BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Venham a mim - eu lhes darei descanso!

 



   20 de julho de 2023.   

Quinta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.    


Mt 11,25-30

25Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.



     Meditação.     


Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos, e eu lhes darei descanso (Mt 11, 28)


Este evangelho foi lido há dois domingos atrás. Jesus vê que o grupo dos seus discípulos - homens e mulheres que o seguem – estão cansados, carregados de fardos pesados.

Que fardos são esses? Esses fardos eram, em primeiro lugar, as obrigações que a Lei de Moisés impunha, ou melhor, a interpretação da Lei feita pelos mestres e fariseus; fardos são também as responsabilidades e sofrimentos da vida; as decepções, o desencanto, os problemas que cada um carrega; a falta de horizonte em muitas situações de uma vida rotineira; a situação de sobressalto que se vive em função dos compromissos com a sobrevivência. Diante desse quadro, de pessoas acachapadas pelo sofrimento, pelo medo, pelo cansaço do trabalho com pouco retorno, pela falta de horizonte e de esperança, Jesus se apresenta com um convite: Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos, e eu lhes darei descanso.

Mas, como Jesus pode aliviar o nosso peso? O seu ensinamento nos liberta de tantos fardos pesados, torna leve a nossa carga. Na verdade, ele está nos sugerindo que troquemos os fardos que estamos carregando pelo seu peso que é leve, o nosso coração inquieto pelo seu coração manso e humilde. E qual é o ensinamento de Jesus? O maior deles é que Deus nos ama como um pai. Ele cuida de nós, nos sustenta, nos socorre. Não estamos sós. Não lutamos apenas com as nossas forças. Sendo assim, o peso de nossas obrigações já fica mais leve. Alivia o nosso peso pelo seu ensinamento.

Mas, também alivia o nosso peso pela reconciliação. Jesus nos revela que o Pai nos perdoa e nos reconcilia consigo pelo sacrifício de sua cruz. Assim, o peso do nosso pecado e de suas consequências nos é retirado das costas. Podemos caminhar com mais leveza e esperança. O amor de Deus nos liberta. O perdão nos tira o peso das costas.

O amor ao próximo, que Jesus nos ensina, liberta o nosso trabalho da marca da obrigação desumanizadora. Nosso trabalho, por amor aos outros, passa a ser um serviço, em sintonia com Deus que nos ama. Também pelo amor, a própria prática religiosa deixa de ser uma obrigação enfadonha para ser um louvor alegre e restaurador.



Guardando a mensagem

Jesus encontrou o povo de Deus oprimido por muitas situações de exploração, violência e dominação. Por isso, o evangelho está cheio de doentes, leprosos, cegos, possessos, encurvados. Ele chamou a si esse povo humilhado, oferecendo-lhe a vida, a liberdade, a felicidade. Ele nos revelou o amor do Pai e o seu amor por nós. Ele carregou-se de nossas dores e nos abriu o caminho da vitória sobre toda opressão por meio de sua palavra, de suas atitudes, de sua morte na cruz, de sua ressurreição.

Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos, e eu lhes darei descanso (Mt 11, 28)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
estamos sobrecarregados com muitos fardos que nos tiram a alegria de viver, que tornam a nossa vida sofrida e enfadonha. É a exploração no trabalho. É o abatimento na doença. É o esvaziamento de uma vida sem sentido. Para quem está assim fatigado sob o peso de fardos insuportáveis, tu, Senhor Jesus, ofereces a tua palavra, o teu ministério, o teu coração. Tua palavra – a revelação do Pai – desmascara a alienação do trabalho e o liberta para ser uma atividade criativa e prazeirosa. O teu carinho pelos doentes e sofredores ilumina a experiência de sofrimento e de dor, tornando leve o peso da enfermidade e dos limites biológicos de nossa condição humana. Teu amor nos abraça, nos perdoa, nos restaura. A todos, Senhor, com a tua graça, alivia, consola, orienta. Amém.


Vivendo a palavra

No dia de hoje, imite Jesus, ouvindo alguém que está no meio de uma grande dificuldade, prestando atenção ao seu sofrimento e dizendo-lhe palavras de conforto. Muitas pessoas precisam de um ombro amigo, com quem possa compartilhar suas dores.

Comunicando

Como todas as quintas-feiras, estaremos unidos na Santa Missa das 11 horas, transmitida pelo rádio e pelas redes sociais. Não deixe de incluir a sua intenção. O Pe. Francisco Demontier presidirá a Missa de hoje.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A quem Deus revela o seu Reino.



   19 de julho de 2023.   

Quarta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mt 11,25-27


25Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”


   Meditação.   


Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25)


Jesus usa muito a palavra “pequeninos”. O tempo todo, ele está cercado por gente sem grande expressão social, pobres, doentes, mulheres, crianças, sofredores de todo tipo. Eles são os pequeninos. Quase toda a atividade de Jesus ocorreu na periferia do mundo judaico, na Galiléia, norte do país, terra de agricultores, artesãos, pescadores, moradores de vilas e pequenas cidades. Os evangelhos nem chegam a citar a capital da Galileia, Tiberíades, onde morava o rei Herodes. Em Jerusalém, capital da Judéia, Jesus ia, basicamente, nas grandes romarias.


