BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

As surpresas do Reino de Deus.




   28 de julho de 2025   

Segunda-feira da 17ª Semana do Tempo Comum


    Evangelho.   

Mt 13,31-35

Naquele tempo, 31Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”.
33Jesus contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.
34Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35para se cumprir o que foi dito pelo profeta: ‘Abrirei a boca para falar em 2parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo’.



    Meditação.   


O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado (Mt 13, 33)

A gente fica esperando o Reino de Deus como uma intervenção poderosa do Senhor em nosso mundo. Uma coisa forte, visível, que todo mundo reconheça e se submeta. Como falamos de ‘reino’, vêm em nossa imaginação os impérios deste mundo, os reinados de senhores poderosos e violentos de quem a história dá notícia.

Jesus, que tanto falou do Reino de Deus, não deixou uma definição do que é o Reino. Antes, fez comparações que desfazem completamente nossas expectativas farisaicas. O Reino é como a semente plantada na terra que, sem o agricultor saber como, nasce, cresce e produz frutos. O Reino é como uma semente de mostarda que se torna um belo arbusto. É como uma bela plantação, onde o inimigo semeou o joio. Só pra ficar nas comparações na área da agricultura. É melhor a gente desistir de querer definir o que é o Reino de Deus. Parece mais um jeito de Deus agir neste mundo.

Jesus nos conta, hoje, duas pequenas parábolas sobre o Reino de Deus: a semente que germina sozinha e o grão de mostarda que se torna um frondoso arbusto. Estas duas parábolas nos dão novas pistas sobre o Reino de Deus.

Uma primeira indicação é esta: O Reino se constrói com pequenos sinais. O Reino está potencialmente presente no que, hoje, nós estamos semeando, que nos parece tão pouco, tão pequeno. Ele é como a semente plantada que germina ou como o grão de mostarda tão pequenininho que vai se tornar uma grande hortaliça. Quando semeamos, nós mostramos confiança na semente e no futuro dela. Ao realizarmos pequenas ações e nos movermos com pequenos passos, estando na direção certa, estamos semeando o reino. É um conselho que damos, é uma desculpa que aceitamos, é uma pequena decisão que tomamos na direção justa. O Reino se constrói com pequenos sinais. São sementes que plantamos, grãos lançados na terra.

Uma segunda afirmação é a seguinte: O Reino não é obra nossa, é obra de Deus, servindo-se de nossa muito pequena participação. Mesmo que seja o agricultor a plantar a semente, a germinação é um segredo do Criador. É dele o milagre daquela semente tornar-se uma plantinha, crescer, florescer, frutificar. O agricultor colabora, plantando, limpando, irrigando, mas a espiga é obra da natureza e de quem a fez. O mesmo acontece com o grão de mostarda. O arbusto que vai acolher até os passarinhos é fruto de uma dinâmica que não é controlada pelo agricultor. O Reino não é obra nossa. É obra de Deus, com sua lógica, sua dinâmica, sua atuação.

Uma terceira afirmação é esta: O Reino será uma realidade surpreendente. Se plantarmos, colheremos. A semente dará fruto, dela se colherão as espigas, cuja farinha nos fornecerá um delicioso pão. O grão de mostarda será uma linda hortaliça e abrigará os pássaros do céu. O agricultor vai se surpreender com a obra de Deus em seu favor.

O Evangelho é a revelação desse evento maravilhoso: o Reino está ao nosso alcance, está batendo à nossa porta, está próximo de nós, está entre nós.




Guardando a mensagem

Mesmo com tanta crise, com tanta coisa ruim acontecendo, com tanto desmantelo no mundo, experimentamos cada dia que o Reino de Deus está entre nós, está acontecendo, está em gestação. Ele é obra de Deus, com nossa pequena colaboração. Por meio do seu filho Jesus, Deus está semeando um mundo novo de comunhão, de paz, de reconciliação. Jesus está conosco até a consumação dos séculos, como prometeu. Não nos abandona. O seu Santo Espírito atualiza a sua presença e a sua ação redentora. O Reino já está entre nós. Enfim, na colheita do que plantarmos, o Reino aparecerá pleno, surpreendente.

O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado (Mt 13, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu estás entre nós, estás conosco na assembleia que se reúne, na Palavra que é proclamada, no Pão eucarístico que nos alimenta. É isso que experimentamos cada dia e que celebramos na Missa: a tua presença redentora entre nós, nos instruindo, nos abençoando, nos conduzindo. O Reino, de que tanto falaste, é a tua presença salvando esse mundo, reconduzindo o pecador à comunhão com Deus, nos guiando no caminho da justiça e da paz. Tu és o Emanuel, Deus conosco. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém
.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, escreva uma oração começando com o que rezamos no Pai Nosso: “Venha a nós o vosso reino”.

Comunicando

Segunda Bíblica, tempo de estudar a Palavra de Deus. Nosso encontro é no Youtube no Canal Padre João Carlos e começa às oito e meia da noite, toda segunda-feira. Estamos estudando o Livro dos Atos dos Apóstolos. Você só precisa de três coisas para participar: uma bíblia, um caderno para anotações e vontade de conhecer mais a Palavra de Deus. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


A força da oração.


  27 de julho de 2025.  

17º Domingo do Tempo Comum

5ª Jornada Mundial dos Idosos e dos Avós


  Evangelho  


Anúncio do Evangelho (Lc 11,1-13)

1Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um dos seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”.
2Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação’”.
5E Jesus acrescentou: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, 7e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; 8eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário.
9Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá.
11Será que algum de vós, que é pai, se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
13Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”



  Meditação  


Senhor, ensina-nos a rezar (Lc 11, 1)

Quando pensamos na oração, nos lembramos logo de Jesus. Ele é o nosso modelo orante. Foi vendo-o em oração, que os discípulos tiveram vontade de rezar como ele. No Pai Nosso, que ele ensinou aos discípulos, temos o modelo de oração. Nele, estão os sentimentos, os argumentos, o conteúdo da oração dos cristãos. No Pai Nosso de Jesus, aprendemos que a oração cristã é oração de filhos comprometidos com a glória do Pai e com o bem de todos.

