BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Quando o amor sai em missão.


  10 de julho de 2025  

Quinta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum 


     Evangelho.     


Mt 10,7-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!
9Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito a seu sustento. 11Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida.
12Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. 14Se alguém não os receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. 15Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo.

     Meditação.     


Não levem ouro nem prata, nem dinheiro nos seus cintos (Mt 10, 9)

Jesus enviou os seus discípulos em missão e lhes disse: “Em seu caminho, anunciem: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios”.

O envio dos doze apóstolos é uma página missionária da Igreja. Os doze representam a comunidade, a Igreja, comunidade que nasceu do trabalho missionário de Jesus. Essa referência aos doze mostra uma comunidade organizada, em continuidade com o povo do Antigo Testamento. A missão é de todo o povo de Deus, com seus líderes à frente. E o envio dos doze é para que anunciem o Reino de Deus. O Reino é o reinado de Deus em nossas vidas e em nosso mundo. O reinado de Deus supera e vence o reinado do mal, por isso os missionários recebem poder sobre o demônio e sobre a doença. A doença é a cara do sofrimento que o mal e a morte espalham.

O Reino é um dom, é a libertação da dominação do mal e da morte, para estarmos como filhos e filhas na comunhão com o Senhor nosso Deus. Não é o resultado de uma estratégia bem montada pelos missionários. Eles são simples instrumentos. É obra de Deus. Aliás, o Reino é de Deus e o que os enviados conseguem realizar é pela sua força, pelo seu poder. Por isso a recomendação: “Não levem ouro nem prata nem dinheiro nos seus cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão”.

Bastão ou cajado é um sinal de defesa e segurança. Devem renunciar a isso. Deus é sua segurança. Sacola representa a confiança nos bens, nos instrumentos. O Reino não é uma estratégia. É um dom. Também não devem levar ouro, nem prata, nem dinheiro. A missão não depende de dinheiro, depende do testemunho e do amor do missionário. É preciso confiar na Providência. Nem duas túnicas, duas mudas de roupa. A proteção necessária é a de Deus. Tudo isso é simbólico, para dizer: o missionário deve por sua confiança em Deus.

Toda a missão está resumida em quatro ações simbólicas: curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios. São sinais da missão que Jesus compartilha conosco. Sinais que comunicam o amor de Deus que nos liberta. Curar, ressuscitar, purificar, livrar são palavras que traduzem cuidar dos mais pobres e sofridos, comunicar a vida de Deus que põe de pé os humilhados, conferir o perdão do Senhor aos pecadores, libertar as pessoas das garras do mal. A evangelização é o anúncio do Reino que chegou como vida nova, restauração, liberdade, salvação. 




Guardando a mensagem

A missão é de todos. E a missão é comunicar que o Reino de Deus chegou com Jesus. É sugerir às pessoas que abram o seu coração, abram as portas de suas vidas para acolhê-lo. O Reino de Deus ou o seu reinado é a vitória sobre o mal no mundo e o pecado, gerando uma família de filhos livres e amados. O Reino não é o resultado de uma intensa propaganda de massa. É um segredo facilmente captado pelos simples e humildes, ou melhor, revelado a eles por Deus. E não se implanta pela força ou pelo prestígio de alguém. Não somos um exército impondo uma nova ordem. O Reino supõe a liberdade. Se não abrirem as portas, o Reino não entra. Não é uma invasão. A gente só bate à porta, não a arromba. Por isso, o missionário precisa se despojar de qualquer pretensão de grandeza ou de segurança puramente humana.

Não levem ouro nem prata, nem dinheiro nos seus cintos (Mt 10, 9)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
demoramos a compreender que estamos sendo enviados em missão, que somos responsáveis pelo anúncio do Reino de Deus em nossa casa, no lugar onde trabalhamos, em nossos ambientes de convivência, em todos os setores da sociedade. Proclamar o Reino é testemunhar que fomos alcançados pelo amor de Deus, amor gratuito e misericordioso que se manifestou em ti, Senhor Jesus. Não é um produto destinado a ser um sucesso de vendas. É uma boa notícia que muda a nossa vida, e dela, somos apenas portadores e testemunhas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em seu momento de oração, hoje, reze por todas as lideranças da Igreja: catequistas, animadores, ministros ordenados, missionários, educadores, comunicadores cristãos. Que você, eu e todos nós sejamos missionários do jeito que Jesus mandou no evangelho de hoje.

Comunicando

Sendo hoje quinta-feira, celebro a Santa Missa às 11 horas, nas suas intenções. E você pode participar conosco presencialmente no Recife, pelo Youtube ou ainda pela Rádio Amanhecer e rádios parceiras. Aproveite para colocar já a sua intenção no chat do YouTube. 

Estão à sua disposição as últimas vagas para nossa peregrinação a Santuários Marianos em Portugal, Espanha, França e Itália, no próximo mês de outubro. Pense aí como vai ser bom estarmos juntos no Jubileu Mariano, em Roma, com o Papa Leão XIV. Faça contato conosco pelo whatsapp 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Venha o teu Reino!



   09 de julho de 2025   

Quarta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum


Dia de Santa Paulina


     Evangelho     


Mt 10,1-7

Naquele tempo, 1Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos maus e de curar todo tipo de doença e enfermidade. 2Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus.
5Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”.



     Meditação.     


No caminho, vocês anunciem: O Reino dos céus está próximo! (Mt 10, 5)

Jesus chamou os doze, deu-lhes poder sobre a doença e sobre o mal e os enviou em missão. Entre outras coisas, recomendou que avisassem ao povo que o Reino estava próximo. O evangelista Mateus, por escrever seu evangelho entre comunidades formadas por judeus, evita dizer o nome “Deus”, substituindo-o por “céus”. Reino dos céus. Doze é uma representação do povo de Deus e de sua organização, de sua liderança. O povo do Antigo Testamento era o povo das doze tribos, dos doze patriarcas. A escolha e o envio de doze líderes mostra a intenção de Jesus: ele está construindo um novo momento do povo de Deus, o povo que estará unido a Deus pela nova e eterna aliança.

Jesus dá várias instruções aos doze. De uma forma ativa, eles se associam à missão de Jesus. E a missão de Jesus está descrita um pouco antes, no final do capítulo 9: Jesus vendo as multidões, se compadeceu delas e as ensinava, pregando o Reino de Deus e curando as sua enfermidades.  Compadecia-se de sua situação e lhes anunciava o Reino de Deus que chegara com ele para liberdade e salvação de todos. Eles deviam anunciar que o Reino estava próximo, isto é, aproximou-se, chegou para eles. O Reino é Deus nos salvando em Cristo. Assim, os apóstolos pelo caminho devem avisar ao povo essa novidade, com palavras, mas também com gestos e ações onde se reconheça que Deus está agindo em favor do seu povo sofredor. O Reino é Deus nos libertando. É isso que está sinalizado nas curas de enfermidades e expulsões de espíritos impuros.

