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26 setembro 2019

ENCONTRO QUE MUDA VIDAS

Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas? (Lc 9, 9).
26 de setembro de 2019.
É Herodes perplexo, ouvindo falar de Jesus. Imaginou logo que poderia ser o próprio João Batista que tivesse ressuscitado. Corriam vozes que se tratava do profeta Elias que tinha voltado ou de algum antigo profeta ressuscitado. O tetrarca Herodes era um sujeito fraco e supersticioso. Para ilustrar sua fraqueza, basta lembrar que, mesmo a contragosto, mandou degolar João Batista na prisão para atender a um capricho da amante.
Herodes, um governante sem legitimidade, já vivia assustado pela sua impopularidade e pela repressão com que tratava os descontentes do seu regime. Ele era um dos monarcas sustentados pela aliança com o império romano. E comandava a Galileia, a região onde Jesus morava. Violento, cruel e inseguro, Herodes assustou-se com o que ouviu falar de Jesus.
“Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” Assim preocupado, Herodes procurava ver Jesus. Se Herodes não estivesse tão preocupado com seu poder (para não perdê-lo), poderia ter se valido desta sua perplexidade para ter um encontro verdadeiro com Jesus. Com certeza, abrindo o coração, esse encontro poderia levá-lo à conversão de sua vida de luxúria, violência e pecado.
De toda forma, a chance de encontrar-se com Jesus, Herodes teve. Na Paixão, três anos depois, Pilatos, tentando se livrar do caso, mandou Jesus como prisioneiro a Herodes. Mas, Herodes não soube aproveitar a ocasião para aproximar-se com respeito do Senhor e deixar-se interpelar pelo seu Evangelho. Cego pela vaidade, na euforia da bebida e arrotando soberba, Herodes só se ocupou de zombar de Jesus ou de querer arrancar-lhe um número de espetáculo para deleite de sua corte. Tratou Jesus como um mágico, um palhaço, humilhado pela prisão e pelos maus tratos. Jesus detido, amarrado, ficou calado. Não respondeu a nenhuma pergunta daquele monarca adúltero, violento e cruel. Mesmo ficando frente a frente com Jesus, Herodes não se deixou tocar pela graça e pelo amor de Deus.
Guardando a mensagem
A admiração de Herodes por João Batista não o impediu de mandar matar o profeta. Não basta a admiração pelo Senhor, por suas palavras ou por sua Igreja. É preciso conversão, mudança de vida, a partir do reconhecimento de sua vida errada, com o firme propósito de consertá-la. Não podemos deixar a graça passar. Jesus não é uma ameaça. Ele é a grande chance para nos libertarmos de uma vida vazia, tocada à vaidade. Herodes também teve a chance de se encontrar com Jesus. O verdadeiro encontro com o Senhor pede conversão, acolhida da graça de Deus numa vida nova. Mateus é um bom exemplo. Abandonou  a mesa dos impostos para seguir Jesus. Zaqueu é um bom exemplo. Na vida nova da graça, dividiu seus bens com os pobres e reparou o prejuízo que causara às pessoas. Herodes não, Herodes é um mau exemplo.
Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas? (Lc 9, 9).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Como disseste, é o Pai quem nos revela quem tu és. É o Santo Espírito quem nos leva a viver em comunhão contigo e com o Pai. Que de cada encontro contigo, saiamos renovados, fortalecidos no caminho do bem e da justiça. Dá-nos, Senhor, a graça de conhecer-te sempre mais e a força para acolhermos de coração sincero a tua Palavra salvadora. Concede-nos, Senhor, perseverança nos teus caminhos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Você já tem o seu caderno espiritual? Ele é um bom recurso para apoiar o seu caminho de crescimento cristão. Bom, no seu caderno espiritual, hoje, faça uma lista de três coisas que têm mudado na sua vida, no seu contato com a Palavra do Senhor.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb – 26 de setembro de 2019.

03 agosto 2019

A PEDRA NO SAPATO DE HERODES

Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta (Mt 14, 5)

03 de agosto de 2019.

Herodes, que mandara matar o profeta João Batista, ficou sabendo da fama de Jesus e ficou cheio de temores. Pensou logo “é João Batista que voltou, ressuscitou”. O evangelista Mateus aproveita para contar como foi a morte de João Batista e quem era esse mesquinho e violento governante. 