E o que a oração dos cristãos tem de especial? Aos menos quatro notas distinguem a nossa oração. A primeira é que ela é ESCUTA DE DEUS. Ela não é uma simples iniciativa de nossa parte. É Deus quem nos fala primeiro. No livro do Gênesis, contando a história da oração de Abraão, Deus toma a inciativa e vem conversar com ele. Lemos assim no capítulo 18: O Senhor disse a Abraão: “O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu, e agravou-se muito o seu pecado. Vou descer para verificar se as suas obras correspondem ou não ao clamor que chegou até mim”.O diálogo com Abraão começou aí. Deus tomou a iniciativa. Confidenciou-lhe essa sua preocupação com Sodoma e Gomorra. A oração cristã é, antes de tudo, escuta. Deus fala. É por essa razão, que sempre se recomenda que, em qualquer celebração nossa, haja um espaço para proclamação da palavra de Deus. Naquele episódio do jovenzinho Samuel, no Templo, o velho sacerdote o orientou: “Quando o Senhor o chamar, diga: Fala, Senhor, que o teu servo escuta”. Escutar é a primeira nota da oração cristã.

Uma segunda característica é, com certeza, a MEMÓRIA DAS OBRAS DE DEUS. A grande festa anual do povo de Deus, no Antigo Testamento, era a páscoa. Na páscoa, fazia-se memória da grande obra de Deus em sua história: a libertação do Egito. Os cristãos continuam celebrando, na Páscoa, a grande obra de Deus: a nossa salvação na morte e ressurreição de Jesus. Na carta de Paulo aos Colossenses está escrito: “Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados”(Col 2, 13). Nossa oração recorda, faz memória das obras de ontem e de hoje do nosso Deus em nosso favor. A Santa Missa é um memorial da paixão e ressurreição do Senhor. Nela, ele continua oferecendo-se em nosso favor. Fazer memória das obras de Deus é uma segunda nota da oração cristã.

Uma terceira característica é o LOUVOR, A AÇÃO DE GRAÇAS, a adoração, a glorificação. O Salmo 137 traz essa oração de louvor: “Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me”.O próprio Jesus foi visto numa bela oração de louvor, bendizendo a Deus porque estava revelando o Reino aos pequeninos. A Missa pegou o nome de Eucaristia, porque esta palavra significa ‘ação de graças’. E é isso que a Missa é de maneira especial: louvor, ação de graças. Ali, nos unimos aos anjos e santos para bendizer o Senhor Deus. O LOUVOR, A AÇÃO DE GRAÇAS é uma terceira nota da oração cristã.

A quarta característica é a INTERCESSÃO PERSEVERANTE em favor do mundo, da Igreja e de nossas necessidades particulares. Na história da oração de Abraão, ele intercedeu pelos justos que poderiam existir na cidade de Sodoma. No diálogo, ele alcançou de Deus a promessa de que, se encontrasse 10 justos naquela cidade, ela não seria destruída Na santa Missa, além do momento de preces após o credo, bem no coração da grande oração eucarística, intercedemos pela Igreja, pelos falecidos e pela comunidade reunida. No evangelho (Lc 11), Jesus contou a história do vizinho que precisava do favor de um amigo. E, pela insistência, conseguiu mais do que pediu, mesmo batendo na porta da casa do amigo, depois de meia noite. A intercessão perseverante é uma quarta nota da oração cristã.

Guardando a mensagem

A oração, como aprendemos de Jesus, é, em primeiro lugar, ESCUTA DE DEUS. A nossa oração, que é um diálogo, começa por iniciativa dele. A principal oração do dia no tempo de Jesus era o Shemá: “Ouve, Israel”. A oração é também MEMÓRIA DAS OBRAS DE DEUS: memória dos prodígios pelos quais libertou seu povo da escravidão e da condenação do pecado. A oração dos cristãos é também LOUVOR, AÇÃO DE GRAÇAS pelas obras do Senhor, pela presença de Jesus Cristo anunciando o Reino. E finalmente a oração cristã é marcada também pela INTERCESSÃO PERSEVERANTE. Pedir com humildade, confiança e perseverança.

Senhor, ensina-nos a rezar (Lc 11, 1)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
hoje, te pedimos, como os primeiros discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar”. Contigo aprendemos a entrar nesse dialogo amoroso e filial com Deus. Contigo aprendemos a dar a primeira palavra a Deus, colocando-nos em sua escuta; e a fazer memória dos seus feitos maravilhosos – a criação, a redenção, a santificação. Assim, nossas aclamações, nossos louvores, nossos cantos tornam-se ação de graças por seu amor e por sua misericórdia. Contigo aprendemos a interceder pelas necessidades do mundo, da Igreja e das nossas em particular. E ao Pai, que nos deu a ti como amigo, irmão e salvador, imploramos o dom do Espírito Santo, o grande dom do Pai à sua Igreja. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Neste domingo, em que a Igreja celebra a 5ª Jornada Mundial dos Idosos e dos Avós, reze pelos seus avós e pelos idosos de sua família. Além da oração, lembre de fazer algum gesto de atenção no dia de hoje para com eles: uma mensagem, uma ligação, uma visita. 

Comunicando

Na mensagem do Santo Padre, o Papa Leão XIV, para esta 5ª Jornada Mundial dos Idosos e dos Avós, ele escreveu: "Sobretudo na velhice, perseveremos confiantes no Senhor. Deixemo-nos renovar todos os dias, na oração e na Santa Missa, pelo encontro com Ele. Transmitamos com amor a fé que vivemos na família e nos encontros quotidianos durante tantos anos: louvemos sempre a Deus pela sua benevolência, cultivemos a unidade com as pessoas que nos são caras, abramos o nosso coração aos que estão mais longe e, em particular, aos necessitados. Assim, seremos sinais de esperança, em todas as idades."

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Joaquim e Ana, a geração dos que viram e ouviram.




   26 de julho de 2025.   

Dia de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria

Dia dos Avós 

   Evangelho.   


Mt 13,16-17


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 16“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”.


   Meditação.   


Felizes são vocês, porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem (Mt 13,16)


Esse trecho do evangelho foi lido recentemente. Mas, hoje, ele tem um sabor especial. É que faz referência aos festejados de hoje, São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria e avós de Jesus.