Os grandes, os importantes, os ricos tinham mais dificuldade de acolher o Reino. Basta lembrar o episódio do encontro com o jovem rico e o comentário que Jesus fez em seguida: “Como é difícil o rico entrar no Reino de Deus”. A Nicodemos, um membro importante do Sinédrio que o procurou à noite, Jesus explicou que ele precisava nascer de novo, renascer do alto. Muitas vezes disse aos discípulos e discípulas que só dava para entrar no Reino de Deus quem fosse como as crianças, isto é, quem se tornasse como os pequeninos ou fosse solidário com eles.


No evangelho de hoje, Jesus está em oração. Ele louva o Pai porque o Reino está sendo revelado aos pequeninos. Igualmente o louva porque, revelando o Reino a uns, o Pai o esconde a outros, os sábios e entendidos. E o que é que está havendo com os sábios e entendidos, isto é, com os estudados, os professores da Lei, os que se sentiam conhecedores da Palavra de Deus? Estes fecharam o coração. Não conseguiram ver em Jesus de Nazaré a revelação do Pai amoroso e fiel que fez aliança com Israel. Encheram o peito de presunção de que já sabiam de tudo. E de inveja, sentindo-se ameaçados pela popularidade de Jesus, por seus ensinamentos e por seus milagres.


Embora Jesus pregasse pra todo mundo, a todos procurasse iniciar no Reino, via-se cercado de gente simples e pobre, pecadores, sofredores. Os grandes também se aproximavam, mas quase sempre para censurar, para tentar coibir a sua palavra, para desafiá-lo... Estes tentavam desmoralizar o seu ministério ou encontrar motivo para denúncias e perseguições. Os grandes fecharam o coração. Os pequenos abriram-se à obra de Deus. É o que Jesus está vendo. E por isso está louvando o Pai.



Guardando a mensagem


Jesus rezou, publicamente, louvando o Pai porque este estava revelando o Reino aos pequeninos. E o estava revelando por meio do Filho. Em Jesus, reconhecemos a bondade e a misericórdia do nosso Deus, atuando em favor do seu povo. Os grandes fecharam o coração. Os grupos de poder rejeitaram Jesus. Os pobres e os pecadores aproximaram-se dele, acolhendo o Reino que ele anunciava. A lógica de Jesus é a lógica do Pai. Ele escolhe os pequenos. A lógica de Jesus deve ser a nossa também. Valorizemos os pequenos. O Reino é deles. No sermão da Montanha ele disse: “Felizes os pobres porque o Reino de Deus é deles”. Tornemo-nos pequenos, sejamos solidários com eles, se quisermos ter parte no Reino.


Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

na oração que nos ensinaste, pedimos ao Pai: “venha a nós o vosso Reino!”. Tu nos ensinaste a rezar assim para que entendamos que o Reino é, antes de tudo, um dom que nos vem do Pai, não é uma conquista de nossas obras, de nossa inteligência ou de nossa santidade. O Reino vem a nós por pura bondade e graça de Deus, nosso Pai. E és tu, Senhor Jesus, que nos revelas o Pai, que nos comunicas o seu Reino, sua presença amorosa em nossa história. Venha a nós o vosso Reino! Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém


Vivendo a palavra


Hoje, durante o dia, reze com Jesus, mais de uma vez: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”.


Comunicando

Como todas as quartas-feia, hoje é dia de Encontros no Youtube. O convidado de hoje é o missionário Hamilton Apolônio, fundador da Comunidade Católica Boa Nova. Hamilton é também criador de inspiradas canções religiosas. Canal Padre João Carlos, no YouTube. É hoje, às oito da noite. Espero por você.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Sua religiosidade: é amor ou é interesse?

 




   18 de julho de 2023.   

Terça-feira da 15ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.    


Mt 11,20-24

Naquele tempo, 20Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não se tinham convertido.
21“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres que se realizaram no meio de vós, tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza.
22Pois bem! Eu vos digo: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia serão tratadas com menos dureza do que vós. 23E tu, Cafarnaum! Acaso serás erguida até o céu? Não! Serás jogada no inferno! Porque, se os milagres que foram realizados no meio de ti tivessem sido feitos em Sodoma, ela existiria até hoje! 24Eu, porém, vos digo: no dia do juízo, Sodoma será tratada com menos dureza do que vós!”

     Meditação.    


Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não tinham se convertido (Mt 11, 20)

Ganhar presente é uma coisa muito boa. Agora, mais importante do que o presente que a gente recebe é quem nos dá o presente, não é verdade? É decepcionante para alguém dar um presente e ver que quem o recebeu está interessado mesmo no que ganhou, não em quem lhe ofertou aquilo. É, tem muita gente interessada mais no presente do que no padrinho.

