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30 julho 2020

AS PARÁBOLAS DE JESUS


Jesus perguntou: Vocês compreenderam tudo isso?” Eles responderam: “Sim” (Mt 13, 51)


30 de julho de 2020

Jesus anunciava o Reino de Deus. Era essa a mensagem que ele tinha a comunicar da parte de Deus. No evangelho de Mateus, que estamos lendo, ao invés de dizer Reino de Deus sempre se diz ‘Reino dos Céus’, seguindo o costume dos hebreus de não pronunciar o nome de Deus ou de fazer referência direta a ele, por temor e respeito. 

Sobre o Reino de Deus, Jesus falou de muitos modos, mas sobretudo, contou parábolas, pequenas histórias, cheias de significado. Contando uma parábola, ele provocava as pessoas a pensar e a tirar suas conclusões. As parábolas são portadoras de maravilhosos ensinamentos sobre o Reino de Deus. Através delas, Jesus ia conduzindo os seus ouvintes a se deixarem envolver no mistério do Reino de Deus.

No capítulo 13 do evangelho de São Mateus, o evangelista reuniu sete parábolas sobre o Reino de Deus: a do semeador, a do joio e do trigo, a do grão de mostarda, a do fermento, a do tesouro escondido, a da pérola preciosa e a da rede de pescar. O texto de hoje retoma esta sétima parábola, a da rede de pescar, fechando essa série de parábolas ditas à beira mar, ele sentado na barca de Simão. Certamente, ele não contou tudo de uma vez.

A gente pode imaginar ele falando, pausadamente, com voz tranquila, contando essas histórias. Quando termina de contar uma parábola, fica olhando para as pessoas e espera a reação, pacientemente. E as pessoas começam a conversar entre si, comentando alguma coisa que tenha chamado sua atenção. “Mas, que agricultor bobo... foi semear num terreno cheio de espinhos, trabalho perdido, bem empregado”. “Ah, eu já acho esse agricultor muito simpático, ele queria todo o seu terreno bem aproveitado, não desprezou nenhum terreno”. “Você viu que teve lugar que deu 30%? Só 30%?”. E a conversa vai esquentando... Jesus fica olhando, sorrindo... quando o converseiro diminui, ele começa a contar outra parábola... “Ah, o Reino de Deus, que coisa maravilhosa, minha gente! É do jeito de um agricultor que passou a vida cavando a terra, dando duro, ganhando pouco, no sol quente o dia todo... mas, um dia, um dia, quando a enxada bateu no chão, ele sentiu um som diferente...parou... (todo mundo prende a respiração). Desceu a enxada de novo, com força... tem um negócio diferente aqui... e começou a cavar com cuidado... ele foi tirando a terra, cavando mais... não acreditou no que viu... (suspense) uma botija... (e o povo: oh, oh, uma botija), um tesouro escondido bem ali, um baú cheio de moedas de ouro ... E nem bem terminava a parábola, o povo já estava conversando, trocando ideias, rindo... e começando a entender... nós estamos descobrindo a botija de Jesus, o Reino de Deus. E a alegria ia tomando conta dos corações.

Acho que era assim. Ninguém mais esquecia uma história daquela. Quando chegava em casa, já ia contando pra quem não tivesse ido escutar o novo profeta. E já ia aplicando a sua mensagem. Com certeza, sempre inventava mais um pedaço, porque quem conta um conto, aumento um ponto. As parábolas envolviam, atraíam as pessoas para dentro do mistério do Reino. Jesus não falava como se estivesse fazendo uma palestra ou dando uma aula. Não, ele coloca o povo nas histórias, fazia deles personagens das parábolas. São eles o agricultor que semeou a semente, o pescador que estava pescando, o criador de ovelhas que perdeu uma, o comerciante que estava atrás de uma pérola especial, a dona de casa que fez o pão. Eles e a vida deles estão dentro das parábolas.

Guardando a mensagem

Nas sete parábolas do capítulo 13 do evangelho de São Mateus, podemos adentrar no mistério do Reino revelado aos simples e humildes. Nelas, estão luzes que iluminam profundamente a realidade da vida. Nelas, está um anúncio maravilhoso sobre o Reino. Podemos aprender que Deus quer a salvação de todos e que cada um precisa acolher a palavra de Deus como um bom terreno (parábola do semeador); que não se trata de fazer guetos de gente pura e santa, mas viver santamente no meio dos pecadores (parábola do joio e do trigo). Ninguém se iluda com grandeza, a semente pequenininha dá uma grande árvore (a parábola do grão de mostarda). Ninguém se intimide com maioria, cristão é fermento, não é massa (parábola do fermento). Quando você descobrir a beleza e a riqueza do amor de Deus, você vai investir tudo nisso, vai redirecionar toda a sua vida para ele (parábolas do tesouro escondido e da pérola preciosa). Quem encontrou o Reino de Deus, faz-se testemunha e anunciador dele para os outros, pescadores de gente (parábola da rede de pescar). 