Reconhecemos, com gratidão, que a Igreja de Cristo é apostólica. Apostólica porque Jesus a fundou sobre a fé dos apóstolos, proclamada por Pedro. Apostólica, porque nasceu da pregação dos apóstolos, testemunhas do ressuscitado, enviados a todo o mundo. Apostólica, porque está em comunhão com o apóstolo Pedro, a pedra sobre a qual o Senhor quis construir a sua Igreja e lhe confiou as chaves do 
Reino de Deus  

Meditando o evangelho do envio dos doze, nos damos conta do amor de Deus que vem nos encontrar, da presença de Jesus que continua nos buscando e nos encontrando nos caminho de nossa vida e de nossa história. Nossa tarefa é também avisar a todos que o Reino do amor de Deus chegou, vencendo o ódio, a dor, o pecado. Esse é a boa nova, o evangelho a ser anunciado; a grande novidade a ser comunicada, a presença redentora de Jesus entre nós.





Guardando a mensagem

A missão de Jesus é anunciar o Reino de Deus. O Reino de Deus é o próprio Jesus entre nós, nos libertando. Ele anuncia o Reino com a pregação, mas também o concretiza com ações pelas quais as pessoas estão sendo resgatadas da doença, da exclusão, da dominação do mal, do pecado. Escolhendo e enviando doze em missão, Jesus está visivelmente construindo um novo momento de organização do povo eleito em aliança com Deus. A missão dos doze, como a de Jesus, é anunciar a proximidade do Reino. O Reino, por meio de Jesus, se aproximou de nós, está bem pertinho, agora é só a gente abrir as portas para acolhê-lo; as portas do coração, de nossa vida familiar, de nossa vida em sociedade.

No caminho, vocês anunciem: O Reino dos céus está próximo! (Mt 10, 5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
mandaste os doze anunciar ao povo, pelo caminho, que “o Reino de Deus está próximo”, que o céu se aproximou para resgatar e sarar toda ferida. A nós que vivemos imersos em um mundo materialista, esta palavra nos consola: Deus não nos esqueceu, ele vem ao nosso encontro, com o seu Reino. Concede-nos, Senhor, que não percamos o horizonte da vida eterna, mesmo carregando os fardos de nossa existência, às voltas com as tarefas de cada dia. Que no corre-corre de nossa vida, permaneça sempre no nosso coração esse sentido do teu Reino, reino de amor e justiça que começa aqui, mas só se realiza plenamente na eternidade. Dá-nos, Senhor, viver lembrados e embalados por essa verdade do teu amor: o Reino está próximo, está pertinho de cada um. É só abrir a porta do coração e deixar-te entrar. Tu anuncias o Reino, tu fazes o Reino de Deus acontecer entre nós com tua palavra e teu poder restaurador. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Repita várias vezes, durante o dia de hoje, aquela palavrinha do Pai Nosso: “Venha a nós o vosso Reino”.

Comunicando

Talvez você não saiba. Todo dia, às 18 horas, rezamos o terço mariano transmitido por uma rede de rádios e pelas redes sociais. Este é também um serviço da AMA. É um lindo momento de oração, envolvendo as famílias, na meditação dos mistérios de nossa fé, ao lado da Virgem Maria. Estou deixando um link pra você nos acompanhar, hoje, pelo YouTube. É todo dia, às 18 horas, de segunda a sexta.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



A história do homem mudo.


 08 de julho de 2025   

Terça-feira da 14ª Semana do Tempo Comum 

     Evangelho.    


Mt 9,32-38

Naquele tempo, 32apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. 33Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu coisa igual em Israel”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo o tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!”

     Meditação.    


Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)

Você é um cidadão. Você é uma cidadã. Coisa muito boa, parabéns. Mas, é um cidadão que participa ou que apenas assiste o que está acontecendo? Olha que aqui vai uma grande diferença, não é verdade? Há cidadãos que acompanham o movimento da sociedade, formam sua opinião, discutem, dão palpite... de alguma forma, participam. E há cidadãos que estão por fora, estão à margem, não se sentem em condições de dar sua opinião. Estão mudos, silenciosos. Não participam. Você conhece pessoas assim?

Por que será que há pessoas assim, mudas, num país democrático e numa Igreja de comunidades? Talvez o país não seja tão democrático assim. E a Igreja não esteja assim tão comunitária. O fato é este e é grave: há pessoas deixadas à margem, sem efetiva participação, que não têm opinião para dar ou que apenas repetem a visão dos grupos econômicos detentores dos grandes veículos de comunicação.

Esse problema, com certeza, havia no tempo de Jesus. Gente calada, silenciada por uma educação autoritária ou por uma situação política repressora. Gente acostumada a viver à margem, desconsiderada, só contada para os impostos, mas sem nenhuma participação e envolvimento na vida do país. 

No evangelho de hoje, está dito que Jesus, vendo o seu povo, compadeceu-se dele, vendo, naquela gente cansada e abatida, ovelhas sem pastor. E por onde ele andasse – povoados, cidades, sinagogas – ensinava, pregava o evangelho do Reino e curava todo tipo de doença e enfermidade. As curas eram uma forma de concretização do efeito da pregação. A Palavra de Deus resgata a dignidade da pessoa, acorda a sua condição de filho de Deus, devolve sua condição de protagonista de sua própria história. Boa parte das doenças se alimenta do abatimento das pessoas, de sua permanente humilhação, de sua falta de horizonte. Jesus, com a força divina, anunciava o amor de Deus, libertando, curando, expulsando o mal da vida das pessoas.

E é aí que entra a história do homem mudo que apresentaram a Jesus. Como eles entendiam, estava mudo porque estava possuído por um demônio. Justo. Povo calado, silencioso, sem opinião sobre nada de importante só pode mesmo estar possuído por uma força maligna que o impede de se sentir e de se expressar como filho de Deus, como cidadão participante e informado, capaz de dizer sua palavra sobre o mundo. Quando o demônio foi expulso, ele começou a falar.

É isso que ocorre com a pregação do Evangelho, o amor de Deus comunicado pela presença de Jesus... os que estão à margem são chamados para o centro; aos que não estão enxergando, os cegos, é dada a luz da fé; os que estão possuídos pelo mal, pela doença, experimentam o poder libertador de Deus. O mudo começa a falar... o cidadão passivo começa a participar.