Hoje, em dia, fala-se muito de curas, de milagres. É verdade que Deus continua a ser bom e generoso para conosco, nos acudindo em nossas fraquezas e necessidades. Mas, será que as pessoas que recebem tantos favores de Deus voltam-se para ele de todo o coração, começam a andar na vida nova de sua graça, convertem-se de seus pecados? Você, o que acha?  Será que muita gente está apenas se aproveitando de Deus e depois se esquecendo dele?

Olha o que temos no evangelho de hoje! Jesus mostrou-se decepcionado com as pessoas beneficiadas por seus milagres. Corazim e Betsaida eram pequenas cidades da Galileia. Cafarnaum era uma cidade um pouquinho maior, situada às margens do Mar da Galileia, onde Jesus morava. Nessas e em outras cidades, ele tinha feito muitas pregações e realizado muitos milagres. E ele estava ficando decepcionado com essas cidades. Tanta gente o procurava pedindo todo tipo de favor, e ele atendendo com tanta compaixão, manifestando o poder e o amor de Deus naqueles eventos extraordinários... Mas, àquela altura, ele já estava ficando irritado... onde estava a conversão daquele povo?

Ele mesmo comparou Corazim e Betsaida com duas grandes cidades pagãs, Tiro e Sidônia. Se nessas cidades pagãs tivessem acontecido aqueles milagres, estariam todos fazendo penitência, pedindo perdão a Deus. E o povo de Corazim e Betsaida continuava sua vidinha tranquila, sem dar sinais de conversão. E a própria Cafarnaum que já tinha visto todo tipo de milagres de Jesus - na sinagoga, na casa dele, na praça, no mar – e nem assim apresentava sinais de mudança. Aí ele fez outra comparação que certamente não agradou aos seus conterrâneos. Sodoma, a cidade que Deus destruíra com fogo por causa de sua maldade, teria se convertido se tivesse visto os seus milagres. No dia do juízo, as cidades pagãs e a própria Sodoma terão um tratamento mais brando do que aquela gente da Galileia, disse Jesus.

Era de se esperar que os milagres ajudassem o povo a se voltar para Deus, a se converter. Todo milagre é uma demonstração do amor de Deus que restaura a pessoa humana. Na história do paralítico, ficou claro que mais do que o milagre físico, Jesus veio comunicar o perdão dos nossos pecados. Ele salvou a adúltera que iria ser apedrejada, mas lhe disse: vá e não peque mais. A própria cura dos leprosos é uma amostra de como sua missão é nos purificar dos pecados. Jesus esperava, então, que essas pessoas alcançadas por gestos tão maravilhosos de Deus, passassem a caminhar na fé, voltassem-se para Deus, acolhessem o seu enviado.

Infelizmente, vê-se hoje uma corrida para a bênção, a cura e o milagre, com pouca ou nenhuma conversão, com pouca ou nenhuma adesão à sua Palavra, ao seu evangelho. Está na hora de escutarmos essa Palavra do Mestre: ‘Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e tudo o mais lhes será dado em acréscimo’.


Guardando a mensagem

Como acontece hoje, no tempo de Jesus, muita gente o procurava para alcançar a cura de suas doenças, a solução dos seus problemas. Mas, uma vez satisfeitos, esqueciam-se de Jesus e não mostravam nenhum interesse por seus ensinamentos. Jesus, apesar de tão bom e compassivo, ficou decepcionado com aquelas cidades onde ele tinha feito tantos milagres. Afirmou que, se cidades pagãs tivessem visto tantos milagres, teriam se convertido. E aproveitou para lembrar que, no dia do juízo, haverá uma cobrança muito maior para quem teve mais chances na evangelização. É, tem muita gente interessada mais no presente do que no padrinho.

Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não tinham se convertido (Mt 11, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
dá-nos a graça de nos deixarmos guiar pelo amor, não pelo interesse. Na lógica do amor, nós te buscamos porque nos sentimos amados e queremos te amar e viver no teu amor. Na lógica do interesse, alguém te busca para conseguir uma graça ou proteção e te esquece logo que alcança seu objetivo. Sabemos, Senhor, que antes que venhamos bater à tua porta, tu já bateste à nossa, aguardando que a abramos para cear conosco, como está escrito no Livro do Apocalipse. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Essa palavra de hoje merece um bom exame de consciência de sua parte. Pare uns minutinhos, assim que puder, e, em oração, se pergunte: O que o Senhor está me dizendo, hoje, com essa palavra?

Comunicando

Por favor, marque aí na sua agenda: 27 de agosto, último domingo do mês vocacional, Missa de Ação de Graças pela passagem dos meus 40 anos de ordenação sacerdotal. Quem mora na área metropolitana do Recife, acerte sua passagem. Ligue agora para 3224-9284. Quem mora longe, vai poder nos acompanhar pelo rádio e pelo youtube.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Por que Jesus disse que não veio trazer a paz?



   15 de julho de 2024   

Dia de São Boaventura, bispo e doutor da Igreja


     Evangelho.    