Herodes era rei na Galileia, a região onde Jesus morava. Tinha construído uma cidade para sua capital, à beira do Mar da Galileia. Era um monarca vassalo de Tibério César, imperador romano. Para agradá-lo, Herodes pôs o nome de sua capital de Tiberíades. Mantinha-se às custas de impostos arrancados da população da Galileia.

Era o tempo do profeta João Batista. E o Batista andou criticando o rei por suas maldades e por sua vida familiar escandalosa: estava vivendo com a mulher do seu irmão Felipe. 

Herodes é o tipo do mau governante. Olhando direitinho o texto, dá pra gente identificar os sete pecados do rei Herodes. 
  • 1.      Supersticioso. Ao ouvir falar de Jesus, imaginou que era João Batista que tivesse voltado. Ficou  logo com medo.
  • 2.  Escandaloso. João Batista bem que tinha razão. O rei devia dar exemplo, não viver  maritalmente com a cunhada.
  • 3.    Repressor. Ele mandou prender João Batista por causa das críticas que o profeta lhe fazia, publicamente. E queria mata-lo. Só não o fez logo, com medo da reação do povo. Mandou  prender, amarrar, colocar na prisão o profeta inocente e desarmado.
  • 4.    Aliado dos grandes. Na festa do seu aniversário, no seu palácio, os convidados eram gente graúda que o sustentava no trono, gente que se beneficiava do seu governo.
  • 5.   Leviano. Gostou da dança da mocinha, sua enteada, prometeu-lhe dar qualquer coisa que pedisse. Agiu com grande irresponsabilidade.
  • 6.    Covarde. A mãe mandou a filha pedir a cabeça de João Batista em um prato. Ele ficou triste, mas não teve coragem de negar-se a atender o capricho da amante e voltar atrás diante dos convidados.
  • 7.      Injusto. Mandou degolar João Batista na prisão, sem nenhum processo ou julgamento. 

Com a morte de João Batista, não morreu a esperança que ele suscitou com sua pregação e com o batismo de penitência no Rio Jordão. Jesus, visivelmente, tomou o seu lugar no imaginário do povo. Ele que andava pela Judeia, voltou para sua região, a Galileia, se estabeleceu em Cafarnaum e começou o seu trabalho missionário. Por isso, Herodes e seus apoiadores estavam de antenas ligadas.
Guardando a mensagem

Por que será que o evangelho conta essa história da morte de João Batista com tantos detalhes, realçando os graves defeitos do governante Herodes? Com certeza, para enaltecer a figura do profeta João e o vigor de sua pregação que convocava todos a se converterem, do pequeno ao grande; também para preparar o leitor para a perseguição que as autoridades de Jerusalém moveriam contra Jesus; e, certamente, para nos alertar a respeito do perfil dos maus governantes de ontem e de hoje. 

Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta (Mt 14, 5)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Lemos no evangelho, que quando soubeste desta morte cruel do teu primo João Batista, voltaste da Judeia para a Galileia, para a tua região, onde tinham ocorrido esses episódios tão tristes. Não te deixaste intimidar. Pelo contrário, foi a oportunidade para começares a tua missão publicamente, pregando o Reino de Deus. É como quem diz, caiu um profeta, levanta-se outro. Senhor, teu exemplo é um grande ensinamento para nós. Ajuda-nos a não nos deixarmos paralisar pelo medo ou pela omissão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Que tal você começar a se preparar para a celebração da Missa do domingo, lendo o evangelho de amanhã. Nele, Jesus nos alerta para a ilusão das riquezas deste mundo. Lucas 12,13-21.


