje. Os discípulos de João Batista vieram lhe contar que um dos que estivera com ele agora estava também batizando em outro local. Eles estavam irritados com isso: ‘João Batista deu todo cartaz a ele, deu testemunho sobre ele, até o tinha batizado. Agora, ele está reunindo muita gente e batizando’. Você nem precisa ler o evangelho de hoje para saber quem era esse pregador que estava despontando. Jesus, claro. 

João Batista pode ser comparado com a professora recém-aposentada. Ele recebeu com alegria a notícia de que Jesus, que ele batizara e apontara como Cordeiro de Deus, agora, estava reunindo muita gente e batizando. João Batista não ficou enciumado. Ficou feliz. Ele comentou que já lhes tinha dito que não era o Cristo, mas tinha sido enviado adiante dele. E se comparou com o amigo do noivo que fica responsável pela festa do casamento. Ele toma todas as providências para que tudo saia bem e que o noivo, seu amigo, fique satisfeito. Quando o noivo chega, ele sabe que sua missão está terminada. E fica particularmente feliz porque sua missão chegou ao ponto mais alto. Se a missão que recebera era preparar a chegada do Messias, missão cumprida. Ele chegou. Alegria completa. 

João Batista não se sentiu ameaçado ou traído por causa da atuação profética de Jesus, que estava aparentemente fazendo como ele, pregando e batizando. Sentiu-se feliz, reconhecendo que a tarefa que tinha recebido de Deus era preparar os caminhos para ele. E reconheceu, diante do povo e dos discípulos, ser apenas um servidor, indigno mesmo de desatar as correias de suas sandálias. Jesus, conhecido e reverenciado por tanta gente, também não se esqueceu de seu predecessor, nem desconsiderou a influência que teve o Batista na sua formação. 

Guardando a mensagem 

Os discípulos de João ficaram incomodados com o fato de Jesus estar reunindo o povo, pregando e batizando. Acharam que João ficaria aborrecido com essa atuação de Jesus, uma vez que o tinha batizado e recomendado ao povo. O Batista não se deixou guiar por esse sentimento mesquinho de ciúme ou de exclusividade. Soube reconhecer a grandeza de sua missão, que era preparar o povo para receber o Messias. Uma vez que o noivo chegou, o amigo do noivo que ficou responsável pela festa do casamento sabe, com humildade e alegria, que a sua missão está cumprida. 

Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Foi bonito ver a professora ficar radiante com o reencontro com sua antiga aluna, agora uma psicóloga. Ela ficou feliz com o êxito de sua missão estampada na realização profissional de sua aluna. Foi o que aconteceu com o profeta João Batista ao ter conhecimento do sucesso que estavas alcançando com tuas pregações e curas. Ele soube, naquele momento, que sua missão estava plenamente realizada. Como ele disse: “minha alegria está completa”. Senhor, livra-nos desses sentimentos mesquinhos de inveja, ciúme, despeito pelos quais nos sentimos ameados pelo crescimento dos outros e entristecidos pelo seu sucesso. Dá-nos a alegria de ver nossa missão cumprida no êxito de nossos filhos, alunos, dependentes. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Amanhã, celebraremos a festa do Batismo do Senhor. Festeje também o seu batismo. Amanhã, não falte à celebração de sua comunidade. Não sendo possível, por essa situação do vírus, acompanhe pelas redes sociais a celebração de sua comunidade. Mantenha-se unido(a) ao seu rebanho e ao seu pastor.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

NÃO DEIXE A GRAÇA PASSAR


14 de dezembro de 2020

EVANGELHO


Mt 21,23-27

Naquele tempo, 23Jesus voltou ao Templo. Enquanto ensinava, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se dele e perguntaram: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu tal autoridade?”
24Jesus respondeu-lhes: “Também eu vos farei uma pergunta. Se vós me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 25Donde vinha o batismo de João? Do céu ou dos homens?”
Eles refletiam entre si: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele nos dirá: ‘Por que não acreditastes nele?’ 26Se dissermos: ‘Dos homens’, temos medo do povo, pois todos têm João Batista na conta de profeta”. 27Eles então responderam a Jesus: “Não sabemos”. Ao que Jesus também respondeu: “Eu também não vos direi com que autoridade faço estas coisas”.

MEDITAÇÃO


Eu também não lhes direi com que autoridade faço estas coisas (Mt 21, 27). 


Por que Jesus não respondeu à pergunta? Não seria mais fácil Jesus dar logo uma reposta? Eles perguntaram com que autoridade ele estava fazendo aquilo no Templo. E o que é que Jesus estava fazendo? Estava denunciando que tinham convertido a casa de oração num antro de ladrões. Ele tinha expulsado os vendedores e compradores, afinal, tinha tomado uma atitude pública contra o desvirtuamento do Templo. Quem estava perguntando? Os responsáveis pelo Templo e pela religião em Israel: os sumos-sacerdotes, os mestres da lei e os anciãos; o grupo que depois julgaria Jesus no Sinédrio, condenando-o como um malfeitor. Então, não era uma pergunta inocente... era uma acusação, um enfrentamento perigoso, uma vez que eles tinham um corpo de guardas sob seu comando: Com que autoridade fazes isto?