Mt 10,34-11,1

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,34“Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. 35De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra.
36E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.
39Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 40Quem vos recebe a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo.
42Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”. 11,1Quando Jesus acabou de dar essas instruções aos doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.



     Meditação.    



Não pensem que eu vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada (Mt 10, 34).

Estamos diante de um texto que nos deixa perplexos. Oi, então Jesus veio fazer guerra, fazer confusão? O que será isso? Os anjos cantaram ‘paz na terra’ no seu nascimento. E agora ele vem dizer que não veio trazer a paz. Não dá para entender....

Calma minha gente, calma. Vamos tentar entender o que Jesus está nos dizendo... Ele disse que não veio trazer a paz à terra. De que ‘paz’, ele estará falando? Disse que veio trazer a espada. De que ‘espada’, estará falando?

Bom, então vamos lá. Há “paz” e “paz”. A paz de Jesus não é a paz do mundo. A paz do mundo é aquela expectativa de uma vida sem conflitos, sem traumas. Uma paz que é não mexer com ninguém, deixar como está para não complicar pro nosso lado. Jesus tinha dito na última ceia: “Eu lhes dou a paz, eu lhes dou a minha paz. Mas, não a dou como o mundo a dá”. Então, a paz de Jesus não é a paz do mundo.

A paz de Jesus também não é a paz dos dominadores. Os dominadores do tempo de Jesus, os romanos, gabavam-se de terem conquistado a paz. Tinham imposto a paz no mundo, vencendo os povos com sangrentas guerras e reprimindo qualquer indisposição contra o seu poderio. Era a 'pax romana'. A paz de Jesus, com certeza, não é a paz dos dominadores.

A paz de Jesus é a paz alcançada na cruz. É a comunhão com Deus e com os irmãos, destravada na sua morte e ressurreição. Estava tudo bloqueado pelo pecado e Jesus nos alcançou a reconciliação com o Pai. Por isso, ele se apresenta comunicando a paz, exatamente depois de sua ressurreição. Ressuscitado, se apresentou na comunidade e comunicou-lhes: “A paz esteja com vocês”.

Então, Jesus não veio trazer a paz como o mundo a pensa ou como os romanos a impuseram. Essa paz, ele não veio trazer. A paz de Jesus é a nossa reconciliação com Deus e com os irmãos, na sua cruz.

Mas, ele disse que veio trazer a espada. Bom, há “espada” e “espada”. Na paz dos romanos, a espada, sua principal arma, era instrumento de guerra, violência e opressão. A paz de Jesus não tem nada a ver com a paz dos romanos, então, a espada dos romanos também não tem nada a ver com a espada de que Jesus está falando, não é verdade? Pode ver que, naquela madrugada de sua prisão, no Monte das Oliveiras, Pedro puxou a espada e feriu o servo do sumo-sacerdote. Lembra o que Jesus disse? “Guarda tua espada, Pedro, quem com o ferro fere, com o ferro será ferido”. Jesus não veio trazer a espada da violência, de jeito nenhum.

Espada tem também outro sentido. Ela significa conflito, sofrimento. O velho profeta Simeão, no Templo, com Jesus pequenino nos braços disse a Maria: “Por causa desse menino, uma espada transpassará o teu coração”. É a espada da dor, da incompreensão, do sofrimento, da perseguição. Certamente, é dessa espada que Jesus está falando.





Guardando a mensagem

Jesus está dizendo que quem se torna seu discípulo ou sua discípula não pode esperar que tudo aconteça certinho na sua vida, sem problemas, sem sofrimento. Essa é a paz da lógica do mundo, paz como ausência de conflito. Nossa escolha por Jesus não nos traz essa paz, pelo contrário, nos traz o enfrentamento, o conflito, o sofrimento. Traz-nos a espada. E isso é fácil de entender. Quando colocamos Deus em primeiro lugar, desbancamos alguém ou alguma coisa que estava tomando o lugar de Deus na nossa vida. Quando levamos a sério o mandamento do amor ao próximo, tomamos o lado dos índios, dos trabalhadores, das mulheres, dos violentados. Claro, uma fé dessas gera conflitos dentro de casa e na sociedade. O evangelho gera pessoas comprometidas com o bem, a verdade, a fraternidade e a justiça. E isso, nem todo mundo aplaude.

Não pensem que eu vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada (Mt 10, 34).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
disseste que não vieste trazer a paz, mas a espada. De fato, seguir-te não significa que não teremos problemas e sofrimentos nessa vida. A tua paz não é a ausência de conflito, que nós tanto gostaríamos. A paz que nos trouxeste é a reconciliação com Deus e entre nós, alcançada no sacrifício de tua cruz com tanto sofrimento. A espada são as dificuldades e os sofrimentos que também nós enfrentamos pelas escolhas que fazemos contigo. Dá-nos o teu Santo Espírito para nos mantermos fiéis quando os conflitos e as dificuldades forem espada em nossa vida; firmes e perseverantes como tua santa mãe Maria, ela que foi traspassada por uma espada de dor, por tua causa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém


Vivendo a palavra

Seria bom você ler o texto desta Meditação para entender melhor a explicação. É só seguir o link que estou lhe enviando.