 Pe. João Carlos Ribeiro – 03 de agosto de 2019

23 junho 2019

O MENINO DA FOGUEIRA

Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela (Lc 1, 58).
Por causa da rotação da terra, o sol ilumina mais ou menos tempo, deixando o dia mais curto ou mais comprido. O inverno começa quando a noite fica maior do que o dia. É o solstício de inverno. Essa passagem anual de estação levou as populações nativas do continente americano a comemorarem essa data com muitas festas, segundo suas tradições. Com a chegada do cristianismo, quinhentos anos atrás, esses festejos de mudança de estação se juntaram com a mudança que Deus fez na história da humanidade, preparando a vinda de Jesus. Desse casamento entre tradições nativas do continente e o cristianismo nasceu a festa de São João.
A festa de São João celebra os acontecimentos em torno do nascimento do profeta João Batista, que preparou a chegada do Salvador, dando início a um tempo novo.  É por isso que a festa de São João é ligada ao mundo rural, com fogueira, comidas de milho e folguedos tradicionais da roça. Estamos no hemisfério sul. No hemisfério norte, o solstício de inverno é em dezembro, coincidindo com a festa de natal.
O evangelho de Lucas dá notícia da admiração e da alegria que tomaram conta de vizinhos e parentes da família de Izabel e Zacarias pelo que Deus fez em favor deles e do seu povo. Um casal maduro, idosos, sem filhos, ela estéril... de repente, a mulher engravida e, no meio de muitos sinais do poder de Deus, dá à luz um menino que marca o início do novo tempo, o tempo do Messias que estava chegando. O menino, nascido de Izabel, seria o mensageiro que iria preparar a chegada do Salvador.
Os sinais de Deus foram muitos: O anjo anunciou a Zacarias que sua mulher iria engravidar. O pai, sacerdote em função no Templo, achou muito difícil acontecer o que lhe fora anunciado, por isso ficou mudo. Sua mulher Izabel, idosa e estéril, engravidou. A boa notícia se espalhou pelos moradores das montanhas de Judá, onde eles moravam. Alguma coisa muito importante Deus estava preparando. A jovem Maria, prima de Izabel, chegou da Galileia e com ela uma alegria imensa inundou o coração de Izabel. Ela conheceu, pelo Espírito Santo, que Maria, sua parenta, também estava grávida e que era ela a mãe do Messias. Foi quando o bebê de Izabel, no sexto mês de gestação, estremeceu de alegria no ventre de sua mãe.
A idosa senhora deu à luz um menino. Que notícia boa para aquele casal sem filhos. Não havia pré-natal naquele tempo, então ninguém sabia se seria menino ou menina. Menino era garantia de continuação da família, segundo a organização do seu povo. Foi uma boa notícia. Deus estava mudando a vida daquela família, assegurando-lhe um futuro. Na hora de circuncidar o menino, aos oito dias, rito pelo qual a criança entrava em aliança com Deus como membro do povo eleito, outra surpresa. A tradição de colocar um nome de um parente foi quebrada. Deu-se um nome diferente, um nome novo. João. Essa criança é algo novo, em ruptura com os velhos tempos. A mãe queria assim. O pai confirmou, escrevendo numa tabuinha. Essa sintonia de Zacarias com o novo de Deus na vida de sua família restaurou sua comunhão com Deus. Voltou a falar. E glorificou a Deus, de uma maneira emocionada e feliz. Disse, com o coração cheio do Espírito Santo, que o seu filho, como profeta do Altíssimo, iria à frente do Messias, o Senhor que estava chegando, como sol nascente.
Tudo isso se espalhou pela vizinhança... Maria, claro, estava presente nesses acontecimentos. Espalhou-se o sentimento que algo novo estava acontecendo, Deus estava cumprindo as promessas feitas ao seu povo. Estava começando um tempo novo. Razão de alegria e contentamento para aquela gente.
Guardando a mensagem
O nascimento de João Batista foi um momento de grande alegria para parentes, vizinhos e amigos de Izabel e Zacarias. Eles entenderam que estava começando um novo tempo, por obra de Deus. Quando os cristãos plantaram a fé católica nas Américas, mesclaram essa alegria da chegada do profeta João Batista com as comemorações que os povos da terra faziam pela passagem do solstício, a mudança na natureza. Assim, na festa de São João temos uma festa com raízes rurais e com um grande sentimento de esperança. Enquanto, no coração do povo houver esperança e a certeza de que Deus está construindo um novo tempo, tem São João.
Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela (Lc 1, 58).
Rezando a palavra
Rezemos com as palavras do sacerdote Zacarias, após a circuncisão do seu filho João:
Serás profeta do Altíssimo, ó menino,
pois irás andando à frente do Senhor
para aplainar e preparar os seus caminhos,
anunciando ao seu povo a salvação,
que está na remissão de seus pecados;
pelo amor do coração de nosso Deus,
sol nascente que nos veio visitar lá do alto
como luz resplandecente a iluminar
a quantos jazem entre as trevas
e na sombra da morte estão sentados
e para dirigir os nossos passos,
guiando-nos no caminho da paz.
Vivendo a palavra
Havendo uma oportunidade, nesta semana, faça um gesto de atenção em relação a uma família pobre e suas crianças.
Pe. João Carlos Ribeiro – 24 de junho de 2019.