Guardando a mensagem

Apresentaram um mudo a Jesus. Quase sempre a doença era explicada pela dominação de um mau espírito. Jesus expulsou o demônio e o mudo começou a falar. Em nossa sociedade, há um grande número de cidadãos mudos, silenciosos, à margem dos processos sociais. A verdadeira evangelização liberta essas pessoas de sua mudez, fazendo delas cidadãos participantes na sociedade e na Igreja.

Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
ficamos felizes quando percebemos que a pregação da Palavra de Deus está gerando cristãos conscientes, responsáveis e participativos na vida da Igreja.  Ficamos felizes quando percebemos que cidadãos antes passivos, desconsiderados, começam a ter sua opinião, a se sentir envolvidos e participantes nos processos. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Talvez hoje se apresente uma situação em que você precise emitir sua opinião. Faça um esforço para participar. Participando, a gente contribui, esclarece, aprende, forma opinião. A evangelização cura as pessoas de sua mudez.

Comunicando

Parece que você não pode acompanhar o encontro bíblico de ontem. Foi um precioso estudo sobre mais um capítulo do  livro dos Atos dos Apóstolos. Claro, você pode vê-lo hoje ou a qualquer momento, ficou gravado no Youtube. É o encontro de número 17. Quer um conselho? Não perca essa oportunidade de conhecer mais a palavra de Deus. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


A menina, a mulher e a comunidade estéril


07 de julho de 2025

Segunda-feira da 14ª Semana do Tempo Comum


    Evangelho.    


Mt 9,18-26

18Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, inclinou-se profundamente diante dele, e disse: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá”.
19Jesus levantou-se e o seguiu, junto com os seus discípulos. 20Nisto, uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos veio por trás dele e tocou a barra do seu manto. 21Ela pensava consigo: “Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada”. 22Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: “Coragem, filha! A tua fé te salvou”. E a mulher ficou curada a partir daquele instante.
23Chegando à casa do chefe, Jesus viu os tocadores de flauta e a multidão alvoroçada, 24e disse: “Retirai-vos, porque a menina não morreu, mas está dormindo”. E começaram a caçoar dele. 25Quando a multidão foi afastada, Jesus entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26Essa notícia espalhou-se por toda aquela região.


    Meditação.    


Coragem, filha! A tua fé te salvou! (Mt 9, 22)

O chefe da Sinagoga chegou informando que sua filha acabara de morrer. E implorou que Jesus fosse à sua casa, trazer a menina de volta à vida. Jesus já seguia pra lá quando uma mulher que sofria de fluxo de sangue tocou na barra do seu manto e ficou curada. Na casa da menina falecida, Jesus dispensou o povo e os músicos que estavam no velório. E levantou a menina pela mão e ela voltou a viver.

São duas histórias entrelaçadas, a da filha do chefe da Sinagoga e a da mulher que sofria de hemorragia. Nos evangelhos de Marcos e Lucas, essa história tem mais detalhes. Fica-se sabendo, por exemplo, o nome do chefe da Sinagoga, Jairo e a idade da menina, 12 anos. As duas histórias estão juntas por alguma razão. As duas mulheres têm um impedimento grave para gerar a vida, para ter filhos. Na menina, aos 12 anos, idade da primeira menstruação, o organismo estaria se preparando para a futura maternidade. Morrendo, morrem as possibilidades de futuro, corta-se pela raiz a possibilidade de ser mãe. No tempo de Jesus, as mulheres se casavam muito cedo. E a mulher, sofrendo de perda de sangue há 12 anos, também não podia ser mãe, possivelmente por ter a sua menstruação desordenada. Afinal, as duas não podiam gerar vida, serem mães.

E não poder ser mãe era realmente um problema? Ainda é um problema muito grande. Muitos casais hoje vivem em grande sofrimento, porque a esposa não consegue engravidar, não é verdade? Nem sempre a causa está na mulher. No tempo de Jesus, a coisa era ainda mais grave. A mulher não sendo mãe era completamente desconsiderada. A viúva sem filhos não tinha nem direito aos bens deixados pelo marido. E família sem filhos, como a de Abraão, não tinha futuro. Para nos darmos conta do drama, basta nos lembrar das mulheres estéreis da Bíblia, como Sara (a esposa de Abraão) no Antigo Testamento e de Izabel (a esposa de Zacarias) no Novo Testamento. As duas viviam tristes por não poderem dar filhos aos seus maridos, por não garantirem o futuro de suas famílias. Deus interveio na vida dessas duas mulheres estéreis, garantindo–lhes a fertilidade.

Então, eram duas mulheres: a menina de 12 anos e a mulher que perdia sangue há 12 anos. Elas estão impedidas de gerar filhos, descendentes. Por elas, não vai passar o futuro. Será que essas duas mulheres poderiam estar representando o povo de Deus? Bom, o número 12 é o número do povo de Deus, o povo das 12 tribos. Jesus escolheu 12 apóstolos, em seu trabalho de restauração do povo eleito. E a mulher muitas vezes aparece como representante da comunidade. É só pensar na mulher vestida de sol, coroada de 12 estrelas, em dores de parto, na visão que teve o apóstolo João. Então, essas duas histórias entrelaçadas podem estar representando a condição em que se encontrava o povo de Deus, a comunidade de Israel. Uma comunidade estéril, sem frutos como a figueira sem figos; sem filhos, como a história das duas mulheres Sara e Isabel.

Aí é que entra Jesus. Ele, o redentor, veio exatamente para isso: para restaurar o povo de Deus como comunidade fértil, capaz de gerar filhos para Deus. Por sua paixão, morte e ressurreição, comunicou vida nova à sua comunidade, o povo dos 12 apóstolos. Na primeira pregação de Pedro, anunciando Jesus morto e ressuscitado, no Pentecostes, foram gerados filhos sem conta para Deus... mais de três mil convertidos e batizados. Um útero fértil, o do povo de Deus restaurado.




Guardando a mensagem

A menina morreu na idade em que o seu corpo começava a se preparar para a maternidade. A mulher estava perdendo sangue, perdendo vida, sem condições de gerar filhos. A menina e a mulher representam bem o povo de Israel em sua condição de esterilidade e incapacidade de gerar descendência e futuro. Foi por meio de Jesus, que as duas mulheres reencontraram a vida. Pelo ministério de Jesus, particularmente por sua morte e ressurreição, o povo de Deus foi restaurado, ganhando a capacidade de gerar filhos, assegurar descendência e futuro como família de Deus.