Comunicando

Você já sabe, mas é bom lembrar. Hoje é dia de Segunda Bíblica. O estudo bíblico de hoje é sobre o capítulo 17 do Profeta Ezequiel. Você vai entender a história das duas águias. Nosso encontro, no Youtube, começa às oito e meia da noite. Espero por você. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






Para que a Palavra produza muitos frutos em sua vida....




   16 de julho de 2023.   

15º Domingo do Tempo Comum


     Evangelho.     


Mt 13,1-9

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. 2Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. 4Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 5Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
7Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. 8Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos, ouça!”

     Meditação.     


Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente (Mt 13, 8)

Com certeza, você tem tido muitas oportunidades de ouvir a Palavra de Deus, não é verdade? Na leitura pessoal da Bíblia, na pregação da Missa, na Meditação (a leitura orante), na conversa com outras pessoas... de muitas maneiras, a Palavra vem sendo semeada em sua vida. E você fica feliz e agradece a Deus por isso, estou certo? Agora, essa Palavra tem feito algum efeito em sua vida? Essa é a pergunta do evangelho hoje. Essa Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?

Jesus estava falando com o povo exatamente sobre isso: sobre como cada um estava recebendo a mensagem do Reino de Deus. Foi assim que ele contou uma parábola, uma história de agricultor. Era como se ele estivesse dividindo as pessoas ali presentes em quatro grupos, em quatro terrenos. Cada grupo, cada terreno é uma resposta à pergunta: “A Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?”.

Primeiro grupo. Veja se não é esse o seu caso. Quem está neste grupo, responde assim: ‘Sabe de uma coisa, eu não compreendo a Bíblia, é uma coisa muito complicada. Na verdade, de tudo que eu escuto, não fica quase nada’. É o seu caso? Jesus comparou essa primeira situação com a semente que caiu à beira do caminho. Veio o maligno e roubou o que foi semeado. E, claro, não nasceu nada. Sabe o que é isso? Não compreender o que é anunciado. E o recado é simples: prestar atenção, dedicar-se mais à escuta da Palavra, pedir a assistência do Espírito Santo. Sem compreender, não se pode dar nem o primeiro passo.

Segundo grupo. Pode ser o seu caso. Quem está neste grupo, diz assim: “Ah, eu fico muito feliz em ouvir a Palavra de Deus. Eu gosto demais. Se ela faz algum efeito? Acho que pouco. Na verdade, quando a gente volta para a vida real, nem se lembra mais”. É o seu caso? Jesus comparou essa segunda situação com a semente que caiu num terreno pedregoso. Nasceu, mas não pode se enraizar. Morreu queimada pelo sol. A Palavra precisa se enraizar na vida da gente. Qual é o problema? A superficialidade. Não deixar que a Palavra penetre na própria vida. O recado é simples: dedicar mais tempo à Palavra de Deus, rezar mais. Isso é como cavar mais para que a Palavra se enraíze.

Terceiro grupo. Vai ver que esse é que é o seu caso. A pessoa diz assim: ‘Olha, é uma bênção a Palavra de Deus na minha vida. Na hora, é aquela alegria que me dá! Agora, tudo aquilo que eu ouço, que eu entendo, que eu abraço, acaba se esvaziando no meu corre-corre, no meio de tanta preocupação, de tantas distrações’. É esse o seu caso? Jesus comparou essa terceira situação com a semente que caiu no meio de espinhos. Ela germinou, cresceu, mas não deu frutos, porque os espinhos a sufocaram. E os espinhos, o que seria? Ele lembrou duas coisas: as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza. Isso tudo sufoca a Palavra que está no nosso coração e a torna estéril. O recado é simples: Dê mais importância à Palavra, que ela seja a primeira na sua vida, a luz mais importante. A Palavra ajuda você a conhecer a vontade de Deus. É com essa luz que você vai olhar tudo ao seu redor, sua família, seu trabalho, seu lazer.

Quarto grupo. Se até agora, você não se encontrou... com certeza, esse é o seu caso. A pessoa diz assim: ‘Sou muito feliz porque na Palavra, eu encontro o próprio Deus que me orienta e me dá forças para caminhar. A Palavra tem modificado minha vida. Estou me tornando um cristão mais amoroso e um cidadão mais consciente’. Tomara que seja o seu caso! Jesus comparou essa quarta situação com a semente que caiu em terreno fértil. Germinou, cresceu e frutificou. Deu frutos: 30, 60 e até 100%. Quer dizer, alguns bem que poderiam estar rendendo mais... um chegou a 30, outro a 60. O recado é simples: que bom que a Palavra esteja dando frutos na sua vida! Mas, ela pode dar mais frutos ainda...