Jesus perguntou: Vocês compreenderam tudo isso?” Eles responderam: “Sim” (Mt 13, 51)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,
Com que amor estavas no meio do teu povo, ensinando, curando, libertando. Contar parábolas para falar das coisas de Deus foi um gesto de carinho e de delicadeza para com aquele povo sofrido. Não só te fizeste entender, mas despertaste pessoas para pensar, analisar, tirar conclusões. Acordaste sonhos, comunicaste amor, devolveste a alegria de viver. Não só o Reino estava sendo anunciado, o Reino estava sendo vivido como experiência de amor, de inclusão, de esperança. Ajuda-nos, Senhor, a realizar a obra da evangelização com grande amor e compromisso com o bem, a justiça, a verdade, expressões do reinado de Deus entre nós. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Abra sua Bíblia em Mateus, capítulo 13. Escolha uma das sete parábolas e a leia atentamente. 



Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

01 agosto 2019

COISAS DE PESCADOR

O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo (Mt 13, 47) 

01 de agosto de 2019 – Dia de Santo Afonso Maria de Ligório

Você já pescou alguma vez? Mas, foi de anzol?! Ou já pescou de rede? Bom, você sabe há diversos tipos de rede de pescar: de arrasto, de emalhar, de cerco, de tarrafa.­­­­­.. No tempo de Jesus, na Palestina, havia muitas comunidades de pescadores ao redor do Mar da Galileia. Esse chamado Mar da Galileia era um grande lago de água doce. Pescava-se com uma rede muito longa que era arrastada para a margem por pescadores fortes, usando barcos. O barco tinha, em geral, 8 metros de comprimento e 2 de largura. 

No evangelho, aparecem povoados e cidades que estavam às margens do Lago da Galileia, portanto, terra de pescadores: Cafarnaum, Mágdala, Betsaida, entre outros. Os primeiros discípulos eram pescadores. Quando Jesus chamou Pedro e André, eles estavam pescando, lançando as redes. João e Tiago foram convidados para segui-lo quando estavam consertando as redes com seu pai e os empregados. 

Com as parábolas, Jesus transmitia sua mensagem sobre o Reino de Deus. Assim, as pessoas, mesmo as mais simples, iam adentrando no grande mistério do Reino, anunciado por ele. Jesus partia de comparações com coisas conhecidas, situações e acontecimentos do cotidiano, as profissões do seu povo: o agricultor plantando a semente, a dona de casa fazendo o pão, o pastor cuidando do rebanho, o comerciante comprando e vendendo, o viajante encontrando uma pessoa assaltada... Claro, que não deixaria de usar essa imagem do mar, da pesca, da rede. Ele disse: “O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo”. Essa atividade da pesca dá uma ideia da dinâmica do Reino de Deus. A comparação evoca várias imagens: os pescadores, a rede, o mar, os peixes. 

Os pescadores. A pescaria com rede é uma atividade de equipe, não é trabalho de um só. Lançar a rede ao mar e arrastá-la para a praia é um trabalho coletivo, comunitário, de muitas mãos. Você lembra aquele milagre dos peixes? Eles passaram a noite toda pescando e não conseguiram nada. Ao amanhecer, Jesus os mandou lançar a rede em certo ponto. E foi peixe à vontade, que quase a rede se rompeu. Precisou vir outro barco para ajudar a arrastar a rede para a praia. A evangelização (o anúncio do Reino) não é uma atividade solitária. É um trabalho de equipe, um serviço comunitário, de muitas mãos e muitos corações. 

A rede. A rede representa a atividade missionária da Igreja. É o instrumento de trabalho do pescador. A rede é formada por vários pontos unidos entre si, bem amarrados uns aos outros, dando a ideia de sistema. Depois da pescaria, eles precisavam lavar a rede e consertar os pontos rompidos... Com a chegada da era digital, o sentido simbólico de ‘rede’ ficou ainda mais forte. Basta pensar nas redes sociais ou na rede mundial de computadores, a internet. A Igreja realiza a sua missão evangelizadora com instrumentos parecidos com a rede, todos integrados em verdadeiros sistemas: a educação, a catequese, a liturgia, a comunicação, o serviço da caridade, a pastoral de conjunto. São as redes da Igreja. 

