PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR: Jo 10
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20210426

JESUS É O NOVO TEMPLO DE DEUS




27 de abril de 2021

EVANGELHO


Jo 10,22-30

22Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do Templo. Era inverno. 23Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”.
25Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

MEDITAÇÃO


Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai (Jo 10, 29).

O evangelho de hoje começa informando que, em Jerusalém, onde Jesus se encontrava, celebrava-se a festa da Dedicação do Templo. Certamente, essa informação pode nos ajudar a compreender o contexto das palavras de Jesus nessa ocasião. Que festa será essa da “Dedicação do Templo”?

Primeiro, vou lhe dizer que Templo era esse. O de Jerusalém, claro. Mas, não era o Templo de Salomão. O Templo de Salomão tinha sido destruído pelos babilônios seis séculos antes (ano 587 a.C). O Templo que Jesus frequentou nas grandes peregrinações foi o Templo reconstruído no retorno dos exilados (século segundo a.C) e restaurado por Herodes Magno, mais ou menos no tempo em que Jesus nasceu. Assim, o Templo que aparece no Novo Testamento é o Templo de Herodes. 

E a festa da Dedicação do Templo? Bom, essa é uma linda história que está contada nos dois Livros dos Macabeus, no Antigo Testamento. Por um tempo, os pagãos da Síria dominaram o povo de Deus e pintaram e bordaram no Templo de Jerusalém. Foi um tempo de muito sofrimento e humilhação, mas afinal, sob a liderança de Judas Macabeu, o povo conseguiu expulsar os dominadores de suas terras. Depois que limparam e consertaram o que podiam do Templo, fizeram uma linda festa para purificá-lo e dedicá-lo de novo ao culto a Deus. Cada ano, com essa festa, recordavam essa Dedicação do Templo.

O Templo de Jerusalém (só existia um templo em todo o país) era um centro de unidade para o povo de Deus. Para eles, era um sinal visível da presença de Deus que os guardava e protegia. Nele, os pecadores se reconciliavam com Deus, oferecendo sacrifícios de animais. Ali, ouviam as explicações da Lei e rendiam graças por todos os favores que recebiam do Altíssimo.

Pois Jesus está no Templo, na festa de sua Dedicação. Se aquele povo tivesse acolhido a pregação de Jesus, entenderia que mais do que aquele Templo, o sinal visível da presença de Deus no meio do seu povo era o próprio Jesus. Que em Jesus, Deus estava reunindo as ovelhas dispersas e amparando os mais sofridos. E que, mais do que os sacrifícios de touros e carneiros que eles ofereciam ali, seria o sacrifício de Jesus, o verdadeiro cordeiro de Deus, a redimir o seu povo dos seus pecados. O próprio Templo, em si mesmo, já era um testemunho sobre Jesus.

Mas, eles estavam de coração fechado para Deus e para a boa notícia do Reino que Jesus estava anunciando. Consideraram que Jesus estava ofendendo a Deus com suas palavras e suas pretensões, chamaram-no de blasfemo e quiseram até apedrejá-lo. Não eram de suas ovelhas. As suas ovelhas ouvem a sua voz.

Nós somos as ovelhas que o Pai encarregou Jesus de cuidar e salvar. Ele nos conhece e nos dá a vida eterna. Nós, suas ovelhas, escutamos sua voz e o seguimos. Ele nos tranquiliza: não nos perderemos e não seremos arrancados de sua mão. E nos diz o porquê: Ele e o Pai são um. Ele manifesta o Pai e com o Pai ninguém pode.

Guardando a mensagem

Na festa da Dedicação do Templo, ficou claro: Mais do que o Templo, Jesus é a presença salvadora de Deus no meio do seu povo. Ele é o bom pastor que dá a vida por nós, suas ovelhas. Ninguém vai nos dispersar, nem nos arrancar de suas mãos. Ele nos revela que o Pai que cuida de nós, nos defende, nos salva, nos constitui seu rebanho. Por nossa causa, ele foi oferecido como se fora um cordeiro imolado no Templo. Por sua ressurreição, o cordeiro tornou-se pastor. Ele é o bom pastor que marcha à nossa frente. Reconheçamos a sua voz. Sejamos seus seguidores.

Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai (Jo 10, 29).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Bom pastor de nossas vidas,
nós te bendizemos pelo amor fiel que te levou ao sacrifício da cruz. Nós te louvamos por seres o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E nós queremos ser fieis a ti em nosso seguimento, acolhendo tuas palavras, unindo-nos como tua Igreja que somos e protegendo e cuidando dos mais frágeis e sofredores. Nós te recomendamos, hoje, especialmente, as pessoas adoecidas pelo coronavírus e suas famílias, para que as renoves na fé e na esperança, sustentando-as na defesa de sua saúde. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Sábado próximo, começa o mês de maio, o mês de Maria. Vá pensando como viver esse mês mariano com sua família, como tempo de intensa evangelização.