04 abril 2019

QUEM APRESENTOU JESUS A VOCÊ?

As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou (Jo 5, 36)
04 de abril de 2019.
Certamente, alguém apresentou Jesus a você. Disse que Jesus é o filho de Deus; que ele foi enviado pelo Pai para nos salvar;  que ele, por sua morte e ressurreição, nos alcançou a reconciliação com o Pai, o perdão dos nossos pecados. Quem foi que lhe disse isso? Quem lhe deu esse testemunho sobre Jesus?  Você vai pensar um pouco ou já tem uma resposta? Ah, já tem a resposta. Ótimo. Então, quem foi que lhe deu esse testemunho sobre Jesus?
Em primeiro lugar, tenho quase certeza, foram seus pais os primeiros a lhe dar um testemunho sobre Jesus. Depois, vieram seus catequistas, seus educadores e a comunidade cristã onde você participava.  É isso mesmo. É a Igreja quem nos diz quem é Jesus através dos nossos pais, catequistas, missionários, padres, religiosos. Claro, não podemos esquecer, a Palavra de Deus dá testemunho sobre Jesus. Verdade. Mas, é a Igreja quem nos apresenta e nos explica as Escrituras que dão testemunho sobre Jesus.
O importante é lembrar que esse testemunho que nos foi dado sobre Jesus nos pede uma resposta. Não foi uma informação histórica sobre um personagem do passado. Foi um testemunho sobre algo vital em nossa vida: a nossa felicidade, a nossa salvação; sobre algo e sobre alguém que tem a ver conosco, que continua falando conosco, nos sustentando e nos conduzindo nos caminhos do Reino de Deus. Esse testemunho pede uma resposta. Essa resposta pode ser chamada de fé, de conversão, de seguimento de Cristo.
Num certo momento de sua vida humana, Jesus fez uma forte reclamação contra o seu povo.  Notou que o testemunho dado sobre ele não estava sendo acolhido, não estava sendo levado a sério. Então, ele elencou quatro testemunhos que estavam sendo dados sobre ele. Quatro, você sabe, é um número de totalidade, um número completo. É só pensar nos pontos cardeais. E quais são os quatro testemunhos dados sobre Jesus?
Em primeiro lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado por João Batista. João deu testemunho de Jesus. Ele o apresentou ao povo como o enviado de Deus, o Messias anunciado pelos profetas. Um testemunho valioso. Os judeus tinham enviado mensageiros a João para se informarem sobre isso. E João confirmou.  Deu testemunho da verdade.
Em segundo lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado por suas próprias Obras. Como ele disse, “as obras que o Pai me concedeu realizar”.  Quais são as obras de Jesus? As obras de Cristo estão descritas nos evangelhos: ele abre os olhos do cego, purifica o leproso, faz andar o paralítico, ressuscita o morto, evangeliza os pobres. São as obras anunciadas pelo profeta Isaías. Ele liberta o sofredor, reconcilia os pecadores, evangeliza o povo.  São as obras de Jesus. Mas, a sua maior obra é a redenção pela morte na cruz.
Em terceiro lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado pelo Pai, que o enviou. O tempo todo, o Pai confirmou o seu filho nas suas palavras e nas suas obras. No batismo, ele o apresentou como seu filho amado. Na transfiguração, de novo se ouviu o Pai recomendando seu filho. Foi o Pai que o ressuscitou, confirmando-o como salvador e guia da humanidade.
Em quarto lugar, o testemunho sobre Jesus foi dado pelas Escrituras. Toda a história da salvação no Antigo Testamento aponta para Jesus. O Novo Testamento é o testemunho sobre sua vida e sua obra redentora. Nos Evangelhos, está a própria palavra de Jesus viva e atual.
Guardando a mensagem
Recebemos o testemunho sobre Jesus dos nossos pais e catequistas, que nos comunicaram a fé da Igreja. No tempo de Jesus, ele mesmo chamou a atenção para quatro testemunhos dados sobre ele: o testemunho de João, o testemunho de suas obras, o testemunho do Pai e o testemunho das Escrituras. A reclamação de Jesus bem que pode ser para nós hoje. O que esses testemunhos têm produzido em nós? Como temos respondido a eles? A boa resposta seria a fé, a conversão, a vida de santidade. O que se pode esperar de nós que temos tido a chance de receber abundantemente o testemunho sobre Jesus? A vida de união com Deus e o compromisso de um mundo renovado pelo evangelho de Cristo.
As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou (Jo 5, 36)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Tivemos a graça de receber, desde cedo, diversos testemunhos sobre a tua pessoa.  Isso nos lembra o que disseste uma vez: a quem muito foi dado, muito será cobrado. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu Santo Espírito, a decididamente te escolher como caminho, verdade e vida. E te anunciar a outros, oferecendo também nós um testemunho forte sobre tua pessoa e tua obra redentora. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Quem sabe, hoje, não apareça uma ocasião boa pra você dar um testemunho sobre Jesus. Não perca a oportunidade.

