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28 julho 2020

AUTENTICIDADE E TOLERÂNCIA


Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos (Mt 13, 40)

28 de julho de 2019

O que é que a gente faz com tanta maldade nesse mundo? Não dá pra gente criar um mundo separado. Os fariseus tinham esse complexo. Eles se sentiam os santos e queriam viver apartados dos pecadores. Jesus ensinou que a gente precisa saber conviver com todo mundo, sem ser todo mundo. Precisamos aprender com Deus que é tolerante, paciente, lento em julgar. No livro do Êxodo tem essa apresentação de Deus: “Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações, e perdoa culpas, rebeldias e pecados, mas não deixa nada impune” (Ex 33). 

Jesus contou a parábola do joio e do trigo. Um homem semeou boa semente de trigo em seu campo. De noite, veio o inimigo e semeou o joio. Cresceram juntos, trigo e joio. Quando começaram a aparecer as espigas, notou-se que no meio do trigo havia o joio. Na verdade, não é fácil diferenciá-los. O joio tem cara de trigo. Mas, as espigas são diferentes. Os grãos do joio não são bem organizados na espiga como os do trigo e são venenosos. Os empregados queriam arrancá-lo. Mas, o proprietário não deixou. Isso afetaria gravemente o trigo. É que as raízes do joio são rasteiras e saem se entrecruzando com as do trigo. Deixassem chegar o tempo da colheita. Aí, sim, arrancariam primeiro o joio e o queimariam. E recolheriam o trigo no celeiro.

Jesus, à parte, em casa, com os discípulos deu uma explicação a essa parábola. O homem que semeia a boa semente é ele mesmo, Jesus. O trigo são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno. No fim dos tempos, os anjos farão a ceifa. E cada um terá o seu destino: os maus para o fogo eterno, os justos para a glória.

Uma primeira lição é nos precaver, vigiando para que a nossa plantação não seja infectada pelo joio. O inimigo age na calada da noite, "enquanto todos dormem", como Jesus contou na parábola. A semente boa tinha sido plantada durante o dia. Plantar durante o dia, ótimo, mas vigiar também para que, de noite, não venha o inimigo e infiltre o joio na plantação. É preciso estar vigilante também durante a noite. O dia pode representar a clareza e a transparência com que a gente precisa agir. Quando a coisa é pública, é comunicada, é acompanhada por outros, o mal fica com menos chance. Coisas escondidas, conversas à meia voz, segredinhos... são campo fértil para a ação do inimigo. Claro, uma coisa é o direito à privacidade. Outra, a ação às escondidas acobertada pela mentira, pela falsidade, pela impunidade. É aí que o mal se infiltra, que o inimigo semeia o joio em nossa plantação.

Uma segunda lição é, que neste mundo, vivemos misturados joio e trigo. Não é o caso de adotarmos o jeito fariseu de querer viver separados, de formarmos guetos cristãos. Somos fermento na massa. Mesmo vivendo com todo mundo, não podemos ser todo mundo. Os valores do Reino é que nos guiam, não os valores do mundo. Jesus mesmo pediu, em prece, ao Pai, na última ceia, que não nos tirasse do mundo, mas nos livrasse do maligno. O nosso lugar é o mundo mesmo, junto com o joio. Mas, não para nos tornarmos joio, mas antes para ajudar o joio a dar bons frutos, não frutos venenosos. De toda forma, Deus é quem é o juiz. Assim, já sabemos que o fim do joio é muito ruim. Para o celeiro, só vai o trigo.

Guardando a mensagem

O mal existe. O diabo ainda não se aposentou. Nem está de férias. E tem muitos assessores. E aproveita quando o agricultor dorme, para plantar sua semente ruim na sua vida, na vida de sua família, em sua comunidade, em nosso país. É preciso vigilância. O mundo é movido por muitos interesses, nem todos eles legítimos. A parábola do joio e do trigo também nos estimula a tomar distância de coisas escondidas, de situações dúbias, de escolhas duvidosas em situações de pouca clareza. Outra lição desta parábola é a necessidade de, mesmo vivendo próximos joio e trigo, continuarmos a ser trigo, não nos deixando influenciar pelo mal. Como fermento na massa, sejamos nós a influenciar em favor do bem, da justiça, da paz, da fraternidade.

Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos (Mt 13, 40)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Tu nos ensinaste a rezar, no Pai Nosso, “Livrai-nos do mal”. Ajuda-nos, Senhor, a estar vigilantes para que o inimigo não semeie joio na nossa plantação de trigo, na nossa família, na nossa comunidade. Ensina-nos a conviver com quem é joio, sem exclui-lo, mas sem imitá-lo ou deixar-nos cooptar pela desonestidade, pela infidelidade, por suas más ações. Antes, sejamos capazes de ajudá-los a dar frutos bons, antes que chegue o dia final da colheita. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você está conseguindo conviver bem com pessoas que não pensam como você? que não crêem como você? Pense nisso. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

19 julho 2020

TEM JOIO NO MEU ROÇADO


O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno (Mt 13, 38).


