PE. JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO: bom samaritano
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20190714

AMAR COMO ELE AMOU



Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? (Lc 10, 36)


14 de julho de 2019 – 15º Domingo do Tempo Comum

Com o evangelho nas mãos, vamos dar a palavra a alguém muito especial... 

Acordei, naquela manhã, cheio de dores. Abri os olhos e me assustei. Onde estou? Um lugar diferente, um quarto modesto, mas organizado. Eu estava sozinho. O sol estava clareando o dia. Tentei me levantar. Dores muito fortes nas costas, na cabeça, hematomas por toda parte. Onde estou? O que me aconteceu? 

Comecei me lembrar vagamente de alguma coisa. Aos poucos, as imagens, na minha mente, foram se alinhando. Vinha forte, a imagem de um homem jovem me carregando no seu burro. Lembro que ele ia a pé e segurava a rédia do animal. De vez em quando, levantava minha cabeça, conferindo se eu estava reagindo.E dizia alguma coisa que eu não me lembro. 

Mas, pera aí... eu estava voltando de Jerusalém, no caminho para Jericó. Estou me lembrando... Eu vinha tranquilo, voltando pra casa, quando, de repente, do nada, apareceu um grupo de malfeitores. Gritavam, ameAçavam, me batiam com violência. Fiquei apavorado. Tentei acalmá-los, puxar conversa. Mas, nada, eles não queriam me ouvir, me tomaram tudo o que eu trazia, o dinheiro, as coisas que eu tinham comprado na feira, até minha roupa. Eles me chutaram, ferozmente, me deram pauladas... eu caí, sem poder me levantar e fiquei gemendo de dor. Ainda estou sentindo as pancadas na cabeça. 

Devo ter ficado muito tempo assim, caído, na beira daquela estrada deserta. Pedi muito a Deus que mandasse alguém... alguém que passasse por ali e me ajudasse. Nem levantar a cabeça eu conseguia. Passado algum tempo, senti o barulho de passos pela estrada... quis gritar, não consegui, todo travado de dor. Os passos se aproximaram... ‘alguém vem me socorrer, pensei. Bendito seja Deus!’ Os passos pararam a uma certa distância... e senti que tomaram outro rumo e foram diminuindo até não ouvir mais nada, só o vento. Depois de alguns minutos, acendeu-se de novo a minha esperança. ‘Graças a Deus, vem mais alguém por aí’, pensei, ouvindo o rumor de passos. Mas, quem vinha fez igualzinho ao primeiro... afastou-se de mim e foi-se embora. Estou perdido, pensei. 

Desta vez, estava ouvindo o trote de um cavalo ou um animal de carga. Bom, vinha devagar, devia ser um burro. Será que vai me ver? Tentei me mexer, mas não consegui. Mas, o animal parou. E desceu alguém, que me observou de perto. Voltou ao animal, pegou alguma coisa. Limpou minhas costas com as mãos e derramou um pouco do que ele trouxe. Cuidou também de minha cabeça e dos meus braços. Depois me carregou e colocou na sua montaria. Não sei para onde me levou. Acho que fiquei desacordado boa parte do caminho. Sei que me pôs num quarto e providenciou um banho, sopa e cobertas limpas. Vi quando ele pagou a alguém, talvez o dono do lugar. Também o ouvi recomendando que cuidasse de mim, pois na volta de sua viagem ele pagaria qualquer despesa a mais. 

Preciso saber quem foi essa pessoa caridosa que me salvou. Só ele teve compaixão de mim. Ele me tirou da beira da estrada, quase morto. Pelo sotaque dele, sei que não é dos nossos, não é do nosso povo. Fico pensando numa coisa, mas acho que não pode ser. Será que ele é um samaritano? Não pode ser, samaritanos não se dão conosco. Mas, pela fala dele, bem que poderia ser. Preciso encontrar essa pessoa. Sei que se eu a conhecer, muita coisa vai mudar na minha vida. Tenho que reconhecer que lhe devo a minha vida. E não posso deixar de fazer com os outros o que ele fez por mim. 

