BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Se você for fiel no pouco, muito mais ele lhe confiará.



  31 de agosto de 2024   

21ª Semana do Tempo Comum,

   Evangelho.   


Mt 25,14-30

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 14"Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 22Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? 27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!”

   Meditação.   


A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade (Mt 25, 15).

Gente de Deus, não é que eu encontrei o servo que recebeu um talento, aquele da história de Jesus! Encontrei-o numa viagem. Conheci logo pela cara. Aquela cara de tristeza envergonhada... Ele estava acompanhado da esposa, sofrida como ele, coitada. Ah, não perdi a oportunidade. ‘Prazer em conhecê-lo, senhor servo. Tenho muita curiosidade a respeito de alguns fatos de sua vida. Espero não ser inconveniente’... Fui direto ao assunto: ‘Me diga uma coisa, naquele episódio da distribuição dos talentos, o senhor ficou revoltado porque 
recebeu tão pouco?’

Ele ficou me olhando... ‘Bom - me disse ele depois de pigarrear - você quer saber se eu fiquei revoltado porque só recebi um talento. Você sabe quanto era um talento? Era um bom dinheiro. Um talento era uma soma de 6.000 denários. Um denário era a diária de um trabalhador. Um talento daria a soma do ganho de 16 anos de trabalho ou mais. Era um bom dinheiro. Você sabe que meus dois colegas receberam mais do que eu. Um recebeu dois talentos e o outro, recebeu cinco. Mas, sinceramente, eu não fiquei revoltado. O patrão deu a cada um conforme a sua capacidade. Ele entregou os seus bens pra gente administrar. Como ele tinha muito mais, quando ele voltou de viagem e houve a prestação de contas, ele disse a cada um dos meus colegas: “muito bem, servo bom e fiel, como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais”. Verdade seja dita, era um bom patrão e confiou em nós’.

Bom, aí, eu fiquei mais curioso ainda... e fiz uma outra pergunta, com cuidado para não ofendê-lo. ‘E por que o senhor não conseguiu render como os outros, por que o senhor enterrou o dinheiro do seu patrão?’ Ele suspirou profundamente.... e respondeu. ‘Sabe o que foi? Eu fiquei com medo de não dar conta, eu sabia que o patrão iria me cobrar, ele era muito exigente, tive medo de arriscar. Achei melhor não mexer naquele dinheiro e guarda-lo para devolvê-lo certinho quando ele voltasse. Vai que ele voltasse logo... Talvez você não saiba, mas naquela época a forma mais segura de guardar dinheiro era debaixo da terra mesmo’. Foi aí que a mulher dele, meio sem paciência, partiu para uma explicação mais clara: ‘Olha, moço, vamos falar a verdade... Meu marido teve medo de se aventurar em negócios que não dessem certo e teve medo do patrão também. Agora, cá pra nós, o medo dele serviu de desculpa, para ele não se mexer, não enfrentar a trabalheira que iria ter’. Cá comigo, me vieram aquelas palavrinhas da história de Jesus ‘servo mau e preguiçoso’. Esse negligente cruzou os braços, na hora que era preciso ir à luta! Foi aí que eu arrisquei um comentário em voz alta: ‘É, os outros dois não perderam tempo, trabalharam duro e chegaram a dobrar o valor que receberam”. E, antes que viesse uma reação, lancei logo a última pergunta.

Fazendo um pouco de média, eu disse: ‘É, meu irmão, patrão só fica feliz quando tira o couro do empregado. Você foi honesto com ele, devolveu o dinheiro dele certinho... Você não acha que ele foi injusto com você? Ele o despediu sem dó, nem piedade.’ O sujeito, já apanhado da vida, ponderou... ‘É, a gente colhe o que planta. Como empregado dele, minha obrigação era fazer prosperar o seu negócio, esse era o meu trabalho. Se eu me neguei a isso, não merecia mais permanecer na sua casa. Ele estava com a razão. Agora, aqui fora é que eu sei a oportunidade que perdi... E a mulher dele completou: ‘Nós sabemos, meu velho, nós sabemos...’.




Guardando a mensagem

Na parábola, o patrão é Deus. Ele nos confia seus bens para administrarmos. Cada servo recebe segundo sua capacidade. E não recebe pouco. Sua função é trabalhar, é empreender, é fazer render o que recebeu. Com os dons que o senhor nos confia, podemos contribuir para que tudo melhore ao nosso redor: a família, a comunidade, a escola, o bairro, o mundo... Não foram poucos os recursos que Deus nos deu: consciência, inteligência, saúde, família, amigos, oportunidades... E esses dons humanos são pequenos e poucos diante dos bens eternos que ele nos concede: a fé, a intercessão da Virgem Maria, a pertença à Igreja, o dom do Espírito Santo, o perdão dos pecados, a luz de sua Palavra, a presença eucarística de Jesus... Não podemos enterrar esses talentos. Temos que nos empenhar, como servos bons e fiéis, para que haja crescimento, para que apareçam frutos, para que tudo melhore para felicidade nossa, para o bem dos que nos cercam e para a glória do nosso Senhor e Deus.