19 de julho de 2020.

Nós formamos famílias cristãs, zelando para que elas cresçam na unidade da fé. Organizamo-nos em comunidades cristãs, procurando trilhar os caminhos da santidade. Respiramos ainda um clima religioso em nosso país, sentindo-nos todos um povo abençoado por Deus.

Mas, sabemos que nem tudo são flores. Em nossa terra, há processos e estruturas responsáveis por desigualdade, injustiça, desemprego. Em nossas comunidades cristãs, também se abrigam pessoas preconceituosas, egoístas e violentas. Em nossa casa, também moram infidelidade e violência doméstica. Tem joio no nosso roçado.

Jesus nos conta, hoje, uma parábola superinteressante, a do joio e do trigo. Na plantação, só entrou a boa semente de trigo. Mas, o inimigo veio de noite e semeou também o joio. Quando cresceram e o trigo começou a dar espigas, notou-se que uma parte da plantação era joio. E o joio é parecido com o trigo, com a diferença de que dá um fruto venenoso. Além de difícil de distinguir, suas raízes se misturam com as do trigo.

Ao descobrirmos o mal e os seus responsáveis em nossas famílias, em nossos grupos, em nosso convívio social, achamos logo a solução: arrancá-los de nossa convivência, extirpando o mal pela raiz. Foi o que os trabalhadores quiserem fazer com o joio. Mas, o agricultor não permitiu. Iria prejudicar o trigo. O melhor era ter paciência e aguardar o tempo da colheita. Aí, sim, o trigo seria recolhido e guardado no celeiro. E o joio queimado no fogo.

O que Jesus está nos ensinando, com esta parábola?

A primeira lição é renunciarmos à presunção de sermos gente santa e pura, em contraste com os maus e pecadores. Santos, nós somos pela graça de Cristo que nos redimiu. Mas, igualmente somos pecadores. Os fariseus se julgavam justos, praticantes, separados. Assim, cometeram muita injustiça com o povo pobre ou sem conhecimento da Lei. E rejeitaram Jesus, que vivia misturado com os pecadores. Em nome da pureza da raça, cometeu-se a tragédia do holocausto, particularmente contra os judeus. Somos santos e pecadores. Não devemos ceder à tentação de querer viver separados, como um trigo santo. Há sementes de joio em nosso coração e joio crescido em nossa própria comunidade. Mais humildade.

A segunda lição é não nos arvorarmos em juízes dos outros. Só Deus julga e condena, mas só o fará no final de tudo, na colheita. Ele dá toda chance, age com grande paciência e aguarda a conversão para sanar o mal com o seu perdão e a sua misericórdia. Assim, não tomemos o lugar de Deus. Espelhemo-nos nele, em sua paciência e em sua compaixão. Devemos apontar os erros e as estratégias que nos pareçam equivocadas, mas não desrespeitemos a dignidade humana de quem quer que seja.  Não coloquemos ninguém no inferno. Não julguemos para não sermos julgados.

A terceira lição é continuarmos a ser bons e cada vez mais amorosos com Deus e com o nosso próximo, apesar de estarmos rodeados de tentações e convivendo com o joio. O mal me obriga a ser bom com maior consciência, com maior responsabilidade e com sempre maior capacidade de resistência e perseverança. O mal nos obriga a assumir mais claramente a nossa condição de filhos amados e de irmãos servidores. Que o mal não nos faça maus. Ao contrário, como fermento na massa, trabalhemos para melhorar as pessoas e o mundo.

Guardando a mensagem

Na parábola do joio e do trigo, descobriram que havia joio junto com o trigo, que não dava para arrancar logo o joio e que o final do joio e do trigo seria bem diferente. Três lições podemos recolher desta parábola: renunciar à presunção de querermos viver no gueto dos santos; ser tolerantes, evitando julgar e condenar os outros; e reafirmar, com clareza, nossa adesão ao bem e à verdade, exatamente onde a mentira e a desonestidade querem ter a última palavra.

O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno (Mt 13, 38).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Vivemos num mundo complicado, em meio a um grande pluralismo cultural e religioso e a uma polarização política empobrecedora. Tua palavra hoje nos ajuda a nos colocarmos melhor nessa situação. Tu nos ensinas a não nos isolarmos do mundo, pensando que estaremos a salvo em nossos grupos afins nas redes sociais ou em nosso ambiente religioso exclusivo. O joio está em toda parte. Nesse contexto, precisamos ser bons e muitos bons, com frutos de solidariedade, de santidade, de amor a Deus e ao próximo; Não só não nos deixarmos contagiar pelo vírus do mal, mas sermos fermento na massa. Ensina-nos, Senhor, a ser tolerantes, sem cairmos no relativismo de que tudo está certo e no fatalismo, de que isso não tem jeito. Na colheita, terás a palavra final. Até lá, queremos ser trigo e dos bons. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Comente com alguém o evangelho de hoje.

Rezemos pelo bispo da Diocese de Palmares, Dom Henrique Soares, de 54 anos, que faleceu ontem à noite, vítima da covid-19. Unamo-nos ao povo de Deus de sua Diocese que recebeu essa notícia com grande tristeza.