E nós temos um encontro marcado todas as noites, na Live das 21:30. Nela, retomamos a Meditação do dia e rezamos as orações da noite. Você pode me acompanhar em meu canal do youtube ou em minha página do facebook. É só procurar 'Padre João Carlos'.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20210425

JESUS, PORTA DA SALVAÇÃO



26 de abril de 2021

EVANGELHO


Jo 10,1-10

Naquele tempo, disse Jesus: 1“Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.
6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.


MEDITAÇÃO


Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem (Jo 10, 9)

Ontem, celebramos o Domingo do Bom Pastor. O evangelho de hoje continua nos apresentando Jesus, o bom pastor. Hoje ele nos diz: “Eu sou a porta das ovelhas”. Como podemos entender essa palavra?

Jesus entra pela porta. Consideremos, em primeiro lugar, que Jesus, como bom pastor, entra pela porta das ovelhas. A porta do redil é o portão do cercado onde estão as ovelhas reunidas, durante a noite. O bom pastor entra pela porta, não pula o muro. Quem pula o muro é o assaltante. Jesus entrou em nossa história pela porta. Não caiu de paraquedas. Ele, sendo Deus, abaixou-se e fez-se um de nós, convivendo conosco, andando pelos nossos caminhos. É o que nós chamamos de encarnação. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Pastor pra valer tem que ser como Jesus, entra pela porta: a porta do coração, a porta da convivência, a porta da inculturação.

A porta é de entrada. Consideremos, em segundo lugar, que nós, como ovelhas do rebanho de Deus, entramos na comunhão com Deus e com os irmãos, através da porta que é Cristo. O bom pastor comunica a vida às suas ovelhas, não é como o ladrão que se aproveita delas. O bom pastor, renunciando aos seus interesses pessoais, sacrifica-se pelo rebanho. E como é que o pastor Jesus comunica a vida? Por sua presença, por sua pregação, e, sobretudo, por sua vida entregue na cruz. É por ele que vamos ao Pai. É pela fé nele e pelo batismo em sua morte e ressureição que encontramos a salvação e nos tornamos filhos de Deus.

A porta é de saída. Consideremos, em terceiro lugar, que nós, como ovelhas do rebanho de Deus, estamos em êxodo para a vida plena, pela porta que é Cristo. A porta também dá acesso à saída das ovelhas para suas andanças para pastos e locais com água de beber. Ele disse: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”. Com ele, que vai à nossa frente, estamos a caminho da terra prometida, como no antigo êxodo. A vida plena que ele nos dá é a plena realização de nossa existência humana e de nossa condição de filhos de Deus. Ele nos dá a sua própria vida, no sentido que se oferece por nós e no sentido que nos comunica a sua vida de ressuscitado. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.

Também nós somos pastores. Consideremos, em quarto lugar, que somos chamados a participar do pastoreio de Cristo, como ovelhas, mas também como pastores. Em sua mensagem para a Jornada Mundial de Oração pelas Vocações deste ano, o Papa Francisco escreveu: “O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças". 


Guardando a mensagem

Jesus, o bom pastor, entrou em nossa história pela porta. Sendo Deus, abaixou-se à nossa condição humana para nos encontrar, para nos falar, para nos conduzir. Ele é também a porta, por onde entramos em comunhão com Deus: porta de entrada, pois por ele temos acesso à vida eterna; porta de saída, pois por ele, enche-se de significado a nossa existência humana, a nossa peregrinação em busca das eternas pastagens. Não há outra via, outro caminho de acesso ao Pai, senão Jesus Cristo. Pais e mães de família, animadores, profissionais, líderes em nossos ambientes… somos todos pastores. Em nosso serviço de liderança, precisamos imitá-lo, ser bons pastores. Esforcemo-nos para levar o rebanho para boas pastagens, para a vida em abundância. Isso exige sacrifício de nossa parte, renúncia, fidelidade. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 

Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem (Jo 10, 9)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Ninguém vai ao Pai senão por ti. Tu és a porta pela qual ingressamos na casa do Pai, como filhos pródigos que somos. Fomos reconciliados por tua morte redentora. Por ti, chegamos ao Pai. Pela porta, também saímos para trabalhar na vinha do nosso Deus. Como tu, e contigo, vamos em missão, no compromisso de que todos tenham vida e vida em abundância.  Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a Palavra

Nesta segunda-feira, continuemos no clima do Domingo do Bom Pastor, rezando para que o Senhor dê à sua Igreja numerosos e santos sacerdotes, religiosos e religiosas, missionários e missionárias. 