Jesus não respondeu. Mas, se propôs a responder, desde que eles lhe respondessem também a uma pergunta. A pergunta foi sobre o batismo de João. João andou atraindo o povo para o deserto, para batizar-se no Rio Jordão, pregando a mudança de vida, em preparação da vinda do Messias. Para João, o Templo não era mais o lugar da purificação. A volta ao tempo do deserto era um recomeço, quando não havia Templo, mas só uma Tenda móvel. Eles, a elite que controlava o Templo, não acharam ruim  Herodes prender e decapitar João Batista. Livraram-se de um pregador incômodo, uma denúncia permanente da situação de pecado dos que deviam guardar a aliança com fidelidade. Jesus perguntou: O batismo de João era de Deus ou dos homens? Como eles não se converteram com a pregação de João Batista, a resposta já estava dada. Mas, não podia ser dita. “Então, eu também não digo com que autoridade faço essas coisas”, concluiu Jesus. Claro, a resposta estava dada: com a mesma autoridade com que João Batista pregava a conversão e batizava. Mas, não adiantava dizer com a boca. As suas atitudes já estavam mostrando. 

O mundo hoje cobra explicações dos cristãos ... por que vocês querem pensar e agir diferente dos outros? Por que vocês não aceitam que se combata a violência armando a população, porque não apoiam a pena de morte? Por que vocês não deixam a mulher decidir sobre sua gravidez e ter a liberdade de abortar? Por que vocês insistem tanto no casamento religioso? Por que vocês são tão obedientes ao Papa? Por que vocês adoram a Eucaristia? Quem pergunta nem sempre está interessado na resposta. É só uma forma de intimidação, de oposição. Às vezes, é melhor fazer como Jesus: não responder, ou melhor, responder com as atitudes e com o modo de viver.

Guardando a mensagem

Jesus tinha feito um gesto profético de grande repercussão no meio do povo. Ele tinha expulsado os vendilhões do Templo. Foi um gesto de purificação da Casa de Deus, mostrando a necessidade de reconduzi-lo à sua vocação de lugar do encontro de Deus com o seu povo e denunciando o aparelhamento do Templo a serviço dos interesses econômicos e políticos da elite de Jerusalém. As lideranças do Templo vieram pra cima dele, num confronto que o levaria, um pouco mais na frente, à prisão. Queriam saber com que autoridade estava fazendo coisas como aquela. Jesus também quis saber com que autoridade João Batista tinha pregado e batizado no deserto. Eles não reconheceram que o profeta agira com a autoridade de Deus, nem aceitaram que Jesus viesse da parte do Pai. Mantiveram-se de coração fechado à autoridade de Deus, sem conversão, sem acolhida do enviado de Deus. 

Eu também não lhes direi com que autoridade faço estas coisas (Mt 21, 27). 


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
As lideranças do Templo, fechadas em seus interesses, perderam a chance de te reconhecer como o enviado de Deus, que os convocava à conversão. Já tinham rejeitado o profeta João Batista e o seu forte apelo de conversão. E tu, Senhor, os estavas convocando não apenas a uma mudança pessoal, mas a uma conversão institucional, no modo como eles comandavam a Casa de Deus a serviço dos seus interesses. Nesta pandemia, há muitos apelos de conversão para todos nós. Neste tempo de Advento, estás nos dirigindo muitos apelos para nossa conversão. Não queremos, Senhor, fechar o nosso coração e ignorar esse tempo de graça e reconciliação que estamos vivendo. Renova, Senhor, o teu povo, com o teu Santo Espírito, para que cheguemos santamente à festa do teu natal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Amanhã, começa a Novena de Natal. Ela nos ajuda numa preparação mais próxima para as celebrações natalinas. Ela vai de 15 a 23 de dezembro. Nas livrarias católicas, na internet, na sua paróquia há subsídios para ajudar a celebrar esta novena em família. Faça o propósito de realizá-la, com frutos de conversão e santidade de vida. 

Nós da Associação Missionária Amanhecer (AMA), também preparamos uma Novena de Natal. Vamos nos encontrar diariamente, de 15 a 23 de dezembro, às 14 horas, com transmissão pelo Youtube, pelo Facebook e pelo Aplicativo Tempo de Paz. Para quem recebe a Meditação no celular, estou enviando o link para inscrição na Novena. Quem se inscreve, recebe o roteiro da novena pelo email.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

MÚSICA


JÁ NÃO SOU EU (Rm 7-8 Gl 2)

(Pe. João Carlos)

Não consigo entender
Não consigo fazer
O bem que eu quero
Não consigo entender
Só consigo fazer
O mal que não quero.

Quem me livrará
Deste peso de morte em mim
Quem me libertará
Do pecado que mora em mim 

Foi por isso que o Pai enviou
Veio a nós Jesus Salvador
Que nos deu vida nova no seu Espírito.

Minha vida agora
Eu a vivo na fé
Fé naquele que me amou
E se entregou por mim 

Fui crucificado com ele
Ressuscitado com ele
Fui perdoado por ele
Minha vida recomeçou 

Já não sou eu
Já não sou eu
Já não sou eu que vivo
É Cristo que vive em mim. 

Minha vida agora.... 

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