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21 abril 2020

BATISMO, O NOVO NASCIMENTO

Se vocês não acreditam, quando lhes falo das coisas da terra, como acreditarão se lhes falar das coisas do céu? (Jo 3, 12).


21 de abril de 2020.


Nesta terça-feira, Nicodemos ainda está em cena, conversando com Jesus. Nicodemos representa o povo de Israel, na dificuldade que teve de entender e acolher Jesus. Nos anos que se seguiram à ressurreição de Jesus, as comunidades cristãs foram se organizando e se espalhando por toda parte. As comunidades guardavam a memória de Jesus e viviam e difundiam o seu evangelho, com grande fervor. Nas comunidades, além de judeus, começaram a ser acolhidos também os pagãos. E como viviam junto ou dentro das comunidades judaicas, o conflito foi crescendo entre as comunidades cristãs e as sinagogas. Nesse diálogo entre Jesus e Nicodemos, está muito dos debates entre os cristãos e os judeus desse período.

Nicodemos é um mestre da Lei, um fariseu, membro do grande conselho de Jerusalém. E Jesus está lhe dizendo que ele precisa nascer de novo, nascer do alto. ‘Que história é essa – pensa Nicodemos – o Messias que nós estamos esperando vem restaurar Israel, levar nosso povo à vitória contra nossos inimigos, vem elevar nossa nação. E esse Jesus, em vez de anunciar a restauração de Israel, está falando do homem novo, de uma nova humanidade; não de um novo Israel, mas de um novo homem’.

Isso mesmo. Jesus está dizendo que, para entrar no Reino de Deus, é preciso nascer de novo, nascer do alto. Ele está explicando que o que dá acesso ao Reino não é o título de membro do povo de Deus ou a prática da Lei de Moisés, mas ser renovado por obra de Deus. O novo nascimento é obra de Deus, pelo seu Espírito Santo.

A essa altura, podemos nos perguntar: Por que Nicodemos não se tornou abertamente um discípulo de Jesus, depois dessa conversa tão esclarecedora?

Nicodemos, ao que parece, permaneceu apenas um admirador de Jesus. Para tornar-se discípulo, precisava abandonar a segurança que ele encontrava na Lei de Moisés. Para ele, o reino de Deus se ganhava pelo cumprimento fiel do que a Lei mandava. E Jesus explicava que o Reino não é um prêmio aos mais comportados, mas um dom de Deus a quem ele ama. Na verdade, a todos que o amam, reconhecendo nele o enviado do Pai.

Nicodemos, ao que parece, não se tornou abertamente um seguidor de Jesus porque aderir a Jesus significava aderir ao seu evangelho, à sua pregação, aos seus ensinamentos. E Jesus abertamente amava e defendia os mais fracos, os mais sofridos, os discriminados. Isso implicaria ele ter um modo de viver e agir como Jesus, sem a busca de privilégios pessoais e na defesa dos injustiçados e oprimidos. Isso seria uma mudança muito grande para uma pessoa como ele, da elite social e religiosa do seu povo. Certamente, isso pegaria muito mal no Sinédrio. Ele seria mal visto, criticado e, quem sabe, até expulso do grande conselho. Ele não quis correr esse risco.

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Nicodemos, mesmo reconhecendo que Jesus era um homem de Deus, parece que não conseguiu dar o grande passo da conversão. Permaneceu na sua condição de segurança como Mestre da Lei, não percebendo que a novidade estava em Jesus que, por sua morte e ressurreição, comunicava o perdão, a vida de Deus, o Santo Espírito. Pelo Espírito comunicado pelo ressuscitado, renascemos para uma nova vida, a vida da graça e da comunhão com Deus e com os irmãos. O novo ser humano, nascido do Espírito Santo, como o vento, é livre. Não está mais amarrado à letra da Lei, mas se move com liberdade nas suas novas opções.

Se vocês não acreditam, quando lhes falo das coisas da terra, como acreditarão se lhes falar das coisas do céu? (Jo 3, 12).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
O novo nascimento de que falavas, na conversa com Nicodemos, é o batismo. O batismo, o recebem os que creem em ti e aderem à tua pessoa e ao teu evangelho. No batismo, celebramos o derramamento do teu Espírito sobre nós, nos lavando dos pecados e nos comunicando a graça de sermos filhos de Deus. Dá-nos, Senhor, a graça de viver santamente a nossa nova condição de filhos e irmãos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Será que, em você, há alguma coisa de Nicodemos? Em seu momento de oração de hoje, peça a Jesus a graça da conversão; conversão que é adesão fervorosa a Jesus e ao seu estilo de vida.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

11 abril 2020

UM POVO EM VIGÍLIA

Então Jesus disse às mulheres: “Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”.(Mt 28, 10)

11 de abril de 2020.

É verdade que, neste sábado santo, estamos num dia de silêncio e recolhimento, em vigília, como que ao lado do sepulcro do Senhor. Mas, não se trata de clima de velório, nada disso. Estamos, propriamente, em concentração. Preparamo-nos para celebrar, com toda exultação, o mistério da vitória de Jesus sobre a morte. Não porque ele esteja morto e vá ressuscitar hoje à noite, nada disso. Mas, para fazer memória de sua vitória sobre a morte. Ele vive triunfante, ele é o ressuscitado. A morte e a ressurreição do Senhor são o grande mistério no qual vivemos mergulhados. É o que estamos celebrando no Tríduo Pascal: a sua entrega em nosso favor, a sua morte de cruz nos lavando do pecado, a sua ressurreição dos mortos nos comunicando a vida de Deus.

A celebração de hoje é a vigília pascal, à noite. Depois de um dia de recolhimento, vamos celebrar a ressurreição do Senhor. Nós nos damos conta que, com sua ressurreição, começa um novo tempo e que sua vitória é também nossa. Nós mergulhamos neste mistério de morte e ressurreição, particularmente, pelo batismo. Como disse Paulo, no batismo, fomos sepultados com ele, renascemos com ele. Começamos, assim, a viver a vida nova da graça que ele conquistou para nós. Foi o que ele disse a Pedro: “Seu eu não te lavar, não terás parte comigo”. Somos lavados pelo batismo. Temos parte com ele.