Guardando a mensagem

A parábola do bom samaritano é a história de quem foi resgatado de sua condição de morte, por pura misericórdia. É a história de quem foi socorrido em sua condição de assaltado e largado semi-morto. Ele sentiu-se amado e socorrido numa condição de extrema penúria e abandono. É a experiência da ovelha perdida que foi resgatada e carregada nos ombros do pastor. É a sua história. É a nossa história. O bom samaritano é, particularmente, Jesus. Ele, movido de compaixão por você, que estava ferido pelo pecado, aproximou-se, por sua encarnação, e lhe tratou as feridas, derramando sobre elas o seu próprio sangue derramado na cruz (o vinho) e o Santo Espírito de Deus que nos comunica a vida nova (o óleo). Foi ele que o carregou nas costas, como a ovelha resgatada. Foi ele quem pagou, com o preço de sua vida, por sua salvação. E quando voltar, na sua segunda vinda, recompensará regiamente a quem fez como ele, socorrendo seus irmãos. Na história do bom samaritano, está o retrato de Jesus e de quem age como ele. 

Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? (Lc 10, 36)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 

Nós te agradecemos e te bendizemos pelo teu imenso amor por nós, nos redimindo do pecado e de suas consequências destruidoras. Tu és o nosso bom samaritano. Em ti, vemos realizado o mandamento do amor a Deus e ao próximo, como a si mesmo. O teu amor mostrou-se real, concreto, redentor. Somos novas criaturas, restaurados na tua morte e na tua ressurreição. Só há um modo de viver essa vida nova: amando como tu amaste. Amando a Deus e ao próximo. Nesse amor fiel e redentor, tu Senhor Jesus, revelas o Pai. És a imagem do Deus invisível, como nos disse Paulo. Em ti, Deus quis habitar com toda a sua plenitude. Por ti, ele quis reconciliar consigo todos os seres. Realizaste a paz pelo sangue de tua cruz, como escreveu o apóstolo. Dá-nos, Senhor, a graça de viver mergulhados nesse mistério de amor, amando a Deus e amando o próximo, como bons samaritanos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém 

Vivendo a palavra

Você conhece a AMA? A AMA é a Associação Missionária Amanhecer. É um povo abençoado que abraçou comigo a missão de evangelizar nos meios de comunicação. Hoje, estamos anunciando o evangelho em quase uma centena de emissoras de rádio. É a AMA que faz chegar a você com regularidade a Meditação da Palavra. Se você também quiser abraçar comigo essa causa, me mande seu nome e seu telefone. Amanhã, nós ligaremos pra você. Vou deixar aqui um link pra você me responder: Você também quer ser AMA? Basta deixar seu nome e seu telefone. Um domingo abençoado e samaritano pra você!

Pe. João Carlos Ribeiro – 14 de julho de 2019.