A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade (Mt 25, 15).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
obrigado por tudo que nos confiaste. Sabemos que são teus esses bens que estamos administrando e que deles vamos prestar contas. É verdade, esta é a hora do empenho, do trabalho, do compromisso. Hora de confiar e empreender, de ousar e ir à luta. Queremos ouvir a tua aprovação: “muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar de minha alegria”. Ah, Senhor, é tudo o que, no final, nós queremos ouvir. Senhor, cuida, hoje, daqueles que estão se julgando inúteis e fracassados. Dá-lhes o ânimo do teu Santo Espírito. Enquanto aguardamos a tua chegada, ou a tua chamada, é tempo de crescimento, de superação, de conquista. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pense em como empenhar-se, com fidelidade e perseverança, no desenvolvimento dos talentos que Deus lhe deu.

Comunicando

Em setembro, teremos o Curso Bíblico on-line sobre o Profeta Ezequiel, na semana de 16 a 20. Vá se programando para participar. Vai ser muito valioso para o seu crescimento cristão.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Não se atrase para o seu casamento.




  30 de agosto de 2024  

21ª Semana do Tempo Comum 


   Evangelho   


Mt 25,1-13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1"O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide a seu encontro!’ 7Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. 10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ 12Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

   Meditação   


O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo (Mt 25,1)

O evangelho de hoje conta a história de cinco moças que foram barradas numa festa, numa festa de casamento. E o mais chato, sabe o que foi, é que elas eram pajens do noivo, faziam parte de um grupo que acompanharia o ingresso do noivo na cerimônia. Eram dez moças que iriam acompanhar a entrada do noivo... olha que história!

Bom, dez jovens estavam aguardando a hora de entrar com o noivo na festa do casamento. Cada uma com sua lâmpada de óleo na mão. O noivo demorou a chegar. Elas acabaram cochilando e dormindo. Acordaram com alguém gritando: “O noivo está chegando!”. Foi aquele alvoroço. Apareceu logo um problema: cinco lâmpadas estavam já se apagando. E suas donas não tinham levado uma reserva de óleo para reabastecê-las. E agora? Pediram às outras cinco para dividir com elas o óleo de reserva que cada uma tinha levado. ‘Não dá. Assim, no meio da festa, todas as lâmpadas de óleo vão se apagar. É melhor vocês saírem para comprar óleo’. Lá se foram esbaforidas as cinco jovens, atrás de comprar óleo numa hora daquelas. O noivo chegou, entrou todo mundo, as portas se fecharam. Quando voltaram, coitadas, não puderam mais entrar. Até o noivo mandou dizer que não sabia quem eram elas.

Para aquelas moças, terem ficado do lado de fora foi o fracasso de suas vidas. Sabe por quê? Porque elas viviam para esse grande momento, para o encontro com o noivo. Bom, aqui precisaria maior explicação, mas vamos assim mesmo. Porque o noivo era o noivo delas. O noivo é Jesus. As moças somos nós, sua Igreja. E vivemos para esse grande encontro com o Senhor que está chegando. Reparou que, na história, não tem noiva? As noivas são elas. A Igreja é a noiva que aguarda a chegada do seu Senhor, para a celebração das núpcias eternas. As noivas, compreendam, somos nós. Não entrar na festa é perder a salvação eterna.

O que foi que não deu certo? Pensemos um pouco. Bom, o que não deu certo foi que elas não puderam entrar na festa porque chegaram atrasadas para a entrada do noivo. E por que? Porque não tinham se preparado, trazendo uma reserva de óleo, para o caso de a cerimônia demorar a começar. No caso, o noivo aparentemente se atrasou. Então, a lição da parábola pode estar exatamente aí. Todos vamos ao casamento, claro, somos a comunidade-noiva. A Escritura toda pode ser compreendida por essa chave da Aliança (como um casamento) entre Deus e Israel. "Felizes os convidados para as núpcias do Cordeiro", diz o livro do Apocalipse. Nós somos os convidados para estas núpcias, este casamento. Mas, precisamos manter a nossa lamparina acesa, porque a qualquer momento o noivo pode chegar e o portão da festa pode se abrir. Para isso, precisamos ter uma reserva de óleo. E o que seria esse óleo, esse combustível que mantém acesa a chama da minha lamparina? Eu penso na oração, na meditação da Palavra, no exercício da caridade... Posso pensar em tudo o que concorre para manter acesa a chama de minha fé, que ilumina a minha vida e o meu encontro com o Senhor Jesus.




Guardando a mensagem

O que será que Jesus quis ensinar com essa parábola? A lição está no fim da história. “Portanto, fiquem vigilantes, porque ninguém sabe o dia, nem a hora”. Está no contexto da preocupação de Jesus pra gente não relaxar, enquanto esperamos a sua volta. O noivo está demorando. O noivo é ele. Está demorando, mas chega a qualquer momento. A noiva somos nós, a Igreja. Reparou que cinco se perderam? Ninguém se perde sozinho, já dizia Santa Terezinha. Por isso mesmo, nada de baixar a guarda, de descuidar-se... O tempo de espera é tempo de compromisso, de construção. Vigilância é a marca desse tempo, enquanto estamos aguardando a sua volta. Vigilância é não deixarmos para depois o que temos que fazer hoje, é fazer bem o que temos que fazer, e é estarmos com tudo pronto para o grande encontro. Porque ninguém sabe o dia, nem a hora.