Em vigília, serão lidos diversos textos da Escritura que narram as maravilhosas obras de Deus na criação, na libertação do povo da escravidão do Egito, no retorno do exílio da Babilônia, no batismo dos cristãos. No evangelho, lido hoje em São Mateus, Maria Madalena e outra Maria vão ao sepulcro, ao amanhecer do primeiro dia da semana. Elas são avisadas pelo anjo sobre a ressurreição de Jesus. O próprio Senhor ressuscitado as encontra no caminho. Elas são encarregadas de anunciar aos discípulos essa boa notícia e lhes dar o recado que o Ressuscitado vai esperá-los na Galileia.

A liturgia de hoje se desenvolve em quatro momentos: a celebração da luz (Cristo vence as trevas e ilumina o mundo); a celebração da Palavra (A ressurreição de Cristo é o coroamento das maravilhosas obras de Deus ao longo da história); a celebração da água (Pelo batismo, participamos da morte e da ressurreição do Senhor); e a celebração do pão eucarístico (Na ceia eucarística, anunciamos a morte do Senhor e proclamamos a sua ressurreição). E a grande notícia da noite santa deste sábado, a Páscoa do Senhor, a sua Ressurreição da morte, se prolonga por todo o domingo de páscoa e por todos os domingos do ano. Não perca por nada a celebração de hoje. Acompanhe pelo rádio, pela televisão ou pelas redes sociais.

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Podemos pensar que a celebração do sábado santo tem três marcas: a Ressurreição, o Batismo e a Missão. Ressurreição é a boa notícia da madrugada do primeiro dia da semana. Está recomeçando a primeira semana da criação, é o início de uma nova humanidade. O Batismo é a nossa adesão a Cristo e o modo pelo qual participamos de sua morte e de sua ressurreição. Lavados, purificados por sua morte, somos novas criaturas, nascidas do alto, pelo derramamento do seu Espírito. A continuação da missão de Jesus é consequência de sua vitória sobre o pecado, o mal e a morte. Somos seus missionários. A missão continua.

Então Jesus disse às mulheres: “Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”.(Mt 28, 10)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 

tua ressurreição nos resgatou da escuridão para a luz, da morte para a vida. Na tua vitória, renascemos. Concede-nos que a força de tua ressurreição seja a energia que estamos precisamos para enfrentar, com destemor, esse vírus que nos põe em quarentena e todo o mal ao nosso redor. Cresça em nós a fé, a esperança e a caridade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Um modo de sublinhar o valor deste tempo de graça é desejar FELIZ PÁSCOA às pessoas de sua convivência, parentes e amigos. Então, a partir de hoje, não economize votos de FELIZ PÁSCOA COM CRISTO.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

22 março 2020

UM CEGO EM QUARENTENA

Jesus lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9, 7)

22 de março de 2020.


Estamos mergulhados numa quarentena, que ainda muitos não estão levando a sério. Uma quarentena em plena quaresma. E está apenas começando.  O clima realmente é de quaresma a nos pedir sacrifício, oração e solidariedade. A realidade está aí: uns querem vê-la, outros se aborrecem com quem tenta mostrá-la e maltrata quem está enxergando.

De quem é a culpa desse homem estar cego, de ter nascido sem a visão? O pecado é dele ou dos pais dele? Foi o que perguntaram a Jesus no evangelho de hoje. No nosso caso, temos certeza de que a humanidade tem culpa sim. Um vírus não nasce do nada. Pode ter nascido do desequilíbrio que a nossa civilização provoca no mundo. Temos sido predadores da natureza, destruidores da obra de Deus. Entre nós, nos comportamos movidos pelo individualismo, pela concentração de bens, pela geração da miséria. Estamos manipulando perigosamente a vida e nos entupindo de substâncias químicas e tóxicas. Todo esse desrespeito à natureza, da qual somos parte, a poluição do planeta, a exaustão dos seus recursos (como a água, as florestas), tudo isso tem um preço. Pomos todo essa afronta às leis naturais e divinas na conta do pecado. E o pecado gera morte. É o que está na carta de São paulo aos Romanos.

A pandemia é um sinal da desordem que criamos no mundo. É a própria natureza se rebelando contra nós. Não é apenas uma epidemia, localizada. É uma pandemia, uma ameaça à toda humanidade. Depois do H1N1, deste Covid-19, virão outros, quem sabe ainda mais devastadores, Deus nos livre. Como uma vez disse Jesus, a respeito de tragédias e desastres do seu tempo: “Se vocês não se converterem, perecerão todos”.

O tom, reconheço, é um pouco pessimista. Mas, isto precisa ser dito, ou não? Andássemos no respeito à natureza e na fraternidade humana, não haveria pandemia nesses termos. Mas, calma, o evangelho de hoje pode levantar o nosso moral. Jesus encontrou um cego mendigando (é a nossa cara). Um cego mendigando – é o estado da humanidade hoje. Jesus molhou o barro com a saliva e o colocou nos olhos do cego. E o mandou lavar-se na piscina de Siloé. E ele foi e voltou enxergando. Uma cena um pouco estranha, não acha? Se o problema era curar o cego, bastava dizer “enxergue”. Vamos entender os gestos de Jesus.

Por que será que Jesus molhou o barro e o colocou nos olhos do cego? E por que o mandou lavar-se na piscina ou no tanque? Simples. A obra de Jesus é a restauração do ser humano. No primeiro livro da Bíblia, conta-se como o homem foi criado. Deus fez o homem do barro, modelou-o como um oleiro. Jesus não está só curando os olhos do homem. Ele está restaurando a obra prima de Deus, consertando o que foi estragado, deteriorado pelo pecado. Por isso, usa o barro molhado, como o oleiro do livro do Gênesis. E por que o mandou lavar-se na piscina? Por que é no banho do batismo, na piscina batismal, que Cristo nos restaura. É no batismo que somos lavados, perdoados dos nossos pecados. Na fé, somos mergulhados no mistério da morte e ressurreição de Jesus, renascendo com ele. Isto é o batismo, o banho restaurador. O batismo é a nossa participação na páscoa de Jesus. A história do cego de nascença é uma catequese sobre o batismo.    