O que será que as pessoas no tempo de Jesus estavam vendo e ouvindo? O que será que profetas e justos tanto desejaram ver e ouvir, e não conseguiram? Reposta: As coisas que estavam acontecendo com a presença de Jesus. O que Jesus estava anunciando: o Reino de Deus. O que eles estavam vendo? O Reino de Deus sendo inaugurado com a presença de Jesus. O que eles estavam ouvindo? A pregação do Evangelho do Reino.


E isso foi esperado por tanta gente, ao longo de séculos. Profetas e justos não conseguiram vê-lo. Mas, aquela gente estava presenciando o Reino de Deus que chegara. A boa notícia, o evangelho, é que o Reino chegou. Foi esse o anúncio de Jesus desde o início de sua atividade missionária: “O Reino chegou, convertam-se, creiam”. A presença de Jesus salvando, libertando, restaurando é o Reino acontecendo. Suas palavras, confirmadas por suas ações, estavam instaurando o reinado de Deus no meio do seu povo.


Como o povo do tempo de Jesus, nós também estamos tendo a chance de ver o Reino que está entre nós e de ouvir a pregação dessa boa notícia, o evangelho. E essa boa nova do Reino de Deus é uma comunicação que muda nossa vida, que dá novo sentido à realidade. Não é apenas uma notícia entre outras, uma manchete a mais. É a resposta que a humanidade ansiosamente estava esperando. É a presença e atuação do Messias que Israel acalentara em seus sonhos proféticos ao longo de séculos. É a revelação de algo maravilhoso: o Reino está ao nosso alcance, bate à nossa porta. Deus está cumprindo sua promessa: “Eis que faço novas todas as coisas”. É por essa razão que o Evangelho, em confirmação das palavras de Jesus, narra tantos milagres, curas, exorcismos. É o Reino se instalando como luz, saúde, paz, perdão.


Não se pode ficar indiferente diante desse anúncio da chegada do Reino. Essa boa nova nos pede uma resposta, nos propõe adesão, acolhida, conversão. Lembra o que Jesus falou? “O Reino chegou, convertam-se, creiam”. Conversão é mudar o foco e o rumo da própria vida, sintonizando-a com o Reino. Crer é acolher Jesus e o seu anúncio do Reino de Deus. Trata-se, então, de acolher Jesus, porque afinal a Palavra fez-se gente, o verbo se fez carne.


Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça. Foi o que Jesus falou. Quem tiver ouvidos para ouvir. Significa que existe alguém que tem ouvidos, mas não escuta. Como ele disse, tem olhos, mas não vê. É que é possível não querer ouvir, não querer ver, rejeitar a boa notícia do Reino que chegou como salvação. Deus, que nos criou livres, respeita a nossa liberdade. O Reino não é uma imposição que nos anula, uma nova ordem que nos é imposta. Resta a liberdade da escolha ou da rejeição. Como diz o livro santo: “Diante de ti estão a vida e a morte. Escolhe!”. Ao amor de Deus manifesto em Cristo, só podemos responder com a fé e o amor. E não existe amor obrigado, adesão compulsória. Só na liberdade, a pessoa humana pode responder adequadamente à pregação do Reino.





Guardando a mensagem


Sendo hoje o dia dos pais da Virgem Maria, São Joaquim e Santa Ana, entende-se que a escolha desse evangelho é uma apreciação positiva da vida dos avós maternos de Jesus. É um elogio a eles. Seus olhos viram. Seus ouvidos ouviram. É que tem muita gente que tem olhos e não enxerga, tem ouvidos e não ouve. O Reino de Deus está acontecendo, hoje, na presença de Jesus evangelizando, consolando, instruindo, libertando as pessoas do mal.


Felizes são vocês, porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem (Mt 13,16)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

que os nossos olhos vejam a tua obra redentora em processo em nossa vida e em nossa história. Que os nossos ouvidos ouçam teu Evangelho a nos anunciar o tempo da graça e da reconciliação. Que, pelo exemplo luminoso dos pais de Maria Santíssima, São Joaquim e Santa Ana, nossos olhos contemplem na fé esse mistério maravilhoso de tua presença redentora entre nós. Senhor, te pedimos uma bênção especial para os nossos avós: o descanso eterno dos que já partiram  e, para os que caminham conosco, concede que, confortados pelo carinho dos filhos, dos netos e amigos, se alegrem na saúde e não se deixem abater na doença; que, revigorados com a tua graça, consagrem o tempo da idade madura a andar nos teus caminhos e a celebrar os teus louvores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Hoje, reze pelos seus avós vivos ou falecidos. Deus conhece as necessidades deles.


Comunicando


Hoje, faço show no Congresso Nacional de Maria Auxiliadora, no Recife. O Congresso, organizado pela Associação de Maria Auxiliadora, a ADMA, reúne membros da família salesiana de todo o país.  

A reunião on-line dos que vão comigo na peregrinação de outubro ao Jubileu Mariano em Roma é no dia 1º de agosto, sexta-feira que vem. São dois grupos: um parte do Recife e o outro de Guarulhos, São Paulo. Desejando informações, faça contato pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






 

Uma tentação permanente.



   25 de julho de 2024. 

Dia de São Tiago Maior, apóstolo


      Evangelho.      


Mt 20,20-28

20Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”.

22Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é que dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.



      Meditação.      


Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

A mãe de dois discípulos – Tiago e João – fez um pedido a Jesus: quando ele estivesse no poder, reservasse uma posição de destaque no seu governo para os seus dois filhos. Um à sua direita e outro à sua esquerda. 

Apesar do exemplo de Jesus, os seus colaboradores mais próximos, os apóstolos, estavam também tentados pela sede de poder. E já começavam a disputar cargos, posição, prestígio. Nem eles estavam entendendo a proposta de Jesus, nem a família deles. Pretendiam uma posição privilegiada (um à direita e outro à esquerda) ao lado de Jesus e, claro, acima dos outros.

Logo essa pretensão dos dois discípulos espalhou um mal-estar na comunidade dos apóstolos. O poder como prestígio, irmão gêmeo do enriquecimento duvidoso, semeia logo a discórdia, a desunião, a inveja e a competição doentia. É que ele agride gravemente o espírito comunitário. Essa tentação do poder-prestígio é um perigo para um cristão, pois o faz renunciar ao que aprendeu no Evangelho: o amor solidário, o respeito pela dignidade do outro, o espírito de serviço.