Pe. João Carlos Ribeiro – 04.04.2019

08 fevereiro 2019

O CAMINHO DA FIDELIDADE

Herodes tinha mandado prender João,e colocá-lo acorrentado na prisão. (Mc 6, 14).


08 de fevereiro de 2019
No aniversário de Herodes, certamente no palácio de sua capital Tiberíades, oferece-se um banquete aos grandes da Galileia: a corte, os oficiais, os cidadãos importantes. Herodes se casara com a cunhada, Herodíades, mulher do seu irmão Filipe. Além de cunhada, a mulher era sua sobrinha. A filha dela, enteada do rei, portanto sua sobrinha-neta, boa dançarina, apresentou-se dançando na festa. A dança e os gingados da moça agradaram em cheio os convidados e o rei. Este lhe prometeu um presente, o que ela pedisse, mesmo que fosse metade do seu reino. A mãe combinou com ela que pedisse a cabeça de João Batista. O rei, mesmo entristecido com o pedido, cumpriu sua promessa. É a triste história do martírio de João Batista.
Por que o evangelho de Marcos nos conta essa história tão triste? Uma razão é ir preparando o nosso coração para a morte de Jesus. Na história de João Batista, o ódio da mulher do rei desencadeou a morte do profeta. Na história de Jesus, foi o ódio das lideranças do seu povo que o levaram à morte. Herodes mostrou-se fraco, reticente, objeto de manipulação de Herodíades. Na história de Jesus, foi Pilatos, o governante fraco e manipulado pelo Sinédrio dos hebreus.                                   
Por que o evangelho de Marcos nos conta essa história de tanta violência? Para podermos fazer uma comparação entre o banquete da morte e a multiplicação dos pães, o banquete da vida, que vem logo em seguida. No banquete de Herodes, o prato é a violência, a cabeça decapitada de João Batista. No banquete de Jesus, o prato é a partilha, a providência divina, a própria vida de Jesus entregue. Cinco mil homens se alimentaram com o que seria cinco pães e dois peixes.
Por que o evangelho de Marcos nos conta essa história de final tão desalentador? Para aprendermos o caminho da fidelidade com o profeta João Batista. No anúncio, ele foi claro e forte, denunciando os desmandos e o mau exemplo da vida irregular do rei e sua concubina. |João foi fiel até o fim, sem se acovardar, nem recuar na palavra que devia proclamar.
Por que o evangelista Marcos nos conta essa história? Para nos indicar que o caminho de João Batista continua no caminho de Jesus. Exatamente depois que João foi preso, Jesus voltou para a Galileia e começou a pregação, proclamando o evangelho do Reino de Deus.
Guardando a mensagem
Em todos os tempos, os profetas são perseguidos. Jesus disse que, em contraponto, os falsos profetas são aplaudidos. Lendo o fim de João Batista, nos preparamos para a paixão de Jesus. Ele tomará o caminho dos profetas, homens da verdade de Deus, que terminam incompreendidos pelo povo e perseguidos pelas autoridades. Também nos ajuda a entender a graça da multiplicação dos pães que prepara a Eucaristia: Jesus comunica vida, dando-se a si mesmo. Herodes comunica morte, poupando-se a si mesmo. João Batista foi fiel à sua missão, denunciando o erro e perseverando na provação. Esse é o caminho do cristão. Não desistir, não se intimidar diante das dificuldades. Jesus continua o caminho de João. Nós continuamos o caminho de Jesus.