Guardando a mensagem

É verdade que estamos na condição daquele cego mendigo. Somos esta humanidade pecadora, cega, colhendo de nossas más ações: a exaustão da criação, os grandes desequilíbrios produzidos na natureza (basta lembrar do aquecimento do planeta), a concentração de riqueza e a geração da miséria. Uma humanidade que vem se afastando cada vez mais de Deus e do seu projeto de fraternidade. Mas, Jesus vem ao nosso encontro para nos restaurar, para nos abrir os olhos. Crendo nele, acolhendo o seu Evangelho, convertendo-nos, podemos renascer, lavar nossos pecados na sua paixão e morte. Ele morreu para tirar o pecado do mundo. Assim, depois dessa quarentena de privações e de luto pela morte de irmãos e irmãs, poderemos emergir renovados, em páscoa. É a nossa grande chance.

Jesus lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Nessa passagem da cura do cego de nascença, as comunidades cristãs meditam sobre o batismo, que celebra a tua obra de restauração de cada ser humano marcado pelo pecado. Em nossa condição de quarentena por causa da disseminação desse vírus, nos damos conta que este cego representa, hoje, a nossa humanidade decaída no pecado. Esta quarentena, vivida em clima de quaresma, é um convite à conversão. Somos filhos de uma civilização que agride a natureza e sacrifica os seus próprios semelhantes, movidos pela ambição, pela descrença e pelo stresse. Tua obra entre nós é a restauração. Na tua morte redentora, encontramos o perdão e a paz. Dá-nos Senhor viver essa quaresma como tempo de conversão. E renovarmos nossa vida pessoal e social na tua santa páscoa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Uma coisa importante. Mesmo não podendo participar presencialmente da Santa Missa, participe através do rádio, da televisão ou de uma rede social. Na hora sagrada de sua Missa, pare tudo, recolha-se com atenção e piedade. Eu já lhe enviei ontem o folheto litúrgico do quarto domingo da Quaresma. Se não encontrar, solicite.

Outra coisa. Para proteção de sua família, faça a novena extraordinária a Nossa Senhora Auxiliadora, cujo link estou lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb  

15 março 2020

UMA ÁGUA PRA NOSSA SEDE

Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede (Jo 4, 14).

15 de março de 2020

Vamos recordar. No primeiro domingo da Quaresma, na cena das tentações, Jesus foi comparado com Adão. Ele é o novo Adão, o que disse SIM, o que venceu a tentação, o pecado. No segundo domingo, na cena da transfiguração, ele foi comparado com Moisés. Ele é o novo Moisés que nos comunica a nova Lei, a Palavra que precisamos ouvir. Neste terceiro domingo da Quaresma, no diálogo com a Samaritana no poço, Jesus é comparado com Jacó. Ele é o novo Jacó, que ofereceu ao seu povo, com o poço, a água necessária para a vida.

Atravessando a Samaria, cansado, com sede, Jesus se senta junto à fonte, o poço de Jacó, isso por volta do meio dia. Vem uma mulher daquele povo samaritano buscar água. Ele pede: “dá-me de beber”. Foi só um pé de conversa para a evangelização daquela senhora. Se ela soubesse quem ele era, ela é quem lhe pediria a água viva, e ela nunca mais teria sede. Ela bem que se interessou por aquela água.



A água é um símbolo maravilhoso da vida. A gente tem sede, precisa da água. Mas, a pessoa humana tem uma sede muito mais profunda. A água que Jesus tem para oferecer mata essa sede. A mulher também tinha uma sede profunda, como toda a humanidade tem. Sede de felicidade, de amor, de plenitude, sede de vida eterna.  Jesus é essa fonte de onde mana essa água abençoada. Veja que ele está sentado junto ao poço, como se ele fosse o próprio poço. Ele tem uma água para matar a sede profunda da pessoa humana.

Essa comunicação maravilhosa de Jesus sobre a água viva àquela mulher foi possível porque ele passou por cima de todos os preconceitos que o separavam dela. Preconceito de raça: os judeus eram brigados com os samaritanos. Preconceito de gênero, de sexo: um judeu não dirigia a palavra a uma mulher samaritana, elas eram tidas como impuras. Preconceito de religião: cada lado tinha sua religião e não se entendiam. Até os discípulos, quando voltaram, ficaram surpresos com aquela aproximação de Jesus. A evangelização foi possível porque Jesus se aproximou dela, sem distância, sem preconceito, com todo respeito e partindo da vida dela (a água que ela tinha que buscar todo dia no poço).

Essa mulher, é claro, representa a humanidade, a humanidade que tem sede. Sede que não se acaba apenas com água ou cerveja gelada. Sede de algo mais profundo, de amar e de ser amada, de viver plenamente. Sede de infinito, sede de Deus. Humanidade que vive em busca de matar essa sede, em tentativas frustradas. É por isso que a mulher já estava no sexto marido. A nova humanidade, em Jesus, vai encontrar seu esposo, numa nova e eterna aliança.

E que água é essa que Jesus tem para nós, que mata nossa sede?  Uma água que em nós vai se tornar fonte jorrando para a vida eterna? Com certeza, tudo que ele tem para nós já é essa água. Sua palavra, sua bênção, seu amor. Mas, ele falava de um dom maior que o Pai daria, se nós o pedíssemos. Esse dom vem por ele. O Espírito Santo. O Espírito que está ligado à vida, como a água. Na criação, ele pairava sobre as águas. O Espírito é que dá vida, como a água que mata a sede, que comunica a vida. No batismo, renascemos pela água, pelo Espírito Santo.