Coragem, filha! A tua fé te salvou! (Mt 9, 22)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
na história da mulher do fluxo de sangue que tocou a barra de teu manto, tu lhe disseste “Coragem, minha filha, tua fé te salvou”. A fé é a primeira condição para acolhermos a vida nova que tu nos trazes. A fé é a condição para o batismo. Na fé, renascemos nas águas batismais, como novas criaturas. Dá-nos, Senhor, a graça de viver na fé, como filhos e filhas de Deus, renascidos pela água e pelo Espírito Santo. Senhor, há famílias e comunidades, hoje, que estão na condição das duas mulheres do evangelho. Não estão conseguindo gerar filhos na fé da Igreja, estão com dificuldade para evangelizar seus filhos. Dá, Senhor, que toda a Igreja continue sendo fértil em comunicar a fé e a vida de Deus às nossas gerações. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um momento de oração: pelas mulheres casadas que não estão conseguindo engravidar, para que o Senhor as abençoe com a maternidade; pelas congregações religiosas, para que sejam férteis na geração de novos filhos e filhas consagrados ao Senhor; por toda a Igreja que é nossa mãe, para que ela continue gerando muitos filhos para Deus pela pregação do evangelho e pelo batismo.

Comunicando

E como todas as segundas-feiras, nós voltaremos a nos encontrar hoje à noite, no Youtube, para a nossa Segunda Bíblica. O nosso estudo de hoje é sobre o capítulo 14 do Livro dos Atos dos Apóstolos. Reserve já a sua bíblia e o seu caderno de anotações. A gente se encontra às oito e meia da noite, no Canal Padre João Carlos. Combinado?  

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Jesus nos entrega a missão.



​  06 de julho de 2025. 

14º Domingo do Tempo Comum


  Evangelho. 

Lc 10,1-12.17-20

Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa!' 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: 'O Reino de Deus está próximo de vós'. 10 Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 'Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós'. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo! 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade". 17 Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: "Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome". 18 Jesus respondeu: "Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19 Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu".


  Meditação.  

Digam ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês’ (Lc 10, 9)

O evangelho desse domingo desenvolve o tema da ‘Missão’. Jesus envia 72 discípulos à sua frente e lhes faz diversas recomendações. São muitas e belas as lições do evangelho de hoje. Vamos recolher cinco delas.

A primeira lição: A missão é anunciar o Reino de Deus. Jesus mandou avisar que o Reino de Deus está próximo. Todos precisam saber. O Reino é a atuação de Deus entre nós, na pessoa do seu filho Jesus. Ele está conosco, está nos comunicando o amor do Pai; ele nos traz a salvação. O ‘Reino está próximo de vocês’ significa está pertinho, pode ser acessado facilmente, vocês podem entrar nele. A resposta ao anúncio do Reino é a fé e a conversão.

A segunda lição: A missão é tarefa de todos nós. Não somos espectadores. Somos agentes da missão. Jesus enviou antes os doze. Os doze são os apóstolos, como os 12 patriarcas das tribos de Israel. É uma representação das lideranças do povo de Deus. No evangelho de hoje, Jesus enviou 72 discípulos. 72 é um múltiplo de 12 (12 vezes 6). Toda a comunidade, reunida em torno dos doze, está sendo enviada em missão. O fato de enviá-los dois a dois indica que a missão é comunitária, não é uma obra individual.

A terceira lição: A missão não depende de bens. A orientação de Jesus foi não levar sacola, nem bolsa, nem sandália. Segundo outro evangelho, a lista também incluía não levar dinheiro no bolso. A missão não depende de dinheiro. Aliás, pelo que se vê, quanto mais bens alguém tem, menos bem faz. É verdade que precisamos de dinheiro para sustentar nossas atividades pastorais. Mas, o êxito da missão não está no dinheiro. Está no testemunho dos enviados. A sua vida cristã, suas atitudes, suas opções, seu modo de vida, isto é, seu testemunho – é isso que de fato convence, arrasta. Disse Santo Antonio, há mais de 800 anos atrás: “Cessem as palavras, falem as obras”. A missão depende do amor do enviado, que se traduz em testemunho, dedicação, perseverança, oração. “A oração é o coração da Igreja em missão”, disse, certa vez, o Papa Francisco.

A quarta lição do evangelho de hoje: A missão tem uma marca especial: o amor ao necessitado. Jesus recomendou aos seus missionários que, chegando numa cidade, curassem os doentes. Ele mesmo, no evangelho, estava sempre cercado de pobres e sofredores: paralíticos, leprosos, possuídos pelo mal, discriminados pela sociedade. Jesus não era um curandeiro. Seus milagres eram sinais de atenção e amor aos doentes e desamparados. A evangelização se comprova no cuidado com os mais frágeis e abandonados da sociedade, na defesa de seus direitos, na formação de todos para a cidadania.

A quinta lição: A missão aponta para um mundo novo, renovado em Cristo. Jesus falou de sua missão nesses termos: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”. Abrindo as portas para Cristo, estamos abrindo as portas para a justiça, a felicidade, a paz. “Eis que vou fazer correr a paz como um rio” – está no livro do Profeta Isaías (Is 66). “O que conta é a nova criação” – escreveu São Paulo na Carta aos Gálatas (Gl 6). A pregação do evangelho não pode ser apenas uma denúncia das mazelas e dos males do nosso tempo. A boa notícia de que somos portadores é que, com Cristo, o tempo novo já começou e que, por ele e nele, Deus está restaurando todas as coisas. A missão aponta para um mundo novo, renovado em Cristo.




Guardando a mensagem

Jesus enviou 72 dicípulos em missão, com diversas recomendações. Dentre tantas mensagens, identicamos cinco lições: A missão é anunciar o Reino de Deus – A missão é tarefa de todos – A missão não depende de bens – A missão tem uma marca especial: o amor ao necessitado – A missão aponta para um mundo novo, renovado em Cristo. Somos missionários.

Digam ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês’ (Lc 10, 9)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
dá-nos um coração missionário, como o teu. Só assim poderemos estar à altura da missão a que nos envias hoje. Ajuda-nos, Senhor, a realizar a evangelização como anúncio do Reino a todos, não como propaganda de nós mesmos. Que todos nos envolvamos, com generosidade, na missão de testemunhar o Reino em todos os ambiente onde vivemos, trabalhamos, nos divertimos. Que não nos esqueçamos dos pobres em suas necessidades. E que mantenhamos acesa, em nosso mundo, a chama da paz e da esperança. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

No seu caderno espiritual, anote a resposta que Jesus deu aos discípulos quando voltaram da missão: Lucas 10, 18-20.