Guardando a mensagem

Para que a Palavra produza muito fruto em sua vida, quatro recomendações. Primeira – dê a atenção que a Palavra merece, isto é não a escanteie numa área marginal de sua vida (à beira do caminho). Segunda recomendação – dê mais espaço à Palavra, para que ela crie raízes em sua vida. Terceira – dê à Palavra o lugar que ela merece, ela é a luz para iluminar seus problemas, suas escolhas, suas lutas. Quarta recomendação - não se contente com o que a Palavra já fez na sua vida. Ela pode produzir muito mais.

Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente (Mt 13, 8)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no nosso terreno, tem uns espinhozinhos, não vamos negar. Mas, sabemos que a tua própria palavra é uma força para nos ajudar a removê-los. Contamos com a tua graça. Queremos que a tua palavra, que recebemos cada dia com grande alegria, seja a luz a orientar a nossa vida. Dá-nos, Senhor, a paciência do agricultor que prepara o terreno, rega a plantinha, limpa os matos e espera pacientemente que ela cresça e produza frutos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, responda a esta pergunta: A Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Mateus 10, o capítulo da Missão - Episódio de hoje: Não tenha medo!

 




    15 de julho de 2023.     

Memória de São Boaventura, bispo e doutor da Igreja


     Evangelho.     


Mt 10,24-33

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24“O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. 25Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares!
26Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!
29Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.
32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.

     Meditação.     


O que estou lhes dizendo ao pé do ouvido, proclamem-no sobre os telhados! (Mt 10, 27)

Estamos ainda no capítulo 10 de São Mateus, no Sermão de Jesus sobre a Missão. Neste capítulo, ele organiza a comunidade nomeando os doze apóstolos, explica em que consiste a missão, faz várias recomendações aos missionários e alerta sobre possíveis oposições ou perseguições. Na passagem de hoje, ele anima os enviados para que eles não se deixem vencer pelo medo.

Lendo todo o texto, encontramos por três vezes essa expressão de Jesus: “Não tenham medo”. Olha a exortação dele: ‘É certo que, se tentaram desqualificar o meu trabalho, claro, vão fazer o mesmo com o trabalho missionário de vocês. Mas, não tenham medo. O que está oculto um dia é descoberto. Mesmo da perseguição que pode levar à morte, tenham medo não. Temor só a Deus que tem realmente poder sobre vocês. Um pardal só é morto, com o consentimento do Pai. E vocês valem mais do que os pardais, então, não tenham medo’.

A lição, você já entendeu. O medo não pode paralisar o cristão e a sua comunidade diante das dificuldades. É preciso anunciar, evangelizar. O medo não pode nos deter. Foi o que Jesus disse: “O que lhes digo na escuridão, digam-no à luz do dia; o que vocês escutam ao pé do ouvido, proclamem-no sobre os telhados!”. Nossa missão é dar continuidade à missão de Jesus: amplificar sua palavra, alardear seus ensinamentos, proclamar em alto e bom som o seu evangelho. O receio de incompreensão, de oposição ou perseguição não nos pode deter na realização dessa sagrada missão. São Paulo chegou a escrever: “Ai de mim se eu não evangelizar”. Isso vale pra gente também.

De fato, o medo é um dos elementos que logo aparece quando um cristão se dá conta que Deus o está convocando para a missão. E, ponhamos isso em nossa cabeça, nós todos estamos sendo convocados para a missão. Quando a gente começa a tomar consciência disso, aparece logo o medo de destoar no meio dos parentes e amigos, de ficar meio esquisito, de não ser mais bem visto, de ser criticado. Muito missionário em embrião já morre aí. A missão morre na sua mudez, na sua vergonha, no seu medo de ser criticado. Não é à toa que a exortação de Jesus termina hoje dizendo o seguinte: “Quem me negar diante dos homens, eu o negarei diante do meu Pai”. Ih, a coisa complicou... Não tem jeito. O negócio é vencer o medo.




Guardando a mensagem

Este Capítulo 10 de São Mateus trata da missão, missão que Jesus entregou à sua comunidade e a cada membro dela, então, a nós também. Na passagem de hoje, há uma recomendação de Jesus que se repete três vezes: ‘Não tenham medo’. Não tenha medo das críticas, não tenha medo do que os outros vão achar, não tenha medo de oposição e cara feia. Dê o seu testemunho de adesão a Jesus na frente de qualquer um. Não tenha medo.

O que estou lhes dizendo ao pé do ouvido, proclamem-no sobre os telhados! (Mt 10, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu nos confiaste a missão, apesar de conheceres a nossa fraqueza. Confiaste em nós. Por isso, nos estimulas com esse triplo “Não tenham medo”. E por que não precisamos ter medo? Claro, porque estamos nas mãos de Deus, debaixo do seu poder e de sua proteção; porque é a verdade que nos libertará; porque tu estás conosco. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você já pensou que suas palavras e suas atitudes influem na vida das pessoas que vivem ao seu lado? Claro, tanto positiva, como negativamente. O seu testemunho de fé pode levar alguém do seu convívio a viver com maior convicção a condição de cristão. Hoje, aparecendo uma oportunidade, não se omita, não se faça de indiferente, afirme sua fé em Jesus Cristo. Sem medo nenhum. Não se envergonhe de ser de Cristo.