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No evangelho de hoje (Jo 4), Jesus é comparado com Jacó, que, com o poço, garantiu água para o seu povo. Nossa sede não é só sede de água. A mulher samaritana é uma representação da humanidade sedenta, com uma sede muito maior que a física.  Essa água que dá vida é o Espírito Santo que ele nos comunica. Por sua morte e ressurreição, ele é a verdadeira fonte de água viva, nos comunicando o seu Santo Espírito. 

Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede (Jo 4, 14).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Lemos neste evangelho que, cansado de viagem, tu te sentaste junto à fonte. E era por volta do meio dia. Estavas com sede e pediste água à mulher que chegou no poço com seu cântaro: “Dá-me de beber”. Nós te contemplamos hoje sentado na fonte: tu és a fonte de Jacó, é em ti que encontramos a água que mata a nossa sede. Aquela tua palavra “Dá-me de beber” se parece com aquela palavra na tua cruz: “Tenho sede”. E a tua crucifixão, Senhor, foi pelo meio dia. E mais tarde, um soldado para certificar-se de tua morte, te perfurou o peito com uma lança. E do teu peito aberto, escorreu sangue e água. A água é uma representação do Espírito Santo, uma referência ao batismo, onde renascemos por obra do Espírito Santo. O Espírito Santo é a água que jorra do teu peito, Jesus. Água que nos comunica a vida, água que sacia a nossa sede de infinito. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Imite, hoje, a samaritana que se apressou a levar para os seus contatos a boa notícia de que encontrou o Messias, o Cristo, que lhe ofereceu a água viva. Faça-se portador(a) desta boa notícia para os seus. 

15 de março de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20 janeiro 2020

SEGUIDORES DO FILHO DE DEUS

Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo (Jo 1, 33)

19 de janeiro de 2020.

E chegamos ao segundo domingo do tempo comum. A Palavra de Deus nos revela quem é Jesus. Ele é o servo de Deus, com a missão de ser luz para as nações (Isaías 49). Ele é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1). Ele é o Filho de Deus, habitado pelo Espírito do Senhor (João 1). 

A Palavra de Deus também nos revela quem somos nós. Nós fomos batizados com o Espírito Santo (João 1), assim, somos filhos de Deus. Nós fomos santificados em Cristo Jesus (1 Coríntios 1), assim somos chamados a ser santos, a viver em comunhão com Deus e em obediência à sua vontade. 

A Palavra do Senhor nos aponta a pessoa de Jesus. Os evangelhos são testemunhos sobre Jesus, para que nós o conheçamos, para que o acolhamos. E mesmo o Antigo Testamento é lido pelos cristãos na perspectiva da revelação da pessoa de Jesus, o Messias prometido e já figurado na atuação dos sábios, profetas e reis. A Escritura nos aponta a pessoa de Jesus.

A missão de João Batista foi preparar o povo para receber Jesus. O ponto alto de sua missão foi indicar Jesus ao seu povo, apontar-lhe o Messias ali presente. “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O grande testemunho de João sobre Jesus foi esse: ‘Ele é o Filho de Deus’.

Podemos dizer assim: todo o evangelho é um João Batista indicando Jesus. O que os evangelhos querem é exatamente apresentar Jesus para que sejamos seus seguidores. Seguir Jesus é tomá-lo como modelo de vida, é tornar-se seu discípulo, para aprender a viver como ele. Os evangelhos nos convidam ao seguimento de Jesus.

João Batista, os evangelhos, os missionários nos apontam Jesus. “Eis o cordeiro de Deus”. Nós, em atenção a esta palavra, nos pomos no seguimento dele. Seguir Jesus é toma-lo como nosso Mestre, nosso orientador, nosso guia; É abraçar o seu evangelho, os seus ensinamentos. Seguir Jesus é acolher o seu sacrifício salvador na cruz, acolhendo a salvação que ele nos alcançou, o dom de, agora, sermos filhos de Deus. Seguir Jesus é pôr-se a caminho com ele, imitando seu modo humano de amar e servir, acolhendo-o como caminho, verdade e vida. E, claro, integrar-se no grupo dos discípulos que o seguem e cultivam a sua memória, a sua Igreja. Assim, nos tornamos discípulos do Senhor, seus seguidores.

Guardando a mensagem

Nós até que temos bastante informações sobre Jesus. Nós temos, inclusive, ouvido diariamente o seu evangelho. Mas, a Palavra nos aponta Jesus para o seguirmos. Nossa resposta à Palavra de Deus proclamada é nos tornarmos seguidores de Jesus. Segui-lo é tomá-lo como nosso mestre, nosso guia. Segui-lo é imitá-lo no seu amor e na sua fidelidade ao Pai e ao seu povo. Segui-lo é tomar cada dia a cruz de nossas dificuldades e lutas e subir o calvário com ele. E ressuscitar com ele, em cada vitória, em cada conquista, em cada etapa vencida. Nisso consiste a santidade, isto é, em vivermos habitados por sua graça, pelo Espírito Santo, sermos seus seguidores na normalidade de nossas vidas.

Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo (Jo 1, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 

João Batista, no auge do seu trabalho de preparação do povo para te receber, te revelou como cordeiro de Deus, como aquele que iria batizar com o Espírito Santo, como Filho de Deus. Esse testemunho, nós o temos recebido pela pregação, pela meditação bíblica, pela evangelização. Senhor, que a nossa resposta à Palavra seja o teu seguimento, como nosso mestre, modelo e guia. São muitas as dificuldades que aparecem no nosso caminho, tentando nos afastar do teu seguimento. Às vezes, pensamos em deixar esse chamado à santidade para alguém mais esforçado e nos contentarmos com o mais ou menos, com uma vida cristã desidratada, claudicante. Que o teu Santo Espírito, que age em nós nos movendo para a comunhão contigo, não nos deixe esmorecer, nem desistir, nem trair esta sagrada vocação de filhos de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Além de ler o evangelho de hoje na sua Bíblia, no seu momento de oração pessoal, peça a Deus a graça de ser fiel no seguimento de Jesus.