E nós temos um encontro marcado todas as noites, na Live das 21:30. Nela, retomamos a Meditação do dia e rezamos as orações da noite. Você pode me acompanhar em meu canal do youtube ou em minha página do facebook. É só procurar 'Padre João Carlos'.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20210424

O BOM PASTOR DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS



25 de abril de 2020

4º Domingo da Páscoa - Domingo do Bom Pastor
Dia Mundial de Oração pelas Vocações


EVANGELHO


Jo 10,11-18

Naquele tempo, disse Jesus: 11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. 13Pois ele é apenas um mercenário que não se importa com as ovelhas.
14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas.
16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.
17É por isso que meu Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. 18Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; essa é a ordem que recebi de meu Pai”.

MEDITAÇÃO


Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11) 

Neste quarto Domingo da Páscoa celebramos o Domingo do Bom Pastor, com a Jornada Mundial de Oração pelas Vocações. Rezamos para que não nos faltem pastores e para que os pastores sejam bons, cuidando do rebanho com o zelo e o amor de Cristo. Em sua Mensagem para o dia de hoje, o Papa Francisco tomou a figura de São José como inspiração para as vocações. Ele escreveu: "Pode-se dizer que São José foi a mão estendida do Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos seus filhos e filhas".

O tema do 'pastor' é o tema da liderança. Todos nós temos responsabilidade no pastoreio do rebanho de Deus. Pais e mães, educadores, catequistas, coordenadores, animadores, bispos, padres, diáconos, homens públicos, lideranças comunitárias somos todos pastores na família, no ambiente de trabalho, nas comunidades, na Igreja, na sociedade. Ser pastor é cuidar do rebanho. Podemos ser maus pastores ou bons pastores como Jesus. 

Jesus se apresenta como o bom pastor. E marca bem a diferença entre o bom pastor e o mercenário. Toma distância também do comportamento de estranhos e assaltantes. Esses tipos, podemos pensar, são como que tentações para quem pastoreia, para quem exerce liderança na família, na Igreja ou na sociedade. O assaltante pula o muro, não entra pela porta. O estranho não conhece, nem é conhecido. O mercenário abandona as ovelhas quando o lobo as ataca, não as defende com a própria vida.

O bom pastor entra pela porta, não pula o muro. Quem pula o muro é o assaltante. Que porta é essa? A porta do redil, a porta do cercado onde estão as ovelhas de noite. Jesus entrou em nossa história pela porta. Não caiu de paraquedas. Ele, sendo Deus, abaixou-se e fez-se um de nós, convivendo conosco, andando pelos nossos caminhos, conversando as nossas conversas. É o que nós chamamos de encarnação. O apóstolo João escreveu: “O verbo se fez carne e habitou entre nós”. Pastor pra valer tem que ser como Jesus. Entra pela porta: a porta do coração (porque ama e se aproxima das pessoas), a porta da convivência (que gera conhecimento e confiança), a porta da encarnação (porque assumiu a nossa condição, fez-se um de nós). 

O bom pastor não é um estranho, a sua voz é conhecida pelas ovelhas. Ao estranho, elas não seguem, não reconhecem sua voz, não confiam nele. A convivência, a aproximação, o conhecimento recíproco geram confiança. É assim que ele as chama pelo nome, pois as conhece e elas o atendem, pois o conhecem. É assim que ele as conduz: caminha à sua frente. O Espírito Santo é quem nos faz íntimos de Jesus. Quanto mais o conhecemos, mais o amamos, o compreendemos e o seguimos. 

O bom pastor dá a vida por suas ovelhas, não é como o mercenário que as abandona. Ele se sacrifica por elas, comunica-lhes vida. E como é que o pastor Jesus comunica a vida? Por sua presença, por suas atitudes, por sua pregação, e, sobretudo, por sua vida entregue na cruz. E continua hoje comunicando-nos a vida, particularmente, pelo dom de sua Palavra e pelo dom da Eucaristia. O mercenário não se importa com as ovelhas e as abandona na hora em que mais precisam dele. O bom pastor, renunciando aos seus interesses pessoais, sacrifica-se pelo rebanho. 

Guardando a mensagem 

Nas famílias, nos ambiente de trabalho, nas comunidades, na sociedade somos também pastores, em funções de liderança. Como nos diz a primeira carta de Pedro, reconheçamos Jesus como pastor e guarda de nossas vidas. E o imitemos em nosso pastoreio. Não lideremos como mercenários, nem como estranhos, nem como assaltantes. Não pulemos o muro, entremos pela porta da convivência, da amizade, da solidariedade. Alcancemos ser reconhecidos em nossa liderança pela confiança que despertamos. Esforcemo-nos para levar o rebanho para boas pastagens, para a vida em abundância. Não deixemos ninguém para trás. Não nos rendamos às dificuldades e aos problemas. Isso exige sacrifício de nossa parte, renúncia, fidelidade. 