Para entender melhor a mensagem de hoje, sugiro que leia o texto da Meditação. É só seguir o link que lhe enviei.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

27 julho 2019

PELA ESPIGA, SE SABE QUEM É JOIO

Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora (Mt 13, 25). 

27 de julho de 2019.

Jesus contou uma parábola para ensinar a gente a ser paciente, tolerante e deixar o julgamento para Deus. E, certamente, também pra gente ficar mais atento com o que estamos fazendo, com a nossa plantação. Ele contou a parábola do joio e do trigo. Um homem semeou boa semente de trigo em seu campo. De noite, veio o inimigo e semeou o joio. Cresceram juntos, trigo e joio. Quando começaram a aparecer as espigas, notou-se que no meio do trigo havia o joio. Os empregados queriam arrancá-lo. Mas, o homem não deixou. Poderiam confundir trigo com joio. Deixassem chegar o tempo da colheita. Aí, sim, arrancariam primeiro o joio e tocariam fogo nele. O trigo não, o trigo iria para o celeiro.

Jesus, à parte, em casa, com os discípulos deu uma explicação dessa parábola. O homem que semeou a boa semente é ele mesmo, o Mestre. O trigo são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno. No fim dos tempos, os anjos farão a ceifa. E cada um terá o seu destino: os maus para o fogo eterno, os justos para a glória. 

Você conhece um pé de trigo? O trigo é como um capim crescido com espigas. Quando chega o tempo da colheita, fica tudo amarelinho. Espigas bonitas, os grãos todos arrumadinhos, tudo bem certinho. É bonito de se ver. O trigo era a base alimentar do povo do tempo de Jesus. Com ele, faziam o pão, em casa. Mas, e o joio? O joio, você nunca viu. O joio é uma erva daninha, também chamada de cizânia, que dá no meio de cereais como o trigo. Ele é bem parecido com o trigo. Só quando começa a dar espigas é que se nota a diferença. Umas espigas com uns grãos desengonçados, uns grãozinhos pretos tóxicos. As feiosas espigas ficam logo pendidas para um lado. E tem outro detalhe que os diferencia. O trigo tem raízes não muito profundas, é fácil arrancá-lo. Já o joio tem raízes rasteiras que se entrelaçam nas raízes do trigo. Na história de Jesus, o homem achou melhor não arrancar o joio. O melhor seria aguardar a colheita. Arrancando o joio iria-se prejudicar o trigo, claro, porque suas raízes se misturam com as do trigo. Seria prejuízo para o desenvolvimento da espiga do trigo. 

A grande lição da parábola é a tolerância. Vivemos nesse mundo, junto com todo mundo. Não podemos viver separados. A oração de Jesus na última ceia dizia: “Pai, não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno”. Trata-se de convivermos, com respeito e tolerância com todos. Não quer dizer que aplaudimos o mal. Não. Trabalhamos para que todos se consertem, todos precisam ter essa chance. Temos que ser pacientes, como Deus é paciente. Somos trigo. Convivemos com o joio. Mas, todo cuidado é pouco para não nos tornamos também joio, permitindo que o mal nos influencie e nos faça à sua imagem. O joio e o trigo se conhecem pelas espigas, pelos frutos. O fruto é que nos diz se é trigo e vai dar um bom pão ou se é joio e está só sugando a terra e atrapalhando o desenvolvimento do trigo.

Guardando a mensagem 

Os fariseus bem que queriam viver separados das outras pessoas, a quem eles chamavam de pecadores. Mas, Jesus agiu de maneira diferente. Procurava estar com todos, mesmo com aqueles que a sociedade discriminava. Vivemos misturados, joio e trigo. O joio não vai ter um bom final. Mas, o trigo tem que ter cuidado para não se deixar assimilar pelo joio e tornar-se estéril ou dar frutos venenosos como ele. Pelo contrário, o trigo precisa trabalhar para ajudar na conversão do joio. A parábola do joio e do trigo é um belo ensinamento sobre a tolerância, a convivência. Mas, também sobre a vigilância. Não deixar que o inimigo semeie o joio na nossa plantação.

Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora (Mt 13, 25).

Vivendo a palavra

Senhor Jesus, 
Tu nos ensinaste a rezar, no Pai Nosso, “Livrai-nos do mal”. Ajuda-nos, Senhor, a estar vigilantes para que o inimigo não semeie joio na nossa plantação de trigo, na nossa família, na nossa comunidade. Ensina-nos a conviver com quem é joio, sem exclui-lo, mas sem imitá-lo ou deixar-nos cooptar pela desonestidade, pela infidelidade, por suas más ações. Antes, sejamos capazes de ajudá-los a se transformarem em trigo, antes que chegue o dia final da colheita. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra 

Talvez você já esteja identificando algum joio na sua plantação. Que tal rezar por ele, para que se converta enquanto é tempo?

 Pe. João Carlos Ribeiro – 27 de julho de 2019.