19 de janeiro de 2020. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





16 dezembro 2019

A RESPOSTA DO SILÊNCIO

Eu também não lhes direi com que autoridade faço estas coisas (Mt 21, 27). 


16 de dezembro de 2019. 

Por que Jesus não respondeu à pergunta? Não seria mais fácil Jesus dar logo uma reposta? Eles perguntaram com que autoridade Jesus estava fazendo aquilo no Templo. E o que é que Jesus estava fazendo? Estava denunciando que tinham convertido a casa de oração num antro de ladrões, expulsando os vendedores e compradores, afinal, tomando uma atitude pública contra o desvirtuamento do Templo. Quem estava perguntando? Os responsáveis pelo Templo e pela religião em Israel: os sumos-sacerdotes, os mestres da lei e os anciãos; o grupo que depois julgaria Jesus no Sinédrio, condenando-o como um malfeitor. Então, não era uma pergunta inocente... era uma acusação, um enfrentamento perigoso, uma vez que eles tinham um corpo de guardas sob seu comando: Com que autoridade fazes isto?

Jesus não respondeu. Mas, se propôs a responder, desde que eles lhe respondessem também a uma pergunta. A pergunta foi sobre o batismo de João. João andou levando o povo para o deserto, para batizar-se no Rio Jordão, pregando a mudança de vida, em preparação da vinda do Messias. Para João, o Templo não era mais o lugar da purificação. A volta ao tempo do deserto era um recomeço, quando não havia Templo, mas só uma Tenda móvel. Eles, a elite que controlava o Templo, acharam foi bom Herodes prender e decapitar João Batista. Livraram-se de um pregador incômodo, uma denúncia permanente da situação de pecado dos que deviam guardar a aliança com fidelidade. Jesus perguntou: O batismo de João era de Deus ou dos homens? Como eles não se converteram com a pregação de João Batista, a resposta já estava dada. Mas, não podia ser dita. “Então, eu também não digo com que autoridade faço essas coisas”, concluiu Jesus. Claro, a resposta estava dada: com a mesma autoridade com que João Batista pregava a conversão e batizava. Mas, não adiantava dizer com a boca. As suas atitudes já estavam mostrando. 

O mundo hoje cobra explicações dos cristãos ... por que vocês querem pensar e agir diferente dos outros? Por que vocês não aceitam que se combata a violência armando a população, porque não apoiam a pena de morte? Por que vocês não deixam a mulher decidir sobre sua gravidez e ter a liberdade de abortar? Por que vocês insistem tanto no casamento religioso? Por que vocês são tão obedientes ao Papa? Por que vocês adoram a Eucaristia? Quem pergunta nem sempre está interessado na resposta. É só uma forma de intimidação, de oposição. Às vezes, é melhor fazer como Jesus: não responder, ou melhor, responder com as atitudes e com o modo de viver.


Eu também não lhes direi com que autoridade faço estas coisas (Mt 21, 27). 






3º dia da Novena de Nata

O TESTEMUNHO DA HISTÓRIA 

Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo (Mt 1, 16) 

Apresentação do tema 

Hoje, lemos, no início do evangelho de São Mateus, uma genealogia, a relação dos antepassados da família de Jesus, pelo lado paterno. É uma lista muita extensa, ligando Jesus a pessoas como o rei Davi e o Patriarca Abraão. É uma forma de dizer que Jesus, o Messias, o Cristo, o filho de Deus, por sua encarnação, integra agora a família humana; que Jesus inseriu-se na história do povo eleito, povo que teve a liderança de patriarcas, profetas e reis. Ele chega nesse encadeamento da história em que uma geração passa à outra as suas conquistas e o seu aprendizado, especialmente a sua história com Deus. 

Jesus não é somente filho de Deus, é agora também filho da humanidade, integrante de nossa história. Ele é também fruto da história do seu povo eleito, o bendito fruto do ventre de Maria. E essa lição é importante para nós também. Jesus mergulha na história do seu povo, para ser um deles e é assim que ele vai lidera-lo, conduzi-lo, ser o seu pastor. 

Oração do dia 

Senhor Jesus, 

Contigo e com esse texto de tua genealogia, aprendemos a dar valar à história dos nossos antepassados, os famosos e os anônimos. O sangue deles corre em nossas veias. A nossa vida resume toda a história dos nossos pais, dos nossos avós e bisavós. Até nos parecemos fisicamente com eles. Para melhorar a história, precisamos mesmo começar por assumi-la, conhecê-la, aceita-la. Obrigado, Senhor, por esta bela lição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Bênção 

O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém 

Para viver Palavra neste 3º dia da novena de natal: 

Em sua experiência, nossa geração está conseguindo transmitir a fé cristã às novas gerações? 

Amanhã, a gente se encontra para o 4º dia da novena de natal. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb - 16 de dezembro de 2019.