O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo (Mt 25, 1)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
como são bonitas as tuas histórias. Nesta parábola de hoje, tu és o noivo e estás sendo aguardado. Esse tempo de espera é tempo de vigilância, lâmpadas acesas, sustentadas pelo óleo da fé, da esperança e da caridade para clarear a grande festa que se aproxima, o casamento profetizado no final do livro do Apocalipse. A Igreja trajada de noiva, a nova Jerusalém, aguarda ansiosamente a tua volta. Como diz o livro santo: “A Igreja e o Espírito dizem: Maranatha! Vem, Senhor Jesus”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Estar vigilante é como não deixar o óleo faltar para manter a lamparina acesa. Identifique, na sua vida, que óleo não pode faltar pra você se manter vigilante à espera do encontro com o Senhor.

Comunicando

Em setembro, teremos o Curso Bíblico on-line sobre o Profeta Ezequiel, na semana de 16 a 20. Vá se programando para participar. Vai ser muito valioso para o seu crescimento cristão.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Seja fiel e perseverante.




   29 de agosto de 2024.   

Memória do Martírio de São João Batista


   Evangelho.   


Mc 6,17-29

Naquele tempo, 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava.
21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu te darei”. 23E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”.
24Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João.
O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.


   Meditação.   


Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão (Mc 6, 17)

Hoje, temos, na liturgia, a memória do martírio de São João Batista. O profeta João Batista estava preparando o povo para o novo tempo do Messias. Ele tinha feito críticas ao rei Herodes, porque ele estava vivendo com a cunhada. Na primeira oportunidade, a mulher conseguiu que o profeta fosse preso. No aniversário do rei, sua filha dançou e encantou os convivas e o rei prometeu dar-lhe o que pedisse. Pronto, a mãe soprou: a cabeça de João Batista. Assim, mataram o profeta, para tristeza e desorientação do povo que o seguia. 

Quando o Batista foi preso, Jesus tomou uma decisão: voltar para a Galiléia e começar o seu ministério. Quando correu a notícia da morte do profeta, o povo sofrido acorreu a Jesus. É o texto que segue à morte do Batista. Jesus deu atenção àquela gente sofrida, cheio de compaixão. Foi naquele dia em que ele, a partir de poucos pães e peixes, alimentou mais de 5 mil pessoas. Reviveu-se a cena do deserto, quando Deus alimentava o seu povo peregrino com o maná. Foi um verdadeiro banquete. Esse banquete de Jesus com o povo naquele lugar deserto é exatamente o contrário do banquete de Herodes, no seu palácio. Lá, foi servida, numa bandeja, a cabeça do profeta João Batista. Foi um banquete de morte. O de Jesus, foi um banquete de vida, de fé, de solidariedade. Foi assim que Jesus reagiu à morte de João Batista. 

As comunidades cristãs quando contavam essa história, mais de 30 anos depois pondo-a por escrito, estavam sofrendo grande perseguição. Os cristãos que moravam em Roma estavam sofrendo grande violência, acusados de todo tipo de barbaridade. A comunidade de Jerusalém já tinha passado por um momento muito difícil, no tempo de Estêvão, o diácono que foi morto a pedradas. E nos três primeiros séculos, os cristãos foram submetidos a muito sofrimento: expulsão das cidades, prisões, sequestro dos seus bens, humilhações e morte nas arenas em espetáculos públicos. Nesse primeiro período da Igreja, a leitura do martírio de João Batista inspirava os cristãos a se manterem firmes e fiéis, na perseguição. 

Para nós que estamos lendo esse texto, hoje, qual será a mensagem? Eu fico pensando quão séria é a nossa condição de seguidores de Jesus. Somos filhos de Deus, temos o evangelho como nossa regra de vida, somos também nós portadores da mensagem do Reino de Deus ao mundo. Tudo isso é graça de Deus em nossa vida, mas também uma grande responsabilidade. Uma graça que nos pede fidelidade, perseverança, mesmo nas adversidades ou nas perseguições. O martírio de João Batista há de ser uma inspiração também para nós. 





Guardando a mensagem

A narração do martírio de João Batista inspirou as primeiras comunidades cristãs a se manterem fiéis e perseverantes, apesar das dificuldades e das perseguições. De alguma forma, a narração já vai preparando o leitor para os fatos da paixão e morte de Jesus. Ele levou sua missão até o fim, com firmeza e detemor. Venceu, ressuscitou, por sua fidelidade ao Pai e à missão que dele recebeu. Para nós que lemos hoje esse texto, o martírio de João Batista nos chama também a levar a sério nossa condição de discípulos e seguidores de Jesus. Tomemos distância de uma vida cristã medíocre, acomodada, descomprometida. 

Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão (Mc 6, 17)

Rezando a Palavra

Senhor Jesus, 
ficamos imaginando como recebeste a notícia da prisão e depois da morte do profeta João Batista. Ele estava preparando e purificando o povo para acolher o novo tempo que chegara contigo. Ele tinha te apresentado como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E, mesmo a contragosto, tinha te batizado no Rio Jordão. Um homem de Deus, um profeta. Que perversidade o rei da Galiléia fez com ele. Mas tu, Senhor, longe de cederes ao medo, exatamente naquele momento iniciaste teu ministério de vida e salvação. Concede, Senhor, que o exemplo de João Batista nos anime a viver o evangelho com seriedade, com perseverança, com fidelidade. Os momentos de prova, Senhor, nos fortaleçam. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Veja se há na sua vida cristã algum sinal de acomodação, de fuga do compromisso. Já sabe o que fazer. 