Você pode até pensar: esse negócio de poder não tem nada a ver comigo. É um assunto para quem ocupa altos cargos na Igreja ou para os políticos de Brasília. É aí que você se engana. Todo mundo tem uma relação com o poder. Mesmo que não esteja em uma função de comando, está numa relação com quem comanda. E aí se mostra qual é a sua concepção de poder: o poder-prestígio ou o poder-serviço. O poder no mundo chega a ser um ídolo. Uns se fazem de deuses e outros de seus adoradores. Para cada mandão, há sempre um séquito de pessoas subservientes e bajuladoras.

Os discípulos tinham diante de si o exemplo de Jesus e o modelo da própria sociedade. O mau exemplo vinha dos fariseus, da turma do Templo, do próprio ambiente religioso. E nisso, é claro, imitava-se as disputas de poder da classe dominante, da corte de Herodes, do Sinédrio. Jesus, no jejum do deserto, tinha enfrentado essa tentação. O diabo tinha oferecido o poder sobre todos os reinos do mundo a Jesus, se o adorasse. Jesus reagiu. Submeter-se só à vontade de Deus. Nada de aliança com o mal. O poder-prestígio é sustentado por alianças perigosas e concessões à falcatrua, à propina, à troca de favores.

O exemplo de Jesus foi bem outro. Ele deu exemplo com sua vida, suas escolhas e deixou esse precioso ensinamento: eu não vim para ser servido, mas para servir. O exercício do poder em Jesus não afastava as pessoas de si e nem o isolava dos outros. Como Mestre no seu grupo de discípulos, puxava o diálogo, responsabilizava cada um e, para admiração de todos, chegou a lavar os seus pés como um empregado fazia. Servir - essa palavra deve marcar a vida de um cristão em cargos de liderança ou em postos de comando. Servir. Não ser servido. Colocar-se a serviço dos outros, do bem, da justiça, diferentemente do poder-prestígio que se serve dos outros, que busca o seu benefício pessoal, que quer ser o maior.






Guardando a mensagem

A tentação do poder-prestígio estava presente também no grupo dos discípulos de Jesus. Jesus exerceu o poder-serviço. E o ensinou claramente. Não veio para ser servido, mas para servir. E disse mais: 'Vejam como o poder é exercido na sociedade, percebam a opressão dos grandes. Entre vocês, não deve ser assim.'

Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
somos a tua Igreja e nossa presença na sociedade precisa ser pautada pelo espírito de serviço. Animados por teu evangelho, queremos fomentar a fraternidade em nosso ambiente de trabalho, de conivência, em nossas famílias, pois, servir é a marca do cristão. Ajuda-nos, Senhor, a não incorporar na Igreja a tentação do poder-prestígio do mundo. Antes, levemos para a sociedade nossa experiência de poder-serviço vivido na comunidade cristã. Sendo hoje o dia do teu apóstolo Tiago Maior, nós te pedimos, Senhor, por sua intercessão, a tua bênção sobre todos os pastores da Igreja, o Papa Leão XIV, nossos bispos, os padres e diáconos de nossas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

No seu caderno de anotações, registre essa frase de Jesus e escreva o que você entendeu dela: “Entre vocês, não deverá ser assim” (Mt 20, 26).

Comunicando

Hoje, faço show na cidade de Vicência, nos festejos de sua padroeira, Santana. 

A reunião on-line dos que vão comigo na peregrinação de outubro ao Jubileu Mariano em Roma é no dia 1º de agosto, sexta-feira que vem. São dois grupos: um parte do Recife e o outro de Guarulhos, São Paulo. Desejando informações, faça contato pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Porque Jesus conta parábolas.


   24 de julho de 2025.   

Quinta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum



   Evangelho.   


Mt 13,10-17


Naquele tempo, 10os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?” 11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado.

12Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem.

14Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’.

16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.



   Meditação.   


Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: Por que tu falas ao povo em parábolas? (Mt 13, 10).

Boa pergunta. 
Por que Jesus falava em parábolas? Ele gostava de contar histórias, construía cenas envolvendo temas do cotidiano, personagens e situações da vida da população. Quem não gosta de ouvir histórias? Contou que um filho saiu de casa e um dia voltou arrependido, que história bonita! E aquela história da ovelhinha que se perdeu... e tantas outras parábolas, comparações, alegorias.

Certamente, Jesus falava em parábolas para que as pessoas compreendessem mais facilmente o que ele anunciava. E ele anunciava o Reino de Deus. Dizia que o Reino estava próximo, que nele se entrava pela conversão. Dizia que Deus reina no seu amor de Pai e que tinha sido enviado pelo Pai para ser o nosso caminho. As parábolas falam disso... 

Muito se aprende com uma parábola. As pessoas escutavam as parábolas de Jesus e tiravam suas conclusões. Ao invés de fazer um discurso teológico sobre o Reino de Deus, com muitas explicações ou citações, Jesus contava parábolas, fazia comparações... O Reino de Deus é como um semeador que saiu a semear... O Reino é como uma rede de pescar... É como a mulher que procura a moeda que se perdeu... Falar em parábolas é uma bela forma de comunicação.

Agora, a resposta que Jesus deu parece um pouco estranha. A pergunta era por que ele falava em parábolas. E ele disse: “Porque a vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado”. Como assim, a eles não é dado? O Profeta Isaías tinha falado uma coisa parecida a respeito de muitos que fecharam o coração à comunicação de Deus. Isaías disse: “Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos para não ver”. A verdade é essa: a elite social e religiosa de Israel não acolheu Jesus. Fechou o coração para ele e assim nenhuma palavra sua foi bem recebida. Essas pessoas julgavam-se muito estudadas e conhecedoras das coisas de Deus. Você lembra que Jesus rezou dando graças a Deus porque estava revelando as coisas do Reino aos pequenos e as estava escondendo aos sábios e entendidos?

No fundo, o Reino é uma revelação de Deus, e ele a comunica a quem ele quer. Foi o que Jesus falou a Pedro: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas o meu Pai que está nos céus”. Deus escolheu os pequenos para revelar o Reino. Os grandes fecharam o seu coração para ele. 