24 outubro 2019

FOGO SOBRE A TERRA

Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12, 49)
24 de outubro de 2019
Esse evangelho de hoje deixa todo mundo confuso. Como assim: Jesus veio para lançar fogo sobre a terra? Que fogo é esse? E ainda diz que está esperando receber um batismo. Que batismo será esse? E o que tem uma coisa com a outra, o fogo com o batismo?  Calma. Vamos pedir ajuda ao profeta Malaquias.
Esse pequeno escrito do Antigo Testamento, o livro do Profeta Malaquias, fala, em alguns pontos, da vinda do Messias. Ao que parece, no tempo de Jesus, as profecias de Malaquias estavam muito presentes na mente das pessoas. Por exemplo, a ideia de que antes do Messias viria o Elias vem desse profeta. Por isso, alguns até diziam que Jesus era o Elias. Bom, isso só para dizer que esse escrito do profeta Malaquias tinha uma boa influência no povo do tempo de Jesus. Não seria estranho, então, Jesus usar imagens vindas deste escrito bíblico.
No capítulo 3, Malaquias descreve a chegada do Messias, depois da vinda do Mensageiro. Olha como está escrito: “Eis que ele chega. Quem poderá aguentar o dia de sua chegada? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Ele é igual ao FOGO de uma fundição. Sentado, o fundidor derrete a prata para beneficiá-la, assim também ele vai apurar os filhos de Levi, refiná-los como se fossem ouro ou prata. Só depois poderão se apresentar ao Senhor como uma oferenda como convém” (Ml 3, 1-3).
Malaquias passa a ideia de que o povo de Deus está precisando ser purificado, pois está como ouro misturado com outros minerais pobres ou sujeiras. Ora, Jesus veio para isso, para nos purificar do pecado. E o que faz o fundidor para purificar o ouro? Põe todo o material para derreter no fogo, dentro de um recipiente resistente. Agora, tem que ter muito fogo para chegar a uma temperatura super alta que derreta tudo e assim separe o ouro das impurezas. Perceba que o profeta Malaquias está falando da missão do Messias esperado. Ele iria fazer como um fundidor, purificaria o seu povo com o fogo. Agora, escute a palavra de Jesus de novo, no evangelho de hoje: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!”. Ele veio para nos purificar. E está usando a imagem do fundidor, como no profeta Malaquias.
Jesus disse também que iria receber um batismo. E estava ansioso até que tudo se cumprisse. Que batismo é esse? O batismo é para purificar do pecado. Mas, ele não tem pecado. É, mas nós temos. E ele tirou o nosso pecado, por meio desse batismo. Que batismo é esse? Sua paixão, a sua morte. Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, pelo sacrifício de sua vida. 
Guardando a mensagem
Jesus disse que veio para lançar fogo sobre a terra. E que devia receber um batismo, pelo qual estava ansioso. O Profeta Malaquias nos ajuda a entender isso. Fogo e Batismo, nesse texto, estão em paralelo, os dois estão descrevendo a mesma obra de Jesus para nos purificar do pecado, para nos colocar em condições de ser uma oferenda digna. Como foi que ele nos purificou, nos libertou do pecado? Por sua paixão, morte e ressurreição. Esse foi o batismo a que ele se submeteu, embora não tivesse pecado. Ele assumiu o nosso lugar. Como foi que ele nos purificou, nos libertou do pecado? Por sua paixão, morte e ressurreição. Esse foi o grande fogo que nos possibilitou emergir como ouro puro, livre das impurezas e minerais de segunda, isto é, purificados do pecado. Essa sua obra redentora ele quer espalhar em favor de todos na face da terra. Esse seu serviço purificador revela e vence o mal, o pecado. Por isso, aparentemente, cria divisão, ao separar o ouro da impureza.
Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12 49)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós te agradecemos por tua obra redentora. Fomos lavados nas águas da tua morte, no teu batismo. Fomos purificados no fogo de tua paixão e cruz. Emergimos como ouro puro na tua ressurreição, como povo santo, justificado dos nossos pecados, em comunhão com Deus. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.  
Vivendo a palavra
Em sinal de atenção à Palavra do Senhor, pegue hoje sua Bíblia e leia Malaquias 3, 1-4.  Só uma dica: Malaquias é o último livro do Antigo Testamento.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb – 24 de outubro de 2019.

29 abril 2019

É PRECISO NASCER DE NOVO, NASCER DO ALTO

Você deve nascer de novo (Jo 3, 7)
29 de abril de 2019.
Você se lembra de Nicodemos! Foi aquele fariseu, mestre da lei, membro do Sinédrio de Jerusalém, que foi falar com Jesus, de maneira sigilosa, à noite. Ele tinha uma simpatia por Jesus. Mas, como membro do Sinédrio, o grande conselho da capital, tinha medo da reação dos seus colegas e com certeza medo de perder sua posição. Quando Jesus foi preso, ele protestou contra a decisão já tomada, sem ao menos o acusado ter sido ouvido. Quando Jesus morreu na cruz, ele ajudou José de Arimateia a cuidar do seu enterro. Nicodemos é o tipo da pessoa importante, que por causa das conveniências do poder, tem dificuldade em assumir publicamente sua adesão a Jesus e ao seu Evangelho.
As lideranças também precisam ser evangelizadas, claro. É o que Jesus fez com Nicodemos. Jesus lhe disse que ele precisava nascer de novo. Ele era um mestre da lei, com assento no grande conselho de Jerusalém. Isso não lhe fazia cidadão do Reino. Só renunciando a si mesmo, se pode seguir Jesus. Só se fazendo pequeno é que se entra no Reino de Deus. Ele precisava nascer de novo. Passar por uma conversão. Renovar-se pelo batismo. Nascer de Deus.
Jesus disse a Nicodemos que ele tinha que nascer de novo. Essa expressão pode ser traduzida também por nascer do alto. Nicodemos quis tomar a palavra de Jesus ao pé da letra, dizendo que não cabia mais no ventre de sua mãe. Não se trata disso. Alguém pode pensar em reencarnação, também não se trata disso. Trata-se de ser renovado pela graça da redenção alcançada na cruz e celebrada no batismo. O batismo é o novo nascimento. Nele, nascemos de Deus, sendo lavados dos nossos pecados pela ação santificadora do Espírito Santo.  Jesus explicou a Nicodemos: “Quem nasce da carne é carne. Quem nasce do Espírito é espírito”. Nascer na carne é a nossa vida biológica, nossa condição natural. Nascer do Espírito é ser renovado pela graça de Deus. O novo nascimento é o batismo. Foi o que Jesus explicou a Nicodemos: “Quem não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus”.
Como Nicodemos era profundo conhecedor das Escrituras, Jesus lembrou-lhe o episódio da serpente de bronze, no deserto. Ele, como mestre da Lei, poderia perceber facilmente que Jesus foi enviado pelo Pai para salvar o seu povo. No tempo passado, o povo estava atravessando o deserto, depois da saída da escravidão do Egito. O povo começou a se cansar e se revoltar contra Deus, reclamando do calor do deserto, da comida repetida que era o maná, do cansaço da caminhada. Deu uma peste de serpentes venenosas. Começou a morrer muita gente por causa de sua má vontade, do clima de murmuração e de revolta contra Deus. A haste com uma serpente de bronze foi um sinal. Deus mandou Moisés fazer essa representação. Quem fosse picado pelas serpentes, olhando para aquele sinal era salvo da morte.
Esse símbolo, no Antigo Testamento, preparou o sinal de Jesus na cruz. A verdadeira salvação, a verdadeira cura, a libertação do pecado é Jesus em sua cruz. Fomos salvos por sua vida oferecida naquela haste da cruz. Como o povo antigo no deserto olhando para a haste com a serpente de bronze se curava, assim também nós pecadores temos um sinal de salvação, a cruz de Cristo, isto é a morte redentora de Jesus. Crendo em Jesus que morreu e ressuscitou por nós, encontramos a vida eterna.
Guardando a mensagem
Nicodemos é o representante das pessoas importantes, chamadas também à conversão. Ele, que tinha tanto conhecimento das Escrituras, poderia facilmente entender o que Jesus estava explicando. Deus o mandou para salvar o mundo. O povo está, como aquela gente do tempo do deserto, morrendo por causa dos seus pecados. E como no deserto, agora Deus também está nos dando um sinal de salvação. Crendo em Jesus crucificado e ressuscitado, o pecador encontra a salvação.
Você deve nascer de novo (Jo 3, 7)
Vamos rezar a Palavra
Senhor Jesus,
Vemos em Nicodemos, que para acolher o Reino de Deus, é preciso se desapegar de sua grandeza, de seu poder, de seus grandes conhecimentos. O filho de Deus nasce do alto, do Espírito Santo. A cruz, que é a grande humilhação que te impusemos, Jesus, longe de ser um sinal do teu fracasso, é o sinal de tua vitória e da salvação para todos os que aceitam o teu caminho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.  
Vivendo a palavra
A cruz nos lembra o sacrifício redentor de Cristo, pelo qual fomos salvos. Você sabe rezar o sinal da cruz? Se não sabe, peça a ajuda de alguém com mais experiência. Faça, hoje, mais de uma vez o sinal da cruz.
Pelo sinal + da santa cruz + livrai-nos Deus + nosso Senhor + dos nossos + inimigos +  Em nome do Pai + e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.