Comunicando

Na Santa Missa desta quinta-feira, celebro em ação de graças pelos 41 anos de minha ordenação sacerdotal. Como todas as quintas-feira, a celebração começa às 11 horas e é transmitida pelo rádio e pelo meu Canal no Youtube. Agradeça comigo. 

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB


Podres por dentro.



   28 de agosto de 2024   

Memória de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja


   Evangelho.   


Mt 23,27-32

Naquele tempo, disse Jesus: 27“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.
29Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. 31Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32Completai, pois, a medida de vossos pais!”

   Meditação.   


Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça (Mt 23, 28).

Jesus foi muito duro com os fariseus. Desmascarou neles a presunção de serem santos e fiéis diante do povo, mas na verdade serem movidos por sentimentos e interesses reprováveis: o desprezo pelos mais pobres ou menos praticantes, o sentimento de superioridade sobre os outros, o exibicionismo de sua piedade, a hipocrisia de suas ações. No evangelho de hoje, os chamou de sepulcros caiados, bonitos por fora, mas podres por dentro. Olha a palavra de hoje: “Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23, 28).

Nesse confronto com os fariseus, Jesus usa a fórmula dos “ais” dos antigos profetas. É uma forma de denúncia e condenação. O capítulo 23 do evangelho de São Mateus registra sete “ais” que ele dirigiu contra os fariseus. O texto de hoje nos reporta dois deles. E a denúncia é clara: aparentam uma coisa e são outra (são como sepulcros caiados); e são coniventes com a violência, disfarçando homenagem às vítimas (ficam enfeitando os túmulos dos justos).

Bom, essa palavra de Jesus não é mais para reprovar os antigos fariseus que já não existem. Hoje, essa palavra vem para nos corrigir no que exista, em nós ou entre nós, de farisaísmo, de hipocrisia, de culto à aparência. Sim, porque o mundo presta culto à aparência, como eu digo naquela música “Profetas”. Vale mais a fachada, do que o interior. Vale mais a aparência do que a realidade. E é isso que Jesus está recriminando.

E onde a gente precisa se corrigir? Bom, por fora, a coisa já está bonita. É por dentro que precisamos mudar, para sermos tão cordiais com os de casa como o somos com as pessoas de fora; para que o nosso sorriso corresponda aos verdadeiros sentimentos do nosso coração. É um convite, então, para limparmos nosso coração de tanta coisa ruim, de tantos sentimentos negativos, preconceitos, desejos de vingança... Sermos bons por dentro e por fora, sem segundas intenções, nem mascaramentos. E o remédio, qual é? A conversão. Nada de farisaísmo. Nada de máscaras, de mentiras, de faz de conta. Verdadeiros e bons, por dentro e por fora. É assim que Jesus nos quer.





Guardando a mensagem

São sete “ais” que Jesus dirige aos fariseus, usando a fórmula clássica de condenação usada pelos antigos profetas. Nos dois “ais” do evangelho de hoje, Jesus denuncia a falsidade deles. São sepulcros caiados: cara bonita, aparência de santidade, mas movidos a ambições, maldades e a preconceito. Enfeitam os túmulos dos justos: é apenas um disfarce de sua conivência com a violência e a exclusão. Isso tudo Jesus está dizendo, hoje, não mais para os antigos fariseus, mas para o que existir de ‘fariseu’ dentro de nós e em nossa convivência social.

Vocês, por fora, parecem justos, diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça (Mt 23, 28).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a palavra, hoje, é uma chamada de atenção para nós. Como cristãos, precisamos ser coerentes com o que professamos. Não podemos ser pessoas que parecem uma coisa e são outra, que defendem uma coisa e vivem outra. Ah, Senhor, vivemos numa sociedade que valoriza mais a embalagem que o conteúdo. Assim, somos permanentemente tentados a parecer mais do que ser. Ensina-nos, Senhor, a ser verdadeiros, a cultivar uma consciência reta, um coração puro como o teu. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, a Igreja está celebrando um homem irrequieto que buscou altos conhecimentos, reconhecimento social e os prazeres de uma vida desregrada. Chegou a ser uma afamado professor de retórica, em Milão. Acostumado com os clássicos gregos, achava a Bíblia um livro grosseiro e sem lógica. Mas, Deus ouviu as orações de sua mãe. E ele ouviu os sermões do bispo Ambrósio de Milão. E conheceu a verdade que está em Cristo, a verdade de um Deus que o amava sem reservas. Santo Agostinho. Na sua conversão, Agostinho fez uma profunda experiência de Deus, lendo um trecho da Carta de São Paulo aos Romanos: Rm 13, 13-14. Que tal você ler, hoje, esse texto em sua Bíblia: Rm 13, 13-14?

Comunicando

Como todas as quartas-feiras, hoje, os grupos de estudo da Segunda Bíblica no WhatsApp e no Telegram estarão abertos para receber a resposta da pergunta da Semana. 