O mar. Você sabe que o mar, para o povo bíblico, é uma representação do mundo, com seus riscos e perigos. O povo hebreu era basicamente formado de agricultores e pecuaristas. Não tinha intimidade com o mar. O mar revolto é a imagem da crise, dos problemas, da perseguição que o mundo move contra o povo de Deus. O mar é o mundo.

Os peixes. A rede pega todo tipo de peixe. É verdade que depois (no fim da pescaria), serão separados peixes bons e peixes ruins. Mas, não durante a pescaria. A salvação é para todos. O evangelho precisa ser proclamado a todas as nações. É a missão universal da Igreja: levar o evangelho a toda criatura. Os peixes são as pessoas. Por isso, Jesus disse aos primeiros discípulos: “Farei de vocês pescadores de gente”. 

Guardando a mensagem 

Jesus comparou o Reino de Deus com a rede lançada ao mar, que apanha todo tipo de peixe. Todo mundo ali, ao redor do Mar da Galileia, podia entender facilmente essa parábola. A obra de Deus é realizada de maneira comunitária, eclesial, como os pescadores que trabalham juntos na pescaria com rede. O trabalho missionário da Igreja que anuncia o Reino é como uma rede, com instrumentos bem organizados em sistemas. Assim, a Igreja atua com suas redes na educação, no serviço aos pobres, na comunicação, no ensino da Fé, na vivência da fé em comunidades. A obra de Deus, por meio de Jesus, foi nos libertar do poder do mal: é o que está representado no mar. E a missão é universal: levar a boa notícia do Reino a toda a criatura. É a rede que pega todo tipo de peixe. 

O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo (Mt 13, 47) 

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Pedro e André, Tiago e João eram pescadores do Mar. Tornaram-se pescadores do Reino, pela graça do teu chamado. Mas, o grande pescador és tu mesmo, embora tua profissão fosse carpinteiro. Naquela noite, Pedro e seus companheiros voltaram de mãos abanando. Mas, tu, divino pescador, orientaste onde pescar direito. E encheram a barca de tanto peixe. Seguindo tua Palavra, realizaremos a missão de uma maneira prodigiosa, como aquela pescaria milagrosa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

E como estamos começando o mês vocacional, reze, hoje, por todos os jovens que estão se preparando para serem missionários da Igreja. Eles e elas são os novos pescadores de Jesus. 

Pe. João Carlos Ribeiro – 01 de agosto de 2019.

27 julho 2019

PELA ESPIGA, SE SABE QUEM É JOIO

Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora (Mt 13, 25). 

27 de julho de 2019.

Jesus contou uma parábola para ensinar a gente a ser paciente, tolerante e deixar o julgamento para Deus. E, certamente, também pra gente ficar mais atento com o que estamos fazendo, com a nossa plantação. Ele contou a parábola do joio e do trigo. Um homem semeou boa semente de trigo em seu campo. De noite, veio o inimigo e semeou o joio. Cresceram juntos, trigo e joio. Quando começaram a aparecer as espigas, notou-se que no meio do trigo havia o joio. Os empregados queriam arrancá-lo. Mas, o homem não deixou. Poderiam confundir trigo com joio. Deixassem chegar o tempo da colheita. Aí, sim, arrancariam primeiro o joio e tocariam fogo nele. O trigo não, o trigo iria para o celeiro.

Jesus, à parte, em casa, com os discípulos deu uma explicação dessa parábola. O homem que semeou a boa semente é ele mesmo, o Mestre. O trigo são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno. No fim dos tempos, os anjos farão a ceifa. E cada um terá o seu destino: os maus para o fogo eterno, os justos para a glória. 