Herodes tinha mandado prender João,e colocá-lo acorrentado na prisão. (Mc 6, 14).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A atuação do governante Herodes, violento no exercício do poder e escandaloso em sua vida pessoal, produziu morte na história do seu povo: exploração, fome, perseguição política. É o que nos diz essa cena do martírio de João Batista. Já a tua atuação, Jesus, a atenção às necessidades daquela gente e o compromisso com Deus produziram vida na história do teu povo: acolhimento, partilha, fartura. É o que nos diz a cena da multiplicação dos pães que vem logo em seguida. Dá-nos, Senhor, tomar distância dos banquetes dos Herodes de hoje e pautarmos nossa vida e nossas opções pelo teu banquete no deserto. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Hoje é um dia bom pra você fazer um exame de consciência. Pergunte-se, em um momento de recolhimento do seu dia, se está sendo fiel ao que Deus tem lhe confiado  como missão.

Pe. João Carlos Ribeiro - 08.02.2019

03 janeiro 2019

NOSSA RESPOSTA É O SEGUIMENTO DE JESUS

Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus! (Jo 1, 34)
03 de janeiro de 2019.
A Palavra do Senhor nos aponta a pessoa de Jesus. Os evangelhos são testemunhos sobre Jesus, para que nós o conheçamos, para que o acolhamos. E mesmo o Antigo Testamento é lido pelos cristãos na perspectiva da revelação da pessoa de Jesus, o Messias prometido e já figurado na atuação dos sábios, profetas e reis. A Escritura nos aponta a pessoa de Jesus.
A missão de João Batista foi preparar o povo para receber Jesus e revelá-lo a este mesmo povo por ele preparado. O ponto alto de sua missão foi indicar-lhe Jesus, apontar-lhe o Messias ali presente. “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O grande testemunho de João sobre Jesus foi esse: ‘Ele é o Filho de Deus’.
Podemos dizer assim: todo o evangelho é um João Batista indicando Jesus. O que os evangelhos querem é exatamente apresentar Jesus para que sejamos seus seguidores. Seguir Jesus é tomá-lo como modelo de vida, é tornar-se seu discípulo, para aprender a viver como ele. A imitação de Cristo é possível por causa da encarnação.  O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele viveu nossa vida humana de maneira plenamente santa. É assim que queremos nascer, viver e morrer. Como ele. Os evangelhos nos convidam ao seguimento de Jesus.
João Batista, os evangelhos, os missionários nos apontam Jesus. “Eis o cordeiro de Deus”. Nós, em atenção a esta palavra, nos pomos no seguimento dele. Seguir Jesus é toma-lo como nosso Mestre, nosso orientador, nosso guia; É abraçar o seu evangelho, os seus ensinamentos. Seguir Jesus é acolher o seu sacrifício salvador na cruz, tomando posse da salvação que ele nos alcançou, o dom de, agora, sermos filhos de Deus. Seguir Jesus é por-se  a caminho com ele, imitando seu modo humano de amar e servir, acolhendo-o como caminho, verdade e vida. E, claro, integrar-se no grupo dos discípulos que o seguem e cultivam a sua memória, a sua Igreja. Assim, nos tornamos discípulos do Senhor, seus seguidores.
Guardando a mensagem
Nós até que temos bastante informações sobre Jesus. Nós temos, inclusive, ouvido diariamente o seu evangelho. Mas, a Palavra nos aponta Jesus para o seguirmos. Nossa resposta à Palavra de Deus proclamada é nos tornarmos seguidores de Jesus. Segui-lo é tomá-lo como nosso mestre, nosso guia. Segui-lo é imitá-lo no seu amor e na sua fidelidade ao Pai e ao seu povo. Segui-lo é tomar cada dia a cruz de nossas dificuldades e lutas e subir o calvário com ele. E ressuscitar com ele, em cada vitória, em cada conquista, em cada etapa vencida. Nisso consiste a santidade, isto é, em vivermos habitados por sua graça: sermos seus seguidores na normalidade de nossas vidas.
Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus! (Jo 1, 34)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
João Batista, no auge do seu trabalho de preparação do povo para te receber, te revelou como cordeiro de Deus, como aquele que iria batizar com o Espírito Santo, como Filho de Deus. Esse testemunho, nós o temos recebido pela pregação, pela meditação bíblica, pela evangelização. Senhor, que a nossa resposta à Palavra seja o teu seguimento, como nosso mestre, modelo e guia. Ajuda-nos, Senhor, a sermos, hoje, outros João Batistas, apontando aos outros a tua pessoa, o teu caminho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No seu momento de oração pessoal, peça a Deus a graça de ser fiel no seguimento de Jesus.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03.01.2019

02 janeiro 2019

EM 2019, ESTAMOS EM BOA COMPANHIA

No meio de vocês, está alguém que vocês não conhecem (Jo 1, 26)
02 de janeiro de 2019
E já estamos no ano novo. Tudo bem com você? Passou bem o final de ano? Como disse o apóstolo: “Por tudo, dai graças ao Senhor”. Pois é, o ano começou. Vamos à luta! A roda já está girando. Depois da celebração do natal, agora já está no nosso horizonte a festa da epifania, popularmente chamada festa de reis. Esta é mais uma celebração a nos falar da pessoa de Jesus. Pela encarnação, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, nasceu humano, do  ventre de Maria Virgem. O verbo se fez carne. Esse é o grande mistério do natal. Ele veio para estar conosco. É o Emanuel.
O evangelho de hoje nos ajuda a continuar meditando este mistério da presença de Jesus entre nós. João Batista está pregando no deserto e atrai a atenção de muita gente. De Jerusalém, a capital, chega uma comissão. Quer saber se ele, João, é o Messias. É o tipo da comissão que vem só para incriminar. Não havia boa vontade em que os enviou. No fim, querem saber com qual autoridade o profeta está batizando o povo. João aproveita para anunciar que ele é pequeno e está preparando o caminho de alguém muito maior. Esse, sim, renovará o povo. João se declara menos que um servo, nem merece descalçar suas sandálias. E mais: o enviado já está no meio do povo, “já está entre vocês”.
Quando falamos de João Batista, todos nos lembramos, ele preparou os caminhos de Jesus, preparou o povo para sua chegada. E sabemos: nessa preparação ele chamava o povo à conversão e o batizava nas águas do rio Jordão, em sinal de penitência. Mas, precisamos integrar mais alguma coisa nessa compreensão. Quando um catequista prepara um grupo de crianças para a primeira comunhão, qual é o momento mais importante? Depois de ter percorrido um caminho de encontros e atividades de preparação, durante um bom tempo, finalmente chega o dia da primeira eucaristia. O catequista prepara as crianças para o encontro com Jesus na Eucaristia e a sua tarefa se conclui bem quando as crianças encontram Jesus neste sacramento. Voltemos a João Batista. O mais importante de sua missão foi o momento em que o povo se encontrou com Jesus. Todo o seu trabalho de preparação chegou ao ponto mais alto no dia em que ele pode revelar Jesus ali presente.
Jesus já estava presente, seja porque já tinha nascido, seja porque estava entre os peregrinos que vinham a João. Graças ao trabalho evangelizador do profeta, muita gente pode entender quando ele apontou Jesus como o ‘cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’. Tanto isto é verdade que dois dos seus discípulos começaram a seguir Jesus, a partir dali.
Guardando a mensagem
A verdade do natal não é apenas que Jesus nasceu.  A grande verdade do natal é que Deus se tornou humano, fez-se Emanuel, caminha conosco. Viveu sua vida humana cheia de sabedoria e caridade e morreu condenado numa cruz. Venceu a morte, ressuscitando ao terceiro dia. Por sua morte e ressurreição, alcançou a nossa reconciliação com Deus, o Pai. Voltando ao seio da Trindade, agora com o seu corpo humano, como Deus permanece conosco. Sua presença entre nós é real, em expressões diversas, na sua Palavra, no Sacramento da Ceia, no seu povo reunido em assembleia, no pobre e no sofredor e de tantas maneiras mais. Ele está presente. Ele está conosco. Foi esta a grande tarefa de João Batista: revelar Jesus que já estava presente.
No meio de vocês, está alguém que vocês não conhecem (Jo 1, 26)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Começou o novo ano. A certeza que enche o nosso coração de esperança é a tua presença entre nós. Pela tua encarnação, caminhaste conosco fisicamente, vivendo a nossa vida humana. E mesmo agora, na glória divina, assentado à direita do Pai, estás conosco. Tu és o Emanuel, estás conosco como prometeste: “Eis que estarei com vocês todos os dias, até a consumação dos séculos”. Assim, começamos a caminhada deste ano novo que acabou de começar com esperança, certos de que contigo enfrentaremos e venceremos tudo o que se opuser à nossa dignidade de filhos de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
A tarefa de João Batista pode ser a nossa também. Podemos ajudar outras pessoas a descobrir a presença de Jesus em suas vidas.  Se você ainda não o faz, hoje, compartilhe a Meditação com outras pessoas.

Pe. João Carlos Ribeiro – 02.02.2019