A partir de hoje, estamos começando no meu Canal do Youtube a publicação semanal do podcast chamado "Diálogos de Fé". Neste primeiro episódio, converso com Déborah Brito, jovem educadora, que está de malas prontras para um ano de voluntariado missionário em Angola.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Onde é que o camelo entra nessa história?

27 de agosto de 2024.


Memória de Santa Mônica



Evangelho.



Mt 23,23-26


Naquele tempo, disse Jesus: 23 "Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24 Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25 Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26 Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo".



  Meditação.  


Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)

A gente até acha engraçado. O navio está afundando, mas a grande preocupação daquele capitão era pintar o mastro da embarcação. Engraçado e desesperador. O navio está afundando, mas ele está preocupado com a pintura do mastro do navio. Pode ser que a obsessão pela apresentação externa das coisas ou por alguns detalhes seja tão grande, que a pessoa perca o senso do real. E fique escravo de uma visão mesquinha e limitada.

É o que estava acontecendo no tempo de Jesus. Os fariseus viviam tão obcecados pelo fiel cumprimento da Lei de Moisés que esqueciam as coisas mais importantes da própria Lei. A Lei era uma expressão da aliança de Deus com o seu povo. A chamada Lei era um contrato de amizade e mútua pertença entre Deus e o povo hebreu. Mas, aos poucos foi se transformando num fardo pesado para as pessoas, pela quantidade de novos preceitos escritos e orais que foram sendo incorporados. Assim, com tanta preocupação com os detalhes, o principal ficava esquecido ou relegado ao segundo plano.

E esse assunto, Jesus não deixou por menos. Todo o capítulo 23 do evangelho de São Mateus é uma denúncia contra a visão míope daqueles homens tão apegados à Lei, os fariseus. Olha o que está no evangelho de hoje: “Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade“. A justiça, a misericórdia e a fidelidade – segundo disse Jesus – são os ensinamentos mais importantes da Lei. Mas, eles estavam preocupados com picuinhas.

O sábado, por exemplo, era uma coisa importante. Tratava-se de guardar um dia na semana para honrar o Deus criador e libertador e afirmar a dignidade de pessoas livres e donas de sua capacidade de trabalho. O sábado ou o domingo é uma instituição maravilhosa, divina. Mas, os fariseus ficavam com tanta exigência, inflaciondo o preceito do sábado de tantas normas e proibições que, no final das contas, o sábado tornou-se mais uma opressão do que um respiro de liberdade. A legislação previa até a quantidade de passos que podiam ser dados em dia de sábado, uma coisa sufocante. Diante disso, Jesus se insurgiu, ensinando: ‘O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado’.

Há sempre um risco de a gente ficar tão focado numa coisa, agarrando-se a pormenores, que termine perdendo a visão de conjunto, como no caso daquele capitão do navio, que, com o barco afundando, estava preocupado mesmo com a pintura do mastro. Os fariseus repetiam a mesma coisa na religião. Aferravam-se a picuinhas, coisas em si corretas, mas esquecendo-se do principal. E, assim, na sua miopia oprimiam o povo e descaracterizavam a religião. Jesus os chamou de ‘guias cegos’. “Vocês filtram o mosquito e engolem o camelo”. 

Guardando a mensagem

Os fariseus estavam tão preocupados com coisinhas secundárias, que se esqueciam do principal: a fidelidade, a misericórdia, a justiça. É importante a gente notar que esse defeito dos fariseus é sempre uma tentação em nossas instituições, na vida das comunidades e das famílias, na vida da Igreja. Não podemos esquecer o principal, desviando-nos para coisas secundárias e marginais. Às vezes, se briga por uma bobagem, um detalhe, uma coisa pequena. Às vezes, se julga uma pessoa por um deslize, esquecendo-se toda uma vida de doação e serviço. Está na hora de a gente parar de “coar mosquito e engolir camelo”.

Vocês deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23, 23)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
está escrito na Carta do teu apóstolo Pedro: “Acima de tudo, cultivem, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pr 4,8). É isso mesmo, Senhor. Precisamos viver com confiança, com esperança. A graça de Deus é tão grande e nos abraça de maneira tão generosa... Não precisamos ficar agarrados a picuinhas e casuísmos que nos desviem do principal, do fundamental. Como tu disseste, fundamental na Lei é a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em seu momento de oração, peça ao Senhor que lhe dê um coração, como o de Jesus, misericordioso com os pecadores, compreensivo com os que erram, centrado na caridade que é o centro da Lei de Deus. 

Recordando Santa Mônica, que perseverou em oração em favor da conversão do seu filho Santo Agostinho, procure também ser perseverante no caminho do evangelho que você medita todos os dias. 

Comunicando

Caso você não tenha visto, ontem, o nosso encontro de estudo na Segunda Bíblica, tranquilize o coração. O encontro ficou gravado no Youtube. Arrume um tempinho, hoje, para esse estudo. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


 

Um pouquinho de fariseu.