20181008

AMAR COMO JESUS AMOU

Então Jesus lhe disse: “Vá e faça a mesma coisa” (Lc 10, 37)
08 de outubro de 2018.
Jesus contou a história do bom samaritano. Um peregrino caiu nas mãos de assaltantes na estrada. Além de assaltá-lo, eles o espancaram muito. Jesus fez questão de dizer que eles “foram embora, deixando-o quase morto”. Três pessoas passaram por aquele mesmo caminho. Os dois primeiros, homens da religião de Israel, viram e foram embora. Você escutou? - “foram embora!”. A falta deles – a omissão de socorro – está quase no mesmo nível dos assaltantes, pois foram embora também, indiferentes à sorte daquela vítima.
O terceiro que passou pelo caminho foi um samaritano, um estrangeiro. Esse viu e teve compaixão. Essa palavra “compaixão” se repete muitas vezes nos evangelhos, referindo-se a Jesus quando se encontra com os sofredores. E o que fez o samaritano? Ele realizou uma obra completa, perfeita, misericordiosa. Obra assim, só Deus faz. O Senhor Deus criou o mundo em sete dias. O que o samaritano fez está descrito em sete ações (conte aí): aproximou-se – fez curativos com óleo e vinho – transportou o homem na sua própria montaria – levou-o a uma hospedaria – cuidou dele, lá – pagou a hospedagem com duas moedas de prata – quantas ações até agora?  Seis. Então, está faltando uma. E essa deve ser o coroamento de todas. É assim na linguagem poética da literatura da Bíblia. Qual será a sétima ação? A sétima é esta: Vai pagar o que tiver de despesa a mais, quando voltar. O pagamento completo será na volta. Quem é que vai voltar? Claro, Jesus é quem vai voltar. Ele vai acertar as contas, na volta. Vai premiar quem tomou conta do seu irmão, em sua volta no fim dos tempos.
Você sabe quem é o bom samaritano? Eu não tenho dúvida. Jesus é o bom samaritano. A situação do homem assaltado e quase morto é a condição com que ele nos encontrou no caminho da história, gente ferida pelo pecado. Ele se aproximou de nós, pela sua encarnação. Curou-nos com o derramamento do seu sangue (o vinho) e do Espírito Santo (o óleo). Tomou sobre si nossas dores e nosso pecado (transportou o homem no seu animal). Inseriu-nos, pelo batismo, na comunidade da Igreja (levou-o para uma hospedaria). É a Igreja, que como uma mãe, nos acompanha, nos alimenta, nos educa, cuida de nós (na hospedaria, ele cuidou do ferido). Garantiu que nem um copo d’água ficará sem recompensa (pagou as duas moedas ao dono da hospedaria). E, no seu retorno glorioso, vai dar a vida eterna a quem acolheu o pobre, alimentou, vestiu, visitou o necessitado, lutou pelo sofredor (na volta, pagará o que houver de despesa). É ou não é Jesus, esse samaritano?
Guardando a mensagem
O samaritano, em primeiro lugar, é Jesus. Ele é o primeiro a nos dar o exemplo. Ele nos amou perfeitamente. Confira os sete passos do serviço ao próximo, nesta parábola.  O bom samaritano é Jesus e todo aquele que o imita. Veja o que está escrito no finalzinho desse texto do evangelho: ‘O próximo do assaltado foi o que usou de misericórdia para com ele’. “Misericórdia”, você ouviu bem essa palavra? Claro, foi Jesus que usou de misericórdia para conosco. É pra isso que ele está contando essa história: para nós o imitarmos, em sua misericórdia. Sermos, como ele, caridosos, amorosos, solidários com quem está em situação de sofrimento e abandono.
Então Jesus lhe disse: “Vá e faça a mesma coisa” (Lc 10, 37)

Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nosso bom samaritano, tu deste o exemplo com o teu amor misericordioso por todos os sofredores e pecadores, como nós. A tua vida é o grande ensinamento que precisamos aprender e reproduzir em nossas atitudes e relacionamentos. Tu és o caminho, a verdade, a vida. Essa parábola que nos contaste hoje nos ensina a viver, nesta Semana da Brasil, com um grande amor no coração. Amor que nos faz ir ao encontro dos desempregados, dos humilhados, dos sofredores de hoje. Que sejamos, Senhor, como tu, bons samaritanos para com os que estão caídos à beira do caminho da vida, assaltados pela injustiça e pela desigualdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Hoje, você tem dois motivos para rezar o terço. O primeiro, o pedido do Papa Francisco: rezá-lo todo dia deste mês missionário, pedindo a proteção de Maria sobre a igreja;  O segundo, a novena de Nossa Senhora Aparecida.
Só lembrando. Hoje, segunda, meditamos os Mistérios Gozosos: A anunciação do Anjo à Virgem Maria – A visita de Maria à sua prima Izabel – O nascimento de Jesus em Belém – A apresentação do menino Jesus no Templo e a purificação da Virgem – A perda e o encontro do Menino Jesus no Templo de Jerusalém.
Estão faltando 10 dias para o lançamento de minha nova música: CONFIAR EM DEUS. 18 de outubro, nas plataformas digitais e redes sociais.