Comunicando

Ontem, fizemos Show foi em Terra Santa, no estado do Pará, nos festejos de Santa Isabel. No próximo dia 12, estaremos em Porto Velho, estado de Rondônia e no Recife, no dia 14, na festa de N. Senhora do Carmo.

No dia 15, o show será no estado do Amapá, em Mazagão Velho e depois, em Pernambuco: Vicência, no dia 25, Recife, no Congresso de Maria Auxiliadora, no dia 26 e Macaparana, no dia 27.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



O remendo da roupa velha.


  05 de julho de 2025  

Sábado da 13ª Semana do Tempo Comum


    Evangelho.    


Mt 9,14-17

Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” 15Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão.
16Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgão fica maior ainda. 17Também não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas vinho novo se põe em odres novos, e assim os dois se conservam”.



    Meditação.    


Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha (Mt 9, 16)

A reclamação era porque os discípulos de Jesus não estavam jejuando. Os discípulos de João Batista jejuavam, porque não os seus? Reclamação de fariseu. E Jesus: “Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha”. Que roupa velha é essa? Que remendo de pano novo é esse?

Tudo que Jesus estava ensinando era como um pano novo. Sua presença era uma novidade sem precedentes. Seu Evangelho era a roupa nova. São Paulo falou clarinho numa carta: “Tirem essa roupa velha. Vistam-se do homem novo, que renasceu em Cristo”. A roupa velha é o homem velho, o ser humano segundo o pecado, a pessoa humana representada por Adão. Com Jesus, chegou o tempo do homem novo. Nele, qualquer um, qualquer uma que crer renasce, ressurge, é nova criatura. Na segunda carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo ensinou: “Quem está em Cristo é nova criatura. Tudo novo. O que era antigo já passou”. Não é mais tempo de roupa velha. É tempo de revestir-se de Cristo, do homem novo, do ressuscitado.

Falando em roupa, vem logo à lembrança aquela história do cidadão que foi tirado da sala da festa porque não estava com a roupa apropriada. Que roupa seria essa? Ainda não tinha se revestido de Cristo. Não estava revestido do homem novo. Não tinha se convertido ao Evangelho do Senhor. Vejam que Evangelho quer dizer boa nova, quase dá pra dizer: roupa nova.

Claro, não dá para por remendo de pano novo em roupa velha. O Evangelho é esse pano novo. O evangelho é o próprio Jesus, nos diz claramente o evangelista João. Querer por remendo de pano novo em roupa velha, sabe o que é? É não entender a novidade do Evangelho que renova e restaura cada um e cada uma e toda a realidade humana. É usar o Evangelho como remendo no seu modo velho de viver. É claro que isso não dá certo.

Acolher Jesus e seu Evangelho é vestir-se com a roupa nova que o Pai da parábola do filho pródigo revestiu seu filho arrependido. Encontrar-se com Jesus, crer nele, aderir ao seu Evangelho é reencontrar a vida nova, a salvação. É vestir a roupa nova. 




Guardando a mensagem

A novidade da presença de Jesus vai além de apenas repetir a prática do jejum da religião dos antigos. É mais do que ser muito religioso. E muito piedoso. Quem encontrou Jesus e o seu Evangelho encontrou a própria vida, na sua fonte, no seu dinamismo. É nova criatura. Não dá pra fazer deste pano novo apenas um remendo no seu modo velho de viver.

Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha (Mt 9, 16)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
não queremos que a nossa vida cristã, nascida na fé e no batismo, seja apenas um remendo de pano novo numa roupa velha. A roupa velha é a nossa vida de pecado. Não, não. Quando recebemos o batismo, na água e no Espírito Santo, fomos revestidos da roupa nova, fomos revestidos de ti, Senhor Jesus, homem novo. Dá-nos a graça, Senhor, de viver cada dia a novidade de nossa comunhão contigo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Amanhã é domingo, Dia do Senhor. Planeje, hoje, sua participação na Santa Missa e veja se consegue envolver mais alguém de sua família na celebração do domingo. Roupa nova, não remendo!

Comunicando

Hoje, faço show em Terra Santa, diocese de Óbidos, no estado do Pará. É festa de Santa Isabel, padroeira do município. A festa inclui círio fluvial, procissões, missas e atividades culturais. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Uma sociedade renovada pelo evangelho.


  04 de julho de 2025.  

Sexta-feira da 13ª Semana do Tempo Comum

Dia de Santa Isabel de Portugal

1a. Sexta-feira do mês 


  Evangelho. 


Mt 9,9-13

Naquele tempo, 9 Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me!" Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10 Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: "Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?" 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: "Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Aprendei, pois, o que significa: 'Quero misericórdia e não sacrifício'. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores".

 

  Meditação. 


Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos (Mt 9, 10)

No tempo de Jesus, o povo detestava os cobradores de impostos. Certo, ninguém gosta de pagar imposto. E esses tais cobravam impostos para o império romano que dominava o mundo judeu. Pagar imposto aos romanos era um atestado de reconhecimento da dominação estrangeira sobre eles, uma humilhação. Com dois agravantes. Primeiro, essa dominação era de um povo pagão. E os hebreus evitavam qualquer aproximação dos pagãos, por considerá-los impuros. Não se entrava na casa de um pagão. Não se comia com um pagão. E segundo: os cobradores de impostos estavam autorizados a arrancar o quanto pudessem da população. Assim, facilmente se enriqueciam. 

Um judeu se passar a ser cobrador de impostos para os romanos passava a ser uma pessoa mal-vista, detestada. Ficava logo isolada, pois a sua aproximação dos pagãos era um sinal de impureza. Assim, ninguém devia ser amigo deles, nem comer com eles.  Eram chamados de pecadores públicos, publicanos, escória da sociedade.

Mas Jesus tinha um discípulo que era cobrador de impostos: Mateus.  Aliás, foi Jesus quem pessoalmente o convidou a segui-lo, quando ele estava trabalhando na coletoria de impostos. E mais: Jesus, acompanhado dos seus discípulos, participou de uma refeição com Mateus e outros cobradores de impostos e publicanos, na casa dele. 

Nesse fato, vemos com clareza como Jesus se move dentro desse horizonte acanhado que discriminava os pagãos e marginalizava os cobradores de impostos e outros profissionais. E como o Reino de Deus que ele anuncia integra, aproxima e põe na mesma mesa todos os filhos de Deus. 

Claro, a mentalidade do antigo povo de Deus não era essa. Assim, na cena entram os fariseus. Eles se escandalizam com essa atitude de Jesus. E cobram explicações aos discípulos. “Por que o Mestre de vocês come com os cobradores de impostos e pecadores?”. Eles, os fariseus, são os justos, os praticantes da Lei. Os outros são os pecadores, ignorantes, infiéis, impuros. 