   26 de agosto de 2024    

Segunda-feira da 21ª Semana do Tempo Comum 


   Evangelho   


Mt 23,13-22

Naquele tempo, disse Jesus: 13“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós fechais o Reino dos Céus aos homens. Vós porém não entrais, 14nem deixais entrar aqueles que o desejam. 15Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós percorreis o mar e a terra para converter alguém, e quando conseguis, o tornais merecedor do inferno, duas vezes pior do que vós.
16Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo Templo, não vale; mas, se alguém jura pelo ouro do Templo, então vale!’ 17Insensatos e cegos! O que vale mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? 18Vós dizeis também: ‘Se alguém jura pelo altar, não vale; mas, se alguém jura pela oferta que está sobre o altar, então vale!’
19Cegos! O que vale mais: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? 20Com efeito, quem jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. 21E quem jura pelo Templo, jura por ele e por Deus que habita no Templo. 22E quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado”.



   Meditação.    


Ai de vocês, guias cegos! (Mt 23, 16)


Os antigos profetas, como Isaías e Jeremias, andaram denunciando a má conduta das lideranças do seu povo. Era comum, nessas ocasiões, usarem a expressão: “Ai de vocês...”. Jesus assume o modo de falar dos profetas diante das lideranças do seu tempo, particularmente em confronto com o grupo de maior influência sobre o dia-a-dia do seu povo, o grupo dos fariseus.

Os fariseus formavam uma grande confraria de homens praticantes da Lei de Moisés. Eles marcavam o ritmo da vida do seu povo, com sua forte influência nas sinagogas, nas praças, nas peregrinações, nas rodas de discussão no Templo de Jerusalém. A elite dos fariseus era formada pelos doutores da Lei, os mais estudados, chamados mestres e tidos como guias do povo. Eles interpretavam a Lei escrita e oral, sufocando o povo com centenas de mandamentos e normas e discriminando os mais pobres, doentes e sofredores.

O evangelho de hoje traz três AIS de Jesus contra os fariseus e os seus mestres. “Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus hipócritas”. E as reclamações são três: fecham o acesso do Reino de Deus ao povo, não entram nem deixam entrar; Quando conseguem converter alguém, fazem dele um ser pior do que eles mesmos; E no fundo, ensinam que os bens materiais têm mais valor do que as coisas de Deus.

Jesus os chama de guias cegos. A cegueira era uma doença muito comum em Israel e em todo o Oriente. Dizem que uma das causas dessa cegueira era o clima. Jesus mesmo curou vários cegos: o de Betesda, o de Jericó e o de Jerusalém. A cegueira é tomada no evangelho como uma representação espiritual da falta da luz de Deus ou da obstinação em não se querer ver. Assim, comparativamente, quem não tem a luz de Deus, quem não tem a fé, está se conduzindo nesse mundo como cego. Houve até aquele episódio da cura do cego, em que Jesus tirou essa conclusão: “Cego mesmo é quem vê, mas não enxerga”. Pois bem, nessa denúncia, Jesus está chamando os fariseus de cegos. Não querem enxergar o Reino de Deus que chegou com ele, não querem reconhecer a obra de Deus que está se realizando com a presença do Messias. E o problema não é só estarem cegos. O pior é que, como cegos, estão conduzindo o povo. São líderes cegos. São guias cegos.

O problema dos fariseus foi um só: de tão apegados às tradições, às leis de Moisés, fecharam o coração para o novo de Deus. Eles não conseguiram perceber a novidade da ação de Deus em sua história. E rejeitaram Jesus, o filho amado que o Pai enviou para comunicar-lhes o Reino de Deus.




Guardando a mensagem

Jesus assume a atitude dos antigos profetas, denunciando abertamente a conduta de um influente grupo religioso, os fariseus. Ele recomendava ao povo que fizesse o que eles ensinavam, mas não imitasse as suas ações. E, corajosamente, colocou-se frente a frente com eles, reprovando sua conduta, com a linguagem dos “ais” dos antigos profetas. Ele os chamou de guias cegos. Além de cegos (sem a luz de Deus, fechados à manifestação do Reino de Deus), são guias cegos (arvorando-se em líderes, querendo conduzir os outros). A aplicação desse texto, nos dias de hoje, não é difícil. Há muito cego fazendo-se de guia, por interesses de todo tipo (econômicos, políticos, religiosos, etc.). Fique alerta! Não vá na conversa deles.

Ai de vocês, guias cegos! (Mt 23, 16)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
identificaste, nos ensinamentos dos fariseus e seus mestres, mais interesse pelas coisas materiais do que respeito pelas coisas sagradas. Senhor, diante do teu evangelho de hoje, te pedimos duas coisas: não nos deixes ser como eles e não nos deixes ser guiados por gente como eles. Teus ensinamentos nos abrem os olhos para corrigirmos qualquer tendência farisaica existente entre nós e para nos acautelarmos contra guias cegos que queiram nos conduzir nesta condição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Nem precisamos procurar "fariseus" fora de nós. É possível que em cada um de nós haja um pouco (ou muito) de farisaísmo. Releia com atenção a meditação de hoje e olhe para dentro de você mesmo(a). Um pouquinho de fariseu, certamente, a gente tem. Deixemos que a palavra do Senhor nos corrija. 

Comunicando

Hoje é dia de Segunda Bíblica. O estudo de hoje é do Capítulo 24 do profeta Ezequiel. É no Youtube, Canal Padre João Carlos. E começa às oito e meia da noite. Uma boa oportunidade de formação para você.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Eu e minha casa serviremos ao Senhor.

 


  25 de agosto de 2024.  

21º Domingo do Tempo Comum


Rezando pela Vocação dos Leigos e Leigas, 

com destaque para o Ministério dos Catequistas



  Evangelho.  


Jo 6,60-69

Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?”
61Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64Mas entre vós há alguns que não creem”.
Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo.
65E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?”
68Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.


  Meditação.  


Vocês também não querem ir embora? (Jo 6, 67)

Tem gente que não tomou ainda sua decisão. Está na Igreja, mas não está de corpo inteiro. Participa, mas está sempre com um pé atrás. E outros que estão longe, completamente longe. Não participam, não se ligam no que a Igreja está fazendo, vivem em completa indiferença. Grande parte dessa gente foi batizada, um dia. E vive hoje como quem vai tomar banho no chuveiro e, com medo da água fria, molha só a cabeça. Não sei qual é o seu caso. Mas, se ainda está de meio corpo na Igreja, hoje, a palavra é especialmente pra você.

Jesus, na terra dele, enfrentou a mesma situação. No começo, muita gente andando atrás dele, muitos admiradores, muitos discípulos animados... aos poucos, ele foi revelando o Reino de Deus, com suas exigências de conversão, de mudança de vida, de valorização dos mais fracos e sofredores. Falou dele mesmo, que não estava buscando glória humana, nem almejava os reinos desse mundo. Sua vitória seria dar a vida pelos seus, derramar seu sangue em sacrifício pelos pecadores. Ressuscitaria, depois do sofrimento da paixão e da morte. Falando sobre a Eucaristia, anunciou a necessidade de comunhão com o seu corpo entregue e o seu sangue derramado, sendo ele o verdadeiro cordeiro da páscoa. Diante dessas revelações, a animação de muita gente começou a murchar.

O evangelho deste 21º Domingo do Tempo Comum fala disso. A murmuração entre os discípulos tinha aumentado. Muita gente considerando muito radicais os ensinamentos do Mestre. Uns não tinham fé mesmo. E outros, desistiam da pouca fé que tinham. Essa informação do evangelista é dolorosa: “E muitos já não andavam mais com ele”. Resultado: Jesus reuniu os doze, os apóstolos, e perguntou se eles também não queriam ir embora. Ele não amenizou suas palavras, nem procurou dar um jeito para agradar os que se afastaram. Colocou os apóstolos diante de uma decisão. “E aí, vocês não querem ir embora, também não?”.

No Antigo Testamento, tinha havido um momento semelhante. Depois que o povo entrou na terra prometida, no meio de muita dificuldade e sofrimento, Josué reuniu todo mundo e pediu uma decisão. “Como é? A quem vocês vão escolher? A quem querem servir?”. Muita gente andava com o pé atrás, cultuando outros deuses ou saudosos de seus antigos ídolos pagãos. De sua parte, Josué apresentou a sua decisão: “Eu e minha casa serviremos o Senhor”. E o povo logo reconheceu o misericordioso Deus que os tirou do Egito e lhes entregou a terra prometida. Eles tomaram uma decisão firme: servir ao Deus verdadeiro.

Aos apóstolos, naquela hora difícil, Jesus também pediu uma decisão. “Não querem fazer como os outros e irem embora também?”. Aí Pedro falou em nome do grupo: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente que tu és o santo de Deus”. Olha que palavra abençoada. Tomaram a decisão de crer em Jesus, de ficar com ele.

Tomar a decisão de seguir Jesus, de viver sua palavra muda muita coisa na sua vida. Não é só porque você vai rezar mais e se ligar nas coisas da religião. É porque abraçar o evangelho é abraçar o pensamento de Jesus sobre a vida, o mundo, sobre Deus; é fazer as escolhas que ele fez, escolhas que chocaram muita gente e o levaram a ser preso e condenado. Escolher Jesus é assumir a sua causa, o Reino de Deus: ficar do lado dos pequenos e empenhar-se pela fraternidade e pela justiça. Numa palavra, colaborar com a ação do Espírito Santo que nos faz novas criaturas em comunhão com Deus e na comunhão com os seus filhos e filhas. 

Guardando a mensagem

Muita gente é cristão meio empurrado... foi batizado pequenininho, a mãe garantiu a primeira eucaristia e ficou por ali. Outros chegaram empurrados até a crisma e aí empancaram. Não foram mais pra frente. Nunca tomaram uma decisão pessoal, firme, séria de crer e viver com Jesus. Se for este o seu caso, hoje é um dia de decisão. Vai tomar banho de corpo inteiro ou vai molhar só a cabeça? Olha que a água está fria... Jesus vem ao seu encontro, com sua graça e seu convite à conversão, com o seu evangelho ... Vai renovar sua adesão a ele ou vai procurar outro?

Vocês também não querem ir embora? (Jo 6, 67)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
O que eu quero responder é o que Pedro te disse: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente que tu és o santo de Deus”. Minha resposta é igual a de Josué: “Eu e minha casa serviremos o Senhor”. É a ti que escolho como caminho, verdade e vida. Bendito seja o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje é dia de celebração, hoje é dia do Senhor. Indo à Missa e comungando, renove sua adesão ao Mestre com as palavras de Pedro e de Josué. Não sendo possível sua participação, hoje, na Eucaristia (por alguma razão muito séria), no seu momento pessoal de oração, renove sua adesão ao Mestre.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

O encontro que nos faz missionários.