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11) 

Rezando a Palavra 

Senhor Jesus, bom pastor, 
que reuniste as ovelhas dispersas e venceste o lobo sacrificando a tua própria vida em favor do teu rebanho, desperta, em nós, corações generosos para te seguirmos como apóstolos leigos, como ministros ordenados, como religiosos e religiosas, servidores do teu povo e de toda a humanidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a Palavra

Hoje, reze em favor de todos os chamados por Deus para o pastoreio na Igreja, para que sejam generosos, perseverantes e fieis.

Gostaria que você lesse, hoje, o comentário que escrevi sobre a Mensagem do Papa para esta Jornada Mundial de Oração pelas Vocações. É só seguir o link que estou lhe enviando. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Dia Mundial de Oração pelas Vocações 2021


O SONHO DA VOCAÇÃO
Pe. João Carlos

O Ano de São José que estamos vivendo nasceu no coração de Francisco, o Papa, para aumentar o amor do povo de Deus por ele.

Para o Dia Mundial de Oração pelas vocações deste ano, a Mensagem do Papa inspira-se na figura de São José, a quem Deus confiou seu filho, a Virgem Maria e a comunidade dos discípulos, a Igreja. 

Três palavras podem descrever a sua vida e o exemplo que ele pode oferecer a cada vocacionado ou vocacionada, particularmente os chamados à vida consagrada e ao sacerdócio ministerial. Na verdade, todos podemos nos espelhar neste homem de Deus, para abraçar e perseverar na vocação a que cada um é chamado. 

A primeira palavra é sonho. Nos momentos de dúvida e apreensão, José soube ouvir a voz de Deus, as indicações do alto. Os sonhos representam essa sua sensibilidade aos sinais de Deus. O evangelho narra quatro sonhos de José. Eles alteraram o ritmo de sua vida, indicando desinstalação, desapego, confiança em Deus. O seu exemplo e a sua proteção podem ajudar os jovens a acolherem o sonho que Deus tem para cada um, para cada uma, com destemor, com um sim corajoso.

A segunda palavra é serviço. O amor é o que explica qualquer vocação. O amor é estar inteiramente voltado para o outro. José estava completamente a serviço. E na sua tarefa de pai de família, esposo de Maria, pai e educador de Jesus, encontrou a felicidade e a alegria, na realização de suas tarefas diárias, no cuidado da família, no exercício de sua profissão. Com sua arte de carpinteiro, estava integrado à sua comunidade como um profissional útil, criativo e respeitado. Que grande exemplo para qualquer vocação! A beleza da vocação é o serviço, não a busca de privilégios ou benefícios pessoais. 

A terceira palavra é a fidelidade. Fidelidade expressa no dia-a-dia, inspirada em Deus que é fiel às suas promessas e nos convida a todos para a felicidade e a realização. No meio das dificuldades, José escolheu a vontade de Deus, realizando-a com paciência e perseverança. A fidelidade produz a verdadeira alegria, o que explica o clima de profunda alegria na casa de Nazaré. Que grande exemplo para os jovens vocacionados, filhos deste nosso mundo apressado, marcado por escolhas passageiras e pela infidelidade a promessas e ao sonho de Deus! 

Por tudo isso, o Papa chamou José de guardião das vocações. Como ele acompanhou Jesus, também nos acompanha, com coração de pai. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200505

O PASTOR NO TEMPLO

Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai (Jo 10, 29).


05 de maio de 2020

O evangelho de hoje começa informando que, em Jerusalém, onde Jesus se encontrava, celebrava-se a festa da Dedicação do Templo. Certamente, essa informação pode nos ajudar a compreender o contexto das palavras de Jesus nessa ocasião. Que festa será essa da “Dedicação do Templo”?

Primeiro, vou lhe dizer que Templo era esse. O de Jerusalém, claro. Mas, não era o Templo de Salomão. O Templo de Salomão tinha sido destruído pelos babilônios seis séculos antes (ano 587 a.C). O Templo que Jesus frequentou nas grandes peregrinações foi o Templo reconstruído no retorno dos exilados (século segundo a.C) e restaurado por Herodes Magno, mais ou menos no tempo em que Jesus nasceu. Assim, o Templo que aparece no Novo Testamento é o Templo de Herodes. Deu para entender? Ah, não se preocupe, era só para dizer que o Templo que aparece no evangelho é o Templo de Herodes.