Você conhece um pé de trigo? O trigo é como um capim crescido com espigas. Quando chega o tempo da colheita, fica tudo amarelinho. Espigas bonitas, os grãos todos arrumadinhos, tudo bem certinho. É bonito de se ver. O trigo era a base alimentar do povo do tempo de Jesus. Com ele, faziam o pão, em casa. Mas, e o joio? O joio, você nunca viu. O joio é uma erva daninha, também chamada de cizânia, que dá no meio de cereais como o trigo. Ele é bem parecido com o trigo. Só quando começa a dar espigas é que se nota a diferença. Umas espigas com uns grãos desengonçados, uns grãozinhos pretos tóxicos. As feiosas espigas ficam logo pendidas para um lado. E tem outro detalhe que os diferencia. O trigo tem raízes não muito profundas, é fácil arrancá-lo. Já o joio tem raízes rasteiras que se entrelaçam nas raízes do trigo. Na história de Jesus, o homem achou melhor não arrancar o joio. O melhor seria aguardar a colheita. Arrancando o joio iria-se prejudicar o trigo, claro, porque suas raízes se misturam com as do trigo. Seria prejuízo para o desenvolvimento da espiga do trigo. 

A grande lição da parábola é a tolerância. Vivemos nesse mundo, junto com todo mundo. Não podemos viver separados. A oração de Jesus na última ceia dizia: “Pai, não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno”. Trata-se de convivermos, com respeito e tolerância com todos. Não quer dizer que aplaudimos o mal. Não. Trabalhamos para que todos se consertem, todos precisam ter essa chance. Temos que ser pacientes, como Deus é paciente. Somos trigo. Convivemos com o joio. Mas, todo cuidado é pouco para não nos tornamos também joio, permitindo que o mal nos influencie e nos faça à sua imagem. O joio e o trigo se conhecem pelas espigas, pelos frutos. O fruto é que nos diz se é trigo e vai dar um bom pão ou se é joio e está só sugando a terra e atrapalhando o desenvolvimento do trigo.

Guardando a mensagem 

Os fariseus bem que queriam viver separados das outras pessoas, a quem eles chamavam de pecadores. Mas, Jesus agiu de maneira diferente. Procurava estar com todos, mesmo com aqueles que a sociedade discriminava. Vivemos misturados, joio e trigo. O joio não vai ter um bom final. Mas, o trigo tem que ter cuidado para não se deixar assimilar pelo joio e tornar-se estéril ou dar frutos venenosos como ele. Pelo contrário, o trigo precisa trabalhar para ajudar na conversão do joio. A parábola do joio e do trigo é um belo ensinamento sobre a tolerância, a convivência. Mas, também sobre a vigilância. Não deixar que o inimigo semeie o joio na nossa plantação.

Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora (Mt 13, 25).

Vivendo a palavra

Senhor Jesus, 
Tu nos ensinaste a rezar, no Pai Nosso, “Livrai-nos do mal”. Ajuda-nos, Senhor, a estar vigilantes para que o inimigo não semeie joio na nossa plantação de trigo, na nossa família, na nossa comunidade. Ensina-nos a conviver com quem é joio, sem exclui-lo, mas sem imitá-lo ou deixar-nos cooptar pela desonestidade, pela infidelidade, por suas más ações. Antes, sejamos capazes de ajudá-los a se transformarem em trigo, antes que chegue o dia final da colheita. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra 

Talvez você já esteja identificando algum joio na sua plantação. Que tal rezar por ele, para que se converta enquanto é tempo?

 Pe. João Carlos Ribeiro – 27 de julho de 2019.

30 julho 2017

OLHA COM QUE SE PARECE

O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo (Mt 13, 44)

Jesus falava muito do Reino de Deus. Mas, muito mesmo. E para as pessoas entenderem melhor de que ele estava falando, recorria a comparações. Contava parábolas. Nas comunidades de Mateus, pela sensibilidade judaica que eles tinham, dizia-se Reino dos Céus. O que seria o Reino de Deus? A gente vivendo no amor de Deus. Seria esta uma forma de dizer o que é o Reino. A gente vivendo no amor de Deus. A salvação que Deus nos oferece. A nossa comunhão com ele. Seriam outras formas de dizer o que seria o Reino de Deus. Mas, Jesus não queria encaixotar o Reino de Deus numa definição. Contava parábolas para falar da riqueza e da beleza do Reino de Deus em nossa vida.

No evangelho de hoje, liturgia do 17º domingo comum, Jesus conta três parábolas para falar do Reino de Deus: o tesouro, a pérola e a rede. Em cada uma, bilha algum aspecto do mistério do Reino de Deus. Vejamos.

O Reino de Deus é como um tesouro escondido no campo. O Reino é um dom, um presente do céu. O agricultor está trabalhando e dá com a enxada num tesouro escondido. Poderia ser uma botija, uma fortuna enterrada. Ou poderia ser um minério precioso. O tesouro estava ali. E ninguém sabia. Mas, agora o agricultor o descobriu. Mas, não basta descobrir. Para possui-lo, ele precisa vender tudo o que tem para comprar aquele campo. Acolhe-se o Reino de Deus como um dom, renunciando a todos os outros dons que tenhamos, colocando esse em primeiro lugar. O Reino é um dom, um tesouro escondido no campo.