Comunicando

Sendo hoje o Dia Missionário da AMA, tenho dois convites pra você. O primeiro: considere a possibilidade de participar mais ativamente da missão da Igreja, integrando-se a um grupo de trabalho missionário. Claro que eu tenho uma proposta: inscreva-se na AMA. E você pode fazer isso, agora mesmo, através do nosso whatsapp 81 3224-9284. O segundo convite: Hoje, ao meio dia, reze o Ângelus conosco, pelo Youtube ou pela Rádio Amanhcer. No Youtube, acesse o canal Padre João Carlos.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O que não pode faltar em sua atuação missionária




   14 de julho de 2023.    

Sexta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.     


Mt 10,16-23

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.
18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós.
21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa de meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem.


     Meditação.     


Sejam, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas (Mt 10, 16)

Jesus começou anunciando o nome dos missionários. E prosseguiu com uma série de recomendações. Hoje, temos uma advertência sobre as dificuldades da missão. Missionários somos todos nós, discípulos do Senhor. A nós é confiada a missão, em vários graus e de várias formas. Então, as dificuldades mencionadas por Jesus, nós também vamos encontrar.

O conteúdo da missão nos foi indicado pelo Mestre: “No caminho, anunciem: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Anunciar com palavras e gestos que o Reino de Deus chegou para todos. Anúncio a ser concretizado em quatro tarefas. Curar os enfermos, isto é, restaurar a dignidade humana. Purificar os leprosos, isto é, proclamar o perdão dos pecados pela misericórdia de Deus. Ressuscitar os mortos, isto é, promover a vida. Expulsar os demônios, isto é, denunciar e vencer o mal que domina as pessoas. São essas as quatro tarefas pelas quais anunciamos a proximidade do Reino de Deus na vida das pessoas.

Essa missão comunicada aos doze apóstolos é a missão confiada a toda a Igreja, a todos os seguidores de Jesus. E a gente a realiza com nossa vida cristã, com nossas palavras e ações. E é esse ser cristão e anunciadores de Cristo no mundo que nos traz problemas, dificuldades, resistências, reações. É neste sentido que Jesus está nos dizendo: “envio vocês como ovelhas no meio de lobos”. O mundo, influenciado pelo poder do mal, não aceita facilmente a mensagem de Cristo. E podemos, como ovelhas no meio de lobos, ser presas fáceis da vaidade, do fascínio do poder e da riqueza, da pressão social, da lógica do mundo. Ou, permanecendo fiéis à nossa missão, podemos até sofrer todo tipo de incompreensão, de retaliação, de perseguição.

E Jesus completou: “Sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. A serpente do livro do Gênesis, a que levou Adão e Eva ao pecado, foi descrita como o mais astuto dos animais no Jardim do Éden. A conversa que ela teve com Eva, parecia afável e desinteressada... ela soube conduzir bem o diálogo, foi sabida. De verdade, a serpente não se apresenta de qualquer maneira, se esconde, se esquiva, parece planejar bem as suas ações. Talvez seja nesse sentido que Jesus disse: imitem a prudência da serpente ou seja a sua sabedoria. As pombas são criaturas doces, próximas, mansas... chegam pertinho pra comer o que a gente oferece. A orientação do Mestre foi, no exercício da missão que comporta sempre dificuldades, ter a prudência das serpentes e a simplicidade das pombas.




Guardando a mensagem

Jesus enviou os doze em missão. Com eles, todos nós somos enviados. A missão é proclamar a proximidade do Reino de Deus. Nós a realizamos pelo testemunho de vida, por ações e pelas palavras que proclamamos. As ações estão descritas simbolicamente em quatro tarefas: restaurar a dignidade humana, anunciar o perdão dos pecados, promover a vida e vencer o mal que domina as pessoas. Na realização desta missão, muitas dificuldades e perseguições podem nos aguardar. Assim, Jesus nos dá essa orientação: ‘tenham a mansidão das pombas e a sagacidade das serpentes’. A simplicidade e a esperteza. Ser simples, mas não ser bobo.

Sejam, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas (Mt 10, 16)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a descrição que fazes da pressão, das perseguições, dos julgamentos a que poderemos ser submetidos por causa de nossa fé nos assusta. Mas, tu nos tranquilizas de muitos modos. Sobretudo, nos garantes a assistência do Santo Espírito, que nos dará as palavras certas, que tomará a nossa defesa. Senhor, embora a missão não pareça fácil, queremos realizá-la com fidelidade e perseverança até o fim. Abençoa, Senhor, tantos irmãos e irmãos que, a serviço da missão, enfrentam oposições e dificuldades. Que eles ajam, e nós também, com a prudência das serpentes e a simplicidade das pombas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu diário espiritual (seu caderno de anotações), responda a esta pergunta: Em que eu estou precisando ser mais perseverante e fiel?