A resposta de Jesus foi maravilhosa: “Quem tem saúde, não precisa de médico. Os doentes, sim, estes é que precisam de médico. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores’. Os fariseus se achavam justos, justificados pela prática da Lei. Não precisavam de médico. 



Guardando a mensagem

A comunidade de Jesus (a sua Igreja) aprende com ele a acolher, integrar, fazer comunhão com todos os irmãos e irmãs, sem discriminação. Quando as comunidades se espalharam pelo mundo romano, não foi fácil viverem a comunhão na mesa e na eucaristia com os não-judeus. Assim, esse evangelho era sempre recordado, para mostrar como Jesus agia. Vivemos numa sociedade com grande desigualdade social. Como cristãos, precisamos vencer essas diferenças, para amar e acolher a todos como irmãos, reconhecendo em cada um, em cada uma a dignidade de filho de Deus, de filha de Deus. A igualdade social baseia-se no reconhecimento da dignidade do outro. Essa é a base da construção de uma sociedade renovada pelo evangelho. 

Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos  (Mt 9, 10)

Rezando a palavra


Senhor Jesus,
quando muitos olham para o outro com olhar de superioridade, julgando-se mais santos, mais capazes, mais importantes, tu chamas Mateus, um cobrador de impostos, um cidadão discriminado por sua colaboração com os romanos; tu o chamas para te seguir, para ser teu apóstolo. Quando muitos se isolam em nome de sua santidade ou da ameaça que o outro possa representar, tu te sentas à mesa com os cobradores de impostos e pecadores, fazes comunhão com eles. Continua, Senhor, a nos lembrar o ensinamento dos profetas: “Deus quer a misericórdia, não o sacrifício”, isto é, Deus quer o amor, a caridade mais que ritos religiosos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Leia o evangelho de hoje (Mt 9, 9-13) e procure entender o convite de Jesus pra você: “Siga-me!”.

Comunicando

Para me encontrar nas redes sociais (YouTube, Instagram,Tiktok, Facebook, Spotify, etc.), é só procurar Padre João Carlos. Padre, por extenso.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


A ferida da incredulidade.


  03 de julho de 2025   

Dia de São Tomé, apóstolo.

   Evangelho.   


Jo 20,24-29

24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

   Meditação.   


Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus" (Jo 20, 28).

Hoje é dia do apóstolo Tomé. Ele era um discípulo de Jesus, sempre muito fiel, mas negou-se a crer na ressurreição de Jesus. Mas, claro, Deus sempre escreve certo em linhas tortas. Assim, o santo Papa Gregório Magno, escreveu “O discípulo, que, duvidando da ressurreição do Mestre, pôs as mãos nas chagas do mesmo, curou com isso a ferida da nossa incredulidade”.

Em Tomé, está a nossa fraqueza, a nossa descrença. Mas, também a graça da fé em Cristo Jesus ressuscitado. Vendo por esse lado e aprendendo com a sua história, podemos considerar que Tomé cometeu três erros.

O primeiro foi o seguinte: Ele faltou à celebração. No domingo da ressurreição, à tardinha, os discípulos estavam reunidos... esta era a hora em que a comunidade se reunia nos primeiros tempos do cristianismo, ao entardecer do domingo. Nessa celebração do domingo de páscoa, o próprio Jesus ressuscitado se apresentou no meio deles. Tomé não estava nesta reunião. Não sei onde andava, mas faltou a esse momento tão importante. Jesus fez a saudação do shalom: A paz esteja com vocês! Mostrou-lhes as mãos e o lado, para eles terem certeza que era ele mesmo, o que fora crucificado. E a comunidade ficou, claro, exultante de alegria. Jesus lhes comunicou o Espírito Santo, soprando sobre eles. E lhes enviou em missão, a mesma missão de reconciliação que ele recebera do Pai. Tomé perdeu esse momento tão importante da vida da comunidade.

Por falar em faltar à celebração, hoje tem muito Tomé ausentando-se da celebração do domingo. Cada um tem sua desculpa, nem sempre válida. Faltando, acabam perdendo experiências que elevam qualitativamente a vida cristã naquela comunidade. Perdem o encontro com o Senhor ressuscitado que se revela presente no meio de sua Igreja, comunicando-lhe a sua paz, enchendo os seus corações da alegria de Deus e dando-lhes o seu Santo Espírito para confirmar a todos na missão. Se você, como Tomé, faltar à celebração, você está perdendo muita coisa e vai ficando de fora da caminhada da graça em sua comunidade. Esse foi o primeiro erro de Tomé: faltou à celebração.

Faltar já é uma coisa ruim, agora, duvidar... ah, esse foi o seu segundo erro: Tomé duvidou do testemunho da comunidade. Todo mundo lhe disse o que tinha acontecido. Jesus ressuscitado em pessoa esteve lá, mostrou as marcas de sua crucifixão, soprou sobre eles, os enviou em missão. ‘Não acredito’. Mas, como assim não acredita? ‘Isso é invenção, é fantasia, é conversa de vocês’. Não, Tomé, nós vimos o Senhor. ‘Viram nada! Se eu não vir a marca dos pregos na sua mão e não por a mão no seu lado aberto pela lança, eu não acredito’. ‘Não diga uma coisa dessas, Tomé!’. Duvidou do testemunho da comunidade.

Quando o cristão se ausenta das celebrações da Igreja, começa a se distanciar da fé. Vai incorporando o espírito do mundo: começa a duvidar, a achar defeito na sua religião, a por sob suspeita os ministros da Igreja e por aí vai. Perde a graça comunicada pelo Ressuscitado em cada celebração e vai perdendo o amor pelo seu Senhor e por sua comunidade. É bom não faltar. Mas, se faltar, tenha cuidado para não se distanciar da Igreja. Não deixe que o individualismo do mundo lhe diga que você se resolve diretamente com Deus. A comunidade é quem tem o testemunho sobre Jesus. Não deixe a dúvida entrar no seu coração.

O terceiro erro de Tomé mereceu uma boa reprimenda de Jesus. Precisou ver para crer. Ele só acreditou porque viu. No domingo seguinte ao da ressurreição, eles estavam reunidos de novo, à tardinha. Jesus de novo se apresentou no meio deles e fez a saudação de paz. Chamou logo Tomé e o mandou por o dedo nas marcas das chagas de suas mãos e no seu lado. E lhe disse: “Não seja incrédulo, seja fiel”. Tomé, graças a Deus, mostrou-se humilde e cheio de fé. Exclamou: “Meu Senhor e meu Deus”. Estava reconhecendo que Jesus era o Senhor, o servo glorificado. E que ele era Deus, como o Pai. “Meu Senhor e meu Deus”.