Pe. João Carlos Ribeiro – 08.10.2018

20180607

AS DUAS FACES DA MOEDA

Tu não estás longe do Reino de Deus  (Mc 12, 34)
07 de junho de 2018.
Nem todas as perguntas feitas a Jesus vinham de gente maldosa e mal intencionada. Dessa vez, parece que o mestre da Lei estava querendo, de verdade, uma opinião de Jesus. O que ele queria saber era o seguinte: Qual era o primeiro de todos os mandamentos? Os mestres da Lei tinham uma lista de centenas de mandamentos, era coisa que não se acabava mais. Era comum, naquele período, círculos de discussão sobre a Lei, ao redor de algum ilustre mestre. Basta você lembrar que Jesus, quando tinha doze anos, acabou ficando no Templo, e não seguiu com a família na volta da peregrinação da Páscoa. Claro, ficou entretido nas rodas de discussão com os mestres da Lei. Ele mesmo fazia perguntas.
Bom, a pergunta do escriba era sobre o primeiro dos mandamentos. Vamos ver o que Jesus respondeu. Jesus, como bom judeu, recitou um texto do livro do Deuteronômio. ‘O primeiro mandamento é este: “Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”. É a oração do Shemá que todo judeu recitava diariamente. E Jesus acrescentou: ‘O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo!’ Também este mandamento estava na Escritura. ‘Não existe outro mandamento maior do que estes’, disse Jesus.
O que será que o mestre da Lei achou da resposta de Jesus? Antes de considerar a reação dele, vamos pensar mais no que Jesus falou. A pergunta, qual era? Qual o primeiro dos mandamentos, o mais importante. E Jesus respondeu com dois mandamentos. O primeiro e o segundo, notou?  Amar a Deus e amar o próximo. Aproximou os dois, juntou os dois. Uma coisa não pode ser desligada da outra. Como escreveu São João na sua primeira carta: “Quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê, é um mentiroso”. Podemos dizer que o fundamento disso é que Deus nos ama, infinitamente. É o que explica o seu relacionamento com Israel. Deus ama o seu povo, o protege, o livra dos inimigos, o guia. Ele fez uma aliança com o seu povo, uma aliança de amor.
Agora, vamos ver a reação do mestre da lei que fez a pergunta. Ele ficou satisfeito com a resposta de Jesus.  “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”.  Ele estava de acordo com a resposta de Jesus. E tirou logo uma conclusão: Quem ama assim a Deus e ao próximo faz uma coisa maior do que o culto feito com os sacrifícios no Templo.
Jesus ficou admirado com o mestre da Lei. “Tu não estás longe do Reino de Deus”. Reconheceu que ele estava no caminho do Reino, do evangelho que ele estava anunciando. De fato, a pregação de Jesus era sobre o amor de Deus pelos seus filhos.  O verdadeiro culto a Deus tem a ver também com o amor aos irmãos. Na história que Jesus contou do ‘bom samaritano’, os homens que oficiavam o culto do Templo, oferecendo os sacrifícios e holocaustos de animais passaram ao largo quando viram o homem necessitado caído na estrada. O samaritano, alguém que não frequentava o Templo, realizou o maior culto a Deus, amando o seu próximo, acudindo o homem assaltado.
Vamos guardar a mensagem
O mestre da Lei queria saber qual era o maior mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. Um leva ao outro. Deus nos ama. Nós, em resposta, o amamos e amamos o nosso semelhante. O mestre da Lei pensava igual a Jesus. Os dois mandamentos se completam, são interfaces da mesma realidade.  O culto no Templo e o serviço na rua. A oração e a caridade.
Tu não estás longe do Reino de Deus  (Mc 12, 34)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Hoje vamos recitar contigo, o Shemá, a oração diária do teu povo: “Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”.
Amém.
Vamos viver a Palavra
No seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações) responda a esta pergunta: O que, na minha vida, mostra que eu estou amando a Deus de todo o coração e amando o meu próximo como a mim mesmo?