E a festa da Dedicação do Templo? Bom, essa é uma linda história que está contada nos dois Livros dos Macabeus, no Antigo Testamento. Por um tempo, os pagãos da Síria dominaram o povo de Deus e pintaram e bordaram no Templo de Jerusalém. Foi um tempo de muito sofrimento e humilhação, mas afinal, sob a liderança de Judas Macabeu, o povo conseguiu expulsar os dominadores de suas terras. Depois que limparam e consertaram o que podiam do Templo, fizeram uma linda festa para purifica-lo e dedicá-lo de novo ao culto a Deus. Cada ano, com essa festa, recordavam essa Dedicação do Templo. 

O Templo de Jerusalém (só existia um templo em todo o país) era um centro de unidade para o povo de Deus. Para eles, era um sinal visível da presença de Deus que os guardava e protegia. Nele, os pecadores se reconciliavam com Deus, oferecendo sacrifícios de animais. Ali, ouviam as explicações da Lei e rendiam graças por todos os favores que recebiam do Altíssimo.

Pois Jesus está no Templo, na festa de sua Dedicação. Se aquele povo tivesse acolhido a pregação de Jesus, entenderia que mais do que aquele Templo, o sinal visível da presença de Deus no meio do seu povo era o próprio Jesus. Que em Jesus, Deus estava reunindo as ovelhas dispersas e amparando os mais sofridos. E que, mais do que os sacrifícios de touros e carneiros que eles ofereciam ali, seria o sacrifício de Jesus, o verdadeiro cordeiro de Deus, a redimir o seu povo dos seus pecados. O próprio Templo. em si mesmo, já era um testemunho sobre Jesus.

Mas, eles estavam de coração fechado para Deus e para a boa notícia do Reino que Jesus estava anunciando. Consideraram que Jesus estava ofendendo a Deus com suas palavras e suas pretensões, chamaram-no de blasfemo e quiseram até apedrejá-lo. Não eram de suas ovelhas. As suas ovelhas ouvem a sua voz.

Nós somos as ovelhas que o Pai encarregou Jesus de cuidar e salvar. Ele nos conhece e nos dá a vida eterna. Nós, suas ovelhas, escutamos sua voz e o seguimos. Ele nos tranquiliza: não nos perderemos e não seremos arrancados de sua mão. E nos diz o porquê: Ele e o Pai são um. Ele manifesta o Pai e com o Pai ninguém pode.

Guardando a mensagem

Na festa da Dedicação do Templo, ficou claro: Mais do que o Templo, Jesus é a presença salvadora de Deus no meio do seu povo. Ele é o bom pastor que dá a vida por nós, suas ovelhas. Ninguém vai nos dispersar, nem nos arrancar de suas mãos. Ele nos revela que o Pai que cuida de nós, nos defende, nos salva, nos constitui seu rebanho. Por nossa causa, ele foi oferecido como se fora um cordeiro imolado no Templo. Por sua ressurreição, o cordeiro tornou-se pastor. Ele é o bom pastor que marcha à nossa frente. Reconheçamos a sua voz. Sejamos seus seguidores. 

Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai (Jo 10, 29).

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Bom pastor de nossas vidas, 
nós te bendizemos pelo amor fiel que te levou ao sacrifício da cruz. Nós te louvamos por seres o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E nós queremos ser fieis a ti em nosso seguimento, acolhendo tuas palavras, unindo-nos como tua Igreja que somos e protegendo e cuidando dos mais frágeis e sofredores. Nós te recomendamos, hoje, especialmente, as pessoas adoecidas pelo coronavírus e suas famílias, para que as renoves na fé e na esperança, sustentando-as na defesa de sua saúde. Abençoa o nosso povo no caminho da democracia e da paz, como também na atenção aos doentes e desempregados. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A Pastoral da Pessoa Idosa no Brasil lançou um apelo: “Ligar, hoje, para uma pessoa idosa”, para que não se sinta sozinha e abandonada. O bom pastor vai se agradar muito dessa sua ação.

A gente se encontra na live da Oração da Noite, às 22 horas, nas redes sociais: youtube, facebook, instagram e no aplicativo Tempo de Paz.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


20200504

BONS PASTORES, COMO JESUS

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11) 

04 de maio de 2020


O evangelho de hoje continua o tema do Domingo do Bom Pastor, que celebramos ontem. Na mensagem do Papa Francisco para esta data, está escrito: "Penso em quantos assumem funções importantes na sociedade civil, nos esposos, que intencionalmente me apraz definir «os corajosos», e de modo especial penso nas pessoas que abraçam a vida consagrada e o sacerdócio".