Comunicando

Estamos hoje, eu e uma equipe de missionários da AMA, em João Pessoa, capital da Paraíba, onde está acontecendo o Muticom, o Mutirão Brasileiro de Comunicação. No Youtube, estamos repercutindo os temas em debate. Você nos acompanha nos Canais Padre João Carlos ou Rede Salesiana Brasil. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Porque Jesus disse aos missionários para não levarem ouro, nem prata, nem dinheiro.

 



   13 de julho de 2023.   

Quinta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.     


Mt 10,7-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!
9Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito a seu sustento. 11Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida.
12Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. 14Se alguém não os receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. 15Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo.

     Meditação.     


Não levem ouro nem prata, nem dinheiro nos seus cintos (Mt 10, 9)

Jesus enviou os seus discípulos em missão e lhes disse: “Em seu caminho, anunciem: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios”.

O envio dos doze apóstolos é uma página missionária da Igreja. Os doze representam a nossa comunidade, comunidade que nasceu do trabalho missionário de Jesus. Essa referência aos doze mostra uma comunidade organizada, em continuidade com o povo do Antigo Testamento. A missão é de todo o povo de Deus, com seus líderes à frente. E o envio dos doze é para que anunciem o Reino de Deus. O Reino é o reinado de Deus em nossas vidas e em nosso mundo. O reinado de Deus supera e vence o reinado do mal, por isso os missionários recebem poder sobre o demônio e sobre a doença. A doença é a cara do sofrimento que o mal e a morte espalham.

O Reino é um dom, é a libertação da dominação do mal e da morte, para estarmos como filhos e filhas na comunhão com o Senhor nosso Deus. Não é o resultado de uma estratégia bem montada pelos missionários. Eles são simples instrumentos. É obra de Deus. Aliás, o Reino é de Deus e o que os enviados conseguem realizar é pela sua força, pelo seu poder. Por isso a recomendação: “Não levem ouro nem prata nem dinheiro nos seus cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão”.

Bastão ou cajado é um sinal de defesa e segurança. Devem renunciar a isso. Deus é sua segurança. Sacola representa a confiança nos bens, nos instrumentos. O Reino não é uma estratégia. É um dom. Também não devem levar ouro, nem prata, nem dinheiro. A missão não depende de dinheiro, depende do testemunho e do amor do missionário. É preciso confiar na Providência. Nem duas túnicas, duas mudas de roupa. A proteção necessária é a de Deus. Tudo isso é simbólico, para dizer: o missionário deve por sua confiança em Deus.

Toda a missão está resumida em quatro ações simbólicas: curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios. São sinais da missão que Jesus compartilha conosco. Sinais que comunicam o amor de Deus que nos liberta. Curar, ressuscitar, purificar, livrar são palavras que traduzem cuidar dos mais pobres e sofridos, comunicar a vida de Deus que põe de pé os humilhados, conferir o perdão do Senhor aos pecadores, libertar as pessoas das garras do mal. A evangelização é o anúncio do Reino que chegou como vida nova, restauração, liberdade, salvação. 




Guardando a mensagem

A missão é de todos. E a missão é comunicar que o Reino de Deus chegou com Jesus. É sugerir às pessoas que abram o seu coração, abram as portas de suas vidas para acolhê-lo. O Reino de Deus ou o seu reinado é a vitória sobre o mal no mundo e o pecado, gerando uma família de filhos livres e amados. O Reino não é o resultado de uma intensa propaganda de massa. É um segredo facilmente captado pelos simples e humildes, ou melhor, revelado a eles por Deus. E não se implanta pela força ou pelo prestígio de alguém. Não somos um exército impondo uma nova ordem. O Reino supõe a liberdade. Se não abrirem as portas, o Reino não entra. Não é uma invasão. A gente só bate à porta, não a arromba. Por isso, o missionário precisa se despojar de qualquer pretensão de grandeza ou de segurança puramente humana.

Não levem ouro nem prata, nem dinheiro nos seus cintos (Mt 10, 9)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
demoramos a compreender que estamos sendo enviados em missão, que somos responsáveis pelo anúncio do Reino de Deus em nossa casa, no lugar onde trabalhamos, em nossos ambientes de convivência, em todos os setores da sociedade. Proclamar o Reino é testemunhar que fomos alcançados pelo amor de Deus, amor gratuito e misericordioso que se manifestou em ti, Senhor Jesus. Não é um produto destinado a ser um sucesso de vendas. É uma boa notícia que muda a nossa vida, e dela, somos apenas portadores e testemunhas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em seu momento de oração, hoje, reze por todas as lideranças da Igreja: catequistas, animadores, ministros ordenados, missionários, educadores, comunicadores cristãos. Que você, eu e todos nós sejamos missionários do jeito que Jesus mandou no evangelho de hoje.

Comunicando

Sendo hoje quinta-feira, celebro a Santa Missa às 11 horas, nas suas intenções. E você pode participar conosco pelo Youtube ou pela Rádio Amanhecer. Aproveite para colocar a sua intenção no link que estou lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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