Pe. João Carlos Ribeiro – 07.06.2018

20171009

DESCUBRA QUEM É O BOM SAMARITANO


Vá e faça a mesma coisa (Lc 10, 37)
Bom, Jesus contou a história do bom samaritano. Um peregrino caiu nas mãos de assaltantes na estrada. Além de assalta-lo, eles o espancaram muito. Jesus fez questão de dizer que eles “foram embora, deixando-o quase morto”. Três pessoas passaram por aquele mesmo caminho. Os dois primeiros, homens da religião de Israel, viram e foram embora. Você escutou? - “foram embora!”. A falta deles – a omissão de socorro – está quase no mesmo nível dos assaltantes, pois foram embora também, indiferentes à sorte daquela vítima.
O terceiro que passou pelo caminho foi um samaritano, um estrangeiro. Esse viu e teve compaixão. Essa palavra “compaixão” se repete muitas vezes nos evangelhos, referindo-se a Jesus quando se encontra com os sofredores. E o que fez o samaritano? Ele realizou uma obra completa, perfeita, misericordiosa. Obra assim, só Deus faz. O Senhor Deus criou o mundo em sete dias. O que o samaritano fez está descrito em sete ações (conte aí): aproximou-se – fez curativos com óleo e vinho – transportou o homem na sua própria montaria – levou-o a uma hospedaria – cuidou dele, lá – pagou a hospedagem com duas moedas de prata – quantas ações até agora?  Seis. Então, está faltando uma. E essa deve ser o coroamento de todas. É assim na linguagem poética da literatura da Bíblia. Qual será a sétima ação? A sétima é esta: Vai pagar o que tiver de despesa a mais, quando voltar. O pagamento completo será na volta. Quem é que vai voltar? Claro, Jesus é quem vai voltar. Ele vai acertar as contas, na volta. Vai premiar quem tomou conta do seu irmão, em sua volta no fim dos tempos.
Você sabe quem é o bom samaritano? Eu não tenho dúvida. Jesus é o bom samaritano. A situação do homem assaltado e quase morto é a condição com que ele nos encontrou no caminho da história, gente ferida pelo pecado. Ele se aproximou de nós, pela sua encarnação. Curou-nos com o derramamento do seu sangue (o vinho) e do Espírito Santo (o óleo). Tomou sobre si nossas dores e nosso pecado (transportou o homem no seu animal). Inseriu-nos, pelo batismo, na comunidade da Igreja (levou-o para uma hospedaria). É a Igreja, que como uma mãe, nos acompanha, nos alimenta, nos educa, cuida de nós (na hospedaria, ele cuidou do ferido). Garantiu que nem um copo d’água ficará sem recompensa (pagou as duas moedas ao dono da hospedaria). E, no seu retorno glorioso, vai dar a vida eterna a quem acolheu o pobre, alimentou, vestiu, visitou o necessitado,, lutou pelo sofredor (Na volta, pagará o que houver de despesa). É ou não é Jesus, esse samaritano?
Vamos guardar a mensagem de hoje
O samaritano, em primeiro lugar, é Jesus. Ele é o primeiro a nos dar o exemplo. Ele nos amou perfeitamente. Confira os sete passos do serviço ao próximo, nesta parábola.  O bom samaritano é Jesus e todo aquele que o imita. Veja o que está escrito no finalzinho desse texto do evangelho: ‘O próximo do assaltado foi o que usou de misericórdia para com ele’. “Misericórdia”, você ouviu bem essa palavra? Claro, foi Jesus que usou de misericórdia para conosco. É pra isso que ele está contando essa história: para nós o imitarmos, em sua misericordia. E olha como termina esse texto do evangelho... diz tudo: “Vá e faça a mesma coisa”.

20160718

Alguém precisa de você

Quanto mais a população se concentra nos centros urbanos, menos comunicação interpessoal,  mais anonimato, mais indiferença. A indiferença é a gente passar um pelo outro, como se o outro não existisse. A indiferença e o individualismo enfraquecem o tecido social e empobrecem a nossa convivência humana.