O Reino de Deus é como um comprador que procura pérolas preciosas. Ele está à procura de uma pedra de maior valor, algo pelo qual valha a pena investir tudo. E na sua procura, encontra uma pérola imensamente valiosa. A pérola já existia, e ele a encontrou. O Reino não é o resultado de nossa busca, de nossos sonhos, ele já existe. Mas, precisa ser buscado... “Buscai primeiro o Reino de Deus”, falou Jesus em outra ocasião. Por um lado, o Reino é um dom com que nós esbarramos na vida; por outro, é a resposta às nossas buscas, aos nossos anseios, aos nossos sonhos. Dom e Resposta. Do mesmo modo, para que eu tenha posse desta preciosa pedra, preciso renunciar a todas as outras, a tudo o que tenho, para que ela seja o único valor de minha vida. Para que eu seja dela.

O Reino de Deus é também como uma rede lançada ao mar que apanha todo tipo de peixe. Jesus tinha convidado os primeiros discípulos para serem pescadores de gente. O anúncio do Reino, com palavras e ações, é como a Rede que procura a todos, que a todos quer abraçar. É verdade que nem todo peixinho vai servir.  A rede é a atividade missionária da Igreja. Por ela, os discípulos continuam a obra de Jesus, retirando os filhos de Deus da dominação do mundo (simbolizado no mar). A rede lançada ao mar fala da missão. O Reino é dom (o tesouro escondido), é resposta (a pérola sonhada), é missão (a rede lançada ao mar).

26 julho 2017

PARÁBOLAS, POR QUÊ?

Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: Por que tu falas ao povo em parábolas? (Mt 13, 10).
Boa pergunta. Por que Jesus falava em parábolas? Ele gostava de contar histórias, construía cenas envolvendo temas do cotidiano, personagens e situações da vida da população. Quem não gosta de ouvir histórias? Contou que um filho saiu de casa e um dia voltou arrependido, que história bonita! E aquela história da ovelhinha que se perdeu... e tantas outras parábolas, comparações, alegorias.
Certamente, Jesus falava em parábolas para que as pessoas compreendessem mais facilmente o que ele anunciava. E ele anunciava o Reino de Deus. Dizia que o Reino estava próximo, que nele se entrava pela conversão. Dizia que Deus reina no seu amor de Pai e que tinha sido enviado pelo Pai para ser o nosso caminho.  As parábolas falam disso... Muito se aprende com uma parábola.   As pessoas escutavam as parábolas de Jesus e tiravam suas conclusões. Ao invés de fazer um discurso teológico sobre o Reino de Deus, com muitas explicações ou citações, Jesus contava parábolas, fazia comparações... O Reino de Deus é como um semeador que saiu a semear... O Reino é como uma rede de pescar... É como a mulher que procura a moeda que se perdeu... Falar em parábolas é uma bela forma de comunicação.
Agora, a resposta que Jesus deu parece um pouco estranha. A pergunta era por que ele falava em parábolas. E ele disse: “Porque a vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado”. Como assim, a eles não é dado? O Profeta Isaías tinha falado uma coisa parecida a respeito de muitos que fecharam o coração à comunicação de Deus. Isaías disse:  “Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos para não ver ”. A verdade é essa: a elite social e religiosa de Israel não acolheu Jesus.  Fechou o coração para ele e assim nenhuma palavra sua era bem recebida. Essas pessoas julgavam-se muito estudadas e conhecedoras das coisas de Deus. Você lembra que Jesus rezou dando graças a Deus porque revelou as coisas do Reino aos pequenos e as escondeu aos sábios e entendidos?
No fundo, o Reino é uma revelação de Deus, e ele a comunica a quem ele quer. Foi o que Jesus falou a Pedro: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas o meu Pai que está nos céus”. Deus escolheu os pequenos para revelar o Reino.

03 novembro 2015

As três desculpas

Não sei se é o seu caso. Mas, tem muita gente que se desligada da  vida da Igreja por razões fúteis e contenta-se com desculpas esfarrapadas. Na verdade, falta-lhe o amor.