Guardando a mensagem

Tomé cometeu três erros: faltou à celebração, duvidou do testemunho da comunidade e precisou ver para crer. Por sorte, teve um acerto de contas misericordioso com Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!”. Tomé - é você que falta à celebração, que está deixando o mundo encher o seu coração de dúvidas e suspeitas contra a fé. Você também tem a chance de reencontrar Jesus na comunidade e de crer nele de todo o coração. Que hoje seja o dia de sua experiência pessoal com Cristo! Que hoje seja o seu dia de Tomé que tocou nas chagas do Senhor.

Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus" (Jo 20, 28).

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
ainda está ressoando a tua palavra dita à comunidade, naquela tarde de domingo: “Bem-aventurados os que crerem sem terem visto!”. Nós realmente não te conhecemos presencialmente, nunca te vimos, mas cremos em ti. Cremos que tu vives e estás conosco. Tens razão, não podemos nos guiar só pela lógica da comprovação, só aceitar o que for cientificamente provado ou querer entender tudo de Deus, como se tudo coubesse em nossa cabeça ou em nossa lógica humana. Só pela fé, podemos encontrar-te, Senhor, acolher a tua Palavra, celebrar a tua Eucaristia. Obrigado, Senhor, pela fé que habita os nossos corações. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a Palavra

Na sua família, talvez haja alguém como Tomé. Hoje, é o dia de você contar-lhe a história deste apóstolo.

Comunicando

Como todas as quintas-feiras, temos, hoje, a Santa Missa, rezando por você e por todos os que acolhem a Meditação ou nos acompanham no rádio, na televisão, nas redes sociais. A celebração, na Basílica Salesiana do Sagrado Coração de Jesus, no Recife, começa às 11 horas. Deixe a sua intenção no formulário e nos acompanhe pelo rádio ou pelo YouTube. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Fazer o bem incomoda.

 


   02 de julho de 2025.  

Quarta-feira da 13ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mt 8,28-34

Naquele tempo, 28quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29Eles então gritaram: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”.
30Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”.
32Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

   Meditação   


Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Eu vou lhe explicar essa história dos porcos que se afogaram no mar. Uma manada de porcos se perdeu. A economia daquelas famílias ficou arruinada. Resultado: a cidade inteira saiu ao encontro de Jesus e o expulsou de sua região. 

E o que tinha acontecido? Jesus chegou a uma região já fora do seu país, uma região de pagãos. Apareceram dois homens possuídos pelo mal. Os demônios ficaram incomodados e pediram a Jesus, no caso de serem expulsos, de irem para a manada de porcos. Dito e feito. Os dois homens foram libertos, mas os porcos desceram de ladeira abaixo e se jogaram no mar. O povo da cidade não gostou do resultado e expulsou Jesus de suas terras.

Agora, vamos fazer uns descontos. Você lembra que o povo de Israel não comia porco e não criava porco de jeito nenhum. Porco era um símbolo da impureza, um sinal dos pagãos. Lembra a parábola do filho pródigo? O jovem judeu terminou no fundo do poço, empregou-se como cuidador de porcos. Foi a máxima humilhação. Então, vejam, Jesus está numa região de pagãos, logo tem porco por ali. Porco, para os judeus, era um sinal de coisa ruim, de gente que vivia longe da fé no Deus vivo. Mais do que uma história, a narração quer mostrar o significado da ação libertadora de Jesus também fora do povo de Deus e a reação negativa das pessoas. Para isso, a narração pode ter ficado um tanto aumentada. Quem conta um conto, sempre aumenta um ponto.

A verdade é que a ação de Jesus que liberta o homem de todas as amarras e opressões não é bem recebida por todo mundo. Uma sociedade má reage contra Jesus, expulsa-o. Por exemplo, libertar pessoas das drogas - os narcotraficantes ficam furiosos, é uma ameaça à sua economia. Ajudar as pessoas a pensar sobre a realidade - há quem veja nisso um perigo, pois se beneficia do analfabetismo político das pessoas. Denunciar a prostituição de meninas e meninos - a rede que se beneficia desse tipo de exploração reage com violência, pois fica no prejuízo. É o que está dito no texto de hoje. A população pagã daquela região viu-se prejudicada no triste fim da manada de porcos. Preferia que os diabos continuassem oprimindo aqueles homens, mandando naquela terra, impedindo que o povo andasse por aquelas estradas.  Expulsaram Jesus de sua região.




Guardando a mensagem

A ida de Jesus àquela região pagã é uma amostra de seu compromisso missionário com todos, não somente com os judeus. O povo hebreu não comia porco, nem criava porco. Porco era uma marca das regiões pagãs, consideradas impuras. Contando esse fato sobre a ida de Jesus a uma terra estrangeira, era natural que aparecesse porco na história. Livrar a terra dos porcos é também uma forma de falar da purificação daquele ambiente. É claro que essa não é uma narração jornalística, é uma história polarizada pelas disputas entre judeus e pagãos. A reação da cidade à ação de Jesus é a reação ao bem que se faz. Quem faz o bem sempre encontra resistência.

Quando viram Jesus, pediram-lhe que se retirasse de sua região (Mt 8, 28)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós nos entristecemos quando procuramos fazer o bem e encontramos tanta má vontade, resistência, oposição. Foi assim naquela região pagã que visitaste. Fizeste o bem, libertando aqueles dois homens possuídos pelo mal e liberando a estrada para o povo passar, sem medo. Mas, o povo, invocando prejuízos na economia, acabou te expulsando. Essa desculpa da economia, do dinheiro, do administrativo é motivo para muita gente resistir à tua Palavra, esquivar-se da conversão e da mudança de vida. Concede-nos, Senhor, acolher com abertura de coração e espírito de obediência a tua santa Palavra. E não desistirmos, quando trabalhando pelo bem dos outros, encontrarmos incompreensão, oposição, rejeição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pare um pouco pra pensar. Você já foi incompreendido(a) numa coisa boa que tenha feito? Desistiu ou continuou? Talvez alguém perto de você precise de uma força nesse assunto.