Guardando a mensagem

Jesus fala em parábolas. Com as parábolas, ele comunica profundas verdades do Reino de Deus. Essa comunicação chega fácil ao coração dos simples e das pessoas que se abrem à revelação de Deus. As parábolas continuam a ser entendidas pelos que têm um coração de pobre, pelos pequenos. Os grandes e sábios aos olhos do mundo não acolhem a Palavra de Jesus e a sua liderança. Quem rejeita Jesus, rejeita a revelação de Deus. Assim, não tem como entender suas parábolas.

Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: Por que tu falas ao povo em parábolas? (Mt 13, 10).


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
que os nossos olhos vejam a beleza de tua presença entre nós, atualizada por teu Santo Espírito. Com tua presença, chega até nós o Reino de Deus. Que nossos ouvidos, ouvindo tuas parábolas, se abram ao conhecimento do Reino. Continua, Senhor, a nos instruir, nos ensinar, a nos introduzir nos mistérios da salvação, por meio de tuas parábolas. Aumenta, Senhor, em nosso coração o amor à tua Palavra. Dá-nos compreendê-la sempre mais. Que ela ilumine nossa vida com a luz de Deus. Venha a nós o teu Santo Reino, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra


Arrume um tempinho hoje e abra sua bíblia no capítulo 13 do Evangelho de São Mateus. No seu caderno espiritual, faça uma lista das parábolas de Jesus que estão reunidas ali. Depois que fizer a lista, confira a resposta que deixei no final da Meditação de hoje, no meu blog. É só seguir o link que estou lhe enviando.


Comunicando


Lembro a você que hoje, como todas as quintas-feiras, temos a Santa Missa, pelo rádio e pelo YouTube, rezando com você e por você. A celebração presencial é no Recife, na Basílica do Sagrado Coração, a igreja dos salesianos, às 11 horas. 

Dia 1º de agosto, teremos reunião online com o pessoal que vai comigo em peregrinação a Santuários Marianos em Portugal, Espanha, França e Itália, concluindo com o Jubileu mariano em Roma, em outubro próximo.
São dois grupos, um grupo saindo do Recife e outro grupo saindo de Guarulhos, São Paulo. Desejando informações, faça contato pelo whatsapp 81 9964-4899. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




PARÁBOLAS DE JESUS EM MATEUS 13

1. Parábola do Semeador
2. Parábola do Joio e do Trigo
3. Parábola do Grão de Mostarda
4. Parábola do Fermento
5. Parábola do Tesouro escondido
6. Parábola da Pérola preciosa
7. Parábola da Rede de Pescar

Sementes que geram muitos frutos.



   23 de julho de 2025.   

Quarta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.     


Mt 13,1-9

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. 2Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. 4Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 5Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
7Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. 8Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos, ouça!”

     Meditação.     


Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente (Mt 13, 8)

Com certeza, você tem tido muitas oportunidades de ouvir a Palavra de Deus, não é verdade? Na leitura pessoal da Bíblia, na pregação da Missa, na Meditação (a leitura orante), na conversa com outras pessoas... de muitas maneiras, a Palavra vem sendo semeada em sua vida. E você fica feliz e agradece a Deus por isso, estou certo? Agora, essa Palavra tem feito algum efeito em sua vida? Essa é a pergunta do evangelho hoje. Essa Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?

Jesus estava falando com o povo exatamente sobre isso: sobre como cada um estava recebendo a mensagem do Reino de Deus. Foi assim que ele contou uma parábola, uma história de agricultor. Era como se ele estivesse dividindo as pessoas ali presentes em quatro grupos, em quatro terrenos. Cada grupo, cada terreno é uma resposta à pergunta: “A Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?”.

Primeiro grupo. Veja se não é esse o seu caso. Quem está neste grupo, responde assim: ‘Sabe de uma coisa, eu não compreendo a Bíblia, é uma coisa muito complicada. Na verdade, de tudo que eu escuto, não fica quase nada’. É o seu caso? Jesus comparou essa primeira situação com a semente que caiu à beira do caminho. Veio o maligno e roubou o que foi semeado. E, claro, não nasceu nada. Sabe o que é isso? Não compreender o que é anunciado. E o recado é simples: prestar atenção, dedicar-se mais à escuta da Palavra, pedir a assistência do Espírito Santo. Sem compreender, não se pode dar nem o primeiro passo.

Segundo grupo. Pode ser o seu caso. Quem está neste grupo, diz assim: “Ah, eu fico muito feliz em ouvir a Palavra de Deus. Eu gosto demais. Se ela faz algum efeito? Acho que pouco. Na verdade, quando a gente volta para a vida real, nem se lembra mais”. É o seu caso? Jesus comparou essa segunda situação com a semente que caiu num terreno pedregoso. Nasceu, mas não pode se enraizar. Morreu queimada pelo sol. A Palavra precisa se enraizar na vida da gente. Qual é o problema? A superficialidade. Não deixar que a Palavra penetre na própria vida. O recado é simples: dedicar mais tempo à Palavra de Deus, rezar mais. Isso é como cavar mais para que a Palavra se enraíze.

Terceiro grupo. Vai ver que esse é que é o seu caso. A pessoa diz assim: ‘Olha, é uma bênção a Palavra de Deus na minha vida. Na hora, é aquela alegria que me dá! Agora, tudo aquilo que eu ouço, que eu entendo, que eu abraço, acaba se esvaziando no meu corre-corre, no meio de tanta preocupação, de tantas distrações’. É esse o seu caso? Jesus comparou essa terceira situação com a semente que caiu no meio de espinhos. Ela germinou, cresceu, mas não deu frutos, porque os espinhos a sufocaram. E os espinhos, o que seria? Ele lembrou duas coisas: as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza. Isso tudo sufoca a Palavra que está no nosso coração e a torna estéril. O recado é simples: Dê mais importância à Palavra, que ela seja a primeira na sua vida, a luz mais importante. A Palavra ajuda você a conhecer a vontade de Deus. É com essa luz que você vai olhar tudo ao seu redor, sua família, seu trabalho, seu lazer.

Quarto grupo. Se até agora, você não se encontrou... com certeza, esse é o seu caso. A pessoa diz assim: ‘Sou muito feliz porque na Palavra, eu encontro o próprio Deus que me orienta e me dá forças para caminhar. A Palavra tem modificado minha vida. Estou me tornando um cristão mais amoroso e um cidadão mais consciente’. Tomara que seja o seu caso! Jesus comparou essa quarta situação com a semente que caiu em terreno fértil. Germinou, cresceu e frutificou. Deu frutos: 30, 60 e até 100%. Quer dizer, alguns bem que poderiam estar rendendo mais... um chegou a 30, outro a 60. O recado é simples: que bom que a Palavra esteja dando frutos na sua vida! Mas, ela pode dar mais frutos ainda...





Guardando a mensagem

Para que a Palavra produza muito fruto em sua vida, quatro recomendações. Primeira – dê a atenção que a Palavra merece, isto é não a escanteie numa área marginal de sua vida (à beira do caminho). Segunda recomendação – dê mais espaço à Palavra, para que ela crie raízes em sua vida. Terceira – dê à Palavra o lugar que ela merece, ela é a luz para iluminar seus problemas, suas escolhas, suas lutas. Quarta recomendação - não se contente com o que a Palavra já fez na sua vida. Ela pode produzir muito mais.

Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente (Mt 13, 8)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no nosso terreno, tem uns espinhozinhos, não vamos negar. Mas, sabemos que a tua própria palavra é uma força para nos ajudar a removê-los. Contamos com a tua graça. Queremos que a tua palavra, que recebemos cada dia com grande alegria, seja a luz a orientar a nossa vida. Dá-nos, Senhor, a paciência do agricultor que prepara o terreno, rega a plantinha, limpa os matos e espera pacientemente que ela cresça e produza frutos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, responda a esta pergunta: A Palavra tem produzido alguma mudança em sua vida?

Comunicando

Você pode ouvir a Meditação também pelo Spotify ou pelo Deezer. Aliás, também o meu Programa de rádio Tempo de Paz está no Spotify. É só procurar Padre João Carlos - Meditação.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Uma missionária chamada Madalena.




22 de julho de 2025

  Dia de Santa Maria Madalena. 


  Evangelho.  


Jo 20,1-2.11-18

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.



  Meditação.  


Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Hoje é Dia de Santa Maria Madalena, discípula de Jesus. Tudo indica que ela era originária da cidadezinha de Mágdala, na Galileia, por isso esse apelido de Madalena. Ela integrava o grupo de mulheres que, junto com os apóstolos e outros discípulos, acompanhava Jesus. A sua imagem ficou prejudicada com a ligação que se fez com a mulher pega em adultério que ia ser apedrejada, mas lá não se diz que é Maria Madalena. O certo é que ela é a primeira testemunha de Jesus ressuscitado.

Madalena não é só uma personagem da história de Jesus. Ela, com certeza, é uma representante da primeira comunidade cristã. Nesse texto, ela pode estar representando a própria comunidade dos seguidores de Jesus, nos seus inícios. Quem é Madalena? Uma discípula, uma pessoa resgatada por Jesus. Marcos e Lucas relatam que Jesus a libertou de sete demônios. Lucas relata que um grupo de mulheres andava com Jesus, várias delas libertadas de enfermidades ou de espíritos maus, entre elas Maria Madalena. Afinal, o que era a comunidade cristã, senão um grupo de pessoas resgatadas por Jesus da doença, da opressão da Lei, da exclusão social, do pecado? É isso que é a Igreja, o povo redimido, lavado do pecado, no batismo. Um povo de pecadores restaurados na graça de Deus. Uma comunidade chamada Madalena.

Podemos também pensar que Madalena, além de representar a comunidade cristã, pode ser uma representante de cada discípulo ou discípula de Jesus. Podemos, então, nos enxergar nela, em suas palavras e atitudes. Madalena, sou eu. Madalena é você. Vamos pensar direitinho.

Em primeiro lugar, Madalena é uma discípula, uma pessoa resgatada por Jesus. O discípulo é alguém que foi restaurado de sua condição de pecador. Nós fomos atraídos para ele, pelo Pai. Fomos redimidos em sua cruz. Lavados, no batismo, em sua morte redentora. Renascemos, na sua ressurreição. Igualzinho à Madalena, nós fomos resgatados por Jesus. Somos seus discípulos. Nossa vida agora é caminhar com ele. Nele, reconhecemos a vida e a graça que nos renovam. Somos Madalena.

Em segundo lugar, a discípula Madalena ama Jesus. O discípulo ama Jesus. Ama, respondendo ao seu amor, à sua amizade. Ele tinha dito: “Já não chamo vocês de servos, vocês são meus amigos”. Ele é o bom pastor que ama suas ovelhas e por elas entrega a própria vida; bom pastor que conhece as ovelhas pelo nome e estas conhecem a sua voz. Quando Jesus chamou-a pelo nome “Maria”, ela o reconheceu. Ela é a ovelha que reconhece a voz do pastor e o ama. Madalena somos nós que amamos Jesus e conhecemos sua palavra. Somos Madalena.

Em terceiro lugar, a discípula Madalena anuncia Jesus. O discípulo assume a missão de Jesus. “Vocês serão minhas testemunhas”, disse ele. A missão é levar a todos o testemunho do nosso encontro com Cristo e do nosso amor a ele. Nosso encontro com Jesus não é tê-lo, possui-lo como um bem. Talvez seja por isso que ele disse a Madalena: “não me retenhas”. Madalena recebe a missão: “Vai dizer aos meus irmãos”. “Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito”. Madalena foi uma missionária de Jesus. Nós somos testemunhas de Jesus, somos seus missionários. Somos Madalena.


Guardando a mensagem

Madalena é, com certeza, uma representação da própria comunidade cristã que caminha da escuridão da noite para a luz do novo dia, acolhendo aos poucos a novidade da ressurreição de Cristo. Podemos também, como discípulos, nos reconhecer nela, percebendo que ela está nos representando. Ela é uma discípula de Jesus, uma mulher resgatada pelo amor de Cristo, como nós que fomos restaurados como novas criaturas, no batismo. Ela é modelo do discípulo que ama Jesus, que sofre por ele, que se arrisca por ele, que conhece a sua voz. Ele é a missionária de Jesus, que leva o testemunho do seu encontro com ele e suas palavras à comunidade e ao mundo. Somos Madalena.

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
contemplamos, hoje, em tua discípula Maria Madalena, a caminhada que cada um de nós vai fazendo para te encontrar e te anunciar aos irmãos. E o que fez toda diferença foi tu a teres chamado pelo nome: “Maria”. Ela reconheceu tua voz, ela se sentiu conhecida e amada por ti. Foi uma experiência de encontro pessoal contigo, uma experiência maravilhosa. Sem esse encontro pessoal contigo, permanecemos tateando, procurando, meio perdidos. Tu nos chamas pelo nome, o nome que recebemos no batismo, quando acolhemos a vida nova da graça. Tu que confiaste a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal, dá-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que tu vives e contemplar-te na glória do teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Quando Jesus chamou Madalena pelo nome “Maria”, ela voltou-se e exclamou em sua língua “Rabbuni’ (que quer dizer “Mestre”). Repita essa palavra várias vezes no dia, contemplando essa cena do encontro do Ressuscitado com sua discípula.

Comunicando

Hoje, teremos Encontro dos Ouvintes, na Paróquia de São Francisco de Assis, no bairro Torres Galvão, município do Paulista, área metropolitana do Recife. O encontro começa com o Terço Mariano, transmitido em uma rede de rádios e pelas redes sociais, às 18 horas. Segue-se a Missa e a Adoração Eucarística. No final, tem música e entrega de brindes. E você pode nos acompanhar pelo YouTube!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Você está esperando algum sinal?


   21 de julho de 2025   

Segunda-feira da 16º Semana do Tempo Comum


   Evangelho   


Mt 12,38-42

Naquele tempo, 38alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 39Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas.
40Com efeito, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. 41No dia do juízo, os habitantes de Nínive se levantarão contra essa geração e a condenarão, porque se converteram diante da pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas.
42No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará contra essa geração, e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão”.


   Meditação.   


Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Estamos começando a semana com um apelo muito forte da parte do Senhor: a nossa conversão. Fale a verdade: Deus já lhe deu muitas oportunidades para você tornar-se um fervoroso seguidor de Jesus, uma fervorosa discípula do Senhor, não é verdade? Quantas chances, Deus já lhe deu para você mudar de vida, converter-se? Agora, é bem capaz que você esteja esperando algo de grande impacto para que finalmente se entregue a esse grande amor! E é precisamente de amor que estamos falando. A conversão é um ato de amor: mudar o rumo de sua vida, colocando-a na direção do imenso amor de Deus. E ele nos ama por primeiro.

Você lembra: outro dia, Jesus estava se queixando das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Viram tantos milagres, mas não se converteram. Hoje, fariseus e mestres da lei, opositores de Jesus, estão lhe pedindo um milagre: ‘Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti’. Jesus deve ter ficado aborrecido. Pessoas mesquinhas como aquelas pedindo para presenciar um milagre, mas olhe só! Jesus não fazia milagres pra se mostrar. Àquela altura, Jesus já tinha tomado uma decisão: não iria mais fazer milagre nenhum. Ele chamou aquele povo de geração má e adúltera. ‘Essa geração está pedindo sinais, milagres. Não vai ter mais. Só um sinal, eles vão ter agora: o sinal de Jonas’.

Você se lembra do profeta Jonas?! Deus o mandou pregar em Nínive, capital da Assíria. Jonas calculou bem: Nínive, uma capital pagã... uma missão muito difícil, perigosa, tempo perdido. E logo o que tinha que anunciar: que Deus iria destruir tudo por ali. Nem pensar. Jonas pegou um navio numa rota contrária. Sujeito teimoso, esse Jonas. No meio da viagem, o mar ficou tão enfurecido que os marinheiros desconfiaram que alguém ali estivesse em falta muito grave contra o seu Deus. Jonas confessou que estava fugindo de Deus e da missão difícil que ele lhe confiara. Para salvar a tripulação e o navio, não houve outro jeito. Foi atirado no mar. O que aconteceu foi incrível e você recorda. Um peixe o engoliu e três dias e três noites depois ele foi vomitado na praia. Deus o mandou de volta para a tarefa que lhe tinha confiado.

Jesus disse que não teriam mais nenhum sinal, mais nenhum milagre. Só um: o de Jonas. E ele mesmo explicou: ‘assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estaria três dias e três noites no seio da terra’ (Mt 12, 40). Ele está falando, então, de sua morte e de sua ressurreição. Este seria o grande sinal, o milagre pelo qual lhes seria mostrado sua condição de Messias, enviado de Deus. Esse milagre é um dos mistérios centrais de nossa fé. Mistério recordado em cada celebração. Dele fazemos memória na Santa Missa. Como Jonas engolido pelo peixe e devolvido vivo, ao terceiro dia. Morte e ressurreição. Esse é o grande sinal.




Guardando a mensagem

Fariseus e mestres da Lei queriam ver um sinal para acreditar em Jesus. Ele já tinha feito tantos, mas nunca para se mostrar, para se exibir. Na corte de Herodes, também lhe pediram um milagre para divertir a corte. Jesus ficou quieto. Chega de milagres, foi a decisão de Jesus. Ele já estava chateado com a pouca conversão nas cidades onde tinha feito tantos milagres... Afinal, haveria um só sinal, o de Jonas. A morte e a ressurreição de Jesus é o milagre prefigurado no sinal de Jonas. Depois de três dias no seio da terra, Jesus foi devolvido vivo, ressuscitado.

Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
disseste que, no dia do juízo, os moradores de Nínive iriam condenar a geração do teu tempo, porque se converteram à pregação de Jonas, diferentemente de grande parte dos que te escutaram. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Que à tua Palavra, respondamos prontamente, acolhendo o teu amor, na graça da fé e no seguimento do teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A conversão é a nossa resposta à Palavra de Deus. A conversão é obra nossa e do Espírito Santo de Deus em nós. Assim, no dia de hoje, peça ao Santo Espírito, mais de uma vez, a graça da conversão.

Comunicando

Hoje é dia de Segunda Bíblica, nosso compromisso semanal de estudo da Palavra de Deus. Se você nunca participou, comece hoje. Muito bom pra sua formação cristã, para fortalecimento de sua fé. Acompanhe pelo YouTube, Canal Padre João Carlos ou siga o link que estou lhe enviando. Nosso encontro começa às oito e meia da noite. 

Pe. Joao Carlos Ribeiro, sdb

Para Jesus, o melhor.



  20 de julho de 2025.  

16º Domingo do Tempo Comum


  Evangelho  


Lc 10,38-42


Naquele tempo, 38Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra.
40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”
41O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.



  Meditação  


Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas (Lc 10, 41)

Um belo domingo para darmos uma volta com Jesus. Uma volta, não. Vamos acompanhá-lo na sua caminhada. Ele está indo para Jerusalém. Com ele, vão seus discípulos e um grupo de discípulas. E nós também, que já estamos caminhando com eles. Vamos devagar, pra ninguém ficar pra trás. Chegamos ao povoado de Betânia. Hora de descansar um pouco. A chegada de Jesus é motivo de alvoroço no povoado, claro. Uma família oferece hospedagem. O evangelho não diz se todo o grupo ficou hospedado ali ou se ficaram em várias casas. Mas, nós vamos ficar com ele, pra gente não perder nada, claro.

A casa é da família dos irmãos Marta, Maria e Lázaro. Pelo jeito, Jesus já é conhecido e se ainda não for amigo deles, pode contar, vão ficar muito próximos. Marta é a irmã mais velha, a dona de casa. E ela recebe Jesus, com muita alegria. Jesus entra. Nós também. Toma água. Pergunta pelo amigo Lázaro. Está em viagem. Senta-se. As coisas vão voltando ao normal. Claro, tem sempre alguém do povoado passando pra conferir. Muita gente quer ver Jesus de perto. Maria, a irmã de Marta, está ao lado de Jesus. E senta-se aos seus pés, como outros discípulos também. Esse negócio de se sentar no chão, pertinho do Mestre, era uma coisa comum. O apóstolo Paulo, por exemplo, que foi aluno de um famoso professor da Lei chamado Gamaliel, conta que se sentava aos pés do seu mestre para aprender os seus ensinamentos. Você não quer se sentar também aos pés de Jesus? Fique à vontade.

Jesus começa a conversar sobre as coisas de Deus, sobre o Reino. Fala com uma voz mansa, gostosa de se ouvir. Conta histórias, os discípulos riem... E Maria, ali, sentadinha aos pés do mestre, escutando suas palavras. Nós também. Que momento lindo! E onde anda Marta, a irmã mais velha, a dona da casa? Pela batidas das panelas, está na cozinha preparando a refeição. Ajeita uma coisa, ajeita outra. Mexe uma panela, lava um prato, tira um negócio do armário. Vai pra lá, vai pra cá, toda preocupada. Quer fazer o melhor e tem pressa. Pra Jesus, o melhor.

E Jesus contando suas histórias, conversando coisas tão simples e tão profundas... Lá vem Marta, interrompendo a conversa. Cara de aborrecida, avental azul claro, com o pano de prato na mão. Reclamou da irmã e de Jesus também, ao que parece. “Senhor, tu não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço?”. Eita! Deu aquele silêncio... Jesus respirou fundo... “Marta, Marta, tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma coisa só é necessária”. E disse mais alguma coisa como “Maria escolheu a coisa melhor. Não vamos tirar isso dela”.

Marta voltou pra cozinha, pensativa. E a conversa continuou na sala, até que chegou a hora da refeição.





Guardando a mensagem

Há uma grande diferença quando você se hospeda num hotel ou numa casa de amigos. No hotel, fazem tudo pra você: carregam sua mala, entregam a chave do apartamento, informam a que horas abre o restaurante. São gentis e educados. E lhe deixam só. Em casa de amigos, você é recebido com um abraço, servem logo um cafezinho, querem saber como você vai, tomam a refeição com você e mal lhe deixam descansar um pouco no quarto, pois vêm logo perguntar se está precisando de alguma coisa. Não fazem apenas coisas pra você, dão atenção a você, estão com você. É muito diferente.

Marta estava fazendo coisas pra Jesus, preparando a refeição, a mesa, a louça. Maria estava com Jesus, conversando com ele, ouvindo suas palavras. Discípulo não é quem faz coisas pra Jesus, mesmo que sejam coisas boas e necessárias: participar no dízimo, limpar a capela, participar da campanha para os pobres. Coisas boas, necessárias. Discípulo é quem está com Jesus, ouvindo sua palavra, conversando com ele, aprendendo a viver com ele. É isso que dá sentido a tudo o mais.

Jesus não reclamou que Marta não estivesse também sentada escutando suas palavras. Disse que ela estava preocupada, ansiosa demais, agitada por muitas coisas. A coisa mais necessária seria prestar atenção ao seu hóspede, estar com ele, não apenas fazer coisas para ele.

Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas (Lc 10, 41)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós temos alguma coisa de Marta e de Maria. Como elas, nós te acolhemos em nossa vida, em nossa casa. Às vezes, ficamos tão ocupados com coisas a fazer, que te esquecemos na sala. Andamos ansiosos, preocupados, tensos demais com as responsabilidades da vida e perdemos de estar ao teu lado, colocando-te no centro de nossa existência e aprendendo contigo o sentido de tudo o que fazemos. Tens razão. Sem darmos atenção e prioridade à escuta da Palavra e à Oração, nos perdemos no corre-corre da vida, dos afazeres da casa, em nossos empenhos profissionais. Senhor, queremos estar contigo, como Maria. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Deste seu dia de 24 horas, quanto tempo você reservou hoje para estar com o Senhor? Você tem muitas coisas pra fazer, mas uma só é fundamental. 

Comunicando

Os últimos shows deste mês de julho serão em Pernambuco: Vicência, no dia 25, Recife, no Congresso de Maria Auxiliadora, no dia 26 e Macaparana, no dia 27. Em agosto, temos show em São Domingos do Cariri, PB, no dia 08, em Aracoiaba, CE, no dia 14 e em Caetés-Abreu e Lima, PE, no dia 23.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Postagem em destaque

Um jantar na casa de Seu Levi.

   17 de janeiro de 2026.    Sábado da 1ª Semana do Tempo Comum    Evangelho.    Mc 2,13-17 Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira...

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