Não faltam desculpas para quem não quer participar da Igreja. Não encontra tempo pra ir à Missa, não encontra motivação para viver em comunidade a sua fé.  “Ah, não posso, não tenho tempo, ando muito ocupado. Ou: vivo para o trabalho, quando chego em casa não tenho mais ânimo pra nada. Ou ainda: ah, quem tem família, com filhos pequenos ainda, não tem condições de participar”. Essas desculpas já eram dadas no tempo de Jesus.
E o próprio Mestre ilustrou uma história com as três desculpas que ele ouvia sempre. Alguém preparou uma bela festa e convidou um bocado de gente. Um disse que não podia ir porque tinha comprado uma terra e estava louco pra ver o novo sítio. Outro tinha adquirido cinco juntas de bois pra lavrar a terra e ia começar o serviço. Um terceiro tinha se casado e, claro, mandou pedir desculpas, não podia ir à festa. Ninguém foi, que decepção!
O que tinha comprado o campo representa bem os que têm muitos bens e não se lembram de nada mais fora deles. Pode ser uma casa, uma empresa, uma fazenda, um carro. Se não se tomar cuidado, os bens podem virar donos da gente, ser nossos senhores. A gente é que tem que ser dono das coisas, não o contrário. Os bens materiais podem se tornar um verdadeiro Deus ao qual me sacrifico ou sacrifico os outros. E Jesus disse claro que não se pode servir a dois senhores, a Deus e aos bens materiais, representados no dinheiro. O apego aos bens materiais leva muita gente a não frequentar a Igreja, a não se lembrar do Deus verdadeiro. Já tem seu próprio Deus.
O que ia lavrar a terra com seus novos bois bem pode representar os que não acham tempo pra Deus por causa do trabalho. O trabalho parece que é tudo, não dá mais tempo para fazer nada. Uma boa desculpa para não pisar na Igreja. Diz que não dá tempo, que está cansado. Mas a pessoa não vive só para trabalhar. No início da Bíblia, se diz que Deus trabalhou seis dias na criação do mundo e no sétimo, descansou (Gn 1). E o livro do Êxodo comenta: “Seis dias trabalharás, no sétimo descansarás, que é o repouso do teu Deus” (Ex 10).  Parar, celebrar, ir à Igreja é um modo de reconhecer o senhorio de Deus em nossa vida, que só ele é o nosso único Deus e Senhor.
Aquele que disse que tinha se casado e por isso não podia ir à festa representa os que têm responsabilidade na família e por isso se consideram impedidos de ir à Igreja. Então, a família tomou o lugar de Deus? E Jesus tinha alertado: “Quem amar seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de mim. Quem amar seu marido ou sua esposa ou seus filhos mais do que a mim, não é digno de mim”. Se Deus é o mais importante, então uma visita não pode me impedir de ir à Missa. Nem uma festinha em família, ou uma criança pequena. Deus é Deus e merece o melhor de mim, do meu tempo, do meu amor. “Amar a Deus sobre todas as coisas, acima de todas as pessoas”, esse é o mandamento.
Não faltam desculpas para quem não quer participar da Igreja. Os bens materiais que me prendem, o trabalho que me toma o tempo todo, a família que precisa de mim. Apesar da resposta negativa de alguns, Deus continua nos chamando para a festa, que é o Reino de Deus. E abrindo suas portas para outros mais desapegados, mais disponíveis, mais fiéis.
Pe. João Carlos Ribeiro 

13 julho 2014

Semente na estrada

Jesus contou a história da semente que foi plantada em vários terrenos. Quatro terrenos. À beira da estrada, em terra muita pedregosa, em um terreno coberto de espinhos e em uma terra boa, bem preparada. E aí, é claro, colheu somente no bom terreno. E explicou o que significam os terrenos e a semente. A semente é a palavra de Deus. E os terrenos representam o modo como nós recebemos a Palavra.

Eu nunca prestei muita atenção nessa parte da semente que caiu à beira da estrada. Mas, outro dia fiquei pensando no assunto, e concluí que se trata de uma coisa bastante comum em nossa vida. É que, às vezes, estamos tão distraídos, que não fica nada do que foi semeado. Ou então deixamos todo mundo passar por nós e pisotear tudo o que nos é caro. É por isso que Jesus falou da semente que caiu no caminho: é que nossa vida assim vida vira um estrada, onde todo mundo passa, onde todo mundo pisa. A palavra semeada nem tem a chance de germinar. Como disse Jesus, vêm os pássaros e a comem. Os homens passam e a pisoteiam. A semeadura à beira da estrada não produz nada.