Pe. João Carlos Ribeiro – 29.04.2019

02 abril 2019

NÃO É PROPAGANDA DE CURA, É UMA CATEQUESE SOBRE O BATISMO

Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?”  (Jo 5, 6)
02 de abril de 2019.
“Aonde chega o rio, chega a vida”. Essa frase está escrita no livro do Profeta Ezequiel, capítulo 47, versículo 11. O profeta foi levado por um anjo ao Templo e viu que jorrava água do Templo, do seu lado direito. E ele foi acompanhando aquela água que ia se espalhando na direção leste. O anjo foi medindo, e a cada 500 metros, mandava o profeta atravessar a água. Na primeira parada, chegava aos tornozelos. Na outra, chegava aos joelhos. Mais na frente, aquela água toda já chegava à cintura. Finalmente, só a nado se podia atravessar. E o profeta foi voltando pelas margens e vendo a paisagem transformada pelas águas: árvores frutíferas, plantações, animais, peixes em quantidade. Isso faz lembrar rios como o São Francisco, o velho Chico, do qual dependem milhares de agricultores e ribeirinhos. “Aonde chega o rio, chega a vida”.
Só pra saber se você está me acompanhando: onde nasce esse rio que leva tanta vida mundo afora? Não, não estou falando do Rio São Francisco que nasce em Minas, na serra da Canastra. Estou falando do rio do profeta Ezequiel. Onde ele nasce? No Templo. Ele jorra do lado direito do Templo. Você lembra que outro dia, Jesus disse que podiam destruir o Templo que ele reconstruiria em três dias? E por quê? Claro, porque o verdadeiro Templo é ele mesmo, o seu corpo. O Templo de Jerusalém, que não existe mais, foi um sinal do verdadeiro Templo, Jesus. Lembre também daquele episódio na cruz de Jesus. O soldado, vendo-o morto, em vez de lhe quebrar as pernas, perfurou o lado dele com a lança. E você pode me dizer o que aconteceu? Isso... Do seu lado aberto, escorreu sangue e água. Agora, junte as peças: Jesus é o verdadeiro Templo. Do seu lado aberto, jorrou sangue e água. Realizou-se nele o que o profeta tinha visto e anunciado: Do Templo, jorrava uma água que ia se espalhando, virando um rio, levando vida aonde chegasse. Do alto da cruz, do coração do Templo que é Jesus, jorra essa água que nos comunica a vida.
Com essa bagagem, vamos ao evangelho de hoje. Jesus foi a uma festa religiosa em Jerusalém. Lá havia uma piscina, a piscina de Betesda. Muita gente doente ficava ali na esperança de se curar, naquelas águas. Jesus encontrou ali um homem doente há trinta e oito anos. Ele estava prostrado, sem ninguém para ajudá-lo a se curar na água da piscina. Jesus perguntou se ele queria ficar bom. Imagine a resposta. Então Jesus disse: “Levante-se, pegue o seu leito e ande”. E ele ficou bonzinho da Silva. Pegou o seu leito e foi embora.
O homem doente, prostrado, à beira da piscina de Betesda é a imagem do pecador, da pecadora. Há muito tempo espera ser libertado. Quanto tempo já fazia que estava doente? 38 anos, quase quarenta. O povo de Deus, depois de uma peregrinação de quarenta anos, entrou  na terra prometida. O homem pecador, esse homem que peregrina em sofrimento há 38 anos é como a terra seca do sertão esperando a água do Rio São Francisco. Agora, chegou a sua libertação. A essa terra seca, chegaram as águas abençoadas de Cristo, renovando a sua vida, fazendo dele uma nova criatura. Essa é a  água que desce do alto da cruz, do coração rasgado pela lança. É o amor de Deus que se derrama. É o batismo lavando do pecado e comunicando a vida de Deus. Aonde chega esse rio, chega a vida.
Guardando a mensagem
A história do homem doente, à beira da piscina de Betesda, é uma catequese sobre o batismo. Estamos preparando a páscoa e a páscoa é a celebração da nossa salvação em Cristo. Por isso, na noite da páscoa, renovamos as promessas do batismo e batizamos novos cristãos. As águas que nos lavam do pecado e nos comunicam a vida de Deus vêm do Templo, do coração de Cristo rasgado pela lança, como num grande rio que vem descendo. A verdadeira piscina, que nos cura do pecado, é a do batismo. Somos restaurados nas águas que descem da cruz.
Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?”  (Jo 5, 6)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Que belo ensinamento sobre o batismo. Renascemos, como terra seca que recebe a água abundante da chuva ou da irrigação. É a tua graça, a tua Palavra, a tua vida comunicada na Eucaristia: são essas as águas que irrigam a nossa vida. Nós te bendizemos, Senhor. Estávamos prostrados à beira da piscina de Betesda, doentes há 38 anos e fomos restaurados nas tuas águas, no santo batismo. Em ti, renascemos, fizemos páscoa. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Uma coisa curiosa. O homem doente, quando foi curado, não sabia quem era Jesus, que o tinha curado. Mas, Jesus o reencontrou num certo lugar. Ali, ele ficou sabendo quem era ele. E assim pode sair testemunhando quem o tinha curado. Que lugar foi esse? Descubra, lendo o evangelho de hoje na sua Bíblia (João 5, 1-16).  
Se você tiver um tempinho, podemos nos encontrar, hoje, às 22 horas, em minha página de facebook. É só procurar padre João Carlos.