Comunicação

Estamos quase fechando o grupo que sai de São Paulo, do aeroporto de Guarulhos. Estou falando de nossa peregrinação de outubro aos Santuários Marianos em Portugal, Espanha, França e Itália, finalizando com o Jubileu Mariano em Roma, com o Papa Leão XIV. O grupo que sai do Recife já está completo. Temos algumas vagas no grupo que sai de São Paulo. Bom, a vaga é sua. Faça contato agora mesmo pelo WhatsApp da peregrinação: 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O medo é um termômetro da fé



  01 de julho de 2025   

Terça-feira da 13ª Semana do Tempo Comum 

   Evangelho.   


Mt 8,23-27

Naquele tempo, 23Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. 24E eis que houve uma grande tempestade no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, dormia.
25Os discípulos aproximaram-se e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!” 26Jesus respondeu: “Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?” Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria. 27Os homens ficaram admirados e diziam: “Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”

   Meditação.   


Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo! (Mt 8, 25).

"Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo". Foi este o pedido de socorro dos discípulos a Jesus que estava dormindo, na barca. Estavam no meio de uma grande tempestade, a barca estava sendo coberta pelas ondas. E em meio a esta preocupante situação, Jesus dormia, calmamente. Eles o acordaram aos gritos: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo”.

Jesus acordou, certamente sem muita pressa. E lhes fez uma pergunta muita séria: “Por que vocês estão com tanto medo, gente fraca na fé?”. Levantou-se e repreendeu os ventos e o mar, e estes se acalmaram. O medo é a reação de quem se sente acuado, sem saída. O medo é a resposta de quem não tem fé ou de quem tem uma fé muito fraca.

Podemos nos perguntar, por que Jesus estava dormindo àquela hora, na barca, em pleno mar revolto? Bom, talvez estivesse cansado. É que a sua vida era uma loucura. Está escrito no Evangelho que ele nem tinha tempo para comer, tantas eram as pessoas que o procuravam. E, além da atenção permanente às pessoas, havia os longos deslocamentos a pé, o cuidado permanente com a formação dos discípulos, as noites de oração... tudo isso contribuía para o seu cansaço. Possivelmente, o seu sono era de cansaço.

Mas, há outra coisa que podemos considerar também. Quem dorme assim na barca, ou no avião ou no carro, dorme tranquilo se tiver confiança em quem está na direção, o motorista, o piloto, não é verdade? Jesus dormiu tranquilo porque estava cansado e também porque confiava na experiência dos seus discípulos pescadores. Confiava nos discípulos. E, claro, depositava sua confiança no Pai. Se confiamos em Deus, não vivemos assustados, como se estivéssemos largados, sem referência, abandonados a nós mesmos. 

Agora, cansaço é uma coisa. Estresse é outra. Quem está apreensivo, estressado, preocupado, dorme bem? O que acha? Não dorme. O estressado pode perder o sono, ou adormecendo, dorme um sono agitado pelos sonhos que se cruzam com suas preocupações, chegando até a ter pesadelo... e já acorda agitado, nervoso, irritado. Quem está estressado, descansa um pouco, mas o seu sono não é tranquilo, não é repousante.

O sono de Jesus, na barca, estava tranquilo ou agitado? Pela chamada de atenção aos discípulos, podemos deduzir que ele estava tranquilo, sereno. ‘Por que vocês estão com tanto medo?”. Agitados estavam os discípulos, coitados, esbaforidos com a tempestade agitando a barca. Para eles, estavam de cara com a morte, podendo naufragar a qualquer momento.

O mar agitado é uma imagem das crises que se abatem em nossa vida: as crises no casamento, a enfermidade, a situação gerada pelo desemprego, os problemas internos da comunidade, do país,... Tem sempre uma tempestade no mar. O que muda é como nós as enfrentamos: com sinais de desespero ou com serenidade? O clamor amedrontado dos discípulos despertou Jesus. O medo é o contrário da confiança. Pedir é correto. Mas, pedir porque confia, porque se está seguro que Deus nos ampara em todas as nossas tribulações. Mas, nunca como expressão de desespero, de desconfiança que estamos perdidos, que vamos naufragar. Deus está em nosso barco, não vamos naufragar. A fé nos dá serenidade em nossas crises. Faz-nos estar calmos no meio da tempestade, embora buscando saída, procurando solução, trabalhando para resolver os problemas que nos afligem. Mas, movidos pela fé, confortados pela convicção profunda que Deus está conosco, que ele não nos abandona, que é ele a nossa segurança.




Guardando a mensagem

O mar estava revolto. Os discípulos estavam agitados. Bateu o desespero. Gritaram, acordaram o Mestre que estava na barca. “Estamos perecendo, salva-nos!”. Jesus pediu calma, serenidade. Essa é atitude de quem tem fé. Ele mesmo estava dormindo um sono tranquilo, cansado, mas confiante na liderança dos seus discípulos. A serenidade nasce da confiança em Deus, em si mesmo e nos outros. A serenidade é o brilho da fé. Se você estiver vivendo uma tempestade, veja se Jesus está no seu barco, peça a ajuda dele. Não se desespere, não morra de medo. Enfrente serenamente a tempestade, com fé, com confiança. Ela vai passar.

Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo! (Mt 8, 25).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
são tantas as tempestades em nossa vida pessoal, em nossa familia, em nossa vida profissional. Senhor, como cristãos, renascidos na tua morte e na tua ressurreição, estamos confiantes que a vida, o amor, a fraternidade, a justiça terão a última palavra; que a tua ressurreição entrou para a história humana como superação de todas as crises, sinal da vitória sobre o mal. Por isso, o nosso olhar é um olhar transfigurado pela fé e pela esperança. A todos, chegue, Senhor, a tua palavra e a tua presença que acalmam os ventos fortes e o mar bravio. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No meio dos problemas que você talvez esteja vivendo, faça um ato de confiança no Senhor Jesus, Deus conosco, e nas pessoas que estão à sua volta. Muita gente merece sua confiança. Você pode contar com elas também.

Comunicando

Se por acaso você não tiver conseguido ver a Segunda Bíblica de ontem, no Youtube, dê uma olhadinha hoje. É só procurar o Canal Padre João Carlos. O estudo bíblico é muito importante para o nosso crescimento cristão.

Compartilho com você minha agenda de shows 
desse mês de julho: 
Terra Santa, no Pará, no dia 05,
Porto Velho, RO, no dia 12,
Recife, PE, no dia 14, na festa de N. Senhora do Carmo,
Mazagão Velho, AP, no dia 15,
Congresso de Maria Auxiliadora no Recife, no dia 26,
Macaparana, PE, no dia 27.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Postagem em destaque

Um jantar na casa de Seu Levi.

   17 de janeiro de 2026.    Sábado da 1ª Semana do Tempo Comum    Evangelho.    Mc 2,13-17 Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira...

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