   24 de agosto de 2024.   

Dia de São Bartolomeu, apóstolo.


   Evangelho.   


Jo 1,45-51

45Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”.
46Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.
50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.


   Meditação.   


Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José (Jo 1, 45).

Como hoje é dia do apóstolo São Bartolomeu, o evangelho nos traz uma cena em que ele está presente. Esse nome 'Bartolomeu' se encontra na lista dos doze apóstolos, mas nesse início do evangelho de São João ele é chamado de Natanael.

Jesus tinha chamado Felipe para segui-lo, isto é para ser seu discípulo. Felipe aceitou o convite e começou a andar com Jesus. Este Felipe encontrou-se com Natanael e falou-lhe sobre Jesus. Felipe e Natanael eram da mesma aldeia, Betsaida. Felipe passou para o seu amigo Natanael a informação que tinha encontrado o Messias. Natanael, claro, ficou logo muito curioso. ‘Encontrou o Messias? Puxa’... E quem é ele? Felipe informou que era Jesus do povoado de Nazaré, o filho de José carpinteiro. Tinha certeza que ele era o Messias, aquele de quem Moisés e os Profetas tinham escrito. E levou Natanael para conhecer Jesus.

É importante lembrar que Natanael fez certa dificuldade, diante da novidade do seu amigo. Saiu-se com uma expressão que poderia ter deixado Felipe desanimado. “Por acaso, pode sair alguma coisa boa de Nazaré?!”. Olha o preconceito desse moço! Mas, hoje é a festa dele, não é dia de chamar atenção sobre suas falhas. Deixemos assim. Importante é que Felipe não se deixou abater, nem desanimar… Olha qual foi a reação dele: “Vem ver!”.

Veja que interessante. Felipe tinha tido um encontro com Jesus. Jesus o tinha convidado para o seu grupo de discípulos. E ele, muito feliz com essa novidade, passou a notícia para o seu amigo Natanael. Contou-lhe que tinha encontrado o Messias que Deus prometera a Israel. O mesmo já tinha acontecido com André. André era discípulo de João Batista. E passou a seguir Jesus. Foi André que evangelizou Pedro, num certo modo de dizer. Escute o que André disse a Pedro, que era seu irmão: “Encontramos o Messias”. Então, André falou-lhe do seu encontro com Jesus e o levou até ele.

Observe bem: antes de Felipe e André irem avisar alguém (a Natanael ou a Pedro), eles tiveram um encontro pessoal com o Senhor. Desse encontro com Jesus é que nasce a necessidade quase natural de comunicar aos outros a boa notícia: “Encontrei Jesus, o Messias”. E comunicá-la aos parentes e amigos, ao seu círculo de amizade. A gente sempre quer partilhar com os outros as coisas boas que nos acontecem, as novidades que nós tomamos conhecimento. Com a fé, é assim também. Quem encontrou Jesus, parte para evangelizar os seus parentes e amigos, como fez Felipe.

Então, o missionário nasce no encontro com o Senhor. Assim, se você ainda não é um missionário, um cristão que testemunha a sua fé, que procura envolver outros nas coisas da Igreja, que leva outros a Cristo... talvez seja porque você ainda não encontrou seriamente o Senhor ou não deixou que ele o encontrasse.




Guardando a mensagem

Festejamos hoje o apóstolo São Bartolomeu. Ele foi, segundo a tradição, o grande evangelizador do povo da Índia e da Armênia. Com o evangelho de hoje, ficamos sabendo que foi o seu amigo Felipe que lhe falou de Jesus e o levou até ele. Foi assim também no caso de André que evangelizou seu irmão Pedro. A grande lição de hoje é que nós precisamos de verdade ter esse encontro com Jesus para nos tornarmos seus missionários. Sem encontro sério com Jesus, não parte um missionário, uma missionária.

Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José (Jo 1, 45).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
hoje, nós queremos imitar teu discípulo Felipe. Depois de ter esse encontro contigo, queremos anunciar-te aos nossos parentes e amigos, como ele fez com o seu amigo Natanael. Queremos falar de ti, e trazê-los à tua presença. Com o evangelho de hoje, aprendemos também que precisamos ser perseverantes e não nos deixarmos impressionar pela primeira cara feia. Apesar dos preconceitos de Natanael contra o povo de Nazaré, Felipe insistiu para que ele fosse com ele te conhecer. E Natanael ficou encantado com a tua acolhida. Dá-nos, Senhor, um coração missionário. Nós também queremos trazer os nossos amigos para te conhecer. Queremos evangelizá-los. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em sintonia com a festa do apóstolo Bartolomeu, hoje, convide um amigo ou parente para um encontro com Jesus. Se não tiver ideia melhor, compartilhe a meditação de hoje com ele ou com ela.

Comunicando

Amanhã, com o 21º Domingo do Tempo Comum, celebramos a vocação de leigos e leigas, especialmente os diversos ministérios que exercem nas comunidades, com destaque para os ministros da Catequese, os Catequistas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 


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