Então, temos responsabilidade no pastoreio do rebanho de Deus. Somos todos pastores na família, no ambiente de trabalho, nas comunidades, na igreja, na sociedade. Ser pastor é cuidar do rebanho. Podemos ser maus pastores ou bons pastores como Jesus foi e é. 


Assaltantes, estranhos, ladrões. Três tipos desinteressantes. Jesus referiu-se a eles em oposição ao que deve ser um bom pastor. São três tentações para quem pastoreia, para quem exerce liderança na Igreja e na sociedade. O assaltante pula o muro, não entra pela porta. O estranho não conhece, nem é conhecido. O ladrão se aproveita, arranca o que pode, tira a vida. 


O bom pastor entra pela porta, não pula o muro. Quem pula o muro é o assaltante. Que porta é essa? A porta do redil, a porta do cercado onde estão as ovelhas de noite. Jesus entrou em nossa história pela porta. Não caiu de paraquedas. Pastor pra valer tem que ser como Jesus. Entra pela porta: a porta do coração, a porta da convivência , a porta da encarnação. Ele chama as ovelhas pelo nome, pois as conhece. 

O bom pastor não é um estranho, a sua voz é conhecida pelas ovelhas. Ao estranho, elas não seguem, não reconhecem sua voz, não confiam nele. A convivência, a aproximação, o conhecimento recíproco geram confiança. Ele vai à frente e é seguido pelas ovelhas. É assim que ele as conduz: caminha à sua frente. O Espírito Santo é quem nos faz íntimos de Jesus. Quanto mais conhecemos Jesus, mais o amamos, o compreendemos e o seguimos. 

O bom pastor comunica a vida às suas ovelhas, não é como o ladrão que se aproveita delas. O bom pastor se sacrifica por elas. Ladrão não, só vem para roubar, matar e destruir. O bom pastor comunica a vida. E como é que o pastor Jesus comunica a vida? Por sua presença, por sua pregação, e, sobretudo, por sua vida entregue na cruz. O ladrão se aproveita do rebanho. O bom pastor, renunciando aos seus interesses pessoais, sacrifica-se pelo rebanho. 

Guardando a mensagem 

Nas famílias, nos ambiente de trabalho, nas comunidades, na sociedade somos também pastores, em funções de liderança. Como nos diz a primeira carta de Pedro, reconheçamos Jesus como pastor e guarda de nossas vidas. E o imitemos em nosso pastoreio. Não lideremos como assaltantes, nem como estranhos, nem como ladrões. Não pulemos o muro, entremos pela porta da convivência, da amizade, da solidariedade. Alcancemos ser reconhecidos em nossa liderança não pelo peso de nossa autoridade, mas pela confiança que despertemos. Esforcemo-nos para levar o rebanho para boas pastagens, para a vida em abundância. Isso exige sacrifício de nossa parte, renúncia, fidelidade. 

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11) 

Rezando a Palavra 

Senhor Jesus, nosso bom pastor, 
tu que chamaste discípulos e discípulas para caminhar contigo, continua a passar pelas nossas famílias e comunidades. Desperta corações generosos para te seguir como apóstolos leigos, como ministros ordenados, como religiosos e religiosas, servidores voluntários do teu povo e de toda a humanidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a Palavra 

Nesta segunda-feira, continuemos no clima do Domingo do Bom Pastor, rezando para que o Senhor dê à sua Igreja numerosos e santos sacerdotes, religiosos e religiosas, missionários e missionárias. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200503