Vivendo em sociedade, cada um tem um papel a cumprir, uma função social, uma tarefa profissional. Quem, como nós, leva o nome de ‘cristão’ e tem a responsabilidade de honrar a sua fé, não se contenta apenas em cumprir socialmente um papel. A perspectiva do evangelho é mais do que a simples convivência pacífica e educada entre todos, em sociedade. O evangelho nos impulsiona a um encontro mais profundo com as pessoas. Todos somos irmãos, estamos no mesmo barco e precisamos uns dos outros.

20160710

VÁ E FAÇA A MESMA COISA

 


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0 de Julho de 2016


Eu já andava desconfiado que o bom samaritano do evangelho fosse Jesus. Agora, já não tenho mais dúvidas.

Bom, Jesus contou a história do bom samaritano (Lc 10). Um peregrino caiu nas mãos de assaltantes na estrada. Além de assalta-lo, eles o espancaram muito. Jesus fez questão de dizer que eles “foram embora, deixando-o quase morto”. Três pessoas passaram por aquele mesmo caminho. Os dois primeiros, homens da religião de Israel, viram e foram embora. Você escutou? - “foram embora!”. A falta deles – a omissão de socorro – está quase no mesmo nível dos assaltantes, pois foram embora também, indiferentes à sorte daquela vítima. O terceiro que passou pelo caminho foi um samaritano, um estrangeiro. Esse viu e teve compaixão. Essa palavra “compaixão” se repete muitas vezes nos evangelhos, referindo-se a Jesus quando se encontra com os sofredores. E o que fez o samaritano? Ele realizou uma obra completa, perfeita, misericordiosa. Obra assim, só Deus faz. O Senhor Deus criou o mundo em sete dias. O que o samaritano fez está descrito em sete ações (conte aí): aproximou-se – fez curativos com óleo e vinho – transportou o homem na sua própria montaria – levou-o a uma hospedaria – cuidou dele lá – pagou a hospedagem com duas moedas de prata – quantas ações até agora? Seis. Então, está faltando uma. E essa deve ser o coroamento de todas. É assim na linguagem poética da literatura daquele tempo. Qual será a sétima ação? A sétima é esta: Vai pagar o que tiver de despesa a mais, quando voltar. O pagamento completo será na volta. Quem é que vai voltar? Claro, Jesus é quem vai voltar. Ele vai acertar as contas, na volta. Vai premiar quem tomou conta do seu irmão, em sua volta no fim dos tempos.

Eu não tenho dúvida. Jesus é o bom samaritano. A situação do homem assaltado e quase morto é a condição com que ele nos encontrou no caminho da história, gente ferida pelo pecado. Ele se aproximou de nós, pela sua encarnação. Curou-nos com o derramamento do seu sangue (o vinho) e do Espírito Santo (o óleo). Tomou sobre si nossas dores e nosso pecado (transportou o homem no seu animal). Inseriu-nos, pelo batismo, na comunidade da Igreja (levou-o para uma hospedaria). É a Igreja, que como uma mãe, nos acompanha, nos alimenta, nos educa, cuida de nós (na hospedaria, ele cuidou do ferido). Garantiu que nem um copo d’água ficará sem recompensa (pagou as duas moedas ao dono da hospedaria). E, no seu retorno glorioso, vai dar a vida eterna a quem acolheu, alimentou, vestiu, visitou, lutou pelo pobre e pelo pecador (Na volta, pagará o que houver de despesa). É ou não é Jesus, esse samaritano?

Se for Jesus, ele está se colocando como exemplo, para nós o seguirmos, o imitarmos, fazermos como ele. Veja o que está escrito no finalzinho desse texto do evangelho: O próximo do assaltado foi o que usou de misericórdia para com ele. “Misericórdia”, você ouviu bem essa palavra? Claro, foi Jesus que usou de misericórdia para conosco. É pra isso que ele está contando essa história: para nós o imitarmos. E olha como termina esse texto do evangelho... diz tudo: “Vá e faça a mesma coisa" (Lc 10, 37)

Pe. João Carlos Ribeiro

20140207

Superando preconceitos

Quantos preconceitos nos impedem de realizar o mandamento de Jesus de amar o próximo como a si mesmo?!