Pe. João Carlos Ribeiro – 02.04.2019

25 outubro 2018

APURANDO E PURIFICANDO OURO

Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12, 49)
25 de outubro de 2018.
Esse evangelho de hoje deixa todo mundo confuso. Como assim: Ele veio para lançar fogo sobre a terra? Que fogo é esse? E diz que está esperando receber um batismo. Que batismo será esse? E o que tem uma coisa com a outra?  Calma. Vamos pedir ajuda ao profeta Malaquias.
Esse pequeno escrito do Antigo Testamento, o livro do Profeta Malaquias, fala, em alguns pontos, da vinda do Messias. Ao que parece, no tempo de Jesus, as profecias de Malaquias estavam muito presentes na mente das pessoas. Por exemplo, a ideia de que antes do Messias viria o Elias vem desse profeta. Por isso, alguns até diziam que Jesus era o Elias. Bom, isso só para dizer que esse escrito do profeta Malaquias tinha uma boa influência no povo do tempo de Jesus. Não seria estranho, então, Jesus usar imagens vindas deste escrito bíblico.
No capítulo 3, Malaquias descreve a chegada do Messias, depois da vinda do Mensageiro. Olha como está escrito: “Eis que ele chega. Quem poderá aguentar o dia de sua chegada? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Ele é igual ao fogo de uma fundição. Sentado, o fundidor derrete a prata para beneficiá-la, assim também ele vai apurar os filhos de Levi, refiná-los como se fossem ouro ou prata. Só depois poderão se apresentar ao Senhor como uma oferenda como convém” (Ml 3, 1-3).
Esta é a ideia de que o povo de Deus está precisando ser purificado, está como ouro misturado com outros minerais pobres ou sujeiras. Ora, Jesus veio para isso, para nos purificar do pecado. E o que faz o fundidor para purificar o ouro? Põe todo o material para derreter no fogo, dentro de um recipiente resistente. Agora, tem que ter muito fogo para chegar a uma temperatura super alta que derreta tudo e assim separe o ouro das impurezas. Perceba que o profeta Malaquias está falando da missão do Messias esperado. Ele iria fazer como um fundidor, purificaria o seu povo com o fogo. Agora, escute a palavra de Jesus de novo, no evangelho de hoje: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!”. Ele veio para nos purificar. E está usando a imagem do fundidor, como no profeta Malaquias.
Jesus disse também que iria receber um batismo. E estava ansioso até que tudo se cumprisse. Que batismo é esse? O batismo é para lavar do pecado. Mas, ele não tem pecado. É, mas nós temos. E ele tirou o nosso pecado, por meio desse batismo. Que batismo é esse? É a sua paixão, é a sua morte. Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Esse batismo, como a operação de purificação da prata, também está no Profeta Malaquias, quando descreve a ação da potassa da lavadeira.
Guardando a mensagem
Jesus disse que veio para lançar fogo sobre a terra. E que devia receber um batismo, pelo qual estava ansioso. O Profeta Malaquias nos ajuda a entender isso. Fogo e Batismo, nesse texto, estão em paralelo, os dois estão descrevendo a mesma obra de Jesus para nos purificar do pecado, para nos colocar em condições de ser uma oferenda digna. Como foi que ele nos purificou, nos libertou do pecado? Por sua paixão, morte e ressurreição. Esse foi o batismo com que ele precisou ser lavado, embora não tivesse pecado. Ele assumiu o nosso lugar. Como foi que ele nos purificou, nos libertou do pecado? Por sua paixão, morte e ressurreição. Esse foi o grande fogo que nos possibilitou emergir como ouro puro, livre das impurezas e minerais de segunda, isto é, purificados do pecado. Essa sua obra redentora ele quer espalhar em favor de todos na face da terra. Esse seu serviço purificador revela e vence o mal, o pecado. Por isso, aparentemente, cria divisão, separando o ouro da impureza.
Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12 49)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós te agradecemos por tua obra redentora. Fomos lavados nas águas da tua morte, no teu batismo. Fomos purificados no fogo de tua paixão e cruz. Emergimos como ouro puro na tua ressurreição, como povo santo, justificado dos nossos pecados, em comunhão com Deus. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.  
Vivendo a palavra
Em sinal de atenção à Palavra do Senhor, pegue hoje sua Bíblia e leia Malaquias 3, 1-4.  Só uma dica: Malaquias é o último livro do Antigo Testamento.

Pe. João Carlos Ribeiro – 25.10.2018