A PORTA DAS OVELHAS

Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem (Jo 10, 9)
03 de maio de 2020
Este é o Domingo do Bom Pastor. Nele, celebramos, em toda a Igreja, uma Jornada Mundial de Oração pelas Vocações. Jesus é nosso bom pastor. No evangelho de hoje, ele nos diz: “Eu sou a porta das ovelhas”. Como podemos entender essa palavra?
Jesus entra pela porta. Consideremos, em primeiro lugar, que Jesus, como bom pastor, entra pela porta das ovelhas. A porta do redil é o portão do cercado onde estão as ovelhas reunidas, durante a noite. O bom pastor entra pela porta, não pula o muro. Quem pula o muro é o assaltante. Jesus entrou em nossa história pela porta. Não caiu de paraquedas. Ele, sendo Deus, abaixou-se e fez-se um de nós, convivendo conosco, andando pelos nossos caminhos. É o que nós chamamos de encarnação. O apóstolo João escreveu: “O verbo se fez carne e habitou entre nós”. Pastor pra valer tem que ser como Jesus, entra pela porta: a porta do coração (porque ama e se aproxima das pessoas), a porta da convivência (que gera conhecimento e confiança), a porta da encarnação (porque vive a nossa vida).
A porta é de entrada. Consideremos, em segundo lugar, que nós, como ovelhas do rebanho de Deus, entramos na comunhão com Deus e com os irmãos, através da porta que é Cristo. O bom pastor comunica a vida às suas ovelhas, não é como o ladrão que se aproveita delas. O bom pastor, renunciando aos seus interesses pessoais, sacrifica-se pelo rebanho. E como é que o pastor Jesus comunica a vida? Por sua presença, por sua pregação, e, sobretudo, por sua vida entregue na cruz. É por ele que vamos ao Pai. É pela fé nele e pelo batismo em sua morte e ressureição que encontramos a salvação e nos tornamos filhos de Deus.
A porta é de saída. Consideremos, em terceiro lugar, que nós, como ovelhas do rebanho de Deus, estamos em êxodo para a vida plena, pela porta que é Cristo. A porta também dá acesso à saída das ovelhas para suas andanças para pastos e locais com água de beber. Ele disse: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”. Com ele, que vai à nossa frente, estamos a caminho da terra prometida, como no antigo êxodo. A vida plena que ele nos dá é a plena realização de nossa existência humana e de nossa condição de filhos de Deus. Ele nos dá a sua própria vida, no sentido que se oferece por nós e no sentido que nos comunica a sua vida de ressuscitado. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.
Também nós somos pastores. Consideremos, em quarto lugar, que somos chamados a participar do pastoreio de Cristo, como ovelhas, mas também como pastores. Em sua mensagem para a Jornada Mundial de Oração pelas Vocações deste ano, o Papa Francisco escreveu: “Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra um caminho de serviço às vocações, abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão o chamado que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer «sim», vencer o cansaço pela fé em Cristo e finalmente, como um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro”.
Guardando a mensagem
O bom pastor não é um estranho, a sua voz é conhecida pelas ovelhas. Ao estranho, elas não seguem, não reconhecem sua voz, não confiam nele. A convivência, a aproximação, o conhecimento recíproco geram confiança. É assim que ele nos conduz: caminha à nossa frente. O Espírito Santo é quem nos faz íntimos de Jesus. Quanto mais o conhecemos mais o amamos, mais o compreendemos e seguimos. Pais e mães de família, animadores, profissionais, líderes em nossos ambientes… somos pastores. Como nos diz a primeira carta de Pedro, reconheçamos Jesus como pastor e guarda de nossas vidas e o imitemos em nosso pastoreio. Não lideremos como assaltantes, nem como estranhos, nem como ladrões.  Não pulemos o muro, entremos pela porta da convivência, da amizade, da solidariedade. Alcancemos ser reconhecidos em nossa liderança não pela força do nosso comando, mas pela confiança que despertamos. Esforcemo-nos para levar o rebanho para boas pastagens, para a vida em abundância. Isso exige sacrifício de nossa parte, renúncia, fidelidade. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 
Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem (Jo 10, 9)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Ninguém vai ao Pai senão por ti. Tu és a porta pela qual ingressamos na casa do Pai, como filhos pródigos que somos. Fomos reconciliados por tua morte redentora. Por ti, chegamos ao Pai. Pela porta, também saímos para trabalhar na vinha do nosso Deus. Como tu, e contigo, vamos em missão, no compromisso de que todos tenham vida e vida em abundância. Que a tua santa mãe Maria continue nos ensinando a viver santamente, em comunhão contigo e com os irmãos. E seja ela nossa protetora nesses dias de apreensão e sofrimento com a presente pandemia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a Palavra
Hoje, reze em favor de todos os chamados por Deus para o pastoreio na Igreja, para que sejam generosos, perseverantes e fieis.
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200403

LARGUEMOS AS PEDRAS!

Por ordem do Pai, mostrei a vocês muitas obras boas. Por qual delas vocês querem me apedrejar? (Jo 10, 32)


03 de abril de 2020


Domingo já é o Domingo de Ramos. E o que celebramos na Semana Santa? Claro, o imenso amor de Deus que se manifestou na morte redentora de Jesus, pela qual nos reconciliou e nos uniu a si e ao Pai. Mas, no drama da paixão, não aparece só o amor fiel de Deus e a fidelidade do seu filho Jesus. Aparece também o pecado do ser humano, sua maldade, sua rejeição ao projeto de Deus. Foi isso precisamente que levou Jesus à cruz.