Vocês se lembram da parábola que Jesus contou para explicar bem o mandamento do amor ao próximo? A parábola do bom samaritano. Um homem foi assaltado e deixado semimorto. Muitos preconceitos impediam que alguém pudesse se aproximar dele para ajudá-lo. Para os judeus, as leis da pureza, ensinadas pela elite que controlava o Tempo de Jerusalém, impediam que alguém tocasse num morto. Por isso, seus irmãos judeus, embora muito religiosos, como o sacerdote e o levita, não o puderam ajudar. Passaram, viram-no e foram embora. Para os samaritanos,  também os preconceitos impediam que alguém ajudasse o cidadão assaltado e espancado: sobretudo a fobia que eles tinham contra os judeus, tidos como inimigos e hereges. E vice-versa.

Foi precisamente vencendo todos os preconceitos, que o samaritano aproximou-se do judeu semimorto e o ajudou. Curou-lhe as feridas, levou-o para uma hospedaria e pagou pelos cuidados que lhe seriam dispensados. Para ele, não contou que o socorrido fosse um judeu, um estrangeiro, um herege voltando de uma romaria. Contou que ele precisava de sua ajuda, do seu apoio, do seu tempo, do seu prestígio de comerciante, do seu dinheiro. Empenhou tudo, serviu com tudo que ele era e tinha. Esqueceu os preconceitos, não viu mais o inimigo, o estrangeiro, o de outra religião. Viu o irmão precisando de ajuda.

Jesus estava contando isso aos fariseus, uma gente cheia de preconceitos... que discriminava os samaritanos como hereges, os estrangeiros como impuros, os leprosos como amaldiçoados por Deus; gente que desprezava os cobradores de impostos como traidores e os pobres como ignorantes da Lei; gente mesquinha que se achava santa demais, em detrimento dos outros que eles julgavam pecadores, não praticantes da religião, indignos e desprezíveis. Sua autoestima desclassificava as mulheres, as crianças, os doentes, os presos, os doentes mentais...

Os fariseus de ontem continuam nos fariseus de hoje, sobretudo em nós. Quando alcançamos um pouco mais de estudo, olhamos para trás e classificamos de ignorantes, analfabetos, burros os que não tiveram as mesmas oportunidades que nós. Quando olhamos para as mulheres no volante, já calculamos que vão fazer "barbeiragem". Somos os mesmo fariseus. Quando olhamos para um menino pobre na rua, o coração dispara como se estivesse na frente de um perverso inimigo. E é apenas uma criança. Quando do alto de nossa espiritualidade e da agenda repleta de compromissos pastorais, olhamos para a simplicidade da fé das pessoas que nos cercam e balançamos a cabeça imaginando-as gente sem instrução religiosa, gente sem Deus, gente precisando de conversão. Os fariseus de ontem continuam nos fariseus de hoje. Em nós.

Os nossos preconceitos não nos permitem enxergar homens e mulheres destruídos olhando a vida passar nas grades de uma penitenciária. Nossos preconceitos não enxergam gente que precisa de apoio e compreensão por trás da máscara hilariante de um travesti. Nossos preconceitos só enxergam invasores, lá onde pais de famílias desesperados, pelo desemprego, pela fome, pela inércia do poder público lutam por reforma agrária.

O samaritano passou por cima de todos os preconceitos que a sua sociedade lhe tinha ensinado contra os judeus. Olhou e viu um irmão precisando de ajuda. Não viu nem o judeu, nem o inimigo, nem o herege. Viu o próximo. E o serviu, com tudo o que tinha e com tudo que era. Vamos viver essa palavra de Jesus.  Não dá pra gente continuar sendo fariseu, movido a preconceito.

Pe. João Carlos Ribeiro