BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Sexta-feira da paixão do Senhor



18 de abril de 2025

   Sexta-feira da Paixão do Senhor.   


  Evangelho.  


Jo 18,1–19,42 (Confira o texto no final da Meditação)


  Meditação.  


Não és tu, também, um dos discípulos dele? (Jo 18, 25)

Estamos na sexta-feira da paixão. Hoje, fazemos memória do julgamento, condenação, execução e sepultamento de Jesus. Estamos celebrando o Tríduo Pascal. O Tríduo é como um único dia, com três momentos: a entrega que Jesus fez de sua vida ao Pai e aos seus (a última ceia com o lava-pés da quinta-feira santa), sua paixão e morte na cruz (a celebração da Paixão do Senhor no dia de hoje) e sua ressurreição dos mortos (a Vigília Pascal do sábado santo). A alegria da vitória de Cristo e de nossa vitória com ele proclamada na Vigília continua no domingo da páscoa e em todos os domingos do ano.

Para meditação do grande mistério da paixão, nesta sexta-feira, além da solene celebração das três da tarde, hora da morte do redentor, as comunidades realizam também vias sacras, procissão do Senhor Morto, sermão das sete palavras, encenações da paixão de Cristo, sermão do descimento e várias outras práticas piedosas.

Na narração da paixão, lendo João capítulos 18 e 19, há muita coisa a meditar. Vou meditar com vocês sobre um elemento apenas. Jesus assumiu sua identidade. Pedro escondeu sua identidade. Talvez você esteja fazendo como Pedro. Todos já passamos por isso.

Depois da ceia de páscoa com os discípulos, o que chamamos de Última ceia, Jesus foi para o Jardim das Oliveiras, com os discípulos. Como estava sendo perseguido e sob ameaça de prisão, ele se refugiava fora da cidade. Em lugares como aqueles, com árvores, era comum muitos romeiros acamparem durante a grande festa da páscoa. Judas tinha saído da ceia e não voltara mais. Mas, já tarde da noite, reapareceu ali no Jardim com soldados e guardas do Templo para prender Jesus. Ele já estava esperando e foi ao encontro deles. ‘Quem é que vocês estão procurando?'. ‘Jesus, o nazareno’. Jesus se identificou: ‘Sou eu’. Esse ‘sou eu’ deu um susto neles, que recuaram e caíram por terra. Jesus voltou a perguntar quem estavam procurando e a afirmar: ‘Sou eu’.

Jesus não esconde sua identidade. Não se esconde. Pede para não fazerem nada com os discípulos. Mas, se apresenta: ‘Sou eu’. O susto deles certamente se refere ao conteúdo bíblico dessa afirmação de Jesus. ‘Sou eu’ é a forma como Deus se apresentou a Moisés no Monte Sinai. ‘Diga ao Faraó que ‘Eu sou’ mandou libertar o seu povo’. Essa é a identidade de Deus. Ele é. E ponto. Jesus já tinha se apresentado assim muitas vezes: Eu sou a luz do mundo; eu sou o pão descido do céu; eu sou a ressurreição e a vida; eu sou a porta das ovelhas; eu sou o bom pastor. Esse ‘eu sou’ ressoa como manifestação do próprio Deus. Certamente, por isso, a tropa recua e cai. Diante de Pilatos, Jesus também disse: ‘Eu sou’- ‘Eu sou rei’. Não se esconde, nem camufla sua identidade. Assume quem ele é, identifica-se aos soldados e à tropa do Templo: ‘Sou eu’. Enfrenta a traição e a injustiça da prisão com sua própria verdade: ‘Sou eu’. E o afirma por três vezes.

Neste evangelho de São João, o interrogatório de Jesus na casa de Anás vem junto com o interrogatório de Pedro. Jesus está dentro da mansão do sumo-sacerdote. Pedro está no pátio da mansão, junto com serviçais e guardas. Lá dentro, Jesus assume sua identidade e sua missão. Lá fora, Pedro age bem diferente.

Pedro, mesmo que ficasse exposto à perseguição, poderia ter confirmado: “Sou eu”. Primeiro, foi na porta do palacete de Anás. A empregada o reconheceu e perguntou se ele não era um discípulo do homem que chegara preso. Pedro respondeu: “Não sou”. Enquanto Jesus estava sendo interrogado e maltratado na mansão de Anás, Pedro, meio por fora, se esquentava na fogueira com guardas e criados. Fizeram-lhe a mesma pergunta. E ele, quase fazendo eco à bofetada que Jesus recebera dentro da mansão naquele momento, respondeu: “Sou não”. E Pedro ainda teve uma terceira chance. Um parente daquele que ele tinha cortado a orelha, lá no Jardim das Oliveiras, o identificou. ‘Eu vi você lá no Jardim.” ‘Eu? De jeito nenhum”. Por medo, para fugir da perseguição, Pedro negou sua identidade. Era discípulo. Mas, disse que não era. Andava com Jesus. Mas, disse que não o conhecia. Pedro o negou por três vezes.




Guardando a mensagem

Neste dia de jejum e oração, acompanhamos a paixão do nosso Redentor. Na narração da paixão, podemos contemplar a sua fidelidade, a sua obediência ao Pai, o seu amor misericordioso pelos pecadores pelos quais está entregando a vida. Não fugiu, não jogou culpa nos outros, não desconversou. Ele assumiu corajosamente a sua identidade: “Sou eu”. Disse isso por três vezes. Nesta sexta-feira da paixão, contemplemo-nos também nesse drama que marcou a história e deve marcar nossa vida igualmente. Nós somos Pedro. Na hora da provação, escondemos nossa identidade. Quando surgem críticas e oposições, tiramos o time de campo. Imitamos Pedro. “Sou não”.

Não és tu, também, um dos discípulos dele? (Jo 18, 25)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
o galo da madrugada alertou Pedro de sua infidelidade, de sua traição. Essa sua falta lhe trouxe um grande sofrimento, um grande arrependimento. Caiu num choro de dias. Chorava pela humilhação que tu estavas padecendo, chorava pela infidelidade do seu “Sou não”. Nesta sexta-feira da paixão, dá-nos, Senhor, verdadeira contrição dos nossos pecados, de nossas infidelidades. Dá-nos a conversão de Pedro. Queremos imitar-te em tua fidelidade, na firmeza de tua entrega à vontade de Deus. E assumir com destemor nossa identidade de discípulos teus. E sustentá-la abertamente nas horas difíceis, na hora da provação. Nós te adoramos, Senhor Jesus Cristo, e te bendizemos, porque pela tua santa cruz, remiste o mundo. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, você sabe, é dia de penitência e solidariedade. Praticamos o jejum (moderando a própria alimentação) e a partilha (reservando uma doação de alimentos para os mais necessitados). Às três da tarde, una-se à Igreja que está aos pés da cruz do Senhor, celebrando a sua Paixão e Morte.

Comunicando

Para fechar bem o seu dia de hoje, assista pela Rede Vida, às dez da noite, a Via Sacra da Fraternidade que realizamos quarta-feira no centro do Recife. 

Pe. João Carlos Ribeiro,sdb




Anúncio da Paixão de Cristo

Jo 18,1 – 19,42


Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo João.

Naquele tempo, 1Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. 2Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. 3Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. 4Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse:

Pres.: “A quem procurais?”

Narrador 1: 5Responderam:

Ass.: “A Jesus, o Nazareno”.

Narrador 1: Ele disse:

Pres.: “Sou eu”.

Narrador 1: Judas, o traidor, estava junto com eles. 6Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra. 7De novo lhes perguntou:

Pres.: “A quem procurais?”

Narrador 1: Eles responderam:

Ass.: “A Jesus, o Nazareno”.

Narrador 1: 8Jesus respondeu:

Pres.: “Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem”.

Narrador 1: 9Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:

Pres.: “Não perdi nenhum daqueles que me confiaste”.

Narrador 2: 10Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. 11Então Jesus disse a Pedro:

Pres.: “Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?”

Narrador 1: 12Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. 13Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano. 14Foi Caifás que deu aos judeus o conselho:

Leitor 1: “É preferível que um só morra pelo povo”.

Narrador 2: 15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote. 16Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do Sumo Sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. 17A criada que guardava a porta disse a Pedro:

Ass.: “Não pertences também tu aos discípulos desse homem?”

Narrador 2: Ele respondeu:

Leitor 2: “Não”.

Narrador 2: 18Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. 19Entretanto, o Sumo Sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. 20Jesus lhe respondeu:

Pres.: “Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. 21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse”.

Narrador 2: 22Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo:

Leitor 1: “É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?”

Narrador 2: 23Respondeu-lhe Jesus:

Pres.: “Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?”

Narrador 1: 24Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o Sumo Sacerdote. 25Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe:

Leitor 2: “Não és tu, também, um dos discípulos dele?”

Narrador 1: Pedro negou:

Leitor 1: “Não!”

Narrador 1: 26Então um dos empregados do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse:

Leitor 2: “Será que não te vi no jardim com ele?”

Narrador 2: 27Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou. 28De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. 29Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse:

Leitor 1: “Que acusação apresentais contra este homem?”

Narrador 2: 30Eles responderam:

Ass.: “Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!”

Narrador 2: 31Pilatos disse:

Leitor 2: “Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei”.

Narrador 2: Os judeus lhe responderam:

Ass.: “Nós não podemos condenar ninguém à morte”.

Narrador 1: 32Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. 33Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe:

Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?”

Narrador 1: 34Jesus respondeu:

Pres.: “Estás dizendo isso por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?”

Narrador 1: 35Pilatos falou:

Leitor 2: “Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”.

Narrador 1: 36Jesus respondeu:

Pres.: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

Narrador 1: 37Pilatos disse a Jesus:

Leitor 1: “Então, tu és rei?”

Narrador 1: Jesus respondeu:

Pres.: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

Narrador 1: 38Pilatos disse a Jesus:

Leitor 2: “O que é a verdade?”

Narrador 2: Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes:

Leitor 1: “Eu não encontro nenhuma culpa nele. 39Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos Judeus?”

Narrador 2: 40Então, começaram a gritar de novo:

Ass.: “Este não, mas Barrabás!”

Narrador 2: Barrabás era um bandido. 19,1Então Pilatos mandou flagelar Jesus.

Ass.: 2Os soldados teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na cabeça de Jesus.

Narrador 2: Vestiram-no com um manto vermelho, 3aproximavam-se dele e diziam:

Ass.: “Viva o rei dos judeus!”

Narrador 2: E davam-lhe bofetadas. 4Pilatos saiu de novo e disse aos judeus:

Leitor 1: “Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum”.

Narrador 1: 5Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes:

Leitor 1: “Eis o homem!”

Narrador 1: 6Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar:

Ass.: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Narrador 1: Pilatos respondeu:

Leitor 1: “Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum”.

Narrador 1: 7Os judeus responderam:

Ass.: “Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”.

Narrador 2: 8Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. 9Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus:

Leitor 1: “De onde és tu?”

Narrador 2: Jesus ficou calado. 10Então Pilatos disse:

Leitor 1: “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?”

Narrador 2: 11Jesus respondeu:

Pres.: “Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior”.

Narrador 2: 12Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam:

Ass.: “Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César”.

Narrador 1: 13Ouvindo essas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado “Pavimento”, em hebraico Gábata”. 14Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus:

Leitor 2: “Eis o vosso rei!”

Narrador 1: 15Eles, porém, gritavam:

Ass.: “Fora! Fora! Crucifica-o!”

Narrador 1: Pilatos disse:

Leitor 1: “Hei de crucificar o vosso rei?”

Narrador 1: Os sumos sacerdotes responderam:

Ass.: “Não temos outro rei senão César”.

Narrador 2: 16Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram. 17Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado Calvário”, em hebraico “Gólgota”. 18Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. 19Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito:

Ass.: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”.

Narrador 2: 20Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. 21Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos:

Ass.: “Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas sim o que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus’”.

Narrador 2: 22Pilatos respondeu:

Ass.: “O que escrevi, está escrito”.

Narrador 2: 23Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto abaixo. 24Disseram então entre si:

Ass.: “Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será”.

Narrador 2: Assim se cumpria a Escritura que diz:

Ass.: “Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica”.

Narrador 1: Assim procederam os soldados. 25Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe:

Pres.: “Mulher, este é o teu filho”.

Narrador 1: 27Depois disse ao discípulo:

Pres.: “Esta é a tua mãe”.

Narrador 1: Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. 28Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse:

Pres.: “Tenho sede”.

Narrador 1: 29Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30Ele tomou o vinagre e disse:

Pres.: “Tudo está consumado”.

Narrador 1: E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

(Todos se ajoelham - Silêncio.)

Narrador 2: 31Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32Os soldados foram e quebraram as pernas de um e, depois, do outro que foram crucificados com Jesus. 33Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 35Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. 36Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz:

Ass.: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”.

Narrador 2: 37E outra Escritura ainda diz:

Ass.: “Olharão para aquele que transpassaram”.

Narrador 1: 38Depois disso, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus — mas às escondidas, por medo dos judeus —, pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. 39Chegou também Nicodemos, o mesmo que tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. 40Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar.

Narrador 2: 41No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 42Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus.

As lições da Ceia do Lava-pés.



17 de abril de 2025

  Quinta-feira da Semana Santa.  

  Ceia do Senhor.  

   Evangelho.   


Jo 13,1-15

1Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.
6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”.
8Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.
10Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”.
11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: ‘Nem todos estais limpos’. 12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.

  Meditação.  


Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13,1)

Uma das cenas da paixão de Cristo que mais chama atenção por sua beleza e por seu clima de intimidade é a Última Ceia, com o lava-pés. A celebração cristã da quinta-feira santa realça a instituição do sacramento da Eucaristia, do sacerdócio ministerial e o mandamento do amor fraterno.

Chama a atenção o fato do evangelista João não narrar a instituição da Eucaristia, como os outros evangelhos. Em seu lugar, ele apresenta o lava-pés. Lavar os pés não foi só um ato na vida de Jesus entre nós. Ele realizou sua missão, como servidor. O lava-pés é uma síntese da vida de Jesus. Entendemos que, com o lava-pés, Jesus quis mostrar que ele veio para servir, e assim nos pede para sermos servidores dos irmãos. Também nós devemos lavar os pés uns dos outros.

É possível que para João, o lava-pés seja muito mais do que um sinal do serviço. Não sei se consigo me explicar, mas o lava-pés é o amor de Jesus até o fim. Veja se eu estou pensando certo. João abre esse relato da última ceia, com essa expressão “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-se até o fim”. O que seria “amar até o fim”? Podemos entender que seria amar até o último momento de sua vida. Mas, também podemos entender que “amar até o fim” é amar intensamente, perfeitamente, até o máximo de amor possível.

Jesus amou os seus e os amou até o fim. Ele nos amou com o máximo amor. E como é que Jesus amou os seus? Bom, Jesus os convidou ao seu seguimento, anunciou-lhes a Palavra, revelando o Pai que o enviou. E o máximo de amor foi a auto doação de si mesmo. Como ele disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. Nisto estava o amor até o fim, em dar a vida pelos seus. O amor de Jesus o levou a dar a sua vida para que nós fôssemos purificados do nosso pecado.

Por sua vida entregue livremente em nosso favor, Jesus alcançou o perdão dos nossos pecados, nos purificou. Do seu coração aberto na cruz, escorreu sangue e água. Sangue redentor. Água purificadora. Por sua morte, ele nos purificou, nos lavou. Sendo assim, podemos concluir que o lava-pés é uma representação visível do amor de Jesus pelos seus até o fim. Amor que, na sua auto doação amorosa, nos comunicou a vida de Deus, nos lavando da sujeira do pecado.

Vejam que, no texto, o verbo “lavar” aparece 8 vezes. O lava-pés é o amor de Jesus que se manifestou na sua morte redentora, nos lavando, nos purificando do pecado.




Guardando a mensagem

O lava-pés não é um detalhe curioso da vida de Jesus. Foi a vida mesma dele. Ele, por amor, fez-se nosso servo. E a obra maior do seu amor foi nos lavar do pecado, por meio de sua morte. Quando foi que finalmente ele nos purificou dos pecados? Na sua cruz, na sua morte, onde se entregou em nosso favor. A sua morte é o amor maior, o amor até o fim, porque ali realizou de forma suprema o amor pelos seus. O lava-pés é uma representação do amor de Jesus, amor até às últimas consequências.

Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13,1)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Pedro não queria que tu lavasses os seus pés. Ele viu que aquilo era um trabalho para escravo. E tu eras o Senhor. E ficamos pensando no que tu lhe disseste: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. Pensando melhor, podemos entender essa palavra. Verdadeiramente tu nos lavaste do nosso pecado, por meio de tua morte. Ali, foi o máximo do teu esvaziamento, do teu abaixamento. Só lavados, purificados, podemos ter parte contigo, podemos estar em comunhão com Deus. Obrigado, Senhor. Nós te adoramos, Senhor Jesus Cristo, e te bendizemos, porque pela tua santa cruz remiste o mundo. Amém.

Vivendo a palavra

Lembre-se que amanhã, sexta-feira da paixão, temos o compromisso do jejum, como gesto de comunhão com o Senhor em seu sacrifício e de solidariedade com os irmãos que estão passando necessidade. Jejum e Partilha.

Comunicando

No nosso Canal do Youtube, transmitiremos, hoje, a Missa dos Santos Óleos, diretamente da Sé Catedral de Olinda, às 9 horas. Eu e um grupo de missionários da AMA, estamos seguindo para animar a Semana Santa em comunidades rurais no município de Abreu e Lima, área metropolitana do Recife. Desde já, uma Feliz Páscoa!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

30 moedas de prata, o preço de um escravo.




16 de abril de 2025

   Quarta-feira da Semana Santa.   



   Evangelho.  


Mt 26,14-25

Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”.
19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?”
23Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.

   Meditação.  


Combinaram, então, trinta moedas de prata (Mt 26, 15).

Judas Iscariotes negociou com as autoridades do Templo. Fechou um preço com os inimigos de Jesus, aquele grupo seleto de anciãos, sumo-sacerdotes e mestres da Lei que estavam no controle do Templo e lideravam o povo de Deus. O serviço era entregar Jesus. Havia uma decisão do Sinédrio de prender e matar Jesus. A dificuldade era que ele estava sempre cercado de multidões que reagiriam a uma eventual prisão. Os soldados do Templo, um corpo militar local a serviço do Sinédrio, já tinham tentado, mas desistiram. Eles mesmos, ao tentar executar a prisão, ficaram inseguros diante de uma pessoa tão mansa e tão humana quanto Jesus. E além do mais, ele andava sempre com aqueles doze homens, seus apóstolos. E ultimamente não se hospedava na cidade, mas pernoitava fora, em lugar de acesso difícil e, ao que parece, ao ar livre. Daria certinho, um dos doze o entregaria aos soldados do Templo, à noite. Não haveria reação. O povo nem tomaria conhecimento. Preço ajustado para o serviço: 30 moedas de prata.

Trinta moedas de prata é uma cifra simbólica. No livro do Êxodo, estava previsto o preço de um escravo: 30 moedas. Então, não foi à toa a escolha dessa cifra, Judas vendeu Jesus pelo preço de um escravo. Na carta aos Filipenses, Paulo escreveu que Jesus não se apegou à sua condição divina, mas esvaziou-se tornando-se homem e servo, e fazendo-se obediente até à morte de cruz. Ele abaixou-se à condição de servo, de escravo. O evangelista João, ao narrar a ceia da páscoa, narrou que Jesus lavou os pés dos seus discípulos. Era o escravo, o servo que lavava os pés dos seus senhores e das visitas. Judas e os homens do Templo acertaram, mesmo sem querer. Jesus fez-se servo, escravo. E o seu serviço maior seria dar a sua vida por nós.

A negociação de Judas lembra uma figura muito especial da história do povo de Deus, a história de alguém muito parecido com Jesus. Você pode ir fazendo a comparação. José era o mais novo dos doze filhos de Jacó. Andou sonhando que o seu feixe de trigo ficava em pé, enquanto os feixes dos seus irmãos se inclinavam para ele. Os irmãos entenderam o recado. Ele seria um líder, a quem eles obedeceriam. Começaram a discriminá-lo. Como era o mais jovem, o pai o amava ainda mais do que os outros filhos. E lhe deu de presente uma túnica bordada, muito bonita. Por isso, os irmãos começaram a odiá-lo. Um dia, o pai mandou José saber como ia o trabalho dos irmãos no campo. Quando os irmãos o viram, quiseram matá-lo. Terminaram por vendê-lo como escravo. O preço da venda: 20 siclos de prata. E mandaram a túnica manchada de sangue para o pai. Anos mais tarde, o jovem escravo José tornou-se o vice-rei do Egito. E salvou seu pai e seus irmãos da fome que castigou Canaã.

Nessa história de José, você notou alguma coisa parecida com Jesus? Os 12 filhos – os 12 discípulos; a sua bela túnica – a túnica sem costura de Jesus; a traição dos irmãos vendendo-o como escravo – a traição de Judas; a reviravolta na história do escravo que se tornou vice-rei. E o preço da venda como escravo. A venda por 30 moedas, por Judas, está nos dizendo que a ele foi dado o preço de um escravo. E, que, como na história de José, sua humilhação, sua morte seriam superadas pela ressurreição. Passando por essa humilhação, esse escravo chegará a ser o Senhor.





Guardando a mensagem

Os discípulos combinaram com Jesus a celebração da Páscoa. Eles falavam de “comer a páscoa”, pois tratava-se da ceia de páscoa em que seu povo fazia memória da libertação do Egito, a refeição em que se comia o carneiro assado. Acertaram a casa de uma pessoa e preparam tudo. À mesa, Jesus anunciou que seria traído por um deles. Ficou todo mundo assustado. O próprio Judas, com cara de santinho, perguntou a Jesus: “Mestre, serei eu?”. Ele tinha combinado com as autoridades do Templo que entregaria Jesus por 30 moedas de prata. Todo mundo fez a mesma pergunta: “Mestre, serei eu?”. Você também deveria fazer esta pergunta, porque todos temos culpa no cartório. A morte de Jesus é culpa de todos e de cada um de nós.

Combinaram, então, trinta moedas de prata (Mt 26, 15)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu escolheste Judas para ser teu discípulo. Foi uma manifestação de confiança e de amizade muito grande para com ele, como o foi para com os outros onze discípulos. E, mesmo vendo, que aos poucos, Judas estava se afastando de teus ensinamentos, em suas pequenas infidelidades, continuaste prestigiando e estimando teu discípulo. Não o retiraste da função de cuidar da bolsa comum, de ser o tesoureiro do grupo. Não o denunciaste na ceia, como traidor. Ofereceste-lhe um pedaço de pão, como o farias depois com os outros, quando o destes como teu corpo. Até o fim, Jesus, tu foste um amigo fiel. Mas, Judas preferiu guiar-se pelos seus interesses pessoais, e dar-te as costas, aliando-se aos teus inimigos. Livra-nos, Senhor, de agir como Judas Iscariotes. Dá-nos a graça de acolher o teu amor e de imitar a tua paciência e a tua fidelidade para com os pecadores. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Pela via-sacra, nos unimos a Cristo no caminho do calvário. Não podendo unir-se à sua comunidade para participar da Via Sacra nesta semana, você pode rezá-la sozinho ou com sua família. Para você que recebe a Meditação, estou enviando o link de uma Via-Sacra super simples, para seu uso. 

Comunicando

Veja se é possível nos acompanhar, hoje, na Santa Missa  no Encerramento da Via Sacra da Fraternidade no centro da cidade do Recife, às 11 horas, pelo nosso Canal no Youtube ou pela Rádio Amanhecer. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





Reze a Via Sacra

 

  A VIA SACRA.  





Rezar a via-sacra é muito fácil e leva apenas alguns minutos. Apresentamos, a seguir, um esquema básico desta linda oração:

Oração inicial

Senhor, concede-me a graça de compartilhar contigo o caminho da cruz, penetrar teus pensamentos e sentimentos: o que pensavas, o que sentias enquanto carregavas a cruz pela humanidade, por mim? Ajuda-me a compreender um pouco mais do que esta via dolorosa significou para ti. Com a minha pequenez, eu me atrevo a caminhar contigo nestas estações, deixando-me impressionar pela contemplação do teu mistério, buscando teu olhar de dor, de agonia, de morte, de paz.


Jaculatória antes e depois de cada estação

Antes de cada estação: “Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo“.

Depois cada estação: “Salvador do mundo, salvai-nos, Vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição“.



1ª estação: Jesus é julgado, acusado falsamente, caluniado, abandonado pelos seus amigos e injustamente condenado à morte.

Oração: Guardaste silêncio. Ó Jesus silencioso, ensina-me a calar e a guardar silêncio, inclusive no sofrimento!


2ª estação: Jesus carrega a cruz. Com grande amor a abraça. Nela, expiará nossos pecados. Ele pensa em nós e caminha rumo ao calvário.

Oração: Jesus, ensina-me a compreender tuas palavras: “Se alguém quiser me seguir, tome sua cruz e siga-me”.


3ª estação: Jesus não aguenta mais, suas forças diminuem e Ele cai pela primeira vez.

Oração: Jesus, dá-me forças para levantar-me das minhas quedas. Anima meus desânimos.


4ª estação: Jesus encontra sua Mãe. A dor de ver sua Mãe sofrendo lhe abre mais feridas no coração. No entanto, ao mesmo tempo, ver o olhar amoroso de Maria o consola.

Oração: Maria, que vencendo todo respeito humano foste capaz de consolar teu Filho no caminho do calvário, ajuda-me a experimentar teu olhar nas minhas dificuldades e aflições.


5ª estação: O cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz.

Oração: Jesus, assim como Simão te ajudou a carregar a cruz, ajuda-me nas minhas fraquezas e dificuldades.


6ª estação: O rosto desfigurado de Jesus comove o coração de uma mulher e, com um lenço, ela o enxuga cuidadosamente.

Oração: Jesus, grava tua imagem em meu coração, e que eu sempre me lembre dela.


7ª estação: Jesus, sob o peso da cruz, cai pela segunda vez.

Oração: Jesus, que não te cansem minhas constantes quedas!


8ª estação: O Senhor aceita a vã compaixão das filhas de Jerusalém.

Oração: Jesus, ajuda-me a aprender que carregar tua cruz é muito mais que todas as honras da terra.


9ª estação: Jesus cai pela terceira vez.

Oração: Jesus, que eu não perca a esperança quando experimentar a tua cruz na minha vida.


10ª estação: O Senhor é despojado das suas vestimentas.

Oração: Jesus, despojado de tudo, por amor a mim, ajuda-me a desprender-me, por amor a ti, de todas as criaturas, para que Tu sejas meu único tesouro.


11ª estação: Jesus é crucificado.

Oração: Jesus, que carregaste a cruz sem reclamar, concede-me jamais queixar-me por coisas inúteis, nem de ninguém, nem interiormente.


12ª estação: O Senhor morre na cruz.

Oração: Jesus, ajuda-me a aceitar de todo coração o tipo de morte que pensaste para mim, a aceitá-la com todas as suas angústias, penas e dores. Concede-me nesse momento unir-me à tua morte e oferecer a minha como consumação do meu caminho rumo a ti, aqui na terra.


13ª estação: O corpo de Jesus é tirado da cruz e recebido por Maria.

Oração: Jesus, que eu possa estar nos braços de Maria nos momentos mais difíceis da minha vida, e experimentar a proteção amorosa da tua santa Mãe.


14ª estação: Jesus é depositado no sepulcro.

Oração: Maria, minha Mãe, assim como João te fez companhia como um filho após a morte de Jesus, que eu possa sempre estar contigo, com os mesmos sentimentos do discípulo amado de Jesus.


Oração final



Senhor, que a meditação das tuas dores e sofrimentos destrua minha soberba, suavize meu coração e o prepare para receber teu inesgotável amor e perdão. Que, consciente das minhas quedas e defeitos, em meio às minhas penas e trabalhos, eu te busque sempre e que, contemplando teu coração aberto e ferido por amor a mim, eu possa mergulhar nele como uma gota de água, e me perca para sempre na imensidão da tua misericórdia. Amém.

Fonte: https://misericordia.org.br/formacoes/saiba-como-rezar-via-sacra-2/

Satanás entrou em Judas.

 



15 de abril de 2025

   Terça-feira da Semana Santa.   

  Evangelho.  


Jo 13,21-33.36-38

Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando.
23Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?”
26Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”.
28Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: ‘Compra o que precisamos para a festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite.
31Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”.
36Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde”. 37Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.

   Meditação.  


Então Jesus molhou um pedaço de pão e o deu a Judas (Jo 13, 26)

Chegamos à terça-feira da semana santa. No domingo, caminhamos com Jesus que montou o jumentinho. Ficou claro: ele é o rei manso e desarmado que Deus mandou para cuidar de nós. É o que está escrito no Profeta Zacarias. Ontem, segunda-feira santa, estivemos com ele no jantar em Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro. Maria lavou os pés de Jesus com meio litro de perfume caro. Nesse gesto, Maria mostrou o seu amor pelo Mestre. Mostrou que aprendeu a amar como Jesus amava, de maneira gratuita, generosa e total. Ele ama, dando-se a si mesmo. Judas fez uma cara de desacordo com a ação de Maria. É o tipo do discípulo que não aprendeu a amar como Jesus.

Hoje, já estamos sentados com os discípulos na ceia da páscoa. No evangelho de João, a ceia é o espaço para uma conversa muito longa com os discípulos e para uma longa e bela oração de Jesus pelo seu pequeno rebanho. Jesus está triste, comovido. E revela a razão de sua tristeza: está para ser traído por um deles. Todo mundo quer saber quem é, mas Jesus não o diz claramente. João estava perto dele e perguntou quem seria. A João, Jesus deu uma pista: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Molhou o pedaço de pão no molho e o deu a Judas. Disse alguma coisa a Judas e este se levantou e saiu. Os discípulos não entenderam que era Judas o traidor. Pensaram que ele tinha saído pra fazer algum mandado de Jesus.

O que é que estava acontecendo com Judas? Há muito tempo, ele estava com o pé atrás. A uma certa altura, começou a agir com desonestidade em relação ao caixa do grupo que ele tomava conta. Você lembra bem como ele reagiu na casa de Marta. Ficou revoltado com o gesto de Maria. Achou um desperdício ela gastar aquele perfume todo com Jesus. Ele não tinha assimilado o jeito de Jesus pensar e fazer as coisas. Não aprendeu a amar como Jesus. Não estava disposto a dar a sua vida, como Jesus estava para fazê-lo. De descontente, ele tinha passado à condição de aliado dos inimigos de Jesus. E já tinha feito um trato com eles. Entregaria Jesus, em troca de dinheiro.

O que é triste em Judas é que ele era um discípulo, uma pessoa que Jesus escolhera, confiava e queria bem. Como diz o salmo que Jesus também citou: “Quem comia comigo, levantou contra mim o calcanhar”. A traição que mais dói é a dos amigos e dos parentes. E, claro, da pessoa que se ama. Essa é a traição mais dolorosa. Até o fim, Jesus o tratou bem, esteve em comunhão com ele, não o denunciou ao grupo. Ali, na ceia, pegou o pão repartido, passou no molho e lhe deu. No final das contas, esse pão repartido, esse pedaço de pão, lembra a Eucaristia. Não era, com certeza, o momento sagrado que conhecemos, mas o contexto é o da Ceia. Parece uma última chance. Jesus está em comunhão com ele, o trata com deferência, come com ele. Ainda assim, Judas o rejeita. Deixa o seu coração ser tomado pelo mal. O evangelista escreveu tristemente: Satanás entrou em Judas. Judas permitiu que o mal o dominasse. João escreveu: Judas saiu. Era noite. Foi concluir as negociações para entregar o seu Mestre, naquela mesma hora.




Guardando a mensagem

O texto de hoje nos apresenta o caso de um discípulo, que tinha andado com Jesus nos seus três anos de ministério, que aos poucos foi se afastando do evangelho. De infidelidade em infidelidade, Judas chegou a romper com o seu Mestre, justo na ceia pascal, onde Jesus consagrou ao Pai a oferta de sua própria vida em resgate pelos pecadores. Pedaço de pão é uma expressão que faz referência ao contexto da Eucaristia. “Fração do pão” foi o nome da celebração da Ceia nas primeiras comunidades. Na mesa da comunhão, celebramos a nossa união com Jesus que se entregou por nós. Uma lição que você poderia tirar, hoje, dessa leitura, seria a necessidade de fazer um bom exame de consciência, para saber quanto de Judas tem dentro do seu coração. E ficar alerta: a traição começa nas coisas pequenas. Dê um jeito em Judas, enquanto é tempo!

Então Jesus molhou um pedaço de pão e o deu a Judas (Jo 13, 26)

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
Pedro pensou que, com ele, a coisa seria diferente. Jurou que te seguiria, para onde quer que fosses. Tu disseste que naquela hora não era possível, mas depois ele seguiria mesmo. Mas, Pedro era mesmo impetuoso, decidido. Disse logo que daria a sua vida por ti. Que grandeza de coração, a de Pedro. Mas, coitado, não contava com o galo. Tu o chamaste para a realidade, dizendo que ele te negaria três vezes, antes que o galo da madrugada cantasse. Somos fracos e pecadores, Senhor. Tem misericórdia de nós. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um bom exame de consciência. Identifique pequenas ações ou omissões que podem estar, devagarinho, afastando você de Jesus, do seu evangelho e de sua Igreja.

O passo da caminhada quaresmal de hoje é preparar-se para o Tríduo Pascal com um bom exame de consciência. Se houver ainda possibilidade na sua comunidade, procure o Sacramento da Confissão. 

Comunicando

A Via Sacra da Fraternidade, no centro do Recife, é amanhã, pela manhã. Você pode acompanhar a Santa Missa no encerramento, às 11 horas, pelo nosso Canal do Youtube ou pela Rádio Amanhecer. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Amar sem fazer contas.



14 de abril de 2025

   Segunda-feira da Semana Santa.   

  Evangelho.  


Jo 12,1-11

1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. 2Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo.
4Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: 5“Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para dá-las aos pobres?” 6Judas falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela.
7Jesus, porém, disse: “Deixa-a; ela fez isto em vista do dia de minha sepultura. 8Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis”.
9Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus ressuscitara dos mortos. 10Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11porque, por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus.

  Meditação.  


A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo (Jo 12, 3)

Seis dias antes da Páscoa, Jesus hospeda-se na casa de Marta, Maria e Lázaro, seus amigos e discípulos. Prepararam um bom jantar para receber Jesus e o seu grupo. Muita gente curiosa apareceu por lá. É que esse Lázaro era aquele que Jesus tinha ressuscitado. 

Durante o jantar, aconteceu uma coisa muito curiosa. Marta estava servindo. Lázaro estava à mesa com Jesus, com outras pessoas. Aí Maria veio com meio litro de perfume de nardo puro, muito caro e ungiu os pés de Jesus. A casa ficou cheia do perfume de Maria. Judas ficou incomodado. Ele calculou que aquilo estaria custando umas 300 moedas de prata. Fez logo um aparte: era melhor ter vendido aquele perfume para ajudar os pobres. Conversa daquele dissimulado, ele estava de olho no dinheiro que o perfume poderia render.

Maria representa quem aprendeu a amar como Jesus. O perfume é coisa que fala de amor, de carinho. Lavar os pés do visitante era um gesto de serviço, trabalho de criados. O que ela fez foi um gesto de amor, de gratuidade, de serviço. Com certeza, ela empregou um bom dinheiro para comprar aquele perfume e o derramou sem pena nos pés do Mestre. Foi um gesto de gratuidade, de um amor generoso que não faz as contas de quanto está gastando, quanto está empenhando, quanto está colocando de si. Amor gratuito, como o de Jesus que estava para dar a própria vida, sem reserva, sem fazer contas. Dar a própria vida: ninguém tem maior amor.

Judas representa quem não é capaz de amar como Jesus; ou quem não quer acolher o amor de Jesus, assim tão generoso e gratuito como é. Por isso, ele reclama do desperdício de derramar aquele perfume todo ou mesmo o dinheiro que poderia ter sido economizado para ajudar os pobres. Judas não entendeu: não se trata apenas de ajudar os pobres. Trata-se de amar os pobres, sendo solidários com eles com a própria vida. Como Jesus, comprometendo a própria vida, numa atitude de serviço gratuito e generoso.




Guardando a mensagem

Maria ungiu os pés de Jesus com um perfume super caro. Jesus disse que ela fez isso já antecipando o dia do seu sepultamento. É como se já estivesse preparando o corpo do Mestre para a sepultura. Na proximidade da morte de Jesus, temos aqui duas visões, a de Maria e a de Judas. Pelo seu gesto, vê-se que Maria intui que, na morte, Jesus realiza radicalmente a entrega de si mesmo em favor dos outros. Ele é o ungido (é o que quer dizer Messias) para servir e dar a sua vida em favor da humanidade. Pela conversa interesseira de Judas, sua percepção é que Jesus é uma oportunidade para se ganhar dinheiro. Ficou de olho no valor de 300 moedas de prata. Vendeu Jesus, depois, por 30 moedas de prata. Maria mostrou sua compreensão de Jesus como servidor até o fim. Estava pronta para segui-lo até à cruz. Judas mostrou sua compreensão de Jesus como uma oportunidade de um bom negócio. Não tinha mesmo condição de seguir Jesus até à cruz.

A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo (Jo 12, 3)

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
tua discípula Maria, naquele jantar de Betânia, mostrou que aprendeu contigo, assimilou bem tua vida. O perfume do seu amor e de sua fidelidade encheu a casa toda, encantando a todos. Teu discípulo Judas Iscariotes, naquela mesma mesa, mostrou que não aprendeu as tuas lições, não assimilou teu estilo de vida. Ele revelou o sentimento mesquinho de quem está interessado mesmo é no seu próprio bolso e não está disposto a por-se a serviço dos outros. Ajuda-nos, Senhor, a participar dessa Semana Santa com o desejo sincero de realizar tua palavra e de imitar teu modo de ser filho de Deus e irmão nosso, pela amorosa doação de si mesmo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a Palavra

Com o Domingo de Ramos, começamos a Semana Santa. Procuremos vivê-la intensamente. Comecemos, inspirados no evangelho de hoje, a examinar em que medida temos assimilado o caminho de Jesus. Maria ofereceu o perfume do seu amor e do seu serviço, com largueza e generosidade. Quanto você tem oferecido a Jesus e ao seu evangelho de si mesmo(a), de suas iniciativas, dos seus recursos, do seu tempo? Pense nisso.

Comunicando

Dois lembretes importantes pra você: a Segunda Bíblica e a Via Sacra da Fraternidade. 

A Segunda Bíblica é hoje. Os apóstolos Pedro e João foram presos: é o tema do nosso estudo, às oito e meia da noite, no Youtube. 

A Via Sacra da Fraternidade no Recife é depois de amanhã, quarta-feira santa. Concentração no Pátio de São Pedro, a partir das seis da manhã. Encerramento na Basílica da Penha, com a Santa Missa às 11 horas. Levar alimentos para doação ao Abrigo São Francisco. Na Rede Vida, a nossa Via Sacra será veiculada na sexta-feira da paixão. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Entrou montado no jumentinho.



13 de abril de 2025

  Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.  


  Evangelho.  


Evangelho da Procissão dos Ramos

Lc 19,28-40

Naquele tempo:
28Jesus caminhava à frente dos discípulos,
subindo para Jerusalém.
29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia,
perto do monte chamado das Oliveiras,
enviou dois de seus discípulos, dizendo:
30'Ide ao povoado ali na frente.
Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado,
que nunca foi montado.
Desamarrai-o e trazei-o aqui.
31Se alguém, por acaso, vos perguntar:
'Por que desamarrais o jumentinho?',
respondereis assim: 'O Senhor precisa dele'.'
32Os enviados partiram e encontraram tudo
exatamente como Jesus lhes havia dito.
33Quando desamarravam o jumentinho,
os donos perguntaram:
'Por que estais desamarrando o jumentinho?'
34Eles responderam: 'O Senhor precisa dele.'
35E levaram o jumentinho a Jesus.
Então puseram seus mantos sobre o animal
e ajudaram Jesus a montar.
36E enquanto Jesus passava,
o povo ia estendendo suas roupas no caminho.
37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras,
a multidão dos discípulos,
aos gritos e cheia de alegria,
começou a louvar a Deus
por todos os milagres que tinha visto.
38Todos gritavam:
'Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!
Paz no céu e glória nas alturas!'
39Do meio da multidão, alguns dos fariseus
disseram a Jesus:
'Mestre, repreende teus discípulos!'
40Jesus, porém, respondeu: 'Eu vos declaro:
se eles se calarem, as pedras gritarão.'


  Evangelho.  


Evangelho da Missa 

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: 

Lucas 22,14-23,56


E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho (Lc 19,36). 

Com certeza, você já participou de muitas romarias. Uma romaria ou uma peregrinação é uma experiência única, que desperta muitos sentimentos e nos deixa muitas saudades. Imagine-se participando da peregrinação anual da páscoa, indo a Jerusalém, com muitos peregrinos. Vamos lá... imaginação funcionando. Pronto?! Já estamos no meio dos peregrinos que estão indo à cidade santa de Jerusalém, na romaria da páscoa. Agora, não aja como turista. Nós somos desse povo. Vai todo mundo a pé, claro. Alguma família leva seu burrinho ou seu jumento com alguém montado e com provisões para a viagem. A páscoa é aquela festa em que se celebra a saída do Egito: Deus libertou nosso povo da escravidão do faraó. O povo que vem da Galileia, do norte do país, como nós, que é uma região mais baixa, diz sempre que está subindo a Jerusalém. Então, estamos subindo a Jerusalém, peregrinando para a festa da páscoa. 

À medida que se avança, mais gente vai se juntando na caminhada. Olha, não esqueça de saudar quem se aproxima ou responder à saudação que lhe fizerem: Shalom! Isso, Shalom. Olha, todo esse povo que vem da Galileia já ouviu falar de Jesus. Há três anos ele peregrina por todo o país, sobretudo pela Galileia, com suas pregações e seus milagres. Aliás, grande parte desse povo já o viu, já ouviu alguma pregação dele e todo mundo sabe contar coisas maravilhosas que ele fez. Jesus é um profeta querido desse povo simples. E como ele, como bom judeu que é, também participa das peregrinações a Jerusalém, é bem capaz de a gente encontra-lo por lá. 

Por lá, nada. Olha quem está ali na frente... ele, Jesus. Jesus de Nazaré. Vai ali na frente. Corre! Olha os discípulos dele, olha o povo que anda com ele... e eles estão parando. Estão trazendo um jumentinho pra ele montar. Escuta o que eles estão dizendo. Ouviu alguma coisa? Eles disseram que Jesus mandou pedir o jumentinho emprestado. Será que ele está cansado? Acho que não. Escuta o que esse senhor aí está dizendo... ele está dizendo que nas escrituras, livro do profeta Zacarias, está escrito que Jerusalém se alegrasse, porque o seu rei estava chegando montado num jumentinho. Ele sabe o texto de cor... “o teu rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento. Ele vai dispensar os carros de guerra, os cavalos e as armas de guerra. Sua palavra é de paz para as nações”. (Zc 9,9). Quem sabe se o profeta de Nazaré não seja o filho de Davi que o povo está esperando, o rei que Deus prometeu! 

Olha que coisa! É como um rei que está chegando à sua capital. Não é um rei montado a cavalo, como os romanos ou como os grandes senhores. Ele não chega com a força de um exército. É um rei pobre, desarmado, cercado de gente simples, um rei de paz. Será que o povo está entendendo o significado de tudo isso? Acho que sim.. olha que o povo está fazendo. Está tirando a capa que é vestida sobre a túnica e formando um tapete para ele passar no seu jumentinho. E outros, estão cortando ramos de árvores para forrar o chão ou para saudá-lo... corre, chega mais perto, estão gritando alguma coisa! Dá para escutar? Alguma coisa com “Davi”. Estão gritando Hosana. O que é “hosana”? É uma palavra que está exprimindo a alegria que eles estão sentindo. Uns gritam uma coisa, outros gritam outra. Estão saudando o rei. “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” 

É, muita gente... E já estamos entrando na cidade santa. É uma emoção só. A emoção de entrar por esses portões sagrados e a emoção de estar caminhando com Jesus, esse homem de Deus tão surpreendente. E o povo da cidade está saindo das casas pra ver o que está acontecendo. O barulho está chamando a atenção. A mulher ali está perguntando: “Quem é este homem? Quem é este homem?” Responda você... certo.. “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia”. Respondeu bem. 

A gente volta daqui. É só o começo de uma semana muito especial, aqui em Jerusalém. E na vida da gente também. Amanhã, a gente se encontra na casa de Lázaro. Sim, lá em Betânia. Obrigado pela companhia. 



Guardando a mensagem

Estamos no Domingo de Ramos e da Paixão. Na Semana Santa, mergulhamos no mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor que nos trouxe a salvação. Lendo o evangelho, assistindo um filme ou a encenação da Paixão de Cristo, não tome isso como apenas como um teatro, um evento cultural. A caminhada de Ramos nos leva a Jerusalém, à celebração do mistério da nossa salvação em Cristo. Como os peregrinos daquela páscoa, estamos certos que ele, revestido de nossa fraqueza como servo sofredor, é a referência de nossa vida, o nosso rei, o nosso Deus e Senhor. 

E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho (Lc 19,36). 

Rezando a palavra 

Senhor Jesus,
no grupo de peregrinos que chegou contigo a Jerusalém, para a festa da páscoa, havia tanta alegria, tanta esperança... Eles te reconheceram como o enviado de Deus para lhes trazer a paz. Muita gente ali já tinha escutado as histórias que contavas às pessoas para lhes falar do amor misericordioso do Pai. E visto as coisas maravilhosas que fazias. Quanto te viram montado no jumentinho, não tiveram mais dúvidas. Entenderam: é o rei que Deus mandou pra cuidar da gente. E gritaram: "Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas". Senhor, nesta semana santa que estamos começando, essas palavras enchem de alegria o nosso coração. "Paz no céu e glória nas alturas". Nós te acolhemos como o rei da paz. Por tua morte e ressurreição, fazes a paz entre o céu e a terra e continuas fazendo a paz entre os povos e nações. Alegra-nos acolher as palavras do profetas Zacarias: “o teu rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento. Ele vai dispensar os carros de guerra, os cavalos e as armas de guerra. Sua palavra é de paz para as nações” (Zc 9,9). Nós te acolhemos, Jesus, rei da paz. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a Palavra 

Organize sua agenda nessa semana, para que estes dias sejam de recolhimento e comunhão com o Senhor, sem barulheira, sem comilança, nem bebedeira. O que fazer nesses dias: ler a Bíblia Sagrada, fazer o momento diário de oração, jejuar na sexta-feira da paixão e participar das celebrações do Tríduo Pascal (Missa do lava-pés na quinta, Celebração da Paixão na tarde da sexta e Vigília da Páscoa na noite do sábado). 

Comunicando

E eu compartilho com vocês minha agenda de shows. Quem sabe a gente se não se encontre em algum desses eventos.
20/04 Pesqueira, PE 
27/04 Prazeres-Jaboatão, PE 
01/05 Surubim, PE
03/05 Ouricuri, PE
13/05 Santuário Fátima, Recife, PE
24/06 Jeremoabo, BA
28/06 São José do Rio Preto, SP
13/07 Porto Velho, RO

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Um só vai morrer por todos.

 


12 de abril de 2025

   Sábado da 5ª Semana da Quaresma.   

   Evangelho.   


Jo 11,45-56

Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”.
49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.
54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”

   Meditação.   


Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Eu tenho um convite pra você. Gostaria que você fosse comigo a uma sessão especial do alto Conselho de Jerusalém, o Sinédrio. Se aceitar, temos que ir logo, porque já vai começar a reunião. Vai?! Ótimo. Vamos lá, mas apresse o passo. A reunião do Sinédrio é no Templo. Repare bem que o templo não é como uma igreja que você conheça. O templo é uma grande estrutura, com muitas áreas para diversas finalidades. Uma delas é a sala do grande Conselho, o Sinédrio. Vamos entrar e ficar num cantinho, meio escondidos.

Olha, estão entrando as autoridades. Simbolicamente, o Sinédrio deveria ser formado por 70 homens, mas não virão todos. A maior parte pertence ao movimento dos fariseus. Eles são os mais influentes junto do povo, estão por todo o país. Claro, aqui só têm assento os mestres da Lei, os mais estudados. Vários pertencem ao movimento dos saduceus, inclusive são eles que comandam o Templo e o Conselho, através do sumo-sacerdote. Outros conselheiros são os chamados anciãos, grandes proprietários de terra da Judeia, representantes de famílias influentes. Esse que está entrando? Pelas vestes, é o Sumo-Sacerdote. Parece que cada ano muda o sumo-sacerdote, mas sempre do grupo dos saduceus. Neste ano, o Sumo-Sacerdote é Caifás. Vai começar a sessão. Caifás deu o sinal. Estão se sentando e se calando.

Dá pra escutar o que estão dizendo? Tens uns de pé, contando à assembléia alguma coisa. Parece que estão falando de Jesus. Eu sabia... eles estão relatando o que aconteceu em Betânia, dois ou três dias atrás. Você está sabendo? Gente, na casa de Marta e Maria... O amigo de Jesus tinha morrido. É um judeu conhecido, Lázaro. Jesus chegou de viagem antes de ontem e foi visitar a família enlutada. O amigo já estava enterrado há quatro dias. E Jesus mandou abrir o túmulo e chamou Lázaro. E ele saiu vivinho. Foi um rebuliço maior do mundo na redondeza. Muita gente passou a acreditar em Jesus. E, pelo jeito, a notícia já chegou aqui. Também Betânia é perto, uns 11 km daqui.

Levantou-se outro. Pelo menos, esse fala mais alto. “O que faremos? Esse homem realiza muitos sinais. Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eita, agora tá todo mundo falando junto, não dá pra entender nada... Epa, o Sumo-sacerdote se levantou e vai falar. “Vocês não entendem nada mesmo. Não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?”.

Ih, gente lá vem um guarda do Templo na nossa direção. É melhor a gente sair, antes que ele nos expulse. Vamos... rápido! “Já estamos saindo, desculpe”. Está escutando? Estão se combinando para dar fim a Jesus. A maioria está apoiando. A decisão é matar Jesus. Santo Deus!




Guardando a mensagem

Nesta sessão do Sinédrio, ficou clara a razão da morte de Jesus para as autoridades do seu povo. Eles disseram: “Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele”. Para os líderes, Jesus era uma ameaça para o seu poder, para a sua hegemonia. “Todos vão acreditar nele”. Para eles, seria péssimo. Como eles iriam ficar nesse negócio? Então, tinham que acabar com Jesus. E, logo, encontraram uma desculpa, uma razão política. Assim, “virão os romanos e destruirão o nosso lugar santo e a nossa nação”. Eles estavam interessados na manutenção de sua boa situação e no seu controle sobre o povo. Negaram-se a perceber a ação de Deus que enviara Jesus, para chamar para a vida os que estavam à sombra da morte, inclusive eles mesmos. Foi assim que Caifás, o sumo-sacerdote, resumiu que era melhor um só morrer do que o povo todo ser prejudicado. Ou como está escrito, disse que era melhor “um só morrer pelo povo”. E, aqui, o evangelista João viu uma manifestação profética. Caifás, sem querer já disse a razão da morte de Jesus no plano da salvação. “Ele iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos”. Ele morreria no lugar de todo o povo. Em vez de o povo perecer por causa do seu pecado, Jesus morreria no seu lugar. Pagaria por todos. Todos ficariam quites, perdoados dos seus pecados. Assim, pela morte do Filho, o Pai comunicaria a vida, a reconciliação, o perdão ao seu povo.

Vocês não percebem que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira? (Jo 11,50)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vésperas da Semana Santa, tua palavra nos recorda as razões de tua morte. Os que te condenaram, o fizeram como completa rejeição a Deus que te enviou para comunicar vida. Para os planos de Deus, a rejeição deles foi oportunidade para, por meio de tua morte, comunicares a vida plena aos que te acolherem pela fé. Que a celebração de tua paixão, nesses dias, Senhor, aumente em nós a fé, a comunhão com Deus e a solidariedade com os sofredores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Meditando este evangelho que mostra a rejeição das pessoas a Jesus e ao Pai que o enviou, um bom propósito seria você participar bem da Semana Santa. O ponto alto desta semana maior da fé cristã é o Tríduo Pascal (que começa no entardecer da quinta-feira santa e vai até o domingo de páscoa). 

Comunicando

E eu compartilho com vocês minha agenda de shows. Quem sabe a gente se não se encontre em algum desses eventos.
20/04 Pesqueira, PE 
27/04 Prazeres-Jaboatão, PE 
01/05 Surubim, PE
03/05 Ouricuri, PE
13/05 Santuário Fátima, Recife, PE
24/06 Jeremoabo, BA
28/06 São José do Rio Preto, SP
13/07 Porto Velho, RO

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Por favor, largue as pedras.


11 de abril de 2025

Sexta-feira da 5a. Semana da Quaresma


   Evangelho.   


Jo 10,31-42

Naquele tempo, 31os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. 32E ele lhes disse: “Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas obras boas. Por qual delas me quereis apedrejar?”
33Os judeus responderam: “Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque sendo apenas um homem, tu te fazes Deus!” 34Jesus disse: “Acaso não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’?
35Ora, ninguém pode anular a Escritura: se a Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, 36por que então me acusais de blasfêmia, quando eu digo que sou Filho de Deus, eu a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo? 37Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. 38Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai”.
39Outra vez procuravam prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles. 40Jesus passou para o outro lado do Jordão, e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. 41Muitos foram ter com ele, e diziam: “João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem, é verdade”. 42E muitos, ali, acreditaram nele.

   Meditação.   


Por ordem do Pai, mostrei a vocês muitas obras boas. Por qual delas vocês querem me apedrejar? (Jo 10, 32)

Domingo já é o Domingo de Ramos. E o que celebramos na Semana Santa? Claro, o imenso amor de Deus que se manifestou na morte redentora de Jesus, pela qual nos reconciliou e nos uniu a si e ao Pai. Mas, no drama da paixão, não aparece só o amor fiel de Deus e a fidelidade do seu filho Jesus. Aparece também o pecado do ser humano, sua maldade, sua rejeição ao projeto de Deus. Foi isso precisamente que levou Jesus à cruz.

Olha o evangelho de hoje. Eles acham que Jesus está pecando gravemente, blasfemando, ao equiparar-se a Deus, ao revelar sua identidade de Filho de Deus. É só mais uma forma de expressar a sua rejeição profunda e total a Jesus. Já o tinham censurado sobre o seu comportamento com relação ao sábado. Já o tinham condenado por sua convivência com os marginalizados, os publicanos, as pessoas mal vistas por sua lei religiosa. Eles realmente não suportavam Jesus. A perseguição vinha crescendo lentamente. Só estava faltando uma oportunidade para darem cabo dele. Na cena de hoje, já estão de pedras na mão para apedrejá-lo.

Mas, você me diga uma coisa: por que esse ódio, essa violência toda? O que é isso no coração dessa gente que os cega à ação de Deus, tão clara na pessoa de Jesus? Na verdade, esses opositores são os dirigentes, as lideranças do povo, segundo o evangelho de São João. Eles têm interesses a defender. Vêem Jesus como uma ameaça. O que os incomoda? Incomoda a sua pregação, porque anuncia o Reino de Deus que chegou como novo tempo de reconciliação e fraternidade. Incomodam suas atitudes de atenção e defesa dos marginalizados e sofredores. Incomoda sua denúncia sobre a comercialização da fé no Templo. Incomodam suas curas, seus milagres, as histórias que contam sobre ele. Em cada história dessas, Jesus está libertando pessoas da cegueira, da exclusão, da paralisia, da morte. É, é o pecado que os cega. Embora, falem em nome de Deus, estão agindo contra Deus, negando-se a acolher a Palavra de Deus proclamada por Jesus e a própria Palavra feita carne que é Jesus.

Estão armados de pedras. Querem apedrejá-lo. Mas, Jesus continua dialogando, explicando, revelando-se. Algum ali há de entender, há de abrir o coração. Às pedras deles, Jesus opõe as suas obras. Não crêem em sua palavra, tudo bem. Então, creiam nas obras que faz. Elas são ações em continuidade com a obra do Deus criador. Lembra que ele disse: “Meu pai trabalha e eu também trabalho”? As obras manifestam que o Pai está com ele, que age nele.

Longe de Deus, a humanidade produz violência, morte. Vivemos num mundo violento: desigualdade social, desemprego, tráfico de drogas, atuação de milícias, guerras... É o mundo longe de Deus. Mergulhados nesse mundo violento, assimilamos um modo grosseiro de reagir, impaciente com os outros, vulgar no linguajar, impiedoso dentro de casa com as crianças e as mulheres, intolerante, discriminador... Como os que rejeitaram Jesus, muita gente está de pedras na mão contra o inocente ou o diferente.




Guardando a palavra

As pedras representam a violência que produz a morte. Eles estão prontos para o apedrejamento de Jesus, que era inocente. Estão no pecado, afastaram-se de Deus, mesmo invocando o seu nome. Reagem violentamente contra o enviado de Deus. O pecado gera morte. Honram o deus da cabeça deles, mas na verdade, utilizam-se do nome de Deus em favor dos seus interesses. As obras, invocadas por Jesus, são suas ações que geram vida. Elas vêm de Deus, elas manifestam o amor vivificador de Deus. As obras confirmam as suas palavras. Elas manifestam decididamente o projeto de salvação de Deus. O que está nos dizendo o evangelho de hoje? Está nos convidando à conversão. As pedras são sinais da morte que o pecado gera. As obras são sinais da vida plena que Jesus nos trouxe. Passemos da morte para a vida. Acolhamos Jesus. Larguemos as pedras. Convertamo-nos!

Por ordem do Pai, mostrei a vocês muitas obras boas. Por qual delas vocês querem me apedrejar? (Jo 10, 32)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
uma vez, lançaste um desafio. Queriam apedrejar a mulher adúltera. “Quem não tiver pecados, atire a primeira pedra”. Foram soltando as pedras, bem devagar e se retirando, envergonhados. Não ficou um pra contar a história. Somos todos pecadores. E este é o tempo da graça, do perdão. Queres nos conceder a vida nova, que vem pela grande obra de tua morte redentora. Mas, só nos desarmando, reconhecendo nosso pecado, abrindo o coração para a conversão podemos receber a vida nova que nos alcançaste na cruz. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Não as pedras, a violência. Mas, a acolhida amorosa de tuas obras, das tuas ações (a inclusão, o perdão, a atenção aos sofredores, a libertação do mal) e de tua grande obra: a salvação. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

É o caso de você ir se preparando para a Semana Santa com uma inquietação: largar as pedras que você tem na mão. Estamos todos contaminados pelo nível de violência física e verbal do nosso mundo. É hora de assumir o jeito de Jesus: manso (não violento) e fiel (não se deixando tragar pelo mal). Hora de largar as pedras.

O passo de hoje em nossa caminhada quaresmal é renunciar ao estilo violento de falar e agir que o mundo ensina. 

Comunicando

No dia de páscoa, dia 20, faço Show na Cidade de Pesqueira, nas celebrações dos 145 anos de emancipação do município. No domingo seguinte, dia 27, o show será nos Montes Guararapes, na festa de N. Sra. dos Prazeres, a festa da Pitomba. Depois vem o show de Surubim, no dia 1º de maio; o de Ouricuri, no dia 03 de maio; o de Jeremoabo, Bahia, no dia 24 de junho. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Postagem em destaque

Saúde da alma e do corpo.

   16 de janeiro de 2026.    Sexta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum    Evangelho.    Mc 2,1-12 1Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em...

POSTAGENS MAIS VISTAS