Olha o evangelho de hoje. Eles acham que Jesus está pecando gravemente, blasfemando, ao equiparar-se a Deus, ao revelar sua identidade de Filho de Deus. É só mais uma forma de expressar a sua rejeição profunda e total a Jesus. Já o tinham censurado sobre o seu comportamento com relação ao sábado. Já o tinham condenado por sua convivência com os marginalizados, os publicanos, as pessoas mal vistas por sua lei religiosa. Eles realmente não suportavam Jesus. A perseguição vinha crescendo lentamente. Só estava faltando uma oportunidade para darem cabo dele. Na cena de hoje, já estão de pedras na mão para apedrejá-lo.

Mas, você me diga uma coisa: por que esse ódio, essa violência toda? O que é isso no coração dessa gente que os cega à ação de Deus, tão clara na pessoa de Jesus? Na verdade, esses opositores são os dirigentes, as lideranças do povo, segundo o evangelho de São João. Eles têm interesses a defender. Vêem Jesus como uma ameaça. O que os incomoda? Incomoda a sua pregação, porque anuncia o Reino de Deus que chegou como novo tempo de reconciliação e fraternidade. Incomodam suas atitudes de atenção e defesa dos marginalizados e sofredores. Incomoda sua denúncia sobre a comercialização da fé no Templo. Incomodam suas curas, seus milagres, as histórias que contam sobre ele. Em cada história dessas, Jesus está libertando pessoas da cegueira, da exclusão, da paralisia, da morte. É, é o pecado que os cega. Embora, falem em nome de Deus, estão agindo contra Deus, negando-se a acolher a Palavra de Deus proclamada por Jesus e a própria Palavra feita carne que é Jesus.

Estão armados de pedras. Querem apedrejá-lo. Mas, Jesus continua dialogando, explicando, revelando-se. Algum ali há de entender, há de abrir o coração. Às pedras deles, Jesus opõe as suas obras. Não crêem em sua palavra, tudo bem. Então, creiam nas obras que faz. Elas são ações em continuidade com a obra do Deus criador. Lembra que ele disse: “Meu pai trabalha e eu também trabalho”? As obras manifestam que o Pai está com ele, que age nele.

Longe de Deus, a humanidade produz violência, morte. Vivemos num mundo violento: desigualdade social, desemprego, tráfico de drogas, atuação de milícias... É o mundo longe de Deus. Mergulhados nesse mundo violento, assimilamos um modo grosseiro de reagir, impaciente com os outros, vulgar no linguajar, impiedoso dentro de casa com as crianças e as mulheres, intolerante, discriminador... Como os que rejeitaram Jesus, muita gente está de pedras na mão contra o inocente ou o diferente.

Guardando a palavra

As pedras representam a violência que produz a morte. Eles estão prontos para o apedrejamento de Jesus, que era inocente. Estão no pecado, afastaram-se de Deus, mesmo invocando o seu nome. Reagem violentamente contra o enviado de Deus. O pecado gera morte. Honram o deus da cabeça deles, mas na verdade, utilizam-se do nome de Deus em favor dos seus interesses. As obras, invocadas por Jesus, são suas ações que geram vida. Elas vêm de Deus, elas manifestam o amor vivificador de Deus. As obras confirmam as suas palavras. Elas manifestam decididamente o projeto de salvação de Deus. O que está nos dizendo o evangelho de hoje? Está nos convidando à conversão. As pedras são sinais da morte que o pecado gera. As obras são sinais da vida plena que Jesus nos trouxe. Passemos da morte para a vida. Acolhamos Jesus. Larguemos as pedras. Convertamo-nos!

Por ordem do Pai, mostrei a vocês muitas obras boas. Por qual delas vocês querem me apedrejar? (Jo 10, 32)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Uma vez, lançaste um desafio. Queriam apedrejar a mulher adúltera. “Quem não tiver pecados, atire a primeira pedra”. Foram soltando as pedras, bem devagar e se retirando, envergonhados. Não ficou um pra contar a história. Somos todos pecadores. E este é o tempo da graça, do perdão. Queres nos conceder a vida nova, que vem pela grande obra de tua morte redentora. Mas, só nos desarmando, reconhecendo nosso pecado, abrindo o coração para a conversão podemos receber a vida nova que nos alcançaste na cruz. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Não as pedras, a violência. Mas, a acolhida amorosa de tuas obras, das tuas ações (a inclusão, o perdão, a atenção aos sofredores, a libertação do mal) e de tua grande obra: a salvação. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

É o caso de você ir se preparando para a Semana Santa com uma inquietação: largar as pedras que você tem na mão. Estamos todos contaminados pelo nível de violência física e verbal do nosso mundo. É hora de assumir o jeito de Jesus: manso (não violento) e fiel (não se deixando tragar pelo mal). Hora de largar as pedras. 

Às 10 da noite, a gente se encontra no facebook.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb